Compositores: Myngal, Fredy Vianna, Wladi, Xandinho Nocera, Clay Siri e Felipe Mússilli
É tempo de recriar a criação
Nas asas da escuridão surgia
O velho cajado traz sabedoria!
Plantou o amor, foi em vão
Colheu só ingratidão
Em cena a primeira encantaria!
Chuva e trovão, a voz de tupã
Vai purificar o amanhã
A onça celeste no céu faz tremer e chorar
Jaci, Garaci vão enfim se abraçar
O curumim o amor vem cultivar
Caraiba “sangra céu e mar”
Um rugido faz “estremecer”!
É preciso Vingar, para sobreviver!
Nos sagrados rituais
Xuatês e Maracás, canto e dança em louvação!
Ensinamentos do pajé
Ao povo Arawetê, kayapó e tantos mais!
Memórias da caça e nunca caçada
Rasgavam o sertão em noite de lua!
Lá vem a pintada matuta cabocla !
Diante dos olhos a gente não crê!
Miragem malhada de face encantada!
Desperta a onça que esta em você!
Em nossa alma tem uma fera!
Com sede de vencer!
Canta Caxias!
Sou indomável,Selvagem Grande Rio!
Ferve o sangue felino!
Farejando a vitoria,escrevendo o meu destino!
Compositores: Derê, Marcelinho Júnior, Robson Moratelli, Rafael Ribeiro, Tony Vietinã e Eduardo Queiroz
Apoio cultural: Licinho
TROVEJOU! ESCURECEU!
O VELHO ONÇA ! SENHOR DA CRIAÇÃO
É HOMEM FERA! É BRILHO CELESTE
DEVORA E SE VESTE DE CONSTELAÇÃO
TUDO ACABA EM FOGARÉU E DEPOIS TRANSBORDA EM MAR
A TERCEIRA HUMANIDADE, CUARACI VEM CLAREAR
Ê SUMÉ NAS GARRAS DA SUA IRA
ENFRENTOU MAÍRA, TANTO PERSEGUIU
SEUS HERDEIROS VIVEM ESSA GUERRA
POVOANDO A TERRA.
O BICHO MAIS FEROZ RUGIU
É PRETA, PARDA É PINTADA FEITA A MÃO
SUSSUARANA NO SERTÃO QUE VEM E VAI
MARACAJÁ, JAGUATIRICA OU JAGUAR
É JAGUARANA, ONÇA GRANDE MÃE E PAI
(ONÇA GRANDE MÃE E PAI)
YAWALAPITI, PANKARARU, APINAJÉ, NA VOZ DO POVO
ARAWETÉ NA FLECHA DE TUPINAMBÁ
DO TEMPO QUE PINTA A PEDRA
A FÉ DE SER ENCANTADA.
ONÇA – LOBA, ONÇA ALADA
NA MEMÓRIA POPULAR
KIÔ… KIÔ, KIÔ, KIÔ KIERA
É CABOCLA, É MÃO -TORTA
PÉ- DE- BOI QUE O CHÃO RECORTA, TRAVESTIDA DE PANTERA
KIÔ… KIÔ, KIÔ, KIÔ KIERA
A FOLIA EM REVERÊNCIA
ONDE A ARTE É RESISTÊNCIA
SOU CAXIAS, BICHO FERA !!
WERÁ… WERÁ AUÊ… NAURÚ WERÁ… AUÊ
A ALDEIA GRANDE RIO GANHA A RUA
NO MEU DESTINO A ETERNIDADE
TRAZ NO MANTO A LIBERDADE
ENQUANTO A ONÇA NÃO COMER A LUA
Compositores: Thiago Meiners, Marco Moreno, Denilson Sodré, Bertolo, Domingos PS e Dilson Marimba
Me faço Iaguar, Jaguaretê
Suaçurana, Tipai, Maracajá
PELAGEM DOURADA DE ONÇA PINTADA
JAGOARETÉ-APIABA, TUPINAMBÁ
Soam tambores pro senhor da criação
Reinava a noite na constelação
Quando a brasa incendiou
Trovão Tupã rasgou, oceano fez cicatriz
Em batalhas, Sumé trouxe a ira
Renasceu com Maíra o espírito aprendiz
Seus filhos corriam no avesso da mata
À luz de Cuaraci
Meu curumim caraíba ruge
Pra que a terra mude aos olhares de Jaci
VIVE O CANTO ARAWETÉ, WARI, KAMAYURÁ
VIVE O CANTO DO MAWÉ, JURUNA, KAIOWÁ
É O BRASIL DO URUCUM AOS BATUQUES MARACÁS
CLAMOR DE ONÇA GRANDE AOS ANCESTRAIS
VIVE O CANTO DO XIPAIA, TUKANO, PATAXÓ
VIVE O CANTO DO BANIWA E KAYAPÓ
É O BRASIL DO URUCUM AOS BATUQUES MARACÁS
CLAMOR DE ONÇA GRANDE AOS ANCESTRAIS
Na gira de caboclo, okê okê
A flecha e o ponto, versador
Se o onceiro é poesia
Caetana ganhou asas e voou
E o nosso destino é ser bicho onça
É ser a luta do irmão
Um estandarte pra erguer revolução
Resistir na voz dos carnavais
Quero ser o “selvagem” desse meu país
Pajé-onça de um futuro ancestral
