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Última alegoria da Vila Isabel exalta o carnaval e traz o Rei Momo em veículo que descia até a pista

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Vila Isabel04 1Com o enredo “Nessa Festa, Eu Levo Fé”, a Unidos de Vila Isabel foi a terceira escola a desfilar nesta segunda noite do Grupo Especial do carnaval carioca. A ideia do carnavalesco Paulo Barros foi trazer para a avenida os mais diversos festejos populares que acontecem no planeta. A apresentação da Vila iniciou-se na Roma Antiga, com o culto a Baco, que é o deus do vinho.

Depois de passar pelas comemorações de diversas partes do mundo, a Vila Isabel encerrou o seu desfile com o setor “Carnaval, nessa festa eu levo fé”. O último carro da escola do bairro de Noel foi batizado de “Carnaval, a Alegria do Povo” e trazia uma grande rampa por onde descia e subia um veículo em estilo antigo que transportava o Rei Momo pela passarela, passando pelo meio das alas do último setor, que se abriam para a sua chegada. A performance foi ovacionada pelo público das arquibancadas.

Vila Isabel08No canto superior esquerdo do carro, estava a musa do carnaval paulistano Ivi Mesquita, que vinha com uma fantasia azul e rosa, representando toda a alegria presente na festa de Momo. Momentos antes de subir no queijo de destaque, ela confessou estar com a adrenalina à flor da pele. “Faz muitos anos que eu não saio no carro. Eu saio sempre no chão… Aí agora, depois de 20 anos, eu vou testar minha emoção, porque é muito alto”. Ela completa: “É sobre desafios… E esse carro vai ser um grande desafio. Vai ser um acontecimento, com uma grande surpresa”.

A alegoria era extremamente carnavalizada, bastante colorida, mas tinha a predominância das cores da Vila, além de trazer sete coroas, sendo três em cada lateral e uma maior, no centro. O carro trazia elementos típicos da folia, como esculturas de máscaras e arlequins, além das composições, que estavam fantasiadas de colombinas.

Vila Isabel02 1A costa-marfinense e francesa Mariam Cisse, de 24 anos, desfilou pelo quarto ano na Vila e estava se sentindo realizada com o seu figurino de colombina e com o carro alegórico em que desfilou. “A fantasia é muito linda, autêntica e nas cores da Vila Isabel… Gostei muito. O carro é também incrível”.

Outra colombina, vestida de dourado azul e branco, era Daniele da Silva, de 26 anos, que é designer e desfilou pela primeira vez no carnaval do Rio. Ela estava admirada com a beleza da alegoria na concentração. “Esse carro é bem bonito, todo colorido. Eu amei a minha roupa também. Estou bem ansiosa, mas vai dar tudo certo!”.

Baianas de Vila Isabel simbolizaram a lavagem das escadarias da Igreja do Bonfim

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Vila Isabel03A Unidos de Vila Isabel foi a terceira escola a desfilar na Marquês de Sapucaí, com o enredo “Nessa Festa, Eu Levo Fé”, que é inspirado nas comemorações religiosas e populares ao redor de todo o mundo. As baianas do bairro de Noel vieram simbolizando a tradicional lavagem das escadarias da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, que é uma das manifestações religiosas mais populares da Bahia.

A luxuosa saia da fantasia da ala das baianas de Vila Isabel trazia as famosas fitinhas coloridas de Senhor do Bonfim, que geralmente são amarradas nas grades da Igreja por devotos que querem alcançar suas graças. A roupa das senhoras era predominantemente branca, com várias flores e pombas, além dos ricos detalhes e ornamentos em prata e dourado.

Vila Isabel05A filha de Martinho da Vila, Analimar Ventapane, de 58 anos, desfila na Azul e Branco desde os 9 anos e aprovou a roupa: “Está bem legal, leve e muito bonita. Vai dar para girar bem”. Analimar, que já esteve na lavagem do Bonfim mais de uma vez, ressaltou a importância da fé na vida das pessoas. “Se a gente não tem fé, a gente não vai em frente. Não é só a fé religiosa. É a fé no ser humano, a fé na vida”.

