Após invadir a Marquês de Sapucaí e se consagrar campeão do carnaval carioca, chegou a vez de Lampião, o Rei do Cangaço, tomar conta da Cidade do Samba. No terceiro e último dia de Arraiá julino organizado pela Liesa, a campeã Imperatriz Leopoldinense fechou o evento com um mini desfile que contou com a presença de cerca de 360 componentes. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, membros da Rainha de Ramos compartilharam sobre a volta à Cidade do Samba para aproveitar o gostinho do campeonato e levantar o público presente.

A presidente Cátia Drumond comentou a participação da Imperatriz Leopoldinense no Arraiá. A gestora também foi uma das julgadoras das apresentações feitas pelas quadrilhas Gonzagão do Pavilhão, Shock do Painho, Geração Realce e Araquém Forró Show.

“Fizemos o que sabemos de melhor: sambar. Primeiramente quero parabenizar a Liesa. Acho que foi um sucesso, apesar de acreditar que algumas coisas precisam ser revistas. Foi super válido. A Cidade do Samba está aí para isso: para que aconteçam shows, eventos – independente se são de samba ou não. Achei que ficou legal essa junção da quadrilha e da festa junina com o samba, para que a Imperatriz pudesse mostrar para um outro tipo de público o que ela fez no último carnaval”, comentou a presidente da Imperatriz.

Fotos: Nelson Malfacini/CARNAVALESCO

A agremiação chegou a ser homenageada na grande final das quadrilhas. A Araquém Forró Show fez uma adaptação do samba-enredo campeão da Imperatriz e recebeu aplausos do público presente.

André Bonatte, diretor de carnaval leopoldinense, citou a sensação de pisar na Cidade do Samba, em uma festa julina, sendo campeão do carnaval com um enredo sobre Lampião.

“Pisar aqui como campeão é maravilhoso. Eu costumo dizer que a sensação é que esse carnaval de 2023 não deixa a gente, porque estamos o tempo todo revivendo. E que bom que foi um grande Carnaval. É um prazer sempre poder ouvir esse samba, essa bateria. Ainda está difícil de desapegar do carnaval de 2023 (risos)”, disse o diretor de carnaval.

Bonatte aproveitou para elogiar o evento e parabenizar a Liesa. Segundo ele, é o primeiro passo de futuros eventos juninos que acontecerão na Cidade do Samba.

“Primeiro tenho que parabenizar a iniciativa da Liga, porque esse é um espaço maravilhoso na cidade. Quanto mais a gente tiver movimentos, festas e espetáculos a cidade ganhará com isso. Para um primeiro ano começamos com o pé direito. Acredito que será mais uma festa no calendário oficial do Rio de Janeiro”, comentou Bonatte.

Já sabendo da proposta, ainda no final do carnaval, de fazer um Arraiá na Cidade do Samba, a Rainha de Ramos se preparou e separou os elementos cenográficos que seriam usados. Além de diversos adereços, o mini desfile também contou com o tripé da comissão de frente usado no último desfile. O diretor de carnaval contou que a comunidade abraçou a ideia e as vagas foram rapidamente preenchidas.

“Soubemos com antecedência. A escola vende alguns materiais, outros doamos para escolas que temos maior afinidade. Já deixamos esse material reservado para a festa. A dificuldade de trazer o componente foi ter que cortar, porque quando a gente anunciou nos grupos que faríamos o mini desfile, em menos de uma hora tivemos o contingente preenchido. Todo mundo quis desfilar”, contou Bonatte.

Assim como toda a comunidade, o intérprete Pitty de Menezes contou que ficou empolgado para o mini desfile com o enredo que consagrou a Imperatriz Leopoldinense campeã do carnaval.

“Felicidade muito grande, né? Poder novamente botar essa roupa, ter o contato com a minha comunidade e fazer essa festa para esse público veio comemorar São João. Maravilhoso poder trazer alegria de volta para o povo de Ramos que tá aqui assistindo e para todo mundo no samba”, disse Pitty.

“A gente ficou muito ansioso. Nós amamos o carnaval. A Imperatriz é uma escola que se pudesse tava adicionando toda semana (risos). Então, assim, poder relembrar, cantar, se divertir novamente com o carnaval campeão. A gente se preparou muito para trazer alegria e um grande espetáculo”, completou.

O intérprete aproveitou para falar sobre a importância de manter a Cidade do Samba como um local para eventos e que fomente a cultura no estado. “Precisamos ver isso aqui mais vezes”.

“É muito importante a gente poder estar presentes o ano todo. As pessoas que amam carnaval querem isso aqui mais vezes. E a gente também que trabalha carnaval quer ver isso aqui girando, tendo eventos para que mais pessoas possam trabalhar e se divertir também com o carnaval. Muito bacana ver as quadrilhas, que também são uma forma de cultura aqui do Rio e muita gente não conhecia. E hoje pude conhecer e trazer o samba fora de época. O povo ama e sente saudade. Tendo a oportunidade de ver um desfile novamente e relembrar um pouco o que a gente fez na Sapucaí”, ressaltou Pitty.

Comandando a “Swing da Leopoldina” desde 2015, mestre Lolo lembrou dos momentos difíceis que a escola de Ramos passou antes de voltar a ser campeã do carnaval. O mini desfile contou com a participação de 70 ritmistas. Confiante, agora o mestre espera por mais.

“É uma satisfação. Sofremos um pouquinho, fomos para no Acesso e graças a Deus neste ano nós fomos campeões. Estar aqui é uma honra. Agora estamos felizes. Campeões do carnaval e, se Deus quiser, virá mais por aí”, afirmou Lolo.

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro, considerou o evento importante para levar cultura através do mundo julino e de um breve replay do que foi o imponente carnaval da Rainha de Ramos em 2023.

“É maravilhoso, uma sensação muito boa. Ainda mais depois de ter feito um bom trabalho, um trabalho que nos consagrou campeões do carnaval. É muito bom a gente poder se divertir enquanto detentor do título. Diante desse evento maravilhoso que a Liesa organizou, a gente fica feliz de poder propagar o nosso Carnaval, nossa cultura, dentro do festejo junino que também é uma cultura popular brasileira. É importante para que as pessoas saibam que a Cidade do Samba é um local público e que comporta eventos não apenas de carnaval, mas de qualquer escala cultural. A gente tem lá a praça Apoteose que não é muito utilizada para esse tipo de evento. Acho bacana proporcionar ao povo do samba esse tipo de festejo, seja ele junino ou carnavalesco. É importante trazer a cultura para dentro da Cidade do Samba”, afirmou o mestre-sala.

“É uma junção muito boa. São duas culturas muito populares. Eu gosto bastante, é uma junção perfeita. Serve muito para poder movimentar a Cidade de Samba, que tem um espaço tão bom de ter essa confraternização do sambista com a cultura das festas juninas. Acho que deu certo e espero que venham outros anos também. Movimenta o mundo do samba. A gente precisa disso, porque o Rio vive o carnaval o ano inteiro”, completou a porta-bandeira.