Início Site Página 858

Artistas participam de debate que trata o Carnaval de 2018 como foco de mudança na narrativa dos enredos

0

O Instituto de Artes da Uerj, em parceria com a Revista Caju, deu início esta semana ao seminário “Escritas do Carnaval” que neste primeiro encontro já contou com um time de peso da folia. Participaram da mesa os carnavalescos Leandro Vieira, da Imperatriz Leopoldinense, Leonardo Bora da Grande Rio, e Jack Vasconcelos, do Paraíso do Tuiuti. Também convidado, Gabriel Haddad, da Grande Rio, não pôde participar por conta de compromissos em São Paulo. O seminário faz parte de um processo de formação de estudantes do Instituto de Artes da UERJ que vai desaguar na cobertura crítica e ensaística do Carnaval 2024 na Revista Caju.

debate uerj
Fotos: Lucas Santos/CARNAVALESCO

A ideia para este primeiro evento foi discutir o ano de 2018, importantíssimo na história recente do país e também na dos enredos para desfiles de escolas de samba. Uma das organizadoras do evento, Daniela Name, ligada ao Instituto de Artes da Uerj, explica o motivo da escolha destes profissionais do carnaval para este primeiro encontro.

“Essa mesa de três carnavalescos, que tem uma formação acadêmica, é apenas uma faceta do carnaval que nós vamos abordar aqui. Se torna representativa pelo corte que nós demos, que é 2018. É um corte específico, que é o carnaval de 2018 , em que nós consideramos que há uma guinada narrativa, uma transformação paulatina, ao longo de três anos, principalmente no quesito enredo, ele vai de 2018 a 2020, e acreditamos que não existiriam outras equipes, estou aqui para argumentar, que pudessem representar melhor no meu entender essa guinda, além dessas três representadas por estes artistas e seus colaboradores. E 2018 é um ano em que a história da arte se encontra com a história do Brasil de forma muito aguda. Temos o assassinato da Mariele, um disco importante da Elza Soares, proibição da exposição Queermuseu pelo então prefeito Marcelo Crivella e um extensa campanha de fakenews por parlamentares”, entende Daniela.

debate uerj2

Aos alunos do curso de História da Arte da Uerj, os carnavalescos relembraram um pouco de como foi a produção artística e de pesquisa daqueles desfiles, se atentando também ao contexto histórico e político que vivia o Rio de Janeiro e o Brasil, como um todo naquele período. Vice-campeão pelo Paraíso do Tuiuti, em um desfile histórico e para muitos, campeão daquele ano, Jack Vasconcelos foi o primeiro a dividir suas lembranças.

“Aquele enredo partiu de um ponto muito simples que foi o pedido do presidente (Renato Thor) de falar alguma coisa sobre o aniversário da Lei Áurea. Nem muito profundo. Ele me perguntou se dava alguma coisa. A gente estava saindo de um enredo que abordava a Tropicália e já tinha um gancho para a sátira. Quando comecei a pesquisar esse assunto da Lei Áurea, me veio muitos outros assuntos atrelados, vieram muitas outras questões que eu achei importante debater. Inicialmente o enredo nasceu para abordar as questões trabalhistas. Isso foi puxando vários outros assuntos como construção de preconceito, construção de uma série de relações, tensões políticas vieram à tona, questões econômicas, virou uma coisa enorme. E no enredo você sente que há uma crescente de assunto no enredo. No final, a gente traz para as pessoas um retrato daquilo que estava rolando naquele momento no Brasil”, analisa o artista.

Jack relembra que inicialmente teve dificuldade ao fazer o recorte do enredo, mas que com o passar do tempo o tema começou a cada vez mais entrar nas questões do próprio dia a dia de trabalho até mesmo do carnaval.