Herdeiro originário da raiz
ÔÔÔÔ ÔÔÔÔ
PANTEÃO TUPINAMBÁ, GRANDE RIO, EU SOU
KIÔ KIÔ CANIDÉ-IOUUE
OUÇA O GRITO DE CAXIAS AO RUGIDO DO TAMBOR
Compositores: Elias Bililico, Dunga, Doc Santana, Dinny da Vila, Sergio Daniel e Henrique Tannuri
O VELHO BATEU FORTE O SEU CAJADO
O DESTINO FOI TRAÇADO
NO SILÊNCIO DA IMENSIDÃO
MAGIA, O RUGIDO DO TAMBOR
E A VIDA DESPERTOU
DA CELESTIAL ESCURIDÃO
QUANDO O HOMEM NÃO COMPREENDEU
NEGOU AMOR, O CAOS ACONTECEU
MAS TROVEJOU, RELAMPEJOU
FEZ A SEMENTE FLORESCER
NO HORIZONTE O ETERNO RENASCER
AUÊ…AUÊ CUARACI COCAR DE FOGO
QUEIMA O SOL NO INFINITO NAS CANTIGAS DO PAJÉ
AUÊ…AUÊ BRILHA A LUA DE JACI
CAI A NOITE NAS BATALHAS DE MAÍRA E SUMÉ
SEGUE A FERA EM SEU INSTINTO
REVELANDO O PODER DA NATUREZA
E NO RASTRO DA MEMÓRIA
NAVEGAM BRAVURA E NOBREZA
TEMPLOS SAGRADOS RITUAIS DE ADORAÇÃO
CAUSOS E CONTOS NO CORDEL DO MEU SERTÃO
FLECHA DE CABOCLO, SOM DA MATA QUE ME GUIA
E O FARO DO ANIMAL NO BATUQUE DA FOLIA
A LUTA É O RETRATO DA HISTÓRIA
PELE PINTADA FORÇA ANCESTRAL
MOSTRANDO AS GARRAS PARA DEVORAR O MAL
JAGUARETÊ CAÇADOR SOU GRANDE RIO
MINHAS PEGADAS DEIXAM MARCAS NESSE CHÃO
VIREI “ONÇA ENCANTADA” NA ALDEIA
SANGUE DE TUPINAMBÁ NA VEIA
Campeã do carnaval da Série Prata em 2023, o Sereno de Campo Grande está de volta à Marquês de Sapucaí e vai apostar num nome de peso para encabeçar os trabalhos de sua ala de compositores na construção do samba-enredo. Cláudio Russo já está usando a caneta juntamente com outros nomes que assinarão a obra que vai embalar o desfile da Azul e Branco da Zona Oeste em 2024.
“Eu estou muito feliz com o convite da diretoria do Sereno. É uma honra participar dessa volta da escola à Sapucaí, principalmente, com um enredo sobre Santa Bárbara e Iansã. Ventania, tempestade, muito fundamento e muito preceito. Faremos uma grande parceria e o Sereno vai fazer história na Sapucaí”, contou o compositor.
Cláudio Russo vai assinar o samba-enredo da Sereno de Campo Grande ao lado de outros nomes que já venceram disputas no Grupo Especial como Jaci Campo Grande, André Baiacu, Sérgio Alan e Beto BR, além de outros nomes como, Fabinho, Marcelinho, Fabio Bueno, Reinaldo Chevette, Aurélio Brito e Laio Lopes.
O Sereno de Campo Grande vai levar para a Marquês de Sapucaí em 2024 o enredo “4 de Dezembro”, contando a história das festividades em honra a Santa Bárbara, na Bahia, prometendo uma grande celebração de fé e devoção. O lançamento do samba-enredo acontecerá no próximo dia 20 de agosto, às 14h, na quadra da agremiação.
Após invadir a Marquês de Sapucaí e se consagrar campeão do carnaval carioca, chegou a vez de Lampião, o Rei do Cangaço, tomar conta da Cidade do Samba. No terceiro e último dia de Arraiá julino organizado pela Liesa, a campeã Imperatriz Leopoldinense fechou o evento com um mini desfile que contou com a presença de cerca de 360 componentes. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, membros da Rainha de Ramos compartilharam sobre a volta à Cidade do Samba para aproveitar o gostinho do campeonato e levantar o público presente.
A presidente Cátia Drumond comentou a participação da Imperatriz Leopoldinense no Arraiá. A gestora também foi uma das julgadoras das apresentações feitas pelas quadrilhas Gonzagão do Pavilhão, Shock do Painho, Geração Realce e Araquém Forró Show.
