Mestre Átila é o novo reforço que a Tradição aposta para voar alto no carnaval 2024. O mestre, que assume a bateria “Explosão de Elite”, chega na azul e branco de Campinho no momento em que a presidente Raphaela Nascimento reforça toda a estrutura e equipe da escola para uma nova Tradição.
Foto: Allan Duffes/CARNAVALESCO
Átila possui vasta experiência no carnaval. Comandou as baterias do Império Serrano, entre 2002 a 2009, e da Unidos de Vila Isabel, em 2010, sendo agraciado com diversas premiações, além de presidir a verde e branco da Serrinha, o Império Serrano, entre 2011 e 2014. O mestre também possui passagem à frente dos ritmistas da Acadêmicos do Sossego, Em Cima da Hora e Lins Imperial.
Com uma bela trajetória, o músico entra para o time do Condor com o objetivo de somar ao espetáculo que a presidente Raphaela Nascimento está preparando para o próximo desfile. Segundo a presidente, é uma honra ter um mestre com tanto talento musical.
“O mestre Átila é sinônimo de qualidade. Estou muito honrada e feliz em tê-lo conosco. Tenho certeza que a bateria Explosão de Elite estará em ótimo comando, pois é enorme o seu talento musical. É uma honra poder montar um time cada vez mais coeso com meus objetivos: uma escola forte e pronta para brilhar e fazer bonito em 2024”, afirmou a presidente.
Para o mestre de bateria, a Tradição é uma grande escola e merece grandes desfiles. “Fico honrado em fazer parte de uma escola com tantas histórias e carnavais inesquecíveis. A Tradição é uma grande escola e merece grandes desfiles, pois foi assim que ela começou: grandiosa. E, com a presidente Raphaela Nascimento, o Condor irá voar alto mais uma vez. Muito interessante a proposta da escola para 2024. Fiquei feliz com o convite e abracei com carinho a Explosão de Elite”, contou Átila.
A Tradição será a sétima escola a desfilar na sexta-feira, dia 16 de fevereiro do próximo ano, pela série prata do carnaval carioca.
Durante a live “Galera no CARNAVALESCO“, Guilherme Campagnuci, Leonardo Antan, Freddy Ferreira e Renata Campagnuci falaram sobre o enredo do Salgueiro para o Carnaval 2024. Escola levará para Marquês de Sapucaí no ano que vem “Hutukara”.
Assumir completamente tudo o que a vida dos trópicos pode dar, sem preconceitos de ordem estética, sem cogitar de cafonice ou mau gosto, apenas vivendo a tropicalidade e o novo universo que ela encerra, ainda desconhecido” – (Breviário do Tropicalismo, Torquato Neto)
Carne de caju
O poeta sempre mira a própria terra ao trançar letras e alçar voos. Nada mais natural que ele e seus parceiros, além de outras inspirações, buscassem uma fruta nativa, farta e com certo capricho corporal para explodir em cores toda a revolução tropicalista. Pudera! A suculência agridoce que seduz os lábios, proclama a ciência, é mero penduricalho acessório. O fruto, no duro, está no alto, qual um cocar, black power ou coroa: a castanha. Mas quem é bobo de não se lambuzar com tudo?
No chão de inversões igualmente marcantes e da arte que passou a transgredir e realçar o profundo da brasilidade, nosso recado carnavalizado tá na mesa: o redemoinho antropofágico da Tropicália cravou os dentes também em carne de caju. Yes, nós temos pra chuchu! A partir dele, simbora abocanhar e sentir o país de tantas porções e sabores? Caldo de mel e travo, como o cotidiano, “a manhã tropical se inicia. Resplendente, cadente, fagueira, num calor girassol com alegria. Na geleia geral brasileira que o Jornal do Brasil anuncia…”.
Há um cajueiro de copa verdinha no lado esquerdo de todos os peitos, dizem. Pinta de rim, mas convite ao pecado. Caju-de-árvore, caju-anão, caju-rasteiro, caju grandão ou tímido, caju amarelo, rosado ou pra lá de vermelho. Protagonista de soneto composto, quiçá, na banheira de Vinicius: “consistência de caralho e carrega um culhão na natureza”. O materialismo elementar pelo avesso. Que mancha, que arde, que abunda! Que chove. Exagerado e a prumo. Tupi acayu a pau.
Cajuí or not cajuí, that is the question! Faremos dele carnaval!
Anacardium occidentale
E vamos de mergulho no passado contado em castanhas por tantos povos originários. Cada caju na cabaça, uma primavera. A tribo do indígena Porã, expulsa do lugar de origem, só encontrou felicidade quando floresceram as castanhas guardadas pelo sábio Tamandaré (seu avô), até então, perdidas. Veio a seguir o tempo de caju, de generosidade, já que a “noz que se produz”, além do beabá da Botânica, semeia fartura, lembrança e afeto. Nas cerimônias que envolvem o Torém, ritual sagrado dos Tremembés, os espíritos dos que cantaram para subir proseiam com os vivos. O entornar desbragado de mocororó, ou vinho de caju, hidrata a raiz das tradições – já que a festa esbarra na época de colheita.
Contam os sabidos que hordas do interior buscavam o litoral enfeitado pelas árvores abarrotadas. As ditas “Guerras do Caju” surgem assim, e antes de Cabral, mas ganharam adstringência quando as treze naus apontaram no horizonte. Aí, cresceu o olho gordo pra ordem de tonelada! O portuga logo melou os bigodões de interesse. O francês, mon amour, pôs na boca, manchou os bolsos e deu firma em célebre ilustração. Já ao dono real da terra… Bem, restou lutar – borduna em punho – contra as mumunhas do afanar institucionalizado, nosso amargor histórico.
