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Galeria de fotos: premiação do Estrela do Carnaval Palácio dos Cristais 2026

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‘Laroyê Xica da Silva: a história por trás da história’; Salgueiro anuncia enredo para o carnaval de 2027

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O Acadêmicos do Salgueiro anunciou, na madrugada desta segunda-feira, o enredo que levará para a Marquês de Sapucaí no Carnaval 2027. Com o título “Laroyê Xica da Silva: a história por trás da história”, a vermelho e branco da Tijuca promete revisitar uma das personagens mais emblemáticas da cultura brasileira a partir de novas descobertas históricas e reflexões sobre os mitos construídos em torno de sua imagem.

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A proposta do desfile nasce da pesquisa de mestrado do enredista Leonardo Antan e ganha força após a divulgação pública, em 2025, do testamento de Francisca da Silva Oliveira pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais. O documento trouxe novas informações sobre a mulher real por trás da personagem eternizada em novelas, filmes e até mesmo do desfile de 1963 do Salgueiro, ampliando o debate sobre os estereótipos que marcaram sua representação ao longo das décadas.

Segundo o Salgueiro, o desfile irá explorar justamente as fronteiras entre a figura histórica e o imaginário popular criado em torno de Xica da Silva, personagem que se tornou símbolo de transgressão, liberdade e resistência feminina. Na proposta da escola, Xica será apresentada a partir do arquétipo das pombas-giras, entidade das encruzilhadas, ligada à força feminina, à irreverência e à quebra de padrões sociais. O desfile propõe um paralelo entre a trajetória da personagem e essa potência simbólica que atravessa o imaginário afro-brasileiro.

“O Salgueiro terá a oportunidade de revisitar a história de uma de suas personagens mais importantes e ressignificá-la. Com a descoberta do testamento de Francisca da Silva, vamos conhecer a mulher por trás do mito construído. É o Salgueiro se reencontrando com suas grandes narrativas, colocando em destaque a negritude, ancestralidade e resistência cultural”, afirma o carnavalesco Jorge Silveira.

Para o enredista Leonardo Antan, a história da Xica revela também o poder de uma escola de samba na cultura brasileira. “Foi o Salgueiro que transformou essa personagem em referência mundial ao apresentá-la no histórico desfile de 1963”.

Com o anúncio, a Academia do Samba reafirma sua histórica trajetória de valorização das narrativas negras. Neste carnaval, a escola volta seu olhar para a força da mulher negra brasileira, exaltando sua potência, ancestralidade e capacidade de romper estruturas sociais através da arte, da cultura e da resistência.

Mileide Mihaile não segue como rainha de bateria da Unidos da Tijuca no Carnaval 2027

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Foto: Allan Duffes/CARNAVALESCO

A Unidos da Tijuca não terá Mileide Mihaile à frente da bateria Pura Cadência no próximo carnaval. A maranhense, influenciadora e empresária Mileide Mihaile desfilou como rainha de bateria da agremiação no Carnaval 2026.

Ao longo de sua trajetória na amarelo ouro e azul pavão do Morro do Borel, Mileide representou a escola com simpatia e respeito à comunidade tijucana, participando de momentos importantes da temporada e fazendo parte da história.

A Unidos da Tijuca agradece por toda parceria, carinho e entrega, desejando muito sucesso e deixando as portas abertas para o amanhã.

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Vila Isabel recebe prefeita de Lençóis e fortalece conexão com a Chapada Diamantina

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Foto: Divulgação/Vila Isabel

A Unidos de Vila Isabel recebeu a visita da prefeita de Lençóis, Vanessa Senna, no barracão da escola. O encontro reuniu a diretoria e a presidência da agremiação e marcou mais um passo importante na consolidação da parceria entre a escola e a cidade baiana para o Carnaval de 2027. A visita aconteceu um dia após a leitura da sinopse do enredo, realizada na quadra da escola, na última quarta-feira, e reforçou os laços entre a Vila Isabel e a região da Chapada Diamantina, cenário que inspira a narrativa do próximo desfile.

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A escola levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “Torto Arado: Sobre a Terra há de viver sempre o mais forte”, inspirado no romance de Itamar Vieira Junior. Será desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, com pesquisa de Vinícius Natal.

Para o presidente da escola, Luiz Guimarães, a aproximação com as instituições ligadas ao enredo fortalece o projeto desenvolvido pela agremiação.

“Esse estreitamento é fundamental para que a gente tenha ainda mais base e consiga consolidar essa parceria não só com o autor do livro e com a editora, mas também com o Governo do Estado da Bahia e com a Prefeitura de Lençóis, já que essa história se passa lá.

