A Unidos de Vila Isabel agora é Patrimônio Cultural Imaterial, Social e Turístico da cidade do Rio de Janeiro. A honraria foi oficializada durante solenidade realizada na noite de terça-feira, na Câmara Municipal. A iniciativa está na nova Lei Municipal 8.050/23, de autoria do vereador Dr. Gilberto (SD/RJ).
Foto: Carlos Lúcio/Divulgação
“Receber esse título é um lembrete para que nossa escola possa dar continuidade a esse nobre legado que vai muito além dos desfiles carnavalescos”, ressaltou o presidente do Conselho Deliberativo da Vila Isabel, Antônio Carlos.
Antes da sessão, a casa do Poder Legislativo Municipal entrou no clima de Carnaval. A bateria Swingueira de Noel, liderada por Mestre Macaco Branco, o intérprete Tinga, o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marcinho e Cristiane, integrantes da velha-guarda, da ala das baianas e do grupo de passistas fizeram a festa na tradicional escadaria da Cinelândia.
A Grande Rio realiza no próximo sábado a grande final de samba-enredo para o Carnaval 2024. Quatro parcerias estão na disputa. Abaixo, você pode ouvir os sambas e deixar seu voto para apontar quem é favorito para vencer. Vamos divulgar o resultado durante o dia de sábado.
No ano que vem, a Grande Rio será a quarta escola a cruzar o Sambódromo da Marquês de Sapucaí no domingo de Carnaval, dia 11 de fevereiro, pelo Grupo Especial. A agremiação irá em busca do segundo título de campeã da folia carioca com o enredo “Nosso destino é ser onça”, assinado pela dupla de carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora. A proposta é fazer uma reflexão sobre a simbologia da onça no cenário artístico-cultural brasileiro, tocando em temas como antropofagia e encantaria.
A Viraouro realiza no próximo sábado a grande final de samba-enredo para o Carnaval 2024. Três parcerias estão na disputa. Abaixo, você pode ouvir os sambas e deixar seu voto para apontar quem é favorito para vencer. Vamos divulgar o resultado durante o dia de sábado.
Em 2024, a Unidos do Viradouro será a sexta e última escola a passar pelo Sambódromo da Marquês de Sapucaí na segunda-feira de Carnaval, dia 12 de fevereiro, encerrando os desfiles do Grupo Especial. A agremiação irá em busca do terceiro título de campeã da folia carioca com o enredo “Arroboboi, Dangbé”, sobre a energia do culto ao vodum serpente, que será desenvolvido pelo carnavalesco Tarcísio Zanon, em seu segundo carnaval solo na escola.
Com mais de 20 anos de serviços prestados para gravações dos sambas-enredo do carnaval, o produtor Leonardo Bessa celebra a volta ao comando do produto. Dessa vez, ele é o responsável pelo álbum da Série Prata, da Superliga. O disco da Série Bronze está nas mãos do produtor Rafael Prates.
Fotos: Divulgação
“Tenho uma história nesse projeto de gravação de samba-enredo. Mais de 20 anos trabalhando e militando em prol do melhor para escolas do Acesso. Tive uma pausa nesse projeto, mas no carnaval passado tive a oportunidade de participar da equipe de produção do Grupo Especial. Pude aprender mais, ganhar mais experiência, com tantas pessoas renomadas da produção do carnaval, e agora me sinto muito feliz, com minha equipe, de abraçar o projeto da Série Prata. Vamos entregar o melhor de todos, com muito mais experiência de anos e anos”, disse Bessa.
Ele contou o que pensa em fazer no disco dos sambas de 2024 da Série Prata. “Penso em valorizar essas escolas. Temos grandes escolas, de nível de Grupo Especial e sambas de excelente qualidade. Pretendo fazer um trabalho com total respeito a característica de cada samba, a bateria, andamento, bossas. Foi um pedido da Superliga para ter um cuidado com isso. Vamos primar por mais qualidade ainda e ter cada faixa com mesmo padrão e identidade de cada escola respeitada”.
Ele contou que a interferência será mínima, ou seja, cada escola vai ter liberdade para trabalhar sua faixa. “Cada escola vai trazer seu mestre, com algum contingente de ritmista, no estúdio vamos dar o acabamento final de extrema qualidade ao samba, dentro do andamento que a escola achar pertinente. Não vamos interferir, mas auxiliar para que a gente tenha um trabalho que a escola se sinta representada. É um trabalho em parceria. Não abrimos mão disso”.
Bessa ainda agradeceu por voltar ao trabalho que fez com brilhantismo em anos anteriores. “A nossa equipe tem profissionais qualificados e que faz esse trabalho tem anos. Teremos um coro profissional. Todo cuidado para termos um trabalho de excelência ao carnaval. Agradeço ao presidente Pedro, ao ex-presidente Clayton, o diretor de carnaval Dionísio Luiz, e todos do estúdio Méier”.
A Vizinha Faladeira divulgou o calendário da disputa de samba para o Carnaval 2024. A escola levará para Avenida o enredo “O cais da resistência”. A apresentação das obras será no dia 29 de setembro. A grande final no dia 20 de outubro. Confira abaixo o calendário completo.
27 de setembro: Entrega dos Sambas
29 de setembro: Apresentação dos sambas. Na mesma ocasião haverá cortes de sambas.
06 de outubro – Apresentação dos Sambas:
11 de outubro – Semifinal
20 de outubro – Final
O presidente da Vizinha Faladeira, David dos Santos, foi recebido pelo presidente da Riotur, Ronnie Costa, para apresentação do projeto do rnredo 2024, cujo o tema é “Valongo – Cais da Resistência”, desenvolvido pelo carnavalesco André Tabuquine.
Foto: Divulgação
Além de desempenhar um papel fundamental na criação de um enredo que serve como uma homenagem, a Vizinha também integra como membro gestor do Comitê do Cais do Valongo.
A “Pioneira do Samba”, que está de volta à Série Prata, da SuperLiga Carnavalesca, será a oitava escola de samba a desfilar, na noite do dia 16 de fevereiro de 2024.
