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Comissão de frente da Mancha Verde é destaque no primeiro ensaio técnico

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Por Will Ferreira e fotos de Fábio Martins

Tradicionalmente, o primeiro ensaio técnico da Mancha Verde é utilizado pela escola como uma espécie de descompressão e para reconhecimento do Anhembi. Não foi diferente nesta sexta-feira, quando a agremiação estreou no Sambódromo no ciclo para o carnaval de 2024. Vale destacar a comissão de frente da agremiação, que mostrou-se bem diferente de boa parte das coirmãs ao apresentar o enredo “Do nosso solo para o mundo: o campo que preserva, o campo que produz, o campo que alimenta”, que será a sexta a desfilar na sexta-feira de carnaval (09 de fevereiro).

Comissão de frente

Primeiro segmento da escola, os componentes surpreenderam em muitos aspectos. O traje, inteiro branco, remetia a uma influência afro – e a presença de uma participante vestida como uma baiana e de um dançarino interpretando Okô, o orixá da agricultura (com direito até mesmo a uma flauta) apenas reforça tal percepção. Outro ponto de surpresa foi a coreografia, bem independente em relação ao samba, exigindo muito mais que uma passada da canção para ser executada em sua plenitude. Por fim, ao invés de tripés que mais parecem uma alegoria pela imponência, a agremiacão optou por um elemento bem discreto, servindo de apoio para algumas bacias – que, em dado momento, são pegas por alguns dos integrantes. A primeira impressão manchista não poderia ser melhor.

ManchaVerde et Comissao 2

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Dos casais mais premiados do carnaval paulistano, Marcelo Silva e Adriana Gomes, mais uma vez, encantaram os presentes no Sambódromo. Em tons alviverdes, ambos seguiram a segurança e a prudência, em giros com velocidade mais cadenciada. Em cada movimento coreográfico, porém, era nítido o quanto ambos estão bem ensaiados: até mesmo as piscadas de olho para o público eram dadas simultaneamente.

Mesmo ciente do bom trabalho que fez, Marcelo aproveitou para destacar as reformas pelas quais o Anhembi está passando. “É o décimo primeiro ano juntos, e a gente sempre teve a consciência de que ensaio é para errar inclusive, errar para a gente sentar e conversar, mas eu estou saindo muito sossegado e tranquilo. É óbvio que a gente tem sim que conversar, mas foi um dos primeiros ensaios em que a gente saiu mais tranquilos. A escola deu um suporte para a gente. O nosso suporte de ensaio, o nosso suporte de apresentação para o jurado, cumprindo todos os critérios que a gente precisa cumprir para o jurado na frente do jurado. De verdade, eu saí tranquilo. Eu estou surpreso com a Avenida. A impressão que eu tive é que ela está mais alta, e eu acho que ela tem um desnível e isso me preocupa um pouco. A gente está de fantasia e me preocupa enquanto a minha porta-bandeira está de saia. Eu acho que a gente vai ter que ter uma certa atenção, mas acredito que até o dia do desfile eles vão acertar as coisas. Ela me olha e eu sei do que ela está precisando, ela me olha e ela sabe do que eu estou precisando, e a gente vai adaptando. Nós estamos saindo tranquilos, mas não sossegados. A gente tem sim conversar, a gente tem sim que continuar trabalhando para chegar no dia do desfile prontos”, disse.

ManchaVerde et PrimeiroCasal

Adriana concordou com os pontos abordados pelo parceiro de segmento. É o primeiro ano que a gente sai do primeiro ensaio tão bem. A gente teve que fazer algumas mudanças na coreografia depois que a gente veio para cá. A gente muda a coreografia na quadra e depois que traz para cá tem que mudar um pouquinho, e quando a gente coloca a fantasia muda mais um pouquinho. Acho que tudo encaixou bem. Acho que para o primeiro foi leve, foi tranquilo. Santa Clara nos ajudou, minha santinha, que a chuva não veio, então eu estou saindo muito feliz. Com o critério que teve umas mudanças, acho que a gente conseguiu fazer todos os balizamentos que o critério pede com os novos módulos em vez de cabines. Acho que rolou, acho que deu certo. A gente veio com os sapatos apropriados para a pista que a gente estava acostumados antes, então quando a gente sente que ela está diferente daquilo que a gente está acostumado a gente faz algumas adaptações nos passos. Mas quando a gente tem um par de confiança a gente pode fazer passo novo que a gente vai fazer o passo certo”, notou.

Samba-enredo

Alvo de diversas críticas ao longo de todo o ciclo carnavalesco, a canção foi executada de maneira bastante cadenciada ao longo de todo o percurso, com a Puro Balanço sustentando muito bem o ritmo – e com boa quantidade de apagões e miniapagões. Vale destacar que Freddy Viana, intérprete da escola, teve atuação bastante sóbria, sem fazer muitos cacos.

O próprio intérprete destacou a busca pela nota máxima por conta da canção. “Gostei do desempenho do samba, sim. Para falar a verdade, a Mancha sempre cantou muito. Se você acompanhar os ensaios da Mancha na quadra, é uma coisa absurda mesmo: deixa muitas pessoas com lágrimas nos olhos. A gente fica muito feliz por termos a comunidade na mão, que canta e sabe o que tem que desempenhar na avenida, o papel que ela tem que fazer para a escola tirar nota dez em Harmonia”, pontuou.

Sobre as críticas à obra, Freddy afirma que foca na escola e não dá muita atenção para o que o mundo do samba está falando. “A gente deixa para lá os comentários e fazemos o nosso trabalho. O que sabemos é que o samba vai crescer na nossa mão. Os críticos sempre vão falar de um samba ou outro, mas o samba da Mancha é muito leve e fácil de cantar. A comunidade aderiu a ele. O que dizem a gente nem absorve: o que a gente sabe é que faremos um grande trabalho com o que temos em mãos. A comunidade abraçou esse samba e está falando que não tem samba ruim na Mancha, não. Se está na escola, é bom”, ejactou-se.

Harmonia

Ao longo de todo o ensaio técnico, o canto foi bastante irregular. Os refrões e os primeiros versos logo após os mesmos eram cantados com força pelos componentes; mas, pouco depois, o vigor vocal rareava. É importante destacar duas alas que tiveram destaque em tal aspecto: os componentes que vinham antes e depois do segundo carro tiveram desempenho bem satisfatório e mais forte que as demais.

ManchaVerde et 14

Evolução

Ao longo do desfile inteiro, chamou atenção o quanto a agremiação tinha um andamento, além de bastante uniforme, cadenciado. O ponto negativo foi o recuo de bateria, que deve exigir atenção da instituição carnavalesca. Se o movimento foi muito bem executado pelos ritmistas, que adentraram o box quando a ala da frente estava ainda na metade do espaço, os componentes do grupamento seguinte tiveram certa morosidade para ocupar o espaço aberto. Ao final do movimento, que durou cerca de 140 segundos, foi possível notar que staffs da agremiação pediram para que os componentes seguissem sem se movimentar por mais alguns minutos.

ManchaVerde et Baiana 2

Paolo Bianchi, diretor de carnaval da agremiação, exaltou o que foi feito pela escola da Zona Oeste, “Tudo que a gente programou aconteceu. Duas horas antes estava caindo o mundo de chuva aqui em São Paulo, mas 80% da escola estava aqui pela contagem que a gente fez. Escola cantou, primeiro ensaio, pessoal está voltando de férias, mas funcionou o canto. O andamento foi fantástico. No rádio a gente falou aqui que foi o melhor ensaio da história em termos de andamento. É só não se empolgar muito e voltar para quadrar e trabalhar mais”, comemorou.

ManchaVerde et Passista

O controle do período para ensaia também foi destacado por Bianchi. “A disciplina da galera. A gente fez muitas reuniões desde agosto com componentes já explicando algumas coisas que não foram legais ano passado e claramente os diretores de ala assimilaram o que a gente falou e foi o relógio. Foi a maior parte positiva. As coisas que combinamos com todo mundo funcionou. As pessoas se dedicaram e tiveram disciplina. O ponto alto foi a nossa organização”, afirmou.

Outros destaques

Juntamente com os primeiros diretores da agremiação, o Manchão, mascote da escola, veio em um monociclo batucando um tambor – tudo isso de pelúcia. A ala das baianas veio inteira em tons de verde.

A marcação dss alegorias foi feita com quatro caminhões de um hortifruti parceiro da escola. O calçado de ao menos duas passistas teve problemas e ambas vieram descalças na passarela.

ManchaVerde et ComissaoTorcida

Os dois casais mirins da agremiação merecem destaque. Com muitos giros e dançando bastante, ambos estavam bem sincronizados e expressivos. Na “Mais Querida”, o quesito está com o futuro garantido.