Ter esse alinhamento entre todas as partes é muito importante para criar ainda mais sinergia em torno do enredo. Isso impulsiona o nosso trabalho e nos dá as melhores condições para desenvolver um grande desfile de Carnaval. Todos esses elementos são fundamentais para que a gente possa realizar um grande trabalho e buscar um excelente resultado na avenida”, destacou o presidente.

A prefeita Vanessa Senna celebrou a homenagem e destacou a importância da visibilidade para a cultura e a história da Chapada Diamantina.

“Foi uma grande surpresa para a gente, uma surpresa maravilhosa. Sem dúvida, a melhor surpresa de 2026 até agora. A Chapada Diamantina já é conhecida internacionalmente por suas belezas naturais, mas agora teremos a oportunidade de mostrar também a nossa história, a nossa cultura, as nossas raízes e a força do nosso povo.

O povo da Chapada carrega uma trajetória de luta, resistência e muita identidade. Então, para nós, é um enorme prazer ver essa história sendo levada para a avenida pela Vila Isabel”, afirmou.

A Unidos de Vila Isabel será a quarta escola a desfilar no domingo de Carnaval de 2027, no dia 7 de fevereiro.

Mocidade 2027, leia a sinopse do enredo

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LATINAMENTE INDEPENDENTE
Nosso Norte é o Sul em Remanifesto

Desperta, América latina!
Pelas tuas veias abertas, organizamos o movimento.
Pela flecha de Oxóssi nos guiamos, caçadores.
/AI, SE/ te pego… porque nós não seremos mais a caça nem o quintal de ninguém.
Levante, hemisfério rebelde!
Erga nossa bandeira e plante nossa raiz no topo do mundo.
Vire ao contrário o mapa americano, pero sem perder a ternura.
Desnorteie, América invertida!
A partir de agora, o Sul é o Norte.
O poder do Norte Global está sob nova direção. Sulear.
Viva a Revolução Latino-Americana Independente de Padre Miguel!
Após eras sobrevivendo a reis, torres, cavalos e bispos, comamo-los.
Assim como os Caetés fizeram com Dom Sardinha, saciamos nossa fome com os nossos invasores, catequistas, escravizadores e interventores.
Retomamos o que nos foi tirado:
Nossa memória levada para museus, nosso ouro extraído para ornar palácios,
igrejas e coroas, nossa história apagada para nos manipular, nossa soberania
atacada para nos dominar…
Ó, Tecô-munhangaua!
Evocamos Jurupari, o civilizador Tupi, para restaurar a ordem e o mando justo.
Sem mais homenagens e monumentos a quem nos causaram tanta dor.
Retupinizar em honra e gloria a nossos heróis vencidos pelo poder branco.
Para que nossas riquezas não mais alimentem nossa pobreza.
Restabelecer a cosmovisão das civilizações originárias.
Pachamama nos ensina:
Somos frutos da natureza e do universo unidos por Quetzalcóatl.

O que se planta, cresce e floresce no matriarcado de Pindorama.
As maravilhas da Mãe Terra são patrimônio, não apenas recurso ou mera mercadoria.
São parte viva e sagrada da existência.
O tesouro da nação Independente.
Entendemos que a verdadeira evolução está conectada às raízes.
Olhar para trás antes de olhar para frente é preciso.
Nossa visão de futuro caminha com os passos de quem veio antes de nós.
Somente a inteligência amefricana, centrada na experiência dos povos indígenas e africanos, salva.
Com os pés aterrados na floresta, vos dizemos: kosi ewé, kosi amanhã.
REconhecemos a vanguarda dos saberes milenares no quilombo tecnológico forjado por Ogum, HiTech ancestral.
Mostrando nossa identidade, avançamos.
A latinidade é capital.
O jeitinho latino-americano vende pra Iô Iô, vende pra Iá Iá.
Pois nós temos muito mais que bananas. Temos o molho.
Dominamos a gambiarra, o maior contra-ataque criativo desde a pedra lascada.
Nosso estilo de vida não tem preço, tem valor.
Nos sentimos melhor coloridos para enfrentar os tempos de cólera.
Festejamos porque a alegria é a força latina de resistência popular.
Celebramos, apesar da dor… E também por causa dela. Desobedientes.
Nosso sorriso insurgente combate a opressão, não reconhece domínio.
Somos um povo que teima em se manter de pé, vivo. Contente.
À folia, América-Latina independente!
Comemore!
Desfile seu orgulho para que nossas lágrimas sejam somente de felicidade.
Que nosso suor seja resultado de conquistas.
Daqui para frente e para sempre.
Independentemente…

Perdoe, mas não esqueça.
¡Dale!

