Samba sobre as lendas da Amazônia é destaque no ensaio técnico da Uirapuru da Mooca
A Uirapuru da Mooca abriu a noite de ensaios técnicos deste sábado no Sambódromo do Anhembi, em preparação para o Carnaval 2023. Com destaque para o contagiante samba, a escola sofreu com a chuva que caiu durante seu único treinamento previsto nesta temporada. A agremiação será a sexta a se apresentar no dia 11 de fevereiro, pelo Grupo de Acesso II, com o enredo “Amazônia: Terra do Uirapuru – Salve os donos da terra e suas lendas”.
Comissão de Frente
A Uirapuru mostrou que dá para fazer uma comissão legal mesmo com simplicidade. Dez dançarinos performam durante uma passagem do samba com movimentos que casam com todas as passagens do samba. Durante o refrão principal é possível entender claramente que os gestos dos atores são referências diretas aos versos.

Com uma coreografia tão simples, se aproximar da perfeição é uma meta fácil de alcançar. Atendendo ao propósito de apresentar o enredo, a escola da Mooca começa seu desfile com o pé direito.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Um quesito complicado de ensaiar com a pista molhada durante toda a passagem pela Avenida. O primeiro casal, formado por Anderson Guedes e Pâmela Yuri, procurou não correr riscos desnecessários e realizou uma dança mais lenta e conservadora, priorizando a análise do andamento da escola. O mais importante neste treinamento foi perceber a boa interação nas expressões de um para com o outro. Ambos estão focados no objetivo maior da agremiação.

Harmonia
A matemática foi muito ingrata com a Uirapuru. Primeiro horário, chuva, sistema de som recém instalado. As escolas do Grupo de Acesso II tendem a ter um canto mais discreto que as dos grupos superiores, o que faz a somatória de todos esses fatores resultar em uma percepção praticamente nula da harmonia. O jeito foi apelar para analisar visualmente a participação de cada componente na pista, e é uma pena que o desempenho tenha sido tão discreto mesmo com um samba fácil de cantar e que atiça o corpo como esse. A direção de harmonia precisará colocar na consciência da comunidade a beleza da joia que a Mooca esculpiu. Apostem mais na expressões corporais que a música permite de forma tão espontânea.

Evolução
Com o baixo contingente, fica muito fácil evoluir na Avenida sem pressa, dentro do tempo desejável. Ainda é preciso resolver problemas com a compactação, e o espaço deixado para o recuo da bateria foi muito exagerado. A côrte da “Moocadência” ficou muito tempo cobrindo o grande buraco feito, o que pode não ser bem visto pelos jurados. Por fim, o tempo de 44 minutos de conclusão do ensaio é prova de que o que falta à Uirapuru no quesito é mais treinamento, já que o relógio será amigo da escola este ano.

Samba-Enredo
O samba da Uirapuru é simplesmente delicioso. Para um enredo que fala de lendas do nosso folclore, é uma espécie de resenha musical das principais histórias sobre a Amazônia que o povo brasileiro conhece. No refrão de cabeça, os versos “Eeh… Caboclo Eeh… Resistência da floresta”, auxiliado por um “Eeh!” mais alto entre eles, faz o corpo reagir quase como instinto, jogando os braços para cima. O time de canto, liderado pelo intérprete André Ricardo, molda a obra com a graça de um escultor renomado, enquanto a bateria consegue fazer bossas que só tornam o espetáculo ainda mais agradável de se apreciar. É tão fácil de cantar que não duvido que o público presente no Sambódromo do Anhembi no dia do desfile oficial entrará no canto junto com a comunidade da Mooca.

Outros destaques
A Rainha Acássia Nascimento foi show à parte diante dos ritmistas da bateria “Moocadência”, que caprichou nas bossas aplicadas ao belo samba da escola.
A Uirapuru da Mooca sofreu um revés ao ter o ensaio comprometido pela chuva que caiu no final da tarde deste sábado, justamente no único ensaio geral previsto para a escola nesta temporada. Mas a comunidade do tradicional bairro dos imigrantes italianos mostrou atributos que podem fazer a diferença na acirrada disputa do Carnaval de 2023. Agora é momento de aproveitar ao máximo os ensaios de quadra e realizar ensaios de rua para chegar no dia 11 na melhor forma possível.
‘Deixa a tristeza pra lá’, bateria e canto são os destaques no segundo ensaio da Milênio
A Estrela do Terceiro Milênio fez na noite de sábado seu segundo ensaio técnico no Sambódromo do Anhembi, e fez importantes correções no canto da comunidade do extremo sul de São Paulo. O ponto a ser destacado foi justamente a harmonia, o canto da escola foi muito forte, assim como no primeiro ensaio, mas desta vez mais coeso, e junto a Pegada da Coruja do Mestre Vitor Velloso teve destaque. A Milênio com o enredo “Me dê sua tristeza que eu transformo em alegria! Um tributo à arte de fazer rir”, será a primeira escola a desfilar no sábado, dia 18 de fevereiro.
Comissão de Frente
Com um tripé que era muito utilizado pelos componentes, e que por um momento parece que fará referências a representantes do riso. Na apresentação, houve um ato em que uma criança era a destaque e guiada pelos demais. Outro momento sentavam nas escadas do tripé, e até em referência ao ‘banco da Praça’. Um detalhe: a coreografia iniciou logo que a escola entrou na pista. Uma comissão bem cênica e passando um realismo enorme, interagiam com a plateia, imprensa, parecendo que fazíamos parte da apresentação e por vezes, quase quem vos escreve entrou na pista para realmente ajudar. Pois os componentes dizem algo ‘me ajuda lá’, e outras referências que fazem crer que fazemos parte da encenação.

Mestre-sala e Porta-bandeira
O casal Daniel Vitro e Edilaine passou pela pista molhada, inicialmente com certa cautela, mas foram se soltando e com perfeição nos giros. Conectados nos olhares após algumas voltas. Daniel com seus passos envolventes, um jogo com as pernas que é sempre um destaque, e a Edilaine também com seus lindos passos, e destaco o seu sorriso. A conexão do casal é algo que devemos destacar, a sintonia nos passos, conexão dos olhares, nos giros, funcionou bem no ensaio. Não foi diferente do primeiro, mas fizeram ajustes com o andamento da escola.

Analisando o ensaio, o mestre-sala Daniel deu seu panorama e explicou o motivo da cautela: “Na verdade foi incrível, porque tivemos a oportunidade de testar algumas adversidades que de fato podem ocorrer no dia do desfile. Hoje foi a chuva e o chão. A gente hoje soube que, mediante ao chão escorregando, terão que haver algumas adaptações coreográficas, mas nada que estrague a coluna vertebral do trabalho. A gente já conseguiu fazer a apresentação em todas as cabines dos jurados, meio que adaptados em alguns pontos pela questão do alagamento, mas foi tranquilo, é muito bom na verdade. É ruim descer na chuva pelo fator de molhar, mas esse clima que causa desconforto, escorregando, é uma coisa que pode acontecer no dia do desfile e a gente tem de aprender, e eu sou pós-graduado em chuva no Carnaval”.
Complementando seu mestre-sala, Edilaine disse os motivos das adaptações: “O giro é diferente. Quando a pista está escorregadia e molhada do jeito que estava hoje, não podemos dar um estirão de giro. Tem que ser um giro contrapassado, como a gente fala. E foi tranquilo, a experiência conta nessa hora”.
A porta-bandeira ainda prosseguiu contando sobre a preparação: “Como nós fazemos os nossos específicos durante a semana, já sabemos os pontos da pista que não está 100% adequado à dança. A gente posteriora ou antecipa o movimento, e onde vemos que está com remendinho, vamos para trás ou para a frente. É só questão de adaptação”.

