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Primeiro ensaio de rua da Portela tem expressivo número de componentes e samba na ponta da língua da comunidade

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O décimo lugar no desfile de 2023, ano do centenário da Portela, parece ter mexido com o orgulho do portelense. No primeiro treino realizado ao ar livre na Estrada do Portela, a participação da comunidade nas alas e segmentos impressionou. Quem olhava a frente do desfile portelense, em direção a Praça Paulo da Portela, pela estrada que leva o nome da Majestade do Samba via um mar de gente, em sua maioria no azul e branco tradicional da agremiação, e uma boa parte no tom pastel da camisa do enredo “Um Defeito de Cor” colorindo a via localizada no tradicional bairro de Madureira, coração da Zona Norte do Rio. Nos rostos se notava claramente o sorriso do portelense, que brincava carnaval e matava a saudade da rua. Não parecia sobrar nada de tensão ou tristeza que pudesse ter vindo em decorrência do difícil carnaval de 2023, ano do centenário, marcado de forma negativa por erros e um amargo décimo lugar. Na ponta da língua, também, o samba, vencedor de uma acirrada disputa na Azul e Branca, nivelada por alto, que deu à escola uma das obras mais elogiadas desse pré-carnaval. Para o presidente da Portela, Fábio Pavão, o bom rendimento do componente portelense não foi uma surpresa para quem tem acompanhado os ensaios de quadra.

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Fotos: Lucas Santos/CARNAVALESCO

“Acho que nós viemos fazendo bons ensaios na quadra, desde que nós começamos às quartas-feiras, e com um contingente muito grande de componentes. Nós fechamos muito cedo as nossas alas de comunidade esse ano. Assim que abriu as inscrições, acabou logo na sequência, uma procura muito grande do portelense que é muito apaixonado pela escola. E no primeiro ensaio de rua esse portelense apareceu, a presença maciça, a escola muito grande, eu estava lá na frente do desfile e via no final a terceira porta-bandeira lá embaixo, bem distante, e ainda tinha um restante de escola depois dela. Um contingente para o primeiro ensaio, para início de novembro muito bom”, analisa o presidente.

O mandatário da Majestade do Samba prometeu muito empenho para que a imagem negativa deixada pelos problemas do desfile e pelo resultado do carnaval passado possa ser completamente esquecida.

“Agora é continuar trabalhando, nós estamos trabalhando muito, desde que terminou o carnaval do ano passado, estamos nos dedicando muito, na quadra, no barracão, e agora estamos começando nosso trabalho na rua. A Portela teve um excelente desempenho hoje, os componentes da comunidade cantaram muito bem o samba que é muito bom. Os componentes já estão com ele na ponta da língua, a ala das baianas, velha guarda, a bateria deu um show hoje, mestre Nilo com as bossas dele que vai apresentar na Avenida, ou seja, foi um primeiro ensaio promissor para essa jornada que só termina na segunda semana de fevereiro”, acredita Pavão.

Vice-presidente da Águia, Júnior Escafura foi facilmente avistado durante o treino na Estrada do Portela cantando bastante o samba, interagindo com os componentes e feliz com a comunidade. Em conversa com o site CARNAVALESCO, Escafura enfatizou, em sua opinião, o acerto da escola em ter decidido ir logo para a rua e prometeu um desfile alegre e com muita emoção da Portela em 2024.

“Acho que era o momento certo de vir pra rua, é só reparar na rua que está lotada, todo mundo muito feliz com a escolha do samba, acho que a escola está cantando muito o samba nos ensaios de quadra às quartas-feiras, e hoje na rua começamos a ver a evolução, trabalhar essa parte. Na quadra, por conta do espaço apertado, já que os componentes da comunidade comparecem em massa, às vezes a quadra fica pequena, o espaço físico é ruim para a gente ver a evolução. A gente vê muito canto, mas hoje na rua o componente teve mais espaço, pode brincar mais, evoluir mais e é isso que a gente quer. A Portela quer fazer um carnaval alegre, emocionante, do jeito que a Portela gosta de fazer e a gente foi abençoado com esse samba maravilhoso, que vai impulsionar a gente a fazer um grande desfile”, entende o dirigente.

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Sobre o cronograma de treinos da Portela, Escafura revelou que a escola tem como prioridade as atividades na Estrada do Portela e na Rua Carolina Machado, ambas próximas à quadra da Azul e Branca, mas com a possibilidade, ainda, de englobar outro território bem conhecido do portelense.

“Por enquanto nosso planejamento de rua é a Estrada do Portela e Rua Carolina Machado, eventualmente pode ser que a gente faça no Parque Madureira também”, antecipa Escafura.

De volta à escola para o desenvolvimento do desfile de 2024, o diretor Júnior Schall foi outro entusiasmado com o ensaio de rua. O dirigente espera potencializar os ensaios ao ar livre para que a escola tenha um grande rendimento no canto e na evolução, até pela obra que definiu para o próximo carnaval.

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“É muito importante a Portela ir para a rua realizar o seu treino ao ar livre, abrir essa temporada diante do samba que tem , um dos sambas mais potentes do carnaval 2024, e não digo por nós, mas digo pelo que tem sido expressado pela crítica especializada, por aqueles que entendem de carnaval, já está sendo muito cantado pela escola em seus ensaios de canto, quartas-feiras, agora vamos aplicar a dinâmica de evolução da escola no ensaio de rua. É mais uma etapa de um processo de construção de valor, de potencialização da escola em sua comunidade, de todos os seus segmentos e componentes, e núcleos, visando o próximo desfile. É um passo além que vai dar aquele primeiro lugar de canto, de força de canto e de evolução”, espera o diretor.

Sobre o que sentiu ao chegar na escola após um carnaval difícil em 2023, Junior Schall enxerga uma Portela muito tranquila com o que tem que mudar para 2024 e empenhada em voltar a brigar pelas primeiras posições.

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“O clima da escola está muito bom porque a escola já se engajou em entender que a Portela sempre é uma postulante a vitória, com respeito a todas as coirmãs, pela natureza da Portela, a maior campeã do carnaval carioca, é sua natureza. Entendendo isso e fazendo um processo coletivo de trabalho, em etapas e processos, sempre friso isso, que é muito importante, essa coletividade, a união, a força conjunta, e aí eu entendo, como alguém que está na direção de carnaval da Portela , e o Julinho Fonseca na direção de harmonia da Portela, todos aqueles que estão em seu núcleo, são ferramentas em prol dessa força de conjunto portelense “, conclui Schall.

Samba vai para teste ao ar livre e bateria já apresenta seus artifícios

Depois de algumas semanas sendo trabalhado na quadra da Portela nos ensaios de canto às quartas-feiras e em outras atividades, o samba de autoria de Rafael Gigante, Wanderley Monteiro e Cia, foi para o seu primeiro grande teste no ensaio na Estrada do Portela. E convenhamos, samba-enredo, mais cedo, ou mais tarde precisa ser levado para a rua, para simular como vai render em local aberto, como assim será também na Sapucaí. Para o intérprete Gilsinho, a Portela acertou em ir logo para a rua para adiantar processos.

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“O ensaio de rua é muito necessário. A gente começou cedo esse ano, ainda em novembro, geralmente a gente começa no final de dezembro para janeiro, mas é um adianto já visando um bom desfile. A gente está super feliz, o resultado foi bom, deu para perceber que o samba só cresce, e vamos em frente, vamos fazer carnaval”, promete o cantor.

Com tempo para assimilar a obra a partir da disputa de samba, em que teve que vencer outras composições também bem avaliadas, a comunidade portelense deu o recado neste primeiro ensaio. O canto da escola foi bastante elogiado pelo intérprete da Majestade do Samba.

“Desde as eliminatórias percebemos esse canto do componente, a comunidade está cantando bem, com energia, cantando feliz, que é o mais importante, e a gente está aí fazendo o nosso trabalho, vamos ver se até o carnaval conseguimos melhorar gradativamente, e cada vez mais ir melhorando o samba. Agora é ensaio de rua, ensaio de quadra, tudo, ensaio agora é primordial para tudo, tanto para a gente quanto para os segmentos todos”, entende Gilsinho.

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Quem também pode testar o rendimento de seu trabalho foi mestre Nilo Sérgio, comandante da Tabajara do samba. Também satisfeito com a produtividade do samba, Nilo já colocou bossas e convenções neste primeiro treino, inclusive uma fazendo referência maior a ancestralidade, aludindo aos toques de religiões de matriz africana, dando ênfase no agogô, ao suprir os demais instrumentos.

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“É muito bom a gente voltar aos ensaios de rua porque a gente só estava tocando dentro da quadra, as bossas foram passadas lá dentro, e eu queria saber o que poderia limpar, e muita coisa já limpamos dentro da quadra, mas eu queria limpar fora, para escutar no aberto e avaliar melhor como a bateria está rendendo. Já limpamos, estava conversando com o Sidclei do Agogô, falei com o pessoal da cuíca, olhamos os momentos em que ela entra, só deixa o agogô, para depois entrar o resto da bateria, todo mundo junto, hoje nós estávamos limpando. Temos ainda uma bossa para colocar e uma nuance na cabeça do samba, então é bom a gente está limpando, ter esse contato com o público, e o samba funcionando, isso é muito importante para gente, também o andamento, poder saber que o andamento que escolhemos na quadra se suporta fora da quadra, isso é muito importante. E tem o contato com o público, é esse público que traz essa energia maravilhosa, o sangue genuinamente preto do enredo, esse contato com o público e principalmente essa resposta do público, do componente, é uma troca que ajuda muito no trabalho e na vibração da escola”, avalia o diretor da Tabajara do Samba.

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Casal celebra interação com o público

Iniciando uma parceria na dança desde abril de 2024, o mestre-sala, Marlon Lamar, e a porta-bandeira, Squel Jorgea, já mostraram muita sintonia e boa interação com a comunidade neste ensaio. Tendo o privilégio e a responsabilidade de abrir o desfile da Majestade do samba neste domingo em Madureira, pois a comissão de frente comandada por Léo Senna e Kelly Siqueira, ainda não participou neste primeiro ensaio, o primeiro casal da Portela revela que preferiu dar ênfase, neste primeiro treino, aos passos tradicionais da dança, ainda sem muito foco em coreografia para júri. O casal também expressou sua felicidade por voltar a viver essa troca com o público.

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O ensaio de rua além de ser um ótimo treino físico, de resistência, um ótimo treino para canto, um ótimo momento de união, de estarmos juntos com a escola, de dividirmos essa energia e ela nos contagiar, é uma grande celebração para mim o ensaio de rua, em que a gente pode testar movimentos. Fizemos uma apresentação mais básica , com os passos essenciais de mestre-sala e porta-bandeira. Hoje é para celebrar, nosso primeiro encontro, é para a energia fluir e dar o pontapé inicial. Para mim que estou chegando agora é importante sentir a energia da comunidade, não só a que bem a quadra , mas o bairro que se faz presente , Oswaldo Cruz e Madureira, e para mim é ótimo poder receber esse carinho, ser acolhida dessa forma, é uma grande celebração de amor, alegria, é o afeto transbordando “, acredita Squel.

“Eu e a Squel já estamos trabalho desde abril quando ela foi anunciada, e essa parceria está sendo extremamente gostosa, a gente já tem a coreografia do carnaval 2024, já montamos ela, hoje a gente não apresentou porque é o primeiro ensaio, é um momento mais de sentir a comunidade, a Portela voltando para as ruas, acho extremamente importante começar os trabalhos na rua cedo, a Portela tem um ensaio técnico no início do ano praticamente, acho que o ensaio de rua na Portela é quente, não só o dia está quente, mas o ensaio é quente e pude sentir que o samba foi bastante aceito pela comunidade, é uma obra aguerrida, gostosa, foi tudo muito bom”, aponta Marlon.

