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Sem mistérios, Tatuapé não esconde preferência por desfilar na sexta-feira

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De 2016 para cá, poucas escolas possuem os resultados da Acadêmicos do Tatuapé. Além do bicampeonato de fato e de direito nos anos de 2017 e 2018, foram seis participações no Desfile das Campeãs em oito desfiles. A potência azul e branca da Zona Leste de São Paulo chega para a definição da ordem dos desfiles de 2025 conhecida por toda a cidade e, mais do que isso: sem medo algum de assumir as próprias (e já conhecidas) preferências.

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Foto: Felipe Araújo/Divulgação Liga-SP

Às claras

Erivelto Coelho, um dos quatro presidentes da agremiação (juntamente com Antônio de Castro, Edu Sambista e Eduardo Santos), deixou claro qual será a escolha da azul e branca: “O que eu posso te dizer é o seguinte: a Tatuapé tem preferência para desfilar na sexta-feira. Somos uma escola que está acostumada com tal data, e a gente também tem a preferência de sair ali no meio da noite. Então, como nós somos a terceira escola a escolher o horário, a gente muito provavelmente vai ficar com a sexta-feira e muito provavelmente no meio da noite. Algo muito parecido com os últimos três, quatro carnavais da Tatuapé. Não vai ter muita surpresa, não”, revelou.

Citando o grande ponto fora da curva envolvendo a agremiação nos últimos anos, ele complementou o pensamento: “Nós já estamos acostumados com esse horário, a escola se prepara muito bem, desfila melhor. É uma aposta que a gente tem feito nos últimos anos. É lógico que teve Paraty, que tivemos que ser a segunda escola por conta do regulamento, mas todas as vezes que o Tatuapé pôde escolher o dia (e, principalmente, trocar o horário com alguém), quando não caía uma bolinha que a gente estava esperando, a gente sempre optou por estar ali no meio da noite – que eu acho que é o que a maioria das escolas sempre buscam: ser a terceira, quarta, quinta escola. Acho que são os melhores horários que têm no carnaval”, relembrou.

Aqui, é importante destacar: em 2023 (ano em que a agremiação apresentou o enredo “Tatuapé Canta Paraty! Do caminho do ouro a economia azul. Patrimônio mundial, cultura e biodiversidade. Paraty, cidade criativa da gastronomia”), a escola foi a segunda a desfilar na sexta-feira por força do regulamento, já que em 2022 (com a temática “Preto Velho conta a saga do café num canto de fé”) a instituição ficou na décima segunda colocação por conta de uma punição graças à utilização de um trator para manobrar o carro abre-alas. Caso tal incidente não tivesse acontecido, a azul e branca ficaria na quinta colocação – novamente obtendo classificação para o Desfile das Campeãs.

Novo método aprovado

Também ouvido pela reportagem, Celsinho Mody, já histórico intérprete da Tatuapé, pontuou que, à priori, aprova a mudança no formato para definição da ordem dos desfiles: “Eu gostei bastante. Eu vejo que a Liga das Escolas de Samba de São Paulo está empenhada em apresentar novidades – não só para as escolas, mas para as comunidades, para o desfile de São Paulo. Acredito que é muito importante a gente manter a base do que é bom, mas apresentar novidades. E eu vejo que eles estão se empenhando muito. Essa forma de sorteio vai ser legal para a gente tentar um algo novo, que vai dar muita felicidade para as comunidades”, comemorou.

Por outros motivos, Erivelto também mostrou satisfação com a nova dinâmica: “Gostamos muito. A Tatuapé é uma das escolas que mais lutou para que isso se tornasse realidade. É novo para o carnaval do Brasil e acredito que vai ser algo muito copiado porque é uma forma de você beneficiar as escolas que foram bem colocadas no ano anterior. Até então, não era dessa forma. A escola que fosse vice-campeã ou décima colocada não tinha diferença nenhuma no ano seguinte. Todas iam para o sorteio, todas iam para a bolinha e a sorte é quem se encarregava de deixar uma escola num horário melhor do que a outra. Acho que, com esse formato, como eu já disse, é uma forma de você beneficiar a escola que ficou numa colocação privilegiada, ela poder escolher o dia e o horário que ela entenda que vai ser o melhor pro projeto”, refletiu.

Saudades, Mata de São João!

