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Surpresa da comissão de frente atrai olhares no segundo ensaio técnico da Rosas de Ouro

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A Rosas de Ouro realizou na noite de quinta-feira o seu segundo ensaio técnico visando a sua preparação para o carnaval 2023. O destaque do treino ficou marcado pela ótima apresentação da comissão de frente, levando um grande tripé e encenando uma coreografia de um contexto impactante. Vale ressaltar o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Everson Sena e Isabel Casagrande, que suportaram o forte vento do Anhembi. A dupla teve uma apresentação digna de reconhecimento. A ‘Bateria com Identidade’, comandada pelo mestre Rafa, novamente deu o seu espetáculo à parte com as suas ‘bossas quilométricas’. A Rosas de Ouro levará para a avenida o enredo “Kindala! Que o amanhã não seja só um ontem com um novo nome”, assinado pelo carnavalesco Paulo Menezes.

“Conseguimos melhorar o que fizemos no primeiro ensaio. Temos coisas a acertar, a gente acertou algumas coisas. Apareceram outras, e é normal. Já detectamos nas conversas que fizemos depois do ensaio, então é sentar, conversar, tentar arrumar, temos mais um ensaio dia 4, e tem um pouquinho mais de uma semana para nos organizarmos e fazer o que temos que fazer no dia 17. Hoje, não falando de evolução, andamento, acho que a comissão de frente, primeiro ensaio que vieram com a alegoria deles, está uma energia muito bacana, pode ser nosso ponto alto no desfile”, comentou Evandro Souza, diretor de carnaval da entidade.

Comissão de frente

A ala, que é coreografada por Helena Ramos, levou uma coreografia completamente diferente do que fez no primeiro ensaio. Na primeira oportunidade, a comissão fazia alguns passos de break, hip hop e outras coisas ligados à negritude, mas aparentemente estava escondendo. Nesta noite, a ala levou um grande tripé que parece muito com navios negreiros. A coreografia encenada foi muito forte, houve muito sofrimento dos negros e, a maior parte da apresentação teatral, foi realizada em cima do próprio tripé. A coreografia no chão foi feita no ritmo do samba com o objetivo de saudar o público.

RosasDeOuro et Comissao
Fotos de Fábio Martins/Site CARNAVALESCO

Harmonia

É um quesito que a escola deve estudar ainda mais. O samba-enredo para o carnaval de 2023 tem uma ‘pegada’ diferenciada. A arrancada e o início das alas na pista, são de grande valor. A comunidade canta muito bem. Porém, no andar do treino, inevitavelmente o canto teve uma queda. Foi algo que passou despercebido na primeira análise. Claramente é uma missão difícil manter este samba no mesmo andamento por muito tempo. Portanto, a comunidade da Brasilândia teve um canto regular no ensaio. Alguns momentos estavam satisfatórios e outros não. O refrão principal se destaca, são versos cantados rapidamente, mas o corpo do hino é lento e, consequentemente, as escolas têm dificuldades em manter o ritmo do início ao fim do ensaio.

RosasDeOuro et RoyceHudsonInterpretes

Mestre-sala e Porta-bandeira

O casal Everson Sena e Isabel Casagrande soube suportar o forte vento de maneira exemplar. A dupla dançou no ritmo do samba e mostrou movimentos sincronizados. Ao todo, diante das circunstâncias, o casal teve um desempenho satisfatório.

“Pensamento positivo. Gostamos bem mais que o primeiro, teve uma evolução, tem umas coisas a ajustar ainda, não tá ainda nota dez, mas está quase”, comentou a porta-bandeira.

RosasDeOuro et CasalPrincipal

”Analisando assim, é claro que o segundo ensaio técnico geralmente é melhor do que o primeiro. No primeiro sim, tivemos algumas dificuldades de andamento da escola, e aqui conseguimos descer mais tranquilo. Entendemos um pouco melhor qual será o compasso da escola, então viemos trabalhando isso no decorrer da semana, antes de vir o segundo ensaio técnico, e deu para alinhar bem aqui hoje”, completou o mestre-sala.

Isabel falou sobre como é carregar o pavilhão com essa ventania.” Nós temos os ensaios específicos aqui durante a semana, que venta bastante. Mas no dia, não é que não venta, mas tem os carros alegóricos que ajudam. Hoje não tem, mas é normal. Meio que estamos acostumadas, quase quebrando o braço, porque o vento judia, mas no dia temos essa vantagem dos carros, que quebram um pouco o vento”, declarou.

Evolução

Diante das mesmas circunstâncias da harmonia, a evolução da escola dentro das alas acabou diminuindo de ritmo no andar do ensaio. É uma obra musical que não permite o componente ficar evoluindo freneticamente o tempo todo, como se viu a Rosas de Ouro no carnaval de 2022. A agremiação optou por mudar a estratégia de desfile, mas o fato é que o andamento caiu. Assim como a harmonia, é algo para se prestar atenção. No recuo de bateria, houve um desencontro entre as alas e a própria bateria na hora de fazer a entrada.

Naquele momento, houve um descuido e falta de sincronização para preencher os espaços necessários. Vale destacar a ‘Ala Nação’, que além de ser coreografada, foi um dos grupos que mais cantou o samba. Novamente, a escola manteve a ótima ideia de cerrar os punhos no verso “Kindala! É uma questão de resistir e dar valor”. É o nome do enredo e, esse símbolo de resistência da negritude que ficou famoso nos últimos anos, foi colocado dentro da trilha sonora. No refrão do meio os versos “Arrasta pra lá e faz trabalhar… A religião vem beirando o mar”, os componentes de todas as alas evoluíram de um lado para o outro.

Samba-Enredo

Há sempre de se bater na tecla que a obra da Rosas de Oura para 2023 foi resgatada de uma final de eliminatórias de 2006. De lá para cá muita coisa mudou e, devido a isso, a ala musical teve que fazer alguns ajustes no carro de som da Roseira, junto com a bateria. As partes mais cantadas do samba são o refrão do meio e os últimos versos. A ajuda da ‘Bateria com Identidade’ deu uma sustentação maior nessa entrega de andamento.

RosasDeOuro et ManoelSoares

O intérprete da agremiação, Royce do Cavaco, avaliou o segundo ensaio. “É claro que do ângulo de visão que a gente tem, não dá para ver a escola toda, mas a gente percebeu uma garra maior das alas, o pessoal cantando com muita determinação e cumprindo com tudo que a gente ensaiou tanto na rua como na quadra. Isso já é muito bacana. Com relação a parte musical, eu confio no meu carro de som, a bateria é sem palavras. Agora é reparar as últimas arestas que tem com harmonia e evolução. Muita gente não entendeu esse samba. Não é aquela coisa gritada e acelerada. É um estilo mais cadenciado. Só que agora estamos moldando a melodia dele para jogar mais para cima e tirar aquela impressão de anos 80 e 90. Queremos dar uma cara mais moderna nele”, disse.

Outros destaques

A ‘Bateria com Identidade’, sob o comando de mestre Rafa, novamente manteve a estratégia de fazer o ‘open de bossas’ tão conhecido. A batucada também realizou várias curiosidades, como se virar para a arquibancada, fazer coreografias e comemorar com fervor cada bossa bem feita.

“Da bateria, posso pontuar duas coisas sobre a nossa importância para o canto da escola. A primeira: a gente toca para a escola, que tem um ritmo gostoso. Esse ano nós baixamos o ritmo um pouco porque esse samba é uma pegada mais antiga. E, segundo: nós temos muitas bossas, mas é dentro da melodia toda – então, ela não quebra o canto. Não tem muito contratempo nem muita novidade assim. Desde quando eu estou no comando da bateria, tirando 2017, que era algo bem quebrado e fora do beat, todos os anos nós jogamos totalmente a favor da escola. E, se tiver algo que a gente detecta que a escola está tendo dificuldade para fazer, a gente tira e renova. É assim que é”, comentou o mestre Rafa.

