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Beija-Flor transforma a Sapucaí em mar sagrado e encerra desfile como oferenda ao Bembé do Mercado

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A Beija-Flor de Nilópolis encerrou seu desfile na Marquês de Sapucaí convertendo a avenida em oceano, altar e território de memória. O último carro alegórico não desfilou, navegou. Avançou como um grande balaio que cruza as águas do Recôncavo Baiano para entregar à avenida o presente mais precioso: o sagrado do Bembé do Mercado.

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“Um presente nilopolitano no mar da Sapucaí” é o nome da terceira alegoria da Beija-flor. Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Nascido há mais de um século em Santo Amaro da Purificação, o Bembé ocupa as ruas como gesto coletivo de fé e liberdade. Criado por João de Obá logo após a abolição formal da escravidão, ressignificou o 13 de maio não como concessão do Estado, mas como rito de louvor às divindades, especialmente Iemanjá e Oxum. Se a lei veio pela caneta, foi o corpo negro reunido em celebração que construiu caminhos concretos de existência, pertencimento e continuidade.

Reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Bahia e do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Bembé é considerado o maior candomblé de rua do mundo. Na Sapucaí, sua força ancestral ganhou dimensão de vitrine internacional.

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Luana Maria. Foto: Juliane Babosa/CARNAVALESCO

O carro final materializou essa travessia. Espelhado como água viva, era o próprio oceano que abriu o desfile e, ao final, o acolheu de volta. No alto, Iemanjá e Oxum giravam sobre o mar cenográfico, abençoadas pelo beijo simbólico de um beija-flor que costurava rio e mar, Recôncavo e Baixada Fluminense, Bahia e Nilópolis. O carro era espelho, templo e balaio. Nele, o povo depositava vitórias, dores, promessas e gratidão. O desfile se encerrou como começou: em oração.

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Katiuscia Ribeiro. Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Para quem desfilava, a responsabilidade ia além do espetáculo.

Luana Maria, 45 anos, stylist, figurinista e componente da escola há três anos, destacou a dimensão espiritual da apresentação:

“A celebração da vida já é uma grande oferenda e uma energia vital. Estar vivo e celebrar nossa religiosidade numa escola tão grandiosa é um presente. Carregamos o nome dos orixás da nossa casa de santo através do corpo, então precisamos estar preparados com postura e imponência”, disse.

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Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

A professora Katiuscia Ribeiro, 45 anos, definiu o desfile como marco político e espiritual: “Nós fomos inundados por um axé de transformação numa sociedade que nega a nossa presença e a nossa espiritualidade. A Beija-Flor fez um manifesto vivo de axé e de existência. Deixar as águas do Bembé na Sapucaí foi fertilizar um novo horizonte de respeito à nossa fé e à nossa liberdade de viver o sagrado”, afirmou.

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Flávia Oliveira. Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Para a jornalista Flávia Oliveira, 56 anos, que desfila pela escola desde 1999, o momento teve dimensão íntima e ancestral. Filha do Recôncavo Baiano e beija-flor desde a infância, viveu na avenida o encontro de suas duas origens.

“Eu sinto o encontro de Bembé e Nilópolis no meu corpo e na minha alma. É a união da escola que amo com a terra onde nasci. É responsabilidade, mas também escolha política de valorizar nossa cultura e exigir respeito à nossa religiosidade”, comentou.

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Roberto Chaves. Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Diretamente de Santo Amaro para a avenida, o artista Roberto Chaves, 57 anos, que mora na França, atravessou o oceano para participar do desfile.

“Eu vim por causa da homenagem ao Bembé do Mercado, à minha terra. Hoje foi uma reparação simbólica para o povo negro, porque o mundo inteiro pôde ver um Bembé com mais de um século de existência chegar à Sapucaí. É a melhor vitrine para mostrar nossa história”, afirmou.

Ao levar o Bembé do Mercado para a Marquês de Sapucaí, a Beija-Flor reafirmou o carnaval como território legítimo da memória negra. Transformou a avenida em extensão simbólica do Largo do Mercado de Santo Amaro. Fez da arte gesto de devoção e do samba herdeiro direto das matrizes africanas que estruturam o Brasil.