Jack Vasconcelos
Carnavalesco
Em Rio de Janeiro, Ano 534 da Ocupação.

EXPERIÊNCIAS INICIAIS
BANIWA, Braulina; APURINÃ, Francisco. Bioeconomia indígena: saberes ancestrais e tecnologias sociais. São Paulo: Uma Concertação pela Amazônia;Arapyaú, 2024.
D’OLNE CAMPOS, Marcio. A arte de sulear-se. In: SCHEINER, Teresa Cristina (coord.). Interação museu-comunidade pela educação ambiental: manual de apoio ao curso de extensão universitária. Rio de Janeiro: UNIRIO/TACNET, 1991.
GALEANO, Eduardo. As veias abertas da América Latina. 2. ed. Porto Alegre: L&PM, 2012.
GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano: ensaios, intervenções e diálogos. Organização de Flávia Rios e Márcia Lima. Rio de Janeiro: Zahar, 2020.
KRENAK, Ailton. Futuro ancestral. São Paulo: Companhia das Letras, 2022.
LÓPEZ, Emiliano (Org.). As veias do Sul continuam abertas: Debates sobre o imperialismo do nosso tempo. São Paulo: Expressão Popular, 2020.
SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. Rio de Janeiro: Record, 2000.
BAIANASYSTEM. Sulamericano. Participação de Manu Chao. In: Faixa 2,
BAIANASYSTEM. O Futuro Não Demora. [S. l.]: Máquina de Louco, 2019. Disponível em: Deezer, 2019.
CALLE 13. Latinoamérica. Intérprete: Calle 13. In: CALLE 13. Entren los que quieran. Sony Music, 2010. Faixa 5. Álbum digital. Disponível em: Deezer, 2009.
GIECO, León. Eu só peço a Deus. Intérpretes: Beth Carvalho e Mercedes Sosa. In: Beth Carvalho: ao vivo no Olympia. Sony Music, 1991. Faixa 11.
Disponível em: Deezer, 1986.
MIRIM, Katú. Indígena Futurista. Intérprete: a autora. [S.l.]: Independente, 2021. 1 álbum digital.1 faixa, 04 min. Disponível em: Deezer, 2021
LOS CORONEZOS. Manifesto Decolonial. Disponível em: Deezer, 2019.
MACHADO, Paulo. Intérprete: Ney Matogrosso. América do Sul. In:
MATOGROSSO, Ney. Água do Céu – Pássaro. Rio de Janeiro: Warner Music Brasil, 1975. Disponível em: Deezer, 2005.
RESIDENTE. This Is Not America. Intérprete: Residente. Participação: Ibeyi.
2022. Faixa 1. In: This Is Not America. Disponível em: Deezer, 2022.
SOSA, Mercedes. Cuando tenga la tierra. In: Hasta la victoria. Universal
Music, 1972. Disponível em: Deezer, 2010.

Dragões da Real ‘rouba a cena’ e anuncia Emerson Dias para 2027; intérprete assume foco total na Vila Anastácio

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Foto: Gustavo Lima/CARNAVALESCO

A Dragões da Real apresentou sua nova voz. Para o Carnaval 2027, o renomado intérprete Emerson Dias irá defender a agremiação da Vila Anastácio, substituindo o cantor Renê Sobral, que permaneceu nove anos na escola. Em 2026, o músico esteve à frente dos microfones da Mocidade Unida da Mooca, em São Paulo, e da Acadêmicos de Niterói, no Rio de Janeiro. Inclusive, Emerson estava confirmado na agremiação carioca para 2027, mas abriu mão após receber a proposta da Dragões da Real.

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O evento foi cercado de expectativa, já que a escola não havia revelado detalhes nas redes sociais. A festa foi realizada exclusivamente para apresentar o cantor. Emerson Dias surgiu na Caverna do Dragão interpretando Reinaldo, artista que será homenageado no enredo da escola para 2027. O intérprete também cantou o hino alusivo, o samba do Carnaval 2026 e duas obras marcantes de sua trajetória no carnaval carioca: “Hutukara”, do Acadêmicos do Salgueiro, e “A Grande Rio é do Baralho”, da Acadêmicos do Grande Rio. Emerson Dias conversou com o CARNAVALESCO e falou sobre a emoção de ser o novo intérprete oficial da escola da Vila Anastácio.