RosasDeOuro et MestreRafa

Destaques de chão literalmente se destacaram no ensaio com bastante samba no pé. A rainha de bateria, Ana Beatriz Godoi, sambou com simpatia à frente da ‘Bateria com Identidade’. O intérprete Hudson Luiz vem ganhando cada vez mais destaque ao lado de Royce do Cavaco.

Colaboraram Lucas Sampaio e Will Ferreira

Polícia Civil indicia cinco pessoas pela morte de menina esmagada por carro alegórico

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A 6ª DP (Cidade Nova) concluiu, nesta quinta-feira, o inquérito que investigava a morte da menina Raquel Antunes da Silva, de 11 anos. Ela foi esmagada por ​um carro alegórico na rua Frei Caneca, no dia 20 de abril do ano passado, na saída do Sambódromo. Cinco pessoas foram indiciadas por homicídio doloso.

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Foto: Divulgação/Polícia Civil

Os indiciados são o presidente da escola de samba Em Cima da Hora, o engenheiro técnico responsável, o coordenador da dispersão encarregado pelo acoplamento e guia do reboque​, o motorista reboquista e o presidente da Liga das Escolas de Samba da Série Ouro (Liga RJ).​

​A investigação apurou que o cavalo mecânico e o carro alegórico da escola de samba deslocavam-se acoplados no sentido destinado à retirada do veículo da dispersão do Sambódromo. O carro chocou-se contra um poste de concreto, esmagando a vítima.

O relatório do inquérito aponta que o veículo apresentava falta de manutenção, oferecendo riscos severos de acidente e incêndio devido à inadequação de sua construção. Foram descumpridas normas técnicas, assim como cometidas irregularidades no que diz respeito ao Código Nacional de Trânsito, entre outras ilegalidades.

Falhas no acoplamento do carro alegórico, na orientação para o deslocamento do veículo, bem como na permanência de crianças sobre o tablado também constam no relatório final. Além disso, foi apontada a ausência de fiscalização por parte da entidade responsável no dia do evento.

Confederação estima que carnaval movimente R$ 8,1 bilhões em todo o país

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O carnaval deste ano deverá movimentar R$ 8,18 bilhões em receitas, um resultado 26,9% acima do obtido no ano passado. A estimativa foi divulgada hoje (25) pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

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Foto: Allan Duffes/Site CARNAVALESCO

Segundo o economista da CNC, Fabio Bentes, o setor de turismo vem se recuperando nesse ritmo nos últimos meses, nas comparações anuais. No setor de serviços, especialmente no turismo, por conta da demanda reprimida, a questão da retomada da circulação tem sido forte nesses comparativos anuais. “E isso deve acontecer no carnaval deste ano”, disse Bentes, em entrevista à Agência Brasil.

O carnaval é a data comemorativa mais importante do turismo. “Até quem não gosta de carnaval acaba gastando dinheiro em viagens para o interior, para fora do Brasil”, destacou o economista. Mesmo com o fim das restrições de circulação de pessoas, adotadas no período mais crítico da pandemia de covid-19, o volume de receitas no carnaval de 2023 deve ficar 3,3% abaixo do registrado em 2020, quando o turismo faturou R$ 8,47 bilhões. “É uma evolução que só não igualou o carnaval de 2020 [período anterior à pandemia] porque as condições econômicas pioraram entre o carnaval de 2022 e o de 2023”.

Juros e preços

Um desses fatores é o aumento dos juros, que afeta aqueles que optam por pacotes turísticos financiados, bem como os reajustes de preços, principalmente de passagens aéreas, que subiram 23,53% nos últimos 12 meses encerrados em dezembro, em comparação a 2021. Também aumentaram serviços muito demandados nesta época do ano, como hospedagem (8,21%) e pacotes turísticos (7,16%), cujos reajustes ficaram bem acima da variação do nível geral de preços medido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de +5,79%.

“Se a gente estivesse com situação mais favorável ao consumo, seguramente o setor de turismo conseguiria, pelo menos, empatar o volume de receitas no carnaval de 2023”, afirmou o economista.

Com o cancelamento do carnaval em diversas regiões do país nos dois últimos anos, por causa da pandemia, o volume de receitas no carnaval de 2021 caiu 43% em relação ao de 2020, ficando 24% em 2022, abaixo do resultado do carnaval pré-pandemia.

Segundo a pesquisa da CNC, outro termômetro importante do nível da atividade turística foi a entrada de visitantes estrangeiros que, em fevereiro de 2020, ficou em 672 mil, caiu para 254,2 mil em 2022 e 36,1 mil, em 2021, de acordo com dados da Polícia Federal.

Setores

Os setores que responderão por quase 84% de toda a receita a ser gerada no carnaval deste ano são o de bares e restaurantes, com movimentação estimada em R$ 3,63 bilhões; o de empresas de transporte de passageiros, R$ 2,35 bilhões; e serviços de hospedagem em hotéis e pousadas, R$ 0,89 bilhão. “Os dois primeiros, porque são o que chamamos de consumo simultâneo, concomitante ao feriado. Quer dizer, ninguém compra alimento em um restaurante ou viaja muito pagando antecipadamente”.

Na parte de transportes, Fabio Bentes disse que, devido ao aumento dos preços das passagens aéreas, as pessoas estão optando por viagens de ônibus ou de carro próprio. “Isso explica porque alimentação e transporte vão responder por quase três quartos da receita gerada durante o carnaval de 2023.”

Vagas

A pesquisa da CNC mostra que a demanda por serviços turísticos deve responder pela criação de 24,6 mil vagas temporárias voltadas para o carnaval. De acordo com a CNC, cozinheiros (4,4 mil), auxiliares de cozinha (3,45 mil) e profissionais de limpeza (2,21 mil) serão os mais procurados para trabalhar no período. Bentes afirmou que a contratação de temporários neste carnaval segue dinâmica parecida com a do faturamento. “Isso faz todo sentido porque turismo é muito intensivo em mão de obra. Se vai ter um aumento na frequência dos hotéis, eles têm de contratar. O mesmo vale para restaurantes e para o setor de transportes.”

O economista disse que as 24,6 mil vagas esperadas para este ano quase encostam nas 26 mil criadas no carnaval de 2020. “O destaque negativo foi 2021, quando não houve carnaval, e as 6,4 mil vagas criadas foram para serviço de alimentação, em especial, delivery, que movimentou um pouco o mercado de trabalho em fevereiro, mas de forma diferente, e não aquela a que estamos acostumado, com blocos nas ruas.”

Em 2023, o Brasil terá o primeiro carnaval normal após a pandemia.

Na série histórica, o maior número de vagas temporárias durante o carnaval foi criado em 2014, quando a proximidade dos festejos, realizados em março, com a Copa do Mundo de Futebol, em junho, estimulou a contratação de um contingente significativo de trabalhadores, em torno de 55,6 mil pessoas.

Comércio

Animado com o aquecimento do movimento nas lojas especializadas em produtos para o carnaval, principalmente devido ao grande número de foliões que vão desfilar nos blocos, o comércio carioca espera aumento de 3,5% nas vendas até o fim da festa.

É o que mostra a pesquisa do Clube dos Diretores Lojistas do Rio de Janeiro (CDLRio) e do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Município do Rio de Janeiro (SindilojasRio), que ouviu 200 empresários da capital fluminense durante a semana de 9 a 13 deste mês.

O presidente das duas entidades, Aldo Gonçalves, disse acreditar que os produtos para o carnaval vão contribuir de maneira significativa para o aumento das vendas nos meses de janeiro e fevereiro.

