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Wander Pires fica emocionado em reestreia na Viradouro e diz: ‘maior homenagem da minha vida’

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Na noite do último domingo, em sua tradicional feijoada para São Jorge, a atual vice-campeã do Grupo Especial, Unidos do Viradouro, apresentou oficialmente sua equipe rumo ao carnaval de 2024. A estrela da noite foi o intérprete Wander Pires, principal novidade da escola na busca pelo tão sonhado campeonato, que escapou por um décimo no carnaval de 2023. A Vermelha e Branca de Niterói levará para a avenida no próximo carnaval o enredo “Arroboboi, Dangbé”, desenvolvido pelo carnavalesco Tarcísio Zanon.

Além da apresentação da equipe, na feijoada de São Jorge, a Unidos do Viradouro também anunciou novidades voltadas para sua comunidade. Antes da apresentação da equipe do carnaval 2024, o presidente de honra da escola, Marcelo Calil, anunciou a retomada do Instituto Viradouro Pedro Leon Monassa Bessil, com atividades voltadas para a comunidade e a escola mirim da Vermelha e Branca, que desfilará no próximo carnaval.

Marcelinho Cali fala sobre chegada de Wander Pires: ‘O maior cantor do Grupo Especial’

Presidente da Viradouro, Marcelinho Calil abordou a chegada do intérprete Wander Pires, a principal contratação da escola para o carnaval de 2024. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, Calil destacou a vontade de Wander no retorno ao microfone principal da Vermelha e Branca de Niterói.

Alex Fab, diretor de carnaval, e Marcelinho Calil, presidente da Viradouro

“O Wander é um cantor que dispensa comentários, estreia em 94 na Padre Miguel, faz 30 anos cantando ano que vem. Um cantor com uma qualidade absurda, um cara extremamente experiente, vivido e que está com um tesão enorme de cantar na Viradouro. É um casamento perfeito, tivemos um cantor de muito sucesso por aqui por 9,10 anos, uma pessoa muito querida, pelo qual temos muito carinho, que agora a gente abriu essa parceria, ele segue na Mocidade e a gente vai fazer nosso trabalho com o cantor que, para mim, é o maior cantor do Grupo Especial do Rio de Janeiro”, afirmou.

A chegada de Wander Pires à Unidos do Viradouro também representou o fim da parceria da escola com o cantor Zé Paulo Sierra, que ocupou o posto de cantor da escola por 10 anos. A saída de Zé, porém, se deu em comum acordo, com o desejo de sucesso mútuo de ambos os lados, como destaca o presidente da Viradouro, Marcelinho Calil.

“Eu não tenho problema nenhum em falar, o Zé é uma pessoa muito querida, um amigo, um profissional maravilhoso e eu desejo todo o sucesso do mundo para ele. Foi uma questão profissional, de trabalho e nós entendemos que seria melhor para escola e para ele seguir por outro caminho. Desejo todo o sucesso do mundo, é um amigo, uma pessoa por quem tem muito carinho e respeito, assim como tenho pelo Wander, uma pessoa que se tornou amiga, para mim, é o melhor cantor do Grupo, técnicamente, de voz e tenho certeza absoluta que com essa vontade que ele está aqui, com o compromisso que ele está com a Viradouro, a gente vai ter um caminho de muita alegria, de muita felicidade no próximo carnaval”, ressaltou.

Para o carnaval 2024, a Unidos do Viradouro apostará no enredo “Arroboboi, Dangbé”, sobre a energia do culto ao vodum serpente, desenvolvido pelo carnavalesco Tarcísio Zanon. O enredo é tratado pela escola como uma forma de apresentar na Marquês de Sapucaí uma parte ainda pouco retratada da África.

lorena erika
Lorena Raissa, rainha de bateria da Beija-Flor, esteve na quadra e encontrou Erika Januza, rainha da Viradouro

“O Tarcísio é um cara calmo, mas acho que ele já merece estar como um dos grandes carnavalescos do Grupo Especial, apresentou um carnaval incrível no ano passado, esse ano, junto ao João Gustavo Melo, nos propuseram o desfile do ‘Arroboboi, Dagbé’. A gente tem um desfile afrão, mas com uma vertente tão linda quanto a nagô, tão linda como os orixás, mas voltada para os voduns, especificamente para o vodun Dagbé, a serpente sagrada e seu legado, através de Ludovina Pessoa que, na transição atlântica África-Brasil, ela aqui instaura e como legado, o jeje, que é um candomblé mais fechado, um pouco menos conhecido, mas não menos importante. A gente vem com o respeito a essa representatividade, com a busca pela pluralização africana, a história nos mostrou sempre uma demonização de tudo que era afro e uma unificação de tudo que era afro. Um continente absurdamente grande e se fala que afro é tudo orixá, mas com todo o carinho e respeito aos orixás, obviamente não é. Buscamos trazer uma outra linhagem, outra etnia, que traz através dos voduns, um culto a essas divindades, com tanta beleza e admiração quanto os orixás. No final, vamos fazer uma grande homenagem, mas é importante para nós trazer essa mensagem de pluralização, de carinho e respeito a toda essa energia africana que vem nos abençoando. Muito carinho e respeito por esse enredo e tenho certeza que a escola fará um grande carnaval em 2024”, ressaltou Marcelinho Calil.

Rumo ao segundo carnaval solo na Viradouro, Tarcísio Zanon tem a missão de retratar uma ‘África diferente’ na Avenida

Responsável pela nota máximo nos quesitos que defendeu no carnaval de 2023, o carnavalesco Tarcísio Zanon segue na Viradouro para 2024. Com a missão de desenvolver o enredo “Arroboboi, Dangbé”, Zanon terá a missão de apresentar ao grande público, segundo ele, uma África diferente das que já foram retratadas na Sapucaí.

“Esse enredo tem a missão de trazer uma África diferente, que pouco foi retratada na avenida, tratando da religiosidade vodu mais especificamente. O enredo tem essa missão de desdemonizar essa religião, de desdemonizar a figura da serpente, justamente porque a gente sempre quando fala vodu, tem a imagem daqueles bonecos furados, que na verdade não são para o mal e sim para cura. Nós aprendemos lá no terreiro de Bogum, com o primeiro ogã da casa, que a palavra vodun significa ‘tudo de bom para você’. Nós temos essa missão de transformar as pessoas e trazer um novo olhar para essa religião e para essa divindade, que é a serpente adorada por esses povos, assim como em outros povos, outros animais são adorados”, contou.

tarcisio zanon
Carnavalesco Tarcisio Zanon

A ideia do enredo da Viradouro para o carnaval de 2024 surgiu ainda durante a pesquisa da obra de Rosa Maria Egipcíaca, enredo da escola no último carnaval. O carnavalesco Tarcísio Zanon revelou que foi apresentado a história ao pesquisar sobre a religiosidade da homenageada no carnaval de 2023.

