Arranco do Engenho de Dentro reimaginando o insano universo
O Arranco do Engenho de Dentro prestou homenagem a Nise da Silveira, uma mulher extraordinária brasileira mundialmente reconhecida por seu papel revolucionário no campo da saúde mental. O terceiro carro, intitulado “Reimaginar o Insano Universo”, representou o delírio de Momo, que personifica o desejo de reimaginar a loucura e transformar a realidade através da pintura. Essa representação destaca a importância do trabalho de Nise da Silveira na valorização da expressão artística como ferramenta terapêutica na saúde mental.
Newton Rezende, mais conhecido como Tom, de 55 anos e destaque do carro, contou um pouco em entrevista ao site CARNAVALESCO o que esse carro representa e a importância de ser destaque na escola: “Bom, esse carro é o próprio enredo. Nós somos fascinados e loucos pelo carnaval. Então, eu acho que não tem uma figura que possa ter uma maior representatividade com relação a essa loucura que é o carnaval do que o Rei Momo, porque nós somos capazes de fazer qualquer coisa por essa festa. No passado eu estava muito preocupado porque tinha sido o retorno da escola para Marquês de Sapucaí e quando eu cheguei eu tive uma grande surpresa. Eu fui destaque do Arranco durante muitos anos, mas estava afastado e reparei que ano passado estava faltando alguma coisa e agora eu regressei para fazer mais uma vez um destaque para escola. E vamos embora e vamos ser felizes e eu tenho certeza porque o samba é maravilhoso. O que está me deixando muito animado, principalmente, é o samba porque é uma delícia. Você canta ele por duas horas e você não cansa de cantar. Eu acho que pode até ganhar um estandarte de ouro.”
“É, esse carro representa a loucura suburbana, que é um bloco carnavalesco que sai toda quinta-feira antes do carnaval lá do hospital Nise da Silveira, onde ficavam os antigos loucos, os internados, eles ficavam lá e esse bloco se formou inicialmente com os pacientes. Hoje não, hoje toda a comunidade participa, os moradores, gente de muito longe vem pra participar do loucura suburbana, e é maravilhoso, homenagear a Nise, é muito importante para, principalmente para quem trabalha na psiquiatria ou conhece alguém que tem problemas mentais, psiquiátricos, é muito importante porque ela trouxe uma nova visão para psiquiatria, para o tratamento dos pacientes, olha, é maravilhoso esse enredo”, comentou Adriana Viter Vilarinho de 54 anos.
Ana Franklin de 20 anos e estudante de enfermagem compartilhou que é a sua primeira vez desfilando no Carnaval Carioca e a importância de estrear como destaque do terceiro carro e ainda com esse enredo que ela já estudou na faculdade: “É muito interessante, a história que a gente está contando é uma história muito legal, então poder fazer parte disso é muito divertido e saber que é tipo dentro do nosso território, sabe, é dentro do Meier, é dentro do Engenho de Dentro, é muito bom e é legal vim dentro do carro a primeira vez. É a primeira vez que eu venho na Sapucaí, então está sendo muito divertido. Eu já tinha estudado sobre Nise na minha faculdade, que eu faço enfermagem, e eu já admirava muito todo o processo que ela construiu e aí venho desfilando sobre isso, é brilhante, achei incrível. “