Tendo como enredo “Uma Joia da Bahia – Símbolo de Preservação! Entre Contos e Tambores, Viva a Mata de São João!”, que versava sobre a cidade da Costa dos Coqueiros, a Tatuapé obteve a terceira colocação em 2024. E o arrebatador desfile foi relembrado por Celsinho: “Nós fizemos um carnaval para ganhar. Fizemos um carnaval com desejo, com afã de ganhar, fazendo o nosso melhor. Não foi possível. Coisas para melhorar nós sempre temos, temos coisas para ajustar. Segundo as notas que os jurados nos deram, dentre as justificativas dos jurados, eles nos colocaram pontos em que nós precisamos melhorar algumas coisas. E vamos melhorar. Foi um carnaval lindo o de 2024. A Tatuapé teve o som mais cantado dos desfiles de 2024. Foi um desfile muito alegre, todo mundo dançou. O Wagner Santos arrebentou com a estética da escola. A comunidade, como sempre, manteve as suas bases de cantar muito bem, desfilar muito bem organizada. E a arquibancada veio muito com a gente nesse carnaval de 2024. Acredito muito que pelo samba e pelo espetáculo que a escola apresentou. Foi um carnaval muito feliz. Todas as catorze escolas são maravilhosas, e a gente ficar em terceiro lugar é uma honra. A gente tem que respeitar quem está na nossa frente, respeitar quem ganhou”, alertou.

Também tocando no respeito por todas as coirmãs, Erivelto foi pela mesma linha do intérprete: “Quanto ao carnaval de 2024, só temos que agradecer a toda a nossa comunidade e todos os nossos setores pelo empenho, pelo grande espetáculo que nós demos lá no Sambódromo. É lógico que todas as escolas querem ganhar o carnaval e fizemos um carnaval para isso, mas não podemos de forma alguma ficarmos tristes com essa terceira colocação: isso vem muito de encontro com o que a gente defende, de sempre fazer um carnaval melhor do que o outro. Se lembrarmos, no carnaval de Paraty, ficamos em quarto, agora em terceiro… isso vem provando que tivemos uma evolução e que estamos muito felizes e ficamos muito felizes com o resultado, porque todos os setores corresponderam, toda a nossa comunidade correspondeu. Foi um grande carnaval! Temos que parabenizar a Mocidade Alegre, que é a grande campeã, bicampeã do Carnaval de São Paulo, e trabalhar muito para que em 2025 consigamos brigar por título novamente. Pode ter certeza que nós vamos fazer isso, porque brigar por título é a nossa obrigação. Se vai ganhar ou não, isso está na mão de jurado. O que compete a gente, nós vamos trabalhar dia e noite para que a gente possa obter os maiores e melhores resultados possíveis para a nossa comunidade”, prometeu.

Justiça na avenida

Já com enredo lançado para o carnaval 2025 (intitulado “Justiça – A Injustiça Num Lugar Qualquer é Uma Ameaça à Justiça em Todo Lugar”), a escola já está dentro do cronograma para, mais uma vez, brilhar na avenida, de acordo com Erivelto: “Quanto ao próximo projeto, para o carnaval 2025, nós lançamos o enredo recentemente, no dia 23 de abril. Estamos finalizando a parte dos desenhos. Acredito que daqui umas duas semanas a gente inicie a confecção dos pilotos, para que a gente possa, como todos os anos, a partir de julho, iniciar toda a parte de reprodução da escola. É um calendário fixo que a escola tem, desde 2014. Está tudo dentro do cronograma, tudo muito bem pensado, tudo muito bem executado – e, para 2025, não vai ser diferente. Já estamos trabalhando e com certeza com muita vontade de ganhar esse campeonato. É um enredo diferente, um enredo que a comunidade abraçou de imediato. Agora, estamos aguardando os sambas-enredos chegarem, para que a gente possa fazer a melhor escolha possível e possamos ter um dos melhores sambas do carnaval, que possa nos impulsionar na busca desse título tão sonhado”, explicou.

Se o intérprete costuma afirmar ao microfone que “hoje é dia de vitória”, Celsinho é pura confiança pensando no desfile de 2025: “A minha expectativa para o carnaval 2025 é que ele seja de muita alegria para a comunidade com esse tema diferenciado: vamos falar da Justiça e das suas formas aplicadas pelo mundo. Vamos trazer bastante cultura aqui, a grande missão do carnaval é levar cultura para o nosso povo brasileiro, para o povo do mundo, e vamos fazer isso mais um ano: um tema cultural, trazendo uma novidade para a nossa comunidade e para o mundo do samba. Aguardem a Acadêmicos do Tatuapé mais um ano brigando pelo campeonato do carnaval e desejando muito essa vitória”, finalizou.

Nasceu! Escola mirim Netinhos do Paraíso do Tuiuti vai estrear no Carnaval 2025

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Na última segunda-feira, dia 13 de maio, durante o evento Tutu de Preto Velho, o presidente do Tuiuti, Renato Thor apresentou a escola mirim “Os Netinhos do Paraíso do Tuiuti”. Ela nasceu depois de muitos anos de conversas e estruturação por parte da escola para dar mais protagonismo às crianças da comunidade.