Uma parte do acervo e do legado artístico da carnavalesca Maria Augusta Rodrigues, de 81 anos, poderá ser conferido de perto pelo público até o dia 10 de dezembro, no Sesc Madureira, através da exposição “Cartografias de Augusta”. A mostra presta uma homenagem ao itinerário da artista e a sua dedicação ao maior espetáculo a céu aberto do planeta. Ao todo, são mais de 200 croquis, desenhos, estudos, traços e fantasias originais reunidos no mesmo espaço. Em entrevista concedida a reportagem do site CARNAVALESCO, os curadores Eduardo Gonçalves e Leonardo Antan relataram como surgiu essa ideia, além de todo o processo para montagem e abertura.
Fotos: Diogo Sampaio/CARNAVALESCO
“Sou amigo da Maria Augusta há muitos anos. Amigo, admirador, chamo ela de dinda, de madrinha do Carnaval. Um pouco antes da pandemia, a gente já tinha conversado sobre essa questão de fazer uma exposição, porque o material dela é muito grande. São muitas pastas, tanto que o exposto aqui não é nem a metade do material. Quando começou a tomar forma a ideia de fazer a exposição, com a qualidade que merece, imediatamente me veio à cabeça o nome do Leonardo Antan e dos meninos que estão fazendo esses trabalhos artísticos tão bem feitos. Na hora, eu falei: ‘Augusta, eu vou procurar os meninos do Carnavalize porque é o caminho’. A gente precisava realmente ter esse tratamento, a coisa da curadoria, do olhar, da restauração, de tudo isso. Então, tivemos uma reunião, há uns três anos, eles toparam e embarcaram nessa loucura. E foi um trabalho árduo, difícil. Além desse processo de ser muito material, muita coisa, tem toda a questão que ela nunca expôs, é um acervo muito particular, muito pessoal dela, que pouquíssimas pessoas tiveram acesso. Isso seria uma exposição para o mundo, para todos verem. Aí, o Léo junto dos meninos, com toda a produção, começaram a procurar, abrir o espaço, vasculhar as pastas. Muita coisa estava guardada dentro de um quarto micro, com vinte e quatro pranchas que tinham sido expostas na Escola de Belas Artes na década de 1980. Foi um processo lento”, contou Eduardo Gonçalves.
Leo Antan e Eduardo Gonçalves
“Foram dois anos de conversa com ela, de encontros, para pensar o conceito da exposição, em como abordar isso. Somente em maio deste ano que a gente começou o processo de curadoria. Ao todo, foram três meses de processo de seleção dos desenhos, para entender tudo que ela tinha guardado e do que iríamos expor. Em meio a este trabalho, nós entendemos que havia mais de um acervo ali, sendo um da história do Carnaval e o outro dela. Então, a gente tentou misturar isso da melhor maneira. O resultado é uma exposição em retrospectiva ao legado e a produção dela na folia, para que possamos apresentar esse trabalho para as pessoas que talvez não conheçam ou que só ouviram falar. Aqui, a gente tem registros das mais diferentes ordens para celebrar essa linguagem artística que ela criou e que deu tantos frutos para o Carnaval”, relatou Leonardo Antan.
De acordo com os curadores, a proposta da exposição é criar, a partir do mapa natal de Maria Augusta, uma cartografia afetiva que correlaciona aspectos astrológicos com temáticas, métodos e características da obra dela. Foi com base nesse preceito que os materiais expostos foram selecionados, sem necessariamente haver um compromisso em seguir uma linha cronológica ou contemplar uma determinada escola e período. Ao falar sobre esse processo de seleção no bate-papo com a reportagem do site CARNAVALESCO, os dois responsáveis pela mostra destacaram o que mais lhe chamaram a atenção e pontuaram se sentem falta de algo do acervo que ficou de fora.
“A gente descobriu nesse processo três desenhos que são uma vista panorâmica do desfile do ‘Domingo’. Então, você ali entende como ela tem esse domínio da forma, da linguagem do Carnaval. Ela planeja um desfile inteiro, a visualidade dele, a vista aérea que terá. Então, virou um dos meus xodós. E assim, não sei se alguma coisa que ficou de fora me dá pena de não ter entrado, porque todo o material exposto é muito especial, muito conectado. Até um dia antes da abertura da exposição, a gente tava tirando algumas coisas que a gente entendeu que não cabia. Como acontece em um desfile, as coisas vão se conectando naturalmente. Se sobra alguma peça, você entende que ela não faz parte. Fico com pena de cortar tudo, mas tivemos uma equipe de curadora incrível também que tomou conta desse processo. A gente fez isso coletivamente, então cada desenho que saía era uma discussão, cada desenho que entrava também. Porém, foi um processo gostoso até porque a nossa ideia não é uma retrospectiva cronológica, uma linha do tempo sobre o trabalho dela, e sim apresentar a poética dela, a linguagem, o que ela trouxe de temática para o Carnaval e como isso é reflexo de quem ela é enquanto artista”, explicou Antan.
“Das coisas que entraram, eu destaco o Carnaval de 1969 do Império da Tijuca. Foi o primeiro desfile que ela realmente desenhou. Na época, o Fernando Pamplona foi procurado pela diretoria da escola e ele indicou a Maria Augusta, além de três amigas dela, colegas da Escola de Belas Artes. Ela desenha esse enredo ‘O negro na civilização brasileira’ e esses figurinos são até hoje todos inéditos. Ninguém nunca viu, pois foi um desfile que acabou não acontecendo. Ocorreu um problema e o Império da Tijuca não desfilou. Então, é um momento raro da exposição. Já do material que não entrou, cada corte para gente foi difícil. Pasta após pasta que a gente abria era uma surpresa. Por exemplo, tem um estudo dos hippies de 1983 do Paraíso do Tuiuti que eu descobri há pouco tempo. Assim, tem inúmeras pastas e a Maria Augusta é esse mistério, de onde pode sair tantos desenhos lindos, tantos estudos. A questão dela desenhar nos papéis em tamanhos pequenininhos e depois essas criações virarem realmente os croquis que vão para os presidentes de ala é muito interessante. É algo que permite a quem visitar a exposição ter esse comprometimento, esse entendimento de como é o processo de estudo de um Carnaval. Acho que isso é o destaque”, respondeu Gonçalves.
