No início do mês passado, a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) promoveu uma série de simpósios voltados ao aprimoramento do processo de julgamento dos desfiles do Grupo Especial. Os encontros reuniram os julgadores que atuaram no Carnaval 2026 e representantes das escolas de samba para discutir propostas de atualização do Manual do Julgador, além de buscar maior clareza nos critérios de avaliação para os próximos carnavais.
Os debates envolveram todos os quesitos avaliados na Marquês de Sapucaí: Alegorias e Adereços, Bateria, Comissão de Frente, Enredo, Evolução, Fantasias, Harmonia, Mestre-Sala e Porta-Bandeira e Samba-Enredo. O objetivo foi promover uma troca de experiências entre quem avalia os desfiles e os profissionais responsáveis por construir o espetáculo, alinhando interpretações e aperfeiçoando os instrumentos que orientam o julgamento.
Julgador do quesito Samba-Enredo desde 2022, Alessandro Ventura destacou a importância da iniciativa para fortalecer a transparência e a evolução do carnaval.
“A realização desse encontro é uma iniciativa muito acertada. É uma oportunidade de troca entre julgadores e representantes das escolas, sempre com o objetivo de aperfeiçoar o nosso trabalho e contribuir para a evolução do Carnaval. No caso do samba-enredo, esse diálogo amplia o entendimento sobre os critérios e fortalece ainda mais a grandiosidade da festa. Quando há espaço para ouvir, discutir e aprimorar, todos ganham: os profissionais envolvidos, as escolas e o espetáculo como um todo.”
O presidente da Viradouro, Marcelinho Calil, também ressaltou que os encontros representam um importante avanço na construção de um julgamento cada vez mais transparente.
“É uma oportunidade valiosa de troca. Não estamos falando de notas ou de resultados específicos, mas de compreender métodos, critérios e interpretações que ajudam a construir um julgamento cada vez mais transparente. Com a experiência do último Carnaval ainda muito presente, conseguimos discutir de forma produtiva os caminhos para o aprimoramento do processo. Esse diálogo permite que as escolas entendam com mais clareza os critérios de avaliação e também oferece aos julgadores um espaço para aprofundar explicações que, naturalmente, são mais limitadas durante o período dos desfiles. É um encontro que engrandece o Carnaval e contribui para a evolução de todos os envolvidos”.
Segundo o presidente da Liesa, Gabriel David, os simpósios representam o primeiro passo na construção das diretrizes que irão nortear o julgamento do Carnaval 2027.
“Agora iniciamos um novo ciclo de trabalho. A coordenação de julgadores elaborou uma série de propostas que serão debatidas nas próximas plenárias, mas esse é um processo aberto à participação das escolas, dos dirigentes e dos profissionais do Carnaval. Todas as sugestões relacionadas ao Manual do Julgador e ao regulamento serão discutidas de forma democrática, buscando sempre o aperfeiçoamento do sistema e a evolução permanente da nossa competição.”
As contribuições apresentadas durante os encontros serão analisadas pela Liesa e poderão integrar futuras discussões nas plenárias da entidade, que definirão possíveis atualizações no Manual do Julgador e no regulamento dos desfiles do Grupo Especial para o Carnaval 2027.
A Unidos de Padre Miguel convocou sua comunidade da Vila Vintém para prestigiar a tradicional Feijoada da UPM no último mês de junho. O dia de festa na quadra recepcionou a coirmã e atual campeã do Grupo Especial, Viradouro, e celebrou a apresentação oficial da equipe do Boi Vermelho para o Carnaval 2027. Entre os destaques está o novo primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola, Yuri Souza e Isabella Moura. Em entrevista ao CARNAVALESCO, a dupla compartilhou a emoção de defender o pavilhão da vermelha e branca de Padre Miguel.
“Para a gente, é uma responsabilidade e emoção enormes. É saber que tem uma comunidade gigante, que é a Vila Vintém, sendo representada por duas pessoas com muito respeito e empenho em traçar esse novo desafio”, comentou Isabella Moura.
“A gente está dando continuidade ao legado de mestre-salas e porta-bandeiras que já passaram por essa agremiação. Sou muito fã de todos que passaram por aqui. É uma responsabilidade e um comprometimento muito grandes. Estamos muito felizes com a oportunidade que nos foi dada e vamos honrar, com muito amor e carinho, essa comunidade. A Vila Vintém merece”, completou Yuri Souza.
A rotina de ensaios do casal está a todo vapor já neste início de temporada, sob a coordenação da coreógrafa Vânia Reis, que segue à frente do cargo na agremiação.
“A gente começou bem cedinho. Assim que fechamos a parceria, demos início ao trabalho com a nossa coreógrafa, Vânia Reis. Logo depois, fechamos com o nosso personal trainer, que toma conta de todos os nossos treinos e monta as nossas rotinas de ensaios”, contou Isabella. “A Vânia e o Rafael são quem vão, se Deus quiser, nos segurar até o desfile”, brincou.
Enquanto não chega o samba que irá contar o próximo carnaval da UPM na Avenida, com o enredo “Yèyé Omó Ejá – A Coroação das Rainhas das Águas”, o casal tem buscado aperfeiçoar alguns detalhes da dança e a sincronia entre si.
“É um casal novo, uma parceria nova. Temos que nos conectar, mas, graças a Deus, eu e a Isa nos conhecemos há muito tempo. A gente também já dança há muito tempo, então a conexão foi bem rápida. Foram apenas alguns ajustes para que a gente conseguisse executar a nossa dança e o nosso tradicional. Ainda não saiu o samba oficial, mas, assim que estiver pronto, vamos mostrar um trabalho magnífico, com uma coreografia magnífica, porque a gente está com um jeito de trabalhar”, prometeu o mestre-sala.
