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Estácio de Sá 2026: Galeria de fotos do desfile

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Samba funciona em desfile do Águia de Ouro sobre Amsterdã

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Na segunda apresentação da noite de domingo no Anhembi, a Águia de Ouro fez uma travessia simbólica entre São Paulo e Amsterdã, teve referências à arte, à história e aos debates sobre liberdade que marcam a identidade da capital holandesa.

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Com o enredo “Mokum Amsterdã – O voo da Águia à cidade libertária”, a escola organizou o desfile em setores que alternam momentos de contemplação e celebração. No entanto, embora todos os elementos previstos tenham sido representados na Avenida, a conexão entre eles nem sempre se mostrou orgânica, o que deixou a narrativa por vezes confusa.

A evolução acabou sendo o ponto mais frágil da apresentação. A escola acelerou em determinados setores e comprometeu a fluidez do conjunto. A Águia de Ouro encerrou seu desfile em 57min59seg, dentro do tempo regulamentar, mas com passagem mais rápida do que o necessário em alguns trechos da pista.

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Robson Bernardino, a comissão levou para a pista o encontro simbólico entre o “rei de cá” e o “rei de lá”, citado diretamente no samba. A cena se desenvolveu sobre o tripé que representava a Ponte Magra, cartão-postal de Amsterdã que atravessa o rio Amstel.

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A coreografia aconteceu integralmente sobre o elemento, que tinha altura próxima à cabine de jurados, o que favoreceu a leitura nos módulos. A encenação reuniu um número grande de personagens, de Van Gogh e Anne Frank a DJs, mulheres do Distrito da Luz Vermelha, representante da diversidade e usuário de cannabis. A quantidade de figuras deu a sensação de uma apresentação confusa em determinados momentos, ainda que todas estivessem previstas dentro do enredo. Posteriormente, esses mesmos personagens reapareceriam distribuídos em diferentes alas ao longo do desfile, reforçando a proposta temática da escola.

O elemento alegórico apresentou acabamento simples e leitura bastante literal da cidade.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Alex Malbec e Monalisa Bueno representaram a liberdade de Amsterdã com uma coreografia marcada por giros intensos e movimentos amplos. A fantasia dialogava com a ideia de ave e voo, com volume e imponência que criavam a sensação de leveza como se flutuassem na dança.

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A apresentação na cabine teve duração aproximada de dois minutos. O casal demonstrou boa sintonia e se mostrou confortável na condução do pavilhão, explorando bem a proposta de liberdade sugerida pelo figurino e pelo enredo.

HARMONIA

Com Douglinhas Aguiar e Serginho do Porto no comando do carro de som, a Águia apresentou um samba de fácil assimilação. O refrão teve forte resposta das arquibancadas, especialmente no trecho “vou ficar bem louco nesse carnaval”, que foi prontamente acompanhado pelo público.

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Os intérpretes chamaram bastante a escola, pulando e incentivando o canto principalmente no refrão de cabeça. A bossa em ritmo de reggae também animou o Anhembi, com componentes e arquibancada realizando passinhos para o lado sincronizados. Antes da entrada da bossa, os cantores faziam chamadas que ajudavam a elevar a energia do momento.

ENREDO

“Mokum Amsterdã” se constrói a partir da imagem da Águia atravessando um portal até encontrar as águas do rio Amstel, ponto de partida para apresentar a capital holandesa. A transição, no entanto, é bastante fantasiosa e de difícil assimilação imediata.

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Depois disso, o desfile passa a apresentar blocos temáticos, primeiro as referências históricas e culturais, depois os quadros ligados às liberdades e, por fim, as celebrações e festas. O problema é que, na prática, esses momentos parecem apenas colocados em sequência. Faltou uma ligação mais evidente entre um trecho e outro para que o público percebesse uma progressão da história, e não apenas a sucessão de temas.

Todos os elementos propostos estiveram representados, mas a narrativa acabou soando mais fragmentada do que contínua.

EVOLUÇÃO

A evolução foi o principal ponto de atenção da Águia de Ouro. A escola já iniciou o desfile em andamento acelerado, sem necessidade naquele momento. Depois, conseguiu estabilizar o ritmo e manter uma passagem mais regular ao longo dos setores centrais.

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Após a bateria realizar o recuo, houve abertura de espaço na altura do módulo de jurados, configurando buraco na pista. Na sequência, quando a comissão de frente ultrapassou o portão, a escola voltou a acelerar novamente, encerrando o desfile em ritmo mais apressado do que o necessário.

