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Em enredo com forte presença musical, ala de compositores da Mangueira representou um dos redutos do samba na Bahia no século passado

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e108176a 2cdd 46b9 bf78 b7e966ec2817Inspirados nas agremiações negras advindas de décadas anteriores, os compositores da Mangueira prestaram uma homenagem as “Batucadas”, espécie de grupos carnavalescos negros que se popularizaram no território baiano já no
início do século XX, como consequência da retomada das ruas a partir dos afoxés. A ala abriu o quarto setor do desfile. Muito elegante, o figurino era composto por um paletó que misturou o rosa com branco, e calça verde.

A Mangueira tem em sua história grandes compositores, que são referências não só para a agremiação, mas também para o cenário musical brasileiro, temos os exemplos de Cartola, Carlos Cachaça, Leci Brandão e Nelson Sargento. Em 2020 veio o reconhecimento e a ala se tornou patrimônio imaterial do estado do Rio de Janeiro.

07ec2a36 2b1f 49db af55 fe2c4f013abfPedro Terra é o presidente da ala de compositores da escola, o desafio é enorme, afinal, a ala é referência dentro e fora do carnaval. Para Pedro, além do desafio, é uma honra enorme conduzir o legado que foi deixado por tantos compositores geniais.

“É um desafio muito grande, ao mesmo tempo que é uma honra, uma satisfação poder conduzir esse legado que foi deixado por tantos compositores talentosos notáveis na música popular brasileira, no samba, na história das escolas de samba e a gente vem buscando uma renovação através da juventude dos compositores que hoje integram a ala dos compositores da Mangueira, mas sempre sendo como referência o olhar pra trás, os ensinamentos. Esse modo de olharmos para Mangueira é para que nos inspire, nos oriente”, contou o compositor.

6d693063 ac7c 435b a256 a5cebe8ec65cA relação da Mangueira com a musicalidade brasileira é enorme, fundada por Cartola, um dos maiores compositores de todos os tempos, a relação é ancestral e se perpetuou ao longo dos anos. Pedro diz que a Mangueira é a essência da música.

“A Mangueira é a própria essência da música, ela é uma escola de samba criada por compositores, fundada por compositores e movido a grandes sambas. Sambas históricos, sambas pra Carnaval, mas também de meio de ano, sambas de terreiro que se imortalizaram na música popular brasileira, na voz nas vozes de intérpretes famosos, e que propriamente foram homenageados pela Mangueira ao longo do tempo, como Braguinha, Caymmi, Chico Buarque, Maria Bethânia, os Doces Bárbaros e o próprio Nelson Cavaquinho também referência na história da Mangueira. No último ano tivemos também o Cartola”, finalizou Pedro.

O engenheiro Civil Roni de Oliveira faz parte da ala de compositores da verde e rosa desde 2017, ele, que é um dos autores do samba de 2019, que entrou para história, conta que é uma característica da escola ter sambas fortes e aguerridos, ele também acredita que o samba deste ano já está na galeria de grandes sambas do carnaval carioca.

Eu sou um dos compositores do samba de 2019, então nosso histórico de samba é forte. Contamos esse ano com um belo desfile, que o nosso samba seja mais uma vez premiado. O samba deste ano a quadra comprou a ideia desde a disputa, na minha opinião é um dos melhores sambas do carnaval, ele resgata a musicalidade da Bahia, a força da mulher preta, o valor da nossa ancestralidade está presente no samba de uma forma contínua e vai ser grande sucesso hoje com certeza”, contou Roni.

A história de Rodrigo Pinho com a ala de compositores é longa, já são 15 carnavais desfilando e representando tantos outros compositores, o comerciante acredita que o samba da Mangueira para o carnaval deste ano é o melhor e que toda a ala de compositores está muito emocionada, ele aproveitou para destacar a força da presidente Guanayra Firmino.