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Com o carnaval 2024 já batendo a porta, a dupla também explicou em que fase do processo de preparação para o desfile, o trabalho do casal se encontra.

“Nós estamos no processo de montagem da coreografia para jurado, que é um processo que leva um tempinho, leva alguns dias, estamos nesse momento, a coreografia já está pronta e agora é a fase do ‘ é isso mesmo?’ Vai por esse caminho, não vai. A ideia já está criada. Não testamos hoje porque ainda não fechamos a ideia, ainda não está tudo batido”, explica a porta-bandeira.

Marlon reforça, porém, que o cronograma do casal está adiantado e que logo tudo vai estar pronto para que a dupla possa ajudar a Portela a ter um grande resultado através da excelência na apresentação e por conseguinte nas notas.

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“A gente passou pelo processo de criação coreográfica, depois passamos pelo processo de limpeza, começamos a acrescentar e tirar algumas coisas que achamos pertinente, que façam parte do enredo e que possam nos beneficiar em frente ao módulo de julgamento, e a partir daí exercitar a coreografia para que ela fique mais natural e óbvio, gravada possível”, esclarece o mestre-sala.

No ano que vem, a Azul e Branca de Oswaldo Cruz e Madureira será a segunda escola a desfilar no Sambódromo da Marquês de Sapucaí na segunda-feira de Carnaval, dia 12 de fevereiro, pelo Grupo Especial. A agremiação irá em busca do seu vigésimo terceiro título de campeã da folia carioca.

Com o povo cantando na rua, Imperatriz desfila alegre e aguerrida em primeiro ensaio da temporada

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A Imperatriz Leopoldinense abriu de forma avassaladora, nesse domingo, a temporada de ensaios na Euclides Faria, em Ramos, na Zona Norte do Rio. A atual campeã da folia carioca fez valer uma máxima presente em um dos versos do refrão principal de seu samba e mostrou o povo gresilense cantando a plenos pulmões na rua. Aliado a isso, uma evolução leve, uma bateria para lá de qualificada e um carro de som de altíssimo nível marcaram esse início de maratona de treinos na Rainha de Ramos. A presidente da agremiação, Cátia Drumond, acompanhou de perto todo o percurso feito pelos componentes e ao final demonstrou ter ficado contente com o resultado, algo que pode ser comprovado por uma cena na qual a mandatária se deixou contagiar pela alegria da escola e foi para junto dos ritmistas aproveitar os últimos minutos de apresentação.

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Fotos: Diogo Sampaio/CARNAVALESCO

“Nossa maior expectativa era trazer toda a nossa comunidade para mais perto da escola e ver como que o samba iria funcionar ao longo do ensaio. Na quadra, ele já tinha explodido e agora a gente precisava ver como é que ia ficar o andamento dele na rua. Hoje foi show e acho que a tendência é só melhor no decorrer das próximas semanas. Os ensaios de rua são fundamentais na nossa preparação, sendo eles até mais importantes do que os ensaios de quadra, por exemplo. Na rua, você tem uma noção de como está a harmonia, de como está o canto, como está a evolução da escola, então acho que quanto mais a gente ensaiar na rua, mais perto chegamos do 100% que precisamos para o dia do desfile. E a Imperatriz vai usar ao máximo esses ensaios para testar, experimentar, até para conseguirmos atingir esse nosso objetivo que é a perfeição. É claro que temos algumas surpresas que vão permanecer guardadas e que as pessoas só irão ver no dia, na Avenida”, declarou Cátia Drumond em conversa com a reportagem do site CARNAVALESCO.

O diretor-executivo João Drumond foi outro nome da cúpula gresilense que acompanhou de perto esse primeiro ensaio de rua da Imperatriz, desde o seu começo até o seu fim. O jovem dirigente fez questão de usar o rádio durante todo o treino, atento a qualquer tipo de acontecimento, mantendo contato direto com o pessoal da direção de Harmonia e da direção de Carnaval. Em entrevista concedida para a reportagem do site CARNAVALESCO, João Drumond falou sobre a importância dessa preparação visando o desfile do ano que vem e de fazer um trabalho de análise posterior com o intuito de corrigir possíveis falhas.

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“A gente faz reuniões semanais fazendo análise de todos os ensaios, independente de serem na quadra ou na rua. E nessas reuniões são estabelecidas metas, além é claro de que são feitos comentários que possam render feedback e correções para os próximos ensaios. É um trabalho constante que a escola realiza e que está em desenvolvimento até o dia do desfile. Então, a gente vai até lá corrigir os erros que vão aparecendo, que é normal, até para que no Sambódromo, seja no oficial ou no dia do ensaio técnico, a Imperatriz esteja pronta, perfeita para desfilar como foram nos últimos dois anos”, explicou o diretor-executivo.

Ao todo, esse primeiro ensaio de rua durou pouco mais de uma hora e sofreu com um processo inverso ao esperado para o desfile oficial: começou com o dia claro e concluiu com o céu já escuro. Assim como em anos anteriores, a escola seguiu um percurso que teve início próximo ao Largo do Itararé e terminou na altura da Rua Doutor Miguel Vieira Ferreira. Milhares de pessoas estiveram presentes no local, seja para desfilar junto a agremiação ou simplesmente para assistir ao treino. O canto forte dos componentes foi seguido por boa parte dos espectadores, que se deixaram levar também pela alegria pulsante das alas. Além disso, a Rainha de Ramos passou sem erros de evolução, assim como outros quesitos, no caso bateria e casal de mestre-sala e porta-bandeira, tiveram performances que agitaram e arrancaram aplausos dos presentes. No bate-papo com a reportagem do site CARNAVALESCO, o diretor de Carnaval André Bonatte, que divide a função com Mauro Amorim, fez uma análise desse primeiro momento da temporada e destacou alguns pontos fundamentais visando uma melhor preparação.

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“Estou muito satisfeito. Acho que a comunidade compareceu e a gente deu um pontapé inicial, assim, com muita força. No entanto, eu sempre acredito que tem muita coisa para melhorar, até porque o meu trabalho é esse. Então, posso dizer que estou muito feliz com o que a gente realizou nesse primeiro ensaio, mas sempre com essa sensação de procurar o que a gente pode fazer melhor. Eu venho na frente da escola, a minha dimensão é a evolução, o que eu vejo, e agora o retorno que a gente teve após o término é que foi muito bom em todos os aspectos. Isso me deixa um pouco mais tranquilo. Obviamente, a gente tem muito ainda o que trabalhar. É só o início do que vamos levar para a Avenida. Inevitavelmente, eu sempre olho para o trabalho de 2023 e, na minha avaliação, acho que a gente começou melhor. O que é positivo. Mas, lembrando, que aquilo que a gente pode ver no ensaio de rua é basicamente evolução e harmonia, questão do andamento da escola mesmo. Então, o meu balanço desse primeiro ensaio para 2024 é que o canto foi bom, que a bateria está encaixada e a evolução funcionou. A gente tirou a escola em 64 minutos, que é o que eu estou planejando para a Avenida, algo em torno de 64 e 66, mas ainda acho que a gente pode melhorar o canto sempre. Por mim, a gente tem que estar o tempo todo berrando esse samba”, avaliou André Bonatte.

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Durante a grande final do concurso de samba-enredo para o Carnaval de 2024, a Imperatriz Leopoldinense surpreendeu sambistas e torcedores ao anunciar uma junção de obras, algo até então inédito na história da agremiação. Tal decisão dividiu opiniões e gerou discussões na bolha carnavalesca. No entanto, o excelente trabalho executado pela escola em cima da nova composição se mostrou extremamente eficaz e, aos poucos, está fazendo com que o hino oficial conquiste ainda mais pessoas. Responsável pelo microfone principal da verde, branca e ouro, o intérprete Pitty de Menezes revelou, em conversa com a reportagem do site CARNAVALESCO, a ansiedade que estava com o primeiro ensaio de rua da Rainha de Ramos e para saber como seria o desempenho desse samba em um ambiente mais similar a de um desfile oficial.

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“É sempre ótimo a gente poder ir para a rua e trazer conosco a comunidade. Hoje, teve uma galera que desceu o morro para ver, participar ou simplesmente curtir esse clima de ensaio. Além disso, todo e qualquer treino desse tipo é uma baita oportunidade da gente trabalhar melhor com esse samba, sentir o canto dele, o andamento da escola. E é muito importante também ter o meu carro de som, junto com a bateria, trabalhando de forma entrosada. Acho que o resumo disso é que foi um dia especial. A gente fica muito ansioso para chegar logo ao ensaio, porque a gente quer ver toda a comunidade cantando, a bateria tocando, e acho que essa espera toda valeu a pena, pois o resultado foi maravilhoso. Aqui, a gente vai para uma realidade próxima do desfile. Hoje, por exemplo, usamos um carro de som mais amplo, mais potente, que faz a gente imergir ainda mais nesse clima de Marquês de Sapucaí. É algo totalmente diferente do ensaio de quadra, que é mais voltado para o canto”, afirmou o intérprete.

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O ano de 2024 irá marcar o oitavo carnaval consecutivo de mestre Lolo à frente dos ritmistas da “Swing da Leopoldina”. Neste período, o comandante adotou um trabalho de excelência e se tornou referência de notas máximas por parte do júri. Prova disso é que a última vez que a bateria liberada por ele teve uma nota inferior a 10 foi no desfile rebaixado da Imperatriz de 2019, quando obteve um único 9,8 que acabou sendo descartado. Para manter estes bons resultados, o mestre enalteceu, em conversa com a reportagem do site CARNAVALESCO, a importância dos ensaios, principalmente o de rua, onde é possível reproduzir com maior verossimilhança o clima do Sambódromo da Marquês de Sapucaí. No bate-papo, ele ainda antecipou alguns dos preparativos para o desfile do ano que vem que serão testados ao longo dos treinos à céu aberto como a intenção de vir com três bossas, além de um andamento entre 144 e 145 BPM (batidas por minuto).

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“Para bateria, os ensaios de rua são de grande importância, até por serem neles os que a gente junta mais contingente. Hoje, por exemplo, tivemos entre 150 e 200 ritmistas participando, um total próximo do que a gente pretende levar para o desfile oficial que é de 250, e só tenho que agradecer a rapaziada que aqui, graças a Deus, sempre comparece e vem ensaiar. Além disso, a rua é a oportunidade que a gente tem também para testar bossa, andamento, pra ver o que precisamos melhorar, justamente visando garantir a nossa nota 10. E esse primeiro ensaio foi bom pra caramba. Pra mim, estamos 90%. Os outros 10% vamos acertando devagarzinho ao longo dos próximos ensaios, até chegar no 100%. Quanto a fazer mistério, a gente sempre deixa em segredo algumas coisas. Em 2023, teve a zabumba na frente da bateria. A gente nem ensaiou isso direito na rua, só nos ensaios do setor 11 e no técnico na Sapucaí. Mas aqui a gente estava fazendo meio escondidinho. Esse ano vai vir mais umas coisas aí…”, contou mestre Lolo, em tom de suspense.

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Após reatarem a parceria em 2023 e conquistarem os 30 pontos para a escola, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro, quer ir ainda mais além no ano que vem. Os dois, que possuem uma longa história juntos na folia, começaram a trajetória como segundo casal da Unidos de Vila Isabel. Após dois anos, eles ganharam a oportunidade como defensores do primeiro pavilhão da Rainha de Ramos, posto que ocuparam por cinco anos consecutivos. Depois de um período de sete anos separado, eles retomaram a dupla e agora possuem como objetivo repetir uma façanha que só alcançaram no desfile de 2014: a de todas as notas máximas. Para atingir esta meta, Phelipe e Rafaela ganharam o reforço luxuoso da bailarina Ana Botafogo como diretora artística, além de estarem mantendo uma intensa rotina de treinos, que agora inclui semanalmente os ensaios de rua em Ramos. Logo depois da conclusão do treino desse domingo, a dupla concedeu uma entrevista para a reportagem do site CARNAVALESCO e fez um balanço sobre este primeiro ensaio.

