A Unidos da Tijuca realizou seu penúltimo ensaio de 2023 na noite desta quinta-feira, na Rua D1, uma das vias do entorno da quadra. Com destaque para o desempenho entre carro de som e bateria, a agremiação mostrou uma significativa evolução no canto da comunidade – que apesar de não comparecer em peso, desempenhou um papel fundamental. A escola de samba deve fechar o ano com mais um ensaio na próxima quinta-feira, 28.
Em 2024, a Tijuca levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “O Conto de Fados”, do carnavalesco Alexandre Louzada, e vai ser a quinta escola a desfilar no domingo de carnaval. O diretor de carnaval Marquinho Marino destacou a evolução no canto da escola, mas enfatiza que o trabalho é gradual e tem a tendência de crescer cada vez mais. Segundo o dirigente, cerca de 60% dos componentes de alas da comunidade compareceram. A chegada do Natal e a virada do ano são fatores que impactam no tamanho da escola, que mesmo assim não deixou de mostrar a força e imponência tijucana.
“Acredito que mantemos o mesmo nível da semana passada. Hoje conversei com o Fernando Costa e cheguei a falar no microfone que a minha maior preocupação é fortalecer o canto. A escola está acostumada a desfilar e sempre fez um ótimo desfile em termos de evolução e harmonia. Os componentes, em grande maioria, são pessoas que estão na agremiação há algum tempo – ou seja, estão acostumados a desfilar com a Tijuca. Acredito que o canto manteve um nível bom, mas tem sempre que estar crescendo. Tem a ver com resistência, porque os ensaios têm ocorrido em dias muito quentes, e mesmo assim a comunidade tem cantado muito bem. Vou continuar batendo na ‘tecla’ para a gente fortalecer cada vez mais o canto e no dia 14 estar com quase tudo pronto”, destaca Marino.
Comissão de Frente
Com 15 bailarinos e comandada pelo coreógrafo Sérgio Lobato, a comissão de frente tijucana mostrou uma coreografia entrosada e pontuava a letra do samba-enredo em diversos momentos. A equipe também exibiu a boa resistência de seus componentes. Ao lado da esposa, a também coreógrafa Patrícia Salgado, que também auxilia no comando da comissão, Lobato ressalta que para o quesito os ensaios de rua têm o foco de fortalecer a resistência e o entrosamento com os segmentos.
“O trabalho da comissão acaba sendo muito mais para fôlego e ritmo. Claro que há o entrosamento com a direção de harmonia e o casal que vem logo atrás, mas o trabalho é diferente para a Avenida. Hoje é mais um teste de organização e fôlego. A cada ano, estamos em busca de algo que possa nos elevar e fazer jus aos 40 pontos. A busca eterna é sempre essa: o diferencial, algo que possa ser de grande valia tanto para as notas como para o público”, explica o coreógrafo.
Patrícia também destaca que o foco é o fôlego. “Acredito que a comissão estava muito animada e feliz. Foi o que o Sérgio falou: para nós, esses ensaios são direcionados para o fôlego, porque por mais que a gente tente ensaiar num espaço que abrange a Sapucaí, nunca dá. Quando temos uma reta para atravessar, ver o condicionamento e o entrosamento dos bailarinos é fundamental”.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Apesar de ser o primeiro ano de parceria na Unidos da Tijuca, a experiência da porta-bandeira Lucinha Nobre somada ao talento e juventude do mestre-sala Matheus André prometem resultar em um belíssimo carnaval do pavilhão. O samba no pé de Matheus e o bailado de Lucinha, que dançam com muita conexão e sincronia, realçam ainda mais o brilho do quesito.
Harmonia
A contratação de Ito Melodia para o comando do carro de som mais uma vez se mostrou um diferencial para a boa execução do samba. Apesar da escola ainda não estar completa, o crescimento da obra entre os componentes tijucanos é bastante nítido – fruto, também, do trabalho desenvolvido em quadra pela direção de harmonia. Destaque para a ala 19, que seguiu até o fim do ensaio com o samba-enredo na ponta da língua.
