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Carnaval 2026: Força das mulheres, lutas sociais e astrologia: A primeira noite do Grupo Especial de São Paulo

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Chegou a hora da elite da folia paulistana tomar conta do Anhembi. Nesta sexta-feira, dia 13 de fevereiro, as primeiras sete escolas do Grupo Especial atravessarão a Avenida em busca do cobiçado troféu de campeã do Carnaval. São 14 agremiações, divididas em dois dias, que desfilarão no concurso organizado pela Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo (Liga-SP). As cinco melhores entidades voltam ao Sambódromo, no dia 21 de fevereiro, para se apresentarem no Desfile das Campeãs. Já as duas últimas colocadas caem para o Grupo de Acesso I.

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Foto: Felipe Araujo/Liga-SP

Os interessados em assistir aos desfiles direto do Sambódromo ainda podem tentar a sorte no site do Clube do Ingresso, mas por ora só há entradas para as mesas de pista e para alguns camarotes. As arquibancadas, tanto para as apresentações de sexta-feira quanto de sábado, estão com os ingressos esgotados. Confira a seguir o que esperar da primeira noite do Grupo Especial de São Paulo.

Continuando a tradição iniciada em 2022, o Departamento de Velhas Guardas da Liga-SP abre as apresentações, às 20h30, com um desfile reunindo baluartes das escolas de samba paulistanas, com direito a bateria e um carro de som comandado por intérpretes históricos.

Abrindo os desfiles das escolas de samba, temos a estreante Mocidade Unida da Mooca, seguida por Colorado do Brás, Dragões da Real, Acadêmicos do Tatuapé, Rosas de Ouro, Vai-Vai e Barroca Zona Sul. A apuração do Grupo Especial está prevista para ocorrer na terça-feira, dia 17 de fevereiro, a partir das 16h, com transmissão ao vivo pela equipe do CARNAVALESCO.

Mocidade Unida da Mooca – 23h

Vice-Campeã do Grupo de Acesso I em 2025, a MUM desfilará pela primeira vez em sua história na elite da folia paulistana, após sonhar com essa oportunidade nos últimos seis anos. A escola não foi apenas a primeira a anunciar seu enredo para o Carnaval de 2026, como resgatou uma tradição antiga ao fazê-lo junto do próprio samba, composto antes mesmo da sinopse, em cima da ideia do tema intitulado “Gèlèdés – Agbara Obinrin”. É uma homenagem ao Instituto Gèlèdés, uma organização que é referência na luta em defesa das mulheres e pessoas negras contra o racismo e o sexismo. O desfile narrará a história de luta e resistência das mulheres negras desde os tempos da diáspora africana até os tempos atuais, passando pelos projetos sociais da ONG.

Feminismo negro e ancestralidade guiam a Mocidade Unida da Mooca em sua chegada ao Grupo Especial

Renan Ribeiro, carnavalesco, falou sobre as pesquisas para o enredo. “A partir da pesquisa inicial, que sugeria o início da sociedade Gèlèdés africana, que é um culto urbano feminino e secreto, a gente automaticamente se liga ao Instituto Gèlèdés pelo ativismo do feminismo negro, pela militância política racial. Sabendo desse conjunto de ideias, me sentei com a Thaísa e propus que ela fizesse a pesquisa do enredo livremente, tendo apenas a temática como limite. Eu fui fazer as minhas pesquisas e, 15 dias depois, marcamos um encontro. A Thaísa veio do Rio para apresentar a pesquisa dela. Ela leu a dela, eu li a minha, e era a mesma pesquisa. Tínhamos o mesmo desenrolar da história e o mesmo desfecho, ou seja, aquilo que chamamos de Agbára, que é essa energia que governa o feminismo negro, que governa as mulheres negras, essa energia que provém das mulheres africanas. Sentimos que já estava acontecendo algo que nos conduzia para esse lugar”.

Fundação: 1987
Melhor resultado: Estreante
Colocação em 2025: Vice-Campeã do Grupo de Acesso I

Colorado do Brás – 0h05

A Vermelho e Branco do Canindé vai para seu segundo ano desde o retorno ao Grupo Especial também apostando em uma exaltação à feminilidade. “A Bruxa está solta! Senhoras do saber renascem na Colorado” é o título do enredo que busca resgatar a figura das bruxas como símbolo de liberdade e sabedoria. Da Era Medieval até a Idade Moderna, mulheres eram condenadas à fogueira por quererem ser livres e praticar conhecimentos ancestrais que iam contra os interesses religiosos da época. A escola usará a metáfora do caldeirão para revelar histórias de luta e resistência, transformando o antigo insulto em um grito de poder.

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David Eslavick, carnavalesco, falou sobre o enredo o impactou. “Esse mundo de magia e encantamento é uma coisa que eu gosto muito, eu gosto do lúdico. A história por si só é linda, é uma história que teve suas ocorrências, uma história de perseguições. Mas, se aprofundando na temática, é um enredo rico e lindo de se falar. Essas mulheres precisavam que a Colorado retratasse elas novamente. Foi uma coisa meio surreal: toda vez em que eu começava a pensar, vinham elas na minha cabeça. Parecia que elas estavam mexendo comigo”.

Fundação: 1975
Melhor resultado: 6º lugar (1987)
Colocação em 2025: 10º lugar

Dragões da Real – 1h10

A comunidade de gente feliz conta com o talento do “Mago” Jorge Freitas pelo quarto ano consecutivo, desta vez assinando o enredo “Guerreiras Icamiabas – Uma lendária história de força e resistência”. O desfile contará na Avenida o mito das Icamiabas, que de acordo com lendas dos povos originários, eram mulheres guerreiras que viviam sem homens e protegiam a natureza. É mais um enredo que exalta a força e o protagonismo feminino, agora na defesa das causas ambientais, abordando a relação entre os mitos e as lutas enfrentadas na vida real em nome da preservação.

Série Barracões: Dragões apresenta primeiro enredo indígena da escola

Jorge Freitas, carnavalesco, falou sobre a importância do enredo

“A ideia é colocar o Anhembi como palco de voz no maior espetáculo que é o carnaval. A luta da nossa causa é pela preservação da floresta, da mata, da Amazônia. Teve a COP 30, que foi um momento de discutir a sobrevivência do mundo. Vamos aproveitar um enredo que nós tínhamos de empoderamento feminino para fazer com que toda essa construção de narrativa desemboque também numa causa que a gente tem que botar a mão na consciência. Temos que pensar que elas fizeram a parte delas e, através da ancestralidade, outras mulheres deram a sua vida na atualidade na luta por essa causa. É o momento de nos unirmos, porque não é só a sobrevivência da mata, dos povos originários e da floresta, é nossa sobrevivência no mundo”.