A costureira Ana de Carvalho, de 63 anos, desfila na Vila há 22 anos e ficou muito admirada com a roupa deste carnaval. “Não ajudei a fazer essa fantasia, fiz outras alas, mas essa aqui pra mim ficou uma maravilha. Meu corpo está certinho aqui dentro, confortável. Eu vou girar bastante na avenida”. Ela que é católica, todos os anos faz parte da lavagem da Sapucaí, esteve presente na avenida: “Caiu uma chuva imensa. Esse ano foi uma verdadeira lavagem mesmo”.

Vila Isabel04Cynthia Bauer, de 55 anos, fez a sua estreia como baiana de Vila Isabel, mas desfila na agremiação desde 2019. Ela contou ao site CARNAVALESCO que já visitou a Igreja de Senhor do Bonfim, em Salvador, mas não no dia da lavagem das escadarias. “Achei fantástico. É um clima sem igual. A positividade de lá é muito grande. E fiquei muito feliz quando soube que a Vila iria falar dessa religiosidade”.

Sônia da Conceição, de 67 anos, é aposentada e está em seu segundo ano desfilando pela Unidos de Vila Isabel. Ela é candomblecista e também costuma participar do ritual de lavagem na pista de desfiles. “Só neste ano que eu não participei porque foi justo no dia do ensaio técnico da Vila”.

Emocionados, componentes da Portela se encantam com águia do centenário

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Portela02 3Rumo aos 100 anos a serem completos no dia 11 de abril, a Portela abordou sua história na avenida, através do enredo “Azul que vem do infinito”. Sempre muito aguardada, a águia, no abre-alas da escola, veio vestida de dourado e azul e emocionou os componentes da Azul e Branca de Oswaldo Cruz e Madureira.

Em entrevista ao Site CARNAVALESCO, componentes da Portela comentaram sobre a águia do centenário e o sentimento de representar a escola em tal data. A portelense Vânia, há cinco carnavais na escola, se emociona ao falar sobre o maior símbolo da escola.

“Me arrepia a pele, isso aqui é coração puro, Portela é um orgulho nosso, a escola de samba que tem o maior número de títulos. Participar do centenário é pertencer a comunidade, pertencer a escola que é uma das fundadoras do carnaval do Rio de Janeiro”, afirmou.

Portela04 1A emoção de Vânia é compartilhada por Daniel Reis, que desfila na escola desde 2007. Segundo o portelense, que chega a chorar durante a entrevista, a águia é sempre bonita, independente da maneira como é feita e pensada.

“A águia, independente de como venha, me emociona porque a Portela é pioneira em tudo, graças a ela, temos o carnaval que conhecemos hoje. A águia está muito bonita, mas independente de como venha, sempre vai emocionar. É pelos portelenses que não estão aqui mais, é muito emocionante”, ressaltou.

Ritmista da escola, o carioca Ricardo Martins se encantou com a águia, que não consegui ver quando foi ao barracão da Portela. Segundo ele, os componentes da bateria tiveram alguns cuidados especiais para participar do desfile do centenário.

Portela01 4“A águia é um segredo, nós ritmistas não a vemos no barracão. Está muito bonita. Participar do centenário é uma responsabilidade muito grande. Os ritmistas não estão nem bebendo para poder participar do desfile, somente água”, revelou.

Por fim, o portelense Amilton Jorge também comentou sobre a águia do desfile de 2023. O carioca revela ter compartilhado a imagem da águia com membros da sua família. “Eu já tinha visto pelo grupo da minha ala, achei linda e maravilhosa e agora pessoalmente, está ainda mais bonita. Já tirei foto e já mandei para a família. Nós vamos disputar o título”, concluiu.

