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Integrantes do Império Serrano elogiam conjunto alegórico da escola

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Imperio Esp02 015A última agremiação a desfilr na Série Ouro neste sábado (10), o Império Serrano, caprichou nas alegorias que apresentou no desfile. Com 5, sendo 2 tripés e 3 carros, a verde e branco de Madureira, tem como objetivo conquistar o campeonato da Série Ouro com uma homenagem aos orixás.

A escola abriu o desfile com o tripé “Exu”, representando a comunicação de Exu, o senhor do movimento e da transformação torna-se rei: Ésú Alákètú. A alegoria com figuras de exu, é vermelha com detalhes pretos e prateados.

“Eu estou muito contente porque agora nos próximos seis meses são os meses de Exu”, lembrou Cristiane Hikiji, médica e destaque do tripé. Ela é moradora de Ribeirão Preto, em São Paulo, e vem ao Rio para desfilar na escola nos últimos 10 anos. “Ele abre os caminhos, ele é como eu, é da alegria, da prosperidade. É uma alegoria muito importante e nós vamos abrir a escola, dando passagem para todos os orixás”.

Imperio Esp02 010O abre-alas da escola, chamado de “Reino de Ketu, Ifé e Iré”, apresentou a história dos irmãos Ogum e Oxóssi e de seus reinos, no Império Yorubá. Para representar, a alegoria, os personagens aparecem lutando em uma alegoria azul com detalhes verdes.

Angélica Vilasboas, de 49 anos, é militar e desfila “há décadas” no Império Serrano. Ela falou sobre a importância de desfilar no abre-alas da escola, que é o carro que “abre o enredo” para o público na avenida. “O Abre Alas é o termômetro quando você entra no setor 1, não tem sensação melhor na vida que ser componente do abre-alas”, relatou animada.

O enredo, denominado “Ilú-ọba Ọ̀yọ́: a gira dos ancestrais”, foi criado pelo carnavalesco Alex de Souza. “Ilu-ọba Ọ̀yọ́” era a denominação de um vasto império localizado nas áreas que atualmente correspondem à Nigéria, Togo e Benin, no oeste africano.

Imperio Esp02 012“Este reino dos orixás está bem representado nesse Abre Alas, fala da nossa ancestralidade, e o império está trazendo xirê pra avenida. É um passeio sobre a lenda dos orixás”, explicou Angélica.

No seu segundo carro, chamado de “Dan do Reino de Daomé”, a verde e branco contou a riqueza de Oxumaré, o Rei do povo Jeje, do reino de Daomé como representação do símbolo da continuidade e permanência. Para representar o reino, a agremiação usou cobras, em uma alegoria bem colorida.

“Eu venho como a serpente sagrada, que vem em homenagem a todo o povo de Oxumaré”, disse Leila Matias, de 52 anos, destaque do segundo carro. Ela desfila na escola desde os 19 anos e destaca o significado que o desfile tem para a agremiação: “Esse ano é muito importante porque a gente está lutando para voltar para o grupo especial. Esse enredo também significa prosperidade, ou seja, tem um significado especial”, completou.

O segundo tripé, com o nome de “O Alafin de Oyó”, mostrou a grandeza do reino de Oyó, na figura de Xangô, à justiça do povo de Yorubá. Retratando o Reino de Oyyó, Xangô é exibido em uma alegoria laranja.

Imperio Esp02 007Durante o período da diáspora africana, os descendentes dessa região levaram seus rituais religiosos para o Brasil, onde estabeleceram e adaptaram suas práticas tradicionais, criando a religião conhecida como candomblé, especialmente na Bahia. Esta religião se difundiu e adquiriu uma nova dimensão ritualística com a integração de várias divindades em um único culto chamado xirê, referido no enredo como “gira dos ancestrais”.

O terceiro e último carro da agremiação, “Ilé-Ifé, Igbó e Ifón. O Imperador de Oxalá”, apresenta o grande Orixá: Oxalá, o “pai” de todos. O carro é branco e prateado, com detalhes em marrom, com dois caracóis na frente. A figura de Oxalá aparece no centro da alegoria.

A mãe Marcia Marçal de 63 anos, é neta do Mano Elói – um dos fundadores do Império Serrano – e desfila “desde criança” na agremiação. Componente do terceiro carro da escola, ela fala sobre a importância do enredo e da alegoria: “O tema é lindo, nesse carnaval lindo que o Império está botando na avenida falando sobre Orixá. É a minha bandeira, e a gente sabe, é o pai maior, é o pai de todos, é o senhor do branco, é o senhor da paz, é o senhor da cura. Estar no carro representando Oxalá pra mim é uma honra.