Durante a conversa, a porta-bandeira teceu elogios à elegância do mestre-sala: “É a marca que o Yuri vende há muito tempo: é o porte e a imponência dele, no bom sentido. A elegância, para mim, é a marca do Yuri”.
Ele também aproveitou para cumprimentar o bailado da companheira: “Digo o mesmo para a Isabella. Ela é uma porta-bandeira de quem todo mundo fala. A Isa tem a questão da elegância, da postura. Acho que, além da dança, temos que ter essas características nossas”.
Nos últimos anos, a UPM acumula uma série de boas posições na Série Ouro. Em 2025, desfilou pela primeira vez na nova configuração do Grupo Especial do carnaval carioca, com o emblemático enredo “Egbé Iyá Nassô”, emocionando a Sapucaí com a força matriarcal do primeiro terreiro de Candomblé do Brasil.
O rebaixamento da agremiação para o acesso no mesmo ano provocou reações na comunidade carnavalesca. Mas a sede de reconquistar seu lugar na elite continua e, segundo Isabella, “a responsabilidade de defender o primeiro pavilhão da UPM é dobrada”.
“Com todo o respeito às coirmãs, a gente faz um carnaval diferenciado. É uma escola que tem uma sede de vencer, de estar, de pertencer e, se Deus quiser, os anjos vão dizer ‘amém’ novamente. 2027 será lindo e sonhamos com o Grupo Especial para 2028”, disse.
“É uma comunidade que tem sede de vencer. Fomos injustiçados em 2025, mas, ano que vem, vamos fazer um trabalho lindo e, com certeza, rumo ao Grupo Especial, sem dúvidas”, finalizou Yuri.
A quadra da Portela entra em clima de festa junina neste sábado com uma programação gratuita para toda a família. A partir das 14h, o Arraiá da Portela reunirá atrações musicais, quadrilhas, passistas e comidas típicas na Rua Clara Nunes, 81, em Oswaldo Cruz. O acesso será feito mediante retirada de cortesia digital pela plataforma Meu Bilhete, no link https://www.meubilhete.com.br/arraia-da-portela. O evento tem classificação livre.
Entre as atrações musicais estão o Trio Bambucado, com repertório de pé de serra, e o cantor Tiago Souza, que levará sucessos do sertanejo para o público. A programação também conta com apresentações dos alunos do Departamento de Cidadania da Portela, dos passistas e das quadrilhas juninas Pá Fincado e Renascer.
Importante reforçar: Mesmo com gratuidade, a retirada da cortesia digital é obrigatória para acesso ao evento.
Serviço
Evento: Arraiá da Portela
Data: sábado (11/07)
Horário: a partir das 14h
Endereço: Rua Clara Nunes, 81, Oswaldo Cruz – Rio de Janeiro
Entrada: Gratuita, classificação livre.
Ingressos: https://www.meubilhete.com.br/arraia-da-portela
A carreira de Neguinho da Beija-Flor com 50 anos de avenida é recheada de quinze títulos e muitos sambas memoráveis. Uma voz que, mesmo longe da Sapucaí, segue ecoando na memória e no imaginário dos amantes do carnaval. Essa brilhante trajetória foi lembrada na última sexta-feira, na roda de conversa dos intérpretes de sambas-enredo, realizada no auditório da Biblioteca Parque Estadual do Rio de Janeiro. O evento, que recebeu o nome do cantor, teve sua primeira edição e contou com a presença de intérpretes e personalidades do carnaval discutindo temas como a profissionalização dos intérpretes e revisitando momentos da carreira do astro de Nilópolis.
A mesa debatedora contou com a mediação do jornalista e compositor João Carlos Barreto, do compositor e presidente da Filhos da Águia, Celsinho de Andrade, também filho do ex-intérprete da Portela Avelino de Andrade, do intérprete Eraldo Caê, auxiliar de Jamelão por 25 anos na Mangueira, e de Juan Reis, jovem cantor, intérprete oficial da Mocidade Independente de Inhaúma e integrante da equipe de cantores da Portela e do Arranco do Engenho de Dentro, além do homenageado do dia. A celebração se iniciou com a exibição de vídeos mostrando vários momentos da carreira do intérprete e depoimentos de figuras ilustres da Beija-Flor, sua amada escola, como Selminha Sorriso, o presidente Almir Reis e Gilson Bacana, companheiro de carro de som por mais de três décadas. Na sequência, iniciou-se o debate, citando a longeva carreira do cantor multicampeão e como ele se tornou um nome tão marcante num universo traiçoeiro que é o carnaval, onde inúmeros nomes que fizeram tanto por suas escolas terminam esquecidos.
O reverenciado da tarde lembrou da sua chegada ao universo das escolas de samba e de já levar uma então emergente Beija-Flor ao seu primeiro campeonato. “Quando era garoto, ouvia um Jamelão, um Silvinho da Portela e queria ser como eles. Aí, de repente, estava lá com eles nos eventos, só agradecia a Deus. Nunca imaginei que eu criaria coisas para o Carnaval, que viveria fatos tão marcantes como criar o grito de guerra para minha escola, proporcionar a ela o primeiro campeonato, que quebrou o tabu das quatro grandes. Jamais imaginei que o Neguinho da Vala chegaria tão longe”, disse Neguinho, que também lembrou um fato que o incomodou em relação à desvalorização do artista do carnaval. “Numa ocasião fui fazer um show numa cidade da Itália chamada Rimini. Aí tinha um cartaz anunciando Gilberto Gil, o rei do samba. Ali eu comecei a brigar pelos sambistas e pelo samba, pois Gilberto Gil é um grande artista, mas não do samba. Rei do samba era Jamelão, Martinho da Vila. Hoje o sambista recebe muito convite para ir lá para fora e tenho orgulho de dizer que fui um dos que deram o pontapé inicial nessa história”.
