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Mocidade Alegre leva ‘Yasuke’ ao Anhembi com desfile marcado pela fantástica narrativa teatralizada

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A Mocidade Alegre foi a quinta escola a se apresentar na noite deste sábado, dia 18 de fevereiro, pelo segundo dia de desfiles do Carnaval de São Paulo de 2023. O principal destaque do desfile foi a narrativa da saga do lendário “guerreiro com a força de dez homens”, o escravo levado da África ao Japão que se tornou o primeiro samurai negro da história. Um espetáculo teatralizado no melhor estilo oriental, finalizado com uma hora e três minutos. A escola do Limão levou para a Avenida este ano o enredo “Yasuke”. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

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Comissão de Frente

Batizada de “A miscigenação de duas culturas milenares, África e Japão”, a comissão de frente da Mocidade Alegre teve como objetivo mostrar, através de episódios da saga de Yasuke, como a união dos saberes de ambas as culturas moldou aquele que ficou conhecido como um dos maiores samurais de sua época. Apresentou personagens que compuseram o exército do Daimiô, do qual o guerreiro se tornou líder, um ator atuando como a Sabedoria Ancestral e o próprio Yasuke, que uma vez integrado à cultura japonesa, se une a outros componentes formando assim o “Guerreiro com a força de um dragão”.

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O figurino foi um espetáculo à parte. As roupas dos samurais, em preto com detalhes prateados, tinham uma espécie de verniz na pintura que dava ainda mais brilho, e somado às katanas que empunhavam, formavam um belo conjunto. O que se viu na Avenida foi a representação de um teatro tradicional japonês para retratar a saga de Yasuke, com um elemento alegórico representando uma floresta de bambu servindo para alternância entre os atos. Uma comissão de frente bem diferente do habitual, mas sem exageros para poluir o visual. Excelente quesito da Morada do Samba.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Jefferson Gomes e Natália Lago se apresentaram com fantasias que representaram “Nzazi e Nzuzu, o encontro das forças sagradas”. De acordo com a mitologia banto, originária dos povos que viveram em Moçambique, que é onde Yasuke teria nascido, Nzazi é o Deus Pai da Justiça e Nzuzu, a Deusa das Águas e Senhora da Sabedoria. Simbolizaram a justiça feita a Yasuke ao ser reconhecido pelos seus valores e as águas do mar que conduziram o guerreiro ao Japão.

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O casal cumpriu com as obrigatoriedades do quesito através de uma dança ritmada de acordo com o andamento dos versos do samba. O cortejo do Mestre-Sala foi feito com excelente encaixe de finalização, somado a giros bem executados e um minueto realizado um de lado para o outro. Nos pontos em que foram observados, não houve falhas de sincronia e nem problemas com o pavilhão, com o casal conseguindo superar o desafio da chuva que retornou para molhar a Avenida ao longo do desfile.

Harmonia

A harmonia da Mocidade Alegre deveria ser estudada pela NASA. Como é possível tantas pessoas cantarem forte do início ao fim de um desfile e ao mesmo tempo de maneira tão empolgada? Parece algo de outro mundo, e somado aos apagões da bateria “Ritmo Puro”, realizados em pontos diferentes do samba, são provas de como a comunidade da Morada é unida e apaixonada por sua escola. Impecável. Os 40 pontos só dependem dos jurados.

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Enredo

O enredo da Mocidade Alegre visou contar a saga de Yasuke do momento em que partiu da África em direção do oriente, passando pelo reconhecimento das virtudes do guerreiro pelo daimiô Oda Nobunaga, governante da região de Kyoto no século XVI, sua ascensão ao posto de maior samurai de sua geração até os últimos registros consolidados a respeito da sua vida no Japão. O desfile se encerrou ilustrando como os jovens negros da atualidade contam com virtudes do lendário guerreiro para superar os desafios que a realidade impõe diariamente.

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Quando o enredo foi anunciado, o carnavalesco Jorge Silveira garantiu que se trataria de uma mistura de Japão e África. Dados os ingredientes da receita, o que se viu na Avenida foi o contar da saga de um africano como se fosse um gigantesco teatro japonês, com atos que seriam facilmente entendidos em um desfile no famoso Carnaval de Asakusa. Yasuke teve sua história celebrada da forma mais didática possível, com seus valores humanos e de samurai honrados do início ao fim do desfile. O desfecho do desfile contou com um comovente último carro que foi adereçado com diversos bilhetes típicos das árvores dos desejo japonesas, com um portal tradicional japonês e um jovem negro brincando com um origami de pássaro, mas vestindo roupas comuns da juventude atual da periferia.

Evolução

O que a Mocidade Alegre faz quando o assunto é evolução só vendo para crer. A escola desfilou com uma grande volumetria, o desfile passou sem deixar brechas e com andar constante e límpido, e quando o último carro já passava pela Monumental ainda restavam 25 minutos para o fechar dos portões. A direção de harmonia comandada por Magno Oliveira está de parabéns, porque foi certamente a melhor escola neste quesito, com o desfile finalizando em uma hora e três minutos sem causar nenhuma preocupação com o tempo.

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Samba-Enredo

Fruto da junção de duas obras finalistas do concurso realizado pela escola, o samba da Mocidade Alegre narra de maneira poética as diferentes passagens do enredo, com irreverência e exaltando os elementos mais marcantes da saga de Yasuke, como no refrão do meio que resume o momento em que o daimiô, após desconfiar da possibilidade de existir um homem de pele preta, manda seus subordinados lavá-lo e, ao se dar conta de que era real, o admira pela sua beleza e o reconhece pela suas virtudes, mostrando como podem ser diferentes as maneiras como povos podem encarar o diferente de si. O desfecho da última parte do samba retratando a simbologia de Yasuke para os jovens negros dos dias de hoje.

