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Chegou o dia! Escolas de São Paulo conhecem nesta segunda-feira ordem dos desfiles para o Carnaval 2024

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A Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo abre, oficialmente, nesta segunda-feira, a partir das 20h, a preparação para o Carnaval SP 2024 com o sorteio da ordem dos desfiles, na Fábrica do Samba. O site CARNAVALESCO preparou uma grande cobertura. Ao longo do dia, vamos apresentar matérias sobre os enredos e as escolas. A partir das 20h, vamos começar uma live com muita opinião.

carnavalsp2024

O evento é fechado para as 33 agremiações filiadas à organizadora dos desfiles no Sambódromo do Anhembi e seus convidados, também conta com pocket shows das três escolas de samba campeãs do Carnaval SP 2023: Mocidade Alegre, do grupo Especial; Vai-Vai, que venceu o grupo de Acesso 1; e Torcida Jovem, campeã do grupo de Acesso 2.

Posições predefinidas

Como prevê o regulamento, a agremiação campeã do Carnaval 2023, Mocidade Alegre, escolherá a sua posição de desfile para o próximo ano. Camisa Verde e Branco, vice-campeã do Acesso 1, é a primeira agremiação a desfilar na sexta-feira, 9 de fevereiro. Vai-Vai, que também ascende ao Grupo Especial, abrirá o sábado de desfiles, 10 de fevereiro.

O mesmo acontece para os grupos de Acesso 1, com Dom Bosco de Itaquera e Torcida Jovem — vice-campeã e campeã do Acesso 2 em 2023, respectivamente — na primeira e segunda posição de desfile do domingo, 11 de fevereiro; e Acesso 2, com Unidos de São Miguel e Unidos de São Lucas — vice-campeã e campeã da UESP — que ascenderam ao grupo de Acesso 2.

A partir de 2024, as escolas que ficaram em 11º e 12º lugar no Grupo Especial no ano anterior fecharão a noite de desfiles. Antes, o regulamento previa que estas colocadas ficassem com o segundo horário da sexta e do sábado. A mudança foi aprovada em dezembro de 2022 — antes do Carnaval 2023, portanto — em plenária realizada com os presidentes e representantes das agremiações do grupo.

Sendo assim, em 2024, Rosas de Ouro é a 7ª escola a desfilar na sexta-feira, 9 de fevereiro, e Acadêmicos do Tucuruvi encerra os desfiles do sábado, 10 de fevereiro, pelo Grupo Especial.

Liga-SP mantém desfiles do Acesso 2 uma semana antes da data oficial do Carnaval 2024

Chega de especulações, 3 de fevereiro de 2024 é a noite de desfiles do grupo de Acesso 2 de São Paulo. Mesmo com o carnaval acontecendo mais cedo neste próximo ano, a Liga-SP optou por manter o modelo que foi sucesso de público nos últimos dois carnavais, um sábado antes, valorizando o espetáculo das 11 escolas que compõem o grupo atualmente.

Originalmente, as agremiações do Acesso 2 desfilavam na segunda-feira, véspera do feriado de Carnaval. O grupo teve a noite de desfile antecipada para um sábado antes dos demais em 2022, com o Carnaval da Vida, em abril, por um conflito de datas no sambódromo do Anhembi. Os desfiles do grupo de Acesso 2 foram mantidos no sábado antes do fim de semana de Carnaval em 2023, após o sucesso do ano anterior.

Carnaval SP 2024

Quando cai o Carnaval em 2024? Se você acompanhou os Desfiles das Escolas de Samba de São Paulo nos últimos anos e se fez esta pergunta, talvez tenha se preocupado com a data dos desfiles do grupo de Acesso 2, que têm acontecido um sábado antes do Carnaval na capital, com entrada gratuita, um sucesso de público.

Em 2024, portanto, o Carnaval de São Paulo começa no dia 3 de fevereiro, sábado, com as 11 escolas do grupo de Acesso 2. Nos dias 9 e 10 de fevereiro, sexta-feira e sábado, é a vez das 14 agremiações do Especial. Em seguida, no dia 11 de fevereiro, domingo, passam pelo sambódromo do Anhembi as 8 escolas do grupo de Acesso 1.