Proposta irrecusável

Emerson não escondeu a felicidade por receber a proposta da Dragões da Real. De acordo com o cantor, o slogan “Lugar de gente feliz” define sua personalidade.

“Foi inesperado, mas aqui é time grande. Ser lembrado por uma escola de potência como a Dragões da Real é motivo de muito orgulho. Não teve como negar. Assim que o convite chegou, aceitei com muita alegria e felicidade. Esse slogan da escola tem muito a ver com a minha personalidade. Aqui é um ‘lugar de gente feliz’, e eu sou feliz. Tento passar isso no meu trabalho e na forma de interagir com o povo. Meu professor é o Quinho do Salgueiro. Eu vim do povo, sou do povo e canto para eles”, disse.

Recepção calorosa

Logo após a apresentação, Emerson Dias desceu do palco para tirar fotos com a comunidade presente na Caverna do Dragão. O cantor comentou o carinho recebido.

“Essa recepção é fruto de tudo isso que eu falei: dos meus carnavais, das minhas performances, da forma como interajo e da minha popularidade. O povo gosta disso. Para mim, o samba é isso, independentemente da região geográfica. É troca, energia e alegria. Tenho certeza de que vou encontrar isso aqui na Dragões da Real. A gente vai botar para quebrar”, celebrou.

Adaptação ao carnaval de São Paulo

O intérprete também falou sobre sua trajetória no carnaval paulistano, especialmente na Mocidade Unida da Mooca, e desejou sorte à comunidade da Zona Leste. Ele afirmou estar totalmente adaptado à folia paulistana.

“A minha primeira vez no carnaval de São Paulo foi em 2004. Meu amigo Moisés Santiago me levou para a Imperador do Ipiranga. Anos depois, vim trabalhar na Mocidade Unida da Mooca. Foram resultados incríveis construídos pela escola. Espero que eles sejam muito felizes nessa nova caminhada também. Hoje, o carnaval é muito profissional. Quando um vai, outro vem. Quando um vem, outro vai. É assim que funciona. Mas o carnaval de São Paulo é gigante, e estou totalmente adaptado”, declarou.

Prioridade para a Dragões da Real

Emerson Dias revelou que, apesar de cantar em outras praças, sua prioridade em 2027 será a Dragões da Real.

“Uma semana antes, eu canto no carnaval de Vitória. No pós-carnaval, vou desfilar em Uruguaiana, no Rio Grande do Sul. Mas, em todo o processo, a prioridade é a Dragões da Real. A dedicação total será à escola. Eu quero isso. Independentemente do que conversei com o presidente Tomate, acredito que minha carreira precisa desse foco, e estar aqui será muito importante para mim como profissional”, afirmou.

‘Nenhuma escola contaria esse enredo como a Vila Isabel’, diz presidente sobre ‘Torto Arado’

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Foto: Marcos Marinho/CARNAVALESCO

A Unidos de Vila Isabel apresentou, na noite da última quarta-feira, a sinopse do enredo “Torto Arado: sobre a terra há de viver sempre o mais forte”, assinado pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora e pelo pesquisador Vinícius Natal. Adaptação do aclamado livro do escritor baiano Itamar Vieira Júnior, o projeto levará para a Marquês de Sapucaí a resistência quilombola e a tradição religiosa do Jarê. O presidente Luiz Guimarães não escondeu o entusiasmo: a proposta foi apresentada, e ele a abraçou de imediato.

“É um grande livro, com uma grande história, que tem tudo a ver com a Vila Isabel. Nenhuma outra escola poderia contar esse enredo como a Vila, como já fizemos em outros carnavais”, afirmou Guimarães.

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A conexão entre a narrativa de Itamar e a identidade da escola foi, segundo ele, se tornando ainda mais evidente ao longo do processo de imersão na pesquisa. “Fiquei encantado. Essa sinergia já vem desde o início. Foi uma conexão que potencializou essa sinopse tão rica, e tenho certeza de que faremos um grande carnaval”, disse.

Vila Isabel, 2027: leia a sinopse do enredo

Dia de desfile não muda os planos

Com o enredo já definido antes mesmo do sorteio da ordem dos desfiles, realizado em abril, a posição do dia na grade de competição passou a ser fator secundário para a direção da escola. A Vila Isabel vai desfilar como última escola no domingo de carnaval, dia que, historicamente, não é o preferido entre as agremiações. Para Guimarães, porém, o assunto está encerrado antes de começar.

“O dia de desfile é indiferente à nossa escolha de enredo. Já estávamos com isso bem desenhado”, disse o presidente.