“Eu não posso falar que foi nota 10, porque acho que o ensaio é feito para isso, para ensaiar, para buscar a perfeição. E a importância da rua para nós, como casal de mestre-sala e porta-bandeira, é ter essa contato mais direto com a escola, com a comunidade, com o entorno da Imperatriz. Além disso, esses ensaios servem como um termômetro para a nossa dança, porque a gente vem testando coisas ao longo das últimas semanas, desde que foi feita a escolha do nosso hino que vamos levar para o próximo Carnaval. Dito tudo isso, o balanço desse primeiro ensaio, para mim, foi bem positivo. Saio daqui muito feliz, muito satisfeita do que a gente está propondo e acho que fizemos até mais do que a gente esperava. É aproveitar cada momento, cada ensaio, ter esse contato com a comunidade e ir se aperfeiçoando. A gente percebe quando é bem aceito, né? A gente vê, mesmo dançando, o brilho no olhar, a gente consegue transmitir essa emoção e eu acho que eu consegui perceber isso. Para mim, estamos no caminho certo. Vamos trabalhar muito para poder conquistar a nota 10 e o bicampeonato para a Imperatriz”, refletiu Rafaela.

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“Avaliação muito positiva. Apesar de ter sido o primeiro contato da gente com a comunidade na atual temporada, a reação das pessoas com o que a gente vem fazendo, com aquilo que a gente testou hoje também, foi de extrema importância. Estamos montando a nossa coreografia oficial ainda, então dizer que está pronta é uma inverdade, porém tem muitos movimentos que a gente está avaliando colocar pra não perder a nossa essência, a essência da dança do casal de mestre-sala e porta-bandeira, mas também fazer uma alusão ao povo cigano, que a nossa escola vem homenageando, e eu acho que alguns vão ser bem aceitos aí. A gente pretende fazer ainda, tem muita coisa que a gente está construindo, mas o que foi feito está sendo sim bem aceito. Agora é avaliar para ver se leva para a Avenida ou não”, pontuou Phelipe.

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Após longas passagens por agremiações como Unidos da Tijuca, Acadêmicos do Salgueiro, Unidos de Vila Isabel e Beija-Flor de Nilópolis, o coreógrafo Marcelo Misailidis iniciou uma nova trajetória na folia carioca em 2023, dessa vez na Rainha de Ramos, e logo de cara se sagrou campeão do Carnaval. Apesar dos 30 pontos no quesito não terem sido alcançados, o trabalho do profissional se destacou com uma proposta engraçada, lúdica e divertida, fazendo muito sucesso junto ao público. Agora, indo para o seu segundo ano na agremiação, o renomado bailarino terá o desafio de desenvolver uma comissão de frente superior a do último ano e, dessa forma, ajudar a Imperatriz na busca pelo bicampeonato. Para isso, todas as etapas de construção e preparação de um desfile precisam receber a devida atenção, entre elas os ensaios de rua. Em conversa com a reportagem do site CARNAVALESCO, Marcelo Misailidis falou das expectativas para o começo da temporada de treinos a céu aberto, além de pontuar como pretende usá-los na elaboração do projeto para 2024.

“O trabalho que a gente apresenta aqui é um laboratório do processo criativo. Por exemplo, nós já estamos trabalhando há alguns meses, então esse trabalho é um que foi usado como base de criação, de aprofundamento em um tema novo. Todos os integrantes da comissão precisam de uma certa forma entender do que o enredo fala, o que ele propõe. Portanto, antes da gente fazer o trabalho definitivo, existe um trabalho de preparação. O que a gente apresentou nesse primeiro ensaio de rua, em resumo, é justamente isso. É uma base desse trabalho de preparação, que evidentemente não é o trabalho que vai para a Avenida, mas demonstra de uma certa forma a vivência desse processo”, relatou o coreógrafo.

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No ano que vem, a Imperatriz Leopoldinense apresentará o enredo “Com a sorte virada pra lua segundo o testamento da cigana Esmeralda”, assinado pelo carnavalesco Leandro Vieira. O tema tem como base um pequeno folheto que foi escrito há mais de 100 anos por Leandro Gomes de Barros, autor paraibano de cordéis que inspiraram o dramaturgo Ariano Suassuna a escrever o “Auto da Compadecida”. A proposta dá continuidade ao interesse da agremiação em se debruçar sobre o Brasil e sobre obras populares que souberam dar contorno à imaginação de caráter fantástico como uma extraordinária vocação do povo brasileiro. A Rainha de Ramos será a sexta escola a desfilar no domingo de Carnaval, dia 11 de fevereiro, encerrando o primeiro dia do Grupo Especial do Rio, em busca do bicampeonato.

Harmonia e samba da Viradouro dão o tom de um ensaio de rua espetacular

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A Viradouro realizou no último domingo o segundo ensaio de rua, rumo ao Carnaval 2024. A escola fechará os desfiles na segunda-feira, com o enredo”Arroboboi, Dangbé” (sobre a energia do culto ao vodum serpente), do carnavalesco Tarcísio Zanon. Foi uma apresentação fantástica na Avenida Amaral Peixoto. Os componentes gritaram o samba conduzido com maestria pelo carro de som e embalado pela inspirada bateria do mestre Ciça. A vermelha e branca de Niterói, voltará a ensaiar no próximo domingo à noite e, pelo jeito, a expectativa é de canto mais forte e um novo espetáculo.

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Fotos: Allan Duffes/CARNAVALESCO

“Segundo ensaio maravilhoso no canto da comunidade, que já foi muito bom no primeiro. Reforçado para este segundo, foi bem melhor. O espaçamento, andamento e evolução também. A gente tem, aqui na Amaral Peixoto, uma condição excelente de ensaiar metragem e largura para trabalhar muito forte. A diretoria sempre vai buscar pontos para melhorar, mas a escola está em um ótimo caminho”, avaliou o diretor de harmonia, Jefferson Coutinho.

Ir a um ensaio de rua da Viradouro, na Amaral Peixoto, é praticamente uma experiência sensorial arrebatadora. Uma atmosfera alucinante, onde tudo se deixa levar pelo ritmo envolvente da Furacão Vermelho e Branco e no potente cantar da escola. A receita para chegar nesse ponto, não passa só pelo trabalho da harmonia, mas uma escola internamente estruturada tem demonstrado que pode motivar mais o componente.

O diretor executivo Marcelinho Calil comentou sobre o trabalho que é realizado na escola e os motivos dela se colocar sempre na briga pelo título desde o retorno ao Grupo Especial, em 2019.

“A escola vem, mais uma vez, mostrando na Amaral Peixoto que está preparada para brigar pelo campeonato. Ainda está cedo, é só o segundo ensaio, mas nos motiva e nos deixa confiante. Com muito pé no chão e humildade para buscar o título. Não tem outra receita: é muito carinho, muita dedicação e trabalho. Porque merece chegar nesse patamar que ela chegou. Falo isso sem nenhum tipo de arrogância, mas eu sei que a escola atualmente tem um poder competitivo alto e, também, institucionalmente está equilibrada e feliz. A receita do bolo foi voltar a ter uma instituição forte, respeitando os pilares de uma escola de samba. Investir, não só dinheiro, mas trabalho, empenho e suor na competição. Neste ciclo, o resultado tem sido dois ensaios de rua que nos deixou contentes”, afirmou Marcelinho.

Comissão de frente

O quesito liderado pelos coreógrafos Rodrigo Negri e Priscila Motta levou para o ensaio 15 bailarinos que apresentaram uma coreografia cativante. Era o anúncio de um ensaio pesado que estava por vir.

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Com movimentos bem sincronizados e marcados pela letra do samba, o grupo separava atos da dança com gritos de todos os integrantes, que não deixaram de cantar o samba em nenhum momento, com reforço no volume nos dois refrãos. Em dois momentos do samba, nos versos “derrama nesse chão a sua proteção” e “a força, herdei de hundé e da luta mino”, os bailarinos batiam no asfalto com sonorização de palmas dos coreógrafos. Ainda tinha um passo de serpente no verso seguinte “vai serpenteando feito rio ao mar”.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Cada passo e cada gesto do casal formam uma dança efervescente, que prende atenção do público e conduz cada par de mãos a se chocarem, em palmas de louvor à apresentação de Julinho e Rute.

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Reis dos giros na Amaral Peixoto, o casal esbanjou sincronia nos movimentos e alternavam passos como se licenciasse ao outro o direito o brilhar na dança. No passinho da serpente, o casal dominou perfeitamente o espaço. Tudo é tão marcado, que na saída do módulo, até a bandeira dobrou levemente uma ponta para desviar de Julinho, que chegava para dar a mão à Rute. Mais uma grande apresentação.

Harmonia

Um dos maiores destaques do ensaio deste domingo, o canto da Viradouro era uniforme e ecoou alto por Niterói. Foi um show do quesito, com auxílio do belo andamento do samba. O primeiro setor da escola era o mais empolgado e as vozes formavam um coro impressionante. Apenas a ala depois dos casais mirins de mestre-sala e porta-bandeira destoou um pouco do conjunto da escola e apresentou um canto mais tímido. Após ela, o som subiu novamente.

“A escola, num todo, já está cantando muito bem o samba. Sempre tem uma pessoa que precisa de atenção maior no canto e a gente vem trabalhando isso nos ensaios de terça, na quadra. Porém, a unidade do canto que temos na Viradouro é muito satisfatória”, explicou Jefferson Coutinho, diretor de harmonia.

Wander Pires e seu carro de som ditaram o tom do canto da escola. O ritmo do samba com o balanço da bateria, favoreceram aos componentes chegarem até o final cantando, sem perder o fôlego no meio da pista.

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Evolução

Livre, leve, solta e pulsante. Assim foi a evolução da Viradouro neste segundo ensaio. A vermelha e branca esbanjou organização, as alas pularam entre si e não se embolaram e, ainda que em Niterói, se ensaia em uma pista mais larga que Sapucaí, ninguém saiu da marcação dos diretores de ala.

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A Viradouro parece apostar em alas soltas entre si e provavelmente confia no engajamento de cada um no sucesso do trabalho. Aparentemente, zero estresse para os diretores da escola nesta noite.

“Chegamos aqui na rua e vamos aprimorando a técnica. A escola está cantando que é uma maravilha, estamos muito bem servidos. Temos a noção de que a pista aqui é mais larga, mas na formação das alas já fazemos pensando na Marquês. Então, quanto a isso nós estamos atentos e nosso ensaio está perfeito para fazer um belo desfile”, contou o diretor de harmonia Marquinhos Mendes.

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Samba

No balanço da bateria do Mestre Ciça e no compasso de Wander Pires,o samba foi outro show no segundo ensaio de rua da Viradouro. Na parte “ê alafiou, ê alafiá!”, até a final da estrofe e nos dois refrãos se percebe um natural gás a mais no samba. O que não quer dizer que o canto caia nos outros versos, muito pelo contrário. Com a letra na ponta da língua, os componentes só fazem a obra crescer a cada dia.

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“A gente está muito entrosado com a bateria e com a comunidade. O samba está na boca dos componentes e vamos brigar muito por esse título. A nossa ala musical está cantando muito bem e fazemos ensaios para isso acontecer. A escola está toda empenhada para fazer dar tudo certo”, festejou Wander Pires após encerrar uma grande apresentação na Amaral Peixoto.

