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Do Quintal à Sapucaí: Bangu homenageia Leci com solidez e emoção

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Sendo a 4ª escola da noite a desfilar na primeira noite de desfiles da Série Ouro, a Unidos de Bangu, com o enredo “As coisas que mamãe me ensinou”, homenageou a trajetória de Leci Brandão na música, na política, na Mangueira e no ativismo. Com uma comissão didática e segura e um casal tecnicamente consistente e elegante, a Bangu deixa a Sapucaí com credenciais para pleitear boa colocação na apuração de quinta-feira. A escola terminou o esfile com 56 minutos, 1 minuto além do máximo permitido, e, será penalizada na apuração.

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Fotos: Allan Duffes/CARNAVALESCO

De autoria dos carnavalescos Alexandre Costa, Lino Sales e Marcus do Val, a escola transformou a avenida em extensão do quintal e da militância da artista, costurando ensinamentos maternos, consciência social e samba como ferramenta de transformação.

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão é coreografada por Fábio Costa e composta por 15 componentes. Sete malandros em prateado reluzente e sete cabrochas em vermelho intenso representaram a alma do samba que conduz Leci pela vida. Intitulado “Alma do Samba”, o número trouxe o samba na vida de Leci, apresentando-se com essência e espírito que se expressam na música, na cultura e na paixão pela vida, sendo a alma de sambista que a leva à quadra da Mangueira e às rodas de samba desde criança.

* LEIA AQUI: No “Quilombo da Diversidade”, Bangu transforma a Sapucaí em tribuna de orgulho e resistência

Falando em criança, a pivô da comissão era uma garotinha, que interagiu o tempo todo com os malandros e as cabrochas. A coreografia no chão foi muito bem executada, com passos de samba e dança de salão; a essência sambista foi traduzida.

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Mas o ponto alto foi o tripé que a comissão trouxe: uma vitrola que se abria e na qual os bailarinos subiam. Do interior da vitrola surgia uma Leci madura, microfone em punho, acompanhada por um caboclo, Iansã e Ogum, referências diretas às citações do refrão do samba.

* LEIA AQUI: Velha Guarda da Bangu exalta Leci sob a proteção dos ‘santos’ da Mangueira na Sapucaí

Distribuindo a coreografia pelo tripé e com instrumentos musicais retirados dele, o show se encerrava com homens fazendo uma ilusão, como se o violão estivesse flutuando.

Nos três módulos de jurados, a comissão se apresentou sem erros, carismática e causando excelente efeito visual.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O casal Leonardo Moreira e Bárbara Moura veio vestido de “Ancestralidade Familiar”, com as cores dourada e vermelha. Eles representaram a conexão com os antepassados, em especial a de Leci com seus pais, simbolizando as raízes da identidade cultural e comportamental da artista.

O figurino estava muito bem elaborado; a ancestralidade e a família eram visíveis nas fotos de Leci coladas na fantasia, como se fossem porta-retratos colocados carinhosamente.

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Com uma coreografia muito bonita e, muitas vezes, didática, o casal teve seu desempenho evoluindo conforme passava pelas três cabines. No primeiro módulo, a porta-bandeira demonstrou nervosismo visível na expressão facial em alguns momentos, deixando a dança não tão fluida em algumas passadas. O vento se fez presente durante a apresentação; mesmo com a bandeira molhada, era notável que ele atingia o pavilhão de forma considerável. No entanto, Bárbara tirou de letra, não se abateu nem deslizou na condução da bandeira, apresentando segurança e mais leveza na dança, assim como Leonardo, que rapidamente notou o vento e demonstrou destreza ao pegar o pavilhão no segundo módulo, mesmo sob forte interferência que quase o tirou de sua mão. Foi aí que o nervosismo da primeira cabine começou a desaparecer.

Na terceira cabine, a apresentação foi perfeita; a química entre eles, que era tímida no início, já dava sinais de maior entrosamento.

Podem esperar boas notas na apuração; foi uma bela apresentação.

ENREDO

Dividido em três setores, o desfile foi concebido sem se apoiar em uma narrativa meramente biográfica. A Bangu optou por um desfile que evocou valores, posturas e aprendizados. A figura de Leci apareceu não apenas como cantora e compositora, mas como cronista do cotidiano, política, lésbica e mangueirense.

No primeiro setor, “A Ancestralidade que Trago Comigo”, o abre-alas “Minha Ancestralidade me Moldou” representou a proteção dos orixás de Leci (Ogum e Iansã) em sua trajetória de vida e toda a construção de costumes e ensinamentos de seus pais.

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No segundo setor, “Uma Carreira Construída à Base do Amor e da Fé”, a alegoria “Paixão por Regar a Árvore Frondosa no Palácio Verde e Rosa” trouxe a forte ligação de Leci com o morro e a Estação Primeira de Mangueira, mesmo sem ter morado lá.

No terceiro setor, “Socialista Graças a Deus”, a alegoria “Quilombo da Diversidade” foi a representação fiel da luta e do compromisso de Leci com as causas sociais. Bandeiras LGBT, remetendo à orientação sexual da cantora, foram o destaque que encerrou o desfile.

ALEGORIAS E ADEREÇOS

As três alegorias da Bangu não apresentaram nenhuma avaria ou problema visual. Todas estavam bem finalizadas, com detalhes e adereços bem feitos e seguros. Destaque para a unidade regular em todos os carros.

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O abre-alas “Minha Ancestralidade me Moldou” apresentou uma belíssima Iansã na ponta do carro. A segunda alegoria, “Paixão por Regar a Árvore Frondosa no Palácio Verde e Rosa”, como o nome já diz, bem verde e rosa, remetendo à paixão de Leci Brandão pela Mangueira, causou belo efeito na avenida, embora as esculturas com orelhas desproporcionais tenham quebrado a sobriedade do conjunto, conferindo ao carro um tom involuntariamente jocoso.

A última alegoria, “Quilombo da Diversidade”, na qual Leci veio sentada à sua frente, representou toda a luta da artista e sua reafirmação como mulher lésbica. O carro, assim como os outros, não apresentou nenhum problema estético.

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FANTASIAS

Apesar de modestas, todas as alas estavam com fantasias sem avarias. A escola dificilmente poderá perder décimos com as alas que desfilaram. No entanto, as fantasias das composições, especialmente na alegoria “Quilombo da Diversidade”, apresentaram concepção simplificada e baixo volume cenográfico, o que pode impactar a leitura plástica do conjunto.

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HARMONIA

O carro de som passou muito bem pela avenida, mas não é possível dizer o mesmo sobre o canto da escola, que passou desequilibrado pelas alas. Mesmo com o bom desempenho dos intérpretes Fred Viana e Pipa Brasey, o canto da comunidade se mostrou irregular entre as alas, com trechos visivelmente enfraquecidos e componentes pouco engajados. Poderia ter sido melhor; algumas alas passaram com muitos componentes calados.