Componentes da Em Cima da Hora falam sobre a falta de valorização dos trabalhadores no Brasil e no mundo
A Em Cima da hora prestou uma homenagem aos trabalhadores brasileiros, criticando novas e velhas relações trabalhistas do Brasil e do mundo, a agremiação trouxe acontecimentos históricos que envolvem os trabalhadores do mundo todo.
Passando por revoluções industriais, obras literárias, como “Manifesta Comunistas” de Karl Marx, greves e revoluções populares históricas, relações de gênero no trabalho, a Em Cima da Hora, trouxe as chagas dos trabalhadores para a Sapucaí
Logo no primeiro setor, um velho e conhecido paradoxo é trazido, chamado “A luta entre o homem, o tempo e a máquina”, o carro abre-alas, chamado “Revoluções Industriais – O Capitalismo X O Proletariado”, trazia na sua frente crânios dourados que, no lugar dos olhos, tinham ferragens. Além de esculturas douradas de operários que se assemelhavam a robôs, havia um grande pêndulo, girando por 360º, que parecia uma ferramenta chave fixa que em cada ponta tinha uma pessoa vestida de trabalhador.
A primeira ala atrás do carro, chamada “O Homem-robô”, representava o homem-máquina, simbolizando a competição do humano com a tecnologia para sobreviver. Na parte da frente da fantasia, era o trabalhador, a traseira era um robô. Participantes desta ala falaram ao site CARNAVALESCO as suas concepções sobre a situação do trabalhador no Brasil e sobre a substituição da mão-de-obra humana, pela tecnologia.
Taiana Fernandes, de 32 anos, apresentou a sua fantasia e o que ela representava.
“A nossa fantasia está representando o trabalhador e o robô, já que a escola vai falar sobre o trabalhador e estão substituindo o trabalhador por robô, a nossa fantasia representa o homem-robô, ou seja, criticando essa substituição da mão-de-obra do homem, pela tecnologia. Os trabalhadores são desvalorizados porque os patrões querem tirar o trabalho da mão do povo para botar robô. Querem substituir o homem pelo robô, eles acham que é melhor você ter robôs fazendo o trabalho de cem homens do que ter cem trabalhadores para ganhar o dinheiro e alimentar as suas famílias”, contou a auxiliar de creche.
Para a atriz Ana Cleide Cardoso, de 55 anos, o carnaval é um nítido exemplo do quanto o trabalhador é invisibilizado:
“Eu adoro carnaval, eu amo carnaval, me realizo quando eu estou no carnaval, é uma emoção única. E no carnaval a gente vê muito a força dos trabalhadores, que são quem fazem os carros, produzem as roupas, esses são os artistas que não aparecem, mas são os trabalhadores que fazem essa beleza toda do carnaval. E estão bem representadas por nós aqui nesta ala. Já que no Brasil, as pessoas não respeitam e não abraçam o trabalhador, quem se dá bem como trabalhador são os políticos. Porque a gente que rala, como um professor, uma empregada, não são valorizados. E eu acredito que o trabalhador deveria ser mais respeitado, sim. Eu acho que está na hora de mudar essa visão da classe trabalhadora. E o trabalhador é quem mais ajuda esse país a crescer em tudo. Mas o trabalhador sofre para pegar o ônibus, metrô, acorda cedo e não tem valor, pois ninguém valoriza o trabalhador”, pontuou Ana Cleide.
Freddy Ferreira analisa a bateria do Sereno no desfile
Um bom desfile da bateria “Swing da Coruja” da Sereno de Campo Grande, na estreia de mestre Vinícius na Sapucaí. Uma conjunção sonora de equilíbrio foi apresentada, permitida pelo andamento confortável adotado para o cortejo.
Uma parte de trás do ritmo da Sereno com boa afinação de surdos foi notada. Surdos de primeira e segunda tocaram com bastante firmeza. O surdo de terceira ficou responsável pelo bom balanço, tanto no ritmo, quanto em bossas. Repiques coesos tocaram junto de caixas de guerras corretas, complementando a sonoridade dos médios.
Na cabeça da bateria “Swing da Coruja”, uma ala de tamborins correta executou um desenho rítmico simples e funcional. Um naipe de agogôs de qualidade técnica tocou uma convenção prática com eficiência. Cuícas seguras e chocalhos com bom volume auxiliaram no preenchimento musical das peças leves.
Bossas que contaram com o impacto sonoro provocado pela pressão dos surdos demonstraram ser eficientes. Os arranjos foram elaborados se aproveitando das nuances melódicas do samba da escola de Campo Grande. Através das variações na melodia o ritmo era consolidado, na maioria das vezes com tapas efetuados em conjunto por alguns naipes. A concepção criativa ter sido pautada pela simplicidade ajudou na assimilação musical das bossas.
A apresentação na primeira cabine (módulo duplo) foi boa e enxuta. Já a exibição na segunda cabine foi ainda melhor e até certo ponto mais fluída. Mas infelizmente, por causa dos problemas envolvendo evolução, a bateria passou reto no segundo recuo e fez uma apresentação muito rápida no último julgador. Mesmo conseguindo apresentar duas bossas, a segunda ocorreu com a bateria em movimento, o que sempre aumenta riscos. Um bom desfile na estreia de Mestre Vinícius comandando a “Swing da Coruja” da Sereno de Campo Grande. Uniu boas apresentações em módulos e um ritmo seguro por toda a pista.
Sereno faz desfile com problemas de evolução e boa atuação da parte musical
Por Rafael Soares e fotos de Nelson Malfacini
A escola foi a primeira a se apresentar na Marquês de Sapucaí neste sábado de carnaval da Série Ouro. A azul e branco levou o enredo “4 de Dezembro” para a avenida. O desfile da agremiação ficou marcado pelos inúmeros problemas de evolução, com muitos buracos abertos em vários pontos da pista, inclusive em frente às cabines de jurados, por conta da dificuldade de locomoção das alegorias. Os carros eram simples ao extremo, em sua maioria, mas não tinham grandes defeitos aparentes. As fantasias também eram simples, e na parte mais bonita da escola, elas se repetiam em formatos e soluções, gerando dificuldade na leitura do enredo. Outro ponto negativo foi a apresentação de comissão de frente, com um número cheio de elementos, se tornando bem confusa, além de um tripé mal acabado, com ferros aparentes. O casal de mestre-sala e porta-bandeira teve uma atuação segura e suave, em uma dança bem tradicional. A parte musical da agremiação foi bem defendida, com canto satisfatório dos componentes, e desempenho de qualidade dos cantores e da bateria.