As bossas da bateria e o andamento forte, porém na cadência, ajudaram o samba a desfilar com melhor entendimento da letra e a comunidade sentir a melodia. O resultado, foi um ótimo toque e canto.

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Outros destaques

Com a “Furacão Vermelho e Branco” inspirada, não faltou samba no pé. Os passistas se deliciaram no asfalto e levantaram o público presente. Quem também esteve no ensaio foi a Rainha da Bateria Érika Januza, bem à vontade com seu traje representando o enredo, com direito à uma cobra na cabeça. Quem também tinha cobra, era a destaque Viviane de Assis, que estava um charme fazendo cobra de echarpe.

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Festejando o grande ensaio realizado, o diretor Marcelinho Calil comemorou a apresentação e o volume do canto da escola. Perguntado se a intenção da Viradouro era ser ouvida pelas co-irmãs do Rio, ele falou que a escola canta forte para não faltar mais um décimo na quarta-feira de cinzas.

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“A gente está cantando forte e a ideia é chegar em fevereiro no ápice, para que a gente consiga disputar o título mais um ano. E que, dessa vez, não nos falte nada”, disse Marcelinho.

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O ensaio teve um pouco mais de 1h de duração e seu maior defeito foi ter acabado.

Kizomba na Caverna! Comunidade da Dragões da Real mostra empenho no ensaio de quadra

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Por Gustavo Lima e Fábio Martins

A comunidade não é um segmento, mas é o bem mais precioso que uma escola de samba precisa ter para se reinventar a cada ano. É assim que a Dragões da Real corresponde, sempre abraçando decisões de sambas e temas, seguindo diversas vezes na mesma toada, desde quando conseguiu o acesso ao Grupo Especial, no ano de 2011. Isso tudo deve ser exaltado pelo fato do grande desempenho do ensaio na noite deste sábado, na Caverna do Dragão. Energia, intensidade e alegria são três ótimos adjetivos para se definir a atitude dos componentes, fazendo jus ao apelido de ‘comunidade de gente feliz’.

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Fotos: Fábio Martins/CARNAVALESCO

Enredo fora do habitual, mas a leveza continua

É a primeira vez que a agremiação terá um enredo com temática africana, sempre optando por enredos lúdicos e homenagens. Agora, a Dragões vai pegar um voo de João Pessoa até às realezas da África. Porém, de acordo com o diretor de carnaval, Márcio Santana, a essência da leveza do desfile não vai sair de cena. “Isso é identidade da escola. A gente não abre mão. A gente tem a ideia de fazer um desfile leve, solto, com a comunidade balançando muito, brincando efetivamente o carnaval, trazendo todo gingado, alegria e expressão corporal do povo africano para dentro do Anhembi”, declarou.

Realmente a comunidade é um ponto forte da escola. Perguntado sobre um grande trunfo do desfile para 2024, o diretor não hesitou em falar dos seus componentes. “Em primeira instância o nosso grande trunfo é a comunidade. Em tempos de tantas dificuldades ainda, de resgate de identidade do samba e do carnaval, ter uma comunidade presente, aguerrida e parceira, é sem dúvida nenhuma, um ponto a ser colocado no mais alto patamar. É isso que a gente carrega como a nossa preciosidade hoje”, completou.

‘Canto guerreiro, alma africana’

Por falar em dedicação, deve-se destacar o samba-enredo. É nítido que os componentes da Dragões da Real querem fazer da obra um hino em homenagem ao continente africano. Não somente carnaval, mas sim para ficar na história. É fato que o samba não teve uma aceitação popular, mas segundo os segmentos da escola, a comunidade abraçou. O intérprete, Renê Sobral, exaltou a obra, dizendo que é uma das melhores do carnaval e o trabalho feito em cima dela. “Vocês viram que o couro já está comendo aí, o povo já está com o samba na ponta da língua. Assim, o samba foi uma junção, fizemos uma reconstrução desse samba. E hoje temos aí, sou suspeito de falar, mas um dos melhores sambas do carnaval é o nosso samba da Dragões. Está vendo aí o povo cantando maravilhosamente bem. O desempenho a cada ensaio vem melhorando, o canto da escola, que é natural. E eu estou sentindo uma firmeza muito grande, uma confiança muito grande no canto da escola. A escola está absorvendo, está ficando orgânico. E estou muito feliz com o resultado dessa reconstrução, dessa junção do samba para 2024”, afirmou.

DragoesDaReal et ReneSobral

Perguntado sobre o trunfo do samba e a parte que mais gosta e acha interessante, Renê dissecou a canção inteira. O cantor está vislumbrado com o samba-enredo da Dragões da Real para 2024. “Eu acho que ele tem um apelo muito grande em algumas partes do samba, como o refrão de cabeça. A primeira do samba também é muito bonita, que ela traz o amor ao pavilhão, misturado com um pouco da religiosidade também, ali nas entrelinhas. O refrão de meio ele nos remete à África, isso é muito lindo, maravilhoso. Ou seja, eu estou praticamente o samba inteiro, mas eu estou pontuando os detalhes que esse samba traz. E a segunda do samba traz uma história de enredo muito bonita. Então nós temos vários detalhes no samba. Temos vários detalhes no samba e um samba que vai ter os seus momentos no desfile, não é aquele samba que vai ficar cansativo, porém ele vai ter seus momentos, sabe? Momento no refrão, momento na primeira, momento no refrão de meio e momento na segunda”, comentou.

DragoesDaReal et AlaMusical

O regulamento vem sendo trabalhado por todas as alas musicais. É sempre bom frisar que o carro de som será julgado no próximo carnaval. De acordo com o intérprete, estão tranquilos quanto a isso. “A gente sempre teve uma preocupação muito grande em todos os desfiles. Quem presta muita atenção no carro de som sempre vê que a gente vem com uma limpeza muito grande. A gente não vem com muita sujeira, é tudo muito pontuado. Então estamos tranquilos nestes sentidos, iremos fazer a limpeza que sempre fez, tomar cuidado com afinação, instrumentos que vão fazer acompanhamento, para que tudo corra bem e que a gente possa garantir nota dez para corroborar com a escola ao que ela almeja de ser campeão”, finalizou.

Novo regulamento não assusta

Um casal em sinergia é tudo o que uma escola precisa para a condução do seu pavilhão. A dupla Janny Moreno e Rubens Castro esbanjam carisma. Toda essa competência fez a parceria atingir os 40 pontos no Carnaval 2023. O casal falou sobre os ensaios que vem fazendo. Perguntado sobre fantasia, o casal disse que está 80% pronta.

DragoesDaReal et casal

“Está sendo gratificante, intenso ao mesmo tempo, desafiador. Porque é uma linha que a Dragões nunca veio, que é a África. Então, eu já dancei afros no carnaval, o Rubens há muito tempo atrás. É uma desconstrução, porque cada ano também é diferente. O samba é diferente, tudo fica diferente, mas intenso. Esse ano está um pouco mais intenso, por conta de ser uma nova proposta da escola”, comentou a porta-bandeira.

DragoesDaReal et CasalRubensJanny

“A gente falou há muito tempo, eu tenho consciência que foram 20 anos. Foi em 2003 a última vez que eu dancei afro. É muito tempo. Então, de lá pra cá só é personagem e muito lúdico. É uma coisa com personagens, mas muito lúdicos. E aqui na Dragões é tudo uma novidade esse afro. Eu acredito que o samba nos ajuda, a fantasia está maravilhosa, a porta-bandeira é incrível. Tudo está sendo uma desconstrução e uma criação de um novo personagem pra vocês verem lá na avenida. Vai ser muito legal, aguardem!”, completou o mestre-sala.

DragoesDaReal et CarnavalescoJorgeFreitas

O casal também comentou do novo regulamento que entrará em vigor no próximo carnaval. Janny diz que as mudanças impostas, a dupla já está acostumada a fazer. “Olha, o novo regulamento, se a gente for parar, pensar, analisar o direitinho, é a mesma proposta com algumas coisas assim alteradas. Agora o pavilhão, ele tem a medida mesmo padrão, é tradicional, que é 90 por 1,20. Como o meu pavilhão tem alguns raios, ele se torna um pouco mais pesado, tal, não sei o quê. Mas a gente está trabalhando também em cima disso. Mas o novo regulamento em si, está tranquilo, né Rubens? Tem mais uma questão de não andar mesmo, literalmente, a profissão de fato, mas tem ali o que a gente já faz. É uma coreografia, um passo marcado, um sincronismo”, explicou.

DragoesDaReal et Baianas

“Eu acho assim, o novo regulamento, ele pontua para todas as escolas uma nova tendência que estava se perdendo. Então você podia perceber que muitos casais passavam apáticos na avenida. Porque ele seguiu o regulamento que foi, tudo que é julgado tem que ser repaginado sempre. Por quê? As leis são para nortear, e quando a lei começa a nortear de uma forma cômoda, o espetáculo perde. Como Fórmula 1, qualquer coisa que é julgada, qualquer coisa que seja competitivo, tem que ter um toque de pimenta pra ter um diferencial na comida. Ou seja, eu coloco uma pimenta nova e o chefe de cozinha tem que tentar fazer o sabor da comida dele ficar bom, agradável ao paladar com essa pimenta nova. Então assim, pedir pra gente sorrir não é regulamento. Pedir pra gente não andar pro público que pagou a fortuna e juntou dinheiro o ano inteiro não é regulamento. Pedir para que todas as escolas venham com o mesmo tamanho de pavilhão, sendo que é uma competição, mesmo sendo amigos de todo mundo, não é regulamento”, concluiu o mestre-sala.

DragoesDaReal et CorteBateriaRitimistas

Mudanças dedicadas a um continente

Algumas modificações estão sendo feitas para se adequar ao enredo e a bateria ‘Ritmo que Incendeia’ não foge disso. É a batucada que dá o tom da escola e, segundo o mestre Klemen Gioz, o padrão fica intacto, mas se deve inovar. “A gente já vem colocando o nosso padrão de ritmo, mas acaba mudando. Do mesmo jeito que a gente foi lá para o nordeste, temos que ir para a nossa querida África para fazer ritmos africanos. Abaixei um pouco a afinação da bateria para a escola sentir mais um peso. O andamento vai ser o mesmo, valorizando o samba com uma pegada bem forte mesmo até para refletir na escola e os componentes fazerem a harmonia, cantando e evoluindo bastante”, contou.

Perguntado sobre novos instrumentos para como atabaques, Klemen diz que não vai inserir, mas terá outros naipes que vão dar o som propício ao tema. “O ano passado a gente veio com quatro repiques mor e no próximo desfile a gente vai com 10, justamente para chegar um pouco próximo dos tambores, porque tem uma levada peculiar bem parecida com os tambores africanos. Vamos dar uma esbanjada ali”, disse.

DragoesDaReal et MestreKlemen

O diretor aproveitou para exaltar os seus ritmistas e dizer que eles são o principal instrumento da ‘Ritmo que Incedeia’. “O instrumento chave da minha bateria são os meus ritmistas. É um conjunto. A gente deixa tudo equalizado para todos falarem no momento certo. Você vai escutar o tamborim perguntando e o chocalho respondendo, agogôs e cuícas aparecendo, caixas, repique e surdos dando base. Então o fundamental são os meus ritmistas”, concluiu.