E nem falamos do holandês, outro que não marcou bobeira naquele fuzuê: Nassau tratou de legislar, pôs carimbo e remeteu aos seus o presentinho inflacionado. Velas ao vento na contramão, estava arranjada a invasão – o caju-desbravador a fazer epopeia e pose de Tupiniquim Caju Fruit Company – pelo inverso itinerário das grandes navegações. Retorno à vista! The Brazilian Way Of Life natural reverenciado com rapapés e incrementado do lado de lá do oceano por monarcas e súditos.
Caju-rei
Mas, se até o nada asseado D. João topava um banho de gato marotíssimo na antiga Praia do Caju (com a intenção de se curar das picadas por carrapatos), e Pedro II era retratado como Pedro Caju pelas charges dezenovistas… Quis o fruto erguer o seu reinado nas bandas de cá mesmo. Em Pirangi do Norte (quina litorânea superior do país), no ano da libertação dos escravos, um pescador de nome Luiz Inácio plantou o danado que vestiu a faixa de “Maior Cajueiro do Mundo”.
No lugar de subir, a galhada se espichou para os lados, com a aparição de novas raízes ao tocar o solo. Danou a crescer sem freios. O “polvo” potiguar de tentáculos cheirosos fez fama e enumera colheitas a sumir da memória, espécie de refazenda em trajetória interminável. Sobre o pescador homônimo de presidente, seguiu os dias sempre próximo à criação improvável. Certa vez, bastante velhinho, sentou-se prum descanso à sombra de uma das ramificações e nunca mais acordou. Ciclo vital aromatizado pela árvore-sentinela.
Tudo parecia mar calmo, só que pintou contestação. O típico duelo de meninotes de calça curta acerca de quem ostenta o tronco de destaque entre a molecada. Recentemente, o autocoroado “Cajueiro-Rei”, nas franjas do Delta do Parnaíba, tratou de reivindicar o alto da rampa de campeão da fita métrica. No caso deste, há, ainda, trágica lenda indígena a tiracolo: espalham nos arredores que – cercados por mar de cavalos-marinhos, peixes-bois, tartarugas e golfinhos – dois guerreiros lutaram pelo amor da cunhã-poranga Jacira. Culminou em tragédia acompanhada de milagre.
Após a disputa, o perdedor emboscou o seu rival e a amada durante passeio em que colhiam cajus. Duas flechadas, ambos mortos. Foi, então, que a tempestade plena de raios e trovões do dia seguinte produziu cena mágica: no exato lugar do enterro do casal, emergiu a planta de dimensão extraordinária. Alguém duvida?
O quiproquó dos cajueiros inspira torcidas organizadas, teorias rocambolescas que fazem biólogos rebolarem um bocado nas explicações, tal de “mede aqui, mede acolá” longe do apito final do juiz. Mas, enquanto não existe régua com o devido amém de ambos os lados, o jogo é bom para a castanha-commodity e seu pedúnculo popstar: seguem campeões de audiência junto a paladares gringos e nossos. Autênticos reis do mundo. Reis à caju.
Caju-brasuca
Entre pelejas e causos assim da sabedoria dos povos – com delírios por excesso de caju fermentado nas ideias ou verdades incontestes –, o filho legítimo dessa aldeia gigante grudou feito “noda”. Expressão de memória coletiva, nos lábios de mel da literatura, economia musculosa, holofote dos anjos ou demônios que nos conectam ao sentimento e calorzinho de nação. Castanha-mátria, caju-pátria. Confidentes dos profundos quintais interiores.
Nas curvas do destino e dos desatinos de Macunaíma, tão metáfora da rotina brasileira, ah!, lá está o caju a marcar e serpentear os seus passos contraditórios. Acompanhante-anti-herói-espelho-meu. Caju-brasuca também na corda bamba com pincel na mão: a feira modernista de Tarsila em contraste com a “cica” memorial da melancólica aquarela de Debret retratando a escravidão. Haja caju nas tantas camadas sobre tela! Telas, por óbvio, da mais pura vida real extraída do pé. Pede caju que dou, pé de caju que dá.
Dá em tela de caju-caipi-pop, virado pra dentro industrialmente, enquanto as pernocas não bambeiam: a própria enciclopédia dos amigos pós-doutores na disciplina língua enrolada. Consistente, cortadinho em rodelas, do prato e da polpa, sabor agreste e cerrado, que encanta o doce e o salgado. Para quem quebra castanha coletivamente – alegoria da roda cronológica –, gosto de pertencimento compartilhado e laço. Ou mero pedaço, vá lá.
Tela do caju-família. Vitamina, crendice e mistura que nos inflamam. Do refresco, do licor, do suco. “Goiabada para sobremesa…”. O acorde da viola sussurrando saudades. E até compota ajeitadinha, fita e tudo. Remedinho da mamãe. Receita passada como herança no caderninho amarelado que não se empresta nem ao melhor amigo. Sujeito-elo entre a rua e a varanda. Toalha de mesa estendida e água na boca. Pinga. A regar brincadeira popular ou manifestação religiosa: da quermesse à curimba, do sambão ao batidão na esquina de casa.