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SAMBA

Composto por Dudu Nobre, Junior Fionda, Marcelinho Santos, Binho Teixeira, Laura Roméro, Junior Falcão, André Baiacu, Geraldo M. Felicio, Valtinho Botafogo, Gilsinho da Vila, Fábio Bueno, JV Albuquerque, Jonas Marques e Juca, o samba apresentou força no refrão “Ogunhê, meu pai Ogum / Epahey Oyá / Bato cabeça pra saudar seus orixás”. Com sua letra, serviu perfeitamente para homenagear Leci Brandão, com citações às suas músicas famosas, como “As Coisas que Mamãe me Ensinou” e “Zé do Caroço”. O samba foi potente na avenida.

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EVOLUÇÃO

É um quesito para a escola se preocupar: muitos componentes apenas andavam pela avenida. A escola acelerou o passo do meio para o final. A bateria não entrou no segundo recuo, mas isso não foi suficiente para evitar a correria no último setor. Terminando o desfile com 56 minutos, um acima do máximo permitido, a escola será despontuada em 0,1 ponto na apuração.

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A Unidos de Bangu apresentou um desfile coeso, visualmente regular e conceitualmente bem resolvido. Comissão e alegorias sustentaram a proposta com segurança, enquanto pequenos ajustes em harmonia e evolução podem pesar na leitura dos jurados. Ainda assim, a escola deixou a Avenida com uma homenagem firme, consciente e competitiva.

OUTROS DESTAQUES

Os carros alegóricos causaram belíssimo efeito na Sapucaí. Muito significativo um desfile homenageando uma mulher lésbica ter uma rainha trans, como Camila Prins.

Terreiro que forma, Sapucaí que consagra: Acari transforma fé em arte no abre-alas da Série Ouro

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A União do Parque Acari desfilou na noite da última sexta-feira, na Marquês de Sapucaí, pela Série Ouro, sendo a terceira escola a passar pela Avenida. Levando o enredo “Brasiliana”, desenvolvido pelo carnavalesco Guilherme Estevão, a agremiação abriu o desfile com uma declaração estética e política sobre pertencimento. As escolas disputam uma vaga no Grupo Especial de 2027, e o primeiro carro já sinalizou o tom da narrativa. Em entrevista ao CARNAVALESCO, componentes das primeiras alas falaram sobre o impacto da alegoria e a expectativa para a reação do público.

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Abre-Alas da Acari. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

A primeira alegoria representou a formação e o batismo do Grupo dos Novos, embrião do que viria a ser o Brasiliana. A proposta destacou o terreiro como espaço de formação artística e afirmação cultural, ponto de virada estética e identitária. Foi nos terreiros de candomblé que o grupo buscou a essência de sua musicalidade e de suas representações cênicas. 

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Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

No histórico Ilê de Joãozinho da Gomeia, integrantes foram batizados e passaram a integrar o núcleo artístico da companhia. A ambientação do carro evocava o xirê, reafirmando o sagrado como fonte criadora.

Na parte frontal do abre-alas, a representação de Exu, orixá da comunicação entre visível e o invisível, conduzia a narrativa visual. Frequentemente alvo de demonizações por uma cultura eurocêntrica, Exu surgia ali ressignificado, central e majestoso. 

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Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

Esculturas de homens negros, com trajes inspirados nos bailarinos do grupo, reforçavam a dimensão estética e política da obra. Estamparias e referências ao Ilê da Gomeia atravessavam a composição. No alto, a imagem de Joãozinho da Gomeia abençoava a cena, como símbolo de orientação espiritual e artística.

A imponência do abre-alas emocionou quem estava na concentração. “Espetacular! O carro é maravilhoso, ele é muito bonito, gigante. Ele é lindo mesmo. Imponente. Tem que pedir licença para Exu, abrir os caminhos. Quanto mais força a gente conseguir tirar de um terreiro, ou seja de qualquer outro local faz sempre bem pra gente”, afirmou Marcos Lima, 40 anos, técnico de informática. 

A fala traduz o sentimento de reverência e reconhecimento que tomou conta dos componentes. Para muitos, abrir caminhos é também afirmar identidade.

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Marcos e Marleno. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

Marleno, 46 anos, técnico de radiologia, também destacou a simbologia do momento. “O carro é muito bonito mesmo e é Exu, né. Abrir os caminhos para o Parque Acari. Abrir o desfile assim é uma energia muito boa. Exu é caminho aberto. Preconceito cultural sempre tem em relação a nossa religião, as pessoas têm a cabeça muito fechada”, contou. 

Já Gina Rumy, 47 anos, comerciante, ressaltou o impacto visual: “Essas cores vibrantes que chamam muita atenção e riqueza visual para a escola”. As declarações reforçam o orgulho coletivo que atravessa a comunidade.

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Gina e Tatiane. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

Para Tatiana Pereira, 44 anos, engenheira, o carro representou mais que estética. “Vendo a alegoria senti um destaque para nossa comunidade, sendo representada na Avenida. A emoção das pessoas que contempla tudo isso”, relatou. A presença de símbolos do terreiro no abre-alas foi compreendida como afirmação de protagonismo negro em um espaço de grande visibilidade. Ainda que não conhecessem a história do Grupo dos Novos antes de ela se tornar enredo, os entrevistados reconheceram a importância da narrativa. A Avenida, nesse sentido, se transforma em sala de aula e altar.

Ao levar para a Sapucaí a história de um grupo que encontrou nos terreiros a base de sua expressão artística, o Parque Acari transforma o sagrado em espetáculo sem esvaziá-lo de sentido. O abre-alas sintetiza a ideia de que o terreiro é também espaço de formação estética, política e comunitária. 

Entre esculturas, cores e símbolos, a escola reafirma que abrir caminhos é reconhecer as origens. Se depender da força evocada na concentração, Exu já cumpre seu papel. E a comunidade de Acari segue desfilando com fé, memória e afirmação cultural rumo ao sonho do acesso ao Grupo Especial.

Legado que ecoa na Avenida: União do Parque Acari exalta a arte negra como herança viva na Sapucaí

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A União do Parque Acari desfilou na noite desta sexta-feira, na Marquês de Sapucaí, pela Série Ouro, e foi a terceira escola a cruzar a Avenida em busca de uma vaga no Grupo Especial de 2027.

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Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

Com o enredo “Brasiliana”, desenvolvido pelo carnavalesco Guilherme Estevão, a agremiação levou para a Passarela do Samba uma celebração da arte negra brasileira e de seu legado. Em entrevista ao CARNAVALESCO, componentes das primeiras alas falaram sobre emoção, reconhecimento e a força transformadora da cultura, especialmente ao representar o encerramento do desfile com a ala “Legado à Arte Negra Brasileira”.

A proposta da ala parte de um princípio direto: o legado que continua nos palcos e na vida. Inspirada na trajetória da Brasiliana, grupo que por décadas encenou
manifestações culturais afro-brasileiras no Brasil e no mundo, a fantasia simboliza a semente plantada por esse pioneirismo. Dos palcos surgiram novos núcleos artísticos, como o Ballet Folclórico de Mercedes Baptista, o Teatro Popular Brasileiro de Solano Trindade e o Grupo Folclórico Senzala de Domingos Campos. Na Avenida, a narrativa ganhou corpo em cores, brilho e emoção.