“Fizemos o que sabemos de melhor: sambar. Primeiramente quero parabenizar a Liesa. Acho que foi um sucesso, apesar de acreditar que algumas coisas precisam ser revistas. Foi super válido. A Cidade do Samba está aí para isso: para que aconteçam shows, eventos – independente se são de samba ou não. Achei que ficou legal essa junção da quadrilha e da festa junina com o samba, para que a Imperatriz pudesse mostrar para um outro tipo de público o que ela fez no último carnaval”, comentou a presidente da Imperatriz.
Fotos: Nelson Malfacini/CARNAVALESCO
A agremiação chegou a ser homenageada na grande final das quadrilhas. A Araquém Forró Show fez uma adaptação do samba-enredo campeão da Imperatriz e recebeu aplausos do público presente.
André Bonatte, diretor de carnaval leopoldinense, citou a sensação de pisar na Cidade do Samba, em uma festa julina, sendo campeão do carnaval com um enredo sobre Lampião.
“Pisar aqui como campeão é maravilhoso. Eu costumo dizer que a sensação é que esse carnaval de 2023 não deixa a gente, porque estamos o tempo todo revivendo. E que bom que foi um grande Carnaval. É um prazer sempre poder ouvir esse samba, essa bateria. Ainda está difícil de desapegar do carnaval de 2023 (risos)”, disse o diretor de carnaval.
Bonatte aproveitou para elogiar o evento e parabenizar a Liesa. Segundo ele, é o primeiro passo de futuros eventos juninos que acontecerão na Cidade do Samba.
“Primeiro tenho que parabenizar a iniciativa da Liga, porque esse é um espaço maravilhoso na cidade. Quanto mais a gente tiver movimentos, festas e espetáculos a cidade ganhará com isso. Para um primeiro ano começamos com o pé direito. Acredito que será mais uma festa no calendário oficial do Rio de Janeiro”, comentou Bonatte.
Já sabendo da proposta, ainda no final do carnaval, de fazer um Arraiá na Cidade do Samba, a Rainha de Ramos se preparou e separou os elementos cenográficos que seriam usados. Além de diversos adereços, o mini desfile também contou com o tripé da comissão de frente usado no último desfile. O diretor de carnaval contou que a comunidade abraçou a ideia e as vagas foram rapidamente preenchidas.
“Soubemos com antecedência. A escola vende alguns materiais, outros doamos para escolas que temos maior afinidade. Já deixamos esse material reservado para a festa. A dificuldade de trazer o componente foi ter que cortar, porque quando a gente anunciou nos grupos que faríamos o mini desfile, em menos de uma hora tivemos o contingente preenchido. Todo mundo quis desfilar”, contou Bonatte.
Assim como toda a comunidade, o intérprete Pitty de Menezes contou que ficou empolgado para o mini desfile com o enredo que consagrou a Imperatriz Leopoldinense campeã do carnaval.
“Felicidade muito grande, né? Poder novamente botar essa roupa, ter o contato com a minha comunidade e fazer essa festa para esse público veio comemorar São João. Maravilhoso poder trazer alegria de volta para o povo de Ramos que tá aqui assistindo e para todo mundo no samba”, disse Pitty.
“A gente ficou muito ansioso. Nós amamos o carnaval. A Imperatriz é uma escola que se pudesse tava adicionando toda semana (risos). Então, assim, poder relembrar, cantar, se divertir novamente com o carnaval campeão. A gente se preparou muito para trazer alegria e um grande espetáculo”, completou.
O intérprete aproveitou para falar sobre a importância de manter a Cidade do Samba como um local para eventos e que fomente a cultura no estado. “Precisamos ver isso aqui mais vezes”.
“É muito importante a gente poder estar presentes o ano todo. As pessoas que amam carnaval querem isso aqui mais vezes. E a gente também que trabalha carnaval quer ver isso aqui girando, tendo eventos para que mais pessoas possam trabalhar e se divertir também com o carnaval. Muito bacana ver as quadrilhas, que também são uma forma de cultura aqui do Rio e muita gente não conhecia. E hoje pude conhecer e trazer o samba fora de época. O povo ama e sente saudade. Tendo a oportunidade de ver um desfile novamente e relembrar um pouco o que a gente fez na Sapucaí”, ressaltou Pitty.
Comandando a “Swing da Leopoldina” desde 2015, mestre Lolo lembrou dos momentos difíceis que a escola de Ramos passou antes de voltar a ser campeã do carnaval. O mini desfile contou com a participação de 70 ritmistas. Confiante, agora o mestre espera por mais.
“É uma satisfação. Sofremos um pouquinho, fomos para no Acesso e graças a Deus neste ano nós fomos campeões. Estar aqui é uma honra. Agora estamos felizes. Campeões do carnaval e, se Deus quiser, virá mais por aí”, afirmou Lolo.
O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro, considerou o evento importante para levar cultura através do mundo julino e de um breve replay do que foi o imponente carnaval da Rainha de Ramos em 2023.