“A ideia do enredo nasce intuitiva com uma pesquisa que estava fazendo sobre o acotundá, que era a religiosidade de Rosa no Daomé, com um livro do Aldair Rodrigues e do Moacir Maia (“Sacerdotisas voduns e rainhas do Rosário”), de Minas Gerais, que traz as sacerdotisas voduns e me dá inspiração para pesquisar esse assunto. Nós fomos à Bahia, conhecemos o terreiro de Bogum, um terreiro centenário, trazido por Ludovina e a partir daí, começamos a desenvolver esse enredo”, disse.

Além da história de Dagbé, o enredo da Viradouro também abordará a saga de Ludovina, africana que parte rumo ao Brasil em uma missão espiritual. A história foi apresentada ao carnavalesco da Viradouro, Tarcísio Zanon, durante sua viagem à Bahia.

“A figura da Ludovina, que eu não conhecia, uma mulher para época, conhecida como de partido alto, que veio para cá com uma missão espiritual de abrir três casas e veio como uma rainha também, consegue cumprir parte da sua missão, deixando para suas ancestrais outras partes. Uma mulher que veio com uma missão e conseguiu realizar, dentro de toda dificuldade. A sinopse vai revelar mais, porém é uma parte bem emocionante que descobrimos lá na Bahia”, revela Zanon.

Diretor de carnava, Alex Fab aposta no entrosamento entre Wander Pires e Ciça

No carnaval de 2023, um dos quesitos em que a Unidos do Viradouro foi descontada pelos julgadores foi Harmonia. Justamente pensando nisso, a escola promoveu mudanças em seu carro de som para 2024, com a chegada de Wander Pires. Para o diretor de carnaval da Vermelha e Branca, Alex Fab, o talento individual da dupla será potencializado pelo coletivo da escola.

“O Ciça é um ícone do carnaval, é uma resenha muito agradável, muitas histórias, tem uma qualidade técnica indiscutível e Wander da mesma forma. A gente tem dois grandes astros do Carnaval, e aí Deus nos dê a sapiência para que a gente possa trabalhar. É esse grande encontro, a gente vai trabalhar muito pra essa sintonia para que nos permita uma harmonia nota dez, tanto no quesito propriamente dito harmonia quanto na no dia a dia, no trabalho, como um todo. A gente caminha muito bem porque são dois grandes profissionais desprovidos de vaidades, no sentido de ter o bem comum, o bem maior. A Viradouro potencializa o potencial de cada um, mas sempre pensando na coletividade”, comentou.

Com o enredo “Arroboboi, Dagbé”, a escola espera repetir o sucesso do carnaval de 2023 no quesito samba-enredo, no qual garantiu a nota máxima. O diretor de carnaval Alex Fab revela, em entrevista ao CARNAVALESCO, que a disputa de samba para 2024 sofrerá alterações, em busca da melhor decisão.

“No dia 2 de maio, nós vamos estar na quadra da Viradouro para recebermos os compositores para entrega da Sinopse com as primeiras explicações. A gente vai trazer pessoas que nos ajudam e nos ajudaram na pesquisa, tem o Gustavo, tem a direção da casa, a presidência da casa, que mergulha também muito forte na questão do nosso enredo. Nós trazer algumas pessoas também que tem esse fundamento porque esse enredo também é para quebrar alguns paradigmas. Vamos anunciar nesse dia algumas alterações no concurso e é interessante que todos os compositores estejam presentes, até aqueles que entregam o samba no dia, é importante que estejam aqui porque nós vamos anunciar algumas mudanças pontuais da disputa de samba-enredo pra sempre melhorar para eles o processo e também melhorar pra escola”, ressaltou Alex Fab.

Wander Pires se emociona na ‘maior homenagem de sua vida’

Sem sombra de dúvida, a noite de domingo, na quadra da Viradouro foi dele, Wander “A voz” Pires. Em sua apresentação oficial como intérprete da escola, o cantor recebeu diversas homenagens pelo público presente. Em entrevista ao CARNAVALESCO, Wander comentou sobre o sentimento de retorno à escola de Niterói.

“O sentimento é muito grande, estou maravilhado, ocorreu tudo bem, como pedimos a Deus. Estou muito feliz, nossos diretores fazendo por onde para tudo dar certo. É uma das maiores emoções que já tive em toda minha vida, até comparei com o momento que fui escolhido como intérprete oficial da Mocidade, na época, ou quando eu voltei para a Mocidade. Foi uma das maiores emoções da minha vida, inigualável. Me sinto em uma equipe de campeão, é muito orgulho para mim ser chamado para trabalhar nessa equipe de vencedores, guerreiros, espero um dia me tornar um deles”, salientou o cantor.

wander viradouro
Fotos de Gabriel Gomes/Site CARNAVALESCO

No carnaval de 2024, Wander fará uma inédita parceria com o experiente mestre Ciça, comandante da Furacão Vermelho e Branco. Para Wander, a parceria será ‘maravilhosa’. O sentimento é compartilhado por Ciça.

“A parceria vai ser maravilhosa, pois era um sonho trabalhar com ele. Uma vez nós quase trabalhamos juntos na Grande Rio, mas não aconteceu, pois eu já estava fechado com a Imperatriz, não deu. Agora, nós conseguimos estar juntos aqui na Viradouro para fazer um carnaval maravilhoso e vamos buscar o título”, disse Wander.

cica

“O Wander é um craque, um ícone, vai ser muito fácil trabalhar junto dele”, concluiu Ciça, que já iniciou os ensaios de bateria rumo ao carnaval 2024. “A gente vai reduzir a bateria mais ainda, queremos fazer uma seleção mais elaborada, mais profunda para termos uma bateria com um pouco mais de qualidade, que é o nosso dever fazer isso. Eu gosto de trabalhar cedo”, explicou.