Tela do caju-moleque. Com travessa de cajuzinhos a perfumar a vivência dos experientes – “quando você ia aos cajus, eu já voltava com as castanhas assadas”. Virou também recado reto ao vacilão que resolve brigar de bobeira: “ei, vai tomar caju!”. E segue o bloco! Que contorna a praça e abraça o cajueiro central, debruçado na fuzarca tipo anfitrião namorador. Rostinhos colados à malemolência do cancioneiro, o fim do baile traz o beijo da morena tropicana, vejam só. Pele macia, saliva doce, sim, vou lhe desfrutar. “Ô, iô, iô, iô…”.
Geleia geral
Natural que a geleia geral de sabores acima tenha, de fato, a alma da Tropicália, e aí pensamos outra vez no poeta: “existirmos a que será que se destina?”. A dúvida existencialista diante da ambivalência do fruto-não-fruta parece extrato nosso chupado de canudinho com aquele barulhinho sacana. Ora, fundamentalmente, existimos a partir da cultura popular e da riqueza exuberante sobre a terra fértil, inda que descuidadas. Eis que o Brasilzão mira a água cristalina do Atlântico e lá está peladão e sem vergonha: é o próprio caju jamais proibido. Travesso no trato, travoso um tanto, “totoso” no total.
Que mistério possui o torrão continental que goza flora pujante como fogos de artifício, e se entorpece da energia do povo na loucura de ser? Salada mista ardente de gritos ambulantes que vendem e consomem fertilidade, é mascate de prazeres até o talo. A alquimia desengonçada do rapaz metido a gato-mestre na barraca de caipirinha: “açúcar, dotô?”. Para esbanjar vida cajuína mergulhada em delirante cortejo made in sol e mar, desfile n’areia, curvas de sereia, sumo e pegada.
Um viva ao paraíso tropical que tudo dá e ao estado de festa indomável na relação entre gentes e chão – o melhor caju do pé de Brasil. Ou seria o melhor Brasil do velho cajueiro?
Alegria gaiteira, convenhamos, já muito experimentada no terreiro fervido dos independentes. Basta “olharmo-nos intacta retina”.
Na cabeça, uma estrela. No corpo suave, o rebolado passista e a pulsação do tambor. Que tal a deliciosa carne de carnaval, o salivar permitido, lamber os beiços longe de qualquer pingo de culpa?
Cá estou, “cajuinamente”, servida de bandeja com a dose de feitiço que me fez banquete desejado desde moça.
Vai, batida mais quente, e vê se leva o aroma do sonhado reencontro comigo mesma: sou dádiva que se alastra igual caju. Sou o fruto mais doce e sexy da capital da folia. Sou quem morde o seu coração…
Carnavalesco: Marcus Ferreira
Enredo: Marcus Ferreira e Fábio Fabato
Sinopse: Fábio Fabato
Presidente de Honra: Rogério Andrade
Presidente: Flávio Santos
Vice-presidente: Luiz Claudio Ribeiro
A população de Maceió caiu no samba com a Beija-Flor de Nilópolis durante o São João Massayó deste ano, uma das principais festas juninas do Nordeste. A agremiação esteve entre as atrações do último sábado, no Polo Carlos Moura, no bairro do Jaraguá.
Foto: Itawi Albuquerque/Secom Maceió.
Prestes a mostrar a capital de Alagoas dentro do enredo de 2024, que vai abordar a história de Rás Gonguila, importante personagem da cultural local, a azul e branca caprichou na apresentação, com direito a passistas, bateria e o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Claudinho e Selminha Sorriso.
A Beija-Flor será a segunda agremiação a desfilar pelo Grupo Especial, na Marquês de Sapucaí, no domingo, dia 11 de fevereiro.
Os dias de descanso do sambista de Duque de Caxias já terminaram. A partir desta terça-feira, a quadra do Acadêmicos do Grande Rio retoma suas atividades visando o Carnaval 2024. A partir das 20h, os ritmistas comandados pelo mestre Fafá voltam a afinar seus instrumentos para dar início a mais um ciclo de preparação para o próximo desfile na Marquês de Sapucaí. É o próprio comandante que explica a antecedência com a qual os treinos acontecem.
Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação
“Para nós, o entrosamento cumpre um papel fundamental para a execução perfeita na Avenida. Quanto antes começarmos esse aquecimento, melhor. Logo teremos as outras etapas do pré-Carnaval, como a escolha do samba-enredo, e é preciso que estejamos preparados desde já para entrarmos no ritmo e desenvolvermos nosso trabalho com base na obra que levaremos para o desfile”, explica o mestre.
Mas não só a orquestra de Fabrício Machado vai entrar em cena na Grande Rio nesta terça. O chão da quadra também começa a ser riscado pelas alunas e alunos que desejam aprender ou aprimorar seu samba no pé. Comandado pelos premiados Marisa Furacão, Luciene Santinha e Avelino Ribeiro, o projeto Samba de Ouro terá periodicidade semanal, começando também nesta terça-feira, às 19h e promete formar novos talentos do Carnaval.
“Nossa bandeira é o samba. Queremos propagar essa arte e transmitir nossa paixão através dessa oficina. E, quem sabe, incorporar novos integrantes à nossa ala para o próximo desfile”, avisa a diretora da ala de passistas Marisa Furacão, que já foi ganhadora do Estandarte de Ouro e tem uma história de mais de duas décadas defendendo as cores da tricolor caxiense. Se esse era o incentivo que faltava, basta comparecer na quadra da Grande Rio na data e hora do projeto e se inscrever. Será cobrada uma taxa de inscrição no valor simbólico de R$ 15, sem pagamento de mensalidade. É possível obter mais informações pela página do Instagram @passistasdagranderiooficial.
