Após um desfile do centenário em que pouca coisa funcionou, e depois de muitos problemas, a Azul e Branca de Madureira amargou um décimo lugar em 2023. Por isso, a Portela mexeu um pouco em suas peças e teve como grande mudança a direção artística de seu carnaval. Nos últimos anos, a águia centenária vinha trabalhando com profissionais experientes e já vitoriosos no carnaval carioca, como foram os casos do casal Renato e Márcia Lage, Rosa Magalhães, Paulo Barros e Alexandre Louzada. Para o próximo desfile há uma clara mudança de perfil ao apostar nos carnavalescos André Rodrigues e Antônio Gonzaga. André assinou seu primeiro carnaval no Grupo Especial em 2023, quando dividiu o comando da produção do desfile da Beija-Flor com Alexandre Louzada. Já Gonzaga, foi ainda além, o desfile passado do Arranco do Engenho de Dentro, que manteve a escola na Série Ouro, foi o primeiro assinado pelo carnavalesco que agora chega em Madureira para, com certeza, um dos maiores desafios da sua curta carreira. A dupla falou sobre esta oportunidade na Majestade do Samba e de como entendem essa mudança de perfil da centenária de Madureira.

Fotos: Lucas Santos/CARNAVALESCO

“A Portela sentiu que precisava de uma mudança não só em seu visual, acho que nem é essa questão, pois cada artista tem a sua linguagem, e eu e André chegamos e colocamos a nossa linguagem a serviço da Portela, mas acho que a Portela sentiu uma necessidade de repensar a forma dela de fazer carnaval discursivamente, estruturalmente e plasticamente. A gente está agradando, mas isso é um processo que passa por todos os profissionais da Portela, todo mundo está fazendo parte deste trabalho coletivo e a gente caminha junto, e o desfile a gente espera que seja um resultado desse processo” , entende Antônio.

“Tem muito essa coisa da roupagem, não é intencional da nossa parte estar mudando a Portela, acho que é intencional da Portela nos trazer para fazer tudo que a gente sabe fazer, essa nova roupagem não é uma intenção nossa, a Portela trouxe para que a gente desenvolvesse o que a gente sabe de melhor, o que a gente pode oferecer de melhor para a Portela e a gente está muito feliz com tudo, com essa liberdade de fazer, com um incentivo de fazer, que não parte só da diretoria, mas parte dos próprios portelenses. É muita escuta antes de produzir, é muito carinho, são muitas conversas boas com a escola, entendendo também o que as pessoas querem de Portela e isso para gente é algo que dá base e segurança para continuarmos o que estamos produzindo sem ficar pensando se isso é bom ou não, a gente está muito seguro de fazer este carnaval para a Portela”, esclarece Rodrigues.

Liderado pelos carnavalescos Renato Lage e Márcia Lage, o desfile do centenário até contou com uma abertura impactante e emocionante, mas o sonho virou pesadelo após a apresentação da escola ser afetada pelos problemas na pista. Mas tudo isso ficou no passado, para a nova dupla de carnavalescos da agremiação, o resultado adverso do desfile de 2023 só influenciou na possibilidade da chegada dos artistas. O que aconteceu na Passarela do Samba no ano passado, segundo os profissionais que agora comandam o projeto artístico da Azul e Branca, em nada vai influenciar no trabalho para o desfile deste ano, como salienta André Rodrigues.

“Toda essa situação, acredito que permitiu que a Portela se abrisse a outras ideias. Mas isso em momento nenhum foi um fato para a gente. Nós chegamos para produzir um carnaval para Portela e a gente fala isso desde o início, sabemos o que é a Portela, e isso sempre foi um local de respeito para a gente, por isso a gente estamos aqui para fazer o melhor em relação aquilo que a gente conhece que é a Portela, independente do último carnaval, independente do próximo carnaval, não importa. A Portela é uma escola que tem 100 anos de idade, é extremamente importante para o carnaval carioca, é importante na minha vida, é importante na vida do Antônio, então, a gente tem o nosso entendimento do que é a Portela e a gente está fazendo um carnaval para suprir esse entendimento que a gente tem da instituição. O que foi o último carnaval, para a gente honestamente é mais uma via de que a própria Portela esteja com a gente nestas possibilidades de carnaval que a gente fornece, e menos sobre a gente. Mais sobre a própria escola”, explica o carnavalesco que produziu o desfile da Beija-Flor em 2023.