Vídeos: Intérprete Carlos Jr. canta os sambas-enredo históricos da Rosas de Ouro

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Sinopse do enredo do Império da Tijuca para o Carnaval 2024

Enredo: Sou Lia de Itamaracá, cirandando a vida na beira do mar

logo imperiodatijuca enredo2024

ARGUMENTO:

Lia da pedra que canta

Cantora ícone da cultura popular brasileira, Lia de Itamaracá completará 80 anos no próximo dia 12 de janeiro de 2024. De carreira, são mais de seis décadas a serviço de ritmos que sintetizam as mais genuínas manifestações artísticas de seu Pernambuco: frevo, maracatu, coco de roda e, mais que tudo, ciranda – o ritmo e a dança que lhe deram fama e que ela mesma levou para a ilha, tornando-se marca da cultura local. São as águas do mar, do rio e do mangue, as areias brancas e os altos coqueirais de Itamaracá que inspiram Lia, também compositora e dançarina. Chamada por muitos de entidade, pelo porte imponente, pele preta retinta, vestidos multicoloridos e sorriso largo, é ela a soberana da gente simples da ilha que tanto ama.

Mora com o marido Toinho numa casa em Jaguaribe, o mesmo bairro no qual viveu a vida toda, para onde sempre volta depois de suas apresentações, finalizadas com uma grande roda de brincantes. Ali foi cozinheira de bar e merendeira de escola pública; ali ouviu ciranda pela primeira vez; e ali decidiu que seu destino era ser cantora. Uma mulher que não esconde a idade e que, justamente por isso, não aparenta o tempo que tem. Uma artista com pressa e vontade de viver: “Se quiserem fazer alguma homenagem para mim, façam comigo viva. Depois que eu morrer, não adianta. Quero estar aqui, para que eu possa ver e aproveitar”, costuma dizer em entrevistas.

Pois não, Dona Lia de Itamaracá. Seja feita a vontade da Rainha da Ciranda, diz o Grêmio Recreativo Escola de Samba Educativa Império da Tijuca, a verde e branco do Morro da Formiga, que levará a sua história para a Marquês de Sapucaí no Carnaval 2024. Viva a ciranda, o samba, a cultura popular. Viva Lia de Itamaracá!

SINOPSE:

Eu sou lia

Na minha certidão de nascimento está escrito Maria Madalena Correia do Nascimento. Mas desde menina eu me chamo Lia. Meu lugar fica em Pernambuco, é cercado de água – mar de um lado, rio e mangue de outro – e traz a música no nome: Itamaracá é pedra que canta. Meu palco é na beira da praia, debaixo de sol ou de lua, ouvindo a pancada das ondas do mar, com o povo de mãos dadas, formando uma roda para cantar e dançar.

Essa é minha ilha, essa é minha ciranda, essa sou eu.
Eu sou Lia da beira do mar
Morena queimada do sal e do sol
Da Ilha de Itamaracá [1]

Águas da inspiração

Sou Lia, filha de Matilde e Severino, e também filha das águas. Água de mangue, rio e mar, que se abraçam em Itamaracá, ilha da minha vida. Mangue de Nanã, a velha iabá, que guarda os saberes ancestrais, soberana dos encontros entre rios e mares. Saluba! Rio de Oxum, senhora das águas doces e da fertilidade, bela guerreira coroada e ornada de ouro. Orá yê yê ô! Mar de Iemanjá, rainha tão linda, que serena as águas na beira da praia e faz o pranto sumir na imensidão salgada. Odoyá!

Quando eu era menina, a folia era na beira dos mangues e dos rios ali na Praia do Sossego. A molecada pra lá e pra cá, se metendo na lama pra catar caranguejo, siri e guaiamum, se pendurando nos galhos, tomando banho de rio e se escondendo do sol, que brilha quente o ano inteiro.

Mas o mar era diferente. Eu ouvia seu balanço, com as ondas quebrando nas areias branquinhas, e gostava da falta de silêncio do mar, como se ouvisse um chamado para ser artista. O mar da minha ilha é música para mim, com suas águas verdes, quentes e calmas, emolduradas por um céu azul infinito, sol de ouro e lua de prata.

Eu me perdia nas praias, me encostava nas jangadas e escrevia nas areias as letras que estavam na minha cabeça. As ondas vinham e apagavam tudo. Levavam as palavras embora e, no tempo e no ritmo delas, devolviam em forma de melodia. Hoje, toda vez que subo no palco, canto o mar dentro de mim.

O mesmo mar onde mora Janaína, rainha preta como eu, com seu adê prateado, vestido azul bordado de espuma, cabelos enfeitados de flores e corais. Mamãe sereia e mãe dos peixes, que nunca negou colo a esta filha devota de Nossa Senhora da Conceição e do Pilar. Por ela eu firmo ponto e ciranda; boto flores, espelho, perfume e colar no barquinho de oferendas. Por isso que não existe Lia sem mar.

Estava na beira da praia
Vendo o balanço do mar
Quando eu vi uma linda sereia
E eu comecei a cantar
Ô, Janaína, vem ver
Ô, Janaína, vem cá
Receber as flores
Que eu vou te ofertar [2]

Itamaracá: pedra que canta

Na língua dos nativos caetés, Itamaracá é pedra que canta. Ilha cheia de pés de coco e de cana, terra dos primeiros engenhos de açúcar. Lugar encantado, com sua gente simples e trabalhadora, reis e rainhas que ganham a vida com o próprio suor e que defendem a sua cultura. Pescador, marisqueiro, tirador de coco, barqueiro, catador de mangue. Cada um deles é um pouco de mim.

Itamaracá é uma ilha encantada
Lugar mais bonito que eu vi
Itamaracá é um reino encantado
E todos são reis por aqui
Ilha de sonho, de luz e de cor
Pedra que canta o amor [3]

Do meu tempo de menina, lembro como se fosse hoje das festas de Nossa Senhora do Pilar, padroeira de Itamaracá, e de Bom Jesus dos Passos. Os devotos saíam em procissão, carregando cada santo em um andor, até a igreja de São Paulo, na praia do Forte Orange. Uma semana depois, as imagens voltavam para suas igrejas nos barcos dos pescadores, em um cortejo pelo mar que o meu povo chama de “buscada”. Coisa mais linda era ver as pessoas na praia esperando os barquinhos enfeitados de flores e fitas.