Visualmente, a ala apostou nas cores da bandeira do Brasil como base, com predominância do verde, amarelo e azul, em diálogo com o dourado e o preto, que estruturam a estética da fantasia. Adereços na cabeça remetem à cena e à dramaturgia, enquanto bandeiras homenageiam grupos e movimentos artísticos inspirados pela Brasiliana. O conjunto reforça a ideia de que a arte negra conquistou espaço nos grandes teatros e reivindica, na Sapucaí, o reconhecimento desse protagonismo histórico.

A emoção tomou conta dos componentes: “A gente sente uma emoção, a fantasia é linda, uma emoção maravilhosa”, afirmou Dalva, doméstica, de 67 anos. Para ela, falar de legado é também falar de transformação. Ao comentar o avanço do protagonismo negro, destacou mudanças na educação e no tratamento, mas reforçou o desejo de evolução. “Espero que essa juventude de hoje aceite e respeite cada vez mais o nosso espaço”, completou.

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Dalva, 67 anos, doméstica, e Alberto Valadares, 65, autônomo
Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

Alberto Valadares, de 65 anos, autônomo, ressaltou o cuidado com o figurino e a responsabilidade de representar essa história na Avenida. “O ajuste, a dedicação, a perfeição e o cuidado com a fantasia foram perfeitos. Acredito que pode melhorar muito ainda (o progresso negro), colocando mais negros não só dentro do carnaval como na vida em um geral. Queremos ocupar todos os espaços”, declarou.

A arte como instrumento de transformação social também esteve presente nos relatos. Pedro Henrique, 47 anos, técnico de enfermagem, contou que participou de um projeto cultural no Complexo do Alemão em parceria com uma universidade, voltado à ressocialização de pessoas em situação de rua e em uso abusivo de drogas.

“Hoje temos negros dentro da comunidade, que mudaram de vida através do projeto que os inseriu dentro da faculdade”, destacou, conectando a experiência pessoal ao discurso da ala.

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Pedro Henrique, 47, técnico de enfermagem e Maria Clara, 29 anos, assistente social
Foto; Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

Já Maria Clara, de 29 anos, assistente social, afirmou que não conhecia a história da Brasiliana antes do enredo, o que a levou a refletir sobre o papel das escolas de samba na preservação da memória.

“A fantasia tá bem brilhosa, refletindo a cultura do teatro no Brasil. Eu não conhecia a história da Brasiliana antes do enredo, o que é louco, como a gente desconhece a nossa própria cultura, a escola de samba tem esse papel de trazer pra gente a história que ainda está ou ficou escondida”, analisou. Para ela, fechar o desfile com essa mensagem é simbólico. “A arte transformou a minha vida, no sentido da violência mesmo, nos faz ver além e levar a vida com mais leveza. Acho que tem que deixar a gente fazer Carnaval, porque ainda tem muito um lugar de inferiorizar o que a gente produz e reduzir nossos espaços. O carnaval é um lugar onde a gente ainda vê esse espaço e em expansão”, finalizou.

Conjunto estético se sobressai junto com comissão e casal em desfile da Parque Acari

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A União do Parque Acari trouxe para a Sapucaí um enredo cultural, importante e com forte valorização da cultura afro-brasileira, algo bastante característico na carreira do carnavalesco Guilherme Estevão. Com alegorias e fantasias de muito bom gosto, coloridas e com materiais de qualidade, o artista defendeu bem a história e o legado do grupo de teatro Brasiliana, mostrando a prometida evolução da escola, que no carnaval passado já contou com o talento do artista. Com destaque também para a comissão, que, de forma simples, mas com qualidade estética e performática, sintetizou bem o enredo, e o primeiro casal, que pisou com firmeza na Sapucaí, com coreografia mais clássica, mas com um bailado eficiente. Nos quesitos de chão, porém, a escola ficou abaixo, devendo no canto e na evolução, um pouco morna, faltando mais energia e espontaneidade.

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Fotos: Allan Duffes/CARNAVALESCO

Com o enredo “Brasiliana”, desenvolvido pelo carnavalesco Guilherme Estevão, a União do Parque Acari foi a terceira escola a passar pela Sapucaí na primeira noite de desfiles da Série Ouro, com o tempo de 54 minutos.

COMISSÃO DE FRENTE

Fábio Batista fez sua estreia na Parque Acari trazendo 15 componentes vestidos com o figurino “Templo ao Corpo Negro”, representando um itã do ritual da criação do mundo. A comissão relacionou a ancestralidade com os personagens do show tipicamente brasileiro. No início da coreografia, os componentes apresentaram a dança da criação, com o dom do ser humano de se mover de forma rítmica e expressiva. Esta dança foi representada como elemento de ligação entre o homem e sua ancestralidade.

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Em seguida, houve a transformação dos componentes em figuras importantes da cultura brasileira, como as cabrochas, a mulata e os malandros ancestrais. Depois, a capoeira também foi representada, com o clímax na aparição de Exu e, no final, com Olofin condecorando o show com sua presença e o globo terrestre em suas mãos, simbolizando os caminhos abertos para o espetáculo. A escola utilizou o tripé de forma competente para esconder os personagens e para que houvesse a troca de roupa, que no geral foi bem simples.

A indumentária e o tripé, mesmo sem apresentar grande luxo, eram de muito bom gosto e estavam bem terminados. O tripé também tinha um efeito de jogar papel picado, que depois acabava ficando para a dança do casal. Apresentação de qualidade na sintetização do enredo e no desenrolar performático dos bailarinos.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Renan Oliveira e Amanda Poblete estrearam como casal na Acari com a fantasia “Memória e Ancestralidade Afro-Brasileira”, representando justamente esses elementos como pilares da construção rítmica, expressiva e da forma de interpretação dos atores negros. A roupa fez referência a Exu, primeiro orixá da gira, que, a partir de suas cores, vermelho e preto, definiu a colorimetria da fantasia. Na apresentação, o casal optou por uma coreografia mais clássica, voltada para a valorização do pavilhão.

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Primeiro Casal da União do Parque Acari
Foto: Allan Duffes/CARNAVALESCO

Em um momento da dança, Amanda chegou a dar quase 18 giros seguidos, em um trecho com a troca do sentido dos rodopios. Renan soube se aproveitar bastante da fantasia, com a capa em godê e as calças mais sanfonadas, que abrilhantaram o efeito da dança. O mestre-sala também mostrou uma postura muito destacada no cortejo à porta-bandeira. Com um samba mais reto, a dupla manteve essa pegada mais clássica, permitindo-se um “passinho” diferente no trecho “tem frevo rasgado de sombrinha”, justamente quando a obra cita a dança popular de Pernambuco. Uma curiosidade, mais latente na primeira apresentação de julgamento, mas também nos outros módulos, foi que a comissão havia jogado bastante papel picado na pista. No momento da dança do casal, quando Amanda girava, o papel era levantado pela saia, produzindo um bonito efeito. Não ficou claro se foi proposital, mas abrilhantou a apresentação do casal.