Antonio Gonzaga complementa afirmando que o projeto de carnaval da Portela tem sido tocado de uma forma que mesmo que a escola viesse de um título, nada seria pensado diferente para este carnaval.

“Acho que é essa compreensão da grandeza do que é a Portela, independente do que foi o último carnaval da Portela. A gente está fazendo um carnaval que mesmo que a Portela tivesse sido campeã, estaríamos tocando o projeto da mesma forma. A gente pensa na melhor versão da Portela que a gente é capaz de fazer neste momento. Isso é o que mantém o nosso trabalho”, reitera o artista.

Enredo traz mensagem sobre afeto e estética apresentará diversas linguagens

Campeã pela última vez em 2017, quando dividiu o título com a Mocidade, a Portela busca encerrar um jejum de mais de 50 anos sem vencer um campeonato de forma isolada. Na última vez, o enredo era “Lendas e mistérios da Amazônia”, com um samba bastante aclamado pela crítica que até hoje se configura como um clássico da Majestade do Samba. Com outra grande obra em mãos, para 2024, a dupla de carnavalescos Antônio Gonzaga e André Rodrigues desenvolveram o enredo “Um Defeito de Cor”, baseado na obra homônima da autora Ana Maria Gonçalves. O sonho da Portela está centrado no principal fator simbólico que dá consistência para ela ser o que é e chegar onde chegou: o Afeto. Por isso, o enredo traz uma outra perspectiva, refazendo os caminhos imaginados da história da mãe preta, Luíza Mahim. O artista Antônio Gonzaga adianta que é um projeto dedicado a todas as mães e uma forma de demonstração de afeto e gratidão por sua chegada à escola, ao lado de André Rodrigues.

“Acreditamos que esse enredo é a nossa mais profunda manifestação de afeto nessa chegada. É um enredo que dedicamos a nossas mães, nossas avós e a cada mulher preta que carrega a força de sobreviver, ser e semear novas histórias. ‘Um Defeito de Cor’ é a história da luta preta no Brasil incorporada em uma mulher que enfrentou os maiores desafios inimagináveis para continuar viva e preservar suas heranças e raízes. A história de uma mãe, heroína, filha de África, que pariu a liberdade dessa nação. É uma honra imensa contar essa história e imaginar esse reencontro de Luísa com Luís Gama. Essa história fala de todos nós. É a nossa identidade construída no tempo”, frisa Gonzaga.

O título, “Um Defeito de Cor”, é baseado no artifício da dispensa do defeito de cor usado por negros no século passado que, quando acatado, os permitia exercer cargos de importância na religião, governo e na política. É justamente esta característica, a da cor, que posiciona os personagens deste carnaval da Portela. Caminhos, histórias e consequências que apenas se explicam por serem vivenciadas por sujeitos negros no Brasil conforme explica o carnavalesco André Rodrigues.

“O livro nos entrega uma história que entendemos que se confunde muito com a história de tantas outras mães negras que tem suas experiências maternas atravessadas pela questão racial; conseguimos compreender as marcas da violência histórica que justifica, inclusive, sobre as nossas experiências com as nossas mães”, diz Rodrigues.

Em um enredo que apresenta muito da luta contra o racismo, na época luta pela abolição da escravatura, e da valorização de uma personagem histórico tão importante como Luíza Mahim para estes movimentos, a dupla de artistas da Portela revela que vai tocar muito no aspecto do afeto, do carinho para levar para a Sapucaí estas importantes questões.

“A grande mensagem desse desfile na minha opinião é que o afeto é um caminho de resolução das coisas para muitas vias de resolução daquilo que a gente vive . Desde a gente compreender a trajetória do outro, de a gente compreender a individualidade dessas pessoas, enfim, o afeto é uma via de possibilidades, principalmente de existência, de sobrevivência. A gente diz muito sobre lutar, lutar, lutar, de se colocar nesse lugar de luta, principalmente através do atravessamento das questões raciais, independente de qual seja, mas principalmente as que envolvam esse tema. O enredo diz muito de como o afeto, o carinho e o olhar, são uma via de sobrevivência tanto quanto você ir e buscar. Acho que a mensagem é essa”, explica o carnavalesco André Rodrigues.