A relação da Mangueira com a musicalidade faz parte desde o começo. A gente tem Nelson Cavaquinho, a gente tem Cartola. A gente tem um ritmo de maiores nomes da música popular brasileira que nasceu no morro, cresceu e construiu a nossa história, nossa missão é continuar esse legado. Temos o melhor samba deste ano, ainda não começou o desfile, mas eu tenho certeza que vocês vão ver, eu não sei nem da arquibancada como vai ser a reação, mas vocês vão ver os compositores de toda a escola extremamente emocionados. A gente tá muito à vontade, sofremos uma mudança muito grande, a gente tem a Guanayra que é a mulher mais forte que poderíamos ter, a gente está junto dela sempre”, pontuou o compositor.

Ala 27 do Salgueiro finaliza o desfile transformando o lixo em luxo

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Salgueiro04 1A vigésima sétima ala do Acadêmicos do Salgueiro trouxe para avenida neste domingo, no primeiro dia de desfile do Grupo Especial, a história daqueles que tiveram a vida desprezada e, após encontrar o paraíso, transformam o lixo em luxo.

A ala coreografada veio com uma fantasia que tem duas versões ao virar. Uma parte da fantasia é amarela para representar o luxo e a outra parte preta para representar o lixo. Na cabeça, um capacete com um chifre vermelho.

A ala da escola representa Joaozinho Trinta, o João do Povo, uma grande referência para a cultura nacional. “Representar Joaozinho Trinta é uma coisa incrível, ainda mais, sendo do luxo ao lixo, é um dos enredos mais icônicos dele”, explica Carol Peixoto, ela desfilou pela primeira vez no Salgueiro e estava ansiosa pra representar a escola na Sapucaí.

Salgueiro01 2A ala fecha o setor da escola e tem a responsabilidade de finalizar o desfile. “Na minha opinião, a ala é muito responsável por fechar o setor da escola e representar o Joaozinho Trinta, disse Matheus Silva, também desfilando pela primeira vez na escola.

Para Carol, falar sobre sustentabilidade é uma pauta super importante da ala. “A fantasia fala também sobre sustentabilidade. Trazer essa visão sobre pensar no futuro é com certeza algo muito importante”, disse Carol.

A escola foi a penúltima escola a desfilar no primeiro dia de desfiles do Grupo Especial. A escola reflete sobre o certo e o errado, apresentando os “Delírios de um Paraíso Vermelho”.

Salgueirenses demonstram apoio e carinho por casal de mestre-sala e porta-bandeira

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Salgueiro03 4Prestes a completar dez anos no Acadêmicos do Salgueiro, Sidclei Santos e Marcella Alves seguem na construção de um legado que encanta não apenas a comunidade, como também o público que os assiste dançar. O casal de mestre-sala e porta-bandeira evidencia a sua conexão cada vez mais.

Apaixonados pelos dois, os salgueirenses não escondem o carinho e a apreciação que sentem pelo casal. Neste domingo, 19 de fevereiro, a agremiação foi a quinta do Grupo Especial a desfilar na Sapucaí, e a comunidade estava mais do que pronta para apoiá-los.

Desfilando no Salgueiro há treze anos, Peterson Shermnan, de 48 anos, acompanha alegremente a evolução e as transformações que a escola já passou. “Sou suspeito para falar do Sidclei e da Marcella, pois admiro o trabalho deles há muito tempo. Acho que eles arrebentam e são um exemplo de dedicação”, comentou.

Salgueiro01 4Ruthenberg Achilles, de 32 anos, representou a agremiação pela primeira vez na Avenida, mas sempre esteve presente para apoiar a namorada, que faz questão de participar anualmente. “Essa paixão que eles têm pelo Salgueiro faz toda diferença. Dá mais gás e emoção no desfile, além de nos contagiar”, abordou.

“Para mim, eles são o melhor casal de mestre-sala e porta-bandeira da atualidade. Com certeza vão trazer bons frutos para a escola nesse carnaval”, afirmou Marcio Geippe, de 49 anos. Ele também contou que nunca é tarde para se sentir realizado, uma vez que fez sua estreia na Sapucaí. “Estou realizando um sonho aqui. Moro perto da quadra e acompanho a escola desde a adolescência”, completou.

