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Vila Isabel pinta aquarela de sonhos em grande ensaio

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Por Luiz Gustavo, Matheus Morais, Júnior Azevedo, Marcos Marinho e Lucas Santos

A Unidos de Vila Isabel abriu a noite de ensaios técnicos no último sábado, colocando mais uma vez à prova um dos sambas mais elogiados do ano, e passou com louvor em uma apresentação quente. Marcada por um paradão no meio da avenida para um discurso de Tinga, agradecendo e chamando a força da comunidade, seguido de uma nova arrancada do samba, o ensaio mostrou uma agremiação ciente da potência que tem em mãos, entoando um ótimo samba com muita felicidade. A azul e branco também teve um casal em grande noite e uma evolução firme, mesmo com um menor tempo para cruzar toda a pista por conta da interrupção, formando um excelente conjunto pronto para dar voos altos no desfile oficial. A escola de Noel desfilará na terça-feira de Carnaval, sendo a segunda escola a pisar na Marquês de Sapucaí, trazendo o enredo “Macumbembê, Samborembá, sonhei que um sambista sonhou a África”, desenvolvido pelos carnavalescos Leonardo Bora e Gabriel Haddad, estreantes na agremiação.

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“Hoje, desde a comissão de frente até os meninos que estavam soltando os fogos lá na torcida, está todo mundo de parabéns. Isso foi estudado a semana inteira para a gente fazer hoje. Tudo é muito conversado, tudo é muito estudado. Só agradecer à comunidade da Vila Isabel, ao presidente Luiz Guimarães, por acreditar sempre nas nossas ideias. Quando levei a ideia do paradão para ele hoje, falou: ‘Pô, vai dar certo’. Eu falei: ‘Presidente, acredita. Acredita que vai dar certo’. E é isso. Feliz, feliz. A Vila Isabel está pronta para, na terça-feira, a gente fazer um belo desfile. Carnaval é na pista. A gente sabe disso. A gente está brigando com outras onze. E é isso. A gente vem para brigar pelo título”, garantiu Moisés Carvalho, diretor de carnaval.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão comandada por Alex Neoral e Márcio Jahú trouxe uma coreografia composta por um grande terreiro com filhos de santo, as representações de Oxum e Xangô, além de um integrante interpretando Heitor dos Prazeres. Os orixás orbitavam em torno do homenageado enquanto rolavam momentos como uma gira e Heitor sambando no meio da roda. Uma coreografia enérgica, bem executada pelos componentes, com sincronismo e limpeza nos movimentos. A presença dos orixás foi mais estética do que de participação na parte coreográfica. O simbolismo de Heitor e a interpretação foram o ponto alto de uma boa apresentação.

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“Achei mais prazeroso, mais tranquilo, mais confiante. Acho que no primeiro a gente teve uma questão com a música, e isso interfere muito diretamente na comissão. Teve uma variação de ritmo, e hoje eu senti muito bem a bateria. Isso impacta positiva ou negativamente, e hoje foi uma delícia ouvir os bailarinos se entregarem. Essa proposta do Tinga de parar a escola foi incrível, isso mexe com todo mundo envolvido. Foi um desfile, para mim, pela comissão, memorável e histórico. A gente já está ensaiado, mesmo não tendo pessoas, às vezes, no ensaio, de um lado e do outro, mas eu acho maravilhoso para o espetáculo porque é respeitoso com todo mundo que está assistindo. Não fica uma coisa soberana para um jurado, algo específico e particular. A festa é para quem está aqui assistindo, para o público, é uma festa lateral, 360 graus. Eu já tinha proposto isso na minha comissão da sereia da Viradouro e fui penalizado por isso, porque virei para um lado e para o outro. Que bom que hoje em dia estão esperando que a gente espelhe, que a gente esteja reverenciando os dois lados. É muito bonito e generoso de nós, artistas do Carnaval, prestigiar ambos os lados, porque o público é igual. Eu acho que todo mundo é jurado, inclusive; todo mundo está dando nota e todo mundo quer ser campeão. A gente gosta de fazer bem o que é o enredo, que é Heitor dos Prazeres, esse mundo dele, e você vai ver, é isso mesmo. Tem bastante da coreografia, é mais ou menos o que é. Acaba que, com o figurino, tudo muda, mas a gente tem uma alegoria muito importante, então às vezes não pode mostrar tanto porque a gente fica refém da presença da alegoria, que hoje em dia é muito importante”, explicou o coreógrafo Alex Neoral.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Raphael e Dandara formam um casal que se comunica pelo olhar e tem uma troca de energia enorme durante a dança. Esses pontos foram evidenciados na excelente apresentação que fizeram neste ensaio técnico, em mais um quesito da Vila que primou pela força. Dandara exibiu um bailado muito elegante, com postura corporal ereta e bastante agilidade nos giros, enquanto Raphael explorou magistralmente os cortejos à sua porta-bandeira e deslizou na pista em seu bailado, como no refrão central, onde exibe um primoroso jogo de pernas, com muita ginga e agilidade. No final da série realizada, reverências a Oxum e Xangô, citados no refrão de cabeça, representando o fundamento e a energia presentes em um grande desempenho, numa apresentação muito alinhada com o homenageado Heitor dos Prazeres.

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“A única coisa que ficou para o desfile foi a fantasia. Tudo o que a gente tinha para experimentar, a gente experimentou. Agora fica a ansiedade para chegar o dia 17. Foi mágico. Na semana passada já tinha sido incrível. Hoje foi surreal; parece que a chuva veio só para nos ajudar, para lavar o que tinha que lavar, e a gente passar bem e testar tudo. A gente está pronto. Eu tenho a melhor equipe do mundo. Para mim, é mais especial ainda. Eu venho de uma lesão. No Carnaval de 2025, sob suspeitas de desfilar ou não, a gente passou muito bem, conseguindo todas as notas para a coirmã, a escola em que estávamos, à qual agradecemos muito por todos os anos que vivemos no Paraíso do Tuiuti. E agora, na Vila Isabel, um chão que é nosso, uma escola em que a Dandara cresceu, uma escola que acreditou no Raphael vindo lá da Cidade de Deus, me deram oportunidade. Foi aqui que eu apareci de verdade para o Grupo Especial. Hoje, retornar junto com a Dandara para viver esse momento é especial. Junto com essa equipe que eu tenho, com a nossa coreógrafa Cátia Cabral, viver esse momento com todas essas pessoas está sendo mágico”, comentou o mestre-sala.

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“Cada momento como esse é um sonho que nós estamos vivendo. O nosso sonho, o sonho de Heitor, o sonho da comunidade. Estamos em um momento em que estamos sonhando juntos. Trazer essa força da Vila Isabel, essa grandiosidade que ela tem, a comunidade que ela tem, é fantástico. Esse momento é muito importante. E, do nosso ensaio, estamos fechando agora um ciclo, nosso último ensaio oficial. Saímos com um saldo muito positivo, acreditando muito no que a gente trabalhou este ano, no que a gente pode amadurecer ainda mais neste processo com a Vila Isabel. Agora é fazer o momento tão sonhado, em que a mágica acontece, desejando que o desfile seja como a gente tem feito, com emoção, porque o trabalho está sendo entregue e que a gente possa aproveitar cada minuto”, completou a porta-bandeira.