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Samba-enredo se destaca e Porto da Pedra faz ensaio de rua marcado pela alegria

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A Unidos do Porto da Pedra voltou às ruas, na noite do último sábado, para realizar o seu segundo ensaio a céu aberto da temporada para 2024. O treino, que teve início às 21h e durou pouco mais de uma hora, foi novamente realizado na Doutor Feliciano Sodré e Doutor Nilo Peçanha, ambas vias do Centro de São Gonçalo, no trecho compreendido entre a Salvatori e a General Antônio Rodrigues. Apesar da concorrência com o clássico entre Flamengo e Fluminense, que terminou um pouco antes de ser dada a largada, houve forte adesão por parte da comunidade, sejam eles componentes ou torcedores que só foram assistir de perto sua escola do coração. No decorrer da passagem da agremiação, o samba-enredo acabou sendo o grande destaque e influenciado positivamente outros quesitos, como a evolução e a harmonia. Além disso, a bateria e o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira também chamaram atenção, despontando como outros grandes trunfos do Tigre no retorno ao Grupo Especial. No ano que vem, por estar voltando à elite da folia carioca, a vermelha e branca terá a missão de abrir os desfiles no domingo de Carnaval, dia 11 de fevereiro. Na ocasião, a Porto da Pedra levará para o Sambódromo da Marquês de Sapucaí o enredo “O Lunário Perpétuo: A Profética do Saber Popular”, de autoria do enredista Diego Araújo e do carnavalesco Mauro Quintaes. O tema tem como proposta celebrar o saber popular, além de narrar a história do almanaque escrito na Espanha e que veio parar no Brasil depois de 200 anos, se tornando o livro mais lido pelo povo nordestino.

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Fotos: Diogo Sampaio/CARNAVALESCO

“Ensaio técnico na rua é para procurar os erros. Só assim vamos poder corrigir as falhas, até porque a gente tem tempo para isso. Mas assim, de um modo geral, o ensaio foi muito bom. A escola cantou bastante, tem uns pontinhos para corrigir, mas o saldo é positivo. Evoluímos bem, viemos bem compactados, organizados, e isso é o que importa para gente. No entanto, como eu sempre falo, temos que estar procurando detectar os deslizes, encontrar os erros, para consertar eles o quanto antes. Toda terça-feira temos uma reunião com o departamento, na qual fazemos um relatório do ensaio. A ideia é que a galera venha e conte: ‘aconteceu isso’ e ‘aconteceu aquilo’. Tudo para que a gente possa, já na quinta-feira, mandar um recado para comunidade. Nosso objetivo sempre é chegar no dia do desfile sem problema, sem erro nenhum, afinal é isso que importa”, pontuou Amauri de Oliveira, diretor geral de Harmonia da Porto da Pedra, em entrevista concedida para a reportagem do site CARNAVALESCO.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Um dos pontos altos deste segundo ensaio de rua da Unidos do Porto da Pedra foi o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola, formado por Rodrigo França e Denadir Garcia. A dupla, que está em seu primeiro ano dançando juntos, mostrou entrosamento, além de bastante sincronia. Com um ritmo intenso, eles fizeram na apresentação uma mescla do bailado tradicional com alguns passos marcados, tendo direito ainda a vários momentos de cortejo, seja em forma de gestos ou da troca de olhares. Já em relação ao figurino, os dois apostaram na simplicidade. Ele usou uma calça branca acompanhada de uma camisa da escola; enquanto ela foi com um conjunto vermelho, com uma saia longa que dava um belo efeito ao girar.

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“Costumo dizer que o ensaio de rua é uma prévia do ensaio técnico na Sapucaí. Eu gosto muito e para mim é algo bastante produtivo. A gente está em busca do melhor, então sempre vai ter alguma coisa para tirar, para colocar, uma mão, um braço, um pé. E é bom ensaiar com essa comunidade cantando o samba, pois isso empolga muito mais, dá mais vigor para gente dançar. A minha parceria com o Rodrigo está fluindo muito bem, graças a Deus, e tenho certeza que o resultado vai ser maravilhoso no desfile oficial. Eu sou uma pessoa muito sistemática e até que ele está tendo bastante paciência comigo (risos). Mas só tenho elogios para o Rodrigo, que é um fofo, um amigo já de muito tempo. Sou uma pessoa grata, muito feliz, que eu sempre danço com mestre-sala que é meu amigo. Isso ajuda as coisas fluírem da melhor maneira possível e torna tudo bem mais tranquilo”, ponderou Denadir.

“Como a Denadir falou, o ensaio de rua é sempre um preparo para o nosso ensaio técnico. Então, a gente sempre vai estar tirando algo, colocando algo. Porém, sempre que viermos para o ensaio de rua pretendemos colocar tudo para fora, até para conseguir ter uma noção melhor de como vamos nos sair na Marquês de Sapucaí. Essa é a nossa energia, é um pouco além da nossa coreografia e tenho certeza absoluta que vai ser sucesso. E quanto a ter a Denadir como parceira, é algo maravilhoso, é uma amiga de muitos anos. Sempre tive certeza que, se um dia eu estivesse dançando com ela, nossa dupla daria certo. Graças a Deus está se confirmado, a Denadir tem uma energia incrível, é uma porta-bandeira muito experiente, então estou aprendendo bastante coisa, e o resultado na Avenida vai ser excelente”, completou Rodrigo.

Samba-enredo

O grande destaque deste segundo ensaio de rua do Tigre de São Gonçalo. O samba-enredo de autoria de Guga Martins, Passos Júnior, Gustavo Clarão, Lucas Macedo, Leandro Gaúcho, Clairton Fonseca, Richard Valença, Gigi da Estiva, Abílio Jr., Marquinho Paloma, Cristiano Teles e Ailson Picanço teve um ótimo rendimento, sendo crucial para as boas performances de outros quesitos como a harmonia e a evolução. Desde a escolha como hino oficial da escola no mês de agosto, a obra apresentou evolução e este treino evidenciou como ela casou perfeitamente na voz do intérprete Wantuir. Aliás, o cantor demonstrou já estar totalmente entrosado com os demais integrantes do carro de som e conduziu com excelência o microfone principal, sem deixar que o desempenho do samba caísse ao decorrer de pouco mais de uma hora de percurso. Além dele, a bateria “Ritmo Feroz” foi responsável por dar um toque especial à composição, ajudando com que ela contagiasse os presentes no local. Os ritmistas comandados por mestre Pablo souberam explorar bem a melodia da canção, através de seus desenhos e convenções, fazendo ainda algumas pequenas referências aos ritmos nordestinos, em alusão ao enredo, o que deu um tempero a mais.

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Evolução

A vermelha e branca de São Gonçalo teve uma evolução marcada pela leveza e pelo alto astral neste segundo ensaio de rua. Embalado pelo samba “para cima”, os componentes desfilaram em sua maioria soltos, brincando, pulando e cantando. O ritmo adotado foi cadenciado de uma maneira geral, com paradas em momentos pontuais, como por exemplo na entrada e saída da bateria do recuo. Ao longo de mais de uma hora de treino, a escola não apresentou falhas graves, não ocorrendo a abertura de buracos, espaçamentos significativos ou embolamento entre alas. Vale citar ainda a utilização de acessórios e outros tipos de ornamentações por algumas alas, que deram um charme a mais para passagem da Porto da Pedra. Entre os adereços usados pelos desfilantes estavam pom poms, balões e até chapéus de cangaceiros. Porém, o maior destaque nesse sentido ficou para o uso de lanternas que eram acesas, por quase todas as alas, no momento em que o verso “Quem acendeu as lamparinas desse céu?” era cantado, dando um bonito efeito no conjunto.

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“A compactação tem que existir. Não podemos ter clarões, nem qualquer coisa do tipo. O espaço entre alas tem que ser bem mínimo. Mas deixar a ala leve é o que a gente sempre pede. Fazemos a marcação da parte da frente e da parte de trás, porém no miolo deixamos bem a vontade para vir evoluindo bem descontraído mesmo. Não tem esse negócio de fileira, nem de marcação que deixa componente engessado. Agora, a compactação não abrimos mão, a gente está com o rádio o tempo todo, sempre se comunicando, justamente para poder saber se a escola está com uma velocidade maior, se está no ponto certinho, porque eu venho puxando então eu acabo perdendo essa referência. Essa galera que vem durante o desenrolar do desfile, como volante, eles vem me dando esse feedback para poder saber se eu estou no andamento bom ou se eu tenho que acelerar ou tem que diminuir um pouco”, ressaltou Amauri de Oliveira durante conversa com a reportagem do site CARNAVALESCO.

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Harmonia

Junto com a evolução, a harmonia foi o quesito mais beneficiado pelo bom samba da Unidos do Porto da Pedra. A obra alegre, com uma letra relativamente simples, propiciou um cantar leve por parte dos componentes da agremiação. O refrão principal, com os versos “Quarto minguante, a moringa quase seca/Maré virou, virou luar!/Tem alambique pra beber na quarta-feira/Okê, caboclo! Tempo bom vem pra ficar!/Quarto minguante, a moringa quase seca/Maré virou, virou luar!/Tem alambique pra beber na quarta-feira/Faltava o tigre pro Lunário completar!”, foi berrado pelos desfilantes, sendo o trecho de maior rendimento. Além dele, outras duas partes, “Quem acendeu as lamparinas desse céu?/Quem acendeu as lamparinas desse céu?/No Brasil, os retirantes são os astros de cordel” e “Só porque eu escolhi, navegar por esse mar!/A viola perguntou para o santo do lugar/Responda, meu sinhô! Será que é amor?/Meu povo vai passar!”, também foram bastante entoadas no treino da noite desse sábado. No entanto, apesar dessa performance geral bastante positiva, a sensação é de que ainda pode mais. Trechos como “O sertão profetizou, cada flor do Cariri/A ciência desse povo, eu não guardo só pra mim” e “Tanta gente esperou por esse dia/O pincel, a cantoria, nunca foi ponto final!/E lá do auto como a vida é um repente/O estandarte vai na frente/Muito mais que carnaval!” tiveram um desempenho abaixo em comparação a outros, tendo uma queda mais acentuada no canto quando chegava eles. Outro ponto que merece atenção são os componentes que não acompanharam esse entoar mais aguerrido da maioria da escola, presentes em alas como a que vinha atrás das baianas e a que antecedia os passistas.

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Bateria

A “Ritmo Feroz” foi um dos grandes destaques deste segundo ensaio de rua da Unidos do Porto da Pedra. Ao todo, 190 ritmistas, dos 250 que irão para o desfile oficial, participaram do treino. Com um andamento agradável, que permitiu um bom rendimento do samba e uma evolução leve, os liderados por mestre Pablo deram um verdadeiro show e agitaram não só os componentes, mas também o público que se aglomerou nas calçadas das ruas Dr. Feliciano Sodré e Dr. Nilo Peçanha para assistir a passagem da escola. Após a conclusão, o comandante da bateria conversou com a reportagem do site CARNAVALESCO e fez um balanço do trabalho realizado na noite desse sábado, além de assegurar que pretende levar para o Sambódromo da Marquês de Sapucaí exatamente o que está sendo executado nos ensaios.

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“É aquele negócio, um passo de cada vez. Em cada ensaio, a gente precisa dar um passinho a mais. O importante é não dar ré. E a galera compareceu, a comunidade veio prestigiar a escola, estou muito feliz com o resultado, com o desempenho da bateria, com o canto da escola, e vai dar bom, se Deus quiser. E garanto que tudo que estamos fazendo nos ensaios de rua vamos levar para a Avenida. É sempre bom ensaiar para valer, seja na quadra, na rua, no ensaio técnico de janeiro ou nos treinos no setor 11. Toda apresentação é importante para a gente, que é um ensaio a mais até chegar a perfeição. Hoje fizemos duas bossas e uma caída de segunda, que é um arranjo da primeira para a segunda parte do samba. E vamos levar essa quantidade mesmo para o desfile oficial, mais uma virada diferente na cabeça do samba, que é a famosa virada atrasada, que só eu faço. Não podemos ter surpresas em matéria de ritmo, então quem quiser saber o que a gente vai fazer um pouco na Marquês de Sapucaí é só vir prestigiar a gente nos ensaios. Posso assegurar que todos vão ser bem-vindos, vão ser recebidos de braços abertos”, afirmou mestre Pablo.