“O lojista está animado, e a presença do grande número de turistas nacionais e estrangeiros na cidade estimula e movimenta o comércio”. Gonçalves ressaltou que um fenômeno que tem colaborado muito para o aumento da venda de produtos para esse período é o grande número de blocos carnavalescos. “Por não usarem fantasias padronizadas, os blocos contribuem bastante para as vendas de adereços, fantasias, chapéus, fitas, camisetas, bermudas, shorts e sandálias”, afirmou Gonçalves.

Resgatando a história do seu pavilhão, Portela convida ex porta-bandeiras para o desfile do centenário

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Prometendo surpreender a todos por ser a primeira escola de samba a fazer cem anos, Portela resgata seu passado ao levar para a Avenida ícones que fizeram história ao erguer o pavilhão da agremiação. Assim como Vilma Nascimento, Irene 15 e Andrea Machado fizeram história na escola ao conduzirem a bandeira em campeonatos da agremiação.

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Foto: Divulgação/Portela

Conhecida por todos como Irene 15, por gabaritar os 15 pontos em seu primeiro ano como porta-bandeira, Irene foi campeã no ano de 1970 com o enredo “Lendas e Mistérios do Amazonas”,

“Ser reconhecida da forma como estou sendo aqui na Portela, é muito gratificante! Normalmente o samba não reconhecia muito as pessoas, e na época de hoje ter esse reconhecimento, é o suprassumo da alegria, da felicidade e do amor que eu tenho pela Portela!”, declara a porta-bandeira.

Com o título de primeira porta-bandeira mais nova na história da Portela e no mundo do samba, Andrea Machado começou sua história na Majestade do Samba com apenas 13 anos de idade, onde dançou com Jerônimo e foi campeã por seis vezes com a escola e levou vários prêmios.

“Entrei na Portela pela Vilma Nascimento. Logo que cheguei fui manchete de todos os jornais e revistas da época, por ter apenas 13 anos e desfilar com o símbolo maior da escola. Pra mim, é uma honra receber esse convite, me sinto milionária de gratidão e amor, por essa gestão lembrar da minha história e a da Irene. Portela é o amor da minha vida, sou muito grata!” afirma Andrea.

Especial Barracões SP: No ritmo do xaxado, Mancha Verde almeja o tricampeonato

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Na continuação da série “Barracões” o site CARNAVALESCO visitou o barracão da Mancha Verde e conheceu o projeto da escola para o carnaval de 2023. Diferente dos últimos anos, a agremiação vai seguir uma linha diferente de enredo e apresentará um tema nordestino. A atual campeã do carnaval paulistano tem o enredo intitulado como “Oxente – Sou Xaxado, Sou Nordeste, Sou Brasil”, assinado pelo carnavalesco André Machado. O artista conversou com a equipe e deu detalhes do próximo desfile da agremiação alviverde.

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Fotos de Gustavo Lima/Site CARNAVALESCO

“O enredo surgiu antes de eu chegar na Mancha Verde, tanto é que anunciaram no desfile das campeãs. Eu pensei que não pudesse ter o caminho e liberdade por ter já escolhido, mas graças a Deus o Paulo Serdan me deu liberdade para fazer a pesquisa e seguir o caminho que seria legal na minha visão. Eu apresentei o projeto, ele gostou e foi muito bacana. A gente pegou a ideia do ritmo do xaxado e desenvolveu em quatro partes, que são os quatro carros alegóricos”, explicou.

Pesquisa do enredo

Como o carnavalesco explicou, o xaxado é um ritmo de dança nordestino. Para saber mais sobre, o carnavalesco teve que usar muitos livros e também contou com a ajuda da internet. “O Igor, que está na Terceiro Milênio foi para Serra Talhada, comprou um livro e me deu no museu do xaxado. Eu também tenho muito material da época da Pérola Negra, onde eu desenvolvi o auto da compadecida. Eu sabia que futuramente eu ia precisar. Cabeça de carnavalesco pensa no futuro. Também adquiri outros livros que fala do Nordeste. Inclusive o livro que eu fiz a pesquisa do xaxado, quando a bisneta do Lampião esteve aqui visitando o barracão, eu contei para ela do material, que se chama ‘Maria Bonita do Capitão’. Ela falou para eu pegar e disse que era da tia dela. Mesmo sem eu saber, tenho muitas coisas. Tenho muitos livros afros em casa. Se futuramente a Mancha quiser fazer um enredo afro, posso usá-los. Também tenho a ajuda da internet, que facilita muito. Esse ano eu não tive a oportunidade de ir no museu de Serra Talhada do xaxado por conta do calendário. O Paulo Serdan me propôs, mas eu tinha que fazer o desenho das alegorias, pilotos e que coincidiu com a final do samba-enredo. Nesse dia que a neta de Lampião esteve aqui, eu tive uma aula. É uma coisa ingênua de pegar imagens na internet, de desfiles anteriores e reproduzir achando que o Nordeste é daquele jeito. Quando eu mostrei a fantasia do segundo casal para a bisneta do Lampião ela achou lindo, mas disse que a cor estava errada e eu refiz”, declarou.

Trabalho com investimento e organização

André Machado falou como é trabalhar com um nível de organização maior. De acordo com o artista, a relação com o presidente Paulo Serdan é primordial para o sucesso do andamento da agremiação. “As pessoas falam muito para mim sobre isso, mas que fique bem claro que o carnaval é feito muito por pessoas. Lógico que o dinheiro e a questão financeira, mas a organização é fundamente e o presidente tem a escola na mão. Um super líder que fala com todos os setores da escola e isso é muito legal. Fazia muito tempo que eu não trabalhava com um presidente que tinha essa interação com o carnavalesco. É um enredo que nasceu com ele assistindo um documento e ele me deu esse presente. É muito bacana saber até onde saber quanto você pode gastar. Quando eu fiz o projeto abre-alas, o presidente me chamou e falou para manter o equilíbrio para todos os carros e fantasias saírem dentro do planejado. É tudo calculado. O trabalho tem segmento em cima do projeto sempre pesando os prós e os contras”, disse.

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Recepção na escola

O artista vem de um descenso com o Colorado do Brás e, logo após, assinou com a campeã. Segundo André, o receio era de que a comunidade ficasse com um pé atrás devido a isso, mas aconteceu o contrário. “Eu vou ser bem franco. Eu até tinha um certo preconceito com escolas de torcida organizada. Eu fui criado no samba e nasci no carnaval, mas de dez anos para cá, algumas estão desvinculando a torcida da escola de samba e a Mancha faz muito isso. O trabalho que o presidente fez nos últimos anos foi de separar a torcida dos apaixonados por carnaval. Essa recepção, quando eu fui na quadra, eu pensei que a comunidade teria um pé atrás. Eu estou sucedendo um cara que foi bicampeão. O Jorge Freitas tem um nome muito forte aqui em São Paulo e eu sou um cara que acabou de cair com o Colorado, mas eu tento me aproximar o máximo possível dos componentes, trago eles para me ajudar para ter essa conexão. Eu quero estar no meio do povo, cumprimentar as pessoas e ter essa troca de energia, até para ver a emoção das pessoas na avenida. Isso que é carnaval e todo mundo é igual”, comentou.

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Carnavalesco André Machado

Almejando o título

A Mancha Verde vem crescendo no carnaval cada vez mais. Desde 2018, a escola se mantém no topo. De lá para cá, foram dois títulos e um vice com desfiles grandiosos e organizados. A parte plástica nos desfiles são de grande investimento e, talvez, no conjunto geral dos últimos anos, a Mancha Verde seja a mais impecável no visual. Em sua estreia, André Machado almeja o tricampeonato de presente para a comunidade. “Queremos o tricampeonato. Aqui a gente só pensa dessa forma. Quero dar esse presente, porque eu ganhei esse presente da Mancha, que é estar aqui hoje fazendo o que eu mais gosto. Eu tenho que retribuir esse carinho que eles têm comigo. É deixar bem claro que o carnaval não é feito apenas pelo André e sim pela comunidade inteira, mas eu tenho que trazer esse campeonato. Se não for também, não tem problema. Eu quero apresentar um carnaval para a escola. Quero fazer com que as pessoas vão para a escola com um sorriso achando que vão para a avenida campeã do carnaval. Se não for, é consequência do projeto e da apuração”, declarou.