“É importante também entender que essa luta que a gente fala, é uma forma de lidar com carinho com a sua própria história. Quando você luta por uma causa, quando você luta pelo seu povo você está oferecendo carinho às pessoas que vem depois de você, e você está tratando com carinho a história das pessoas que vieram antes de você. O afeto é o que costura todo o enredo”, acrescenta o carnavalesco Antônio Gonzaga.

Quem entra no barracão da Portela e estava acostumado a entrar nos últimos anos, nota uma diferença na parte plástica, é tudo bastante novo em relação ao que a escola vem levando para a Sapucaí nos últimos anos. Tem uma assinatura bem original no traço utilizado para as esculturas das alegorias, nos materiais utilizados para ornamentação dos carros, nos detalhes das saias dos elementos alegóricos, etc. Essa ruptura é até natural após um ano em que os resultados foram bem aquém do que o portelense esperava, e é natural pela própria chegada de novos artistas. Mas, André Rodrigues frisa e entende que o estilo que a Portela vem adotando para este desfile é menos baseado nos carnavalescos, e mais justificado na necessidade que o próprio tema pede.

“É uma escola que está entregue ao dinamismo do enredo. Quando o enredo se abre para isso, ela é muito mais a Portela, quando o enredo se abre para uma maneira mais ampla, para o contar a história, ela é 100% a Portela, mas quando o enredo pede determinados assuntos, determinados locais, a estética é o que tem que ser. A Portela está se rendendo, com a nossa passagem aqui, com o nosso trabalho esse ano, à narrativa antes de tudo, e à necessidade da narrativa, à necessidade estética para a narrativa. Não é a narrativa compondo a estética, mas sim a estética que está a favor da narrativa”, explica André.

Antonio Gonzaga complementa demonstrando que o enredo fez com que a dupla precisasse usar de diferentes linguagens em cada setor do desfile.

“Isso fica muito claro a partir da divisão de setores. A linguagem muda muito de um setor para o outro pela dinâmica do desfile, para não se tornar monótono. Mas é legal que o enredo pede isso. Tem momentos que o enredo pede uma linguagem mais luxuosa, assim por dizer, e tem momentos que a escola pede algo mais singelo, tocante e simples”, aponta o carnavalesco.

Trabalho em dupla traz desafios, mas diálogo é o caminho

Trabalhando juntos pela primeira vez, André e Antônio têm trajetórias diferentes no carnaval carioca. Formado em Design pela PUC-Rio, Antônio Gonzaga começou no samba como compositor do Salgueiro. Projetou-se como designer de moda e de comunicação visual. Estreou no carnaval elaborando as identidades visuais dos enredos da Cubango em 2019, sendo convidado pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora para integrar a equipe de criação, e ajudando posteriormente nos carnavais seguintes da Grande Rio também. Sua estreia assinando um desfile, como citado acima, foi no Arranco de 2023.

Figurinista e projetista, André Rodrigues iniciou os trabalhos, em 2007, na Lins Imperial. No currículo traz passagens em outras funções pela Vila Isabel, Grande Rio, Mocidade Independente de Padre Miguel, União da Ilha, entre outras. Em São Paulo, atuou na Vai-Vai, Mocidade Alegre e assinou o carnaval da Mocidade Unida da Mooca (Acesso 1) de 2018 a 2020. Como carnavalesco assinou também o projeto da Acadêmicos do Sossego (Série Ouro), em 2022.Em 2023 foi o responsável pelo desfile da Acadêmicos de Niterói, também na Série Ouro e, no Especial, da Beija-Flor, ao lado de Alexandre Louzada.

Desde março, quando foram anunciados, a dupla conta que o trabalho tem sido pautado pelo diálogo, sempre com os dois participando das decisões importantes e com uma divisão de funções que aproveita o melhor de cada um. André, que já teve essa experiência no ano passado na Beija-Flor, ao lado do experiente Louzada, rendendo um quarto lugar para a Soberana, revela que o processo tem sido prazeroso na Portela.