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No restante, as alas se mantiveram organizadas. Mesmo enfileirados, os componentes não vieram excessivamente engessados, e o volume das fantasias ajudava a preencher visualmente a avenida. A Águia concluiu sua apresentação em 57min59seg, dentro do tempo regulamentar, mas com variações de andamento do samba.

SAMBA-ENREDO

O samba foi um dos pontos mais eficientes da azul e branco na avenida. De fácil assimilação e com refrões diretos, cumpriu bem a função de envolver arquibancadas e componentes. O trecho “vou ficar bem louco nesse carnaval” foi o momento de maior explosão, com resposta imediata do público, que acompanhou em coro.

Douglinhas Aguiar e Serginho do Porto tiveram atuação participativa, chamando constantemente a escola e a arquibancada. Os intérpretes faziam chamadas que preparavam o impacto da bossa. É um samba funcional, que dialoga com a avenida e favorece a participação geral.

FANTASIAS

As alas cumpriram o que se propunham a representar. A ala 1, “Águas do Rio Amstel”, trouxe fantasia fluida, reforçada por coreografia com mãos dadas que simulava o movimento de um rio.

As baianas, representando os girassóis de Van Gogh, estavam visualmente bem resolvidas e dialogavam diretamente com a alegoria seguinte, inspirada na “Noite Estrelada” e nos girassóis do artista, que foi representado ao longo da avenida.

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As alas dedicadas a artistas e pensadores holandeses mantiveram coerência com o que foi proposto. Já a ala sobre Anne Frank gerou desconforto pela sensibilidade do tema.

De modo geral, as fantasias cumpriram sua função narrativa, mas apresentaram acabamento simples.

ALEGORIAS

As alegorias foram mais um ponto de atenção da Águia de Ouro. O conjunto se mostrou mais simples em comparação ao que foi visto no Anhembi ao longo da noite, com estruturas literais e acabamento que poderiam ter mais requinte.

O abre-alas apresentou iluminação pontilhada que criava um efeito visual interessante e ajudava na ambientação  proposta pelo enredo, mas estruturalmente manteve simplicidade na composição.

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A terceira alegoria trouxe Anne Frank à frente, além de ciclistas, arquitetura típica e tamancos holandeses. A reunião desses elementos no mesmo carro já dificultava uma leitura mais coesa e, além disso, a representação de Anne Frank sorridente e escrevendo em seu diário causou estranhamento pelo tom adotado, considerando o peso histórico e o contexto retratado.

A quarta alegoria, dedicada às liberdades, teve melhor impacto visual ao simular as vitrines do Distrito Vermelho. Ainda assim, o carro funcionava como uma grande junção de referências: cannabis, prostitutas, diversidade LGBTQIAPN+, todas agrupadas sob o conceito de liberdade. A síntese temática era clara, mas os elementos apareciam mais sobrepostos do que integrados entre si.

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Já o último carro reuniu DJ, referências à cannabis, cerveja e bandeiras de Amsterdã, Brasil e Águia de Ouro em clima festivo. Novamente, os símbolos surgiam lado a lado, sem construção conceitual mais aprofundada. No módulo 2, o carro final passou com iluminação apagada.

Também não foi apresentado o tripé “Seres Encantados das Águas do Rio Amstel”, previsto anteriormente pela escola.

OUTROS DESTAQUES

A bateria Batucada da Pompeia, comandada pelo Mestre Moleza, teve bossa em reggae como um dos pontos mais animados do desfile.

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A rainha Renata Spallicci cantou o samba, acompanhou as bossas com coreografias e interagiu com o público, assim como as musas.

No conjunto, a Águia de Ouro apresentou um desfile coerente com a proposta anunciada, ainda que com dificuldades de articulação narrativa e problemas pontuais de evolução.

Do enredo aos bastidores, mulheres comandam o Arranco na Sapucaí: ‘Devolver o matriarcado para o samba’

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O Arranco do Engenho de Dentro foi a terceira agremiação a desfilar, na noite deste sábado (14), na Marquês de Sapucaí pela Série Ouro. Com o enredo ” A Gargalhada É o Xamego da Vida”, desenvolvido por Annik Salmon, a escola não apenas levou à cena a trajetória de Maria Eliza, mulher que ocupou o picadeiro em um espaço historicamente masculino, como também espelha essa narrativa na própria estrutura interna.