EVOLUÇÃO

As primeiras alas pisaram com muita força na avenida, seguindo assim até o último módulo, chegando ao fim com tranquilidade mesmo com a parada durante o ensaio. A ala das baianas chamou a atenção pelo vigor e ginga com que evoluíram pela pista, além do rodar característico. Durante os dois blocos de evolução da escola, divididos pela parada para uma nova largada já no meio da pista, o avançar da Vila pela avenida foi de um ritmo enérgico e constante, com as alas quicando na Sapucaí, componentes trocando de posição, erguendo os braços, realmente desfilando e não apenas passando pelo sambódromo. Um andamento forte que não sofreu queda; pelo contrário, a parte final da escola foi uma apoteose de uma azul e branco que sambou, brincou e foi feliz em um excelente ensaio em termos de evolução. A Vila Isabel encerrou o seu ensaio com 79 minutos.

HARMONIA E SAMBA

O excelente samba da Vila Isabel passou com um andamento mais à frente do que o costumeiro, impresso pela bateria do mestre Macaco Branco. Quando o andamento estava se assentando, a escola fez a parada para o discurso do intérprete Tinga e, na relargada, o pique voltou forte e assim foi mantido até os últimos minutos de ensaio. Essa pegada, apesar de em alguns momentos valorizar menos as variações melódicas da obra, proporcionou um desempenho mais explosivo, o que impactou no canto da escola, que foi mais visceral, sem quedas durante todo o ensaio.

Na segunda metade, após a parada, o canto atingiu seu ápice nos dois refrãos e manteve ótimo rendimento nos demais versos. O refrão de cabeça levantou os componentes. Apesar dessa mudança rítmica na execução, o samba confirmou sua qualidade e suas credenciais, potencializando o canto da escola, que não apresentou alas destoando no quesito. Mais um grande desempenho de Tinga, que sabe fazer um samba render na Sapucaí como poucos, e de seus apoios.

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“Ficamos muito emocionados, muito felizes. A gente está muito feliz com a nossa comunidade. A gente conversou lá no barracão e resolveu dar esse presente para aquelas pessoas que vêm no fim da escola, que não têm oportunidade de escutar o nosso grito de guerra, o começo da escola, a emoção da escola no início de tudo. E também agradecer a esse público maravilhoso, que muitas vezes não tem oportunidade de vir no dia do desfile. Estamos felizes demais e resolvemos parar e, graças a Deus, deu tudo certo. As pessoas entenderam a nossa proposta de parar, que é só para celebrar realmente o samba. A gente é muito feliz pela nossa cultura e está muito feliz com a nossa escola e, se Deus quiser, vamos fazer um grande desfile”, afirmou o intérprete Tinga.

OUTROS DESTAQUES

A Vila Isabel esbanjou beleza em seu time de musas, liderado por Dandara Oliveira, de ligação histórica com a escola, mostrada na paixão com que desfila e se entrega na avenida. A ala de baianas, além de toda a garra demonstrada na evolução, veio muito bem vestida.

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Fotos: Divulgação/Rio Carnaval

“Ah, foi maravilhoso, graças a Deus. A bateria veio com uma pegada muito firme, muito segura, fazendo esse samba, que é maravilhoso, funcionar perfeitamente. Até porque ele é meio arredondado, né? Não tem como não fazer esse samba funcionar muito bem. Então a gente tem que ter muito cuidado para não atrapalhar o samba; é só tocar para fazer ele fluir bem na avenida. E hoje teve o paradão. O Tinga fez um discurso. A gente combinou de fazer isso esta semana. Falamos: ‘O que a gente pode fazer?’. Quando a gente faz o discurso, geralmente a escola está toda na Presidente Vargas, e lá não tem som. Que adianta fazer um discurso ali para, de repente, meia dúzia de pessoas? Tivemos a ideia de, quando a escola inteira estivesse na avenida, parar, ele fazer o discurso e a gente voltar no mesmo lugar. E, sobre a questão do retorno e do som nesse segundo ensaio técnico, para a bateria foi muito bom. A BMX está de parabéns; é uma empresa maravilhosa, que está chegando com tecnologia, com muita coisa boa e nova para valorizar cada vez mais o maior espetáculo da Terra”, explicou mestre Macaco Branco.

Conjunto alegórico marca desfile da Uirapuru da Mooca

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A Uirapuru da Mooca apresentou um desfile marcado por maturidade, segurança e bom domínio técnico. A escola conseguiu alinhar seus quesitos de forma consistente e levou para a avenida um dos melhores conjuntos alegóricos da noite, evidenciando organização e cuidado estético. Mesmo com um enredo denso e de leitura complexa, a agremiação mostrou clareza narrativa e apresentou um desfile coeso, competitivo e bem estruturado.

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A escola foi a nona a desfilar e terminou sua apresentação com 48 minutos. Levando para o Sambódromo do Anhembi o enredo “Maria Felipa – No Balanço da Maré, a Heroína da Independência”, desenvolvido por uma Comissão de Carnaval.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente, coreografada por Rosani Garcia, representou o “Legado de Sankofá”. Sem o uso de elementos alegóricos, os bailarinos desenvolveram toda a coreografia no chão, apostando na força da movimentação corporal e na expressividade cênica.

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Como recurso visual, utilizaram elementos nas mãos e máscaras no rosto, reforçando a proposta simbólica da apresentação. As coreografias apresentadas aos módulos seguiram uma linha tradicional do quesito, com leitura clara e execução correta.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Alexander e Pamela apostou em uma apresentação baseada na técnica e na clareza de movimentos. Executando todos os passos obrigatórios previstos no regulamento, a dupla representou a Coroa Portuguesa dentro da proposta do enredo.

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Durante todo o percurso, demonstraram segurança, entrosamento e preparo, realizando apresentações consistentes em todos os módulos de julgamento.

HARMONIA

O canto da escola foi satisfatório e ganhou ainda mais força nos momentos em que a bateria executou bossas, especialmente no trecho do samba que diz “O povo é guardião do meu lugar”.

Os componentes mantiveram um canto linear e regular do início ao fim do desfile, sem grandes oscilações entre os setores.

ENREDO

O enredo “Maria Felipa – No Balanço da Maré, a Heroína da Independência”, assinado por uma Comissão de Carnaval, apresentou uma temática complexa, com múltiplas possibilidades de abordagem histórica.

Durante o desfile, entretanto, a trajetória de Maria Felipa foi bem retratada, permitindo uma leitura clara e coerente da narrativa, com boa compreensão por parte do público e dos julgadores.

EVOLUÇÃO

A Uirapuru da Mooca concluiu seu desfile em 48 minutos, apresentando um andamento compacto e satisfatório.