Freddy Ferreira analisa a bateria da São Clemente no desfile

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Uma estreia muito boa de mestre Marfim, comandando a “Fiel Bateria” da São Clemente. Um ritmo com bom equilíbrio foi exibido, que ainda contou com apresentações seguras nos julgadores, principalmente na última cabine, onde houve inclusive certa interação popular.

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Uma bateria clementiana com boa afinação de surdos foi percebida. Surdos de primeira e segunda mostraram precisão e firmeza. Já os surdos de terceira foram responsáveis pelo balanço eficiente. Repiques coesos e caixas de guerra consistentes auxiliaram no preenchimento da sonoridade dos médios.

A cabeça da “Fiel Bateria” contou com um bom trabalho envolvendo as peças leves. Cuícas ressonantes mostraram solidez. Enquanto um naipe de tamborins com bom volume tocou de modo integrado a uma ala de chocalhos de nítida técnica musical. O desenho rítmico dos tamborins era simples, mas foi executado com bastante precisão.

Bossas com boa integração musical com o samba da escola preta e amarela do bairro de Botafogo foram notadas. O ponto alto dos arranjos, além da simplicidade e praticidade, reside na funcionalidade proporcionada por eles. Como se tratam de bossas simplesmente intuitivas, sua assimilação foi praticamente orgânica, garantindo execuções leves e principalmente fluídas. Pode ser dito que a concepção criativa da “Fiel Bateria” foi dar ao samba exatamente o que ele pede.

Na primeira cabine (módulo duplo) a apresentação foi enxuta e segura. Já na segunda cabine foi até superior, com uma maior fluidez musical e garantindo um bom encaixe das bossas nas execuções. A melhor apresentação em cabine acabou ficando para o final. No último módulo, é possível dizer que a “Fiel Bateria” deu um verdadeiro show, evidenciando a estreia muito boa de mestre Marfim, no comando da bateria da São Clemente.

Império Serrano: fotos do desfile no Carnaval 2024

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Império de Casa Verde: fotos do desfile no Carnaval 2024

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Repleta de grandes histórias e alegorias, Águia de Ouro surpreende homenageando o rádio

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Por Will Ferreira e fotos de Fábio Martins

O grande temor de toda escola de samba é ouvir uma nota diferente de dez no dia da apuração. Para que isso aconteça, não é permitido errar. E, buscando sempre a segurança em cada quesito, o Águia de Ouro teve uma atuação bastante destacada defendendo o enredo “Águia de Ouro nas Ondas do Rádio”, idealizado pelo carnavalesco Victor Santos. Quinta escola a desfilar no sábado de carnaval, a agremiação não deixou de ter pontos de destaque. As alegorias, bastante altas e imponentes, chamara atenção de quem estava no Anhembi. Histórias bastante interessantes, como a de um casal de mestre-sala e porta-bandeira formado há menos de um mês e que tiveram ótima atuação e a de uma rainha de bateria que teve uma fratura no pé e desfilou mesmo assim, rechearam um desfile que surpreendo positivamente.

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Comissão de Frente 

Com um grande tripé, o segmento, chamado de “Nas ondas do Rádio… em uma viagem imersiva, a invenção do Rádio é Ciência ou Bruxaria?” no enredo, fazia homenagens e continha uma própria história – toda idealizada pelo coreógrafo Ruy Oliveira. Em cima do tripé, uma dona de casa e o marido embarcavam em todas as emoções que o aparelho conseguiu despertar ao longo da centenária história do rádio no Brasil – principal mote do enredo, por sinal. Também fazendo referência a Landell de Moura, padre que patenteou o rádio nos Estados Unidos, o segmento trazia bailarinos representando grandes ícones do universo radiofônico, como Carmem Miranda, Ary Barroso, Linda Batista e Chacrinha. É importante pontuar que os dois grupos citados não tinham grande integração, cada qual com a própria coreografia.