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Conheça o desfile da Mancha Verde

Setor 1: “A gente vai abrir o nosso carnaval falando onde surgiu o xaxado. Vamos mostrar a Caatinga lá de Serra Talhada. Ano passado a Mancha veio com um passado todo dourado e já tem um tempo que não vem com um carro verde puxando para a cor da escola. Se a gente pensar e pegar referência da Caatinga na internet, vamos ver sempre aquela areia seca, mas pesquisando eu vi que esse cenário existe na época da seca, mas também tem um cenário exuberante que é na época das chuvas. Não é só miséria. Eu busquei fazer da forma mais colorida possível. Vamos falar da lenda ‘Fulozinha’, que quando criança ela ficou perdida e entrou na Caatinga. As únicas pessoas que ela permite entrar lá são os cangaceiros. O abre-alas e a abertura da escola vai mostrar a fauna e a flora da Caatinga. Vamos ver calangos, tatu, onça e ala das baianas vem representando a flor do cacto”.

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Setor 2: “O segundo setor a gente fala realmente do xaxado para mostrar que é uma dança que surgiu do cangaço, através da figura do Lampião. Eles dançavam para comemorar as vitórias em cima dos seus oponentes. A gente tem alas de cangaceiros, literatura de cordel, mestre Vitalino e culinária”.

Setor 3: “A gente vai para o terceiro setor com a alegoria falando da religião dos cangaceiros. Tem a figura de Padre Cícero, as alas das crianças vem representando os bonecos de barro e mestre Vitalino em forma de anjo. A parte de trás da alegoria vamos montar uma feira de artesanato e também tem um grupo de 20 adolescentes que vem representando o boneco de mestre Vitalino. Todo o material de artesanato relacionado com a religião a gente vai colocar nesse carro”.

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Setor 4: “O último setor da escola a gente vai fazer homenagem aos grupos de xaxado. Primeiro vamos homenagear Luiz Gonzaga, pois o xaxado só era conhecido no nordeste e ele levou para o Brasil. Vamos homenagear também o Arcisão e já tem um tempão que a Mancha não vem com o seu próprio símbolo, que é o ‘Manchão’, onde ele vem com sanfona na parte de trás do carro, mostrando que vai representar a festa junina relacionada com o xaxado”.

Ficha técnica
Quatro alegorias
2300 componentes
Carnavalesco: André Machado
Diretor de carnaval: Paolo Bianchi
Diretor de barracão: ‘Seu Léo’

Império Serrano e Universidade Cândido Mendes firmam parceria em prol da educação

O Império Serrano e a Universidade Cândido Mendes fecharam parceria no campo educacional. O presidente Sandro Avelar e João Gualberto Teixeira de Mello, diretor da rede de ensino superior, firmaram o acordo em que serão disponibilizadas à comunidade 15 bolsas com 100% de desconto para graduação, sendo cinco presenciais e 10 EAD.

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Foto: Nathan Oliveira/Império Serrano

Presidente do Reizinho de Madureira, Sandro Avelar ressalta a importância da cooperação entre as instituições. Para ele, o Império Serrano e a Universidade Cândido Mendes vão poder mudar muitas vidas através do ensino.

“A parceria com a Cândido Mendes nos enche de orgulho. Fiquei muito feliz quando soube que o professor João Gualberto gostaria de conversar conosco e oferecer esse benefício tão importante para os imperianos. A educação é a base de tudo e nós, junto da universidade, vamos poder dar uma nova realidade para muita gente”, destaca Sandro Avelar.

Assim como o presidente imperiano, o diretor da universidade afirma que o ensino é uma grande ferramenta de transformação. João Gualberto salienta que a parceria visa, acima de tudo, dar oportunidades às pessoas da comunidade da escola de samba.

“Acredito que a educação é uma mola propulsora da libertação social. As desigualdades e as injustiças podem ser corrigidas através de uma boa educação. Para muitos brasileiros, falta oportunidade. Dada a minha aproximação ao Império Serrano e a função filantrópica da Universidade Candido Mendes, resolvi fazer esse intercâmbio cultural, onde algumas pessoas da escola vão poder estudar conosco”, completa o diretor.

Em breve, o Império Serrano e a Cândido Mendes vão assinar o termo de cooperação deste benefício. Na parceria, além das 15 integrais, os imperianos terão direito a bolsas ilimitadas de 50% na modalidade presencial e 60% EAD.

Entrevistão com Alexandre Louzada: ‘carnaval tem lugar para todo mundo, para todos estilos e enredos’

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Um dos maiores carnavalescos da história, Alexandre Louzada coleciona títulos e grandes desfile na carreira. O artista participou da série “Entrevistão”. Confira abaixo o papo completo com o carnavalesco da Beija-Flor, ao lado de André Rodrigues.

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Foto: Augusto Werneck/Site CARNAVALESCO

Maior vencedor da era do Sambódromo, qual balanço você faz da sua carreira?

“Eu não costumo ligar muito para esse aspecto, mas me acho um vencedor porque sou autodidata. Não tive a honra, a oportunidade de trabalhar com nenhum mestre. Seria meu olhar que me fez ser o que sou. Eu não conto somente os campeonatos, mas as experiências que eu vivi. Acho que eu soube esperar o meu momento. Esperei 13 anos para que eu pudesse ganhar. E isso chegou de surpresa, eu não me achava pronto. O que faz um artista ser perene, porque eterno todos nós somos, nós criamos alguma coisa que é para história, não para uma satisfação pessoal. Eu não guardo troféus, realmente não é isso que me move. O que me move é a oportunidade artística que eu tenho de extravasar, de mostrar alguma coisa. Na minha mente eu estou trabalhando em uma coisa que não sei se vai acontecer, eu já estou no terceiro enredo. Aliás, quando as escolas puderam patrocinar para cada carnavalesco, os assistentes, foi muito bom. A minha cabeça é mais rápida que as minhas mãos, mesmo desenhando um figurino, já estou pensando no outro, quero acabar aquele, é a minha forma de expressar… Estou devendo a todos que gostam do meu trabalho um livro, que realmente coloco a minha alma na história. Porque eu me considero um contador de histórias, não um artista maravilhoso. Eu queria contar a minha história, tudo que a gente vive no carnaval… Hoje todos meus assistentes são campeões do carnaval… O balanço que eu faço é esse: acho que a minha contribuição para o carnaval , fora o meu trabalho, é muito maior do que qualquer obra que eu possa ter realizado. Está aí o Gabriel Haddad, Tarcísio Zanon, a Annik que agora está na Mangueira, Roberto Monteiro… Todas as pessoas que eu dei oportunidade de poder caminhar depois com os seus próprios pés. Eu nunca escondi ninguém na minha retaguarda. O balanço que eu faço da minha carreira é a contribuição não só da minha arte, mas dos artistas que revelei para o carnaval”.

O que sente quando falam que você era o carnavalesco ideal para fazer o centenário da Portela?

“Existe uma relação entre eu e a Portela que é só de amor. Mesmo à distância você nunca vai esquecer seu berço. Eu passei a gostar de carnaval, gostando da Portela. Mesmo admirando o trabalho de quem vencia na época, que era o Joãozinho Trinta e tal, entrei no carnaval gostando e vendo a Portela. As pessoas que ainda estão ali do meu tempo de adolescente, desde os 16 anos que eu frequentava, sabem tudo de mim, me viram crescer, viram eu me tornar carnavalesco. Acho que por me interessar tanto pela história da minha escola, por entender a história da Portela em todo seu caminhar, faz na cabeça das pessoas que eu seria a pessoa ideal para reviver isso. Até porque, fora a velha-guarda da Portela, acho que sou o mais velho portelense que está aqui”.

