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Dados da Prefeitura do Rio revelam importância da imprensa especializada na cobertura das escolas de samba

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A Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Simplificação (SMDEIS), que tem à frente o secretário Chicão Bulhões, em parceria com a Fundação João Goulart (FJG) e a Riotur, divulga a segunda edição do Carnaval de Dados. O estudo traz dados econômicos, números da operação do Carnaval, curiosidades da festa e também o quantitativo de trabalhadores envolvidos no evento, incluindo a imprensa especializada no Carnaval.

Segundo a pesquisa, em 2022 no Youtube houve aproximadamente 10 milhões de visualizações de conteúdos ligados ao Carnaval, considerando diversos eventos ocorridos ao longo do ano: mini desfiles (em fevereiro, visando os desfiles de 2022; e em dezembro, com os enredos para o Carnaval 2023) do Grupo Especial; mini desfiles da Série Ouro; ensaios técnicos de 2022 na Marquês de Sapucaí; desfiles oficiais de 2022 no Sambódromo (Liesa e Liga-RJ) e na Intendente Magalhães (Superliga Carnavalesca); a apuração das diferentes ligas em 2022; e sambas-enredos para o Carnaval 2023. Os números mostram a força do Carnaval Carioca.

Ao se considerar os principais veículos de comunicação da imprensa especializada, além dos canais oficiais da Liesa e Liga-RJ, há mais de 430 mil pessoas inscritas nesses canais no Youtube. Se somadas todas as redes sociais desses veículos, o número total de seguidores fica na casa dos milhões.

Mais um dado relevante sobre a força das Escolas de Samba, é a quantidade de seguidores ou inscritos nas redes sociais. Somando canais e perfis de Youtube, Instagram e Twitter, das 12 Escolas de Samba do Grupo Especial e das 15 Escolas de Samba da Série Ouro, além das redes sociais da Liesa, Liga-RJ e Superliga Carnavalesca (responsável pelos desfiles das Escolas de Samba da Intendente Magalhães), chega-se num número total de 3,5 milhões de seguidores / inscritos.

Debate Série Ouro Carnaval 2023: escolas que desfilam na sexta-feira

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Opinião: Com o melhor samba do ano, Mangueira pode fazer desfile avassalador

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Opinião: Mocidade pisará na Avenida para apagar desfile de 2022 e acabar com fake news

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Especial Barracões SP: Vai-Vai contará histórias que remetem a imortalidade através da reedição de desfile aclamado

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A série “Barracões” do site CARNAVALESCO testemunhou o andamento do processo de renascimento do Vai-Vai através do enredo “Eu também sou imortal”, assinado pela Comissão de Carnaval da Escola do Povo. O tema é a reedição do desfile que disputou o Grupo Especial em 2005, que retorna para o Carnaval de 2023 com a missão de inspirar a comunidade da Bela Vista na missão de retornar aos tempos áureos.

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Fotos: Lucas Sampaio/Site CARNAVALESCO

Escolha por trás da reedição de um carnaval passado

Em 2022, o Vai-Vai voltou a sofrer o duro golpe causado por um rebaixamento. O cenário contrastante com a história de glórias da mais tradicional e maior vencedora das escolas de samba de São Paulo fez com que a diretoria pensasse na melhor forma de construir um projeto à altura, mas ao mesmo tempo dentro da realidade atual da agremiação. Luiz Robles, diretor de marketing e um dos membros da Comissão de Carnaval do Vai-Vai, contou para a equipe do site CARNAVALESCO o que levou a decisão por reeditar um tema já abordado no passado.

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“Quando temos o revés do descenso, já na sequência, semanas depois, estávamos no barracão trabalhando, desmontando alegorias. Começamos a conversar sobre o que poderíamos trazer para o carnaval que fosse algo que mexesse com o orgulho da escola. Quando começamos essa conversa, a primeira ideia que surgiu foi o enredo de 2005 porque além de ser bacana, ele marcou aquela época pelo fato de termos sido aclamados pelo público. Pegamos um quinto lugar, e o presidente da época, o Sólon, resolve não desfilar. Fizemos um protesto e não voltamos para o desfile das campeãs. Aquilo marcou o carnaval, e o samba por si só já tinha marcado. Quando resolvemos trazer esse enredo de volta foi para eliminar algumas etapas também, porque sabemos que uma disputa de samba-enredo é um pouco difícil por conta de negativas que acontecem entre os derrotados. Queríamos evitar esse tipo de racha na escola porque acontece. O primeiro passo foi eliminar o concurso de samba, então fomos por uma reedição”, revelou.

Reedição contada de forma diferente

Reedições não são comuns no Carnaval de São Paulo, e trazer para os tempos atuais um carnaval construído em outra época é um desafio que conta com um repertório pequeno de processos criativos para se ter como base. O objetivo do projeto para 2023 é se aproveitar de um samba aclamado pela comunidade para trazer de volta as pessoas que se afastaram do Vai-Vai ao longo do tempo.

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“O presidente de início era contrário, porque ele acredita que temos potencial de fazer um enredo novo, mas fomos conversando com ele e mostrando que nesse enredo traríamos uma roupagem nova, apenas reaproveitando o samba, que descartaríamos a eliminatória colocando um samba que já está na boca do povo, e traríamos histórias de pessoas que viveram aquele carnaval para a atualidade, trazer até componentes que não desfilam mais a voltarem a desfilar conosco. Foi um tiro muito certo quando batemos o martelo e fomos para o “Imortal”, até porque não era a única opção. O povo queria bastante 2009 por conta de tudo que ocorreu, a questão das vacinas, mas optamos pelo 2005 porque estamos em uma nova fase. O Vai-Vai está em uma nova roupagem, um novo momento, e o enredo da imortalidade também traz o renascimento disso tudo, casou com o momento da escola. Deu super certo por isso, para renascermos, nos reinventar, mas não só pelo fato de ter caído. Quando subimos em 2020, eu achava que ainda não estávamos preparados, e hoje eu acho que a escola está muito mais preparada para quando voltar ela ficar no Grupo Especial, e o enredo nos ajuda nisso aí”, explicou Robles.