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Junções de samba costumam ser muito contestadas quando ocorrem, e na Mocidade Alegre é uma decisão rara, com a última ocorrendo para o desfile de 2008. Mas o desfile provou que a aposta foi certeira, e o samba não apenas narrou de maneira linear o que se viu na Avenida como foi completamente abraçado pela comunidade e o público que compareceu ao Sambódromo do Anhembi. A bateria “Ritmo Puro” apostou em várias bossas e apagões ao longo de toda letra da obra, elevando ainda mais o nível do espetáculo.

Fantasias

As fantasias da Mocidade Alegre buscaram representar em sua maioria os personagens e símbolos que marcaram a saga de Yasuke. Uma exótica mistura de elementos africanos com roupagens típicas de enredos que ilustram as culturas orientais se fez presente.

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A aposta se mostrou uma receita de sucesso. Fantasias que uniram luxo, facilidade de leitura e leveza para os componentes brincarem o Carnaval de maneira despreocupada. Da parte do enredo que focou na herança ancestral africana de Yasuke, a roupagem foi a esperada para um típico desfile afro. Quando o personagem desembarca no Japão, porém, o padrão das vestimentas muda completamente e passa a apresentar diversos elementos da cultura oriental de forma carnavalizada. Era muito fácil entender o que cada segmento queria contar, fazendo do desfile da Morada do Samba um excelente espetáculo visual e cultural. Destaque especial para a ala das baianas, com as mães do samba representando a Sakura, flor de cerejeira, que estavam incrivelmente belas segurando sombrinhas japonesas.

Alegorias

Os carros alegóricos da Mocidade Alegre serviram de palco para, pontualmente, narrar as passagens mais relevante do enredo proposto. Partindo do Abre-alas, “A saga de Yasuke pelos mares sagrados de Nzuzu”, que ilustrou a viagem do guerreiro para o Japão, passando para o segundo carro, “Na morada de daimiô, a pele retinta de Yasuke reluz a beleza e a verdade”, que fala do momento em que os japoneses perceberam a verdade sobre o herói e se admiraram por isso. O terceiro carro, “Yasuke, o primeiro samurai negro na Terra do Sol Nascente”, é a consagração do samurai africano que ascendeu a um dos maiores guerreiros de sua época, e finalizando com “Na memória de Yasuke, o poder da pele preta”, que simbolizou a presença de Yasuke na essência de superação de cada jovem negro.

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Seguindo a mesma linha das fantasias, o Abre-alas, que de acordo com a presidente Solange Cruz foi a primeira vez que veio apenas com as cores da própria escola, era na essência uma alegoria em estilo afro. A parte japonesa do desfile nessa alegoria se limitou às tradicionais máscaras oni japonesas, em elementos rotatórios que do outro lado exibiam máscaras tribais africanas. As alegorias dois e três foram responsáveis por contar o primeiro contato dos japoneses com Yasuke e a sua consagração como grande samurai que foi. O desfile foi encerrado com uma alegoria simbolizando a inspiração da herança de Yasuke para os jovens negros da atualidade, com os bilhetes das árvores de desejo e o origami como simbologia japonesas mais marcantes. Os carros foram todos de leitura muito fácil e de acordo com a proposta apresentada pela escola. Causaram grande impacto no público pela sua beleza, principalmente da terceira alegoria que no topo continha uma maravilhosa escultura de um dragão circundando uma katana. Mais um quesito forte dentro do excelente espetáculo apresentado pela Morada do Samba.

Outros destaques

Um belo momento marcou a arrancada do desfile da Mocidade Alegre. Igor Sorriso deixou o momento aos cuidados de Didi Gomes, voz feminina da ala de canto da escola, que comoveu a todos os presentes com sua voz marcante, que já tinha se destacado nos ensaios técnicos e novamente foi um espetáculo à parte no desfile da Morada do Samba.

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A bateria “Ritmo Puro”, com seu sempre impecável desempenho, contou com um capricho adicional nas fantasias. Eram duas roupas diferentes, sendo uma delas específica para os chocalhos. A Rainha da Bateria, Aline Oliveira, também ganhou um presente na forma da sua fantasia, contando com um capacete remetendo ao dos samurais mas com um mecanismo que abria e fechava a parte dos olhos.

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Vale um apontamento adicional para o sensacional time da direção de harmonia da Mocidade Alegre. A confiança que eles possuem um no outro é tamanha que a comunicação flui com grande facilidade, com comandos visivelmente fáceis de entender até mesmo na preparação para os apagões. Ao mesmo tempo, os diretores de ala confiam tanto na comunidade que alguns se viram para o público, chamando os expectadores para entrar no canto. É algo de bastidores, mas que impressiona quem acaba observando.

Os componentes da Mocidade Alegre já estão mais do que acostumados a desfilarem duas vezes no mesmo ano, e com base no que a escola apresentou na Avenida em 2023 a recomendação é de que guardem bem as fantasias porque as chances de acontecer de novo são grandes. Um conjunto pleno da mais pura essência da Festa de Momo. Assistir a Mocidade Alegre faz um bem enorme para qualquer apaixonado por Carnaval.

Ilha enaltece carnavais antigos enquanto honra a atualidade

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Ilha04 1Com um enredo em homenagem à sua escola madrinha, Portela, a União da Ilha do Governador celebrou não apenas o encontro das águias. O desfile se desenvolveu como um grande ato de enaltecimento ao carnaval brasileiro.

