Com o objetivo de voltar a gabaritar notas máximas no quesito Mestre-Sala e Porta-Bandeira, a Unidos da Tijuca que para o Carnaval 2024 terá como defensores do pavilhão principal a estreia da dupla, Matheus André e Lucinha Nobre, contratou reforços de peso em busca da nota máxima. A dupla contará com toda experiência de Danielle Ramalho, a nova ensaiadora e coreógrafa e do personal trainer, Luis Felipe Oliveira, preparador físico do casal.
Dani foi bailarina profissional dos 16 aos 36 anos, passando pelo Theatro Municipal do Rio, Ballet de Niterói e Grupo Corpo, neste último dançou em mais de 36 países, se apresentando pelos maiores teatros do mundo como Champs Elysée de Paris, BAM em Nova York, entre muitos outros. Atualmente é Mâitre de ballet clássico, ensaiadora, coreógrafa, preparadora corporal de atores, além de diretora de escola de dança e espetáculos. A importância do trabalho de Danielle é manter sempre o refinamento dos movimentos, a alta qualidade técnica e artística do casal. Além da sincronia perfeita.
Fotos: Geissa Evaristo/Divulgação Tijuca
“Nosso trabalho será crescente e feito por etapas. Nesta primeira etapa estamos limpando e refinando movimentos. Trabalhando leveza, agilidade e a melhor execução dos passos técnicos. A segunda etapa, depois do samba escolhido, é criar uma coreografia que potencialize a qualidade do casal e ao mesmo tempo surpreenda e emocione. Tenho o presente de ter um casal incrivelmente técnico e carismático. E o meu desafio é deixar esses dois gigantes, ainda maiores. Meu objetivo é extrair o melhor do meu casal, potencializando suas qualidades, sincronismo, refinamento, virtuose e trabalhar sempre a evolução técnica e artística”, explica a ensaiadora.
Luis Felipe é personal trainer especializado em assessoria esportiva e sua finalidade é fazer com que Matheus e Lucinha cheguem ao ápice de suas performances físicas até o desfile, desenvolvendo todas as valências corporais, no melhor condicionamento que possam ter, tanto de força, resistência e agilidade, necessárias para as suas habilidades como mestre-sala e porta-bandeira. Elevando ao máximo o condicionamento, de forma eficiente e segura para diminuir o risco de lesão, não só na Avenida, mas durante o preparo para o desfile.
“Utilizamos todos os gestos motores da dança do casal no treino. Muitos giros, saudações e movimentos rápidos de equilíbrio, sempre estimulando a harmonia e a conexão entre os dois, pois será o primeiro ano deles juntos. Muitos treinos com intervalos reduzidos e na praia, utilizando a areia para aumentar a resistência física”. avisa o treinador.
Veterana entre as porta-bandeiras, Lucinha Nobre é um dos grandes nomes do quesito. É referência e precursora da técnica do bailado de casal. No ano em que completará 40 anos de Avenida, a experiente porta-bandeira dançará ao lado do mestre-sala Matheus André que está desde 2015 na Unidos da Tijuca e faz em 2024 seu segundo desfile defendendo o pavilhão principal. O casal ensaia desde março para o desfile.
Não é só o Carnaval que está em alta na Unidos de Vila Isabel, tradicional agremiação do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Enquanto prepara a reedição do enredo “Gbalá – Viagem ao Templo da Criação” para o Carnaval 2024, a escola também ganha destaque na culinária. Um dos locais preferidos dos trabalhadores que produzem as fantasias e alegorias, o restaurante que funciona dentro do barracão, na Cidade do Samba, já produziu mais de 500 mil refeições ao longo dos 12 anos de operação. O sucesso tem sido tão grande que o chefe de cozinha Alexandre Carreira, atual responsável pelo espaço, passou a preparar quentinhas para atender funcionários de prédios vizinhos.
Foto: Diego Mendes/Divulgação
“Tudo começou no boca a boca. Os trabalhadores da Vila Isabel começaram a elogiar a comida para os colegas de outras escolas, que passaram a pedir também. A fama foi aumentando tanto que, agora, temos clientes de vários escritórios vizinhos. Como falamos no Carnaval, é nota 10”, conta Carreira, que possui um serviço de entrega das quentinhas para a região portuária carioca.
Com pratos a partir de R$ 15, o restaurante possui um cardápio variado, que inclui até cinco opções de proteínas, além de arroz, feijão, farofa e uma diversidade de saladas.
Atualmente, o delivery funciona no período de almoço, de segunda a sexta-feira, das 12h às 14h. Os pedidos podem ser feitos por meio do site https://app.jotaja.com/requinteesabor.
No próximo ano, a Unidos de Vila Isabel será a terceira escola a desfilar na segunda-feira, dia 12 de fevereiro, no Sambódromo carioca.
Com musas do quilate de Giovana Cordeiro, Erika Schneider, Valeska, Luisa Langer e Isadora Marinho, a vermelha e branca escolheu Paolla Nascimento, passista da escola, para representar a comunidade no desfile que marca o retorno da escola ao Grupo Especial do carnaval carioca.
