Freddy Ferreira analisa a bateria da Portela no segundo ensaio técnico na Sapucaí
Um excelente ensaio técnico da bateria “Tabajara do Samba” da Portela, do estreante mestre Vitinho. Um ritmo com andamento confortável, equilibrado e com boa equalização de timbres foi apresentado. Com um conjunto de bossas dançante, contendo pressão sonora, o casamento musical entre samba e a sonoridade da bateria ocorreu de forma orgânica.
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Na primeira fila da bateria portelense, um naipe de xequerês exibiu solidez. Ritmistas tocando tambor de Ilú deram seu contributo fazendo ritmo e em bossas. Um naipe seguro de cuícas ajudou a marcar o samba com eficiência. Uma boa ala de agogôs pontuou a melodia do samba efetuando uma convenção rítmica baseada em suas nuances. Um naipe de chocalhos de técnica coletiva irretocável se exibiu interligado a uma ala de tamborins de nítido valor sonoro. Tamborins e chocalhos foram uníssonos, com toques que se completavam, evidenciando o grande trabalho envolvendo as peças leves.
Na cozinha da bateria da Águia, uma boa e pesada afinação de surdos foi percebida. Marcadores de primeira e de segunda tocaram com firmeza e segurança. Surdos de terceira ficaram responsáveis pelo balanço envolvente portelense acima da média. Repiques coesos tocaram juntos de um naipe de caixas de guerras simplesmente exuberante. Magistral o trabalho com as caixas da Portela, com sua tradicional batida rufada.
Bossas bem musicais foram executadas com grande precisão. Todas se pautando pelas variações do melodioso samba portelense para consolidar seu ritmo. A nuance rítmica no final do refrão do meio e logo após à cabeça do samba deram dinamismo sonoro à “Tabajara”. Xequerês e Tambores de Ilú vão para o meio do corredor da bateria da Portela para a execução da paradinha da primeira do samba, além da participação luxuosa dos tambores de Ilú no belo e potente arranjo do refrão do meio. Ambas as bossas são conversas rítmicas profundas, com várias camadas musicais para serem apreciadas. Um trabalho de criação musical de muito bom gosto, além de bastante encaixe com a obra da agremiação.
Uma apresentação excelente da bateria “Tabajara” da Portela, comandada por mestre Vitinho. Uma conjunção sonora impactante foi exibida junto de um andamento bem confortável. Ficou nítido o grande encaixe entre bossas e o samba da Majestade. Um trabalho para dar bastante esperança ao torcedor portelense, com uma bateria da Portela pronta para brigar pela pontuação máxima, quiçá disputar eventuais premiações.
Freddy Ferreira analisa a bateria do Paraíso do Tuiuti no segundo ensaio técnico na Sapucaí
Um ótimo ensaio técnico da bateria “Super Som” do Paraíso do Tuiuti, sob o comando de mestre Marcão. Uma conjunção sonora de raro valor foi exibida, com equilíbrio e uma boa equalização de timbres. Bossas altamente musicais ajudaram na execução do melodioso samba-enredo do Tuiuti, impulsionando a obra e os componentes.
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Na parte da frente do ritmo do Tuiuti, uma ala de cuícas fabulosa ajudou a marcar o samba de forma eficaz. Um naipe de chocalhos absolutamente acima da média executou um desenho rítmico complexo com excelência musical. Chocalhos ainda participavam da paradinha das congas, realizada na frente da “Super Som”, ajudando a manter o ritmo e o andamento com um carreteiro de exímia qualidade. Tudo interligado a uma ala de tamborins de técnica coletiva apurada, que realizou uma convenção com certa complexidade de forma limpa. A coletividade do tamborim se mostrou eficiente, principalmente pelo fato dos ritmistas do naipe tocarem com pulsação rítmica semelhante, se apresentando de modo uníssono por toda a pista.
Na cozinha da bateria do Tuiuti, uma afinação de surdos preciosa foi notada. Marcadores de primeira e de segunda tocaram com bastante segurança e precisão, demonstrando educação, tirando som da peça sem dar pancada no instrumento. Os surdos de terceira ficaram responsáveis pelo balanço envolvente da “Super Som”. Repiques coesos tocaram juntos de um naipe de caixas simplesmente fabuloso, evidenciando um trabalho de destaque envolvendo os médios. Na parte de trás do ritmo também vieram as congas, responsáveis pela paradinha de maior destaque.
Bossas altamente musicais foram apresentadas com bastante precisão. Todas se pautando pelas nuances do melodioso samba da agremiação de São Cristóvão. O ponto alto foi a paradinha do refrão do meio envolvendo as congas, que vinham para a frente da bateria “Super Som”, acompanhada de talentosos chocalhos e também de Cowbell, atrelando culturalmente o traço religioso do enredo à sonoridade de imensa virtude musical produzida pela bateria do Tuiuti.
Uma ótima apresentação da bateria “Super Som” do Paraíso do Tuiuti, dirigida por mestre Marcão. Um ritmo requintado foi exibido, sem contar as execuções privilegiadas das bossas. Um trabalho musical altamente técnico e de invariável classe de mestre Marcão e dos ritmistas do Tuiuti.
Freddy Ferreira analisa a bateria do Salgueiro no segundo ensaio técnico na Sapucaí
Um ensaio técnico muito bom da bateria “Furiosa” do Acadêmicos do Salgueiro, sob o comando dos mestres Guilherme e Gustavo. Um ritmo tradicionalmente vinculado a identidade musical da branca e encarnada do bairro da Tijuca foi apresentado. Com bossas potentes e suas marcações vibrantes, o ensaio só não ficará com a sensação de realização plena devido a um problema sério ocorrido no som, após a passagem da “Furiosa” no segundo módulo. De forma alguma tirou o brilho da própria bateria, mas claramente desanimou ritmistas, diante de um problema técnico que nitidamente prejudicou o teste da escola.
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Na parte da frente da bateria do Salgueiro, uma grande ala de showcalhos tocou interligada a um naipe de tamborins com bom trabalho coletivo, executando um desenho rítmico pautado pelas nuances do samba salgueirense com eficácia. O carreteiro de ambos juntos deu brilho sonoro às peças leves do Torrão Amado. Uma boa e segura ala de cuícas ajudou a marcar o samba, complementando a sonoridade da cabeça da bateria do Sal.
