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Presidente Flavinho diz o que pensa do Império Serrano para o Carnaval 2024: ‘luxuoso, competitivo, robusto e bonito’

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Comandando o Império Serrano há apenas quatro meses, Flávio França, o Flavinho, tem a importante missão imperial de levar o Reizinho de Madureira de volta ao Grupo Especial. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, o presidente da agremiação enfatizou a busca pelo acesso e afirmou que a gestão da escola de samba buscará um trabalho técnico, luxuoso e atendendo a grandeza que representa o Império Serrano.

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Fotos: Raphael Lacerda/CARNAVALESCO

Ao falar sobre o tamanho da responsabilidade em assumir o comando do Reizinho de Madureira, Flavinho disse que o foco é montar uma escola competitiva e que dê espaço para a comunidade.

“Entender a dimensão do Império Serrano hoje é entender a importância de manter essa continuidade da responsabilidade que é fazer carnaval. Colocar na Avenida um carnaval luxuoso, competitivo, organizado, robusto e com a comunidade engajada e presente na escola”, afirmou o presidente da agremiação.

Com o objetivo de dar ao Império Serrano o destaque à altura do tamanho e da importância da agremiação no carnaval carioca e colocar a escola de samba de volta no Grupo Especial, o presidente foi enfático ao ser questionado sobre o que diria ao torcedor.

“A verdade é que a gente vai conseguir colocar o Império Serrano no Grupo Especial. Eu vim com esse objetivo de organizar, colocar o Império Serrano no Especial de novo e manter a qualidade dele. Pode ter certeza que vamos chegar com garra”, afirmou Flavinho.

O Império Serrano trouxe novos nomes para alguns dos principais segmentos da escola, em busca do retorno ao Grupo Especial. Segundo Flavinho, a chegada do intérprete Tem-Tem Jr., do casal de mestre-sala e porta-bandeira, Anderson Abreu e Eliza Xavier, além do diretor de carnaval Jeferson Carlos é resultado de uma escolha técnica.

“Nós temos buscado uma administração mais técnica. Daí fazemos um apanhado do que foram esses profissionais nos últimos três carnavais e escolhemos tecnicamente o melhor para poder contribuir com a evolução da nossa escola”, explicou.

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Lembrando a gestão de Sandro Avelar, Flavinho disse que a escola pensa em uma gestão técnica que entregue um carnaval à altura do Império Serrano. “O Império Serrano vem em uma crescente administrativa de 2020 para cá. Desde que o Sandro Avelar assumiu a presidência da escola nós temos pensado em uma gestão mais técnica e com pessoas qualificadas em cada segmento e vice-presidência da casa, com a responsabilidade de entregar um trabalho sólido, transparente e luxuoso. É isso que pensamos para o carnaval do Império Serrano: luxuoso, competitivo, robusto e bonito”.

Com uma administração de quase três anos, Sandro Avelar conseguiu colocar o Império Serrano de volta ao Grupo Especial após três anos de Série Ouro. Flavinho comentou sobre o legado que foi deixado pelo seu antecessor.

“O Sandro conseguiu arrumar a casa e abriu as portas para que conseguisse chegar, administrar, manter a boa gestão que ele iniciou e dar continuidade nessa crescente. O objetivo é, de fato, mergulhar nesse potencial universo administrativo do Império Serrano para poder chegar no Grupo Especial com maior solidez”, contou o presidente.

Luto do rebaixamento de 2023

O Império Serrano foi rebaixado com um ponto de diferença para a penúltima colocada. Agora, o torcedor imperiano tenta superar a injusta queda para brigar pelo retorno ao Especial. O presidente da agremiação destacou o tamanho da escola de samba, que possui nove títulos do Especial e marcou gerações com imponentes carnavais.

“Acho que ainda sofremos esse luto. Hoje foi o dia de romper esse luto e mostrar para todas coirmãs, com todo respeito, que o Império Serrano tem potencial, quesito e comunidade para se manter no Grupo Especial”, disse o gestor.

Em 2024, o Império Serrano será a oitava escola a desfilar na Marquês de Sapucaí no sábado de carnaval com o enredo “Ilú-ọba Ọ̀yọ́: a gira dos ancestrais”. * LEIA AQUI A SINOPSE DO ENREDO

Império da Tijuca faz feijoada no domingo e recebe sambas concorrentes

O Império da Tijuca realiza neste domingo mais uma feijoada imperial edição “Festa Julina”, a partir das 13h, no salão nobre do Tijuca Tênis Clube. Neste mês, a grande convidada será a Unidos de Vila Isabel. que promete uma belíssima apresentação com seu elenco show, ao som dos maiores sambas-enredos de sua história.

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Foto: Divulgação

Teremos as apresentações das Quadrilha Esperança e Junina PodeC Show. Nos intervalos, Moisés DJ embala o almoço tijuca com os mais diversos ritmos.

A feijoada ficará marcada pela entrega dos sambas-enredo para o Carnaval de 2024 e a 1º eliminatória do concurso musa imperial.

A Sinfonia Imperial também vai dar o tom da festa. Os ritmistas comandados pelo mestre Jordan sobem ao palco com nosso intérprete Daniel Silva e seu carro de som.

O Tijuca Tênis Clube fica na Rua Conde de Bonfim, 451, e a entrada e a feijoada, antecipadas, custam R$ 35. Os ingressos estão à venda na bilheteria do clube e pelo WhatsApp: (21) 98195-6363.