Por isso eu nunca quis sair de Itamaracá. Aqui estão as mais doces lembranças que tenho de minha mãe, cozinheira de mão cheia, com quem aprendi a mexer tachos e panelas. A maior herança que ela me deixou foi saber fazer comida. Tanto que, por muitos anos, tirei meu sustento da cozinha. Como merendeira de escola pública, temperei com amor de mãe cada prato de arroz e feijão que eu servi para as crianças. Que saudade que eu tenho de ouvir aquela meninada na fila cantando: “Essa merenda quem me deu foi Lia”!

Dorme, dorme, pretinho
Que mamãe está pescando, pretinho
Dorme, dorme, Maria
Que mamãe está pescando, Maria
E vai trazer muitos peixes para ti
E vai carne de ostras para ti
Um jereré bem cheinho de siri
E vai trazer muitas conchas para ti [4]

Lia e sua musicalidade: nasce uma artista

E as festas de Itamaracá? Ai, mamãe, como era bom! Do Natal até as festas da padroeira, tinha reisado, fandango, pastoril e coco de roda na beira da praia; e maxixe, cavalo marinho e maracatu rural, o de baque solto, com os caboclos de lança. Depois vinham as festas juninas: São João, com suas fogueiras, São Pedro, padroeiro dos pescadores, e Santo Antônio, que socorre moças e rapazes em busca de um amor.

Ô moça namoradeira
É na porteira onde os pássaros cantavam
Ela chorava, se lamentava
Por ter perdido o amor que tanto amava [5]

Nesse tempo, ainda não tinha ciranda em Itamaracá. Nas festas, eu cantava de noite as loas das marujadas e as cantigas dos cordões azul e encarnado dos pastoris. No outro dia de manhã, lavando a roupa ou varrendo o terreiro do patrão, eu cantava de novo, bem alto, para que as pessoas na rua pudessem me ouvir.

Ali eu já tinha escolhido meu destino: ser cantora. Se hoje eu canto ciranda, aprendi ouvindo o mestre Antônio Baracho, grande brincante dos cavalos marinhos da Zona da Mata. E muito antes de eu gravar o primeiro disco, o Brasil já cantava os versos que me fizeram famosa. Toda vez que a canção tocava no rádio, a vizinhança logo gritava: “Corre, Lia, que tua música tá passando!”. Oxe, eu ia ligeiro, só para me ouvir cantar!

Eu estava na beira praia
Ouvindo as pancadas das ondas do mar
Esta ciranda quem me deu foi Lia
Que mora na Ilha de Itamaracá [6]

Foi quando começou a ter ciranda em Itamaracá. Comecei a fazer roda no Bar Sargaço, de Dona Creuza, onde eu era cozinheira. No Recife, criaram o Festival da Ciranda, e na primeira vez que a preta cirandeira subiu num palco, foi logo ganhando o primeiro lugar, num Pátio de São Pedro lotado de gente cirandando debaixo de um toró.

Olha eu vi uma preta cirandeira
Brincando com um ganzá na mão
Brincando ciranda animada
No meio de uma multidão
Menina eu parei fiquei olhando
A preta pegou a improvisar
Eu perguntei: “quem é essa negra?”
Sou Lia de Itamaracá [7]

No meu primeiro disco, botaram na capa: “Lia de Itamaracá – A Rainha da Ciranda”. Apareci na televisão e um tocador de tarol se apaixonou: Toinho Januário, meu marido, que divide os palcos e a vida comigo, na nossa casa pertinho do mar. Fiquei um tempo sem fazer disco, nem show. Mas tudo na minha vida aconteceu no tempo que mãe Iemanjá permitiu: depois vieram mais três discos, shows por todo o país, ciranda em Paris. Olha, que amostrada! Enfim, o reconhecimento que eu, como artista, sempre busquei.

Para chegar aqui atravessei um mar de fogo
Para chegar aqui atravessei um mar de fogo
Pisei no fogo, o fogo não me queimou
Pisei na pedra, a pedra balanceou [8]

Folias de Lia: o Carnaval abraça a rainha no cirandar do seu povo

Quem me vê assim, com esses vestidos bonitos, de brinco, colar e pulseira, lenço ou turbante na cabeça, deve pensar: “Lia gosta é muito de andar enfeitada”. Gosto não, adoro! Eu sou uma mulher vestida de cor. Cor é alegria, é axé; e meu amor pelas cores vem das memórias de infância e do Carnaval de Pernambuco.

Aprendi a amar a folia nas ruas de Recife e Olinda, com os clarins do frevo, o rufar das alfaias dos maracatus e o estalado do arco e flecha dos caboclinhos. Bonecos gigantes, papangus e blocos tradicionais como o Elefante e o Pitombeira dos Quatro Cantos. E tem ainda o Galo da Madrugada, maior bloco do mundo, que já me homenageou. Agora, que estou perto de completar 80 anos, meu coração quase não aguenta de felicidade quando eu soube que o Império da Tijuca vai contar minha história no palco sagrado do Carnaval do Rio de Janeiro. Vai ser uma honra pisar a Marquês de Sapucaí, fazer o povo do samba cirandar e mostrar o Carnaval da minha terra, num grande abraço de foliões.

É disso que eu gosto: de estar junto do povo! Porque minha ciranda não é só minha, ela é de todos nós. Música tocada no baque do surdo, com tarol, piston e ganzá. Dança de roda, com todo mundo de mãos dadas, sem distinção ou preconceito, um sentindo o calor do outro; fazendo da vida uma ciranda sem fim.