“Era muito difícil a gente fazer de uma forma recortada, por isso também acho que a gente teve que ir tão longe na história. Era uma relação diretamente ligada ao poder. O enredo tinha que deixar claro que isso não era apenas história do passado, ainda está rolando. E a gente de uma certa maneira também era usado nesta máquina para alimentar este monstro. Eu lembro que a porta-bandeira, por exemplo, era uma roupa que representava uma costureira escravizada com um monte de roupa na saia e o mestre-sala era como se fosse um figurão de uma grande marca. Eu acho que muito do sucesso do desfile foi porque a gente acabou alcançando o que a gente queria, se comunicar com o grande público. Contar histórias é o que eu mais gosto do enredo. Se eu não tiver uma história boa para contar eu me sinto mal. Eu gosto de me comunicar”, revela Jack.

jack debate

Um dos maiores sucessos daquele desfile do Paraíso do Tuiuti e que chamou mais a atenção do público foi o carro que trazia uma caricatura do presidente na época Michel Temer, através de um destaque vestido de vampiro, apresentando a relação de poder e trabalho e como os políticos. A fantasia “manifestoche” também trazia uma crítica a como o povo muitas vezes era usado pelos políticos.

“O ‘manifestoche’ foi aquela coisa que quando eu desenhei eu pensei que aquilo poderia dar “galho”. Mas vou botar e ver se alguém vai falar alguma coisa. Na escola ninguém falou nada e a gente foi botando. Eu lembro que a gente fez o protótipo e muita gente não entendia direito do que se tratava, quem entendia tinha aquele olhar sacana de ‘você tem certeza que vão fazer isso?’. A gente teve uma visita de um ministro, porque vazou em uma coluna que a gente ia ter uma caricatura ridicularizando o Michel Temer, e não era verdade, não era uma escultura. E nessa visita, o diretor da época, o Thiago Monteiro, mostrou que não havia escultura, era um destaque só que ninguém falou nada. Eles estavam procurando uma escultura. Dissemos: escultura não tem, e ponto (risos). A figura satírica do então presidente era uma coisa alegórica de carnaval, era uma piada, e a gente sabe que hoje em dia a questão da piada está muito estranha. A gente fez uma sátira de carnaval pela questão dos políticos que há uma confusão muito grande entre gerir o nosso dinheiro e eles serem dono dele”, explica Jack.

Mangueira 2018 trouxe forte crítica política e preparou o caminho para 2019

O segundo a falar aos alunos do Instituto de Artes da Uerj foi Leandro Vieira que apresentou suas memórias sobre o carnaval de 2018, na época pela Mangueira, e inicialmente procurou desfazer a premissa de que o carnaval daquele ano seria apenas uma crítica ao corte de verbas das escolas de samba operado pelo na época prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella.

“Muita gente reduz o carnaval de 2018 como o desfile em que a Mangueira e o Leandro fizeram uma provocação ao Crivella porque ele cortou a verba do desfile das escolas de samba. Quando que na verdade o contexto tem um pouco disso, mas tem outros gatilhos. O Crivella já dava sinais anteriormente que compreenderia mal a questão do carnaval. Em 2017 ele já não vai na entrega da chave da cidade, interrompendo uma tradição histórica. Alguns meses depois anunciou um corte e uma campanha, uma chantagem, tipo ‘prefere dar dinheiro para o carnaval do que para cheche?’. Politicamente já era o avanço de um discurso que nos anos seguintes já seria aprofundado, esse pensamento muito raso, de espalhar a incompreensão. Mas, o estopim para eu pensar esse carnaval foi o fato da Liesa na época ter se posicionado no sentido de que se não vai ter o dinheiro, também não vai ter o carnaval. Tem essa atitude de barganha. Por isso o enredo é batizado com um trecho de uma marchinha famosa ‘Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco’. Era uma resposta ao prefeito, mas também à liga que organiza o desfile. Como eu tenho uma ligação forte com o carnaval de rua, sempre compreendi mal essa postura de quem pensa às vezes que a escola de samba fala em nome do carnaval da cidade. Parece que a Liga fala em nome de todo mundo”, explica Leandro Vieira.

leandro debate

O atual carnavalesco da Imperatriz Leopoldinense, campeão do carnaval de 2023, explicou que sua fascinação pelo carnaval de rua pode ser colocada em sua obra e que aquele desfile estava em grande sinergia com os anseios da cidade e o discurso bastante afinado com as outras manifestações da folia carioca.