Fundação: 2000
Melhor resultado: Vice-Campeã (2017, 2019 e 2024)
Colocação em 2025: 6º lugar

Acadêmicos do Tatuapé – 2h15

A luta social em defesa da reforma agrária chega ao Sambódromo do Anhembi através do enredo “Plantar para colher e alimentar. Tem muita terra sem gente, tem muita gente sem terra”, desenvolvido em parceria com o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). A escola da Zona Leste contará a história da relação do homem com as terras no Brasil desde antes da chegada dos portugueses, mostrando que o conhecimento da agricultura também é ancestral. As diferentes formas de plantio ocorridas desde o período colonial até a atualidade também serão abordadas, destacando as lições aprendidas pelos camponeses, a evolução tecnológica que potencializou o Agro brasileiro e a importância do pequeno produtor rural para a preservação da natureza e o desenvolvimento do país.

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Wagner Santos, carnavalesco, falou sobre o enredo. “Ele traz um olhar importante sobre a terra, o cuidado que precisamos ter com ela, já que é o nosso alimento. Por isso, devemos preservá-la e cuidar dela da melhor maneira possível, pois precisamos retribuir tudo o que ela nos oferece. Só estamos vivos porque temos a terra e as águas. Se não aprendermos a preservar a natureza, o meio ambiente e as plantações, com certeza não teremos futuras gerações saudáveis, com qualidade de vida suficiente para sobreviver neste mundo”.

Fundação: 1952
Melhor resultado: 2 vezes campeã (2017 e 2018)
Colocação em 2025: Vice-Campeã

Rosas de Ouro – 3h20

A Roseira chega ao Carnaval de 2026 para defender o título conquistado no ano anterior. Não será uma missão fácil, já que a escola entrará na Avenida tendo que compensar a perda de 0,5 ponto por não entregar as pastas de jurados dentro do prazo estabelecido pelo regulamento oficial. A aposta da Azul e Rosa é no enredo “Escrito nas Estrelas”, que explora a relação da humanidade com o céu. Do nascimento do universo, passando pelos filósofos da astronomia, o desfile recordará que, de acordo com a astrologia, o mundo está vivendo na chamada Era de Aquário, onde estima-se a chegada de tempos de luz e fraternidade.

Série Barracões: Rosas de Ouro aposta em astrologia no Carnaval 2026

Fábio Ricardo, carnavalesco, falou sobre os desafios para construir o enredo. “Eu falei que, para falar desse enredo, a gente precisava ter fundamento. Receber e devolver energia, como o universo faz. O que você emana para o universo, ele devolve para você, e a escola precisava estar aberta para receber isso. Eu trabalho muito com essa questão de energia. Aos 50 anos, comecei a equilibrar isso, que é fundamental para qualquer artista que lida com o público e com a comunidade. Esse enredo foi tão energético que eu levei cinco meses em processo criativo, de segunda a segunda, das nove da manhã até uma, duas, às vezes três da manhã, junto com a equipe, especialmente com o Yago Duarte na parte de alegorias. Foi um processo de conexão muito forte, de estudo e entrega”.

Fundação: 1971
Melhor resultado: 8 vezes campeã (1983, 84, 90, 91, 92, 94, 2010 e 2025)
Colocação em 2025: Campeã

Vai-Vai – 4h35

A Escola do Povo levará para o Anhembi a história da cidade de São Bernardo do Campo contada através de um de seus maiores símbolos culturais: A Companhia Cinematográfica Vera Cruz, um dos primeiros complexos de estúdios do Brasil, onde alguns dos maiores clássicos da Era de Ouro do cinema brasileiro foram gravados, como os filmes do eterno Mazzaropi. Através do enredo “Em cartaz: A saga vencedora de um povo heróico no apogeu da vedete da Pauliceia”, a narrativa volta ao passado para relembrar a chegada dos primeiros imigrantes à região, exaltando também a influência nordestina na cultura do município do Grande ABC. A luta social dos trabalhadores industriais também se fará presente, sendo um dos momentos mais aguardados do desfile.

Vai-Vai constrói enredo social sobre São Bernardo do Campo com linguagem cinematográfica

Tati Gregório, enredista, falou sobre a proposta. “A escola vem construindo, há alguns anos, uma narrativa ligada à arte. Primeiro falou do hip hop e depois do teatro. Para o enredo sobre São Bernardo do Campo, optamos por seguir essa linha artística e escolhemos o cinema. A cidade abriga a Vera Cruz, uma companhia cinematográfica que foi e ainda é muito importante para o Brasil. A partir desse gancho, a proposta é apresentar um filme na avenida. Toda a narrativa do enredo é pensada como uma produção cinematográfica”.

Fundação: 1930
Melhor resultado: 15 vezes campeã (1978, 81, 82, 86, 87, 88, 93, 96, 98, 99, 2000, 01, 08, 11 e 15)
Colocação em 2025: 9º lugar

Barroca Zona Sul – 5h30

A noite de desfiles, iniciada com uma sequência de enredos femininos, se encerra com um verdadeiro banho de axé, no raiar da manhã dourada de Oxum. Através do enredo “Oro Mi Maió Oxum”, a Faculdade do Samba exaltará a senhora do ouro, das águas doces e da fertilidade, através da mensagem de amor transmitida pela orixá de acordo com a tradição iorubá. O desfile mostrará as várias qualidades de Oxum, como a de ser a primeira das feiticeiras yamis, que tinha o dom de curar com água fria e o poder de se transformar em pássaro na encantaria. Sua relação com outros orixás também se fará presente, em especial no amor pelo filho Logun Edé, como símbolo do amor materno.

Série Barracões SP: Barroca Zona Sul investe no dourado para exaltar Oxum

Magoo, carnavalesco, falou sobre a pesquisa do enredo. “No ano passado, a gente focou em uma história e desenvolveu todo o enredo em cima de uma história, os nove oruns de Iansã. Nesse ano, de Oxum, você começa a pesquisar com uma coisa em mente e, à medida que vai descobrindo, você percebe qual o melhor caminho a seguir – por isso é tão importante o trabalho de pesquisa. Foram várias histórias muito legais que, no final, se interligam. Na verdade, o nosso enredo é um compilado de histórias, de feitos de Oxum – que, no final, tem uma única mensagem: Oxum é amor”.