Gosta dessa proposta de trabalho em dupla?

“Eu sou um cara que respeita muito o trabalho de cada um. A Beija-Flor deu a oportunidade de nós dois conversarmos sozinhos, não foi dentro da escola, foi em um bar aonde a gente colocou todas as possibilidades, tudo o que poderia ocorrer com essa junção de duas pessoas. Eu já trabalhei com ele (André Rodrigues), mas ele (André Rodrigues) como assistente, não dividindo um carnaval. Quando você divide um carnaval, todo mundo quer criar. Mas eu me coloquei da seguinte forma: depois do enredo escolhido, se for algo que nós dois construímos juntos, ou que eu tenha uma ideia que foi ela que venceu, ou a ideia dele (André Rodrigues) que venceu, precisa ter o respeito ao criador, ao autor. Levando em consideração que eu estou respeitando os autores desse enredo, o projeto que estava na cabeça deles… Lógico, eu dei minha contribuição, mas eu me coloco em uma contribuição um pouco mais modesta do que foi ano passado onde o projeto era mais visual, era mais meu. Precisa ter um respeito por esse fio condutor, para que você não construa um frankenstein. A gente tem se dado bem até agora por causa desse respeito. Não tenho problema em trabalhar em dupla, acho que até o meu projeto futuro é sempre dar oportunidade a alguém, e depois essa pessoa caminhar com as suas próprias pernas”.

O André Rodrigues vem sendo muito elogiado. Como artista, o que você pode falar do trabalho dele de agora e projetando para o futuro?

“O futuro ele está construindo no presente, ele está criando um estilo próprio. Quando eu estava narrando o que a gente pode esperar da Beija-Flor, passa por ele. A oportunidade, a experiência do André Rodrigues tendo condições em um Grupo Especial. Todo mundo merece tudo de bom nesse meio, e o André é um deles, não é diferente”.

O que pensa sobre os enredos de hoje vão muito além da avenida e passam pelas escolas e pelas ruas?

“Isso é uma questão de estilo. Com tanto que o lúdico continue existindo. Você pode carnavalizar enredos que possam ser carnavalizados. Quando esse enredo foi proposto eu falei: ‘André, a única coisa que eu não quero é que a gente vista gente de gente’. Até porque o André é um artista multimídia, extrapola a questão da prancheta. É uma nova geração que está surgindo… Isso tudo é fácil, quando você perguntou de futuro, eu não posso garantir nem o meu, nem o de ninguém. Já teve a era do Louzada, o maior campeão do Sambódromo, quando eu tive a felicidade de ser tricampeão saindo da Vila e vindo para a Beija-Flor, mas passa, o novo sempre vem. Já teve a era Paulo Barros. O Leandro que ainda está aqui, teve a explosão dele. Agora foi a vez do Gabriel e do Léo. O André, espero que seja agora, porque eu tenho total interesse que seja a era dele se inaugurando. Mas todos nós temos que ter na cabeça que isso passa. Você não vai ser eterno campeão, você vai ser eterno pelo seu trabalho.Você ser bicampeão é muito difícil, porque as escolas estão muito competitivas. A cada hegemonia que foi se criando, a Beija-Flor foi uma delas, por exemplo, forçava as escolas a se aplicar mais para seguir o mesmo caminho. Hoje temos um exemplo que é a Viradouro. A Viradouro é uma escola que com essa nova gestão retornou ao Grupo Especial. Não é a Viradouro que a gente viu lá atrás que já foi campeã lá atrás com o Joãozinho Trinta, tem também hoje uma visão empresarial e com mais vontade de vencer. Hoje não está fácil para ninguém. Acho que o futuro é do novo, se o novo será o André, eu vou adorar. Mas tudo é fase, passa”.

Você deixou o lugar de fala para o André e o Mauro Cordeiro. Como isso aconteceu dentro da sua cabeça?

“Por eles serem os autores. Eu falo mais da parte plástica, mas assim esmiuçar a história é bom que seja o Mauro porque ele fez a pesquisa toda, é um enredo que tem múltiplos personagens… Ano passado eu tinha total autonomia do projeto, mas eu escolhi o André como a minha fala porque qualquer coisa que eu falasse sobre empretecer o pensamento, não seria tão contundente quanto o que o André poderia falar por experiência própria, por experiência de vida. Uma coisa é você ser uma pessoa desprovida de preconceito, mas você não sofre o preconceito na pele, na carne, no coração, na alma”.

Qual é o seu desfile inesquecível da carreira que você fez?

“Os três primeiros carnavais aqui da Beija-Flor. Eu poderia ter escolhido a Mangueira, mas mesmo sendo campeão, não me achava pronto, não tinha atingido aquilo que queria como artista. Eu experimentei um pouco aqui na Beija-Flor com esses três primeiros carnavais, os quatro até ‘Brasília’. Depois que eu saí da Beija-Flor foi quando eu amadureci como artista. Porque quando você tem facilidade, você fica mal acostumado. Eu não me deixei chegar ao inferno, eu encontrei o meu caminho alternativo para que eu possa fazer uma escola com grandes recursos, como uma que não tem. Também nenhum artista consegue trabalhar naquela que não te dá nada, isso eu já passei também”.

Qual carnavalesco foi sua referência profissional e por qual motivo?

“Eu vou citar o Viriato primeiro, porque meu primeiro contato com esse título ‘carnavalesco’ foi com ele. Uma história que pouca gente conhece é que antes de eu me tornar carnavalesco da Portela, eu seria um dos assistentes do Joãozinho Trinta, eu iria desenhar figurinos para ele, para aquele carnaval ‘A Lapa de Adão e Eva’ em 1985. Foi aí que a Portela resolveu me dar a oportunidade de ser carnavalesco, porque estava perdendo um portelense para uma co-irmã (Beija-Flor), mas que disputava. Acho que Viriato teve uma importância muito grande de me deixar olhar o barracão. Eu passava as tardes lá com ele, frequentava a casa dele, via ele desenhando. Ele me falou que deixaria eu ver, mas ensinar ele não ensinar ele não ensinaria, que eu teria que ter minha própria identidade como artista. Ele é para mim uma referência como todos, acho que sou um carnavalesco que é fruto do meio. Tenho uma admiração muito grande pela Rosa Magalhães que como
componente foi a carnavalesca que eu mais tive próximo, depois veio o Viriato e depois me tornei carnavalesco. Com o tempo eu e a Rosa construímos uma amizade, ela para mim é uma referência como artista pela plástica, e como história, ela também gosta de contar casos, e eu também, quando a gente se encontra ela é uma pessoa muito divertida. Minha referência é o Viriato, é o Joãozinho Trinta, é a Rosa Magalhães,é o Max Lopes, é o Renato Lage, todo mundo que estava a minha frente no tempo… Fernando Pinto que já se foi … Eu me tornei carnavalesco admirando as obras deles”.

O Leandro Vieira disse que o carnaval vive hoje um dos melhores momentos na parte de criação artística dos carnavalescos. Concorda?

“Eu já respondi isso de outra forma no meio dessa entrevista. No quadro mais complicado da Beatriz Milhazes não tem tantos detalhes quanto tem no carnaval, no carro do Gabriel Haddad e do Léo Bora. A interpretação, o toquezinho de ironia política do Leandro… Estou citando vários estilos completamente diferentes. O rebuscamento estético, porque tem condições para fazer isso, do Tarcísio ali na Viradouro. O Edson vem em um crescimento também como artista. E o André também, ele coloca muito a identidade dele no trabalho, ele agrega pessoas… Ele também não se limita a pesquisa, ele vai agregando pessoas com afinidade com aquilo que você contar”.

Como você tem visto essa onda de enredos críticos?