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Foto: Matheus Morais/CARNAVALESCO

O presidente falou um pouco sobre a história de como a ideia foi consolidada nos últimos 16 anos: “Isso aqui é um sonho que eu tenho de muitos e muitos e muitos anos, era fazer a escola mirim do Paraíso do Tuiuti. Há dezesseis anos estava conversando eu, o Vitor, o Valdemir que está ali presente, a gente conversando, discutindo, há dezesseis anos já existe esse nome: “Os Netinhos do Tuiuti”. E nada como ser pelo nosso tempo, é pelo tempo de Deus, e todos aqueles que nos protegem, nesse dia 13 de maio nós estamos oficializando a nossa escola mirim, Os Netinhos do Paraíso do Tuiuti”.

Em seguida, Thor anunciou Josyane Almeida como presidente da escola mirim, destacando suas qualidades para presidir Os Netinhos do Tuiuti: “A Josyane nunca mediu esforços, sempre com a gente procurando agir também pelo lado cultural, hoje a Josyane é formada. Tenho muito orgulho dessa menina, eu falo “dessa menina” porque a Josyane tem idade para ser minha filha, e ver ela vindo ali, degrau por degrau. Admiro muito a inteligência dela. Josyane juntou a tua dedicação, o teu amor, o teu carinho e a tua inteligência para que nós pudéssemos chegar a essa escolha para você ser a representante e representar essas crianças do morro do Tuiuti”.

Por fim, o presidente Renato Thor anunciou que em breve a escola mirim terá seus segmentos contemplados e agradeceu a presença da comunidade: “Vamos celebrar nossas crianças, encher elas de palmas nesse dia maravilhoso que nós vamos sentar para ver quem vai ser a rainha, primeira princesa, segunda princesa. E, talvez, dentro da própria ala de passistas adolescentes vamos fazer um concurso, mas, isso daí nós vamos discutir eu, Joseane, que a diretoria ainda vai ser formada. Queria agradecer a todos por estarem aqui neste momento tão marcante junto com a gente”.

Voltar nas Campeãs é a meta que embala Barroca Zona Sul para definição da ordem dos desfiles

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A Barroca Zona Sul comemorou seus 50 anos no Sambódromo do Anhembi com um desfile exaltando a própria história. O resultado foi a melhor colocação da Verde e Rosa desde seu retorno ao Grupo Especial, demonstrando solidez na elite da folia paulistana. O nono lugar obtido em 2024 permitirá à escola escolher entre seis opções de desfile disponíveis de acordo com o novo critério de definição da ordem de desfiles válido para o carnaval de 2025, que ocorrerá em evento organizado na Fábrica do Samba pela Liga-SP no próximo sábado, dia 18 de maio.

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Foto: Felipe Araujo/Divulgação Liga-SP

Foco no objetivo de voltar nas campeãs

Ewerton Cebolinha, presidente da Barroca Zona Sul, conversou com o site CARNAVALESCO sobre o que espera para a definição da ordem dos desfiles. “A expectativa é positiva. A gente sabe que dependendo da colocação que você tira, tem a oportunidade de pegar uma bolinha melhor, e algumas escolas tem alguns desejos, mais cedo, mais tarde ou no meio. Depende da característica de cada escola, mas estou bem tranquilo. Acho que qualquer posição que vier aí, a gente está apto para fazer um bom desfile. Eu sou a nona escola a escolher, então a gente tem que aguardar as oito escolas que estão na nossa frente e aí a gente vê o que tem de opção”, declarou.

O presidente fez um balanço sobre o carnaval de 2024. No mês de janeiro, faltando cerca de um mês para os desfiles, o carnaval paulistano perdeu Borjão, presidente de honra da Barroca e pai de Ewerton. A escola aproveitou a oportunidade para inserir no desfile uma justa homenagem e dedicou o desfile ao baluarte. Apesar da apresentação histórica para a Verde e Rosa, Cebolinha acredita que o resultado poderia ter sido melhor.

“Referente ao desfile de 2024, acho que foi o maior desfile da história do Barroca. Eu acho que foi um excelente desfile, assisti de todos os pontos. Um desfile maravilhoso, um desfile emocionante até pela situação que aconteceu com o meu pai. O maior desfile da escola, sem dúvida nenhuma. Só um pouco insatisfeito com a colocação que a gente ficou. Algumas questões que a gente não concorda, que a gente sabe que não errou, mas no carnaval faz parte. Às vezes erra para você, às vezes não erra para você, erra para o amigo, para o companheiro, para a coirmã, então não tem jeito. Achei que a escola poderia ter beliscado umas campeãs. Sendo bem frio, não falando do coração, falando bem a realidade, acho que foi um baita desfile. Nós vamos trabalhar para sempre estar melhorando e sempre melhorar a nossa colocação, se Deus quiser”, avaliou.

A Faculdade do Samba já se prepara para o lançamento de seu enredo, que ocorrerá no dia nove de junho na quadra localizada no bairro do Jabaquara. Ewerton Cebolinha afirma que o objetivo da Barroca é alcançar o grupo das escolas que retornarão para o Desfile das Campeãs.