SERVIÇO
Feijoada Imperial
Data: 23/07/2023
Horário: 13h
Salão Nobre do Tijuca Tênis Clube – Rua Conde de Bonfim, 451
Valores ANTECIPADOS (até 22/07 às 20h)
Entrada: R$ 30
Entrada + Feijoada: R$ 35
Mesa: R$ 20
Combo 4 entradas + 4 feijoadas + 1 mesa (4 pessoas): R$ 140
Informações: (21) 98195-6363

Vai-Vai é a convidada do Salgueiro para o ensaio deste fim de semana

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O “Salgueiro Convida” desta semana levará à Silva Teles o Vai-Vai, escola de São Paulo que conta com 15 campeonatos no currículo. Sempre esperada pelo público, a Saracura vai desembarcar no Rio de Janeiro com todo o seu elenco para apresentar-se mais uma vez na quadra dos Acadêmicos do Salgueiro e fazer a festa do sambista.

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Foto: Fábio Martins/Site CARNAVALESCO

“A Vai-Vai é uma Escola de muita identificação para o Salgueirense por ser uma escola preta, de raiz e resistência. O que queremos é ampliar cada vez mais esta parceria com o Carnaval de São Paulo e de outras cidades para fazer do Salgueiro Convida uma celebração do sambista de todo o Brasil”, diz André Vaz, presidente da Academia do Samba.

A festa na Silva Teles começa às 20h30 com a roda de samba. Em seguida, o elenco show do Salgueiro comanda a festa e abre-alas para a folia com sambas que marcaram a trajetória da Escola. Ao som da bateria Furiosa e na voz do Emerson Dias, o time de estrelas do Salgueiro se apresenta para então receber a escola convidada da noite.

A entrada custa a partir de R$ 30 (pista), e os camarotes podem ser adquiridos pelo telefone (21) 3172-0518 ou (21) 97453-1669. O valor para 12 pessoas é a partir de R$ 700,00.

Serviço: Salgueiro Convida Vai-Vai
Data: 22 de julho, sábado
Horário: a partir das 20h30
Valor: pista a partir de R$ 30;
Mesa R$40,00;
Camarotes para 12 pessoas a partir de R$ 700;
Classificação: 18 anos

Conheça a sinopse do enredo da União de Maricá para o Carnaval 2024

Argumento

Em 2024, o Grêmio Recreativo Escola de Samba União de Maricá apresenta o enredo “O Esperançar do Poeta”, uma homenagem ao papel social, cultural e humanitário presente no ofício do compositor. Pois reside na caneta do compositor os sonhos mais puros e imaculados desse povo que mesmo de frente ao que há de mais perverso e desesperador na nossa sociedade, se permite querer, sonhar e construir mais. 

logo marica2024

A música nos leva além da Esperança. Ela nos traz a possibilidade de Esperançar. 

Paulo Freire, grande educador brasileiro, uma vez escreveu sobre a Pedagogia da Esperança, onde dizia: 

“É preciso ter esperança, mas ter esperança do verbo esperançar; porque tem gente que tem esperança do verbo esperar. E esperança do verbo esperar não é esperança, é espera.’’ Esperançar é a capacidade de olhar e reagir àquilo que parece não ter saída. Por isso, é muito diferente de esperar; temos mesmo é de esperançar. Esperançar é ser capaz de buscar o que é viável para fazer o inédito. Esperançar significa acreditar no que parecer ser impossível.

E assim sendo, o que é o sonho do compositor senão o ato de Esperançar? Nós, sambistas, recriamos nossos mundos há um bom tempo enquanto construímos o que hoje este país chama de identidade, mas nega como cultura. Músicas, enredos, toadas, cortejos que são o reflexo mais verdadeiro desse processo. Esperançar é um movimento de existência, que elege seus próprios valores e saberes a partir da realidade vivida. E ao colocar tinta em suas canetas, e melodia em suas palavras, nossos compositores são capazes de nos fazer enxergar além. 

Transformar a tampa da marmita em pandeiro, e fazer o trem lotado se tornar um palco musical. É a capacidade de afastar a depressão nas cordas de um violão, e mesmo tendo que superar a desordem do coração, conseguir superar a desilusão. Pois não é vergonha entender que, muitas vezes, a desilusão quase é capaz de nos pegar. Mas nós somos malandros, daquele tipo que balançam, mas não caem. Afinal de contas, aprendemos a festejar desde cedo, no barraco do Nego João, e a prosperar mesmo a pouco leite e pouco pão. 

Fora dos conceitos dos livros, mergulhando nas vivências do mundo, nossos professores da esperança, os compositores, estão produzindo pensamentos, são cronistas da antropologia, do movimento social e cultural. São os mestres que nos trazem possibilidades de outros mundos a serem sonhados, sem esquecer este em que vivemos. O samba é terapia popular, seu preto tem orgulho de você.

Homenageando este movimento, convidamos todos os compositores para um bate-papo com um dos mais importantes compositores da nossa história, Guaracy Sant’anna, o Guará, artista que compôs nos anos 1980 grandes sucessos que refletiam a vida do negro sambista, suburbano e favelado, sempre o levando a uma reflexão, mas principalmente lhe trazendo orgulho e a possibilidade de sonhar. Para Guará, sempre havia uma possibilidade de sobreviver. A inspiração vem de longe. Guará sabia, seus pares sabem, nós sabemos.

Existe a luta para quem quiser lutar.

Luta na caneta. Na voz. Na corda. Na palma da mão. Nos atabaques, pandeiros, violas, ganzás e tamborins. Luta nas ferramentas que sempre utilizamos para poder enxergar mais. O samba nos faz enxergar mais, querer mais e não aceitar menos. E Esperançar na nossa batalha de cada dia.

Vamos fazer um samba com Guará?