“Uma coisa que é muito recorrente do meu universo de trabalho é essa questão do carnaval de rua, é frequente. Eu tenho uma ligação inicial muito mais forte com o carnaval de rua do que com o carnaval das escolas de samba. Eu pensei então em organizar um desfile em que a valorização da tradição carnavalesca da cidade, o modo de brincar não seja inicialmente impactado pelo corte de verbas. E pra mim a concepção deste carnaval foi muito feliz porque naturalmente mergulhei no universo que mais gosto. Foi esse diálogo com os blocos da cidade. E achei também legal que a organização do meu discurso foi muito afinada com o discurso dos blocos de rua da cidade. A crítica ao Crivella não foi uma coisa exclusiva do meu discurso com a Mangueira. A máscara do Crivella foi a mais vendida, os blocos fizeram músicas em sátira e deboche ao Crivella. E no meu desfile pensei em não fazer escultura nenhuma, mas na malhação de Judas por saber o quanto aquilo incomodava. Foi algo de muito feliz para aquele ano, principalmente por olhar para o carnaval daquele ano e ver a rua fazendo o mesmo”, acredita o carnavalesco.

Bora e Haddad conseguem colocar em prática enredo guardado por anos

Em um ano que é tratado como guinada histórica de enredos pela organização do Seminário, outro desfile que ganhou bastante destaque não veio do Grupo Especial. Ainda poucos conhecidos de quem vivia apenas o carnaval da Sapucaí, mas bastante já observados dentro do universo da Intendente Magalhães, Leonardo Bora e Gabriel Haddad faziam sua estréia no Sambódromo, produzindo o carnaval da Cubango, com o enredo “O rei que bordou o Mundo”, na antiga Série A, hoje Série Ouro. Leonardo Bora conta que o enredo que trouxe o artista Arthur Bispo do Rosário para a Sapucaí, já era pensado desde anos atrás.

“Esse enredo começa a ser pensado em 2012. Essa ideia surgiu durante a Bienal de São Paulo, pois o Bispo do Rosário era um dos homenageados daquela edição. Nós visitamos a exposição mais especificamente pelo Bispo, pois já estava em nosso sistema artístico e carnavalesco. Em 2017 recebemos a proposta da Cubango, que estava em um momento muito delicado, vivenciando uma crise política interna bastante significativa e afundada em dívidas. O cenário financeiro da escola era absolutamente precário. Havia uma promessa de patrocínio que acabou não saindo e foi pedido um novo enredo. E pensamos, não tem outro, é hora do Bispo do Rosário. Na época a gente ouviu uma coisa que já me aborreceu muito e hoje eu acho graça, de que aquele enredo era muito difícil, muito conceitual, façam uma coisa mais simples. E isso para gente nunca fez sentido, a obra do Bispo é perfeitamente ‘decodificada’ por qualquer pessoa. Ela tem algo que não se explica, e essa coisa que não se explica é o que nos fascina como artistas. Aí que entra essa coisa espectral, fantasmagórica. É uma obra lacunar, os dados biográficos do Bispo são escassos”, analisa o atual carnavalesco da Grande Rio.

bora debate

Leonardo revela que as dificuldades financeiras acabaram sendo também um combustível para que a dupla vivesse um carnaval de reinvenção que os aproximou da própria história artística do Bispo do Rosário.

“Esse enredo rendeu parcerias com alguns museus e foi um processo muito festivo. E quando foi anunciado o enredo a comunidade do Cubango se sentiu muito tocada e representada pela história do Bispo do Rosário, e isso se refletiu no Barracão. Mas a gente encontrou um cenário muito difícil financeiramente e tivemos que trabalhar a partir da desconstrução que também era muita a ótica do trabalho do Bispo. Por isso fazia muito sentido também esse enredo, pois a obra falava de reconstrução, transformação, da possibilidade de você subverter toda uma lógica de repressão, normatização e desconstruir. Tivemos muitas poucas esculturas feitas do zero, indo nesse sentido da recriação, de vasculhar os estoques das lojas de tecido e aproveitar os tecidos que eram vendidos até sem nome, eram chamados tecidos rústicos e englobavam uma grande diversidade de materiais. Alguns já vinham deteriorados, já tingidos pelo tempo e foram ressignificados”, explica o artista.

Também nessa guinada de enredos proposta pela organização do Seminário “Escritas de Carnaval”, o desfile da Cubango de 2018 também teve uma parte bastante política ao se condenar a tentativa de retorno de parlamentares aos “tratamentos” desenvolvidos por manicômios, local em que o próprio artista chegou a passar uma parte de sua vida após um surto psicótico.