Mocidade Unida da Mooca: samba-enredo para o Carnaval 2024

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Enredo: Oyá Helena

Intérpretes: Gui Cruz e Clayton Reis

Brisa forte, ventania
Adja é tua guia
Sob a luz das Yabas
Fio de conta cobre o peito
Resistência é preceito
Pra te consagrar
Preta, filha de Iansã
Ilumina o amanhã
Feito raio e tempestade
Faz do morro seu quilombo
No toque do jongo
Africanidade

Ô Iaô, ô yalode,
Ô Iaô, ô yalode,
Barravento no terreiro
O tambor a ecoar,
Massemba! É samba na gira de Oyá

Oooo Oooo… preta no sangue, na raça e na cor.

Yaya saracoteia,
Bota a saia pra rodar
Refletindo seu legado,
Mais um raio no congá!
Yaya saracoteia,
Onde nasce a devoção
Tua origem, é raiz,
É o espelho da nação.

Ah Epahey ela é Oya, ela é Oya,
Ah Epahey é Iansã, é Iansã
Tem macumbaria, pra coroar
Axé Helena! Mojubá! Elegbará!

Grande Rio 2024: enredo valoriza a brasilidade

Durante a live “Galera no CARNAVALESCO“, Guilherme Campagnuci, Freddy Ferreira e Renata Campagnuci falaram sobre o enredo da Grande Rio para o Carnaval 2024. Escola levará para Marquês de Sapucaí no ano que vem “Nosso destino é ser onça”.

 

Imperatriz Leopoldinense distribui cestas básicas para comunidade do CPX Alemão e da Zona da Leopoldina

Em mais uma ação de solidariedade do programa “Imperatriz Social”, a atual campeã do Carnaval, Imperatriz Leopoldinense, distribuiu 200 cestas básicas neste sábado para moradores do Complexo (CPX) do Alemão e da Zona da Leopoldina. Presente na quadra para a distribuição dos alimentos, o vice-presidente social da escola, João Felipe Drumond, anunciou que agora o benefício será oferecido à comunidade de forma mensal.

social imperatriz
Foto: Divulgação

“A partir deste mês faremos essa ação mensalmente. A Imperatriz reafirma seu compromisso social e, através desta colaboração, espera ajudar no dia-a-dia da nossa gente. Tratar com importância a existência do próximo é a essência da nossa agremiação”, afirmou João.

Os contemplados deste mês preencheram um formulário que foi disponibilizado por meio das redes sociais da escola seguindo uma série de pré-requisitos, como renda mensal inferior a dois salários mínimos e residir na região do Alemão ou Zona da Leopoldina.

O subprefeito da Zona Norte do Rio, Diego Vaz, também esteve presente na quadra da escola neste sábado e destacou o papel das escolas de samba além do Carnaval na Marquês de Sapucaí.

“A escola de samba é muito mais que um desfile. É um lugar de transformação de vida onde as pessoas podem, não só festejar, mas terem suas vidas transformadas”, disse o subprefeito.

Rosângela Mendes, 55 anos, doméstica, foi uma das beneficiadas com a campanha deste sábado e se emocionou com a solidariedade do programa.

“As coisas estão muito difíceis. É tanta gente precisando, né ?! Muito bonito essa ação e com certeza vai ajudar muito, não só a mim mas a muitas pessoas”, comemorou.

Outras ações na Imperatriz

Com a queda nos termômetros no Rio de Janeiro, a Imperatriz Leopoldinense antecipou a campanha “Imperatriz contra o frio”. Para levar um pouco de calor e carinho aos que mais precisam, a escola abriu sua quadra de ensaios para receber doações de cobertores e roupas de frio.

O ponto de coleta das doações é a quadra da escola, que fica na Rua Professor Lacê, 235, em Ramos, próximo à estação de trem. Para ajudar, basta levar a doação até o local, que funciona de segunda a sexta-feira, das 10h às 20h, e, aos sábados, das 10h às 13h. A campanha vai até o dia 25 de junho.