O casal contou que foi prometido uma pintura que ajudasse na dança, diminuindo assim riscos de escorregar, mas que até o momento não foi cumprido, atrapalhando os casais que trabalhavam com a hipótese do piso mais aderente. Revelaram que terá ‘muita surpresas’ no próximo ensaio e no desfile.
O mestre-sala Daniel revelou seu destaque no ensaio: “É a pegada da comunidade. Eu falo que a gente como Mestre-Sala e Porta-Bandeira só existimos, o pavilhão só existe porque existe a comunidade. É lógico que dançamos pela vaidade? Dançamos, é claro, mas atrás desse pano colorido, com o brasão da escola, a gente traz os sonhos e as emoções de cada uma dessas pessoas que atravessaram a cidade por quase 60 minutos para estar aqui, tomando chuva, e que voltarão mais 60 minutos, mas sorridentes. É por eles que nós existimos. Buscamos o resultado para eles”.
Aproveitando o gancho, a porta-bandeira deixou seu recado para a comunidade do Grajaú: “Minha comunidade, continuem acreditando, continuem se dedicando. Não é fácil, jogo é jogo e não sabemos o resultado do jogo, mas com toda essa dedicação que vocês estão tendo, com todo esse empenho, com certeza vamos chegar juntos e sorrimos muito na terça-feira de Carnaval”.
Harmonia
A comunidade do Grajaú canta muito, e não foi diferente, tiveram vários momentos altos no canto, nítidos em várias alas como a ala 6 no início da escola. Percebi a ala 10 com diretores pedindo mais canto, sendo que já cantavam muito, e eles realmente aumentaram o tom. Ainda as alas 13 e 14 que vinham quase juntas, explodiram no apagão ao passarem justamente pelo recuo da bateria. Um detalhe voltando para o início, a ala 1 era bem cênica, coreografada, com pintura no rosto, mas bem interativa. Até mesmo nas alegorias dava para sentir uma escola bem animada, com coreografia, interação, palmas, mostra o quanto a escola tem fluído no quesito. As baianas também sempre charmosas, com sua saia azul, vermelha e branco.
O diretor de harmonia, Japa, citou sobre o que também abordamos na análise do primeiro ensaio, sobre o canto no segundo setor ter tido problemas, e ressaltou o ajuste no segundo: “Corrigimos alguns erros que detectamos no primeiro ensaio. Conseguimos arrumar, e a escola veio ajustada, estava sem som no primeiro ensaio. Então deu para perceber que a escola cantou muito mais, foi nosso pedido”, e complementou em outro momento: “Tinha algumas alas que não estavam cantando conforme todas, mas ajustou, todas as alas cantaram igual, forte, como pedimos”.
Evolução
Evolução ocorreu bem, escola movimentando bastante com braços, animada e solta na pista, o que é um ponto importante. Mas não deixando de fazer seus movimentos já estabelecidos. Bateria ainda parou na frente da linha amarela, fez seu show por um minuto e passou a linha completando ensaio em uma hora exata, 60 minutos e 10 segundos. Ou seja, foi um ensaio bem leve da comunidade da Zona Sul, o tempo passou rápido, sinal que a escola conseguiu fazer fluir sua passagem pela pista neste segundo ensaio.
Na análise do diretor de harmonia, Japa, a escola foi bem no quesito: “Evolução conseguimos tirar a escola no tempo que terminou, foi muito positivo, temos mais um e com certeza faremos mais um belo ensaio”.
Samba-Enredo
Grazzi Brasil comandou o som, Bruno Ribas não esteve presente por conta de ensaio no Rio de Janeiro. Entretanto, a intérprete cumpriu muito bem seu papel – como de costume – com sua voz marcante e mostrou também a força da ótima ala musical da escola, acabaram conduzindo de maneira tranquila no samba, entrosamento com a bateria Pegada da Coruja. Conduziram bem a comunidade para o canto, tanto é que foi o destaque dentro do quesito harmonia, e tem muito dedo do carro de som funcionando.
A intérprete avaliou para o site CARNAVALESCO após o ensaio: “Deu para avaliar algumas coisas, sim. Mudamos algumas coisinhas discretas. Acho que deu um lance a mais aí, sim, acredito eu. Achei bem gostoso, estou bem feliz. E pouco tempo depois teremos o último, mas não com tão pouco tempo. Mas já deu para avaliar algumas coisas para no dia 03 está legal, aí avaliamos de novo para, no dia do desfile, estar bem legal”.

Entrosamento com a Pegada da Coruja não é novidade, e a Grazzi contou sobre bossas e parte que componentes da bateria se abaixam e diminuem o volume: “São vários! Esse lance a gente já estava fazendo, porém, o nosso diretor musical falou para fazermos a mesma dinâmica da bateria, com a descida e a subida. Dá um grande lance, eu achei bem bacana. A nossa ala musical é maravilhosa, então é só a dinâmica da voz, mesmo. E o sentimento, já que samba é sentimento, carnaval é sentimento. Mesmo em um samba tão alegre, tem que ter essa sutileza. Na música não pode faltar isso, ponto. Em tudo eu quero encontrar sutilezas”.
Por fim, comentou sobre sua parte favorita do samba: “Eu gosto do ‘sou o riso da criança’. Acho que não existe nada mais puro e verdadeiro. Criança é vida e caminho, Erê é caminho. Essa parte me deixa bem feliz”.
Outros destaques
A bateria ‘Pegada da Coruja’ crescendo demais, ousou nas bossas, inclusive em um longo apagão que fez no Setor B, trazendo a escola mais para dentro ainda do samba. No antepenúltimo setor, a bateria abaixou e em seguida fez outro apagão de alguns segundos, novamente com a escola explodindo.. As meninas do chocalho vieram fantasias com meia no arco íris, saia colorida, pintura de nariz de palhaço no rosto.

Sobre o longo apagão, Vitor Velloso reforçou o que disse no primeiro ensaio ser apenas um teste elaborado pela harmonia e direção de carnaval: “Fizemos no primeiro ensaio, e hoje foi feito no box, recuo, mas isso não vai ser feito na avenida, é uma coisa de ensaio mesmo. Pois nosso diretor de carnaval e harmonia, Carlão e Japa, eles fazem para sentir o canto da escola, como está cantando e deixando uma boa impressão para a galera. No desfile não, se faz isso é complicado”.
Analisando o ensaio, o mestre de bateria da ‘Pegada da Coruja’, disse que não teve tempo para correções, mas aprovou o desempenho no geral: “Sobre o ensaio, fizemos na terça, véspera de feriado, não teve tempo de ajustar nada. Viemos direto para cá no segundo ensaio, o que tinha que arrumar foi ajustado em conversas, gostei, foi bem melhor que o primeiro. Bateria, hoje, estava mais encorpada, primeiro ensaio tem aquele gelo, muita gente da escolinha, quebrou o gelo, e a galera estava mais tranquila, confiante, solta. Então assim, temos mais um ensaio dia 3 de fevereiro, mais uma oportunidade de acertar algumas coisas que precisa. É trabalhar, ensaio de quadra até dia 3, mas ao todo ensaio foi bacana, tivemos desempenho bacana na bateria, todos os naipes”.