De acordo com o diretor, o enredo se baseia no samba de 2005 para construir uma nova história que se encaixa também ao contexto atual do Vai-Vai, contada de forma clara e objetiva.

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“Já tínhamos a sinopse e todo o trabalho de 2005, mas resolvemos mudar tudo. Não descartando tudo totalmente, mas queríamos realmente o zero. Fomos com a cabeça fresca, do zero, sem olhar o que foi feito lá para fazer o novo. Até a sinopse é diferente. Quando você vir o que colocaremos na pista e comparar com o que fizemos em 2005, não tem nada parecido. Não foi nem uma adaptação, colocamos na sinopse o que o samba acaba nos trazendo, ou seja, o que formos cantar você verá na pista, ficará simples de identificar”, disse.

Consciência do que é preciso ser feito

Na primeira passagem do Vai-Vai pelo Grupo de Acesso, a escola encarou antes um turbulento processo político de troca na presidência, que se estendeu por muito mais tempo do que o esperado. A Saracura precisou apostar em um desfile bastante protocolar, com o mínimo necessário para garantir as notas para retornar à elite. Luiz Robles garante que desta vez será diferente.

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“Acho que estamos muito mais conscientes do que precisamos fazer e para onde temos que ir. Quando pego a escola em 2019, com a nova gestão, a escola ainda estava muito conturbada. Fizemos um carnaval muito às pressas, o carnaval do “Álamo” foi produzido em três meses, a partir do final de novembro. Queríamos resgatar a escola, mas por dentro ainda não estávamos 100%. Em 2022, começamos a nos reestruturar um pouco, mas o descenso fez com que parássemos, reavaliássemos e planejássemos corretamente todos os projetos de trabalho, tanto em concepção quanto em compras, tudo que envolve esse processo de fazer o carnaval nos adequamos melhor”, revelou.

Para Robles, o que mais chamou sua atenção durante o processo de construção do desfile para 2023 foi a maneira como a comunidade se envolveu com o projeto.

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“O envolvimento das pessoas. Essa parte de brilhar os olhos dos profissionais com esse enredo foi o que mais pegou em nós. Eles se emocionarem vendo as coisas prontas, a forma como as coisas estão se tomando, o tamanho que a escola está criando, o corpo que a escola está voltando a ter de uma escola vencedora. A concepção e a criação todo mundo acaba participando um pouco antes, mas esse envolvimento faz com que as pessoas começassem a comprar a ideia, tomar o emocional das pessoas, e acho que isso foi o que mais chamou atenção”, declarou.

Conheça o desfile do Vai-Vai

“Faremos um passeio pela criação do universo, pela imortalidade e o espiritualismo. O primeiro setor da escola é uma situação que impactará bastante pelo que nós apresentaremos. Acho que o primeiro setor é muito impactante, porque foi uma aposta da comissão de carnaval para podermos mostrar essa nova roupagem da escola. Desde a comissão de frente, que não tem nada a ver com a de 2005. Em 2005 era um meteoro que se abria para revelar a fênix que havia dentro, e a nossa agora é completamente diferente. Tem uma citação na passagem do enredo que faz uma menção bacana que o pessoal que conhece o carnaval de 2005 irá se lembrar, porque não deixaremos de usar o tema para imortalizar algumas passagens. O enredo irá nos ajudar a imortalizar algumas situações, e no meio dos setores quem conhece o carnaval vai perceber”.

Ficha técnica
Enredo: “Eu também sou imortal”
Alas: 21
Alegorias: 3 + 2 tripés
Componentes: 1600
Setor 1: A criação do universo
Setor 2: Os povos imortalizados
Setor 3: A espiritualidade
Setor 4: O corpo humano
Setor 5: O renascimento do Vai-Vai

Série Barracões: União de Jacarepaguá aposta novamente em enredo afro-brasileiro para se firmar na Série Ouro

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A campeã da Série Prata, União de Jacarepaguá, volta a Marquês de Sapucaí depois de sete anos na Intendente de Magalhães com o desafio de se firmar na Série Ouro. A Verde e Branco de Jacarepaguá aposta no enredo “Manoel Congo e Marianna Crioula: Heróis da liberdade no vale do café”. A escola optou novamente por um enredo afro-brasileiro na linha do enredo de 2022 que levou a União de Jacarepaguá de volta à Série Ouro. Para pensar o enredo, a União de Jacarepaguá aposta em uma dupla de carnavalescos: Lucas Lopes, já parte do campeonato da Série Prata, e Rodrigo Meiners, contratado para esse carnaval.

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Fotos: Augusto Werneck/Site CARNAVALESCO

Enredo

O carnavalesco Lucas Lopes, em entrevista ao site CARNAVALESCO, contou como a ideia do enredo chegou às mãos da dupla. “Esse enredo chegou para a escola como uma proposta para a gente, já que a gente tem um contato muito grande com o Vale do Café. Esses dois personagens eram dessa região. Chegou, porque a gente já tem esse currículo de falar sobre Vassouras, aquela região. Nós montamos esse enredo todo, eu e o Rodrigo. Foi um trabalho muito tranquilo que acabou fluindo de uma maneira que a gente não esperava.”

