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Comunidade da Vila Maria abraça samba de sua história e tem uma nítida evolução em ensaio

Depois do clima estabilizar um pouco, a Vila Maria entrou na pista, foi a quinta escola a ensaiar no sábado agitado no Sambódromo do Anhembi. Homenageando sua história, a Vila mostrou uma franca evolução do primeiro ensaio para o último, com os quesitos crescendo, casal repetindo destaque com uma dança bem leve e sincronizada, bateria é destaque novamente, harmonia e evolução cresceram. Será a quarta escola a desfilar no dia 17 de fevereiro, famosa sexta-feira de carnaval em São Paulo.

Comissão de Frente

A comissão de frente vestidos de palhaço, vale citar um momento que um personagem faz o famoso espacate. Roupas azul e branco. Dois triciclos andando em círculo entre os componentes que com muita dança, gestos com braçais, bem mímico dos componentes. Outra dança bem expressiva e que contava com conexão com o público. A pista ainda estava um pouco molhada, mas os componentes não preservaram, buscaram saltos, seguiram o previsto da apresentação que remete muito ao circo, por vezes com sorrisos, interações dos palhaços entre eles ou com público.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Casal Laís e Edgar com muita leveza e sincronismo, com o pavilhão desfraldado e giros conectados nas mãos, mesmo com tanta intensidade. Evoluíram muito bem, apresentavam o pavilhão e seguiam com ele aberto até o outro lado da pista, puro entrosamento e habilidade, haja treino. Apresentaram o pavilhão no segundo módulo, muito bem no desenvolvimento da dança e em sua apresentação para a cabine de jurados. A porta-bandeira Laís Moreira, comentou para o site CARNAVALESCO sobre essa entrega toda que deu para sentir no casal neste ensaio, e com direito a pavilhão histórico da Vila, vem novidade?

“Acho que por ser o último, foi muito emocionante. Teve choro, vela, estresse, abraço, amor, troca de carinho, gratidão por estar nesse solo sagrado mais um ano juntos agradecendo a Deus só por estar aqui. Eu estava muito emocionada, segurei as lágrimas por muitas vezes durante a pista, ainda que a gente tenha que ensaiar, se dedicar e estudar mais um pouco, mas foi lindo e gratificante”.

Emocionados e satisfeitos, o mestre-sala Edgar Carobina complementou sobre: “Entre erros e acertos, foi uma noite muito especial. Vimos uma comunidade cantando e é bom demais dançar com a Laís que me atura durante tantos anos. Não tem nem o que falar”.

De fato, o casal fez uma apresentação bem envolvente, no Setor B foi a parte mais marcante com a Torcida da Vila cantando, fazendo barulho, e eles apresentando o pavilhão como manda o figurino, mas claro, com mais leveza por não ser para os jurados. Ou seja, destaques em mais um ensaio técnico, mostraram um bom trabalho, e sempre com o sorriso característico marcado no rosto de ambos.

Harmonia

Um dos pontos que a Vila Maria mais cresceu do primeiro para o último ensaio foi referente ao quesito harmonia. O cantou nos primeiros estava aquém, mas no terceiro deu para sentir uma melhora importante, componentes cantando com mais força. Destaco a Ala da Comunidade, que cantou bastante, a Ala Social também seguiu o padrão. E uma ala que veio no fim da escola, Ala Quintal da Vila, considerei muito animada mesmo encerrando o ensaio, estava evoluindo com leveza. Aliás, esse foi o panorama, a Vila veio mais leve dentro das suas escolas, representando de uma forma mais próxima ao samba que é de si próprio, importante.

Para o diretor de harmonia, Cesinha, um dos pontos altos é justamente no quesito: “Além do desempenho da “Cadência da Vila”, posso dizer que o quesito Harmonia da escola melhorou e muito. O povo está conseguindo entender que é preciso cantar. O recado que deixamos essa semana, tanto com o Mestre Moleza, o presidente Adílson, para a Laís, a nossa Porta-Bandeira aqui, para motivar o nosso povo a cantar o samba e entender o porquê eles precisam cantar. Carnaval é isso, é alegria. Se você não cantar, fica difícil até evoluir”.

Evolução

A evolução foi dentro do tempo com 61 minutos e alguns segundos, deu para sentir a escola desfilando com tranquilidade, sem pressa, cumprindo os requisitos de uma evolução. As alas fluindo entre elas com interação, brincando com o público, dançando e com elementos que ajudaram a preencher a avenida, boa parte das alas tinha algum em mãos. Sobre a apresentação com mais leveza, também foi percebido pelo diretor de harmonia, Cesinha, que nos contou.

“A escola veio mais solta, mais alegre e mais confiante. A comunidade abraçou literalmente a ideia de construir o nosso Carnaval contando a própria história. Hoje a escola estava mais leve, mais solta e mais confiante. Tenho certeza de que no dia 17, se Deus quiser, faremos um grande espetáculo aqui para o povo do samba”.

Seguindo a avaliação do quesito, Cesinha destacou a melhora na condução da escola na pista: “O quesito Evolução é uma. A gente conseguiu preencher alguns espaços entre determinadas alas, espaçamentos técnicos entre uma ala e outra, às vezes forma um buraquinho. Principalmente em relação ao primeiro ensaio técnico, nós melhoramos 95%. Não vou falar 100% porque seria falta de modéstia da minha parte, mas teve uma grande melhora no quesito Evolução. E no quesito Harmonia também, a escola deu um show, até porque com a “Cadência” fazendo esse ritmo para nós aqui, é impossível a gente não se jogar”.