‘Fertilidade das Águas’: Aline Daflor transforma maternidade em legado de amor à Beija-Flor de Nilópolis

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O corpo que abre caminho também carrega história. Na Beija-Flor de Nilópolis, o destaque de chão “Fertilidade das Águas” anuncia a força primordial que antecede a entrega do presente às Yabás. É símbolo de renovação, continuidade e vida. E quem assume esse posto é Aline Daflor, componente da escola e mãe da rainha de bateria Lorena Raíssa.

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Aline Daflor estreou como destaque de chão da Beija-flor. Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

O convite veio após um vídeo viralizar nas redes sociais: mãe e filha sambando juntas na quadra, em um momento espontâneo que emocionou a comunidade e chamou a atenção do presidente da escola. O gesto virou reconhecimento.

Aline conta que recebeu o convite com surpresa e emoção

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Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

“Foi uma surpresa. A gente estava em uma reunião e, de repente, o presidente Almir me chamou e fez o convite. Perguntou se eu aceitava. Como eu ia dizer não? É a minha escola, é a coisa que eu mais amo, é sambar. Claro que eu aceitei”, contou emocionada.

A fantasia utilizada no desfile representa a força que gera e transforma. Para Aline, essa simbologia dialoga diretamente com sua própria trajetória.

“Eu acho que mãe negra, guerreira, trabalhadora… eu me sinto muito bem representada. É uma fantasia que fala de força, de continuidade. E eu me vejo nisso”, disse a destaque da última alegoria da escola. 

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Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

O vídeo ao lado da filha foi o ponto de virada. O que era apenas uma brincadeira virou fenômeno.

“Foi um vídeo de brincadeira, como a gente sempre faz. Só que dessa vez era com uma rainha. Aí virou um boom, chamou muita atenção. Eu só tenho a agradecer a Deus e aos orixás, porque recebi muitos elogios. A gente vê tanta maldade na internet, mas eu só estava brincando. De repente, acordei e disseram que o vídeo tinha viralizado. Eu nem entendo dessas coisas. Foi muito gratificante, principalmente pelo reconhecimento. Aqui na escola, a gente respeita todo mundo, seja do faxineiro ao presidente. O respeito é mútuo”, comentou. 

Encerrando o desfile da Beija-Flor como destaque de chão, Aline sabe que o momento será intenso.

“Eu vou entregar todo o carinho que estão me oferecendo. Muito respeito à minha escola. Eu chorei, chorei muito. Mas saibam que o meu foi dado pela comunidade”, finalizou.

Mocidade celebra a leveza e a liberdade no tributo feito a Rita Lee na Ala 21

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Primeira escola a cruzar a Marquês de Sapucaí nesta segunda-feira (16), no segundo dia do Grupo Especial, a Mocidade Independente de Padre Miguel abriu a noite com um tributo vibrante a Rita Lee. Com o enredo “Rita Lee, a Padroeira da Liberdade”, assinado pelo carnavalesco Renato Lage, a verde e branca levou para a Avenida diferentes facetas da artista. Entre elas, a Ala 21, “Quero Mais Saúde”, destacou o lado leve, bem-humorado e otimista da cantora nos anos 1980.

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A proposta da ala partiu de um gesto icônico de Rita em cena, quando brincava com exercícios e alongamentos durante os shows, transformando o próprio corpo em linguagem artística. A fantasia traduziu esse movimento como expressão de liberdade, energia e alegria. Em tempos de excesso de opiniões e “lero-lero”, como a própria Rita ironizava, celebrar a vida tornou-se um posicionamento.

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Componentes ouvidas pelo CARNAVALESCO opinaram e para a maioria delas desfilar representou mais do que participar de um espetáculo. Foi uma afirmação de identidade, independência feminina e liberdade de ser e fazer o que tiver vontade.

“Eu sou o que eu sou, levo minha vida do jeito que eu quero e não me importo com ninguém. Acho que cada um tem mais é que viver a sua própria vida. Eu vivo a minha e não me importo com a dos outros”, afirmou Ana Claudia Vianna, 56 anos, autônoma, estreando na Sapucaí. Sobre Rita, completou.

“Ela era muito original, ela era o que era e não se importava com a opinião dos outros”. A fala sintetiza o espírito da ala, que apostou na autenticidade como forma de resistência.

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Com dez anos de desfile, Antônia de Maria, 57, também reforçou a centralidade da autonomia pessoal.