Na cozinha da “Furiosa”, uma afinação acima da média e bem pesada de surdos foi notada. Marcadores de primeira e de segunda pulsaram de modo firme, mas com segurança. Surdos de terceira com balanço envolvente exibiram um toque sólido, contribuindo de forma luxuosa também em bossas. Repiques coesos tocaram juntos de um naipe de caixas de guerra com boa ressonância e uma ala de taróis com bom volume, que auxiliou a preencher a sonoridade dos médios com eficiência.
Bossas baseadas nas variações melódicas do samba do Salgueiro consolidaram seu ritmo através de arranjos bem contemporâneos. Sempre contando com um trabalho primoroso envolvendo as terceiras, ajudando a valorizar as nuances da canção salgueirense dando um molho precioso. A nuance rítmica em formato de “onda” na hora do Afoxé do estribilho mostrou bom dinamismo sonoro.
Uma apresentação muito boa da bateria “Furiosa” do Salgueiro, dirigida pelos mestres Guilherme e Gustavo. Uma sonoridade vinculada a história da bateria do Salgueiro foi bem desenvolvida, até cativando mais saudosistas com os surdos de acrílico, remetendo ao eterno mestre Louro. Infelizmente a sonorização da pista esteve a desejar antes mesmo do ensaio, com a “Furiosa” tendo que fazer seu esquenta de bateria com a cabeça da pista tocando o último samba-enredo campeão (Tambor). Por organização, logística ou gestão, uma falha que poderia e deveria ter sido evitada. Mas esse fato passou quase despercebido, diante de um problema ainda mais grave. A sonorização da pista acabou falhando clamorosamente em hora crucial, no momento da saída da bateria do Salgueiro do segundo módulo de julgadores. Menção honrosa para os ritmistas e diretores salgueirenses que não deixaram a peteca cair, mesmo com um som claramente aquém do seu ritmo de excelência.
Freddy Ferreira analisa a bateria da Vila Isabel no segundo ensaio técnico na Sapucaí
Um ensaio técnico magistral da bateria “Swingueira de Noel” da Unidos de Vila Isabel, regida por mestre Macaco Branco. Um ritmo com andamento confortável e conjugação sonora primorosa dos mais diversos naipes. Tudo proporcionado por uma afinação de surdos que permitiu uma equalização que resultou num groove puxado mais para o timbre grave.
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Na parte da frente do ritmo da Vila Isabel, um naipe de chocalhos dotado de grande técnica musical coletiva se exibiu de modo primoroso, tocando interligado a uma ala de tamborins sublime, que pontuou as nuances melódicas do belo samba vilaisabelense com um desenho rítmico bastante musical. Fascinante o trabalho de coletividade musical de ambos os naipes em conjunto, graças a um toque em grupo com pulsação rítmica individual bem semelhante, demonstrando um alto apuro técnico. Exibindo uma nova organização, uma boa ala de cuícas desfilou por dentro do ritmo da Vila, em duas fileiras indianas (uma em cada ponta) por dentro do miolo. O feijão com arroz bem temperado da cuíca da Vila Isabel foi possível de ser percebida por toda a bateria.
Na parte de trás da bateria da Vila, um groove simplesmente impressionante foi produzido, graças a uma afinação pesada de surdos, puxada para um timbre grave. Marcadores de primeira e de segunda tocaram com a firmeza clássica, mas também bastante segurança. O balanço bem envolvente dos surdos de terceira ajudaram a complementar a sonoridade destacada dos graves com grande qualidade. Repiques de boa técnica tocaram com coesão, acompanhados de um naipe de caixas de guerras com a típica levada reta dando uma boa base de sustentação musical. Tudo isso junto de uma ala de taróis de imensa virtude sonora, com seu toque tradicional, com suas rufadas muito bem pontuadas.
Bossas bem vinculadas a um dos mais lindos sambas do ano ajudaram a impulsionar componentes na evolução da escola, além de serem exibidas com precisão cirúrgica. São conversas rítmicas de nítido bom gosto pautadas pela simplicidade, seguindo as variações melódicas para consolidar o ritmo dos arranjos, numa criação musical sobretudo bastante intuitiva e orgânica.
Uma apresentação exemplar da bateria da Unidos de Vila Isabel, comandada por mestre Macaco Branco. Uma criação musical muito bem encaixada de bossas ajudou a impulsionar o incontestável samba-enredo da escola do bairro de Noel. As execuções das paradinhas ocorreram de modo irrepreensível, evidenciando o belo casamento entre a sonoridade produzida e a bela obra da agremiação do morro dos Macacos. Um ensaio técnico que comprovou a excelência, mostrando uma bateria da Vila pronta para brigar pela pontuação máxima no desfile oficial.
Ousada, Primeira da Cidade Líder conta com alegorias nostálgicas e bateria competente
Décima e última escola a desfilar no Grupo de Acesso II neste sábado, a Primeira da Cidade Líder utilizou algumas de suas principais características para homenagear um dos grandes carnavalescos contemporâneos no desfile de “Paulo Barros, o Gênio do Carnaval”, assinado pelo carnavalesco Anderson Rodrigues: a inventividade e o impacto. No quesito a quesito, o conjunto alegórico e a bateria tiveram destaque. A apresentação foi encerrada com 50m38s. Sempre presente em grandes eventos ligados às escolas de samba de São Paulo, o CARNAVALESCO conta tudo sobre a apresentação da Primeira da Cidade Líder em 2026.
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COMISSÃO DE FRENTE
Coreografada por Douglas Terci, nada mais natural que os componentes se inspirassem em fatos ligados a Paulo Barros para criar as ações do segmento, intitulado “No céu desenhou o seu destino: do comissário de bordo ao sonho do carnavalesco”. Com uma coreografia simples e marcando o samba, sempre buscando chamar atenção do público, dois momentos se destacaram: o primeiro deles quando um personagem interpretando o próprio homenageado surgia de uma porta no elemento alegórico; e outro que emulava a rápida troca de roupas que se tornou nacionalmente conhecida graças ao desfile “É Segredo”, da Unidos da Tijuca de 2010, que garantiu ao carnavalesco o primeiro título da carreira.