O Acadêmicos do Grande Rio será a quarta escola a desfilar no domingo de Carnaval, dia 11 de fevereiro de 2024, e levará para a Sapucaí o enredo “Nosso destino é ser onça”, dos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora.
A Liesa inicia na próxima terça-feira o processo de reserva de camarotes para os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial que acontecem no Sambódromo em 2024. Os interessados devem acessar o site reservas.riocarnaval.com.br e preencher o formulário, que estará disponível exclusivamente entre 9h e 11h.
Foto: Divulgação/Riotur
Após realizar o envio com todos os dados solicitados, será encaminhado ao e-mail cadastrado um número de protocolo contendo a data e a hora registradas. Para definir os contemplados, será levada em consideração a ordem de chegada de cada solicitação, devidamente registrada no sistema, além do histórico financeiro apresentado em anos anteriores e da capacidade de cada setor.
Aqueles que tiverem as reservas confirmadas receberão o contrato por e-mail no dia 18 de julho e precisarão assinar e devolver à Central de Atendimento e Vendas da Liesa até o dia 24 do mesmo mês, junto com a documentação legal exigida. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (21) 3190-2100.
Vale ressaltar que esse primeiro período de reservas será apenas para camarotes. Em breve, serão anunciados detalhes sobre reservas de frisas e vendas de ingressos de arquibancada.
Os desfiles do Grupo Especial acontecerão em 11 e 12 de fevereiro de 2024, com as seis melhores colocadas voltando para o Desfile das Campeãs no dia 17.
Após duas temporadas, o programa “Seleção do Samba”, da Globo, não deve ganhar uma nova edição este ano. A informação foi antecipada pelo diretor de marketing da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), Gabriel David, em entrevista ao site CARNAVALESCO. Procurada, a Comunicação da Globo informou que “o projeto do carnaval Globeleza está em desenvolvimento”.
Foto: Divulgação/TV Globo
“A princípio, não vai acontecer o ‘Seleção do Samba’ este ano. É a primeira vez que falo sobre isso, mas não é algo 100% certo. Acho que não vai acontecer porque a Globo vem tendo problemas comerciais com o produto ‘Globeleza’. A gente está pensando como pode reformular. Lógico que não é algo formado só pelos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, mas entendemos que é preciso ter mudanças. Hoje, o carnaval já tem capacidade de desenvolver certas ideias próprias de outras formas, seja na internet ou em outras emissoras. Na transmissão dos desfiles, é incontestável a importância da Globo e a própria vontade deles de ter. Mas, no ‘Seleção do Samba’, a Globo quer dar uma recuada”, relatou Gabriel David.
O “Seleção do Samba” foi criado durante o auge da pandemia da Covid-19 para marcar o retorno das atividades nas agremiações. A primeira temporada exibiu, entre outubro e novembro de 2021, as finais de disputa de samba-enredo nas doze escolas do Grupo Especial do Rio para o Carnaval de 2022, sob o comando de Luís Roberto e comentários de Teresa Cristina e Milton Cunha. O programa fez tanto sucesso que, na ocasião, mais dois episódios foram feitos para apresentar as obras escolhidas pelas escolas da elite da folia paulistana, com a apresentação de Chico Pinheiro.
No ano seguinte, uma segunda temporada foi realizada com alterações no formato. O programa passou a ser apresentado por Milton Cunha e a ser gravado nas quadras das escolas, documentando o processo de escolha das obras e abordando um pouco da história das agremiações. Ao todo, seis episódios foram produzidos, sendo três dedicados as escolas cariocas e outros três para as de São Paulo.
Porém, o faturamento abaixo do esperado com o Carnaval de 2023 pesa contra a renovação da produção. De cinco cotas disponibilizadas para o mercado, apenas uma foi vendida, para a gigante brasileira Ambev, que escolheu estampar a marca da cerveja Brahma. Diante desse cenário aquém do esperado, Gabriel David relatou que a Liesa, junto da Globo, tenta encontrar soluções para atrair novamente os anunciantes para a folia.
Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO
“A relação da Liga com a Globo é muito boa, temos uma parceria de anos que é fundamental para o Carnaval. Vamos ter uma série de reuniões nos próximos meses, em que será conversado sobre o produto ‘Globeleza’, para entender como podemos evoluir. A ideia é voltar a se concentrar única e exclusivamente no desfile. Já os programas oriundos do Carnaval, nossa intenção é levar para outros lugares, não só a Globo. Até porque, ali a gente vai ter que entrar em uma disputa de horário e de visibilidade ao longo do ano, cujo resultado pode ficar aquém do que precisamos”, pontuou Gabriel David.
Enquanto o “Seleção do Samba” não deve ganhar uma nova edição, outra produção ligada ao Carnaval do Rio de Janeiro está garantida na televisão aberta. Idealizado pelo próprio Gabriel David, o “Samba Coração”, que estreou nas telas da Band em dezembro do ano passado, terá uma nova leva de episódios.
“Temos confirmado a segunda temporada do ‘Samba Coração’ na Band. É um programa apresentando por sambistas, que tem sido super fundamental para gente. Além disso, temos vários programas no YouTube que estão ganhando cada vez mais espaço. E agora, espero eu, que as escolas de fato possam entrar no streaming. Estou aguardando muito esse momento, sei que algumas agremiações tem se movimentado para isso e acho que isso vai dar um resultado muito fundamental no Carnaval”, destacou o diretor de marketing.