No que diz respeito às movimentações dos componentes, a evolução foi regular, sem problemas de espaçamento ou deslocamento, mantendo a organização da escola ao longo da pista.

SAMBA-ENREDO

O samba-enredo, interpretado por Thiago Britto e composto por Thiago Meiners, Thiago Britto, André Valêncio, Marcel da Cohab, JB Laureano, Diego Laureano, Wil PZ, Daniel Rizzo, Sandra Aranha e Tubino, possui uma letra de fácil entendimento e alinhada à sinopse do enredo.

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No entanto, a melodia, com exceção do refrão principal, exigiu maior esforço da ala musical para envolver o público e os próprios componentes, tornando o rendimento musical mais dependente da condução do intérprete e da bateria.

FANTASIAS

Destaque para a ala das baianas, que representou as águas. No refrão principal, citadas diretamente no samba, as componentes giraram intensamente, valorizando o efeito visual das fantasias e ampliando o impacto cênico da apresentação.

As fantasias das demais alas desenvolveram o enredo de forma satisfatória, com boa leitura e acabamento adequado.

ALEGORIAS

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Fotos: Felipe Araújo e Woody Henrique/Liga-SP

A Uirapuru da Mooca apresentou um dos melhores conjuntos alegóricos da noite. Com três carros levados à avenida, a escola demonstrou bom acabamento e investimento em jogos de luz, o que potencializou o impacto visual do desfile e reforçou a narrativa do enredo.

OUTROS DESTAQUES

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A rainha de bateria, Acássia Amorim, desfilou com figurino nas cores da escola e demonstrou forte entrosamento tanto com a bateria quanto com o público, contribuindo para o bom rendimento do quesito.

Os destaques de chão desfilaram bastante entrosados com a bateria e com muito samba no pé durante todo o percurso.

Comissão de frente e conjunto visual são destaques no desfile da Imperador do Ipiranga

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A Imperador do Ipiranga foi a oitava escola a desfilar no Grupo de Acesso 2, no Anhembi. O desfile teve como destaque a comissão de frente, dividida em dois atos, além do conjunto visual, que detalhou corretamente a leitura do enredo. A primeira alegoria foi de fácil leitura, retratando o lado afro da história; a segunda simbolizou, de forma lúdica, as crianças. Os quesitos Alegoria e Comissão de Frente merecem um destaque maior dentro do desfile da escola. Assim como várias agremiações da noite, o quesito Evolução sofreu no final, e o time de harmonia teve que acelerar o passo para fechar o tempo em 50:44, apenas 16 segundos antes do estouro do cronômetro. A escola desfilou com o tema “Bejiróó, Onipé Doum – Ibeji”, assinado pelo carnavalesco Rômulo Roque.

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COMISSÃO DE FRENTE

Sob o comando de Diego Costa, a comissão de frente foi para a pista com o significado de “Os Ibejis, a natureza e o sincretismo no Brasil”. A coreografia consistiu em mostrar a conexão entre o céu e os erês. Em um dos atos, os bailarinos vestiam roupas na cor azul e utilizavam maquiagem. Atrás, havia mães de santo vestidas de branco, e os bailarinos, citados anteriormente, as rodeavam; em seguida, elas trocavam de roupa como se fosse mágica. Essa troca simbolizava a entrada dos erês, que alteravam a personalidade e jogavam balas para o público. Vale destacar que essa troca de figurinos deixou o público presente no Anhembi bastante efusivo.

Em outro momento, acontecia a entrada de bailarinos vestidos de pássaros, além de duas crianças caracterizadas como animais, que iam até o tripé para utilizar o balanço. Uma comissão de frente realmente bem infantil. O coreógrafo Diego Costa intercalou as apresentações: em algumas cabines, executava-se o primeiro ato; em outras, o segundo. Uma grande demonstração de criatividade do profissional.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal representou o “Sincretismo na Umbanda”. Com fantasias inteiramente vermelhas, Matheus Custódio e Dani Motta realizaram um desfile tecnicamente satisfatório. O casal pegou a pista menos molhada e conseguiu executar corretamente a coreografia e os passos necessários para buscar a nota máxima. Resta observar o que aconteceu na cabine do Setor H, pois eles ficaram parados por mais tempo do que o comum em frente ao jurado. A ver se isso será considerado. No mais, um desfile seguro dos estreantes na agremiação.

HARMONIA

Os componentes da Imperador do Ipiranga cantaram corretamente o samba. A evolução não aconteceu com tanta intensidade, mas o canto em sincronia com o carro de som foi bem executado. Vale destacar a bossa em que a bateria para e os componentes têm a missão de bater palmas. Todas as execuções foram realizadas perfeitamente, dada a dificuldade de manter palmas e canto juntos, além de acompanhar a retomada da bateria. Ficou evidente que o ensaio esteve em dia para a apresentação oficial.

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Fotos: Felipe Araújo e Woody Henrique/Liga-SP

ENREDO

A Imperador do Ipiranga possui uma identidade clara de fazer carnaval: apostar em um enredo lúdico, ligado ao universo infantil, como vem fazendo nos últimos três anos. A ideia do carnavalesco Rômulo Roque foi conectar os Ibejis até chegar ao aniversário da escola. Coincidentemente, a Imperador faz aniversário no mesmo dia de São Cosme e Damião. Isso foi muito bem traduzido no desfile, principalmente no último carro.

EVOLUÇÃO

A evolução da escola foi tranquila até a saída da bateria do recuo. Após esse momento, a escola passou a observar com mais atenção o cronômetro e precisou apertar o passo. A equipe de harmonia prontamente instruiu os desfilantes a acelerar. A estratégia deu certo, mas restaram apenas 16 segundos para o estouro do tempo, com os portões fechados em 50:44. Resta ver o que os jurados irão apontar nos dois últimos módulos da pista.

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SAMBA

O estreante intérprete Hélber Medeiros foi muito bem. O cantor parecia estar há anos na escola. Brincou com o samba o tempo todo, chamou a comunidade e incorporou o enredo. Uma voz alegre que, a todo momento, buscou incendiar o Anhembi. Os arranjos feitos no carro de som, acompanhando as vozes, também merecem destaque.

FANTASIAS

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Seguindo a linha das escolas do grupo, a Imperador do Ipiranga levou para a avenida fantasias leves, com o objetivo de facilitar o canto e a evolução dos componentes. Para transmitir a alegria do tema, um colorido marcante foi utilizado nas vestimentas. Destaque para a ala 02 — “Ibejis”.

ALEGORIAS

Com o título “A África das Crianças – O Ventre e o Baobá”, o carro abre-alas foi para o Anhembi com uma estética afro nas cores dourado e azul, que compõem o pavilhão da escola. A tradicional coroa, símbolo do brasão da agremiação, também esteve presente.

Já o carro intitulado “27 de Setembro – Dia de Cosme, Damião e Doum e Aniversário da Imperador do Ipiranga!” desfilou inteiramente na cor rosa, com estética das entidades no topo da alegoria.