“O último carro trazia a frase “Manicômio nunca mais” pois era um símbolo de regimes fascistas e havia esse debate sobre a volta dos manicômios, por isso trouxemos essa mensagem no final”, sintetiza Leonardo Bora.

O desfile da Cubango gerou três exposições sobre o Bispo do Rosário em museus diferentes. No final do encontro, com o auditório do Instituto de Artes da Uerj lotado, o evento foi encerrado abrindo para perguntas em que os alunos puderam ter um contato maior com a construção e a pesquisa de enredos por parte dos carnavalescos. A ideia é que outros encontros com profissionais do carnaval, não necessariamente carnavalescos, aconteçam e exista esse debate entre a universidade e o universo do carnaval das escolas de samba.

Artigo: Após ficar fora das campeãs, Salgueiro ganha confiança e clima favorável com enredo para o Carnaval 2024

0

A última vez que o Salgueiro tinha ficado fora das campeãs foi em 2007. O famoso “Candaces”. Um desfile impactante e muito mal julgado. Agora, em 2023, a Academia do Samba terminou na sétima colocação. Colocação ruim para uma escola de samba que investe, tem receita e possui quesitos muito fortes, como Comissão de frente, Bateria, Mestre-sala e Porta-bandeira e Harmonia. O que faltou? Como foi muito falado no pré-carnaval, infelizmente, o calcanhar de aquiles salgueirense foram os quesitos Enredo e Samba-Enredo.

salgueiro desfile 2023 40
Fotos: Allan Duffes e Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

Em Enredo, o Salgueiro perdeu 1,2 pontos, com as notas 9.7, 9.6, 9.8 e 9.7, já em Samba-Enredo teve 0,6 décimos, recebendo 9.8, 9.8, 9.9 e 9.9. O dever de casa, que é sair de casa com os dois quesitos fortes, não foi atingido pelos salgueirenses. Se tivesse na manga as pontuações máximas ou perto disso era certeza que brigaria no topo do carnaval.

Sendo assim, a escola mudou o foco para 2024. Trouxe o enredista Igor Ricardo, salgueirense, e que já desenvolveu bem o papel na Unidos da Tijuca, Viradouro, e lançou o enredo “Hutukara”, que caiu nas graças do torcedor, e, mais uma vez, será desenvolvido pelo carnavalesco Edson Pereira.

salgueiro desfile 2023 16

É importante falar que Edson Pereira, na parte plástica, entrou bem demais no Salgueiro. Com o enredo de 2024, a projeção é de um grande espetáculo plástico salgueirense e com o discurso que pede o atual modelo de julgamento dos desfiles das escolas de samba. Tradicionalmente, a vermelho e branco possui como característica a apresentação de enredos com relevância social e cultural.

No contexto de quesitos fortes, a Harmonia do Salgueiro fez bonito em 2023. Desde os ensaios de rua e o técnico da Sapucaí, estava bem claro que a comunidade tinha abraçado o contestado samba-enredo, e, principalmente, o intérprete Emerson Dias, o carro de som e o diretor Alemão do Cavaco cumprido com maestria o trabalho. A atuação de Emerson Dias foi magistral neste ano. Digna de prêmios. Além de conduzir a obra, o cantor usou seu dom de conquistar o público.

salgueiro desfile 2023 01
Foto: Allan Dufffes e Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

O clima favorável tomou conta dos salgueirenses para 2024. A expectativa para safra de sambas-enredo é muito grande. Atingindo o objetivo do samba, a certeza é de um pré-carnaval empolgante para o Salgueiro. Faz tempo que o clima de “vem a décima taça” não ronda a Academia do Samba. Confesso que sinto falta, como sambista, e como responsável por um veículo especializado em escola de samba.

A organização do diretor de carnaval Wilsinho Alves também é essencial para o sucesso da produção do desfile de 2024. Além dele, o Salgueiro trouxe Luan Teles para direção de barracão e Jackson Carvalho para direção de harmonia.

dupla salgueiro
Foto: Divulgação/Salgueiro

E a ordem do desfile? Isso já saberemos na terça-feira, dia 20 de junho, na Cidade do Samba. Já pensaram no Salgueiro desfilando segunda-feira? Fechando o carnaval? Aí, quem sabe não será a hora da décima conquista chegar. O dever de casa está sendo feito e deixando o otimismo no ar. É aguardar todo o pré-carnaval e o desfile acontecer para ver qual Salgueiro vamos ver em 2024 na Sapucaí.