O segundo carro alegórico da agremiação, intitulado “O Carnaval de nossas vidas”, encerrou o terceiro setor com um retorno aos carnavais antigos, abraçando a alegria que sempre esteve presente nos cantos da cidade carioca.

Jean Mendes, de 44 anos, se emocionou ao comentar a importância de fazer parte do maior espetáculo da terra. “Estou revivendo tudo que meu pai, minha avó e minha bisavó viveram. Tenho a oportunidade de ter esse momento no presente, e essa é a coisa mais linda do mundo. O carnaval é algo extraordinário. Não há nada como a magia de quando se entra na Avenida”, afirmou.

Ilha02 2A alegoria apresentava diversos elementos nostálgicos, mas Thaís Louzada, de 29 anos, comenta que não há motivos para desmerecer a realidade. “Sentimos saudades, mas dentro das quadras o espírito do carnaval é o mesmo. Geralmente desfilamos há anos, com a família ou amigos, então temos esse encontro de pessoas que amamos”, comentou.

Ao serem questionados sobre a importância dos bailes e decorações de rua, ambos saíram em defesa. “É total! Sem isso, esse estado não é o Rio de Janeiro. Depois do carnaval, vou para um monobloco no domingo. Hoje também teve bloco. Estou muito feliz”, informou Jean.

Thaís fez questão de elogiar a pluralidade do carnaval como uma festa cultural. “Tem espaço para a vovó, para o vovô, para o titio… Cada um se sente melhor num tipo de carnaval e aqui temos todos”, concluiu.

Insulanos comentam importância de homenagem à Portela no seu centenário

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Ilha02 1A união das escolas de samba e a inexistência de rivalidade entre as agremiações cariocas mais uma vez foram destaque na Passarela do Samba. Uma homenagem importante não só por ser madrinha da União da Ilha do Governador, mas pelo seu centenário e imponência na história do carnaval carioca. Assim o enredo “O encontro das águias no templo de Momo” foi definido e justificado pelos componentes da agremiação insulana.

Em entrevista ao site CARNAVALESCO, os componentes da escola da Ilha do Governador comentaram sobre a importância de homenagear a madrinha Portela no ano em que a escola de samba completa cem anos.

Beatriz Oliveira, de 57 anos, faz parte de uma das alas da escola e desfila na União da Ilha do Governador desde 1992. Para ela, mesmo se a Portela não fosse madrinha da escola insulana, a homenagem deveria ser feita pelo pioneirismo e imponência da escola de Madureira e Oswaldo Cruz.

Ilha01 1Acho uma ótima homenagem porque, além de ser madrinha da União da Ilha, é 100 anos da Portela. Mesmo se não fosse madrinha, é uma escola com 100 anos, que tem mais títulos, que criou a comissão de frente. É uma escola centenária que merece muito respeito de todos nós”, destacou a componente da escola de samba.

Ela lembrou que diferente de outros meios, no carnaval não existe rivalidade entre as escolas e uma visita a quadra da outra. Segundo a componente da agremiação, a homenagem à madrinha ajuda sim na briga pelo acesso ao Grupo Especial, mas, no fim, tudo depende da União da Ilha do Governador.

“Não tem rivalidade. Teve uma vez que a gente foi, vamos de novo, não tem rivalidade nenhuma entre a Ilha e a Portela. Depende de nós e dos jurados. Mas, se depender da importância da Portela e da imagem dela, isso ajudará bastante nessa briga”, contou Beatriz Oliveira.

Para Luciano, de 52 anos, componente da ala de compositores e que no dia a dia trabalha com setor administrativo, a homenagem é muito válida porque a agremiação insulana, segundo ele, teve origem graças ao apoio da madrinha Portela.

Ilha03 1“A homenagem da Ilha à Portela é muito significativa, porque a madrinha da União da Ilha do Governador é a Portela. Ela teve origem por conta da Portela. Por isso, é uma homenagem muito importante, ainda mais pela Portela estar fazendo cem anos”, contou Luciano.

Uma relação de carinho, simpatia e respeito. Para Elisabete Lopes, que tem 67 anos e é baiana da União da Ilha do Governador há vinte anos, a homenagem é muito importante neste centenário da Portela – escola que ela diz ter muito carinho.

“Para mim, é tudo de bom. Eu gosto muito da Portela – que é madrinha da Ilha – e também gosto muito do povo de Madureira. Para mim é uma maravilha essa homenagem, ainda mais neste ano que é o centenário da Portela. No mundo do samba a homenagem é muito bem vinda, porque no carnaval não existe rivalidade”, falou a baiana da agremiação.

Destaque do segundo carro da escola de samba, “O carnaval de nossas vidas”, Eula Rochard disse que é importante homenagear e lembrar de quem ajudou a agremiação.

“Eu acho que você tem que homenagear a pessoa que te colocou no mundo. Como a Portela é madrinha da Ilha, acho que a Portela deu um grande incentivo para que houvesse uma escola na Ilha do Governador. A Portela deu essa vantagem da Ilha se tornar uma grande escola”, pontuou Eula, um dos destaques do carro da União da Ilha do Governador.

Eula lembrou que a escola de Madureira e Oswaldo Cruz foi fundamental para no processo de revolução do carnaval, que antes era marginalizado e considerado algo pertencente ao gueto. Além de lembrar este processo, ela também fez um desabafo sobre o cenário atual da Série Ouro do carnaval carioca.