O intuito é usar o carnaval para mais pessoas conhecerem a história de Manoel Congo e Marianna Crioula. A falta de literatura sobre o tema dificultou o processo de pesquisa dos carnavalescos. Porém, mesmo com as dificuldades, a dupla conseguiu conteúdo suficiente para montar o desfile.

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“O que mais me impressionou é não ter conhecido esses dois personagens antes. Por causa desse apagamento histórico que é tão popular no nosso país. Tem tantas outras histórias apagadas que merecem ser mostradas a todo Brasil e ao mundo pelo carnaval. Foi uma pesquisa difícil por conta desse apagamento. A gente não tem tanto conhecimento histórico da vida dos dois, só durante e depois da revolta. Nós não tivemos muito conteúdo para rechear o enredo, mas conseguimos nos virar e montar o enredo perfeitamente”, disse Lucas. O carnavalesco também revelou a parte da história que mais se identificou. “A revolta. Foram duas pessoas que lutaram contra o fim da escravidão, aquela tristeza, aquele sofrimento dos seus irmãos. Cansados dessa violência, acabaram se rebelando e criando o segundo maior quilombo do Brasil”.

Coroação de Manoel Congo e Marianna Crioula

O último setor da União de Jacarepaguá promete uma bela homenagem a ancestralidade do povo negro. O desfile fechará com a coroação de Manoel Congo e Marianna Crioula. Trazendo o legado do casal nos dias de hoje.

“Nosso último setor vai trazer toda ancestralidade, toda a herança cultural que partiu dos negros e está aí até hoje muito presente na região do Vale do Café. Essa coroação vai ser proposta no final do desfile”, enfatizou Lucas.

Dupla de carnavalescos da União de Jacarepaguá

Virou uma tendência entre escolas de samba cariocas apostarem em duplas de carnavalescos. No caso de Rodrigo Meiners e Lucas Lopes na União de Jacarepaguá, a logística acaba sendo à distância. Isso acontece por conta de compromissos de Rodrigo em São Paulo.

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“É bom, porque tem uma divisão de tarefas.. Hoje eu e Rodrigo temos uma amizade muito legal. Ele mesmo trabalhando em São Paulo, faz de lá as coisas aqui da União. A parte mais escrita, a narrativa, os desenhos foi ele que fez. Eu estou aqui mais no trabalho braçal, já que eu moro aqui, venho todo dia para o barracão”, disse Lucas sobre a divisão dos trabalhos.

Conheça o desfile da União de Jacarepaguá

A União de Jacarepaguá vai ser a primeira escola a desfilar no sábado, dia 18 de fevereiro. Terá 19 alas com 80 pessoas cada, totalizando entre 1800 e 2000 componentes. A grande novidade da escola será uma ala com 100 baianas. Além de três carros alegóricos e dois tripés, incluindo o da comissão de frente.

Setor 1: “A África e a ancestralidade de Manoel Congo e Marianna Crioula”.

Setor 2: “A travessia dos negros para o Brasil até a chegada no Cais do Valongo”.

Setor 3: “Vale do Café, o trabalho escravo na região. Partindo para a revolta até chegar no quilombo”.

Setor 4: “Vai ser toda essa herança cultural e ancestral que veio dos negros de Manoel e Marianna. E a coroação deles dois como heróis da liberdade”.

Série Barracões: Niterói estreia na Sapucaí com a responsabilidade de representar os 450 anos da cidade

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Estreando na Marquês de Sapucaí após a cessão de direitos feita pela Acadêmicos do Sossego, a Acadêmicos de Niterói chega na Avenida homenageando os 450 anos da sua cidade natal. Com o enredo “O carnaval da vitória”, a agremiação abordará o carnaval de Niterói, que já chegou a ser um dos maiores do País. A ideia, segundo a escola, é mostrar a força, história e importância do espetáculo da cidade que vai desde os blocos de rua até os desfiles organizados. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, o enredista João Vitor Silveira contou um pouco da proposta do enredo da Acadêmicos de Niterói. Ele também falou sobre a importância de trazer o carnaval da cidade para a Sapucaí em meio aos 450 de Niterói. O enredista contou que a ideia surgiu após uma longa pesquisa e buscando um desfile mais leve e solto. Com o enredo, a escola conseguirá homenagear Niterói e o carnaval histórico da cidade.

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Fotos: Raphael Lacerda/Site CARNAVALESCO

“A ideia veio para a gente porque a cidade de Niterói está completando 450 anos e estávamos pensando em fazer alguma coisa que fugisse dessa dinâmica de ser aquela coisa de data de fundação ou fundador. Daí, estudando sobre a cidade e pesquisando, a gente se viu de frente a um carnaval grandioso. Por um período de tempo, o carnaval de Niterói foi considerado o segundo maior do país. É um carnaval que tem muita história. Também é um caminho que acredito que a gente consiga dar conta de homenagear a cidade e, ao mesmo tempo, conseguir fazer um carnaval ‘solto’, alegre, divertido e sem ser aquela coisa muito ‘quadrada’ e muito pragmática”, contou João Vitor.

Um carnaval que vai desde os Entrudos e batalha de confetes até os desfiles organizados. João Vitor contou que o espetáculo niteroiense era marcado pela defesa da territorialidade e pela valorização da cidade.

“Tem alguns pontos muito interessantes. Acredito que um deles é que o carnaval de Niterói, talvez, como nenhum outro, tem uma dinâmica muito interessante de você observar os picos dessas manifestações carnavalescas. A gente consegue observar com clareza o pico das mais antigas – Entrudo e a batalha de confetes, por exemplo. Vimos os blocos de carnaval chegando com muita força e quando eles perdem essa força, surgem as escolas de samba e assumem esse papel de ser o carro chefe do carnaval. Essa é uma dinâmica muito interessante no carnaval de Niterói. Outro fator interessante é como os blocos e o próprio carnaval refletem muito a cidade – muitos blocos levam no nome o bairro de origem. Tem uma questão muito forte de defesa do próprio bairro e da própria territorialidade. Também tem as conexões com as ruas. Diversos lugares são conhecidos por terem feito parte do carnaval de Niterói, como a Avenida Amaral Peixoto e a Praça Arariboia. São vários lugares que tem uma grande territorialidade com o carnaval”, destacou o enredista.