Bastante cadenciada, a bateria Puro Balanço foi, pela primeira vez em um ensaio técnico, comandada pelos mestres Cabral e Viny. E ambos gostaram do desempenho dos ritmistas. “A gente é muito chato, para dizer a verdade. A gente diz bastante até para a nossa bateria que o trabalho é de formiguinha, nunca estamos muito satisfeitos com o trabalho. A gente é incrível, nós dois somos muito iguais. Acho que a gente vai estar satisfeito daqui uns 30 anos talvez. A bateria, às vezes, tem um grande desempenho, mas sempre a gente acha que tem que ter um quê a mais. Sempre acha que talvez a afinação, talvez a caixa, sempre a gente acha que falta um pouquinho e isso já é de nós. A gente sempre está buscando alguma coisinha de perfeição, e para a gente nunca vai estar perfeito”, destacou Viny.

ManchaVerde et MestresVinyCabral

O companheiro dele seguiu a mesma linha. “Estamos com várias ideias. Foi o que o Vini acabou de falar, a gente é muito perfeccionista, a gente quer sempre fazer o melhor. A gente sempre acha um erro ali, um erro aqui, e às vezes não é nem tanto erro, mas para a gente é muita coisa e estamos procurando sempre acertar. A gente não consegue chegar à perfeição, é difícil demais, mas a gente consegue botar no padrão legal para que a gente possa alcançar o objetivo junto com a escola. O nosso trabalho começou agora, a gente vem de uma continuidade, mas a gente tem a nossa cara e quer botar a nossa identidade um pouco na Puro Balanço. Demora, daqui a uns três, quatro anos a gente acha que a gente consegue já deixar um padrão legal na bateria. Hoje foi o nosso primeiro ensaio técnico do Anhembi como mestres e foi logo um geral, e a gente gostou, mas sempre com uma pontinha de que algo poderia ser melhor. De uma maneira geral a gente, quando chegar em casa, vamos escutar os vídeos e vamos estudar tudo porque a gente na frente não tem muita referência do que vem do peso, tá muito leve na nossa frente, mas a gente vai estudar. A diretoria de capacidade vai conversar com a gente, a gente vai entrar num acordo ali para ver o que a gente pode fazer de melhor já para o próximo ensaio”, pontuou.

Quando perguntados sobre qual foi o ponto forte dos comandados, Viny focou na atmosfera criada pelos ritmistas. “Eu acho que o entusiasmo da bateria, a alegria. A gente achava até que a bateria estava num clima até mais pesado, mas bateria está num clima leve e isso para a gente é até gratificante. Como o Cabral disse, foi o nosso primeiro ensaio aqui e querendo ou não é um peso, não é fácil. Uma escola de porte que é a Mancha Verde, num Grupo Especial. Uma escola que faz um grande carnaval todo ano e sempre vem brigando por título, e a gente está com essa chance, com essa oportunidade nesse cargo e nessa escola, nessa bateria que é a Puro Balanço. É um grande peso para todo mundo, e acho que é gratificante para a gente e para eles”, afirmou.

Cabral, por sua vez, deu outro detalhamento. “Só para dar um adendo aqui. Quero agradecer a Puro Balanço. A gente sempre agradece todos os dias, em todos os ensaios, mas mais uma vez, agradecer publicamente para todos verem que nós somos muito gratos a todos esses ritmistas. O clima é muito leve, a gente vem pedindo desde maio. Só agradecer a eles e ao presidente Paulo Serdan porque é uma responsabilidade muito grande no lugar que a Mancha está hoje ele apostar em dois iniciantes. Isso ele teve peito e a gente vai junto com ele, vai botar a cara e vai fazer o melhor para a bateria Puro Balanço e para a Mancha Verde”, finalizou.

Comissão de Frente e casal se destacam em primeiro ensaio técnico da Nenê de Vila Matilde

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Por Lucas Sampaio e fotos de Fábio Martins

A Nenê de Vila Matilde fez na sexta-feira seu primeiro ensaio técnico em preparação para o desfile do Grupo de Acesso 1 do Carnaval 2024 de São Paulo no Sambódromo do Anhembi, com destaque para o bom desempenho da comissão de frente e do casal de mestre-sala e porta-bandeira. A Águia da Zona Leste será a terceira escola a se apresentar no dia 11 de fevereiro com o enredo “Cirandando a vida pra lá e pra cá. Sou Lia, sou Nenê, sou de Itamaracá”.

Comissão de Frente

A comissão de frente da Nenê chamou atenção logo de cara, ao se posicionar para ensaiar totalmente fantasiada, se apresentando em dois atos ao longo de duas passagens do samba. Uma criança parecia representar a homenageada da escola, Lia de Itamaracá interagindo em um primeiro momento com personagens vestidos de pescadores e em outro com animais marinhos que dançavam sob um grande tapete azul simbolizando o mar. O grupo cênico demonstrou um claro modo de atuar lúdico, dando leveza à abertura da escola e chamando a atenção do público.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Nenê, formado por Cley Ferreira e Thayla, tiveram uma atuação agradável de se presenciar. Com passos de dança alternando entre o tradicional do quesito e o ritmo do samba, a dupla cumpriu diante do módulo em que foi observado os diferentes elementos exigidos sem falhas, e mesmo diante do vento que impôs desafio adicional à Thayla, ambos conseguiram transmitir sincronia e elegância com seus passos. Se mantiverem o bom desempenho observado, podem trazer as notas que a escola almeja para alcançar seus objetivos.

Harmonia

A comunidade da Nenê demonstrou ao longo do ensaio disposição para cantar e defender o pavilhão matildense, o que ficou explícito no empenho e alegria demonstrados com destaque para a animada ala das baianas. O andamento da parte musical, porém, causava dificuldades em diferentes pontos da letra para parte dos componentes, em especial na primeira parte do samba que contêm diferentes versos com muitas palavras. Essa dificuldade de cantar o samba causou prejuízos ao canto como um todo, que foi irregular ao longo da passagem da escola.

Evolução

Foi outro quesito seguro da escola. Ao longo da passagem foi possível observar as alas com compactação adequada, sem grandes espaçamentos entre elementos. É possível haver até mais espaço para destaques e casais para que possam evoluir com mais leveza, mas as alas não serão problemas para a escola caso a condução das alegorias siga dentro do esperado.

Samba-enredo

Destaque na boa safra do Grupo de Acesso 1, o samba da Nenê de Vila Matilde se apresentou no primeiro ensaio de forma deveras acelerada. O ritmo imposto a uma obra que na faixa oficial do CD aparenta estar mais cadenciado foi o principal responsável pela dificuldade da comunidade em cantar o samba com maior clareza. Certamente é o quesito que precisa de mais atenção para correções no segundo ensaio, com a ideia de cadenciar mais o andamento sendo uma possibilidade para resolver o problema.

Freddy Ferreira: ‘Afinação de instrumentos e os impactos no equilíbrio e na equalização da bateria’

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Um tema delicado atualmente, mas necessário ser abordado diz respeito às afinações das peças. Cada instrumento de uma bateria recebe um tipo de afinação, normalmente vinculado a tradição musical da própria agremiação. Os surdos culturalmente representam as afinações mais vinculadas ao DNA rítmico de cada escola. No Salgueiro, por exemplo, o peso das marcações fascina pelos dois extremos, um surdo de primeira bastante grave, com uma resposta mais aguda da segunda bem forte. A primeira marcação mangueirense, com timbre grave também encanta e é uma herança musical de longa data em Mangueira. Já na Mocidade Independente, a inversão das afinações em relação às demais escolas faz com que a primeira ecoe de forma aguda, enquanto a resposta do surdo de segunda deixa grande parte do ritmo com um aspecto de timbre grave.

Esse breve resumo só relatou sobre algumas peculiaridades musicais de cada bateria envolvendo afinação de surdos. E o intuito principal da coluna está longe de ser sobre afinação somente de marcações. É passar exatamente uma visão geral de um problema que tem passado despercebido em inúmeros ritmos, a importância de aperfeiçoar e potencializar a afinação de cada naipe, visando atingir o máximo possível para que sobressaia o conjunto.

Peças bem afinadas representam a possibilidade de entregar musicalmente o melhor individualmente, o que necessariamente acaba impactando num conjunto rítmico que ressoa de forma mais eficiente, aproveitando todo o potencial possível de cada naipe. Um surdo de terceira bastante apertado praticamente não ressoa, por exemplo. Isso vai impactar na produção de cada ritmista da terceira, afetando também a sonoridade final de todo o naipe, que poderá ser pouco percebido por julgadores e público, gerando um ritmo deficiente em balanço.