Evolução
O ensaio de rua começou às 21h50 e teve aproximadamente uma hora de duração. Apesar da rua estreita e com uma leve curva em determinado trecho, os componentes conseguiram aproveitar o treino e brincar carnaval. O diretor de harmonia da agremiação, Fernando Costa, ressalta que a evolução da Marquês de Sapucaí é diferente do local de ensaio, mas acredita que eles são importantes para o treino entre bateria e carro de som.
“Estamos melhorando a cada quinta-feira. Hoje veio pouca gente e acredito que na quinta também, mas não dá pra parar. A gente perde um pouco em evolução e canto, mas treina a bateria e o carro de som. O canto também está evoluindo. Sempre iniciamos os cantos na quadra e de lá para cá, houve uma evolução muito grande. A cada ensaio vai melhorando e chegando mais gente. Aqui é mais canto, bateria, andamento e fazer o tempo de desfile para o povo acostumar. A evolução no dia, com os carros, é toda diferente. Aqui a rua é mais apertada, mas gosto porque deve ter uma Sapucaí e meia (risos). Daí ensaiamos bastante para o componente pegar fôlego. Até lá ainda teremos uns cinco ou seis ensaios. Vai melhorar bem”, avalia Costa.
Samba-Enredo
O entrosamento entre a bateria “Pura Cadência” e o carro de som da Unidos da Tijuca parece ser fundamental para a evolução do samba-enredo e seu bom desempenho. A parceria resultou em um verdadeiro show durante o ensaio de rua e contribuiu no fortalecimento do canto da comunidade, que se mostrou alegre. Ao final da apresentação, o intérprete Ito Melodia destacou o trabalho em conjunto da agremiação no ensaio desta quinta-feira.
“A escola se permitiu fazer essa mudança com a chegada de todos que vieram para somar com o time que já estava na casa. Hoje, vocês puderam perceber que cada quesito está com a mesma empolgação, energia e sintonia. Claro que a bateria da Tijuca sempre foi destaque e, modéstia à parte, temos um dos melhores carros de som da Avenida. Mas não é só isso que está se destacando, e sim toda a escola com o canto, a paixão pela bandeira, o samba que está impulsionando muito, além da vontade e a garra, que estão pedindo para que a escola venha disputar o título ou fique entre as seis campeãs. Vocês vão ver um carnaval brilhante, emocionante e impactante na Unidos da Tijuca”, afirma Ito.
Assim como no último ensaio, o intérprete fez questão que a equipe do carro de som comentasse o desempenho do grupo. Para o cantor Thiago Chaffin, que faz parte do apoio musical tijucano desde 2012, a chegada de novos membros ao carro de som contribuiu.
“No âmbito musical, acredito que estamos tentando, a cada dia que passa, apurar ainda mais a qualidade do samba – e está acontecendo. Estamos trabalhando com um produto interno: a direção musical do Ivinho, que dispensa comentários – assim como os reforços que chegaram para o carro de som. Acredito que, para uma análise mais técnica e musical, a escola agregou muito e deu qualidade ao que já existia. A tendência é crescer e chegar na Avenida voando, porque o time está forte e coeso”, comentou.
Com o último ensaio de rua marcado para a próxima quinta-feira, a Unidos da Tijuca se prepara para o ensaio técnico na Marquês de Sapucaí: a agremiação treina na Avenida no dia 14 de janeiro, logo após a Portela.
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A Mangueira emitiu um nota de pesar nesta sexta-feira, após a morte Valdir da Silva filho, componente da agremiação que faleceu nesta quinta-feira após passar mal no ensaio da agremiação. A causa da morte do mangueirense não foi divulgada.
Enredos nordestinos estão em alta no carnaval paulistano. Não será diferente com a X-9 Paulistana, que aposta na região do ‘povo arretado’ para voltar aos seus grandes momentos. A bicampeã da Zona Norte ocupou a sétima colocação no Grupo de Acesso I em 2023 e, pela primeira vez, foi rebaixada para o Grupo de Acesso II. A agremiação é conhecida por levar grande contingente de componentes aos seus desfiles. Encarar essa realidade é uma missão um tanto ingrata. Entretanto, com a força deste povo guerreiro somado à paixão da sua comunidade, a ‘Xis’ promete lutar pela reconquista dos seus lugares.