“É claro que o centenário da Portela torna essa homenagem ainda mais importante. A Portela é a única escola no Brasil que tem cem anos. Não é pouca coisa, é muita coisa. São cem anos lutando. Tem que lembrar sempre que carnaval era coisa de marginalizado, considerado coisa de bandido. A polícia pegava, batia e matava. Era considerado coisa de gueto. Hoje em dia é tudo um luxo, camarote custando 60 mil reais, enquanto hoje a arquibancada está vazia. Por que não deram convites de graça para que essas escolas distribuam nas suas comunidades? Agora a gente entra com a arquibancada vazia, isso é uma vergonha para o carnaval. A gente gasta dinheiro fazendo roupa para chegar e a arquibancada vazia. Dá convite para o povo”, desabafou Eula Rochard.

Ilha promove encontro de águias ao pisar na Sapucaí

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Ilha04A União da Ilha do Governador, sexta escola da Série Ouro a desfilar na Sapucaí neste sábado, 18 de fevereiro, fez uma homenagem para a sua escola madrinha, Portela, que está comemorando o centenário de sua existência.

No abre-alas, foi representado o encontro entre as duas águias num grande salão. Um momento de celebração não apenas das agremiações, como também do carnaval num todo. O amor e as cores de seus pavilhões as uniram.

“Viemos pedir a permissão e benção da ‘dindinha’ para alcançarmos a tão sonhada vitória”, comentou Angelica Vilas-Boas, de 48 anos. Ela desfila pela escola há anos, e já está acostumada com a posição de destaque, mas não falha em agradecer pela oportunidade. “Costumo chamar a Ilha de ‘Ilha do Amor’. É uma agremiação infinitamente acolhedora. Tenho um carinho especial pelo carnavalesco, Cahê Rodrigues, que está sempre dando o seu melhor pelo título. Ele é muito competente e capaz”, completou.

Ilha01Em seu primeiro desfile na União da Ilha, Débora Figueiredo, de 62 anos, transbordava alegria na concentração. “Sei que vai ser um desfile emocionante. As duas escolas estão comemorando grandes aniversários e estaremos celebrando isso”, afirmou.

Uma das maiores apostas durante o pré-carnaval, a agremiação empolgou o público ao pisar na Avenida. Gisele Ferrara, de 46 anos, foi direta ao citar a meta dos desfilantes: “Estamos torcendo para conseguirmos voltar para o Grupo Especial, porque é o nosso lugar”.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Porto da Pedra no desfile

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A bateria da Unidos do Porto da Pedra fez um grande desfile, sob o comando de mestre Pablo. Foi apresentado, de forma literal, um “Ritmo Feroz”, numa musicalidade marcada pelo aspecto selvagem de convenções complexas e com profundo impacto sonoro.

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A cozinha da bateria contou com uma afinação relativamente grave, contando com marcadores de primeira e segunda que tocaram com firmeza e precisão. Os surdos de terceira deram inegável balanço à “Ritmo Feroz”, inclusive nos arranjos musicais. Caixas de guerra de qualidade ajudaram no preenchimento da musicalidade, junto de repiques coesos. Foi possível notar na parte de trás da bateria da Porto da Pedra ritmistas com timbal, que possui participação primordial nas convenções.

A cabeça da bateria exibiu naipes de técnica incontestável, que adicionou qualidade musical às peças leves. Uma ala de chocalhos ressonante e de notória técnica tocou de forma integrada com um naipe de tamborins de nítida virtude sonora, que passou pela pista de modo uníssono. Cuícas e agogôs também deram sua contribuição musical louvável, evidenciando o bom trabalho da parte de frente do ritmo.

No final do refrão do meio, um breque foi destaque pela funcionalidade, eficácia e pressão. Durante o verso “Onde o curumim vira animal” a bateria fez um corte seco, embalado posteriormente por um toque diferenciado de ritmistas do timbal, repetido em seguida pelos demais naipes. A retomada uniu pressão e balanço, auxiliando inclusive na plena fluência rítmica após sua execução.

A complexa paradinha do refrão principal era iniciada no último verso da segunda do samba. Um arranjo musical que deu um impacto sonoro notável à bateria da Porto da Pedra. Uma constituição baseada no balanço dos surdos, complementada por demais naipes, num movimento rítmico pra lá de ousado.

Todas as apresentações em jurados foram realizadas de modo potente, sem quaisquer problemas evidenciados da pista. Um excelente desfile da bateria “Ritmo Feroz” da Unidos da Porto da Pedra. A musicalidade do excêntrico mestre Pablo, baseada sobretudo em sua personalidade foi um ponto alto, numa bateria que apresentou bossas ousadas, mas sempre bem executadas. Vale ressaltar o andamento escolhido para o desfile oficial, que permitiu a fluência do belíssimo samba da vermelha e branca de São Gonçalo. Essa análise de bateria é gentilmente dedicada ao sofrido povo Yanomami, assim como toda etnia indígena que não recebe a devida atenção e dignidade que tanto merecem das autoridades brasileiras.

Porto da Pedra encanta o público, mostra força de seus quesitos em desfile impecável e se aproxima do Grupo Especial

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Emocionante, impecável e histórico, assim pode ser definido o desfile da Unidos do Porto da Pedra na noite deste sábado pela Série Ouro do carnaval carioca. A escola de São Gonçalo mostrou a força de seus quesitos, não cometeu falhas graves e pode sonhar com o acesso ao Grupo Especial. A potência do enredo, que exaltou o povo da floresta Amazônia, fez com que a escola entrasse na avenida com muita garra. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

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A abertura do desfile foi extremamente forte, a começar pela comissão de frente assinada pelo coreógrafo Paulo Pinna, com uma dança vigorosa e mensagem forte no final, eles arrancaram aplausos por toda a avenida, assim como o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Rodrigo França e Laryssa Victória, a dupla se destacou pela beleza da fantasia e também pela linda dança, a sensação foi de que sempre dançaram juntos. O que se viu no decorrer do desfile foi um show de bom gosto, o conjunto visual deslumbrante, aliado ao canto da comunidade levaram a vermelha e branca a sair da avenida ovacionada pelo público e com gritos de ‘é campeã’.