Minha ciranda não é minha só
Ela é de todos nós
A melodia principal quem
Guia é a primeira voz
Pra se dançar ciranda
Juntamos mão com mão
Formando uma roda
Cantando uma canção [9]

Carnavalesco: Júnior Pernambucano
Argumento e sinopse: Rodrigo Hilário

MÚSICAS CITADAS NA SINOPSE:
[1] Eu sou Lia (Paulo Viola do Recife)
[2] Janaína (Lia de Itamaracá)
[3] Itamaracá (Reginaldo Rossi)
[4] Dorme, pretinho (Lia de Itamaracá/Beto Hees; adaptação de Duerme, negrito/Mercedes Sosa)
[5] Moça namoradeira (Lia de Itamaracá)
[6] Quem me deu foi Lia (Baracho/Lia de Itamaracá/Teca Calazans)
[7] Preta cirandeira (Neris/Saúde)
[8] Mar de fogo (Ponto de Exu/Domínio público)
[9] Minha ciranda (Capiba)

REFERÊNCIAS:

1. BIBLIOGRÁFICAS

ANDRADE, Marcelo Henrique. O mito, a mulher, a ciranda: Lia de Itamaracá em livro-reportagem. UFPB. João Pessoa, 2018. Disponível em: https://repositorio.ufpb.br/
ASSUMPÇÃO, Michelle de. Lia de Itamaracá: Nas rodas da cultura popular. Cepe Editora. Recife, 2020.
CARVALHO, Hermínio Bello de. Lia de Itamaracá. O Pasquim (Edição 794). Rio de Janeiro, 1984. Disponível em: https://tinyurl.com/2wp6vvsv
CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do Folclore Brasileiro – 12ª edição. Global Editora. São Paulo, 2012.
FRANÇA, Déborah. Quem deu a ciranda de Lia? A história das mil e uma Lias da ciranda (1960-1980). UFPE. Recife, 2011. Disponível em: https://tinyurl.com/4hec4mvv
_______, Déborah. Histórias da ciranda: silêncios e possibilidades. UERJ. Rio de Janeiro, 2013. Disponível em: https://tinyurl.com/bdawdyeu
OLIVEIRA, Leônidas. Ciranda pernambucana: uma dança e cultura popular. FAFIRE. Recife, 2007. Disponível em: https://tinyurl.com/2p8m7cst
OTELO, Renata & VIEIRA, Marcílio de Souza. A Mestra da Ciranda: Entrevista com Lia de Itamaracá. UESC. Florianópolis, 2016. Disponível em: https://tinyurl.com/3mukd58k

2. ENTREVISTAS E DOCUMENTÁRIOS

Eu sou Lia. Documentário (2008). 22 minutos. Disponível em: https://tinyurl.com/mry6eupv
Fantástico. Entrevista a Poliana Abritta. TV Globo (17/03/2019). Disponível em: https://tinyurl.com/4ny6maxh
Conversa com Bial. Entrevista a Pedro Bial. TV Globo (25/11/2019). Disponível em https://tinyurl.com/esywf4dn
Alma Preta Jornalismo. Entrevista a Lenne Ferreira (26/09/2021). Disponível em: https://tinyurl.com/yc8zhjwr
Cultura Livre. Entrevista a Roberta Martinelli. TV Cultura (28/05/2022). Disponível em: https://tinyurl.com/45fn4bp

Após Paraty, Tatuapé escolhe Mata de São João como enredo para o Carnaval 2024

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No dia de São Jorge, 23 de abril, como é tradicional para a comunidade da Zona Leste, a Acadêmicos do Tatuapé apresentou seu enredo para o carnaval de 2024: “Mata de São João – Uma joia da Bahia, símbolo de preservação! Entre cantos e tambores. Viva a Mata de São João!”. O site CARNAVALESCO marcou presença no evento e conversou com personagens sobre o que está por vir no próximo carnaval.

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Fotos: Fábio Martins/Site CARNAVALESCO

Depois de cantar Paraty, a Tatuapé cantará sobre a Mata de São João. Será mais um enredo chamado como CEP, a agremiação da Zona Leste de São Paulo teve sucesso no bicampeonato com Zimbábue e Maranhão, depois o quarto lugar com Atibaia e Paraty. Um dos presidentes da escola, Eduardo Santos falou para o site CARNAVALESCO sobre a escolha para 2024.

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Logo do enredo do Tatuapé para o Carnaval 2024

“O importante é como a gente vai desenvolver o enredo. O fato de ser um enredo que, mais uma vez, homenageia uma cidade, não nos incomoda. Se não fosse, não nos incomodaria. O importante, para nós, não é o tema que a gente está lançando: é o que faremos com ele, o desenvolvimento que daremos. Partindo disso, não temos resistência alguma aos enredos que o pessoal chama de CEP [Cidade, Estado e País], nós fazemos homenagens a cidades com histórias maravilhosas, características principais e tudo que ela nos oferece para transformar em um grande desfile. É isso que faremos mais uma vez. Homenagear Mata de São João, Paraty, café ou Beth Carvalho, para nós, é só o tema: o importante é como vamos desenvolver isso”.

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Presidente Eduardo Santos

Carnavalesco e presidente contam sobre desenvolvimento do projeto

O carnavalesco Wagner Santos falou sobre as diferenças de abordagem no enredo para o carnaval de 2024: “Esse ano pretendo partir para um encaminhamento totalmente diferente. Para não ficar muito repetitivo, não se tornar um roteiro turístico de cidades, vamos partir para a história. Pois a Mata de São João, ela é muito Bahia, então nós vamos tratar, apresentar, mas com todo um espírito baiano. A cidade mantém as mesmas tradições que são mantidas na capital em Salvador, mantém as mesmas tradições e festividades acontecem na Mata de São João. Então vamos fazer um carnaval diferente, até porque a Bahia, é uma história à parte, ela te proporciona muitas coisas, muitos objetivos, formas, que você pode transformar isso em arte visual, cênica, e trazer grande impacto visual, essa é a ideia do enredo”.

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Carnavalesco Wagner Santos

No sexto carnaval consecutivo na Acadêmicos do Tatuapé, Wagner Santos reforçou sobre o enredo que irá apresentar em 2024: “Não é simplesmente para dar aquela coisinha muito roteiro turístico, vamos apresentar espetáculos existentes na cidade, tudo de uma forma muito baiana, raiz baiana, vamos manter as raízes africanas, e as festividades, a religiosidade é muito importante na questão da Bahia, no estado todo, também culinário, diversos aspectos, músicas, danças, todos os tipos de espetáculo existentes na grande Bahia. É uma formação só, falar de Mata de São João, e retratando os principais atrativos turísticos na cidade, mas você misturando isso com muita festividade, alegria, e que realmente é o espírito baiano”.

Um dos presidentes da agremiação, Eduardo Santos, falou sobre a parte plástica que está esperando para 2024. Claro, são muitos meses antes, e o projeto ainda está em andamento, como o próprio ressaltou.

“Tenho certeza absoluta que o Wagner e a equipe dele vão transformar esse tema em uma plástica maravilhosa. A Tatuapé vem com fantasias e carros maravilhosos, como sempre vem, bem como o samba. Isso é o desenvolvimento do enredo. O tema não é uma questão que define o que vamos desenvolver, embora seja importante. O desenvolvimento é o passo posterior à negociação, e agora vamos desenvolver da melhor maneira possível e transformar isso no melhor desfile da nossa vida”.