Primeiramente, senhoras e senhores compositores, é um prazer contar com a sua participação no concurso de samba de enredo da União de Maricá, visando o carnaval de 2024. Num projeto como o desse ano, é extremamente importante para nós contarmos com a presença de vocês, compreendendo que é no ofício que vocês desempenham com tanto amor e carinho que mora a inspiração para o nosso carnaval. Isto posto, gostaríamos de convidá-los a compor esse samba com o Guará, partindo do princípio da nossa proposta, que é compor junto a ele um samba em resposta à provocação que chega pelo rádio.

Daqui de baixo já conseguimos ouvir
toda noite cantoria em meio ao gritos
Lá de cima vem um toque 
Marca como se fosse um relógio
Marcando o seu próprio tempo 
que não é este em que me encontro

O que espera essa gente? 

Em meio a escuro dos becos 
espremidos sonhos e desejos iluminados pela luz da candeia
enfim chegamos à clareira
Clareou um terreiro e estão em festa.
Estão em festa? Por que são felizes? 

O que espera essa gente? 

vibrando o couro do surdo 
negra mão surrando um atabaque
couro de gato no tamborim 
nem parece que estão aqui 
Não parece que vivem aqui! 
Aqui?! Aqui?! Aqui?! 

Tábuas de madeira seguram seus barracos
o telhado de zinco onde dá pra ver o céu estrelado 
E estão dançando como se não vivessem aqui 
Aqui?! 

O que espera essa gente?

Eu quero uma resposta porque não entendo 
Quando estão cantando com os olhos fechados 
Não sei o que sentem
Eles sonham? com o que sonham?
Eu não entendo, não entendo, não entendo.

O que espera essa gente? 

Esperam acordar em um lugar diferente? Clamam por algo que não vai chegar? Mas, por que de sorriso aberto? Está no violão uma solução para a depressão? 

O que espera essa gente? 

Eu acreditava que não se moviam
Julgava que sucumbiam 
Pensava que morriam 
Deduzia que não voassem 
Presumia violência no mundo que vivem

Afinal, quem é essa gente? 

Que passa por tanta coisa e ainda faz festa. 
Eles passam o ano inteiro 
Numa preparação que ocupa a mente
aonde isso te leva, entende? 
Festa o ano inteiro 
Existe trabalho para impor respeito? o que constrói essa gente? 
Onde vão chegar? 

O que espera essa gente? 
Porque o batuque continua 
mês a mês um evento diferente 
se eu contar o Brasil todo, fico doente
Essa gente só samba, só dança, só reza é quer ser rei de paetê. Pra quê?

O que espera essa gente?

Mestre de bateria, capoeira, de sambinha
Mestre fulano, ciclano, fuleiro, folia o ano inteiro estão sorrindo 
não pensam no futuro dessas crianças
É o dia todo: não corre, menino! 
Não existe um exemplo decente, corrigido

O que espera essa gente?

Em que se transformarão? 
Eles não procuram um futuro, não olham pra frente 
só olham pra trás, eu tô com pena dessa gente

Eu não aguento esse tipo
Esse tipo que só espera

Dentro da liberdade para as referências e para a inspiração, é essencial compreender que a proposta para o samba é que ele seja uma resposta a essa provocação. Enxergamos que cada um teria sua própria maneira de responder tais absurdos, mas nos é essencial que não deixe de ser uma resposta. Por que fazemos festa em meio à miséria, à violência, à fome? Por que o batuque nunca abandona nossas vidas? Por que insistimos em manter o sorriso aberto e a recorrer ao violão para vencer a depressão? É preciso que apresentemos às pessoas quem somos, porque somos e mais do que tudo, por que insistimos em ter esperança e em esperançar a ideia de dias melhores. 

1º Setor

O universo particular de cada compositor. Aqui, fazemos uma homenagem ao próprio ato de compor, à magia envolvida nesse processo, e às maneiras com que a inspiração pode chegar até nós. Desta forma, procuramos falar das coisas que nos trazem inspiração, mas não são exatamente palpáveis. A luz, o cantar das cigarras e dos pássaros, o cheiro de café recém-passado ou a textura de um lenço. 

Tudo isso são caminhos e materiais que nos levam para um estado de suspensão do próprio tempo, e nos carregam para um lugar onde podemos construir o nosso sonho de um lugar melhor. É nesse sentido que construímos o nosso enredo, e pensamos nele a partir do Esperançar. A construção desses sonhos, o esforço ativo para transformar a inspiração em música, e com ela abrir as portas para um novo mundo. Para nós, Esperançar é transformar a inspiração em sonho, e com esse sonho, construir a realidade. 

2º Setor

Entretanto, nem tudo são flores. A nossa realidade grita em nossos ouvidos, de maneira que esquecer não é uma possibilidade. Só que, para nós, nunca foi sobre esquecer, pois não temos a chance de fazê-lo. Mas podemos transformar a desilusão em novas ferramentas para acreditar e implementar um futuro melhor. Então, usamos a música para buscar alternativas, e uma maneira de fugir dos nossos ais. Denunciar a falta de assistência, a falta de estrutura e os demais problemas que são persistentes e contínuos na nossa realidade por intermédio da melodia e da poesia é uma arte que dominamos.

3º Setor

A cultura afro-brasileira é a consequência de constantes tentativas de sobrevivência em um país que insiste em negar cidadania a estas populações marginalizadas. A nossa cultura é também uma estrutura robusta que substituiu ao longo do tempo as estruturas que deveriam ter sido oferecidas pelo poder público, mas nos foram negadas pois nos negaram o direito de sermos cidadãos. São nestas manifestações culturais que o sonho em tornar-se rei, como símbolo de participação de poder e possibilidade de transformação, se afloram e se materializam. E, no carnaval, virando reis e rainhas, símbolos de força e magnitude, os sambas que acompanham estes enredos mudam e salvam vidas, nos oferecem a oportunidade de sonhar o que parece impossível, e construir na avenida a realidade que coroa os nossos semelhantes.