O artista bateu na tecla da importância da valorização dos profissionais do carnaval na questão financeira e dos cantores em relação aos demais gêneros musicais, incluindo o próprio samba fora da folia. “A diferença de remuneração de um cantor normal de samba, que tenha uma carreira fora do carnaval, para um intérprete é simplesmente 100 vezes maior. O intérprete de escola de samba é o menos valorizado. Não é possível uma escola de samba do Grupo Especial hoje não fazer o que o Anísio fez comigo. Ele deveria ser um exemplo para os demais, para que o intérprete de samba-enredo não fique tão distante de qualquer outro cantor de samba ou dos demais gêneros. E que as escolas façam mais pelos seus num todo, pelo mestre-sala, porta-bandeira, pelas baianas, pelos componentes em geral. Hoje as escolas têm dinheiro, faturamento maravilhoso e, muitas vezes, têm 3.000, 4.000 pessoas trabalhando para essas escolas de graça. Está na hora de valorizar os seus segmentos”, afirmou.
João Carlos Barreto citou exemplos de esquecimento que ele presenciou em sua longa trajetória. “Guardo no coração a lembrança de um grande amigo, um irmão, era da Vila Isabel e, no seu funeral, não tinha um representante da escola, nem a bandeira estava lá. No velório do grande Jorge Tropical, eterno intérprete da Vila, a única pessoa que esteve lá foi o Dedé Aguiar, do cavaco, mais ninguém. Sem este passado não existe presente, então que as pessoas que comandam o samba não esqueçam dos grandes sambistas”, ressaltou.
Celsinho de Andrade contou um pouco sobre a história do seu pai, conhecido como o “Crooner de Ouro” da Portela, e lembrou da fidelidade de Neguinho da Beija-Flor à escola de Nilópolis, algo que classificou como extinto nos dias atuais. “Antigamente você tinha isso, o que o Neguinho fez na Beija-Flor, começar e terminar na mesma escola, meu pai fez isso. Hoje não se vê mais. Ganhei sambas como compositor na Portela e não quis competir em outras escolas, pois meu amor estava em Madureira. Meu pai me ensinou essa fidelidade, que hoje é bem difícil de ver. Tudo ficou tão profissional que hoje esquecemos das pessoas que fizeram por amor lá atrás. O Neguinho, daqui a 50 anos, será lembrado, mas lembrarão do Eraldo Caê? Do meu pai, meia dúzia da velha guarda lembra. Meu legado hoje na Filhos da Águia é passar a história desses grandes nomes para a nova geração”, declarou.
Contemporâneo de Neguinho da Beija-Flor em boa parte da sua carreira, Eraldo Caê falou da sua convivência com Jamelão e dividiu uma história com o mestre. “O Jamelão tinha um preparado para ele tomar antes do desfile. Em 98, ano do título com o enredo do Chico Buarque, acho que ele esqueceu, só pegou a garrafa quase na hora do desfile começar, me ofereceu e eu tomei um gole só, ele tomou metade daquela garrafa. Cantamos muito e eu, com um gole, esquecia até que tinha um lenço guardado no bolso para secar meu suor. Acabou o desfile, fomos para o camarote e o Jamelão tomou dois copos grandes, cheios de uma bebida que só ele e o garçom sabem qual era. Sei que, quando ele terminou de beber, dormiu em pé durante as duas escolas seguintes. Essa era a preparação do Jamelão”, contou Eraldo, aos risos.
Juan Reis, caçula da mesa e representante da nova geração de puxadores de samba-enredo, lembrou do seu início e de sua maior referência. “Meu primeiro ano como componente na Portela, vi o Gilsinho cantar e, na hora, falei que queria aquilo para a minha vida, queria ser intérprete de samba-enredo. A paixão surgiu, comecei a estudar sobre e as oportunidades foram surgindo. E o Gilsinho se tornou um mestre, meu grande ídolo. Hoje faço parte de uma nova geração bastante talentosa, chegando para honrar o legado dos grandes mestres. Recentemente fui anunciado como integrante do departamento musical da Portela, um sonho realizado. Só tenho a agradecer pela confiança depositada por Nilce Fran e Junior Escafura e honrar com meu trabalho”, afirmou Juan.
O evento foi organizado pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, que tem fomentado uma série de debates e seminários sobre a festa popular. Sérgio Firmino, assessor especial da pasta, declarou que novos eventos estão sendo pensados para o calendário. “A partir deste momento, o que nós instituímos? Toda vez que tivermos uma roda de conversa em âmbito estadual, ela terá que se chamar Roda Neguinho da Beija-Flor, assim como o seminário realizado no dia 23 de janeiro, aniversário da Maria Augusta. Qualquer seminário de carnavalescos será o Seminário Maria Augusta, e por aí vai. Assim vamos criando uma efeméride anual. No próximo dia 27 vamos homenagear Nelson Sargento. Em 20 de agosto deveremos ter um debate sobre a diversidade sexual e de gênero no carnaval, sempre discutindo temas, melhorias. Não adianta só homenagear e bater palmas, aqui é um lugar aberto para discutirmos estes temas sem retaliação”, disse Sérgio.
A roda de conversa foi encerrada com Neguinho cantando “A Voz do Morro”, o clássico de Zé Keti. Poucas pessoas podem falar “eu sou o samba” com tanta propriedade quanto Luiz Antônio Feliciano Marcondes, o Neguinho da Beija-Flor.
