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‘A memória do rei e o sumiço de dona Júlia’ é o enredo da Imperatriz para o Carnaval 2027

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Foto: Reprodução/TV Globo

“A memória do rei e o sumiço de Dona Júlia” é o enredo da Imperatriz Leopoldinense para o carnaval 2027. Com a curiosa proposta, a escola de Ramos vai levar para a Marquês de Sapucaí, no ano que vem, uma narrativa que une mistério, ancestralidade e cultura popular, ao se debruçar na história real de uma calunga de maracatu desaparecida por três décadas.

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Mergulhado na inusitada trama, o carnavalesco Leandro Vieira encontra na narrativa anunciada o suporte para o desenvolvimento de uma temática curiosa que reforça a marca que o consolidou como um dos principais nomes dos desfiles quando o assunto é a contação de histórias e a pesquisa para o quesito enredo.

Para 2027, o artista propõe a inesperada história de uma calunga que desapareceu por mais de trinta anos ao ser levada para um museu na década de 70 e só reencontrou com seu maracatu de origem durante os preparativos e os ritos do carnaval de 2014.

Dona Júlia, a boneca esculpida para guardar os axés do Maracatu Porto Rico, saiu das mãos de seu grupo em 1978 e, por razão ainda não desvendada, foi dada como desaparecida pela instituição responsável por sua salvaguarda, após representantes de seu maracatu reivindicarem o direito por sua posse, em 1980.

De forma inusitada, a calunga reapareceu depois de três décadas, ao ser deixada por um estudante num terreiro em Olinda, sob a alegação de que o objeto “assombrava” a sua casa.

A trama foi descoberta pelo carnavalesco em suas pesquisas debruçadas sobre o cotidiano do Brasil popular e ganha novo capítulo quando um telejornal pernambucano noticia o paradeiro de uma boneca sem procedência e um babalorixá em busca de seus proprietários. Com sua imagem exibida na TV, a boneca é recuperada ao ser reconhecida pelos mais antigos integrantes de seu maracatu de origem.

“Como enredo, a ‘MEMÓRIA DO REI E O SUMIÇO DE DONA JÚLIA’ amplia o olhar sobre as tradições dos maracatus de baque virado, revelando-as como espaços para a manutenção de ritos associados à coroação dos reis do Congo e às devoções particulares marcadas por aspectos espirituais, nem sempre tão bem difundidos, como o culto aos eguns e o encantamento dos objetos”, afirma o carnavalesco.

Dona Júlia, a calunga que protagoniza o enredo assinado por Leandro Vieira, foi realizada a mando do babalorixá Eudes Chagas para ser um dos objetos sagrados do maracatu onde ele foi coroado rei em 1967. Na boneca, há 60 anos, foi ancestralizado o egun de Maria Júlia do Nascimento, a histórica rainha do maracatu elefante, falecida em 1962, e popularmente conhecida como Dona Santa.

Calungas são figuras centrais e veneradas dentro das tradições dos maracatus de Pernambuco. São consideradas elementos sagrados que representam a proteção de ancestrais e esta é a razão para que a volta de uma calunga perdida seja um momento de grande celebração e realização de rituais.

É a história particular de uma dessas bonecas sagradas – sua origem, o sumiço, o reencontro e a reiniciação espiritual de seus axés para voltar às ruas – o caminho narrativo de uma proposta que une as pesquisas realizadas pelo carnavalesco a elementos do imaginário afro-brasileiro.

Em 2027, A Imperatriz Leopoldinense será a última escola a desfilar na segunda-feira de Carnaval, dia 8 de fevereiro.

Soberania na Sapucaí: Beija-Flor lidera ranking histórico da Liesa (1985–2026)

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Foto: Thomas Reis/Divulgação Rio Carnaval

Desde que o Sambódromo foi inaugurado e a Liesa assumiu a organização do Grupo Especial em 1984, o Carnaval do Rio de Janeiro transformou-se em uma competição de regularidade técnica e investimentos milionários. O ranking geral 1985–2026, que consolida o desempenho das agremiações ao longo de quatro décadas, revela quem são as verdadeiras potências da “Era Sambódromo”.

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Diferente da contagem total de títulos (onde a Portela ainda lidera com 22 vitórias desde 1932), o ranking da Liesa foca na consistência. A pontuação é atribuída conforme a colocação final: o campeão soma 20 pontos, o vice 15, e assim sucessivamente até o 10º lugar.

A Deusa da Passarela e o domínio de Nilópolis

No topo da pirâmide, a Beija-Flor de Nilópolis aparece como a força dominante indiscutível, acumulando 541 pontos. A escola da Baixada Fluminense é o maior exemplo de regularidade: sob o comando de lendários diretores como Laíla e carnavalescos como Joãosinho Trinta, a azul e branco raramente ficou fora das campeãs, conquistando 10 de seus 15 títulos dentro do recorte deste ranking.

Briga pelo pódio histórico

Logo atrás da Beija-Flor, o Acadêmicos do Salgueiro (374 pts) e a Imperatriz Leopoldinense (371 pts) travam uma disputa ponto a ponto pela segunda colocação histórica. O Salgueiro consolidou sua posição pela presença constante no topo da tabela nas últimas duas décadas, enquanto a Imperatriz deve sua alta pontuação ao “período de ouro” entre o final dos anos 1980 e início dos 2000, além de seu recente retorno ao protagonismo.