Negritudes de Acari: Componentes se reconhecem em artistas do Teatro Experimental do Negro

HARMONIA

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Leozinho Nunes e Tainara Martins, em seu terceiro carnaval juntos na Amarela, Branca e Rosa da Zona Norte, mostraram maturidade e entrosamento. Foi muito positivo notar o crescimento de Tainara Martins a cada ano, que esteve o tempo todo com a voz firme, em diversos momentos arriscando a realização de terças e vocalizações de forma eficiente e pertinente ao samba. Leozinho, experiente, soube conduzir e, de forma solidária, sem vaidade, aproveitou o trabalho da colega, abrilhantando o rendimento dos dois. Bom trabalho do carro de som, apesar de o samba não ter conseguido “pegar” na Sapucaí. Já o canto dos componentes deixou a desejar. Era fácil notar diversas alas com vários integrantes passando sem sequer mexer a boca. O samba aparentemente não conseguiu atingir os componentes e talvez algumas fantasias mais pesadas também tenham influenciado no canto.

ENREDO

O enredo “Brasiliana”, desenvolvido pelo carnavalesco Guilherme Estevão, homenageou o primeiro emblemático grupo de teatro musical negro do Brasil, trazendo para a Sapucaí sua história, seus personagens e o protagonismo negro na brasilidade dessa arte. No primeiro setor, a Parque Acari apresentou o Grupo dos Novos surgindo a partir de dissidentes do Teatro Experimental do Negro. Neste setor, a escola fez um mergulho pelos terreiros da Baixada Fluminense, com a contribuição da cultura afro-brasileira para um universo que nunca esteve no teatro e a apresentação do batismo do Grupo dos Novos no terreiro de João da Gomeia.

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Em seguida, a Acari mostrou a formação do Teatro Folclórico Brasileiro, com a musicalidade do interior, principalmente do Nordeste, e manifestações como o frevo, a festa do coco, a capoeira e o maracatu. Por fim, a agremiação da Zona Norte demonstrou a formação do grupo propriamente dito, após o olhar de censura sobre o Teatro Folclórico Brasileiro, diminuindo-o como não representante da cultura brasileira. Nesta parte, o desfile apresentou o Brasiliana “batendo o pé” firme e levando para o mundo traços marginalizados da cultura nacional, com o afro-brasileiro popular na figura do samba. Apesar de não ser uma história tão difundida como a de outros grupos de teatro, a ideia da homenagem realizada por Guilherme Estevão se apresentou de forma clara e com fácil leitura. Enredo fora da caixinha, não óbvio, com desenvolvimento também fora do comum, mas de fácil compreensão.

EVOLUÇÃO

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A evolução da Parque Acari também foi um ponto abaixo do esperado. A escola não teve nenhum grande problema de buraco ou grandes espaçamentos, nem correria, mas faltou mais energia dos componentes e espontaneidade. Em diversos momentos, era possível perceber na fisionomia dos integrantes o ar de cansaço, talvez porque algumas fantasias, muito bem desenvolvidas, pareciam estar um pouco mais pesadas. Em boa parte do desfile houve preferência por alas muito enfileiradas, o que parecia tornar a apresentação mais engessada, sem que o componente demonstrasse liberdade para brincar o carnaval.

SAMBA-ENREDO

Desenvolvido em regime de encomenda pelos compositores Moacyr Luz, Fred Camacho e Gustavo Clarão, a obra teve um bom andamento da bateria, que não deixou um samba mais reto ficar monótono, embora apresentasse algumas partes melodicamente repetidas, como na cabeça do samba. A melodia é de fácil assimilação pelo componente, com estrofes bem marcadas no sentido de indicar para onde a obra vai, com subida inicial bem definida, andamento bem colocado e trechos melódicos no final que identificam a chegada de um clímax. No entanto, os refrões têm pouca explosão, são mais retos e sem uma diversidade melódica mais impactante que pudesse suprir essa falta de “subida”.

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A impressão nas estrofes era de que o samba iria acontecer nos refrões, como se fosse chamar com força, mas eles não se destacavam tanto quanto a obra vinha prometendo no restante da música. Por isso, talvez, não tenha havido grande interação com o público nem destaque expressivo no canto da comunidade. Desfile com grande riqueza de enredo acabou passando morno.

FANTASIAS

Pelo segundo ano consecutivo desenvolvendo o desfile da União do Parque Acari, Guilherme Estevão trouxe para a Sapucaí um conjunto estético com muita qualidade de cores, evitando tingir excessivamente as fantasias com as cores da escola, mas trazendo-as sempre de forma discreta e combinando-as com as outras tonalidades presentes no desfile, por terem mais relação com o enredo. Houve grande diversidade cromática, começando nos primeiros setores com tons mais claros e estampas afro.

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A primeira ala, “Teatro Experimental do Negro”, conseguiu relacionar o preto e branco com tons mais quentes, como amarelo e laranja nas penas, tudo isso com uma estampa afro. Neste trecho, destaque também para os passistas com a fantasia “Macumba”, que representou a fé afro-brasileira, muitas vezes perseguida, mas no teatro exaltada. A roupa era predominantemente nas cores de Exu, vermelho e preto. No segundo setor, o colorido tomou conta, como na Ala 10, “Frevo”, que mostrava uma das figuras representadas no Teatro Folclórico, o bailarino de frevo. Nela, Guilherme Estevão apresentou uma indumentária bastante colorida, com a famosa sombrinha na mão.

Logo em seguida, na ala “Brasiliana: danças e folias pelo mundo”, o carnavalesco utilizou o amarelo e o rosa da escola para retratar o folclore brasileiro pelo mundo. No final, trouxe um pouco do verde ao abordar temas mais indígenas, como nas alas “Caboclos” e “Cafezal”, e finalizou com estética mais carnavalesca ao retratar personagens típicos do carnaval, como na ala das baianas com a fantasia “Isso é samba”, representando a própria baiana carnavalesca com pano da costa, pompons, babados e as cores da União do Parque Acari. No geral, fantasias de muito bom gosto, boa volumetria, utilização de materiais não tão óbvios e criatividade.

ALEGORIAS

Guilherme também foi muito criativo nos carros, com capricho nas estampas laterais, esculturas bem feitas e desenvolvimento de elementos que eliminaram um pouco a estética mais “caixotão”. O abre-alas, “Grupo dos Novos: o batismo da Gomeia”, trouxe mandalas em movimento, produzindo um efeito interessante. O carro retratou o universo do candomblé e o batismo do Grupo dos Novos no terreiro de João da Gomeia, com elementos como a saudação a Exu. Foi uma alegoria com tons terrosos e quentes, referências à estamparia africana e à materialidade dos terreiros, com esculturas de expressões bem fortes e traço artístico bem definido.