“É maravilhoso, uma sensação muito boa. Ainda mais depois de ter feito um bom trabalho, um trabalho que nos consagrou campeões do carnaval. É muito bom a gente poder se divertir enquanto detentor do título. Diante desse evento maravilhoso que a Liesa organizou, a gente fica feliz de poder propagar o nosso Carnaval, nossa cultura, dentro do festejo junino que também é uma cultura popular brasileira. É importante para que as pessoas saibam que a Cidade do Samba é um local público e que comporta eventos não apenas de carnaval, mas de qualquer escala cultural. A gente tem lá a praça Apoteose que não é muito utilizada para esse tipo de evento. Acho bacana proporcionar ao povo do samba esse tipo de festejo, seja ele junino ou carnavalesco. É importante trazer a cultura para dentro da Cidade do Samba”, afirmou o mestre-sala.
“É uma junção muito boa. São duas culturas muito populares. Eu gosto bastante, é uma junção perfeita. Serve muito para poder movimentar a Cidade de Samba, que tem um espaço tão bom de ter essa confraternização do sambista com a cultura das festas juninas. Acho que deu certo e espero que venham outros anos também. Movimenta o mundo do samba. A gente precisa disso, porque o Rio vive o carnaval o ano inteiro”, completou a porta-bandeira.
Dos conceitos mais importantes para a construção de um enredo carnavalesco, a semiótica foi tema de duas aulas no “1º Simpósio de Enredos – São Paulo”, evento realizado no último sábado (22), no Centro Cultural Olido e organizado pela Faculdade Centro Sul-Brasileiro de Pesquisa, Extensão e Pós-Graduação (CENSUPEG). Dois importantes nomes da folia no Rio de Janeiro e em São Paulo abordaram a temática nas respectivas apresentações.
Carnavalização de temas
A primeira aula, ministrada por João Gustavo Melo, coordenador do curso de Gestão e Design em carnaval da CENSUPEG e enredista da Unidos do Viradouro, teve como temática “Enredo: História, Beirando a Poesia”. A própria nomenclatura do quesito avaliado em desfiles foi dissecada pelo professor logo no começo da apresentação. “O radical ‘red’ na palavra dá a sensação de conexões, redes, conexões, links. É o entrelaçamento de histórias entrecruzadas”, afirmou ele.
Na visão dele, o quesito é muito mais que a sinopse entregue aos compositores ou qualquer documento entregue à comissão julgadora. “Pequenos toques podem ser muito sutis e podem colaborar muito para a narrativa do enredo. Também é contado na bateria, nos figurinos, na parte musical, em um gesto que uma porta-bandeira faz”, disse – dando como exemplos movimentos gestuais do casal Raphael Rodrigues e Dandara Ventapane, da Paraíso do Tuiuti, em 2023, ou em uma bossa da “Bateria com Identidade”, da Rosas de Ouro, no ano de 2017 – ano em que a escola falou de banquetes com um movimento rítmico alusivo ao tema criado pelo mestre Rafa.
Contextualização
Na visão de João Gustavo, o período histórico vivido e/ou retratado é fundamental para que a construção do enredo seja bem-feita – e gere bons resultados e/ou desfiles históricos. “É importante saber como o enredo está estruturado no tempo em que a gente vive, qual o espírito do nosso tempo, o que está sendo pensado e o que as pessoas vão pensar daquilo em dez meses, por exemplo”, comentou.
Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO
Para exemplificar, foram dados alguns exemplos. “Invisíveis”, apresentado pelo Camisa Verde e Branco de 2023, foi muito elogiado pelas bases teóricas, com citação ao livro homônimo da escritora Fernanda da Escóssia. Também foi lembrado uma situação envolvendo “Glórias e Conquistas – A Força do Império está no salto do Tigre”, desfile da Império de Casa Verde que tinha Renato Lage e Márcia Lávia na Comissão de Carnaval. Originalmente, o projeto tinha menos suntuosidade que o imaginado pela escola – e tudo foi refeito.
Na visão do professor, situações opostas também acontecem. Em 2003, com o enredo “Os Dez Mandamentos! O samba da paz canta a saga da liberdade”, a Estação Primeira de Mangueira, com carros alegóricos bastante grandes, sem querer, oprimiu os componentes, de acordo com ele próprio.
Intertextualidade
Algumas inspirações para desfiles e carnavalescos também foram citados na aula. O conhecidíssimo “Real Maravilhoso”, imortalizado por Joãosinho Trinta a partir da década de 1970, por exemplo, encontra guarida intelectual e imagética no Realismo Fantástico de Gabriel Garcia Marquez, por exemplo. Tido por muitos como o maior carnavalesco de todos os tempos, Joãosinho também teve influência de Florenz Ziegfeld, produtor teatral estadounidense – que, assumidamente pelo próprio, também foi muito estudado por Paulo Barros, atualmente na Unidos de Vila Isabel.
Sociedade na avenida
Na década de 1980, com a Guerra Fria ainda em vigor, uma temática passou a dominar o cotidiano: a corrida espacial. O assunto estava tão em voga que até mesmo a abertura dos Jogos Olímpicos de 1984, disputados em Los Angeles, tiveram uma nave espacial. Um ano depois, a Mocidade Independente de Padre Miguel replicou a temática no campeão “Ziriguidum 2001, um carnaval nas estrelas”.