No Carnaval de 2023, a Liesa passou a transmitir os ensaios técnicos das escolas na Marquês de Sapucaí, ao vivo, por meio do seu canal no YouTube, o Rio Carnaval. Diante dos bons resultados, surgiram especulações de que a Liga poderia fazer o mesmo nos desfiles oficiais ou então vender os direitos de transmissão. O modelo seria similar ao da Copa do Mundo de 2022, no qual a Globo detinha a exclusividade na TV aberta e paga, enquanto a empresa LiveMode, que na época fechou parceria com o streamer Casemiro, ficou com as plataformas digitais.
“Não existe a vontade da Liga, hoje, de fechar com um streaming com exclusividade. A gente entende a TV aberta como algo extremamente importante para o nosso produto, mas é óbvio que existe de uma forma antenada a necessidade de reacts para o Carnaval, de interações com os youtubers e os stremers. No entanto, para isso, precisaria de uma readaptação no nosso contrato e na nossa relação com a Globo. Esse é um dos tópicos que a gente vem conversando, porque isso não traz visibilidade só para o Carnaval, mas fortalece o produto que está sendo transmitido pela Globo”, afirmou Gabriel David ao site CARNAVALESCO.
O diretor de marketing da Liesa ainda ressaltou que, dentro dos atuais moldes da parceria com a Globo, já estão sendo exploradas outras plataformas, mas que o trabalho ainda precisa evoluir. “A gente já fez um pouco dessa modernização, tentou fazer na verdade, no último Carnaval, com o Multishow. Porém, precisa ser um pouco melhor elaborado. Espaços como o Globoplay, por exemplo, podem ser melhor usados pelas escolas de samba para fazer documentários, minisséries, que contem a história do Carnaval, do processo criativo, de bastidores”, avaliou.
As escolas da Superliga, que administra as séries Prata e Bronze, definiram na noite de segunda-feira, no Baródromo, a ordem dos desfiles para o Carnaval 2024. As agremiações da Bronze vão se apresentar nos dias 12 e 13 de fevereiro (segunda e terça-feira gorda de folia) e as da Série Prata nos dias 16 e 17 de fevereiro (sexta e sábado das campeãs). Em entrevista ao site CARNAVALESCO, o novo presidente da Liga, Pedro Silva, falou sobre a chegada no comando dos grupos.
A equipe da Superliga para o Carnaval 2024. Fotos: Nelson Malfacini/CARNAVALESCO
“É uma satisfação enorme. Ano passado, eu tive o privilégio de trabalhar na Liga-RJ. Foi grande escola e uma experiência de introdução. Esse ano, chego na Superliga com proposta de capacitação, inovação e equidade. Temos agora a junção com as escolas que estavam na Livres. O que deixa a Intendente com o potencial magnífico. Escolas com tradição. Vai ser um trabalho maravilhoso esse ano”.
Para o desfile de 2023, as escolas tiveram uma estrutura muito melhor de pista para o desfile. Pórém, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, após o carnaval deste ano, indicou que seria construído um Sambódromo 2 em outra área. O presidente da Superliga revelou que o “sarrafo da infraestrutura terá que crescer em 2024”.
Pedro Silva, novo presidente da Superliga
“Falar dessa estrutura antes tenho que parabenizar o presidente Clayton Ferreira (agora está em Brasília como secretário da Frente Parlamentar do Carnaval). Agora, nós temos que subir o sarrafo. O local dos desfiles ainda não está definido. Vamos aproximar esse bate-papo com a Prefeitura do Rio. Temos um trabalho de entender quais são os problemas de infraestrutura da Superliga e das escolas. O certo é que o nível tem que ser dali para cima em estrutura”.
O dirigente disse que sobre o acesso e rebaixamento do grupos de acesso vão ser decisões tomadas futuramente em reuniões plenárias com todos os presidentes das escolas de samba dos grupos envolvidos na Superliga.
“É um assunto que é delicidado. Quando falamos em diminuir tem a questão cultural. Se diminuir terá que criar outro grupo. O trabalho tem que ser feito com muito cuidado. Ouvindo prefeitura, escolas e opinião pública. Ainda não discutimos o regulamento. Inicialmente, vamos manter como foi em 2023 e a partir do segundo semestre vamos ver como ficará a questão do ano que vem”.
Valeska Reis e Robson Mendanha foram os apresentadores do sorteio
A apresentação do sorteio da ordem dos desfiles das séries Prata a Bronze foi de Valeska Reis e Robson Mendanha. Confira abaixo como foi cada dia e grupo.