Além dos materiais da própria Maria Augusta, a mostra é composta também por obras inéditas de outros carnavalescos e artistas institucionais, que se inspiraram em trabalhos da homenageada e os reinterpretaram. Entre esses colaboradores estão nomes como Alex de Souza, Carila Matzenbacher, Jorge Silveira, Julia Gonçalves, Mulambo, André Vargas, Felippe Moraes, Andrea Vieira e Penha Lima. Para os curadores, essa interação entre as chamadas culturas eruditas e populares, assim como a ocupação de espaços antes exclusivos da elite pelo Carnaval e seus artistas, é algo a ser comemorado.
“É de extrema importância que os artistas ditos carnavalescos, ligados ao Carnaval, estejam presentes em galeria de artes, museus, espaços institucionais. As exposições que estão acontecendo estão dando essa oportunidade, de levar esses nomes e as suas produções para além do Sambódromo. O público tem conhecimento dessa arte, mas isso permite uma outra visão, com ela sendo colocada em uma nova perspectiva. É a possibilidade de ter os trabalhos e as obras dos artistas, sendo apreciados, admirados e consumidos com uma outra representação”, celebrou Gonçalves.
“Esse é um trabalho que faço há muito tempo, pelo menos há uns cinco anos. Já fiz algumas outras exposições em espaços como esse. Entendo que é sempre um olhar de reescrever esses nomes na história da arte. Neste caso, reescrever a Maria Augusta na história da arte brasileira. Ela é uma grande artista, viva, produtiva, que merece essa homenagem. A gente quer que as pessoas tenham o cuidado de olhar para essa trajetória dela com carinho e percebam isso. É óbvio que o desfile de escola de samba já é um evento artístico em si, quando ele acontece, mas a gente tem o resto do ano para poder olhar com calma e poder ter esse trabalho de reorganizar, de entender todos os processos que movem a produção de um. É muito importante que essa consciência se materialize ainda mais”, pontuou Antan.
Contemplada pelo Edital de Cultura Sesc RJ Pulsar, a exposição não tem um destino certo após dezembro deste ano. Na conversa com a reportagem, os curadores afirmaram ter o desejo de levar a mostra para mais locais, até mesmo fora da cidade e do estado do Rio de Janeiro. Também há vontade de realizar outras exposições com os materiais e arquivos que não entraram dessa vez.
“O nosso desejo é continuar, óbvio. Tem muita coisa ainda inédita, que está guardada, conservada. São vários projetos. A gente tem um de tentar fazer a manutenção desse material, por exemplo, que é importantíssimo, não só da Maria Augusta, como de vários artistas de Carnaval. Muitas vezes, os artistas morrem e a família não tem pra onde doar essas acervos. A gente precisa de mais incentivos, de editais que consigam cobrir os gastos disso, porque é trabalhoso, requer mão de obra, requer gastos. Quanto a levar a exposição para outros lugares, é claro que pretendemos isso. O nosso objetivo é esse. O fato de estar aqui, no Sesc Madureira, é maravilhoso. O bairro de Madureira é um berço do samba, estamos na terra do Império Serrano, da Portela, no coração da Zona Norte. E temos a necessidade urgente de trazer arte para essa região. A Maria Augusta amou essa ideia. Agora, é claro que, no que depender da gente, vamos fazer de tudo para viajar com essa exposição”, afirmou Leonardo Antan.
“A gente precisa sempre do apoio governamental, dos editais. Essa exposição só foi possível graças ao edital do próprio Sesc. Então, a gente espera que a cultura seja incentivada cada vez mais, para que possamos levar esse tipo de iniciativas para outros lugares, com certeza”, complementou Eduardo Gonçalves.
‘Fiquei arrepiada e com dificuldade de falar’, relata Maria Augusta
Com mais de cinco décadas dedicadas à folia, Maria Augusta iniciou sua trajetória na festa participando da equipe responsável pelos projetos de decoração de ruas para o Carnaval do Rio de Janeiro. Em 1968, ela passou integrar o grupo que preparava os desfiles do Acadêmicos do Salgueiro, sob supervisão de Fernando Pamplona, sendo uma das artistas que assinou, neste período, o emblemático enredo “Festa para um Rei Negro”, de 1971. Posteriormente, seguiu carreira solo e desenvolveu trabalhos históricos, entre os quais “Domingo”, de 1977, e “O Amanhã”, de 1978, ambos na União da Ilha do Governador. Ao longo da carreira, a carnavalesca teve ainda passagens por Paraíso do Tuiuti, Tradição e Beija-Flor de Nilópolis. Toda essa história, de certa forma, é revisitada pela exposição.
“Fiquei emocionada desde que começamos a mexer nos desenhos. Foi em 19 de maio que iniciamos esse processo de vasculhar e abrir as pastas que tenho organizadas. No meio delas, estava os materiais de uma exposição que fiz em 1981, na Escola de Belas Artes, que tinha guardado e nunca mais mexido. Ao revisitar todo esse trabalho, tudo que produzi ao longo dos anos, mexi com a minha vida. Além do trabalho físico, tem todo um trabalho emotivo, do corpo emocional mexendo com a vida, com tudo que já passei, com tudo que foi feliz e que não foi feliz. É algo muito forte, um processo que estou chamando de catarse. Quando cheguei na exposição, senti algo que não sei explicar. Fiquei arrepiada, com dificuldade de falar, minha garganta trancando. Aliás, é até muito característico meu isso, o emocional fechar a garganta. E posso dizer que gostei muito de tudo, desde as pessoas que vieram na abertura ao espaço em si, que ficou bom. Fiquei muito feliz também com a forma que a mostra foi organizada e pensada. É uma exposição temática, não cronológica, nem por escola. Isso é muito interessante. Tem as obras dos artistas convidados, que produziram algum objeto inspirado no meu trabalho. O resultado disso tudo está sendo uma surpresa muito agradável, muito boa. Acredito que a vida da gente tem uns momentos que marcam, que dividem a nossa trajetória em antes e depois daquilo. Estou me sentindo exatamente assim com relação a essa exposição”, declarou a artista em entrevista concedida a reportagem do site CARNAVALESCO.