Foto: Ana Victória/Divulgação
“Nós somos uma escola que valoriza a comunidade, porque ela é a nossa essência. Em todos os momentos da nossa história, eles estiveram conosco e, nada mais justo ter alguém que tem o coração pulsando pela Porto da Pedra em um posto tão cobiçado. A Paolla é filha da Pâmela, uma mulher guerreira, vitoriosa, que já foi passista e hoje coordena a ala, junto com pessoas que estão conosco há muito tempo, especialmente o Gilliard, nosso diretor, que faz um trabalho maravilhoso. Além disso, é querida por todos e cresceu dentro desta quadra, é um presente para nós e para todos os nossos passistas”, diz Francine Montibelo, diretora da escola.
Atual Rainha do Carnaval de Niterói, Paolla foi passista mirim e ingressou na ala coordenada por Gilliard Pinheiro aos 11 anos. Desde então, o talento e o amor ao samba herdados pela mãe foram determinantes para forjar o samba no pé da dançarina, que tem 19 anos e trabalha como vendedora em um quiosque de um shopping.
“Eu acho que estou realizando um sonho que não é só meu, é o de toda mulher sambista, preta, da comunidade. É um presente que recebo, mas também uma responsabilidade, pois eu estou representando todos os passistas da minha ala no ano em que a minha escola está de volta ao Grupo Especial. Quem me conhece sabe dos sacrifícios que faço para estar sempre bonita, presente aos ensaios e agora tudo isso será em dobro e, quando eu entrar na Avenida, não será a Paolla somente, serão todos os passistas da Porto da Pedra comigo”, diz a nova musa do Tigre.
Apresentação de Valeska acontecerá no dia 09
De volta à São Gonçalo após uma década, Valeska também está no elenco de musas do Tigre. A cantora, que já foi rainha de bateria da vermelha e branca, será oficialmente apresentada à comunidade no ensaio do dia 09 de novembro.
Em 2024, a Unidos do Porto da Pedra abre os desfiles do Grupo Especial tendo como enredo a história de “O Lunário Perpétuo: A Profética do Saber Popular”, criação de Mauro Quintaes com pesquisa de Diego Araújo, que ganhou o coração do gonçalense através dos versos do samba composto por Guga Martins, Passos Júnior, Gustavo Clarão, Lucas Macedo, Leandro Gaúcho, Clairton Fonseca, Richard Valença, Gigi da Estiva, Abílio Jr., Marquinho Paloma, Cristiano Teles e Ailson Picanço. Na boca do povo, a obra já figura entre as melhores do carnaval, segundo a imprensa especializada.
O encerramento da Semana Brasileira de Educação Midiática recebe nesta sexta-feira, 27 de outubro, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), auditório 9042 (9º andar), o encontro “As Escolas de Samba e a Educação Midiática”. A entrada é gratuita. Clique aqui para se inscrever. Será emitido Certificado Digital de participação.
EXPOSITORES:
PROFESSOR DOUTOR DANIEL PINHA
Professor Associado da Área de História do Brasil da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) | Criador do Laboratório Samba Vivências.
EVELYN BASTOS
Rainha de Bateria da Mangueira | Presidenta da Mangueira do Amanhã | Ativista Social | Idealizadora do Projeto Samba, Amor e Caridade & Fábrica de Rainhas.
FREDDY FERREIRA
Sambista | Ritmista | Comunicador Social | Comentarista do Site Carnavalesco.
CHICO FROTA
Produtor Musical | Idealizador e Sócio da Rádio Arquibancada.
RAFAELLA BASTOS
Vice-presidente de Projetos Especiais da Mangueira. Geógrafa | Especialista em Gerenciamento de Projetos | Economia Comportamental e Branding | Presidente do Instituto Fundação João Goulart da Cidade do Rio de Janeiro.
JÚNIOR MANGUEIRA
Presidente da Associação de Moradores do Complexo de Mangueira e Vice-presidente de Ação Comunitária da Estação Primeira.
MEDIAÇÃO:
PABLO BRANDÃO
Historiador | Vice-presidente Financeiro da Estação Primeira de Mangueira | Subsecretário de Ação Territorial Solidária
A Semana é parte do projeto de formulação da Estratégia Brasileira de Educação Midiática (EBEM), um compromisso do governo federal de consolidar o campo da Educação Midiática como política pública de Estado, reconhecendo que o exercício da cidadania hoje em dia passa pela construção de um ambiente digital mais seguro e confiável.
Parece uma arquibancada. Tem degraus compridos, tem bateria tocando, mestre, cantor e ritmistas. Camisa de escola de samba, luzes, câmeras e muita alegria. Mas não, não se trata do Sambódromo, da Marquês de Sapucaí. Buscando trazer mais da emoção do tocar ao vivo, seja nas quadras, na Avenida, o álbum com os sambas-enredo para o Carnaval 2024 está sendo produzido em um formato inédito e pela primeira vez, não só com a captação de áudio, mas também com vídeo. Idealizado pela equipe da Rio Carnaval, em parceria com a Edimusa, gravadora oficial da Liesa, o local escolhido e preparado foi a Sala de Ensaio Três, situada no Complexo Cultural da Cidade das Artes, na Barra da Tijuca. O espaço, com 7,5 m de altura e 12,8m de largura, é dedicado rotineiramente à preparação de teatro e ensaio de orquestras, além de exposições e mostras de cinema. Responsável pelo equipamento da Prefeitura, a presidente Daniela Santa Cruz explicou mais sobre as peculiaridades do local.