A Estação Primeira de Mangueira, com 345 pontos, ocupa a quarta posição, mantendo-se como a mais bem colocada entre as agremiações mais tradicionais do Rio, superando a Mocidade Independente (281 pts) e a Portela (255 pts) no critério de pontos acumulados desde 1985.

Metodologia de pontuação

O ranking é uma “fotografia técnica” que premia a escola que sabe jogar o regulamento. O cálculo é feito da seguinte forma:

Campeã: 20 pontos

Vice-campeã: 15 pontos

3º lugar: 12 pontos

4º lugar: 10 pontos

5º lugar: 8 pontos

6º lugar: 6 pontos

Decrescendo até 1 ponto para a 10ª colocada.

Viradouro dispara na liderança do ranking da Liesa após o Carnaval 2026

Fenômeno Viradouro

Embora apareça em 7º no ranking geral devido a períodos passado, a Unidos do Viradouro é a escola que mais subiu posições nos últimos cinco anos (2022–2026). No ranking específico deste último ciclo, a escola de Niterói assume a liderança isolada com 77 pontos, fruto de seus títulos em 2024 e 2026, além de vices e terceiros lugares constantes.

Top 10 das Campeãs da Spucaí (1985–2026)

Posição Escola de Samba Pontos Acumulados
Beija-Flor 541
Salgueiro 374
Imperatriz 371
Mangueira 345
Mocidade 281
Portela 255
Unidos do Viradouro  251
Grande Rio 231
Vila Isabel 219
10º Unidos da Tijuca 212

Tomate relembra forte ligação de Reinaldo com a Dragões da Real e projeta desfile histórico em 2027

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Foto: Gustavo Lima/CARNAVALESCO

Inegavelmente, o sambista Reinaldo é unanimidade no mundo do samba, dentro e fora do carnaval. Suas músicas são cantadas com muita força nas rodas de pagode e nos shows, além de inspirarem as novas gerações. O músico fez sucesso no Rio de Janeiro e, sobretudo, na cidade de São Paulo, que foi um importante palco para o príncipe do pagode, onde teve a oportunidade de realizar inúmeros shows e gravar trabalhos audiovisuais.

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Na noite do lançamento do enredo da Dragões da Real, que homenageará o artista no Carnaval 2027, a comunidade comemorou efusivamente o anúncio do tema. A repercussão nas redes sociais entre os apaixonados pelo carnaval também foi enorme e, com certeza, a “Comunidade de gente feliz” começa com tudo, visando o próximo desfile. O presidente Tomate conversou com o CARNAVALESCO e falou sobre o enredo da Dragões da Real para o Carnaval 2027.

Reinaldo e a ligação com a escola

Tomate não escondeu o entusiasmo ao falar sobre o enredo que irá homenagear o príncipe do pagode. De acordo com ele, a Dragões da Real tem várias ligações com o Reinaldo, inclusive a festa do título do Grupo de Acesso em 2011. “A gente é suspeito para falar. Alguns dias antes de morrer, Reinaldo estava no hospital com um amigo nosso, o Faustão. Eles me ligaram, e ele disse: ‘Presidente, quero comemorar meu aniversário na feijoada’. Isso foi enquanto ainda estava em tratamento. Depois, foi para casa, passou mal novamente e retornou ao hospital. A história da Dragões com Reinaldo vem de muito tempo. Nosso vice-presidente, Binho, tinha um botequim na Lapa, simples mesmo, e Reinaldo frequentava o local todos os sábados à tarde. Tivemos muitos encontros com ele. Em 2011, quando fomos campeões do Acesso, comemoramos o título com um show dele na quadra. No ano passado, fomos a primeira escola de samba a receber o show do Ferrugem em tributo ao Reinaldo. Ele é uma unanimidade. Hoje, o palco reuniu muitos artistas; convidamos alguns, que foram chamando outros. Os que não vieram tinham compromissos. Isso mostra a dimensão do Reinaldo. A internet está tomada por comentários positivos, uma verdadeira enxurrada. Temos tudo para fazer mais um grande espetáculo. Realizar o evento no Anhembi foi uma forma de inovar, levando a homenagem de um sambista para o templo do samba. É uma sinergia de encontros que, se Deus quiser, vamos honrar com essa linda história do Reinaldo”, declarou.

Beleza das artes estão mantidas

Segundo o gestor, a grandiosidade de alegorias e fantasias serão mantidas, com o trabalho de barracão já em andamento. Ele revelou que as vestimentas serão mais leves para facilitar a evolução dos componentes.”Não esperamos nada diferente do que a escola já vem apresentando. Há um último carro alegórico que será algo fora do comum, muito especial. O projeto já está todo desenhado, e começaremos mais cedo. O barracão já está em atividade. A expectativa é manter o nível dos últimos anos. Talvez as fantasias sejam um pouco menores, para favorecer uma evolução mais solta dos componentes. A ideia é torná-las mais compactas, permitindo que o sambista desfrute do desfile, já que não utilizamos coreografias. Fantasias muito grandes acabam limitando isso. Foi um aprendizado deste ano. A expectativa é de um grande carnaval da Dragões, com a identidade do Reinaldo”, contou.