“Não me importo com a opinião dos outros, me importo com a minha. Nesse mundo o que importa é você ser feliz, fazendo o que bem entender”, declarou. Na mesma linha, Maria Nilza dos Santos, 69, aposentada, ressaltou equilíbrio e autocuidado.

“Costumo levar a vida com mais leveza, mas pensando em mim primeiro”.

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A experiência acumulada de quem atravessa décadas na Avenida também apareceu no discurso de Marisa Dias, 66, com 38 anos de desfile.

“Eu sou mais eu, não me importo o que pensem. Acho que a Rita deixou muito disso, de sermos o que a gente é, não importa o que os outros pensem”, disse.

Já Glauciane Oliveira, 46, destacou a importância de agir sem medo.

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“Levo a vida com muita leveza e acho que a melhor coisa que podemos fazer é isso, viver. Quando a gente pensa muito, acaba não fazendo. Então vamos pensar menos e viver. Rita transcendia felicidade naturalmente, ela deixou esse exemplo”.

Trazendo a Padroeira da Liberdade para a Avenida, a Mocidade reafirmou que a Sapucaí e o carnaval também são espaços de liberdade e pertencimento femininos, de quem escolhe viver com autenticidade assim como a homenageada.

Beija-Flor 2026: galeria de fotos do desfile

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Beija-Flor transforma a Sapucaí em mar sagrado e encerra desfile como oferenda ao Bembé do Mercado

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A Beija-Flor de Nilópolis encerrou seu desfile na Marquês de Sapucaí transformando a avenida em oceano, altar e território de memória. O último carro alegórico não desfilou: navegou. Avançou como um grande balaio que cruza as águas do Recôncavo Baiano para entregar à avenida o presente mais precioso, o sagrado do Bembé do Mercado.

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Nascido há mais de 136 anos em Santo Amaro da Purificação, o Bembé ocupa as ruas como gesto coletivo de fé e liberdade. Criado por João de Obá logo após a abolição formal da escravidão, ressignificou o 13 de maio não como concessão do Estado, mas como rito de louvor às divindades, especialmente a Iemanjá e Oxum. Se a lei foi assinada pela caneta, foi o corpo negro reunido em celebração que construiu caminhos concretos de existência, pertencimento e continuidade.

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Reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Bahia e do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Bembé é considerado o maior candomblé de rua do mundo. Agora, sua força ancestral ganhou a vitrine internacional do Carnaval carioca.

O carro final materializou essa travessia. Espelhado como água viva, ele era o próprio oceano que abriu o desfile e, ao final, o acolheu de volta. No alto, Iemanjá e Oxum giravam sobre o mar cenográfico, abençoadas pelo beijo simbólico de um beija-flor que costurava rio e mar, Recôncavo e Baixada Fluminense, Bahia e Nilópolis. O carro era espelho, templo e balaio. Nele, o povo depositava vitórias, dores, promessas e gratidão. O desfile se encerrou como começou: em oração.

Para quem desfilava, a responsabilidade ia além do espetáculo.

Luana Maria, 45 anos, stylist figurinista e componente da escola há três anos, destacou a dimensão espiritual da apresentação.

luanamaria beija

“A celebração da vida já é uma grande oferenda e uma energia vital. É um grande presente estar vivo e celebrar nossa religiosidade numa escola tão fantástica. Carregamos o nome dos orixás da nossa casa de santo através do nosso corpo, então precisamos estar preparados com postura e imponência”, disse.

A professora Catiuça Ribeiro, 45 anos, definiu o desfile como um marco político e espiritual.

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“Nós fomos inundados por um axé de transformação numa sociedade que nega a nossa presença e a nossa espiritualidade. A Beija-Flor fez um manifesto vivo do nosso axé e da nossa vida. Deixar as águas do Bembé na Sapucaí foi fertilizar um novo horizonte para essa espiritualidade africana, sobretudo de respeito pela nossa fé e pela nossa liberdade de viver o nosso sagrado”, afirmou.

Para a jornalista Flávia Oliveira, 56 anos, que desfila pela escola desde 1999, o momento teve dimensão íntima e ancestral. Filha do Recôncavo Baiano e beija-flor desde a infância, ela viveu na avenida o encontro de suas duas origens.

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“Eu sinto o encontro de Bembé e Nilópolis no meu corpo e na minha alma. É o encontro da escola que eu amo com a região onde eu nasci. É uma responsabilidade, mas também uma escolha política de valorizar a nossa cultura e pedir respeito pela nossa religiosidade”, comentou.