Mestre Vitor Velloso disse o que espera para o próximo ensaio, pediu para mais ritmistas aparecerem: “O contingente, por conta da chuva faltou uma galera, acredito que no próximo ensaio estará maior e melhor. Muda muito também, você tem uma bateria menor, vamos sair com 220 ritmistas, hoje tinha 170, 180, falta uma galera. Então isso daí é uma evolução, não deixa de ser, mas com bateria menor é um desempenho, com maior é outro. Então acho que esperar a bateria em massa dia 3”, e revelou seu ponto alto neste ensaio: “No geral, a comunidade, a Terceiro Milênio é uma comunidade forte, está construindo um chão forte na escola. Você vê que a galera veio em peso hoje, então estão fechados com a escola, está na pegada, vontade, e é isso que acredito que seja o ponto principal dos dois ensaios falando no todo”.

Destacando outras situações, seis membros como destaque de chão na frente da primeira alegoria, bem alegres e com coreografia, bem cênicos e uma dança remetendo ao palhaço. Tem uma ala coreografada no meio da escola com um tripé, chamada de ‘Auto da Compadecida’, pelo menos em suas camisas, é bem interativa, mas sinceramente estou mais curioso para entender como será no dia do desfile.
Estrelas do Grajaú a frente da bateria junto com Carla Diaz e Mirela, destaco que a Carla Diaz que chegou como madrinha, interage bastante com as companheiras de bateria, sem estrelismo. E as crias da comunidade mostram muito samba no pé em conjunto, somam uma boa força.
Colaboraram Gustavo Lima, Lucas Sampaio e Will Ferreira
Império de Casa Verde coroa nova rainha da bateria em mais um espetáculo do samba no ensaio técnico
O Império de Casa Verde realizou neste sábado seu segundo ensaio técnico no Sambódromo do Anhembi, em preparação para o desfile do Carnaval 2023. Os destaques deste treino imperiano vão para mais uma atuação brilhante do carro de som liderado por Tinga, e para a coroação da nova Rainha de Bateria, Theba Pitylla. O Tigre Guereiro será a quarta escola a desfilar no segundo dia do Grupo Especial no dia 18 de fevereiro, com o enredo “Império dos Tambores – Um Brasil Afromusical”.
Comissão de Frente
Mais uma comissão que aposta não só em um grande elemento alegórico, como também possui uma coreografia de quatro passagens do samba de duração. Durante os diferentes atos, os dançarinos vão se alternando ao entrar e sair de dentro do tripé, que possui a reprodução de uma árvore baobá no topo.

A coreografia é repleta de movimentos energéticos, e na maior parte do tempo a Avenida fica com até 16 pessoas interpretando. Em dados momentos, grupos de homens marcam presença, em outros, homens e mulheres atuam juntos, seguidos de outro ato só entre mulheres e por último um grupo de homens diferente do inicial.
A equipe aparenta estar bem ensaiada, mas o andamento da apresentação rende preocupação. No primeiro módulo, passaram impecáveis. No último, porém, alguns já demonstravam cansaço, concluindo movimentos com certo atraso. Um problema a ser observado para o próximo ensaio geral.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Um desempenho irregular da parte do primeiro casal do Império, formado por Rodrigo Antônio e Jéssica Gioz. Houve falhas de sincronismo dos movimentos nos dois módulos de jurados em que foram observados, e o ritmo da dança esteve longe dos grandes momentos da dupla em sua trajetória no carnaval. Ao conversarem com a equipe do site CARNAVALESCO, porém, a dupla avaliou seu desempenho como positivo.
“A dança veio bem justa, de acordo com o que estava na cabeça, o que a gente já vem ensaiando. O andamento vai ter que arrumar ainda algumas coisinhas, mas agora é com o diretor de harmonia, de carnaval. Mas nesta semana, conseguiremos ajustar tudo para o próximo ensaio”, disse Jéssica.

“Minha análise do ensaio de hoje é que, além de nós, a escola ao todo está disposta a ganhar e em um clima de sangue nos olhos. Isso nos proporciona mais garra e alegria de fazer parte de uma escola diferente. Solta o bicho!”, declarou Rodrigo.
Quanto a possíveis melhorias a ainda serem feitas, a porta-bandeira fez os seguintes apontamentos. “Conseguimos limpar bastante coisa, tirar coisa que não funcionou e adicionar coisa que está funcionando”.
Em relação ao que consideraria o ponto-chave deste segundo ensaio, Jéssica exaltou a sintonia que tem com seu mstre-sala. “A minha sintonia com o Rodrigo é como se só tivesse eu, ele, e o Marcelo. Para nós não existe o público, sentimos energia do pessoal, mas não vemos quem está na arquibancada, quem é o conhecido do lado, focamos muito no trabalho”, concluiu.
Harmonia
Destaque no primeiro ensaio, a harmonia imperiana foi mais uma vítima do problemático sistema sonoro do Sambódromo do Anhembi. O atraso entre os alto falantes e o carro de som ficava evidente conforme o veículo se aproximava das torres, o que somado ao canto forte da comunidade, prejudicou demais a apreciação do espetáculo.

Não foram poucos os momentos em que houve atravessamento do samba ao longo de todo o treinamento, principalmente das três primeiras alas da escola que vieram à frente do enorme espaço demarcado para o carro Abre-alas, mas é difícil dizer se a responsabilidade é da direção de harmonia ou das caixas de som. A bateria “Barcelona do Samba” estava especialmente ousada neste segundo ensaio, tornando as falhas ainda mais explícitas. Por outro lado, a ala “Tigres Siberianos” deu um show de harmonia do início ao fim e merece total exaltação.
Falando na bateria, o alto número de apagões e bossas praticados parece ter provocado um efeito oposto ao esperado. O cansaço dos desfilantes ao longo da passagem do Império ficou evidente, com o desempenho do canto caindo e diretores cobrando suas alas na reta final.

Ao analisar o desempenho da escola, o diretor de Carnaval do Império, Tiguês, viu com bons olhos o desempenho da escola. “Mais um bom ensaio que a gente faz. Acho que o canto hoje não deixou dúvidas mesmo. Acho que a escola cantou muito hoje. Até por isso a gente provocou lá e fez um paradão, para testar o canto da escola também. No geral foi um baita de um ensaio, melhor do que o primeiro. Estamos no caminho certo”, declarou.
Tiguês avalia que houve uma melhora na questão das coreografias existentes ao longo da escola, e que o Império está no caminho certo. Ao citar ajustes a serem feitos, disse que será feita uma avaliação com o material colhido pela escola. “Acho que a gente percebe muitas vezes, não sei se é porque estamos na hora da bossa da coreografia da bateria, a gente percebe uma coisinha mais lenta um pouco, mas talvez seja normal. A gente está dentro da pista, e é difícil querer apontar alguma coisa. Lá de dentro é difícil falar. Agora é assistir os vídeos e ver o que a gente vai consertar aí”, explicou.

Questionado em relação aos problemas que o sistema de som do Sambódromo tem causado às escolas desde sexta-feira, o diretor garante que fará parte das conversas a ocorrerem ao longo da semana. “É complicado também porque o som não está todo afinado, a parte de caixas de som e essas coisas. A gente vai ter inclusive, pegando o áudio e tudo, para vermos com o pessoal da Liga o que é que tem para melhorar aí. Eu de onde estava, não vi nada assim, mas já ouvi falar que teve alguma coisinha nesse sentido. A gente precisa ver também com o pessoal da Liga o que vamos fazer”.
Tiguês fez questão de exaltar a comunidade imperiana ao citar o ponto mais alto deste segundo ensaio técnico. “Gostei muito da pegada do componente. Acho que a gente veio numa crescente muito bacana desde os últimos ensaios técnicos, nos ensaios de quadra e nos ensaios específicos. A parte de canto, de harmonia, eu daria nota dez para a escola”, concluiu.
Evolução
Não dá para levar muito em consideração o fechamento dos portões com uma hora e seis minutos, o que causaria um estouro de um minuto no desfile oficial. A escola de fato atrasou um pouco sua entrada, mas foi porque aproveitaram o momento para coroar a nova Rainha da Bateria, Theba Pitylla.