O mês de julho de 2026 promete ser intenso para o Vai-Vai. Maior campeã do Grupo Especial do Carnaval de São Paulo, a Escola do Povo realizou, pela primeira vez na história, um Pré-Esquenta, para começar a unir a comunidade já no início do segundo semestre. Em um misto de ensaio geral com show, a agremiação realizou o evento no Carioca Club, em Pinheiros, Zona Oeste de São Paulo, no último sábado. Sempre presente em eventos importantes para as escolas de samba paulistanas, o CARNAVALESCO esteve presente no local para conferir o Pré-Esquenta e conversar com nomes importantes do Vai-Vai.
A expressão Pré-Esquenta pode soar estranha para muitos, mas, na prática, a reportagem conferiu que funciona. Dentro do planejamento do Vai-Vai para 2027, a Saracura não pode deixar a peteca cair no ânimo. Quem afirmou é Paulo Mello, presidente da agremiação: “A ideia de fazer um Pré-Esquenta surgiu para que a gente pudesse iniciar um esquenta, já com um pré-ensaio. A gente já tem mais ou menos a data, já para o mês de julho, para fazer um Esquenta de fato, a gente só está aguardando a final da Copa do Mundo. A comunidade do Vai-Vai é aquecida, o Carnaval não para nunca para a gente. Terminou o carnaval, a Fábrica do Samba já está a todo vapor, o enredo… a gente já construiu a questão do enredo e a comunidade está sentindo falta desses ensaios. A gente está fazendo esse Pré-Esquenta para iniciar os nossos ensaios, e, daí para frente, seguir no ritmo rumo ao carnaval”, destacou, indicando que virão mais eventos por aí.
Tida como a escola não-desportiva que tem a maior torcida do Carnaval de São Paulo, o Vai-Vai se orgulha da força da própria comunidade. Um dos reflexos disso é o canto da agremiação, de acordo com Mello: “A comunidade do Vai-Vai é uma comunidade que já está acostumada em ter muitos eventos ao longo do ano. Essa comunidade é mais aquecida na rua, é aquecida na quadra… a gente aproveita os ensaios de quadra para fazer ensaios de canto, também. Como a gente não tem uma quadra ainda, o Vai-Vai não conseguiu ainda um espaço para chamar de quadra, a gente costuma fazer e intensificar os ensaios de rua. E é isso que a gente propõe nesse ano – principalmente porque gente já está no carnaval em janeiro, praticamente. Já nesse mês tem que estar tudo pronto. A proposta é ir para a rua: a gente tem um planejamento de ensaio de rua e a gente fortalece muito o ensaio de rua na Bela Vista também, que é a nossa casa, a nossa raiz, a nossa essência”, pontuando que a agremiação está organizada para o próximo ciclo.
Guardiões de nota
Em entrevista, a gestão deixou claro o quanto investirá em eventos para o próximo ciclo carnavalesco. E para quem defende um segmento? A reportagem conversou com Luiz Felipe, popularmente conhecido como LF, intérprete do Vai-Vai, que gostou do que viu no Carioca Club: “O Vai-Vai é uma escola que não fazia muitos eventos de meio de ano, mas está vendo o mundo do Carnaval fazer. Principalmente em São Paulo, acaba um Carnaval e já se começa o próximo. Hoje, o povo só espera até a Páscoa, respeitosamente, para tocar os projetos. O Vai-Vai já vem se adiantando juntamente com as demais escolas e isso é muito bom. Vai se afunilando e já vai se aproximando, se agrupando, se unindo em busca de um próximo Carnaval. Carnaval esse em que queremos um resultado bom para tirar essa corda do pescoço”, disse.
A referência final na fala do intérprete foram os últimos resultados da agremiação: em 2026, o Vai-Vai ficou apenas uma posição acima da zona de rebaixamento do Grupo Especial com o desfile de “Em Cartaz: A Saga Vencedora de um Povo Heróico no Apogeu da Vedete da Paulicéia”.
Para a voz do Vai-Vai, reunir os alvinegros já em julho é importante para que todos se alinhem e aliem rapidamente e tenham entrosamento cada vez mais cedo: “Eventos como esse ajudam quem defende nota por conta da reunião da comunidade – e, no nosso caso, a nossa é maravilhosa. É a nota que a gente traz juntamente com a comunidade, a Harmonia, a Bateria. O Vai-Vai é uma comunidade que é muito fácil de se trabalhar. Hoje é para começar e, daqui até o dia 05 de fevereiro, tudo vai ser maravilhoso”, finalizou.
Detalhes
O evento começou com o Encontro da Ala de Compositores com a Velha Guarda Musical, em mesas dispostas bem no centro do Carioca Club, no qual todos cantavam sambas clássicos. Com a comunidade já aquecida, a Pegada de Macaco (bateria da escola) se organizou e fez o esquenta antes de tocar sambas-exaltação alvinegros.
Na ocasião, diversos sambas-enredo foram relembrados: “Orun Aiyê – O Eterno Amanhecer” (1982”, “Amado Jorge, a História de uma Raça Brasileira” (1988), “A Rainha, a Noite tudo transforma” (1996), “Eu Também Sou Imortal” (2005, reeditado em 2023) e “Je Suis Vai-Vai – Bem-vindos à França” (2016) foram apenas alguns deles – em alguns momentos, orgulhando-se da discografia da agremiação, Luiz Felipe destacava que a escola cantava apenas sambas-enredo próprios.
Enquanto a ala musical e a bateria faziam seu trabalho, chamou atenção a disposição dos presentes. Tal qual um ensaio de quadra, todos andavam em círculos, cantando e evoluindo. Chamou atenção, também, o papel das passistas e dos malandros: eles começaram o evento no chão, tal qual uma ala – mas, depois, foram para o palco, alternando momentos com as passistas show da ala Samba Saracura. Murilo Campos e Mirelly Nunes, que conduziam o primeiro pavilhão do Vai-Vai, faziam o mesmo.