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Para João Vitor, o grande trunfo deste desfile será a leveza, evitando fantasias e adereços enormes. A ideia, segundo ele, é possibilitar que os componentes possam brincar carnaval, levando a ideia do carnaval de rua para a Marquês de Sapucaí.

“Eu acho que, junto com o André (carnavalesco) e a Beatriz Chaves, em relação a questão estética, é a oportunidade de fazer um carnaval bem leve. As pessoas vão perceber que as fantasias não tem costeiros enormes e nem muitos adereços de mão. É tudo para privilegiar que as pessoas possam brincar carnaval, porque parece muito estranho para a gente pensar em fazer um carnaval que tenha uma grande quantidade de conexão com o carnaval de rua e até pelo período, que é de um carnaval mais antigo, trazendo efeitos muito espetaculares e costeiras enormes que não fazem muito sentido. A gente quer que as pessoas pulem carnaval, por isso são fantasias leves e coloridas. Até mesmo colocar o carnaval de rua na Sapucaí”, revelou o enredista da Acadêmicos de Niterói.

Um enredo de cunho informativo que se disfarça em uma brincadeira. Segundo o enredista, a proposta é levar ao público novas experiências de desfile, valorizando assim o movimento cultural da cidade.

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“Acredito que, principalmente para o carnaval carioca, é uma oportunidade de conhecer novas experiências de desfile. Como nós somos parte integrante do carnaval carioca, temos muito uma definição de como proceder das coisas que a gente conhece. Acabamos se aprofundando, até mesmo de forma natural, nas coisas mais próximas de casa. Acredito que é muito interessante a oportunidade de conhecer outros carnavais. Essa é a grande importância desse enredo, porque além de ser um enredo leve e brincante – que estamos fazendo para poder disputar o carnaval – é um enredo que tem um cunho informativo que se disfarça muito bem em uma brincadeira. Conseguimos captar novas informações brincando de carnaval. É o mais importante”, ressaltou.

Conheça o desfile da Acadêmicos de Niterói

A Acadêmicos de Niterói será a sexta escola a desfilar no próximo dia 17, primeira noite de desfiles da Série Ouro. A agremiação levará para a Avenida cerca de 1400 componentes, três alegorias, e dois tripés.

João Vitor Silveira explicou que a dinâmica do desfile se inicia mostrando a experiência de alguém que sai da capital para Niterói. Esse é um dos destaques do abre-alas da escola.

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“A nossa dinâmica foi pensar em alguém do Rio de Janeiro indo conhecer o carnaval de Niterói. Por isso, o início dele é a galera chegando. Vai ter o tripé da barca representando essa travessia. O abre-alas é o Arariboia, porque quando pensamos na viagem de barca, a primeira coisa que a gente vê é a estátua de Araribóia na estação. Ele está vindo no abre-alas e está bem legal e carnavalizado, o que é muito importante”, revelou.

SETOR 1: “Nós iremos falar dessas manifestações de carnaval mais antigas e que foram muito fortes na cidade de Niterói, como o Entrudo, as batalhas de confete, os blocos de sujos e avulsos e etc”.

SETOR 2: “Vamos poder falar dos blocos de carnaval mais organizados, que tinham séries e bolavam temas para desfilar”.

SETOR 3: Vamos falar das escolas de samba de Niterói Nós vamos falar da ‘Corações Unidos’, que foi a primeira escola da cidade e da ‘’Sabiá’, que foi a primeira campeã. Iremos trabalhar com essa dinâmica de realmente seguir o que a linha de pesquisa nos trouxe: ver que o carnaval tem suas fases; nós iremos apresentar essas fases para o público”.

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O presidente da Acadêmicos de Niterói, Hugo Júnior, estava acompanhando os trabalhos finais no barracão e também conversou com o site CARNAVALESCO. Hugo Júnior falou sobre a mudança de nome da agremiação, a relação com a cidade de Niterói, importância do auxílio da prefeitura da cidade e o impacto das chuvas no barracão da escola.

Segundo o presidente da escola de samba, a mudança de nome e o enredo são fundamentais para realçar a importância da cidade de Niterói para o carnaval carioca e o estado do Rio de Janeiro. Ele ressaltou que a escola chega com a missão de ir para a elite dos desfiles.

“Com esse momento que o município de Niterói passa, que é a confraternização de seus 450 anos, a vinda de uma escola de samba com o nome do município só engrandece a importância da cidade. E falar da história do carnaval de Niterói é uma grande missão para nós, porque foram grandes carnavais, desde a época de 1940, que a gente retrata em nosso enredo. É um momento de confraternização e que o município abraçou a causa. Os desfilantes estão muito felizes e também temos um samba que cresceu muito agora na reta final – fizemos um grande ensaio técnico na Marquês de Sapucaí. É um grande momento de festa e de comemorar os 450 anos do município com essa escola que nasce já grande – estamos em uma Série Ouro do carnaval e com uma missão de chegar e brigar por uma vaga na elite do carnaval. O barracão está 98% pronto e estamos fazendo os últimos detalhes. Esperamos um grande carnaval e, se Deus quiser, poder estar comemorando bastante, junto com Niterói 450 anos, uma grande colocação”, disse o presidente da agremiação.