Fundação: 1974
Melhor resultado: 5º lugar (1982, 85 e 90)
Colocação em 2025: 12º lugar

Engajamento Instantâneo E Cultura Do Espetáculo Digital: O Que Jogos De Ação Rápida Revelam Sobre O Comportamento Do Usuário

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O comportamento do usuário digital mudou. Não de forma gradual, mas estrutural. Plataformas que dependem de atenção contínua já não competem apenas por conteúdo de qualidade, mas por tempo de reação.

Esse fenômeno não surge no vácuo. Ele reflete padrões antigos de consumo coletivo, comuns em ambientes festivos, esportivos e culturais. Eventos de grande apelo emocional sempre funcionaram com base em ritmo, antecipação e resposta imediata.

O que muda agora é o meio. O espetáculo migra para a tela. A lógica permanece.

Compreender essa transformação é essencial para profissionais que atuam em mídia, tecnologia, produto e comunicação.

Arquitetura de Engajamento Rápido em Plataformas Digitais

Plataformas digitais de resposta imediata não são construídas para exploração prolongada. Elas são projetadas para eliminar fricção desde o primeiro segundo de uso. Cada etapa adicional reduz a probabilidade de continuidade.

A lógica é simples. Quanto menor a distância entre intenção e ação, maior a taxa de retenção
inicial. É por isso que soluções como aviator game download apps concentram todo o fluxo —
descoberta, instalação e início da experiência — em um percurso direto, sem camadas narrativas
ou distrações visuais. O valor não está na promessa do produto, mas na execução operacional do
acesso.

Esse tipo de arquitetura não educa o usuário. Ela o condiciona. A repetição de ciclos curtos cria previsibilidade comportamental, reduz o esforço cognitivo e acelera decisões. O resultado é engajamento sustentado por ritmo, não por profundidade.

Velocidade como Estrutura, não como Recurso

Velocidade não é um diferencial. É um requisito. O usuário moderno espera respostas imediatas porque já opera em ambientes onde isso é norma.

Plataformas eficazes compartilham três características operacionais:

  • Interface limpa, com hierarquia visual rígida;

  • Ações principais sempre visíveis e repetíveis;

  • Feedback imediato após cada interação.

Esses elementos não educam o usuário. Eles condicionam o comportamento. A repetição substitui a reflexão.

Atenção Fragmentada e Decisões Automatizadas

Quanto mais curto o ciclo de interação, menor o esforço cognitivo necessário. Isso permite que decisões sejam tomadas quase automaticamente.

Esse modelo explica por que plataformas rápidas mantêm taxas altas de retorno mesmo sem conteúdo profundo. O engajamento não depende de complexidade. Depende de ritmo consistente.

Paralelos entre Cultura Festiva e Consumo Digital de Alta Intensidade

Ambientes festivos sempre funcionaram como laboratórios sociais de atenção coletiva. Carnaval, shows e grandes celebrações seguem padrões claros: estímulo constante, participação ativa e pouco espaço para pausa.

No ambiente digital, essa lógica é replicada com precisão técnica.

Ritmo, Antecipação e Recompensa

Eventos culturais bem-sucedidos operam em ciclos previsíveis. O público sabe o que esperar, mas não exatamente quando. Essa tensão sustenta o interesse.

O mesmo ocorre em plataformas digitais de alta intensidade. O usuário permanece ativo porque espera o próximo estímulo — não por curiosidade, mas por condicionamento rítmico.

Consumo Coletivo, Mesmo em Ambientes Individuais

Embora o acesso seja individual, a percepção é coletiva. Rankings, métricas visíveis e padrões repetidos criam sensação de participação ampliada.

Esse efeito reduz a percepção de risco e aumenta a permanência. O usuário sente que está inserido em um fluxo maior.

O Papel do Profissional de Comunicação

Para quem trabalha com mídia, cultura ou tecnologia, a lição é clara: não basta produzir conteúdo relevante. É preciso entender como o conteúdo se encaixa no ritmo do usuário.

Informação fora do tempo certo é ignorada. Experiência fora do ritmo é abandonada.

Conclusão

A economia digital não gira em torno de profundidade isolada. Ela gira em torno de atenção sustentada por ritmo.

Plataformas de ação rápida mostram que o engajamento não é construído apenas por narrativa ou valor simbólico, mas por arquitetura operacional precisa. Cada segundo conta. Cada ação precisa ter resposta.

O paralelo com ambientes festivos não é acidental. Ambos funcionam com estímulo contínuo, previsibilidade emocional e participação ativa.

Profissionais que compreendem essa lógica não competem por cliques. Competem por tempo efetivo de interação. E esse é o recurso mais escasso da era digital.

Debate: O que esperar da sexta-feira do Grupo Especial de SP no Carnaval 2026?

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Ao vivo: saída das alegorias das escolas da Série Ouro que desfilam nesta sexta-feira

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Porto da Pedra recebe Raquel Pacheco, Elisa Sanches, Lourdes Barreto e coletivos no último ensaio de quadra

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Fotos: Carlos Vinicius / Divulgação

O último ensaio de quadra da Unidos do Porto da Pedra foi marcado por representatividade. A escola recebeu a escritora Raquel Pacheco (Bruna Surfistinha), conhecida nacionalmente por sua trajetória que inspirou livros e produções audiovisuais, além da atriz Elisa Sanches, da ativista Lourdes Barreto e de diversos coletivos ligados à luta pelos direitos das profissionais do sexo.

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Fotos: Carlos Vinicius / Divulgação

Para o presidente Fabrício Montibelo, a presença das convidadas reafirma o posicionamento do Porto da Pedra diante do tema:

“Nosso papel é contar essa história. Essas mulheres não são personagens, são vidas reais, com trajetórias, dores e conquistas. A presença delas aqui mostra que estamos construindo esse Carnaval da forma certa”.

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Fotos: Carlos Vinicius / Divulgação

O enredo “Das Mais Antigas da Vida, o Doce e Amargo Beijo da Noite” mergulha na história, na resistência e na humanidade das profissionais do sexo ao longo do tempo. Ter essas mulheres próximas ao Porto da Pedra é fundamental para compreender suas vivências a partir de suas próprias vozes, respeitando suas trajetórias individuais e entendendo cada realidade em sua singularidade.