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Mestre-Sala e Porta-Bandeira 

Juntos há cerca de vinte dias, João Carlos Camargo e Monalisa Bueno representavam os Dragões da Independência, que participaram da primeira transmissão radiofônica do Brasil – os festejos da Independência do Brasil, em 1922. Com uma fantasia de identificação bastante simples para quem conhece a unidade militar, ambos passaram longe de ter qualquer falha de sincronia – na realidade, a impressão é que ambos dançavam há tempos juntos. Com ótimas apresentações nos quatro módulos, cumprindo todos os balizamentos obrigatórios, é importante pontuar que a sequência de giros do Casal era bastante extensa, impressionando todos os presentes.

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Enredo

O Águia de Ouro buscou, em todo o desfile, prestar uma homenagem ao rádio – item que completou o centenário de existência em 2022. O primeiro setor (chamado de “Sintonia” na carnavalização) falava de toda a ciência que existiu para que a criação do item se concretizasse, além de exaltar a primeira transmissão via rádio no país – já citada neste texto; no segundo, como o objeto se tornou fundamental na sociedade brasileira para informação, lazer e formação da identidade do país ao longo de todo o século XX; no terceiro, o enfoque foi para o radiojornalismo e para as transmissões religiosas, também muito presentes no país até hoje; e, no quarto, falando do futuro, uma homenagem à internet e a Eli Corrêa, homenageado e dos grandes radialistas de São Paulo e do Brasil. De forma bastante leve, a agremiação da Pompeia conseguiu passar seu recado de maneira bastante eficiente e lúdica.

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Alegorias

Absolutamente todas alegorias, além de bastante altos, impressionavam pela beleza, pelo bom gosto e pelo excelente acabamento. O abre-alas, “As ondas radiofônicas e a primeira transmissão nacional”, com uma imponente águia dourada em um primeiro chassi, trazia o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, palco inaugural do instrumento no Brasil. O segundo era claramente estilizado em homenagem à relevantíssima Rádio Nacional; o terceiro, “Hora do Angelus”, destaca a miríade de atrações religiosas no rádio brasileiro, todo decorado com motivos religiosos; por fim, o quarto, “O futuro é agora!”, buscava trazer uma mensagem positiva sobre os próximos momentos do instrumento – sempre citado como um meio de comunicação obsoleto, mas que nunca desaparece.

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Também é importante pontuar o tripé alegórico “O som do meu carro”, com um conversível vermelho, que representava o status que um jovem possuía em décadas anteriores com um equipamento musical potente. De se pontuar, apenas, um integrante com uma camisa da escola no segundo carro, inteiramente com pessoas com traje de gala.

Fantasias

Chamou atenção o quanto a escola, em sua totalidade, conseguiu dar uma leitura bastante clara para todas as alas, carros alegóricos, casais e segmentos no geral. A ala 06, “Futebol – a emoção da narração de uma paixão nacional”, por exemplo, tinha camisas amarelas, shorts azuis e bolas de futebol; já a ala 12, “Radinho de pilha”, mostrava o quanto o instrumento portátil ajudava o homem do campo em sua labuta. Todos os fardamentos, por sinal, estavam muito bem acabados – muitos dos segmentos utilizavam materiais claramente nobres, por sinal.

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Harmonia

O Águia de Ouro é conhecida pelo quanto os componentes da agremiação cantam forte. E isso, mais uma vez, se mostrou verdadeiro no desfile de 2024. Se o samba-enredo não é dos mais elogiados da safra, é nítido que a comunidade abraçou a leve obra, bastante simples de se cantar e com letra sem complicação alguma. A Batucada da Pompeia, bateria da azul e branca da Zona Oeste, colaborou com convenções que empolgaram os desfilantes, que cantaram em uníssono e sem qualquer percalço ao longo de toda a apresentação.

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Samba-enredo

Quando as primeiras gravações de sambas-enredo começaram a ser reveladas, muitas críticas surgiram em relação à obra do Águia – composta por Tales Queralt, Aquiles da Vila, Lucas Queralt, Chanel, Marcelo Dores, Salgado Luz, Luccas Barroso, Abílio Jr., André Ricardo, Bruno Ribas, Nando do Cavaco, Ivanzinho, André Filosofia, Caio Ricci, Cauê Ricci, Edson Lins e Ronny Potolski, em uma fusão para decidir a eliminatória interna da instituição. Ao longo de todo o ciclo carnavalesco, porém, novas gravações e, sobretudo, o desempenho da canção ao vivo fizeram com que muitos reconsiderassem a primeira opinião acerca da qualidade da obra.