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Outros destaques

O prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, esteve presente neste segundo ensaio de rua e fez questão de fazer um breve discurso, antes de ser dada a largada. Na fala, o mandatário enalteceu a importância da Porto da Pedra, ressaltando que a agremiação não representa apenas um bairro, mas sim toda uma cidade. Por conta disso, ele aproveitou para anunciar que, por uma iniciativa da Prefeitura em parceria com a escola, serão realizados treinos em diversas localidades do município. A primeira delas será a Praça dos Bandeirantes, no bairro de Amendoeira, no próximo dia 25. Em entrevista concedida para a reportagem do site CARNAVALESCO, o chefe do Executivo falou sobre este projeto de levar a vermelha e branca para diferentes regiões, além de comentar a aprovação da Câmara de Vereadores da subvenção no valor de R$ 1,5 milhão para o Carnaval de 2024.

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“O nosso município é muito grande e se faz necessário levar a agremiação para a área de cima do Alcântara para que todos tomem conhecimento que a escola pertence à cidade. Infelizmente, no passado, botaram o nome de Porto da Pedra, mas ela não representa só esse bairro. Estamos estudando os lugares que vão receber esses ensaios, primeiro vai ser na Praça dos Bandeirantes, mas a ideia é percorrer diversas regiões. E quanto à subvenção, a Porto da Pedra é uma das maiores, se não for a maior manifestação cultural de São Gonçalo. Nós temos que tentar ajudar de todas as formas, afinal ela também emprega muita gente. Queremos que a Porto da Pedra represente a cidade de São Gonçalo da melhor forma possível lá no Rio de Janeiro e logicamente, como é passado através da televisão, para o mundo inteiro. É isso que a gente quer”, declarou Capitão Nelson.

O vice-presidente da agremiação, Fabrício Montibelo, também comentou essa iniciativa de percorrer diferentes lugares de São Gonçalo com os ensaios de rua. O dirigente da escola relatou, em conversa com o site CARNAVALESCO, que os primeiros detalhes desse projeto foram definidos na última semana em um encontro com representantes da Prefeitura. Além disso, ele fez uma avaliação dos primeiros treinos da temporada visando o desfile do ano que vem.

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“A ideia dessa parceria com a Prefeitura é justamente essa, de levar a escola para os mais diversos bairros dentro de São Gonçalo. Estamos estudando ainda, fizeram uma reunião essa última semana e a Praça dos Bandeirantes foi o primeiro lugar que a gente conseguiu. Em breve, se Deus quiser, terá outros lugares. Até porque a Porto da Pedra é São Gonçalo e vice-versa. Nossos ensaios de rua até aqui estão sendo bons, acima do que a gente esperava, e a cada sábado que vem agora a tendência é melhorar. A comunidade pegou o samba de forma fácil e o que nos resta é treinar bastante até o grande dia do desfile”, relatou Fabrício Montibelo.

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Outro ponto válido de menção positiva neste segundo ensaio de rua da Porto da Pedra foi a abertura mais tradicional. Por conta da ausência dos integrantes da comissão de frente, a agremiação optou por colocar membros da velha-guarda no lugar. Os senhores e as senhoras do Tigre de São Gonçalo vieram dando as boas-vindas para o público, todos com muita elegância e simpatia. Essa entrada tinha sequência com o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, que por sua vez eram seguidos pela ala das baianas. Um começo digno de elogio, exaltando segmentos que são alguns dos principais alicerces de qualquer escola de samba.

Beija-Flor e Vila Isabel se encontram em Nilópolis para brincarem carnaval e cantarem forte seus sambas

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De volta com o projeto “Encontro de Quilombos”, a Beija-Flor abriu na noite do último sábado a temporada de ensaios de rua, recebendo a Vila Isabel. O encontro entre as duas azuis e brancas aconteceu na tradicional “pista de treinos de Nilópolis”, a Avenida Mirandela, na Baixada Fluminense. O povo de Noel fez uma apresentação leve e contagiou o público. A Deusa da Passarela, anfitriã do evento, fez seu primeiro ensaio de rua com a presença da comunidade em peso. E o encontro estava formado: uma escola com seu samba consagrado para reedição e outra dando os primeiros passos para convencer de que fez a melhor escolha para cantar em 2024.

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Fotos: Allan Duffes/CARNAVALESCO

A Vila Isabel fez festa. Saíram 15 ônibus da quadra e cerca de 650 pessoas estiveram em Nilópolis para inaugurar mais um “Encontro de Quilombos”. Teve a seriedade de um ensaio, mas em contingente bem menor que acontece na casa deles. Os componentes puderam mais brincar do que se preocupar com os quesitos. “A Vila Isabel está imensamente honrada pelo convite. Esse projeto do ‘Encontro de Quilombos’ só engrandece o samba e une as escolas. Ficamos todos muito satisfeitos de estarmos aqui hoje com a Beija-Flor. Carnaval é alegria e emoção. Foi isso que a Vila mostrou aqui hoje”, citou Wanderson Sodré, da comissão de harmonia da Vila.

Dudu Azevedo, diretor de carnaval da Beija-Flor, comentou a presença da Vila. Para ele, o encontro promovido em Nilópolis é oportunidade para a população ver as escolas que eles não têm muito contato ao longo do ano.

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“Não tinha outra escola para abrir que não fosse a Vila Isabel. O povo de Noel rasgou isso aqui cantando o samba deles e a gente via a alegria de cada componente brincando o samba. A gente tem que agradecer a Vila por ter saído lá da 28 de setembro e vindo aqui fazer uma excelente apresentação. O povo de Nilópolis, que não consegue ir até a Vila Isabel, teve a oportunidade ver a escola de lá aqui, na cidade deles, Nilópolis é um polo cultural e estamos aqui, dia 11 de novembro, trazendo cultura para Nilópolis”, afirmou Dudu.

Mas, para a Beija-Flor era o início de um trabalho que vai terminar no domingo de carnaval. Para o primeiro ensaio, se percebeu uma escola solta, dos componentes à direção, que não usaram rádio para comunicarem entre si. Ainda assim, a escola foi organizada e o ensaio fluiu como de costume. É como se Deusa da Passarela estivesse sempre pronta para ganhar 10 em evolução e harmonia. O canto rendeu e o samba já está decorado e ecoando pelas alas.

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“Esse primeiro dia foi para soltar a escola. Marcamos todas as paradas nos módulos, conseguimos colocar a bateria no box. Mas, tudo feito para deixar a escola solta e vimos um carnaval na Mirandela. A gente conseguiu alcançar o que vem acontecendo na quadra. Um samba para o povo, para a alegria de carnaval, com as pessoas brincando”, avaliou o diretor de carnaval da Beija-Flor Dudu Azevedo.

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E, entre uma escola visitante em festa e outra ensaiando para valer, mais um encontro se forma toda vez que a Mirandela recebe um ensaio: o das crianças com o mundo dos sonhos do carnaval. Por percepção, é no ensaio da Beija-Flor onde estão presentes as crianças em maior número, em relação aos pequenos em outros ensaios. A quantidade deles, coloca em contraponto passado e presente de uma escola desfilando, e futuro na calçada, agitando uma bandeira praticamente do tamanho do corpo.

A Vila canta que a criança é esperança é Oxalá, sabendo que, em uma escola de samba, elas são sementes do ritmo do tambor e dos rituais que perpetuam a instituição. Que feliz ver olhinhos brilhando ao bailar de Claudinho e Selminha, que fazem questão de levar a bandeira para os menores beijarem. É mais que um gesto praticado pelos guardiões do quesito Mestre-sala e Porta-bandeira. É puro ensinamento da tradição e respeito ao pavilhão. São esses também os valores que a Vila Isabel canta como a função do homem em evoluir.

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Entre cores vibrantes e tons de azuis diferentes das duas escolas, é no bailado do passista, do casal e dos braços do mestre de bateria, que a criança pode sonhar mais alto de estar ali um dia. É vendo Marcinho, Cris, Claudinho e Selminha entrando com garra em um módulo de jurados, que uma criança pode encontrar de vez a sua alma de sambista. E foi bem assim que as crianças viram e poderão sonhar de fazer um dia.

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Mestre-sala e Porta-bandeira

O casal da Vila é cativante. Na dança, Marcinho e Cris Caldas conseguem exalar simpatia e contagiam o público com um bailado que só melhora com o tempo. Os dois se apresentaram de forma suave. A Cris gira com uma precisão admirável, enquanto Marcinho é pura elegância e seus movimentos dão um acabamento poético na dança. Quando entraram para apresentação no módulo, Cris colocou a mão na cintura. Marcinho apontou para ela, levantou a perna esquerda, apoiando o peito do pé na parte de trás do joelho direito e lá foi a porta-bandeira emendar uma sequência de 15 giros, enquanto o mestre-sala a conduzia com a maior classe do mundo, como se estivesse desenhando o chão para ela rodopiar quase que infinitamente. Conquistaram de vez os nilopolitanos. Eles ainda aproveitaram para sentir de novo o gostinho da distância da pista do Sambódromo, que é a mesma projetada onde a Beija-Flor ensaia.

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“Aqui foi bem gostoso. A energia do povo de Nilópolis foi bem contagiante. A pista aqui é um pouquinho maior que na 28 de setembro, mas é bom para começar os preparativos para o desfile. O que contou, foi a vibração que o público passou para a gente o tempo todo”, festejou a porta-bandeira Cris Caldas. Ela ainda aproveitou para trazer informações do desfile, dizendo que terá uma surpresa, mas que não vai trocar de roupa.

Para Marcinho Siqueira, receber carinho de um público novo, é combustível para o trabalho do casal. “Foi ótimo sentir a energia de uma galera que não nos conhece muito e não acompanha o nosso trabalho de perto. Foi gostoso ver a galera aplaudindo e vários adjetivos positivos. Para a gente, é sempre muito bom receber esse carinho”, garantiu o mestre-sala.

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Após a bela passagem do casal da Vila, na hora do ensaio da Beija-Flor o casal, lenda do carnaval e de Nilópolis, Claudinho e Selminha Sorriso se apresentou com o primor e a perfeição de sempre. Na apresentação de módulo de jurados, eles entraram no refrão do meio do samba. Selminha fez uma sequência de 14 giros, parou para pegar um ar e emplacou mais 12. Enquanto Claudinho a cortejava, como um malabarista que pode fazer o que quer com as suas sofisticadas pernas. Os dois provam todo dia que são a realeza do quesito.

Samba-enredo

O consagrado Gbalá segue tranquilo na voz do povo do Noel. A ausência do cantor oficial, Tinga, não baixou o canto da escola, ainda que com ele tudo fica mais vibrante. A equipe do carro de som conduziu bem a canção e fez uma ótima passagem por Nilópolis.

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Motivo de tensão nas redes sociais após a escolha, o samba da Deusa da Passarela finalmente ganhou a rua. Para uma medição mais precisa sobre seu andamento e capacidade de sustentar um desfile, será preciso aguardar a voz do Neguinho ao ar livre. A equipe do carro de som, responsável por conduzir a canção no ensaio de sábado, deixou boa impressão sobre a possibilidade de crescimento da obra, mas é preciso que a voz do “Homem” entre para inflar de vez a comunidade.