“A expectativa referente ao carnaval de 2025 é tentar vir entre as campeãs. Buscar um pouquinho mais de agressividade para a gente tentar estar no pelotão das cinco, que é o objetivo da escola. A escola vai trabalhar forte para isso, para poder estar entre as 5, que é o que a gente quer. Hoje eu já posso falar que a escola já está bem estabilizada no Especial, sabendo que é um grupo muito difícil também, são 13 escolas altamente competentes, mas a gente sabendo do nosso potencial, a gente sabe que pode chegar entre as 5. Expectativa muito positiva para esse carnaval”, completou.

Ordem dos desfiles definida de maneira justa

O carnavalesco da Barroca, Pedro Magoo, vê como positiva a mudança de critério para a definição da ordem dos desfiles. “Eu acho que essa é uma forma mais justa. Nada mais justo que, de acordo com a posição do carnaval anterior, a escola faça essa escolha. Eu sou um cara que acredito e gosto muito das novidades, e essa novidade para mim é bem-vinda até por ser uma coisa mais justa e isso dá até uma possibilidade maior das escolas porque elas ficam mais ou menos já na expectativa. ‘Eu acredito que a gente vai ser tal colocação da sexta-feira, vai ser a tal do sábado, tal, não sei o quê’. Você já tem antecipadamente uma noção de como que a sua escola pode desfilar, o horário e tal, então é uma novidade boa para mim”, disse.

Magoo tem consciência de que as opções de escolha da Barroca no dia da definição não serão amplas, mas espera conseguir uma posição melhor de desfile se comparado a 2024, onde a escola foi a segunda a se apresentar na sexta-feira de carnaval.

“Vai ser um pouco mais difícil. Pela colocação da Barroca, tem oito escolas para escolherem na frente, então provavelmente tem alguns horários específicos que essas escolas, na minha opinião, por justiça, vão ter esse privilégio de escolher. Cabe a gente melhorar a posição para o ano que vem e, se manter esse critério, a gente ser uma das primeiras a escolher também. Como a Barroca vai ser a nona, serão poucos horários para serem escolhidos, mas o horário que for escolhido nós vamos para a Avenida. O projeto está bem legal, estou muito otimista e vamos fazer um grande carnaval, você pode ter certeza disso”, afirmou.

O carnavalesco estreou na Barroca em 2024 e fez um balanço positivo de seu primeiro ano. Aproveitou para falar sobre o andamento das preparações para o anúncio do enredo ao projetar o próximo ano da Faculdade do Samba

“O carnaval de 2024 da Barroca foi um carnaval muito bom. Nós fizemos um ano difícil, falar da própria escola é uma coisa complicada. Foi o meu primeiro ano na escola, chegando, não conhecia muito como que era a escola, mas graças a Deus deu tudo certo. Fizemos um carnaval bonito na Avenida, para o pessoal que olhou. Tivemos um avanço na questão estética da escola e a colocação. A gente ficou com aquele gostinho de que os jurados foram um pouco enérgicos em algumas questões, olhando as justificativas e tal. Dava para pegar algumas colocações acima, mas a gente tem a ciência e tem a consciência dos erros que a gente teve e vamos consertar. O projeto 2025 já começou. A gente já tá numa fase de pilotos e já vamos fazer uma festa de lançamento do enredo, mas estamos animados. O pessoal da comunidade tá animado. O trabalho tá bem legal, a gente tá crescendo a equipe de carnaval, qualificando a equipe da Barroca. A nossa expectativa para 2025 é fazer um grande carnaval com a Barroca Zona Sul. e alcançar o sonho de posições bem melhores nesse ano. O trabalho vai ser feito nesse sentido”, concluiu.

Festa de entrega do prêmio S@mba-Net acontece no sábado, na Unidos da Tijuca

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No próximo sábado, acontecerá a festa de entrega da 25ª edição do Prêmio S@mba-Net, na quadra da Unidos da Tijuca. A Premiação que ocorre tradicionalmente no terceiro sábado de maio, é encarada pelo mundo do samba como uma espécie de encerramento oficial da folia.

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O público terá a oportunidade de curtir os melhores momentos do último Carnaval com a participação das escolas premiadas e pode garantir seu ingresso antecipado online, a preços promocionais, através do link https://www.sympla.com.br/premio-smba-net-2024__2423794

A vigésima-quinta edição do Prêmio, criado em 1999 por um grupo de apaixonados pela folia, será repleta de emoção e muito samba e sempre reúne sambistas de todos os lugares. Na ocasião estaremos arrecadando garrafas de água, roupas, cobertores, produtos de limpeza e ração para doar às vítimas das chuvas do Rio Grande do Sul.