Diretamente de Santo Amaro para a avenida, o artista Roberto Chaves, 57 anos, que mora na França, atravessou o oceano para estar ali.

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“Eu vim desfilar por causa da homenagem ao Bembé do Mercado, a minha terra. Hoje foi uma reparação para todos os negros porque o mundo agora vai ver um Bembé que tem 137 anos e nunca veio para a avenida. A Sapucaí é vitrine do mundo. É o melhor lugar para mostrar a nossa história.”

Ao levar o Bembé do Mercado para a Marquês de Sapucaí, a Beija-Flor reafirmou o Carnaval como território legítimo da memória negra. Transformou a avenida em extensão do Largo do Mercado de Santo Amaro. Fez da arte um gesto de devoção. Do samba, um herdeiro direto das matrizes africanas que estruturam o Brasil.

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O desfile terminou, mas não se encerrou. Como no Bembé, o ciclo retorna às águas para recomeçar. Porque, se toda terra tem dono, a água pertence a todos. E foi nesse encontro entre povo e mar que a escola ofereceu seu presente: um Carnaval que se fez rito, resistência e fé.

Flechas de Eros na Sapucaí: bateria da Mocidade faz corações baterem no mesmo compasso

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A Mocidade Independente de Padre Miguel abriu a segunda noite de desfiles do Grupo Especial de 2026 com o enredo “Rita Lee, a padroeira da liberdade”, desenvolvido por Renato Lage. Em sintonia com o universo irreverente da artista, a bateria Não Existe Mais Quente atravessou a Avenida vestida de Eros, o Deus do amor na mitologia grega. Se a rainha representava Afrodite, os ritmistas vieram com clâmide estilizada e asas, usando instrumentos como flechas sonoras para atingir os corações da Sapucaí.

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MENINAS JUNTAS
Ritmistas da Mocidade
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Para entender essa relação entre paixão e batida, a reportagem conversou com Angélica Castro, de 35 anos, profissional de marketing e há três anos na bateria; Aline Pamplona, de 40 anos, administradora e há quatro anos na escola; Bárbara Langer Greter, de 39 anos, executiva de contas comercial, estreante na bateria; e Letícia Martins, 26 anos, profissional de marketing e há oito anos na Mocidade.

Você se apaixonou pela Mocidade por intermédio da bateria?

Angelica Castro de 35 anos
Angélica Castro, de 35 anos
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Angélica Castro relembra que a paixão começou ainda na infância. “Sim, desde pequena, meu pai me levava para os ensaios, minha mãe, quando era no Campo do Bangu ainda, e sempre deu aquela coisinha diferente no coração. Principalmente pelo meu instrumento que eu toco surdo. Então dali eu já comecei a me apaixonar até o dia que eu consegui entrar”, afirmou.

ALINE PAMPLONA
Aline Pamplona, de 40 anos
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Aline Pamplona também aponta a bateria como ponto de partida: “Com certeza, o motivo inicial de eu me apaixonar pela Mocidade é pela bateria, pelo swing da bateria. Eu nunca imaginei tocar na Mocidade, porque eu achava assim, um sonho muito distante, até o dia que eu consegui ir e até hoje ainda é um momento assim que eu fico, cara, não tô acreditando. Os anos vão passando e todo ano é a mesma coisa do eu não acreditar ainda”.

Barbara Langer Greter de 39 anos
Bárbara Langer Greter, de 39 anos
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Bárbara Langer Greter veio de São Paulo e encontrou na caixa o elo direto com Padre Miguel.

“O que me trouxe pra Mocidade, para desfilar na Mocidade, é a batida de caixa. Então é através do coração mesmo da escola. Eu já desfilo em São Paulo há 26 anos, e a minha escola, que é a Águia de Ouro, ela tinha como referência a bateria da Mocidade. Então toda afinação, batida de caixa, toda característica da bateria da Mocidade, ela era da minha escola porque o mestre de bateria da minha de lá era muito fã e admirador, então ele fez a mesma imagem na bateria”, contou.

Letícia Milgasto Martins reforça a força da experiência na quadra: “Então, eu desafio alguém a estar num ensaio, a estar dentro da quadra, na Vintém, sentir a energia e não se apaixonar pela escola e, principalmente, pela bateria. Pela energia, pela batida da caixa diferenciada, pelo chocalho cascavel… a Mocidade vai muito além do que a gente consegue imaginar. É um ambiente diferenciado”.