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No segundo carro, “Teatro Folclórico Brasileiro: Cortejo do Maracatu”, a escola trouxe o rei do maracatu, interpretado por Haroldo Costa, por meio de um carro colorido, com estética nordestina e cenografia referenciada na época. A partir daí, o desfile ganhou mais colorido. Na última alegoria, “Brasiliana: o Carnaval Brasileiro pelo mundo”, a Acari mostrou a valorização do samba e a apresentação da figura do malandro e das cabrochas. A alegoria trouxe as cores da escola mais predominantes e talvez tenha sido aquela em que o carnavalesco optou mais pelo óbvio.

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OUTROS DESTAQUES

A bateria “Fora de Série”, dos mestres Erick Castro e Daniel Silva, veio com a fantasia “Ritos para um Rei Nagô”, inspirada no próprio Rei Nagô, figura presente no quadro da companhia de teatro. A rainha Luciana Picorelli veio de “Estrela dos Candomblés”, como protagonista da abertura dos atos de exibição do Teatro Folclórico nos palcos. No discurso, o presidente Carlos Eduardo Freitas, o Dudu, aproveitou a audiência para pedir ao poder público mais atenção às enchentes na região do Complexo do Amarelinho, em Acari, além de relembrar o intérprete Gilsinho, falecido no ano passado, que chegou a ser vice-presidente da escola.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Uniao do Parque Acari no desfile no Carnaval 2026

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Um desfile excelente da bateria da União do Parque Acari, sob o comando dos mestres Daniel e Erik. Uma conjunção sonora de raro valor foi produzida, com uma bela equalização de timbres, o que proporcionou fluidez musical entre todos os naipes. Bossas musicais e bem atreladas ao que o samba pedia foram exibidas com extrema precisão.

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Na parte da frente do ritmo, uma ala de tamborins de nítida virtude técnica tocou interligada a um naipe de chocalhos de boa coletividade. Uma ala de cuícas segura também auxiliou a preencher a musicalidade de grande qualidade das peças leves.

Na cozinha da bateria da Acari, uma bela afinação de surdos foi notada, causando uma equalização de timbres bem acima da média. Marcadores de primeira e segunda foram firmes e seguros. Surdos de terceira com ótimo balanço ajudaram a dar molho à parte de trás do ritmo. Repiques ressonantes e coesos exibiram bom trabalho junto de um naipe de caixas com musicalidade coletiva apurada. Simplesmente sensacional o preenchimento da sonoridade dos médios.

Bossas extremamente musicais foram exibidas corretamente, com direito a todos os gostos. A nuance rítmica de frevo rápida da segunda do samba só não encantou mais que o toque de Maracatu seguida de uma levada baiana, terminando com uma conversa rítmica extensa, apurada e de alto refino. Uma proposta de paradinha ousada, complexa e muito bem executada, mesmo diante de uma certa densidade musical.

Uma excelente apresentação da bateria da União do Parque Acari dos mestres Daniel e Erik, exibindo um ritmo que fez jus ao apelido da bateria, “Fora de Série”. Bem equalizada e equilibrada, a fluência rítmica entre as diversas peças foi um dos pontos altos de uma bateria da Acari com camadas musicais muito bem definidas. Uma boa apresentação ocorreu na primeira cabine, seguida de uma exibição irretocável no segundo módulo de julgador. Na última cabine, mais uma apresentação de imensa qualidade foi realizada, num desfile com potencial para brigar pela pontuação máxima, quiçá disputar eventuais premiações.

Abrindo caminhos: Renan Oliveira e Amanda Poblete apresentam União do Parque Acari com a força de Exu

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O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da União do Parque Acari,Renan Oliveira e Amanda Poblete, abre os caminhos na Passarela do Samba com a força de Exu. A agremiação leva para a Marquês de Sapucaí o enredo “Brasiliana”, de autoria do carnavalesco Guilherme Estevão.

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Primeiro Casal da União do Parque Acari
Foto: Allan Duffes/CARNAVALESCO

Peça essencial no panteão afrorreligioso, Exu é o primeiro orixá, saudado e alimentado primeiro em cerimônias religiosas. Responsável pela comunicação, tem as ruas e encruzilhadas como ponto de força e, muitas vezes, é mal interpretado pela cultura dominante. Assim como em Brasiliana, os primeiros representantes do pavilhão no panteão da escola representam e reforçam o verdadeiro significado da divindade.

“Representar Exu, eu não tenho palavras para isso. Representar um orixá, eu acho que é uma bênção, de fato, divina.Então,eu não poderia estar mais feliz e mais lisonjeada”, disse a porta-bandeira.

“E a gente ficou muito feliz. Principalmente sendo da religião, cultuando Exu também nas nossas casas. É tratar com respeito e representar uma entidade tão importante pra nós. Exu é vida, Exu é caminho e Exu, se Deus quiser, vai nos dar aí os 40 pontos e tudo o que a gente merece”, somou o mestre sala.

Com a responsabilidade de representar o orixá e conciliar o bailado, o casal resguarda a dança tradicional, apesar da adição de elementos da dança afro, características da enérgica divindade.

“Nós não exageramos, mas colocamos sim alguns passos característicos da dança de Exu. Nós tentamos ao máximo dividir também, sabendo que aqui é uma representatividade carnavalesca, que nós não estamos vestidos de orixá, estamos vestidos com uma ideia do orixá. A gente soube dividir bem essas coisas e é um bailado clássico de mestre-sala e porta-bandeira”, afirmou Renan.

Com um enredo que exalta artistas em lugares de destaque, a identificação e honra para artistas do samba, representantes de um pavilhão não poderia ser diferente. Renan fala sobre a emoção de fazer parte de um enredo que valoriza artistas negros que abriram caminhos, fundamentais para seu trabalho com arte hoje.

“É uma representatividade grande. Hoje, eu viajo bastante, eu faço muitas coisas. Inclusive, pelas outras agremiações, que é a Mangueira, representando esses percussores que começaram essa história lá atrás. Montaram um show com características brasileiras, com características das danças que a gente gosta, da nossa dança, da nossa cultura, levaram esse show à frente e viajaram para todos os países”, compartilhou Renan.

O casal vive o primeiro ano da parceria defendendo o pavilhão da União do Parque Acari. Renan também é 2º mestre sala da Mangueira, e Amanda chega à escola com 17 anos de carreira e passagens por escolas como Viradouro, Vila Isabel, Renascer de Jacarepaguá e Tuiuti. Felizes com o trabalho construído e com bailado bem casado, compartilham que a parceria foi formada com dedicação.

“Com muito trabalho, com muito suor, mas com muita felicidade, com muita alegria, muita consciência de que é um trabalho coeso, um trabalho compacto que a gente vai apresentar aqui na avenida hoje”, contou Amanda.

Conjunto visual irretocável e bateria empolgante marcam estreia da Mocidade Unida da Mooca no Grupo Especial

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Abrindo os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial em 2026, a Mocidade Unida da Mooca se apresentou, na última sexta-feira, no Sambódromo do Anhembi. Foi a estreia da comunidade da Zona Leste na elite da folia paulistana, e sua apresentação foi marcada pelo belo conjunto visual e a apresentação impactante da bateria. Os portões foram fechados após 65 minutos de desfile na Avenida, depois da MUM apresentar o enredo “Gèlèdés – Agbara Obinrin”, assinado pelo carnavalesco Renan Ribeiro.