Expectativa de um grande samba

Seguindo os próximos passos, Tomate almeja uma disputa de sambas acirrada, e vê com bons olhos um grande samba para exaltar Reinaldo. “A disputa de samba-enredo será definida em breve. Teremos a data de explanação com os compositores, e em agosto acontecem as eliminatórias, provavelmente no mesmo formato: semifinal e final. A expectativa é receber obras muito fortes”, completou.

Rafael Prates é o novo diretor musical da Grande Rio

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Foto: Ewerton Pereira/Divulgação Grande Rio

Rafael Prates é o novo diretor musical da Grande Riol. Maestro, arranjador, compositor e produtor musical, Rafael é um dos profissionais mais experientes do segmento, com trajetória consolidada no samba e nas produções carnavalescas.

Formado em Produção Fonográfica pela Universidade Estácio de Sá e pelo Conservatório Brasileiro de Música, atua desde 2002 na produção musical e nos arranjos dos álbuns das escolas de samba do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo. Em 2005, passou a integrar a equipe responsável pela produção do projeto do Grupo Especial do Rio, a convite dos produtores Laíla e Mário Jorge Bruno.

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Nos últimos anos, Rafael esteve à frente da produção oficial dos álbuns das escolas da SuperLiga nos carnavais de 2022, 2024, 2025 e 2026. Em 2023, produziu os de 54 escolas das Séries Prata e Bronze, além de assinar, entre 2024 e 2026, a produção musical do projeto oficial das escolas do Grupo Especial de Vitória.

Ao longo da carreira, também comandou a direção musical de agremiações como Beija-Flor, Salgueiro, Paraíso do Tuiuti e Unidos de Vila Isabel, além de trabalhos com artistas como Dudu Nobre, Arlindo Cruz, Zeca Pagodinho, Alcione e Fundo de Quintal.

Quadra da Mangueira sedia no sábado o evento Batuq em Verde e Rosa

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Foto: Divulgação

No próximo dia 16 de maio, sábado, a quadra da Estação Primeira de Mangueira recebe o evento Batuq em Verde e Rosa em parceria com a Batuq Casa de Samba. O evento contará com a presença de Arlindinho, Nego Damoé e O Povo Canta Rei, para fazer uma festa digna do samba.

O evento marca a sequência de comemorações do aniversário de 98 anos da Verde e Rosa, juntando mais nomes de peso do samba carioca: a Batuq Casa de Samba, o herdeiro musical de Arlindo Cruz, Arlindinho, um dos principais nomes do samba da nova geração, assim como Nego Damoé e O Povo Canta Rei, uma homenagem ao cantor Reinaldo, falecido em 2019.

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“Receber um projeto como a Batuq na nossa quadra fortalece ainda mais esse elo, promovendo encontros que valorizam a nossa história e projetam o futuro do samba. Ter esses nomes da nova geração do samba conosco é motivo de muita alegria. Eles carregam a continuidade, o legado que o samba sempre deixou, de geração em geração. Essa mistura entre tradição e renovação é a essência da Mangueira”, pontua Guanayra Firmino, presidenta da Mangueira.

Segundo ela, esse evento é mais do que uma festa, é um encontro de gerações, de parcerias e de resistência cultural. “A nossa quadra segue sendo esse espaço de acolhimento, de celebração e de exaltação ao samba, reunindo grandes nomes e fortalecendo iniciativas que dialogam diretamente com o nosso povo”, acrescenta Guanayra.

A Batuq Casa de Samba, localizada no bairro da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, foi fundada em 2020, mas que rapidamente se consolidou como um importante polo de valorização do samba de raiz e da cultura popular carioca. Conhecida como a “casa amarela”, a Batuq nasceu com a proposta de ser mais do que um ponto de entretenimento, atuando também como território de resistência cultural, encontro comunitário e fortalecimento de artistas e rodas de samba da cidade.

Ao longo de sua trajetória, o espaço ganhou destaque por seu impacto social e cultural, promovendo eventos, recebendo grandes nomes do gênero e contribuindo para a preservação da identidade do samba nas periferias do Rio. Além da unidade na Penha, a Batuq também conta com mais um espaço em Niteroi.

Arlindinho é cantor, compositor, herdeiro musical de Arlindo Cruz e, na sua carreira, já coleciona mais de uma dezenas de sambas enredos interpretados na Saúcaí, entre eles Zeca Pagodinho (Grande Rio – 2023), Fala, Majeté! Sete Chaves de Exu (Grande Rio – 2022).

Nego Damoé é cantor e compositor carioca, conhecido por sua atuação nas rodas de samba e no circuito de pagode. Nascido e criado na Zona Norte do Rio de Janeiro, Nego Damoé construiu seu caminho na base do samba de raiz. O artista é conhecido por sua presença de palco e pela maneira espontânea de se conectar com o público.

O Povo Canta Rei é um grupo formado em homenagem ao grande intérprete Reinaldo, o Príncipe do Pagode, que faleceu em 2019, vítima de um câncer de pulmão. O repertório é formado por músicas eternizadas na voz do “Rei”, como Retrato Cantado de um Amor, Problema Emocional e tantos outros sucessos.