Fotos: desfile da Portela no Carnaval 2023

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Paulo Barros volta para Vila e encanta componentes com a beleza de fantasias e alegorias

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Para o Carnaval de 2023, a Unidos de Vila Isabel apostou novamente na contratação do carnavalesco Paulo Barros. A sua última passagem pela azul e branca foi em 2018. Naquele ano, ele trouxe para a Sapucaí o enredo “Corra que o Futuro vem aí”, com o objetivo de ilustrar descobertas e invenções que fizeram e podem fazer a sociedade avançar.
Na ocasião, os integrantes da escola demonstraram descontentamento com as fantasias por estarem muito pesadas ou os machucaram. O resultado foi a nona posição do carnaval carioca. Para este ano, a perspectiva foi outra, segundo os desfilantes.
João Júnior, de 40 anos, desfila pela Vila Isabel há 18 anos e sentiu diferença entre as duas passagens do artista na agremiação do coração.
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“É uma diferença gigante! Além dos carros, as fantasias são bem mais práticas. Essa, por exemplo, você vê que tem volume, mas é confortável. Dá para vestir tranquilamente. Você vê que o acabamento dos carros é totalmente diferente, a cartela de cores também. Ele deixou a escola bem mais leve e colorida. O enredo pede isso”, opinou o cuidador, que desfilará na primeira ala, representando a festa egípcia da deusa Bastet.
Com o enredo “Nessa festa eu levo fé” sobre as celebrações divinas e populares da humanidade, o povo de Noel se sentiu mais confiante com o projeto. Elisângela Nascimento, de 43 anos, achou as composições criativas.
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“Eu acredito que foi bem bolado, bem esquematizado, todo mundo trabalhou junto. Ele [Paulo Barros] foi bem criativo diante das alas e dos carros alegóricos. Eu acredito que vai ter um resultado bom. Ele é uma pessoa com mente aberta que busca algo novo e procura renovar para trazer algo bem bonito para a Avenida”, disse a componente que achou que sua fantasia bem confortável representando o Holi, o festival das cores indiano.
Por outro lado, em alguns casos, os integrantes reclamaram sobre a limitação de movimento, apesar da leveza. Um exemplo é a ala “Inti Raymi, a Festa do Sol”, a 4ª a entrar no Sambódromo. A desfilante Margareth Amaral, de 54 anos, acredita que a roupa está bonita, porém grande. Na mesma ala, o estreante Nilson Martins, de 49 anos, comentou que a roupa está leve e confortável, mas alguns passos determinados da ala ficaram travados.
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“Pelo que estamos conversando, a fantasia está confortável. Eu estou conseguindo me mexer, o único problema é a mobilidade do braço. Vai ficar um pouco limitado, mas vai dar para se divertir”, argumentou Nilson.
Cláudia Santana, de 57 anos, achou sua fantasia “pesada e calorenta”, mas que vai dar para brincar muito na Avenida. Ela está em seu terceiro desfile pela escola e confia nas escolhas de Paulo Barros.
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“Está uma festa! Eu fico feliz de desfilar, ensaiar, pegar roupa. É uma catarse! A fantasia é um pouco pesada e calorenta, mas a está dando para brincar sim. Vamos entrar para voltar no sábado campeã, se Deus quiser”, se empolgou Cláudia que desfilou como “Festival das Lanternas”, em homenagem a tradição chinesa.
Apesar das poucas críticas, é um consenso o bom gosto estético do carnavalesco para 2023. A comunidade de Vila Isabel esteve animada para festejar durante o desfile.

Quarto carro da portela faz referencia ao enredo campeão de 1980

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Portela04A azul e branca trouxe nesta segunda, no segundo dia de desfile do Grupo Especial, a alegoria “A Brisa Me Levou”, mencionando o desfile de 1980. O carro relembra a decoração infantil de circo, do enredo da época, ‘Hoje tem marmelada’, composto por David Corrêa.

A alegoria é toda colorida, com o rosto de palhaço azul, vestindo uma gravata laranja embaixo de um letreiro escrito “Circo Viriato”. Balões coloridos e um palco de circo fazem parte da alegoria inspirada no enredo campeão de 1980.

Portela02 2Josivan Campelo estava ansioso para desfilar na centenária pela primeira vez. “É um dos meus enredos preferidos da Portela. Eu achei maravilhoso quando soube que iríamos homenagear o carnaval de 80. O carro representa essa alegria do circo, do infantil e do lúdico”

Os integrantes usavam duas fantasias de palhaços diferentes. Alguns vestiram uma fantasia verde e laranja, um laço grande na parte da frente e, na cabeça, um chapéu com um trevo. Os outros integrantes vieram com uma fantasia azul e roxa, com detalhes prateados e, na cabeça, usavam um chapéu com doces.