O que essa bateria tem de tão diferente que deixa todo mundo apaixonado?

Para Angélica, o segredo está no balanço e na tradição: “Com certeza é o swing. Nosso swing é diferenciado. Desde a afinação dos surdos, aí eu sou meio suspeita de falar, quanto também a questão da terceira, das caixas, é todo o legado do Mestre André, que a gente está levando aí para todo o sempre. E pela escola a mesma coisa, a união, companheirismo dos componentes, o amor à bandeira”.

Aline reforça que o diferencial é perceptível já nos primeiros acordes: “Eu acho que o swing da bateria é diferenciado, a pegada da galera é uma bateria swingada. É uma bateria diferente, não tem outra bateria que bate igual a Mocidade na Avenida. Esse é o ponto chave da bateria da Mocidade, é o swing, é o gingado, é toda uma história, tem todo um significado, então muitas pessoas se apaixonam pela escola através da bateria”.

Bárbara detalha tecnicamente o que faz a diferença: “O diferencial, falando pessoalmente, são as pessoas que me receberam, mas tecnicamente, de forma talvez rítmica, é uma bateria muito swingada, é uma batida de caixa, que carrega a batida de Oxóssi, então é a alma da bateria. Há características específicas. O que eu acho que diferencia é a batida de caixa. É a maior característica dessa bateria. E por isso, como ela é mais contratempo, mais swingada, ela tem um andamento mais gostoso de cantar o samba. Então às vezes não precisa correr e acompanhar o samba com melodia e ritmo”, concluiu.

‘Toda mulher é Rita Lee’: Ala 9 da Mocidade homenageia Rita Lee em manifesto sobre liberdade feminina na Sapucaí

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A Mocidade Independente de Padre Miguel foi a primeira escola a cruzar a Marquês de Sapucaí nesta segunda-feira (16), abrindo o segundo dia de desfiles do Grupo Especial com uma homenagem vibrante a Rita Lee.Com o enredo “Rita Lee, a Padroeira da Liberdade”, desenvolvido pelo carnavalesco Renato Lage, a verde e branco da Zona Oeste levou à Avenida um tributo que ultrapassou a música e se firmou como declaração política e cultural. A Ala 9 se destacou ao transformar a artista em símbolo do empoderamento feminino. 

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Ala 09 “Toda mulher é meio Rita Lee”. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

Batizada de “Toda mulher é meio Rita Lee”, a Ala 9 foi inspirada na canção “Todas as Mulheres do Mundo” e apresentou uma leitura contemporânea da figura da cantora como arquétipo de coragem, irreverência e autonomia. 

Exclusivamente feminina, a ala trouxe para o centro do desfile a discussão sobre independência e ocupação de espaços historicamente negados às mulheres. A proposta foi clara: reafirmar o carnaval como território de expressão e liberdade.

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Lisiane Gomes, 50, enfermeira. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

Em entrevista ao CARNAVALESCO, Lisiane Gomes, 50 anos, enfermeira, destacou a força simbólica da homenagem. “Ela veio para dizer que a gente pode tudo, que não existe mais essa de que mulher não pode fazer determinadas coisas. A gente pode tudo. Então ela vem para afirmar isso, o feminismo e o protagonismo da mulher brasileira. No carnaval a gente pode se reinventar e fazer tudo o que temos vontade”, afirmou. 

A componente ressaltou ainda que, embora o carnaval seja um espaço agregador, a estrutura ainda carrega marcas de desigualdade. “Apesar do carnaval somar muito, ele ainda é um universo bem mais masculino, mas eu acho que esse espaço está se abrindo, aos poucos, mas esse protagonismo feminino está chegando. Acho que sou a prova viva da liberdade e do legado da Rita, decidi que queria passar meus 50 anos desfilando na Sapucaí e hoje estou aqui. Deixei família, amigos e vim realizar esse sonho”, afirmou.

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Letícia Pereira Lima 39, professora. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

Para Letícia Pereira Lima, 39 anos, professora, o fato de a ala ser formada apenas por mulheres já representa um avanço concreto. “A Ala é exclusivamente feminina e é isso que ela traz, o feminismo, o poder da mulher, o empoderamento. Vejo cada vez as mulheres se tornando protagonistas, essa ala exclusivamente feminina já mostra um pouco disso, acho que estamos no caminho certo”. 