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Annik Salmon e a unica mulher a assinar um desfile na Sapucai em 2026
Annik Salmon é a única mulher a assinar um desfile na Sapucaí em 2026
FOTO: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

Da criação estética à condução musical, o Arranco apresentou mulheres em postos de comando e reafirmou que representatividade também se constrói nos bastidores. Única mulher a assinar um desfile na Sapucaí no Carnaval 2026, Annik reconhece no enredo um reflexo direto da própria trajetória.

“Me reconheço muito com a história do enredo. É uma história que quando eu descobri me tocou muito, porque hoje eu sou a única mulher como carnavalesca na Sapucaí, e a gente não vê abertura para outras mulheres ocuparem esse lugar. É uma história que me toca. E eu gosto de enredo assim, de enredo onde eu possa ter local de fala. É uma história que tem identificação com a agremiação. Acredito que a escola vem mais forte, identificada com o enredo, cantando forte”, comenta a carnavalesca.

Ela não esconde a responsabilidade e o peso de ocupar esse espaço sozinha. Annik também pontua como a presença feminina na criação estética impacta a identidade do desfile.

“Fico muito feliz que posso inspirar muitas outras e abrir caminhos para que outras venham também. A mulher em todo meio sempre é mais cobrada. Ela precisa se reafirmar sempre, mostrar sua competência, provar que ela merece estar ali. A mulher tem um olhar diferente para a arte. Ela é mais sensível, detalhista, vê os pequenos detalhes, acho que essa é a diferença”, afirma.

Ha quatro anos como interprete oficial Pamela revela que a cobranca e constante
Há quatro anos como intérprete oficial, Pâmela revela que a cobrança é constante
FOTO: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

Sob o comando do carro de som, Pâmela Falcão simboliza outra frente de liderança feminina. Para ela, ocupar o posto de intérprete é, também, um gesto político dentro do samba.

“Ser a titular em um carro de som é falar de resistência diariamente, é resistir para existir. Devolver, na verdade, o matriarcado para o samba. O samba nasceu na Praça Onze, na casa da Tia Ciata. Em que momento a gente se perdeu? Em que momento a mulher perdeu o seu lugar?”, questiona a intérprete.

Há quatro anos como intérprete oficial, Pâmela revela que a cobrança é constante: “A gente precisa sempre provar mais, cada vez mais”.

Mesmo diante do julgamento dobrado, ela ressalta que os 40 pontos conquistados em harmonia reforçam a potência feminina na condução da escola. Sobre a recepção do público, completa: “A potência vocal não é a mesma e nunca vai ser, mas é muito gostoso ver o acolhimento das pessoas na Avenida, parando e pedindo para tirar foto. Eu não me acostumei com isso ainda, confesso, mas é muito gostoso”.

Ledjane Motta ocupa um espaco estrategico
Ledjane Motta ocupa um espaço estratégico: a direção musical do carro de som
FOTO: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

Nos bastidores do som, Ledjane Motta ocupa um espaço estratégico e historicamente masculino: a direção musical do carro de som. Ela destaca o simbolismo de ser pioneira na função dentro da escola.

“O Arranco é todo amor, estou muito feliz e agradecida de estar em uma escola que acreditou na possibilidade de uma mulher cumprir esse papel nunca desempenhado por uma antes. O meu papel é garantir a energia que o carro de som vai emanar para todos os meus componentes na Avenida”, comenta.

Segundo Ledjane, para o enredo deste ano, o trabalho foi pensado para que a energia da “gargalhada e do chamego” fosse rapidamente compreendida pela Sapucaí.

“A minha ideia é fazer com que a Sapucaí entenda rapidamente que a energia é essa, que é para cantar feliz e gritar”. Ao falar sobre resistência, ela é direta: “Mulher e homem entendem de música igualmente. Acredito que, por natureza e culturalmente, a mulher tem uma sensibilidade maior. A mulher é criada para resolver tudo, afazeres domésticos, como filhos, uma escola, por exemplo. Acredito que essa seja a diferença”, avalia.

Ao unir discurso e prática, o Arranco do Engenho de Dentro transformou o desfile em afirmação coletiva. O enredo que celebra Maria Eliza ecoou na própria estrutura da escola, onde mulheres ocupam decisões estéticas e musicais. Na Avenida, a gargalhada deixou de ser apenas elemento narrativo para se tornar símbolo de resistência, pertencimento e reconhecimento.