Liga-SP mantém desfiles do Acesso 2 uma semana antes da data oficial do Carnaval 2024

0

Chega de especulações, 3 de fevereiro de 2024 é a noite de desfiles do grupo de Acesso 2 de São Paulo. Mesmo com o carnaval acontecendo mais cedo neste próximo ano, a Liga-SP optou por manter o modelo que foi sucesso de público nos últimos dois carnavais, um sábado antes, valorizando o espetáculo das 11 escolas que compõem o grupo atualmente.

anhembi
Foto: Jose Cordeiro/ SPTuris.

Originalmente, as agremiações do Acesso 2 desfilavam na segunda-feira, véspera do feriado de Carnaval. O grupo teve a noite de desfile antecipada para um sábado antes dos demais em 2022, com o Carnaval da Vida, em abril, por um conflito de datas no sambódromo do Anhembi. Os desfiles do grupo de Acesso 2 foram mantidos no sábado antes do fim de semana de Carnaval em 2023, após o sucesso do ano anterior.

Carnaval SP 2024

Quando cai o Carnaval em 2024? Se você acompanhou os Desfiles das Escolas de Samba de São Paulo nos últimos anos e se fez esta pergunta, talvez tenha se preocupado com a data dos desfiles do grupo de Acesso 2, que têm acontecido um sábado antes do Carnaval na capital, com entrada gratuita, um sucesso de público.

Em 2024, portanto, o Carnaval de São Paulo começa no dia 3 de fevereiro, sábado, com as 11 escolas do grupo de Acesso 2. Nos dias 9 e 10 de fevereiro, sexta-feira e sábado, é a vez das 14 agremiações do Especial. Em seguida, no dia 11 de fevereiro, domingo, passam pelo sambódromo do Anhembi as 8 escolas do grupo de Acesso 1. A ordem dos desfiles será sorteada no dia 19 de junho, segunda-feira.

Mangueira 2024: quase inimagivável não ter um grande samba-enredo sobre Alcione

0

Durante a live “Galera no CARNAVALESCO“, Guilherme Campagnuci, Freddy Ferreira e Renata Campagnuci falaram sobre o enredo da Mangueira para o Carnaval 2024. Escola levará para Marquês de Sapucaí no ano que vem “A negra voz do amanhã”. Veja abaixo o vídeo.

Feijoada de junho da Renascer de Jacarepaguá com diversas atrações

0

A feijoada de junho da escola de samba Renascer de Jacarepaguá, será no sábado, dia 17 de junho, a partir de 13h, na quadra da escola em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. Além do tradicional feijão, que é o ponto chave do evento, a feijoada será acompanhada de muito samba com o mestre Felipe D’Lelis, terá shows com Leonardo Bessa e segmentos, Xandynho e Wallace Porto.

feijoada renascer

E, só para lembrar, este ano a escola volta a sediar a tradicional disputa de samba. Fique ligado nas redes sociais da vermelha e branca para saber como participar.

Em 2024, o carnavalesco Rodrigo Pacheco vai levar para Intendente Magalhães “UBÚNTU: Do Berço Ancestral, Um Ideal Para Mudar o Mundo”, que vai mostrar que o continente africano, exaustivamente celebrado no carnaval brasileiro pelo vigor de suas danças, de seus tambores, de sua religiosidade e de sua mão-de-obra, fundamental para o desenvolvimento da História universal, também pode e deve ser mostrado pelo seu conhecimento a respeito do papel dos seres humanos no conjunto de fatores que determinam a vida no Universo. Sim! O pensamento africano também procura compreender o mundo, estudando os aspectos fundamentais da existência humana. E, assim, produz Filosofia.