‘Marechal do Exército Vermelho’ da Furiosa é destaque no desfile do Salgueiro

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Salgueiro02 3O Acadêmicos do Salgueiro trouxe para avenida, no primeiro dia de desfile do Grupo Especial nesta sexta-feira, uma reflexão sobre o certo e o errado, apresentando os “Delírios de um Paraíso Vermelho”. A fantasia, Marechal do Exército Vermelho, dita o ritmo das batalhas. Os tenentes tem o papel de julgar e ditar as condenações.

A furiosa veio fantasiada com uma roupa longa vermelha com detalhes dourados e pratas, uma imagem de caveira estampa o colete da bateria. Na cabeça, os componentes usam um chapéu com uma caveira com olhos acesos em luz vermelha.

“Toda vez que a gente está aqui no Salgueiro, é uma emoção diferente. É uma emoção que nos faz querer vibrar e estar aqui todo ano”, disse Fabio Aquino, professor. Para Fabio, a fantasia parece exagerada mas é tranquila de se usar. “Ela tem bastante peças, mas ao mesmo tempo, ela é muito fresca. Vai dar um visual muito legal na avenida por conta da coloração e por causa do chapéu que tem detalhe em led”, completou o componente da caixa da bateria.

Salgueiro01 3De acordo com Leandro Dale, todas as fantasias da vermelha e branca são confortáveis. “Sempre são pensadas, porque temos que fazer movimentação. Todas são 100% leves”, explicou o componente da marcação.

A escola foi a penúltima escola a desfilar no primeiro dia de desfiles do Grupo Especial. A escola reflete sobre o certo e o errado, apresentando os “Delírios de um Paraíso Vermelho”.

Ala LGBTQIA+ traz representatividade para o Salgueiro

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Salgueiro01 5O Salgueiro foi a quinta escola de samba do Grupo Especial a desfilar pela Sapucaí neste domingo, 19 de fevereiro. O enredo buscava despertar olhares críticos sobre a concepção social de certo e errado, com uma grande mensagem de repúdio a qualquer tipo de preconceito.

A 21ª ala da agremiação, intitulada “Todes a bordo”, reuniu pessoas da comunidade LGBTQIA+ para convidar o público para navegar no barco da diversidade. As fantasias, de diversas cores, formavam as cores do arco-íris no conjunto.

Salgueiro03 5“Estou desfilando no Salgueiro pela primeira vez. No ano passado, estive na arquibancada. Olhe como o mundo dá voltas”, comentou o bem-humorado Kayque Barcellos, de 17 anos. “Ainda que pareça um tema cansativo, é a realidade. Precisamos trazer relevância para o combate à intolerância e esse momento é ideal. O Brasil inteiro está nos assistindo”, afirmou.

Laert Rodrigues, de 47 anos, voltou a desfilar após alguns anos e se mostrou extremamente satisfeito com o seu papel na apresentação. “Achei a fantasia linda, e realmente maravilhosa”, abordou.

“Essa ala é nova e necessária. Traz representatividade para todos nós no carnaval, e fico feliz de fazer parte desse momento”, citou Paola Nunes, de 33 anos, que desfila no Salgueiro pelo segundo ano.

Baianas do Salgueiro mostraram o despertar da natureza em sua fantasia

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Salgueiro01 1As baianas do Salgueiro trouxeram, no primeiro dia de desfile do Grupo Especial, o despertar da natureza em sua fantasia. “A fantasia é a mãe natureza. As baianas vão representar onde tudo começou”, explicou Tia Glorinha, presidente da ala de baianas.

A fantasia usada era vermelha e laranja, com detalhes brilhosos. Em baixo das saias das baianas tinha um led com luzes. As baianas desfilaram com uma asa rosa e roxa nas costas, na parte de cima, as baianas também usaram um chapéu vermelho e laranja com penas pretas.

De acordo com as baianas, as luzes na saia foi uma surpresa para avenida. “Temos um detalhe escondido na fantasia que vai ser uma surpresa”, explicou Marli Cipriano, enfermeira, baiana há quinze anos no Salgueiro.