Repiques apertados além da conta praticamente não produzem som e podem representar uma inconsistência musical nos naipes médios. Assim como as caixas de guerra, que com uma afinação que por vezes caminham mais para o médio-agudo, não irão auxiliar na percepção do complemento musical por parte dos médios. A atenção deve ser redobrada com baterias que usam caixas vazadas, que já são puxadas para o timbre agudo de modo natural. Sobre caixas e taróis, inclusive, vale lembrar que bordões em excesso podem dificultar que o médio sobressaia como se deve.

Tirar o potencial máximo da sonoridade de cada naipe individualmente pode representar, no conjunto, uma fluidez rítmica cada vez mais notável. Essa fluência pode ser obtida através de afinações que permitam uma propagação sonora diferenciada para cada naipe. O próprio efeito musical de consistência e integração rítmica pode residir em se aproveitar melhor do timbre de cada peça, alcançando um famoso jargão popular no universo das baterias, com um “ritmo que está com tudo no lugar”.

O equilíbrio, sem dúvida alguma, é o desejado e almejado produto final de uma bateria de Escola de Samba. E o equilíbrio rítmico é representado, sobretudo, através da consistência obtida pela fluência plena entre todos os naipes. É conduzir a bateria para uma sonoridade perfeitamente enxuta, indicando que o samba e o ritmo possuem integração musical praticamente orgânica, como se tivessem nascido um para o outro. Isso é ainda mais potencializado por uma equalização de excelência, que consegue evidenciar as distinções entre os mais variados timbres presentes no ritmo. Tem sido um caminho natural de inúmeras baterias criarem arranjos musicais que deixam evidentes as diferentes afinações de surdos, durante a execução de uma bossa. Isso só é possibilitado graças a um trabalho diferenciado de equalização, que permite que a boa definição entre os timbres mais diversos seja musicalmente notada.

Importante ressaltar, portanto, que é vital a contínua conferência das afinações de surdos ao longo de todo o desfile da bateria. Caso contrário, até a sonoridade das bossas que utilizam diferenciação de timbragem como diferencial deixarão a desejar. E ainda que não ocorram arranjos musicais desse tipo é prioridade rítmica uma afinação de surdos que permita a manutenção de andamento, o balanço das terceiras em evidência, além da propagação da pergunta (primeira) e da resposta (segunda) consistentemente. Afinadores de surdo são os autênticos e verdadeiros cardiologistas do ritmo! Esse texto é gentilmente dedicado ao eterno e saudoso mestre Cláudio Cardoso, o exímio afinador de surdos Claudinho Meião.

Série Barracões: Apostando em jovens carnavalescos, Portela terá estética a serviço do enredo que contará, acima de tudo, uma história de afeto

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Após um desfile do centenário em que pouca coisa funcionou, e depois de muitos problemas, a Azul e Branca de Madureira amargou um décimo lugar em 2023. Por isso, a Portela mexeu um pouco em suas peças e teve como grande mudança a direção artística de seu carnaval. Nos últimos anos, a águia centenária vinha trabalhando com profissionais experientes e já vitoriosos no carnaval carioca, como foram os casos do casal Renato e Márcia Lage, Rosa Magalhães, Paulo Barros e Alexandre Louzada. Para o próximo desfile há uma clara mudança de perfil ao apostar nos carnavalescos André Rodrigues e Antônio Gonzaga. André assinou seu primeiro carnaval no Grupo Especial em 2023, quando dividiu o comando da produção do desfile da Beija-Flor com Alexandre Louzada. Já Gonzaga, foi ainda além, o desfile passado do Arranco do Engenho de Dentro, que manteve a escola na Série Ouro, foi o primeiro assinado pelo carnavalesco que agora chega em Madureira para, com certeza, um dos maiores desafios da sua curta carreira. A dupla falou sobre esta oportunidade na Majestade do Samba e de como entendem essa mudança de perfil da centenária de Madureira.

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Fotos: Lucas Santos/CARNAVALESCO

“A Portela sentiu que precisava de uma mudança não só em seu visual, acho que nem é essa questão, pois cada artista tem a sua linguagem, e eu e André chegamos e colocamos a nossa linguagem a serviço da Portela, mas acho que a Portela sentiu uma necessidade de repensar a forma dela de fazer carnaval discursivamente, estruturalmente e plasticamente. A gente está agradando, mas isso é um processo que passa por todos os profissionais da Portela, todo mundo está fazendo parte deste trabalho coletivo e a gente caminha junto, e o desfile a gente espera que seja um resultado desse processo” , entende Antônio.

“Tem muito essa coisa da roupagem, não é intencional da nossa parte estar mudando a Portela, acho que é intencional da Portela nos trazer para fazer tudo que a gente sabe fazer, essa nova roupagem não é uma intenção nossa, a Portela trouxe para que a gente desenvolvesse o que a gente sabe de melhor, o que a gente pode oferecer de melhor para a Portela e a gente está muito feliz com tudo, com essa liberdade de fazer, com um incentivo de fazer, que não parte só da diretoria, mas parte dos próprios portelenses. É muita escuta antes de produzir, é muito carinho, são muitas conversas boas com a escola, entendendo também o que as pessoas querem de Portela e isso para gente é algo que dá base e segurança para continuarmos o que estamos produzindo sem ficar pensando se isso é bom ou não, a gente está muito seguro de fazer este carnaval para a Portela”, esclarece Rodrigues.

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Liderado pelos carnavalescos Renato Lage e Márcia Lage, o desfile do centenário até contou com uma abertura impactante e emocionante, mas o sonho virou pesadelo após a apresentação da escola ser afetada pelos problemas na pista. Mas tudo isso ficou no passado, para a nova dupla de carnavalescos da agremiação, o resultado adverso do desfile de 2023 só influenciou na possibilidade da chegada dos artistas. O que aconteceu na Passarela do Samba no ano passado, segundo os profissionais que agora comandam o projeto artístico da Azul e Branca, em nada vai influenciar no trabalho para o desfile deste ano, como salienta André Rodrigues.

“Toda essa situação, acredito que permitiu que a Portela se abrisse a outras ideias. Mas isso em momento nenhum foi um fato para a gente. Nós chegamos para produzir um carnaval para Portela e a gente fala isso desde o início, sabemos o que é a Portela, e isso sempre foi um local de respeito para a gente, por isso a gente estamos aqui para fazer o melhor em relação aquilo que a gente conhece que é a Portela, independente do último carnaval, independente do próximo carnaval, não importa. A Portela é uma escola que tem 100 anos de idade, é extremamente importante para o carnaval carioca, é importante na minha vida, é importante na vida do Antônio, então, a gente tem o nosso entendimento do que é a Portela e a gente está fazendo um carnaval para suprir esse entendimento que a gente tem da instituição. O que foi o último carnaval, para a gente honestamente é mais uma via de que a própria Portela esteja com a gente nestas possibilidades de carnaval que a gente fornece, e menos sobre a gente. Mais sobre a própria escola”, explica o carnavalesco que produziu o desfile da Beija-Flor em 2023.

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Antonio Gonzaga complementa afirmando que o projeto de carnaval da Portela tem sido tocado de uma forma que mesmo que a escola viesse de um título, nada seria pensado diferente para este carnaval.

“Acho que é essa compreensão da grandeza do que é a Portela, independente do que foi o último carnaval da Portela. A gente está fazendo um carnaval que mesmo que a Portela tivesse sido campeã, estaríamos tocando o projeto da mesma forma. A gente pensa na melhor versão da Portela que a gente é capaz de fazer neste momento. Isso é o que mantém o nosso trabalho”, reitera o artista.

Enredo traz mensagem sobre afeto e estética apresentará diversas linguagens

Campeã pela última vez em 2017, quando dividiu o título com a Mocidade, a Portela busca encerrar um jejum de mais de 50 anos sem vencer um campeonato de forma isolada. Na última vez, o enredo era “Lendas e mistérios da Amazônia”, com um samba bastante aclamado pela crítica que até hoje se configura como um clássico da Majestade do Samba. Com outra grande obra em mãos, para 2024, a dupla de carnavalescos Antônio Gonzaga e André Rodrigues desenvolveram o enredo “Um Defeito de Cor”, baseado na obra homônima da autora Ana Maria Gonçalves. O sonho da Portela está centrado no principal fator simbólico que dá consistência para ela ser o que é e chegar onde chegou: o Afeto. Por isso, o enredo traz uma outra perspectiva, refazendo os caminhos imaginados da história da mãe preta, Luíza Mahim. O artista Antônio Gonzaga adianta que é um projeto dedicado a todas as mães e uma forma de demonstração de afeto e gratidão por sua chegada à escola, ao lado de André Rodrigues.