Comissão de Frente
Com o nome de “A Santa e o Pagador de Promessas”, a comissão de frente assinada pelo coreógrafo Carlos Bolacha trouxe um grupo de componentes homens e mulheres, além de um tripé em que ocorria boa parte do número. Esse elemento chamava a atenção pelo acabamento precário, que deixava ferragens aparentes. Quando a igreja girava, os integrantes também apareciam, tirando o elemento surpresa. Alguns estavam com pintura corporal vermelha e chifres. Outros representavam retirantes, com um deles carregando uma cruz. A pivô da comissão era a bailarina que representava Oyá. A dança não foi tão forte quanto deveria e também não mostrou muita sincronia, com integrantes esbarrando. Ao final da apresentação, uma componente aparecia no topo do tripé, sendo Santa Bárbara. Uma comissão que muito fez, mas não conseguiu passar uma mensagem clara.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira
O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Yago Silva e Lohane Lemos, veio com uma fantasia de nome “O Segredo do Fogo”, representando Oyá e Xangô, unidos pelo domínio sobre os segredos e magias do fogo. A indumentária era brilhante, nas cores vermelho e branco. A apresentação foi bem segura, com giros firmes de Lohane e muita graça e expressividade de Yago. A dança foi tradicional, com poucos elementos coreografados com base no samba. Um dos poucos pontos de real destaque da agremiação.

Samba-Enredo
O samba do Sereno tem uma letra que descreve bem o enredo, explicando a relação entre Oyá e Santa Bárbara na manifestação de 4 de dezembro em Salvador. A melodia é pesada e valante, com algumas variações para impulsionar o canto. Composto por Claudio Russo, Jaci Campo Grande, Sérgio Alan, André Baiacu, Beto BR L&L, Fabinho Rodrigues, Marcelinho do Cavaco, Reinaldo Chevett, Aurélio Brito e Fábio Bueno, a obra musical teve bem satisfatório rendimento na avenida. Os intérpretes Igor Pitta e Antônio Carlos mostraram um ótimo desempenho ao cantar o samba, embalados pela bateria de mestre Vinícius.