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Hugo Júnior também afirmou que a mudança de nome – de Acadêmicos do Sossego para Acadêmicos de Niterói – não atrapalha em nada, e sim, contribui.

“Essa mudança de nome não atrapalha em nada. Foi tudo bem pensado, uma cessão de direitos que a Sossego tinha na Série Ouro. Foi tudo legalmente ok, juntamente com a Liga-RJ. Foi tudo muito bem pensado. A repercussão do nome Niterói foi muito boa. Agora é um município representado, e não uma comunidade ou determinado público. Agora temos a missão de levar o nome de Niterói nos quatro cantos do mundo e temos muita gente de várias localidades da cidade. A gente se expandiu, todo mundo se sentiu bastante abraçado com essa nova escola”, enfatizou.

Além do apoio da população de Niterói, que abraçou a escola, a Acadêmicos de Niterói também conta com o apoio financeiro que recebe da prefeitura da cidade. O presidente da agremiação comentou sobre a importância desta ajuda para engrandecer o trabalho da escola de samba e o município.

“É de suma importância. Acredito que todos os governantes deveriam incentivar essa arte. Sem esse aporte, com certeza ficaria muito difícil a gente levar o que estamos levando. Precisamos sim do apoio – todo apoio é bem vindo – e o apoio que a prefeitura de Niterói nos proporciona é o ponto chave para a gente finalizar e poder investir um pouco mais. Tudo é um casamento: é a ajuda que vem e a gente retorna com essa projeção maravilhosa”, declarou o presidente Hugo Júnior.

Na reta final para os desfiles, as fortes chuvas que atingiram a região metropolitana do Rio de Janeiro se tornaram um problema para muitas escolas da Série Ouro. Com elas, veio também uma chuva de reclamações de componentes e de diretorias das agremiações sobre as condições precárias de alguns barracões. O presidente da Niterói comentou sobre o ocorrido, além da importância do cuidado por parte do poder público.

“Eu acredito que tenha afetado todos. Até ouvi relatos até da Cidade do Samba. Foi uma chuva atípica e muito forte em que todas as escolas – e com a Niterói não foi diferente – foram afetadas. Tivemos dores de cabeça com a chuva, mas nada que comprometesse o resultado final. É claro que a gente pede para os governantes, como a prefeitura do Rio, para olhar com carinho para a Série Ouro, porque ali nós conseguimos crescer o espetáculo. Cada vez mais, com mais estrutura, tenho certeza que nós vamos poder, cada vez mais, engrandecer o espetáculo. Com isso, o carnaval sai ganhando em todos os lados”, salientou.

De olho nos quesitos: julgamento de mestre-sala e porta-bandeira

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Série Barracões: Beija-Flor traz novo olhar sobre a independência do Brasil em nova dobradinha André e Louzada

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O quadro de Pedro Américo “Grito do Ipiranga” que está no Museu do Ipiranga em São Paulo retrata uma ideia de independência que por quase dois séculos foi ensinada nas escolas e moldou a forma como a ruptura oficial entre o país e a Monarquia Portuguesa chegou foi passada de geração em geração. Ainda aproveitando as discussões acerca do Bicentenário da independência comemorado em 2022, a Beija-Flor, de maneira nenhuma está atrasada, ao retomar o tema no carnaval 2023, mas aproveitando para colocar nos debates a ideia de uma nova data a ser lembrada para formação de uma ideia de independência. O dia 2 de julho de 1823 até hoje é feriado na Bahia comemorando justamente a data conhecida como independência do estado. A Soberana de Nilópolis vem propor um novo olhar sobre este e outros movimentos similares e o seu lugar na história do Brasil. André Rodrigues, que em 2023, fará seu trabalho, agora com o status de carnavalesco ao lado de Alexandre Louzada, explicou como surgiu a ideia do enredo e a mensagem que o desfile pretende passar.

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Fotos: Lucas Santos/Site CARNAVALESCO

“Esse enredo surge a partir de uma provocação da própria Flávia Oliveira sobre as escolas acabarem perdendo o time de falar sobre o bicentenário da independência. Acho que a maior mensagem deste enredo talvez seja a manutenção da esperança do povo brasileiro. Seja sobre a gente se manter sonhando, se manter esperando um país melhor e criando maneiras de driblar esse sistema, esse bloqueio, essa hegemonia na construção do país, construindo outros Brasis a partir daquilo que a gente tem para construir. Valorizar essa manutenção da esperança que parte muito através da arte, da cultura”, acredita o carnavalesco.

Alexandre Louzada lembra que a construção do enredo foi desenvolvida por André Rodrigues e o pesquisador Mauro Cordeiro. O carnavalesco multicampeão, que agora terá oficialmente companhia na execução do trabalho, conta o que mais lhe encantou no tema escolhido.

“Este enredo é de autoria do André Rodrigues e do Mauro Cordeiro, porque aqui na Beija-Flor acontece de forma democrática, todos podem apresentar uma ideia de enredo. O que mais me encantou realmente é que eu conhecia todas as insurreições, mas ainda não tinha me aprofundado no assunto, e achei bastante interessante, como acho a formatação de uma proposta diferente de visual da Beija-Flor. Mostra a preocupação da escola com os anseios da sociedade como um todo, da sua comunidade principalmente. Acho que qualquer enredo que vai tocar o coração das pessoas, ou que vai despertar o orgulho, a alegria, isso aí vai me contagiar”, define Louzada.

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André Rodrigues revela que o trabalho ao lado do pesquisador Mauro Cordeiro foi uma construção coletiva acerca de um tema que lhes trouxe algumas descobertas para o desfile durante o processo de pesquisa.