Por falar no elemento alegórico, ele é figura central em tal quesito. Para começar, o tripé contava com uma fênix (mascote da agremiação) gigante, que impunha respeito e chamava atenção. Por sinal, absolutamente toda a coreografia dos componentes era realizada em tal chassi, sem vir para o chão em momento algum – algo que pode causar alguma dificuldade de avaliação para jurados que fiquem em cabines mais térreas. A coreografia, entretanto, sem grande dificuldade de execução, foi realizada adequadamente.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Desde o desfile de 2022 tomando conta do quesito, Fabiano Dourado e Sandra Jesus também mergulharam no enredo para se apresentar no Anhembi. Com fantasias intituladas “Comissário de bordo e o Carnaval”, novamente a vida pregressa de Paulo Barros foi relembrada, remetendo até mesmo à pouquíssima semelhança entre a antiga ocupação e o cargo que o eternizou enquanto figura pública.

Na prática, havia a dúvida se eles utilizariam a pista mais seca após uma noite com vários momentos de chuva para executar mais giros ou se focariam na coreografia, item que também passou a ser balizamento obrigatório do quesito. A segunda opção predominou, buscando a correção e o mergulho nas tantas referências que desfiles ligados a Paulo Barros trazem. O vento mais calmo também ajudou na execução dos momentos, com uma apresentação em cada um dos módulos durando cerca de uma passada do samba.
HARMONIA
O samba da Primeira da Cidade Líder não é dos mais celebrados na safra do Grupo de Acesso II, e também é importante notar que a escola parece ter entendido o recado: tanto o carro de som, sob o comando de Thiago Melodiah (e reforçado de última hora por Pê Santana, que já foi intérprete das coirmãs Independente Tricolor e X-9 Paulistana) quanto a Batucada de Primeira, com mestre Alê enquanto ritmista-mor, executaram diversos cacos e bossas, respectivamente, para tentar contagiar. O resultado, entretanto, foi parcialmente conquistado: se os componentes respondiam de imediato em algumas partes da canção (como no verso “Para, o mundo parou para ver”), não demorava para que o volume do canto voltasse a cair.

As arquibancadas também reagiram de maneira mais tímida ao samba-enredo – e, aqui, é importante relembrar que a escola foi a última a desfilar, encarando um público já cansado das nove apresentações anteriores.
ENREDO
O primeiro setor do enredo, “No Céu Desenhou o Seu Destino: do Comissão de Bordo ao Sonho do Carnavalesco” busca na vida de Paulo Barros algo pouco conhecido da maioria: o fato dele ter sido comissário de bordo antes de passar a ser reconhecido como um dos grandes carnavalescos dos tempos atuais. O segundo tem um título autoexplicativo: “Carnavais que Encantaram o Brasil”, repleto de referências a grandes desfiles assinados pelo profissional.
Por fim, o terceiro setor, “Hoje a Líder Vai te Coroar” mostra a apoteose completa do desfile, com o profissional sendo exaltado pela agremiação – lembrando que o ato de coroação também já rendeu títulos para Paulo Barros: em 2012, com “O Dia em Que Toda a Realeza Desembarcou na Avenida para Coroar o Rei Luiz do Sertão”, na Unidos da Tijuca.
Na pista, a assimilação foi bastante simples, com direito a elementos alegóricos que remetiam a alguns desses desfiles (como as peças de xadrez, em referência a “A Viradouro Vira o Jogo”, de 2007) e as baianas como se tivessem saído de uma geleira (remetendo à introdução de “”É de Arrepiar!”, de 2008, também da Unidos do Viradouro).
EVOLUÇÃO
Se a Harmonia foi um ponto de atenção, a Evolução teve um desempenho bastante a contento ao longo de todo o desfile. Apesar de encerrar a apresentação no minuto-limite, a Primeira da Cidade Líder se preparou para controlar o cronômetro e teve sucesso em tal aspecto. Prova viva disso é a ousada opção em colocar a bateria como última ala a desfilar – fazendo com que toda a escola passe na frente dos ritmistas pelo menos uma vez, no primeiro recuo, antes de cruzar a primeira faixa amarela.

Outra escolha que favoreceu a Evolução da agremiação foi algo que é tratado como um tabu no Carnaval e, no Grupo de Acesso II, também teve outras escolas que utilizaram do mesmo artifício: a passada reta da bateria pelo segundo recuo, poupando tempo e evitando o surgimento de clarões, que poderiam despontuar a agremiação em tal quesito.
SAMBA
Uma das principais críticas em relação ao trabalho de Paulo Barros está nos sambas que surgem de enredos do carnavalesco. Para entrar no universo do profissional, a Primeira da Cidade Líder buscou uma canção que apresentasse de maneira bastante funcional o enredo e tudo que estava sendo visto, algo no qual o homenageado é craque.
Se a obra, de fato, é simples (o que não agrada a tantos), é inegável que a assimilação do que é cantado com o que é visto é imediata – e faz com que a obra passe até a ter simpatizantes.
FANTASIAS
O quesito “Enredo” ajuda a explicar as indumentárias do desfile: o primeiro setor, com uma parte da vida do carnavalesco pouco conhecida, conseguiu privilegiar o trabalho mais livre e artístico. O segundo, repleto de referências, focou no resgate da memória de grandes sambas do homenageado. Se o junto de fantasias não era luxuoso, não foram vistos erros de acabamento em componente algum.

Também agradou a escolha das cores por parte do carnavalesco Anderson Rodrigues, que mesclou uma série de tons em uma cromia bastante interessante. A bateria, por sinal, veio fantasiada de Ayrton Senna, com a indumentária “Acelera, Tijuca”, nome do desfile campeão do Pavão em 2014.
ALEGORIAS
Certamente o quesito que mais chamou atenção na passagem da Primeira da Cidade Líder em 2026. A assimilação do conjunto alegórico é imediata para quem acompanha Carnaval no século XXI. O abre-alas apresentava a fênix, símbolo da escola, e os pavilhões das escolas pelas quais Paulo Barros já trabalhou, intitulado “Sonhou… fez seu Voo ir Além”. Depois, a primeira referência em uma alegoria: “Essa Noite Levarei sua Alma” foi o segundo carro, remetendo ao desfile de 2011 da Unidos da Tijuca.

Já o terceiro carro, de nome “Hoje A Líder vai te coroar. Eternizar a sua história, que está gravada em seu DNA” é uma releitura do antológico carro repleto de personagens que, quando executavam a coreografia em tons de azul, emulavam o DNA – algo que foi repetido no Anhembi.
OUTROS DESTAQUES
A Corte da Batucada de Primeira veio com dois destaques: a Madrinha Flavia Oliveira e o Rei Kaique Albuquerque.
Canto poderoso marca o ensaio técnico da Portela e eleva o patamar da escola na Sapucaí
Por Júnior Azevedo, Lucas Santos, Luiz Gustavo, Matheus Morais e Marcos Marinho
A Portela fechou a segunda noite do último fim de semana de ensaios técnicos na Marquês de Sapucaí de maneira grandiosa, reafirmando sua condição de maior campeã do carnaval carioca. Volumosa, leve e segura, a escola apresentou um excelente ensaio neste sábado. O canto foi o grande protagonista da noite, impulsionado por um samba que cresce a cada apresentação e sustentado com precisão pelo carro de som e pela bateria “Tabajara do Samba”. Com uma comunidade entregue, evolução fluida e quesitos centrais bem resolvidos, a Águia Altaneira mostrou que chega renovada e competitiva para o desfile de domingo, quando será a penúltima escola a entrar na Avenida com o enredo “O Mistério do Príncipe do Bará – A oração do Negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”, assinado pelo carnavalesco André Rodrigues.
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COMISSÃO DE FRENTE
A comissão de frente da Portela se apresentou com forte impacto simbólico e corporal. Composta integralmente por corpos negros, a coreografia aposta na potência da dança como eixo narrativo, estabelecendo um diálogo direto com o universo afro-religioso proposto pelo enredo. Os movimentos são amplos, ritmados e bem desenhados, com execução segura e sincronizada, revelando domínio técnico e entendimento coletivo da proposta.
A escolha por uma coreografia intensamente dançada reforça a leitura ritualística do samba, criando uma atmosfera de invocação e reverência. Não há excesso de efeitos ou truques cênicos: a força da apresentação reside justamente na presença dos corpos em movimento, na cadência e na entrega física dos intérpretes. A comissão ocupa a pista com autoridade, sustentando energia do início ao fim da apresentação.