Disputa de samba enxuta e respeitosa

A disputa de samba-enredo de 2027 também já tem formato definido. A Vila Isabel optou por uma competição mais compacta, com previsão de duração entre três e quatro semanas. O calendário foi pensado para atender à agenda dos compositores e amortizar o impacto financeiro que disputas longas costumam gerar.

“Será uma disputa muito forte, mais um ano de grandes obras. Uma disputa bem simples para otimizar o tempo e o financeiro dos compositores. Procuramos pensar em todos os lados. As portas do barracão da Vila Isabel vão estar sempre abertas para que todas as parcerias possam conversar conosco. É um ambiente acolhedor, e a gente sempre trata todo mundo com o maior respeito”, afirmou.

Evento na Chapada Diamantina?

Quem acompanhou o lançamento do enredo de 2026, quando a Vila Isabel levou o público à Pedra do Sal, reduto histórico do homenageado Heitor dos Prazeres, e depois retornou ao espaço para a final do samba, sabe que a escola sabe criar experiências fora da quadra. O sucesso daquelas duas edições acendeu uma pergunta natural: a Vila vai repetir o formato para “Torto Arado”?

Luiz Guimarães não fechou a porta. “Quem sabe a gente não faça, ainda nesse processo deste ano, um evento lá na Chapada”, disse, sinalizando que a possibilidade está sendo avaliada. A confirmação, por ora, fica para os próximos capítulos.

Acervo virtual da Mangueira fortalece a memória de mulheres históricas da escola

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Foto: Divulgação/Acervo Mangueira

A Estação Primeira de Mangueira disponibiliza, em seu site oficial, o Acervo Virtual da Mangueira, uma plataforma digital criada com o objetivo de preservar, organizar e difundir a trajetória de uma das mais tradicionais escolas de samba do Brasil. A iniciativa reafirma o compromisso da agremiação com a valorização de sua história e, sobretudo, com o reconhecimento do papel fundamental das mulheres, em sua maioria negras, que ajudaram a construir, e seguem construindo, a identidade, a resistência e a grandeza da Escola ao longo das décadas.

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Dentro desse espaço, a coleção Ancestralidade Matriarcal reúne imagens raras e registros simbólicos de mulheres que evidenciam o protagonismo feminino que atravessa gerações na Mangueira. Mais do que um resgate histórico, o projeto se consolida como um instrumento de valorização da ancestralidade, dando visibilidade a trajetórias que, por muito tempo, foram invisibilizadas.

“Ao destacar essas narrativas, o acervo contribui para o fortalecimento da memória coletiva e para o reconhecimento da centralidade das mulheres na cultura do samba. Preservar a memória dessas mulheres é reconhecer que a história da Mangueira foi, e continua sendo, escrita por mãos femininas que sustentam, inspiram e transformam a nossa comunidade”, celebra Guanayra Firmino, presidenta da Escola.

Contando com a colaboração de pesquisadores do Departamento de História da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, o acervo amplia o acesso público a conteúdos históricos da agremiação com registros raros, como a celebração do aniversário de 70 anos de Dona Zica, publicado pela Rede Globo, em 1983.

Com acesso gratuito, o espaço reúne centenas de itens digitalizados, entre fotografias, vídeos, documentos, áudios e registros de memória oral, que percorrem diferentes períodos da história da escola, fundada em 1928. O material permite ao público conhecer de perto fantasias icônicas, instrumentos musicais, troféus, enredos e momentos marcantes dos desfiles, além de projetos sociais e atividades que integram o cotidiano da Mangueira.

“Aqui temos fragmentos que nos ajudam a contar e celebrar um legado de quase um século de resistência. A Mangueira perpetua a sua trajetória de criatividade, pioneirismo e de identidade afro-brasileira, colocando-se enquanto uma referência para todos aqueles interessados e pertencentes à cultura brasileira”, afirma Guanayra Firmino.

Além de preservar a memória, o projeto tem potencial educativo e de pesquisa, servindo como fonte para estudantes, pesquisadores e interessados na cultura afro-brasileira e na história do carnaval. A digitalização do acervo também contribui para a democratização do acesso à informação, especialmente para públicos que historicamente enfrentam barreiras no acesso a bens culturais.

O Acervo Virtual da Mangueira segue em constante atualização, com a inclusão de novos conteúdos e a possibilidade de ampliação das coleções ao longo do tempo. “O acervo reforça a Mangueira como território de cultura, memória e produção de conhecimento. E segue em constante construção, crescendo com o tempo e com a contribuição de todos”, completa Guanayra.