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É inegável que a Mooca realizou uma das aberturas mais impactantes da história do Grupo Especial, e o fato de ser só seu primeiro ano eleva ainda mais essa boa impressão causada. O conjunto narrativo, que envolve samba, comissão de frente, alegorias e fantasias, cumpriu seu papel com louvor não apenas pelo aprendizado histórico, mas pelo luxo e zelo no acabamento da parte visual. Mas a parte técnica do desfile comprometeu o desempenho de alguns quesitos importantes, e os jurados podem acabar punindo o espetáculo apresentado pela MUM por conta disso.

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Sabrina Cassimiro, a comissão de frente da Mooca apresentou “A Criação do Mundo”. A proposta foi representar o surgimento do universo segundo a tradição iorubá, destacando o papel primordial das energias femininas. A dança referenciou os estados iniciais da criação, transitando entre o caos primordial e a formação de uma ordem vital. Os figurinos remeteram às substâncias elementares e enfatizaram a presença do princípio feminino como agente de dinamização. Um grande tripé atuou como “símbolo criacional”, representado por uma mão gigante erguida sob o mundo em formação.

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O que mais chamou atenção na apresentação foi a estética. As fantasias estavam irretocáveis, e a alegoria do quesito era rica em detalhes e com apostas interessantes, como as placas contendo água corrente dentro. A coreografia também causou uma boa impressão, ocorrendo não apenas dentro da proposta do samba, mas também acompanhando seu ritmo. Uma excelente abertura de desfile da estreante do Grupo Especial.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O primeiro casal da Mooca, formado por Jefferson Gomes e Karina Zamparolli, desfilou com fantasias que representaram “Gèlèdé: O Sagrado Secreto do Existir”. É preciso ressaltar que houve uma mudança na posição da cabine de julgamento em relação aos desfiles do Grupo de Acesso II, e a formação da escola na Avenida, dentro da proposta de desfile, impactou a apresentação da dupla.

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Tudo ocorreu dentro dos conformes nos módulos um e três, onde a coreografia foi bem executada e chamou atenção pelo fato de ocorrer dentro do ritmo do samba. Mas durante a apresentação do casal diante do módulo dois, foi o momento em que a escola parou para executar um “pagode” junto à bateria, durante uma passagem inteira do samba. O casal precisou se apresentar ininterruptamente diante do jurado, aumentando o tempo de avaliação na área central da Avenida. No decorrer do desfile, a escola se viu obrigada a acelerar o andamento para fechar os portões no tempo regulamentar, o que também comprometeu a apresentação diante do módulo quatro, que também será um ponto de atenção para a escola no dia da apuração.

HARMONIA

A comunidade da MUM pisou na Avenida para realizar o sonho de desfilar no Grupo Especial, e o que se viu foram componentes empolgados pela estreia na parte inicial do desfile, enquanto o andamento inicial estava tranquilo. Conforme a escola precisou acelerar, o vigor do canto sofreu uma queda, mas não causou um impedimento de canto, permitindo à Mooca respeitar as obrigatoriedades do quesito de forma satisfatória.

ENREDO

“Gèlèdés – Agbara Obinrin” é um enredo que se inspira no trabalho social do Instituto Geledés, organização que atua em defesa das mulheres e pessoas negras, para exaltar a importância da figura feminina. A narrativa começa na criação do universo segundo a crença iorubá, passa pelos relatos históricos de luta das mulheres negras ao longo dos séculos e chega à atualidade, representada nas ações promovidas pela ONG. A ideia de partir de uma causa séria para narrar uma crença religiosa que manteve viva a chama da esperança de povos escravizados e, em seguida, retratar a realidade contemporânea é criativa e marcada por grande sensibilidade.

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Na Avenida, o enredo foi bem apresentado na combinação do samba e o conjunto visual. Era possível ler com clareza os elementos narrativos durante a travessia da MUM, que teve no quesito um de seus principais destaques.

EVOLUÇÃO

O quesito foi o calcanhar de Aquiles da Mooca no desfile. A começar pelo fato de a escola ter de fato iniciado sua apresentação com o cronômetro marcando cerca de três minutos. Conforme foi passando pela Avenida, foi-se percebendo um início mais lento que o esperado, ainda mais para uma escola que nos ensaios mostrou ter um grande contingente. Mesmo diante desse detalhe, a MUM ainda parou na pista por cerca de uma passagem inteira do samba para se apresentar para o público da Monumental. A Mooca demorou para ultrapassar a marca central da pista, com o carro Abre-alas ultrapassando essa marca na faixa dos 30 minutos. O andamento precisou acelerar, causando dificuldades para os componentes brincarem o carnaval. O fechamento dos portões com 1 hora, 5 minutos e 40 segundos evidencia que a estratégia adotada não foi das melhores.

SAMBA-ENREDO

O samba da MUM para o Carnaval de 2026 é assinado por Lucas Donato, Gui Cruz, Aquiles da Vila, Fabiano Sorriso, Marcos Vinicius, Vitor Gabriel, Biel, Mateus Pranto e Willian Tadeu. Na Avenida, o carro de som da Mooca foi liderado pelos intérpretes Sté Oliveira, Emerson Dias e Gui Cruz. É um samba que segue o método mais clássico de construção, por ter sido composto a partir da ideia do enredo, e não de uma sinopse já desenvolvida, que surgiu apenas posteriormente no processo criativo.

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A aposta permitiu à obra ganhar vida a cada verso escrito, aproveitando a expertise de um grupo de compositores veteranos e consagrados para se manter dentro de uma estrutura contemporânea. Os momentos retratados no samba se comunicam com cada parte do visual apresentado por um apego raramente visto na atualidade, e formaram na Avenida um conjunto não apenas narrativo e histórico, mas dançante, provocante, incitando o público a cantar e desfilar junto com a escola.

O principal destaque do quesito talvez não tenha vindo de dentro da Avenida, mas sim das arquibancadas. A arrancada do samba foi com um apagão, e o que se viu foi o público cantando com muita força, evidenciando a popularidade da obra. Dentro da pista, a letra corresponde claramente com o conjunto visual, e o desempenho do carro de som foi empolgante, em especial na combinação com a bateria da escola.

FANTASIAS

Através de suas alas, o conjunto de fantasias da Mooca se propôs a mostrar com profundidade cada elemento da narrativa do enredo. Da Ala 1 à 4, foram retratados os personagens da crença iorubá desde a criação até o momento em que cruzam o mar na época da diáspora. Chama a atenção que, mesmo retratando esse momento sofrido, as fantasias transmitem uma mensagem serena, como se fosse parte de um ciclo onde a cultura iorubá se expande para novas terras. Da Ala 5 à 10, nota-se uma mistura de elementos, já narrando personagens de destaque e culturas desenvolvidas em terras brasileiras. As demais oito alas fixas retratam a luta ao longo dos anos, com destaque para projetos do Instituto Gèlèdés.