Série Barracões SP: Colorado do Brás vai muito além do início ‘dark’ para exaltar bruxas

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Segunda escola a desfilar na sexta-feira do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo, a Colorado do Brás apresentará o enredo “A Bruxa está Solta – Senhoras do Saber Renascem na Colorado”, assinado pelo carnavalesco David Eslavick. Após o décimo lugar na elite da folia paulistana em 2025, ano em que retornou ao pelotão de elite da cidade, a agremiação do Centro da capital conta com a força de um enredo elogiado para alçar voos ainda mais altos na temporada vigente.

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Foto: Divulgação

Para saber mais sobre o que a Colorado do Brás trará para o Anhembi em 2026, o CARNAVALESCO entrevistou o carnavalesco da agremiação para trazer mais informações a respeito da apresentação da vermelho e branco do Centro de São Paulo.

Experiência que foi semente

Ao ser perguntado sobre o que o motivou a tratar de temática tão diferente no Carnaval, Eslavick foi bastante franco – e aproveitou para destacar que uma antiga ocupação lhe deu uma fagulha: “A ideia do enredo, sendo bem sincero, eu não vou saber te explicar. Foi uma coisa que batia na minha cabeça, ficava suando na minha mente logo que eu estava fazendo o desfile do ano passado. Eu já trabalhei com eventos de terror no Hopi Hari e no Playcenter, e esse mundo de magia e encantamento é uma coisa que eu gosto muito, eu gosto do lúdico. A história por si só é linda, é uma história que teve suas ocorrências, uma história de perseguições. Mas, se aprofundando na temática, é um enredo rico e lindo de se falar. Essas mulheres precisavam que a Colorado retratasse elas novamente. Foi uma coisa meio surreal: toda vez em que eu começava a pensar, vinham elas na minha cabeça. Parecia que elas estavam mexendo comigo. Nisso veio essa ideia de falar delas. Por que não falar? É um mundo que eu gosto, que eu tenho conhecimento… logo, eu vou falar. E assim foi e saiu – está saindo, na verdade”, revelou.

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Foto: Divulgação

Pesquisa global

Para tratar do tema em um desfile, Eslavick destacou que, além dos óbvios meios de busca de informações e histórias, também utilizou a intuição: “Dificuldade para pesquisar sobre esse enredo eu não tive nenhuma! Eu me senti em casa para fazê-la, inclusive. Lógico, com muito estudo, muita pesquisa, muito livro, muito documentário e muita coisa da minha cabeça – muita coisa eu faço, vejo e bate. É meio louco isso, mas eu também funciono dessa maneira. Eu fui desenvolvendo junto com o Thiago Morganti, que é o meu enredista. A gente ficou nessa conversa, eu mandava minhas coisas para ele, ele mandava para mim e a gente foi trocando uma ideia bem legal. A partir daí foi surgindo toda a história, começo, meio e fim. Foi bem bacana esse processo, que culminou no samba-enredo da Colorado do Brás de 2026”, comentou.

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Foto: Divulgação

Se, à priori, ele tinha comentado que dificuldades não faziam parte da pesquisa do enredo, pouco depois ele comentou quais pontos para a produção do desfile foram mais surpreendentes: “Tinham muitos lugares que eu não sabia que tiveram essas ocorrências de caça às bruxas – na Oceania, na Índia e no Egito, por exemplo. Confesso quem achei que fossem só as bruxas de Salem. Eu até retrato esses lugares no enredo. Eu não conhecia muito, e também não sabia que a bruxa tinha inventado a cerveja. Essas pesquisas todas vão trazendo muita coisa, vão agregando muita coisa. Trabalhando no enredo, a gente foi pensando no que achávamos legal para colocar. A gente foi criando essa história todinha, retratando tudo que essas mulheres fizeram e o que elas retratam hoje. Elas trouxeram muitos benefícios, como a farmacologia. Poucos sabem, mas essa e outras tantas situações e áreas do conhecimento foram as bruxas que fizeram e trouxeram lá atrás, com um resultado que nem todo mundo sabe hoje em dia”, afirmou.

Sequência cronológica

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Foto: Divulgação

Para desenvolver o desfile, o carnavalesco preferiu dividir a agremiação em grupos com representações semelhantes em cada um deles: “A gente dividiu em quatro setores, por assim dizer – a divisão de quase todas as escolas será de quatro setores, pelo que sei. A gente abre com o olhar das bruxas visto pela igreja, que é a parte da demonização. Aí, a gente passa justamente por esses setores, que eu te falei, desse conhecimento histórico e de outros lugares que tiveram pontos de demonização. A gente vem contando lugares que as pessoas não conheciam e que existiam bruxas e o que elas fizeram lá. Depois, passamos pelo setor de filmes, de desenhos animados, de teatro e musicais; até chegar no hoje, na mulher, com o empoderamento feminino. Na verdade, esse último setor são as conquistas, são os feitos das bruxas. Essa é a finalização do enredo, são esses quatro setores em que a gente dividiu a história”, afirmou.

Cabeça dark

Ao longo do minidesfile e dos ensaios técnicos, a Colorado do Brás chamou atenção com os primeiros setores inteiros trabalhados em cores escuras. Eslavick comentou que tudo isso estará, também, no desfile oficial – mas a agremiação irá muito além disso: “Geralmente, quando você fala de bruxa, você vê umas cores mais escuras. Eu tenho esse setor, realmente, mas a escola, no geral, vem bem colorida. Tem setores bem diversos, bem coloridos. Mas a parte da frente é uma parte mais trabalhada com preto e roxo, de fato… essas cores um pouco mais frias. Agora, lá para trás, é tudo bem colorido. Em relação a material, os meus dois primeiros carros são cenários. Não é que é galão, não é que é espelho, é bem mais que isso: é juta, são estopas, é algodãozinho cru, entre outros tipos de materiais mais alternativos”, comentou.