Série Prata
Sexta-feira (16 de fevereiro)
1 – Tubarão de Mesquita
2 – Independentes de Olaria
3 – Abolição
4 – Vila Santa Tereza
5 – Renascer de Jacarepaguá
6 – União Cruzmaltina
7 – Tradição
8 – Lins Imperial
9 – Engenho da Rainha
10 – Acadêmicos do Cubango
11 – Alegria da Zona Sul
12 – Flor da Mina
13 – Leão de Nova Iguaçu
14 – Concentra Imperial
15 – Jacarezinho
16 – Dendê
Sábado (17 de fevereiro)
1 – Feitiço Carioca
2 – Praça da Bandeira
3 – Santa Marta
4 – Botafogo Samba Clube
5 – Santa Cruz
6 – Lucas
7 – Arrastão de Cascadura
8 – Vizinha Faladeira
9 – Império da Uva
10 – Barra da Tijuca
11 – União de Jacarepaguá
12 – Acadêmicos de Jacarepaguá
13 – Caprichosos
14 – Flamanguaça
15 – Rocinha
16 – Arame de Ricardo
Série Bronze
Segunda-feira (12 de fevereiro)
1 – Raça Rubro-Negra
2 – Villa Rica
3 – Brás de Pina
4 – Bangay
5 – Império Ricardense
6 – Império de Nova Iguaçu
7 – Difícil é o Nome
8 – Alegria do Vilar
9 – Rosa de Ouro
10 – Cosmos
11 – Cidade de Deus
12 – Gato de Bonsucesso
13 – Unidos do Cabuçu
Terça-feira (13 de fevereiro)
1 – União do Parque Curicica
2 – Diversidade
3 – Jardim Bangu
4 – Siri de Ramos
5 – Imperadores Rubro-Negros
6 – Chatuba de Mesquita
7 – São Cristovão
8 – TPM
9º – Vicente de Carvalho
10 – Peixe
11 – Boi da Ilha
12 – Guerreiros Tricolores
Algumas datas são marcantes demais – e, por conta disso, merecem exaltação especial. A comemoração dos 50 anos de uma instituição é uma dessas festividades – tanto que a quinta década é conhecida como o ano do “Jubileu de Ouro”. No mundo do samba, não é diferente. Para celebrar o meio século de história, a Barroca Zona Sul apresentou, no domingo, o enredo do carnaval 2024 para a comunidade e sambistas em geral – e o CARNAVALESCO estava presente no evento, realizado na Arena Neguinha, no Jabaquara.
Fotos: Fábio Martins/CARNAVALESCO
O próprio nome do enredo remete à história da verde e rosa. Intitulado “Nós nascemos e crescemos no meio de gente bamba, por isso que nós somos a Faculdade do Samba. 50 anos de Barroca Zona Sul”, a frase é uma espécie de grito de guerra dos componentes. A trajetória da escola do Jabaquara será contada no Anhembi na primeira noite do desfile do Grupo Especial de São Paulo, com a agremiação sendo a segunda a pisar na passarela.
Enredo idealizado há tempos
Internamente, era sabido que o Jubileu de Ouro da Barroca Zona Sul seria o tema da escola no carnaval 2024 há anos. Foi o que revelou Ewerton Rodrigo Ramos Sampaio, o Cebolinha, presidente da agremiação.
Ewerton Rodrigo Ramos Sampaio, o Cebolinha, presidente da agremiação
“O processo de criação, na realidade, desde quando eu assumi a escola, era o meu sonho estarmos no Grupo Especial e falar desse enredo. Calhou de tudo dar certo no nosso trabalho, era o enredo que falaríamos e sabíamos disso desde 2020. Deu certo, a comunidade, guerreira e sofrida, abraçou e vai mostrar toda a vontade que tem no próximo carnaval”, destacou o mandatário barroquense desde 2014.
Recém-chegado na agremiação, Pedro Alexandre, o Magoo, novo carnavalesco da escola, confirmou. “O enredo foi ideia do presidente Cebolinha. Quando ele chegou para mim com essa proposta, eu falei que isso é um tema, não é um enredo. Então, tem que montar uma história em cima desse tema. Daí, pedi para me reunir com o pessoal mais antigo da escola. E, nesta reunião com o pessoal, começaram a falar sobre a instituição e notei que eles falavam com muito carinho sobre o Pé Rachado. Nisso me deu o estalo: por que eu não conto a história da Barroca através da visão do fundador da escola? É aí que surgiu o enredo. A ideia é contar essa história, mas na visão do Pé Rachado, fundador da Barroca Zona Sul”, detalhou o profissional.
Integrante da comissão de carnaval da Barroca Zona Sul, Angélica Barbosa da Silva também colaborou com a confecção do enredo. “Fizemos uma pesquisa bem minuciosa, fizemos várias reuniões com a comunidade e com pessoas que fazem parte da escola, mas não estão mais atuantes. Nessas conversas, conseguimos pegar um mix de informações muito positivo. Não quero dar tanto spoiler, já que está meio cedo! Como no vídeo de apresentação, pegamos uma perspectiva vinda desde o Pé Rachado, desde a fundação. Tivemos a ajuda do Ednei Mariano, que é uma pessoa que estava presente no momento da fundação da escola. Escolhemos alguns carnavais que são marcantes e vamos tentar fazer essa linha do tempo na avenida. Vai ser, mais ou menos, por esse viés”, explicou.
Ótica do baluarte
Dos grandes baluartes da história do carnaval paulistano, o enredo da Barroca Zona Sul será contado por Sebastião Eduardo do Amaral, popularmente conhecido como Pé Rachado. Ex-presidente do Vai-Vai e ex-integrante de outras escolas do quilate de Camisa Verde e Branco e Estação Primeira de Mangueira, ele fundou, em 1974, acompanhado por outros tantos bambas, a Barroca Zona Sul. Apoiado por Cartola, dos grandes sambistas da história do Brasil, será a visão do fundador barroquense quem conduzirá o desfile. Magoo deixa claro que o sentimento será o principal ponto do enredo.
Pedro Alexandre, o Magoo, novo carnavalesco da escola
“Pela apresentação do enredo, você pode perceber que vai ser pela emoção. Vamos desenvolver o enredo, tentando pegar a emoção do barroquense, a pessoa, o componente, que ama a Barroca, que se sinta identificado com o que eles vão ver na avenida. Em fantasias, alegorias… pretendemos desenvolver o enredo baseado na emoção”, afirmou.
Relembrando os momentos em que a verde e rosa chegou a disputar a quarta divisão na pirâmide do carnaval paulistano, Magoo detalhou o enredo.