Portela01 3“É muita emoção, […] a fantasia representa alegria, crianças, circo e animação e toda a diversão de uma criança”, disse Luciana Matias, ela desfila pelo terceiro ano na Portela. “Eu estou muito feliz de estar aqui nesta homenagem de 100 anos. É uma fantasia muito bem elaborada, completa e bem feita. É quente, mas isso é carnaval”, completou.

Portela03 2Os integrantes chegaram a uma conclusão em relação a fantasia: é quente. “A fantasia é linda, mas a gente sente um pouquinho de calor. Hoje é só calor, mas tá tudo tranquilo”, explicou Carlos Cardoso, apaixonado pela centenária e componente da escola há 11 anos.

Com o enredo ‘O Azul Que Vem do Infinito’, a centenária foi a segunda escola a desfilar no segundo dia de desfiles do Grupo Especial e contou sua história na Sapucaí.

Baianas da Portela representaram Nossa Senhora da Conceição

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Portela03 1As baianas da Portela trouxeram, no desfile desta segunda, o divino manto da majestade da Portela. Em azul e branco, a fantasia das mães do samba representou Nossa Senhora da Conceição. “Nossa Senhora é padroeira da Portela. Como estamos no centenário da Portela, vamos representar diversas fases da escola, e, as baianas vieram como a padroeira da nossa escola”, disse Jane Carla, presidente das baianas.

“Eu desfilo na Portela há 20 anos. A minha mãe era baiana […] e eu me apaixonei pela fantasia. Eu pedi a Jane para colocar e ela deixou […], minha primeira baiana foi da Portela. Sou muito católica e quando descobri que a fantasia seria da minha santa eu quase não acreditei” Disse Eliane Cunha, funcionária pública e baiana apaixonada pela escola.

Portela02 1As senhoras da escola vieram com uma fantasia branca, uma ombreira azul cruzando o corpo em diagonal com detalhes dourados. Na cabeça, as baianas vestiram um chapéu dourado com um manto azul. Nas suas costas, um grande círculo com luz led contorna suas cabeças.

Denise é camelô e devota a Nossa Senhora da Conceição, ela se emocionou ao ser questionada sobre o que sentia em representar a santa na avenida. “A Nossa Senhora da Conceição lembra a minha mãe. Quando eu nasci, minha mãe me entregou para ela. Nossa Senhora é tudo na minha vida”

Portela01 2As baianas divergiram sobre o conforto da fantasia. Para algumas, a fantasia é leve e tranquila para desfilar, outras acreditam ser pesada e uma baiana relatou que é mediana (nem pesada, nem leve). “É uma fantasia tranquila, ela só tem muitas peças mas a gente não sente nada, só depois do desfile, até porque o amor pela avenida faz isso tudo sumir’, relata a baiana Márcia Borges, desfilando pela primeira vez como baiana.

Com o enredo ‘O Azul Que Vem do Infinito’, a centenária foi a segunda escola a desfilar no segundo dia de desfiles do Grupo Especial e contou sua história na Sapucaí.

Freddy Ferreira analisa a bateria do Tuiuti no desfile

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A bateria do Paraíso do Tuiuti fez um ótimo desfile, sob o comando de mestre Marcão. Uma conjunção sonora de altíssimo valor foi exibida, além de paradinhas de impacto musical e plena integração com o samba, sem contar o enredo da escola de São Cristóvão. Com apresentações seguras e comemoradas em paradinhas, o desempenho tem tudo para fazer a “SuperSom” brigar pela pontuação máxima, mesmo abrindo a noite de segunda-feira.

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A cozinha da bateria exibiu uma boa afinação das marcações, com destaque pro timbre agudo do surdo de segunda. Marcações de primeira e segunda fizeram um cortejo consistente e equilibrado. Surdos de terceira deram um inegável balanço ao ritmo da escola de São Cristóvão. Os repiques foram sólidos e coesos. Caixas de guerra deram consistência musical, graças a um toque executado de forma equilibrada.