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O que se pode destacar é que, no desfile, como costuma acontecer com todas as músicas levadas pela agremiação da Pompeia para a avenida, a comunidade inteira carregou a canção no colo e cantou com força. O samba, com característica bastante leve e popular, também pareceu feito para empolgar na voz de Douglinhas Aguiar e Serginho do Porto, históricos intérpretes da instituição. Para finalizar, a Batucada da Pompeia, comandada mais uma vez por Mestre Juca (e com os também competentíssimos mestres Mi e Marcão na diretoria), sustentou com galhardia o samba, realizando as tradicionais bossas do segmento do Águia – incluindo uma delas no final da música, antes de chegar ao refrão.

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Evolução

Se muitos criticam a agremiação por ter um andamento um tanto quanto mecânico, é muitíssimo importante pontuar que, se o objetivo de toda e qualquer escola é conquistar o título, a agremiação da Pompeia executa com perfeição o que o regulamento pede. Com ritmo bastante uniforme ao longo de todo o desfile, sem correrias ou espaços em branco, o Águia foi, novamente, exemplo no quesito. O tempo bastante tranquilo de encerramento da exibição, uma hora e um minuto, é apenas mais uma mostra de que, no atual carnaval paulistano, há uma agremiação que domina o quesito como ninguém.

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Outros Destaques

Reinando soberana na corte da Batucada da Pompeia (que chegou a se ajoelhar na frente da Arquibancada Monumental), uma rainha à altura: Vanessa Alves, que desfilou lesionada (ela sofreu uma fratura no pé esquerdo em ensaio no dia 22 de janeiro, passando por cirurgia dias) e precisou de um imenso esforço extrapassarela para estar presente com os ritmistas.

Com a flecha certeira do grande caçador, as baianas do Império Serrano representam Oxóssi, o rei de Ketú

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Imperio Esp01 002Oxóssi, o rei do candomblé Ketú, é conhecido por ser o grande caçador, o rei de todas as matas. Sua cor característica é azul, mas usa-se o verde para representá-lo por conta da sua conexão com a natureza. E essas foram as cores que as baianas do Império Serrano vestiram para representar esse orixá no enredo “Ilú-Oba Òyó: A Gira dos Ancestrais”.

Conhecido por ser um caçador de uma flecha só, sendo essa flecha certeira, as baianas se apegam nisso para sonhar com um bom resultado do Império Serrano neste ano na Série Ouro.

Imperio Esp01 004“Representar Oxóssi, que é a força do Império, significa que a gente não pode desistir, temos que continuar na luta, porque a gente vai chegar onde a gente merece”, disse a psicopedagoga Bruna José, de 35 anos.

A fantasia das baianas era toda desenhada em figuras triangulares, as pontas significam o ataque do caçador. Assim como o ofá, a arma sagrada de Oxóssi, que as baianas trouxeram nas mãos.

Imperio Esp01 003Para Vera Lúcia Moreira, de 62 anos, a fantasia de Oxóssi é sinônimo de Império Serrano.

“Para mim, essa fantasia representa muita coisa, representa a minha comunidade, eu que moro na Serrinha, representar Oxóssi, que é muito importante para a escola, é lindo, espero que ele conceda muita felicidade, harmonia e união para nós imperianos”, contou a doméstica.

A baiana mais antiga da ala do Império Serrano pediu a benção do orixá caçador para a sua amada escola.

Imperio Esp01 001“A gente vem representando Oxóssi. E que ele venha abençoar e trazer melhoramento para o Império Serrano, só isso e muita paz”, disse Maria José, que tem 85 anos, a maioria deles vividos como baiana da escola da Serrinha.

A escola veio trazendo no abre-alas Ogum, que é irmão de Oxóssi. Ogum é conhecido por ser um nobre e incansável guerreiro, que para a costureira de 72 anos, Regina Dalva, irá dar forças ao Império Serrano.

“A nossa fantasia é Oxóssi, o dono das matas, o grande caçador, a força, a inspiração de todos os caboclos. O Império vem para caça esse ano, e com Ogum na frente, vencendo demanda. Isso, está muito bonito. Um carnaval ótimo que eles estão botando na avenida, o samba é fantástico, fora de série, obra do Aluísio Machado, a letra do samba tem tudo a ver com a escola”, comentou a costureira.