Fotos: Lucas Santos/CARNAVALESCO
“O complexo foi construído como Cidade da Música. Todas as nossas salas são muito preparadas acusticamente. Uma dessas salas, é a Sala de Ensaio Três, que é exatamente uma sala de ensaio, ela foi preparada para ensaios de orquestra, ensaios de música, ensaios de câmara, para música ela é totalmente pronta. Nessa intenção de trazer mais espetáculos, a gente tem usado também para teatro, para eventos. Além de ter uma sala anexa que serve de produção, a acústica é muito boa. Efetivamente, ela tem degraus. Uma dessas salas tem a possibilidade de o público assistir, tem uma que é a sede da USB, e a terceira é a sala de ensaio três, totalmente voltado para a música de forma estruturada. Tinha espaço suficiente para receber todo mundo, grande o suficiente para ter equipamento de áudio, vídeo, as pessoas da bateria. E a sala contígua foi muito importante para que a sala de operação estivesse próxima da gravação”, esclarece Daniela Santa Cruz.
O comando da produção está com as labor managers da Edimusa, Aline Santos e Bruna Alt, mesmas idealizadoras do álbum ao vivo produzido pela gravadora oficial da Liesa e lançado após o carnaval 2023. Bruna conta que o processo teve grande apoio do presidente da editora musical e vice-presidente da Liesa, Hélio Motta.
“O nosso trabalho é criar e desenvolver novos projetos para a Rio Carnaval para o álbum da Rio Carnaval e, para esse álbum, especificamente, o Hélio (Motta) convidou a gente para fazer a direção geral. É uma oportunidade maravilhosa de poder fazer algo novo, trazer uma nova possibilidade para um projeto tão importante, a gente vê o quanto a música é a ‘mola mestra’ do carnaval, a gente poder criar um projeto audiovisual que humanize as baterias, que as pessoas possam conhecer quem faz a música do carnaval, é incrível. O Hélio abraçou o projeto desde o primeiro momento e quis muito fazer, desenvolveu esse projeto junto e confiou na gente. Confiou em todas as nossas maluquices ( risos)”, brinca Bruna.
Aline Santos explicou que o projeto para esse ano tem algumas peculiaridades em relação ao produto que apresentou os sambas-enredo para o Carnaval 2023, naquela época um álbum inteiramente com clima de estúdio.
“Para o carnaval são muitas mudanças, a gente saiu de dentro de um estúdio que era digamos assim uma zona de conforto deles e viemos para um lugar onde nunca foi feito, ainda que já tivesse sido realizado na Cidade do Samba, por exemplo. Eu acho que é um desafio, tanto para a gente quanto para eles. A gente quis trazer também um audiovisual mais do áudio. A gente trouxe a bateria justamente para mostrar essas pessoas. São as pessoas que fazem o carnaval mesmo. Essa foi a intenção”, conta Aline.
A produção do disco está movimentando mais de 40 pessoas entre equipe de áudio, vídeo, produção, luz, making off e marketing. Bruna Alt esclarece que a ideia do vídeo é justamente dar protagonismo às pessoas que produzem o som, a música para o carnaval, intérpretes, mestres, ritmistas, coro e compositores.
“O audiovisual quando se trata de música é sempre a equipe de vídeo filmando uma gravação de áudio. O áudio é sempre o mais importante, a qualidade do áudio, a entrega musical é sempre o mais importante. É óbvio que a gente quer fazer uma entrega completa do audiovisual, com luz, com uma fotografia linda. Mas, o material fonográfico do carnaval é eterno. A gente tem total consciência disso. Essa entrega do áudio é o foco do trabalho. O que fizemos foi dar uma nova roupagem para o álbum de estúdio. Ele continua sendo um álbum de estúdio, dentro de um estúdio, mas tendo um novo frescor, um novo formato que é trazer a emoção da quadra, a sensação da quadra, de estarem e tocarem juntos, de cantarem juntos. São coisas que você só tem na quadra ou no carnaval”, entende Bruna.
Sobre a escolha da Cidade das Artes para desenvolver o projeto, Aline conta que a ideia partiu mais uma vez de Hélio Motta e foi fortalecida pela estrutura que possui o complexo cultural da Prefeitura do Rio.
“A Cidade das Artes veio através do Hélio. Foi a primeira pessoa que sugeriu e daí nós fomos ver a possibilidade de ser aqui. Até porque é um lugar grande e precisávamos de um espaço para colocar a bateria, os compositores, o coro, os intérpretes, então precisávamos de um local razoável para isso”, explica Aline.
Bruna Alt revela que além do tamanho e estrutura da Sala de Ensaio Três para a gravação do áudio e do vídeo, a Cidade das Artes também possibilita melhor acomodação dos componentes que têm vindo em peso, mais de 30 ritmistas por escola, além de coro, intérpretes, algo impensável para o local onde os álbuns dos últimos anos foram produzidos.