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“Acreditamos que esse enredo é a nossa mais profunda manifestação de afeto nessa chegada. É um enredo que dedicamos a nossas mães, nossas avós e a cada mulher preta que carrega a força de sobreviver, ser e semear novas histórias. ‘Um Defeito de Cor’ é a história da luta preta no Brasil incorporada em uma mulher que enfrentou os maiores desafios inimagináveis para continuar viva e preservar suas heranças e raízes. A história de uma mãe, heroína, filha de África, que pariu a liberdade dessa nação. É uma honra imensa contar essa história e imaginar esse reencontro de Luísa com Luís Gama. Essa história fala de todos nós. É a nossa identidade construída no tempo”, frisa Gonzaga.

O título, “Um Defeito de Cor”, é baseado no artifício da dispensa do defeito de cor usado por negros no século passado que, quando acatado, os permitia exercer cargos de importância na religião, governo e na política. É justamente esta característica, a da cor, que posiciona os personagens deste carnaval da Portela. Caminhos, histórias e consequências que apenas se explicam por serem vivenciadas por sujeitos negros no Brasil conforme explica o carnavalesco André Rodrigues.

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“O livro nos entrega uma história que entendemos que se confunde muito com a história de tantas outras mães negras que tem suas experiências maternas atravessadas pela questão racial; conseguimos compreender as marcas da violência histórica que justifica, inclusive, sobre as nossas experiências com as nossas mães”, diz Rodrigues.

Em um enredo que apresenta muito da luta contra o racismo, na época luta pela abolição da escravatura, e da valorização de uma personagem histórico tão importante como Luíza Mahim para estes movimentos, a dupla de artistas da Portela revela que vai tocar muito no aspecto do afeto, do carinho para levar para a Sapucaí estas importantes questões.

“A grande mensagem desse desfile na minha opinião é que o afeto é um caminho de resolução das coisas para muitas vias de resolução daquilo que a gente vive . Desde a gente compreender a trajetória do outro, de a gente compreender a individualidade dessas pessoas, enfim, o afeto é uma via de possibilidades, principalmente de existência, de sobrevivência. A gente diz muito sobre lutar, lutar, lutar, de se colocar nesse lugar de luta, principalmente através do atravessamento das questões raciais, independente de qual seja, mas principalmente as que envolvam esse tema. O enredo diz muito de como o afeto, o carinho e o olhar, são uma via de sobrevivência tanto quanto você ir e buscar. Acho que a mensagem é essa”, explica o carnavalesco André Rodrigues.

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“É importante também entender que essa luta que a gente fala, é uma forma de lidar com carinho com a sua própria história. Quando você luta por uma causa, quando você luta pelo seu povo você está oferecendo carinho às pessoas que vem depois de você, e você está tratando com carinho a história das pessoas que vieram antes de você. O afeto é o que costura todo o enredo”, acrescenta o carnavalesco Antônio Gonzaga.

Quem entra no barracão da Portela e estava acostumado a entrar nos últimos anos, nota uma diferença na parte plástica, é tudo bastante novo em relação ao que a escola vem levando para a Sapucaí nos últimos anos. Tem uma assinatura bem original no traço utilizado para as esculturas das alegorias, nos materiais utilizados para ornamentação dos carros, nos detalhes das saias dos elementos alegóricos, etc. Essa ruptura é até natural após um ano em que os resultados foram bem aquém do que o portelense esperava, e é natural pela própria chegada de novos artistas. Mas, André Rodrigues frisa e entende que o estilo que a Portela vem adotando para este desfile é menos baseado nos carnavalescos, e mais justificado na necessidade que o próprio tema pede.

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“É uma escola que está entregue ao dinamismo do enredo. Quando o enredo se abre para isso, ela é muito mais a Portela, quando o enredo se abre para uma maneira mais ampla, para o contar a história, ela é 100% a Portela, mas quando o enredo pede determinados assuntos, determinados locais, a estética é o que tem que ser. A Portela está se rendendo, com a nossa passagem aqui, com o nosso trabalho esse ano, à narrativa antes de tudo, e à necessidade da narrativa, à necessidade estética para a narrativa. Não é a narrativa compondo a estética, mas sim a estética que está a favor da narrativa”, explica André.

Antonio Gonzaga complementa demonstrando que o enredo fez com que a dupla precisasse usar de diferentes linguagens em cada setor do desfile.

“Isso fica muito claro a partir da divisão de setores. A linguagem muda muito de um setor para o outro pela dinâmica do desfile, para não se tornar monótono. Mas é legal que o enredo pede isso. Tem momentos que o enredo pede uma linguagem mais luxuosa, assim por dizer, e tem momentos que a escola pede algo mais singelo, tocante e simples”, aponta o carnavalesco.

Trabalho em dupla traz desafios, mas diálogo é o caminho

Trabalhando juntos pela primeira vez, André e Antônio têm trajetórias diferentes no carnaval carioca. Formado em Design pela PUC-Rio, Antônio Gonzaga começou no samba como compositor do Salgueiro. Projetou-se como designer de moda e de comunicação visual. Estreou no carnaval elaborando as identidades visuais dos enredos da Cubango em 2019, sendo convidado pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora para integrar a equipe de criação, e ajudando posteriormente nos carnavais seguintes da Grande Rio também. Sua estreia assinando um desfile, como citado acima, foi no Arranco de 2023.

Figurinista e projetista, André Rodrigues iniciou os trabalhos, em 2007, na Lins Imperial. No currículo traz passagens em outras funções pela Vila Isabel, Grande Rio, Mocidade Independente de Padre Miguel, União da Ilha, entre outras. Em São Paulo, atuou na Vai-Vai, Mocidade Alegre e assinou o carnaval da Mocidade Unida da Mooca (Acesso 1) de 2018 a 2020. Como carnavalesco assinou também o projeto da Acadêmicos do Sossego (Série Ouro), em 2022.Em 2023 foi o responsável pelo desfile da Acadêmicos de Niterói, também na Série Ouro e, no Especial, da Beija-Flor, ao lado de Alexandre Louzada.

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Desde março, quando foram anunciados, a dupla conta que o trabalho tem sido pautado pelo diálogo, sempre com os dois participando das decisões importantes e com uma divisão de funções que aproveita o melhor de cada um. André, que já teve essa experiência no ano passado na Beija-Flor, ao lado do experiente Louzada, rendendo um quarto lugar para a Soberana, revela que o processo tem sido prazeroso na Portela.

“Tem sido lindo, a gente conseguiu encontrar o nosso espaço, eu não consigo definir isso bem, acho que se torna tão natural as demandas do carnaval que e onde um está e o outro não está, e fazer de maneira independente o que o outro não consegue, a gente consegue naturalizar bem o processo do carnaval junto, tem sido muito diferente, eu já tive a oportunidade de trabalhar em dupla. Para mim é diferente. Mas é prazerosa, é bonita, é respeitosa, e é principalmente revigorante, quando você está trabalhando com uma pessoa que você confia e que você sabe que nós estamos aqui fazendo o melhor independente de onde cada um está atuando. É bem tranquilo”, conta André Rodrigues.

Antônio Gonzaga ratifica a opinião de André e acrescenta que o convívio com toda a equipe de criação da Portela tem facilitado e muito o trabalho.

“O processo todo foi de muita conversa, muito debate, independente do que cada um esteja fazendo neste momento no barracão, a gente está com a linguagem muito bem alinhada, a gente sabe muito bem onde cada um quer chegar, e o que a gente quer comunicar, por isso as decisões acabam saindo de comum acordo. Isso torna tudo muito mais fácil, muito diálogo, a gente tem uma sala incrível em que a gente debate tudo lá, junto com as pessoas que trabalham com a gente, sempre agregando, opinando e participando do processo, foi muito fácil “, declara Gonzaga.

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A dupla garante também que não existe vaidade e que o trabalho visa entregar a melhor Portela possível unindo o que cada um tem para contribuir, isto desde o início do processo na escolha do enredo e desenvolvimento da sinopse.

“Acho que foi um encontro de ideias, não é sobre onde você coloca o seu, é onde o outro entra no seu espaço, saber ceder. O encontro é muito sobre isso, por mais que você tenha o ímpeto de fazer, a gente entende que o outro também está dentro do processo e que ele vai colocar a parte dele dentro deste projeto. Mesmo que parta do Antônio ou de mim uma ideia primordial, a gente sabe que vai debater, não existe uma ideia única. A ideia é a que a gente decide em conjunto. A gente só tem uma ideia concreta quando os dois batem o martelo e decidem que isso é uma ideia. Desde o início do processo a gente aprendeu muito com isso. Desde entender qual era o enredo, por qual caminho a gente ia, qual seria a sinopse, quais seriam os setores, como seriam as fantasias. Tudo isso foi muito dessa maneira. Ter a proposta do Antônio e do André “, garante Rodrigues.