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Foto: Divulgação

Ao ser perguntado sobre o que acredita que será o ponto alto da passagem da Colorado do Brás no desfile oficial em 2026, o carnavalesco voltou a citar os primeiros segmentos da agremiação: “Todo o contexto é bem interessante, mas eu acho que o meu primeiro setor, a parte da demonização, é bem legal. Vai ter muita coisa bacana! Não que não tenha lá atrás, vai ter sim: eu dividi muito bem isso, eu gosto de pontuar em cada setor alguma coisa para que eu não possa passar despercebido. Todos os meus setores têm alguns pontos bem bacanas e interessantes de ser visto, mas eu acho que a minha abertura é bem legal, vai ser bem impactante. Por eu abrir o carnaval com uma visão e manipulação das bruxas pela igreja, eles achavam que elas tinham pacto com o demônio. A gente abre essa parte do enredo com essa dramatização, com o grande Sabá que é a minha comissão de frente. E, com essa parte da demonização e a sentença, vem o abre-alas – mas não é nada pesado, é interessante de se ver: é o que aconteceu realmente. Eu não posso falar muita coisa, mas é bem bacana”, observou.

Lembranças e recados

Ao olhar para alguns meses atrás, Eslavick relembrou que o primeiro contato de muitos na escola com a temática foi pouco convidativo: “De início, assim que eu trouxe a ideia, eles ficaram meio receosos. Eles acharam que ia cair em algo mais irreverente e engraçado. Não é que o enredo não traga isso, até traz, mas, depois, eu fui mostrando um pouco mais, explicando que seria algo totalmente voltado para a história, para referências históricas. Vai ser uma surpresa para as pessoas, elas vão estar esperando algo que eu não vou apresentar, que não é o óbvio. É um enredo bem histórico. Depois de ter feito tudo isso, de ter conseguido convencer o meu presidente, eles compraram a ideia e foi super bacana”, comemorou.

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Foto: Divulgação

E, pensando em quem estará assistindo ao desfile da Colorado do Brás, o carnavalesco deixou um recado: “Vão para assistir a Colorado, porque vocês não vão se arrepender. A escola está bem bacana, diferente de tudo que vocês tenham visto da escola. Não vou fazer comparativo com outras escolas, mas a gente está bem legal e diferente. Vamos trazer novidades, vamos trazer os carros bem mais dinâmicos e mais teatralizados. Vai ser bem bacana, o Anhembi vai ser um espetáculo legal para você sentar na arquibancada ou na sua sala e assistir a Colorado”, finalizou.

Ficha técnica
Alegorias: 04
Alas: 17
Componentes: 1800
Diretor de barracão: Rodrigo Vilaverde

Série Barracões SP: Nenê de Vila Matilde aposta na força da Ipiranga com São João para 2026

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A Nenê de Vila Matilde gabaritou os quesitos plásticos no Carnaval de 2025 e, para 2026, pretende manter o êxito. A escola, que está há alguns anos na briga para adentrar o Grupo Especial do Carnaval de São Paulo, investirá em um enredo de fácil leitura, que relembra os gloriosos anos em que os matildenses desfilaram homenageando São Paulo. Com um enredo espiritualizado, lúdico e patrocinado, a Nenê promete trazer organização, confiança e ancestralidade para a Avenida.

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Foto: Naomi Prado/CARNAVALESCO

Desfilará com o enredo “Encruzas – Nenê de Corpo e Alma no Coração de São Paulo”, assinado pelo carnavalesco Danilo Dantas, e será a quinta escola a passar pela passarela do Anhembi.

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Naomi Prado/CARNAVALESCO

Danilo abriu as portas do barracão e contou ao CARNAVALESCO o projeto que será desenvolvido na pista.

A chegada do tema

O carnavalesco contou como o tema chegou à escola e como foi desenvolvido até a conclusão final.

“O enredo começou com a sugestão do pessoal do Bar Brahma para o presidente e, com isso, ele pediu para tentarmos desenvolver vários caminhos. Tivemos umas cinco ou seis ideias até chegarmos aonde chegamos. Ficamos com três ideias e, juntando essas ideias, sobrou para mim fazer o resumo, transformar o que aconteceu em enredo.

Foram três ideias, três propostas de sinopse feitas, com desenvolvimento e com toda a criação. Uma era minha e, depois de juntadas as três, não chegamos a um consenso sobre qual seria o melhor caminho. Com isso, o presidente jogou na minha mão e disse: ‘Danilo, se vira, você tem que desenvolver uma linha lógica para esse enredo’.

Foi o caminho que seguimos. Desde o início o enredo era para falar algo ligado à rua, mas eu não queria ir para um caminho que muitas escolas já desenvolveram, seja no Rio, seja em São Paulo. Portanto, fomos para a ideia de falar de São Paulo através da vertente da Ipiranga com a São João, que é a esquina mais famosa do Brasil. Eu já tinha feito algo parecido em outros carnavais, em escolas de grupos inferiores, então dominava um pouco esse assunto. Foi fácil desenvolver e discorrer sobre a Ipiranga com a São João”, contou.

A dificuldade do desenvolvimento

Danilo contou sobre a dificuldade de entrelaçar todas as ideias até chegar a uma base sólida.

“A maior dificuldade foi tentar encaixar as três propostas. Tínhamos oito linhas de caminho para esse enredo. Dividimos em três e elas dialogavam de uma forma: uma iria para o lado religioso da rua em si, outra para o lado histórico e outra para o lado lúdico, que foi o que escolhemos — lúdico e poético.

Eu precisava trabalhar na área que tenho domínio, então procurei pegar um pouco de cada uma para desenvolver essa linha de raciocínio. Também precisava de algo que ligasse tudo isso à Nenê de Vila Matilde, porque seria muito sem sentido não falar da escola. O matildense precisa ter identificação com o enredo.

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Naomi Prado/CARNAVALESCO

No ano passado coloquei as duas águias voando numa história e, este ano, precisava de um link com a escola. Pesquisando, vimos que a Nenê tinha uma relação muito grande com a São João: foi tricampeã do carnaval da São João quando o desfile foi instituído oficialmente em São Paulo, em 1968, 1969 e 1970. Esse foi o fio condutor para mostrar a relação da Nenê com o centro da cidade”, disse.

A aceitação da comunidade

“No início acharam que o enredo era só sobre as religiões dos povos de rua e já gostaram disso. Outros torceram o nariz, achando que seria apenas isso, e teve quem dissesse: ‘Nossa, Ipiranga com São João é boêmio, é nostálgico’.

Quando entenderam que o enredo é sobre a esquina e que usamos uma pincelada de espiritualidade, compreenderam que não é um enredo religioso, mas uma homenagem à cidade de São Paulo — algo que a Nenê domina e já fez com sucesso. Colocamos também um toque de malemolência e africanidade no samba, encaixando isso na ideia de encruza”, explicou.