OUTROS DESTAQUES

A bateria “Só Quem É”, sob o comando do mestre Fuskão e com a fantasia “Ogãs – Os Guardiões do Ritual”, executou bossas criativas e apresentou um andamento satisfatório na pista. Destaque para o arranjo logo após o refrão do meio, quando os componentes batiam palmas em perfeita sincronia.

Canto forte anima o Anhembi, mas plástica compromete o Morro da Casa Verde

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O Morro da Casa Verde apostou em um desfile de impacto e resposta quente das arquibancadas para contar a história de devoção que atravessa o enredo “Santo Antônio de Batalha, faz de mim batalhador!”. A escola apresentou um conjunto coeso, com harmonia como um de seus principais pontos de sustentação ao longo da passagem pelo Anhembi no último sábado, quando foi a sétima a se apresentar pelo Grupo de Acesso 2. Ao longo dos 49:39 de desfile, a leitura do sincretismo entre Exu, Ogum e Santo Antônio se manteve clara para o público e para as cabines de julgamento. Ainda que tenha apresentado problemas pontuais nas alegorias, como o desacoplamento do abre-alas, não houve abertura de buracos perceptíveis na pista.

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COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente, de Ana Carolina Vilela, apresentou a abertura dos caminhos a partir da figura de Exu, estabelecendo o tom ritual do desfile e introduzindo o sincretismo com Santo Antônio que orienta todo o enredo.

A encenação se deu inteiramente no chão, com proposta teatral que valorizou a força do enredo. As fantasias, com predominância de vermelho, dourado e preto, reforçaram a leitura visual ligada a Exu, além da presença de elementos como búzios.

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Foram apresentadas duas coreografias distintas, uma em cada passada do samba, ambas executadas em frente às cabines de julgamento, com interação direta com os jurados. A proposta se manteve regular ao longo do percurso, com boa repetição da estrutura coreográfica e leitura clara do conceito apresentado.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal João Lucas e Juliana Souza apresentou o pavilhão dentro da leitura simbólica do setor de apresentação, com coreografias que dialogaram com a “magia de Exu” e com a abertura dos caminhos que estrutura o início do desfile. A condução da dança privilegiou giros amplos, apresentações frontais ao pavilhão e movimentos com referência a danças de matriz africana, mantendo comunicação direta com o público.

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Nas cabines, o casal recebeu boa resposta do primeiro módulo de julgamento, com sorrisos dos jurados durante as apresentações. Não houve registros de falhas técnicas aparentes.

HARMONIA

A harmonia foi um dos pontos altos da Verde e Rosa. Desde antes da entrada oficial na pista, a escola já encontrava resposta forte do público, que se manteve pulsante ao longo de todo o percurso. As alas apresentaram canto coletivo intenso, sem oscilações perceptíveis entre setores, o que contribuiu para a construção de um clima de empolgação constante na Avenida, já observado nos ensaios.

A condução do intérprete Wantuir teve papel central na sustentação do rendimento do canto ao longo de toda a pista.

ENREDO

O desenvolvimento do enredo se estruturou a partir da abertura dos caminhos por Exu, avançando pelo sincretismo com Santo Antônio e Ogum, pela trajetória do santo entre fé e tradição popular, até a celebração da devoção no Brasil. A narrativa se manteve compreensível na Avenida, com setores visualmente conectados e leitura coerente, principalmente com o uso de cores que valorizaram a compreensão do enredo e facilitaram a identificação dos diferentes setores.

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Fotos: Felipe Araújo e Woody Henrique/Liga-SP

A leitura da relação de Santo Antônio com as tradições populares, bem como as simpatias ligadas ao amor e ao casamento, além de referências às festas juninas, apareceu ao longo do desfile. A transição entre os universos de Exu e do santo casamenteiro aconteceu de maneira orgânica, permitindo acompanhar com fluidez a passagem do sincretismo religioso.

EVOLUÇÃO

O desfile apresentou boa fluidez ao longo do percurso, sem registro de buracos perceptíveis na pista. Mesmo com ocorrências pontuais envolvendo desacoplamento de alegorias, a escola conseguiu manter o avanço regular dos setores, sem necessidade de recomposições improvisadas de alas para preenchimento dos espaços.

A progressão dos setores também ocorreu de forma contínua, contribuindo para a sensação de desfile “cheio” do início ao fim.

SAMBA

O samba-enredo confirmou no desfile oficial a força que já vinha sendo observada nos ensaios. Sustentou o andamento do desfile ao longo de todo o percurso. A resposta coletiva se manteve consistente, com destaque para os trechos de maior apelo popular, como os dois refrões, e as bossas bem executadas. O samba é funcional e favorece a interação entre escola e público.

A relação entre melodia, andamento da bateria do mestre Léo Bonfim e condução do intérprete contribuiu para manter o ritmo do desfile.

FANTASIAS

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As fantasias acompanharam a narrativa do enredo. O setor de apresentação exibiu leitura visual forte, com predominância de vermelho, dourado e preto, além da presença marcante de símbolos como búzios, velas, marafo e fogueira. No geral, as escolhas de cores ajudaram a marcar a transição entre os três setores do desfile, permitindo identificar com clareza onde cada setor se encerrava e o seguinte se iniciava.

As baianas, representando Pomba-Gira, integraram-se bem ao conjunto visual do setor inicial, enquanto a ala “Na Batina do Padre tem dendê” trouxe leitura divertida do sincretismo proposto. No último setor, a ala de festa junina apresentou boa identificação com a popularidade da devoção a Santo Antônio.

É válido mencionar também a ala PCD e o segundo casal, representados como noivos, que dialogaram com a narrativa do santo casamenteiro. A fantasia da bateria, apesar da boa concepção ao unir a batina ao imaginário de Santo Antônio, apresentou acabamento irregular na parte da cabeça.

ALEGORIAS

As alegorias concentraram as principais fragilidades do desfile. O abre-alas “Tronqueira de Exu” cumpriu a função de apresentar a abertura dos caminhos, com símbolos reconhecíveis ligados a Exu, mas apresentou problemas de acoplamento ao longo do percurso. O desacoplamento entre as duas partes da estrutura chamou atenção visualmente, ainda que não tenha provocado abertura de buraco, nem comprometido a evolução.

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No último carro, houve mais um problema com a estrutura acoplada e, por muito pouco, não ocorreu um choque entre as partes na altura do recuo. Além disso, neste último carro, a plástica deixou a desejar. Apresentou acabamento simples, com colagens aparentes na parte do teto da igreja, o que afetou a qualidade visual da alegoria.

OUTROS DESTAQUES

Dona Guga foi o principal destaque da escola, no último carro, cantando e dançando com intensidade e sendo aclamada em diferentes setores da Avenida. Figura histórica e símbolo do carnaval paulistano, sua presença sempre carrega forte valor representativo, especialmente por sua trajetória.

A bateria do mestre Léo Bonfim apresentou bom rendimento ao longo do percurso e dialogou diretamente com a arquibancada Monumental nas bossas, com viradas para o setor e interação que levantou o público. A rainha de bateria, Bruna Costa, teve participação presente à frente da bateria, cantando o samba ao longo do desfile.