“Tem sido lindo, a gente conseguiu encontrar o nosso espaço, eu não consigo definir isso bem, acho que se torna tão natural as demandas do carnaval que e onde um está e o outro não está, e fazer de maneira independente o que o outro não consegue, a gente consegue naturalizar bem o processo do carnaval junto, tem sido muito diferente, eu já tive a oportunidade de trabalhar em dupla. Para mim é diferente. Mas é prazerosa, é bonita, é respeitosa, e é principalmente revigorante, quando você está trabalhando com uma pessoa que você confia e que você sabe que nós estamos aqui fazendo o melhor independente de onde cada um está atuando. É bem tranquilo”, conta André Rodrigues.

Antônio Gonzaga ratifica a opinião de André e acrescenta que o convívio com toda a equipe de criação da Portela tem facilitado e muito o trabalho.

“O processo todo foi de muita conversa, muito debate, independente do que cada um esteja fazendo neste momento no barracão, a gente está com a linguagem muito bem alinhada, a gente sabe muito bem onde cada um quer chegar, e o que a gente quer comunicar, por isso as decisões acabam saindo de comum acordo. Isso torna tudo muito mais fácil, muito diálogo, a gente tem uma sala incrível em que a gente debate tudo lá, junto com as pessoas que trabalham com a gente, sempre agregando, opinando e participando do processo, foi muito fácil “, declara Gonzaga.

A dupla garante também que não existe vaidade e que o trabalho visa entregar a melhor Portela possível unindo o que cada um tem para contribuir, isto desde o início do processo na escolha do enredo e desenvolvimento da sinopse.

“Acho que foi um encontro de ideias, não é sobre onde você coloca o seu, é onde o outro entra no seu espaço, saber ceder. O encontro é muito sobre isso, por mais que você tenha o ímpeto de fazer, a gente entende que o outro também está dentro do processo e que ele vai colocar a parte dele dentro deste projeto. Mesmo que parta do Antônio ou de mim uma ideia primordial, a gente sabe que vai debater, não existe uma ideia única. A ideia é a que a gente decide em conjunto. A gente só tem uma ideia concreta quando os dois batem o martelo e decidem que isso é uma ideia. Desde o início do processo a gente aprendeu muito com isso. Desde entender qual era o enredo, por qual caminho a gente ia, qual seria a sinopse, quais seriam os setores, como seriam as fantasias. Tudo isso foi muito dessa maneira. Ter a proposta do Antônio e do André “, garante Rodrigues.

“Uma das coisas mais bacanas deste processo de se trabalhar em dupla é justamente nós sermos artistas diferentes, que temos histórias no carnaval diferentes, viemos de lugares diferentes, e temos linguagens diferentes por mais que nós estejamos muito alinhados para a linguagem que vamos precisar na Portela. A linguagem de um agrega muito na linguagem do outro também. Os saberes se somam. Às vezes eu tenho uma ideia e o André sugere ‘e se a gente usar esse material aqui’, um material que eu jamais teria pensado. E a gente testa e dá certo, às vezes não dá. A gente vai testando. É um trabalho de muita troca, muito teste, de muita experimentação para chegar em um resultado bacana”, revela Antônio, que vai estrear no Grupo Especial em 2024.

Sem Spoiler da Águia, carnavalescos definem seus ‘xodós’

Uma das perguntas que mais gera curiosidade no mundo do samba, e principalmente no portelense, no pré-carnaval, é como virá a águia da Portela. A mascote da centenária de Madureira já veio de diversas formas: branca, azul, dourada, prateada, segurando o pavilhão, high-tech, de óculos, etc. Por isso, há sempre esse clamor por saber como vem o símbolo maior da Portela. Estreando na agremiação, a dupla de carnavalescos Antônio e André também tem tratado com carinho a produção da mascote portelense. Mesmo a gente insistindo, a dupla não quis revelar muita coisa sobre o ícone, só prometeram muitas surpresas, com a tônica sendo a emoção que vai passar para quem acompanhar o desfile.