“Uma das coisas mais bacanas deste processo de se trabalhar em dupla é justamente nós sermos artistas diferentes, que temos histórias no carnaval diferentes, viemos de lugares diferentes, e temos linguagens diferentes por mais que nós estejamos muito alinhados para a linguagem que vamos precisar na Portela. A linguagem de um agrega muito na linguagem do outro também. Os saberes se somam. Às vezes eu tenho uma ideia e o André sugere ‘e se a gente usar esse material aqui’, um material que eu jamais teria pensado. E a gente testa e dá certo, às vezes não dá. A gente vai testando. É um trabalho de muita troca, muito teste, de muita experimentação para chegar em um resultado bacana”, revela Antônio, que vai estrear no Grupo Especial em 2024.

Sem Spoiler da Águia, carnavalescos definem seus ‘xodós’

Uma das perguntas que mais gera curiosidade no mundo do samba, e principalmente no portelense, no pré-carnaval, é como virá a águia da Portela. A mascote da centenária de Madureira já veio de diversas formas: branca, azul, dourada, prateada, segurando o pavilhão, high-tech, de óculos, etc. Por isso, há sempre esse clamor por saber como vem o símbolo maior da Portela. Estreando na agremiação, a dupla de carnavalescos Antônio e André também tem tratado com carinho a produção da mascote portelense. Mesmo a gente insistindo, a dupla não quis revelar muita coisa sobre o ícone, só prometeram muitas surpresas, com a tônica sendo a emoção que vai passar para quem acompanhar o desfile.

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“Existem muitas linguagens para esse ano, muitos caminhos para dizer qual é o meu preferido. Emocionalmente, o abre-alas e o último carro são os meus favoritos, são muito fortes os dois. O abre-alas principalmente por se tratar de a gente está fazendo o abre-alas da Portela, tem um valor muito grande nas escolas mais tradicionais, de você fazer a entrada dessas escolas, a gente está trazendo o símbolo da Portela, tudo isso tem um valor muito grande que agrega as sabedorias, do jeito que ele é, ela é muito tocante, tem uma mensagem muito forte, tem detalhes muito comoventes, tudo isso agrega muito para que ele seja o meu xodó. Também gosto muito do último carro, ele também é muito emocionante. Eu falaria de todas as alegorias, o terceiro é muito forte. O terceiro é um lugar muito importante do enredo, uma passagem que tem muito a ver com a história da minha mãe, por exemplo, tudo isso envolve um pouco. Todos esses carros me emocionam”, revela André.

Antônio também colocou como preferido o abre-alas, onde vem a águia, também frisando que a emoção, o caráter tocante será a grande força que a alegoria vai trazer, onde o símbolo maior da Portela está inserido.

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“Meu xodó é o abre-alas, pela águia da Portela, acho que é um abre-alas diferente do que a Portela tem se acostumado a trazer, mas é uma alegoria muito forte, muito pertinente ao enredo, muito grandiosa, acho que capaz de transmitir algumas emoções bem tocantes”, espera Gonzaga.

Na sinopse do enredo, Antônio e André citam que “através de seu filho, Luiz Gama, sonhamos com uma carta onde o importante abolicionista responde a sua mãe sobre o legado da memória que ela deixou: o livro”. O papel de Luiz ainda não está bem claro no desfile da Portela que tem um protagonismo feminino negro. Mas é possível pensar, em um enredo que procura muito trazer o afeto, em um encontro de Luiz com sua mãe Luiza Mahim. Os carnavalescos, porém, procuram não entregar muito do que pode acontecer neste sentido.

“Você que está dizendo (risos). Em nenhum momento eu estou dizendo que vai acontecer. Existem muitas camadas neste desfile e das coisas importantes para a gente é justamente esquecer a linearidade de tempo, a gente trabalha muito com diferentes tempos, diferentes lugares, inclusive essa questão de trazer o enredo para o contemporâneo, para os debates contemporâneos, sobre a perda de mães e filhos, a gente brinca muito com isso, óbvio que tudo é possível, encontros são possíveis, mas a gente está sempre em busca de um final feliz. A gente espera que tudo corra bem, que esse carnaval seja um final feliz, e que dentro desse carnaval com final feliz , também aconteçam muitos outros finais felizes”, despista André.

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“O enredo da Portela é um enredo sobre a sobrevivência. É um enredo sobre luta, é um enredo sobre a cara do Brasil. Quando a gente homenageia a Kehinde, a história de luta dessa mulher que foi criada pela Ana Maria Gonçalves, mas que é uma compilação da história de diversas mulheres que construíram a história do Brasil, a gente vai na verdade homenagear várias outras mulheres que passam por essas mesmas lutas para sobreviverem no Brasil”, finaliza Antônio Gonzaga.

Conheça o desfile

Dividido em cinco setores, a Portela vai levar para a Sapucaí 5 carros alegóricos e 24 alas. Os carnavalescos André Rodrigues e Antônio Gonzaga explicaram mais do que cada parte do desfile vai representar ou o que vai estar presente em cada setor.

Primeiro Setor
“A abertura da Portela é uma abertura que tem um simbolismo pelo feminino muito forte. Isso é uma coisa para se notar. Desde o primeiro componente que entra até o abre-alas, a presença feminina será muito forte. E a gente tem presenças femininas muito importantes nesse momento. Óbvio, tem a águia e tudo mais”.

Segundo Setor
“Pode pensar que tem uma construção de imagem bem potente que as pessoas podem aguardar, uma coisa diferente e tem a ala das baianas que representa um momento mais emocional do desfile, elas vem com cara de Portela”

Terceiro Setor
“Vem a bateria, a Vilma Nascimento vem no terceiro Setor também em um lugar diferente. Temos Vilma, temos Bianca, temos Nilce Fran. As mulheres são muito protagonistas nesse desfile”.

Quarto Setor
“É muito mais relacionado ao carro, é um carro importante e que vem trazer muita gente importante, é um carro que é mais delírio nosso, sonho nosso, é um carro que traz pilares da Portela, mais uma vez com muito protagonismo feminino”.

Quinto Setor
“O final é um final emocionante. Ele pega muito pela emoção. É um setor que tem uma mensagem muito forte e os signos são muito fortes também”.

Série Barracões SP: Buscando o tricampeonato, Mancha Verde irá mostrar uma visão diferente do agro brasileiro

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Atual vice-campeã do carnaval paulistano, Mancha Verde irá migrar do nordeste ao agro brasileiro. Porém de uma maneira diferente. O carnavalesco André Machado, responsável pelo desfile, inseriu características de matriz africana dentro do tema, como o orixá Ocô. Tal entidade tem como personalidade um ser da agricultura. Ele será o ponto de partida do enredo. A escola alviverde almeja novamente o campeonato e virou uma potência desde que conquistou o seu primeiro título, em 2019. Já é bicampeã e coleciona dois vices. Não há dúvidas de que todo o mundo do samba e as co-irmãs olham para a ‘Mais Querida’ com uma potencial candidata a vencer o carnaval quando entra na passarela, desde então. A reportagem do site CARNAVALESCO visitou o barracão da Mancha e conversou com André Machado, encarregado pelo Carnaval 2024 da agremiação. Com o enredo intitulado “Do Nosso Solo Para o Mundo”, a alviverde será a sexta a desfilar na sexta-feira de carnaval.

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Fotos: Gustavo Lima/CARNAVALESCO

Surgimento do tema

O artista contou como nasceu o tema e aproveitou para falar sobre. De acordo com o próprio, quis fazer uma narrativa que saísse da casinha, pois outras escolas já fizeram enredos parecidos. Graças a um livro, veio o nascimento do contexto que a Mancha Verde abordará em fevereiro. “Antes do último carnaval acabar, a gente já tinha idealizado e o presidente perguntou para mim um enredo falando sobre agricultura e eu achei interessante. A minha preocupação era apenas em relação que algumas escolas do Rio de Janeiro já falaram de agricultura e tinha que ser de uma forma diferente. Eu fui para casa, comecei a pesquisar e vi que realmente dava enredo, mas eu fiquei em dúvida de como abordar de uma forma diferente, principalmente pela internet, que tem como referência a Vila Isabel e Tijuca essa questão da comparação. Eu fiquei nessa neura de querer fazer uma coisa diferente e, do lado da minha cama, tem uma estante com um livro amarelo e até ele se destaca dos demais. O livro é a “Mitologia dos Orixás” e eu estava aqui no barracão, minha esposa fazendo uma faxina em casa e eu tinha começado a ler o livro, mas totalmente aleatório. Não peguei para poder desenvolver o enredo da Mancha e ela começou a foliar para ver e ela descobriu um capítulo sobre o orixá Ocô. Na mesma hora ela me ligou e falou assim: ‘você já viu o capítulo tal?’ Daí eu fui para casa correndo. Quando eu comecei a ler eu falei assim: ‘nossa, é tudo que eu precisava para poder desenvolver esse tema de uma maneira diferente. Tirei foto das páginas. Mandei pro Paulinho (Serdan) e ele disse que esse seria o nosso enredo”, explicou.