Laísa Lima conduz bateria do Arranco e marca presença feminina histórica na Sapucaí

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Única mestra de bateria do carnaval carioca, Laísa Lima conduziu o Arranco do Engenho de Dentro pela Marquês de Sapucaí na noite do último sábado, transformando a presença feminina no comando da bateria em marca histórica da Sapucaí. Terceira escola a desfilar pela Série Ouro, a agremiação levou para a Avenida o enredo “Gargalhada É o Xamego da Vida”, desenvolvido pela carnavalesca Annik Salmon, e reafirmou sua identidade marcada pela liderança de mulheres dentro e fora da pista, na disputa por uma vaga no Grupo Especial em 2027.

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Laisa Lima mestra de bateria
Laísa Lima. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

A proposta do desfile transformou a Avenida no “Grande Circo Falcão” do Engenho de Dentro para contar a história de Maria Eliza Alves dos Reis, a palhaça Xamego. Pioneira negra em um período de severas restrições, ela precisou vestir-se como palhaço homem para conquistar espaço e aplauso nos picadeiros, rompendo padrões e abrindo caminhos. Ao aproximar essa trajetória do presente vivido por Laísa Lima à frente da bateria, o Arranco constrói uma narrativa em que memória, cultura popular e protagonismo feminino se encontram como gesto político e afetivo.

À frente da bateria, Laísa Lima simboliza essa virada histórica. Ela detalhou ao CARNAVALESCO como pensou a construção de um espaço verdadeiramente inclusivo. “Comecei pensando justamente nisso e hoje temos a maior parte da bateria composta por mulheres, não só com instrumentos leves, não tem porque ter isso. Tivemos uma escolinha desde abril. Temos mulheres em todas as marcações, inclusive na diretoria. Cuíca, agogô, em todos os instrumentos. Para as pessoas entenderem que não é só a Laísa, queremos essa representatividade e inclusão dentro da bateria”, afirmou.

Sobre a cobrança por ocupar um posto historicamente masculino, Laísa reconhece o peso e o simbolismo da função. “É diferente, mas eu sinto que é uma responsabilidade e que bom que essa responsabilidade veio pra mim, não é fácil, é uma história de reconhecimento e pertencimento. Espero que entendam que a gente merece ter mais lugar dentro do carnaval”, declarou. A fala dialoga diretamente com o enredo que celebra uma mulher que precisou desafiar padrões para existir em cena.

A mestra ainda relacionou sua trajetória ao próprio samba-enredo apresentado na Avenida. “O samba já diz: ‘é uma história de coragem, garra e fé’ e o que não falta é fé em mim, aprendi a ter coragem e a garra é movida por 330 pessoas acreditando no nosso trabalho. Quero muito inspirar outras mulheres, não quero ficar sozinha aqui, quero ver muitas outras por aqui também”, afirmou Laísa Lima.

A liderança feminina também se reflete na condução artística do desfile. Annik Salmon imprime sua assinatura criativa ao transformar o picadeiro em alegorias, fantasias e cenas que dialogam com a resistência de Maria Eliza. A estética circense ganha contornos de celebração popular, sem perder a dimensão política da narrativa, que encontra na bateria regida por Laísa uma de suas traduções mais diretas na Avenida. Ao contar a história de uma mulher que precisou se reinventar para existir em cena, a escola também fala sobre tantas outras que seguem reinventando espaços de poder.

Na Avenida, a emoção foi construída em camadas: o riso como linguagem, o circo como metáfora e a mulher como centro da narrativa. O samba-enredo conduziu o público por essa viagem afetiva, evocando o brilho dos picadeiros e a força de quem transformou dificuldade em espetáculo. A Sapucaí acolheu uma história que mistura arte, amor e resistência, traduzindo em canto e movimento a importância de reconhecer pioneiras muitas vezes invisibilizadas.

Ao cruzar a Sapucaí como única mulher a reger uma bateria no carnaval carioca, Laísa Lima não apenas conduziu o ritmo do Arranco, mas projetou a imagem de um futuro em que a presença feminina à frente de uma bateria deixou de ser exceção para se tornar regra. Entre o riso do picadeiro e a força do tambor, sua passagem pela Avenida transformou representatividade em som, gesto e permanência.

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Pequenas joaninhas alvinegras guardiãs da natureza: crianças encantam a Sapucaí em ala da Botafogo Samba Clube

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A fofura tomou conta da Marquês de Sapucaí na segunda noite de desfiles da Série Ouro, neste sábado. Abrindo a apresentação da Botafogo Samba Clube, a ala infantil “Guardiã da Biodiversidade” coloriu a avenida com pequenas joaninhas alvinegras que traduziram em gesto simples a mensagem ambiental do enredo dedicado ao paisagista Roberto Burle Marx.