O enredo em setores

“Estaremos divididos em três setores.

O primeiro é histórico, mostrando a relação da Nenê, os ecos de um povo. A rua é tratada como uma alma encantada, com vida própria, gerando histórias. Mostramos construções históricas do centro, como o atual Santander, o Mercado Municipal e o Teatro Municipal, além do surgimento do Bar Brahma como polo da boemia.

O segundo setor fala da esquina musicada. Grandes artistas passaram por lá: Adoniran Barbosa, Paulo Vanzolini, Caetano Veloso. O bar virou ponto de encontro de toda a sociedade, inclusive estudantes na ditadura.

No terceiro setor voltamos à Nenê, mostrando o encontro da Ipiranga com São João com o Anhembi, especialmente pelo camarote do Bar Brahma. Encerramos com Exu abrindo e fechando os caminhos”, explicou.

O ponto alto do desfile

“O ponto alto é a mistura de espiritualidade com boemia. Isso mexeu com a escola. Nos ensaios, vimos gente de vermelho, com indumentárias religiosas. Incorporaram o enredo.

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Naomi Prado/CARNAVALESCO

Mostramos também a personificação do Seo Nenê nos malandros e boêmios, porque ele frequentava a São João. Esse início e final fortes mostram que a Nenê pode voltar a ser protagonista”, afirmou.

Desfile em cores

“A bateria vem de vermelho, assim como as passistas. Temos carro em preto e branco quando falamos de São Paulo. O abre-alas vem dourado, lembrando a era de ouro da cidade. É uma Nenê colorida, mas sem abandonar o azul e branco”, disse.

Materiais

“Usamos muito tecido brilhoso, glitterizado, lunita, estampados. O abre-alas é praticamente todo esculpido, com réplicas de cartões-postais. Vamos investir mais em iluminação e cenografia, com grupo cênico em todos os carros e um abre-alas com dois chassis”, contou.

Para comunidade

“Quero dizer que dá para acreditar. Pelas notas, fomos a escola que mais tirou 10, mas o descarte nos tirou o título. Temos condições de ganhar.

O samba foi criticado no pré-carnaval, mas hoje levanta a comunidade. É um trabalho pensado, milimétrico. Não é gigantismo é acabamento, coesão e clareza”, finalizou.

Ficha técnica
3 carros alegóricos
14 alas
1.700 componentes
Diretor de barracão: Cristiano Paixão

Carnavalesco da Estácio de Sá projeta desfile emocionante e colorido

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Pelo terceiro ano consecutivo assinando o desfile da Estácio de Sá, Marcus Paulo, pesquisador de assuntos afrocentrados com foco na decolonialidade, projeta um carnaval de cores e emoção para contar a história de Tata Tancredo, o papa negro da umbanda.

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Fotos: Divulgação

“Construir este enredo e posteriormente o carnaval, me trouxe mais perto da escola e do morro do São Carlos. O Tata Tancredo foi uma pessoa influente no morro, na cultura carioca e me aproximar dele me fez entender mais a paixão do estaciano pela sua escola”, comentou o carnavalesco.

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Fotos: Divulgação

Marcus Paulo a três anos vem desenvolvendo um trabalho consistente na escola alcançando bons resultados como o terceiro lugar, em 2024, e o vice-campeonato, em 2025. E neste ano sonha em ser o campeão da Série Ouro e voltar a desfilar no Grupo Especial: “O projeto de toda escola é voltar ao à elite do carnaval do Rio de Janeiro e temos um samba que é a cara da comunidade, que está cantando muito nos ensaios”.

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Fotos: Divulgação

Para o carnaval de 2026 o artista projeta uma abertura colorida e aos moldes do homenageado: “O Tata Tancredo veio de uma família festeira, a Estácio de Sá é uma escola festeira e estamos falando de carnaval então nada mais coerente do fazer essa abertura com cores”, revelou o carnavalesco.

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Fotos: Divulgação

A Estácio de Sá será a quinta escola a desfilar no sábado dia 14 de fevereiro.

Série Barracões: Tiago Martins ousa com Lula e amplia a aposta da Acadêmicos de Niterói na estreia no Especial

Recém-chegada ao Grupo Especial, a Acadêmicos de Niterói decidiu não seguir o roteiro tradicional das escolas que chegam à elite do carnaval carioca. Em vez de apostar em um enredo “seguro”, a agremiação escolheu homenagear Luiz Inácio Lula da Silva, atual presidente da República, em um momento em que o país ainda vive os efeitos de uma forte polarização política.

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Foto: Marcos Marinho/CARNAVALESCO

A decisão colocou a escola no centro do debate desde o início da temporada. Internamente, porém, a escolha também dialoga com outra disputa: a que envolve o próprio lugar da agremiação no Grupo Especial. Para o carnavalesco Tiago Martins, a lógica de sobrevivência que costuma orientar as recém-promovidas precisava ser transformada.

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Foto: Marcos Marinho/CARNAVALESCO

“Procurei fazer algo diferente porque todas as escolas que sobem estão sempre fazendo o certinho. E é aquele ditado: ‘Quem sobe, desce’. Isso me deu a oportunidade de criar e ousar, de fazer o melhor para a Acadêmicos de Niterói”, declarou o carnavalesco.

A ousadia aparece também na dimensão do projeto. Mesmo recém-promovida, a escola prepara um desfile de grande porte, com alegorias robustas e ambição visual de quem não pretende apenas permanecer.

“Perguntam: ‘Ah, é político?’. É, assim como Rita Lee é [um enredo] político, como Ney Matogrosso é político. Todos eles têm passagens por lugares difíceis e complicados. E o carnaval é político. Estamos aí para fazer essa grande homenagem para esse homem”, afirmou.

Ao mesmo tempo, o carnavalesco diz que houve cuidado para que o desfile não fosse confundido com propaganda eleitoral. Segundo ele, a construção do enredo evitou qualquer referência que pudesse caracterizar campanha:

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Foto: Marcos Marinho/CARNAVALESCO

“A gente não tem slogan, a gente não tem número, a gente não tem faixas, frases, nada que fale sobre eleição. Nos preocupamos muito para o desfile não virar uma campanha”.
O ponto de partida: a fome, o fantástico e o amor de mãe

Antes de chegar ao operário, ao sindicalista ou ao presidente, o enredo da Acadêmicos de Niterói começa na infância, em Garanhuns. É ali que o desfile se ancora para apresentar a experiência da fome pelo imaginário popular.