Com o Brasil ainda vivendo uma ditadura civil-militar, o agitado momento político do país também teve muita influência em desfiles, sobretudo na década de 1980. Foram citados “Tropicália Maravilha”, da Mocidade Independente de Padre Miguel em 1980, e dois desfiles da Caprichosos de Pilares: “Moça bonita não paga”, de 1982; e “E por falar em saudade”, de 1985. Na visão do professor, a carnavalização de temas em voga na sociedade obedece ao conceito de ressonância discursiva, no qual um assunto/fato ecoa de diferentes maneiras e encontra abrigo em locais distantes de onde apareceu inicialmente.
Polêmicas
Também foram abordados momentos nos quais desfiles em geral foram criticados pela opinião pública. A comissão de frente dos Gaviões da Fiel de 2019, quando reeditou o enredo “A Saliva do Santo e o Veneno da Serpente”, originalmente de 1994, foi muito lembrada por conta da interação entre Jesus Cristo e personagens travestidos de Satanás – o que rendeu diversas críticas à época após a descontextualização do que foi apresentado no Anhembi.
A figura histórica da Pietá, com a Virgem Maria segurando o cadáver de Jesus Cristo, ganhou diversas releituras em desfiles – e, em alguns mais antigos, foi preciso driblar a censura da Igreja. Em 2000, com o enredo “A imagem e semelhança dos Deuses: Terra Brasilis”, ela precisou entrar como uma índia segurando um filho morto, e não a figura tradicional – que era o plano original.
Ao comentar tais temas, João Gustavo foi enfático: “Quem trabalha com escola de samba está sendo atacado nos tempos atuais”, disparou.
Semiótica aplicada
O segundo palestrante do dia foi Sidnei França, atualmente carnavalesco do Vai-Vai. De acordo com o próprio, ele preparou uma apresentação mais teórica, mas todo o conceito foi utilizado por João Gustavo – causando risadas dos presentes. Ele, então, optou por se aventurar em alguns pontos pertinentes ao exercício de um carnavalesco no carnaval de São Paulo atualmente.
Ele focou em dois temas para provocar os presentes. O primeiro deles diz respeito à diferença entre o profissional que atua em solo paulistano e no Rio de Janeiro. “Diferente do RJ, por conta da Revolução Salgueirense e o encontro da Escola de Belas Artes por meio do Fernando Pamplona, houve uma ruptura com o que era feito antes. Até hoje bebemos daquela fonte. E até hoje o carnavalesco tem protagonismo no RJ, até hoje ele é uma figura cultuada, o grande cérebro que vai gerar soluções. Se a gente transpuser isso para São Paulo, a cidade não teve uma revolução como aquela, então muitos enredos eram da instituição, não do carnavalesco. É muito recente essa preponderância do carnavalesco em São Paulo, passou a ser mais ou menos na década de 1990”, pontuou.
A não existência de uma Revolução Salgueirense em São Paulo, entretanto, não impediu que os desfiles da cidade tivessem alguns pontos de ruptura importantes. “O carnaval de SP passa por algumas revoluções: Mocidade Alegre no começo da década de 1970, com uma proposta mais dinâmica; Rosas de Ouro ao ganhar o primeiro título, com um carnaval mais vertical, em 1983; Gaviões da Fiel, quando traz carnavalescos do RJ, com um padrão estético que não existia; e Império de Casa Verde com uma monumentalidade estética nas alegorias a partir de 2005”, discorreu.
Exemplos práticos
Citado mais de uma vez por Sidnei, Eduardo Basílio, antigo presidente da Rosas de Ouro e dos maiores baluartes da história do carnaval paulistano, foi lembrado, entre outros motivos, por ser um visionário e por ter, também, um quê de carnavalesco – ele mesmo assinou os desfiles de 1978, 1987 e 1990. Outro fato foi relembrado pelo professor: em 1988, ele foi o responsável por utilizar o acetato pela primeira vez no carnaval de São Paulo – no desfile “Carvalho, Madeira de Lei”.
O próprio Sidnei relembrou das chegadas dele em escolas de samba que já tinham enredos e/ou parcerias definidas. Em 2017, a Unidos de Vila Maria já estava em conversações para homenagear os 300 anos do achado da imagem de Nossa Senhora Aparecida – que se transformou no enredo “Aparecida – A Rainha do Brasil. 300 Anos de Amor e Fé no Coração do Povo Brasileiro”. No ano seguinte, ele foi para os Gaviões da Fiel, que tinha uma parceria com a prefeitura de Guarulhos – que culminou no desfile “Guarus – Na aurora da criação, a profecia Tupi…Prosperidade e paz aos mensageiros de Rudá”. Por fim, em 2020, o campeão “O Poder do Saber – Se Saber é Poder… Quem Sabe Faz a Hora, Não Espera Acontecer” também já estava sendo pensado pela Águia de Ouro.
Monumentalidade
A exigência estética no carnaval paulistano também foi discutida na aula. Na visão do professor, “carnavalescos são quase escravos de ter duas bases acopladas para abrir o desfile”. Esse foi, por sinal, o segundo ponto focal da aula.