“Tecnicamente é um trabalho que não é muito fácil de você acomodar. Você tem uma banda muito grande, uma equipe muito grande, uma quantidade muito grande de equipamentos, uma circulação muito grande de pessoas, a gente girou um pouco de lâmpada durante algumas semanas de possibilidades de onde isso poderia acontecer, até por essa dinâmica de espaço, de camarim, de acomodação dos ritmistas. O Hélio trouxe a ideia e a Cidade das Artes abraçou o projeto , foi muito parceira, é incrível, é um pouco de invasão cultural, você pegar uma sala que é de ensaio de teatro, ensaio de orquestra, e botar uma bateria, é o samba tomando conta da cena carioca. Um ritmo que é tão carioca” define Bruna.
Equipe de vídeo e de áudio bem entrosada
A produção do disco ficou sob a responsabilidade do músico Alceu Maia, produtor do álbum de 2023, e presente nas gravações dos sambas-enredo do carnaval carioca desde 1985. A captação e trato do áudio estão sendo realizados pelo Estúdio Century, que também faz a parte de gravação de vídeo. Responsável pela parte de captação de áudio e mixagem, Gabriel Vasconcelos, da Century, destaca que as escolas tiveram autonomia para o desenvolvimento dos arranjos, o que tem facilitado a equipe em apresentar o melhor de cada agremiação, entre suas particularidades e características marcantes.
“É importante a gente colocar que este ano as escolas estão fazendo seus próprios arranjos, seus músicos estão tocando, a gente tem o Alceu Maia na produção musical fazendo a supervisão, mas toda a essência, toda a singularidade, toda a particularidade de cada escola, o que não aconteceu nos últimos anos. Tem o timbre de cada escola, os instrumentos, os arranjos, as bossas, cada uma com seus compositores, todo mundo em cena, com os seus ritmistas. É para cada escola ter a sua característica e sendo velado pela nossa qualidade técnica. Estamos entregando a mesma qualidade de áudio e vídeo para todo mundo e as diferenças que acontecerem é a particularidade de cada uma”, esclarece Gabriel.
Uma das responsáveis pela parte de vídeo, a diretora de audiovisual da Century, Carolina Duttra, contou mais detalhes da estrutura que a empresa está empregando no projeto.
“Estamos trabalhando com sete câmeras, estamos modificando algumas lentes durante o processo. Fazemos algumas passadas para garantir os takes e não perder nada. Primeiro gravamos o áudio. Estamos com o Dinho na Luz, a parte da luz na equipe. As escolas estão caprichando, são enredos bem interessantes e a gente está desenvolvendo um trabalho muito particular com cada escola. Antes de a gente gravar a gente faz um combinado de deixar a tristeza e os problemas lá fora. A gente faz exercícios de preparação e dinâmicas, para que eles tragam aqui só o samba, só o carnaval, só a alegria, só as coisas boas e positivas, para que a gente possa captar cada momento como se fosse único, porque são registros que vão ser eternizados”.
Carolina explica também que é um grande desafio, mas também um prazer para o Estúdio Century, estar mais um ano em parceria com a Liesa, desta vez também no vídeo.
“Para gente é muito prazeroso receber todas as escolas, estarmos envolvidos em todos os enredo, fazer essa mistura boa. Fizemos um dia só de ensaios e depois partimos para as gravações. o Estúdio Century está todos os anos envolvido com o áudio, e esse ano a gente entrou também com o vídeo. Foi para a gente uma novidade muito gostosa, porque não basta só a gente estar envolvido só em um seguimento. Quando vem um novo seguimento, a gente já muda bastante coisa. Está sendo bastante produtivo, está ficando lindo, estamos confiantes e gratos de participar deste projeto junto com a organização da Edimusa” aponta a diretora.
Para Carolina Duttra, que já desenvolveu diversos projetos de vídeo na carreira, a experiência com o álbum das escolas de samba do Grupo Especial tem sido única.
“Confesso que mesmo a gente já tendo feito algumas gravações de alguns artistas em audiovisual na Cidade das Artes, acabou sendo uma novidade para a gente porque a gente está dentro do teatro. E dentro do teatro imprime uma arquibancada, um espaço que a gente precisa organizar e ter sincronia, várias pessoas em cima de uma arquibancada, foi tudo mapeado. A gente tem um mapa de músicos, instrumentistas, a gente desenhou um mapa de onde ia ficar cada instrumento, do mestre, do intérprete, do coro, de toda a equipe. Foi tudo milimetricamente reunido, conversado, acordado, é uma experiência diferente e nova para gente, está sendo uma experiência bastante aceita, bastante feliz em nossa visão”, concluiu a diretora de audiovisual do Estúdio Century.
Para 2024, além do lançamento em serviços de streaming de música, devido ao seu formato audiovisual, as faixas também serão lançadas em plataformas de vídeo e mídias digitais.
Idealizado pela Associação Recreativa de Diretores de Harmonia das Escolas de Sambas do Estado do Rio de Janeiro (ASSORDHESERJ), em parceria com a Federação Nacional de Escolas de Samba (FENASAMBA,) o “Segundo Encontro Nacional dos Diretores e Diretoras de Harmonia” também teve em uma de suas mesas um importante debate sobre os rumos que o julgamento do quesito Harmonia tem tomado nos últimos anos. Com a perspectiva do carro de som ser julgado, o que já acontece de forma oficial em alguns carnavais espalhados pelo Brasil, o encontro contou com a participação de alguns destes cantores e outros profissionais ligados à função. Wantuir, voz oficial da Porto da Pedra, apresentou o seu descontentamento e o seu espanto pelo fato do julgamento dos carros de som está cada vez mais rígido, enquanto as condições de trabalho oferecidas no carnaval nem sempre têm sido as melhores.