Peruche tem comissão de frente como destaque e entra na disputa pela vaga no Acesso 1

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A Unidos do Peruche foi a sexta escola a desfilar neste sábado pelo Grupo de Acesso 2. A agremiação da Zona Norte teve como destaque a comissão de frente, além de prezar por outros pontos técnicos, o que fez com que a escola conseguisse um resultado de desfile satisfatório. A escola deve ter um ponto de atenção no quesito Evolução, pelo fato de ter acelerado os passos ao final do desfile. Mais uma vez, a pentacampeã do carnaval paulistano entra na apuração com o sonho de retornar ao Grupo de Acesso 1.

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A escola se apresentou na avenida com o tema “Oi! Esse Peruche Lindo e Trigueiro. Terra de Samba e Pandeiro, 70 Anos”, assinado pelo carnavalesco Chico Spinosa.

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Carllos Alvez, a comissão de frente do Peruche representou a “Musicalidade Ancestral”. Os bailarinos desfilaram representando figuras da Antiguidade, já que o pandeiro tem origem nesse período. Todos estavam em sincronia; alguns utilizavam adereços nas mãos, enquanto outros não. Os que dançavam com os adereços davam um belo tom alaranjado à pista. Esses bailarinos, de forma muito clara, realizavam movimentos de saudação ao público e de apresentação da escola ainda no refrão principal.

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Fotos: Felipe Araújo e Woody Henrique/Liga-SP

O ponto alto da coreografia foi o momento em que uma criança surgia atrás do elemento alegórico com um pandeiro. Ela entrava sambando, tocando o instrumento e, logo após, se juntava aos demais para realizar a encenação em sincronia. O elemento alegórico desfilou em tons rústicos, remetendo claramente à pré-história.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Daniel de Vitro e Taiene Caetano desfilou representando “O Mar Tenebroso”, com vestimentas predominantemente pretas. Estreantes na escola, a dupla teve um desempenho satisfatório, cumprindo os requisitos obrigatórios que o quesito exige para alcançar a nota máxima. Ambos conseguiram lidar com a pista molhada com segurança. A apresentação de Daniel e Taiene se destacou justamente pelo respeito ao que o regulamento exige.

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HARMONIA

Foi um dos destaques da escola. Apesar das mudanças repentinas que o samba sofreu após a gravação oficial, a comunidade assimilou bem e conseguiu apresentar um bom desempenho no canto. As partes mais cantadas foram os dois refrões, principalmente os versos finais do samba, que fazem alusão ao hino “Quando o repicar dos tamborins anunciar”. Ainda assim, apesar do canto forte, alguns componentes apresentaram dificuldades com a letra, o que não interferiu no desempenho do quesito. O que se viu foi um Peruche solto na pista, com a maioria dos desfilantes cantando com sorriso no rosto, dispostos a defender o pavilhão em busca do acesso ao Grupo de Acesso 1.

ENREDO

A proposta da escola foi falar sobre o instrumento pandeiro e fazer a ligação com os 70 anos da agremiação. Inicialmente, a ideia é válida, mas a conexão entre os momentos apresentados mostrou-se difícil. Até mesmo a letra do samba-enredo não cita diretamente a relação do Peruche com o pandeiro, trazendo os versos de forma fragmentada. Ainda assim, isso talvez não impacte diretamente os jurados. Trata-se de dois extremos distintos: a história de um instrumento que remonta ao período anterior a Cristo e os 70 anos da agremiação.

EVOLUÇÃO

É o quesito em que a escola precisa de maior atenção. Após o recuo da bateria, a escola precisou acelerar os passos, já que o tempo jogava contra. Com isso, alguns espaços foram criados e houve dificuldade no empurrar da segunda alegoria. Apesar disso, a escola não abriu buracos nem apresentou divisão de alas. Entre as fileiras, os componentes desfilaram corretamente. Com vestimentas leves, dançaram de um lado para o outro sem prejudicar o espaçamento.

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SAMBA

A escola contou com a estreia do intérprete Juninho Branco, que cantou o samba com empolgação durante todo o percurso na avenida. Como mencionado, a obra passou por algumas mudanças no período do pré-carnaval, inclusive após a gravação oficial. O cantor também chegou à escola apenas em novembro. Ainda assim, isso não foi um empecilho para o conjunto musical. Juninho Branco e sua ala conseguiram conduzir bem o samba do Peruche, empolgando a comunidade. Destacam-se os versos finais, que fazem alusão ao hino da escola, em sintonia com o enredo que celebra os 70 anos da agremiação. Tanto o contexto quanto o rendimento tiveram boa participação na avenida.

FANTASIAS

As fantasias da agremiação utilizaram materiais simples, mas com bom acabamento. Todos os componentes vestiram trajes leves, o que facilitou a evolução da escola. Vale ressaltar que a agremiação desfilou bastante colorida, sendo perceptível um investimento maior na fantasia da comissão de frente. O acabamento desse setor se destacou em relação ao restante da escola.

ALEGORIAS

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O abre-alas, intitulado “O Mar Tenebroso, Herança Lusitana e a Riqueza Africana”, desfilou com grande porte. O carro apresentou esculturas de grandes dimensões, movimentos e um significado forte, transmitindo claramente o clima da época das navegações entre negros e portugueses. A alegoria apresentou bom acabamento, configurando uma abertura digna de uma pentacampeã do carnaval paulistano.

A segunda alegoria simbolizou os “70 anos da Unidos do Peruche”, toda nas cores verde, azul e amarelo, remetendo ao Brasil, como a escola gosta de se denominar. O carro contou com a presença da velha-guarda e esculturas que fizeram referência a essa marca tão importante alcançada pela Filial do Samba.

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OUTROS DESTAQUES

A bateria, fantasiada de “Jackson do Pandeiro” e sob o comando do mestre Azeitona, executou bossas criativas em frente a todas as cabines.

Comissão de Frente é destaque em desfile da Unidos de São Lucas

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A Unidos de São Lucas apresentou um desfile consistente, coerente e fiel à proposta do enredo, mostrando clareza narrativa e bom desempenho na maioria dos quesitos. Mesmo enfrentando problemas pontuais no quesito Alegorias, a escola conseguiu sustentar um conjunto funcional, com bom canto da comunidade, comissão de frente bem resolvida e um samba-enredo de fácil assimilação. A agremiação demonstrou planejamento e segurança ao longo da pista, encerrando sua apresentação dentro do tempo regulamentar.

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A escola foi a quinta a desfilar pelo Grupo de Acesso 2 e concluiu seu desfile em 50 minutos. A Unidos de São Lucas levou para a avenida o enredo “Meu tambor é ancestral. Heranças e Riquezas de um Povo… Um Brasil de Festas Pretas”, assinado pelo carnavalesco Anselmo Brito.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente, coreografada por Jonathan Santos, apresentou um ritual de evocação de Ayan Agalu, estabelecendo desde o início uma conexão direta com o enredo. Acompanhados por um tripé, os bailarinos realizaram uma apresentação bem definida, coesa e totalmente alinhada à proposta temática da escola.