Salgueiro03 1Para a presidente, a fantasia foi uma aposta no carnavalesco Edson. “Quando o Edson disse que iria fazer a roupa, ele disse que seria uma roupa muito bonita. Que seria impactante. Apostamos nele e o resultado está ai” disse a presidente. O carnavalesco Edson é o maior detentor de Estrelas de Carnaval, prêmio do CARNAVALESCO, na categoria de baianas.

Isabela Lopes desfila no Salgueiro como baiana, sobrinha da Tia Glorinha, ela estava presente e ansiosa para desfilar pela vigésima sexta vez na escola. “Vestir essa fantasia é mais do que uma honra. Eu estou vestindo por causa da minha Tia Glorinha, que é presidente da ala. Eu comecei carregando fantasias dela, me apaixonei e aos 17 anos entrei na ala”, disse a baiana.

As baianas entraram em um consenso sobre a fantasia: é leve e tranquila de se usar. “estar aqui é uma emoção, da até vontade de chorar. Salgueiro é raiz e força da terra. A fantasia é uma maravilha, é toda em vime e acaba sendo um material mais leve para desfilar. É muito confortável”, disse Rosilene Ferreira, dona de casa, baiana há 3 anos pelo Salgueiro.

A vermelha e branca foi a penúltima escola a desfilar no primeiro dia de desfiles do Grupo Especial. A escola reflete sobre o certo e o errado, apresentando os “Delírios de um Paraíso Vermelho”.

Salgueiro apresenta os pecados de Adão e Eva na Avenida

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Salgueiro01A quinta escola de samba do Grupo Especial a desfilar pela Sapucaí neste domingo, 19 de fevereiro, foi a Acadêmicos do Salgueiro. Com o enredo “Delírios de um Paraíso Vermelho”, desenvolvido pelo carnavalesco Edson Pereira, o Salgueiro levou reflexões sobre o certo e o errado, percorrendo debates sobre preconceitos e exclusões, para a Avenida.

Em seu abre-alas, dividido em três partes acopladas, a história de Adão e Eva foi introduzida na narrativa. Do primeiro ao terceiro chassi, conhecemos Éden, os seres vivos da natureza e o casal. Também o vimos ser expulso do paraíso por ter pecado.

Tons de laranja, vermelho e roxo predominaram na alegoria. De forma luxuosa, diversas esculturas chamavam a atenção do público. Duas fontes que jorravam água também impressionaram.

Salgueiro04Marcelle Ribeiro, de 23 anos, foi um dos destaques do carro. “A minha fantasia simboliza o balé das borboletas, que representa a criatividade e a transformação recorrente do paraíso”, informou. Ela desfilou pelo quarto ano consecutivo na agremiação.

Raquel Silva, de 29 anos, se mostrou emocionada pela oportunidade de desfilar na escola de seu coração. “Estou muito ansiosa e sei que vai dar tudo certo”, comentou. Seu figurino representava a sensualidade da tentação.

Fotos: desfile da Mangueira no Carnaval 2023

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Nomes ilustres da cultura da Bahia encerraram desfile da Unidos da Tijuca

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Com o carro “Minhas águas são de festa onde a fantasia é eterna”, a Unidos da Tijuca trouxe um resumo da carnavalização das festas da Baía de Todos os Santos. A alegoria era composta por esculturas que representavam os principais nomes e personagens da cultura baiana. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, os componentes do quinto carro alegórico da Azul e Dourado deram detalhes do significado do da alegoria, de suas fantasias e seus personagens favoritos no folclore da Baía de Todos os Santos.

Fabio Costa, diretor de alegorias da Unidos da Tijuca e também coreógrafo do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, explicou o que o carro representa no enredo e os detalhes das esculturas. Ele também falou sobre a importância de trazer essa temática para a Avenida.