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Daniela Cursino e o filho Bento. Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

Na fantasia, o tradicional vermelho do inseto deu lugar ao preto e branco do Botafogo. A escolha teve um motivo especial: símbolo de equilíbrio ecológico, a joaninha apresenta o cuidado com a flora brasileira e a preservação dos biomas celebrados no desfile.

Com linguagem lúdica, a ala transformou a infância em imagem de futuro. Na pista, asas, antenas e movimentos leves evocavam proteção à natureza, enquanto as crianças encarnavam valores que precisam ser cultivados desde cedo para florescer adiante.

Para a representante de atendimento Daniela Cursino, de 33 anos, mãe de Bento, falar de preservação com os pequenos é essencial:

“Eu acho que, para o futuro, eles já saberão o que tem que preservar. Sem a natureza não dá para sobreviver. Por isso, é importante criarem essa consciência desde pequenos e, lá na frente, aplicarem isso no dia a dia”.

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Renata Pires e a filha Lara. Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

A pesquisadora Renata Pires, de 43 anos, mãe de Lara, destacou a memória afetiva construída na avenida: “É o segundo ano que ela desfila, e isso fica para a vida toda. É vínculo com a cidade, com o carnaval, com a escola e também com o time. Eu achei linda a ideia da ala. Colocar as crianças como representação da biodiversidade tem tudo a ver”.

Entre as próprias crianças, a mensagem ambiental apareceu com naturalidade. Bento, de 10 anos, contou o que aprendeu ao vestir a fantasia:

“Eu achei legal porque a gente entende que precisa preservar as florestas. As árvores dão oxigênio, e sem elas a gente não consegue respirar”.

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Bento. Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

Lara, de 8 anos, foi direta no alerta: “Não se pode jogar lixo na natureza. Tem que preservar, porque sem as árvores a gente não tem oxigênio”.

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Lara. Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

Helena Félix, de 7, resumiu a importância da mensagem: “Tem que preservar, porque a natureza é importante para todo mundo, para as pessoas e para os animais”.

Já Eduarda Toledo, de 11 anos, celebrou o aprendizado vivido no carnaval: “Gostei de saber o significado da joaninha. Se a gente não cuidar do ambiente, pode chegar uma hora em que o mundo acaba”.

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Eduarda Toledo. Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

Além da mensagem, o encantamento com a fantasia também marcou a experiência. Cada detalhe ganhou preferência própria.

“Gosto das asas, porque depois posso usar como almofada”, contou Lara, rindo.

“Eu amo que parece um macacão”, disse Helena.

Bento concordou: “Meu favorito é o capacete com as duas antenas. São bonitinhas”.

Entre asas delicadas, pequenas descobertas e lições ditas sem peso, a ala infantil transformou a avenida em jardim vivo — lembrando que o futuro da natureza talvez comece justamente na simplicidade do olhar de uma criança.

Império Serrano 2026: Galeria de fotos do desfile

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Freddy Ferreira analisa a bateria da Em Cima da Hora no desfile no Carnaval 2026

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Um bom desfile da bateria “Sintonia de Cavalcante” da Em Cima da Hora, dirigida por mestre Léo Capoeira. Um ritmo bem vinculado e integrado ao enredo de vertente africana foi exibido, com bossas que auxiliaram a sincretizar a sonoridade da escola de modo notório. Infelizmente, penas elevadas no chapéu dos ritmistas fez com que diretores tivessem trabalho dobrado, sendo atuantes demais durante a pista, para passar sinalizações de forma visível.

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Na cabeça da bateria da Em Cima da Hora, uma boa ala de cuícas ajudou no preenchimento musical das peças leves. Um naipe de agogôs eficiente exibiu uma convenção pautada pelas nuances do melodioso samba da escola. Uma ala de tamborins de virtude coletiva tocou interligada a um grande naipe de chocalhos. Simplesmente impressionante o carreteiro de uma ala de chocalhos que fez seu ritmo com um balanço bem apurado.

Na parte de trás do ritmo da “Sintonia de Cavalcante”, uma afinação acima da média foi percebida. Marcadores de primeira e segunda foram vigorosos, mas precisos. Surdos de terceira deram bom balanço entre os graves. Uma ala de repiques coesa e ressonante tocou junto de um naipe de caixas de guerra de qualidade musical.