No primeiro setor entram as lendas da cabra cabriola, do bicho-papão e da cobra muçurana — histórias contadas às crianças quando alguém morria de fome ou não sobrevivia ao parto. O fantástico surge como recurso narrativo para tratar de uma realidade dura, criando uma abertura que mistura fantasia e escassez.

Ao falar sobre a pesquisa, Tiago Martins destacou outro elemento que o marcou profundamente: a relação entre Lula e a mãe, Dona Lindu.

“O que acho de mais interessante na pesquisa do enredo é o amor da mãe pelo filho e o amor do Lula pela mãe”, contou.
Entre os episódios que atravessaram o processo de pesquisa está a morte de Dona Lindu, em 1980, quando Lula estava preso durante a ditadura militar.

“E, quando a mãe morre, o Lula está preso. E ele é carregado pelo povo até o caixão da sua mãe para poder fazer o sepultamento”.

A partir desse conjunto — a infância marcada pela fome e o vínculo com a mãe — o desfile constrói sua base emocional antes de avançar para os capítulos da migração, da metalurgia e da projeção nacional do homenageado.

Um desfile que se transforma

Se o enredo começa no agreste pernambucano, a estética também acompanha essa travessia. Tiago Martins afirma que o desfile foi pensado como um percurso visual que muda ao longo da Avenida, acompanhando as fases da vida do homenageado.

“Esse é um desfile em homenagem ao Lula que vai se modificando. Começamos com o mundo fantástico da criança, depois continuamos em Garanhuns, no Sertão, na seca, o pau de arara trazendo a família para São Paulo. Chegando em São Paulo, abordamos a ditadura, a greve, a metalúrgica.

Em seguida, os projetos sociais que foram feitos quando ele se tornou presidente. E terminamos com os dias atuais, com tudo o que vem acontecendo e que estamos acompanhando pela TV, pela rádio, pela internet”, detalhou o artista.

A transformação não é apenas temática, mas também cromática. Segundo o carnavalesco, o desfile altera suas cores e atmosferas conforme avança, culminando em uma imagem final que recupera as cores da bandeira nacional.

“Do início até o final, as pessoas vão ver um desfile que muda esteticamente, muda de cor. Guardei as cores da bandeira do Brasil para encerrar o nosso desfile”, revelou.

No setor da metalúrgica, o projeto aposta em materiais que remetem ao metal e em uma representação ampliada do operário. Já no momento dedicado aos programas sociais, a alegoria central assume a forma de uma pirâmide social em transformação, sintetizando visualmente a ideia de mobilidade — e também de retrocesso — social.

Liberdade criativa

O desfile marca o retorno de Tiago Martins ao Grupo Especial. Em 2022, ele assinou pela São Clemente o enredo “Minha Vida é uma Peça”, em homenagem a Paulo Gustavo. A escola acabou rebaixada naquele ano, e o processo criativo, segundo ele, foi atravessado por interferências.

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Foto: Marcos Marinho/CARNAVALESCO

“Eu tinha um enredo e, de um dia para o outro, o enredo era outro. Pensei se ficaria ou não, mas estava passando por necessidade, praticamente dois anos sem carnaval por causa da pandemia. Comecei a escrever uma sinopse, comecei a levar a história para um lado, quando recebi uma sinopse com áudio falando como eu deveria fazer o carnaval. Eles, ao mesmo tempo, deram e não deram a oportunidade para eu ser carnavalesco”, contou.

Depois da saída, Tiago foi convidado para assumir a Acadêmicos de Niterói no carnaval de 2024. A parceria resultou no título da Série Ouro em 2025 e no acesso ao Grupo Especial.
“Perguntei ao presidente se poderíamos [eu e o enredista Igor Ricardo] desenvolver o enredo da nossa maneira, e ele disse que tínhamos liberdade total”.

Para o carnavalesco, o momento representa uma virada profissional:
“Eu precisava disso para me sentir importante como artista. Fui muito desvalorizado e a Niterói me abraçou de uma forma que muito me valoriza. Hoje estou no lugar certo, na hora certa, no momento certo, com o enredo certo para fazer história”.
Brasília e a expectativa da Avenida
A construção do enredo levou a equipe até Brasília para apresentar o samba ao presidente. O encontro foi marcado por emoção.

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Foto: Marcos Marinho/CARNAVALESCO

“Quando acabamos de escutar o samba lá, ele começou a chorar e a contar, com a voz embargada, a história dele”, contou.
Segundo Tiago, Lula relembrou episódios ligados à fome e à pobreza:
“Quando ele vai inaugurar uma praça ou qualquer coisa e alguém fala para ele sobre a pobreza e a fome, ele diz que entende, porque também passou por isso. Ele entende a dor de não ter. E isso mexeu muito comigo”.
A presença do presidente na Sapucaí ainda é incerta. A escola reservou espaço no último carro alegórico, mas não há confirmação.
“Ah, meu coração vai pirar, a Sapucaí vai pirar! É o sonho da gente ter ele presente no nosso desfile para concretizar esse enredo”.
Caso não participe, a primeira-dama Janja ocupará o espaço ao lado de 45 convidados.

Conheça o desfile

A Acadêmicos de Niterói levará para a Avenida um desfile com 7 alegorias, 25 alas e cerca de 3 mil componentes.

1º Setor – A fome pelo imaginário popular
Abre-alas ambientado no agreste pernambucano, com lendas como cabra cabriola, bicho-papão e cobra muçurana. O carro terá três chassis e trará Lula criança sobre um pé de mulungu, simbolizando esperança.

2º Setor – Garanhuns
O sol, a seca, a fome e os retirantes partindo em pau de arara rumo a São Paulo.

3º Setor – O operário
Lula engraxate, ambulante e torneiro mecânico. Surge o sindicalista, as greves e a prisão na ditadura. Destaque para uma grande metalúrgica com escultura monumental do homenageado.

4º Setor – A pirâmide social
Representação dos programas sociais, mobilidade econômica e combate à fome. A alegoria central é uma pirâmide em transformação.

5º Setor – Brasil contemporâneo
Diálogo com os dias atuais e encerramento com as cores da bandeira nacional, reforçando que pertencem ao povo brasileiro.