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Sonho do título

A escola foi vice-campeã em 2023 perdendo no desempate, tendo tomado a virada no quesito mestre-sala e porta-bandeira. Foi um grande desfile da Mancha, uma plástica impecável, mesmo debaixo de chuva. Porém, o carnavalesco está tão entusiasmado com este enredo agro, que está deixando o “Xaxado” de lado, dizendo que para 2024, há um material rico de informações em mãos.

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“Eu acho que é muito mais fácil de ser entendido. Até inclusive melhor que o ano passado, porque o xaxado é uma dança e era muito abstrato. Você não consegue retratar em fantasia. O que é uma dança só explica dançando. Esse enredo me dá elementos plásticos, como fruta, verdura, legume e é o homem do campo, é a plantação, a história do negro, do índio. É muita informação, muita riqueza de detalhes a ponto de me atrapalhar no sentido de que antes eram cinco carros alegóricos e hoje são só quatro. Eu precisaria de pelo menos uns cinco ou seis carros para poder desenvolver o enredo do jeito que a gente quer. Mas como a gente tem quatro no regulamento, vamos lá. Tem coisas que vocês talvez não vão ver nos carros, mas vocês vão ver em alas. Está tudo muito bem pensado para a gente fazer um grande desfile. Eu acredito muito no resultado. Vamos apostar que a gente vai estar entre as cinco e brigando muito forte pelo título. É uma coisa que é um sonho que eu tenho. Eu ainda não fui campeão do carnaval de São Paulo do Grupo Especial e eu espero que seja esse ano”, afirmou.

Saída da patrocinadora influência no carnaval?

Mesmo que a Mancha Verde tenha virado uma potência do carnaval paulistano, é sabido que o forte patrocínio ajudou bastante no crescimento nos últimos desfiles da entidade, principalmente para a parte de confecção de fantasias e alegorias. Entretanto, para Machado, a captação menor de dinheiro não irá influenciar no Carnaval 2024.

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“Eu acho que teve uma pessoa que me perguntou mais ou menos a mesma coisa do ano passado, porque uma já tinha sido campeã do carnaval anterior antes de eu entrar e as pessoas começaram a perguntar, mas a gente fez carnaval sem a Crefisa e foi vice campeã do carnaval. Estava brigando de igual para igual com a Mocidade. A gente só perdeu por causa de uma peninha da porta-bandeira. Eu falei nessa entrevista que, por mais que carnaval para disputar precisa de dinheiro, graças a Deus ele ainda é feito por pessoas, porque às vezes você não precisa de muito para poder escutar o carnaval, você precisa de pessoas com organização para isso. Até porque você vê escolas luxuosas, talvez na mesma pegada da Mancha ou até mais e não é campeã. E tem escolas que não tem o mesmo poder aquisitivo e arrebentam a boca do balão. O dinheiro é importante para pagar conta, para deixar o salário da galera em dia, para comprar os melhores materiais, mas não é tudo”, declarou.

O trunfo do desfile

Perguntado sobre o que mais pode ajudar a escola no desfile, o artista exaltou o canto, a bateria e as alegorias. ”O canto acho que vai ser um diferencial. O trabalho que está sendo feito em cima disso é um absurdo. Na quadra todo final de semana o ensaio geralmente começa por volta das 18 horas, mas a galera chega mais cedo e as meninas que cuidam das fantasias fazem um trabalho com a comunidade de canto o tempo inteiro. Então acho que vai ser o grande diferencial. A bateria da Mancha também. As alegorias eu acho que vai dar um bom caldo”, completou.

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Conheça o desfile

Setor 1
”A nossa abertura da escola vai falar sobre a lenda do orixá, o rosto vai estar na nossa comissão de frente e o Ocô já orixá, ele convocou todas as abelhas do mundo para poder polinizar o mundo e elas são as mensageiras. Isso seria a nossa ala das baianas que vem na frente do nosso abre-alas. Elas serão uma grande colmeia também, porque as abelhas realmente cientificamente são comprovadas que se desaparecerem vai ficar complicado. A agricultura é uma linda fantasia e aí gente vai abrir dessa forma”.

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Setor 2
“O nosso segundo momento, vai falar da chegada dos portugueses e a importância dos Jesuítas. Mostrar que o índio, apesar de também saber lidar com a terra, eles não vendiam. Era para se auto sustentar. Ele plantava só para isso e depois vieram os escravos no ciclo da cana-de-açúcar que aí sim, se a gente for na real da história foi que começou a agricultura mesmo, onde a pessoa plantava para colher e levava para fora com o objetivo de vender. O nosso segundo carro a gente vai mostrar uma caravela toda feita de cana. A ideia é mostrar o quanto esse ciclo da cana foi importante e ao mesmo tempo foi ruim, porque foi através dessas caravelas que foram buscar os navios negreiros e os escravos para poder trabalhar nas lavouras aqui A agricultura tem uma participação na escravização do negro”.

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Setor 3
“A gente parte para o nosso terceiro setor da escola, que vai falar dessa da ligação do homem da terra e o quanto a mecanização dos meios rurais foi importante para o desenvolvimento da agricultura no Brasil para se tornar o grande celeiro do mundo que ele é hoje. É uma grande potência na produção de alimentos. Isso é o nosso terceiro carro e a gente faz uma brincadeira. As crianças vêm fantasiadas de porquinho, fazendo uma analogia em cima da escola”.

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Fechamento
“O nosso último carro, olhando de cima, que a gente vê lá na arquibancada, vai observar que o carro é no formato da bandeira do Brasil e tem a figura do Alisson Paulinell,i que foi um grande agricultor e um cara que batalhou muito pelo meio rural. Ele faleceu esse ano inclusive e a gente vai fazer homenagem a ele e qual a importância do Alisson para o meio rural. Ele que levou a ciência para o campo e esses estudos facilitaram a vida dos agricultores para poder melhorar a terra”

Ficha técnica
Quatro alegorias
2300 componentes
Um Tripé (comissão de frente)
Diretor de barracão – Caíque Serdan e Léo Serdan
Diretora de fantasias – Bibinha

Ministra Sonia Guajajara confirma presença no desfile do Salgueiro

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O Acadêmicos do Salgueiro recebeu a confirmação da presença da Ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, no desfile oficial da agremiação, que neste Carnaval vai levar para a Marquês de Sapucaí o enredo “Hutukara”, desenvolvido pelo enredista Igor Ricardo e pelo carnavalesco Edson Pereira. A vermelho e branco fará uma defesa do povo Yanomami, reivindicando o fim da crise que ameaça a sobrevivência dos indígenas.

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Foto: Divulgação

O convite oficial à ministra foi feito pelo Presidente André Vaz. Ela aceitou participar como destaque no desfile da escola, no dia 11 de fevereiro. Para André Vaz, a presença da ministra na Academia do Samba reforça o manifesto salgueirense em prol dos povos indígenas, em uma das maiores representações culturais do mundo:

“A presença da Sonia em nosso desfile traz um impacto significativo ao chamar a atenção para as questões indígenas, aumentando a conscientização sobre os desafios enfrentados por essas comunidades. A visibilidade em um evento de grande magnitude como o desfile das Escolas de Samba é uma oportunidade para amplificar as vozes e chamar atenção para as demandas dos povos indígenas no Brasil”, destaca o administrador.

Em 2024, o Acadêmicos do Salgueiro vai levar para a Avenida a história e a luta do povo Yanomami com o enredo Hutukara, de autoria do carnavalesco Edson Pereira. A Academia do Samba faz um alerta em defesa da Amazônia e em particular dos Yanomami, que sofrem efeitos da ação de garimpeiros na sua região. Hutukara significa “a floresta construída dos yanomami”. O enredo é baseado no livro “A Queda do Céu”, de Davi Kopenawa, xamã e líder político do povo yanomami.

Porto da Pedra apresenta Pipa Brasey como madrinha do carro de som

Com foco permanente em apresentar um grande espetáculo na Marquês de Sapucaí, no dia 11 de fevereiro, a Porto da Pedra garante mais um reforço de peso para o time que vai defender o hino oficial no Carnaval, trazendo Pipa Brasey para integrar o carro de som liderado por Wantuir Oliveira.

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Foto: Ana Victória/Divulgação Porto da Pedra

A cantora brasileira é radicada na Suíça, onde tornou-se uma das principais propagadoras do samba e da música basileira. O convite para que Pipa desfilasse pela escola partiu do próprio intérprete, cuja relação de amizade com a artista começou há cerca de quatro anos, durante um tour de Wantuir pela Europa, mais precisamente Londres, onde o intérprete defende o microfone da Paraíso London School, tradicional escola de samba inglesa.