Armando Barboza conta um pouco sobre o enredo e diz que irá focar na parte da arte e principais aspectos culturais da região nordestina. O artista prontamente descartou abranger a política. “Esse enredo é uma ideia da diretoria. Eu faço parte da comissão de carnaval e é uma homenagem à Patativa do Assaré. Não vamos estar falando da parte política e da parte social, mas sim das vitórias, conquistas e logicamente dos lamentos e das alegrias dos nordestinos. O Patativa fala muita em sua obra dessa parte da alegria dos nordestinos de viver em sua arte e do artesanato que nós vamos explorar bastante também. Claro que vamos falar da comida, das suas festas, crenças, mas também dessa batalha. Será um carnaval diferenciado”, explicou.
Chamou atenção esse termo ‘nordestinado’, que não se encontra no dicionário, mas faz parte do título do enredo. Segundo Armando, isso quer dizer que é uma forma de dizer que o povo do nordeste não é o que se fala devido alguns preconceitos. Seria um combate à rótulos negativos. “Essa mensagem da X-9 seria como uma forma das pessoas se dirigirem ao ‘nordestinado’ como uma forma pejorativa, ruim no sentido como o nordestino ser uma pessoa mais preguiçosa. Mas na verdade, não. O sul e sudeste dependem muito da mão de obra deles. Vieram aqui para fazer o trabalho pesado e devem ser valorizados. Então essa palavra cita isso, dizendo que o nordestino não é nada disso que pintam por aí, até como alguns políticos citam a respeito. Mas não é isso. É um povo guerreiro e de vitórias”, declarou.
Como dito acima, enredos nordestinos estão sendo bastante apresentados no Anhembi. Porém, Armando contou que dentro da pesquisa do enredo, a comissão quis fugir do estereótipo e colocar coisas diferentes no desfile. “Foi uma coisa fascinante estar saindo daquela coisa onde muitas escolas falam a respeito, eles falam das mesmas coisas e mesmas homenagens. Estamos saindo um pouco disso e queremos mostrar uma coisa mais artesanal e construída de mão a mão para trazer essa coisa mais artística do nordestino. Estamos em construção para fazer uma coisa muito bonita, muito artesanal e diferente para a escola”, disse.
Patativa de Assaré por vezes foi conhecido como um poeta social. Barboza explica que uma pequena parte disso estará no desfile, mas a ideia mesmo é levar a região para o alto astral, mostrando principalmente sua cultura, mas respondendo algumas ‘tristezas’ que Patativa refletia em seus poemas. “O próprio poema é uma crítica política e social. Ele fala do sofrimento do nordestino, da falta de recursos e do descaso dos políticos com os nordestinos. Isso será falado no último carro, que é o do cordel. Mas a X-9 não quer se aprofundar nisso. Queremos uma resposta a esse lamento do Patativa com alegria, garra e luta. Não vamos explorar essa parte triste, e sim a criatividade, luta e batalha desse povo”, comentou.
Perguntado sobre trunfos e surpresas que a X-9 irá levar para a avenida, Armando disse que a comunidade aguerrida será o combustível para fazer a agremiação da Zona Norte voltar a respirar ares melhores. “Eu acho que o trunfo seria uma reviravolta da X-9 com garra, voltando com perseverança e muito trabalho. Eu poderia estar citando muitas coisas, como alegorias e fantasias, mas eu prefiro citar a garra e a vontade de vencer da X-9 Paulistana. A grande surpresa será com certeza a garra desse povo tão guerreiro, destemido e certo que vai fazer um grande desfile e certo de que vai voltar às grandes escolas do carnaval de São Paulo”, concluiu.
A Beija-Flor de Nilópolis está prestes a comemorar seu 75º aniversário no próximo dia 25. Em homenagem a essa ocasião histórica, o departamento cultural e social da agremiação, em parceria com o Instituto Beija-Flor de Nilópolis, anunciou uma série de eventos significativos para celebrar essa importante data.