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O acabamento das fantasias é digno de aplausos. Os materiais utilizados foram incomuns, e eram tão belos que tornaram a Passarela do Samba um desfile de alta costura. O capricho estava explícito, e o melhor é que a leitura das vestimentas foi fácil e os desfilantes conseguiam brincar o carnaval sem dificuldades. O quesito foi um dos principais destaques da apresentação da Mocidade Unida da Mooca.

ALEGORIAS

A MUM apresentou na Avenida um conjunto formado por quatro carros alegóricos. São eles: O Abre-alas, “Agbara Obinrin assentando o poder feminino ancestral”, que representou a força vital, espiritual, política e civilizatória que emana das mulheres negras e organiza a vida no universo iorubano e afro-diaspórico. O Carro 2, “Atlânticas – O caminho de volta se dá pelo mar”, que retratou o deslocamento e a permanência das forças femininas negras no território afro-atlântico. O Carro 3, “Trincheiras brasileiras – Mulheres negras e revoluções”, evidenciou a atuação das mulheres negras como agentes centrais das transformações sociopolíticas no Brasil. Por fim, o Carro 4, “Gèlèdés na rua: ouçam nossas vozes!”, foi a grande exaltação ao Instituto Gèlèdés como força política ativa no espaço público.

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Cada alegoria procurou se encaixar no conjunto de fantasias de modo a transicionar os momentos narrativos e obteve êxito ao preparar o público para cada ato do desfile da escola.

O capricho estético visto nas fantasias foi o mesmo das alegorias. Ricas em detalhes, e com soluções inteligentes de materiais, os carros conseguiram reproduzir o proposto pelo enredo com clareza e beleza. A única observação vai para bandeiras com fotos de personalidades do Carro 4, onde percebeu-se que algumas delas passaram um pouco enroladas. Tirando este detalhe, mais um quesito muito bem apresentado pela Mooca

OUTROS DESTAQUES

E que destaque! A bateria “Chapa Quente”, do premiado mestre Dennys Silva, fez o que quis com o samba da Mocidade Unida da Mooca. Uma fartura de bossas foi apresentada, graças às possibilidades que a obra permite. Apagões foram executados e respondidos não apenas pelos desfilantes em pista, mas também pelo público das arquibancadas. Durante a passagem pela Monumental, os ritmistas fizeram uma espécie de “pagode” que empolgou os espectadores.

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E o que falar da Rainha Valeska Reis, que não apenas conquista os olhos com muito samba no pé, mas contribuiu para o fechamento adequado do espaço deixado pelo seu quesito durante o recuo. Uma apresentação digna de ser um dos principais destaques do desfile de estreia da MUM no Grupo Especial de São Paulo.

Unidos de Padre Miguel 2026: Galeria de fotos do desfile

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Componente Fala! Comunidade do Jacarezinho transforma perdas em resiliência no retorno à Sapucaí

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A temporada 2026 da Unidos do Jacarezinho foi marcada por dois incêndios: um no barracão, em outubro, e outro na quadra da escola, há pouco mais de uma semana, que resultou na destruição de 12 alas a apenas oito dias do desfile oficial.

O impacto material foi imediato. O emocional, mais profundo ainda. Às vésperas do retorno à Marquês de Sapucaí após 12 anos, a escola precisou reconstruir fantasias, reorganizar alas e reafirmar sua própria existência. Na concentração, antes de cruzar a Avenida, o que se via era uma comunidade que transformou o trauma em combustível.

Antes de pisar na avenida, as referências aos incêndios surgiam espontaneamente nas conversas, mas eram acompanhadas por abraços, ajustes coletivos de fantasia e palavras de incentivo. O clima emocional misturava lembrança da perda e orgulho pela reconstrução possível em tão pouco tempo.

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ANGELO CAMPEAO
Ângelo Campeão. Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Compositor há duas décadas na agremiação, Ângelo Campeão, 58 anos, relembrou o momento em que soube do incêndio. “Eu senti como se uma parte da nossa história estivesse sendo ameaçada. Quando você está há 20 anos dentro de uma escola, entende que cada fantasia carrega o esforço de muita gente. Não é só material, é memória, é dedicação. Fiquei profundamente entristecido porque a gente vinha construindo um trabalho muito bonito”, afirmou.

Questionado se em algum momento acreditou que o desfile poderia não acontecer, foi direto: “A apreensão existe, claro. Mas eu conheço essa comunidade. A Jacarezinho sempre encontrou força na dificuldade. Eu nunca achei que a escola fosse deixar de desfilar. Pode não ser como foi idealizado, mas acontece com verdade”, declarou.

Sobre o significado pessoal de atravessar a Sapucaí depois dos incêndios, ele completou: “Voltar já seria especial depois de 12 anos. Voltar depois de enfrentar dois incêndios é uma afirmação de permanência. Para mim, que tenho essa trajetória na escola, é um dos momentos mais simbólicos que já vivi aqui”, concluiu.

LEONARDO DUTRA
Leonardo Dutra. Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Leonardo Dutra, 39 anos, músico e há cinco desfiles na escola, também descreveu o primeiro impacto.

“Foi uma notícia muito dura. A gente sabe o quanto cada ala representa para quem está ali. Saber que 12 alas foram destruídas a poucos dias do desfile é algo que mexe com qualquer um”, afirmou.

Ele admitiu que a dúvida atravessou os primeiros instantes. “Passa pela cabeça se vai dar tempo, se vai ser possível reorganizar tudo. Mas rapidamente a gente viu a mobilização acontecer. Teve gente que não dormiu, que se ofereceu para costurar, ajustar, resolver o que fosse preciso”, relatou.

Para Leonardo, o momento é histórico. “Estar aqui hoje representa resistência. Não é só cantar um samba. É ocupar novamente um espaço que a escola ficou 12 anos sem pisar. Depois do que aconteceu, o desfile ganha uma dimensão ainda maior”, afirmou.

VERA CICARELLO
Vera Cicarello. Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Vera Cicarello, 41 anos, professora e há três anos na escola, contou como recebeu a notícia do incêndio. “Eu fiquei muito chateada porque, particularmente, esse ano achei o samba-enredo maravilhoso, estava muito feliz com a homenagem ao Xande. Saber que as fantasias foram queimadas, foram destruídas, é muito triste porque é o trabalho de um ano inteiro de uma comunidade. É realmente lamentável que isso aconteça ano após ano”, afirmou.

Questionada se temeu que o desfile não ocorresse, Vera explicou: “Não cheguei a achar que não fosse acontecer porque senti que a comunidade se uniu. As informações que a gente tinha eram de que ia se dar um jeito. Claro que dá aquela apreensão, mas eu senti que a gente desfilaria”, declarou.

Para ela, o momento também carrega um significado pessoal. “É a minha primeira vez desfilando na Sapucaí, porque nas outras vezes desfilei na Intendente. Só isso já seria especial. Diante dessa superação toda, fica ainda mais marcante. Acho que vai ser um desfile inesquecível”, concluiu.