A importância do Carnaval chegar a lugares antes tidos como impossíveis ou improváveis também foi destacado por Maria Augusta durante conversa com a reportagem. Na avaliação da carnavalesca, casos como o da exposição dedicada ao seu acervo e ao seu legado são fundamentais para se romper paradigmas e desconstruir pensamentos enraizados na sociedade.
“É muito importante para mim e para todos os carnavalescos que estão participando com obras inspiradas no meu trabalho. Afinal, não é uma exposição só minha, é coletiva. Eu sou de aquário e o coletivo sempre regeu a minha vida. Então, acho muito importante para todos nós romper com esse conceito, preconceituoso, de que existem artes diferenciadas. Arte é arte, assim como cultura é cultura. Esse negócio de cultura popular e cultura erudita não existe, é algo inventado para perpetuar preconceitos. Essa quebra de barreiras, de espaços, é muito importante para a sociedade como um todo”, ponderou.
Assim como os curadores, a artista homenageada não esconde o desejo de ver a exposição percorrer outros espaços dentro da capital fluminense e fora dela. No entanto, a maior preocupação é quanto ao destino que todo esse acervo terá futuramente. É pensando nisso que Maria Augusta se coloca como uma das defensoras da criação de um museu totalmente dedicado ao espetáculo, que é considerado o maior a céu aberto do planeta.
“Todo o meu trabalho sempre foi organizado em pastas, que reúnem desenhos, croquis, figurinos. Sempre estudei muito a forma das fantasias, então tenho arquivos por ano, por escola, além de um acervo muito grande, ano a ano, do Carnaval como um todo. São jornais, revistas, letras de samba enredo… Aliás, onde eu for e ouvir samba, vou guardar as letras. Tenho um acervo que acho que ninguém tem. Ainda nesse processo de guardar, tenho a roupa, a gola e a cabeça de uma fantasia do Salgueiro de 1973. São 50 anos guardada e agora está na exposição para todo mundo ver. Eu gosto disso. Coisas que me emocionam, quando posso, eu guardo. Só lamento que isso não tenha um lugar próprio para ir. Falta um museu do Carnaval, acho que nós tínhamos que ter. Para onde vou deixar esse meu acervo? É um grande absurdo o Rio de Janeiro, que é a cidade do maior Carnaval do mundo, não ter um museu dedicado a isso. Se existisse, seria o lugar natural para nós, artistas do Carnaval, termos o nosso trabalho preservado. Pode ser que essa mistura do espaço dito erudito com o popular seja o começo para que isso se torne real”, refletiu a carnavalesca.
A exposição “Cartografias de Augusta” está aberta ao público até o dia 10 de dezembro, de terça a sexta-feira, das 10h às 20h. A mostra possui entrada gratuita e a classificação é livre. O Sesc Madureira fica localizado na Rua Ewbank da Câmara, no número 90, próximo à estação de trem do bairro e a Praça do Patriarca.
Familiares, amigos e personalidades do carnaval participaram da despedida do carnavalesco Max Lopes, na manhã desta terça-feira, no cemitério Parque da Colina, em Niterói. O artista faleceu na noite do último sábado, aos 85 anos, vítima de um câncer de próstata avançado. Ele foi tricampeão do Grupo Especial. Duas vezes com a Estação Primeira de Mangueira (“Yes, Nós Temos Braguinha”, de 1984, e “Brazil com ‘Z’ é pra cabra da peste, Brasil com ‘S’ é nação do Nordeste”, de 2002) e uma vez com a Imperatriz Leopoldinense (“Liberdade! Liberdade! Abra as asas sobre nós”, de 1989).
Fotos: Diogo Sampaio/CARNAVALESCO
“Trabalhar com o Max era algo inexplicável. Ele foi um amigo, mas do que um simples carnavalesco. Era o nosso pai. Como coreógrafa da equipe dele, me sinto muito orgulhosa. Não vai morrer nunca, ele deixou um legado para todos nós. Ele passava uma humildade gigantesca. A lembrança fica das piadas que ele fazia e da pessoa, amiga, generosa e encantadora”, disse Elizete Mascarenhas, integrante da equipe do Max.
Carnavalesco campeão em 2023, em São Paulo, pela Mocidade Alegre, Jorge Silveira, falou da relação com Max. “Trabalhei dois anos com o Max. Aprendi muito. Representa um período grandioso do carnaval. Todos nós devemos muito ao Max. É uma despedida dele, mas nunca da obra. É imortal! O trabalho dele é eterno. Nós continuaremos o legado e que ele tenha uma caminhada de luz. O amor que ele tinha ao carnaval e a maneira como considerava o carnaval são marcas que não podemos deixar de acreditar. Precisa continuar vivo, através dos nossos carnavais, e vai continuar”, afirmou.
Mauro Quintaes, carnavalesco da Porto da Pedra, citou a amizade com Max Lopes e como começou na carreira, através da parceria com “o bigode mais famoso do carnaval”.
“A gente se falava pelo telefone. Me ligava frequentemente. Comecei a trabalhar com o Max há 26 anos. Durante nove anos, eu aprendi tudo com o Max. Não estaria aqui hoje, falando como carnavalesco, se não fosse ele. O bigode mais famoso do carnaval. A grande marca dele. Espero que as futuras gerações reconheçam a história dele. Precisam conhecer os nomes que vão nos deixando. Lei natural da vida. A nossa história mais feliz foi quando fizemos o carnaval dos ciganos, na Viradouro, a alegoria pegou fogo, mas todo o Sambódromo aplaudiu o Max. Foi fantástico ver o reconhecimento das pessoas com ele. Ciganos e Dercy têm a assinatura estética dele. Sou grato e vim me despedir do colega de trabalho, amigo, que me encaminhou na carreira”, comentou.