“Vamos reviver, em 2024, os ideais dos ancestrais bantos do povo brasileiro, para enfim entender o Ubúntu como filosofia de vida capaz de transformar a nossa existência. É preciso nos conectarmos com nossa ancestralidade, com a humanidade e a natureza, para juntos celebrarmos os novos tempos. Inspiremos amor, espalhemos amor, sejamos amor! Despertemos para o melhor sentimento que existe em cada um de nós. É essa a força capaz de nos transportar para onde quisermos. Que nos leva a sonhar, viajar, acreditar. E que faz “Renascer em Jacarepaguá” à vontade e o desejo de sua comunidade de semear “Um Ideal Pra Mudar o Mundo”. Ubúntu é o que desejamos!”, pontua Rodrigo Pacheco.

O presidente André Augusto, conhecido como Dedé, a disputa de samba irá resgatar a Ala de Compositores e trazer de volta à escola os sambistas raiz. “A Renascer tem tradição de fazer bons sambas e estamos resgatando essa essência”, disse Dedé.

Serviço:
Feijoada da Renascer
Data/Horário: Sábado, dia 17 de junho, a partir das 13h
*Feijoada servida até às 17h
Local: Quadra da Renascer, na Avenida Nelson Cardoso, n° 82, Tanque, Jacarepaguá, RJ
Atrações: Roda de samba com o mestre Felipe D’Lelis, Show com Leonardo Bessa e segmentos, Xandynho e Wallace Porto.
A entrada é franca
Valor da Feijoada: R$ 20 (vinte reais)
Venda antecipada de mesas: (21) 99177 06 89

União de Jacarepaguá promove evento para lançamento de enredo

Almejando o retorno à Série Ouro do carnaval carioca, a Verde e Branco de Campinho fará o lançamento do enredo no próximo domingo, na quadra da escola. A festa também contará com a apresentação e renovação dos segmentos que irão fazer parte do próximo desfile.

uniao jacarepagua desfile 2023 13
Foto: Nelson Malfacini/site CARNAVALESCO

Com o título de ‘Festa da Largada’, o evento terá como prato principal uma tradicional galinhada, que será acompanhada de muito samba dos anos 90 com o Pagode do Azeitona, e é claro, o show com todos os segmentos da escola ao som da Ritmo União.

A Festa da Largada será realizada no dia 18/06, domingo, a partir das 13h, na quadra da agremiação, localizada na Estrada Intendente Magalhães, 445 – Campinho. Para mais informações sobre reservas de mesa e vendas de camarotes: (21) 98727-0261.

Serviço:
Festa da Largada: Lançamento do enredo.
Atrações: Pagode do Azeitona e elenco show da escola.
Dia: 18 de junho (domingo)
Horário: A partir das 13h.
Local: Quadra da União de Jacarepaguá (Estrada Intendente Magalhães, nº 445 – Campinho)
Ingressos: Entrada Franca
Mesa: R$ 50,00 ( 4 pessoas + 4 Galinhadas)
Prato de galinhada individual: R$ 15,00
Reservas de mesas: (21) 98727-0261.

Com 18 anos como rainha de bateria do Império da Tijuca, Laynara Telles diz: ‘A emoção vai ser sempre como se fosse a primeira vez’

0

Com 18 anos de reinado, Laynara Telles segue firme à frente da “Sinfonia Imperial” para o próximo carnaval. Apesar de inicialmente Laynara ter anunciado a sua saída do posto, ela decidiu seguir. Sempre elogiada pelo seu samba no pé e carisma, a rainha pretende encerrar sua carreira em breve para dar lugar a uma sucessora. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, ela explicou como está o processo de encerramento desse ciclo.

imperio tijuca desfile 2023 40
Foto: Allan Duffes e Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

“Eu estou em um processo de realmente encerrar minha carreira. Eu vou encerrar ou com 19, ou com 20 anos. Estou começando a falar que vou me despedir, porque 20 anos de reinado é muita coisa. Acho que está na hora de eu dar lugar para uma nova rainha”, disse Laynara

Mesmo com tanto tempo de reinado, Laynara se empolga a cada desfile. Segundo ela, sempre há algo novo a cada carnaval.

“Para mim é uma honra. Por mais que eu esteja há 18 anos, sempre tem uma novidade, o coração acelera, é uma coisa diferente. A emoção vai ser sempre como se fosse a primeira vez”, expressou Laynara.

Os elogios ao samba no pé de Laynara a acompanham desde sempre. Segundo ela, esse dom vem de nascença.

“Eu acho que isso já nasceu comigo. A gente só vai aprimorando, como qualquer outra profissão, faz aulas… Fico muito lisonjeada por até hoje estar recebendo muitos elogios”, revelou Laynara.