O conjunto transmite potência e coerência, alinhando forma e conteúdo. A leitura do enredo é clara e direta, sem ruídos, e cumpre o papel de abrir o desfile com densidade simbólica, conectando o público ao universo espiritual e histórico que a Portela propõe para 2026.
“Organização, dedicação, empenho e muita emoção. Não vai dar errado, já deu certo. A gente sente coisas que eu, pelo menos, com 21 anos de carnaval, nunca senti; estou sentindo pela primeira vez. É indescritível estar na Portela. A ficha vai caindo aos poucos. O próximo passo é ensaiar até o desfile. Não tem resultado sem ensaio, sem trabalho. Acredito muito na disciplina dos ensaios, de você ficar catando cabelinho em ovo mesmo. A gente está pronto, mas precisa, até lá, ver cada detalhe: revendo cada roupa, cada coisa do carro, cada coisa do elenco, até o comportamento deles. A gente precisa se preservar agora, ensaiar com cuidado para, no dia, estar tudo direito”, comentou Cláudia Motta.
“A Portela, que é mãe, traz o batuque. É a primeira vez que o batuque vai desfilar na Avenida, é histórico. Isso é uma maneira de tirar a nuvem que cobre a cultura do batuque, da religião afro-gaúcha, e a Portela, muito generosa, está trazendo essa negritude e mostrando que o lugar do batuque é no Brasil inteiro. O Brasil precisa conhecer o batuque e vai se apaixonar por ele. São muitos ensaios; temos um elenco incrível trabalhando arduamente e tendo a oportunidade de se apresentar para o público. Os ensaios técnicos são duas grandes apresentações e a chance de experimentar a Avenida com público, com o público apreciando e aplaudindo o trabalho”, revelou Edfranc.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Em seu terceiro ano defendendo o pavilhão da Portela, Marlon Lamar e Squel Jorgea demonstram um grau de maturidade evidente. O casal apresenta um bailado seguro, confiante e cada vez mais entrosado, fruto de um trabalho de continuidade que se reflete na fluidez dos movimentos e na leitura precisa do quesito.
Squel mostrou que estava em uma noite inspirada. Na parte do refrão do meio, ela executou uma sequência de giros impressionante, de se perder as contas, mantendo ritmo, potência e controle absoluto da bandeira. Sua dança é expansiva, elegante e carregada de presença cênica, conduzindo a apresentação com naturalidade. Marlon responde à altura, com um bailado firme, jogo de pernas bem marcado, cortes elegantes e postura clássica, sustentando a tradição do quesito sem perder vigor.
A sintonia entre os dois é perceptível no olhar, no tempo dos movimentos e na forma como ocupam a pista. O casal explora bem os espaços ao longo do percurso e constrói uma apresentação envolvente. Apenas no último módulo, um ponto negativo: componentes que acompanhavam a comissão de frente e que, provavelmente, irão se apresentar na equipe de Cláudia Mota e Edifranc Alves se posicionaram de forma que reduziu o espaço de dança do casal. Ainda assim, a situação não comprometeu o desempenho da dupla, que manteve o controle e concluiu a apresentação com alto nível técnico.
“A emoção está transbordando. Estou desde quinta-feira sem ver meu filho; hoje, já recebi cinco vídeos dele desejando boa sorte. Graças a Deus, nós chegamos aqui, reta final, último grande passo para o grande dia, com a sensação de dever cumprido, com o coração transbordando de alegria e de orgulho. Só tenho a agradecer ao meu mestre-sala incrível, à nossa equipe, aos nossos apoios, que nos dão todo o suporte, e às nossas famílias, que não conseguem estar todas aqui, mas estão torcendo para que a gente possa passar de forma digna, para que nosso trabalho seja honrado e reconhecido”, disse a porta-bandeira.
“O casal de mestre-sala e porta-bandeira é formado por duas pessoas, e este ano não serão 40 pontos em jogo, serão 60 pontos, em uma cabine espelhada. Nós, de fato, somos atletas de alto nível e viemos nos adaptando a essa forma de julgar, até porque hoje não é apenas o jurado quem avalia: temos as pessoas dos sites, das arquibancadas, e sabemos que, a cada dia, esse público espera mais. Atualmente, existe uma cobrança física enorme, e sabemos que, quando a cabeça não aguenta, você pode dormir, acordar, dormir, acordar, e parece que não flui. Mas estamos fechados em um só propósito: honrar não apenas o nome da Portela, mas também a credibilidade, a confiança e o apoio que a escola deposita na gente. O ensaio de hoje teve um significado arrebatador, triunfante. É uma família carregada no dendê; vamos em busca da vigésima terceira estrela”, completou o mestre-sala.
SAMBA E HARMONIA
O samba-enredo da Portela se consolida como uma engrenagem fundamental do desfile. Funcional, crescente e com forte apelo coletivo, a obra empurra a escola para frente e estimula uma resposta espontânea da comunidade. O efeito é imediato: bastam alguns versos para que o corpo reaja, como no trecho “a Portela reunida carrega no dendê”, em que o balanço de ombro toma conta de quem está por perto quase involuntariamente.

O canto foi o grande ponto alto do ensaio. Forte, contínuo e distribuído por toda a extensão da escola, sustentou a apresentação do início ao fim, sem oscilações perceptíveis. O carro de som teve papel decisivo nesse desempenho, segurando o andamento, valorizando os momentos-chave do samba e mantendo a escola conectada à melodia.
A harmonia se mostrou madura e bem trabalhada. O entrosamento entre intérprete, carro de som e bateria cria uma base sólida que permite ao componente cantar com confiança. O samba não apenas funciona: ele cresce a cada ensaio, ganhando corpo e sinalizando um grande rendimento no desfile oficial.
EVOLUÇÃO
A evolução da Portela foi marcada por leveza, alegria e fluidez. As alas desfilaram soltas, brincando com a lateralidade da pista, mantendo um bom ritmo de deslocamento e ocupação dos espaços. O clima era de prazer em desfilar, com componentes sorridentes, conectados entre si e com o samba.