Dito isso, foi o melhor quesito do Império neste segundo ensaio. Sem correria, componentes brincando pelas alas, e a “Barcelona do Samba” deu uma verdadeira aula de recuo de bateria. Se fosse o desfile oficial, cravariam 40 pontos sem medo.
Samba-Enredo
Está para nascer alguém que dirá que esse samba tem algum defeito. Leve, animado, condensado em uma letra curta e de muito fácil assimilação, a obra imperiana para o Carnaval 2023 tem tudo para ser cantada por anos e anos na quadra do Tigre independente do resultado final da apuração deste ano. A maneira como o carro de som, liderado pelo novo reforço da casa, o consagrado intérprete Tinga, se encaixa com a bateria “Barcelona do Samba” é como se fossem almas gêmeas. O desempenho destes dois quesitos nesta temporada é uma verdadeira catarse, e neste ensaio apresentou novos elementos que certamente, com o devido polimento, engrandecerão ainda mais o desfile imperiano.

Questionado quanto ao grande desempenho do samba, Tinga demonstrou estar sedento por ainda mais melhorias. “A gente vai procurar melhorar até o dia do desfile. O primeiro ensaio foi muito bom, hoje foi maravilhoso, melhor ainda, Eu acho que o grande dia vai ser o dia 09, no terceiro ensaio técnico. Assim o negócio fica bom! Vamos continuar trabalhando na quadra para chegar aqui e fazer mais um grande ensaio. E, claro, para chegarmos no dia do desfile no nosso melhor e chegarmos ao objetivo de fazer a Império ser campeã do carnaval”, declarou.
Durante o ensaio, em diferentes momentos a bateria realizou apagões, mas com um estilo diferente. Uma voz feminina executou certos cacos na mesma sintonia do refrão, o que deu um toque a mais na qualidade do desempenho do samba. Tinga explicou a respeito. “A gente fez um contracanto quando a bateria para e ficou bem legal, bem suave o negócio. Ficou lindo! Somou demais, e vamos levar isso para a avenida. É tão bonito, pareceu algo tão diferente. Legal demais. Estou bem feliz com o desenvolvimento do nosso trabalho”.
Por fim, o intérprete fez questão de exaltar o trabalho de parceria com a bateria “Barcelona do Samba”, de Mestre Zoinho. “Dá para ir bem longe. A gente vai continuar trabalhando sempre, para sempre melhorar. Parece que eu desfilo aqui há muito tempo! Graças a Deus a bateria do Mestre Zoinho é maravilhosa, ele está de parabéns. O carro de som, quando eu cheguei aqui, está com toda a humildade, todo mundo aqui quer ajudar o Império”, finalizou.
Outros destaques
O momento mais marcante do ensaio foi justamente seu começo. A coroação, em pista, de Theba Pitylla como Rainha da Bateria “Barcelona do Samba” é um justo reconhecimento a uma pessoa que há anos dedica seu amor e suor à família imperiana. Até então madrinha dos ritmistas, a passista mostrou na Avenida o porquê de merecer todas as congratulações de seus colegas, com destaque para os dançarinos da Comissão de Frente, que ecoaram um grito efusivo de “ela merece!”.

Dentro deste mesmo quesito, Mestre Zoinho fez uma análise geral do desempenho da bateria neste segundo ensaio do Império de Casa Verde. “Pudemos ver a evolução, tanto no canto da escola como na evolução, como no trabalho da bateria também, estamos vindo em uma crescente. Claro que temos uns detalhes para acertar, estamos trabalhando bastante, estou aqui com meus amigos que ajudam bastante. Cassiano, mestre da Independente, o Denys, mestre da MUM, mestres e diretores da rapaziada também. Dia nove será melhor ainda, e dia 18 será o auge da bateria do Império e de todos. Que possamos fazer um ótimo carnaval”, declarou o mestre.
Em diferentes momentos do ensaio, um apagão diferenciado ocorreu, onde apenas alguns instrumentos tocavam com a já citada voz feminina fazendo cacos ao fundo. Além disso, novas bossas foram inseridas ao repertório, e Zoinho explicou a respeito. “Uma nova pegada velha, pois já fazemos isso aí faz tempo. Só que o que vamos apresentar esse ano, não é novidade para nós. Vamos brincar com a galera e com o público, vai dar muito certo. Se está perguntando, é porque gostou também”, observou.
Dentre os elementos que mais gostou neste segundo ensaio, Mestre Zoinho exalta o ritmo da “Barcelona do Samba”. “O que mais se destaca aqui é o ritmo que colocamos. Nossa bateria é tradicional, prezamos pelo ritmo, sempre ele. Às vezes sobra uma bossa ou outra, conforme o samba nos propõe. Esse samba nos proporciona essa bossa, essas convenções. A galera fica feliz, a comunidade também, e fazemos uma bossa que ajuda a escola evoluir também. O segredo é esse aí”, concluiu.
O Império de Casa Verde ainda possui um terceiro ensaio geral a realizar no Sambódromo do Anhembi, no dia nove de fevereiro. Dito isso, é fundamental que a escola analise se há coerência nos erros apontados para tornar o último treino digno desse maravilhoso enredo que o Tigre Guerreiro trará no Carnaval 2023. O samba é magnífico e está nas vozes certas para ele. A bateria então, dispensa comentários. A torcida é para que a nação imperiana faça desse desfile um novo ser, como citado nos versos do samba. Um novo ser de uma nova era gloriosa, que a Casa Verde fará muito por merecer.
Colaboraram Fábio Martins, Gustavo Lima e Will Ferreira
Debaixo de chuva, casal dos Gaviões da Fiel se destaca em primeiro ensaio técnico
Na noite deste sábado, os Gaviões da Fiel realizaram o seu primeiro ensaio técnico rumo ao carnaval de 2023. O destaque principal fica para o casal de mestre-sala e porta-bandeira, que não se intimidaram com a chuva. O tempo ficou dessa forma ao decorrer do treino, mas a dupla surpreendentemente não sentiu o peso do pavilhão após cair tanta água. Vale ressaltar o canto das alas que lá estiveram. Os componentes conseguiram pegar o samba. Deu para notar o volume do canto, mesmo com um contingente pequeno. A comissão de frente, que teve uma coreografia criativa, também atraiu olhares. Claro que não se pode deixar de fora a grande festa que a torcida da agremiação fez. Houve muitos fogos e sinalizadores na entrada da avenida. O enredo dos Gaviões da Fiel para 2023 é intitulado de “Em Nome do Pai, dos Filhos, dos Espíritos e dos Santos… Amém!”.
Comissão de frente
A ala desfilou com uma coreografia um tanto criativa. Ao passar dos anos, é sabido que este quesito é um dos maiores da agremiação alvinegra. Talvez a principal chave. Comandada pelo profissional Sérgio Cardoso, a comissão de frente dos Gaviões da Fiel mostrou um repertório curioso, visto que levava uma espécie de guerreiros vestidos de pretos e com um adereço de cabeça simbolizando um gavião. Todos eram homens. Além disso, haviam mulheres vestidas com saias coloridas de ciganas. O contexto da coreografia é difícil de entender. Talvez haja mais repertório a se mostrar no próximo ensaio. Porém, na primeira impressão, aparentemente é a religião ‘curando’ os seres humanos.