A apresentação da festa ficará a cargo de Milton Cunha, Eugenio Leal e Marcelo Pacífico, que terão a missão de conduzir esse grande encontro de foliões. As escolas premiadas se apresentarão sob o comando das Baterias de Mestre Casagrande (Unidos da Tijuca) e Mestre Chuvisco (Estácio de Sá). Os portões serão abertos às 22h e também haverá venda de ingressos no dia, na bilheteria da quadra da Unidos da Tijuca.

Serviço:
25ª Festa de Entrega do Prêmio S@mba-Net
Data: Sábado (18 de maio)
Horário: Abertura dos portões 22h
Local: Quadra da Unidos da Tijuca
Endereço: Av. Francisco Bicalho, 47 – Santo Cristo
Ingresso: Antecipado, com desconto promocional, através do site https://www.sympla.com.br/premio-smba-net-2024__2423794

Confira a relação dos premiados do Carnaval 2024:
GRUPO ESPECIAL
Melhor Escola: Unidos do Viradouro
Melhor Bateria: Unidos da Tijuca
Melhor Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Claudinho e Selminha Sorriso (Beija-Flor de Nilópolis)
Melhor Comissão de Frente: Acadêmicos do Grande Rio
Melhor Samba-Enredo: Imperatriz Leopoldinense
Melhor Puxador: Pitty de Menezes (Imperatriz Leopoldinense)
Melhor Enredo: Portela
Mais Elegante Galeria de Velha-Guarda: Unidos de Vila Isabel
Melhor Ala de Baianas: Imperatriz Leopoldinense
Melhor Conjunto de Passistas: Mocidade Independente de Padre Miguel
Melhor Destaque de Luxo: Simara Sukarno (Acadêmicos do Salgueiro – 2ª Alegoria)

SÉRIE OURO
Melhor Escola: Unidos de Padre Miguel
Melhor Bateria: Estácio de Sá
Melhor Casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Emanuel Lima e Thainara Mathias (Unidos da Ponte)
Melhor Comissão de Frente: União de Maricá
Melhor Samba-Enredo: Estácio de Sá
Melhor Puxador: Tem-Tem Jr. (Império Serrano)
Melhor Enredo: Arranco
Melhor Conjunto Plástico-Visual: União de Maricá
Mais Elegante Galeria de Velha-Guarda: Estácio de Sá
Melhor Ala de Baianas: Unidos de Padre Miguel
Melhor Conjunto de Passistas: Unidos de Padre Miguel
Melhor Destaque de Luxo: Marcos Lerroy (Inocentes de Belford Roxo – Carro Abre-Alas)

PRÊMIOS ESPECIAIS
Revelação: Nicolas Gonçalves (Carnavalesco do Arranco)
Cobertura Band Folia do carnaval da Série Ouro

Banda Um Amô leva o ritmo do Carnaval ao evento Samba Com Vida, em Portugal

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A Banda Um Amô, composta por quatro mulheres pretas, ritmistas e multi-instrumentistas do samba, participou de um evento inédito em Estarreja, Portugal. Entre os dias 10 a 12 de maio, o quarteto se apresentou no Festival Samba Com Vida, levando o ritmo contagiante do Carnaval para o público português. Além do show, a Banda Um Amô também realizou o Workshop Ritmo Por Elas, um projeto que tem inspirado e empoderado centenas de ritmistas. Mais de 50 mulheres participaram desta edição. Essa oficina de percussão é voltada exclusivamente para mulheres e busca quebrar paradigmas, mostrando que as mulheres podem ocupar qualquer espaço no mundo da música.

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Foto: Divulgação

O Workshop Ritmo Por Elas já passou por vários estados brasileiros, levando os diversos ritmos do Carnaval para mulheres interessadas em explorar seu talento na percussão. Agora, pela segunda vez na Europa, a Banda Um Amô trouxe essa experiência para o Festival Samba Com Vida, que já se tornou uma tradição na cidade de Estarreja.

Mariana Braga, vocalista da banda, ressaltou a importância da representatividade feminina no samba: “Nossa participação no Samba Com Vida foi uma experiência imperdível para os amantes da música brasileira e para todas as mulheres que desejam se inspirar e se empoderar através do ritmo contagiante do samba. Queremos mostrar que as mulheres também têm seu lugar nessa história.”

A Banda Um Amô possui um estilo único, chamado de Pop Samba, e levou alegria, interatividade e energia em suas apresentações. Além dos shows, elas realizam o Workshop Ritmo Por Elas, que tem se destacado como uma forma de incentivar e capacitar mulheres na percussão.

10 ANOS

A Banda está prestes a comemorar uma década de sucesso e música. Para marcar essa importante conquista, o quarteto está preparando um show especial, que será realizado no Canto do Rio em Niterói. Será uma noite inesquecível, com um repertório preparado exclusivamente aos fãs com músicas que embalaram essa primeira década.

Para mais informações sobre a Banda Um Amô e suas próximas apresentações, acesse o Instagram da banda: @bandaumamo. Não perca a oportunidade de reviver o ritmo contagiante do samba e se inspirar com a força e talento dessas quatro mulheres incríveis.