“A gente fica surpreso a cada ano que passa. Nos meus mais de 30 anos de carnaval, eu estive ano passado na primeira reunião sobre Harmonia na Liga, com os jurados, e eles nos propuseram a passagem de som que já existe em São Paulo há mil anos. Mas, quando eu cheguei na Avenida para cantar, tudo aquilo que foi feito anteriormente, que nós passamos o som em outro dia, não tinha nada do que havia sido preparado. O meu carro de som estava totalmente desfigurado, e tivemos que repassar o som tudo de novo. A gente se sentiu mal profundamente. Nada disso foi passado para os jurados. Em relação ao nosso julgamento, nós viramos um bode expiatório. Na reunião que nós tivemos, o jurado disse que estão para ficar de olho em quem está cantando bem. Na nossa classe hoje dos intérpretes nós temos registrado mais de 180, mas nós sabemos bem que somos muito mais. A gente está triste com o julgamento que vem sendo feito, inclusive em relação ao que teve de mudança no carnaval deste ano no Rio de Janeiro, nunca existiu, a dança de cadeiras foi muito grande, mas foi por causa deste julgamento. Nós gostaríamos que o julgamento do carro de som fosse como quesito, e não desse jeito que está sendo feito”, entende o cantor.
Preparadora vocal muito respeitada no mundo do carnaval e atualmente trabalhando junto de Wantuir na Porto da Pedra, a fonoaudiólaga Ionalda Belchior, questionou a forma como a avaliação tem sido feita em relação aos cantores, desrespeitando, inclusive, segundo a profissional, o que é a diretriz para o julgamento do quesito harmonia.
“É com muita preocupação que a gente vê essa questão da avaliação. Eu como fonoaudióloga especializada em samba, em voz de intérprete de escola de samba, eu fico muito preocupada quando eu vejo na justificativa que o meu intérprete fez caco demais, que o meu intérprete estava desafinando, semitonando. E quando a gente vai ver o conceito de harmonia que basicamente é o mesmo no Brasil inteiro, ele fala que harmonia é o entrosamento do canto produzido pela escola com o ritmo proposto pela bateria. É a clareza do canto de toda a escola, em todos os trechos do samba, por todos os setores, durante todo o período do desfile. Mas, quando você vai ler, fala sobre o carro de som, sobre o intérprete. Em algumas cidades, o carro de som não está inserido neste quesito, não claramente pelo menos, em outras sim”, explicou Ionalda.
Vice-presidente da ASSINCARJ (Associação dos Intérpretes do Carnaval do Rio de Janeiro), o cantor oficial da Unidos de Padre Miguel, Bruno Ribas, foi outro a questionar o julgamento realizado para o quesito e contestou também a capacidade que os julgadores têm para julgamento do trabalho realizado por um carro de som.
“Tem várias situações que estão erradas dentro do carnaval. Já que a gente falou de julgamento, eu acho que para eu julgar bateria, eu tenho que conhecer bateria, para eu julgar harmonia, eu tenho que conhecer harmonia. Isso independente da minha função fora do samba. Porque às vezes o cara é médico, mas ele acompanha carnaval. Mas, não é o que acontece normalmente entre os jurados. O que me deixa indignado, muito chateado, é o escritor fulano de tal julgando bateria, julgando harmonia. O cara dá 9,5 em uma escola de samba dizendo que a voz do cantor estava em desalinho com o tamborim do naipe tal da bateria”, manifestou o cantor.
Alexandre Belo, intérprete do carnaval de Porto Alegre há 38 anos, questionou o fato dos jurados muitas vezes em seu julgamento não respeitarem a tradição que existe no samba-enredo e as características presentes e inerentes às vozes oficiais.
“Quando a gente ouve que a jurada cita que o intérprete não fazia o refrão principal, em Porto Alegre, tinha um julgamento há uns 15 anos atrás que o intérprete não poderia parar de cantar, ele poderia não fazer as chamadas, mas não poderia parar de cantar. Parou de cantar vai ser canetado. De repente, ele tinha que fazer uma chamada, e é característico, o samba-enredo é uma música completamente diferente de todas as outras, até porque eu fiz canto lírico. O samba-enredo é diferente. É outra música. E essas características tem que ser respeitadas, porque se eu tirar a característica da chamada, imagina o que vai ser. Eu fiquei pensando sobre a reunião que vocês tiveram (reunião dos intérpretes do Rio de Janeiro com os julgadores) e a jurada disse que não gostava de caco. Eu imaginei o Carlinhos de Pilares se revirando no túmulo. Porque o grande mote dele era o caco. E era um grande intérprete, fez história no carnaval do Rio de Janeiro, no carnaval do Brasil. A música samba-enredo é completamente diferente de cantar, de julgar, e tem características que tem que ser respeitadas porque fazem parte do nosso carnaval das escolas de samba”, apontou o artista.