Bossas altamente musicais e vinculadas à africanidade do enredo foram exibidas. O casamento musical entre o belo samba da agremiação e os arranjos se deu de modo intuitivo e orgânico. Uma criação conceitual bastante atrelada ao tema de matriz africana da escola do bairro de Cavalcanti, juntando a religiosidade solicitada pela obra à sonoridade produzida com fluidez pela bateria da Em Cima da Hora. Com destaque para a bossa do estribilho, com direito a tamborins fazendo “palminha de macumba” e atabaques tocando junto de agogôs.

Uma boa apresentação da bateria da Em Cima da Hora, comandada por mestre Léo Capoeira. Um ritmo com andamento mais quente e bastante fundamento foi exibido, altamente integrado ao tema da agremiação. Bossas com sonoridade africana mostraram seu impacto pela pista, algumas vezes até soltando o último verso do estribilho para ser cantado em coro. A passagem pelo primeiro módulo se deu de forma correta. Na segunda cabine, a exibição pareceu musicalmente superior, arrancando aplausos do julgador. Na última cabine (dupla) uma apresentação mais curta foi realizada, devido a proximidade do tempo limite.

Samba tem alto rendimento, Em Cima Da Hora apresenta bom conjunto de fantasias, mas peca em evolução

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A Em Cima da Hora teve um começo muito impressionante. Esteticamente, com comissão, casal, primeira ala e abre-alas bem alinhados na parte plástica, a escola prometia bastante. A ótima apresentação de Márcio Moura ajudou também e o samba colocou fogo na Sapucaí. Parecia que viria um desfile histórico para a escola, que já passou inclusive pelo Grupo Especial há muitos anos. Porém, problemas na pista e no que vinha depois acabaram atrapalhando o desfile. Após dificuldades com a entrada da segunda alegoria, a escola abriu buraco no primeiro módulo, ficou muito tempo parada e teve que correr do meio para o final. Na entrada da bateria no segundo recuo, também houve problemas de buraco na pista. O samba foi a grande estrela da noite; este se manteve forte o tempo todo, com ótima resposta do público.

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Fotos: Allan Duffes/CARNAVALESCO

Com o tempo de 55 minutos, a Em Cima da Hora, segunda escola a pisar na Sapucaí na segunda noite de desfiles da Série Ouro, levou para a Sapucaí o enredo “Salve Todas as Marias – Laroyê, Pombagiras”.

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Márcio Moura, a comissão representou uma espécie de embate entre homens e mulheres, a partir das relações humanas e das forças que atravessam o indivíduo. Em seus movimentos era sugestiva a instabilidade, tensão e deslocamento, num ambiente em transformação. Os figurinos representavam, em parte do ato, homens e mulheres comuns, com essa tensão em que os homens parecem querer dominar as mulheres e fazê-las submissas.

Na apresentação nos módulos, com ajuda do tripé, o cenário se transporta para um cemitério, onde aparecem as figuras de pombagiras, cada uma com sua indumentária própria, seus signos em cores, formas e objetos. Entre elas, a Rainha das Sete Catacumbas aparece na parte maior do elemento cenográfico, toda de preto, com efeitos de fogo, representando sua proteção e poder, que conseguem estabilizar a situação quando os homens são jogados para dentro da tumba, no momento em que um pedaço da lápide se abre. Exu se faz presente, garantindo que todos os caminhos se abram, conduzindo a todos ali. As mulheres voltam e dançam com as pombagiras em coreografias bem marcadas e bem à vontade com o samba.

Capa Comissao ECDH
Elemento Alegórico da Comissão de Frente da Em Cima da Hora. Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Trabalho muito bom de Márcio Moura, um dos seus melhores, comissão com dança, história, dentro do enredo e com um clímax leve e de fácil entendimento. A indumentária do início, se não chamava tanta atenção, estava bem relacionada com a proposta, e o cuidado de reproduzir a roupa original das entidades foi outro ponto positivo. O trabalho de expressão dos bailarinos também foi perfeito; pareciam incorporados.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O primeiro casal, Marlon Flores e Winnie Lopes, veio com a fantasia “Os Reis da Encruza”, toda em tom de vermelho muito forte. Ele fazendo alusão ao Rei das Sete Encruzilhadas, entidade de respeito máximo entre as falanges de Exu. Ela representando a Rainha das Sete Encruzilhadas, senhora das ruas, de sensata justiça, ornada em pedras, penas e brocados. Fantasia belíssima e bem trabalhada, que ornava inclusive com a paleta de cores da cabeça da escola.