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Por fim, Eduardo Santos falou sobre os contatos iniciais com o município baiano, antes mesmo do carnaval de Paraty. Mas disse que ainda tem muito a desenvolver nos próximos meses para chegar no carnaval de 2024.

“Não é que o projeto todo estava pronto, é que o cronograma inteiro foi feito com antecedência. Já tínhamos alguns primeiros contatos antes mesmo do desfile de 2023, embora ainda não estivesse fechado. Isso ajuda bastante. É a partir de agora que vamos, definitivamente, colocar tudo no papel, a ideia vai virar desenho, depois vai virar piloto, e depois vem alegoria, fantasia e samba. É assim que a gente faz”.

Celsinho Mody aprova enredo e fala sobre samba-enredo

Renovado e feliz na comunidade da Zona Leste de São Paulo, Celsinho Mody vai para mais um carnaval no carro de som da Acadêmicos do Tatuapé. Em conversa com o site CARNAVALESCO, falou um pouco sobre a percepção dele do enredo para 2024 e a escolha de CEP.

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Intérprete Celsinho Mody

“É uma honra, estamos há oito anos nos tratando com muito carinho e respeito. Renovamos nossos votos de felicidade, tanto eu muito feliz como a escola muito feliz. Então vamos por um carnaval de muita conectividade, todo mundo emanado, coligado, em um tema que a diretoria deu abertura para a escola escolher, e a escola escolheu. Vocês viram a repercussão que foi. Uma escola que gosta de africanidade, e o CEP é uma característica que a comunidade gosta. Pessoal fala que a importância de uma escola de samba é contar história do Brasil, e essa foi a forma que encontramos de acrescentar com a história do Brasil. Sabe que depois do carnaval encontrei umas crianças que me falaram que responderam à prova falando de Paraty com o samba-enredo do Tatuapé. Para mim isso é muito gratificante, é o intuito real da escola de samba, passar cultura. Me sinto honrado em participar de uma escola de samba que está preocupada com fundamento”.

Sobre o quesito dele, o samba-enredo, Celsinho Mody ressaltou que ainda aguarda o direcionamento da diretoria sobre o sistema que será para o desenvolvimento da melodia. Mas ressaltou que confia plenamente no trabalho da agremiação e explicou um pouco como funcionam as etapas na Tatuapé.

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“Não tenho dúvidas que o samba vai ser maravilhoso, que a escola tem um crivo muito bom. E o crivo da escola aqui são as pessoas, você vê que ninguém sabe qual vai ser o samba do Tatuapé. Mas a galera daqui já sabe, todo esse pessoal que você viu lá embaixo, dificilmente você vê em outras escolas, é o pessoal da comunidade daqui. Eles votam, escolhem o samba, quando tem junção falam a parte que querem, e a diretoria abraça isso, potencializa o pedido da comunidade. Que é o nosso papel, potencializar as melodias, letras, tenho certeza que vira um grande samba, não sei como será o formato, a diretoria ainda vai passar, mas tenho certeza que será um grande samba e olha, uma comunidade feliz é 50% do caminho andado”.

O presidente Eduardo Santos disse sobre o samba-enredo: “A gente ainda não definiu se vai ter disputa de samba, vamos começar a definir a partir de agora. Acho que a gente não deve mudar muito aquilo que a gente sempre fez. Nós abandonamos a eliminatória tradicional, de quadra aberta, há muito tempo – e não vamos voltar a isso pelo menos por enquanto. Pode ser que tenhamos alguma mudança mesmo tendo um processo interno de escolha, mas isso ainda não está definido. Vamos definir na próxima semana e todo mundo vai ficar sabendo”.

Alegria também em Mata de São João

O secretário de Turismo e Cultura da Mata de São João, Alexandre Rossi, marcou presença no evento da Acadêmicos do Tatuapé, fez um discurso no palco e falou com o site CARNAVALESCO sobre o contato rápido com a agremiação que deu casamento perfeito para o enredo em 2024.

“Foi um contato muito rápido! O Paulinho, meu amigo de Paraty, quando eu contei pra ele a história do nosso município, que remete à colonização do Brasil, de Garcia d’Ávila, do gado, do petróleo e do turismo, disse que eu poderia contar tudo isso para o pessoal da Tatuapé. Fiz isso às oito horas da manhã de um dia, e, às dez da manhã, o Higor [Silva, um dos presidentes e mestre de bateria da escola] já me mandou o projeto pronto. Tomei um susto! Ele disse que não tinha tempo a perder. Ele pegou um avião e ficou três dias com a gente. Ele me encantou! Ele gostou muito do que viu lá, e eu gostei da pegada da Tatuapé, da sustentabilidade e da reciclagem. Esse foi um gancho fenomenal para que a gente fechasse a parceria”.

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Um dos motivos da união entre Mata de São João e Paraty foi justamente a forma que a Tatuapé aborda temas CEP no carnaval paulista. Assim surgiu a conexão, como contou o secretário Alexandre Rossi.

“Ajuda saber que a Tatuapé é uma escola acostumada a falar de locais. A Tatuapé tem a mesma pegada de Paraty e de Mata de São João com a sustentabilidade e com toda a história que temos. Garcia d’Ávila, por exemplo, tinha o maior latifúndio do mundo, que ia do Piauí até o Maranhão. Eu já estou visualizando os carros alegóricos com Garcia d’Ávila, com caramuru, e Catarina Alves Paraguassu. Agora é com eles, vou deixar eles criarem essa história”.

O apoio da cidade e de outras vias para patrocinador do carnaval da Acadêmicos do Tatuapé vai sendo construído como explicou o secretário da Mata de São João.

“Estamos entrando com um apoio no Fundo Municipal de Turismo, diretamente da Prefeitura, e outros projetos através da Lei Rouanet. Já estamos com uma carta de intenção da PetroReconcavo, empresa que explora o petróleo na nossa região. Aqui em São Paulo, também temos a Lei de Incentivo do ISS. O Tivoli tem um espaço na Praia do Forte e, também, em SP, o Tivoli Mofarrej”.

Encerrando com alegria, Alexandre Rossi mostrou otimismo com o enredo desenvolvido em conjunto, fez até trocadilho sobre o que está por vir na parceria.