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Fotos: Felipe Araújo e Woody Henrique/Liga-SP

No centro do tripé, um personagem principal se destacou ao erguer o tambor em determinado momento da apresentação, simbolizando com precisão o que era entoado na letra do samba-enredo. Combinando passos tradicionais com movimentos que dialogam com a ancestralidade africana e a história do tambor, a comissão de frente foi o ponto alto do desfile da Unidos de São Lucas.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Conforme já observado no ensaio técnico, a dupla Erick e Victoria realizou um desfile eficiente e seguro. Representando a realeza africana dentro do contexto do enredo, o primeiro casal executou com precisão todos os movimentos obrigatórios previstos no regulamento, aliando técnica, criatividade coreográfica e expressiva comunicação facial.

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A dança mostrou-se construída em total sintonia com o samba-enredo e com a narrativa proposta pela escola. Victoria, mesmo com a garoa que caiu durante o desfile no Sambódromo do Anhembi, manteve o pavilhão desfraldado durante todo o percurso, evidenciando domínio técnico e segurança.

HARMONIA

O canto da comunidade foi um dos grandes pontos positivos do desfile. A escola apresentou um canto linear, mantendo o mesmo tom do início ao fim da pista, sem oscilações perceptíveis entre os setores.

O intérprete oficial, Tuca Maia, teve papel fundamental nesse resultado. Com boa dicção e comunicação direta com os componentes, conduziu o canto de forma eficiente, facilitando a compreensão da letra do samba e incentivando a participação da comunidade ao longo de todo o desfile.

ENREDO

O enredo “Meu tambor é ancestral. Heranças e Riquezas de um Povo… Um Brasil de Festas Pretas”, desenvolvido por Anselmo Brito, foi bem contado e de fácil entendimento. Ao longo da pista, a escola apresentou de forma clara a trajetória do tambor, desde suas origens africanas até sua presença nas manifestações culturais e festas populares brasileiras.

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O conjunto visual, fantasias, alegorias e samba, dialogou de maneira satisfatória, permitindo que o público compreendesse a proposta sem dificuldade. O desfile da Unidos de São Lucas foi direto, assertivo e coerente com o que foi proposto no enredo.

EVOLUÇÃO

Durante o desfile, o abre-alas apresentou um incidente que ocasionou um espaçamento exato de 12 grades entre o carro e a ala seguinte, limite máximo permitido pelo regulamento. Em função dessa ocorrência, a harmonia, em conjunto com a bateria, optou por não realizar a parada tradicional no box do recuo.

Apesar dessas adversidades, os componentes desfilaram soltos, dançando e mantendo a energia do samba. A escola concluiu sua apresentação em 50 minutos e 14 segundos, demonstrando controle do andamento e boa condução da evolução.

SAMBA-ENREDO

A Unidos de São Lucas tem um dos sambas-enredo de melhor rendimento do Grupo de Acesso 2. De fácil assimilação, o samba permite que o público acompanhe o canto já em suas primeiras passagens.

Na parte do refrão principal, em que diz “São Lucas chegou, se liga no rufar do meu tambor”, a comunidade cantou com vigor, evidenciando a força da melodia e a eficácia da letra. O samba, composto por Bruno Leite e Ricardinho Olaria, mostrou ótimo funcionamento tanto no aspecto musical quanto na interação com os componentes.

FANTASIAS

As fantasias foram funcionais e bem planejadas, permitindo que os componentes evoluíssem e dançassem com liberdade. A escola apostou claramente em um desfile de leitura fácil, coeso e organizado.

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Com bom acabamento e alinhadas ao enredo, as fantasias aparentavam leveza e conforto, contribuindo diretamente para o desempenho da evolução e da harmonia.

Vale destacar a fantasia da ala das baianas, que representava “Mãe África”. As matriarcas desfilaram vestidas em tom alaranjado, com grandes búzios em suas saias e chapéus com cabelos cacheados no topo.

ALEGORIAS

No quesito Alegorias, a escola enfrentou sua principal dificuldade da noite. O abre-alas apresentou uma falha estrutural, com a quebra da sustentação frontal, o que comprometeu o funcionamento do carro. Foi possível observar integrantes da equipe técnica atuando estrategicamente para manter a alegoria em movimento.

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Apesar do problema, a Unidos de São Lucas ousou ao levar três alegorias para a avenida, número superior ao permitido para as escolas do Grupo de Acesso 2, que podem desfilar com apenas duas. Os carros apresentaram bom acabamento e estavam de acordo com o enredo proposto.

OUTROS DESTAQUES

A rainha de bateria, Pepita, interagiu com as arquibancadas ao longo de todo o desfile e cantou o samba com entusiasmo e entrega, demonstrando forte conexão com a escola. A realeza da bateria vestiu-se em tons de marrom, com figurino de muito brilho, valorizando o conjunto visual do desfile.

O time de destaques de chão contribuiu de forma positiva para a evolução da escola, ocupando os espaços sempre que houve necessidade, especialmente nos momentos de maior abertura de espaço. Com figurinos luxuosos e bem acabados, os destaques representaram a escola com maestria.

Chico Spinosa fala sobre o desafio de assinar o Carnaval dos 70 anos do Peruche

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Chico Spinosa é um dos nomes mais respeitados do carnaval, com uma trajetória que une artes cênicas, televisão e grandes desfiles. Experiências diferentes dentro da arte moldaram seu olhar estético e sua assinatura visual. Isso o levou, a partir do fim dos anos 1980, a migrar definitivamente para o universo do carnaval.

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Foto: Ana Carla Dias/CARNAVALESCO

No samba, construiu uma carreira sólida por agremiações do Rio de Janeiro e de São Paulo, como Salgueiro, Estácio de Sá, União da Ilha, Mocidade, Caprichosos, Nenê de Vila Matilde, Vila Maria, Tom Maior e Vai-Vai.

Em 2026, está à frente da Unidos do Peruche como carnavalesco, ano em que a escola completa 70 anos. A escola desfilou nesta madrugada de domingo, no dia 8 de fevereiro: “Nunca fiz diferença entre escolas, nem entre os acessos 1, 2, 3, sei lá, ou em bloco; acho que a expressão popular me chama. Não me importo se está no Grupo Especial ou no acesso. Lógico, vim ao acesso por causa dos amigos que estavam precisando de alguém que desse uma força para comemorar os 70 anos”, explica o artista.

Ele fez história em 2020, dentro da Vai-Vai, quando ajudou a escola a garantir o título do acesso ao Grupo 1, assegurando o retorno da escola do Bixiga ao Grupo Especial: “Assim como eu comemorei os 70 anos da Vai-Vai, os 70 anos agora na Peruche também estão sendo um prazer; no fim, estou aqui feliz”, diz Chico sobre a busca da escola pelo acesso especial.