“Muito feliz. O propósito e a proposta da bateria da Portela são sempre melhorar a cada dia, e eu fui surpreendido com o que aconteceu aqui hoje. Arranjos muito firmes, bateria cantando, dançando, feliz. O andamento, do início ao fim, foi o mesmo, muito seguro nas execuções, tanto das nuances quanto das bossas, dos arranjos e das paradinhas, como preferirem, pulsando pela nossa escola. A minha avaliação é difícil: dou nota 10 para a bateria por toda a dedicação até aqui. Agora é pensar no desfile e, se Deus quiser, partir para o abraço pelo trabalho que vai ser executado no domingo que vem. Sobre o retorno de som, hoje tivemos alguns problemas técnicos durante outros ensaios, mas, para mim, não houve problema. Em alguns momentos, sinalizei que, no setor 4, próximo ao setor 6, o volume estava muito alto ali na pista, algo que rapidamente foi ajustado, com atenção e suporte. O volume abaixou e, para mim, não houve delay nem nenhum problema dentro da bateria, como infelizmente aconteceu com outras coirmãs. Graças a Deus, para mim deu certo. Agora é melhorar cada vez mais. Sei que a galera está trabalhando e se dedicando muito e acredito que, no desfile, vai estar perfeito. Para terminar, a expectativa para o desfile oficial é das melhores possíveis. É a realização de um sonho, não só meu, como da minha direção de bateria e também de toda a bateria da Portela, porque é sempre bom fazer pela nossa escola. A vibração e a energia estão 100%. Vai ser um dia histórico para todos nós”, disse mestre Vitinho.
O desenho da escola favoreceu uma progressão constante e sem buracos. A movimentação foi organizada, mas sem rigidez, permitindo que a espontaneidade do samba se manifestasse. O conjunto transmitiu a sensação de uma escola confortável na Avenida, consciente de seu tamanho e de sua força.
Pequenos ajustes ainda podem ser feitos, especialmente em momentos de maior concentração de alas, mas o saldo é positivo. A Portela mostrou uma evolução segura, solta e brincante, alinhada ao espírito do samba e ao momento vivido pela escola.
OUTROS DESTAQUES
A bateria “Tabajara do Samba”, sob o comando de mestre Vitinho, mais uma vez se impôs como um dos pilares do ensaio da Portela. Com andamento preciso, leitura segura do samba e impacto sonoro consistente, a bateria foi decisiva para sustentar o canto forte da escola ao longo de toda a pista, criando uma base rítmica que impulsionou a comunidade e reforçou a harmonia do conjunto.
Também merece menção a postura da diretoria durante o ensaio. A alegria e a empolgação do presidente Júnior Escafura foram visíveis do início ao fim da apresentação, acompanhando a escola com entusiasmo e envolvimento direto. A mesma entrega pôde ser observada na vice-presidente Nilce Fran, presença ativa e vibrante, enquanto a presidente de honra, Vilma Nascimento, se destacou pela elegância, vitalidade e simbologia que carrega, reafirmando sua importância histórica e afetiva para a Portela.
Outro momento de forte carga simbólica foi a presença de Tia Surica, que veio na alegoria que trazia a águia, símbolo maior da escola. A imagem da matriarca portelense associada ao principal emblema da agremiação reforçou o elo entre tradição, memória e identidade, criando uma cena de grande impacto emocional e reafirmando a conexão da Portela com suas raízes e seus pilares históricos.
Pronta para fazer história! Tuiuti confirma excelência de sua ala musical em noite brilhante do casal
Por Marcos Marinho, Lucas Santos, Luiz Gustavo, Matheus Morais e Júnior Azevedo
O Paraíso do Tuiuti realizou um ensaio técnico consistente na Marquês de Sapucaí, marcado pela regularidade do canto conduzido por Pixulé e pela bateria de Mestre Marcão, além da noite brilhante do primeiro casal, Vinícius Antunes e Rebeca Tito. Com leitura clara do enredo, resposta positiva do público e organização de evolução ao longo da pista, a escola apresentou sinais concretos de competitividade para o desfile oficial do Carnaval 2026.
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COMISSÃO DE FRENTE
Grande destaque da temporada do Paraíso do Tuiuti rumo ao Carnaval 2026, a comissão de frente apresentou uma encenação aberta pelos eborais, entidades do Ifá afro-cubano associadas à proteção das florestas. Com pintura corporal em tons de azul, cinza e dourado, além de galhos e adornos que reforçaram a dimensão ritual da cena, os bailarinos conduziram a maior parte da movimentação coreográfica, manipulando troncos que evocam árvores e preenchendo o espaço com desenhos corporais de forte presença plástica.
No desenvolvimento dramatúrgico, a cena se aprofundou com a entrada do babalaô, que surge no centro e estende sua esteira no momento em que o refrão principal do samba o evocava. Ao redor dele, cinco componentes com figurinos coloridos, sugerindo praticantes do culto de Ifá, sentam-se para ouvi-lo e, posteriormente, integram a dança coletiva.
A narrativa ganha novo plano quando Elégua aparece do alto do elemento cenográfico, envolto em fumaça, rindo e girando como mensageiro entre os mundos espiritual e material. Na passagem do samba que menciona a expansão do Ifá para o Brasil, um menino surge ao seu lado e estende uma bandeira que une Brasil e Cuba, síntese visual direta do enredo.
A coreografia se organiza de forma espelhada nos módulos 2 e 3, justamente nas cabines espelhadas, enquanto, nos módulos 1 e 4, a orientação de cena se volta diretamente ao júri. Essa construção de diferentes planos, já eficiente na leitura frontal, ganha potência ampliada no dispositivo espelhado, onde simultaneidade e profundidade se tornam ainda mais evidentes.

O resultado revela a assinatura de David Lima como coreógrafo que articula com destreza a proposta coreográfica com a narrativa do enredo. Desenvolvida desde o minidesfile e amadurecida ao longo dos ensaios técnicos, a comissão vem acumulando precisão corporal e refinamento de desenho, consolidando-se como um dos pontos altos do Tuiuti na temporada.
Após trajetória premiada, incluindo nota máxima e o título da Série Ouro de 2024 com a Unidos de Padre Miguel, o artista chega à escola de São Cristóvão para afirmar um percurso consistente. Pelo que se viu na Sapucaí, a comissão reúne condições concretas de disputar a pontuação máxima no desfile oficial.
“Nota dez. Nós conseguimos cumprir nosso objetivo nas três cabines, conseguimos testar o que não fizemos no sábado anterior, mexer um pouco nas passadas para sentir o clima e ver como poderíamos ajustar, e tudo funcionou nas três cabines. Arrancamos aplausos por toda a Marquês de Sapucaí. Tentamos sempre bater o mesmo tempo que será utilizado no desfile oficial, até porque ensaiamos junto com o casal, com a cabeça da escola, para acertar isso, e é o que fazemos nos ensaios de rua. Porém, o desfile oficial tem muitas surpresas, então testamos uma coisinha aqui, outra ali, que serão utilizadas, mas, no dia do desfile, vocês verão várias surpresas bem diferente”, afirmou o coreógrafo.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Vinícius Antunes e Rebeca Tito viveram uma noite brilhante na Marquês de Sapucaí. Vestidos em azul com detalhes dourados, o casal apresentou elegância imediata e confirmou o acerto da parceria firmada para o Carnaval 2026.
Primeiro ano de Rebeca como primeira porta-bandeira do Paraíso do Tuiuti, ela, cria da escola, e estreia da dupla em dança conjunta, a apresentação revelou entrosamento raro para uma parceria ainda recente.
Vinícius, vindo da Unidos de Padre Miguel, atua como articulador da cena: ágil, domina o espaço com firulas precisas e abre caminho para que a porta-bandeira gire e exponha o pavilhão. Rebeca responde com vigor crescente, giros firmes e presença corporal mais solta ao longo da temporada, evidenciando maturidade construída no próprio processo de encontro entre os dois.