Um dos carnavalescos mais experientes em São Paulo, Wagner Santos conta desafios e frisa importância da reciclagem

0

O carnavalesco Wagner Santos é um dos artistas que está mais tempo no mercado do carnaval paulistano, com trabalhos consecutivos e entregando resultados importantes para suas agremiações. Desde o fim dos anos 90, Wagner Santos passou por Mocidade Alegre, Vila Maria, Tucuruvi, e está indo para o sexto carnaval consecutivo na Tatuapé. Em conversa com o site CARNAVALESCO, o artista falou sobre a carreira, momento e deu recados importantes.

WagnerSantos
Foto: Fábio Martins/Site CARNAVALESCO

Primeiramente, Wagner Santos refletiu sobre o carnaval como um todo, e a importância da formação artística que acontece no mundo das escolas de samba. Mas demonstrou receio em relação ao futuro.

“Carnaval é sempre um desafio. Não importa o ano, a data, você cada vez que passa, ano que passa, fica mais difícil se fazer o carnaval. Porque está tendo uma mudança cultural muito grande no povo, na população. Hoje em dia as pessoas não querem mais. As formações artísticas são tudo através de computadores, muita tela, programas, mas na verdade, as pessoas, o espetáculo tendem a ter dificuldade no futuro. Pois não vamos ter artistas para trabalhar na confecção e realização deste espetáculo”.

Em relação ao que abordou acima, Wagner complementou falando também da maneira que o carnaval é julgado e refletiu sobre a maneira que leva em seus enredos.

“O carnaval ainda é uma vertente que conseguimos formar diversos artistas, pois se não existisse o carnaval, a cultura estaria mais desfalcada ainda, pois temos uma deficiência grande na cultura. As gerações, cultura é só teclado, fica muito difícil cada vez mais concluir um espetáculo, carnaval, levar arte para avenida, levar cenografia, carnaval não é simplesmente luxo. As pessoas tem que entender que carnaval não é um luxo, carnaval é um espetáculo, onde você tem que retratar aquela história que você se propôs, não é sua história, seu desejo, sua vaidade de apresentar um carro bonito. Mas aquele carro não conta história e informação. Carnaval é cultura e informação, só que para quem leu a sinopse, para quem tem o entendimento, quem tem esse acesso, para quem não tem esse acesso fica muito difícil, por isso que as pessoas julgam o carnaval totalmente diferente. Pois poucas têm acesso à informação que é a sinopse”.

Carreira e os desafios

Wagner Santos está em atividade no carnaval paulista desde 1998, mas contou seus primeiros passos como um artista, e foi na sua infância no Maranhão.

“A minha história começou na arte muito cedo. Eu sou artista desde muito cedo, desde que me conheço por gente, já era um admirador de arte. Era do tipo de pessoa, criança, que ia muito na igreja, era admirador de peças religiosas, e sempre fui frequentador de procissões, manifestações folclóricas sempre estive presente. Nasci em São Luís do Maranhão, nasci em uma ilha, repleta de folclore, cultura, tradições, diversos tipos de tradições, desde africanas, folclóricas, religiosas, vivi muito isso. Tenho um aprendizado desde criança. Adoro ter a possibilidade de ter sido parte da modificação de todo esse espetáculo que é o carnaval de São Paulo. Faço parte do carnaval de São Paulo, desta história. Sou um dos carnavalescos que mais tempo está no carnaval de São Paulo e passei por todas as transformações, ficar no carnaval é muito difícil”.

Complementando, o carnavalesco deu recado importante sobre toda a criação e a essência da parte artística: “Não é qualquer pessoa que põe e que ganha o carnaval, o carnaval não é um espetáculo que as pessoas ganham, porque apresentou um carro alegórico bonito, não é a beleza, é a informação artística que o enredo leva. É assim que o jurado julga o carnaval, informação que está contida, se você trouxe informações naquele carro. Não é um espetáculo fácil de criar, as pessoas estão viajando muito só pelo lado bonito da coisa, mas não é, é a informação que você tem que passar”.