A ação “Imperatriz contra o frio” faz parte do programa Imperatriz Social, que recentemente distribuiu flores no dia das mães, ovos de chocolate para as crianças da região na Páscoa, entre outras atividades.

Beija-Flor 2024: enredo possibilita estética que o nilopolitano gosta

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Durante a live “Galera no CARNAVALESCO“, Guilherme Campagnuci, Freddy Ferreira e Renata Campagnuci falaram sobre o enredo da Beija-Flor para o Carnaval 2024. Escola levará para Marquês de Sapucaí no ano que vem “Um delírio de Carnaval na Maceió de Rás Gonguila”. Veja abaixo o vídeo.

 

Todas escolas do Grupo de Acesso I de São Paulo já anunciaram os enredos para o Carnaval 2024

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A cada ano que passa, o Grupo de Acesso I de São Paulo tem sido mais disputado, são duas vagas para o Grupo Especial em 2025, e também dois acabam indo para o Grupo de Acesso II, ou seja, metade do grupo é trocado a cada ano. Em 2023, Vai-Vai e Camisa Verde e Branco conquistaram o acesso, enquanto Morro da Casa Verde e X-9 Paulistana acabaram descendo para o Grupo de Acesso II. Já Vila Maria e Terceiro Milênio voltaram ao Grupo de Acesso I, enquanto Torcida Jovem e Dom Bosco subiram para a divisão.

Vamos conhecer um pouco sobre cada enredo visando o desfile que acontecerá no domingo, dia 11 de fevereiro:

colorado enredo2024

Colorado do Brás brigando pelo seu retorno ao Grupo Especial vai trazer o enredo: “Os encantos da raiz do Mandacuru”. O mandacuru é uma cactácea nativa do Brasil, mais precisamente do Nordeste, e tem diversas funções, como fitoterápica.

dombosco enredo2024

Na primeira vez no Grupo de Acesso I, a Dom Bosco terá o enredo “Um causo arretado de um povo pra lá de valente… O cordel de um nordeste independente”. Inspirado na música ‘Nordeste Independente’ de Ivanildo Villa Nova e Braulio Tavares, mostrará como seria a Independência do Nordeste.

nene enredo2024

Onze vezes campeã do carnaval de São Paulo, a Nenê de Vila Matilde tem como enredo para 2024: “Cirandando à vida prá lá e prá cá. Sou Lia, sou. Nenê sou de Itamaracá”. Uma homenagem para Lia de Itamaracá, compositora e maior cirandeira do Brasil.

mum enredo2024

Prestes a lançar oficialmente seu samba-enredo, a Mocidade Unida da Mooca vai trazer o tema “Oyá Helena”. Toda representatividade de Helena Theodoro, nome com grande relevância na literatura afro-brasileira.

vilamaria enredo2024

Buscando retorno para o Grupo Especial, a Vila Maria busca a volta ao Grupo Especial com o enredo afro “Forjados na luta, guiados na coragem e sincretizados na fé. A Vila canta Ogum”. No anúncio em sua rede social: “A Vila exalta Ogum e São Jorge e reforça sua ancestralidade e origem pedindo aos seus padroeiros a força e proteção”.

milenio enredo2024

Grajaú tem enredo para 2024, a Estrela do Terceiro Milênio vai cantar: “Vovó Cici conta e o Grajaú canta: O Mito da criação”. Um verdadeiro patrimônio cultural afro brasileiro, Vovó Cici, é a Egbomi do Terreiro Ilê Axé Opô Aganju, em Salvador. Vasta história.

jovem enredo2024

De volta ao Acesso I, a Torcida Jovem foi a penúltima escola a lançar seu tema, e aposta em mais um enredo afro: “Raízes afro Mãe, meu Brasil bantu”. A escola divulgou que vai contar a “origem da cultura Afro Brasileiro através dos povos da nação Bantu (Kongo/Angola)”.

perolanegra enredo2024

Pérola Negra lançou enredo mais recente, no dia 16 de junho, e vai cantar “Pérola no encanto dos balaios das quebradeiras”. O enredo celebra a cultura e a tradição da quebradeira de coco.