Harmonia
A comunidade do Sereno teve um canto de bom nível em seu desfile, apesar de não ter sido explosivo. O principal trecho entoado pelos componentes foi o refrão principal. Algumas alas do segundo setor do cortejo tinham seu canto prejudicado pelos adornos da fantasia na frente do rosto. Na primeira parte, as alas “A Paixão de Xangô” e “A Senhora dos Eguns” tiveram uma harmonia bem satisfatória, que se perpetuou por boa parte do desfile da escola.

Evolução
A evolução da agremiação foi bastante problemática durante a passagem pela Sapucaí. Por conta da dificuldade de locomoção de todas as alegorias, vários buracos foram sendo abertos no cortejo. Muitos deles foram vistos bem na frente das cabines de jurados, o que deve resultar em grandes penalizações na apuração. Além disso, por causa desse ritmo atrapalhado, a agremiação teve que acelerar o passo no final do desfile para não estourar o tempo máximo regulamentar. A escola encerrou o desfile em 55 minutos.

Enredo
O Sereno de Campo Grande apresentou o enredo “4 de Dezembro”, celebrando a religiosidade católica e afro-brasileira em contato com a cultura popular na tradicional manifestação em Salvador. As alegorias foram de boa leitura, por conta de seus elementos bem reconhecíveis, com acabamento simples, mas sem grandes defeitos. Já as fantasias não proporcionaram a mesma facilidade na tradução do enredo. Apesar de algumas serem bonitas em suas cores, elas se repetiam nos elementos e soluções estéticas, causando a sensação de mesmice, já que a história parecia não evoluir.

Fantasias
O conjunto de fantasias do Sereno de Campo Grande foi marcada pela simplicidade, mas também por beleza em várias soluções e no uso de cores, bem diversificada durante toda a escola. Os materiais não tinham luxo, mas ajudaram a traduzir o enredo em boa parte. Exceto no segundo setor do cortejo, a parte mais bonita, mas repetitiva, dificultando a leitura. As alas “Oyá Transforma-se em Coral”, “O Princípio e o Fim no Barro de Nanã”, e “Ela é a Menina dos Olhos de Oxum” eram bem bonitas e foram destaque positivo da estética da agremiação.

Alegorias
O conjunto alegórico da escola foi marcado pela simplicidade em soluções e acabamentos, poucos erros aparentes e boas esculturas. O carro abre-alas, intitulado “Odo Oyá”, retratava o rio Niger, que teve sua origem associada a diversos itans de Oyá, pela criação a partir de um pano preto e por sua transfiguração após sofrer grande tristeza. Também foram vistos animais, como a borboleta, o búfalo e o elefante, em que Oyá se transformou, além de elementos de seu domínio, como o bambuzal. A saia e o corpo do carro era bem simples, mas os animais tinham beleza em sua execução.

Na sequência do desfile, a segunda alegoria do Sereno, de nome “Festa no Terreiro”, representava o lugar sagrado para o festejo de Oyá, simbolizado pelos atabaques e pelos orixás do candomblé. Também estavam presentes embarcações e o mar, já que o rito de Iansã assentou em solo brasileiro através da diáspora Atlântica. Outra que tinha saia e corpo bem simplórios, além de panos nos queijos.

Por fim, o terceiro e último carro da agremiação, intitulado “Altar para Santa Bárbara”, retratava a festa de 4 de dezembro, que acontece no Pelourinho, em Salvador. Estavam presentes o andor para a santa, além de igrejas barrocas da capital baiana. A alegoria mais bonita do desfile, com boas esculturas e trabalho de cores, mas que tinha defeitos de acabamento em sua saia.
Outros destaques
A bateria do Sereno, comandada pelo mestre Vinícius, mostrou uma boa sustentação de ritmo, que se mostrou bem adequado para a execução do samba pela parte musical da escola, propiciando um canto regular durante todo o cortejo. Algumas bossas de qualidade musical foram executadas, impulsionando a harmonia geral.