4º Setor

A música nos ajuda a superar as dificuldades caminhando na construção de um futuro melhor, e parte dessa construção está na nossa fé. A fé de que veremos dias melhores, nos apegando em nossos padroeiros, protetores e guias, com a esperança de que neles encontraremos a força necessária para fazer com que essa esperança não seja um verbo de espera, mas sim uma ação de preparação para o tempo que vem. 

O tempo onde a bonança tomará nossas vidas, a fartura ocupará as mesas e nossas crianças não serão mais um “problema social”. Assim, a nossa fé também reside nas nossas lideranças, pois mora nelas o caminho de dias melhores. As lideranças do povo, da favela, do subúrbio. Com uma mensagem de fé e esperança(r), nós encerraremos o nosso desfile preparados para um amanhã mais gentil para os nossos.

Autores do enredo: André Rodrigues, Igor Trindade, João Vítor Silveira e Kamila Maria
Autores do texto: André Rodrigues e João Vítor Silveira

Sinopse do enredo do Império Serrano para o Carnaval 2024

Enredo: “Ilú-ọba Ọ̀yọ́: a gira dos ancestrais”

enredo iserrano2024

Òrun e Àiyé. Céu e Terra. Lugares onde homens livres e divindades conviviam em harmonia, circulando, nos mesmos universos, dividindo suas existências.

Um dia, um homem tocou o Òrun e maculou o Céu dos Orixás. Irado com o descuido dos mortais, Olorum, criador do Universo, separou Céu e a Terra com um sopro e dividiu, para sempre, os dois mundos.

Os Orixás ficaram isolados e se entristeceram. O Deus maior, Olodumaré, então, consentiu que retornassem à Terra, mas somente se incorporados nos humanos preparados para esse fim. Ordenou que Oxum cuidasse para que eles recebessem os Orixás. E assim foi feito.

Com oferendas, os homens convidaram os Orixás a voltarem à Terra. Tocaram tambores, batás, xequerês, agogôs e adjás. Cantaram e bateram palmas para receber suas divindades, que felizes, religaram o Òrun ao Àiyé.

O tempo passou e, em seu horizonte infinito, o continente africano presenciou muitos amanheceres. Mas também foi testemunha, da triste partida de navios tumbeiros, na corrente que levou homens e mulheres da Costa da Mina – região habitada pelos povos de Ifé, Oyó, Owu, Daomé e Ila, entre outros – para a escravidão no Brasil.

Em meio à brutalidade enfrentada no novo mundo, iniciou-se o processo de resistência negra, movimento que se deu de várias formas. Uma delas foi a rica herança espalhada em terras brasileiras pela oralidade de nossos ancestrais. O culto aos Orixás reapareceu e se fortaleceu na Bahia. E foi na Gira dos deuses que a união entre homens e Orixás renasceu e foi ressignificada em forma de Candomblé.

Como em todo ritual, o Xirê também respeita uma ordem. Inicialmente, convoca-se Exú, o mensageiro. É a Ele que se pede licença para a Gira começar.

Tem Gira no Terreiro!

O templo religioso é o local onde toda a ancestralidade africana é revivida. Onde os Orixás reencontram seus filhos, descendentes de todos os reinos que, um dia, formaram o grande Império de Ilú-Obá Oyó na África Ocidental. É na Gira que as divindades se manifestam.

A Gira vai começar. O tambor é tocado para que os Deuses Supremos do Candomblé sejam invocados. Um a um, na ordem a ser respeitada, os iniciados, em transe, entram na roda. Para cada Orixá, uma cor, um toque, uma dança, uma música, uma saudação…

Ògún ieé, meu Pai OGUM (Ògún), Senhor dos caminhos;

Okê Arô, OXOSSI (Òsóòsì), Rei da mata;

Atotô Ajuberô, OBALUAYÊ (Obalúaiyé), divindade da saúde e da cura;

Ewé Ó, OSSAIM (Òsanyìn), sacerdote das folhas;

Arroboboi OXUMARÊ (Òsùmàrè)”, Deus do arco-íris, símbolo da continuidade;

Kawó Kabiesilé!, XANGÔ (Sàngó), Deus da Justiça;

Ora yê yê ô!, OXUM (Òsun), Soberana das águas doces;

Obà Siré, OBÁ (Obà) Guerreira e protetora;

Eparrei!, OIÁ IANSÃ(Oya Iyà Yánsàn), Senhora dos ventos e tempestades;

Logun ô akofá! LOGUN EDÉ (Lógunède), Orixá da riqueza e da fartura;

Ri Ro Ewá! EWÁ (Yewa), Deusa da intuição e da vidência;

NANÃ (Nàná), Saluba, Vovó! Senhora da criação;

Erù-Iyá, Odó-Iyá, IEMANJÁ (Yemoja), Senhora de todas as águas;

Epa Bàbá, OXALÁ (Òrìsàlufan) Senhor da criação.

Gira completa. Orixás saudados. A festa vai encerrar. Fecha um ciclo para outro começar. Pedimos proteção e justiça.

De Ilú-Obá Oyó à Serrinha, Impérios ligados por laços ancestrais. Bênçãos para o nosso Império Serrano, lugar de luta e de fé. De quem pode perder uma batalha, mas não perde a guerra.

Cujos domínios estão no samba de raiz.

Da força  que vem de seus fundadores, imortalizados no panteão do carnaval.

Salve Vovó Maria Joanna, Tia Ira benzedeira, Dona Eva, Elói Antero Dias, o Mano Elói.

Salve o Santo Guerreiro, nosso padroeiro.