Harmonia
A escola chegou ao ensaio com um contingente pequeno. Porém, mesmo com as alas que estiveram presentes, deu para ver uma comunidade bem entrosada com hino para 2023. Nos últimos anos, os alvinegros tem tido muita dificuldade em fazer os seus componentes cantarem de forma correta e explícita. Entretanto, neste ensaio, mostrou que a comunidade tem sinergia com o samba, principalmente no refrão principal. O “amém meu coração corinthiano” empolgou os integrantes dentro do treino. Vale destacar a última ala que ensaiou antes da segunda marcação de alegoria (a escola não colocou nome e número).
O diretor de harmonia, Alexander dos Santos, avaliou o treino. “A gente gostou muito, ficamos satisfeitos, o público veio e a escola balançou. Acho que funcionou muito a ideia da compactação que a gente tinha. É bom que por ser o primeiro ensaio, os pequenos ajustes a gente consegue montar para o segundo e vir muito forte. O samba funcionou, os dois refrões trabalharam do jeito que a gente queria e a parte do ‘era Cristo ou Oxalá?” pegou demais. A gente precisava de uma resposta. São pequenos ajustes que um primeiro ensaio nos traz. É a primeira vez que a gente trabalha juntos”, declarou.

Na questão do número menor de componentes, o diretor revelou que será uma estratégia para os próximos anos.” A gente vai enxergar os Gaviões muito apertado. Provavelmente a escola vem mais curta. É uma filosofia que a gente está tentando implementar. Nos outros anos vai ter essa sensação de uma escola mais justa. Não vai ter oscilação de velocidade, buraco entre as alas. É uma estratégia que vamos levar para o desfile”, revelou.
Mestre-sala e Porta-bandeira
O casal Wagner Lima e Gabriela Mondijan pegaram uma complicada chuva durante o treino. É sabido que este quesito é o mais complicado para enfrentar esse tipo de tempo. O pavilhão pesa e o calçado fica escorregadio. Porém, para a dupla, nem parece que choveu. Eles passearam na pista do Anhembi com facilidade. A jovem porta-bandeira e o experiente mestre-sala realizaram muito bem os atributos necessários para conquistar a nota. A coreografia foi bem executada do início ao fim. Wagner Lima estava tão solto que chegou até mandar beijos e interagir diretamente com a arquibancada. Grande ensaio dessa dupla que foi nota 40 em 2022 e vem crescendo cada vez mais.

“Na verdade, a chuva atrapalhou coisa mínima o nosso desempenho. Eu estava com um pouco de medo por isso, mas graças a Deus a gente veio muito bem. Fizemos o que estamos ensaiando. Viemos bem demais. O Wagner sabe que eu sou muito chata comigo mesma, mas a gente foi demais”, disse a porta-bandeira.
“A gente tirou do papel e colocou em prática na pista. A coreografia encaixou, mas sempre tem algumas coisas a se fazer. A gente é muito criterioso, mas de 10, chegamos a 9.8, porque eu sou muito chato. O pavilhão pede”, completou o mestre-sala.
Evolução
Esse é o grande ponto negativo da escola. Por faltar componentes, não há tanto repertório a se observar. Evolui muito ‘engessada’ e pragmática. A única coisa que se tem de “diferente” é que as alas da comunidade evoluíram pela pista dançando em três passos de um lado para o outro. Porém, o que deve importar para o departamento de harmonia é que não houve erros. Mas também existem os seus contras em desfilar com uma minoria.
Samba-Enredo
É uma obra que cresceu muito na comunidade. Como dito anteriormente, os Gaviões da Fiel já sofreram bastante para ajustar o canto. Porém esse ano deve ser diferente. O longevo Ernesto Teixeira está conduzindo o hino de forma totalmente satisfatória. O último verso, onde se canta “Nos braços do criador… Era Cristo ou Oxalá?” se emenda com o refrão principal e causa um impacto forte nos componentes. Isso é fruto do trabalho de mestre Ciro também, que faz uma parada seca e volta no primeiro verso do refrão citado.

“Da posição que a gente veio na avenida, só conseguimos avaliar a empolgação das pessoas. É todo mundo passando por nós, principalmente quando a bateria passa no box. Todo mundo canta o samba, e isso é fundamental. A arquibancada está muito empolgada e gera uma expectativa muito boa. Os outros detalhes nós vamos ver nas reuniões dos próximos dias para avaliar a Evolução direitinho e o desenvolvimento da escola como um todo”, analisou o intérprete Ernesto Teixeira.
O cantor ainda falou da sua parte favorita do samba. “A gente canta o samba como um todo, mas é óbvio que, como corinthiano, o verso é ‘amém meu coração corinthiano’. A gente vem falando de todas as religiões, que todas elas são bons caminhos para levar à positividade, a um mundo melhor. E o corinthianismo não deixa de ser uma religião porque ela é professada pela fé dessa nação de 30 milhões de torcedores. Nessa hora o coração fala mais alto”, completou.
Outros destaques
A bateria ‘Ritimão’, regida por mestre Ciro, mostrou uma força muito grande nos atabaques, caixas e chocalhos. O diretor optou por marcar o samba e realizar as bossas em alguns momentos, principalmente o ‘breque’ dos últimos versos correlacionado com o refrão principal, como citado acima.

Ciro falou sobre o ensaio. “O desempenho foi legal. A gente curtiu. Veio a chuva inesperada, mas foi bacana. Sobre as bossas, a gente está trabalhando duas bossas em locais diferentes do samba para fazer a performance. Estão bem ensaiadas, dentro do que o samba pede e é isso que a gente enxerga”, avaliou.
Vários adereços de mão foram vistos nas alas.
Colaboraram Fábio Martins, Lucas Sampaio e Will Ferreira
Porto da Pedra mostra excelência em quesitos, apresenta chão forte em ensaio técnico sem erros
Encerrando a noite de ensaios da Liga-RJ na Sapucaí no sábado, a Porto da Pedra mostrou porque tem sido apontada como uma das favoritas e uma das principais candidatas a conquistar o acesso, que bateu na trave no carnaval passado com o vice-campeonato. Assim como já havia se destacado no mini-desfile na Cidade do Samba, a agremiação de São Gonçalo fez um treino com padrão Grupo Especial, tendo como grande destaque o canto da comunidade, além de não apresentar erros em outros quesitos. O primeiro casal, a comissão de frente e a bateria fizeram grandes apresentações no sambódromo. O treino do Tigre teve duração de 50 minutos. Em 2023, a Vermelha e Branca de São Gonçalo será a quinta escola a desfilar na segunda noite da Série Ouro, e vai apresentar o enredo “A invenção da Amazônia: Um delírio do imaginário de Júlio Verne”, que está sendo produzido pelo carnavalesco Mauro Quintaes. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO
“Hoje foi excelente. Nós vamos fazer melhor ainda no dia 18. Tudo surpresa. Vamos apresentar um excelente carnaval. Não desmerecendo as nossas coirmãs, mas vamos brigar pelo título. Eu gostei de tudo, mas vamos cantar mais. Melhorar o canto”, comentou Aluízio Mendonça, diretor de canraval.
Harmonia
O canto da comunidade da Porto da Pedra foi o ponto alto do ensaio. Os componentes cantaram de forma intensa, homogênea, com praticamente todo o contingente da escola e cantando durante todo o tempo de ensaio. Comissão de frente, bateria, baianas e passistas também mostraram que estão com o samba na ponta da língua. O intérprete Nêgo foi outro show à parte. Experiente na Sapucaí, de várias escolas, estreando na Porto da Pedra, no ensaio mostrou que ainda tem muita lenha para queimar.