“Nós dividimos em alguns setores o desenvolvimento do enredo. Ele começa com o evento da fundação da escola, que contou com a participação do Mestre Cartola, da Mangueira, que foi o grande incentivador do Pé Rachado, para fundar uma escola de samba aqui em São Paulo. Depois, começamos a mostrar os primeiros carnavais da Barroca, a trajetória da agremiação na Avenida Tiradentes, cheia de romantismo. Depois, começamos a mostrar os primeiros carnavais no Sambódromo. E, depois que mostrar isso, não é que vai ser uma coisa triste, mas temos que mostrar alguns momentos em que os resultados não foram os esperados. A escola deu uma caída, mas isso aí é um pano de fundo para mostrar uma parte importantíssima em nosso enredo que é o renascimento da Barroca. Uma escola que chegou até UESP, no Grupo de Acesso II, e em pouco já estava no Grupo Especial, que se consolidou com três desfiles consecutivos na elite. Graças à força da comunidade, a escola ressurgiu e conseguiu se consolidar no Grupo Especial do Carnaval de São Paulo”, comentou.
Comissão de carnaval da Barroca Zona Sul
O carnavalesco aproveitou para reafirmar e relembrar o grande nome da história barroquense. “E tudo isso, deixando bem claro, vai ser contado pela visão do Pé Rachado, como ele enxergou esses momentos. A Barroca na Tiradentes, os primeiros desfiles no Sambódromo, a emoção dele ao ver a escola depois de um período ruim, renascendo, e voltando a desfilar entre as grandes escolas. O recado que ele vai deixar para as pessoas que estão na dianteira da escola nos próximos anos na Barroca. É por aí que estamos desenvolvendo o enredo”, rememorou.
Demonstração de força
Para Cebolinha, contar os 50 anos da escola não deixa de ser uma prova da pujança barroquense no carnaval da cidade de São Paulo. “Referente à parte do carnaval, acho que, no carnaval dos 50 anos, temos que trazer as glórias e as derrotas da nossa escola. Queremos mostrar um pouquinho disso, já que não dá pra mostrar 50 anos detalhadamente em um desfile. Vamos resumir a história da escola, que é grandiosa, com sambistas fora do normal. Quando falamos de Pé Rachado e de Cartola, temos uma essência muito grande. Queremos mostrar a essência desse carnaval, e vamos mostrar só um pouquinho desses 50 anos: do que o Barroca é, a potência que o Barroca é, a força que o Barroca é, a história que o Barroca tem. O Barroca tem os dois maiores sambistas do Brasil e do mundo, como Pé Rachado e Cartola, na essência. O Cartola deu a ideia, e não preciso falar mais nada a esse respeito, e Pé Rachado deu continuidade. Vamos mostrar um pouquinho desses grandes sambistas que estamos dando continuidade”, comentou.
Nova era na estética
A chegada de um novo carnavalesco traz curiosidade para saber como será desenvolvido não apenas o enredo, mas também a parte visual do desfile de uma escola. E, de acordo com alguns dos responsáveis pela área, a Barroca terá uma estética completamente diferente do que vinha apresentando a partir de 2024. Magoo comenta quais serão as principais mudanças.
“Esteticamente, o que posso adiantar é que vamos explorar bem as cores da escola. Depois de muito tempo, a Barroca vai explorar as suas cores. O verde e rosa estarão presentes em vários setores, fantasias e alegorias para ser uma coisa que combine bem com o tema. Nós vamos fazer esse resgate que a Barroca, há alguns carnavais, meio que deixou de lado. Essa parte estética terá uma grande mudança em relação aos últimos carnavais”, vociferou.
Angélica trouxe outro detalhe importante, focando no tamanho de alegorias e fantasias. “Estamos, na verdade, mudando muita coisa na parte estética. A equipe foi trocada, o carnavalesco tem umas ideias bem diferentes. O formato dos carros alegóricos está sendo repensado, ele está pensando muito além do que estamos acostumados a fazer. Isso, para a gente, já é bem positivo. Todo mundo fala que a Barroca vem com uns carros alegóricos menores, essas reclamações sempre existiram. Mas posso garantir a vocês que, no carnaval 2024, o formato dos carros já vai ser bem diferente. Vai ser bem gigantesco, colorido e tudo de bom”, revelou.
Novato no Jubileu de Ouro
Como será chegar a uma escola de samba que está completando 50 anos e já ter a responsabilidade de criar o desfile para exaltar meio século de vida? Magoo destacou que, por ora, tudo está indo às mil maravilhas. “A recepção foi a melhor possível, me receberam de braços abertos, foram super receptivos como. Na hora em que estava fazendo o trabalho de pesquisa para a construção do enredo, todo mundo colaborou e deu sua contribuição. Foi muito legal! A direção também deu todas as condições para desenvolver a temática, estamos fazendo um trabalho legal, já com reprodução de fantasias e alegorias. Estamos em uma fase até que adiantada nos carros alegóricos, aliás. O presidente Cebolinha está dando todo o respaldo, está acreditando no projeto. Uma coisa que eu sentia é que eles estão acreditando que a Barroca pode chegar além do que chegou nos últimos carnavais. O trabalho é árduo, diário, dia e noite. Estamos no caminho certo e a comunidade está percebendo isso, eles estão abraçando o projeto, isso que é legal. É um enredo da Barroca feito para o pessoal da Barroca”, comentou.