Em seguida, Bruno Ribas também expressou o seu descontentamento com a forma que muitas vezes os julgadores e outras entidades avaliam o carnaval sem se atentar para suas peculiaridades e tradições.
“Eu estou no carnaval há 46 anos, eu nasci no carnaval. Quando eu cheguei, o carnaval já era isso que eu encontrei. As pessoas estão insistindo em mudar algo que tem uma razão para acontecer. Além de raiz, tem fundamentos. Eu fiz algumas declarações há um tempo atrás falando sobre me afastar do carnaval, sair do carnaval. Fui muito chamado a atenção. Foram muito incisivos nisso. Mas, o que me leva às vezes a tomar esse tipo de atitude é a falta de respeito das pessoas com essa entidade. Tem muita gente pensando que o carnaval é qualquer coisa, não tem nenhum sentido. E o carnaval tem todo um fundamento”.
Já para o vice-presidente da Uesp (União das Escolas de Samba Paulistana), Demis Roberto, o carro de som deveria se constituir sim em um quesito diferente da harmonia e do samba-enredo, mas com a necessidade de que o julgador seja alguém preparado para avaliar os cantores.
“Eu sou favorável ao julgamento do carro de som. E não estou dizendo que eles estão julgando certo, ao contrário, estão julgando errado. Mas, é importante o julgamento incluir o carro de som, eu só acho que aqui no Rio, diferente de São Paulo, e lá nós também erramos, eu acho que o carro de som tem que ser um quesito próprio. Tirando ele do quesito harmonia. Lá, em São Paulo, por exemplo, não julgava carro de som, passou a ser julgado esse ano, brigamos muito para não entrar no quesito harmonia, queríamos criar um quesito próprio, ficou aquela briga danada, acabou entrando no quesito samba-enredo. Só que é o nosso primeiro ano. A gente não sabe ainda como será julgado. Na minha visão do quesito, do julgamento, eu não tenho capacidade de julgar se a execução do carro de som de uma escola está ou não certo. Eu, Dênis, não consigo julgar. Porque eu não sou músico. Eu não consigo discutir com o intérprete se ele está chegando na nota, ou não está. E, nenhum julgador do quesito harmonia, e do quesito samba-enredo tem essa condição. Porque o preparo para julgar a harmonia é uma coisa, o preparo para julgar samba-enredo é uma coisa, o preparo para julgar carro de som é outra. E aí que está o problema”, entende o vice-presidente da UESP.
Por fim, mestre Mercadoria, grande lenda do carnaval paulistano, em uma fala rápida, mas bastante contundente, questionou a propriedade que os julgadores têm para avaliar os quesitos, já que muitas vezes não tem ligação nenhuma com o universo do samba, das escolas, não conseguindo perceber sua tradição e seus fundamentos.
“Porque as nossas escolas não são julgadas pelos sambistas? Porque são julgados por intelectuais? Acredito que os presidentes das escolas têm medo de que os sambistas venham a julgar, porque eles vão julgar direito”, concluiu o diretor de harmonia.
O evento contou com a participação de diversos integrantes de harmonia do carnaval carioca e de diferentes cidades e regiões do Brasil como Porto Alegre, Vitória, São Paulo, Valença e ABC Paulista. Acompanharam o evento, também, personalidades importantes, como o síndico da Passarela do Samba, Machine e o formador de casais de mestre-sala e porta-bandeira, Manoel Dionísio.
O Novex Rio Praia confirmou atrações que vão agitar o camarote durante os cinco dias de carnaval na Marquês de Sapucaí, com a promessa de uma das melhores experiências da Passarela do Samba. No primeiro dia de desfiles da Série Ouro, o cantor Ferrugem e o grupo Gamei vão se apresentar no palco da casa; no sábado, Pixote e Yara Vellasco agitam os foliões; no Domingo, o ritmo do axé agita o camarote com É O Tchan, enquanto na segunda-feira é a vez de Xande de Pilares. No Sábado das Campeãs, a folia é encerrada com Belo e a bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel.
O anúncio e o lançamento da parceria com a marca de produtos de cabelo ocorreu na noite de terça-feira, em um evento realizado no hotel Pestana Rio Atlântica, em Copacabana, e contou com a presença de artistas e famosos do mundo do samba. Atriz e musa da Mocidade, Aline Mineiro é o primeiro nome confirmado para o posto de musa do camarote. Com a pré-venda já esgotada, o primeiro lote está disponível com preços a partir de R$ 1590,00. O valor inclui boutique, open bar, open food, espaço beleza, shows e lounge.
Sócio do empreendimento, Rodrigo Lyra acredita que a parceria engrandece a experiência promovida pelo Rio Praia. Ela é a primeira que adiciona a marca ao nome do camarote.
“A parceria é muito importante para o camarote e até para o carnaval em si, traz uma grande marca para abrilhantar o espetáculo. O público pode esperar muita animação, grandes shows, alegria e muito requinte para que a gente possa curtir o carnaval”, diz o sócio.