“Eu pesquisei o enredo junto com o Mauro Cordeiro, nós escrevemos a sinopse de maneira coletiva, e foi muito legal isso porque nós queríamos encontrar um tom para o desfile. Pegamos cinco pessoas diferentes, escrevemos cinco sinopses diferentes, analisamos o que seria a visão de cada um sobre essa sinopse e depois acabamos juntando em um outro texto que virou a convocação e transformamos como sinopse. E a sinopse oficial que está indo para os jurados também é uma junção destes cinco textos. Tudo neste carnaval tem sido construído de maneira muito coletiva. O que tem dado a dimensão das diferenças de visões que existem sobre o que é para cada um a perspectiva de independência. O nosso trabalho tem sido juntar tudo isso em um desfile só e que tenha uma leitura clara, objetiva e que abrace todas essas ideias. Acho que o que a gente não esperava encontrar foi o final desse desfile. Todo o restante, não era óbvio, mas nas primeiras pesquisas a gente já entendia o que viria por aí. Mas o final do desfile tem algo de muito interessante como desfecho da narrativa. Ele explica na verdade que é uma narrativa que não tem desfecho mas ele consegue concluir muito bem o pensamento”, esclarece André.

Louzada acredita que o uso de teatralizações e o clima de ato cívico presente na forma da construção do desfile serão diferenciais neste carnaval da Beija-Flor e vão mexer muito com o público.

“A gente não pensou em nada mirabolante. A gente pensou na mensagem, em passar a verdade. O que eu acho das teatralizações que vão acontecer na Beija-Flor, é que vão despertar esse clima de manifestação, ou seja de ato cívico. É uma convocação que a gente está fazendo. O enredo se torna claro com essas teatralizações”.

Desfile de 2023 será completamente diferente de 2018 e de Mangueira 2019

Com o cunho político e com a intenção de trazer um novo olhar, uma nova perspectiva de um fato histórico, o enredo da Beija-Flor 2023 poderia ser confundido com outros enredos que também partilharam dessa concepção. Em 2019, a Mangueira, com Leandro Vieira trouxe uma nova construção da história do Brasil a partir das perspectivas de povos excluídos historicamente, como indígenas e populações pretas, reescrevendo fatos como o descobrimento, a colonização, a abolição da escravidão, a atuação dos bandeirantes, entre outros. O carnavalesco André Rodrigues acredita que a Beija-Flor 2023 não tentará reescrever nenhuma história, mas trazer alguns fatos importantes para o seu devido lugar.

“Tem um pouco de a gente reconstruir a história que sofreu uma dominação hegemônica na forma que ela é contada, mas eu cheguei a conclusão que não é só sobre uma história não contada. Porque essas histórias, acho que boa parte das pessoas conhecem. Mas existe um fio, que é a construção da narrativa do Brasil que não coloca essas histórias em seu devido lugar de construção. Não é só sobre essa história ser contada ou não. Por exemplo, muitas pessoas conhecem a história da cabanagem a partir da história do Pará, mas não conseguem compreender o tamanho que é a cabanagem para essa construção amazônica de cultura, e não conseguem colocar a cabanagem dentro do fio da construção da independência do Brasil. Não é um enredo sobre história inéditas. Mas é um enredo sobre uma abordagem inédita a partir de uma outra perspectiva”, explica o artista.

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Neste pensamento, André continua e entende que a Beija-Flor, neste enredo, pretende mostrar uma nova construção coletiva de país. “A gente não se propõe a contar uma história que a história não conta. O foco do enredo é mostrar uma construção coletiva de país, mostrar como a hegemonia daquilo que tocou esse país até então fez com a gente de violência no trato da história. Sempre digo que um dos nossos maiores desejos é que as pessoas compreendam o tamanho que é a violência da construção das narrativas. Não tem a ver com tentar contar histórias inéditas. Tem um outro viés, uma outra história, a construção do desfile é completamente diferente”, aponta o carnavalesco.

Outro desfile que vem a lembrança, mas dessa vez na própria Soberana, é o titulo de 2018 com “Monstro é aquele que não sabe amar”. Naquele ano, a Azul e Branca de Nilópolis colocou o dedo na ferida, expôs as mazelas do país, criticou a corrupção por parte de políticos, isso tudo em paralelo com uma versão da história do clássico literário ” O monstro de Frankenstein”. Apesar da permanência do tema político, Louzada rechaça a comparação e entende que até esteticamente, a concepção de desfile é completamente diferente para este ano.

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“A Beija-Flor naquele ano desfilou com uma proposta estética bem diferente do que ela estava acostumada, mas naquele momento era tudo aquilo que o povo queria dizer, queria gritar, e o desfile contagiou e aconteceu aquela catarse. Mas hoje será uma concepção estética completamente diferente, é outra visão, até porque os assuntos tratados são diferentes. Eu digo que ela vai passear por vários estilos, será possível ver quando ela entrar na Avenida, porque precisa, não é uma opção, porque são fatos relatados completamente diferentes. A gente não pode retratar uma manifestação, uma passeata com plumas e paetês. Tem momentos em que ela traz a realidade, tenta se fantasiar mais perto da realidade”, esclarece Alexandre Louzada.

Estética opulenta estará presente, mas Beija-Flor vai mostrar estilos diferentes

Em 2022, o abre-alas da Beija-Flor em tons de azul e preto, trazendo o símbolo da escola e fazendo referência a opulência do antigo Egito foi um dos pontos altos do desfile. O luxo, o impacto, a manutenção e ao mesmo tempo o resgate de uma agremiação imponente em um passado recente desejado pelo torcedor da Azul e Branca de Nilópolis e do mundo do samba, como um todo, segue presente para 2023. No ano passado, André Rodrigues, ainda que não fosse oficialmente carnavalesco, era o braço direito de Louzada e teve bastante autonomia no processo de desenvolvimento do carnaval da escola. Agora como carnavalesco, o artista segue ao lado de Louzada, nessa intenção de trazer uma agremiação rica e opulenta para a Sapucaí, a fim de satisfazer o desejo da comunidade e componentes.