“Pipa é uma grande artista. Nosso primeiro contato foi por conta de um compromissos profissional e ali já me impressionou a potência da voz dela. Dali surgiu uma amizade e ma grande parceria que culminou com a minha participação no DVD dela e em alguns shows que ela fez no Brasil. Em Londres, desfilamos juntos na Paraíso e também cantamos juntos no carnaval parisiense e, sempre que temos a oportunidade de cantar juntos, é sempre um prazer”, diz Wantuir.

O convite feito pelo intérprete foi a oportunidade para que Pipa revisitasse o passado, quando desfilou pela Porto da Pedra no enredo que homenageava Nelson Mandela (2007).

“Fiz uma viagem inacreditável no tempo porque eu ja desfilei na escola e foi uma emoção sem igual. Quando o Wantuir me fez o convite eu nem pensei duas vezes para aceitar”, diz a artista.

Shopping Boulevard inaugura espaço cultural com exposição da Herdeiros da Vila

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Uma mostra que celebra as raízes de Vila Isabel, as próximas gerações e o legado do samba no bairro: A escola de samba mirim Herdeiros da Vila inaugurou, na última quarta-feira uma exposição no Shopping Boulevard para celebrar o Carnaval. A mostra “Herdeiros da Vila: a Esperança de Oxalá” é uma celebração vibrante da festa popular carioca, que oferece uma visão cativante dos momentos significativos no epicentro do samba, até o dia 18 de fevereiro. O shopping fica na Rua Barão de São Francisco, 236 e a entrada para a exposição é gratuita.

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Foto: Divulgação

A mostra fica na Galeria Boulevard, localizada no 2º piso, próximo ao fraldário do shopping. O espaço abrigará ao longo do ano diversas exposições e ativações culturais ligadas ao bairro e à região, além de celebrar manifestações artísticas diversas.

“Estamos muito felizes em inaugurar esse espaço cultural em nosso empreendimento. O bairro que abriga o nosso shopping tem uma importância história enorme para os cariocas, é considerado um dos berços do samba, terra de Noel Rosa e Martinho da Vila. Não podíamos inaugurar com exposição melhor que essa homenagem à Vila, uma das escolas mais importantes do carnaval carioca”, celebra Isabella Colonna, coordenadora de Marketing do Shopping Boulevard.

A mostra “Herdeiros da Vila” retratará momentos marcantes no berço do samba, como os ensaios de rua e do morro. Além de fotos históricas espalhadas pelo local, também estarão disponíveis cinco fantasias da agremiação para o próximo Carnaval, reforçando a importância das crianças para um mundo melhor com a proteção de Oxalá, um elo mágico com o samba “Gbalá – Viagem ao Templo da Criação”, criado originalmente para 1993 e que será reeditado pela Unidos de Vila Isabel neste ano.

“A Herdeiros da Vila, assim como a Unidos de Vila Isabel, quer estar sempre perto da sua comunidade. Por isso, nada melhor do que presentear os moradores da região com essa exposição cultural no principal centro de comércio do bairro. Vamos nos entregar à candura das crianças, resgatar a paz do criador e propagar essa mensagem juntos”, ressalta o presidente da escola mirim, Philipe Duarte.

As fotos da mostra proporcionam uma narrativa visual envolvente, capturando a essência do amor que une os membros e a comunidade desta escola de samba premiada. Ao capturar a atmosfera vibrante do samba, a exposição transcende a mera documentação visual. Ela se torna uma experiência sensorial que conecta o visitante emocionalmente com a tradição, a inovação e a paixão intrínseca à Unidos de Vila Isabel e a Herdeiros da Vila. Estas imagens não apenas contam histórias, mas também nos imergem no legado dessas escolas, destacando o papel vital que o samba desempenha na rica tapeçaria da cultura carioca.

Serviço
Exposição “Herdeiros da Vila: a Esperança de Oxalá”
Quando: De 17 de janeiro a 18 de fevereiro
Onde: Galeria Boulevard | 2º piso do Shopping Boulevard
Horários: Segunda a Sábado: 10h às 22h | Domingos e Feriados: 13h às 21h
Entrada: Gratuita

Comunidade do Salgueiro comparece em peso no primeiro ensaio de 2024 e dá show de harmonia com o samba do ano

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Quem passou pela Rua Maxwell, no Andaraí, na noite de quinta-feira, pôde presenciar mais um espetáculo proporcionado pelo Acadêmicos do Salgueiro em seu ensaio. Como já é costumeiro, o local estava com muitos espectadores, que interagiram com a escola enquanto ela passava. O ponto alto do treino, sem dúvida, foi a comunidade salgueirense. Comparecendo em grande número, os desfilantes deram um show de canto e evolução. O belíssimo samba-enredo, na ponta da língua de todos, mostrou mais uma vez que deverá ser o diferencial da agremiação. Carro de som e bateria seguiram sustentando a obra com maestria. A poucos dias de seu ensaio técnico, que será realizado no próximo domingo, na Marquês de Sapucaí, é fácil perceber que o Salgueiro está pronto.

No carnaval de 2024, o Salgueiro levará para a avenida o enredo “Hutukara”, de autoria do carnavalesco Edson Pereira. A escola falará sobre a mitologia Yanomami, defendendo os povos originários e a preservação da Amazônia. A vermelho e branco será a terceira a desfilar no domingo de carnaval.

“O Salgueiro vai mostrar que tem a melhor comissão de frente com o Patrick, que a gente tem o melhor casal de mestre-sala e porta-bandeira, a Marcella e o Sidcley, vamos mostrar que temos o melhor carro de som e a melhor harmonia do carnaval. A única que ganhou 40 pontos no ano passado. No domingo, a gente vai mostrar que temos a melhor bateria do carnaval, a Furiosa do Salgueiro. Vamos mostrar que nós temos o melhor samba-enredo do carnaval. Um samba-enredo que tem uma mensagem forte. E essa mensagem forte que a gente está defendendo. No domingo, a gente vai mostrar que o Salgueiro tem uma comunidade apaixonada, que encara a escola como uma religião. Vamos lá, Salgueiro!”, discursou o diretor de carnaval Wilsinho Alves pouco antes do ensaio começar.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Sidcley Santos e Marcella Alves, o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira do Salgueiro, novamente tiveram a missão de abrir o ensaio de rua, visto que os integrantes da comissão de frente não se fizeram presentes. A dupla segue mostrando porque é considerada uma das melhores do carnaval carioca. Eles mostraram uma dança clássica com muita leveza, parecendo flutuar na pista. Alguns movimentos coreográficos pontuais estiveram presentes no número. Impressionou a segurança dos giros e das interações entre os dois. Sempre com muitos sorrisos e troca de olhares, a dupla também interagiu bastante com o público, que festejava a cada movimento.

Samba-enredo

Eleito pelos leitores do site CARNAVALESCO como o melhor do carnaval, o samba salgueirense teve mais um ótimo rendimento no ensaio de rua. Com uma letra que passa uma mensagem bastante forte, aliada a uma melodia valente, a obra musical é um grande acerto e tem tudo para impulsionar o desempenho da escola no desfile oficial. O time de cantores, bateria e comunidade estão perfeitamente integrados na execução do samba.

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Fotos: Rafael Soares/CARNAVALESCO

“Tenho a expectativa de mais um ensaio técnico quente. A comunidade botando para cima, cantando o samba de uma forma espetacular. É o Salgueiro na avenida. Se o samba é o melhor do carnaval, a gente vai ter que comprovar na avenida mesmo. Porque sendo campeão, aí sim eu acho que é o melhor do carnaval. E a gente está brigando muito por isso, dá muita força”, disse Emerson Dias sobre a expectativa de cantar o samba salgueirense na Sapucaí.

Harmonia

Ponto alto do ensaio desta quinta-feira. A comunidade salgueirense compareceu em peso e mostrou que irá defender o samba-enredo com unhas e dentes. Não se percebeu ninguém calado. Todas as alas passaram cantando a obra com muita potência. Destaque ficou para o refrão principal, que mostrou uma força incrível através da harmonia de seus componentes. O carro de som, comandado pelo intérprete principal Emerson Dias, guiou o samba com muita segurança. O cantor mostrou sua empolgação costumeira, levantando ainda mais a energia dos desfilantes.

