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Marcus Paulo defende protagonismo da Estácio: ‘berço do samba é incontestavelmente aqui’

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Fotos: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

A divulgação da sinopse do enredo da Estácio de Sá para o Carnaval 2027 marcou o início oficial da caminhada da vermelha e branca rumo a uma das celebrações mais emblemáticas de sua história. Na quadra da agremiação, a comunidade conheceu os primeiros contornos de “Centenário do Berço do Samba: Onde o Samba Virou Escola e o Brasil se Fez Carnaval”, obra que conduzirá o desfile dos 100 anos da escola. O evento também contou com uma roda de samba pensada como homenagem direta ao nascimento da estrutura rítmica criada no Estácio, e não apenas como entretenimento da noite. A apresentação reuniu nomes da casa, como o mestre de bateria Chuvisco, além de sambistas renomados, como Marcio Vanderlei e Beloba (irmão de Mestre Ciça), numa lembrança viva do ambiente que ajudou a moldar a identidade do samba moderno.

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Mas o centro das atenções esteve na palavra do carnavalesco Marcus Paulo, que detalhou o conceito do enredo e explicou o peso histórico da missão que assumiu.

“Acho que é o momento mais especial da Estácio nos últimos anos, com muita felicidade, porque falar do berço do samba, que é aqui, o Estácio de Sá, esse bairro, é uma responsabilidade muito grande. Contar a história da Deixa Falar mexe com uma memória muito profunda da cultura popular brasileira. Quando comecei a pesquisa, estava muito olhando para dentro da história da Estácio de Sá, para a trajetória da escola como instituição, para seus grandes momentos, suas transformações, mas fui esbarrando numa coisa muito especial: a Deixa Falar reuniu sambistas do Rio de Janeiro inteiro. O primeiro embrião da escola de samba surgiu com a Deixa Falar, esse modelo de escola de samba, mas ele só conseguiu aceitação cinco anos depois, quando aconteceu o primeiro desfile. Isso mostra que foi uma construção coletiva, um movimento cultural que precisou resistir até ser reconhecido”, declarou.

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Ao comentar a escolha da roda de samba como parte da apresentação da sinopse, Marcus revelou que a proposta conversa diretamente com esse passado de resistência.

“Essa roda de samba que está acontecendo aqui agora é uma provocação. Porque, no início, reunir-se para fazer samba era como abrir uma boca de fumo. A malandragem estava reunida, e a leitura que se fazia era a de que aqueles pretos reunidos para fazer samba tinham que ser presos. Então, esse lançamento da sinopse com essa roda de samba é para lembrar esse início, para lembrar que a nossa origem nasce desse enfrentamento, dessa resistência cultural, dessa insistência em fazer arte mesmo quando a arte era criminalizada”, revelou.

O carnavalesco explicou que o aprofundamento da pesquisa fez o enredo ganhar uma dimensão ainda maior do que a celebração da própria escola.

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“Foi com a união de várias escolas de samba, com Cartola do Morro da Mangueira, com Tatão e Bento do Morro do Borel e da Casa Branca, com Davi do Morro do Pinto, com Paulo da Portela, com Noel, que se conseguiu instituir essa festa. Quando fui entendendo isso, percebi que não podia falar só da Estácio de Sá. Eu tenho que falar das coirmãs também, porque elas contribuíram para essa construção. Falar do centenário da Deixa Falar é falar da história do Carnaval. É contar como essa manifestação saiu daqui, ganhou a cidade, ganhou o Brasil e depois o mundo”, afirmou.

A sinopse apresentada à comunidade materializa esse conceito ao reunir, em uma dimensão simbólica, figuras como Ismael Silva, Bide, Baiaco e Marçal, observando a evolução das escolas de samba e reconhecendo no Estácio a origem desse modelo cultural.

Sobre as discussões históricas em torno da data de fundação da Deixa Falar, Marcus foi direto.

“Existe esse questionamento, até dentro da própria escola. Algumas fontes apontam 27, outras 28, mas a correta é 27. E, mesmo que alguém questione isso, o meu título é ‘Centenário do Berço do Samba’. Porque o que é inegável é que, na época, eles não queriam ser o primeiro, o segundo ou o terceiro. Eles só queriam mostrar a cultura deles. A malandragem lançou moda, lançou cultura, lançou música, fez arte. Eles queriam mostrar um modo de existir, uma forma de ocupar a cidade através da cultura popular”, pontuou.

Na sequência, reforçou a defesa histórica que norteia a narrativa do desfile. “É inegável que o berço do samba é aqui. Eles vinham para cá, todos vinham para cá. E, quando não podiam mais fazer aqui, porque ficou muito visado e a polícia já sabia onde encontrar a malandragem reunida, o Estácio subiu o Morro da Mangueira com Cartola, subiu o Morro do Pinto, foi espalhando essa cultura para outros lugares. Mas o ponto inicial é aqui. É por isso que o meu título é ‘Centenário do Berço do Samba’. Porque isso é um fato histórico e cultural incontestável”, declarou.

Questionado sobre o que pode emocionar o estaciano no desfile, Marcus falou da identidade comunitária da escola. “Acho que vai emocionar ver a trajetória dessa grande escola, desde a Deixa Falar, Barra do Morro de São Carlos, Barra Estácio de Sá, seus grandes momentos, e ver outras comunidades representadas junto com o Complexo do São Carlos. Porque a Estácio é isso. É portão aberto. Você entra aqui e a quadra está aberta para bater papo, para fazer música, tocar um samba; está aberta até para você se consultar com uma preta-velha. Isso o dia inteiro. Esse acolhimento faz parte da identidade da escola. Então, contar a história deles é falar do Carnaval carioca. E isso emociona porque é uma história viva”, declarou.

