Os meteorologistas apontam que o Carnaval 2023 deve ter dias chuvosos na cidade do Rio de Janeiro. Como vem acontecendo nos últimos dias, durante o dia, o clima deve ser de calor absurdo, mas podem ocorrer pancadas de chuva no período da noite.
Foto: Divulgação
Na sexta-feira, abertura dos desfiles da Série Ouro, o dia será com 40ºC, mas com possibilidade de chuva, pancada, no fim do dia. No sábado, a chegada da frente fria na cidade. Meteorologistas esperam até 50mm de chuva.
O clima melhora no domingo, primeiro dia dos desfiles do Grupo Especial. O sol apareça durante o dia. A tempetura não deve passar de 30ºC. Na segunda, a previsão é do dia apenas com pancadas leves de chuva.
Após desfiles emblemáticos nos últimos anos, a Acadêmicos de Vigário Geral prova não ter medo de ousar e chega ao carnaval de 2023 com uma proposta completamente diferente. Almejando uma vaga no Grupo Especial, a escola aposta na emoção para conquistar o público e os jurados.
Fotos: Luisa Alves/Site CARNAVALESCO
Desenvolvido pelos carnavalescos Alexandre Costa, Lino Salles e Marcus do Val, o enredo “A Fantástica Fábrica da Alegria” vai contar a história de um menino que encontra um bilhete premiado e é transportado para um ambiente de inocência, leveza e diversão.
“Fomos inspirados pela Praça Catolé do Rocha, que fica na frente da nossa quadra. As crianças brincam muito lá, como nós fazíamos antigamente. É estranho porque é tão difícil ver isso nos tempos de hoje, ainda mais com a violência e a chegada da tecnologia. Mesmo assim, pique bandeira e queimado são brincadeiras que seguem existindo naquela praça”, comenta Alexandre Costa.
Segundo o carnavalesco, a parte mais demorada do processo foi encontrar um fio condutor que transmitisse a essência do enredo. A partir do momento que fizeram a associação com o filme “A Fantástica Fábrica de Chocolate”, as pesquisas fluíram naturalmente.
“Na atualidade, as crianças enxergam o mundo de forma muito mais séria. Elas têm noção de coisas que não tínhamos, e isso pode ser duro”, continua. “Por isso, escolhemos um menino, um personagem que vai representar todos os outros. Queremos levar saudosismo para a Avenida”.
Conheça o desfile da Acadêmicos de Vigário Geral
Com 1.500 componentes e três alegorias, a agremiação será a terceira a desfilar na sexta-feira, dia 17 de fevereiro. A narrativa será apresentada em três setores e promete cativar a todos.
Setor 1: “Vamos mostrar a busca pela alegria. O mundo está chato, todos trabalham demais e algumas crianças sequer recebem atenção. É quando o bilhete premiado é encontrado e muda tudo”.
Setor 2: “Vai retratar bem as brincadeiras, cirandas, brinquedos… Tudo será explorado no interior da fábrica. Traz nostalgia para quem estiver assistindo”.
Setor 3: “O foco é estimular a imaginação das pessoas. Filmes, musicais e livros. As crianças podem descobrir que o mundo, além da tecnologia, continua muito divertido. Basta ter a oportunidade”.
Continuando com a Série Barracões São Paulo, o site CARNAVALESCO visitou o barracão da Nenê de Vila Matilde, que abrirá a noite de domingo, voltando a disputar o Grupo de Acesso I, visto que no ano de 2022 a Vila foi campeã da divisão inferior. Para o carnaval de 2023, a agremiação irá levar o enredo “Faraó Bahia”, desenvolvido pelo carnavalesco Fábio Gouveia. O artista conversou com a equipe e detalhou o desfile que a Águia da Zona Leste irá levar para o Anhembi.