Sexto carnaval consecutivo na Tatuapé

Quando conversamos com algum carnavalesco chegando em uma casa nova, é falado sobre o tempo de adaptação, conhecimento da escola, e tudo mais. Wagner Santos vai para o sexto carnaval consecutivo na Tatuapé, e explicou um pouco deste processo.

“Quando o carnavalesco fica muito pouco tempo na escola, o primeiro ano é muito difícil, quando chega em uma agremiação. Pois quando chega em uma agremiação, você primeiramente precisa saber onde você está pisando, quem são as pessoas que você está trabalhando, como é aquela escola. Você tem que fazer o carnaval de acordo com as condições daquela agremiação. Não é o carnaval dos seus sonhos, é o carnaval do bolso da escola, do sonho da escola. A agremiação está colocando aquilo que ela tem condição de botar na avenida”.

Importância do trabalho de reciclagem

O enredo da agremiação da Zona Leste de São Paulo será Mata de São João, cidade baiana, e logo vieram comparações com o enredo de 2023 que foi Paraty. Ao ser perguntado sobre alegorias, estruturas e conceitos, Wagner Santos foi enfático e deu um recado sobre reciclagem e material.

“Ideia do ano passado não, cada carnaval é um espetáculo diferente. Não existe carnaval do ano passado, existe sim, se estiver falando sobre isso, existe reaproveitamento, no Rio de Janeiro já é uma lei dentro dos barracões. Aqui em São Paulo ainda existem agremiações que todo ano desmontam seus carros alegóricos, desmancham suas estruturas, e fazem outro carnaval novo. O carnaval já começou um espetáculo se aproveitando materiais, reciclando, eram de tampinhas, hoje em dia existe um desperdício e jogam os trabalhos do último carnaval, como se não fosse nada. Muitas pessoas não sabem reaproveitar o material, hoje em dia, se não souber trabalhar com material, não consegue desenvolver nada, tem que saber trabalhar. Material está muito caro, vai chegar uma época que as pessoas não terão condições de comprar material. Material cortado, isopor, tudo muito caro, não é pouco”.

A Tatuapé foi campeã com Wagner Santos em 2018, depois teve um 7ª lugar em 2019. Já em 2020 e 2023 ficou no 4ª lugar, voltando no desfile das campeãs. Em 2022 acabou ficando na 12ª colocação devido a utilização de um maquinário.

Vigário Geral marca data de lançamento do enredo para o Carnaval 2024

Dando ponta pé inicial para o Carnaval 2024, a Acadêmicos de Vigário Geral realizará o lançamento do enredo e apresentação de todos os segmentos da agremiação, no dia 30 de junho, às 19h, com entrada franca, em sua quadra.

vigario geral desfile 2023 25
Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

A agremiação levou no Carnaval 2023 para Marquês de Sapucaí o enredo “A Fantástica Fábrica da Alegria”, pedido feito pela mandatária Elizabeth da Cunha, Betinha, e, neste ano não será diferente. A presidente, mais um vez, fez um super pedido para o trio de carnavalescos, Lino Sales, Marcus do Val e Alexandre Costa.

“Se vocês gostaram do carnaval de 2023, aguardem o nosso próximo enredo. Eu quis mais um enredo super alegre e contagiante. Minha comunidade pediu muito este enredo e olhei com um carinho especial e prontamente falei ‘é este!’. Estou muito contente e animada. Não temos dúvidas que a Vigário Geral levantará mais uma vez o público na Marquês de Sapucaí. Faremos um desfile lindo! Se preparem! Para cima deles, Vigário Gera”, disse.

Para o vice-presidente João Bororó, o enredo será mais um momento inesquecível para a azul, vermelha e branca. “Não tenho dúvidas que será mais um grande evento para nossa comunidade de Vigário Geral. Todos estão convidados para esta noite super especial conosco. Vigário Geral é uma enorme família. Estamos preparando um maravilhoso lançamento. Estou muito contente com o enredo. Quando me apresentaram não tive dúvidas que seria um grande carnaval”, finalizou o vice-presidente.

Para o próximo carnaval, a agremiação será a terceira escola de sexta-feira a pisar na Marquês de Sapucaí, no dia 9 de Fevereiro de 2024, pela Série Ouro.

Live ‘Galera no CARNAVALESCO’ debate equipes da Série Ouro e os enredos da Beija-Flor, Mangueira e Grande Rio