Serviços
Batuq Verde e Rosa
16 de maio
A partir das 16h
Quadra da Mangueira – Rua Visconde de Niterói, 1072 – Mangueira
Ingressos no Sympla

Antônio Gonzaga comenta sua estreia solo na Grande Rio e os planos para 2027

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Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

O ano de 2026 foi o início de uma trajetória em que Antônio Gonzaga encarou o desafio de assinar sozinho o carnaval de uma grande agremiação do carnaval carioca. O carnavalesco define sua estreia na Acadêmicos do Grande Rio como uma transição profissional. Após alcançar a oitava posição, ele foca em ajustar e alinhar as pontas soltas, fazendo com que a escola volte a brigar pelo pódio.

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“Eu acho que foi um desfile de transição. Foi minha estreia na Grande Rio. Fico muito feliz com a forma como a escola se apresentou, mas também foi um desfile importante para a gente entender algumas questões que não deram tão certo e que estamos ajustando para que, em 2027, a escola volte a brigar pelo título”, disse Antônio Gonzaga.

A temporada de 2026 teve sabor de desafio, por ser a primeira vez de Antônio assumindo a responsabilidade de comandar um barracão sozinho no Especial. E, mesmo tendo o trabalho elogiado, o carnavalesco interpreta o último desfile como um aprendizado que o levará ao amadurecimento de ideias que o conectarão mais com a linguagem da agremiação.

“Foi um grande desafio. Foi meu primeiro trabalho solo no Grupo Especial, a primeira vez em que fui carnavalesco sozinho. E numa escola que é muito desafiadora, porque está acostumada a brigar pelas primeiras posições e entende a grandiosidade que tem. É uma grande responsabilidade fazer a Grande Rio, é um grande desafio. Fico muito feliz de ter o meu trabalho bem avaliado, mas também reconheço algumas coisas que precisam ser ajustadas para que a Grande Rio volte a conversar como um todo. A gente precisa ajustar algumas pontas, aparar outras, porque temos um time muito forte, uma comunidade muito forte. É só ajustar algumas coisinhas para voltarmos lá em cima”, afirmou Antônio.

Apesar de iniciados, os planejamentos para o próximo ano ainda são um suspense para o público. Antônio revelou que está desenvolvendo opções de enredo.

“A gente está trabalhando com algumas possibilidades, ainda não temos um enredo fechado. Temos algumas boas opções. Estou trabalhando junto com o meu pesquisador, Vinícius Moraes, e com a minha equipe de criação. Estamos desenvolvendo alguns caminhos, conversando com a escola. Em breve, vocês vão saber um pouquinho mais”, contou Antônio.

Águia de Ouro promete Nordeste diferente no desfile de 2027: ‘Queremos fugir do senso comum’

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

O último sábado foi especialíssimo para o Carnaval de São Paulo, em especial para região da Pompeia, bairro da Zona Oeste de São Paulo. O Águia de Ouro comemorou o Jubileu de Ouro exatamente no dia em que a agremiação foi fundada há cinquenta anos. Para comemorar, a azul e branca fez uma grande feijoada na gigantesca quadra da instituição, na avenida Presidente Castelo Branco (trecho da pista local da Marginal Tietê), com show das bandas Encontro de Batuqueiros e Puxadores do Samba e da Batucada da Pompeia, bateria da escola. Já com enredo definido para o Carnaval 2027, “Águia na encantaria de fés, folguedos e milagres que deságuam no sertão”, assinado pelo carnavalesco Leandro Barboza, o CARNAVALESCO marcou presença em data tão importante para a agremiação e buscou mais informações sobre a temática.

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Ideia

Embora seja uma temática comum em desfiles de escolas de samba, o Águia de Ouro não costuma abordar o Nordeste em seus enredos – a última vez que a escola passeou com mais afinco pela região foi em 2014, quando cantou o ilustre cantor no desfile de “A velha Bahia apresenta o centenário do poeta cancioneiro Dorival Caymmi”. Até por isso, o título do enredo chamou atenção do universo do carnaval paulistano.

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A reportagem, por conta de tal característica, perguntou para alguns nomes importantes da escola sobre a origem do enredo. Leandro começou: “A gente viu a oportunidade que o Águia deu, essa abertura incrível que o presidente deu por meio dessa parceria dele. A gente trouxe esse enredo achando que é o momento certo para o Águia, trazendo tanto uma plástica quanto uma narrativa que a gente acha muito expressiva. Quando a gente teve essa oportunidade de estar no Águia, eu falei com o Thiago e o presidente já apoiou. Vai ser incrível para a escola”, detalhou.

Rogério Figueira, popularmente conhecido como Tiguês, outro estreante na agremiação neste ciclo para o Carnaval 2027, foi ainda mais além. Ao ser perguntado sobre como era voltar a trabalhar com o carnavalesco e com o enredista Tiago Freitas, com quem atuou entre 2022 e 2026 no Império de Casa Verde: “Trabalhar com os dois é um prazer muito grande. São dois caras que procuram retratar aquilo que foi pedido até pelo presidente. A ideia começou com uma ideia do presidente, mesmo – e eles já tinham o negócio pronto. Foi um negócio legal para caramba. É fácil trabalhar com os dois. Dá uma tranquilidade para a gente poder saber e entender que a parte plástica vem. Já é uma coisa que você tira da lista de preocupações. Vai ser muito tranquilo trabalhar com o Leandro, que é um querido, sempre presente na minha vida, todo dia no barracão. É um cara que vai ser muito fácil trabalhar. Para a gente está muito tranquilo”, pontuou.