Fotos: Gustavo Lima/Site CARNAVALESCO
“Faraó-Bahia vem do hit de carnaval onde todo mundo imagina que é a música que a Margareth Menezes eternizou, mas que tem um outro lado. Não é só a festa. Ela fala do empoderamento. Vem de encontro do não aos 100 anos de abolição da escravidão. O autor, juntamente com o Olodum, quer algo para ir contra. Não há o que comemorar. O nosso povo não foi liberto. Houve uma falsa história contada. E aí a música vem na contramão, porque antes o carnaval para os negros era só puxar a cordinha. O que mudou com essa abolição? Nada. Nós vivemos uma mordaça social e isso que a música quer dizer. Nós descendemos de reis e rainhas. De deuses do Egito antigo. A música nos empodera e diz que vamos substituir os turbantes por tranças. Vamos colocar as nossas caras nas ruas. O Faraó-Bahia faz isso. Ele pega esse norte sobre essa luta, empoderamento negro e começa a dar espaço para outras ações”, explicou.
Como surgiu
O tema chegou para a escola sob a ideia do carnavalesco Fábio Gouveia. De acordo com o artista, é uma ideia antiga, planejada em outra escola, mas que resolveu guardar para a Nenê de Vila Matilde, caso um dia fosse contratado. Finalmente aconteceu. “Esse enredo já havia sido discutido há cinco anos atrás. Eu estava na Imperador do Ipiranga junto com o Márcio Telles e ele disse para a gente guardar esse enredo um dia para a Nenê. Jogamos ao vento, porque tem muito a cara da escola. Eu não tinha projeto de vir e ele não tinha projeto de estar no carnaval, mas aconteceu. Quando nós tivemos a oportunidade de colocar isso na Nenê, a comunidade acolheu, porque nós já estávamos fazendo esses resgates. Aí casou de termos o enredista Diego Araújo, que é parceiro nosso que havia feito algo semelhante no carnaval virtual. Nós juntamos as ideias e discutimos o enredo. Era um tema já pensado e aqui na Vila tomou essa proporção”, contou.
Pesquisa do enredo
Segundo Fábio, tudo foi baseado na questão da negritude. Em sua maioria, não houve uma pesquisa padronizada. Diferente de notar isso, pois realmente requer um conhecimento notório do tema. “Não houve uma pesquisa direta da construção, porque é muito do nosso dia a dia. Nós que militamos a causa negra nós temos esse assunto na ponta da língua. Temos essa identificação com a Nenê de Vila Matilde. Juntou as informações pontuais do Diego para desenvolver a parte técnica da sinopse, as ideias do Márcio quanto artista e a mim quanto carnavalesco. A partir disso nós discutimos o que é funcional e o que vai acontecer. Nós vamos partir daqui, falando de uma escola com empoderamento negro, mas sem ser agressivo. Sem falar de dor e sofrimento. Tudo isso que todo mundo já cansou de ouvir falar. Nós resolvemos falar da alegria cantando essas várias áfricas que existe dentro da Bahia”, declarou.
Ponto alto do desfile
Com um desfile rico em detalhes, sempre se pergunta qual parte devemos ficar atentos. O carnavalesco disse que a abertura promete um impacto maior. “Nós temos muitos pontos ao longo do desfile, mas a frente da escola tem muita novidade. Temos alegorias totalmente diferentes do que é o carnaval de São Paulo. Temos muita coisa artística, encenação e dança em cima dos carros. A abertura é o ponto chave, que conclama os deuses do Egito na Bahia”, pontuou.
Conheça o desfile
Setor 1: “O primeiro setor é a conclamação dos deuses do Egito na Bahia. Trazemos todas essas características do Egito, fazemos uma mescla com os personagens da Bahia e abrimos o nosso desfile. O enredo já fala ‘Nenê de Vila Matilde anuncia, Faraó-Bahia’. O maior símbolo da escola de samba vai estar à frente anunciando que o Egito vai estar na Bahia”.
Setor 2: “O segundo setor já vai falar da luta dos negros para preservar a religiosidade. Nós vamos de encontro ao Ilê Aiyê. Os primeiros blocos, cortejos afros. A ideia de se vestirem de palha para pegarem suas histórias e tradições. Nesse setor é falado do Ilê Aiyê. Tem muita palha, colorido, mas sem perder a ideia do que é o Ilê Aiyê, que é o preto, amarelo e vermelho. Falamos também do empoderamento negro, que a beleza negra toma maior evidência com o Ilê Aiyê”.