Sobre um espaço notado pela equipe do site CARNAVALESCO  durante o ensaio da agremiação, entre o segundo e terceiro módulo da escola, ou seja, nas alas na frente e atrás do primeiro casal, o diretor de harmonia relatou: “Como o primeiro casal não tem um espaço definido. Temos um espaço definido em que tudo que vem atrás da comissão de frente, então usamos da artimanha do manual do julgado. O casal não tem espaço, não foi comentado sobre isso, então vamos usar o espaço que o casal que está portando o pavilhão principal quiser usar. Podemos manter esse espaço para eles para deixá-los mais soltos até”.

Samba-Enredo

Em uma sequência frenética de Rio e São Paulo, shows, Wander Pires teve momentos menos intensos na condução do samba. Mas de maneira geral, fez uma apresentação importante, já que olhamos para o samba que fluiu muito bem neste ensaio técnico, o melhor dos três, nítido crescimento. Vale destacar o trabalho da ala musical como um todo, que ajudou bastante a levar o crescimento no quesito harmonia que citamos acima. Após a saída, Wander Pires que foi muito tietado, comentou com o site CARNAVALESCO sobre o último ensaio.

“Do primeiro ensaio para cá, nós evoluímos muito. Ficou muito melhor, hoje foi aquele clima, parece que esperávamos. O que a gente tem é essa vontade de fazer um bom trabalho, e estamos conseguindo, hoje conseguimos realizar esse trabalho. O ensaio hoje, digo que estamos prontos para fazer um desfile além do normal”.

Na questão das melhorias que foram feitas na ala musical, o intérprete da Vila Maria ressaltou: “Ajustamos, detalhes, coisas pequenas. Mas coisas que influenciam, mas conseguimos estar, está tudo certo, o samba está na boca do povo. Pessoal já tem um carinho especial pela Vila Maria, a cada ano que passa, conseguimos cada vez mais público para nossa torcida, e fico feliz, isso é fruto de um trabalho da Vila Maria. Antes de chegarmos na Vila, são 69 anos e já existia todo esse trabalho, fruto do trabalho de longos anos, Adilson, nosso presidente, junto com o vice Marcelo Rocha, o Queijo com a comissão de carnaval, e está maravilhoso, muito bom, a tendência é melhorarmos cada vez mais, e conquistar as pessoas, mas pelo coração”.

Teve momentos que deu para ver o Wander no meio da apresentação da escola, cantando o samba, e mostrava o carinho que tem pela comunidade. Ou seja, entregou ao máximo dentro da sua maratona.

Outros destaques

Bateria cheia de bossas, uma paradona no Setor B levantou o público. Outra no início do ensaio e uma no recuo. Foi com certeza um ponto alto, a bateria brincou com os instrumentos. No penúltimo setor parou no trecho e a bateria explodiu cantando “sou da Vila”. Inclusive cantaram muito, nas paradas deu para sentir. Outra parada foi no último setor, sempre que acontecia, a arquibancada explode. No trecho descendo o morro fazia barulho com instrumentos. Fato é que a Cadência da Vila manteve o excelente padrão na apresentação, repertório amplo e levantou o público em todos os setores, basicamente em todos teve algum momento de estouro.

O Mestre Moleza fez sua avaliação sobre o ensaio e a crescente de um para o outro: “Tivemos uma crescente. O segundo foi melhor que o primeiro e agora o terceiro foi melhor. A sonorização da avenida passando por alguns ajustes de sincronia. A gente estava no box de esquenta e pedimos para ajustar o retorno de som e o pessoal ajustou. No segundo som também. A Liga está de parabéns por proporcionar o som antes do desfile para gente poder fazer esses ajustes e já dá uma referência maior do que é o dia. Sobre o ritmo, colocamos a novidade que é o forró em homenagem aos imigrantes nordestinos na Vila Maria e também o funk, que hoje tem uma galera que gosta bastante lá no bairro. Resolvemos fazer essa homenagem”.

No ritmo das bossas, que já é uma marca da escola, sempre ousada na bateria, Moleza relatou: “A estratégia é fazer sempre. Se a gente estiver bem compactado com a harmonia da escola, e se conseguirmos fazer o que veio hoje, com a questão do espaçamento entre a rainha e a ala da frente, vamos ver tudo isso que vocês ouviram no ensaio”.

A rainha Savia David sempre bem conectada com a comunidade, um momento estava junto com Mestre Moleza, dando o ritmo. Seu look também despertou muita atenção, e claro, o samba no pé, que foi um pouco mais contido devido às condições da pista, mas não deixou de interagir com o público e sua comunidade.

Grupo de passistas entra no espaço do recuo, tiveram que fazer pequenos ajustes antes desta entrada, distribuir as passistas para um lado e para o outro, mas funciona. Outro detalhe é no penúltimo carro, uma limousine, com dois destaques dentro. E também uma ala com pessoal de patins, são coisas que chamaram atenção, o que virá no dia do desfile? Por fim, dois tripés que olha… Já queremos saber!

No futebol quando a torcida faz a diferença, dizemos que tem um décimo segundo jogador, podemos dizer o mesmo no carnaval? É uma ala extra, a Torcida da Vila fez um show na apresentação, conduziu a escola, ajudou bastante no gás especial.

Colaboraram Gustavo Lima e Lucas Sampaio

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