Com enredo de fácil leitura e casal como destaque, São Clemente faz desfile com problemas em harmonia e alegorias

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Por Raphael Lacerda e fotos de Nelson Malfacini

A São Clemente levou para a avenida o enredo “Que grande destino reservaram para você!”, do carnavalesco Bruno de Oliveira, e exaltou a carreira e vida do baluarte e compositor Zé Katimba. Fantasias, leitura do enredo e o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira foram os destaques. O samba não teve o rendimento esperado, além disso, houve problemas em harmonia, evolução e nas alegorias.

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Comissão de frente

A comissão de frente foi comandada pela coreógrafa Bruna Lopes. Com o figurino batizado de “Cordéis, fitas e viola! Obrigado Zé Catimba!”, o quesito marcou a abertura do cortejo – feita por personagens de cordéis – para a grande festa de Guarabira, cidade natal do homenageado. A equipe foi composta por 15 componentes – oito homens e sete mulheres -, com um dos bailarinos representando o artista. A apresentação dialogou com o samba-enredo e teve uma proposta interessante e de fácil compreensão.

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O ponto negativo foi o elemento cenográfico utilizado na apresentação. Em formato de caixote, ele carregava a escultura de uma viola – que era levada ao alto em parte da apresentação. No terceiro módulo de jurados, a sustentação despencou e a escultura foi danificada. Destaque para a roupa da comissão que, em um segundo momento, era invertida. As capas, juntas, formaram o nome da agremiação.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Um dos destaques do desfile da São Clemente. A dupla formada por Alex Marcelino e Raphaela Caboclo desfilou com a fantasia “Fogos de artifício”, que representou a anunciação da chegada de Zé Katimba. A apresentação uniu o bailado clássico com passos coreografados em referência ao samba e foi marcada pela sincronia, troca de olhares e conexão do casal. Destaque para os ótimos giros da porta-bandeira e para as meia-voltas e torneados do mestre-sala. O pavilhão foi muito bem conduzido ao longo dos quatro módulos.

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Enredo

A agremiação do bairro de Botafogo levou para a Sapucaí o enredo “Que grande destino reservaram pra você”, de autoria do carnavalesco Bruno de Oliveira. A obra conta a história do baluarte Zé Katimba, um dos maiores compositores de samba-enredo do carnaval carioca e um dos fundadores da Imperatriz Leopoldinense. Segundo Bruno, o enredo planejou buscar as principais vivências da trajetória de Zé Katimba, mas sem seguir uma ordem cronológica. A proposta foi bastante positiva e possibilitou uma fácil leitura para o público.

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Alegorias

A São Clemente desfilou com três alegorias e um tripé, marcados pela simplicidade. O abre-alas representou Guarabira em festa e trouxe Zé Katimba como destaque. A alegoria marcava o retorno do compositor para sua cidade natal após o sucesso. Apesar de ser de fácil compreensão, o abre-alas apresentou falhas no acabamento. Outro ponto negativo foi o elemento cenográfico da comissão de frente – aquele que apresentou problemas no terceiro módulo – pareceu ser desnecessário. Destaque para a terceira alegoria, que representou a “Carroça de boi e viola de fitas”. A alegoria teve suas cores realçadas pela iluminação e estava bem acabada.

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Fantasias

As fantasias foram um ponto positivo e chamaram atenção pela riqueza de detalhes. Destaque para a fantasia da ala das baianas – que representou Nossa Senhora da Luz -, além da fantasia da ala de passistas, que fez referência às canções românticas de Zé. Ao todo, as fantasias apresentaram um bom acabamento e facilitaram a compreensão do público.

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Harmonia

O carro de som comandado pelos intérpretes Victor Cunha e Leandro Santos fez uma boa condução do samba-enredo. Entretanto, a obra não empolgou e a harmonia não foi positiva. Com o canto irregular, algumas alas cantaram de forma mais empolgada, enquanto outras foram mais tímidas.

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Samba-enredo

A obra foi assinada por Ricardo Góes, Naldo, Serginho Gil, Fadico, Orlando Ambrosio, Matias de Oliveira e Fernando de Lima. O samba-enredo não rendeu na avenida. Apesar disso, o ápice da obra era o refrão final, “A São Clemente traz Zé Katimba”.

Evolução

Inicialmente, os componentes puderam desfilar de forma leve e solta e evoluíram bem. A última alegoria, que representou a “Carroça de boi e a viola de fitas”, apresentou problemas no meio da avenida e precisou ser empurrada. A agremiação também abriu um buraco no último módulo de julgadores. De modo geral, o quesito ficou muito abaixo do padrão da escola. O desfile foi encerrado com 54min54.