Por fim, a ordem dos desfiles será definida nesta segunda-feira (19) em sorteio realizado pela Liga das Escolas de Samba de São Paulo.

Clima de alegria marca encontro das campeãs da Série Prata na quadra do Sereno de Campo Grande

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Um encontro mais que especial aconteceu no último final de semana com as campeãs da Série Prata do carnaval da Nova Intendente. O Sereno de Campo Grande recebeu em sua quadra de ensaios, as coirmãs União do Parque Acari e União de Maricá, que se apresentaram com seus segmentos, fazendo a alegria da comunidade azul e branco presente no evento.

encontro prata
Foto: Apolinário/Edy Art

“Foi uma festa linda! Quero agradecer às diretorias das coirmãs Acari e Maricá, que estiveram conosco e também agradecer nossos componentes, segmentos, diretoria e todos que já estão abraçados com o projeto do nosso Carnaval 2024, pois todos sabemos das dificuldades que iremos enfrentar, uma vez que a estrutura para se colocar um bom carnaval na Série Ouro é imensamente maior que na Intendente. Temos certeza de que faremos um grande trabalho”, destacou o Presidente Carlos Alberto ‘Galego’.

Após o título da Série Prata este ano, o Sereno de Campo Grande vai abrir o segundo dia de desfiles da Série Ouro, da Liga RJ, no Carnaval 2024. A Coruja da Zona Oeste levará para a Marquês de Sapucaí o enredo ‘4 de Dezembro’, reverenciando Iansã e Santa Bárbara com a grandeza de seus axés.

Unidos da Tijuca recebe Caju Pra Baixo, Julio Sereno e Família Macabu na Feijoada deste domingo

Domingo, 18 de junho, a partir das 13h, a quadra da Unidos da Tijuca abre suas portas para receber mais uma edição da Feijoada Nota 10 do Pagode do Mestre, dessa vez com show do grupo Caju Pra Baixo, Julio Sereno e Família Macabu. A Feijoada Nota 10 faz parte do calendário mensal da Unidos da Tijuca há 9 anos. O encerramento é com a Bateria Pura Cadência da escola do Borel.

quadra tijuca
Foto: Divulgação

O público confere o melhor do samba e pagode a partir das 13h. A abertura fica por conta da Banda Swing Carioca com os melhores hits. A feijoada poderá ser degustada por apenas R$ 25,00. Mesas e camarotes estão esgotados. A pista sai por R$ 20,00 com direito a um copo exclusivo da bateria da escola. A venda é on-line através do Sympla, no televendas 21 98165-1753 ou diretamente na bilheteria da quadra no dia do evento.

A quadra da Unidos da Tijuca fica situada na Avenida Francisco Bicalho nº 47 – Santo Cristo.

Serviço:
Feijoada Nota 10 – Pagode do Mestre: Caju Pra Baixo, Julio Sereno, Família Macabu e Bateria Pura Cadência
Quadra da Unidos da Tijuca: Avenida Francisco Bicalho nº 47 – Santo Cristo
Domingo, dia 18 de junho, a partir das 13h
Ingressos: Pista: R$ 20,00
Televendas: 21 98165-1753
Vendas on-line: https://www.sympla.com.br/evento/feijoda-tijuca/1985671

Artistas participam de debate que trata o Carnaval de 2018 como foco de mudança na narrativa dos enredos

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O Instituto de Artes da Uerj, em parceria com a Revista Caju, deu início esta semana ao seminário “Escritas do Carnaval” que neste primeiro encontro já contou com um time de peso da folia. Participaram da mesa os carnavalescos Leandro Vieira, da Imperatriz Leopoldinense, Leonardo Bora da Grande Rio, e Jack Vasconcelos, do Paraíso do Tuiuti. Também convidado, Gabriel Haddad, da Grande Rio, não pôde participar por conta de compromissos em São Paulo. O seminário faz parte de um processo de formação de estudantes do Instituto de Artes da UERJ que vai desaguar na cobertura crítica e ensaística do Carnaval 2024 na Revista Caju.