A coreografia se inicia com apresentação solene do pavilhão, marcada por elegância e afirmação simbólica da escola. Em seguida, a dança ganha explosão rítmica, com sucessões de giros, brincadeiras corporais do mestre-sala e passagens inspiradas em ritmos latinos no refrão principal. Há momentos de troca de posição e cruzamentos que reforçam a cumplicidade cênica, sempre com Vinícius conduzindo a dinâmica e Rebeca respondendo com graça, sorriso e malemolência afinada ao enredo.
O casal executou com segurança as três apresentações para o júri, mantendo vigor constante. Destacou-se ainda a bandeirada no verso do samba que evoca o verde e amarelo do Brasil, gesto firme que sintetizou a força demonstrada ao longo do ensaio. A aposta do Tuiuti se confirmou: a dupla consolida identidade própria no Grupo Especial e pavimenta caminhos para uma excelente exibição no desfile oficial.
“O saldo foi muito positivo. Graças a Deus, Rebeca e eu temos esse discernimento de entrarmos concentrados no nosso desfile, porque sabemos que aqui a adrenalina toma conta, e isso é natural. Eu costumo dizer que, se a técnica sobrepuser a dança, não estamos fazendo direito. Entramos na avenida muito emocionados, mas pelo lado positivo. Acho que conseguimos dar vida à nossa coreografia, que já era ótima. Então, o saldo, com certeza, é muito positivo”, disse o mestre-sala.
“Estou até um pouco emocionada, porque conseguimos colocar em prática tudo o que vínhamos trabalhando durante esse tempo todo. É gratificante saber que estamos preparados para mostrar o quanto amamos a escola, o quanto nos dedicamos e apresentar uma belíssima apresentação à altura do que o Paraíso do Tuiuti merece”, completou a porta-bandeira.
SAMBA E HARMONIA
O canto do Paraíso do Tuiuti teve no intérprete Pixulé um de seus pontos de maior força no ensaio técnico. A primeira passada do samba, conduzida apenas por sua voz e pelas cordas da escola, recurso já experimentado nos ensaios de rua e no primeiro ensaio técnico, emocionou a Sapucaí ao apresentar, com clareza melódica e palavra bem articulada, o samba de 2026. O próprio cantor define a obra como a que mais gostou de interpretar, percepção que se traduz em condução segura e envolvente do canto coletivo.
A resposta da comunidade confirma a assimilação de um samba que chegou a ser alvo de críticas pelo uso de termos em iorubá. Refrões como “Iboru, Iboya, Ibosheshe / Canta, Tuiuti” e “Babá moforibalé / Babá moforibalé / Orunmilá taladê / Babá moforibalé”, ou passagens como “Ibarabô / Agô lonã, olukumi”, surgem bem pronunciados e amplamente cantados, tanto pelos componentes quanto pelo público. O resultado evidencia não apenas domínio musical, mas compromisso da harmonia da escola com a matriz cultural que sustenta o enredo.
Sustentada pela voz de Pixulé e pela pulsação da bateria de Mestre Marcão, a escola mantém a intensidade ao longo da pista. Ainda que haja leve perda de volume na metade final do percurso, o canto permanece consistente, sinal de um trabalho de harmonia construído desde os ensaios de rua iniciados em outubro. O efeito é perceptível: a Sapucaí já canta o samba com familiaridade, indicando forte comunicação entre escola, comunidade e público.
“Teve uma pequena diferença em relação ao ensaio da semana passada, quando eu declamei o samba todo e, depois, iniciamos a passada de fato. Hoje, não: declamei o samba e já entramos logo no desfile por causa do tempo, e, no desfile oficial, não será diferente. Pixulé vai declamar e já vamos entrar direto lá. A única diferença que haverá é a minha indumentária e outras surpresas que não posso revelar; só no dia do desfile mesmo que vocês vão ver. Eu acho que tudo isso que estou vivendo, o nome que estou tendo no mundo do samba, nunca pensei que iria viver. Não idealizei isso, não passava pela minha cabeça. Até porque eu sou um cara do povo, sou isso que a galera sempre vê: sou o mesmo cara na rua, no show, com a minha esposa, com meus filhos, com amigos. Eu não esperava ser ovacionado pelo público do mundo do samba. Fiquei até um pouco surpreso com isso, com a força com que o público está me abraçando. Estou muito feliz”, garantiu o intérprete Pixulé.
EVOLUÇÃO
A evolução do Paraíso do Tuiuti apresentou dois movimentos distintos ao longo do ensaio técnico. Até a passagem da comissão de frente e do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira pela cabine espelhada, a escola avançou com fluidez evidente, ocupando rapidamente a pista com organização, canto forte e preenchimento lateral consistente. As primeiras alas evoluíram com energia, braços erguidos e interação constante entre componentes e público, reforçando a sensação de leveza e domínio espacial.
Após a travessia pelos módulos centrais, porém, o ritmo tornou-se mais vagaroso. A intensidade corporal e o volume de canto diminuíram, sobretudo nas alas que antecedem o terceiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, configurando um ponto de atenção para o desfile oficial. Ainda assim, a escola preserva momentos de respiro cênico, como o jogo de luzes articulado às bossas de congas da bateria.