Salve o Império Serrano.

Salve a Gira dos ancestrais!

Axé!

Carnavalesco: Alex de Souza
Colaborador: Paulo Cesar Barros

Sinopse da Inocentes de Belford Roxo para o Carnaval 2024

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APRESENTACÃO

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“O carnaval é a construção de um sonho. A cada ano, um novo enredo e a materialização de algo que foi acalentado em nossas mentes para ser compartilhado com todos aqueles que se deixam envolver por essa festa. Uma brisa de magia que emana em forma de música, canto e dança. Uma aura de comunicação que integra todos nós em um só sentimento. Partilhar um sonho com o povo é a essência primordial do bem comum. Quando sonhamos juntos, sonhamos grandes e sonhar grande é algo muito poderoso, especialmente quando todos os dias, nossa escola trabalha para encurtar o espaço entre o desejo e a conquista a cada desfile de carnaval, ela traz no sorriso de seus componentes a perseverança da luta diária e no brilho dos olhares a esperança de alcançar a Vitória”.

A magia dos Búzios: protagonista internacional do Carnaval

“A mais famosa península do Brasil será eternizada pela inocente de Belford roxo, que fará uma viagem mágica pela história presente e futuro deste paraíso na terra abençoado pelos deuses das artes e do carnaval. Neste projeto inédito, A caçulinha da baixada quer ir muito além do carnaval, pois deseja dar palco aos atributos naturais e as diferenças de inovação e sustentabilidade dessa cidade que retoma seu lugar de destaque global. Transformando Búzios num grande ponto de oportunidade, criando um verdadeiro show room cenográfico do que a cidade pode oferecer e receber dos milhares de visitantes. Disputando a glória na avenida, mas também os investimentos e oportunidade para o seu povo, dentro e fora do Brasil!

Prepare a selfie, pois o passaporte da alegria é Belforroxense e vamos atracar o nossa embarcação mágica nesta armação dos Búzios nosso transatlântico cultural cabe todo mundo!

INTRODUCÃO

No começo do tempo e da história, encontrasse um lugar
Com mar azul turquesa e praias de encantar
Armação dos Búzios, terra de pescador
Que hoje é um polo turístico e encanta o mundo todo.
Os índios Tupinambás, os primeiros moradores
Pescavam em suas águas e preservavam o seu habitat natural
Mas com a chegada dos europeus tudo mudou
Aqui nasceu a cidade que tanto encantou.
Na época da escravidão, Búzios não se rendeu
A liberdade de seus negros é o que mais valeu
De lá para cá muita coisa aconteceu
E a cidade foi crescendo para quem quisesse ver.
A história da cidade encantada
Desde os tempos das antigas aldeias Tupinambás
São muitos os mistérios que envolvem a natureza
Das águas azuis a mata Atlântica em plena beleza
De Brigitte Bardot aos pescadores locais
A cidade ganha a vida com seu povo hospitaleiro e tão especial
Búzios, a cidade que encanta
Com sua biodiversidade preservada
Dos mares as montanhas, tudo em harmonia
Em meio a natureza exuberante que traz tanta magia

Das lendas Caiçaras belezas urbanas
Búzios é uma verdadeira joia rara
E a inocente de Belford roxo contará
A história da cidade que não cansa de nos encantar
Na batida do surdo e ao som da cuíca
Vamos exaltar cada canto desse paraíso
Que sem parar nos faz sonhar, viajar
E sentir o coração dessa cidade pulsar
Um enredo sobre o amor e preservação
De uma cidade que tanto simboliza a nossa nação
Búzios, cidade amada
Com toda sua natureza encantada
E assim, a inocente vem passar
A mensagem de fé no futuro com responsabilidade de preservação
E com alegria e poesia
vamos celebrar esse tesouro que
armação dos búzios sempre vai nos dar.

CARTA DE APRESENTACAO DO ENREDO

A escola de samba Inocentes de Belford roxo decidiu homenagear a cidade de Armação dos Búzios, localizado no estado do Rio de Janeiro, em seu próximo desfile. O enredo irá contar a história da cidade desde a antiguidade até os dias de hoje. A narrativa começa com a chegada dos povos indígenas a região e a fundação da aldeia dos tucuns. Os primeiros exploradores portugueses chegam ao local junto com corsários franceses em busca de pau-brasil e passam a colonizar a área.

Durante o período colonial, Búzios torna-se um importante centro comercial devido às suas águas cristalinas de grande riqueza marinha. Em meio do século XIX baleias eram comuns na orla carioca por conta disso instalasse a indústria de pesca e extração de óleo e carne de baleia influenciando assim a economia local. Surgindo o nome oficial da cidade que passou a ser chamada de Armação dos Búzios por conta de uma armação de madeira que ficava posicionada na praia onde foi instalada a indústria citada acima. A cidade ganha um novo impulso com a utilização do óleo da baleia misturado com cal se torna uma argamassa forte que foi muito utilizado na construção das primeiras casas de veraneio.

O desfile seguirá contando a história da cidade durante os anos 60, quando ganha fama mundial após a visita da atriz francesa Brigitte Bardot. A escola de samba irá recriar a atmosfera da época e homenagear Bardot que ajudou a divulgar beleza exuberante de Búzios. A partir dos anos 80, a cidade ganha ainda mais visibilidade com o turismo de luxo e a presença de personalidades internacionais.

O enredo irá destacar a importância da preservação da natureza e a busca pela sustentabilidade, mostrando como é possível conciliar o desenvolvimento turístico com a preservação do meio ambiente. O último setor do desfile irá destacar a atualidade da cidade, ressaltando a diversidade cultural e a importância do ecoturismo para a economia local. A escola de samba trará para avenida os principais pontos turísticos de Búzios, como as praias, os mirantes, a rua das Pedras e a praça Santos Dumont, além de enfatizar a riqueza histórica e cultural do lugar.