Vice em 2024, Dragões da Real foca na comunidade para escolher horário de desfile

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O lema da Dragões da Real é ‘lugar de gente feliz’, e é assim que a agremiação tem feito desfiles marcantes no carnaval de São Paulo. Mas com um sonho, ser campeã do carnaval, ainda que valorizando cada resultado como neste ano o vice-campeonato somente no desempate.

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Foto: Felipe Araujo/Divulgação Liga-SP

Com o segundo lugar, a Dragões só não terá um horário para escolher, que será o escolhido da campeã Mocidade Alegre, com isso pode optar tranquilamente pela posição de desfile e a estratégia já está lançada pela escola. O diretor de carnaval, Márcio Santana contou prioridade total na comunidade.

“A nossa prioridade vai ser sempre a nossa comunidade. Ainda que tenhamos um projeto de carnaval pensado para algo amplo, que atenda o espetáculo, antes de qualquer coisa precisamos pensar na necessidade comunitária. O bem-estar dos nossos, seja o horário de deslocação, conforto, segurança, acho que isso é fundamental. Se tivermos o casamento das necessidades técnicas e plásticas com o bem-estar comunitário, teremos uma posição de desfile perfeito”.

Em relação à expectativa do evento de definição de ordem que acontecerá no próximo sábado, dia 18 de maio, Márcio ressaltou: “A expectativa com relação ao evento de sorteio é muito grande. Até porque hoje ela não se dá mais por meio de sorteio, e sim mediante a classificação do ano anterior à posição de desfile ou de escolha da escola. Com isso, aumenta e muito, a nossa gama de possibilidades de ordenação de um projeto. Então todo projeto visual, de iluminação, de escolha de paletas de cores, de formas, para um desfile de carnaval, acaba dependendo também desta posição e da ordem de desfile. A escolha de um samba, enfim, pode parecer que não, mas muito do que se pensa para o carnaval passa pela sua posição de desfile e a possibilidade de fazer a escolha de acordo com sua classificação ela dá um dinamismo ainda mais, pois agora não é somente o título que está sendo disputado, mas também a posição de desfile do ano seguinte”.

A Dragões da Real ficou com o vice-campeonato do carnaval pela terceira vez em sua história, e com um enredo diferente de suas características. O diretor de carnaval, Márcio Santana, fez um balanço geral sobre 2024 e também já falou da expectativa para mais um projeto.

“O ano de 2024 trazendo um carnaval afro foi uma possibilidade de se redescobrir uma nova Dragões. Então acreditamos que a identidade adquirida com o carnaval de 2024 nos trouxe muita força, muito fôlego, além do que a gente pode apontar isso como uma crescente. Algo que a gente vem evoluindo ano a ano. Muitas pessoas podem questionar ‘poxa vocês comemoram o segundo lugar’, sim, comemoramos. Pois efetivamente é um processo evolutivo, estamos cada vez mais perto do título ao invés do descenso por exemplo. Então é um trabalho de formiguinha, de grão a grão, que está sendo construído de maneira grandiosa. Para 2025, a ideia é que se chegue a conclusão disso tudo, algo que nós almejamos, que é o título. Com um enredo que tem a cara da escola, que transmita alegria da comunidade, e que a gente consiga efetivamente conquistar o tão sonhado título”.

Para 2025, a Dragões da Real já tem enredo, mas só será divulgada em festa na Fábrica do Samba no sábado seguinte da definição das ordens, ou seja, no dia 25 de maio.

Veja os pares! Série Ouro define data do sorteio da ordem dos desfiles no Carnaval 2025

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A Liga-RJ informa que o sorteio para a definição da ordem dos desfiles das escolas de samba da Série Ouro, para o carnaval de 2025, será realizado no dia 18 junho. O encontro será limitado aos presidentes, representantes das agremiações e imprensa credenciada. Na ocasião, o resultado será divulgado no site da instituição e nas redes sociais oficiais da Liga.

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Foto: Diego Mendes/Divulgação Liga-RJ

A recém-chegada, Botafogo Samba Clube, vice-campeã da Série Prata, abrirá a sexta-feira de carnaval, seguida pelo Arranco, que ficou em 14º no desfile de 2024. Já a Tradição, grande campeã da Série Prata, abrirá o sábado de carnaval, seguida pela União do Parque Acari (13º). O Império Serrano entrará no sorteio para decidir o dia que desfilará, mas poderá escolher a posição, por ter sido a vice-campeã da Série Ouro. As demais escolas seguirão para o sorteio com seus respectivos pares.

Império Serrano x Estácio de Sá
Porto da Pedra x União da Ilha
São Clemente x Inocentes de Belford Roxo
Acadêmicos de Niterói x União de Maricá
Acadêmicos de Vigário Geral x Em Cima da Hora
Unidos de Bangu x Unidos da Ponte

Em 2025, os desfiles das escolas da Série Ouro serão nos dias 28 de fevereiro (sexta-feira) e 1º de março (sábado).