O Relações Públicas do espaço, Alan Victor, destaca que o papel do camarote é melhorar a experiência dos sambistas que irão acompanhar os desfiles da Série Ouro e do Grupo Especial. A frisa fica em frente ao segundo recuo das baterias. “A vista é privilegiada. Quem gosta do carnaval sabe que a bateria é o coração da escola. Poder sentar ali e ficar no mesmo nível da frisa é incrível. Só de falar, eu fico arrepiado”.
Os ingressos estão disponíveis no site Ticketmaster, plataforma oficial definida pela Liesa. A programação completa está disponível no site do camarote.
Alan conta que as conversas para definir quem serão as musas do camarote estão em andamento. Além de Aline Mineiro, outros dois nomes devem ser anunciados em breve. Diferente dos carnavais anteriores, em 2024 o Novex Rio Praia não vai ter a tradicional rainha. Nos últimos quatro anos, a modelo e fisiculturista Gracyanne Barbosa foi quem comandou o posto.
“A gente sempre chama pessoas que tem conexão com o carnaval, consideramos algo muito importante. Também convidamos pessoas que estão na mídia, sempre chamamos as que participam de reality shows. No ano passado, quem saía do Big Brother foi direto para lá. São pessoas que gostam do carnaval, porque a gente quer falar dele. O camarote está ali para que a experiência seja 100%. O maior espetáculo acontece na Avenida”, explica.
A lista de vips começa a ser montada entre novembro e dezembro. Com as mudanças feitas pela Liesa, o RP acredita que no próximo carnaval o número de convidados deve ser menor.
“Acredito que o convite será mais difícil, porque isso foi muito estreitado com as mudanças da Liesa. É algo que todos querem ir, mas não dá pra todo mundo. O Rio Praia tem sido muito desejado nos últimos anos. Fazer a lista de vips é um desafio enorme”, conta.
Veja a programação completa de shows
Sexta (09 de fevereiro) – Ferrugem e Gamei
Sábado (10 de fevereiro) – Pixote e Yara Vellasco
Domingo (11 de fevereiro) – É o tchan e Gamei
Segunda (12 de fevereiro) – Xande de Pilares e Yara Vellasco
Desfile das Campeãs (17 de fevereiro) – Belo e bateria da Mocidade com mestre Dudu e Zé Paulo
Evandro Malandro, intérprete da Grande Rio, conversou com a equipe do site CARNAVALESCO, após a gravação oficial do samba-enredo da Tricolor de Duque de Caxias para o Carnaval 2024. Veja abaixo o papo exclusivo.
Há quase 40 anos trabalhando com arranjos para escolas de samba, pelo segundo ano consecutivo, Alceu Maia é o produtor musical do álbum de sambas-enredo das escolas do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Para a gravação das faixas do próximo carnaval, o desafio está sendo diferente. Desta vez, além do áudio, há também um cuidado com a parte visual. Além disso, no formato deste ano, a bateria, a harmonia musical e os cantores estão gravando ao mesmo tempo, como se fosse um ao vivo, tudo em uma grande sala da Cidade das Artes na Barra da Tijuca. Alceu é cavaquinista, violonista e compositor de música popular brasileira. O produtor do disco explica como a organização do projeto chegou à conclusão de que o local era o mais indicado e esclarece mais sobre o novo formato de gravação para o carnaval 2024.
Fotos: Lucas Santos/CARNAVALESCO
“A gente chegou a Cidade das Artes, já procurando um local em que poderíamos ter um esquema para fazer um disco tipo ao vivo, com o espírito de uma bateria tocando ao mesmo tempo, que é diferente de um disco de estúdio, que tem coisas muito mais eficientes que o ao vivo, mas o ao vivo também tem coisas que o estúdio não tem. Para os cantores nós pedimos para cantar como se fosse ao vivo, então a gente está com o pessoal da Century (Estudio), que tem um equipamento fantástico, que possibilita que os cantores possam cantar claramente, mesmo com a bateria junto, tem essa coisa da emoção, cavaquinho, violão, todo mundo da bateria tocando junto. O coro é do carro de som da escola. Cada uma preparou o seu coro. A equipe de vídeo também é fantástica”, analisa o músico .
Desde 1985 produzindo arranjos para o disco de samba-enredo oficial da Liesa, o músico teve, mais de uma vez, a oportunidade de dirigir a produção e organização do álbum que é sempre muito aguardado pelo mundo do samba e por simpatizantes do gênero. Alceu lembra que o formato de 2024 não é totalmente inédito já que em edições anteriores, a gravação foi feita de forma similar na Cidade do Samba e no Teatro de Lona.
“Fizemos muitas reuniões, com o pessoal do vídeo, do áudio, da produção em geral. Antes de tudo, viemos aqui visitar para ver se suportava, então o fato de ser aqui na Cidade das Artes, é mais pela sala que a gente escolheu, que não fica aquela coisa enorme, é uma sala que possibilita um cenário bacana, uma iluminação ótima. Está muito bacana. É diferente, mas não é totalmente diferente. A gente já gravou esse tipo ao vivo no teatro de Lona que existia aqui perto na Ayrton Senna, não existe mais, também gravamos na Cidade do Samba e agora dessa vez aqui na Cidade das Artes. A experiência toda que a gente teve no teatro de Lona e na Cidade do Samba veio para cá. Só que hoje nós temos uma outra tecnologia, a gente tem essa parceria com o pessoal do vídeo, de cenário e de iluminação, feito tudo especialmente para esse projeto, para esse tipo de sala, esse tipo de sonoridade que estamos tirando está muito legal”, aponta o profissional.