“É uma Beija-Flor grande, opulenta, rica, mas que presa muito por passar a mensagem. A construção estética do desfile faz parte da construção da história. A gente não trata igual todos os momentos do desfile porque há mensagens diferentes. A gente não deixa pasteurizado as mensagens. Cada uma tem uma tratativa, uma abordagem, uma concepção, mas todas elas estão completamente ligadas. O desfile da Beija-Flor tem que estar dentro do imaginário do componente porque é uma escola que tem uma cara não é de hoje. Existe uma identidade que vem desde 1976 quando ela ganha o primeiro campeonato, que é de se tornar a escola mais rica que todas as outras. A Beija-Flor foi tendo vários tipos de luxo ao longo da história. E os componentes se identificam com isso, uma escola robusta, opulenta, amedrontadora. Tudo isso faz parte do ego do desfilante. Eu percebo que esse ego deles não é só da fantasia ou da alegoria bem feita, mas do impacto também. Acho que o desfile desse ano vai atender bastante a comunidade”, espera o artista.

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Sobre a divisão de trabalho da dupla de carnavalescos, André explica que a concepção visual inicial foi sua por ter desenvolvido o enredo, mas que o processo se desenrolou sempre existindo com muito diálogo e com a anuência de Alexandre Louzada.

“No início, como o enredo foi meu, o Louzada me deixou livre para criar as primeiras páginas, primeiras folhas desse visual, e depois de criado ele vinha e dava a cara dele. Funcionou mais ou menos assim, a concepção inicial artística acabou sendo minha, e depois ele vinha e dava a cara dele daquilo que achava que cabe, ‘isso aqui precisa mais daquilo’, etc. Algumas coisas voltaram. Ele dava sugestões. Foi construído através do debate, da conversa principalmente. A divisão na verdade foi feita para que não existissem dois desfiles. Apesar de ser um desfile que de forma provocativa ele tem uma inversão de abordagem estética, mas a nossa preocupação era não ter dois desfiles. Começou a partir de uma cabeça e depois a outra cabeça foi tornando aquilo mais real”, indica André.

Já Louzada fala de uma escola para 2023 não tão homogênea por conta da diversidade do enredo, mas que não vai perder a sua força, o seu luxo e a suas características imponentes que estão presentes na história da agremiação.

“Ela passeia por vários estilos visuais. Mas não vai perder a imponência não. No abre-alas da Beija-Flor a gente ergue um monumento a quem acreditamos que seriam os heróis da nossa independência. O povo, os caboclos, os índios, os brasileiros daquele levante do ‘dois de julho’. A Beija-Flor abre ‘grandona’ como sempre veio e por uma característica do André Rodrigues, ele sempre tem muita teatralização. A Beija-Flor se utiliza de várias cenas isoladas de carros alegóricos, tripés, elementos cênicos utilizados pelos próprios componentes na ala para ilustrar cada passagem do nosso enredo. Acho que a comissão é uma parte importante da leitura do nosso enredo. Eu confio muito nesta mensagem, através desses fragmentos que são inseridos em nosso desfile, a opulência do abre-alas que muda completamente a estética de um ano para o outro. Não vai ser uma escola reconhecida por uma marca estética, mas uma marca de opulência, de grandeza, mas ela prova que é capaz de passear por outros estilos também, mais modernos, mais de vanguarda”, define o carnavalesco.

Mensagem mais uma vez será um dos grande trunfos da Beija-Flor

Se em 2022, claramente a escola tinha uma mensagem para deixar como legado no final do desfile, em 2023 não será diferente. Dar uma nova perspectiva aos movimentos retratados neste enredo e recolocar o seu devido lugar na história é uma das intenções da Beija-Flor. O carnavalesco André Rodrigues espera que a mensagem possa sair do universo das escolas de samba e atingir novos contextos como as salas de aula.

“Acho que será um desfile muito bem amarrado e cada setor tem algo diferente, cada carro tem uma abordagem diferente, cada conjunto de fantasias por setor é diferente. Acho que isso é o grande trunfo. De como a escola não fica monótona, mas ao mesmo tempo ela tem uma linearidade de impacto. Toda hora ela vai te levando para lugares diferentes, para sensações diferentes, sem perder o nível de desfile. Acho que é uma outra formação de brasileiros e brasileiras. E, se isso realmente for uma nova perspectiva de abordagem da independência nas escolas, se isso ajudar, nós vamos ter cidadãos diferentes crescendo. Não é só uma questão de empoderamento a partir da informação, mas é uma questão de você realmente mudar o seu espaço. Você olhar dentro da sua casa e entender que a minha vida é assim por causa disso e daquilo. Eu não posso mais ser passivo desse sistema por causa disso e disso. Isso é o que para mim talvez seja o mais bonito. Se esse desfile ganhar essa coisa do ensino, e ir realmente para as escolas, acho que é formar uma nova geração”, aposta o artista.

André revela que o enredo que fala de uma temática nacional também infere implicações do tipo regionais. A escola trará movimentos do seu próprio entorno para falar da independência do Brasil.