O ensaio começou por volta de 21h40, teve uma hora de duração e contou com todos os quesitos. Os componentes desfilavam ao redor da quadra com balões nas cores da agremiação. No repertório, o carro de som cantou sambas que resgatam o passado da escola, como o “Torrão Amado”. O ensaio desta quarta-feira também marcou o retorno do intérprete Emerson Dias, que estava em viagem.
“Já participei de muitos ensaios aqui. É muito especial estar no morro do Salgueiro, onde tudo começou. Ainda mais para a gente, enquanto mestre-sala e porta-bandeira, que tem que trazer toda essa ancestralidade e história. Estar recebendo essa energia no terreiro do Salgueiro faz toda a diferença para o nosso trabalho. Acredito que a importância é trazer a comunidade de volta ao carnaval. O carnaval é do povo, não da elite. A elite é espectadora, mas quem faz o espetáculo acontecer é o povo. Estar dentro da comunidade para trazer o povo faz toda a diferença para o carnaval do Salgueiro”, afirma a porta-bandeira.
Brincar carnaval no Morro do Salgueiro se torna ainda mais especial para quem vive de perto a relação entre comunidade e escola de samba. Tia Glorinha, 77 anos, presidente da ala das baianas, está no segmento há 23 anos e diz que é salgueirense desde a barriga da mãe. Nascida e criada no morro, ela brinca: “Só saio daqui quando Deus quiser”. “Sou a quarta geração de baianas na família. Foi lá em cima que tudo começou. Se nós não valorizarmos, quem é que vai fazer isso? Tem que ter alguma coisa sempre. Isso contribui muito, também, para o nosso futuro”.
“Acredito que o Salgueiro nunca saiu de suas raízes. Temos esse momento aqui, mas a comunidade também desce para a quadra durante o ano inteiro. Sinto que há a necessidade de trazer para cá tudo o que há de melhor e que acontece fora do morro. O Salgueiro sempre teve dentro da quadra motivações para as crianças e adolescentes. Hoje é mais um momento de união. A comunidade precisava de um bom samba e um bom enredo, e agora estamos vendo a retribuição. Com certeza será um carnaval que vai ficar na história da escola”, afirma o carnavalesco.
“É uma energia forte, porque aqui é onde tudo começou. Estamos no meio da nossa comunidade. A energia aqui é diferente. Eu fiquei sem vir por dois anos: 2022, que estava grávida, e no carnaval seguinte, quando o Joaquim (filho) tinha acabado de nascer. É algo surreal e maravilhoso, estou muito feliz”, diz Viviane.
Buscando o fortalecimento das suas pastas, a Superliga Carnavalesca do Brasil acertou a contratação de Cosme Marcio para a Direção de Carnaval e Wagner Vella para a Direção Geral da entidade. Os profissionais, bastante experientes no carnaval, chegam para contribuir com sua expertise dentro da maior festa popular do país para os desfiles na Passarela do Povo.
“A minha expectativa à frente da diretoria é conjugar o binômio trabalho e experiência no carnaval. Quero ressaltar a minha honra em poder contribuir com uma grande instituição como a Superliga, que tem apresentado um trabalho exemplar e reconhecido em prol da base do carnaval carioca. Agradeço ao presidente Pedro Silva pela oportunidade, mantendo o meu compromisso de trabalhar duro, para fazer um lindo carnaval”, diz o novo Diretor Geral da entidade.
Focada em aperfeiçoar ainda mais o canto de sua comunidade, a Unidos de Padre Miguel realizará na próxima sexta-feira, 22 de dezembro, mais um ensaio de rua, em Padre Miguel.
A Mocidade Independente de Padre Miguel fechou uma parceria inédita com a Maguary, marca de 70 anos integrante do portfólio da Britvic Brasil, empresa multinacional de bebidas não alcoólicas, para o Carnaval 2024. Com o enredo “Pede caju que dou… Pé de caju que dá!” a Escola do carnavalesco Marcus Ferreira irá contar na Sapucaí tudo sobre a fruta do cajueiro, com suas histórias, curiosidades e lendas.