Na visão de Sidnei, tal situação é outra temática que diferencia muito os carnavai paulistano e carioca. “O carnaval de São Paulo não pode ser avaliado no quesito Enredo como historicidade e lastro histórico da construção dos discursos com a régua do Rio de Janeiro”.
Tudo por conta de uma diferença das sociedades em questão. “A questão da monumentalidade, de ser tão vertical… o Império de Casa Verde apenas chancelou uma vocação de uma cidade que tem como mito fundador a figura do bandeirante. A cidade de SP tem o entendimento de que você tem que estar em dia com a Selva de Pedra, com esse colosso de cimento, que tem a capacidade de te oferecer o progresso e o preço são sangue, suor e lágrimas. Non dvcor, dvco, como diz o lema da cidade. A presença do bandeirante como um desbravador, de presença colossal, entra no alter-ego da nossa cidade. Qualquer manifestação cultural genuinamente paulistana está sempre de braços dados com o progresso, com a luta e a bravura. É muito diferente do RJ, que tem até uma estética diferente – eles são art nouveau, SP é art déco. Aqui, Antes de entender se tem leitura e mensagem, todo mundo vê quem tá grandão”, desabafou.
Eu Também sou Imortal
Com presença de Sidnei, o Vai-Vai foi campeão do Grupo de Acesso I de 2023 reeditando o enredo que dá nome a esse intertítulo, originalmente produzido em 2005. O desfile foi citado algumas vezes na aula. Em um desses momentos, como exemplo para chancelar o ponto do professor sobre o padrão estético do carnaval paulistano. “Muitas pessoas elogiam o desfile que fiz no Vai-Vai. O abre-alas era muito extenso, algo que não era o padrão da escola. Isso na chamada ‘Escola do Povo’ foi a senha para muitos desses elogios. O tamanho vem antes da mensagem”, comentou.
Retomando a discussão sobre semiótica, ele também citou o Vai-Vai em 2023. “Quando se debruça no que chamamos de processo criativo, o carnavalesco utiliza a semiótica como respaldo pictórico para sustentar a mensagem. E, aí, ele é um mediador. A cada escolha estética que eu faço podem ter uma ou mais mensagens, tentando acessar sentimentos do sambista como um todo, mas em especial da comunidade. O abre-alas da escola era inteiro preto tanto para remeter ao Big Bang quanto para representar uma comunidade que tinha sido rebaixado pela segunda vez na história”, relembrou.
Papel do carnavalesco
Para encerrar, Sidnei falou sobre o que, na visão dele, é importante destacar na ocupação na qual ele atua. Primeiro, ele fez questão de tirar a aura do cargo. “As pessoas acham que um carnavalesco é um ser iluminado, mas isso é prática e técnica. As escolas são intencionais, não acidentais”, destacou, relembrando que toda montagem de desfile tem erros e acertos.
Por fim, a semiótica, mais uma vez, se fez presente. “Existe um conceito, que é errado, de entender que o carnavalesco se preocupa apenas com questões estético-visuais. Se a gente for entender, a partir do momento que ele chancela um discurso ainda na sinopse, ele também é responsável pelo que o compositor vai colocar no samba, por exemplo. Essa é uma prova de que a semiótica vai muito além de questões imagéticas-visuais”, finalizou, mostrando que o trabalho do profissional vai muito além do que pensam.
A Independente Tricolor apresentou na noite de domingo o samba-enredo que irá embalar a escola no desfile de 2024. A festa, realizada na quadra, começou pela tarde e encerrou com a apresentação da trilha sonora, cantada pelo novo intérprete oficial, Chitão Martins. Assim como em 2023, a agremiação optou por fazer a obra por encomenda. Os compositores responsáveis pelo hino são Evandro Bocão, André Diniz, Maradona e Chitão Martins.
O evento também contou com outro fator importante para a Independente. A porta-bandeira Thais Paraguassu teve que se desligar da agremiação por estar grávida, e, nesta noite, recebeu homenagens da diretoria e do mestre-sala Jeff Antony. Além disso, ela passou o pavilhão oficial para a sua substituta, Graci Araujo, em uma grande cerimônia junto ao presidente do conselho, Danilo Zamboni.
Além disso, houve a apresentação de um grande conhecido da comunidade. Rafael Pinah, intérprete que não desfilou pela escola no último carnaval, agora fará parte do carro de som da Independente Tricolor.
Planejamento
Luciana Moreira, diretora de carnaval, disse que a ideia de fazer os sambas encomendados é totalmente pensando tecnicamente. De uma forma geral, a escola já está antecipada perante ao regulamento de 2024. De acordo com Luciana, o estudo e a sinopse foram fundamentais.
“A ideia foi exatamente essa na construção do samba: Não abrimos eliminatórias justamente para fazer como pede a parte técnica do carnaval e como pede a nossa comunidade. A ideia foi muito bem elaborada e estudada para atingir corações e nota. A nossa ideia do samba encomendado é antiga, já que há muitos anos a Independente não faz eliminatórias. Se tornou uma característica nossa. Quando estudamos um samba, conseguimos agregar sentimento e razão. Essa é a nossa ideia: De acordo com a nossa expectativa, fazer um samba dentro do que pede a nossa sinopse, sempre com muito estudo”, disse.