“Acho que vai um dia passar. Espero, porque se tiver que criticar a vida toda esse país não vai para frente, vai ser uma droga. Espero que se torne uma Nárnia, que tudo seja lindo, maravilhoso… Nunca vai ser. Dependendo da crítica, é sempre bem vinda. As escolas têm esse papel também, sempre tiveram, de uma forma forma reprimida na época da ditadura, onde sempre havia uma ode a história do Brasil que a gente aprende na escola, fatos históricos. Depois teve uma fase que não podemos esquecer que é a do Luiz Fernando Reis, que era bastante crítico do dia a dia. O Renato Lage teve essa fase também de ‘O que é bom todo mundo gosta’, os enredos dele no Império Serrano… O inconsciente coletivo faz com que a gente coloque para fora, coloque na nossa arte aquilo que a gente está vivendo no momento… Eu acredito que o ano que vem, mesmo tendo críticas, acho que vai ser uma análise daquilo que a gente vai viver daqui para frente. O carnaval tem lugar para todo mundo, para todos estilos, para todos os enredos”.

O Louzada gosta mais de produzir fantasias ou alegorias?

“Hoje eu mudei um pouco. Eu sempre gostei muito de fantasia, sempre foi mais a minha preocupação. Hoje você trabalhar em alegorias depende de ter profissionais na sua equipe. Por exemplo, se essa dupla (Alexandre Louzada e André Rodrigues) se desfizer, eu vou ter que buscar um outro webdesigner para fazer carro. Porque o André é um carnavalesco também, ele vai seguir… Mas eu gosto mais de fantasia. Eu não tenho paciência para fazer um curso de computação, minha mão ainda é mão de artista. Eu faço o esboço de um carro… O André começou assim comigo, cada pecinha que foi colocando no figurino da primeira vez que a gente trabalhou na Vai-Vai. Foi a primeira experiência dele como gestor de barracão. É uma coisa que eu gosto muito, mas deve ser chato para quem faz… Eu gosto mais da parte plástica. Depois que acaba o protótipo, eu já estou ansioso para fazer outro. Fantasia é uma coisa que sempre foi o que me moveu por eu ter sido componente também. As minhas fantasias são verdadeiras alegorias. Eu cheguei em um tamanho que já dá para carregar. Mas eu consigo mentalizar em um corpo de uma pessoa tudo aquilo que quero transmitir, que poderia ser em uma alegoria. Não vou dar spoiler daquilo que eu estou trabalhando, mas é bem complexo. Mesmo que não vá para a avenida, é um exercício muito bom de criatividade… Uma coisa é pegar o figurino de época e transpor para o papel, outra coisa é pegar um objeto e colocar isso como fantasia, e ela continuar sendo vista como objeto. Isso é o melhor exercício para mim, eu já estou no terceiro pacote de papel. Eu desenho uma fantasia umas cinco, seis vezes. Do esboço até ela virar o figurino definitivo”.

PodCarnavalesco: acompanhe o programa com Elmo e Alvinho, baluartes do carnaval e da Estação Primeira de Mangueira

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Comissão de Frente é o grande destaque no ensaio da Mocidade Unida da Mooca

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A Mocidade Unida da Mooca, terá como enredo para 2023: “O Santo Negro da Liberdade”, fez seu primeiro ensaio técnico na quarta. No dia do aniversário de São Paulo, 469 anos, a agremiação que luta pelo seu primeiro acesso na história, fez um ensaio para quebrar o gelo da comunidade e a comissão de frente teve o grande destaque com uma alegoria grande, embalada, e uma coreografia bem tocante envolvendo Cabo Chaguinhas, que inclusive gerou o nome de ‘Liberdade’ para um dos bairros tão tradicionais de São Paulo. A MUM será a última, vulgo 8ª escola, a desfilar no domingo, dia 19 de fevereiro.

Comissão de Frente

A Comissão veio com elemento alegórico embalado e alto. Com escadas que componentes vestidos em um estilo pirata, com espada, subiam e colocavam Francisco José das Chagas na forca. Quatro mulheres com uma cruz no peito e roupa grená. Em outro ato um outro componente sobe ao topo, enquanto os outros ajoelhavam. No caso do Chaguinhas, uma hora era salvo, na outra acabava sendo enforcado, para tristeza dos componentes que estavam à frente e defendiam o mesmo. Pelos relatos da história de Francisco Chagas, em três ocasiões que ele foi para a forca, a corda estourou, e o povo gritava: “Liberdade, Liberdade!”. Pelo ensaio, deu para sentir exatamente essa cena. Em um dos atos, Chaguinhas era realmente enforcado e caiu na vala.

MocidadeMooca et ComissaoDeFrente 2

Mestre-sala e Porta-bandeira

O casal Patrick Vicente e Graci Araujo veio com um vermelho escuro no figurino e pessoas de Guardiões ao lado deles. Os passos laterais sincronizados no Setor B, quase centralizados na pista, uma dança bem segura, mesmo com um vento que estava forte no Anhembi e batia direto no pavilhão. Um trabalho extra para o casal, afinal não tem alegoria para protegê-los. Mesmo assim passaram bem tecnicamente pelos primeiros módulos da pista. Apresentaram o pavilhão como manda o figurino.

MocidadeMooca et PrimeiroCasal

Harmonia

A Mocidade Unida da Mooca tem um canto forte, e entra sempre impondo seu ritmo em qualquer ocasião. Neste ensaio técnico, senti um pouco mais do canto em alguns momentos como no início da escola, dito isso, a comunidade não deixou de cantar, foram momentos do ensaio que podia explodir, como no primeiro apagão. Foram feitas três paradonas na bateria e nos dois últimos, deu para sentir que o canto foi evoluindo. No último apagão, reparei nas últimas duas alas que ainda estavam na pista, uma delas coreografada, e outra que fechava a escola, enquanto a bateria já estava fora da pista, ambos cantavam o samba, bom teste para eles. A escola estava com camisas padronizadas e sem nomes das alas, ou numeração, mas no meio da escola, senti os componentes mais soltos e trazendo a comunidade para o canto.

Evolução

De modo geral, a MUM não estava tão grande em números de componentes, acredito que no dia 05/02 virão com mais gente. Portanto, trabalhou com tranquilidade durante o horário, o samba iniciou já com o portão aberto, e a comissão entrou na pista com cerca de 8 minutos. Passaram tranquilamente dentro do tempo, foram 51 minutos, brincaram um pouco com harmonia, diretores, presidentes, antes de fechar de fato o portão, quase marcando 52 minutos segundo nossa contagem. A vermelho e verde da Mooca não fez um desfile puxado, foi algo leve, componentes realmente estavam tranquilos, mesmo sendo um ensaio ‘quebra gelo’, dá para sentir que estão movidos pelo tão sonhado acesso e desfilam com amor pela escola que é de um bairro muito tradicional e ainda bairrista em São Paulo.

Samba-Enredo

Além da comissão de frente, destacou-se o time de som, Gui Cruz e Clayton Reis conduziram o samba com muita elegância, nítido em todos os trechos. O samba tem alguns momentos fortes que o carro de som fluiu bem, um deles foi: “Saravá, Saravá! Salve a Santa Capela e as almas da Kalunga que protegem esse chão”, o outro que destaco é “Vai ter missa no terreiro, ladainha pra saudar Santo Negro no Ilê, Santo Negro no altar”. O samba tem palavras que poderiam complicar, mas não é o que sentimos no ensaio técnico, fluiu dentro dos conformes e tudo com clareza.

MocidadeMooca et Interpretes

Outros destaques

A Chapa Quente, bateria da MUM, comandada por mestre Dennys apresentou um repertório de bossas, e teve três apagões que mostraram o canto da escola, o que considero fundamental em ensaios técnicos. O primeiro foi logo no Setor B, a primeira parte da escola não veio tanto, depois já no penúltimo setor, soltaram outra e a escola estava mais solta, cantando. Por fim, já fora da pista, e com apenas duas alas finalizando, fizeram mais uma. A apresentação da bateria com o carro de som fluiu muito bem neste primeiro ensaio.