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Apresentando o enredo “A invenção da Amazônia” assinado pelo carnavalesco Mauro Quintaes, a vermelha e branca de São Gonçalo fez uma viagem pelas histórias amazônicas através do imaginário de Júlio Verne. A agremiação foi a quinta escola a cruzar a passarela do samba na segunda noite de desfiles da Série Ouro. A escola terminou sua apresentação com 54 minutos.

LEIA MATÉRIAS ESPECIAIS DO DESFILE
* É nossa hora de vencer’: Componentes da Porto da Pedra destacam preparo do Tigre na busca pelo título da Série Ouro
* ‘Estamos mostrando a cultura da mulher indígena e amazonense’. Baianas da Porto da Pedra são as Donas da Terra
* ‘Amazonas, um rio de história e mistérios’: Segunda alegoria da Porto da Pedra destaca o maior rio em volume de água do mundo
* Luta pela Amazônia faz o último carro emocionar seus componentes

Comissão de Frente

Coreografada por Paulo Pinna, a comissão de frente foi intitulada “Amazônia, Mãe-Terra-Vida”, a proposta da comissão foi realizar um grande ritual sagrado de proteção a floresta, o grupo utilizou um belíssimo elemento cenográfico para compor a apresentação, a sensação foi de imersão total ao ambiente da floresta. Os bailarinos se revezavam, enquanto o primeiro grupo representava os Indígenas Kanamari do Espírito-Arara, o segundo representou os olhos da mata, o momento que esses seres saíam do tripé teve uma ótima resposta do público. O tripé contou com uma grande escultura representando a Mãe Terra, ela se manteve adormecida durante boa parte da coreografia, no final, após a realização de um ritual feito pelo Pajé Kanamari , ela se levantava e mostrava toda sua beleza. No final da apresentação, os componentes formavam a palavra ‘resistência’, o público acompanhou atento e vibrou bastante.

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Mestre-sala e Porta-bandeira

Uma grande exibição do casal Rodrigo França e Layssa Victória, ela, que teve a missão de substituir Cyntia Santos, porta-bandeira que marcou época no tigre, estreou com o pé direito e mostrou todo seu talento. Apesar de ser o primeiro ano juntos, a dupla transmitiu muita sintonia e cumplicidade, a sensação foi de que já dançavam juntos há muito tempo. A aposta em uma coreografia mais delicada poderia ser um risco, mas eles dominaram com maestria e mesclaram os gestos delicados com momentos de maior intensidade, foi uma apresentação de encher os olhos. A fantasia, denominada “Delírio Ultramarino” contribuiu para que a dupla brilhasse ainda mais na avenida, ele estava vestido de Capitão Nemo, com um figurino predominante preto, com detalhes em dourado e um grande costeiro, já a roupa de Laryssa representou de Senhora dos Mares, muito luxuosa, a roupa foi um dos momentos mais bonitos do desfile.

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Harmonia

A abertura da escola foi muito forte, as primeiras alas cantavam o samba com muita empolgação e vibração, a Sapucaí inteira acompanhou e vibrou junto, foi uma ótima sintonia entre escola e público. No geral, nenhuma ala passou sem cantar e a escola apresentou um canto extremamente uniforme. Vale destacar a ala de passistas, extremamente bem vestidos e com muito samba no pé, as moças e rapazes deram um show e levantaram o público durante a passagem da escola. As alas 5, “ Runakuna – Tradições Andinas”, 10, “A Demonização de Jurupari” e 13, “Bois de Parintins”, também passaram com muita empolgação.

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Enredo

O carnavalesco Mauro Quintaes, de volta a Porto da Pedra, foi o responsável por desenvolver o enredo “A invenção da Amazônia”, inspirado no livro de Júlio Verne chamado “A jangada”, de 1881. A história é ambientada na Amazônia brasileira e a jornada feita pelos protagonistas apresenta com riqueza de detalhes a cultura amazônica. Mauro Quintaes elaborou um enredo que passou do ficcional ao político, do misticismo à conscientização e emocionou. Ele dividiu a escola em quatro setores, o primeiro, denominado “Delírio Aventureiro”, o início da escola misturou a mecânica do Julio Verne com a rústica do ribeirinho, a construção da jangada, que mistura o passado e o presente. O segundo setor, chamado de “Mistério das Águas”, esse setor representou a viagem de Verne pela Amazônia e seu encontro com os povos Incas. No terceiro setor, “Guardiões da Grande Floresta”, o folclore entrou em cena através de personagens do imaginário amazonense. Para finalizar, o último setor, “Amazônia Viva – Festas, Lutas e Resistência”, encerrou o desfile com uma celebração política, cultural e regional.

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Evolução

A comunidade de São Gonçalo abraçou a escola e esteve em peso no desfile deste ano, ao todo, a Porto da Pedra levou para a avenida cerca de 2 mil componentes, a sensação foi de que a escola deslizou pela avenida, em um ano marcado por alguns problemas de evolução, a Porto da Pedra passou pela avenida sem apresentar nenhum erro, as alas e alegorias passaram pela pista com extrema facilidade, os componentes evoluíram com muita alegria e desenvoltura, apesar de organizada, a escola em nenhum momento perdeu a espontaneidade.