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Fotos: Lucas Santos/CARNAVALESCO

A ideia para este primeiro evento foi discutir o ano de 2018, importantíssimo na história recente do país e também na dos enredos para desfiles de escolas de samba. Uma das organizadoras do evento, Daniela Name, ligada ao Instituto de Artes da Uerj, explica o motivo da escolha destes profissionais do carnaval para este primeiro encontro.

“Essa mesa de três carnavalescos, que tem uma formação acadêmica, é apenas uma faceta do carnaval que nós vamos abordar aqui. Se torna representativa pelo corte que nós demos, que é 2018. É um corte específico, que é o carnaval de 2018 , em que nós consideramos que há uma guinada narrativa, uma transformação paulatina, ao longo de três anos, principalmente no quesito enredo, ele vai de 2018 a 2020, e acreditamos que não existiriam outras equipes, estou aqui para argumentar, que pudessem representar melhor no meu entender essa guinda, além dessas três representadas por estes artistas e seus colaboradores. E 2018 é um ano em que a história da arte se encontra com a história do Brasil de forma muito aguda. Temos o assassinato da Mariele, um disco importante da Elza Soares, proibição da exposição Queermuseu pelo então prefeito Marcelo Crivella e um extensa campanha de fakenews por parlamentares”, entende Daniela.

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Aos alunos do curso de História da Arte da Uerj, os carnavalescos relembraram um pouco de como foi a produção artística e de pesquisa daqueles desfiles, se atentando também ao contexto histórico e político que vivia o Rio de Janeiro e o Brasil, como um todo naquele período. Vice-campeão pelo Paraíso do Tuiuti, em um desfile histórico e para muitos, campeão daquele ano, Jack Vasconcelos foi o primeiro a dividir suas lembranças.

“Aquele enredo partiu de um ponto muito simples que foi o pedido do presidente (Renato Thor) de falar alguma coisa sobre o aniversário da Lei Áurea. Nem muito profundo. Ele me perguntou se dava alguma coisa. A gente estava saindo de um enredo que abordava a Tropicália e já tinha um gancho para a sátira. Quando comecei a pesquisar esse assunto da Lei Áurea, me veio muitos outros assuntos atrelados, vieram muitas outras questões que eu achei importante debater. Inicialmente o enredo nasceu para abordar as questões trabalhistas. Isso foi puxando vários outros assuntos como construção de preconceito, construção de uma série de relações, tensões políticas vieram à tona, questões econômicas, virou uma coisa enorme. E no enredo você sente que há uma crescente de assunto no enredo. No final, a gente traz para as pessoas um retrato daquilo que estava rolando naquele momento no Brasil”, analisa o artista.

Jack relembra que inicialmente teve dificuldade ao fazer o recorte do enredo, mas que com o passar do tempo o tema começou a cada vez mais entrar nas questões do próprio dia a dia de trabalho até mesmo do carnaval.

“Era muito difícil a gente fazer de uma forma recortada, por isso também acho que a gente teve que ir tão longe na história. Era uma relação diretamente ligada ao poder. O enredo tinha que deixar claro que isso não era apenas história do passado, ainda está rolando. E a gente de uma certa maneira também era usado nesta máquina para alimentar este monstro. Eu lembro que a porta-bandeira, por exemplo, era uma roupa que representava uma costureira escravizada com um monte de roupa na saia e o mestre-sala era como se fosse um figurão de uma grande marca. Eu acho que muito do sucesso do desfile foi porque a gente acabou alcançando o que a gente queria, se comunicar com o grande público. Contar histórias é o que eu mais gosto do enredo. Se eu não tiver uma história boa para contar eu me sinto mal. Eu gosto de me comunicar”, revela Jack.

jack debate

Um dos maiores sucessos daquele desfile do Paraíso do Tuiuti e que chamou mais a atenção do público foi o carro que trazia uma caricatura do presidente na época Michel Temer, através de um destaque vestido de vampiro, apresentando a relação de poder e trabalho e como os políticos. A fantasia “manifestoche” também trazia uma crítica a como o povo muitas vezes era usado pelos políticos.