A iniciativa ganha ainda mais relevância no ano em que a escola celebrou 98 anos de história, reafirmando seu papel não apenas como protagonista do carnaval carioca, mas como guardiã da memória e da identidade cultural brasileira.

Passista da Viradouro e da Porto da Pedra leva cozinha afetiva de favela a reality da Globo

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Foto: Estevam Avellar/Divulgação TV Globo

A passista da Unidos do Viradouro e da Unidos do Porto da Pedra, Arianna Marçal, a Ari, é uma das participantes de Cozinha de Favela: Prontos para Brilhar, docu-reality que estreia no dia 23 de maio, na TV Globo Rio, com exibição também pelo Globoplay. Moradora do Morro do Girassol, em Colubandê, São Gonçalo, Ari construiu sua trajetória entre dois universos que se cruzam diariamente em sua rotina: o Carnaval e a gastronomia. Dentro das quadras das escolas de samba, onde atua como passista, ela começou vendendo sanduíches e encontrou no ambiente da folia um primeiro espaço de empreendedorismo.

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A partir dessa vivência, transformou receitas de família em um negócio de comida afetiva, com um delivery baseado em memórias afetivas e tradição doméstica, como a lasanha da mãe, a panqueca da avó e o empadão da irmã. O que começou de forma improvisada na varanda da casa da família, hoje se tornou uma operação regular que atende cerca de 80 pedidos por semana.

No programa, Ari é desafiada a dar um novo passo: profissionalizar a cozinha e estruturar o negócio para crescimento sustentável. Ela trabalha em um espaço improvisado, dentro da própria casa da família, com limitações de ventilação, logística e organização, o que impacta diretamente sua produção.

A transformação é conduzida pelo chef João Diamante, ao lado da atriz Bárbara Reis. O time de mentores inclui ainda a arquiteta Bel Lobo, responsável pela reestruturação do espaço físico, e a especialista em comunicação Juliana Oliveira, da OliverPress, que atua na construção da identidade, posicionamento e estratégia de divulgação do negócio.

Além da reforma do espaço, o projeto também envolve orientação em gestão financeira, precificação, organização de cardápio e logística de entregas, com o objetivo de transformar o negócio informal em uma operação estruturada.

Mais do que uma história de empreendedorismo, a trajetória de Ari evidencia como o Carnaval ultrapassa a avenida e se consolida também como território de oportunidades, renda e construção de futuro nas periferias do Rio de Janeiro.

Vila Isabel, 2027: leia a sinopse do enredo

sinopsevila

“(…) é que a gente pode ficar sempre alegre, alegre,
mesmo com toda coisa ruim que acontece acontecendo.”

João Guimarães Rosa — Campo Geral

“Mas crianças com bocas de fome,
ávidas, ressuscitaram a vida
brincando anzóis nas correntezas
profundas.
E os sonhos, submersos
e disformes
avolumaram-se engrandecidos,
anelando-se uns aos outros
pulsaram como sangue-raiz
nas veias ressecadas
de um novo mundo.”

Conceição Evaristo — Os sonhos

UNIDOS DE VILA ISABEL
CARNAVAL 2027

1 – A memória ancestral da PEDRA

Atravessei o tempo como se caminhasse sobre as águas de um rio bravo. Posso cantar, sozinha: “Santa Rita Pescadeira, cadê meu anzol? Cadê meu anzol? Que fui pescar no mar.” Passei a vagar sem rumo, não conto o tempo. Sou uma velha encantada, muito antiga, que acompanhou esse povo desde a sua chegada das Minas, do Recôncavo, da África. Guardo memórias familiares que, soterradas pela poeira deste mesmo esfumado tempo, são parte da ancestralidade que nos foi negada. Arrancada.

Por isso, então, me abriguei em muitos corpos, tantos, desde que a gente enfrentou o breu, percorreu matas e rios, adentrou serras e lagoas. Desde que a cobiça cavou buracos, aos trapos, bambúrrios, e o povo se embrenhou no chão, tatus, buscando a PEDRA brilhante. Nas tocas da escuridão, em pedaços, viam o brilho mudar de lugar: facho de luz e estrela, faísca. Visagens!

Abriam fendas e rezavam para que a luz revelasse o desejo. Como já disse o outro, sábio, “o diamante, que não encontrado ainda, pertence a todos.” Pois a PEDRA é que escolhia, ria, o dia e o dedo certeiros — questão de sorte? A PEDRA cantava. Recorriam à magia para desencabojar. O diamante se tornou um enorme feitiço… Mas a maioria só encontrava, às mãos dilaceradas, a quimera e a loucura.