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Outros destaques

Destaque para a “Fiel Bateria”, comandada pelo mestre Bruno Marfim. Apesar do samba-enredo, os ritmistas tiveram grande destaque no desfile da São Clemente.

Bangu saúda São Jorge e Ogum ao encerrar desfile na Sapucaí

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Bangu Esp02 003A Unidos de Bangu encerrou seu desfile trazendo o carro “Jorge sincretizado! Patacori, Ogum!”, como uma grande festa saudando Ogum, o orixá guerreiro vencedor de demandas, onde não somente ele, mas diversos outros orixás também apareciam em saudação. O carro traz o sincretismo entre os santos católicos e os orixás cultuados nas religiões de matriz africana, como o candomblé e a umbanda, através de esculturas e de pessoas representando cada um destes orixás, entre eles Exú e Iemanjá, sendo a maior das esculturas a do orixá homenageado. Em tons de azul e branco, e com muitos búzios, a alegoria trouxe ainda um grande caldeirão a frente.

“A gente, homens, está de guerreiro romano, e aí esse carro vem falando do secretismo religioso entre Ogum e São Jorge”, contou Paulo Roberto de trinta e um anos, um dos componentes da alegoria, ao explicar a fantasia. Ao lado dele a húngara Yvete, de trinta e três anos, que desfilou pela primeira vez na vida, emocionada em representar Oxum, fantasia de composição do carro: “Eu venho da Hungria para fazer o Carnaval aqui, então viajei muito para estar aqui presente, e tenho essa sorte de poder apresentar aqui os orixás e a religião com a Bangu”. Paulo Roberto, em seu segundo desfile, continua ao falar da estética do carro: “Eu acho que está bem bonito, tem bastante escultura, tem uma quantidade também de componentes que eu acho que vai vir no carro bastante diversificada. A Bangu vai entrar legal, vai entrar bonito”. Yvete concordou com o colega: “Ficou muito bonito mesmo. Gostei das cores. Ficou muito colorido mesmo, muito vivo”.

Bangu Esp02 004Vitória Zanardo é outra componente que desfilou pela primeira vez na escola: “Eu venho representando a Oxum, que é a deusa da fertilidade, da beleza. E estou muito feliz, hoje, de estar representando essa escola tão linda, de uma comunidade tão linda e especial pra mim, e a fantasia é confortável, achei com bastante brilho, que é o mais importante, né, pra alegoria. E muito completa, com diz, com o que é proposto”. Sobre a alegoria em si, a foliã, de vinte e seis anos, gostou muito: “Eu achei bem completo, né, ele vem falando sobre os orixás, e ele está grande, com muita cor, cores bem vivas, que é o que chama a atenção no carnaval. As cores as fantasias estão com muito brilho, bem caprichadas esse ano e a gente tem tudo para brilhar hoje na avenida”.

Devotos de São Jorge desfilam na Bangu trazendo o amor pelo santo guerreiro

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Bangu Esp01 003“Jorge da Capadócia” foi o enredo que a Unidos de Bangu trouxe à avenida para o Carnaval de 2024. Contando a história do soldado que virou santo, e séculos depois foi sincretizado com Ogum, orixá guerreiro, marca que fica salientada na religiosidade de vários brasileiros, em especial nas religiões de matriz africana. Sabendo da popular devoção de São Jorge, o CARNAVALESCO conversou com alguns devotos do santo, que vieram desfilando pela escola Vermelha e Branca, ainda na concentração, numa conversa de fé e samba.

Ana Paula Paranhos, é devota de São Jorge há anos, andando sempre com uma medalha com a imagem, e desfilou pela primeira vez na Bangu por conta da devoção, depois de saber sobre o enredo pelas redes sociais, através de uma amiga: “Nossa, São Jorge é meu santo guerreiro de todo dia. Que ele que a gente chama, a gente clama e tá sempre do meu lado. Tô aqui hoje por conta dele. Esse enredo mexeu comigo.Uma amiga minha me chamou e quando eu soube que o enredo era esse e ouvi o samba, achei perfeito”. A componente, de quarenta e quatro anos, conta que pede sempre algo para o santo, principalmente pela família, costume que herdou da mãe: “Todo ano eu tô lá na igreja agradecendo. É a saúde dos filhos, é aquele momento de mãe, né? Que a gente fica desesperado e clama pra São Jorge. Foi herança até da minha mãe. Ela fazia isso, e eu faço com meus filhos hoje”. Sobre o enredo, e a figura de São Jorge no carnaval, ela acredita que sempre terá uma forma de falar dele: “Eu acho que se todo ano tiver uma escola falando, ainda vai ser pouco”.