Ela também apontou que a ampliação da presença feminina em funções como intérprete, carnavalesca e mestra de bateria ainda enfrenta barreiras culturais, mas percebe que mudanças estão ocorrendo.

Priscila Abrantes 42 jornalista
Priscila Abrantes, 42, jornalista. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

Priscila Abrantes, 42, jornalista, reforçou a dimensão simbólica da apresentação. “Acho que essa ala mostra que a gente pode tudo. Não somos mais aquela mulher recatada e do lar, que fica em casa cuidando dos filhos, a gente também pode ser muito mais. Podemos estar aqui na Avenida, representando essa mulher maravilhosa que foi a Rita Lee, que representou tudo isso, a libertação da mulher, que é um exemplo de liberdade”, disse. 

Vivendo pela primeira vez o carnaval no Rio de Janeiro, ela relatou o impacto da experiência: “Estou aqui desde sábado e é muito legal ver a liberdade das mulheres em saírem fantasiadas, se divertindo, livres”.

Ao transformar a figura de Rita Lee como Padroeira da Liberdade, a Mocidade trouxe para Avenida um posicionamento sobre o presente e o futuro do carnaval. Em uma festa marcada por tradição, mas também por transformação, a escola sinalizou que o brilho feminino já não é coadjuvante.

Entre grades e guitarras, Mocidade transforma censura em manifesto na Sapucaí

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A Mocidade Independente de Padre Miguel abriu a segunda noite de desfiles do Grupo Especial 2026 com o enredo “Rita Lee, a padroeira da liberdade”. No terceiro carro alegórico, a escola mergulhou nos anos mais duros da ditadura militar para recriar o encarceramento da cantora e transformar a repressão em espetáculo crítico.

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Detalhes do terceiro carro da Mocidade
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Em um cenário marcado por grades, tons acinzentados e estruturas imponentes, a alegoria trouxe à Sapucaí uma reflexão sobre censura, resistência e o legado libertário da Rainha do Rock, falecida em 2023.

O CARNAVALESCO ouviu componentes que fizeram uma análise da alegoria: o professor da rede pública Lúcio Panza, de 37 anos, que desfila na Mocidade desde 2014; a estreante Liz Lopes, de 40 anos; e Alessandro Oliveira, de 39 anos, técnico de patinação artística, empresário do meio de produção cultural, assistente de carnaval na Unidos da Tijuca e, este ano, integrante da verde e branco de Padre Miguel.

Alegoria como mensagem política

Para os desfilantes que vieram no carro, a terceira alegoria vai além do impacto visual e assume papel político dentro do desfile.

Lucio Panza de 37 anos
Lúcio Panza, de 37 anos
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Lúcio Panza considera que o carro sintetiza a trajetória de resistência da artista: “Acho bastante positivo essa alegoria, até porque toda a resistência que ela fez em vida e propagou está nesse carro. Ela foi presa diversas vezes, pelo que li na biografia dela, tudo por falar sobre liberdade e amor na época da ditadura, quando isso não era permitido”.

Liz Lopes de 40 anos
Liz Lopes, de 40 anos
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Liz Lopes também enxerga o caráter político da encenação: “Representa muito bem a história da Rita e a gente vem com muita empolgação para mostrar isso na avenida de uma forma bonita e agradável. Sabemos que um presídio não é um lugar confortável, mas trazemos beleza para contar algo que não foi belo no passado”.

Alessandro Oliveira de 39 anos
Alessandro Oliveira, de 39 anos
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Alessandro Oliveira destacou o simbolismo presente na concepção estética: “Eu vejo sim. Inclusive, quando tive o primeiro contato com a fantasia, logo entendi que tinha alguma questão ali associada justamente ao protesto, à questão de se fazer ser ouvida, de se fazer ser compreendida e de transgredir a limitação que a censura impunha. Talvez, através da força, talvez, através do verbo solto que se fala no enredo. O carro por si só, as tonalidades de cor já falam por si, colocam muito essa questão do cinza, que remete à seriedade da censura e às limitações que ela impõe na sociedade”.

Impacto visual e estrutura inédita

Se a mensagem é contundente, o impacto visual também chama atenção. O carro apresenta uma cadeia de três andares no centro do carro.