O diretor Dudu Azevedo comentou sobre os questionamentos que o samba vem sofrendo nas redes sociais: “Samba é gosto, é uma arte. Algumas pessoas não terão a mesma visão que nós, que estávamos dentro da quadra conseguimos enxergar. Hoje, nós temos excelentes compositores, fazendo grandes sambas e, o que ganha, é o ue fez a obra que a escola se propôs a desfilar. E a Beija-Flor se propôs a desfilar com esse samba. Uma escolha da comunidade e dos seguimentos, porque era de encontro com o conjunto plástico do João Vitor, com o modo que a harmonia vai trabalhar, com o que o mestre Rodney vai organizar na bateria, com todo mundo brincando. Nós escolhemos o samba que vai do gosto dos nossos líderes”. E foi assim que Dudu Azevedo praticamente colocou uma pedra no assunto escolha de samba.

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Harmonia

Se hoje a Vila poderia se dar ao luxo de ser uma diversão, os componentes brincaram da forma mais séria possível, liderados por Tinguinha, no carro de som. Havia uniformidade no canto da escola do início ao fim, sem momentos de explosão e queda do samba. Claro que o refrão principal é onde todo mundo pula mais, mas a comunidade dos Macacos segurou bem o andamento do samba.

A comunidade da Beija-Flor canta como poucas. O trabalho de harmonia é fantástico. A gana por cantar e berrar o samba é tanta, que a letra da obra foi distribuída para o público poder cantar com a escola e somar vozes ao coro dos componentes. Antes do ensaio começar, Dudu Azevedo já tinha pegado o microfone para alertar que, em Nilópolis não se canta, mas se grita o samba. E assim foi feito pela grande maioria das alas.

Evolução

Em contingente menor, fica tranquilo para direção da escola gerenciar a evolução da apresentação da Vila. Os componentes brincaram durante todo o tempo na pista de treino festivo, o que foi praticamente um respiro ao treino raiz que eles fazem no Boulevard 28 de Setembro, toda quarta-feira.

E a escola de Nilópolis evolui praticamente sozinha nos ensaios e tudo dá muito certo, tamanha aplicação tanto das equipes das alas, quanto dos componentes. Neste primeiro ensaio, já se viu uma escola pulsante, compacta e sem clarões entre as alas. Era tudo muito organizado, até algumas alas levaram elementos de mãos, como chapéus de frevo e porta-estandartes com versos do samba.

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Bateria

A bateria da Vila é um show à parte e a ausência do mestre Macaco Branco não alterou em nada o ótimo swing, que foi capaz de levantar o público de Nilópolis desde o esquenta. Os ritmistas apresentaram bossas e paradinhas que ajudaram a motivar ainda mais os componentes.

E de bossas, a Soberana está muito bem. Mestre Rodney está pronto para buscar mais um 40 e, desta vez, com um enredo diferente dos que vinha dando ritmo nos últimos anos. A promessa é que seja um desfile alegre e a bateria da Beija-Flor seja convite para o público da Sapucaí brincar carnaval com a escola e com a história de Rás Gonguila.

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“A gente vai usar a melodia do samba para brincar carnaval e aproveitar a questão cultural de Maceió. Pode esperar muita vontade e empenho da nossa bateria. Esse enredo é diferente do que vínhamos fazendo, é um samba para cima e nós vamos mostrar a alegria que a cidade de Maceió tem”, explicou mestre Rodney.

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Neste primeiro contato com o seu time na rua e os novos arranjos, ele avaliou bem o início de trabalho e aproveitou para reforçar que a escolha do samba foi aclamação coletiva da escola.

“O samba é um looping impressionante. Não fizemos o samba cair e o fomos muito felizes nos arranjos. Estou muito satisfeito com o resultado do primeiro ensaio e com a resposta do público que brincou carnaval com a gente. Para mim, o primeiro ensaio foi maravilhoso”.

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A Vila Isabel voltará para seus ensaios de quarta-feira. A Beija-Flor, agora, espera encontrar a Grande Rio, no dia 25 de novembro, em Nilópolis.

Arranco homenageia com afeto doutora Nise da Silveira

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Aos poucos, o Arranco vai liberando as imagens das fantasias que representarão o enredo “Nise – Reimaginação da Loucura” no Carnaval 2024. A proposta da escola é exaltar a importância de Nise da Silveira e abordar o seu legado para a saúde mental brasileira. Após a saída de Antônio Gonzaga, o Arranco resolveu novamente apostar em um estreante para o posto de carnavalesco e contratou Nícolas Gonçalves. O carnavalesco Nícolas Gonçalves apresentou a fantasia da ala 5 “Vazio das telas manicomiais”.

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Foto: Kelly Malheiros/Divulgação

“Ao caminhar pelo Museu do Inconsciente, Nise associa os processos de reconstrução da psique às etapas de produção de uma pintura artística. Ao investigar atividades terapêuticas que proporcionam a liberdade e a criatividade, a doutora constatou o potencial da arte em ser uma via de expressão para as imagens e a abertura de uma fonte de existências. Nise trabalhou para que a imagem da antiga e agressiva camisa de força tivesse suas fivelas abertas para se transformar em uma tela em branco. As tramas da tela, um espaço da realidade, se tornam um suporte para a transposição das tramas tecidas pela mente, um espaço do imaginário. O branco, representante de uma excessiva neutralização e padronização das pessoas, como um modo de apagar suas subjetividades, é ressignificado como janela para o vislumbre de outras mitologias”, explicou o carnavalesco Nícolas Gonçalves.

No ano que vem, o Arranco será a terceira agremiação a desfilar na Avenida no sábado de Carnaval, dia 10 de fevereiro, pela Série Ouro.

Superliga e Secretaria de Cultura comemoram sucesso da Oficina de Elaboração de Projetos

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Na última quinta-feira, aconteceu no auditório da Biblioteca Parque a Oficina de Elaboração de Projetos, organizada pela Superliga Carnavalesca do Brasil e a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, com apoio da FICCCERJ e ministrada pelo SEBRAE/RJ. A ação, que é pioneira no carnaval carioca, teve como prioridade auxiliar os gestores e representantes das agremiações a aumentar a assertividade nos editais. O presidente da Superliga, Pedro Silva, fez um balanço do evento e fez uma análise dos resultados que a oficina oferecerá as escolas:

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Foto: Guilherme Maia Reis/SECEC-RJ

“Estamos muito felizes. Nossa parceria com a Secretaria de Cultura abre uma janela de oportunidades para as escolas de samba da Superliga, principalmente no que diz respeito à capacitação e otimização na área administrativa. A Oficina de Elaboração de Projetos para o Carnaval, ministrada pelo SEBRAE/RJ, elevará o nível de conhecimento dos gestores, ampliando a chance de aprovação nos editais abertos e nos que estão por vir. Acredito que, juntos, demos início a um novo movimento, que visa o crescimento, reconhecimento e visibilidade das as escolas que desfilam na Passarela do Povo.”

A Secretária de Cultura e Economia Criativa do Estado, Danielle Barros, comentou sobre a parceria com a Superliga e comentou sobre a importância da capacitação e profissionalização das escolas de samba:

“O carnaval do Estado do Rio de Janeiro é uma referência para todos. E a qualificação faz parte deste processo de aperfeiçoamento da nossa grande festa. A união com a Superliga reforça a importância que o Estado do Rio de Janeiro dá para o nosso patrimônio e todos os segmentos do Carnaval. Este processo de aprimoramento do fazer cultural, através de editais e políticas públicas de fomento, é fundamental para a profissionalização do segmento.”

Com os editais abertos e outros que estão por vir, novas parcerias e oficinas estão em pauta pelas entidades, num objetivo mútuo de profissionalização da gestão do carnaval e fomento à cultura Carioca.

Samba da Unidos de Padre Miguel para o Carnaval 2024 sacode a Vintém na espera de um milagroso acesso ao Grupo Especial

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A Unidos de Padre Miguel realizou na noite da última sexta-feira seu segundo ensaio de rua, na Vila Vintém, em preparação para o Carnaval 2024. Com enredo sobre os causos envolvendo Padre Cícero, os componentes vivem a expectativa de, finalmente, chegar o dia de desfilar no Grupo Especial. No treino, se viu uma comunidade feliz e já pronta para cantar forte o samba e explodir no refrão, seguramente um dos mais empolgantes do ano.

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O ensaio aconteceu dentro da Vila Vintém e calor humano não faltou. A rua estreita e a quantidade de gente para assistir à apresentação da vermelha e branca ajudaram a criar o clima de festa e animar a sexta da comunidade. O pouco espaço ajudou no canto da escola, que ficou mais comprimido entre os componentes e deu mais volume ao samba. Assim será feito até a segunda semana de janeiro, quando os ensaios serão mais técnicos e mudarão para a Guilherme da Silveira.

Nisto, Boi Vermelho quer um milagre. Depois de muitas vezes bater na trave e o acesso ao Grupo Especial parecer possível só por benção, esse ano será apelado para “Padim Ciço”. Vai que ele ajeita uma interferência divina e resolve o problema da escola, já que a diretoria garante que não medirá esforços para vencer. Enquanto o Cícero do céu (o Romão santo popular) colhe as preces da Vintém, o Cícero daqui (o Costa diretor de carnaval) analisa cada ensaio para não desandar a procissão na Sapucaí.

“Começamos a ensaiar há três dias e confesso que me surpreendi com a quantidade de gente. Mas, a Unidos de Padre Miguel é isso. Aqui, dentro da Vintém, a gente trabalha muito mais o canto da escola, que é também o nosso forte. Tecnicamente não dá pra se tirar nada e isso só vai acontecer quando a gente for para a Guilherme da Silveira. Avaliando aqui, foi uma escola cantante e vibrante. Espero que, até o dia do desfile, continue dessa forma”, analisou Cícero Costa.

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A comunidade está alegre como sempre, mas há um sentimento de que esse ano é mais possível que os anteriores. A posição de desfile é ótima e longe das outras que são consideradas francas favoritas. Sobre essa questão, Cícero Costa brincou que ele prefere a disputa, que as favoritas desfilem próximas para saber quem, de fato foi melhor e mereceu o título. A diretora de carnaval Lara Mara, está confiante e contou que a comunidade abraçou o samba.

“Estou muito feliz. Nosso trabalho está bem encaminhado e sendo como a gente espera. Esses dois primeiros ensaios estão bem cheios, que é sinal da Vintém estar gostando e isso dá mais gás para fazermos nosso desfile. A Unidos está leve. Estamos em um caminho bom”, falou Lara com sorriso no rosto.

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No segundo ensaio de rua, o povo da Vintém já deu mostras de que alguns quesitos podem estar garantidos. O excelente canto do samba e o ritmo contagiante da bateria mostraram indícios de que uns três quesitos estão bem encaminhados à nota máxima. O casal de mestre-sala e porta-bandeira já é quase certo ganhar a nossa máxima, e a apresentação neste ensaio só reforçou esta esperança. Tendo boa impressão da escola já no segundo treino, resta saber se agora vai.

Para Lara Mara, vai porque ela coloca fé em Padre Cícero e acredita que, com ele, tem que fazer funcionar. Cícero também aposta na força de seu xará celeste e na garra da comunidade.

“A gente está trabalhando e está com gana. A comunidade está com fé e vontade. Uma escola de samba quando está com o seu povo querendo, 99% está encaminhado”, afirmou o diretor de carnaval.

O mestre Dinho disse que em 2024, vai. Segundo ele, porque não tem mais pra onde ir depois de tantos vices. Vinicius, o mestre-sala, também falou que agora vai, na esperança de que o Redentor da Zona Oeste ajude ele e sua escola. E por isso, Bruno Ribas nem dorme direito, aguardando a possibilidade de cantar o acesso ao Grupo Especial.