Após a realização de todas as atividades da escola, o evento contou com um show de encerramento da banda Art Popular, que agitaram os presentes.
Rodrigo Atração será o responsável por conduzir a ala musical da Dom Bosco de Itaquera no Carnaval 2027, substituindo Rodrigo Xará. Recentemente, o intérprete deixou a Imperador do Ipiranga, onde teve uma longa passagem. No último Carnaval, integrou o carro de som da Barroca Zona Sul, sob comando de Dodô Ananias e Rafael Tinguinha. Com trajetória consolidada no samba, Atração é um intérprete conhecido por diferentes atuações como apoio e cantor oficial em diversas agremiações. Um dos momentos mais marcantes de sua carreira foi a parceria com Chitão Martins na Colorado do Brás. Agora, ele assume a responsabilidade de interpretar o enredo “O Auto do Boi”, da Dom Bosco de Itaquera, para o desfile do próximo ano. Em entrevista ao CARNAVALESCO, Rodrigo Atração demonstrou empolgação com o novo desafio.
Animado com o novo desafio, Rodrigo Atração demonstra entusiasmo com a nova fase e afirma estar confiante em realizar um dos maiores desfiles da história da entidade de Itaquera. “Estou muito motivado e feliz com essa oportunidade. Se Deus permitir, vamos realizar um grande trabalho. A responsabilidade está conosco, para que possamos fazer um dos melhores carnavais, ou talvez o melhor da história da escola”, disse.
O cantor fez questão de elogiar o ex-intérprete da Dom Bosco, Rodrigo Xará, que marcou época na escola e construiu uma forte identificação com a comunidade, sendo responsável pela criação do grito “Vai pensando que a gente só reza”. Atração destacou a dimensão do desafio e a responsabilidade da nova fase. “Substituir o Rodrigo Xará é uma responsabilidade muito grande. Ele é um grande intérprete, não por acaso foi premiado. Realizou um excelente trabalho, com uma ala musical maravilhosa e grandes cantores. O grito de guerra virou um verdadeiro mantra da escola e vai permanecer. Por aqui, nada muda: ‘E vai pensando que a gente só reza’. Vamos fazer um trabalho muito bacana”, declarou.
Recepção animada
Ao falar sobre o início na escola, Rodrigo destacou a receptividade da comunidade. “A comunidade tem me recebido de forma muito acolhedora. Só tenho a agradecer às baianas e a toda a diretoria. Tem sido um início de parceria muito positivo. Tenho sentido o calor da comunidade de Itaquera e espero que seja apenas o começo de uma trajetória ainda melhor. Assim como o Rodrigo Xará, também quero escrever a minha história dentro da Dom Bosco”, afirmou.
Aguardando um grande samba para 2027
Por fim, o intérprete exaltou o samba-enredo do Carnaval 2026, que foi bem visto pelo público do carnaval. Para o próximo desfile, a Dom Bosco terá como tema o “Auto do Boi”, e Rodrigo Atração demonstrou confiança em um grande resultado da obra. “A expectativa é muito alta, porque já vem com o ‘Mariama’ um grande samba, uma obra muito melodiosa e poética. A gente espera que o ‘Auto do Boi’ não decepcione, e tenho certeza de que não vai decepcionar”, completou.
A União de Maricá revelou os detalhes do enredo que marcará sua estreia no Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro em 2027. A escola abrirá os desfiles da Marquês de Sapucaí no domingo, 7 de fevereiro, com uma homenagem ao antropólogo, educador, escritor, indigenista e homem público Darcy Ribeiro, apresentando na Avenida o ideal de um Brasil mais justo, democrático e consciente de sua própria identidade.
A proposta da agremiação é revisitar a trajetória de Darcy Ribeiro a partir do sonho de país que norteou toda a sua vida. O desfile mostrará como cada etapa de sua caminhada contribuiu para a construção dessa utopia brasileira, tendo como fio condutor uma metáfora utilizada pelo próprio homenageado. Darcy costumava dizer que se parecia com as cobras por possuir muitas peles, imagem que inspirará a narrativa desenvolvida pela escola.
A apresentação percorrerá as diferentes facetas do intelectual: o menino de Montes Claros (MG), que sonhava ser Imperador do Brasil durante a Festa do Divino; o antropólogo dedicado à defesa dos povos originários; o educador que via a escola como instrumento de transformação social; e o homem público responsável por iniciativas marcantes, como a criação dos CIEPs e a idealização do Sambódromo da Marquês de Sapucaí.
O carnavalesco Edson Pereira destacou que o enredo busca valorizar não apenas a trajetória de Darcy Ribeiro, mas também seu pensamento sobre o Brasil.
“Esse enredo fala do sonho de um brasileiro múltiplo, de um homem que dedicou sua vida à educação, à cultura e ao povo. Darcy Ribeiro sonhava com um Brasil real, ainda inacabado, mas que valorizasse sua gente, sua história e sua identidade. Enxergar Darcy pelo olhar de quem estudou profundamente o povo brasileiro vai muito além de desenvolver um enredo. É valorizar um grande pensador, um artista da educação, alguém que cuidava do nosso povo e acreditava, acima de tudo, na construção de um futuro melhor para o Brasil”, afirmou.
Outro aspecto importante da narrativa será a ligação entre Darcy Ribeiro e Maricá. Foi na cidade fluminense que o intelectual concluiu O Povo Brasileiro, considerada a síntese de décadas de estudos sobre a formação do país. Essa relação reforça o simbolismo da homenagem promovida pela escola justamente em sua estreia na elite do carnaval carioca.