MocidadeMooca et FalangaAnaThaisFamilia

Antes da escola entrar na avenida, precisamos citar um fato, o presidente Rafael Falanga pediu a jornalista Ana Thaís Matos, do Grupo Globo, em casamento. Ambos namoram há algum tempo, e ela sempre marca presença na escola, muito querida pelos componentes inclusive.

MocidadeMooca et Rainha

A corte de bateria foi bem destacada, a rainha Aline Ertogrel interage com ritmistas, brinca, e samba no pé presente. A rainha mirim Yasmin Marcelly é uma gracinha na frente da bateria, sorriso lindo. A princesa Vitória Vicent veio com uma roupa afro, e muito samba, tirou onda com a Chapa Quente. Por fim destaco as passistas bem animadas, sorridentes e dançando bastante, assim como as destaques de chão da escola mostraram sambarem muito, inclusive algumas que estavam no espaço de alegorias.

Em franca evolução, Unidos de Vila Maria capricha no segundo ensaio técnico

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O período de ensaios técnicos, já na reta final do ciclo de uma escola de samba, costuma ser marcado pela evolução das agremiações. Na noite de quarta-feira, a Unidos de Vila Maria mostrou que está no caminho certo em diversos quesitos, crescendo de rendimento no segundo ensaio técnico da instituição. Com boa parte dos itens julgáveis em grande noite, justamente o que mais identifica a apresentação teve percalços bastante sensíveis. Cantando o bairro onde está localizada a escola, os componentes defenderão o samba “Vila Maria, Minha Origem, Minha Essência, Minha História! Fonte de Amor Muito Além do Carnaval”.

Harmonia

Se a harmonia teve percalços no primeiro ensaio técnico, o segundo viu uma evolução acentuadíssima da escola no quesito. Sem irregularidade no canto, é justíssimo dizer que o samba “pegou na veia” e que a escola abraçou a canção. Quando a reportagem observava a apresentação da comissão de frente, o canto dos setores subsequentes já impressionava.

Chamou atenção o fato de staffs ligados à Harmonia da agremiação, ainda assim, pedirem mais força para os componentes. Por diversas vezes, integrantes que ficam nas laterais da avenida instigavam os componentes a soltar ainda mais a voz.

Vale destacar, também, a resposta da comunidade aos apagões propostos pela “Cadência da Vila”: quando aconteciam, os componentes cantavam bastante forte.

Mestre Moleza destacou que, agora, a bateria da azul e verde da Zona Norte quer ser ainda mais harmônica com o canto da escola: “Já temos essas bossas, o que iremos fazer está aí. Agora, estamos fazendo o entrosamento com o povo, com a escola, deixando o povo cantar, sentir, essa mesma energia que estamos sentindo a gente está transferindo para todos os componentes. Por isso, estamos entusiasmados e até mesmo ansiosos para o dia. O negócio está crescente, diferente do carnaval anterior, com a pandemia, que estava com o gás, tesão, de repente o cancelamento, agora está crescente, chega na hora e estamos vendo que está melhorando, isso nos deixa felizes”, afirmou.

O canto forte dos componentes foi elogiado por Julio Cesar Alves, o Queijo, diretor de carnaval da agremiação: “Hoje eu gostei muito do canto da escola, da compactação da escola. Acho que a gente está em um grande momento, e vamos dar muitas novidades aí”, destacou.

Samba-Enredo

O elogiado samba-enredo da Unidos de Vila Maria teve algumas peculiaridades antes do desfile começar. A equipe de som fez alguns arranjos novos na arrancada e durante o ensaio técnico. Já Wander Pires, intérprete da agremiação, falou em tom baixo enquanto nenhuma música (samba-enredo ou sambas-exaltações) era tocada. Quando a canção começava, porém, ele soltava a conhecidíssima voz, sempre afinada e com diversos cacos para chamar os componentes.

A harmonia correspondeu quase que à perfeição no ensaio, e é claro que a canção executada, de muita qualidade, tem muito mérito nisso. O carro de som idem. A “Cadência da Vila”, cada vez mais afiada com mestre Moleza, voltou a marcar algumas partes da canção com diversas bossas e paradinhas.

VilaMaria et WanderPires

Vale destacar a força do canto da escola como um todo no verso “Bem mais que um caso de amor” – frase que também está presente no hino oficial da agremiação.

A canção, por sinal, foi bastante elogiada por Wander Pires: “Ponto alto é o samba, né?! No ensaio foi o samba, a euforia do povo, energia, alegria do povo, maravilhosa, coisa boa, é muito legal, e que você se contagia com a alegria do povo. Com um samba desse é muito maravilhoso”, destacou.

A integração do carro de som com a “Cadência da Vila” também mereceu elogios do intérprete: “Entrosamento com a bateria é isso que você viu, Mestre Moleza é muito fácil de se trabalhar, a Cadência é uma bateria fácil de trabalhar. Está dando tudo certo, só temos que agradecer, ficar feliz por tudo que tem acontecido. Está tudo bem, o segundo ensaio melhor do que o primeiro, e o terceiro vai ser melhor. Para ajeitar, só coisas bobas mesmo: o tom e a afinação, vamos acertando sempre”, pontuou.

VilaMaria et Moleza

Correção também foi um tema citado por Mestre Moleza: “O que corrigimos é a questão do andamento, tocar no mesmo pulso por mais tempo durante a avenida inteira. É aquilo do desgaste, hoje sentimos uma pressão maior durante toda a pista. No ensaio anterior, sentia que tinha aquilo, mas tinha hora que via o ritmista cansado, abafado. Hoje, estava com um semblante mais alegre. Isso demonstra que estavam melhores preparados”, pontuou.

Exaltar o próprio bairro é motivo de muito orgulho, de acordo com Queijo: “Na verdade, a comunidade entendeu que é a própria história dela. Em cada pedaço do enredo ela vai se identificando com cada momento que está acontecendo. É muito fácil você tocar no coração de quem é Vila Maria, e aquele que está chegando também consegue entender essa magia”, resumiu.

Comissão de Frente

Os integrantes, que já tinham se destacado no primeiro ensaio técnico, tiveram exibição ainda mais arrebatadora, com a coreografia bastante expressiva e pouco mais curta que as outras coirmãs. Boa parte deles ganharam jaquetas nas cores da agremiação – verde, azul e branca. Os carrinhos de supermercado foram substituídos por triciclos, que comportam dois dos bailarinos.

O que não mudou foi a simpatia, leveza e expressão de cada um deles ao coreografar. Se quatro bailarinos ficavam nos triciclos, os demais se exibiam no chão, sem a ajuda de tripé algum, tal qual nos saudosos carnavais dos anos 1990.

Vale destacar que a comissão de frente teve uma leve hesitação para entrar na avenida, levando quase uma passada inteira do samba para dar os primeiros passos na passarela. Também foram ouvidas cobranças entre os integrantes, mostrando comprometimento com questões ligadas à apresentação.

VilaMaria et Comissao 2

Em determinado momento, a comissão de frente abre um espaço bastante razoável para o casal de mestre-sala e porta-bandeira, que aparece logo depois dos bailarinos. Lais Moreira, porta-bandeira da escola, pontuou que haverá um ajuste em tal ato: “São duas situações. Em um momento, eles realmente se distanciam, mas as bicicletas voltam para o lugar – então o espaço acaba ficando mais ajustado. E tem a hora que eles avançam – e, aí, vamos entrar no ajuste para consertar o nosso tempo. É natural, ensaio técnico é para isso: errar e consertar para que, no dia, saia perfeito”, destacou.