A Imperatriz enviou coroa de flores para o velório do carnavalesco Max Lopes. O artista foi campeão pela escola em 1989. #carnavalescopic.twitter.com/wev53bEBzP
Na noite do último domingo, aconteceu na quadra da Mocidade Unida da Glória o sorteio da ordem dos desfiles do Grupo Especial para o Carnaval 2024. Organizado pela Liesge, o evento contou com a apresentação das 7 agremiações que compõem a elite do carnaval capixaba. Segundo regulamento do último desfile, 2 escolas já sabiam sua posição de desfile desde a terça-feira da apuração do carnaval 23. A Novo Império, por ter sido a penúltima colocada, terá a missão de abrir os desfiles do Grupo Especial em 24. E o Pega no Samba, campeão do Grupo de Acesso, irá encerrar. A Mocidade Unida da Glória (Mug), atual campeã do carnaval, teve o direito de escolha.
Foto: Vinicius Vasconcelos/CARNAVALESCO
“Vou seguir o que minha comunidade e meus diretores pediram. De 7 escolas, quero desfilar no meio. Seremos a quarta da noite”, disse o presidente Robertinho da Mug.
No sorteio em si, as escolas tiraram as pedras seguindo a ordem do resultado de 2023. Representando a Jucutuquara, o presidente Rogério Sarmento foi o primeiro e tirou a pedra de número 2. Em seguida, Emerson Xumbrega, da Boa Vista, retirou a pedra número 3. Rafael Cavalieri, presidente da Chegou, obteve a pedra número 5. E consequentemente, Professor Jocelino Jr., presidente da Piedade, ficou com a pedra de número 6.
Nos 10 minutos para troca, houve um príncipio de conversa entre os Rafael e Xumbrega, numa possível troca de posições entre Chegou e Boa Vista. Porém, sem sucesso.
“A gente tentou negociar ali na hora mas não deu certo, Xumbrega é muito difícil – brincou Rafael -. A gente queria a terceira posiçao, mas a quinta não muda em nada nossos planos. Continua a noite. O público do carnaval capixaba pode ter certeza que vai vim uma paleta de cores espetacular. Nós planejamos nosso desfile inteiro para noite. Esperamos fazer um desfile lindo para o público. O fato de desfilar a noite proporciona o que há de melhor com cores vivas, principalmente para poder utilizar uma iluminação que não tivemos oportunidade em 23. Investimos, mas não conseguimos apresentar. Isso também faz a diferença na hora do resultado”, afirmou o presidente.
O presidente da escola de Cariacica, que demonstrou felicidade desde a retirada da pedra, foi sucinto sobre o resultado do sorteio.
“Foi bom para a escola. Graças a deus tivemos essa sorte. A gente vai se preparar para ser a terceira a desfilar, é bom desfilar a noite. Essa a ordem também é boa para o carnaval como espetáculo, ainda mais que as escolas estão cada vez mais parelhas. Nós vamos com tudo”, completou Xumbrega.
Quem ficou no ‘sapatinho’ após retirar sua pedra foi Rogério Sarmento, que descartou qualquer possibilidade de troca com alguma coirmã.
“A posição não é ruim, claro que ser terceiro ou quarto também são posições boas, mas a escola queria ser a segunda a desfilar. Assim como foi em 23. O importante agora é manter o foco e fazer um grande trabalho”, disse Sarmento.
Conciente do trabalho que precisa ser feito e das dificuldades que tem encontrado desde quando assumiu a administração da Piedade abril, Professor Jocelino manteve os pés no chão e mandou um recado para os amantes da escola.
“O Quilombo Piedade vai botar pra quebrar com esse enredo ancestral que levaremos para 2024. Todas escolas fazem um trabalho para sonhar, mas nós estamos sonhando mais ainda. Estamos num processo de reorganizaçao, como todos sabem. É um trabalho difícil, o investimento no carnaval capixaba ainda é muito baixo. Todas escolas tem problemas financeiro mas estamos fazendo política de contenção de gastos. Gastar onde é necessário e investir onde é necessário. A felicidade do povo da Piedade é a nossa principal estratégia”, finalizou o presidente.
Confira a ordem de desfiles do Grupo Especial do Carnaval Capixaba que acontecerá no dia 3 de fevereiro de 2024.
1 Novo Império
2 Jucutuquara
3 Boa Vista
4 MUG
5 Chegou o que Faltava
6 Piedade
7 Pega no Samba
A Estação Primeira de Mangueira realizou no último sábado a terceira etapa do concurso de samba-enredo para o carnaval 2024. Seis parcerias apresentaram obras no Palácio do Samba que recebeu bom público. As parcerias de Samir Trindade e Gilson Bernini foram cortadas e deixaram a disputa. As quatro que restaram, Moacyr Luz, Bete da Mangueira, Thiago Meiners e Lequinho, estarão presentes na semifinal que acontece no próximo dia 30 de setembro. A análise do rendimento dessas obras você confere ao longo do texto.
Foto: J.M.Arruda/Divulgação Mangueira
No próximo carnaval, a Mangueira levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “A negra voz do amanhã”, um tributo à cantora Alcione. A homenagem está sendo desenvolvida pela dupla de carnavalescos formada por Guilherme Estevão e Annik Salmon, que irão para o segundo ano consecutivo na agremiação. A Estação Primeira será a quarta escola a desfilar na segunda noite do Grupo Especial.
Parceria de Moacyr Luz: A composição assinada por Moacyr Luz, Pedro Terra, Gustavo Louzada, Karinah, Compadre Xico e Valtinho Botafogo teve a responsabilidade de abrir a noite. O intérprete Gilsinho, da Portela, esteve ao lado de Thiago Brito, da Inocentes de Belford Roxo, conduzindo a obra na eliminatória. Gilsinho comandou com muita força o time de vozes da parceria, que teve no palco um desempenho muito alto. Em alguns momentos, o time de vozes respondia ao Gilsinho como no trecho do refrão principal “A Mangueira ganhando mais um carnaval”. Destaque para as vozes femininas que se fizeram presente com força e correção. A obra aposta em uma melodia valente com andamento para frente. A cabeça do samba se destaca na letra e melodia com alguns trechos significativos como “A voz, negra voz, tem o sangue verde e rosa, é singular não há ninguém tão poderosa” e “sopro divino do amanhã”. Já na segunda do samba, a beleza da melodia é mais significativa no trecho a partir de “Alcione, tu és a luz do talismã”. O refrão de baixo “Erê, Erê, Erê, não deixa o samba morrer”, com a bateria, fez um interessante balanço com mais “swing”, permitindo a presença de bossas. Os pontos mais altos foram justamente os refrãos, incluindo o do meio “Reisado, tambor de crioula” que mostraram muita vibração, inclusive, na torcida que acompanhou no canto e fez muita festa. A parceria trouxe alguns efeitos como chuva de papel picado prateado, bandeiras, bolas, e faíscas e fumaça no palco que surgiam principalmente nos refrãos. Na quadra, no público e nos segmentos a adesão já foi mais tímida, algumas pessoas dançando e poucas cantando. Manteve o desempenho das últimas eliminatórias.