A cabeça da bateria contou com uma execução privilegiada envolvendo as peças leves. Uma ala de chocalhos de altíssima técnica exibiu uma sonoridade de imenso destaque musical, inclusive em bossas. O naipe de tamborins fez um trabalho sólido, utilizando a melodia do samba para consolidar seu desenho rítmico. A ala de cuícas contribuiu com o preenchimento da musicalidade com virtude sonora, dando leveza à parte da frente do ritmo da “SuperSom”.

Uma bossa da cabeça deu profunda pressão ao ritmo, gerando um balanço único, complementado por uma retomada sempre bem realizada, puxada por ritmistas do repique mor.

Na sequência da paradinha, no verso “E nesse encontro entre o rio e o oceano” possui um arranjo remetendo ao Afoxé, numa releitura mais moderna, graças ao swing implementado pelos surdos de terceira. O término da convenção é simplesmente requintado, com o trecho “Ê batuqueiro…” sendo pontuado por um movimento rítmico ousado, em cima da divisão silábica do verso do samba. Uma concepção musical refinada.

O destaque musical entre as paradinhas ficou com a do refrão do meio, consolidando um ritmo dançante e envolvente do Carimbó, conforme pede o próprio samba-enredo do Paraíso do Tuiuti. Se revelou um acerto cultural ao dar à música o que ela solicita, sem contar o grau de complexidade da bossa e dificuldade de execução, sempre bem executada nos três módulos. A finalização envolve uma retomada pautada por um solo dos chocalhos fazendo ritmo, demonstrando ousadia.

Apresentação no primeiro módulo recebeu certa ovação do público, além de uma visível boa receptividade por parte dos julgadores da cabine dupla. Na segunda cabine, outro grande momento da “SuperSom” do Tuiuti, numa apresentação limpa, enxuta e de visível qualidade. A exibição no último módulo foi contagiante, arrancando aplausos de público e jurados. Um ritmo cujo maior acerto foi atrelar a cultura musical paraense à sua sonoridade, conforme pedia o samba. Um grande desfile da bateria do Paraíso do Tuiuti comandada por mestre Marcão.

Tuiuti faz desfile com excelência estética e boa leitura, mas com canto irregular

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O casamento Rosa Magalhães e João Vitor Araújo produziu um desfile com grande apuro visual de uma singeleza e de um domínio do tema que ajudou muito a tornar fácil o entendimento de um enredo muito coeso e divertido. O samba muito elogiado no pré-carnaval teve um rendimento irregular por parte dos componentes. Já a evolução vinha muito bem ao longo de boa parte do desfile, mas pode perder alguns décimos por conta de um buraco formado no início da pista gerado por dificuldades na entrada do último carro. A comissão de frente também passou muito bem. Com o enredo “Mogangueiro da Cara Preta”, o Paraíso do Tuiuti encerrou seu desfile com 67 minutos. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

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Comissão de frente

Coreografada por Lucas Maciel e Karina Dias, a comissão “Um conto pra lá do Marajó”, apostou em uma coreografia que com simplicidade trouxe soluções criativas e de muito bom gosto. É importante destacar a maquiagem e o figurino dos primeiros componentes com um azul claro muito bonito, representando os encarnados Búfalos que começam sua jornada ainda na Índia, sendo demonstrada pelo próprio figurino, sua relação com o país do oriente. O elemento cênico retrata um palácio indiano e um vaso típico da cultura marajoara que estava muito bem acabado e apuro visual. A apresentação do carimbó com os bailarinos e o búfalo “mogangueiro” com a Oyá acima do jarro foram bastante pertinentes além do efeito com as saias dos primeiros componentes ainda na pista, ainda fora do elemento cênico, terem conquistado o público. No geral, uma comissão que prezou por boas ideias, simplicidade, explicação clara do enredo e apuro estético.