“O último carro da Unidos da Tijuca traz toda a parte da cultura e da dança. A coisa da Folia de Reis, do Maracatu, dos blocos afros, dos trios elétricos – que é uma marca muito famosa do carnaval de Salvador. Isso apesar do nosso enredo ser a Baía de Todos os Santos e não a Bahia de fato. O carro traz toda essa magia dessa cultura de dança da baía de todos os santos. Nas esculturas a gente tem lendas das sereias e toda essa parte que envolve o fundo do mar, como os peixes. Carnaval é história. A gente procura mostrar a história do nosso povo – que é bastante rico – para público, de uma forma mais de interação para o público”, detalhou o diretor de alegorias.

Tijuca03 4Cátia Leal, secretária de 47 anos, desfilou pela primeira vez na Azul e Dourado. Com sangue baiano, ela contou o que a fantasia representou e seus personagens favoritos dentro do enredo da Tijuca.

“A minha fantasia representa o samba de roda, que é uma das danças da Baía de Todos os Santos. Um samba que me apaixonei. Esse carro para mim representa os nossos Orixás, mãe Oxum, a minha madrinha Iemanjá e Xangô. Eu sou filha de baiano e convivi com o povo da Bahia. O meu pai era do Afoxé Filhos de Gandhy. Eu tenho um pouco da história da Baía de Todos os Santos na minha vida e na minha família. O sentimento que eu tenho hoje é de gratidão por ter proteção dos Orixás e por fazer parte da história da Baía de Todos os Santos. No enredo, o que mais gosto é a minha mãe Oxum e a minha madrinha Iemanjá. A escultura que mais gostei no carro foi o burrinho, porque é um animal alegre para mim”, disse Cátia Leal.

Pedagogo, Aleandro Martins, 51 anos e componente da Unidos da Tijuca há vinte, entrou como um dos componentes do carro alegórico representando o rei do maracatu. Ele falou sobre a importância da alegoria e de trazer esta mensagem para o carnaval carioca a fim de mostrar para a sociedade a importância destes movimentos.

Tijuca14“A Tijuca é a minha escola de coração e eu faço tudo para ela vir bem. A minha fantasia é o rei do maracatu. Esse carro traz as festas populares do nosso país e nós estamos representando isso. Como pedagogo, acredito que a importância de resgatar esses ritmos é muito importante. Estar aqui como rei do maracatu é resgatar a importância desse movimento para a nossa cultura. Eu achei o carro todo bonito, porque ele representa toda a festividade da Bahia”, falou o componente.

Bisneta de Regina Vasconcellos – fundadora da Unidos da Tijuca – Vitória Vasconcellos representava o samba de roda. Ela destacou a importância do carro. Com sangue tijucano, Vitória também tentou definir o que a Tijuca representa em sua vida.

“É uma sensação indescritível. Eu sou Tijuca e a Tijuca sou eu também. A minha fantasia representa o samba e para mim é muito legal, porque mistura o nosso samba com o da Bahia. Juntámos tudo para tentar mostrar o que há de melhor nisso que é a nossa Tijuca. Eu gosto muito do Maracatu, que é uma dança maravilhosa. Gosto também do Carimbó. São danças muito expressivas e muito típicas e, por isso, me encantam demais. Nesse carro eu gosto muito do sorvete e dos burrinhos, acho eles muito fofinhos. O carro está lindo”, falou a componente da última alegoria.

Com o enredo “É onda que vai… É onda que vem… Serei a Baía de Todos os Santos a se mirar no samba da minha terra”, a Unidos da Tijuca foi a quarta escola a desfilar na Marquês de Sapucaí neste domingo de carnaval.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Mangueira no desfile

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A bateria da Estação Primeira de Mangueira fez um desfile espetacular, na estreia de Mestre Taranta Neto, em dupla com o já experiente Rodrigo Explosão. Um ritmo que apresentou uma conjunção sonora extremamente valiosa e com o mérito de atrelar a cultura baiana à musicalidade da bateria. Uma exibição que evidenciou uma disciplina musical acima da média, junto a uma cadência que permitiu a fluência plena de todos os naipes.