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Rogério Figueira, popularmente conhecido como Tiguês

Desenvolvimento

Uma temática nordestina, por vezes, pode ser muito ampla. Leandro destacou que há um direcionamento bastante claro no trabalho: “A gente vai contar os milagres nordestinos, a gente vem com uma temática diferente nordestina. Em cada setor, a gente vem com milagre. Isso é muito incrível. No último setor, falaremos do milagre da chuva, por exemplo, mas a gente vai passar por vários milagres incríveis. A abertura toda é incrível, a gente trabalha com a jurema em relação à mística do transe, algo que o Tiago adora falar. Podem esperar uma abertura gigantesca do Águia. O Águia vai vir para o campeonato e isso é decisivo para a gente”, prometeu.

Tiago complementou: “A gente traz uma coisa muito forte: a jurema sagrada, um ritual. As pessoas acham que a jurema vem da Amazônia, mas não: é uma tradição nordestina. A jurema vem da sabedoria popular do sertanejo, do homem nordestino e da mulher nordestina, que, fazendo fogo e fumaça da árvore da jurema, também fazem o chá e a fumaça para evocar os ancestrais e a espiritualidade. A gente vem nessa viagem aí”, brincou.

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Carnavalesco Leandro Barboza e o enredista Tiago Freitas

O próprio enredista dá mais detalhes sobre o que está sendo programado para o desfile: “No primeiro setor, a gente vem com o milagre do Sol que está forte no sertão abrandar. É o primeiro milagre a ser contado. O segundo é que, com a fé e a força dos santos católicos, eles procuram a energia para festejar – e, aí, eles encontram esse caminho. No terceiro milagre eles vão festejar e encontram a energia para acreditar que a chuva vai cair – e, no último setor, a chuva finalmente vai cair. Essa chuva é a chuva da vitória e a chuva que cai no sertão. A gente mistura essa mística da chuva do sertão com a chuva da vitória na Pompeia”, ilustrou.

Liberdade artística

Tal qual o carnavalesco com quem trabalha, Tiago também fez questão de frisar que o Nordeste retratado pelo Águia de Ouro no Anhembi será bastante diferente do que costuma ser apresentado em desfiles de escolas de samba: “A gente já está em produção e queremos fugir do senso comum. A gente não quer falar do Nordeste como todo mundo fala: com gibão, chapéu, Maria Bonita, Lampião. A gente vem com rituais e também a gente vem com encantarias, que é o nome do nosso enredo. Essas encantarias despertam milagres e esses milagres fazem com que a Pompeia retome ao seu lugar natural, de estabilidade e de protagonismo. A gente vai jogar com esses milagres que fazem brotar no sertão a vitória para a Pompeia – e a vitória da chuva para o sertanejo”, pontuou.

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Para que tudo isso aconteça, é necessário que a agremiação compre a ideia da equipe de criação. E, de acordo com Tiago, isso está acontecendo: “É interessante quando uma escola abraça um projeto autoral, quando não vem com um projeto que vai ser forçado. Quando o projeto é autoral, é certeza que ele vai se desenvolver bem na avenida. O Águia abraçou de primeira hora o enredo do Leandro: quando o presidente falou que esse é o nosso enredo, já começamos a trabalhar. Isso é muito importante para os artistas do carnaval”, comentou.

Aceitação do mandatário

Principal nome do Águia de Ouro, Sidnei Carrioulo, presidente da escola, está bastante satisfeito com o que a agremiação está fazendo para 2027: “A primeira impressão ainda continua: a impressão boa, o desenrolar do enredo idem. A apresentação desse enredo em termos de fantasia também é ótima- isso é muito importante. Às vezes, o assunto é muito importante; mas, na hora que você começa a tirar do papel e colocar em prática, você não tem a mesma temática que você tinha na cabeça. Falar é uma coisa, representar é outra. Tanto em termos de alegoria (já temos os projetos dos carros) quanto em termos de fantasia, está maravilhoso. E, dando aí a pincelada final, questão do samba-enredo está ficando muito legal”, comemorou.

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Principal nome do Águia de Ouro, Sidnei Carrioulo, presidente da escola

O dirigente, por sinal, foi elogiado por Tiago: “É importante dizer que o presidente determinou que fosse um desfile de Grupo Especial, inclusive, com quatro alegorias. Isso foi muito importante para a gente, isso é a valorização do presidente em relação ao nosso trabalho. Tenho certeza que eu escolhi certo a escola, isso me deixa muito tranquilo. Esse casamento com o Águia vai ser duradouro”, afirmou.

Daqui em diante

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Perguntado sobre o andamento da produção do desfile, Leandro voltou a elogiar Sidnei: “A gente já está em produção de fantasias. A gente já está há quinze dias de produção de fantasias. A gente já está em fase de piloto, finalizando pilotos. Esse andamento acontece graças ao presidente: ele é um presidente muito empenhado, é presente em todo o trabalho. No primeiro momento em que ele falou que quer começar barracão e fantasia, começamos”, disse.