Parceria de Bete da Mangueira: O samba de autoria de Bete da Mangueira, Ronie Oliveira, Márcio Bola, João Carlos, Giovani e Jotapê foi o segundo a se apresentar na eliminatória da disputa promovida pela verde e rosa. O intérprete Tem-Tem Jr foi o responsável por conduzir o time de vozes da parceria. O cantor manteve o samba sempre pra frente, demonstrando muita energia e sempre chamando a torcida e o público a cantar. O refrão principal “O morro vai descer..” é um ponto alto de melodia com um caráter mais valente, que tende a chamar a comunidade a cantar o samba. Outro trecho que chama atenção pela melodia acontece na cabeça do samba nos versos “As crenças e lendas…os laços e rendas, o tambor do maranhão”. A obra tem um andamento bem pra frente, principalmente em termos de Mangueira e tem muita força em seu refrão principal que é um ponto alto para o canto, letra e melodia a partir dos verso “O morro vai descer/ O samba não vai morrer/é impossível esquecer teu nome/Nos braços do povo a cantar/Mangueira hoje é Alcione”. Na segunda do samba, apesar da melodia muito rica, em geral a animação caiu um pouco. A torcida trouxe bandeiras e balões nas cores da escola, e mostrou muito samba no pé por seus integrantes. O canto já foi um pouco mais tímido, a não ser na passada do samba que o canto era jogado pra galera sem bateria e com os cantores apenas incentivando. No restante da quadra a adesão foi tímida apesar do claro carinho por uma parceria que é da comunidade. Poucas pessoas se envolveram com a obra e quase ninguém cantou fora da torcida. No geral, uma apresentação mais focada na torcida.
Parceria de Thiago Meiners: A terceira obra a se apresentar na noite de eliminatória mangueirense foi a de autoria de Thiago Meiners, Beto Savanna, Indio da Mangueira, Michel Pedroza, Wilson Mineiro e Julio Alves. A composição foi conduzida pelo intérprete Pitty de Menezes, da Imperatriz Leopoldinense. A cantora Keilla Regina, que também gravou a obra da parceria de Thiago Meiners e Cia, foi quem iniciou o samba e foi o destaque da primeira passada. A cantora possui um timbre parecido com a homenageada. Pitty e Igor Vianna deram potência ao samba e mantiveram a animação durante todo o tempo e fizeram uso de todas as possibilidades vocais que a obra permitia a cada um. A música possui uma melodia bastante distinta, com destaque para a cabeça nos seis primeiros versos a partir de “Botei meu laguidibá no pescoço” até “Oh! Entidade da Primeira Estação” fazendo uma referência à homenageada Alcione e ao mesmo tempo à Verde e Rosa, de uma forma valente mais muito melodiosa. Alguns trechos da obra fazem referência na melodia e na letra a sucessos da Marrom. É o caso na segunda do samba de “Mas tente entender”, além do refrão principal com o “Não deixo o samba morrer”. A parceria também apostou em colocar um pré-refrão com muito significado em termos melódicos e de explosão, chamando a atenção e se colocando em protagonismo próximo do refrão principal, no trecho “Onde o samba é devoção, nasci pra te defender/quem veste verde e rosa é sentinela de Erê”. A parte final da obra a partir do bis “Onde o samba é devoção…” e o refrão principal “Não deixo o samba morrer…” foram os pontos altos do canto. A torcida em bom número, trouxe conjuntos de bolas nas cores da escola e mais o dourado, além de bandeiras e os efeitos produzidos pela parceria foram faíscas no palco e serpentina. A torcida mostrou animação e sustentou o canto por um bom tempo. O canto caiu um pouco antes da passada, que por regra vai praticamente só com a torcida. Neste momento, a energia voltou e foi bem até o final. Na quadra porém, a obra não teve o mesmo envolvimento, ainda que com algumas baianas dançando e algumas pessoas do público, mas poucas cantando. Ainda assim, pode-se observar um crescimento da obra em aceitação do público e pela excelente apresentação no palco.
Parceria de Lequinho: Dando prosseguimento às apresentações, o quinto samba da noite de eliminatória foi composto por Lequinho, Júnior Fionda, Gabriel Machado, Fadico, Guilherme Sá e Paulinho Bandolim. Vencedora no carnaval passado, a parceria trouxe mais uma vez o intérprete Tinga, da Vila Isabel, para comandar as vozes. A atuação dos cantores foi sem dúvida a de maior energia, a animação esteve lá no alto durante toda a apresentação.. O time que acompanha Tinga estava reforçado por Bico Doce e Caca Nascimento, que fazem parte do carro de som da Verde e Rosa. A obra apostou em um andamento para frente e no refrão principal “Meu palácio tem rainha” a composição permitiu a bateria uma bossa com bastante swing e balanço. A composição apostou também em algumas características similares ao samba vencedor do ano passado, com uma obra que mescla momentos de maior explosão com partes mais líricas e melodiosas. Um exemplo onde encontramos as duas qualidades está nos versos que vem logo antes do refrão do meio “Ê bumba meu boi, ê boi tradição, tem que respeitar maracanã que faz tremer o chão”. O samba no geral é bem valente, sustentando um andamento bem para frente, sem ser corrido. Em termos de melodia, destaque para o refrão do meio “Toca tambor de crioula” e os primeiros versos da segunda do samba que possuem uma melodia que traz um sentimento de nostalgia, também presente no enredo. A parceria apostou de novo em um pré-refrão forte que compete em protagonismo com o refrão principal com os versos “Ela é odara, deusa da canção, negra voz, orgulho da nação”. Versos de muita qualidade e que foram cantados com muita força. A torcida trouxe bandeiras nas cores da agremiação, foi uma das mais animadas e com um bom contingente. Mostrou um canto satisfatório, com alto desempenho na passada sem os intérpretes. No público um envolvimento um pouco mais tímido que a torcida, mas ainda assim deu para notar muita gente dançando, se aproximando do palco e várias baianas, por exemplo, dançando e se divertindo. Apresentação para se manter forte na briga por mais um ano.