Setor 3: “O último setor nós trazemos essa luta pela paz. Nós já evidenciamos o nosso povo, mostramos o que foi capaz para se reconstruir e se reerguer e se tornar motivo de orgulho. nós vamos falar da luta contra a intolerância, contra o racismo. É um setor inteiro branco pontuado de azul porque também tem essa ligação da Nenê com tudo isso, que é a porta-voz de toda essa história. Ela vai de encontro aos filhos de Gandhi e aos blocos que foram para as ruas para pedir paz. Aquela multidão que desce o cortejo sentido a igreja do Bonfim para que tudo seja melhor. A gente fala que a cidade de Salvador, assim como o Brasil, foi construído com o sangue de todos esses negros”.
Ficha técnica
Três alegorias
1200 componentes
Diretor de carnaval e ateliê: Bruna Moreira
Carnavalesco: Fábio Gouveia
Está chegando a hora! As 15 escolas da Série Ouro do Rio de Janeiro desfilam sexta e sábado pelo Carnaval 2023. Abaixo, você pode votar e apontar qual é a agremiação mais aguardada. Vamos divulgar o resultado na sexta-feira.
Nesta tarde, uma forte chuva acompanhada de ventania derrubou duas alegorias da Mocidade Unida da Mooca e outra da Pérola Negra no espaço de alegorias da Olavo Fontoura. O local, que fica ao lado do sambódromo do Anhembi, serve para a concentração dos carros alegóricos das escolas que desfilam nos dias posteriores. No caso, ambas as agremiações irão desfilar no domingo pelo Grupo de Acesso I.
Foto: Reprodução/redes sociais
A Mocidade Unida da Mooca soltou uma nota dizendo que tudo será restaurado a tempo do desfile: “Por conta da força da chuva e da intensidade do vento, tivemos duas alegorias, carro 01 e carro 02, danificados na tarde de hoje. Tudo será restaurado a tempo do desfile”. E em seguida postou um mutirão a partir das 21 horas no terreno das alegorias.
A agremiação da Vila Madalena também soltou uma nota: “Devido à chuva e aos fortes ventos desta tarde na cidade de São Paulo, nossas alegorias sofreram danos em algumas peças e composições para o Carnaval 2023. Já estamos trabalhando nos reparos e restaurações das peças danificadas”.
Outra escola prejudicada foi o Morro da Casa Verde que soltou: “Graças ao axé dos nossos orixás, vai ficar tudo bem! Como é de conhecimento público, as fortes chuvas que aconteceram hoje na cidade de São Paulo no fim do dia danificaram alegorias do Morro e de outras co-irmãs. Os reparos estão sendo calculados e o plano de ação para o nosso desfile já está em prática. O nosso bem maior que são as PESSOAS e os profissionais que ali trabalhavam , nada sofreram. O trabalho continua incessantemente até o momento do nosso desfile oficial, nos solidarizamos com as escolas afetadas e a luta continua! Contamos com a nação Verde e Rosa para continuarmos firmes , falta pouco”!
O melhor companheiro dos sambistas na Marquês de Sapucaí o “Roteiro dos Desfiles” é fundamental para acompanhar os desfiles das escolas de samba da Série Ouro e do Grupo Especial. Para a edição do Carnaval 2023 a festa é maior com o aniversário de 14 anos. A cada ano que passa o projeto ganha mais novidades.
Luciana Lima é a produtora executiva do ‘Roteiro dos Desfiles’. Foto: Divulgação
“O Roteiro passou por diversos processos de atualização. Desde a implantação de novos quadros, colunas, a edição especial de 12 anos (2021) à reestruturação da marca. Reestruturar a identidade visual e a editoração dos roteiros marcam os aperfeiçoamentos do projeto. A cada ano, entendemos um pouco mais qual é a melhor forma de adaptar as informações inéditas das escolas aos libretos. Tudo, para que os leitores tenham um acesso rápido à informação e identifique imediatamente o que representa aquela fantasia ou aquele carro, o nome dos sambistas durante os desfiles”, disse Luciana Lima, produtora executiva e diretora executiva da Cia Multiplicar.
A Cia Multiplicar, responsável pelo “Roteiro dos Desfiles”, é formada por Luciana Lima, diretora executiva da Cia Multiplicar, além das produtoras Gabriela Catarino e Natália Leotério, o professor João Gonzales, responsável pelos textos, o designer Luis Felipe Campos e o gestor de mídia Thadeu Vianna.