“O ‘manifestoche’ foi aquela coisa que quando eu desenhei eu pensei que aquilo poderia dar “galho”. Mas vou botar e ver se alguém vai falar alguma coisa. Na escola ninguém falou nada e a gente foi botando. Eu lembro que a gente fez o protótipo e muita gente não entendia direito do que se tratava, quem entendia tinha aquele olhar sacana de ‘você tem certeza que vão fazer isso?’. A gente teve uma visita de um ministro, porque vazou em uma coluna que a gente ia ter uma caricatura ridicularizando o Michel Temer, e não era verdade, não era uma escultura. E nessa visita, o diretor da época, o Thiago Monteiro, mostrou que não havia escultura, era um destaque só que ninguém falou nada. Eles estavam procurando uma escultura. Dissemos: escultura não tem, e ponto (risos). A figura satírica do então presidente era uma coisa alegórica de carnaval, era uma piada, e a gente sabe que hoje em dia a questão da piada está muito estranha. A gente fez uma sátira de carnaval pela questão dos políticos que há uma confusão muito grande entre gerir o nosso dinheiro e eles serem dono dele”, explica Jack.

Mangueira 2018 trouxe forte crítica política e preparou o caminho para 2019

O segundo a falar aos alunos do Instituto de Artes da Uerj foi Leandro Vieira que apresentou suas memórias sobre o carnaval de 2018, na época pela Mangueira, e inicialmente procurou desfazer a premissa de que o carnaval daquele ano seria apenas uma crítica ao corte de verbas das escolas de samba operado pelo na época prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella.

“Muita gente reduz o carnaval de 2018 como o desfile em que a Mangueira e o Leandro fizeram uma provocação ao Crivella porque ele cortou a verba do desfile das escolas de samba. Quando que na verdade o contexto tem um pouco disso, mas tem outros gatilhos. O Crivella já dava sinais anteriormente que compreenderia mal a questão do carnaval. Em 2017 ele já não vai na entrega da chave da cidade, interrompendo uma tradição histórica. Alguns meses depois anunciou um corte e uma campanha, uma chantagem, tipo ‘prefere dar dinheiro para o carnaval do que para cheche?’. Politicamente já era o avanço de um discurso que nos anos seguintes já seria aprofundado, esse pensamento muito raso, de espalhar a incompreensão. Mas, o estopim para eu pensar esse carnaval foi o fato da Liesa na época ter se posicionado no sentido de que se não vai ter o dinheiro, também não vai ter o carnaval. Tem essa atitude de barganha. Por isso o enredo é batizado com um trecho de uma marchinha famosa ‘Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco’. Era uma resposta ao prefeito, mas também à liga que organiza o desfile. Como eu tenho uma ligação forte com o carnaval de rua, sempre compreendi mal essa postura de quem pensa às vezes que a escola de samba fala em nome do carnaval da cidade. Parece que a Liga fala em nome de todo mundo”, explica Leandro Vieira.

leandro debate

O atual carnavalesco da Imperatriz Leopoldinense, campeão do carnaval de 2023, explicou que sua fascinação pelo carnaval de rua pode ser colocada em sua obra e que aquele desfile estava em grande sinergia com os anseios da cidade e o discurso bastante afinado com as outras manifestações da folia carioca.

“Uma coisa que é muito recorrente do meu universo de trabalho é essa questão do carnaval de rua, é frequente. Eu tenho uma ligação inicial muito mais forte com o carnaval de rua do que com o carnaval das escolas de samba. Eu pensei então em organizar um desfile em que a valorização da tradição carnavalesca da cidade, o modo de brincar não seja inicialmente impactado pelo corte de verbas. E pra mim a concepção deste carnaval foi muito feliz porque naturalmente mergulhei no universo que mais gosto. Foi esse diálogo com os blocos da cidade. E achei também legal que a organização do meu discurso foi muito afinada com o discurso dos blocos de rua da cidade. A crítica ao Crivella não foi uma coisa exclusiva do meu discurso com a Mangueira. A máscara do Crivella foi a mais vendida, os blocos fizeram músicas em sátira e deboche ao Crivella. E no meu desfile pensei em não fazer escultura nenhuma, mas na malhação de Judas por saber o quanto aquilo incomodava. Foi algo de muito feliz para aquele ano, principalmente por olhar para o carnaval daquele ano e ver a rua fazendo o mesmo”, acredita o carnavalesco.