2 – Da Fazenda Caxangá aos caminhos de Água Negra: a TERRA

Meu povo seguiu rumando de um canto para outro, procurando trabalho. Buscando TERRA e morada. Um lugar onde pudesse plantar e colher. Onde tivesse uma tapera para chamar de casa.

O diamante já não atraía tanta gente e só restaram as TERRAS de Água Negra, uma porção de mundo entre dois rios, formando uma fértil ilha na Chapada Diamantina. O lugar onde escorriam o suor do dendê, a massa do buriti, o mel das abelhas zelosas. Pegar a enxada! Tinha dias em que o sol parecia uma fogueira de cabeça para baixo — no caminho das roças, na beira do Utinga e do Santo Antônio.

Zeca Chapéu Grande, filho de Donana (que tinha fama de ser feiticeira, porque o mato incendiava), nasceu em uma plantação de cana, na Fazenda Caxangá.

Herdou a sina da mãe — a missão de curar os males, aprendida na mata, bebendo do caule a loucura, debaixo de um jatobá. Obrigação. Não se pode fugir tranquilo se existe um destino traçado: uma onça o protegia, como se cria fosse, antes que fosse versado nas artes do encantamento — no Lajedo, o banho perfumoso das ervas.

Curado, caminhou para Água Negra, a TERRA onde toda uma geração de filhos de trabalhadores haveria de nascer. Haveria, ainda, de haver direitos? Caminhou… na companhia dos encantados.

3 – As FORÇAS da FÉ, BRINCADEIRAS de JARÊ

Em Água Negra, ergueu a casa de barro. A família aumentava e as suas filhas corriam, quase que livres, segurando bonecas de milho, nas noites das brincadeiras.

Brincadeiras de JARÊ!

No bailar do terreiro, varavam as madrugadas e aprendiam as lições dos santos: comer caruru com a mão é desvendar a riqueza da infância! Os objetos, as raízes, as rezas, os encantados que domavam os corpos, tudo isso era parte da paisagem do mundo.

“Ê, Santa Bárbara!”

Sob a proteção do Velho Nagô, aquele que nunca abandonou a caminhada, Zeca Chapéu Grande, agora um afamado curador, tocou as cantorias, no JARÊ que girava unido. Da fé que fazia festa, o meu povo comungava. Cavalgava.

São Sebastião, a devoção dos atabaques — que traziam, à luz do lampião, todo o peji da casa: Mineiro, Mãe d’Água, Ventania, Sete-Serra, Iansã, Marinheiro, Nadador, Ogum, Oxóssi, Cosme e Damião, Tupinambá, Tomba-Morro, Pombo Roxo, Nanã…

E eu, uma encantada esquecida, cansada de opressão e morte, que apareci no JARÊ de Zeca depois de muito, muito vagar. Eis um ritual antigo, pergunta sem resposta, que vibrava naquela fazenda cujas casas nasciam da lama e eram cobertas de junco — e que aos poucos se desfaziam por efeito do implacável tempo.

Apareci entre raios e flechas, disposta a atirar a rede, cair em chuva, atiçar a brasa. Marca esculpida na rocha, pés plantados na terra, entre velas e tambores, no oco.

4 – Rio de sangue: a LUTA

Então um rio vermelho desatou a correr em fúria. Guizo de cascavel, posição de ataque. Uma história que se repete — muitas, mais de mil vezes. Violenta e rebelde, afiada. Cortante feito o corriqueiro gesto, no ser-tão sobrevivente, de picar miudinho a palma.

Sem remédio, sem justiça, sem-terra — até quando?

Bibiana e Belonísia, filhas do curador, seguiram os seus caminhos, em meio a tanta revolta. Unidas numa mesma língua, misto de silêncio e voz. Recosturando a vida, ante horizontes maiores.

Depois da despedida do pai, uma nova realidade: o sopro da liberdade balançava o campo! Bibiana, professora — a leitura transmutada em LUTA; Belonísia, profetiza — a mata a fez forte e sensível, ainda menina, para reconhecer o movimento do mundo.

As veredas, as cercas, os rios, os buritizeiros, tudo foi irrigado pelo sangue de quem lutou (e LUTA) pelo direito fundamental à terra. O sonho de Severo, casa de alvenaria. O trançar de Maria Cabocla: suturas.

LUTA!