De acordo com ele próprio, o próximo passo já está dado: “A gente já está com o samba pronto. O samba já está sendo gravado, já começou a fase de estúdio. Isso deixa a gente muito confortável com a narrativa, com a criação. Está tudo muito fluido, a gente está muito tranquilo, a comunidade recebeu muito bem. A bateria, todos os segmentos. Vai ser bem feliz. A comunidade se reconheceu no enredo – e, quando a gente apresentar o samba, eles vão se reconhecer, também”, finalizou.

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Sheila Monaco é reeleita presidente da Pérola Negra com ampla vitória

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Foto: Letícia Sansão/CARNAVALESCO

A chapa “Resistência”, liderada por Sheila Monaco, foi a vencedora da eleição para a Diretoria Executiva e o Conselho Fiscal do G.R.S.C.E.S. Pérola Negra para o triênio 2026/2029. O pleito foi definido com 18 votos a favor da chapa vencedora contra 7 votos da oposição, confirmando a reeleição de Sheila Monaco à presidência da agremiação.

Com o resultado, a atual gestão segue à frente da Pérola Negra por mais um ciclo administrativo, dando continuidade aos projetos e diretrizes já em andamento na escola.

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Em nota, a agremiação destacou o compromisso com a estabilidade institucional e desejou sucesso à diretoria reeleita na condução dos trabalhos junto à comunidade, reforçando a importância da união e da participação dos segmentos no fortalecimento do trabalho da escola.

Estácio, Sinopse do Enredo para o Carnaval 2027

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Enredo – Centenário do Berço do Samba: Onde o Samba Virou Escola e o Brasil se Fez Carnaval

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INTRODUÇÃO

O Grêmio Recreativo Escola de Samba Estácio de Sá tem como enredo o “Centenário do Berço do Samba: Onde o Samba Virou Escola e o Brasil se Fez Carnaval”, a primeira escola de samba do Brasil apresenta a perspectiva de um plano dimensional no qual se constroem narrativas dos bambas em tempos idos e do processo histórico das escolas de samba cariocas. Além disso, o enredo dialoga com a historiografia do bairro, especialmente com a da sua escola de samba, herdeira da Deixa Falar, amplamente referenciada na história do carnaval carioca.

A inesquecível Turma do Estácio, eternizada na memória dos sambistas, volta a se reunir em uma dimensão alternativa, recurso próprio da natureza poética e imaginativa do artista carnavalesco e dos sambistas, capaz de atravessar o tempo e criar mundos possíveis. Nesse plano, o passado não se encerra, mas dialoga com o percurso das escolas de ontem e de hoje.

Nesse universo imaginário, território mítico, as cenas da vivência no bairro do Estácio, das perspectivas dos bambas reunidos à mesa de bar e do percurso seguido pelas escolas de samba cariocas até a atualidade passam diante dos olhares de Ismael Silva, Bide, Baiaco e Marçal. Outrossim, o enredo reúne narrativas desses bambas em outra dimensão, bem como aportes literários que abordam a geografia e seus personagens, além de contribuições orais sobre esse lugar de criação das hoje mundialmente reconhecidas escolas de samba.

SINOPSE DO ENREDO
[Quem vem lá, quem vem lá é o velho Estácio… Estácio escola primeira veio saudar a Portela cumprimentar a Mangueira…] (Quem Vem Lá – samba de Bide – Marçal)

As memórias dos sambistas e a literatura sobre o samba, voltadas às escolas de samba, demonstram que, no coração do Rio de Janeiro, existe um lugar onde o tempo aprendeu, e ainda aprende, a sambar de forma genuína. Trata-se do Largo do Estácio, localizado próximo aos antigos templos do samba e ao atual Sambódromo da Marquês de Sapucaí, espaço onde as escolas de samba revivem histórias e memórias.

Nesse lugar, as memórias atravessam décadas, e ecos de batuques que nunca se calaram ressoam ao longo de um século. Ali, um antigo bairro guarda histórias que pertencem à própria origem do carnaval, sobretudo quando se trata de seus protagonistas: Ismael Silva, Bide, Baiaco e Marçal.

Nesse território simbólico, onde passado e presente se encontram como versos de um mesmo samba, a mesa do velho Estácio permanece viva no imaginário dos estacianos, como se os bambas observassem não apenas a agremiação, mas também o carnaval e suas transformações ao longo do tempo. Nesse cenário, aqueles que deram origem ao maior espetáculo da Terra, criadores de novos ritmos e instrumentos que ecoam até a atualidade, seguem a zelar pelo samba-enredo e pela escola de samba Estácio de Sá a partir de outra dimensão.

Assim, esses bambas, ao romperem com a lógica dos ranchos carnavalescos, propuseram uma nova estrutura baseada em ritmo, organização e narrativa. Nesse sentido, a Deixa Falar, escola de samba criada por eles, não apenas inovou, como instituiu um paradigma para esse novo modelo de samba concebido pelos bambas do velho Estácio.

Ao criar a onomatopéia bumbum paticumbum prugurundum, Ismael Silva indicava que tal conceito nasceu para estruturar a marcação rítmica do samba, utilizada não apenas para orientar o ritmo, mas também como forma de chamado para o ato de sambar. Em linhas gerais, buscava-se uma configuração que organizasse a festa, orientasse o samba e o desfile, criando uma cadência própria que daria origem à base rítmica das baterias.