Bora e Haddad conseguem colocar em prática enredo guardado por anos

Em um ano que é tratado como guinada histórica de enredos pela organização do Seminário, outro desfile que ganhou bastante destaque não veio do Grupo Especial. Ainda poucos conhecidos de quem vivia apenas o carnaval da Sapucaí, mas bastante já observados dentro do universo da Intendente Magalhães, Leonardo Bora e Gabriel Haddad faziam sua estréia no Sambódromo, produzindo o carnaval da Cubango, com o enredo “O rei que bordou o Mundo”, na antiga Série A, hoje Série Ouro. Leonardo Bora conta que o enredo que trouxe o artista Arthur Bispo do Rosário para a Sapucaí, já era pensado desde anos atrás.

“Esse enredo começa a ser pensado em 2012. Essa ideia surgiu durante a Bienal de São Paulo, pois o Bispo do Rosário era um dos homenageados daquela edição. Nós visitamos a exposição mais especificamente pelo Bispo, pois já estava em nosso sistema artístico e carnavalesco. Em 2017 recebemos a proposta da Cubango, que estava em um momento muito delicado, vivenciando uma crise política interna bastante significativa e afundada em dívidas. O cenário financeiro da escola era absolutamente precário. Havia uma promessa de patrocínio que acabou não saindo e foi pedido um novo enredo. E pensamos, não tem outro, é hora do Bispo do Rosário. Na época a gente ouviu uma coisa que já me aborreceu muito e hoje eu acho graça, de que aquele enredo era muito difícil, muito conceitual, façam uma coisa mais simples. E isso para gente nunca fez sentido, a obra do Bispo é perfeitamente ‘decodificada’ por qualquer pessoa. Ela tem algo que não se explica, e essa coisa que não se explica é o que nos fascina como artistas. Aí que entra essa coisa espectral, fantasmagórica. É uma obra lacunar, os dados biográficos do Bispo são escassos”, analisa o atual carnavalesco da Grande Rio.

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Leonardo revela que as dificuldades financeiras acabaram sendo também um combustível para que a dupla vivesse um carnaval de reinvenção que os aproximou da própria história artística do Bispo do Rosário.

“Esse enredo rendeu parcerias com alguns museus e foi um processo muito festivo. E quando foi anunciado o enredo a comunidade do Cubango se sentiu muito tocada e representada pela história do Bispo do Rosário, e isso se refletiu no Barracão. Mas a gente encontrou um cenário muito difícil financeiramente e tivemos que trabalhar a partir da desconstrução que também era muita a ótica do trabalho do Bispo. Por isso fazia muito sentido também esse enredo, pois a obra falava de reconstrução, transformação, da possibilidade de você subverter toda uma lógica de repressão, normatização e desconstruir. Tivemos muitas poucas esculturas feitas do zero, indo nesse sentido da recriação, de vasculhar os estoques das lojas de tecido e aproveitar os tecidos que eram vendidos até sem nome, eram chamados tecidos rústicos e englobavam uma grande diversidade de materiais. Alguns já vinham deteriorados, já tingidos pelo tempo e foram ressignificados”, explica o artista.

Também nessa guinada de enredos proposta pela organização do Seminário “Escritas de Carnaval”, o desfile da Cubango de 2018 também teve uma parte bastante política ao se condenar a tentativa de retorno de parlamentares aos “tratamentos” desenvolvidos por manicômios, local em que o próprio artista chegou a passar uma parte de sua vida após um surto psicótico.

“O último carro trazia a frase “Manicômio nunca mais” pois era um símbolo de regimes fascistas e havia esse debate sobre a volta dos manicômios, por isso trouxemos essa mensagem no final”, sintetiza Leonardo Bora.