“Nada acontece por acaso. Nós estamos na Tatuapara, o tatu bola. Eles são o Tatuapé, o caminho do tatu. De Tatuapara para Tatuapé, a gente vai ser campeão”.

Paraíso do Tuiuti celebra São Jorge com feijoada na quadra

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Domingo, dia 23, o Paraíso do Tuiuti celebra o Dia de São Jorge com uma tradicional feijoada, na quadra, a partir das 13h. Haverá uma animada roda de samba e show com todos os nossos segmentos. Não fique de fora dessa!

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Serviço:
🍲 Feijoada de São Jorge
🗓️ Domingo, 23 de abril, a partir das 13h
📍Endereço: Campo de São Cristóvão, 33, bairro de São Cristóvão
🎫 Entrada e refeição: R$ 60 (venda antecipada); no dia do evento será R$ 90.

📲 Mais informações em: (21) 97398-1021

Salgueiro apresenta espetáculo em homenagem a Mercedes Baptista no Theatro Municipal

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Completando 70 anos em 2023, os Acadêmicos do Salgueiro, mais uma vez, fazem jus às palavras de Nelson Andrade e mostram que, muito mais do que uma escola de samba, são uma instituição cultural cujos maiores artistas são sua comunidade. Pioneira em levar enredos pretos para o desfile da Marquês de Sapucaí a vermelha e branca dá mais um passo importante mostrando, no Theatro Municipal, todo o potencial artístico de seu elenco no espetáculo “Mercedes Baptista – 100 anos”, que homenageia a primeira bailarina preta a integrar o corpo de baile de um dos teatros mais importantes do país. A apresentação, coreografada por Marcella Gil, Patrick Carvalho e Carlinhos Salgueiro, faz parte do projeto contemplado pelo edital Municipal em Cena, da Secretaria Estadual de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro.

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Foto: Riotur/Divulgação

No palco, a realização do sonho dos bailarinos do povo. Nascidos e criados em comunidades, Patrick Carvalho, coreógrafo da comissão de frente da escola, e Carlinhos Salgueiro, diretor de uma das alas mais premiadas do carnaval, a de passistas, de onde saíram nomes como Rebecca, Dandan Firmo e Mayara Lima. Acostumados a premiações no segmento, os dois artistas recebem talvez, o maior troféu da carreira, mostrar sua arte no seleto palco, território do ballet clássico, escola de onde Marcella Gil bebeu na fonte para hoje ser, reconhecidamente, uma das principais ensaiadoras de casais de mestre-sala e porta-bandeira.

O espetáculo conta a história de Mercedes Ignácia da Silva Krieger, bailarina e coreógrafa, considerada a maior precursora do balé e da dança afro no Brasil. Nascida em Campos dos Goytacazes em 1921, passou a integrar o corpo de baile do Theatro aos 27 anos. Após uma temporada nos Estados Unidos, montou sua própria companhia de dança reunindo os elementos da cultura ancestral em suas apresentações. Durante a década de 1960, Baptista compôs uma pioneira e vitoriosa parceria com os carnavalescos Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues, da Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro, quando foi convidada a criar uma ala de passo marcado para a Escola. Na estreia da parceria, a crítica foi extremamente positiva e a Escola sagrou-se campeã com o revolucionário enredo Zumbi dos Palmares. Também merece destaque o ano de 1963 como premiado enredo “Xica da Silva”. O grupo de bailarinos liderados por Baptista dançou o minueto, compondo uma linda coreografia com a Igreja da Candelária ao fundo. A parceria gerou polêmica, mas revolucionou o modo como às alas se apresentavam no carnaval carioca.

A personagem principal será interpretada por integrantes da escola em quatro momentos, desde a infância até sua chegada ao Salgueiro. Sabrina Ginga, influencer, passista e Embaixadora da escola representará Xica da Silva, que marca o início da trajetória de Mercedes na Academia do Samba.

Toda a produção e concepção do espetáculo, assim como o elenco que se apresentará, é de profissionais da escola de samba, exaltando uma trajetória vitoriosa que conta com 09 títulos no principal grupo do carnaval carioca. A produção é assinada por Luciane Malaquias e Victor Brito, e o texto fica por conta de Marcelo Pires, um dos diretores do Departamento Cultural da vermelha e branca. O figurino foi extraído do acervo da Academia do Samba.

Exposição Sal70 anos abre o evento

Antes da apresentação, que acontecerá no salão Assyrio, a escola apresentará a exposição Sal70 anos, que reúne peças do acervo da agremiação, fantasias e fotografias cuja curadoria é de Eduardo Pinto, Diretor Cultural e de Destaques, e de Belizário Távora A entrada é franca e sujeita a lotação a partir das 17h. O espetáculo terá início às 18h45.

Justiça suspende eleição presidencial da Mocidade

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Em decisão da 3ª Vara Cível da Regional de Bangu foi suspensa a eleição presidencial da Mocidade Independente de Padre Miguel. O pleito estava marcado para o dia 29 de abril. Procurada pelo site CARNAVALESCO, a atual direção da Verde e Branco de Padre Miguel informou que “buscará reverter a decisão, pois a mesma é baseada em argumentos inverídicos. Em nenhum momento a sede social da agremiação, na Rua Coronel Tamarindo, 38, esteve fechada para a inscrição de qualquer chapa. A inscrição teve como prazo final o dia 14 de abril, conforme consta no estatuto”.

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Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação

Os autores da ação, da oposição da Mocidade, alegam que a atual direção da escola “estaria violando direitos dos associados no processo eleitoral de escolha do próximo presidente, tendo excluído arbitrariamente 241 sócios”.

Ainda na ação o grupo de oposição diz que “houve irregularidades no processo de recadastramento dos sócios no ano de 2022, que teria ocorrido sem a necessária publicidade (somente através de publicação no jornal Extra e sem qualquer menção nas redes sociais oficiais da ré) e em período curto de duração, interrompido pelo feriado de carnaval.

Os autores “alegam, ainda, que a listagem dos sócios foi registrada somente em 16.01.2023 e que a atual diretoria teria incluído 128 novos sócios em desacordo com o Estatuto Social, além de promover irregularmente outros sócios ligados à atual gestão para Beneméritos e grandes Beneméritos, títulos que conferem peso 2 e peso 3 na votação para presidente. Por fim, sustentam que sócios grandes Beneméritos contrários à atual administração foram rebaixados sem qualquer justificativa plausível e que não foram entregues comprovantes de recadastramento a todos os sócios que compareceram ao ato, culminando com a exclusão indevida de alguns deles”.