Oito sambas participaram de mais uma etapa do concurso de samba-enredo neste domingo na Majestade do Samba em Madureira. As parcerias encabeçadas por Samir Trindade e Wanderley Monteiro tiveram o melhor rendimento de seu samba na quadra nesta fase da disputa. Ao final, as parcerias de Franco Cava e Thiago Na Fé foram cortadas e deixaram a competição. As seis obras restantes voltam ao palco da Azul e Branca no próximo dia 01 de outubro para a semifinal. A reportagem do site CARNAVALESCO acompanhou in loco todas as apresentações através da série “Eliminatórias” e a análise de cada samba, você confere ao longo do texto.
No próximo carnaval, a Azul e Branca de Oswaldo Cruz e Madureira será a segunda escola a desfilar no Sambódromo da Marquês de Sapucaí na segunda noite de apresentações do Grupo Especial. A agremiação irá em busca do seu vigésimo terceiro título de campeã na elite da folia carioca com o enredo “Um Defeito de Cor”, desenvolvido pelos carnavalescos André Rodrigues e Antônio Gonzaga.
Parceria de Wanderley Monteiro: Iniciando as apresentações, o primeiro samba foi assinado por Wanderley Monteiro, Rafael Gigante, Vinicius Ferreira, Jefferson Oliveira, Hélio Porto, Bira e André do Posto 7. Para as vozes, a parceria apostou em Wander Pires da Viradouro, que teve o apoio de Charles Silva, intérprete da Estácio de Sá e Tinguinha da Em Cima Da Hora. Os cantores de apoio seguraram bem o samba e deixaram Wander livre para fazer os seus já famosos cacos. O cantor usou do artifício de forma responsável, nos momentos que o samba pedia, e, manteve a pegada forte e bem “swingada” da obra. A música apresentou um andamento favorável com o que a bateria de Nilo Sérgio gosta de levar para a Sapucaí. A melodia da obra é bastante rica, com diversas nuances, vários caminhos bastante criativos e que tira a composição do lugar comum. Na cabeça do samba destaque para o trecho “Omoduntê, vim do ventre do amor/Omoduntê, pois assim me batizou”, que permitiu, inclusive, a Wander brincar com as notas através de “terças”. Os dois refrãos “Salve a lua de Bennin” e “Saravá Keindhe!” também se destacam pela melodia. Apesar de ser o primeiro samba da noite, a obra começou a disputa com muita força. A torcida trouxe muita gente sambando, integrantes vestidos com roupas de religiões de matriz africana e cantou de forma satisfatória, principalmente, na primeira passada em que os cantores deixavam para o público por regra. No restante da quadra, a adesão foi um pouco inferior aos componentes, mas ainda assim satisfatória com alguns segmentos como velha-guarda cantando e baianas dançando, além do público que acompanhava. Manteve o nível alto das últimas apresentações.
Parceria de Luiz Carlos Máximo: O segundo samba a se apresentar na eliminatória portelense foi o composto por Luiz Carlos Máximo, Manu da Cuíca, Cecília Cruz, Thayssa Menezes, Fabinho Gomes, Luciano Fogaça e Cláudio Cruz. O samba foi interpretado por Bico Doce. O cantor trouxe uma pegada forte e conseguiu manter a obra pra frente, bem apoiado pelo restante do time de vozes, além de muita empolgação dos compositores no palco. A composição caminha por características mais intrínsecas a parceria que em geral procura fugir da linha melódica mais tradicional do samba-enredo. A obra tem diversos pontos altos melódicos como o refrão de baixo “Nasceu d’Oxum flor de Kehindé/Nas esquinas de Madureira…”. A segunda samba também possui uma linha melódica original e bonita, principalmente, a partir do verso “Iyá, sua saga é meu abrigo”. A melodia em geral é muito rica. O samba tem um estrutura que permite uma levada interessante para a bateria do mestre Nilo Sérgio, agradável, sem correria. O refrão do meio “Oleleá, caruru é pra Ibeji…” tem destaque pela métrica empregada que torna o cantar de uma forma bem balanceada. A torcida foi bem na passada sem os cantores e manteve um bom rendimento de canto. Também fez coreografia no verso “A maré guardou seu nome de Erê”, imitando o movimento das águas. Em relação ao restante do público, porém, o envolvimento da quadra foi menor, algumas poucas pessoas cantando e dançando. O refrão de baixo “Nasceu d’Oxum flor de Kehindé/Nas esquinas de Madureira…” foi o trecho cantado com maior empolgação.
Parceria de Jorge do Batuke: Na sequência das apresentações, o quarto samba foi o de autoria de Jorge do Batuke, Claudinho Oliveira, Zé Márcio Carvalho, Leko 7, Romeu D’ Malandro, Silas Augusto e Araguaci. Os intérpretes Zé Paulo Sierra, da Mocidade Independente de Padre Miguel, e Tem-Tem Jr, do Império Serrano, conduziram a obra. A dupla fez uma apresentação muito segura e bastante explosiva no palco, valorizando a força da obra, mantendo o ritmo para frente. O samba se destaca em termos de melodia e de explosão pela existência de dois refrãos na composição, que são valentes. São os trechos a partir de “ôôôô!ôôôô! Oxé sagrado é machado de Xangô…” e “Eu sou Portela, quero o que é meu de direito…”. O restante da obra também segue essa característica mais valente na melodia com alguns versos de muito valor melódico como a repetição na cabeça do samba “Pergunto onde está o defeito da cor?”. A segunda do samba, com certeza, o trecho de maior beleza e força em letra e na mensagem, a partir dos versos “Se prometeram nos matar/Prometemos não morrer/Se prometeram nos matar/ Nós vamos sobreviver”. Apesar da apresentação mais vibrante, não se observou correria com a música. A parceria trouxe algumas pessoas com vestimentas utilizadas nas religiões de matriz africana. A torcida foi destaque nas primeiras passadas, principalmente na que foi realizada sem os cantores. “Eu sou Portela” e o refrão principal eram os trechos em que se ouvia com mais força na quadra. Depois na cabeça se notava uma diminuição do canto que voltava a explodir no refrão do meio “ôôôô!ôôôô! Oxé sagrado é machado de Xangô…”. Houve mais envolvimento com algumas pessoas que na grade acompanhavam a apresentação com canto e dança, porém, mais para o final esse frisson diminuiu um pouco. O que não apagou o bom rendimento do samba que está crescendo na disputa.