Outro aspecto positivo foi a condução segura da entrada e saída do segundo recuo de bateria, realizadas com tranquilidade e sem rupturas na progressão do conjunto. A oscilação de velocidade observada pode estar relacionada ao formato mais compacto do ensaio técnico da escola, tendência que tende a ganhar maior densidade e preenchimento humano na apresentação oficial. O quadro geral indica uma evolução que cresceu ao longo da última temporada.
“É uma análise muito boa. No primeiro ensaio, o Paraíso do Tuiuti já fez um bom desfile, de bom para ótimo. Tivemos um pequeno problema de evolução na hora de parar a bateria, ainda no primeiro ensaio técnico, e hoje viemos com a meta de corrigir isso. Graças a Deus, conseguimos ajustar o que foi planejado ao longo da semana, do primeiro para o segundo ensaio. Ficamos um pouco tristes por causa da chuva à tarde, que atrapalhou bastante a vinda de alguns componentes, mas, tecnicamente, a escola, no meu modo de ver, foi nota 10. Sobre a questão da evolução, a escola evolui de maneira muito fluida até a cabine espelhada e, depois, vem um pouco mais vagarosa, sem comprometer. É uma estratégia nossa. Compactamos um pouco mais a escola e, como eu disse, o primeiro ensaio foi muito bom, de bom para ótimo, e hoje conseguimos corrigir tecnicamente o que não foi tão bom na primeira apresentação. A expectativa para o desfile oficial é a melhor possível. Graças a Deus, o planejamento de barracão está caminhando conforme o previsto. Estamos entregando as fantasias e finalizando os carros, naquela “cereja do bolo”. Mas, graças a Deus, o Paraíso do Tuiuti está pronto para o desfile da semana que vem”, comentou Leandro Azevedo, diretor de carnaval.
OUTROS DESTAQUES
A bateria “Super Som”, comandada por Mestre Marcão, confirmou-se como um dos pilares do desempenho do Paraíso do Tuiuti no ensaio técnico. Sustentando o samba com cadência firme e pulsação envolvente, o conjunto manteve o componente em canto constante e contribuiu para ampliar a resposta da Sapucaí ao longo do percurso.
Os momentos de maior preciosidade musical surgem nas bossas, especialmente quando as congas avançam à frente da bateria e formam uma meia-lua cênica. Nesse desenho, ao lado de Marcão e do intérprete Pixulé, a rainha Mayara Lima executa coreografia já reconhecida pelo público, criando um quadro de forte impacto visual e sonoro, marcado pela incorporação de referências rítmicas da latinidade cubana presente no enredo. A reação imediata das arquibancadas, aplausos, registros em celulares e manifestações de entusiasmo, confirma a potência do segmento.
Com samba no pé seguro e presença cênica comunicativa, Mayara mantém conexão direta com o público e reforça o protagonismo performático da bateria, consolidando o setor como um dos pontos altos da apresentação.
Imponente! Salgueiro tem canto potente, supera falha no som em ensaio com brilho também para comissão e casal
Por Lucas Santos, Luiz Gustavo, Matheus Morais, Júnior Azevedo e Marcos Marinho
O Salgueiro mostrou neste ensaio aquilo que todo mundo já sabe, mas que é sempre bom reafirmar: a Academia tem muito brio, é gigante. A Vermelha e Branca da Zona Norte ficou quase dez minutos sem som após uma falha no equipamento da Sapucaí, mas a comunidade sustentou e fez o ensaio técnico como à moda antiga, baseado no gogó do componente, pior, sem a voz do intérprete para ajudar. Não era para acontecer: o ensaio é teste para as escolas, não mais para o equipamento. Mas o Salgueiro não estava nem aí e deu uma aula de canto com garra, correção e emoção. O componente se agigantou em um ensaio no qual a comissão de frente, de muito bom gosto, assinada por Paulo Pinna, deu um brilho especial ao homenagear as icônicas bruxas de “Breazail”, da Imperatriz em 2004, e o casal Sidclei e Marcella mostrou, como sempre, dança de alto nível, com maestria e elegância. No mais, uma evolução bem cadenciada e correta da escola e uma boa recepção do público, principalmente quando percebeu a força da comunidade salgueirense.
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Com o enredo “A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna de pau”, o Salgueiro vai encerrar os desfiles do Grupo Especial no Carnaval 2025.
COMISSÃO DE FRENTE
Coreografados por Paulo Pinna, os componentes mais uma vez vieram homenageando as icônicas bruxas da comissão de frente da Imperatriz no desfile de 2004. Destaque para a fantasia, belíssima, claro, não como aquela própria para o desfile, mas, para um ensaio, o Salgueiro esbanjou bom gosto, utilizando suas cores nesta versão; o verde também estava presente na parte de baixo da fantasia. Na coreografia, o deslocamento lembrava aquelas falanges espetaculares do saudoso Fábio de Mello, em uma formação que se movia como uma flecha. Na apresentação para o júri, a coreografia trouxe movimentos daquela comissão, mesclados com gestuais e passos que remetiam ao samba deste ano. No final, a surpresa: as saias se levantavam e, com o verde da parte de baixo combinado ao vermelho da saia, era perceptível a formação de várias rosas em alusão à homenageada. Apresentação igual à da semana passada, mas com a mesma beleza, qualidade e interação com o público. Ótima ideia e ótima realização.

“Resolvemos trazer mais uma vez as bruxas pelo sucesso que teve no primeiro ensaio técnico, com uma repercussão muito boa. Pensamos em trazer alguma outra coisa também, a ideia até estava pronta, mas achamos legal reforçar porque foi um sucesso muito grande e preferimos apostar novamente, até para que as pessoas que não puderam vir pudessem ver de novo. Foi algo muito marcante. Tivemos uma falha no som que, infelizmente, atrapalha um pouco o andamento por causa da musicalidade, mas conseguimos segurar no gogó e isso não comprometeu. Mesmo assim, a gente fica um pouco tenso, porque é um problema complicado; se acontece no desfile, dá uma desestruturada. Ainda assim, conseguimos seguir com êxito e foi ótimo. Já estamos com a nossa coreografia oficial pronta para a cabine espelhada. Acho que conseguimos atingir o nosso objetivo dentro do que entendemos ser o melhor para a gente e para o nosso trabalho. Estamos confiantes e confortáveis com a cabine”, garantiu o coreógrafo Paulo Pinna.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Sidclei Santos e Marcella Alves são uma instituição do Carnaval. É incrível o entrosamento e a relação de dança que um tem com o outro. Outra relação que merece destaque especial é a de Marcella com o pavilhão. Impressiona o domínio intrínseco da porta-bandeira nos rodopios, na forma de conduzir o pavilhão sempre bem desfraldado e em todo o gestual, valorizando o maior símbolo da escola. Apostando mais uma vez em uma dança tradicional que valoriza o bailado dos dois, seja nos “pulinhos” de Sidclei, que em determinado momento encontram a porta-bandeira, seja nos giros de alta intensidade e na postura perfeita de Marcella.