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LEIA MATÉRIAS ESPECIAIS DO DESFILE
* Estreia de Wander Pires no Paraíso do Tuiuti é elogiada pela comunidade de São Cristóvão
* Componentes da ala ‘Águas do oceano’ do Paraíso do Tuiuti não tiveram problemas em decorar a coreografia
* Componentes da ala ‘Águas do oceano’ do Paraíso do Tuiuti não tiveram problemas em decorar a coreografia
* ‘Estamos conversados’, diz presidente do Tuiuti sobre futuro dos carnavalescos na escola; comunidade aprovou o trabalho

Mestre-sala e Porta-bandeira

Mais uma vez dançando juntos na Azul e Amarela de São Cristóvão, Raphael Rodrigues e Dandara Ventapane, vieram com o figurino “Flor de Lótus” que representou o significado da flor importante para a cultura oriental, principalmente a indiana. Raphael e Dandara simbolizaram a pureza da cor e da mente, o renascimento. A fantasia trazia as cores do Tuiuti e era muito bela.

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O casal apostou em uma dança bastante pautada pela proximidade e doçura. Em alguns momentos pontuando um pouco mais o samba, principalmente no refrão do meio, quando Dandara realizava um passo de carimbó e Raphael ao lado abaixava e fazia saudava a porta-bandeira. No trecho ” mas precisa de um xodó”, Dandara fazia um carinho no mestre-sala. Outro ponto alto, ainda no início da apresentação, a dupla fez um gesto com o braço, que fazia referência a danças indianas. O único ponto negativo a ser citado foi a dificuldade com o vento que foi bem dominado nos dois primeiros módulos, mas no último , Dandara teve dificuldade para deixar o pavilhão mais desfraldado.

Harmonia

A comunidade da Amarela e Azul de São Cristóvão apresentou um canto irregular ao longo do desfile do samba bastante elogiado no pré-carnaval. Alguns setores cantavam mais, outros nem tanto. As primeiras alas, do primeiro e do segundo setor ficaram devendo no canto. A partir do terceiro e do quarto, o canto melhorou, mas ainda havia irregularidades. Alguns componentes cantavam, outros não. Destaque para as alas “Sadhus”, e ” peixes da costa da Ilha de Marajó”, que era coreografada, inclusive.

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Estreando no Paraíso do Tuiuti, o experiente intérprete Wander Pires iniciou a apresentação realizando os seus já conhecidos cacos, em alguns momentos em demasia, mas depois diminuiu, partindo apenas de alguns mais voltados para a letra como o “cadê o boi, cadê o boi” do primeiro refrão. Em termos do canto do samba, Wander Pires iniciou o desfile apostando em demasia em alguns cacos na música, mas diminui ao longo do desfile focando no canto que aconteceu com correção, auxiliado por um bom carro de som, e mais se limitando ao ótimo “cadê o boi, cadê o boi”.

Enredo

O Paraíso do Tuiuti levou para a Sapucaí um enredo que focou na trajetória da chegada dos búfalos ao Brasil, mas precisamente, na Ilha de Marajó, explorando como eles são chamados na região, de “boi”, o boi da cara preta. O ponto de partida foi a Índia, pois o búfalo era o animal de trabalho mais intensamente utilizado no comércio de especiarias entre Oriente e Ocidente. Em seguida, o desfile retrata a chegada ao Brasil destes animais que acontece justamente por causa desse comércio.

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Por causa da musculatura desenvolvida esses bichos conseguiram se salvar de um naufrágio e chegam ao Marajó, uma terra cheia de encantos, que é mais um setor da agremiação. O desfile seguiu exaltando os povos originários da Ilha de Marajó e seu legado, destacando o estilo único da cerâmica marajoara e se encerrou homenageando Mestre Damasceno, que para os carnavalescos assumiu o papel de ” Mogangueiro da cara preta” , ao criar a própria manifestação cultural, o búfalo-bumbá. O que se pode destacar é que foi um enredo de fácil leitura, coeso, que apresentou de forma clara uma história bastante interessante. O único ponto negativo a destacar foi uma pequena dificuldade de leitura nas fantasias do primeiro setor que retratava a riqueza da Índia.