Com o enredo que promete emocionar e encantar o público, a Inocentes de Belford Roxo busca destacar a beleza e a importância de armação dos Búzios para o Estado do Rio de Janeiro, o Brasil e o mundo. Será um desfile inesquecível que ficará na memória de todos os sambistas e turistas que acompanharem o grande desfile de carnaval da Caçulinha da Baixada, no Marquês de Sapucaí”.

Texto: Cristiano Bara

International Samba Congress chega ao fim e professores ressaltam a importância do intercâmbio anual

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Uma verdadeira imersão na cultura e nos ritmos brasileiros chegou ao fim deixando um gostinho de quero mais e reafirmando a força do samba mundialmente. O International Samba Congress 2023 aconteceu no último fim de semana reunindo no Mids Arts, renomado centro cultural da cidade, uma gama de professores brasileiros à serviço da cultura propagando internacionalmente traços que são parte do legado ancestral do povo brasileiro.

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Fotos: Divulgação

Ao longo de três dias, ritmos como o frevo, maracatu, o samba de gafieira, além da força dos tambores na dança afro e a ginga dos malandros e cabrochas tomaram conta do espaço por conta dos workshops ministrados por profissionais como Marcelo Chocolate, Fábio Batista, Karla Moreno, Dill Costa, Aurinha de Jesus, Pablo Guerreiro, entre outros.

No encontro de profissionais, diferentes gerações contemplaram os quase 200 inscritos com suas experiências teóricas e práticas na arte do movimento. Nilce Fran, que participa do projeto desde sua primeira realização em 2016, destacou a importância do evento como uma oportunidade de fomento e reconhecimento do samba como manifestação cultural referência para o Brasil.

“Estar ao lado de profissionais que, embora jovens, têm tanta experiência para agregar é maravilhoso. O International Samba Congress é muito mais do que um congresso, é um encontro, uma imersão profunda em nossa cultura e quem ganha não são só os alunos, mas os professores também”, diz a diretora de passistas da Portela.

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Atuando pela primeira vez no evento, Wallace Araújo, endossa as palavras de Nilce. “Foi uma espécie de encantamento que movia cada corpo que ali estava, três dias de muita entrega tanto dos professores quanto dos alunos. Parafraseando Caetano Veloso, ‘sem samba não dá’, afirmou.

Idealizadora do projeto, a psicóloga brasileira Ana Laidley já prospecta os próximos passos. De imediato, a empreendedora cultural reforça as aulas do subscription, modalidade online disponível na plataforma oficial do projeto na internet.

“O ISC surgiu com a proposta de mostrar a potência da nossa cultura através da dança e temos muito orgulho de conseguir alcançar os resultados que tivemos. Sabíamos desde o início que este seria um grande desafio por conta da retomada no formato presencial e foi muito além do que pretendíamos, tanto em resultado quanto em número de inscritos. Agora é respirar e já começar a pensar na edição 2024”, diz Aninha Malandro, como é conhecida no segmento do carnaval.

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Entre workshops de dança e percussão, palestras como as de Milton Cunha falando sobre a história do carnaval ganharam a atenção do público formado por profissionais da dança e amantes da cultura e dos ritmos brasileiros.

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“Foi um momento mágico do samba como estrela internacional dos ritmos. A quantidade de grandes professores, passistas, mestres, fez desse encontro intenso, cultural, proveitoso e que honra as raízes de Ciata porque é liderado por uma mulher, Aninha Malandro,é a Ciata de Hollywood”.

Beija-Flor define chaves para a próxima etapa do concurso de samba-enredo

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Depois de receber a inscrição de 22 sambas para o concurso que definirá o samba-enredo oficial do Carnaval 2024, a Beija-Flor de Nilópolis realizará a próxima etapa na quadra, com entrada franca, em duas datas: quinta-feira e segunda-feira. A TV Beija-Flor transmitirá todas as apresentações no YouTube, a partir das 20h30.

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Em reunião realizada com representantes das parcerias e das direções de Harmonia e Carnaval, ficou definido que quatro obras de cada dia serão eliminadas, seguindo 14 para a próxima fase. Aquelas que chegarem ao top 10 terão os sambas gravados pela agremiação na voz do intérprete Neguinho da Beija-Flor.

No próximo ano, a Beija-Flor levará para a Sapucaí o enredo “Um delírio de Carnaval na Maceió de Rás Gonguila”.

Confira a ordem de apresentação:

Quinta-feira (20/7)
Samba 201 – Guilherme Gonçalves
Samba 203 – Fernandinho Bilhalva (Cova da Onça), Oscar Favila e Thiago Andrade
Samba 03 – Zé Carlo do Cavaco, Valdir do Samba e Ademir Cipriano
Samba 20 – Moisés Silva, Eliezer Setton, Kadinho da Ilha, Almir Sereno, Marcelo 100 e Leo Berê
Samba 17 – João do Cazulo, Sereno do Cabral, Henrique Nova Cidade e Leo Barroso
Samba 12 – João Conga, Cesar Reis, Beto Bombeiro e Ademar Barbosa
Samba 01 – Leo do Piso, Diego Oliveira, Diogo Rosa, Júlio Assis, Manolo e Wilson Tatá
Samba 02 – Junior PQD, Rodrigo Tinta, Marcio França, Nando Souza, Robinho Donozo e José Saraiva
Samba 30 – Robson Batalha, Carlinhos da Xerox, Marcelo Machado, Vinicius Pacífico, Breno Machado e Edinho da Saúde
Samba 05 – Junior Trindade, Romulo Presidente, Gilberto Oliveira, Samir Trindade, Robson Bastos e Thiago Portela
Samba 09 – Carlos 2C’s, Grazi Barbosa, MK Sullivan, Waldemar da Silva