Segundo carro do Sereno traz festa nos terreiros em 4 de dezembro
O Sereno de Campo Grande veio cantando os festejos de Santa Bárbara e o sincretismo da mesma com Oyá em diversas religiões, com o enredo “4 de dezembro”, dia em que é comemorada a memória da Santa. A escola trouxe em seu segundo carro um retrato de um desses festejos que ocorrem em toda a Bahia, mas especialmente Salvador. Com o nome “É festa no terreiro”, o carro vinha com os festejos afros realizados em honra a Oyá durante o dia quatro de dezembro.
Forrada nas cores vermelha e preto, com alguns desenhos de raio, e tendo tambores do Olodum, atabaques e componentes representando o afoxé Filhos de Gandhy, o carro trouxe a estética afro de Salvador em esculturas e elementos, como nas sereias que vinham na parte frontal do carro. A alegoria, entretanto, ainda tinha alguns queijos sendo forrados um pouco antes do desfile iniciar. O CARNAVALESCO conversou com alguns integrantes que desfilaram no carro.
Kátia Santana, de cinquenta e um anos, que vem desfilando pela primeira vez no Sereno, comentou sobre a fantasia que ela veio trajando junto com outros componentes, e também um pouco sobre a alegoria: “A fantasia representa os filhos de Gandhy, e a gente tá nesse carro representando, além disso, toda a Bahia, o Olodum também. Já a alegoria tá bem bonita. Tá de acordo, bem de acordo com o enredo, e de acordo com a escola, as possibilidades da escola”.
Já Ronaldo Ornelas vem desfilando pela primeira vez na Sereno, e ficou feliz em estar representando a cultura e religiosidade afro presente no enredo: “A gente vem representando os filhos de Gandhy, que é uma grande representatividade religiosa da Bahia, mas não só da Bahia, né, engloba toda a representatividade das religiões afro e que necessitam de tanto respeito no nosso país. Então acho super válido essa demonstração no maior espetáculo da Terra, que é a Sapucaí, e que a gente vem trazendo o Axé e o respeito da Bahia para a Sapucaí”. Sobre a alegoria, o folião de trinta e oito anos comentou sobre o acabamento e efeito como formas de se manter na Sapucaí. “O Sereno é uma escola que está subindo agora, a escola vem bem preparada para permanecer na série Ouro, os carros estão bem acabados, a fantasia está dando um efeito legal, acredito que a gente vai fazer um bom desfile e para a gente continuar no grupo é que a gente precisa se manter aqui na Sapucaí”.

Brahma cria lata dourada especial e entregará caminhão cheio de cerveja para campeã do Grupo Especial
Campeã na quadra e na lata de Brahma! Além de segurar o coração na Marquês de Sapucaí e na apuração dos votos, ainda tem mais emoção pela frente: na próxima quarta-feira a Cerveja No1 da folia e das paixões nacionais vai homenagear a escola de samba campeã do Grupo Especial do Rio de Janeiro com um carregamento de cerveja para a festa do título com muitos brindes. E como toda conquista merece um troféu, esse virá na forma de uma lata exclusiva dourada – e de edição limitada -, que não será comercializada!