Parceria de Noca da Portela: O samba composto por Noca da Portela, Claudio Russo, Lico Monteiro, Leandro Thomaz, Orlando Ambrosio, Marcelo Lepiane e Rodrigo Peu foi o quinto a se apresentar. Pitty de Menezes foi o responsável por comandar as vozes da parceria. Ele empregou bastante energia na obra, e fez uma apresentação de bom nível. Manteve-se à vontade para chamar a quadra a cantar, fazendo pertinentes intervenções no canto, amparado pelo restante das vozes. Quanto ao samba da parceria, tradicional competidora dos concursos da Portela, o grupo trouxe uma obra muito característica das músicas da escola, tanto em andamento quanto em melodia. Um samba cadenciado, com andamento agradável. Em termos melódicos, tem pontos altos como nos refrãos, tanto o de baixo “Yà Ilê Axé….Portela”, um pouco mais valente, quanto o do meio, falso refrão, mais melodioso, formado por versos completamente diferentes que não se repetem, mantendo a estrutura de notas: na primeira vez “Sob o azul do seu axé… Oh Mãe Naê” e na repetição “Só Xangô pôde entender o que eu senti”. A obra tem um caráter mais tradicional, traz um saudosismo, traduzido inclusive na escolha das notas. A torcida trouxe alguns integrantes vestidos com roupas de matriz africana realizando uma coreografia pertinente à vestimenta. O canto da torcida foi tímido com alguns pontos de maior rendimento no refrão de baixo, principalmente na parte que se repetia quatro vezes É o porto onde pude enfim /Longe de mim te encontrar”. A obra também teve pouco envolvimento do restante da quadra, poucas pessoas cantando e quase ninguém, fora da torcida, dançando ou pulando. No geral, foi uma apresentação mediana nesta eliminatória. Deve crescer mais nas próximas.
Parceria de Celso Lopes: A obra assinada por Celso Lopes, Neyzinho do Cavaco, Charlles André, Chicão do Cavaco, Jorge Feijão, TH Joias e Anderson Leonardo foi a sexta a se apresentar. O samba foi conduzido pelo intérprete Nino do Milênio, da União de Maricá, e Dowglas Diniz, da Mangueira. A divisão da atuação da dupla de cantores foi Nino sendo mais responsável pela comunicação com quadra e torcida, enquanto Dowglas mantinha a boa condução da obra. Desempenho positivo da dupla. O samba é bastante para frente com melodia mais valente, já na cabeça o trecho inicial “Mãe essa carta é para você/eu sou Abiku Feffe, tenho tanto para contar” já coloca a energia lá no alto. Ainda na primeira do samba, a repetição “fiz aos pés da gameleira uma prece ao orixá” é um destaque da obra em relação a melodia, que a todo tempo dá o tom de tensão, épico, carregado pela força do enredo até os trechos da segunda do samba com uma virada melódica que acontece no trecho “Ia Ia num lindo sonho fui te encontrar” que vai até o refrão principal em que a melodia se torna mais alegre, pra cima, para exaltar Luísa Mahin. A torcida foi mais uma que trouxe pessoas vestidas como entidades das religiões de matriz africana, inclusive, Oxum. Além disso, fez coreografia e chegou a abrir o meio da quadra em um momento. O samba no pé foi garantido por passistas que vinham à frente e uma mulher vestida de baiana benzia com ramos de ervas. Apesar da animação, o canto entre os componentes foi mais tímido. No restante da quadra o envolvimento do público também foi tímido, mas como ponto positivo pode-se ver as baianas em seu camarote dançando e se divertindo com a obra.
Parceria de Samir Trindade: A penúltima obra a se apresentar foi a composta por Samir Trindade, Valtinho Botafogo, Junior Falcão, Brian Ramos, Fabrício Sena, Deiny Leite e Paulo Lopita 77. A parceria trouxe para comandar as vozes: Marquinho Art’Samba, da Mangueira, e Bruno Ribas, da Unidos de Padre Miguel. A atuação do carro de som foi destacada não só pela energia e correção na condução da obra por Marquinho e por Bruno, mas também por um alto desempenho das vozes de apoio, Lissandra Oliveira (Em Cima da Hora, intérprete) e do ilustre Gera (Carro de som da Vila Isabel). O samba concilia uma pegada para frente, vibrante com pontos altos de melodia e de canto. A música tem uma melodia com um misto de força e singeleza. É valente, mais possui pontos de destaque que trazem toda a força do enredo como no trecho logo na cabeça “Omotunde/ Do seu ventre, sou fruto, mulher/ Matriarca, heroína Kehinde, rainha preta” e na segunda estrofe, nos versos “Orayeye ô (minha mãe)/Sua ancestralidade (nossas mães)/É ouro de Oxum/Ilê de liberdade”. O refrão do meio traz versos de uma virada melódica em tom mais alegre e com muito ritmo em “Ê Nanã ê…foi Nanã quem criou….”, o que permitiu mais liberdade para Nilo Sérgio criar . O refrão principal “Senhora do meu afeto…” não procura uma explosão para frente, mas empolga pela riqueza melódica, por ser agradável e pela força da mensagem. A torcida foi uma das que mais mostrou animação e manteve o canto em um bom rendimento. Um dos efeitos produzidos pela parceria foi a presença de uma Oxum no meio da quadra que abria sua enorme saia dourada. O restante da quadra também mostrou envolvimento com a parceria. Muita gente levantou das cadeiras para pular e cantar.