Além de pontuar que a visão de Magoo está correta a respeito do tratamento dedicado a ele, Angélica aproveitou para elogiá-lo. “Estou muito feliz, o carnavalesco é sensacional e bem aberto a escutar, com uma perspectiva diferente, um olhar diferente. Ele consegue realizar tudo o que imaginamos”, revelou.
Temática muito bem aceita
Na visão de diversos componentes, a temática foi um grande acerto dos responsáveis pela agremiação. Mestre da “Tudo Nosso”, bateria da escola, Fernando Negão relembrou a própria história junto à Barroca. “É uma satisfação total e plena. Estou na escola desde 2002, tenho muito amor e carinho por essa escola, ainda mais falando dos 50 anos. Espero que dê certo, rumo ao título e, se Deus quiser, vamos que vamos”, frisou.
Mestre da “Tudo Nosso”, bateria da escola, Fernando Negão
Quem também comemorou a escolha foi Pixulé, intérprete da escola do Jabaquara. “Falar do enredo só com o mestre Magoo (risos), mas é uma emoção muito grande, para mim, além de ser o cantor oficial da escola, tenho feito parte desses 50 anos. Então é uma emoção grande de fazer parte de um momento histórico da escola. É maravilhoso”, comentou.
Mestre-sala pelo segundo ano consecutivo da agremiação, Marcos Eduardo Costa, o Marquinhos, revelou grande entusiasmo por fazer parte de momento tão especial. “É uma responsabilidade muito grande, mas, ao mesmo tempo, uma alegria muito grande por estar na escola no ano do Jubileu de Ouro. Saber que estaremos representando toda a escola da comunidade e ouvi-los contar a história da escola é mágico. Entender o motivo de tudo, história como o porquê do verde e rosa… saber de tudo isso te torna ainda mais parte do processo. Adorei o enredo, adorei as propostas, já ouvimos algumas coisas sobre o nosso setor… adorei”, ratificou.
Torcedora declarada da escola, Lenita Magrini retornará à Barroca Zona Sul para o desfile de 2024
De maneira mais profunda, Angélica também falou sobre o sentimento em relação ao tema. “É sensacional porque a gente consegue fazer esse filtro de várias histórias e sambistas importantes da nossa escola e contar a nossa história de uma perspectiva que conseguimos colher junto da própria comunidade. É surreal! Conversando com o pessoal da velha guarda e com diversos componentes, descobrimos histórias que a gente não conhecia. Começamos a ligar os pontos da nossa própria história e isso é muito legal, mas muito difícil, porque temos medo de pecar em algum ponto. Agradar a todos não vamos conseguir e sempre vai ficar a sensação de que poderíamos falar mais de algum ponto. Fizemos um apanhado dos melhores momentos da escola, dos melhores carnavais… e também vamos falar um pouco de tristeza, porque não é só com alegrias que uma escola se consolida: é com um mix de sentimentos. Infelizmente, o sentimento triste também está incluído porque faz parte da história”, rememorou.
Retorno no momento certo
Torcedora declarada da escola, Lenita Magrini retornará à Barroca Zona Sul para o desfile de 2024 e começará a terceira passagem da porta-bandeira pela agremiação. Após se desligar da verde e rosa em 2021 por motivos profissionais (que a fizeram mudar para a Coreia do Sul), ela comemorou o retorno em ocasião tão especial citando Geraldo Sampaio Neto, o Borjão, dos grandes baluartes da instituição e, por quatro períodos, presidente barroquense. “Aprendi com o Borjão no meu primeiro ano e eu costumo falar que o pavilhão é algo além de uma bandeira. Ele carrega as dores, as alegrias, a tristeza, a felicidade, o choro e as conquistas. Carregar tudo isso nos 50 anos de Barroca sendo que eu fui criada nesse chão, foi o chão que me deu oportunidade, além de tudo que o Marquinhos me falou, é um momento incrível para o Barroca, para mim, para o Marquinhos e para a nossa parceria que vai durar muito tempo”, vaticinou.
Casal da Barroca para 2024
Samba-enredo e próximos passos
Em conversas com responsáveis pela área musical da Barroca Zona Sul, o CARNAVALESCO obteve uma informação em primeira mão: a data do lançamento da canção que embalará o desfile do Jubileu de Ouro da agremiação. A revelação veio do próprio Cebolinha: “Nosso processo de samba-enredo continua o mesmo, não mudou. Ainda temos trabalho, não finalizamos, vamos finalizar em breve o samba. Futuramente, no dia 06 de agosto, o samba será apresentado. Também vamos apresentar a nova rainha”, detalhou.
Mais à frente da composição, Fernando Negão deixou no ar que a mente do mestre de bateria já está a todo vapor. “Apesar de ainda não termos um samba-enredo, temos algumas ideias. Além de ser o mestre de bateria, eu também participo da composição do samba. Então, eu tento já ter alguma ideia do que vai rolar, do que vai acontecer. Mas, sem samba, ainda tem pouco a se fazer”, pontuou.
Intérprete Pixulé
Mais empolgado com o atual status da obra, Pixulé foi além ao citar períodos do ano interligados à revelação da composição. “Te garanto que o samba já está pronto. Sou um dos compositores do samba, está pronto, devemos estar gravando em meados do mês de julho. Aguarde que vem um sambaço em homenagem aos 50 anos da escola. Não sei se vai fazer junto com a festa de aniversário ou um evento paralelo – mas, pelo que conheço do meu presidente, ele vai fazer uma festa separada só para mostrar o samba de 2024”, finalizou.
O dia 06 de agosto, citado por Cebolinha, vem bem a calhar: a Barroca Zona Sul completará 49 anos no dia 07 de agosto.