A interação rítmica com a obra também chama a atenção: cada movimento estava alinhado ao samba, às bossas e ao andamento. No trecho “Andar na Ouvidor virou caso de amor”, o mestre-sala faz um gesto de extrema delicadeza ao acariciar o rosto da porta-bandeira. Mesmo quando o som da Sapucaí apresentou problemas, a dupla iniciou a apresentação na última cabine apenas com o canto da comunidade e sustentou. Mantiveram postura e perfeição na dança mesmo quando o som voltou abruptamente, já na parte final da Sapucaí, primeiro apenas com bateria e cordas, sem a referência do canto. Ainda assim, não erraram nada. Um espetáculo de excelência técnica e muita garra.
“A gente usou os ensaios técnicos como a própria palavra diz: é ensaio, e testamos algumas coisas diferentes. Estamos ansiosos para trazer uma grande surpresa no desfile oficial. A cabine espelhada é, de fato, uma novidade que exigiu uma atenção maior na concepção coreográfica, mas já venho ensaiando desde que ela se tornou uma realidade. Então, hoje foi só vibrar com a galera, curtir esse ensaio, para que, no dia oficial, a gente consiga brigar por essa décima estrela para a nossa escola”, comentou a porta-bandeira.
“Tivemos dois ensaios. No primeiro, a pista estava totalmente seca; hoje, só o terceiro jurado estava seco. Então, a gente pôde testar a pista molhada, com lama, essas coisas. Conseguimos executar mesmo com as adversidades que a pista apresenta. De repente, no dia chove, tomara que não aconteça, mas estaremos preparados caso a pista esteja molhada. Então, foi um ensaio não de superação, mas de aprendizado”, completou o mestre-sala.
HARMONIA E SAMBA
A escola deu uma verdadeira aula de canto, principalmente no momento mais crítico, quando o som da Avenida parou nas caixas e a escola contou apenas com a bateria ao longe e o gogó do componente, que já vinha forte antes da falha e foi fundamental para sustentar, inclusive, as apresentações do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira e da comissão de frente na última cabine. Muita garra da comunidade e correção para manter o canto do início ao fim, mesmo sem o apoio dos microfones por quase dez minutos. No carro de som, Igor Sorriso e suas vozes de apoio fizeram um bom trabalho, mantendo o samba com bom astral e rendimento.
No acompanhamento das cordas, como já vinha acontecendo nos demais ensaios, a presença de um violino não atrapalhou o canto nem o desenvolvimento harmônico das outras cordas e da bateria, trazendo o tom mais clássico que a escola desejava, em sintonia com gostos estéticos e musicais de Rosa Magalhães. Os dois refrões foram bastante cantados, mas o trecho que antecede o refrão de baixo, “Mestra, você me fez amar a festa…”, foi, sem dúvida, o momento de maior explosão da escola, com o salgueirense cantando com orgulho enquanto evocava a homenageada com carinho.
“Mais uma vez foi um ensaio perfeito para a gente. Tivemos um probleminha ali no meio da avenida, na questão do som, mas eu encaro tudo isso como uma prova. A escola cantou, conseguiu manter a pegada do samba, a bateria conseguiu se manter sem o som, fazendo tudo cravado. Isso foi um teste com um resultado muito positivo para a gente. Conseguimos ver um outro lado, ter uma outra dinâmica de ensaiar cinco, seis passadas sem som, e perceber que a escola estava cantando, com uma resposta do público, e a bateria ali mantendo a pegada de andamento, de bossa, tudo cravado, mesmo sem som. Se acontecer algo no dia do desfile, espero que não aconteça, a gente já está preparado para qualquer coisa que possa vir”, disse mestre Gustavo.
“Achei melhor acontecer agora do que no dia do desfile. Como, para a gente, também é ensaio, acredito que todos os problemas sejam resolvidos até lá, de qualquer setor. Como o Gustavo falou, acho que foi importante para a gente. A galera continuou tocando, a vibração acabou aumentando, porque, na hora do desespero, você acaba puxando mais fôlego da galera. Trabalhamos andamento, trabalhamos o canto da escola também, e acho que é isso: a gente está pronto para o dia do desfile. Porque muda tudo: vem fantasia, vêm carros alegóricos… Mas, no que a gente podia fazer no ensaio técnico, acho que conseguimos entregar e estamos satisfeitos com os dois ensaios”, citou mestre Guilherme.
EVOLUÇÃO
A escola passou pela Sapucaí de forma bem cadenciada e organizada, optando por mais liberdade em vez de filas excessivamente engessadas. O salgueirense mostrou alegria e espontaneidade. Apenas algumas poucas alas apresentaram algum tipo de coreografia, todas bem integradas ao samba, sem prejudicar o andamento da escola ou limitar a liberdade dos desfilantes. Algumas alas vieram com leques, elemento muito característico de Rosa Magalhães.

A escola não teve problemas com grandes espaços ao longo da Avenida, nem com alas emboladas. A entrada e a saída dos recuos aconteceram de forma tranquila, organizada e bem-sucedida. O controle do tempo foi eficiente, permitindo que a escola atravessasse a Avenida com tranquilidade, aproveitando bastante o final e interagindo com o público. O problema com o som não interferiu na evolução; ao contrário, pareceu dar ainda mais garra ao componente.
OUTROS DESTAQUES
No esquenta, Igor Sorriso cantou “Pega no Ganzê”, “Candaces”, “Xangô”, “Ópera dos Malandros”, entre outros, em um pot-pourri com sambas marcantes, alguns apenas com o refrão, outros com trechos maiores, como “Peguei um Ita no Norte”. A rainha Viviane Araújo causou grande frisson já na entrada da bateria, quando veio sambando em uma plataforma elevada acima dos ritmistas, que seguiu pelo desfile. No elemento alegórico à frente da escola, imagens da homenageada estavam presentes, e o mascote da agremiação, o Sabiá, vestido como um nobre antigo, vinha na parte superior da alegoria.
“Cara, semana passada a gente fez um ensaio quente para caramba. Infelizmente, a gente tinha dois grupos que não são de chão, que são de carro, e que fizeram movimentações equivocadas. Eles tinham uma coreografia que parava, depois dava uma esticada, e isso acabou acelerando um pouco o fim da escola. Hoje foi completamente diferente, tão quente quanto semana passada, e acho que foi a prova final de que o Salgueiro está na disputa do campeonato. O sistema de som da avenida pegou fogo. Essa é a informação que eu tenho aqui na frente: pegou tudo, no break, ar-condicionado, tudo. Acabou o sistema de som, ficamos uns dez minutos sem som, e a galera continuou cantando, sem atravessar, só na marcação, com a referência da bateria. O casal e a comissão se apresentaram sem som, só com o público cantando. Foi emocionante. Além disso, toda a parte técnica: hoje a gente tinha um monitoramento que me permitiu ver todos os momentos, e foi tudo de acordo, mostrando que o Salgueiro está pronto. Então, é uma avaliação superpositiva, com grande expectativa para o desfile oficial. A gente termina de entregar todas as fantasias na segunda-feira. Na verdade, elas já estão prontas há bastante tempo. Nossa logística também já está pronta. Todas as fantasias que serão entregues na Sapucaí — costeiros grandes, burrinhas, tudo, já estão aqui perto, no ponto de apoio. Esta última semana é só para os últimos arremates de alegoria, alguma pintura que danificou, alguma coisa assim. A gente finalizou o Carnaval. Segunda-feira terminamos de entregar as fantasias e estamos prontos para fechar esse trabalho, se Deus quiser, com chave de ouro”, explicou Wilsinho Alves, diretor de carnaval.