Luciana Moreira, diretora de carnaval
Com samba, enredo e tudo definido, a diretora falou sobre o rumo da escola. “Ainda vamos ter alguns eventos mensais na escola, não pensamos em ter ensaios gerais, ainda. Vamos ter alguns ensaios de quesitos, trabalhar os departamentos. Os nossos ensaios gerais serão mais para o final do ano”, completou.
Danilo Zamboni, presidente de honra e membro da direção de carnaval da Independente Tricolor, é uma das pessoas mais atuantes dentro da escola. Está sempre dando a palavra no pré ensaio, eventos e colocando a comunidade para cima. Danilo falou sobre o crescimento da Independente e projetou o próximo carnaval.
“A Independente vem forte como sempre, fazemos carnaval e chegamos em um momento de amadurecimento. Não viemos mais para fazer parte de um grupo, viemos para disputar os primeiros lugares, esse é o nosso objetivo. Sempre respeitando nossas coirmãs, a raiz do samba, mas a Independente vem para brigar, sempre pelos primeiros lugares. O mais importante em tudo isso é que a nossa comunidade está dedicada e feliz, a comunidade incorporou os guerreiros e a luta, já que passamos por ‘n’ problemas. Agora, com a colocação que tivemos no carnaval 2023, comemoramos e muito. Abrir o carnaval em uma sexta-feira e ficar em sétimo lugar, ficando à frente de tantas escolas campeoníssimas e tradicionais foi um título para a Independente. A gente tem que comemorar muito mais, o amadurecimento e o trabalho que o presidente Batata faz junto à comunidade”, declarou.
Danilo Zamboni, presidente de honra e membro da direção de carnaval da Independente Tricolor
Resultado e a briga por coisas maiores
Zamboni comentou o samba. Para ele, se trata de guerreiros e, também, está muito feliz com as primeiras impressões e a recepção que a comunidade teve para com o hino da escola tricolor. “A primeira recepção da comunidade em relação ao samba agradou totalmente, superou todas as expectativas. É um samba forte, que tem que ser trabalhado porque tem muitas palavras africanas no meio, mas isso, nos nossos ensaios (e a Independente ensaia muito), nos próximos meses, vamos assimilar, se Deus quiser. Uma coisa já é importante: houve a chegada da comunidade feliz com o samba, já cantando mesmo sem saber o samba e pegando na nossa primeira apresentação. Nunca fizemos uma audição com público, então foi muito importante. Já deu para ver que é um samba forte e que a comunidade abraçou. Nossa alegria enquanto componentes, diretores, presidente, ritmistas… Todos estamos muito felizes com o samba. Também estamos muito felizes com o retorno do Rafael Pinah no departamento musical e com a chegada da Graci Araújo como primeira porta-bandeira para substituir a Thais Paraguassu por motivos de maternidade. Estamos muito bem representados. Temos que trabalhar com o pé no chão e focar no carnaval 2024, que é um carnaval de guerreiros e guerreiras”, disse.
O presidente de honra ainda falou da importância que é trabalhar em conjunto. Segundo Danilo, tudo foi feito em conjunto entre compositores e diretoria, mas sem nenhum pedido especial. Ainda aproveitou para opinar sobre a posição de desfile. A quarta colocação na sexta de Carnaval, como já analisada positivamente pelo CARNAVALESCO, fará da escola algo mais livre e confortável para o componente da Independente, planejando as primeiras colocações.
“Não houve pedido nenhum para os compositores: aqui, tudo nós fazemos em conjunto. O presidente, o departamento musical, a diretoria… agora, é só fazer alguns acertos, alguns detalhes. Foi a nossa primeira audição, com o público e com a bateria. Não fizemos isso antes. Quando falamos de acerto, não falo de samba: falo de entonação, parte musical. É o casamento. Mas, na primeira vez, já explodiu – e isso é muito positivo. E, agora, sendo a quarta escola, faremos um trabalho muito legal. Não é fácil abrir o carnaval, mas temos que estar preparados para abrir ou fechar. Mas, sendo a quarta escola nesse ano, dá para chegar mais tranquilo no Anhembi – seja componente ou departamento. Com certeza a Independente vem para brigar pelos primeiros lugares”, finalizou.
Voz do samba
O intérprete oficial, Chitão Martins, que é um dos assinantes do samba-enredo, falou como é cantar um samba encomendado e prometeu levantar o Anhembi. “Falar desse samba da Independente é só elogios. Um samba leve, valente e gostoso de cantar. Eu tenho certeza que vai emocionar todo povo do samba e vai levantar o Anhembi. Não tenho dúvidas disso. É um samba encomendado, foi a minha primeira experiência com isso. Eu achei super válido, porque a escola que encomenda o samba tem a certeza que vai sair de agrado da comunidade e diretoria”, explicou.