Bangu Esp01 002Carlayle Júnior, de trinta e sete anos, contou sobre sua percepção do santo guerreiro: “Eu acho que São Jorge, como todo santo popular no Brasil, diz muito sobre a nossa cultura, a formação do nosso povo, o sincretismo religioso, misturado com essa questão dos santos católicos, com os orixás, com as entidades. Eu acho que São Jorge é o que talvez represente melhor isso”. O folião conta que além de São Jorge, tem devoção por outros santos, e acredita que, de uma forma, ou outra, seus pedidos, como saúde, trabalho, e tranquilidade, são atendidos, mas sem que os santos tenham uma “dívida” com ele: “Eu tenho uma devoção para São Jorge, São Sebastião, vários santos católicos, mas confesso que eu não chego a achar que eles têm que atender todos os meus pedidos, Mas acho que de uma certa maneira talvez sim, algumas coisas que eu tenha pedido sim”. E falando de samba, ele, que desfila pela primeira vez na escola, falou sobre as vezes que São Jorge veio como enredo, ou parte de um enredo maior: “Eu acho que todo enredo, toda escola vai sempre arrumar um jeito diferente, um outro enquadramento pra contar a história de um mesmo santo, de um mesmo tema. Então acho que a Bangu já encontrou um jeito diferente de contar essa história de uma outra maneira, assim como outra escola, o Império, vai vir com os orixás, que com certeza, são sempre bem vindos e são sempre bem celebrados aqui na Sapucaí”.

Beatriz Guerra, de vinte e oito anos, contou sobre a história do santo com a sua família: “São Jorge é fé, proteção, eu venho de uma família onde mulheres fizeram acontecer, embora ele seja de uma figura masculina, mas sempre foi muito presente na minha vida. Então, é referente às cidades que a gente vive, querendo dar uma questão da criminalidade, então ele sempre vem protegendo, abrindo os caminhos, nós que vivemos na noite gostamos de samba, somos boêmios, então ele representa não só a questão da fé, como também a questão da segurança”. Ela, que vem como um dos guerreiros de Ogum, conta que o santo não deixa em nenhum momento de atendê-la: “Principalmente na questão de saúde, trabalho”. Falando de samba e fé, Beatriz explicou sua visão sobre os enredos de São Jorge, e como cada escola, carnavalesco, presidente, vai ter uma visão diferente quando quiser trazer a história do santo mais uma vez para a avenida: “A cada ano uma escola escolhe abordar de uma maneira diferente, com uma visão de ou viver em sua comunidade, porque junta a visão do carnavalesco, a visão do presidente, a visão de toda uma comunidade, então ele vem representando, mas vem de uma outra visão, acaba sendo de outro contexto e uma abordagem movida da comunidade acredita, então acho que nunca vai ser saturado, o povo sambista é movido pela fé, ele é movido pelos seus guias. Pelos seus protetores, então acho que está sendo feito na medida”.

Bangu Esp01 004Rudgeri Gonzaga, que desfila há quatro anos na Bangu, começou definindo São Jorge em algumas palavras ao falar do santo: “Guerreiro, luta, força, coragem. São Jorge é especial em todos os momentos. É com ele que eu me pego, sempre”. Ele continuou contando que é sustentado pelo santo, e alguns dos pedidos que faz a ele, além de citar o momento que considera mais especial nessa relação: “Muita paciência para poder enfrentar os desafios do dia. São Jorge tem me sustentado muito. Todo dia 23 de abril, quando a gente vai na igreja de Quintino, eu acho que é um momento muito especial, que marca uma emoção muito grande de São Jorge, a presença dele na vida da gente. Quando tem a processão, então, é um momento muito emocionante”. Ao falar de samba, o desfilante de trinta e três anos, que veio de São Jorge, falou que é sempre pertinente homenagear o santo da Capadócia: “A gente tem que homenagear sempre São Jorge, eu acho que a gente tem que falar muito sobre Ogum, da representação da religião de Matriz Africana, que traz com muito louvor a história do santo guerreiro, seja em qual religião ele se destaca, porque eu acho que São Jorge é a força da representação do sambista, e a gente tem que trazer sempre”.

Bangu: fotos do desfile no Carnaval 2024

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