“O que mais impacta é a prisão que o Renato Lage construiu, com três andares. A gente já queria ver isso no barracão há bastante tempo. As meninas vêm presas nesses três andares e ainda haverá um efeito especial durante o desfile”, contou Lúcio, mantendo o suspense sobre o recurso cênico.

Liz Lopes destacou a performance que integra a narrativa do carro: “O que mais me chamou a atenção é a minha modalidade dentro da prisão, que é o pole dance. Serão quatro barras de pole dance e vamos tentar escapar da prisão subindo e descendo durante todo o desfile. Isso me incentivou e está me deixando muito empolgada”.

Alessandro ressaltou a ousadia estrutural da alegoria: “O mais impactante é essa cadeia no meio do carro, porque é uma estrutura que não é comum nos desfiles. Geralmente quem compõe vem mais nas laterais, com o corpo mais exposto. Ali, não. Todos estarão contidos dentro desse espaço, quase como se quisessem segurar a alegria”.

Liberdade como legado

A figura de Rita Lee, frequentemente associada a críticas aos costumes tradicionais, foi defendida pelos componentes como símbolo de liberdade e transformação social.

“Na verdade, ela não era contra a família, ela era a favor da liberdade. Defendia que cada um fosse o que quisesse ser”, afirmou Lúcio.

Para Liz, o exemplo da cantora ecoa nas conquistas atuais: “Isso muda a sociedade. Ela lutou muito tempo atrás e hoje temos privilégios que vieram da luta de pessoas como a Rita. Isso incentiva todo mundo a enfrentar, conquistar o que quer e seguir sem preconceito e sem medo”.

Alessandro Oliveira ampliou a reflexão ao destacar o impacto geracional da artista. “Eu acredito que artistas como a Rita, principalmente na geração dela, e outros que se inspiraram na forma como ela via o mundo, possibilitaram que muitas pessoas tivessem voz. Ela deu a cara a tapa para que a próxima geração tivesse mais liberdade, inclusive dentro das próprias famílias, para dizer quem é e do que gosta. Se analisarmos a época anterior, os tabus eram ainda maiores. Muitas vezes víamos pessoas rompendo com a família por questões de sexualidade ou posições políticas. Ter um porta-voz da liberdade como ela, com uma voz tão potente e significativa, traz essa possibilidade de hoje batermos no peito e dizer quem somos. Isso é algo que não tem explicação, é surreal”, concluiu.

Mocidade 2026: galeria de fotos do desfile

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Arlindinho e Thiago Soares levam tradição e pagode ao Camarote Rio Praia no Carnaval 2026

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O domingo do Carnaval 2026 na Sapucaí foi marcado pelo encontro de gerações no palco do Camarote Rio Praia. Arlindinho e Thiago Soares dividiram a programação do espaço durante o primeiro dia de desfiles das escolas de samba do Grupo Especial.

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Foto_ Igor Barnardo/Camarote Rio Praia

Arlindinho emocionou o público com repertório ligado à tradição do samba carioca, enquanto Thiago Soares trouxe a energia do pagode contemporâneo, conectando públicos de diferentes idades no Carnaval do Rio.

O Samba dos Guimarães e o Grupo Confraria Carioca mantiveram a roda ativa entre um desfile e outro, reforçando a identidade musical do Camarote Rio Praia.

Estiveram presentes Carla Marins e seu marido Hugo Baltazar, onde puderam vivenciar a energia do Camarote Rio Praia.

Sobre o Camarote Rio Praia

Localizado entre os setores 8 e 10 da Marquês de Sapucaí, de frente para o segundo recuo da bateria, o Camarote Rio Praia se consolida como um dos espaços mais disputados da avenida. Com open bar premium, buffet variado, ambiente climatizado, transfer exclusivo, área beauty, espaço de customização e lounge corporativo, o camarote combina conforto, vista estratégica e uma curadoria musical que mantém o samba no centro da experiência. No Rio Praia, tradição e espetáculo dividem o mesmo palco.

Serviço:
Camarote Rio Praia – Carnaval 2026
Localização: Setores 8 e 10 da Sapucaí (2º recuo da bateria)
Ingressos: ingresso.camaroteriopraia.com.br
Central: (21) 99994-3632
Instagram: @camaroteriopraia