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“O trabalho do Salgueiro está sendo conhecido desde a escolha do samba até a gravação. A gente tem um time muito competente de músicos, cantores, intérpretes, e tem sido bem tranquilo. A gente tem conseguido executar muita coisa. Eu costumo dizer, já com a experiência que tenho de carnaval há tantos anos, que a gente ensaia às vezes 12, 14 músicas pra uma banda pra fazer um show. A gente está ensaiando uma música há quatro meses. Então, é inadmissível que não esteja perfeito. Ou o mais próximo possível do perfeito. Estou muito feliz e com uma expectativa muito boa”, falou Alemão do Cavaco, diretor musical da escola.

Evolução

Quesito defendido de forma exemplar pelo Salgueiro. A escola exibiu uma evolução muito fluida e competente. Logo na primeira ala, já foi feita uma coreografia valente, que dava o tom do que viria a seguir. Um cortejo potente e solto para brincar seu carnaval. O ritmo do ensaio foi ótimo, sem qualquer tipo de correria ou lentidão. Também não foi notado espaçamento entre alas, o que mostrou uma escola compacta, mesmo estando grande numericamente.

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“Dia 21 de janeiro do ano passado foi o dia em que o mundo tomou conhecimento da tragédia Yanomami. Não existe coincidência. Nosso ensaio técnico foi marcado também para o dia 21 de janeiro deste ano. Exatamente um ano depois. Importantíssimo o que a gente vai fazer agora no próximo domingo. A palavra para domingo é nós sermos incontestáveis. Não deixar margem para contestação, margem para discussão”, disse Wilsinho sobre a expectativa para o ensaio técnico.

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Outros destaques

A bateria do Salgueiro segue em grande fase. Os ritmistas, comandados pelos mestres Gustavo e Guilherme, deram mais um show de cadência. O andamento utilizado continua se mostrando excelente, dando espaço para o samba brilhar na voz dos componentes da escola. As bossas são muito bem planejadas para dar ainda mais força ao desfile da vermelho e branco.

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Com canto e evolução em destaque, Unidos da Tijuca mostra a força do Borel em mais um ensaio de rua

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O Morro do Borel cantou forte. O ensaio de rua da Unidos da Tijuca, na noite desta quinta-feira, foi marcado pela grande melhora da harmonia da escola, além de um desempenho positivo na evolução e mostra, aos poucos, a força do povo tijucano. A diretoria da agremiação acredita que mais de 1200 componentes estiveram presentes. Agora, a escola de samba busca evoluir ainda mais para fazer um bom ensaio técnico na Marquês de Sapucaí, no dia 28 de janeiro.

O ensaio de rua desta quinta começou por volta das 22h e teve cerca de uma hora de duração. Além do canto e da evolução técnica, o diretor de carnaval da escola, Marquinho Marino, elogiou a performance do carro de som e da bateria Pura Cadência. Ele acredita que o desempenho da comunidade, somado ao que foi preparado no barracão, vai resultar em um grande desfile. Confiante, o dirigente ainda afirmou que a agremiação vai brigar pelo título.

“Hoje, a bateria e o carro de som tiveram um desempenho espetacular. Isso me dá alegria, porque eu sei o que temos dentro do nosso barracão. Tendo um projeto tão bonito, bem feito e adiantado, além disso que aconteceu aqui na rua, nos dá a certeza que o trabalho que teve início em maio está certinho. Agora, é entrar no dia do desfile com essa energia que tivemos hoje. Desejar posição é demais, mas acredito que a gente briga pelo título”, disse Marino.

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Fotos: Raphael Lacerda/CARNAVALESCO

Antes da arrancada, Marino informou aos componentes que todas as fantasias já estão prontas e serão entregues a partir do dia 2 de fevereiro, após o último ensaio de rua da escola. A data, de acordo com ele, foi escolhida de forma estratégica pelo presidente Fernando Horta para que o último ensaio seja uma celebração entre a escola e seu chão. As alegorias, segundo o dirigente, estão praticamente prontas. A escola finaliza o último carro.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Como a comissão de frente ensaiou separadamente, a dupla ficou responsável por abrir o ensaio de rua da Tijuca. Com o ensaio técnico da Sapucaí e o grande dia do desfile se aproximando, o primeiro casal da escola, formado por Matheus André e Lucinha Nobre, ensaiaram com adaptações da fantasia. A porta-bandeira treinou utilizando anágua de peso, enquanto o mestre-sala usou uma capa. Mais uma vez, a experiência de Lucinha somada ao vigor de Matheus promete resultar em um grande desfile do casal tijucano.

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“Hoje fizemos pela primeira vez o ensaio com anágua de peso e capa. Estamos na reta final, por isso resolvemos fazer as adaptações da fantasia – que já está pronta. Ontem ensaiamos com ela, daí hoje viemos treinar. Estamos alinhando tudo para que possamos fazer o nosso melhor no desfile”, comentou a porta-bandeira.

“Agora é reduzir os erros, limpar o máximo que der e fazer os últimos ajustes. Hoje foi para sentir a temperatura com a fantasia – a capa. Também ventou um pouco e ameaçou chover. É forçar mais um pouquinho para chegar no desfile e arrebentar”, completou o mestre-sala.

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Harmonia

A evolução do canto da comunidade foi o grande destaque da noite. Já elogiada pela melhora durante os últimos ensaios de 2023, o chão tijucano mostrou que está com o samba na ponta da língua. Durante todo o ensaio de rua os componentes cantaram forte e com muita emoção. Destaque também para o carro de som, comandado por Ito Melodia, e a bateria “Pura Cadência”, do mestre Casagrande, que têm contribuído e muito para o sucesso do canto da escola.

O diretor de harmonia da Unidos da Tijuca, Fernando Costa, ressaltou que a harmonia e evolução da agremiação têm ganhado destaque a cada treino. Para ele, a escola terá um grande desempenho no ensaio técnico na Passarela do Samba.

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“A cada ensaio temos sentido uma evolução no canto, no andamento e na evolução em si. Ainda teremos mais um treino antes do nosso ensaio técnico na Marquês de Sapucaí. Pelo o que vi hoje acredito que iremos chegar na Avenida, no dia 28, em um nível muito bom. Tanto o canto como a evolução estão muito satisfatórios”, destacou Costa.

Evolução

Como Fernando Costa comentou, a evolução também foi outro quesito que disparou e mostrou grande melhora. Além do canto intenso, os componentes demonstram alegria e brincam carnaval ao longo da avenida. Também havia alas coreografadas, como a 28, que levou uma apresentação bastante entrosada e realçava a alegria entre a comunidade.

Para Marino, o resultado do ensaio desta quinta-feira é fruto do trabalho conjunto da escola, que teve início em maio. Agora, o diretor de carnaval acredita que a Tijuca busca acertar detalhes para realizar um grande ensaio técnico no dia 28 de janeiro.

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“Um dos pontos mais importantes é que o componente assimilou o samba. Ele não só canta, mas coloca a alegria para fora, evolui e se diverte. Acredito que quando chega neste ponto, o objetivo é alcançado. Estou muito feliz, porque a escola está em um momento muito bom e de muita união – tanto eu, como Fernando Costa, mestre Casagrande, Ito. É importantíssimo que a gente fale a mesma língua”, afirmou Marino.

Samba-enredo

O intérprete Ito Melodia e sua equipe de carro de som foram fundamentais para o bom desempenho da obra durante o ensaio. Grande puxador, Ito conseguiu levantar o clima entre os componentes ainda no aquecimento. O samba-enredo inicialmente criticado – e de início com razão -, foi abraçado pela comunidade tijucana e levantado pelo carro de som e a bateria. O sucesso da canção também é fruto do trabalho realizado pela equipe de harmonia da escola sob o comando de Fernando Costa.

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Ito Melodia afirmou que ficou em êxtase com o desempenho da comunidade tijucana. Para ele, o resultado é fruto do trabalho da diretoria da escola e da equipe que comanda o carro de som. Pelo o que foi apresentado pela agremiação, o intérprete acredita que o desfile será vibrante e marcado por garra, técnica, leveza e muito canto.

“Eles cantam, se envolvem e mostram como é ganhar carnaval. Vocês podem perceber o crescimento que o samba está tendo e a emoção de cada componente. Estou levando isso com tanto amor que a vontade que dá é cantar o tempo inteiro. O ensaio acaba e se deixar, a gente canta por mais uma hora. Acredito que todo o grupo do carro de som está muito preparado, tanto no canto como na interpretação, na letra, emoção e garra. Isso é transmitido e trocado com toda a comunidade da escola. Podem ter a certeza que teremos um ensaio técnico maravilhoso e um desfile maior ainda. Nos aguardem que vem coisa boa por aí”, disse Ito.

Outros destaques

O show da bateria “Pura Cadência” não poderia ficar de fora dos destaques. Os ritmistas mostraram um alto nível de entrosamento. À frente da bateria, a rainha Lexa também se destacou na avenida: mesmo com o salto quebrado, a majestade seguiu com seu samba no pé durante todo o ensaio.