O libreto é editado em português e inglês, com distribuição gratuita em todos os setores da Sapucaí. São cinco revistas, uma para cada dia de desfile, que circulam nas mãos de milhares de pessoas, durante as cinco noites de apresentação no Sambódromo.
“O esforço é justamente chegar ao mínimo de 100 mil exemplares por ano. Somado à produção digital, que visa alcançar pessoas do mundo inteiro”, comenta Luciana.
Segundo Luís Felipe Campos, responsável pelo design da publicação desde a primeira edição, para desenvolver uma nova edição dos roteiros é necessário dedicar cerca de 15 horas por dia, com todos os núcleos atuando, em conjunto, para dar conta do tempo, que sempre é curto, até o dia dos desfiles.
Através da transformação digital, o “Roteiro dos Desfiles” avançou para o novo mercado. O “novo figurino” trouxe mais força e inovação.
“Humanizar o nosso conteúdo significa transcender dos espaços da Sapucaí e chegar a um número muito maior de pessoas. Produzir conteúdo informativo, num formato leve, dinâmico e interativo, resume esta ação. A busca não é somente por engajamento, mas por ampliar o diálogo e fortalecer nossos ambientes digitais: site e redes sociais”, explica Luciana.
Através dos canais do “Roteiro dos Desfiles”, você pode acessar todas as versões digitais das edições anteriores, participar do canal do leitor-sambista, deixando suas perguntas e sugestões de pautas ligadas à cultura do samba e do carnaval, para o quadro “Editor por um dia”.
Está chegando a hora! As 12 escolas do Grupo Especial do Rio de Janeiro desfilam domingo e segunda pelo Carnaval 2023. Abaixo, você pode votar e apontar qual é a agremiação mais aguardada. Vamos divulgar o resultado na sexta-feira.
Rumo ao quinto ano de parceria, Taciana Couto e Daniel Werneck, primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Grande Rio, mostram entusiasmo para lutar pelo bicampeonato da agremiação. Embora já repletos de elogios de desfiles anteriores, o recebimento da nota máxima de todos os jurados foi essencial para a primeira vitória da tricolor de Caxias, em 2022. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, antes de um ensaio na quadra, os dois falaram sobre a construção de seu passado profissional, o respeito que sentem um pelo outro e as expectativas para 2023.
Fotos: Luisa Alves/Site CARNAVALESCO
Qual foi o segredo para vocês atingirem esse grau de excelência em tão pouco tempo?
Taciana: “Acredito que muita dedicação, trabalho duro, balé, uma preparação física específica e a nossa rotina de ensaios, tanto particulares quanto com a comunidade. Tudo isso é um somatório pra gente chegar numa apresentação bonita. Também tem muito estudo em torno da fantasia, do enredo e da coreografia”.
Daniel: “Tem dias que brincamos de dividir em rounds. Primeiro round: musculação. Depois o treino funcional com o Bruno Germano, o ensaio com a Beth… Essa cobrança que temos com nós mesmos, de nunca cair numa zona de conforto e trazer algo diferente que as pessoas gostem”.
Daniel, quando anunciaram que Taciana viria de terceira para primeira porta-bandeira, qual foi sua reação inicial?
Daniel: “Fiquei feliz por um lado e triste por outro. Triste porque já estava há três anos com a mesma parceira, tínhamos uma sintonia, mas quando soube que a Taci seria minha porta-bandeira fiquei feliz por ser nova. Acho que o mundo do samba precisa dessas apostas e constante inovação. Mais ainda por ser alguém da casa. Eu vim de fora, mas fui muito abraçado aqui dentro. Hoje digo que se dependesse de mim encerraria a minha carreira na Grande Rio. Acho que isso é gratificante e, quando surgiu a responsabilidade, pensei ‘cara, vamos lá!’. É um novo desafio porque no passado apostaram em mim e preciso confiar nas outras apostas da escola também. Graças a Deus foi um sucesso. No primeiro ano estávamos nos conhecendo, no segundo já tínhamos confiança e conseguimos alcançar o objetivo de trazer a nota máxima pra escola. Tempos depois repetimos a nota, o que é difícil de fazer”.