Evolução

A evolução do Tuiuti aconteceu quase de forma satisfatória no desfile. Até a dificuldade que a escola teve para colocar o último carro na pista, a passagem do Paraíso pela Avenida se dava de forma espontânea, alegre e sem apresentar problemas. Mas a situação acabou gerando um buraco no início da pista que deve ter sido observado pelos jurados do primeiro módulo, que é duplo. O problema também gerou uma evolução mais lenta, até o carro chegar ao meio da Avenida. Depois, na parte final do desfile, a evolução voltou a ser espontânea e alegre. A escola apostou em algumas alas coreografadas no setor do naufrágio, principalmente as que tinham alguma relação com aspectos do mar. E depois no setor da cultura marajoara, havia bonitas coreografias das danças do carimbó. A bateria entrou no recuo aos 47 minutos e saiu aos 59 sem apresentar problemas.

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Samba-Enredo

A obra de Cláudio Russo e companhia segue a linha de bons sambas-enredo que o Paraíso do Tuiuti tem levado para a Sapucaí nos últimos anos, e foi bastante elogiado no pré-carnaval. O samba tem uma melodia muito característica, com alguns pontos altos como o refrão principal ” Cadê o Boi” , e o bis antes do refrão principal com o “É lá, É lá” que remonta a músicas típicas da região homenageada, além do refrão do meio que possuiu um swing da Ilha de Marajó. O canto da comunidade, que foi irregular ao longo do desfile, explodia mais no “Meu Tuiuti não tem medo de careta, chama o Boi da Cara Preta do estado do Pará” e também no “É lá, É lá”. O samba teve bom andamento mas não interagiu de forma satisfatória com o público.

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Fantasias

O Tuiuti apostou em suas primeiras alas no amarelo e azul da escola com outras cores só nas penas dos costeiros. A partir das baianas, há a presença de tons de rosa que se incorporam à paleta, contrastando com outras cores. A escola inicia o segundo setor sobre especiarias predominância de cores mais cítricas usando amarelo, verde claro, laranja, e em alguns momentos o rosa. Já no terceiro setor, o do naufrágio começa a opção pelo azul que vai até o quarto setor, apostando em tons mais claros, com estampas de bichos e de referência da cerâmica marajoara. Na sequência, no quinto Setor, os carnavalescos apostam em tons mais de palha inicialmente, mas trazendo o colorido de figurinos típicos do carimbó, prevalecendo o amarelo da escola. No geral, o conjunto de fantasias possuíam volume sem se tornar pesados para os componentes, com bom apuro estético, bom gosto, com soluções criativas e com atenção principalmente para os costeiros, muito bem feitos.

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Alegorias e Adereços

Rosa Magalhães e João Vitor Araújo levaram para a Sapucaí um conjunto alegórico composto por 5 carros e sem tripés. O carro abre-alas “o esplendor da Índia” trouxe a opulência e grandiosidade da cultura por meio da religião hinduísta. Com tigres brancos na frente, a alegoria trouxe outras divindades, invocando o simbolismo e a proteção deles. Ainda nessa pegada oriental, o segundo carro do Tuiuti “o mercado indiano” trouxe o colorido das especiarias em um grande mostruário, sintetizando o comércio entre Oriente e Ocidente presente no enredo.

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A alegoria “Mocangueiro correu para o Igarapé” apresentou o naufrágio que trouxe os Búfalos para a Ilha de Marajó. O carro era constituído por um barro e os Búfalos, com monstros marinhos, que na época povoavam o imaginário dos marinheiros. A quarta alegoria ” a riqueza da cultura marajoara” resumiu a riqueza dos povos originários da região da Ilha de Marajó. Por fim, a última alegoria ” Bufodromo” , trouxe o personagem principal do enredo sendo coroado com o símbolo da agremiação em seu local de desfile, o bufódromo, que encerrou o desfile com muito colorido e bom gosto. No geral, alegorias de bom acabamento, soluções simples mas criativas, bom uso das cores e bom tamanho.

Outros destaques

As baianas coloriram a Sapucaí em tons quentes somados ao amarelo e azul do pavilhão do Tuiuti. As matriarcas do samba representaram a arte indiana e as cores do festejo do país chamado de Durga Puja. A bateria de mestre Marcão veio representando os indígenas marajoaras, descendentes dos povos originários da região. Com uma fantasia leve, a SuperSom levantou o público com bossas relacionadas ao carimbó.