Muita intensidade na condução da obra, correção e a utilização de cacos completamente inseridos no contexto do samba e utilizados no momento certo.O samba foi trabalhado pelo cantor de forma limpa. A voz esteve potente até os minutos finais da apresentação amparado por um carro de som que fez o simples de uma forma muito correta, sem erros e bonita.
“Foi muito bom o ensaio, fizemos o andamento certo. Estamos ensaiando toda quinta-feira e está maravilhoso. Ensaio muito bom e harmonia certinha, porque, carnaval hoje em dia é um teatro e nós passamos bem na avenida, no andamento certo. O ensaio melhorou bastante. A Amazônia é o pulmão do mundo. O enredo é muito rico e falar da maneira que ele fala sobre a Amazônia é uma felicidade incrível para o carnavalesco”, disse o intérprete Nêgo.
Samba-Enredo
O samba da parceria de Vadinho e companhia é um dos melhores do grupo, tem uma linha melódica bastante interessante com algumas resoluções métricas bastante criativas como o trecho já no final da segunda do samba “O dom de proteger seringueiras, Matitas Pereiras, Chicos e irmãs desse lugar”, que foi muito bem colocado pela comunidade, sem deixar embolar em nenhum momento, mostrando o bom trabalho da diretoria com os ensaios de canto e de rua em São Gonçalo.

Outro destaque também vai para a segunda do samba, dessa vez em sua plenitude, que possui uma melodia muito harmônica e doce. Ela prepara para a força que tem o refrão principal, que poderia gerar alguma dificuldade em termos de letra, mas que é outro ponto de elogio a comunidade da Vermelha e Branca gonçalense, que neste treino, mais uma vez, dominou o “Warrãna-rarae” do início ao fim. O trabalho de mestre Pablo com a bateria Ritmo Feroz fez com que um samba já bastante elogiado aqui melodicamente valorizasse justamente a sua melodia. Pois, o andamento deixou a obra bastante agradável para quem cantava e acompanhava do lado de fora.
Comissão de Frente
Aclamado no carnaval passado pela trabalho desenvolvido na Porto da Pedra, o que lhe rendeu convite para este ano também estar no Especial pela Mocidade, Paulo Pina trouxe para este ensaio bailarinos vestidos com uma fantasia que trazia traços do modelo imitando pele de onça com saias em tom marrom, criando um clima que invocava a Amazônia para a Sapucaí. Esse personagem que estava presente na fantasia da comissão de frente, ao mesmo tempo tinha muito de bicho, de fera, mas sem perder as características humanas, constituindo o imaginário onírico amazônico que está presente no enredo proposto por Mauro Quintaes.

O que também impressionou no quesito, foi a maquiagem tanto corporal quanto facial dos bailarinos que lhes deu uma aura bastante selvagem. Nos movimentos se destacaram danças com mais pegada tribal e movimentos homogêneos dos componentes. Um exemplo dessa movimentação , acontecia no giro das saias que gerava um interessante efeito quando os integrantes da comissão se aproximavam. No final, em um momento de grande emoção, uma faixa com os dizeres “Lutem pela Amazônia” foi aberta.
Mestre-sala e Porta-bandeira
Com a missão de substituir Cintya Santos que agora está na Mangueira, Laryssa Victória, em sua estreia ao lado de Rodrigo França, mostrou não sentir a pressão do legado deixado pela antiga dona da função. A nova primeira porta-bandeira do Tigre mostrou muita sintonia com Rodrigo. O casal apostou em uma coreografia muito delicada e de contato. Em um dos momentos de mais doçura, Rodrigo entrega beijava um girassol que carregava na mão e entregava para bailarina.

Mas também havia momentos de muita intensidade, principalmente nos giros e quando a dupla de repente se abaixava ao mesmo tempo em que realizava um movimento de esticar a perna. A roupa do casal chamava bastante atenção por possuir uma característica que fazia referência a um pássaro. Tanto nas mangas da porta-bandeira, quanto nas mangas do mestre-sala havia penas e uma extensão em formato de asas, que gerava um bonito efeito no giro.
“Foi sensacional para nós. Uma experiência incrível. Hoje é a estreia da Laryssa como primeira porta-bandeira num ensaio técnico. Ela foi o máximo, arrasou demais. Nosso esforço valeu a pena, ensaiamos todos os dias. Está sendo incrível dançar com ela. Gostamos muito de sentir o calor da comunidade. Para mim, ela é a bateria da minha dança. Quando vemos as pessoas gritando, aí mesmo que dá aquele gás para nos soltarmos e nos doarmos mais, até chegarmos nos 110%. Buscamos a perfeição aqui”, disse o mestre-sala.

“Sempre tem, principalmente porque esse ensaio é o parâmetro do desfile oficial. Somos gratos pela oportunidade de vir para cá e consertar o que não deu certo, tendo a certeza do que dá certo. É maravilhoso não só para a gente, como para a escola num tudo. Estamos trabalhando muito para que tudo vá bem no desfile, e gritarmos por sermos campeões na quarta-feira”, completou a porta-bandeira.
Evolução
A evolução da escola no geral foi bastante satisfatória. Não se identificou buracos ou mesmo grandes espaçamentos no desfile todo, mesmo entre a comissão de frente, o casal e a ala que vinha logo depois. O único ponto a se colocar é que após a apresentação do casal e da comissão no segundo módulo a escola passou um pouco mais acelerada, não chegou a correr e não comprometeu a grande apresentação que a comunidade de São Gonçalo fez.

O final do desfile se deu de volta com a boa fluência que a Porto da Pedra havia iniciado. A agremiação não apostou em alas coreografadas, valorizando a espontaneidade dos foliões, que em sua maioria trouxeram apetrechos de cabeça indígenas. Muitos foliões estavam com uma pequena maquiagem indígena. Para simular os carros, a escola trouxe pequenos caminhões com telões. Alguns traziam imagens relativas ao enredo e outros passavam desfiles antigos da Porto da Pedra.
Outros destaques
A bateria Ritmo Feroz, de mestre Pablo, fez mais uma grande apresentação, volumosa, grande destaque para o toque de caixas. Pablo, como é costume vir fantasiado, trouxe um chapéu e calça de pescador ribeirinho. A rainha Tati Minerato exibiu toda a sua beleza em uma fantasia indígena com um cocar enorme que cobria quase toda a beldade. No caminhão que simulava o abre-alas em um determinado momento apareceu a imagem de Júlio Verne, autor do livro que inspirou o enredo.
“O ensaio foi nota 11! Eu sempre falo com a galera da bateria: ‘Toquem e divirtam-se!’, porque eles são batalhadores e aqui eles extravasam, mostram a garra do tigre de São Gonçalo. No dia do desfile, a gente não vai só pela Porto da Pedra, viremos buscar o título e levar para São Gonçalo. Que assim seja. Vamos vir com 250 ritmistas. Eu vou manter [como está], porque time que está ganhando não se mexe. Hoje, foi um ensaio, para mim, tecnicamente perfeito. Vou vir com duas paradinhas. Uma abertura bacana. Uma convenção da segunda para a primeira do samba. O público pode esperar muita ousadia e alegria do povo de São Gonçalo”, prometeu mestre Pablo.