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Samba-Enredo

Considerado neste pré-carnaval como um dos melhores do grupo, o samba composto por Vadinho, Claudinha Sing, Pedro Dentinho, Robinho Porto, Zé Alex, Karina Porto, Rejane França, Fábio LS, Baiano, Bigode, Marcão e Celinho, provou na pista que realmente é uma grande obra. Extremamente bem conduzido pelo intérprete Nego, em sua estreia pela escola, o samba, que tem uma linha melódica bastante interessante e com algumas resoluções métricas criativas, foi cantado a plenos pulmões pela comunidade e também pelas arquibancadas, nem mesmo o temor por conta da letra um pouco complicada no refrão principal, como o “Warrãna-rarae”, foi capaz de impedir que o samba se destacasse dentro ótimo desfile apresentado pelo tigre de São Gonçalo. Já nos primeiros acordes, o samba já era entoado com muita força na avenida.

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Alegorias e Adereços

A Porto da Pedra apresentou um conjunto alegórico de encher os olhos, a riqueza de detalhes presente em cada alegoria impressionou pelo cuidado, assim como as esculturas, o tigre, que é sempre muito esperado, veio imponente no abre-alas. A escola levou para a avenida três carros e um tripé. O abre-alas, chamado de “A Jangada”, foi dividido em duas partes, na primeira foi representada a sala de criação de Júlio Verne, na parte da frente foi inserido o nome da agremiação. A segunda parte representou a Jangada, maquinário criado pela mente de Júlio Verne para embarcar nessa viagem pela Amazônia, o Tigre, simbólo da agremiação veio no alto do carro, com movimentos e ótimo acabamento.

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O segundo carro, “Amazonas, um rio de histórias e mistérios”, ele representou a história e a mística que envolvem o Rio Amazonas, o acabamento primoroso da escultura principal, que tinha movimento, chamou atenção, assim como o fato do carro soltar agúa pela avenida, o único senão foi o fato de um dos queijos ter quebrado. O tripé “Quando a mata se levanta para a luta” tinha a predominância da cor verde para representar a natureza e também primou pelo acabamento. Finalizando o desfile, a escola apresentou o carro “Amazônia viva – arte, luta e resistência”, foi um grande manifesto em defesa dos povos da floresta, a escultura de um índio lendo o livro que deu origem ao enredo foi uma ótima sacada, imagens de Bruno Pereira, Dom Philips, Chico Mendes e Dorothy Stang fechou o desfile da escola e emocionou.

Fantasias

Assim como o belíssimo conjunto de alegorias, a Porto da Pedra apresentou um ótimo conjunto de fantasias, no total foram xx alas, além das composições em alegorias. Por conta do enredo, Mauro Quintaes optou por não utilizar penas naturais em nenhuma fantasia da escola, somente o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira usaram, no restante apenas penas artificiais. O uso das formas foi muito explorada nas alas, assim como as cores bem marcadas em cada setor, o início do desfile foi majoritariamente vermelho, cor da escola, as baianas representaram as donas da floresta, o figurino chamou atenção pelo ótimo acabamento e volumetria. No decorrer do desfile, a escola utilizou bastante o verde, principalmente ao retratar a natureza. Os figurinos apresentados primaram pelo bom gosto, vale destacar as seguintes alas: “Aymará”, “Gavião de olhos brilhantes”, “A bravura amazona” e “Bicho folharal”.

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Outros Destaques

A bateria “Ritmo feroz” levantou o público presente na avenida, os ritmistas representaram os navegantes andinos e o mestre Pablo, que tem por costume se apresentar com fantasias marcantes, dessa vez escolheu se fantasiar de Matinta Perera, figura do folclore amazônico.

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A rainha de bateria Tati Minerato desfilou com uma fantasia belíssima, representando a flor dos andes, ela mostrou total sintonia com a bateria.

Teve ciranda! Samba-enredo da Império de Casa Verde se destaca no desfile do Tigre

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Dos sambas-enredo mais elogiados por público e crítica no carnaval de São Paulo em 2023, os tambores da Império de Casa Verde ecoaram alto no Anhembi na segunda noite de desfiles no Sambódromo da cidade. Cantando o enredo “Império dos Tambores – Um Brasil Afromusical”, a agremiação mudou a identidade que trouxe nos ensaios técnicos de maneira acentuada: se, nos “treinos”, teve alguns momentos apoteóticos e outros de observação, a agremiação buscou a segurança e a linearidade nos 62 minutos de desfile (por três dentro do limite regulamentar). * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

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Enredo

A musicalidade da África que chegou ao Brasil em diversos momentos da história do planeta foi cantada no enredo “Império dos Tambores – Um Brasil Afromusical”. Mais que melodias e letras, as canções também são uma marca de vida e de resistência. Vale pontuar que o enredo teve um norte bastante definido, com storytelling que precisa ser explicado. Quem conduziu todo o desfile foi Bah, uma baiana da escola que passa a ter contato com todos os ritmos advindos da África até desembarcar no próprio bairro da Casa Verde, sede da escola.

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Na avenida, a condução do desfile por Bah foi parcialmente compatível com o proposto. A maioria das fantasias tinham fácil assimilação, com os carros pormenorizando cada setor. A exceção foram as primeiras alas, com figurinos que não tinham identificação tão simples. Após a segunda alegoria, entretanto, com o desfile já no Brasil, todos conseguiram acompanhar o desenvolvimento do desfile.