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Na coreografia, a dupla buscou mesclar o bailado mais clássico de casal de mestre-sala e porta-bandeira com alguns passos de dança de matriz africana, como no trecho do samba que falava “Em cada esquina meu povo vai incorporar”. Apesar de uma performance que não apresentou problemas aparentes com o pavilhão, faltou ao casal mais de intensidade na dança, até para estar em consonância com o samba que pulsava. A dupla fez bem seus giros e rodopios com correção, mas poderia ter apresentado maior energia. Um samba tão rico sugeria mais algumas inserções das danças de religião de matriz africana, mas, nesse sentido, vai da característica do casal.

ENREDO

O carnavalesco Rodrigo Almeida trouxe para a Sapucaí uma homenagem às Pombagiras, com foco na emancipação feminina, na resistência e no poder das mulheres. O primeiro setor narrou a chegada das Pombagiras, principalmente Maria Padilha, ao seu castelo em Sevilha, na Espanha. Nesse setor, a Pombagira foi tratada como rainha em terra, viva. Em seguida, a escola apresentou o imaginário coletivo dessas mulheres: a Bruxa de Évora, Joana d’Arc, entre outras figuras femininas poderosas da história.

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No segundo setor, propriamente dito, a Em Cima da Hora mostrou onde esses espíritos foram cultuados: o Batuque no Rio Grande do Sul, a Umbanda, o Catimbó, a Jurema, até chegar à Quitanda, onde ela se consagra rainha espiritual. No último setor, a agremiação ofereceu presentes às Pombagiras, encerrando também com um grito contra a intolerância religiosa, desmistificando histórias e ressignificando imagens. Um enredo bem popular e necessário, principalmente se tratando de uma festa como o carnaval, assentada na religiosidade afro-brasileira. Início e final com uma mensagem muito clara de empoderamento feminino e, durante o percurso da escola, a apresentação da entidade e suas características. Enredo bem apresentado.

EVOLUÇÃO

A escola começava o seu desfile com um ritmo muito bom, na levada do samba, com garra, dançando e curtindo. Mas, devido a problemas com a segunda alegoria, que demorou a entrar na Sapucaí e, na pista, teve problemas de movimentação, com deslocamento muito lento, isso afetou o ritmo da escola, que ficou muito tempo parada entre a apresentação da comissão e do casal no segundo módulo.

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Além disso, no primeiro módulo de julgamento, abriu um buraco entre a segunda alegoria, a musa e a ala da frente, que evoluíram enquanto o carro passava por problemas de movimentação. Depois, quando a escola conseguiu resolver a situação da alegoria, começou a evoluir muito mais rápido a fim de compensar o tempo perdido. Além de uma evolução menos espontânea do meio para o final, com os componentes das últimas alas tendo pouca chance de aproveitar o carnaval, a escola ainda teve outro problema quando a bateria entrou no segundo recuo. Após os ritmistas entrarem, a ala da frente já havia avançado e a ala logo atrás da “Sintonia de Cavalcanti” demorou a evoluir, apresentando mais um buraco em um lugar bem visado pelo jurado do terceiro módulo, onde está a cabine dupla. O quesito deve fazer a escola perder alguns décimos.

HARMONIA

Igor Pitta e Carlos Junior aproveitaram bem o excelente samba da Em Cima da Hora, desde o início com os pontos que abriram o desfile e fizeram o alusivo para o samba. É muito positivo ver o domínio que Pitta já tem da Sapucaí; não é à toa que foi elogiado por Neguinho há um tempo, sendo colocado pela lenda do samba como seu possível sucessor.

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A presença das vozes femininas no carro de som também abrilhantou a apresentação, fazendo as entradas nos momentos em que a obra mais pedia e deixando também os momentos em que os intérpretes tinham que conduzir. Já o canto da comunidade foi mais irregular, devido aos problemas que a escola teve na pista. No início e até o meio do desfile o canto estava muito forte, porém, na parte final, já com a escola evoluindo de forma mais rápida para compensar os problemas e não estourar o tempo, a intensidade do canto diminuiu consideravelmente.

SAMBA-ENREDO

A obra foi composta por Marcota de Cavalcante, Serginho Aguiar, Gabriel Simões, Alexandre Reis, Marcio de Deus, Silvio Romai, Raphael Gravino, Camila Lucio, Gigi da Estiva, Jorginho da Flor, Mateus Pranto, Caio Rodrigo, Gabrielzinho e Orlando Ambrózio. Uma das melhores obras da Série Ouro, samba popular, carregado de referências das religiões de matriz africana, com refrões fortes e de muita vibração, que convidam não só a cantar, como também a dançar e mexer o corpo.