O enredista Mauro Cordeiro explicou que o conceito de “Utopia Brasil” sintetiza a proposta do desfile. “Darcy Ribeiro foi um grande brasileiro e a União de Maricá contará a sua história na Avenida a partir da ideia de ‘Utopia Brasil’, que representa a forma como ele interpretou, estudou e lutou pela construção de um país mais justo, democrático e igualitário. Esse é o fio condutor da nossa narrativa e também de toda a trajetória de Darcy. Ele foi um homem plural, que abraçou diferentes causas e dedicou sua vida à construção de um Brasil melhor. Não está circunscrito a uma única bandeira, mas às muitas frentes em que atuou e às diferentes ‘peles’ que vestiu ao longo da vida. É essa riqueza que pretendemos levar para a Avenida no nosso carnaval”, explicou.
Responsável por abrir os desfiles do Grupo Especial em 2027, a União de Maricá promete levar à Marquês de Sapucaí um desfile que une educação, cultura, identidade nacional e a trajetória de um dos maiores pensadores da história do Brasil, transformando a vida e o legado de Darcy Ribeiro em uma celebração da esperança e da construção de um futuro melhor para o país.
Na noite desta sexta-feira, durante o evento de lançamento do enredo da União de Maricá para o Carnaval 2027, realizado na Cidade do Samba, o ex-presidente da Liesa e presidente de honra da Vila Isabel, Capitão Guimarães, exaltou a infraestrutura da agremiação. Em um discurso enfático, ele defendeu que a estrutura montada pela escola deveria servir de exemplo para todo o Rio de Janeiro.
“Vi que a nova ‘Cidade do Samba’ já foi construída. Aqui nós temos que filmar tudo isso e passar para as imagens coirmãs e para o prefeito do Rio como deve ser um barracão de escola de samba. Se o quesito barracão fosse fazer parte do julgamento, a Maricá seria hors concours com 10 disparada. A gente lê na imprensa e às vezes algumas críticas dizendo que a Maricá está gastando dinheiro do contribuinte; isso tudo é inveja, porque se o senhor (prefeito Quaquá) gastasse 10 vezes mais o que está investindo na escola, não daria a divulgação que a escola dará a Maricá“, declarou.
Durante sua fala, o Capitão Guimarães também rebateu críticas veiculadas na imprensa sobre os gastos municipais com a escola de samba. Ele classificou os comentários negativos como “inveja” e afirmou que o retorno em visibilidade para o município é imensurável.
“Se o senhor gastasse 10 vezes mais o que está investindo na escola, não daria a divulgação que a escola dará a Maricá”, afirmou, dirigindo-se ao prefeito, ressaltando que o investimento faz parte de uma meta política para transformar a cidade num dos maiores municípios do país.
O enredo de 2027 da União de Maricá homenageará Darcy Ribeiro, um tema que toca pessoalmente o Capitão Guimarães. Ele relembrou sua trajetória na Vila Isabel em 1987, quando levou à avenida o enredo “Raízes”, baseado na obra “Maíra”, de Darcy. Além da admiração profissional, Guimarães revelou uma proximidade pessoal com o intelectual. Sobre a construção do desfile, Guimarães elogiou a escolha da síntese da obra de Darcy pelo carnavalesco Edson Pereira, com quem já trabalhou na Vila Isabel. Ele destacou que o desfile dará foco especial aos CIEPs e à revolução educacional proposta pelo mestre Darcy Ribeiro. No entanto, aproveitou o momento para fazer um desabafo sobre a situação atual dessas instituições.
Ao finalizar, Guimarães celebrou a “energia positiva” e o vigor da diretoria e dos componentes da escola, citando nomes como o presidente da agremiação, o prefeito e profissionais como o casal Julinho e Rute. Ele previu que a força da União de Maricá permitirá que a escola se “ombreie” com as grandes coirmãs que já estão há anos no grupo de cima.
“Sem sombra de dúvida, será um impacto importante na avenida para abrir o carnaval de 2027”, concluiu, reforçando que o exemplo do barracão de Maricá deve ser seguido por todos.
O Festival Folclórico de Parintins, que acontece de maneira tradicional no último final de semana do mês de junho, terminou oficialmente nesta segunda-feira, dia 29, com a apuração que sacramentou a vitória do Boi-bumbá Caprichoso. Com o tema “Brinquedo que canta seu chão”, o boi azul conquistou sua vigésima sétima estrela, contra 33 do Boi-bumbá Garantido.
Antes de iniciarmos possíveis comparações entre o Festival e os carnavais do Brasil, independente das praças, é preciso compreender a disputa dos bois-bumbás como algo pertencente a cultura local, que movimenta de maneira integral a economia da cidade e atrai cerca de 120 mil turistas nas três noites de competição.
Apesar de terem sido fundados em 1913, a disputa de boi surge oficialmente em 1966 com o objetivo de arrecadar fundos para construção da Catedral de Nossa Senhora do Carmo, padroeira de Parintins. Em 1975 a prefeitura assume a organização da disputa. Mais tarde, em 1988, o Bumbódromo, palco onde o festival acontece até hoje, é inaugurado.
Principais diferenças entre Festival de Parintins X Carnaval
Enquanto no carnaval as agremiações são julgadas em 9 quesitos, no festival os dois bois são avaliados em 21 itens: apresentador, levantador de toadas, marujada/batucada, ritual indígena, porta-estandarte, amo do boi, sinhazinha da fazenda, rainha do folclore, cunhã-poranga, boi-bumbá (evolução), toada, pajé, povos indígenas, tuxauas, figura típica regional, alegorias, lenda amazônica, vaqueirada, galera, coreografia e organização do conjunto folclórico.