Antes do desfile, o prefeito de São Gonçalo fez um discurso à comunidade da Porto da Pedra pedindo garra no treino oficial, assim como o presidente de honra Fábio Montibelo. A ala de passistas teve alguns momentos apresentando uma coreografia de forma muito sincronizada e bonita, sem tirar a espontaneidade e o samba no pé.
Colaboraram Augusto Werneck, Luisa Alves, Matheus Vinícius e Rhyan de Meira
Unidos de Padre Miguel mostra força de seus quesitos e comunidade da show em ensaio técnico de alto nível
A Unidos de Padre Miguel foi a terceira escola a pisar na Marquês de Sapucaí no sábado, em mais um dia de ensaios técnicos da Liga-RJ. Como de costume, a escola mostrou a força de seus quesitos e fez mais um ensaio de alto nível. Muitos foram os destaques positivos, mas destaca-se o bom desempenho do samba-enredo, atrelado ao canto forte e aguerrido dos componentes da Vila Vintém. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO
Vale destacar também o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Vinícius Antunes e Jéssica Ferreira, que demonstraram muita sincronia em sua dança, além da comissão de frente do coreógrafo David Lima. O Boi Vermelho levou ainda um grande tripé para a avenida, o que causou um ótimo impacto visual. O que se viu foi um ensaio padrão do Grupo Especial.
No próximo carnaval a escola da Zona Oeste levará para a avenida o enredo “Baião de Mouros”, que está sendo desenvolvido pelos carnavalescos Edson Pereira e Wagner Gonçalves. A Unidos de Padre Miguel será a quinta escola a pisar na Marquês de Sapucaí na primeira noite de desfiles da Série Ouro no Carnaval 2023.

“Eu detectei algumas coisinhas que dá para acertar até o desfile, mas foi 95% perfeito. O que tivemos de melhor foi o que sempre tivemos: o canto. Que comunidade! Agora a gente vai ter que dar 110% no desfile oficial. A Unidos de Padre Miguel vem com 1900 componentes. Eu posso garantir que estamos preparando um belo espetáculo e quem vir aqui na sexta-feira [17 de fevereiro] vai ver uma grande apresentação”, explicou Cícero Costa, diretor de carnaval.
Comissão de Frente
Completando 10 anos à frente da comissão de frente da Unidos, o coreógrafo David Lima presenteou o público com uma comissão de frente bem coreografada, de fácil entendimento e com doses de humor. A fantasia dos componentes fazia referência a personagens da cultura muçulmana e também do nordeste brasileiro, com uma dança envolvente, a comissão entreteu o público e apresentou a escola de maneira eficiente, o momento que mais arrancou aplausos foi quando o camelo ganhava destaque e interagia com os outros componentes.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Extremamente bem vestidos, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira Vinícius Antunes e Jéssica Ferreira brindaram o público com um grande espetáculo visual, eles, que completam 10 anos de parceira nesse carnaval, mostraram toda a sincronia e companheirismo em uma dança que mesclou momentos clássicos com coreografia. No verso do samba que diz “Respeita o povo da Vila Vintém”, o casal aponta para a comunidade, e ao finalizar a apresentação, Jéssica realiza uma bandeirada, o movimento foi extremamente bem feito e recebeu aplausos do público. Vale destacar que o casal se apresentou com os guardiões posicionados, uma prévia do que veremos no desfile oficial.

“Foi tudo maravilhoso, minha escola é demais (risos). Eu sou suspeita para falar, estou há dez anos brigando com eles pelo título, defendendo nosso pavilhão, defendendo o Boi Vermelho de Padre Miguel. Foi maravilhoso, foi tudo maravilhoso. Além da minha expectativa. A gente ensaiou demais. Mas sempre tem alguma coisa para melhorar. Com certeza até o carnaval estaremos 100%. Sentir a atmosfera da Marquês de Sapucaí é uma coisa diferenciada. Só quem pisa aqui sabe a energia que esse lugar tem. É muito importante a gente ensaiar aqui também pelas cabines, para saber certinho onde estarão os jurados. Esse é o solo sagrado e é muito bom estar aqui”, disse a porta-bandeira.

“O balanço foi positivo. Claro que nunca está 100%, a gente sempre vai buscar aperfeiçoar mais ainda. O saldo foi muito positivo graças aos meus orixás. A gente é bem perfeccionista. Foi muito bom, a gente sabe que pode melhorar. O ensaio aqui é muito importante. O nome já diz: ensaio técnico. A gente busca aperfeiçoar aqui por conta das cabines. É aqui que nós vamos jogar no dia do desfile. Nada mais justo que esse ensaio aqui para a escola possa identificar os pontos vulneráveis a melhorar. Queria dedicar essa oportunidade para dedicar esse ensaio a minha esposa e a minha filhinha Emanuele que vai nascer já já”, completou o mestre-sala.
Harmonia
O componente da Unidos entrou na avenida disposta a declarar todo seu amor pela escola, a letra do samba diz para respeitar o povo da Vila Vintém e foi exatamente esse o recado que eles deram, do início ao fim foi observado um trabalho de canto muito forte nas aulas, todas com muita animação e espontânea. Mesmo nos últimos setores a empolgação vista no início foi a mesma. Vale mencionar que apesar do excelente canto, algumas alas não conseguiram exercer o mesmo desempenho de outras, mesmo com o alto nível foi possível perceber algumas alas se sobrepondo a outras, o que causou uma leve oscilação.
“Foi fantástico, cheio de alegria e força. Tenho certeza que estamos no caminho certo. O que falta agora é mostrarmos exatamente isso no desfile oficial. Em termos de harmonia, você pode ver que a escola está desfilando muito bem. Sempre fui um grande admirador do trabalho do Dinho, e graças a Deus fazemos algo muito legal juntos”, contou o intérprete Bruno Ribas.

Evolução
O quesito evolução foi outro que passou extremamente bem durante o ensaio, em nenhum momento foi observado espaços que pudessem comprometer o bom andamento do desfile. Apesar de muito numerosa, a escola se mostrou extremamente organizada. Os componentes estavam alegres e evoluíram com muita espontaneidade, mesmo com alas muito numerosas, foi uma evolução fluida e coesa, mas sem perder a empolgação e descontração. A marcação de onde ficarão as alegorias no desfile oficial foi feita com tripés com os dizeres “Aqui se aprende a amar o samba”.

Samba-Enredo
O samba, de autoria de Myngal, Chacal do Sax, Alexandre Rivero, Robertinho, Maykon Rodrigues, Rafael Faustino, Gabriel Simões e Felipe Mussili, foi um grande destaque da escola durante o ensaio, com refrões fortes, o componente se sentiu à vontade para cantar. Fazendo sua estreia esse ano pela escola, o intérprete Bruno Ribas demonstrou total entrosamento com o carro de som e também com a bateria do mestre Dinho. A letra da obra mexe muito com o brio da comunidade, principalmente o refrão, nessa parte o samba explodia e a escola se contagiava.

Outros Destaques
A bateria “Guerreiros”, do mestre Dinho, que está indo para o seu décimo segundo carnaval nesta posição pela Unidos, levantou o público do início ao fim. Além das bossas apresentadas, logo na entrada a rainha Thalita Zampirolli foi alçada e levou o público ao delírio. O samba mostrou que está na boca do povo e durante o esquenta foi cantado pelos torcedores a capela. Ainda no esquenta, alguns sambas da escola serviram de combustível para os componentes.