Conheça o enredo da Vila Isabel para o Carnaval 2025

A Unidos de Vila Isabel divulgou nesta quarta-feira o título do enredo que levará para a Sapucaí no Carnaval 2025. Em “Quanto mais eu rezo, mais assombração aparece”, a escola focará nas assombrações que atazanam o imaginário popular, demonstrando como elas fazem parte do nosso dia a dia de várias formas, em diversas etapas da vida – desde a infância até a fase adulta. O tema será desenvolvido pelo carnavalesco Paulo Barros.

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“O enredo é a cara do Paulo. Será um enredo misterioso e divertido. Nós estamos apostando em um caminho diferente da maioria das outras escolas porque acreditamos que investir na personalidade e no modelo de trabalho do nosso carnavalesco vai nos trazer o título”, afirmou o presidente da agremiação, Luiz Guimarães.

Além de Paulo Barros, também assinam o enredo o pesquisador Vinícius Natal e o professor da Faculdade de Educação da Uerj Luiz Rufino.

Em breve, a azul e branca do bairro de Noel trará mais detalhes sobre o desenvolvimento do enredo, assim como a sinopse.

Doações trocadas por ingressos para sorteio da ordem dos desfiles do Rio serão enviadas para o Rio Grande do Sul

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O mundo do samba está próximo de conhecer a ordem dos desfiles para o Rio Carnaval 2025. A data e a posição em que cada agremiação do Grupo Especial irá desfilar serão conhecidos no próximo dia 23, na Cidade do Samba, durante evento que será aberto ao público. Para entrar, cada folião deverá levar, até as 21h, 1 kg de alimento não perecível, que será destinado às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul.

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Foto: Vitor Melo/Divulgação Rio Carnaval

“Desde o início da chuva, estamos pensando muito em como ajudar a população que tanto está sofrendo no Sul. Nossas escolas se uniram e estão recebendo doações nas quadras, além de produzirem rodos nos barracões para ajudar na remoção da lama. Com a entrada para esse evento tão importante para os sambistas sendo revertida em alimentos, poderemos colaborar ainda mais com quem está precisando”, destacou o presidente da Liesa, Gabriel David.

Anteriormente restrito a convidados, o sorteio agora contará com a presença popular, que poderá trocar os alimentos por ingressos entre 19h e 21h. Além de conhecer a ordem que as agremiações pisarão na Sapucaí no próximo ano, o público poderá curtir apresentações do Samba da Volta e do Grupo S.E.R., além de um show da atual campeã, Unidos do Viradouro, e uma roda de samba com Pretinho da Serrinha e convidados especiais.

Em 2025, serão três dias de desfiles competitivos em março: no domingo, 2, segunda-feira, 3, e terça-feira, 4, além de dois festivos, com os desfiles mirins, na sexta-feira, 7, e o Sábado das Campeãs, 8.

Sorteio da Ordem dos Desfiles – Rio Carnaval 2025
Data: 23/5
Horário: 19h
Local: Cidade do Samba – Rua Rivadávia Corrêa, 60 – Gamboa
Entrada: 1 kg de alimento não perecível (até as 21h)

Conheça a sinopse do enredo da Mangueira para o Carnaval 2025

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Enredo: “À Flor da Terra – No Rio da Negritude Entre Dores e Paixões”

logo enredo mangueira2025

Ouça o ruído do mar. Pense em quem foi saído de Cabinda, de Luanda, de Benguela. Jogue o corpo pro centro do mundo. Prepare a mão pra bater, o pé pra riscar e o peito para vibrar nos acordes e nos tremores do som. Desaterre a experiência dos bantus, unidos pelos seus traços linguísticos, e criadores de uma sofisticada visão de mundo.

A sua própria leitura da realidade se manifesta no ciclo bakongo através da união do mundo visível e do mundo invisível. Vida e morte fazem parte do mesmo ciclo; não se anulam, complementam-se. Um entendimento sobre a existência que foi silenciado pelo racismo, na ideia de superioridade dos pensamentos brancos e pelo estabelecimento de uma outra forma predominante de refletir sobre a negritude.

Essa visão de mundo se reafirma contra as verdades históricas e contra o apagamento da sua contribuição africana de uma cidade que não se limita nas fronteiras tradicionais. O Rio também é o Atlântico. Pelo cais, o Rio também recebe o mar.

A água conduz as passagens e é no seu interior que estão guardados a memória e os mistérios ancestrais. É possível ver o invisível submerso sob o espelho d’água, conectando-se com as forças dos antepassados.