Um detalhe importante, e que precisa ser destacado, é a ‘administração’ do bumbódromo durante cada apresentação dos bois. Enquanto o Caprichoso se apresenta, toda estrutura do palco é gerida pela equipe contratada do próprio boi. Ou seja, de luzes a iluminação cênica, passando pelas projeções holográficas, tudo é controlado por um profissional contratado, ciente da importância da sua função para que determinados itens alcancem a nota máxima. O mesmo acontece nas apresentações do boi Garantido.
Neste ano, o boi vermelho sofreu inúmeras críticas quanto ao som nas apresentações. As justificativas divulgadas escancararam o problema e ficou provado que uma boa técnica, também é crucial para vencer um campeonato.
Iluminação cênica bem usada é essencial para um grande espetáculo
Gargalo nos últimos anos no Carnaval do Rio de Janeiro, a iluminação cênica parece estar mais para solução do que para problema no Festival de Parintins.
Os bois parecem já ter compreendido que a iluminação faz parte do espetáculo principalmente naquilo que fazem de melhor: o efeito de ilusionismo. O bumbódromo possui 140 metros de comprimento e 60 metros de largura, totalizando 8.400 m2. Um espaço consideravelmente grande para múltiplas apresentações de itens. Os artistas realizam um efeito muito comum utilizado por grandes ilusionistas, fazem o espectador olhar exatamente para onde eles querem, enquanto a pouquíssimos metros dali, uma alegoria de 30 metros de altura está sendo montada para apresentação. A iluminação é essencial para que o efeito aconteça. O ‘breu’, escuridão total, parece não ser bem-vindo. Sempre há algo bem iluminado.
Outro detalhe importante no assunto iluminação, é a utilização forte das cores em neon, muito tradicional nas alegorias do atual campeão, Caprichoso. Mesmo quando há a necessidade de pouca luz, as alegorias ainda sobressaem com suas cores vivas, somadas aos leds, efeitos de fumaça e chuva de prata que estão frequentemente sendo disparadas.
Artistas Parintinenses adaptam suas técnicas quando ‘migram’ para o Carnaval
No festival de Parintins as alegorias chegam aos seus 30 metros de altura e são montadas em módulos. Que entram, se posicionam e somente dentro da arena, são vistos de forma completa, como foram idealizados. Algo que difere bastante dos desfiles de escola de samba é a simetria. Enquanto Parintins parece não se preocupar muito com certos “exageros”, como um pescoço ou outro maior que o tradicional, no espetáculo do carnaval isso é canetado sem muita parcimônia pelos jurados.
Uma coisa já dita há mais tempo pelo Capixabices e pelo Carnavalesco sobre os carnavais do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo, é de que é impossível sacramentar uma escola campeã através das lentes da emissora de transmissão do desfile. O carnaval acontece enquanto a TV te mostra aquilo que ela acha que você quer ver naquela hora. Equalização de áudio, cor, corte de câmera, consegue transformar um desfile 9,8 em nota 10, se bem dirigido.
No Festival de Parintins não é diferente. O que a emissora mostra não é 50% do que está acontecendo para além de onde o foco da câmera está. Num espetáculo que é estático e que gira o tempo inteiro, vê-lo in loco é essencial para compreender a dimensão daquilo que está sendo apresentado.
Conteúdo colaborativo entre CARNAVALESCO e Capixabices, durante a cobertura do Festival de Parintins 2026.
Para 2027, o Vai-Vai terá uma dupla de carnavalescos: Alexandre Louzada e Victor Santos. Juntos, eles desenvolverão o enredo “Três Obás de Xangô – A Mãe Bahia em Cantos, Cores e Memórias”, no qual cantará a amizade entre Jorge Amado, Dorival Caymmi e Carybé – três dos grandes artistas da história do Brasil. A dupla, nova, falou sobre como está a convivência e a divisão do trabalho entre eles ao longo do ciclo para o desfile à reportagem do CARNAVALESCO.
Algo que chamou atenção no início das falas de cada um dos carnavalescos vaivaenses foi a menção a alguns outros nomes importantes no mundo do Carnaval de maneira espontânea.
Victor foi o primeiro a ter tal atitude. Ele citou Nicolas Gonçalves, carnavalesco da coirmã Acadêmicos do Tucuruvi, ao falar sobre o início da jornada dele no universo das escolas de samba:
“Eu e o Nicolas somos amigos de adolescência e de infância. Eu o convidei para estar no carnaval comigo lá em Guaratinguetá – depois, ele saiu e eu fiquei. A gente ganhou no primeiro ano, também fui carnavalesco no Uruguai, em Uruguaiana também cheguei a ganhar lá. Tive, também, além de participar de Direção de Carnaval, passeei como carnavalesco Brasil afora – e até fora do país”, comentou.
A recíproca é verdadeira: no PodCarnavalesco SP #13, Nicolas citou o caminho da jornada do atual carnavalesco da Acadêmicos do Tucuruvi citando Victor Santos:
Já Louzada fez uma comparação direta de Victor com um integrante de uma dupla de carnavalescos muito celebrada e já campeã no Carnaval do Rio de Janeiro: “Primeiro de tudo: o Victor me lembra muito o Gabriel Haddad, que foi o primeiro carnavalesco da nova geração com quem eu trabalhei. Ele tem as características dele. A gente conversa, eu posso acrescentar alguma coisa no trabalho que ele esteja desenvolvendo e ele no meu, mas sem tropeços. A coisa se dividiu naturalmente – tanto é que, para escrever a sinopse para o enredo de 2027, eu falei para o Victor emendar o texto dele com o de tão semelhante e perto do que uma única pessoa escreveu. Ele é um cara muito organizado, ele tem uma cultura que transcende a juventude dele. Isso é uma coisa que me fascina e também me ajuda, porque eu não vou ensinar nada a ninguém”, disse.