Enredo cativa a fé da comunidade e engaja, de novo

A UPM, que já mexeu com as crenças de sua torcida com enredos sobre orixás, agora apela para o santo popular do Nordeste brasileiro. E, novamente, a escola se apresenta leve com um tema próximo do cotidiano de sua gente, que verá histórias de milagres e muitos contos envolvendo a figura de Padre Cícero.

“É um enredo que fala de fé, esperança, religiosidade. Isso é muito importante para a comunidade. Quem não tem a sua fé? Acredito que nossos enredo e samba são os diferenciais”, explicou Cícero Costa.

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Para a fé da UPM mover montanhas na Sapucaí, a diretoria da escola afirma que trabalha na preparação de surpresas para o ano que vem e resolver causos internos que geraram perdas de pontos para a escola, nos últimos desfiles.

“Sentamos com nossos seguimentos, vimos onde perdemos pontos e vamos acertar para 2024. O primeiro passo é reconhecer os nossos erros para tentar melhorar. Estamos preparados e teremos algumas surpresas em nosso desfile”, contou Lara Mara.

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Quesitos prontos para a peregrinação ao Grupo Especial

A Unidos de Padre Miguel está há tanto tempo batendo na trave, que na preparação para o batismo no Grupo Especial, vai sair já com a primeira comunhão e o crisma. Para finalmente o dia chegar, os quesitos precisam se alinhar para não deixar décimos pela pista. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Vinicius Anteunes e Jéssica Ferreira, já estão ensaiando para garantir – mais uma vez – que a apresentação deles não comprometa a escola.

“A fórmula é uma só: dedicação e ensaio. Graças ao nosso trabalho, às pessoas do carnaval, a imprensa e a escola terem uma boa visão nossa, é possível uma boa nota. Mas, é muito ensaio, muito trabalho. A gente para, assiste vídeos, ensaia sozinho e, assim, a gente acredita que chega no ponto de desfilar sem comprometer a escola”, revelou o mestre-sala, acrescentando que o casal se cobra mais a cada ano. Já se vão 11 carnavais juntos.

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Jéssica falou da importância desses primeiros ensaios nas ruas estreitas da Vintém. Ela gosta de se sentir mais próxima da comunidade e isso ajuda bastante na confiança no trabalho.

“A gente fica mais próximo da nossa comunidade, que pode ver o trabalho que está sendo feito. Para o nosso projeto, os primeiros ensaios na rua são importantes porque a gente pega as bossas da bateria, sente o samba e consegue agregar elementos à nossa dança e para a montagem da coreografia”, contou a porta-bandeira.

Enquanto o casal ensaia forte, mestre Dinho vai em busca do ritmo perfeito para o acesso da UPM. No desfile de 2024, serão 270 ritmistas que já estão ensaiando as bossas que serão apresentadas aos jurados, que no último carnaval, consagraram a bateria com mais um 40.

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“Pode esperar muito ritmo para o nosso desfile. Um samba alegre pede um ritmo bonito. A gente não precisa contaminar o samba, para que ele fique melhor, porém samba é para ser sambado, tocado e ouvido. A gente estava ensaiando na quadra. Agora, na rua, dá pra sentir se o trabalho está legal e fluindo harmonia, canto e bateria”, falou o mestre, que contou já estar ensaiando as bossas na rua.

E pode-se esperar um samba alegre. Pelo visto, a fórmula da alegria desceu em Padre Miguel. O samba da Unidos conduz o componente ao canto para cima o tempo todo. Animação não faltou no ensaio desta sexta. Bruno Ribas, cantor que completará 21 anos de carreira no Carnaval 2024, já tem a receita para levantar a Sapucaí no sábado da Série Ouro.

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“A receita é a fé e alegria. A gente vai fazer um carnaval lindo, independente de perder ou ganhar. Estamos preparando um carnaval magnífico para todo o povo. Vamos com muito afinco e fazendo um trabalho de muita dedicação”, falou o empolgado intérprete.

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O povo da Vintém seguirá a sua romaria em busca do grande dia. No sambódromo, será apresentado o enredo “O Redentor do Sertão”, desenvolvido pelos carnavalescos Edson Pereira e Lucas Milato. O Boi Vermelho será a quinta escola a desfilar no sábado de carnaval, 10 de fevereiro. E a prece é, como já cantou uma certa verde e rosa, Padim Padre Ciço, faça chover alegria.

Com Sabrina Sato, Gaviões destaca segmentos em ensaio de quadra para o Carnaval 2024

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Por Gustavo Lima e Will Ferreira

A rainha de bateria é uma figura que ganhou cada vez mais espaço em uma escola de samba com o passar do tempo. Desde quando surgiram e se popularizaram, na década de 1980, elas tornaram-se verdadeiros símbolos de cada agremiação na avenida. Mas, por inúmeros motivos, algumas que estão em tal posto não conseguem se apresentar com tanta frequência à comunidade. Até por isso, a presença de Sabrina Sato no ensaio de quadra dos Gaviões da Fiel, na última sexta-feira, foi destacada pela agremiação. Mais do que isso: ela foi peça importante para o desenvolvimento da dinâmica na quadra da escola, localizada no Bom Retiro, Centro de São Paulo, para o ensaio do enredo “Vou Te Levar Pro Infinito”.

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Muito além da artista

Sabrina teve a primeira aparição pouco antes da primeira passada do samba-enredo, sendo anunciada pelo intérprete Ernesto Teixeira, voz dos Gaviões há décadas. Se as levadas iniciais da canção foram à capela, sem instrumento algum performando, a rainha de bateria mostrava-se solícita com os ritmistas e com quem estava na quadra. Com a “Ritimão” a pleno vapor, o que se viu foi uma quadra que respondeu bem ao samba-enredo, muito bem trabalhado pela ala musical.

Tal segmento, por sinal, terá uma grande mudança no julgamento para o Carnaval 2024. Nada que amedronte Ernesto. “Para a gente, a mudança no regulamento com relação ao carro de som não vai mudar nada porque sempre fizemos um trabalho muito profissional nos Gaviões da Fiel. Nos últimos três anos, estamos aprimorando bastante a sincronia da ala musical, ensaios técnicos em estúdio e ensaios na quadra, também. Não vai mudar, vamos continuar com a mesma garra e qualidade. Com certeza vamos trazer uma boa nota”, garantiu.

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O samba, por sinal, teve uma pequena modificação em comparação à final do concurso para escolha da canção da escola, destacada pelo intérprete. “O grande trunfo desse samba é ele como um todo. Após a escolha, estudamos a música e já fazíamos algumas análises durante as eliminatórias. E, às vezes, fazemos alguns ajustes para melhor. Foi o caso desse samba, que fizemos uma pequena alteração no refrão do meio: encurtamos uma linha e, no último verso, jogamos o tom mais para o alto, para dar mais brilho, no canto do povo e do couro. É um samba bem melodioso, com arranjos maravilhosos produzidos pelo Rafa do Cavaco. Com certeza vai fazer muito sucesso no carnaval de São Paulo”, afirmou.

A bateria da “Torcida Que Samba”, por sinal, merece atenção. Com um “paradão” que durou uma levada do samba inteira, ela conseguiu sustentar bem o samba-enredo. Também chamou atenção a presença de um pandeirista, atabaques e xequerês – dando uma personalização especial para o segmento. Enquanto Sabrina tirava fotos com diversos componentes (que compareceram em razoável número), os ritmistas executavam o papel com maestria.

Falando em maestria…

Dos grandes destaques dos Gaviões desde 2020, o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Wagner Lima e Gabriela Mondjian, também chamaram atenção. Com dança impecável e sempre muito expressivos, eles apresentaram uma coreografia mais do que especial. Aproveitando o clima sideral do enredo, em determinado momento, eles caminharam como se estivessem sem efeito algum da gravidade, em câmera lenta. Com giros plasticamente perfeitos e ótima condução e sustentação do pavilhão, Gabriela brilhou; o parceiro, fez o mesmo, com extremo samba no pé para conduzir a companheira.

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Para chegar em tal nível, a dupla teve uma alta na carga de encontros. “A frequência de ensaios mudou. Aumentou, porque a gente é uma máquina e não consegue parar. Está na mesma pegada do ano passado, mas agora ainda mais porque tem a mudança do regulamento”, destacou Gabriela. “A gente está ensaiando desde julho. Pegamos a base do regulamento e fizemos o nosso checklist. Vendo o que pode e não pode e colocando mais tempero na comida”, relembrou Wagner.

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Tal qual a parte musical, o regulamento também mudou para os casais de mestre-sala e porta-bandeira. Os novos balizamentos, porém, estão mais do que ensaiados pela dupla. “O regulamento vem com bastante atualização, novas regras, movimentos obrigatórios, mas isso não interferiu em nada no nosso trabalho, porque graças a Deus a gente já fazia, porque nós sempre tentamos manter a tradição da dança desde o início. Para nós não foi tão difícil essa adaptação”, pontuou Gabriela. “A gente queria esse novo regulamento porque somos mais dançantes. Com todo respeito aos outros casais, mas nós somos mais dançantes e a gente defendeu muito essa tradição no regulamento. Não só para os Gaviões da Fiel. Vai ser um marco para os casais de mestre-sala e porta-bandeira”, destacou Wagner.

Chegou a hora de voar

Se o samba dos Gaviões pede para que a escola “voe para o espaço sideral”, a “Torcida Que Samba” destaca que chegou a hora de alçar lugares mais altos na folia paulistana. Quem garante é Marcelo Temporini, um dos diretores de carnaval da agremiação. “A maioria fala que é um trabalho de um ano, mas nós não. Fizemos um trabalho de três anos para chegar nesse carnaval. Os Gaviões são feitos de gestões de três anos. Assumimos nos dois primeiros anos para mirar exatamente nesse carnaval de agora e a expectativa é grande de verdade. Fizemos aquela lição de casa para ver onde a gente estava pecando. Você via os Gaviões em segundo e quando chegava alegoria e fantasia, caía para oitavo, nono. Nós já sabíamos internamente que as dificuldades financeiras e até do trabalho e procuramos acertar esses pontos, estamos trabalhando firmemente nesses quesitos em geral. Temos que melhorar fantasias e alegorias. Não podemos esquecer dos demais, mas no geral é isso”, explicou.

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E, se é hora de voar, é necessário não ter peso algum. É tal característica que Marcelo acredita que a escola terá em 2024. “Nosso grande trunfo é a leveza, o colorido que muito cobravam, energia positiva. O tema já é abstrato que é para viajar pro infinito”, ratificou.

Quem também prometeu levar torcedores e fãs além foi Gabriela. “A gente está com a fantasia há três meses em mãos. Não posso dar spoiler, mas garanto que a proposta vai ser diferente e a gente literalmente vai levar vocês para o infinito. A gente não teve a prova com a roupa pronta, mas já iniciamos os trabalhos para se adaptar à roupa por ela ser diferente. Não temos a estimativa, mas o responsável é o Bruno Oliveira e ele é maravilhoso”, prometeu a porta-bandeira.

Samba no pé e história? Tem!

No ala a ala, destaque para um grupo de componentes importantíssimo e que, nos Gaviões da Fiel, ganha merecido destaque: o de passistas. Em grande número, elas mostraram muita empolgação e sorrisos ao longo de toda a noite, ajudando a dar ainda mais volume para o ensaio da alvinegra.

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Se o samba já está ensaiado pelas passistas, ele também traz uma doce memória para os componentes. O nome do enredo é um verso do histórico samba-enredo de 1995 da escola, intitulado “Coisa Boa É Pra Sempre”. E tal recordação também foi destacada por Marcelo. “A comunidade recebeu muito bem a música porque se ligaram com o nosso samba do passado. Foi muito legal. Alguns voltaram a desfilar por lembrar o tema da época. Foi muito positivo”, finalizou.

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