De acordo com o cantor, é uma obra afro que foge dos padrões. Tem uma melodia pulsante e forte. Realmente é isso. A bateria acompanha tal ritmo. “Por um samba ser afro, o pessoal espera um tom menor, com lamento, voltado para o emocional, mas essa proposta é totalmente diferente. É alegre, tem uma melodia que impulsiona a escola. Você quer estar cantando e pulando ao mesmo tempo. Pra mim é isso. É um samba que tem as minhas características, energia e agora é trabalhar para impulsionar cada vez mais a escola e brigar por posições maiores”, declarou.
Por fim, Chitão contou como está sendo a sua nova casa. “Estrear na Independente Tricolor é um deságio enorme. Subiu para o Especial e por pouco não voltou para o desfile das campeãs. Eu tenho certeza que vai ser tornar uma potência. Eu espero conquistar meu espaço, a comunidade, diretoria, fazer história, um grande desfile e ‘prepara o capacete que lá vem pedrada’”, comentou.
Bailado que promete
“Nós já tínhamos recebido antes para ter uma interação e foi amor à primeira-vista! Gostei muito porque ele tem uma pegada muito diferente dos últimos sambas da Independente quanto à melodia, acho que é um samba mais melódico e com uma cara bem diferente para a escola. Não só por conta do Chitão, que tem uma voz maravilhosa e muda bastante, mas pela canção mesmo, vai ter uma cara diferente. Quando a Independente chegar, vão falar que estamos diferentes”, disse o mestre-sala, Jeff Antony, que opinou sobre o samba-enredo.
Ainda não se sabe de fato como serão as mudanças no quesito de mestre-sala e porta-bandeira. Porém, pelas palavras e atitude, dá para notar que o casal está preparado, mesmo com o pouco tempo de parceria. Segundo Graci, o samba-enredo apresentado tem uma grande criatividade e mostrou animação ao ver. “Achei um samba bem para cima! Nesse ano, como o quesito vai requisitar um pouco mais de interação com a coreografia com foco em criatividade, achei que vai dar para criar bastante. Estou bastante animada e o samba é bastante para cima, então dá para ter bastante desenvoltura para inovar. Gostei bastante!”, comentou a porta-bandeira.
Novo casal da Independente Tricolor
Novamente Graci se mostrou tecnicamente bastante correta. Falou de bossas, pegada afro e entre outras coisas que se deve considerar ao olhar um bailado em análise dentro do quesito. “Já estamos pensando em algo especial e diferente, com certeza. Quando escutamos o samba pela primeira vez, em alguns trechos, o Jeff falava coisas que ele achava bacana de fazer e eu também pensava em entradas e saídas de acordo com a melodia. Já vislumbramos bastante coisa. Como temos um ano bastante intenso para criar afinidade, já trabalhamos muito pensando no foco e já deu bom assim na primeira vez que ouvimos o samba. “Temos bossas diversificadas e vamos conseguir transitar bem nos traços do samba. Tanto em traços afro quanto em alguns mais melódicos, com interpretação e emoção. Não só a coreografia dançada em tons mais acima, tem muita interpretação também”, explicou.
“É isso! Agora é trabalhar. Em relação ao que a Graci falou, estamos muito empolgados com o samba por ele ter muita abrangência para trabalharmos muito em cima dele com uma coreografia afro, será que vem algo assim?”, completou o mestre-sala.
Composição da obra
O compositor Maradona é um dos mais experientes do Carnaval paulistano. Ele é um dos responsáveis por escrever o samba-enredo da Independente para 2024. O músico, que também faz parte da ala musical da escola, rasgou elogios ao enredo e enalteceu o sistema de encomenda. “Já fiz vários sambas em várias escolas. Essa história das Agojis é sobre o primeiro exército de mulheres africanas que não aceitaram a escravidão. Elas lutaram contra a opressão. Quando eu comecei a entender o enredo, eu achei sensacional. Tanto é que o samba saiu uma letra emocionante. Eu participei de muitos concursos e mais perdi do que ganhei, mas quando o samba é encomendado, você tem a oportunidade de fazer e mostrar para a diretoria. Se tiver alguma situação, a gente pode alterar para ficar ao gosto de todos”, disse.
Compositor Maradona
Juntando um grande escritor, que é o Maradona com André Diniz e Evandro Bocão, a porcentagem de sucesso é muito alta. O compositor paulistano contou como foram as reuniões para a música sair do papel. “O ano passado eu fui até o Rio, sentamos com o André Diniz e fizemos lá. Este ano foi feito pela internet mesmo. A gente tem que tentar entrar em sintonia. O André é um compositor sensacional, escreve muito e a gente foi alinhando para sair desse samba maravilhoso”, declarou.
Como já dito anteriormente, apesar de ter sido um samba feito para os compositores, houve uma participação conjunta entre os departamentos. Segundo Maradona, houve um caso em que houve mudança. “Quando nós entregamos, houve uma observação no refrão de pé. Como fala de um enredo de liberdade, nós não tínhamos dado ênfase nisso. Apenas no exército africano. Nós mudamos apenas isso. ‘sou Independente… um grito de liberdade”, finalizou.
Na sexta-feira de Carnaval, a agremiação será a quarta escola a passar pelo Anhembi com o enredo “Agojie, a Lâmina da Liberdade”.