Haddad, que assina desfiles juntamente com Leonardo Bora, foi, durante muito tempo, assistente de Alexandre Louzada – sobretudo nos períodos do atual carnavalesco alvinegro na Mocidade Independente de Padre Miguel e na Portela.
Eleição em pauta
Louzada revelou que o nome da dupla também era especulado para chapa que foi derrotada na eleição do Vai-Vai de 2026, realizada no dia 16 de março, na Câmara Municipal de São Paulo: “A gente tinha o plano de trabalhar junto e respeitou o momento que o Vai-Vai passava em relação à eleição. Eu já tinha sido sondado por outra chapa, mas eu quis honrar meus compromissos para saber se isso ia acontecer. E foi quase que no apagar das luzes que surgiu esse convite. Com o Milato, a gente tinha aquela coisa de ser quase que um pai; mas, com o Victor, não. O Victor é uma pessoa que veio com uma ideia formada, me ofereceu essa ideia, foi generoso de me oferecer parte do plano que ele tinha e combinou muito bem”, destacou, citando outro carnavalesco carioca – contratado para 2027 pela Unidos da Tijuca.
Parceiro inspirador
Como não poderia deixar de ser, Victor mostra-se bastante feliz em atuar junto com um dos grandes carnavalescos da história da folia: “Eu falo para o Louzada, já falei várias vezes e em outros lugares, que eu cresci vendo ele fazer e ganhar Carnaval. Se eu tenho um senso estético hoje, foi baseado no que eu entendo como receita para ganhar Carnaval. E, se a gente for pegar, historicamente falando, a receita para ganhar Carnaval é dele. Claro que eu tenho outras pessoas que são minhas referências como Sidnei França, Rosa Magalhães e Renato Lage – que são pessoas que eu admiro muito. Trabalhei com o Sidnei e fui assistente dele por oito anos, muito da minha formação vem dele, também”, destacando outras inspirações no cargo que ocupa atualmente.
Mostrando conhecimento da carreira de Louzada, Victor pontua grandes momentos do parceiro de Vai-Vai para ilustrar a grandeza do companheiro no posto: “É preciso entender que, quando tem o boom do Carnaval do Rio de Janeiro para mim, quando eu começo a entender como começa a se formar uma escola de samba e como uma escola de samba se organiza, era ele que estava ganhando – isso em 2006, 2007 e 2008. Carnavais que não foram campeões, como o do banho e como o próprio Carnaval da Portela de 2014, o do ‘Rio de Mar a Mar’, que eu também acho maravilhoso, são dele. Eu, que observava a história acontecer de fora, agora faço parte de quem escreveu essa história em outros tempos – e colaborando com isso”, disse.
Polivalente
Ao falar do parceiro carnavalesco, Louzada destacou que cargos anteriores deram a ele uma visão mais ampla de um desfile – e dos integrantes da escola como um todo: “Com a experiência de Diretor de Carnaval que ele teve, o Victor tem algumas manias em relação a entender o que a comunidade quer de fato – como desenhar uma saia e ouvir que as integrantes queriam se mostrar mais. São toques normais, ele estuda mais o corpo da escola do que eu”, comentou.
A fusão da cultura e das experiências que carrega com ele fazem de Vitor um profissional muito gabaritado, na visão de Louzada: “Enquanto literatura, ele é muito onírico, mas ele tem o pé no chão do Diretor de Carnaval de saber se essa ala é mista, se nessa ala a gente vai precisar inserir uma cena, um grupo cênico para poder explicar melhor a coisa. Quando o que sai daqui vai para outras áreas da escola, o trabalho pertence a todos nós: é uma criação coletiva, não é só minha ou dele. Existe a contribuição. Está sendo, muito tranquilo e, ao mesmo tempo, uma ansiedade sem tamanho, uma responsabilidade”, pontuou.
Emoção
Louzada aproveitou para contar o quanto já existe uma ligação muito forte entre a dupla de carnavalescos, a escola de samba e os parentes dos homenageados – todos já falecidos: “Nós tivemos uma reunião com a filha do Jorge Amado e, talvez, um pouco das lágrimas da gente conversando com ela foi desse peso e dessa responsabilidade que nós temos. Nós não estamos falando de qualquer coisa. Nós estamos nos colocando ao lado do Vai-Vai como obás. Nós estamos incrementando, aumentando essa contribuição do Vai-Vai como obá do samba, como uma representante digna. E, talvez, sem menosprezar nenhuma outra escola, acho que não seria outra escola que não fosse o Vai-Vai para fazer um enredo como esse. Eu, que já fui à Bahia com a escola, vejo que eles levam muito a sério essa coisa da mensagem que vai passar para o público. Isso que é muito legal, que a gente está encantado com o trabalho”, suspirou.
Peso do pavilhão
Estar na maior campeã do Grupo Especial de São Paulo motiva ainda mais os dois carnavalescos: “Para mim, é de uma honraria absurda e é louvável que, além de trabalhar com uma pessoa que eu sempre admirei, eu também chego na festa pela porta da frente. Quem começa pelo Vai-Vai, quem tem essa honra de estar carnavalesco dentro do Vai-Vai com 26 anos? Eu não me recordo disso. Eu preciso, para além disso, honrar as expectativas de quem está comigo, as minhas próprias e de uma escola desse porte, desse tamanho que me dá essa chance”, comemorou Victor.
Iniciando a quarta passagem dele pelo Vai-Vai (a primeira foi entre 2011 e 2012; a segunda, em 2015; e, a terceira, entre 2017 e 2018), Louzada preferiu brincar com a situação: “Se você analisar a grafia do Vai-Vai, já é uma dupla. Eu quero fazer uma camiseta – ele ‘Vai’ e eu ‘Vai’, também”, finalizou.