“Se melhorar estraga. A gente só vem aqui pra disputar título. A gente tá fazendo algumas coisas do nordeste. Tem uma bossa que é lá do Marrocos que a gente estudou muito e vamos brincar”, garantiu mestre Dinho, que desfilará com 250 ritmistas.
Colaboraram Augusto Werneck, Luisa Alves, Matheus Vinícius e Rhyan de Meira
Vigário Geral incorpora enredo e realiza ensaio técnico divertido na Sapucaí, mas com erros em evolução e canto irregular
A Acadêmicos de Vigário Geral foi a segunda escola a pisar na Marquês de Sapucaí em mais um sábado de ensaios técnicos da Liga-RJ. O saldo do ensaio pode ser considerado positivo, visto que a escola incorporou o enredo e se divertiu na avenida. Além da espontaneidade dos componentes, os outros destaques foram o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Diego Jenkins e Thainá Teixeira, além do ótimo desempenho do carro de som, atrelado a bateria do mestre Luigi. Os destaques negativos ficam para o canto dos componentes que oscilou durante o cortejo e para alguns espaçamentos entre as alas que comprometeu a evolução. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO
No próximo carnaval, A tricolor da Zona Norte vai levar para Marquês de Sapucaí o enredo “A Fantástica Fábrica da Alegria”, desenvolvido pelos carnavalescos Alexandre Costa, Lino Sales, Marcus do Val e pesquisa feita por Marcus Vinícius Sant’anna. Ela será a terceira escola a pisar na avenida na primeira noite de desfiles da Série Ouro no Carnaval 2023.
“O balanço do ensaio é positivo. Sabemos que ainda tem mais algumas coisas para fazer. A escola estava feliz e contente. Isso tudo após um temporal, onde muitos componentes não conseguiram chegar na Sapucaí, mas a galera que chegou, graças a Deus, conseguiu fazer um belíssimo ensaio. A gente sabe que até o dia do desfile sempre tem alguma coisa para ajustar. Vamos trabalhar para chegar a perfeição no dia do desfile. O samba é bem funcional e eles ficam à vontade, livres e evoluindo ao longo do desfile”, disse Jeferson Carlos, diretor de carnaval.
Mestre-sala e Porta-bandeira
Indo para o segundo ano juntos, a dupla Diego Jenkins e Thainá Teixeira dançou com muita firmeza na noite de sábado, vestidos com as cores da escola, o casal dançou de forma leve, eles aplicaram um estilo clássico, mas bastante intenso com passos bem encaixados ao samba e fizeram ainda referências específicas à letra. A apresentação durou pouco mais de dois minutos e não foi observado nenhum contratempo, os dois se mostraram muito seguros com seu bailado.

“O ensaio técnico serve para poder testar as ideias que construímos, todo esse tempo, para o desfile. Eu estou muito feliz, a gente conseguiu brincar, distribuir doce e conseguimos fazer tudo que ensaiamos desde setembro. Foi melhor do que poderia imaginar. […] Amamos o que a gente faz, amamos dançar, amamos ser mestre-sala e porta-bandeira e amamos o nosso pavilhão. Poder ver a comunidade de Vigário Geral, brincando e defendendo seu pavilhão aqui, eu fico muito feliz e agradeço a escola pela confiança”, disse a porta-bandeira.

“Começamos a dançar juntos no carnaval passado e na época não tivemos muito tempo. Agora estudamos as justificativas, muito felizes, e optamos por trabalhar muito cedo, começamos em setembro. Estamos ensaiando exaustivamente todo dia e agora aqui na Sapucaí. Hoje foi o dia de testar e apresentamos tudo que a gente propôs durante a semana. A gente ensaia mirando a técnica perante a cabine dos jurados. Quando ensaia toda a escola, melhora a nossa percepção, sentir a energia da população e da comunidade de Vigário Geral”, completou o mestre-sala.
Comissão de frente
Coreografada por Handerson Big, a comissão de frente se mostrou inserida dentro do enredo, contando apenas com homens no elenco, a sensação foi de que todos eram crianças se divertindo, a dança mesclou movimentos tradicionais com várias referências a brincadeiras infantis. Todos usavam uma espécie de suspensório e botas.

Evolução
O quesito merece atenção da escola para que os erros apresentados no ensaio não se repitam no desfile oficial, em alguns momentos foram observados algumas alas com espaçamentos fora do normal, algumas alas não conseguiam se manter alinhadas e pequenos clarões surgiram durante o desfile. Um fator positivo foi a espontaneidade dos componentes, a maioria estava se divertindo e brincando, porém, em algumas alas o excesso de brincadeira fez com que alguns componentes acabassem embolando. Na altura da segunda cabine de julgamento ocorreram dois deslizes, o primeiro foi um espaço considerável à frente da ala das crianças, o segundo foi durante a apresentação da bateria, em que a ala da frente seguiu, ocasionando um espaço muito grande, mesmo a rainha Egili Oliveira ocupando foi possível observar.

Harmonia
A escola se apresentou com bastante espontaneidade e animação, porém, muitos componentes demonstravam não dominar o samba por completo, nas primeiras alas o canto só era uniforme no momento do refrão principal, depois os componentes pareciam brincar, mas sem cantar o samba. Vale destacar que escola estava bastante animada, com componentes levando adereços de mãos e até bolinhas de sabão. Apesar do bom desempenho do carro de som, o canto da escola oscilou bastante e foi um dos destaques negativos do ensaio.
Samba-Enredo
O samba tem autoria dos compositores Júnior Fionda, Tem-Tem Sampaio, Marcelinho Santos, Marcelo Adnet, Orlando Ambrósio, Romeu Almeida, Fábio Turko, Kelly Grande Rio, Silvana Aleixo, David Imperador das Cestas Básica, apesar de não ser apontado como um dos destaques da safra para o próximo carnaval, a obra passou de forma competente pela avenida, principalmente, por conta do bom desempenho do carro de som comandado pelo intérprete Tem-Tem Jr.

Outros Destaques
A rainha de bateria Egili Oliveira estava completamente inserida no enredo e brincou de ciranda com algumas crianças durante uma bossa da bateria do mestre Luygui. A ala de passista levou os super heróis para a avenida, enquanto os homens desfilaram vestidos de Super-homem, as meninas estavam de Mulher-Maravilha.
“Foi um resultado positivo por todas as dificuldades que a gente enfrentou. Enfrentamos também essa chuva. A gente teve muito pouco tempo de ensaio. As pessoas sabem que mestre de bateria da Série Ouro rala bastante para fazer um trabalho bacana. Vocês podem ter certeza que a gente vai chegar 100% no dia do desfile. A execução das bossas pode melhorar. Acredito muito que a gente pode atingir a perfeição. Nós vamos trabalhar bastante para poder melhorar isso. Mas a bateria Swing Puro está de parabéns, toda direção de bateria… Vamos chegar muito forte no carnaval em busca dos 40 pontos. Eu preparei duas paradinhas. Uma atrás da outra ,em uma sequência. Em uma delas a gente faz uma coreografia onde a bateria abaixa, e ela levanta na crescente. Logo depois, a gente faz uma brincadeira de pular amarelinha, para um lado e para o outro. Nós estamos com essas duas bossas para apresentar no dia do desfile”, explicou mestre Luygui, que desfilará com 220 ritmistas.
Em seu discurso, a presidente Betinha agradeceu aos componentes ali presentes e deu o seu já tradicional grito de guerra “Pra cima deles”, divertindo a todos.
Colaboraram Augusto Werneck, Luisa Alves, Raphael Lacerda e Rhyan de Meira