Samba-Enredo

Das mais elogiadas canções do carnaval paulistano em uma safra de ótima qualidade, o samba-enredo traz toda a viagem citada pelo enredo. Mais do que isso, a composição é quase que inteiramente marcada por bossas da Barcelona do Samba, capitaneada por Mestre Zoinho. Se, nos ensaios técnicos, a bateria executada um sem fim de bossas, os ritmistas foram mais comedidos no desfile oficial. Ainda sim, não faltaram execuções para diferenciar as passagens do samba – como destaque para o instantâneo clássico apagão quando o verso “Acompanha um novo ser” é executado.

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Por fim, o carro de som, com a estreia do experientíssimo intérprete Tinga, impôs extrema qualidade à canção, combinando perfeitamente com a melodia e com o espírito imperiano. O momento em que o carro de som deixava apenas as vozes femininas enquanto a bateria faz uma imensa convenção, entretanto, não foi executado.

Harmonia

Nos ensaios técnicos observados pelo CARNAVALESCO, o Império de Casa Verde teve atuação irregular em determinados quesitos técnicos. No desfile oficial, entretanto, o Tigre Guerreiro teve canto bastante forte dos componentes – que, é bem verdade, não desfilavam com um tema afro há exatos vinte anos. Ao longo de toda a exibição, o canto foi constante e tinha volume considerável para a arquibancada, trazendo boa impressão.

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Nos dois primeiros setores da escola, é bem verdade, os staff mostravam preocupação com o alinhamento de determinadas alas, sempre apontando para os componentes do segmento e cobrando atenção. Com tal ajuda, os apontamentos feitos pelos harmonia eram resolvidos em segundos. Já nos setores finais, nem mesmo tal desafio era encontrado, com a escola executando a contento tudo que precisava.

Evolução

O quesito talvez tenha sido o mais destoante em um desfile sem grandes sobressaltos do Tigre – e por motivos pouco comuns. Antes, é importante destacar a ligação da Evolução com as fantasias: em 2023, a escola da Zona Norte optou por vir com figurinos bastante leves e simples. O resultado veio na movimentação do componente, que veio curtindo a bela canção escolhida pela escola e interagindo com o público, bastante sorridente e feliz.

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Não faltaram, entretanto, pelo menos dois rápidos momentos de hesitação imperiana na avenida no quesito – ambos vencidos com celeridade, por sinal. O primeiro deles veio quando o gigantesco abre-alas da escola adentrava o setor C da avenida. O andamento dos componentes pareceu mais moroso, e notou-se certa aflição dos responsáveis naquele momento no entorno do carro alegórico. O carro ficou parado por alguns instantes e, logo depois, harmonias pediram para que ele voltasse a andar. O motivo foi, justamente, o segundo instante com um pouco mais de dramaticidade em uma exibição bastante correta e segura: o recuo da bateria.

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A Barcelona do Samba entrou no espaço com uma fresta bastante exígua, com parte do abre-alas ainda sem entrar no Setor C e com mais uma ala ainda à frente. Enquanto alguns staff, na parte de trás do carro, pediam para que a escola parasse, ela evoluiu por mais alguns metros. Os ritmistas, em um movimento bastante destacado, optaram por uma entrada em dois tempos no espaço, deixando alguns componentes para fora do espaço para depois adentrar o recinto por completo. A ala seguinte não demorou muito tempo para ocupar o espaço deixado pelos ritmistas, com todo o movimento durando cerca de 95 segundos – marca bastante interessante.

Fantasias

Ao contrário de alguns outros anos e do que sempre acontece com os carros alegóricos da azul-e-branco da Zona Norte, a instituição optou pela simplicidade em detrimento do luxo. Não haviam problemas de acabamento, é bem verdade, mas os materiais utilizados eram mais simples e leves, e até mesmo os adornos de cada componente não eram muito luxuosos. Um dos efeitos positivos de tais escolhas veio no quesito Evolução, com muito movimento e dinamismo.

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O outro efeito positivo foi a excelente sacada do carnavalesco Leandro Barboza quanto ao imediatismo para a identificação das fantasias por todos. Quando um componente e um espectador sabem o que está sendo tratado, a motivação fica maior – e a energia era perceptível na exibição.

Alegorias

O carro abre-alas, com três chassis acoplados chamado de “Afrorealeza: Tempo dos Rituais”, relembrou o fato de que boa parte dos afrodescendentes chegados ao Brasil eram importantes pessoas em reinos africanos – que apresenta, é claro, o nacionalmente conhecido tigre, mascote da escola. O segundo carro alegórico já mostrava o início da viagem nos navios negreiros, com o nome “Navio Nos Ritmos da África”, claramente estilizado no formato de uma embarcação marítima, com todos os afrodescendentes fazendo música para buscar uma vida melhor e tentar afastar os males.

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Já em solo brasileiro e trazendo uma contextualização com os tempos atuais, a terceira alegoria tem nome autoexplicativo: “Sons da Periferia”. Do break ao funk, passando por diversos outros gêneros que têm matriz africana, todos eles são representados com riqueza de detalhes – com destaque para a escultura de uma mulher afrodescendente com um rádio, ouvindo as canções que ela tanto gosta. O destaque principal da alegoria também deixa clara uma imagem bastante comum em músicas de comunidades: ele representada o DJ do baile. Por fim, na última alegoria. E, se estamos no Brasil, nada mais justo que o último carro alegórico ter como palco a Casa Verde, bairro da Zona Norte de São Paulo onde está sediada a escola. Com o nome “Quilombo Casa Verde: Império dos Tambores”, com direito a coroação de rainhas do carnaval paulistano – como Bah, a baiana que conduziu todo o desfile e outras baluartes do carnaval paulistano, tratadas como griôs: Eliana de Lima, Leci Brandão e Bernardete.