O desfile da Cubango gerou três exposições sobre o Bispo do Rosário em museus diferentes. No final do encontro, com o auditório do Instituto de Artes da Uerj lotado, o evento foi encerrado abrindo para perguntas em que os alunos puderam ter um contato maior com a construção e a pesquisa de enredos por parte dos carnavalescos. A ideia é que outros encontros com profissionais do carnaval, não necessariamente carnavalescos, aconteçam e exista esse debate entre a universidade e o universo do carnaval das escolas de samba.

Artigo: Após ficar fora das campeãs, Salgueiro ganha confiança e clima favorável com enredo para o Carnaval 2024

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A última vez que o Salgueiro tinha ficado fora das campeãs foi em 2007. O famoso “Candaces”. Um desfile impactante e muito mal julgado. Agora, em 2023, a Academia do Samba terminou na sétima colocação. Colocação ruim para uma escola de samba que investe, tem receita e possui quesitos muito fortes, como Comissão de frente, Bateria, Mestre-sala e Porta-bandeira e Harmonia. O que faltou? Como foi muito falado no pré-carnaval, infelizmente, o calcanhar de aquiles salgueirense foram os quesitos Enredo e Samba-Enredo.

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Fotos: Allan Duffes e Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

Em Enredo, o Salgueiro perdeu 1,2 pontos, com as notas 9.7, 9.6, 9.8 e 9.7, já em Samba-Enredo teve 0,6 décimos, recebendo 9.8, 9.8, 9.9 e 9.9. O dever de casa, que é sair de casa com os dois quesitos fortes, não foi atingido pelos salgueirenses. Se tivesse na manga as pontuações máximas ou perto disso era certeza que brigaria no topo do carnaval.

Sendo assim, a escola mudou o foco para 2024. Trouxe o enredista Igor Ricardo, salgueirense, e que já desenvolveu bem o papel na Unidos da Tijuca, Viradouro, e lançou o enredo “Hutukara”, que caiu nas graças do torcedor, e, mais uma vez, será desenvolvido pelo carnavalesco Edson Pereira.

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É importante falar que Edson Pereira, na parte plástica, entrou bem demais no Salgueiro. Com o enredo de 2024, a projeção é de um grande espetáculo plástico salgueirense e com o discurso que pede o atual modelo de julgamento dos desfiles das escolas de samba. Tradicionalmente, a vermelho e branco possui como característica a apresentação de enredos com relevância social e cultural.

No contexto de quesitos fortes, a Harmonia do Salgueiro fez bonito em 2023. Desde os ensaios de rua e o técnico da Sapucaí, estava bem claro que a comunidade tinha abraçado o contestado samba-enredo, e, principalmente, o intérprete Emerson Dias, o carro de som e o diretor Alemão do Cavaco cumprido com maestria o trabalho. A atuação de Emerson Dias foi magistral neste ano. Digna de prêmios. Além de conduzir a obra, o cantor usou seu dom de conquistar o público.

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Foto: Allan Dufffes e Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

O clima favorável tomou conta dos salgueirenses para 2024. A expectativa para safra de sambas-enredo é muito grande. Atingindo o objetivo do samba, a certeza é de um pré-carnaval empolgante para o Salgueiro. Faz tempo que o clima de “vem a décima taça” não ronda a Academia do Samba. Confesso que sinto falta, como sambista, e como responsável por um veículo especializado em escola de samba.

A organização do diretor de carnaval Wilsinho Alves também é essencial para o sucesso da produção do desfile de 2024. Além dele, o Salgueiro trouxe Luan Teles para direção de barracão e Jackson Carvalho para direção de harmonia.

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Foto: Divulgação/Salgueiro

E a ordem do desfile? Isso já saberemos na terça-feira, dia 20 de junho, na Cidade do Samba. Já pensaram no Salgueiro desfilando segunda-feira? Fechando o carnaval? Aí, quem sabe não será a hora da décima conquista chegar. O dever de casa está sendo feito e deixando o otimismo no ar. É aguardar todo o pré-carnaval e o desfile acontecer para ver qual Salgueiro vamos ver em 2024 na Sapucaí.