Série Barracões SP: Império de Casa Verde promete ‘retorno triunfal’ em enredo sobre balangandãs

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Após um 2025 com uma decepcionante décima primeira colocação, o Império de Casa Verde chega para 2026 com a autoestima renovada por conta do enredo “Império dos Balangandãs: Joias Negras Afro-Brasileiras”, assinado pelo carnavalesco Leandro Barboza. Abrindo o sábado do Grupo Especial, a agremiação resgata uma tradição recente de desfiles que abordam grupos minoritários na sociedade brasileira.

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Foto: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Para saber mais sobre o que virá no desfile do Tigre, o CARNAVALESCO entrevistou o carnavalesco Leandro Barboza e o enredista Tiago Freitas para a Série Barracões SP. É importante relembrar que, ao contrário do que acontece com as treze coirmãs do Grupo Especial, o Império de Casa Verde não utiliza o espaço destinado a ele na Fábrica do Samba — e, sim, mantém um espaço próprio ao lado da quadra da instituição, na Rua Brazelisa Alves de Carvalho.

Cultural até no início

Ao ser perguntado sobre como surgiu a ideia de falar dos balangandãs, o carnavalesco destacou que um evento, em especial, teve papel fundamental na concepção da temática:

“Eu e o Tiago já tínhamos uma ideia de fazer algo nessa linha. Aí, um grande amigo nosso, o Rodney William, estava na Bahia e falou que estava acontecendo uma exposição sobre o tema. Chamei o Tiago, fomos na hora e disse que era para a gente puxar essa ideia. O Rodney nos alimentou no início, com muito material de lá — já que ele tinha o conhecimento de várias pessoas. Em paralelo a isso, o Tiago começou a se aprofundar nas pesquisas. E, quando a gente apresentou na escola, deu tudo super certo. O presidente na época, o Alexandre, topou na hora a temática. A gente ficou em cima do muro ainda, porque tinham dois enredos patrocinados. Mas, um pouco depois do Carnaval, a gente já estava com esse enredo na gaveta, trabalhando. A demora para a divulgação foi pelo patrocínio desses dois outros enredos que estavam estudando a parte financeira”, revelou.

Início no campo

Com uma exposição como ponto de partida, foi possível começar a pesquisa no próprio evento. Tiago explica:

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Foto: Will Ferreira/CARNAVALESCO

“A gente faz essa prévia de pesquisa em cima do que tem lá em Salvador, que é a exposição ‘Dona Fulô e Outras Joias Negras’, que esteve em cartaz no Museu de Arte da Bahia (MAB). Eu já sabia que, para mim, dentro dos meus sentimentos de pesquisa, Fulô seria a condutora, a narradora do nosso enredo. A gente se aprofundou em quem foi Dona Fulô, apelido de Florinda Ana do Nascimento. A gente carrega toda a história dela dentro da nossa setorização, do envolvimento dela com a escola — no sentido figurado, é claro: como a narradora vai tocar a escola e como a escola vai tocar a narradora. Trabalhamos dessa maneira até chegar à condutora do enredo”, afirmou.

Dificuldades e destaques

O enredista também falou sobre a principal preocupação no desenvolvimento do enredo:

“Nosso principal desafio foi como não fazer isso se repetir ou ficar repetitivo por se tratar apenas de um elemento — os balangandãs. Para isso, fiz um desdobramento de pesquisa para que não ficasse cansativo para o público nem para o jurado. Encontramos saídas visuais e narrativas, quebrando um pouco da expectativa só do ouro. Essa foi minha maior dificuldade no começo”, comentou.

O trabalho dos ourives, iniciado graças às escravas de ganho, também foi destacado:

“Me chamou muita atenção os ourives que, clandestinamente, faziam esses trabalhos. A joalheria brasileira começa com eles, com esses negros que moldavam joias de forma clandestina. Pensar que com eles nasce a joalheria brasileira é muito forte. Por isso os ourives têm uma importância muito grande no nosso enredo”, afirmou.

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Foto: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Setorização

Para contar essa história, o Império terá divisão em cinco setores:

“Dividimos a escola em cinco setores. O Setor 1 é a comissão de frente, com Dona Fulô sonhando um sonho místico. A partir desse sonho, surge toda a narrativa. No Setor 2, as joias aparecem como amuleto espiritual. No Setor 3, como cofre ancestral, a riqueza no corpo. O Setor 4 traz as joias como reza e batuque, o afro-catolicismo. E o Setor 5 trabalha as joias como ganho de liberdade, mostrando as profissões que garantiram autonomia a essas mulheres”, detalhou.

Cores e materiais

Leandro destacou a predominância cromática e escolhas de materiais:

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Foto: Will Ferreira/CARNAVALESCO

“A escola vem com muito ouro, muito dourado. Cerca de 80% da escola é em ouro. Mas trazemos também um setor inteiro em prata e falamos das pedras preciosas, especialmente em azul. Estamos usando muito acetato, algo que não era comum no Império, além de bastante metal nas alas”, explicou.

Retomada

Leandro vê o desfile como continuidade temática:

“Esse desfile complementa 2023 e 2024. Seria nossa terceira apresentação nessa linha. A comunidade abraçou muito e estamos felizes com o resultado”, afirmou.

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Foto: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Tiago reforçou: “A comunidade se reconhece como ponto de negritude. A Casa Verde é um dos bairros mais negros de São Paulo e a resposta ao enredo foi imediata”, disse.

Destaques

Leandro apontou quesitos de atenção:
“A comissão de frente é uma grande aposta, com coreografia do Sérgio Cardoso. A bateria dispensa comentários. E fechamos o desfile com a Velha Guarda e figuras como as amas-de-leite”, destacou.

Tiago complementou de forma poética: “O começo e o final se conectam: é o sonho e a liberdade vencendo. O que não se contou na História estará na Avenida, de forma respeitosa e sagrada”, afirmou.

“Podem esperar o retorno de um Império triunfal, grandioso em chão, visual, fantasia e alegoria”, encerrou Leandro.

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Foto: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Tiago concluiu: “O Império está concentrado, ensaiando muito e vai surpreender. Será um desfile técnico e emocionante”.

Ficha técnica
Alegorias: 4 (abre-alas duplo), 1 tripé e elemento alegórico da comissão de frente
Alas: 18
Componentes: 1.800
Diretor de barracão: Ney Meirelles