“A gente está conversando muito com movimentos sociais da Baixada Fluminense. Esse enredo tem uma preocupação de nível nacional, mas a escola de samba trouxe isso para a realidade dela. Nós fomos atrás dos coletivos e movimentos sociais da Baixada, trouxemos eles para a escola e debatemos a independência do Brasil a partir da perspectiva da Baixada Fluminense. Aconteceram três reuniões muito produtivas e agora a gente usa a escola de samba para falar desses coletivos da Baixada porque eles vão desfilar com a gente. Vão passar na Avenida coletivos sociais que atuam na Baixada, território da Beija-Flor, e isso volta para eles. É uma coisa de usar o espetáculo para fazer coisas que importam também fora dele”, acredita André.

Sem o tão esperado título desde 2018, a Beija-Flor já tem o seu maior jejum neste século. Em anos corridos já é o maior. Em termos de carnavais iguala ao período sem ganhar entre as conquistas de 2011 e 2015. Por isso é de se imaginar uma certa ansiedade pela vitória. O carnavalesco Alexandre Louzada minimiza uma possível pressão pela conquista por conta do jejum, definindo o próprio tamanho da agremiação como uma fator pertencente ao sempre desejo do torcedor pela vitória.

“Acho que a pressão é inerente ao fato de estarmos na Beija-Flor. Ano passado nós raspamos, perdemos por erros nossos. Talvez o jejum não seja tão doloroso diante do quase campeonato do ano passado. Estamos no caminho, e a Beija-Flor é uma escola que sempre está na briga pelo título. Só que os tempos são outros também. Hoje nós temos grandes potências disputando carnaval. Não está fácil para ninguém. Espero que no dia do desfile da Beija-Flor, a agremiação seja tudo aquilo que o povo quer gritar como foi no ano do monstro(2018)”.

Conheça o desfile da Beija-Flor

A Soberana de Nilópolis vai levar para Sapucaí neste carnaval, seis carros, 3 tripés e 23 alas. Os carnavalescos Alexandre Louzada e André Rodrigues falaram mais sobre como estão divididos os setores de “Brava Gente! O grito dos excluídos no bicentenário da independência”.

Abertura: “A gente começa fazendo uma alusão ao quadro de Pedro Américo, ali mesmo você não enxerga o povo. É uma cena militar da época e essa data que é escolhida para ser o marco da independência. No ano seguinte, durante esse período, várias insurreições aconteceram no Brasil que culminaram com esse levante na Bahia em 2 de julho. O Abre-alas da Beija-Flor ergue um monumento a quem acreditamos que seriam os heróis da nossa independência. O povo, os caboclos, os índios, os brasileiros daquele levante.

Primeiro Setor: “É uma provocação entre o ‘7 de setembro’ e o ‘2 de julho’ “.

Segundo Setor: “São as principais revoltas depois de 1823 até a abolição da escravidão e consequentemente a virada para a república”.

Terceiro Setor: “É a república e a negação da nossa cidadania”.

Quarto Setor: “São os movimentos sociais que atuam na nova República até os dias de hoje nessa busca por direitos”.

Final do Desfile: “A cultura como mecanismo de sobrevivência brasileira”.

Nota 10 em Sustentabilidade! Águas do Rio fará a distribuição de copos ecológicos na Sapucaí durante o carnaval

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No quesito sustentabilidade, as ações da Águas do Rio no Carnaval de 2023 vão tirar nota 10. Assim como no ano passado, a concessionária distribuirá copos reutilizáveis. Dessa vez, 90 mil unidades serão entregues ao público presente ao longo dos cinco dias de desfiles no Sambódromo. A iniciativa vai evitar a produção de 1.6 tonelada de lixo plástico ao todo. Patrocinadora do carnaval da Marquês da Sapucaí e dos blocos de rua oficiais, a empresa programou diversas iniciativas para a festa.

Copo 2023

“O carnaval é uma potência cultural que movimenta milhares de pessoas e impulsiona setores fundamentais para o desenvolvimento econômico do nosso estado, principalmente o turismo. Ou seja: patrocinar o carnaval é apoiar a criatividade e a geração de renda em nossa área de atuação. Claro que fazemos isso do nosso jeito, investindo em iniciativas sustentáveis, mostrando que folia e consciência ambiental podem e devem caminhar juntas”, destacou o presidente da empresa, Alexandre Bianchini.

Consciência na avenida e no Carnaval de rua

A concessionária também estará presente nos setores 1, 2 e 9 da avenida, distribuindo água gelada ao público e integrantes das escolas de samba, e ainda disponibilizará 10 bebedouros, em pontos estratégicos, entre eles, na dispersão do desfile.

Para incentivar o reuso e promover ainda mais o consumo consciente, o folião que levar seu ecocopo da Águas do Rio do Carnaval de 2022 mostrando que merece boa nota em evolução, ganhará de brinde um cordão porta-copo personalizado. Além disso, no local, maquiadores estarão prontos no estande da concessionária para atender o público com muita purpurina.

Um dos braços mais importantes do Carnaval carioca, a Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb) também não ficará de fora das iniciativas da concessionária. Em reconhecimento ao trabalho essencial que realizam, a Águas do Rio distribuirá squeezes (garrafa reutilizável) para aqueles que estiverem trabalhando na Marquês de Sapucaí.

Além disso, antes mesmo do início do trabalho na limpeza, eles poderão passar no estande da concessionária para garantir maquiagem e ficarem no clima da festa.

Blocos de rua mais sustentáveis

Neste ano, a Águas do Rio também patrocina o Carnaval dos blocos oficiais na capital. Todo o esgoto dos 34 mil banheiros químicos distribuídos pelos dias de folia será tratado nas Estações Alegria e Pavuna, na Zona Norte da cidade.

O apoio da Águas do Rio deixa o carnaval mais sustentável em vários sentidos. Nos blocos de rua, por exemplo, todos os resíduos recicláveis serão recolhidos por uma empresa especializada em coleta seletiva e entregues para cooperativas associadas que receberão o material e gerarão renda com eles.