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A cozinha da bateria contou com uma afinação particularmente grave, inserida no DNA musical da Mangueira. Os surdos de primeira foram precisos, firmes e seguros durante toda a pista. Já os surdos mor foram responsáveis pelo balanço único e genuíno que possui a bateria mangueirense. Repiques de altíssima qualidade técnica foram notados. Um naipe de caixas de guerra com boa educação musical deu amparo e serviu de base a todos os naipes do ritmo da Mangueira, num trabalho destacado pela limpeza do toque, que inclui a tradicional rufada. Os “timbaques” deram um molho envolvente à parte de trás do ritmo. Utilizar o “Timbaque” foi uma solução encontrada diante de atabaques com alto valor de mercado. Com uma constituição de timbal, adaptado para utilizar pele de atabaque, sua sonoridade impressionante integrou a musicalidade mangueirense de forma bem genuína. Fora as participações privilegiadas em bossas.

A cabeça da bateria apresentou um trabalho rítmico primoroso. Uma ala de cuícas poderosa e coesa foi notada. Xequerês dando um molho peculiar a parte da frente do ritmo auxiliou no preenchimento musical. Os ganzás (como são conhecidos os chocalhos da Mangueira) se exibiram de modo privilegiado, com um toque uníssono. Complementando a sonoridade também haviam agogôs de duas campanas (bocas), adicionando um tom metálico a um ritmo culturalmente mais pesado. Uma ala em questão merece uma exaltação pra lá de especial. O naipe de tamborins mangueirense se apresentou de forma soberba, pontuando a melodia do samba através do desenho rítmico de tamborim mais inspirado desse Carnaval. O toque integrado dos ritmistas da ala, que pela Avenida pareciam um só, dignifica mais do que nunca o apelido da bateria da Estação Primeira de Mangueira: “Tem que Respeitar Meus Tamborins”.

A bossa do refrão do meio foi uma construção musical de intenso valor sonoro e religioso. Nela todos os ritmistas se abaixavam, com exceção dos “timbaques”, que faziam um solo envolvente. Os demais naipes se levantaram enquanto a sonoridade foi sendo produzida por diversas peças. Na primeira parte da bossa, os “timbaques” fazem um toque para Exu, como pede a música. Mais uma vez seguindo o que a belíssima canção mangueirense pedia, aconteceu uma troca para o toque de Ijexá, num movimento rítmico não só bem elaborado, como profundamente integrado à bateria da Mangueira. Um arranjo musical que uniu ritmo virtuoso e movimentos sincronizados, que receberam ovação do público.

Uma paradinha intimamente ligada ao samba-enredo da Estação Primeira foi a da segunda do samba. A partir do verso “Quando a alegria invade o Pelô”, se aproveitando da melodia da obra, foi produzida uma sonoridade com levada baiana. Surdos mor e “timbaques” deram um balanço único, consolidando as frases rítmicas junto com amparo das caixas. Para concluir, surdos mor e “timbaques” chamaram as caixas para um novo diálogo musical. No refrão que antecedeu o principal, o arranjo é complementado por uma batida profundamente valiosa do naipe de caixas de guerra que remete ao belo desenho rítmico dos tamborins, evidenciando o bom trabalho das caixas mangueirenses. Um arranjo musical de alta complexidade, mas nítido e inegável impacto sonoro. Representou um acerto cultural e musical, ao fornecer o que o samba da verde e rosa solicitava.

Algumas vezes na pista, a escolha foi parar o ritmo fazendo um “apagão” no refrão que antecede o principal, sendo cantado maciçamente em coro. A retomada no refrão principal se aproveitou da pressão dos surdos para provocar impacto sonoro. Foi percebida certa ovação popular, transformando a escolha em acerto musical e harmônico.

Todas as apresentações em cabines de julgadores foram soberbas e seguras. A apresentação no último módulo ganhou contornos simplesmente apoteóticos. Nenhum problema foi evidenciado em nenhuma das três cabines da pista de desfile. A exibição da bateria da Mangueira, comandada por Rodrigo Explosão, em dupla com o estreante Taranta Neto, foi fabulosa. Um ritmo que tem tudo para pleitear a nota máxima, quiçá sonhar com premiações, depois de um desfile magistral.