Na concepção do sambista, essa expressão sintetizava a profundidade do carnaval das escolas de samba, ancorada na ancestralidade afro-brasileira e no ritmo popular. Evocava, ainda, batidas que dialogavam com tradições de terreiro1, nas quais pulsos graves, repetições e chamadas coletivas estruturam a comunicação entre corpo, música e comunidade.

Nesse contexto, o enredo se debruça sobre os desejos de transformação desses homens em vida e sobre suas reflexões, agora ampliadas por outro tempo, acerca dos frutos gerados pela semente plantada no momento em que nascia a cultura das escolas de samba cariocas. Ao mesmo tempo, celebra a permanência dessa obra viva, refletida na criatividade dos enredos e sambas que conquistaram o povo e se tornaram parte essencial da identidade cultural do Rio de Janeiro e do Brasil.

Isso posto, o bairro tornou-se, então, uma verdadeira sala de aula do samba, uma vez que o termo escola passou a integrar os desfiles de maneira mais abrangente. A historiografia do samba revela a importância dessa concepção, visto que outros sambistas passaram a frequentar esse espaço da cidade. A coletividade, voltada aos desfiles, ganhou novos contornos, sustentada por instrumentos, poesia popular, criações e diálogos. Desse modo, o carnaval carioca consolidou-se como uma das festas mais populares do país, ultrapassando fronteiras nacionais.

Nesse universo, os bambas veem, diante de seus olhos, cenas que remontam à formação da escola de samba Estácio de Sá, resultado da união de outras agremiações ao longo de décadas de história do samba no Morro de São Carlos, território que preservou o espírito da escola pioneira.

Por conta dessa natureza festiva carnavalesca, a tradição segue viva nos becos, nos quintais e nas festas populares, reinventando-se como forma de resistência cultural. Nesse contexto, revelaram-se artistas, pensadores e vozes marcantes da cultura brasileira. Entre eles, Acelino dos Santos, o Bicho Novo, lendário mestre-sala do carnaval carioca, Luiz Melodia, cuja obra dialoga com a boemia e o compasso do Estácio, Dominguinhos do Estácio, de voz potente, Gonzaguinha, cuja poesia transformou dor em esperança, e tantos outros bambas, compositores e intérpretes da alma suburbana que ecoa nas esquinas do Rio.

É nesse mesmo fluxo de memória e continuidade que a Turma do Estácio, em dimensão simbólica, se reúne à mesa com outros bambas2 de grande relevância para o universo das escolas de samba. Ali, a fina nata da malandragem, trajada no puro linho, com gomas e vincos impecáveis, divide espaço com as mulheres da vida, figuras marcantes das noites do Estácio, de riso fácil, perfume forte e olhar sabido, que também faziam pulsar aquele território boêmio. Entre copos tilintando, o riscar dos fósforos, a fumaça dos cigarros e conversas atravessadas, malandros e damas da noite se encontram para rememorar e celebrar tempos idos e presentes, compondo o cenário vivo de uma época em que a rua era palco, abrigo e poesia, ampliando o coro de vozes que sustentam, preservam e reinventam essa tradição.

As cenas de transformação observadas pelos bambas ultrapassam as ruas do bairro e alcançam a Avenida Marquês de Sapucaí, que transformou o sonho em espetáculo. Em suas memórias, os desfiles não nascem em um palco fixo, mas percorrem a própria história urbana do Rio de Janeiro. Antes da consolidação de uma passarela definitiva, o carnaval foi itinerante, ocupando diferentes espaços da cidade3, acompanhando o crescimento da festa. Hoje, esse templo do samba é o espaço onde, ano após ano, se escrevem narrativas heróicas, ficcionais e realistas pelas agremiações cariocas.

Nessa ambiência, os bambas reconhecem que a história do samba se constrói pela genialidade coletiva das escolas. Suas transformações foram, e continuam sendo, a força motriz que impulsiona projetos e mudanças ao longo de um século, evidenciadas nas disputas memoráveis.

A Turma do Estácio se encanta com cenas marcadas por enredos estacianos, que trouxeram elementos da sua própria história que: atravessaram o sul do país em festas populares; trataram de eventos poéticos; perfumaram o ar com cravo, canela e com o sapoti; iluminaram-se em procissões de fé; transformaram-se em hino de torcida de futebol; exaltaram a negritude como força ancestral; ecoaram nas ondas do rádio e transformaram a noite boêmia em espetáculo de cultura e identidade. Eles ainda contemplaram as coirmãs, que trouxeram para a avenida a amplitude da religiosidade, a irreverência, a crítica social, a arte e a história, como ciência, literária, além de corpos e alegorias, que passaram a desafiar os limites das visões atentas ao espetáculo.

Entre olhares cúmplices e silêncios, os bambas reconhecem o Estácio como origem viva, raiz que floresce no tempo. Acima de tudo, ventre criador de inúmeros desdobramentos culturais que se expandiram pelo país e alcançaram projeção internacional. Ademais, o chamado de seu tambor cadenciado organizou e ainda organiza o corpo, conduz passos e dá forma ao cortejo carnavalesco admirado em diversas partes do mundo. Por fim, os mestres do Estácio se entreolham e percebem que o tempo sorri para aquela mesa de bar onde tudo começou. Entre memórias e acordes imaginários de um velho cavaquinho, surgem recordações que não se expressam apenas pelos nomes dos protagonistas, mas pelas sensações que deixaram.