ANDERSON DE CARVALHO
Anderson de Carvalho. Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Anderson de Carvalho, 44 anos, músico e estreante na escola, viveu tudo com intensidade redobrada. “Eu senti tristeza, claro. Pensar que tantas pessoas perderam suas fantasias tão perto do desfile é muito duro. Mas também senti uma vontade enorme de ajudar”, afirmou.

Ele reconheceu que a dúvida apareceu. “Por um instante a gente pensa se vai ser possível. Mas a reação da comunidade foi imediata. Ninguém falou em desistir”, relatou.

Sobre o que representa estar nesse momento, Anderson destacou o pertencimento. “Estrear na escola já seria especial. Estrear em um contexto de superação faz a gente entender o que é comunidade de verdade. Eu me senti parte de algo maior”, afirmou.

HENRIQUE ARCANJO
Henrique Arcanjo. Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Henrique Arcanjo, 37 anos, músico e estreante na Bangu, também descreveu o impacto inicial: “Quando eu soube do incêndio, senti indignação e impotência. É difícil aceitar que tanto esforço seja interrompido dessa forma”.

Perguntado se acreditou que o desfile poderia ser comprometido, respondeu com firmeza. “Em nenhum momento achei que a escola fosse recuar. A mobilização foi imediata. Eu vi gente que tinha perdido praticamente tudo voltando no dia seguinte para reconstruir”, declarou.

Para Henrique, atravessar a Sapucaí nessas circunstâncias é simbólico. “Para mim, que estou chegando agora, representa honra e responsabilidade. A gente não entra só para desfilar. A gente entra representando uma comunidade que decidiu permanecer”, concluiu.

Simbolismo, cultura e história: Alegoria retrata o famoso toque de alvorada e as festas populares de Olinda

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No Carnaval 2026, a Caçula da Baixada levou à Marquês de Sapucaí um enredo inspirado na cultura pernambucana e na música “Pagode Russo” de Luiz Gonzaga. “O sonho do tal pagode russo, nos frevos do meu Pernambuco”, foi idealizado pelo carnavalesco Edson Pereira e foi o segundo enredo apresentado na noite desta sexta-feira. A alegoria 03 representa o fervor da cultura pernambucana, o momento em que a dança e as festividades se tornam um movimento de resistência criado pelo povo.

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Terceira alegoria da Inocentes de Belford Roxo
Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

A professora Maira Norato, de 24 anos, desfilou pela primeira vez na Inocentes de Belford Roxo e comentou sobre o momento.

“Eu sou uma grande defensora da cultura e acho que é tudo muito natural. Acredito que a cultura surge dessa forma natural, mas ela também surge a partir de quando é provocada. O carnaval é uma cultura muito periférica, uma cultura favelada, uma cultura preta. E vem exatamente dessa provocação dos que não poderem comemorar o carnaval ser a nossa grande festa. Trazer o frevo, trazer uma cultura de fora, a chegada dos russos também. Eu achei genial o samba falando sobre o kizar, a balalaika, todas as referências. O samba está rico demais, e trazer o frevo, que também é um Carnaval de outro estado, foi uma provocação muito grande. Eu adorei”, revela a professora.

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Maira Norato, de 24 anos
Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

“A rua é o Carnaval, né? O carnaval começou na rua, por mais que a gente esteja aqui na Sapucaí, né? Lá em Olinda ainda vive-se muito o carnaval de rua, aqui no Brasil também, aqui no Rio também com os blocos, mas a Sopcaí eu acho que se associa um pouco também essa festividade ainda da rua”, diz Maira sobre a importância da rua para o Carnaval.

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Gleidson Táqueo, de 36 anos
Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Gleidson Táqueo, de 36 anos e professor, também está em seu primeiro desfile na agremiação.

“Eu acho que toda criação nasce do nada. E do nada e do tudo ao mesmo tempo, porque tem que ter pessoas. É a mesma coisa que o carnaval, tem que ter pessoas para isso acontecer. Ela surge do nada e do tudo ao mesmo tempo. O tempo nasceu nas ruas, no meio de encontro de culturas e da rua” diz Gleidson.

O professor ressaltou a importância da imagem do Galo para a cultura pernambucana.

“O galo é da cultura nordestina, de Pernambuco. Ele é o início e o final do Carnaval, né? Porque ele é colocado antes do Carnaval e só é retirado depois. E aí, quando ele canta de novo no final, é que está terminando a festa”, analisa o professor.

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Ana Nascimento, de 42 anos
Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Já Ana Nascimento, empresária de 42 anos, também está em seu primeiro desfile pela agremiação. Para ela, o Carnaval brasileiro é uma expressão popular e de diversidade.

“A força da rua do Carnaval é imensa, porque o Carnaval é uma expressão, é uma forma de se expressar, do que a gente pensa, do que a gente é, o ser brincante. É enaltecer cada vez a cultura popular que vêm da rua, das pessoas, da diversidade. Aqui no Carnaval, no meio da multidão não existe distinção: é rico, é pobre, é tudo. É cultivar essas pessoas que são tão plurais, mas que ao mesmo tempo em prol do carnaval elas se unem para fazer essa festa linda”.

Ainda em sintonia com o enredo e com a representação do carro, Ana revelou que participar do Carnaval de Olinda era um sonho de infância. Ela esteve na folia em 2013.

“A primeira vez que eu fui pra passar o Carnaval em Olinda tive o prazer, que era o meu sonho, de conhecer o bloco do Galo da Madrugada. Eu, quando era pequena, era enlouquecida pelo Galo. Via pela televisão, e falei: ‘quando eu crescer vou para Pernambuco’, e eu fui, e foi uma experiência maravilhosa”, conta.

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Eduardo Martins, de 55 anos
Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

O piauiense Eduardo Martins, de 55 anos, desfila na agremiação há 5 anos. Ele conta que vem todos os anos ao Rio de Janeiro para viver esse momento com a agremiação. Para ele, o frevo representa movimento, velocidade, musicalidade e alegria.

“Eu sou nordestino, sou do Piauí. Lá, a gente tinha os festejos juninos e também as festas ligadas às santidades religiosas católicas: Festa de Santo Antônio, festa de São Gonçalo, festa de São Benedito. Todas essas festas têm todos esses mesmos componentes do frevo. A musicalidade, o movimento e a alegria”, detalha Eduardo.

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Maria Eduarda, de 21 anos
Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

A estudante de direito, Maria Eduarda, de 21 anos, está em seu quinto ano desfilando pela Inocentes e também comentou sobre o enredo e o frevo:

“A gente estar do lado de alguém que a gente gosta, compartilhar um sentimento junto. O frevo é isso tudo, é um calor, é aquele sentimento, é energia. Se não fosse a rua, não tinha o frevo, não tinha a dança, a cultura, a bagunça. A rua tem uma importância absurda no Carnaval, no frevo, porque ela que faz a energia. Só de falar eu fico até arrepiada. A energia da rua é de total importância” comenta Maria Eduarda.