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Na avenida, um detalhe que não costuma ser muito observado também ficou perceptível: alguns pontos de cada um dos quatro carros pareciam estar com pouca iluminação – o que nem de longe quer dizer que eles estavam apagados, muito pelo contrário. No abre-alas, por exemplo, a parte traseira e, ao menos, o lado direito tinham bem menos iluminação que a parte de cima, por exemplo. No terceiro carro alegórico, enquanto painéis de LED eram destaques, o local onde ele estava instalado remetia a uma balada – este, de maneira intencional.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Com a fantasia intitulada “Divindades da Savana”, a fantasia de Rodrigo Antonio e Jessica Gioz, que veio logo no começo do desfile, ambos trouxeram a temática africana mais pura, ainda sem pisar no solo brasileiro.

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Se, nos ensaios técnicos, era possível identificar alguns descompassos na dupla, Rodrigo e Jessica trataram de fazer uma exibição correta, sem grandes ousadias. E, mais do que isso: reconhecendo o que cada um deles e o conjunto formado por eles têm de melhor. A porta-bandeira é extremamente sorridente e fez questão de torná-lo ainda mais visível; o mestre-sala é bastante expressivo e deixa claro qual sentimento está a cada instante – e, durante toda a exibição da Império, ele pareceu satisfeito e tranquilo. Juntos, eles têm em comum o bailado, sendo capazes de marcar com extrema elegância determinadas partes do samba-enredo – o que foi feito com primor. Por conta da garoa que caiu em determinados momentos do desfile, das famigeradas rajadas de vento no Anhembi e pela pista molhada, ambos buscaram a segurança, sem grandes ousadias – e com pelo menos uma bela atuação, na terceira cabine de jurados.

Comissão de Frente

Foram, ao todo, quatro fantasias diferentes dos bailarinos. Homens de barro, pássaros e mulheres da tribo tem participação importante na coreografia e andamento do segmento, mas o grande destaque é a mãe africana, que representa não apenas o ventre que concebe uma criança, mas, também, a matriz de diversos gêneros musicais. Também vale destacar o imenso baobá utilizado como elemento cenográfico.

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Na passarela, chamou atenção a sincronia entre os componentes, com movimentos bastante ágeis e temporizados. Se a coreografia não era das mais longas, o tripé chamou atenção e causou excelente primeira impressão ante o que viria pela frente.

Outros destaques

Chamou atenção a grande quantidade de alas e componentes que passaram entre os segundo e terceiro carros da Império de Casa Verde. Ao todo, oito das vinte alas da escola estavam no espaço, que ainda tinha o terceiro casal de mestre-sala e porta-bandeira e um quadripé instalado em uma das alas.

Luta pela Amazônia faz o último carro emocionar seus componentes

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PP08Para encerrar o desfile, o terceiro carro da Porto da Pedra trouxe para a Sapucaí o manifesto do escritor Júlio Verne em defesa dos rios e da floresta. O nome da alegoria é “Amazônia viva – arte, luta e resistência”. É uma celebração das pessoas que lutam pela preservação da Amazônia e de seus habitantes. Foto de quatro personalidades ambientalistas estavam em posição de destaque: Bruno Pereira, Dom Phillips, irmã Dorothy e Chico Mendes. Além disso, ilustração de povos originários com tarja preta nos olhos ocupavam as laterais.

Para compor o colorido da alegoria, parte dos desfilantes vieram nas cores dos bois-bumbás Garantido e Caprichoso, tremulando bandeiras. Entre eles, estava Tyron Rangel, de 32 anos, que estava animado para desfilar novamente pela Porto da Pedra.
“O carro ficou ótimo e eu acho que está bem representativo. Ele faz alusão não só aos povos originários, mas também ao movimento de emancipação pela luta indígena e também uma realidade política que a gente tem sofrido e passado nos últimos anos. Ao mesmo tempo, ele está trazendo muita alegria”, comentou o componente.
Enquanto um carro com teor político, “galhos queimados” ladeavam a estrutura em tons de marrom, vermelho e branco representando as queimadas. Pessoas ligadas à causa ambiental desfilaram na posição mais alta, como a filha de Chico Mendes, Ângela Mendes.

PP03 3A estreante na Avenida Érica Pinheiro, de 42 anos, se emocionou com a homenagem que a composição está fazendo aos indígenas, ao povo da Amazônia e aos ambientalistas. Érica ressalta a importância de reconhecer o bioma pelo seu potencial econômico conectado à preservação.

“É essencial defender a Amazônia por tudo e por todos que estão lá e por tudo que ela representa para nós daqui. Tem as questões industrial e farmacêutica. Então, nós precisamos cuidar mais da Amazônia sim”, argumentou Érica.

Nas plataformas laterais, em fantasias coloridas de penas, mulheres representavam a força indígena. Uma delas era Maria Eliza, de 19 anos, que cresceu na quadra da Porto da Pedra e desfila desde os 15 anos. Ela disse estar feliz por desfilar representando essa defesa ao bioma.

PP02 3“Como diz o enredo, a gente luta pela Amazônia. É extremamente importante porque tem acontecido tanta coisa por lá como desmatamento e garimpo ilegal. Só de estar representando isso eu estou feliz. Significa muito para mim defender a Amazônia. Eu pego as dores para mim. Trazer esse tema para o Carnaval dá mais visibilidade para os habitantes da Amazônia, dá uma atenção maior”, refletiu a integrante.

A última alegoria finaliza com a escultura de uma criança indígena em movimento lendo o livro “A jangada”, do francês Júlio Verne. O livro deu origem à narrativa do desfile e o finaliza.

Fotos: desfile do Porto da Pedra no Carnaval 2023

Império de Casa Verde 2023: galeria de fotos

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