“Brahma é a cerveja Nº1 do brasileiro quando se fala em apoio à maior paixão nacional, o Carnaval, seja no sambódromo ou nas ruas de todo o país. Nós nascemos em plena Marquês de Sapucaí e reconhecemos o papel das Escolas de Samba como embaixadoras da alegria e de uma das tradições mais fortes de nossa cultura, por isso, com a personalização das latas, reforça nosso compromisso em valorizar essa grande festa – que é só o começo de uma longa parceria!”, diz Maurício Landi, diretor de Brahma.
A iniciativa acontece logo depois de Brahma inovar com latas comemorativas em homenagem às doze escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Também em edição limitada, cada latinha ficou disponível para compra na quadra da agremiação que representa. A proposta foi convidar o público a visitar os espaços das escolas, incentivando as pessoas a visitarem quadras de diversas escolas para completarem suas coleções.
Esta não é a primeira vez que Brahma lança latas personalizadas como uma homenagem à época de Carnaval. Para celebrar a parceria de longa data entre a marca e um dos artistas mais amados pelos brasileiros, Zeca Pagodinho, fez o lançamento de uma edição limitada de latas, em 2023, exaltando a trajetória do cantor e compositor, inclusive celebrando o meme conhecido mundialmente.
Público avalia primeira noite de desfiles da Série Ouro no Carnaval 2024
No primeiro dia de desfiles da Série Ouro do carnaval carioca, oito escolas de samba deslumbraram o público na histórica Marquês de Sapuca. O site CARNAVALESCO esteve nas arquibancadas, entrevistando espectadores da Passarela do Samba para obter suas impressões. Entre os destaques, a Estácio de Sá foi mencionada frequentemente pelos entrevistados, apontada como uma das agremiações que enfrentaram maiores desafios na noite. Apesar da adversidade, a escola conseguiu superar as expectativas e deixou sua marca na avenida.
Larissa Mendes, de 30 anos, técnica de enfermagem e torcedora da Estácio falou: “o carro quebrou e parou totalmente, abrindo um buraco na escola, atrasou e vai perder um décimo porque passou do tempo”.

Outra escola que chamou atenção, mas por razões menos favoráveis, foi o Império da Tijuca. Segundo relatos do público, a agremiação teve problemas com alegorias e fantasias. Bruno Gonçalves, de 33 anos, supervisor de TI, comentou sobre os desafios enfrentados pela escola: “Algumas alegorias estavam mal acabadas. Foi triste ver uma escola tão querida enfrentando essas dificuldades durante o desfile”.

A opinião parecida foi compartilhada por Ana Lúcia Almeida, de 72 anos, aposentada, porém observando a questão das fantasias. “A gente vem com aquela expectativa, mas desta vez, a escola passou um sufoco. Veio faltando fantasia. Algumas incompletas”.

No entanto, a noite também foi de inovação e surpresas agradáveis. A nova iluminação da Sapucaí foi notada e apreciada pelos espectadores, que destacaram como essa ferramenta cenográfica, antes exclusiva do Grupo Especial, agora também realça a beleza da Série Ouro.
“Eu fiquei bem surpresa com a nova iluminação. Agora, não são apenas as escolas do grupo especial que podem usar essa ferramenta cenográfica, e isso fez uma grande diferença”, disse Larissa.
Uma outra surpresa veio com o desfile da União de Maricá. A escola, com suas cores vermelha e branca, conquistou o coração do público, sendo frequentemente mencionada pelas pessoas entrevistadas pelo seu desempenho. Nádila Chagas, de 27 anos, psicóloga, expressou entusiasmo com o desempenho da União de Maricá. “Eu fiquei bem surpresa com a Maricá. A vermelha e branco conseguiu conquistar o coração do público com seu desfile emocionante. Curti bastante o samba deles e, sem dúvida, foram um dos grandes destaques da noite para mim”.

Outra surpresa no desfile da Série Ouro foi a Inocentes de Belford Roxo. A escola conseguiu capturar a atenção e o coração de Alessandra Luisa, de 46 anos.
“Cara, assim, foi uma emoção que não dá pra explicar. A escola estava maravilhosa, estava linda. Não tem o que falar, é uma emoção inexplicável”, disse.