Ele chega com seu olhar para marcar o aniversário de sete décadas de história e identidade cultural em um desfile que celebrou a memória da escola e sua comunidade na Avenida: “Sabe, sou vaidoso e gosto do meu trabalho, senão eu nem o faria. Achei que tive momentos muito bonitos aí. O abre-alas, o último carro é uma beleza que fala de uma Peruche que faz 70 anos. Também acho que o samba ajudou, gostei muito do samba”, celebra o carnavalesco.

Ao seu lado no trabalho de carnavalesco, também estava Felipe Roberto Milanes, que teve um papel importante de parceria na construção da imagem da Unidos do Peruche para o desfile do Carnaval de 2026: “Acho que esse menino vai ter um futuro e tanto lá na frente. E assistente comigo, ou entra na minha ou não dá certo. E nós nos demos bem, é porque ele entrou na minha. Sabe, sou um homem muito agitado, tenho muita coisa para fazer e quero resolver na hora; também sou encrenqueiro. O Felipe já é mais sereno”, compartilha Chico.

Após desfilar no Anhembi, Pepita comenta emoção de ser rainha de bateria da Unidos de São Lucas

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Cantora, compositora, atriz e dançarina, ela se tornou uma das primeiras funkeiras trans do Brasil a construir uma trajetória marcada pela música e pelo ativismo LGBT. No Carnaval de 2026, Pepita, aos 43 anos, ocupa o posto de rainha de bateria da Unidos de São Lucas, um dos lugares mais simbólicos do carnaval.

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Foto: Ana Carla Dias/CARNAVALESCO

“Em alguns momentos na avenida, eu me emocionava muito, quando vi as pessoas gritando o meu nome e se emocionando com a minha presença ali. Então, acho que foi um desfile gostoso e muito prazeroso para mim. Estou leve, agora posso dizer que meu ano vai começar”, diz Pepita.

Ela é uma das poucas mulheres trans à frente de uma bateria no carnaval paulistano. Como rainha de bateria, ela fez sua passagem no desfile que ocorreu neste sábado, iniciando o carnaval de São Paulo com as escolas do Grupo de Acesso 2, no Sambódromo do Anhembi.

A agremiação traz para a avenida o enredo “Meu Tambor é Ancestral… Heranças e Riquezas de Um Povo… Um Brasil de Festas Pretas!”, que exalta a musicalidade afro-brasileira e as festas de matriz africana. E é com a bateria da escola, a USL, comandada pelo mestre Andrew Vinicius, que a escola da Zona Leste de São Paulo ganha ritmo.

Pepita também vive um ano simbólico em sua vida, no qual vê as conquistas deixarem ainda mais marcas em sua história de luta.

“Acho que está sendo especial, primeiro porque fiz aniversário, cheguei aos 43 anos viva e sendo mãe, esposa e filha. Isso em um país louco, cercado de preconceito. Então acho que, para este ano, o carnaval também foi uma pitada diferente, mais gostosa, um grito: ‘ó, eu tô aqui, eu existo, deixa eu viver’”, ressalta.

A história de Pepita revela uma conquista importante para a representatividade no samba, reafirmando o Carnaval como espaço de resistência e visibilidade.

“Acho que posso ser chamada de incômodo para algumas pessoas. Tirar as pessoas da zona de conforto, aquela dúvida: ‘Quem é essa, quem é essa?’. Sou a Pepita, rainha de bateria da Unidos de São Lucas, da USL, e comando com muito carinho e com muito respeito essa bateria. Muito prazer, serei o seu incômodo”, conclui a rainha de bateria.

No compasso da Imperatriz da Pauliceia, Kamila Simioni reina no Anhembi em seu primeiro desfile como rainha de bateria

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Kamila Simioni, de 39 anos, entrou no ritmo acelerado do Carnaval de 2026, mostrando no desfile da Imperatriz da Pauliceia a sua estreia como rainha de bateria em São Paulo. A rainha não poupou energia para brilhar na avenida. Ela, que também é musa da Barroca Zona Sul, vive uma nova fase dentro do samba paulistano, já que vem se dedicando intensamente para defender duas cores no Anhembi.

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Foto: Ana Carla Dias/CARNAVALESCO

“Foi uma experiência maravilhosa. É a primeira vez que eu saio como rainha de bateria. Já desfilo pelo segundo ano consecutivo como musa, mas rainha, não que seja mais ou menos importante, mas é diferente. A responsabilidade, o peso que a gente carrega, fazem ser uma experiência maravilhosa. Estou super feliz, super grata, foi incrível”, diz Kamila.

A Imperatriz da Pauliceia levou para a avenida o enredo “Congá, o Altar Sagrado da Minha Fé”, que propõe diversidade e o fim da inteligência religiosa. A bateria “Swing da Pauliceia” performou aos comandos da mestre Rafaella Rocha, a “mestra Rafa”, um dos poucos nomes femininos na regência de baterias em São Paulo. Ela é reconhecida como a primeira mulher a comandar uma bateria no Sambódromo do Anhembi.

Kamila Simioni, que distribuiu simpatia com o público na avenida, ganhou projeção nacional após participar do reality show A Fazenda, da TV Record. Quando anunciada oficialmente como rainha de bateria da Imperatriz da Pauliceia para o Carnaval de São Paulo 2026, Kamila assumiu uma das funções mais simbólicas do desfile.

“Quando me convidaram, não tinha noção do tamanho da responsabilidade que tinha. Em todos os ensaios eu vivenciava, mas, principalmente hoje, senti um pouco o peso dessa responsabilidade. Mas espero que tenha tirado de letra, espero que tenha ficado todo mundo feliz, a diretoria, a presidência e a comunidade”, conta.

À frente da “Swing da Pauliceia”, ela diz que sentiu firmeza para a conquista do acesso: “As expectativas são as melhores, tenho certeza de que a gente vai conseguir”, confirmou a rainha.

Performance do casal e conjunto de fantasias são destaques do desfile da X-9 Paulistana

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A X-9 Paulistana foi a quarta escola a desfilar no Sambódromo do Anhembi, no último sábado, pelo Grupo de Acesso II do Carnaval de São Paulo de 2026. A apresentação da escola da Parada Inglesa foi marcada por um bom conjunto de fantasias, e a atuação primorosa do carro de som e do casal de mestre-sala e porta-bandeira enriqueceram a travessia da Passarela do Samba, concluída após 50 minutos. O enredo da comunidade da Zona Norte foi “Yvy Marã Ei – A Busca pela Terra Sem Mal”, assinado pelo carnavalesco Amauri Santos.

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Após cair para o Acesso II no ano anterior, a X-9 entrou com a responsabilidade de mostrar seu valor como bicampeã do Carnaval e propôs um desfile com temática que já a consagrou no passado. Houve quesitos muito bem apresentados, mas os problemas que a escola teve durante sua passagem, especialmente em Evolução, podem comprometer as expectativas quanto ao resultado da agremiação.