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A rainha Mayara Lima veio como ” Deusa Marajoara” apresentando as mulheres como deusas poderosas, fundadoras de linhagens. O figurino apresentava a riqueza do grafismo decorativo dos povos originários do Marajó. Em sua estreia no cargo, Mayara mais uma vez chamou a atenção pelo samba no pé, simpatia e entrosamento com mestre Marcão.Estreando pelo Paraíso do Tuiuti, Wander Pires comemorou 30 anos de Sapucaí neste desfile.

Abre-alas do Tuiuti representou a grandiosidade da cultura indiana

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Representando o esplendor da índia, o abre-alas do Paraíso do Tuiuti entrou na Marquês de Sapucaí trazendo a grandiosidade da cultura indiana por meio da religião hinduísta, onde alguns deuses possuem forma de animais. À frente da alegoria, três tigres acoplados a ele trouxeram imponência para o desfile. Também havia a presença da imagem de Ganesha, um dos deuses do hinduísmo.

Em entrevista ao site CARNAVALESCO, os componentes do abre-alas falaram sobre o significado de suas fantasias e a imponência do carro.

Tiago Damasceno, dentista de 39 anos, esteve em seu primeiro desfile pelo Paraíso do Tuiuti. Com a fantasia representando um monge, ele falou sobre o desfile e enredo.

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“A minha fantasia representa um monge. É muito importante trazer um pouco dessa cultura indiana para o carnaval, porque tem tudo a ver. Essas fantasias estão muito maravilhosas e eu tenho certeza que o Paraíso do Tuiuti arrebentou”, disse o componente do abre-alas da escola de samba.

Em meio ao imponente abre-alas, ficou difícil definir uma única parte favorita. Para Tiago, tudo no carro ficou muito bonito e caprichado – um trabalho dos carnavalescos João Vitor Araújo e Rosa Magalhães.

“Eu gostei de tudo aqui no carro, desde o acabamento, as fantasias… Todo o carro está bonito. O carnaval é uma mistura de tudo”, contou.

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Já para Antônio Veloso, advogado de 57 anos e componente do Paraíso do Tuiuti há cinco anos, o carro alegórico representou a escola de samba mergulhando no esplendor da religiosidade indiana.

“A minha fantasia representa a magia e o encantamento da Índia. É a Índia chegando ao Brasil com o Tuiuti mergulhando na história. Essa alegoria traz toda uma religiosidade. É inexplicável. É uma fusão de culturas. Estou tão emocionado que nem consigo explicar direito. O brilho, esse azul e a força das entidades indianas me chamam muito a atenção”, contou Antônio, que foi um dos componentes da alegoria.

O presidente do Paraíso do Tuiuti, Renato Thor, também comentou sobre o abre-alas da agremiação de São Cristóvão. Ele destacou que a escola sempre levou grandes alegorias para a Passarela do Samba.

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“O Paraíso do Tuiuti sempre teve esses abre-alas imponentes. Somente no ano passado que não trouxemos isso, respeitando o carnavalesco Paulo Barros. Foi onde nós e alguns segmentos da escola não conseguimos fazer o que queríamos”, destacou o presidente da escola de samba.

Daiana Rodrigues, design de moda de 38 anos, esteve em seu segundo ano desfilando pelo Paraíso do Tuiuti. A componente contou que se identifica com a proposta do carro e contou o que significou para ela.

“Minha fantasia representa Shiva, que é um avatar indiano. Eu sou suspeita para falar da importância, porque eu sou iogue. Fico até emocionada. Quando eu descobri que iria de Shiva, do dia do mahabati, que é um dia muito importante para a filosofia hindú, eu fiquei muito feliz e me senti honrada. Acredito que a gente tem muitas chances de ganhar o carnaval. O carro inteiro é lindo, porque traz os meus personagens prediletos. Tem Shiva, tem Ganesha – que eu amo. Acho que a ideia é trazer toda essa energia indiana”, explicou Daiana.

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