Nas kalungas, vida e morte se sobrepõem, dentre corpos, almas e inquices. A terra absorve tudo o que nasce. É Kavungo. Anuncia memórias fincadas no solo, que guardam as dores em busca de reparação dos pretos novos e pretas novas. As entranhas subterrâneas revelam a verdade, expõem as marcas, devolvem o que se tenta esconder e apagar o que está à flor da pele – À Flor da Terra! A ventania de Kaiango governa os cursos espirituais, conduzindo caminhos. Finaliza e recomeça destinos que fazem a passagem e podem assim retornar ao ciclo da vida.

Em Ku Nseke, plano terreno, território de contato, ressurge o choque de culturas. Era o branco a própria morte, autoritário, que impõe a sua natureza e o seu feitiço de dominação sobre as populações negras.

Desse lado do Atlântico, os irmãos de cor, juntos, pela comunhão, buscam reconfigurar e estabelecer laços para promover afetos em vida. Irmanados pela ancestralidade, pelas frestas da santíssima macumba e por diferentes modos de existir, os bantus se fincam e transformam a sua realidade. Não de forma dócil ou ingênua, como incorretamente ousaram dizer, mas sim complementar, ao absorver o que alimenta a força vital. Agindo por si, com os outros.

Eles têm na natureza, nas ervas e nas plantas a sua essência espiritual, que se manifesta nas ciências e em saberes requintados. Suas mãos curam, transformam, criam e fazem do seu trabalho um lugar no mundo, espaço de viver e exercer parte de seu conhecimento trazida como bagagem.

São ferreiros, quituteiras, barbeiros, aguadeiras, trabalhadores urbanos e do porto, agentes da liberdade, seja pela compra ou pela luta, fundamentando uma outra experiência, que possibilita o trânsito e a circulação como sujeito da cidade.

Sujeito que também soube triunfar e enaltecer sua altivez em glória pelos caminhos do Rio.

Nos zungus, locais de intensa convivência, essa negritude, liberta ou não, recebe, acolhe, festeja, transbordando ancestralidade, imprimindo suas marcas em sua forma de viver e de se organizar em sociedade. Panos brancos tremulam aos ventos nas janelas dessas habitações, anunciando refúgio aos necessitados.

Os povos bantus são capazes de reconstruir sua terra em qualquer espaço. Com as relações comunitárias, modificam o lugar, negociam e entrelaçam culturas. Modelam novos territórios, forjam novas práticas e hábitos. Apoderam-se afrontosamente do Rio, agregando outros saberes para reformular as suas próprias experiências.

Ao ocupar a cidade, as contribuições dos bantus se diluem e pulsam na identidade negra do território carioca. Tagarelamos, comemos, tocamos e dançamos conforme as heranças e as tradições desses povos. Ter um dengo, criar um moleque, reunir-se em kilombo, ir pra macumba, pedir na umbanda, bailar como nos lundus, comer um quiabo pra não pegar um feitiço, cozinhar com fubá, mergulhar no dendê, fazer um batuque, chocalhar um ganzá, tomar cachaça. De boca em boca, mais do que palavras, práticas também são passadas de gerações para gerações. Esses conhecimentos fundamentais atravessam o tempo, cruzam o espaço e se revelam no cotidiano de um Rio de Janeiro tão efervescente.

Além de arquivo a céu aberto, a rua guarda as memórias, as dores, as paixões e as lutas dos bantus. Diferentes formas de existir se fazem presentes nas esquinas, ruas, vielas, por onde circulam herdeiros desses povos recriando saberes e constituindo a vida de forma revolucionária.

Das cicatrizes de uma cidade caótica, surgem flores que promovem o horizonte negro. Ao andar pelo Rio, movimentar a vida, balançar o corpo, propagar conhecimentos, ensinar valores, cria-se uma forma de restabelecer conexões através do futuro ancestral. Com feridas abertas de um passado presente, persistem desaparecimentos, silenciamentos e apagamentos de uma juventude marginalizada e negra, que abre novas frestas desejando as venturas do mundo.

Olhe o céu. Escute o trânsito das kalungas. Pense na pipa e no barulho da rua. Sente os sons graves e ruidosos que estão no dia a dia carioca. Ouça os toques d’Angola, o tamborzão e a batida do funk. Prove esse solo aterrado de memória sabendo que o samba macumbado no couro da mão tem razão de ser. A cidade se veste de branco nas renovações de ciclo. A cidade continua. A cidade festeja a vida para se encantar dela. A cidade ousa viver e construir futuro. Tem uma nova chance a cada alvorada, a cada cria, a cada sol, que nasce todo dia desse mesmo chão, carregando consigo as experiências dos seus mais velhos e reinventando a liberdade.

Atrevida por natureza e banhada da ancestralidade bantu, a alma carioca desafia a morte, celebra a vida e faz carnaval!

Carnavalesco Sidnei França
Pesquisa de Sidnei França, Ariel Portes, Felipe Tinoco e Sthefanye Paz.