Segunda-feira (24/07)
Samba 202 – Ivandro Luiz Asquidamini
Samba 204 – Serginho SP, Paulo das Neves, Ney Ortiz, MC Duda, Aloísio Dias e Péricles Daniel
Samba 06 – Adelson e Joel
Samba 25 – Alencar de Oliveira, Leo Oliveira, Serginho do Porto e André Fullgaz
Samba 300 – Nurynho Almawi, João Fernandes, Marcio Oliveira, Profª Tânia, Gylnei Bueno e Profª Marli Jane
Samba 54 – Serginho Sumaré, Xande Ribeiro, Neilson Oliveira, André do Cavaco, Filipe Zizou e Ali Gringo Jabr
Samba 23 – Kirazinho, Lucas Gringo, Wilsinho Paz, Venir Vieira, Marquinhos Beija-Flor e Dr. Rogério
Samba 10 – Ademir, Cleber e Alexandre Pipoca
Samba 39 – Sidney de Pilares, Jorginho Moreira, Orlando Ambrosio, Lico Monteiro, Claudio Gladiador e Ailson Picanço
Samba 51 – Picolé da Beija-Flor, Arnaldo Matheus, Ted Carvalho, Careca Z1 e Egildo de Nilópolis
Samba 15 – Gabriel Maia e Arlene Cortez

Artista do Grupo Especial explicam a relação entre materiais e as narrativas de enredo

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Em pouco mais de três horas de conversa com alunos do Instituto de Artes da Uerj e simpatizantes do assunto, os carnavalescos Leandro Vieira, Leonardo Bora e Jack Vasconcelos, entre outros temas, falaram sobre a sua relação com os enredos. O quesito de alguns anos para cá ganhou um peso muito maior em relação a toda a organização dos desfiles. O objetivo do Seminário Escritas do Carnaval é o de formar estudantes do Instituto de Artes da UERJ para realizar uma cobertura crítica e ensaística do Carnaval 2024 na Revista Caju.

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Fotos: Lucas Santos/CARNAVALESCO

Na mesa, foi realizado o corte específico de 2018, considerado pelos organizadores do evento como um momento de guinada narrativa para os enredos. Ao falar da organização do desfile vice-campeão de 2018, Jack Vasconcelos contou um pouco de como conseguiu chegar a um entendimento de qual deveria ser o fio condutor do enredo “Meu Deus, Meu Deus.Está extinta a escravidão?”.

“A gente (a escola e o carnavalesco), anos antes daquele desfile, tinha chegado à conclusão de que íamos mudar o foco dos enredos. A ideia era fazer enredos que nos representassem, não ia rolar patrocínio neste grupo (na época na Série Ouro), vamos fazer o que a gente acredita então. Para todo carnavalesco isso é música. O que a gente quer é trabalhar em uma boa história. A gente quer passar o ano feliz. A gente queria trazer uma história bacana e uma história que botasse a gente para pensar. O processo de pesquisa desse enredo foi muito intenso para mim. Esse era um enredo que acabou me levando para um lado e para outro. Vinha muita coisa diferente. E já no final, mais ou menos uma semana para apresentar o enredo, eu me deparei com um livro chamado ‘Elite do Atraso’, e esse livro foi o que me fez costurar todo o raciocínio. Aí que eu pensei, ‘cara como eu sou burro’, a resposta estava na minha cara o tempo inteiro. E eu sei disso, porque eu sou uma pessoa pobre (risos). Você sabe que você faz parte desse jogo. Não há essa separação que eu estava dando na pesquisa. Eu estou dentro desse jogo. Eu senti que tinha perdido semanas tentando amarrar uma coisa que não ia encaixar. Meu olhar sobre a questão estava errada e isso me ajudou a crescer como pessoa. Tudo é uma relação de poder,tudo é uma relação de dinheiro”, entendeu o profissional.

Uma questão importante tratada também por Jack foi a relação intrínseca que o artista entendeu que precisava estabelecer entre a narrativa apresentada e os materiais e identidade visual que o desfile precisava ter.

“Para apresentar essa relação de submissão, aprisionamento eu criei nas fantasias braços sem cérebro, pensei em alimentar essa máquina. Trouxe equipamentos de aprisionamento, entendi que o enredo deveria ser metálico, porque o metal é o que aprisiona. Então ele que foi o condutor desse desfile, a parte visual.A ideia era trazer a sensação de aprisionamento. Não poderia usar nada confortável de se ver. Não queria que chegasse a um mau gosto, claro, mas queria que tivesse uma dureza clássica para quem estivesse assistindo”, explicou Jack.

Já o carnavalesco da Imperatriz Leopoldinense, Leandro Vieira também comentou um pouco sobre esta relação entre narrativa e identidade visual, frisando que tudo apresentado para um desfile pode ter significado.

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“Essa ideia de enredo eu sempre penso e sempre falo que o material conta enredo. O enredista é aquele que enreda, vem de rede e você precisa montar essa rede que transmite, que comunica. Sempre acho que tecido conta enredo, a linha escolhida conta enredo, ter paetê, não ter paetê conta enredo. Tudo conta enredo. O sapato conta enredo. O formato de uma cabeça conta enredo. Acho que o grande prazer de quem trabalha com a criação é de se entregar a isso, a esse caminho, que é cheio de subjetividade. A decisão da dureza ou delicadeza, o que transmite a delicadeza para um, o que transmite dureza para outros está na escolha dos signos e artigos”, avalia o profissional.