Emocionados, componentes do Sereno festejam retorno da escola à Sapucaí
O Sereno de Campo Grande retornou à Sapucaí depois de dez anos, e voltou em busca de permanecer na Série Ouro, defendendo o enredo “4 de dezembro” em homenagem a Santa Bárbara e Oyá. A escola de Campo Grande veio com toda a força cantando os festejos deste dia.
E os componentes se animaram com a possibilidade de ver a Coruja de volta à Passarela do Samba, de onde esperam que ela não saia nunca mais, como alguns que conversaram com o CARNAVALESCO na concentração.
Flávia Ennis, de cinquenta e um anos, já desfila no Sereno há algum tempo, e ficou emocionada com o retorno da escola à Sapucaí: “Eu me emociono toda vez que eu entro na avenida com Sereno, porque eu acho que é uma escola muito batalhadora, uma escola que merece estar aqui, ter subido, não deveria ter descido, infelizmente, desceu, mas hoje, com certeza, ela não vai descer de jeito nenhum, e se Deus quiser, nós ainda vamos estar no grupo especial”. Flávia acredita também que na Sapucaí a escola consegue desfilar melhor, e que a emoção também é maior: “Não é que não tenha emoção lá na Intendente, mas aqui eu acho que realmente o povo ajuda, o samba, tudo, então tudo fica melhor”.
Adriana Sardinha, cinquenta e um anos, vem na mesma ala de Flávia, “A Senhora dos eguns”, e ficou muito feliz de ver a escola estar de volta: “Essa volta representa tudo, porque eu faço parte da trajetória do Sereno, desfilei na Sapucaí, há anos atrás, na bateria, desfilei na Intendente, a escola foi caindo, mas com toda a garra foi vencendo, e hoje estamos aqui, com toda certeza para ganhar, e até chegar no Grupo Especial”. O desfile também marcou o retorno dela aos desfiles, o que também teve uma emoção especial para a componente, que ainda falou sobre o sentimento de ter estado fora da Sapucaí por tanto tempo: “Era muito triste estar fora da Sapucaí, porque o nosso bairro, campo grande, um dos maiores bairros da américa latina, e a sereno vem representando esse bairro com toda essa grandeza, essa luz, e ela ficou muito triste dela ter sido rebaixada, passado por toda essa luta, mas hoje a gente tá aqui pra vencer”.
Geise Calixto de cinquenta e seis anos descreve que esse momento é o resultado de muitos anos de busca e trabalho da comunidade: “É uma emoção única, porque depois de muitos anos de luta, de batalha, de dedicação, ele volta hoje na Série Ouro e isso está sendo uma explosão de alegria e de expectativa para todos nós”. E para ela, que vem na ala “Caruru”, a comida ofertada para Santa Bárbara em 4 de dezembro, esse é um momento de muitas sensações e desejos para a escola:”É um misto de sentimento, principalmente de realização, mas a gente sempre em busca mesmo do Grupo Especial, mas já estamos a um passo e acreditamos que vamos chegar lá”. Ela chegou a desfilar pela escola na Intendente, porém, após algum tempo afastada, retornou neste ano, e resumiu tudo que sente em uma palavra: “Realização. Porque é uma luta para a gente chegar aqui, então quando a gente chega a gente sente realizado”.
“A escola está aguardando há muito tempo, desde 2013, e acho que agora, com a intercessão de Santa Bárbara, a gente vai chegar firme lá. A comunidade está cantando bem o samba, está dominando e vai com tudo”, contou André Luiz Soares, de quarenta e quatro anos, que está estreando na escola, na ala “Banho de folhas e água de cheiro”, e se sente muito honrado e feliz em ver a escola representar Campo Grande como um todo. “Estou muito animado que eu moro em Campo Grande, sou morador de Campo Grande e buscava uma escola, uma representatividade de escola. Então, eu acho de suma importância estar, é o bairro mais populoso da América Latina, então tem que ter uma escola aqui na Sapucaí, é muito importante”, encerrou ele.