Saberes não solapados pelas rodas da carruagem — engrenagem de um engenho arcaico, arado torto, troncho, que tentou (e tenta) desencantar o mundo, com mãos de grilhões e dragas, às covas rasas.

Carruagem de fogo a correr pela estrada!

Foi Salu, a mãe delas, quem disse, corajosa:

“Fui parida, mas também pari esta terra. Esta terra mora em mim! Brotou em mim e enraizou. Aqui!”

5 – A LUTA CONTINUA… e PULSA QUILOMBOLA

O cenário de que falo, onde correm rios de água escura e o peito retumba no ritmo da terra, é a fiel fotopintura de um Brasil de coração sem medo. De uma gente de batalha e festa, cujas mãos também são sementes — cura e doçura da Terra: QUILOMBO, escola, samba.

Samba de rio, saia de chita. Samba de roda, que gira-Jarê.

Não mais as construções chorosas, sem tijolos, sem telhados. Não mais entregar à força o alimento colhido e plantado. Não mais o extenuante trabalho que ainda ecoa um passado infame.

Mas a fundação de um lugar estável onde o riso e a luta, Remanso e luna, possam cultivar a vida que explode, bela, em borboletas amarelas. Os frutos repartidos, a mesa farta.

“Somos QUILOMBOLAS!”

São os descendentes daquelas mulheres de lágrimas insubmissas, como o jovem estudante Inácio (e tantos outros filhos e filhas que delas herdam a bravura), que bordam na terra quente o amor e a coragem que pulsam — a luta não acabou, a história continua.

História que, passo a passo, é uma saga QUILOMBOLA. Eu, testemunha oculta, desenrolo o tempo da prosa e conto a trama do avesso. A rede é a minha costura. Fio. Incorporada nas duas. Quero, enfim, celebrar a seiva que brota, nova, de solo tão calejado.

Mulheres-peixes, mulheres-aves. Terreiro-vivo.

Afirmo: com a lâmina da avó Donana, a mulher que pariu no canavial, Belonísia e Bibiana riscam o ponto cantado. Eu, Santa Rita Pescadeira, eu que também sou elas, elas que somos nós, juntas, eu ouvi este grito rouco, livre, voando nas águas:

“SOBRE A TERRA HÁ DE VIVER SEMPRE O MAIS FORTE. FIO DE CORTE, RIO DE SANGUE, TORTO ARADO.”

Inspirado em Torto arado, de Itamar Vieira Júnior, escritor que nos disse, atencioso:

“Esta é uma história que pode se estender de Norte a Sul do Brasil, onde ainda houver pessoas subjugadas, oprimidas, alijadas da terra, sem morada.”

Lembremos de Paulo Freire:

“Não é na resignação, mas na rebeldia em face das injustiças que nos afirmamos.”

Vamos de mãos dadas!

SE ESTA TERRA FOSSE MINHA

É A VILA A CANTAR
QUE FELICIDADE É DIVIDIR
COM IGUALDADE PRA REFORMA REFORMAR

Enredo, pesquisa e texto: Gabriel Haddad, Leonardo Bora e Vinícius Natal

Carnavalescos
Gabriel Haddad e Leonardo Bora

Pesquisador
Vinícius Natal

Assistente de pesquisa
Lucas de Medeiros

Equipe de criação
Manoel Rocha, Patryck Thomaz, Pedro Padilha, Rafael Gonçalves, Sophia Chueke, Theo Neves

AGRADECIMENTOS
Aurino José de Souza (Seu Roxo), Comunidade do Quilombo do Remanso, Comunidade do Quilombo de Iúna, Francina de Souza Maia (Dona Francina), Giôvania de Souza Santos, Glicéria Tupinambá, Gustavo Assumpção, Itamar Vieira Júnior, Lilibeth França, Maiza Ferreira, Maria Raimunda Oliveira Lima, Maria Romana Pereira (Dona Maninha), Martha Luila S. de Oliveira, Marujada Barca em Rios, Pai Pepê (Pedro Gabriel) – Terreiro Castelo de Ogum, Patricia Carvalho, Reisado da Viola – Lençóis-BA, Renata Menezes, Renato Menezes Ramos, Rilza Ribeiro Rôla, Rubel, Samba de Roda das Baianas de Lençóis, Sandoval Amorim Santos – Terreiro de Jarê Palácio de Ogum, Sociedade União dos Mineiros, Taína de Souza Santos, Tássia do Nascimento, Thiago Hoshino, Uilami Dejan, Vanessa Senna, Seu Zé Pereira

APOIO
Editora LeYa
Editora Todavia
Prefeitura de Lençóis – Bahia