Conheça o enredo da Unidos do Viradouro para o Carnaval 2024

7EE545A8 EF43 46DB B952 BE7321720C52A Unidos do Viradouro divulgou nesta quinta-feira, 20, o seu enredo para o desfile de 2024. A escola levará para a avenida o enredo “Arroboboi, Dangbé”, sobre a energia do culto ao vodum serpente. Veja abaixo o texto da escola de divulgação do enredo.

“Alafiou!

Caminhos abertos. A predição do oráculo revela a permissão e prenuncia tempos de luta e vitória!

Em 2024, a Unidos do Viradouro levará para a avenida o enredo “Arroboboi, Dangbé”, sobre a energia do culto ao vodum serpente. Força que se manifestou desde épicas batalhas na Costa ocidental da África e que influenciou as lutas das guerreiras Mino, do reino de Daomé, iniciadas espiritualmente pelas sacerdotisas voduns, dinastia de mulheres escolhidas por Dangbé.

A energia do culto se estabelece no Brasil com a instalação de terreiros na Bahia por Ludovina Pessoa, sacerdotisa daomeana que veio com a missão de perpetuar a crença nos voduns. Ludovina também se torna liderança nas irmandades católicas e na formação do que hoje é o candomblé Jeje. Essa linhagem tem como referência o Terreiro do Bogum, centenário templo religioso em Salvador, dedicado à Serpente.

À luta, Viradouro!

Arroboboi! Salve o Espírito Infinito da Serpente! 🐍🌈”.

A vermelha e branca de Niterói foi a vice-campeã do Carnaval 2023 com o enredo “Rosa Maria Egipcíaca”. A temática foi desenvolvida pelo carnavalesco Tarcísio Zanon, que será também o artista incumbido do projeto artístico de 2024. Zanon assumiu a escola para o desfile de 2020 ao lado de Marcus Ferreira. Desde 2023 ele vem desenvolvendo sozinho as temáticas da vermelha e branca do Barreto.

Com título do enredo inspirado em música dos Racionais MC´s, Vai-Vai homenageia a cultura hip hop no Brasil no Carnaval 2024

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Para o próximo carnaval, a escola de samba Vai-Vai terá como enredo “Capítulo 4, Versículo 3 – Da Rua e do Povo, o Hip Hop: Um Manifesto Paulistano”, mostrando a rua como espaço em constante disputa pela arte na cidade de São Paulo. Celebra ainda os 40 anos da cultura Hip Hop no Brasil, exaltando a arte urbana por meio de suas vertentes – DJ, MC, Break e Grafitti.

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A proposta é trazer para o centro do palco da cidade as manifestações culturais que sempre ficaram à margem, escondidas nas periferias. Utilizando a linguagem popular dos MCs e DJs, por meio do Rap, o enredo reivindica a ocupação de espaços, assim como o reconhecimento pleno das expressões artísticas e culturais consideradas periféricas.

O desfile será um convite à insurgência contra a normatização elitista – em favor das mães solteiras, dos desvalidos, dos marginalizados, dos mendigos, das meretrizes, dos presidiários e de todos aqueles que Exu guarda na sua capa caótica e desordenada, mas com a certeza de que a verdade tarda… Mas não falha!

Ifá é o enredo do Tucuruvi para o Carnaval 2024

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O Tucuruvi apresentou para o carnaval de 2024 o enredo “IFÁ”, que será desenvolvido pelos carnavalescos Yago Duarte e Dione Leite, e pelos pesquisadores Vinícius Natal e Renato Carvalho. A proposta é observar o oráculo de Ifá não somente como um jogo de adivinhação, mas, também, como uma filosofia e olhar singular para a vida segundo os preceitos e princípios Yorùbá. Confira abaixo o texto divulgado pela escola.

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“Diversos mitos de origem nos contam que Ilé Ifẹ̀, berço da humanidade localizado na atual Nigéria, teria sido o seu local de surgimento. E, ali, não nasceria apenas o Ifá como a conexão entre o humano e o sagrado, mas, também, um ideal que prega o amor ao próximo e a superação de toda a maldade que há no homem, que deve viver em harmonia com ele mesmo e com a natureza.

Através da caída dos Odú – caminho de vida o qual uma pessoa nasce predestinada a cumprir – no Ọpọ́n Ifá – tábua de madeira destinada ao rito – é que se interpreta a mensagem passada por Orunmilá, o deus supremo que é o próprio Ifá, e Èṣù, que é a própria comunicação, a boca que tudo come, Ẹnugbárijọ. É ali que mora nosso destino e nossa missão na Terra, onde o oráculo nos ajuda a compreender e a cumprir, da melhor maneira possível.

A filosofia de Ifá se construiu, durante séculos, como uma ciência africana que, a partir do triste processo de escravidão negra, chegou às Américas e espalhou-se por diversos países como Haiti, Cuba e Brasil. E foi a partir disso, demonstrando lições sabedoria aos seus filhos e seguidores, que se consolidou pelo país, principalmente em São Paulo, servindo como visão de mundo para os Bàbáláwo – chefes e autoridades maiores no culto – e seus adeptos.

Assim como diversas outras religiões de matriz afro-brasileira, como o Candomblé e a Umbanda, tão rica cultura não passaria em vão ao preconceito e à intolerância daqueles que não enxergam, no irmão, um espelho de bondade. Com o crescente aumento de ataques à terreiros e lideranças religiosas de matriz africana no estado de São Paulo, o culto de Ifá vem sendo alvo, frequentemente, de ataques de intolerantes religiosos que demonizam a ancestralidade africana. Entendendo a importância das matrizes africanas para a construção de nossa cultura – do próprio samba! – nossa escola também soltará um grito por respeito às nossas raízes pois, afinal, a cultura negra deve ser respeitada.

Nos despedimos, na certeza de que um belo carnaval se aproxima. Talvez, um dos mais desafiadores, mas que, com certeza, nos levará a um desfile emocionante, poético e culturalmente relevante para toda a sociedade brasileira.

Que nosso destino, em Ifá, se cumpra: a vitória!
Que os Òrìsà abençoem nossa caminhada.
Vamos com Èṣù e Orunmilá”.