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O refrão “Abre a roda” era, sem dúvida, o ponto mais alto. Quando os intérpretes perceberam que ele já havia ganhado a Sapucaí, inclusive, deixavam só para o povo o verso final “Porque a Dona da Casa Chegou”. Refrão do meio também com ótimo rendimento e, na verdade, uma apresentação de muita interação com a Sapucaí. Um dos melhores do grupo e que passou na Avenida com mais força.

FANTASIAS

A primeira ala, “Estende um tapete de rosas para ela passar”, que trazia uma evocação às pombagiras, ornando o vermelho e preto com o dourado, já dava o tom de um bonito conjunto estético para os figurinos. No segundo setor, a Em Cima da Hora começou a trazer um pouco mais de colorido, como a ala das baianas, “Rainha de Todas as Bandas”, representando as baianas como princípio do samba, mães e geradoras que detêm o conhecimento. A saia, bem colorida, ia dos tons mais quentes para os mais frios.

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Outra ala, “Na boca de quem não presta ela é vagabunda”, que cruzava a ideia de uma pombagira cortesã em contraste com a sensibilidade, relacionou o branco com tons mais sutis de rosa. Muito caprichada, a fantasia ainda tinha maquiagem. E, na parte final, destaque ainda para a fantasia “Ouro que te enfeita”, toda em dourado, com a saia vazada. Muito bem feita. No geral, um trabalho primoroso do carnavalesco Rodrigo Almeida. Fantasias bem acabadas, com uso de materiais de ótima qualidade e paleta de cores ornando muito bem com cada momento do desfile.

ALEGORIAS

Rodrigo Almeida levou para o desfile da Em Cima da Hora três alegorias. O abre-alas, de alta qualidade plástica, representou o poder e a realeza de uma Pombagira, seu lugar como Dona, Senhora e Rainha. O carro trouxe uma grande carruagem guiada por cavalos imponentes, símbolo notável de poder, valentia e coragem. Em sua parte central, a alegoria tinha uma grande escultura de Maria Padilha, imprimindo ainda um cenário de autoridade, realeza e feminilidade.

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A segunda alegoria, “O Reino da Quimbanda”, fez referência ao universo da Quimbanda ou Kimbanda, cujas raízes ancestrais estão ligadas ao culto Bantu (Angola), focado nos cultos de Exus e Pombagiras. Os signos mais populares da Quimbanda estavam presentes nesta alegoria, que vinha introduzida por dois semidestaques representando Belzebu. Um cenário repleto de velas pretas e vermelhas e chamas de fogo personificadas por composições; por todo o carro alegórico se viam oferendas, fazendo dele um altar. Ornando o carro, ainda estavam destaques e outras composições que acrescentavam a sensação mística do lugar e do universo da Quimbanda.

O último carro, “Ela é Resistência Contra a Intolerância”, encerrou o desfile como um templo contra a intolerância. Nesta alegoria vieram diversas autoridades espirituais. No centro do carro, no alto, foi encenado um ataque de intolerantes a um terreiro. Sua principal escultura fez direta referência ao tema do enredo e seu entrelaçamento com as Marias de todas as denominações, através da releitura da figura da Pietà, que em seu colo protege e acolhe essa mãe de santo que vê destruído seu local sagrado. Apesar de um início arrebatador pelo ótimo trabalho no primeiro carro, houve uma queda de apuro estético do abre-alas para as demais alegorias. Inclusive porque, nos dois carros seguintes, havia várias composições no alto sem fantasia, o que comprometeu também a qualidade plástica das alegorias. No geral, um conjunto irregular.

OUTROS DESTAQUES

A rainha de bateria, Marianne Hipólito, representou a Pombagira menina com sua fantasia. A bateria “Sintonia de Cavalcanti”, comandada por mestre Leo Capoeira, veio vestida em homenagem ao Tranca-Rua das Almas, com calça, camisa e cartola, acompanhados de uma capa em tons de branco e preto. Os passistas vieram com a fantasia “No feitiço do catimbó”, retratando o cruzamento das linhas espirituais onde a Pombagira atua, possuindo um imponente costeiro, como asas.

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No esquenta, a escola cantou o clássico “Os Sertões”, samba de 1976, recebendo uma boa resposta do público. No alusivo, a escola cantou os pontos “Sino da Igrejinha”, “É uma casa de pombo” e “Arreda homem”, entre outros cantos para saudação de pombagiras.