Edgar Carobina, mestre-sala, frisou que tal espaço também o deixou surpreso: “Ter a noção do espaço ajuda bastante, é sempre bacana. Essa situação foi uma novidade para a gente hoje, mas é bom que esses empecilhos aconteçam para que, no desfile, se realmente acontecer, a gente já saiba como lidar”, comentou.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O desafio para Edgar e Lais era bastante grande no ensaio de quarta-feira. A noite paulistana começou com forte ventania, e a região do Anhembi, que tradicionalmente recebe rajadas ainda mais intensas, era hostil. Dos casais mais premiados de mestre-sala e porta-bandeira, entretanto, mais uma vez impressionaram os presentes.

Para evitar quaisquer problemas, Lais, por diversas vezes, segurou o pavilhão com a mão. Ela mesma explica o motivo pelo qual tomou tal atitude: “O vento estava muito forte. Eu preferi segurar pra evitar fazer força no braço. O controle do pavilhão eu tenho, independentemente do vento, já que estamos há muito tempo fazendo isso. Porém, para evitar desgaste, já que falta tão pouco para o desfile, fiz isso. Mas, no fim, foi tudo fluido no ensaio e foi muito positivo. Comparado com o primeiro, foi muito bom”, conclui.

VilaMaria et PrimeiroCasal

O vento também foi tema de palavras de Edgar após o ensaio: “Hoje foi um ensaio foi bem produtivo em relação ao primeiro. Ainda temos alguns pontos para acertar, mas o vento é embaçado no Anhembi, principalmente no Verão, quando ele chega muito forte. Ainda tem o próximo para podermos melhorar e o desfile, para executar tudo”, relembrou.

No que foi observado pela reportagem, Edgar, em um único momento, precisou de uma segunda força para desfraldar o pavilhão verde-e-azul. Como tal momento aconteceu bem no meio da Arquibancada Monumental, tal situação não acarretaria desconto na pontuação. A apresentação para as cabines, por sinal, foi repleta de giros no sentido anti-horário e com graça, leveza e sorrisos – assim como ao interagir com o público, que os aplaudia com vigor.

Além da dança, o casal, em algumas poucas oportunidades, fazia uma coreografia especial no refrão do meio do samba-enredo. Também vale destacar a apresentação para a segunda cabine de jurados, extremamente sincronizada em condições bastante adversas para ambos.

VilaMaria et PortaBandeiraLais

No fim das contas, o ensaio teve resultado satisfatório, na visão de Lais: “O primeiro ensaio era para sentir a energia da pista, para ver como ela iria nos receber. Temos que ter muito respeito por esse solo. Cada ano é um desafio. E, agora, já adaptados, com todos os ensaios técnicos rolando, os ensaios específicos de casais… ficamos cada vez mais seguros para que a gente passe bem”, comentou. Edgar aproveitou para resumir o sentimento de maneira simples de se entender: “Hoje foi bem de boa o ensaio, foi bom pra caramba. Temos alguns ajustes, mas vamos que vamos para o arrebento”, disse.

Evolução

Curiosamente, a escola que tanto evoluiu de um ensaio técnico para o outro pecou em alguns momentos justamente no quesito que tem justamente esse nome. Logo no começo do ensaio, quando o abre-alas passou pelo recuo da bateria, a escola ficou parada por cerca de três minutos.

VilaMaria et Comunidade 2

Outro momento no qual o quesito mostrou-se bastante desafiador foi no recuo da bateria. A “Cadência da Vila” entrou no espaço já com cerca de metade do elemento à frente permitindo a passagem e da maneira mais simples possível, fazendo o giro à direita. A ala seguinte, de passistas, demorou para preencher o espaço. Depois das passistas, os componentes seguintes demoraram alguns segundos consideráveis para evoluir.

O momento da entrada dos ritmistas no recuo, tenso por natureza, pode ser traduzido em dois momentos flagrados pela reportagem. No primeiro deles, até mesmo o presidente da agremiação, Adílson José, conversava com uma pessoa com camisa da harmonia. Outro staff que representava o mesmo quesito, em conversa com outra pessoa do mesmo segmento, resignou-se: “Demorou pra c…”

Outros destaques

– Tão logo a reportagem entrou na passarela, um staff comentou com o presidente da escola, Adílson José, sobre o número de componentes que compareceram ao ensaio técnico. Ele sorriu e disse “Hoje veio grande”.

– Com roupas bastante leves, a ala das baianas cantava o samba e girava bastante, com diversos sorrisos.

– Ao longo de todo o desfile, componentes evoluíam com bexigas e fitas misturadas em cada uma das alas. Não se sabe se elas indicavam adereços diferentes no dia do desfile.

VilaMaria et VelhaGuarda

– No começo do ensaio, havia equilíbrio entre alas coreografadas e soltas; conforme a escola entrava na passarela, mais alas sem coreografias apareciam.

– A “Cadência da Vila” acentuou o número de bossas a partir dos últimos setores das arquibancadas do Anhembi.

– Vale destacar, também, o volume apresentado pela “Cadência da Vila”. Era possível ouvir os ritmistas de longe.

– Se não aparentam ser os maiores carros alegóricos do Grupo Especial, é importante pontuar que poucas escolas trazem, na média, quatro carros tão avantajados como a Unidos de Vila Maria.

– Prestes a comemorar uma marca importante à frente dos ritmistas, mestre Moleza gostou do resultado do segundo ensaio técnico: “Saio muito feliz desse ensaio. O primeiro foi 07 de janeiro, existia aquela preocupação do pessoal estar voltando de férias, Natal, Ano Novo. Sentimos um pouco do desgaste físico por ter voltado das festas e não ter tido os ensaios para nos preparar. Daí, passou aquele ensaio e analisamos todos os vídeos e áudios: independente dos elogios que recebemos, temos nossa autocrítica. Ouvindo sabemos onde podemos melhorar, a nossa disputa é com nós mesmos. Batalhando, ensaio na rua, toda quarta-feira, maçante, principalmente a coisa do desgaste, que a gente toca de fantasia no dia, e ensaiamos de bermuda, chinelo. Precisamos nos preparar muito para isso, até pelo fato da previsão ser de muito calor, com a fantasia de carnaval. Mas saio muito feliz. Lógico que preciso analisar vídeos, áudios, sou muito crítico com isso, sou um estudioso de bateria. A primeira impressão é que foi muito legal, arranjos bacanas, tem um nível de dificuldade, com excelência, uma musicalidade, e parece que a galera está gostando. Você vê a arquibancada com um frisson, principalmente no refrão do meio que ‘é o meu lugar toca samba de primeira’, a expectativa é pegar muito no dia com Anhembi lotado. Estamos trabalhando para isso, não dá para prever, mas fico imaginando, sonhando, de fazer o que fizemos aqui, e a galera cair dentro, sairmos mais uma vez consagrados pelo povo, o que é importante. Nos últimos anos somos consagrados com as notas, às vezes com o povo, e alguns prêmios inclusive de vocês. Esse ano queremos ser unânimes, entrar para comemorar nossos 10 anos de Cadência da Vila e nossa história”, pontuou.

– Moleza, por sinal, foi bastante elogiado por Queijo: “A escola veio mostrando a garra dela. Veio cantando muito, e o andamento a gente conseguiu compactar melhor. O desenvolvimento da bateria do Moleza é impecável. A gente falar de Mestre Moleza é difícil. Mas acho que está mostrando um pouco da garra de Vila Maria, mostrando o que é ser Vila Maria nesse grande momento”, elogiou.

– Logo após falar de novidades, Queijo deixou no ar que a escola ainda pode trazer surpresas: “Sempre falta algo. A gente vai acertando. Estamos no caminho, e falta aquela pincelada para o último ensaio. Se Deus quiser, no dia 17 a gente vai mostrar o porquê de a gente estar ensaiando, conversando bastante, podendo acertar dentro de casa, assistindo bastante vocês. A análise de vocês é muito importante para nós do Carnaval. Só falta esse último detalhe, que fica como surpresa”, destacou.

Colaboraram Gustavo Lima e Lucas Sampaio