JUSTIFICATIVA
[…]A primeira Escola de Samba Surgiu no Estácio de Sá Eu digo isso e afirmo E posso provar[…] (Jota Sandoval- Pereira Mattos)

A criação das escolas de samba representa a afirmação de saberes historicamente marginalizados, reconhecendo a religiosidade, os nomes, as artes e as culturas afrodescendentes como fundamentos legítimos da identidade nacional. Nesse cenário, celebrar o centenário de uma instituição é honrar uma herança de resistência e resiliência, marcada por transformações sociais e culturais que se inscrevem como um dos mais potentes movimentos de decolonialidade4 da sociedade brasileira.

Ademais, a decolonialidade enfrenta os processos de apagamento do ser, do saber e do pertencer vividos pela diáspora africana, afirmando suas memórias, espiritualidades, linguagens e formas de existência como centrais na construção da sociedade, o que encontra plena correspondência nas escolas de samba.

Um século de existência é uma biografia de gratidão. Um centenário representa a solidificação de valores, o desenvolvimento de gerações e a capacidade de inovar sem romper com as tradições. É a ocasião de reconhecer a dedicação de fundadores, da comunidade e de todos aqueles que, ao longo do tempo, construíram essa história.

Nesse sentido, o Grêmio Recreativo Estácio de Sá justifica este enredo ao trazer como protagonistas Ismael Silva, Bide, Baiaco e Marçal e toda a Turma do Estácio, por ideias que renovaram, em tempos distantes, os desfiles carnavalescos. Em um plano dimensional, eles narram a trajetória da agremiação e reverenciam suas coirmãs com respeito e admiração pelos feitos consagrados nas avenidas de desfiles ao longo de suas décadas de existência.

A trajetória de um século do Grêmio Recreativo Escola de Samba Estácio de Sá trazida por memórias, legados e lembranças, destaca sua contribuição para o carnaval carioca e para o Brasil. O caminho percorrido pela agremiação transformou o que hoje conhecemos como a grande festa carnavalesca do país e foi assim, no passado, que muitas outras escolas de samba buscaram suas identidades e encontraram caminhos para construir sua própria história no cenário do carnaval.

Logo, essa celebração de cem anos evidencia uma geografia que, em um passado distante, foi decisiva nas transformações do carnaval e da sociedade. Ao mesmo tempo, projeta-se para o futuro, comprometida com a continuidade de processos criativos e inovadores. Assim, essa celebração não pertence apenas à Estácio de Sá, mas também à cidade, às coirmãs, à comunidade e ao Brasil.

Autores: Marcus Paulo e Cristina Silva

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Fontes Orais Relatos de Sambistas do Estácio de Sá

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Estácio de Sá 1987 – Globo YouTube · Thiago Tapajós 22 de abr. de 2017

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Estácio de Sá 1989 – DESFILE COMPLETO YouTube · Mais de 910 visualizações

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Estácio de Sá 2016 Desfile Completo YouTube

Estácio De Sá 2017 YouTube

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Estácio De Sá – Grupo Especial Globoplay https://globoplay.globo.com

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Estácio De Sá 2023 YouTube

Estácio De Sá – Desfile 2024 YouTube ·

Estácio de Sá – Desfile 2025 | TV Band YouTube · TV Band Rio

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Unidos de São Carlos (1975) YouTube · Arquivo Nacional

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Unidos de São Carlos 1976 – YouTube – Arquivo Nacional

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Unidos De São Carlos (Estácio De Sá) Youtube · Canal 1982

Unidos de São Carlos/Estácio de Sá 1984 – Quem é Voce (Vem de La) www.youtube.com

Sem taxa de inscrição: Unidos da Tijuca inicia inscrições para alas da comunidade nesta terça-feira

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Foto: Allan Duffes/CARNAVALESCO

Segunda escola a desfilar na segunda-feira de Carnaval em 2027, a Unidos da Tijuca inicia o recadastramento e inscrição de novos componentes para as alas da comunidade. O primeiro ato acontece nesta terça-feira, 12 de maio, de 18h30 às 21h em sua quadra de ensaios, localizada no Santo Cristo.

Para quem desfilou no último carnaval e fez a devolução da fantasia, a oportunidade está criada. Quem ainda não devolveu a fantasia precisará devolver. O interessado que nunca desfilou e já quer se planejar para integrar as alas de comunidade da escola, também pode se inscrever.

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“Na Tijuca, o componente que não ensaia, não garante a vaga. Quando os ensaios começam, a condição é que frequente os treinos semanais que iniciam em outubro. Aí sim ele estará apto para retirar a sua fantasia e desfilar conosco”, explica Gabriel Mello, diretor de Carnaval da agremiação.

Para se inscrever é necessário levar apenas o RG. O componente fará a biometria facial no ato da inscrição. A agremiação não cobra nenhuma taxa. A quadra de ensaios da Unidos da Tijuca fica situada na Avenida Francisco Bicalho nº 47 – Santo Cristo.

Em 2027, a Unidos da Tijuca levará para a Avenida o enredo “A Cabeça do Santo” de autoria e desenvolvimento do carnavalesco Lucas Milato, estreante na agremiação.