COMISSÃO DE FRENTE

O coreógrafo Pedro Bueno foi o responsável pelo desenvolvimento da comissão de frente, intitulada “O encontro da X-9 Paulistana com o mito guarani”. O quesito representou simbolicamente o encontro da escola com essa cultura originária, por meio da figura do pajé Guirapoty, líder espiritual da mitologia guarani, que recebe de Nhanderu a mensagem sobre a destruição do mundo e a busca pela Yvy Marã Ei, a “terra sem mal”.

A X-9 Paulistana foi personificada por uma protagonista vestida de bailarina, que carregava o símbolo da escola. Durante a dança, um outro indígena, com uma fantasia levemente distinta dos demais, interagia diretamente com ela, que se via em meio à narrativa do mito do surgimento da “terra sem mal”. Foi difícil identificar com clareza a narrativa em meio a poucos elementos visuais, muitas vezes caracterizados apenas por gestos corporais, o que fez a abertura do desfile ser pouco impactante.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

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Fotos: Felipe Araújo e Woody Henrique/Liga-SP

O primeiro casal da X-9, formado por Igor Sena e Júlia Mary, desfilou com fantasias representando “Anhangá e Jurará-Açú (O Espírito e a Mulher-Tartaruga)”. Foi uma apresentação de alto nível, mesmo em meio à chuva constante que caiu durante todo o desfile. A performance estava de acordo com a temática, com o mestre-sala carregando um maracá funcional como adereço de mão, que trouxe um elemento único à dança. Houve o cumprimento de todas as exigências do quesito em todos os módulos em que foram observados, o que, somado à criatividade da dupla, ajudou a melhorar o início do desfile da escola.

ENREDO

A X-9 Paulistana desfilou no Carnaval de 2026 com um enredo inspirado no mito guarani da Yvy Marã Ei, a “terra sem mal”, lugar sagrado onde não existe sofrimento e que pode ser encontrado neste mundo ou em outra dimensão. A narrativa foi construída como um diálogo simbólico entre a escola e o povo originário, acompanhando o ensinamento transmitido espiritualmente pelo criador Nhanderu ao pajé Guirapoty e o significado desse mito como orientação para a vida em sociedade. A proposta destacou a relação entre espiritualidade, natureza e convivência humana, encerrando o desfile com uma reflexão sobre as práticas necessárias para se alcançar essa terra imaculada diante das agressões sofridas pelo mundo nos últimos séculos.

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Analisando a sinopse e com base nos elementos apresentados na Avenida, a sensação é de que a escola tentou abranger informação demais no reduzido espaço que o Grupo de Acesso II proporciona. O elemento contemporâneo foi representado apenas por algumas alas, já direcionando a narrativa para a utópica Yvy Marã Ei. Será preciso aguardar para ver como os jurados interpretarão a densidade do enredo.

ALEGORIA

A X-9 Paulistana desfilou com dois carros alegóricos. A primeira alegoria recebeu o nome de “O incêndio, o dilúvio e a nova morada: Yvy Marã Ei” e representou o incêndio que, na mitologia guarani, foi ordenado pelo Criador Nhanderu para destruir a Terra, de modo a se erguer a “terra sem mal”, seguido da ascensão do pajé Guirapoty ao Yvy Marã Ei. A segunda, nomeada “Imaginando um futuro ancestral”, retratou a utopia de fazer do mundo em que vivemos uma verdadeira Yvy Marã Ei.

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O conjunto alegórico cumpriu sua função narrativa dentro do enredo. O principal problema, porém, foi a qualidade do acabamento dos elementos. Grampos de fixação do plotter que fazia referência às águas no abre-alas estavam facilmente visíveis, além de a separação do corte do tecido estar excessivamente aparente. O segundo carro também apresentou falhas no acabamento de elementos visuais em forma de folhas de plantas, empobrecendo o conjunto visual geral da alegoria.

FANTASIAS

O conjunto de fantasias apresentado pelas alas da X-9 se propôs a compor a linha narrativa da proposta do enredo dentro do que é descrito pela letra do samba. A representação visual até a Ala 7 retrata elementos da primeira parte da letra e do refrão do meio, com o restante da letra sendo representado no decorrer do desfile.

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Em contraste com o conjunto alegórico apresentado, as fantasias de todas as alas e destaques contaram com bom acabamento e fácil leitura dentro de suas propostas individuais. A leveza e a qualidade dos materiais foram destaque, permitindo aos componentes brincar o Carnaval sem maiores preocupações, fazendo das vestimentas da X-9 Paulistana um dos principais destaques do desfile.

HARMONIA

A comunidade da X-9 Paulistana cantou corretamente o samba ao longo da Avenida. No início do desfile, a bateria da escola apostou em um apagão no refrão do meio, mas foi o único momento em que isso ocorreu, mesmo tendo havido uma resposta satisfatória dos componentes na altura da pista em que foram observados. No geral, os desfilantes fizeram sua parte para enriquecer a apresentação da escola.

EVOLUÇÃO

A escola teve problemas ao longo da Avenida, mesmo com os portões abrindo já com o carro de som cantando o samba. O início do desfile foi lento, e a X-9 precisou acelerar o passo a partir da metade final da passagem pelo Sambódromo. Uma baiana caiu em frente ao penúltimo módulo de jurados do quesito, e a escola continuou andando, o que causou um problema de interação com a destaque de chão que vinha logo atrás e também a abertura de um buraco em relação à ala seguinte. Também foram observados excessos de abertura de espaços entre elementos, em especial durante as apresentações do primeiro casal pelos módulos. Os portões foram fechados com exatos 50 minutos e 33 segundos, evidenciando as dificuldades do quesito no desfile.

SAMBA-ENREDO

Assinado pelos compositores Gui Cruz, Clayton Reis, Portuga, Reinaldo Marques, Imperial, Rogério, Digo Sá, Luciano Rosa, Luizão, Willian Tadeu e Vitor Gabriel, o samba-enredo da X-9 Paulistana foi defendido na Avenida pelos intérpretes Daniel Collête e Royce do Cavaco. Da primeira parte da letra ao refrão do meio, o mito guarani do surgimento da Yvy Marã Ei é retratado com considerável detalhamento. A segunda parte retrata a destruição da natureza nos tempos atuais e o anseio para que o mundo consiga alcançar um estado equivalente ao da “terra sem mal”.

É uma letra carregada de poesia e que conta com uma melodia serena, mas, ao mesmo tempo, poderosa. Consegue narrar o enredo com fidelidade, sem pecar na proposição de ser cantado pela comunidade em um desfile carnavalesco. Na Avenida, o samba foi interpretado com maestria pelos veteranos intérpretes, enriquecendo, assim, o desfile da X-9 Paulistana.

OUTROS DESTAQUES

Se houve um destaque especial e imponente além dos apontados, esse foi a Rainha da bateria “Pulsação Nota 1000”, Valéria de Paula. Além da beleza exuberante e de muito samba no pé, a majestade mostrou que não esteve na Avenida apenas para levantar o público, ajudando a fechar o espaço do recuo dos ritmistas em grande estilo. Os comandados do mestre Keel também tiveram um bom desempenho, apostando em um apagão bem executado e em bossas criativas que contribuíram positivamente para o desfile da X-9 Paulistana.