Taciana, quando soube que seria a primeira porta-bandeira da escola, o que sentiu?
Taciana: “Foi um susto porque era uma situação inesperada. Eu estava dormindo quando tudo aconteceu. Pela madrugada, começaram a comentar que a terceira bailarina assumiria o primeiro pavilhão da escola e, durante o dia, todo mundo me perguntou o que estava acontecendo e eu nem sabia responder. Só soube no fim do dia, quando o presidente pediu que fosse ao barracão pra comunicar isso. Foi uma grande surpresa e demorou meses pra ficha cair, mas a escola me deu todo o suporto necessário e tive o Daniel, que é excelente, ao meu lado. Eu pude e ainda posso contar com a experiência dele. Se evoluí muito nesses anos foi também graças a ele, graças a Beth, graças ao Bruno, graças a Paula do Theatro Municipal”.
Qual é ou foi a importância do trabalho da Beth Bejani com vocês na lapidação da dança e no patamar que o casal já chegou?
Daniel: “Quando temos uma coreógrafa, no caso a Beth, é importante porque precisamos desse olhar de fora. Muitas vezes a gente faz um movimento e acha que está bonito, mas não está tão amplo. Acho que o trabalho da Beth chega nessa questão de limpeza corporal e de dizer ‘olha, esse braço pode ficar mais esticado’, ‘falta finalização aqui’… Ela traz essa cobrança pra gente. Ela diz ‘poxa, Dani, Taci, é melhor ir por esse caminho’, mas nunca impôs nada. Nunca chegou com a coreografia pronta só pra aprendermos. Pelo contrário, ela pede pra levarmos ideias”.
Quais são suas referências como mestre-sala e porta-bandeira, e por quê?
Daniel: “Minha referência foi o Ronaldinho, um dos grandes mestres-salas. Eu tive a oportunidade de ter sido o terceiro e o segundo mestre-sala dele. Foi uma pessoa que lapidou muito a minha dança. Na verdade, digo que tive duas referências. Quando comecei, o meu professor Jorge Edson, que já faleceu, e aí quando vi o Ronaldinho dançando, na época com a Marcella (Alves), fiquei encantado. Pensei que era a dança e a técnica que eu gostaria de levar pra vida. Acho que o que me encantou nele foi justamente a leveza e a elegância que ele trazia pra dança, a forma de manusear o leque e o lenço. Normalmente você encontra um mestre-sala dançando com um leque, um lenço ou um bastão, mas não o Ronaldinho. Ele dançava com o leque e com o lenço. Trouxe isso pra mim e sempre vou enaltecer a figura dele”.
Taciana: “Caramba, que pergunta difícil! Acho que sempre há algo pra se ressaltar em cada uma. Apesar de termos funções básicas a seguir, a nossa dança é de particularidades. Todas têm o seu encanto e beleza. Sou muito fã da Cris Caldas, pela técnica e postura exemplar, e da Marcella Alves do Salgueiro”.
Para vocês, qual é o desfile mais inesquecível, 2020 ou 2022? Por qual motivo?
Daniel: “Os dois, porque, assim… 2020 foi um desfile que entramos com uma energia surreal, quase não nos reconhecíamos. Realmente vestimos um personagem, até por conta do enredo, e isso é algo que sempre cobro da Taci. Tinha momentos em 2020 que o samba falava de Oxóssi e fazíamos movimentos pra Oxóssi, embora viéssemos representando Exu, fazíamos movimentos de Pombajira, de Iansã… também tinha o momento só do Daniel e da Taciana. Foi um desfile muito marcante. Nunca nesses nove anos que farei na escola vi um tão emocionante. Então, quando chega 2022, nossa! A gente vê a galera gritando quando a comissão de frente entra na Avenida, se apresenta e o Exu está no topo borrifando. Aquele foi um sentimento único. Acho que é um momento que entra para história da escola e nos marca muito, ainda mais por termos entrado sabendo que estávamos brigando pelo título e que ele foi incontestável. Todos bateram palmas pra Grande Rio”.