“Existem muitas linguagens para esse ano, muitos caminhos para dizer qual é o meu preferido. Emocionalmente, o abre-alas e o último carro são os meus favoritos, são muito fortes os dois. O abre-alas principalmente por se tratar de a gente está fazendo o abre-alas da Portela, tem um valor muito grande nas escolas mais tradicionais, de você fazer a entrada dessas escolas, a gente está trazendo o símbolo da Portela, tudo isso tem um valor muito grande que agrega as sabedorias, do jeito que ele é, ela é muito tocante, tem uma mensagem muito forte, tem detalhes muito comoventes, tudo isso agrega muito para que ele seja o meu xodó. Também gosto muito do último carro, ele também é muito emocionante. Eu falaria de todas as alegorias, o terceiro é muito forte. O terceiro é um lugar muito importante do enredo, uma passagem que tem muito a ver com a história da minha mãe, por exemplo, tudo isso envolve um pouco. Todos esses carros me emocionam”, revela André.

Antônio também colocou como preferido o abre-alas, onde vem a águia, também frisando que a emoção, o caráter tocante será a grande força que a alegoria vai trazer, onde o símbolo maior da Portela está inserido.

“Meu xodó é o abre-alas, pela águia da Portela, acho que é um abre-alas diferente do que a Portela tem se acostumado a trazer, mas é uma alegoria muito forte, muito pertinente ao enredo, muito grandiosa, acho que capaz de transmitir algumas emoções bem tocantes”, espera Gonzaga.

Na sinopse do enredo, Antônio e André citam que “através de seu filho, Luiz Gama, sonhamos com uma carta onde o importante abolicionista responde a sua mãe sobre o legado da memória que ela deixou: o livro”. O papel de Luiz ainda não está bem claro no desfile da Portela que tem um protagonismo feminino negro. Mas é possível pensar, em um enredo que procura muito trazer o afeto, em um encontro de Luiz com sua mãe Luiza Mahim. Os carnavalescos, porém, procuram não entregar muito do que pode acontecer neste sentido.

“Você que está dizendo (risos). Em nenhum momento eu estou dizendo que vai acontecer. Existem muitas camadas neste desfile e das coisas importantes para a gente é justamente esquecer a linearidade de tempo, a gente trabalha muito com diferentes tempos, diferentes lugares, inclusive essa questão de trazer o enredo para o contemporâneo, para os debates contemporâneos, sobre a perda de mães e filhos, a gente brinca muito com isso, óbvio que tudo é possível, encontros são possíveis, mas a gente está sempre em busca de um final feliz. A gente espera que tudo corra bem, que esse carnaval seja um final feliz, e que dentro desse carnaval com final feliz , também aconteçam muitos outros finais felizes”, despista André.

“O enredo da Portela é um enredo sobre a sobrevivência. É um enredo sobre luta, é um enredo sobre a cara do Brasil. Quando a gente homenageia a Kehinde, a história de luta dessa mulher que foi criada pela Ana Maria Gonçalves, mas que é uma compilação da história de diversas mulheres que construíram a história do Brasil, a gente vai na verdade homenagear várias outras mulheres que passam por essas mesmas lutas para sobreviverem no Brasil”, finaliza Antônio Gonzaga.

Conheça o desfile

Dividido em cinco setores, a Portela vai levar para a Sapucaí 5 carros alegóricos e 24 alas. Os carnavalescos André Rodrigues e Antônio Gonzaga explicaram mais do que cada parte do desfile vai representar ou o que vai estar presente em cada setor.

Primeiro Setor
“A abertura da Portela é uma abertura que tem um simbolismo pelo feminino muito forte. Isso é uma coisa para se notar. Desde o primeiro componente que entra até o abre-alas, a presença feminina será muito forte. E a gente tem presenças femininas muito importantes nesse momento. Óbvio, tem a águia e tudo mais”.

Segundo Setor
“Pode pensar que tem uma construção de imagem bem potente que as pessoas podem aguardar, uma coisa diferente e tem a ala das baianas que representa um momento mais emocional do desfile, elas vem com cara de Portela”

Terceiro Setor
“Vem a bateria, a Vilma Nascimento vem no terceiro Setor também em um lugar diferente. Temos Vilma, temos Bianca, temos Nilce Fran. As mulheres são muito protagonistas nesse desfile”.

Quarto Setor
“É muito mais relacionado ao carro, é um carro importante e que vem trazer muita gente importante, é um carro que é mais delírio nosso, sonho nosso, é um carro que traz pilares da Portela, mais uma vez com muito protagonismo feminino”.

Quinto Setor
“O final é um final emocionante. Ele pega muito pela emoção. É um setor que tem uma mensagem muito forte e os signos são muito fortes também”.