Leandro usou como exemplo o trabalho apresentado na Mangueira em 2018 com o enredo “Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco” estabelecendo esta relação entre a escolha de materiais para o enredo utilizado.

“Sobre especificamente o carnaval de 2018, tinha muito essa ligação com o carnaval da rua e eu tinha um momento de fantasias que eu acho particularmente muito bonitas que era o momento de construção de fantasias feitas com artigos muito ordinários, de serem artigos que as pessoas vão usar para fazer uma fantasia para ir no bloco de carnaval, usam o que tem em casa. Nas fantasias da Mangueira deste ano tinham toalhas de banho, tecido de toalha de mesa, tnt, o tecido mais vagabundo que tem. E eu fiz isso com a vontade de juntar o retalho, o remendo. O enredo está muito atrelado ao material”, acredita o carnavalesco.

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Leonardo Bora lembrou de como a construção do enredo e sua parte visual nem sempre acontecem de forma linear como outros tipos de arte e de construção narrativas

Também apresentando sua visão sobre o trabalho nas escolas de samba, Leonardo Bora lembrou de como a construção do enredo e sua parte visual nem sempre acontecem de forma linear como outros tipos de arte e de construção narrativas.

“Somos narradores e a construção narrativa de um desfile de escola de samba que é uma obra de arte e também um ritual, um espetáculo, e é algo que deve ser julgado, esse processo de construção da narrativa é muito complexo. Não é um trabalho exato que fica restrito a uma sala de criação. A gente leva o enredo para todo lugar. No banho eu começo a pensar em ala, e fazer lista. Essa coisa da materialidade, dos materiais é fundamental. Texto também tem a ver com tecido”, entende o carnavalesco.

Leonardo lembra que em 2018 na Cubango, devido a escassez de dinheiro, o artista e sua dupla Gabriel Haddad, se utilizaram bastante das características do enredo e da obra do artista Bispo do Rosário para fazer um carnaval criativo, cheio de ressignificados como o enredo pedia.

“No caso deste carnaval de 2018 era fundamental, porque era o que a gente tinha. Tecido a gente tinha, ainda que os mais puídos das lojas. Agora, placa de acetato não tinha. Tinha só uma ala que eram anjos, os que conduziram o Bispo por Botafogo. Era o São Miguel da Igreja de Santo Inácio. Era uma coisa muito básica porque não tinha como fazer formas. Tinha que negociar com alguém que fazia para outras escolas. Dava uma dor de cabeça muito grande. Vários elementos que a gente utilizava nas roupas eram semi prontos como o Bispo fazia, e colocava na roupa, ou era costurado. E tinha uma coisa que era a questão do acabamento. E a gente tem um terminologia no julgamento do nosso trabalho se uma coisa está bem acabada, mal acabada. E nesse caso no trabalho do Bispo a gente discutia sobre isso o tempo todo. Tinham roupas que não tinha acabamento em parte porque não tinha dinheiro, em parte porque a gente não queria. Mesmo que pudesse ter”, conta o carnavalesco.

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Jack Vasconcelos contou um pouco de como conseguiu chegar a um entendimento de qual deveria ser o fio condutor do enredo “Meu Deus, Meu Deus.Está extinta a escravidão?”

Leonardo Bora, que é professor na UFRJ no Departamento de Ciência da Literatura da Faculdade de Letras, encerrou o debate também falando sobre a relação entre a academia e o samba e como ambos podem estabelecer uma relação importante no que tange a arte e a cultura.

“Acho que a contribuição começa com a participação, entendendo a importância de abrir esses espaços e quebrando visões pré concebidas. Visões preconceituosas com escolas de samba e também com esses espaços acadêmicos. As coisas são muito maiores e muito mais complexas do que pode parecer em um primeiro momento. Me incomoda bastante, às vezes uma tentativa de ou olhar escola de samba como algo exótico, primitivo, simples, que pode ser arte dependendo de quem está fazendo, que é uma visão racista, elitista, tudo de ruim. Da mesma forma que causa para mim um incômodo de simplesmente creditar o problema porque o carnaval hoje não tem uma transmissão televisiva de sucesso como nos anos 80. Ou a receita pelo academicismo dos enredos. Isso para mim não quer dizer nada. Se a comunidade da escola está pulsando , está com um grande samba, se o desfile aconteceu, se as fantasias são bonitas, deu certo. E aí se alguém quiser mergulhar em uma pesquisa um pouco mais elaborada no sentido acadêmico, beleza”, finaliza o artista.

Concurso Rainha do Carnaval 2024: conheça candidatas da ‘Bangu’, ‘CCBC Vai Barrar? Nunca!’ e ‘Bangay’

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Por Augusto Werneck, Raphael Lacerda e fotos de Nelson Malfacini

Ana Carolina de Souza (@carolindastrassy) – Unidos de Bangu

ana bangu

O que representa ser sambista? “Muito amor, a arte do samba é reconhecimento profissional que através do mesmo eu levo para todo mundo a maior festa cultural do país.

Quais os atributos que uma rainha do carnaval precisa ter? “Simpatia, alegria e amor”.

Ana Cristina de Paula (@depaula2x) – CCBC Vai Barrar? Nunca!

ana ccbc

O que representa ser sambista? “Eu sou nascida e criada samba. Minha família é toda do samba. Representa o amor e o carinho.

Quais os atributos que uma rainha do carnaval precisa ter? “Saber se impor, ter postura e boa fala”

Catiane Monsores (@catianemonsoresoficial) – Bangay – Série Bronze

catiane monsores

O que representa ser sambista? “Levar alegria e passar energia”.

Quais os atributos que uma rainha do carnaval precisa ter? “Samba no pé e vivência no Carnaval”.