Acreditam que o julgamento do quesito nos próximos anos voltará a ser mais focado na dança ou a coreografia chegou para ficar e ganhar mais protagonismo?
Daniel: “É muito importante a gente enaltecer isso quando entramos no argumento da dança e da coreografia: a dança do mestre-sala e da porta-bandeira não muda. É o cortejo, o riscado… Afinal, o que é a coreografia pra gente? A organização de movimentos que faremos durante o desfile. No primeiro momento vou cortejar, no segundo vou fazer o riscado, no terceiro vou apresentar a bandeira, no quarto vou riscar mais um pouco e no último agradecer. Esse é o papel da coreografia. Hoje as pessoas surgem pensando que a dança do mestre-sala e da porta-bandeira está muito coreografada, mas não é isso. Estamos organizando o que fazer. Lógico que existem os detalhes diferentes porque, por exemplo, você tem um samba que fala sobre frevo e vai querer colocar um movimento de frevo ali. São pequenos detalhes que não modificam a dança”.
Falando em coreografia, vocês têm uma especial na hora do “quitandinha”. Ela vai para Avenida também?
Daniel: “Vamos aproveitar algumas coisas. Acho que esse ano a ideia do carnaval da Grande Rio é um carnaval muito mais leve e mais alegre. Eu e Taci entendemos como uma dança brincante e descontraída, bem de Erê mesmo. Aquilo de criança implicar, brincar, beijar… então a gente vai ter esse movimento. Faremos um pouco do que mostramos na quadra, mas também vamos levar umas surpresinhas”.
Vocês trabalham com dois artistas que atualmente estão no topo do carnaval. Como é a conversa com os carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora na elaboração das suas fantasias?
Taciana: “É bem bacana porque vai além de uma relação profissional e surge uma amizade fora do barracão. Temos uma ótima relação com eles, então conseguimos conversar sobre tudo. Desde que chegaram na escola nos perguntaram o que gostávamos de vestir, quais cores… sempre estão dispostos a nos ouvir. Tanto que em 2020 tivemos três desenhos até chegarmos no quarto e último, baseado num conjunto de opiniões deles, nossas e da Beth. A gente não interfere no trabalho deles, mas temos a liberdade de expor o que nos deixa favoráveis, mais soltos na Avenida, e que combine mais com o enredo. Esse ano a gente não precisou mexer em nada. A proposta já nos emocionou de primeira e estamos muito felizes com o que vamos levar pro desfile”.
Para o Daniel, qual é a principal virtude da Taciana na dança?
Daniel: “Nunca ouvi essa pergunta antes! Pra mim, a virtude dela é saber ouvir. É muito difícil lidar com o ser humano porque existem egos e, graças a Deus, entre a gente não tem nada disso. Ela sabe ouvir, temos sempre conversas, debatemos e discordamos. Acho que a maior virtude dela é essa capacidade de ser compreensiva na dupla”.
Para a Taciana, qual é a principal virtude do Daniel na dança?
Taciana: “Sempre estar disposto a me ensinar. Acho que desde o instante em que ele me acolheu. Imagino que não tenha sido fácil vir de uma parceria em caminho de consagração e pegar a responsabilidade de uma menina mais nova e com pouca experiencia porque você praticamente tem que recomeçar todo um trabalho. Mesmo assim, já no início ele me abraçou com muito carinho e até hoje tem a paciência de me ensinar, está sempre trazendo alegria para os nossos dias. Às vezes eu estou triste e ele me alegra, e cobra que o momento da nossa dança seja também de descontração. O Daniel é isso. Ele é alegre, divertido e traz isso pra minha vida, muito além da dança”.
O que não pode faltar em um mestre-sala perfeito, Daniel?
Daniel: “O entendimento da função. Ele compreender que o papel do mestre-sala é ser o guardião e defensor do pavilhão e da porta-bandeira. Acho que o mestre-sala deve estar o tempo todo pra ela, pra dama… ser realmente um protetor e pensar ‘essa flor é minha, não posso perder e deixar que peguem’”.
O que não pode faltar em uma porta-bandeira perfeita, Taciana?
Taciana: “Acredito que a elegância de uma defensora de um pavilhão, o respeito pelo sagrado e a alegria de estar ali representando uma comunidade”.