Equipe da produção do álbum do Rio Carnaval 2024
Outro ponto que foi discutido com as escolas do Grupo Especial e definido para esta gravação foi que as agremiações teriam autonomia para desenvolver os arranjos para as faixas oficiais, tendo a supervisão e auxílio da equipe de produção, colocando inclusive seus instrumentistas e carros de som para participar da gravação.
“Na realidade, quando a gente definiu que seria um projeto ao vivo, a gente entendeu que cada escola tem os seus instrumentistas para cavaquinho, violão, e a gente disponibilizou músicos profissionais, não que os das escolas não sejam profissionais, mas tem alguns que não são mesmo. Então, a gente disponibilizou o Jorge Cardoso e eu para fazer os arranjos, a gente já faz há muito tempo, eu faço há 40 anos, inclusive, para fazer para quem quisesse usar a gente. Mas todas as escolas já tem o seu carro de som. A gente conversou o seguinte, vocês façam os arranjos tranquilamente, e eu faço uma supervisão. Eles mandam o arranjo para mim e eu faço sugestões, não que seja certo ou errado, mas sugestões de 40 anos de experiência e isso tem sido muito bem aceito pelos diretores musicais, diretor do carro de som e o arranjador. As vezes são a mesma pessoa. Mas eu converso com eles todos. Como ao vivo são eles mesmo que tocam, vamos botar eles para tocarem e fazerem os arranjos. Dois deles até comentaram que faziam normalmente o arranjo baseado naquilo que a gente produzia para o disco. Óbvio, mudando algumas coisas para a Avenida. Então, existe essa interação. Alguns, então, pediram para fazer essa supervisão mais direta com eles, a gente trabalhou junto. É algo que existe na vida há milhões de anos. Mas, os arranjos são de alguém que a escola determinou”, esclarece Alceu Maia.
Equipe da produção do álbum do Rio Carnaval 2024 com o cantor Wander Pires
Fiéis escudeiros de Alceu, Douglas Garrafinha, técnico de som, e Mario Jorge Bruno, na produção, estão por mais um ano participando da produção do disco ao lado de toda a equipe do Estúdio Century que faz a capitação de áudio e vídeo, e da Rio Carnaval. Mario Jorge apontou a diferença entre o trabalho na Cidade das Artes e as próprias gravações realizadas na Cidade do Samba e no Teatro de Lona.
“Essas gravações ao vivo, já na década de 1990, nós fazíamos lá no Teatro de Lona, foi um projeto pioneiro para as escolas de samba. Era montado um estúdio em uma tenda, colocavam-se cobertores para abafar o som e fazia-se tudo que o improviso permitia. E na Cidade das Artes, é outra estrutura, uma sala que já é acusticamente tratada, outra estrutura de equipamento, mesa digital, caixas de som menores e com mais qualidade, microfones melhores para captação. É importante o samba estar aqui, o samba não pode ser desvalorizado musicalmente e artisticamente, pois ele é muito importante para o Brasil. Essa garotada da bateria estuda, gosta de tocar, e o desenvolvimento disso é fabuloso. Nem todos estudam música, muitos são autodidatas, ouvem, se interessam, treinam, fazem as escolinhas e daí acontece essa renovação e oxigenação de ritmistas”, acredita Mário.
Em sua carreira, Alceu Maia já gravou com diversos artistas da música brasileira, no mundo do samba, os mais notórios, Martinho da Vila, Clara Nunes, Chico Buarque, Leci Brandão, Alcione, Cartola, Zeca Pagodinho, Nelson Cavaquinho, Jorge Aragão, entre outros. Conhecedor da programação da Cidade das Artes, até por morar próximo ao complexo cultural da prefeitura, Alceu celebra a presença das escolas de samba no espaço.
Douglas Garrafinha, técnico de som
“Tem muito show de samba, pagode, tem teatro e o samba-enredo já esteve aqui. Eu já participei aqui de vários shows com uma mini bateria há muito tempo atrás e convidados. É uma coisa diferente, você não consegue fazer um ensaio completo de escola de samba em um local desses porque tem várias coisas acontecendo ao mesmo tempo. Acho que o samba-enredo já foi representado aqui, está sendo icônico ser gravado aqui no espaço, que teoricamente e historicamente, é reservado ao ballet, a música clássica, o ano inteiro com orquestra ensaiando aqui, e esporadicamente tem essa possibilidade de eventos maiores. Mas a ocupação do espaço é perfeita, tem tudo a ver, porque acho que a cultura mais carioca que tem é o samba, e o mais carioca do samba é o samba-enredo. A cultura do samba-enredo é a coisa mais carioca que existe, tanto que as escolas de samba de outros estados do Brasil se inspiram, não copiam, mas se inspiram nas escolas do Rio pois foi onde nasceu as escolas de samba”, conclui Alceu.
Terminada as gravações, o trabalho continua com a mixagem e masterização das faixas. A expectativa é que todos os 12 sambas sejam disponibilizados para o público até 02 de dezembro, Dia Nacional do Samba.