Ao falar da futura disputa de samba, o carnavalesco indicou o espírito que espera ouvir dos compositores. “O que não pode faltar é essa malemolência, a malandragem do berço do samba. A marginalidade do berço do samba. Eu faço questão que a mais pura nata da malandragem, toda engomada, com seus belos vincos, apareça nesse bom samba. O samba precisa ter esse perfume, essa elegância, essa irreverência e essa cadência que nasceram aqui”, revelou.

Após a Unidos do Viradouro homenagear Mestre Ciça, cria da Estácio, surgiram alguns rumores de que a escola do São Carlos aproveitaria alguns itens usados na apresentação campeã do Grupo Especial de 2026, mas Marcus garantiu que o desfile do centenário da Estácio seguirá um caminho próprio.

“Até teria coisas que poderiam ajudar, mas esse é um momento muito especial. Já conversei isso com a diretoria. Tem que ser inédito. Tem que ser um momento da escola. O presidente Edson Marinho está fazendo todo esforço para a gente entregar um trabalho inédito. Todo mundo falou muito da abertura da Viradouro, mas a gente vai buscar outro caminho. Um caminho que seja só da Estácio, que tenha a cara da escola e a grandeza desse centenário”, afirmou.

Ao encerrar, confirmou que o desfile prestará reverência aos nomes fundamentais da trajetória estaciana.

“Não tem como não ter homenagem para Dominguinhos, Ciça, Ismael, Bide, Baiaco. Tem os mais contemporâneos, como Luiz Melodia. Até Gonzaguinha, que já foi nosso enredo. Não tem como não falar desses nomes, porque falar da história da Estácio é falar dessas pessoas que construíram a alma da escola”, concluiu.

Raissa Machado é a nova musa da Unidos de Vila Isabel para o Carnaval 2027

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Foto: Divulgação/Vila Isabel

A Unidos de Vila Isabel anuncia Raissa Machado como sua nova musa para o Carnaval 2027. Com uma trajetória consolidada na Marquês de Sapucaí, a sambista chega à azul e branca de Noel levando quase duas décadas de dedicação ao carnaval, marcada por momentos de destaque e conquistas importantes. Sua história no samba começou ainda na Viradouro, desfilando em carros alegóricos. Em 2008, participou do concurso para Rainha de Bateria da escola, chegando às semifinais. Ao longo da carreira, também desfilou pela São Clemente e foi musa da Mocidade Independente de Padre Miguel em 2013.

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Raissa ganhou reconhecimento durante sua passagem pela Unidos do Viradouro, onde ocupou o posto de Rainha de Bateria entre 2014 e 2020. Nesse período, participou de momentos históricos da escola, como dois títulos da Série A e a conquista do campeonato de 2020 no Grupo Especial. Nossa musa é pé quente e tri campeã.

Agora, seu retorno ganha um significado ainda mais especial. Mãe, Raíssa volta à Avenida inspirada pela filha, que passou a representar sua maior motivação dentro e fora da Sapucaí. Mais do que reviver momentos marcantes, ela retorna para mostrar que o samba também é herança, afeto e inspiração entre gerações.

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“Minha trajetória no Carnaval foi construída com muito amor, dedicação e respeito pela cultura do samba. Ao longo desses anos, vivi experiências que contribuíram para a minha formação como sambista e marcaram profundamente a minha história. Chegar à Vila Isabel representa um recomeço muito especial. Recebo esse convite com muita gratidão, responsabilidade e vontade de honrar essa comunidade tão tradicional. Estou muito feliz por fazer parte dessa família e pronta para viver intensamente esse novo ciclo”, afirma.

Agora, Raissa inicia uma nova etapa na carreira ao integrar o elenco da Unidos de Vila Isabel. No Carnaval 2027, a Unidos de Vila Isabel será a quarta escola a desfilar no Domingo de Carnaval, em 7 de fevereiro. A agremiação apresentará o enredo “Torto Arado – Sobre a Terra Há de Viver Sempre o Mais Forte”, inspirado na obra de Itamar Vieira Junior. O desfile será desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, em parceria com o pesquisador Vinicius Natal.

Sambistas têm dez dias para se inscrever em bolsas de estudo da Liesa e da Univassouras

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Faltam dez dias para o prazo final de inscrição dos sambistas do Grupo Especial no programa de bolsas recém-lançado pela Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) e a Universidade de Vassouras (Univassouras). Os benefícios, que podem chegar a 100% de desconto, têm período de adesão aberto até 17 de julho, antes da volta às aulas. Para garantir que todos os interessados tenham acesso às informações necessárias, a Univassouras promove uma live de orientação na quinta-feira, dia 9, às 18h, no perfil @univassourasead. O conteúdo incluirá informações sobre o programa, os critérios para participação, a documentação exigida e o passo a passo para inscrição.

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Além disso, entre os dias 13 e 17 de julho, equipes da Univassouras estarão de plantão na Rua da Alfândega, nº 25, no Centro do Rio, para prestar atendimento presencial aos candidatos. No local, conectado à estrutura da Liesa, será possível solucionar dúvidas e receber apoio na organização da documentação necessária para solicitar a bolsa.

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Acesso ampliado à faculdade

A iniciativa faz parte da parceria entre Liesa e Univassouras para ampliar o acesso ao ensino superior entre os profissionais e integrantes das escolas de samba, oferecendo oportunidades de qualificação por meio de cursos de graduação EaD (ensino à distância).

A modalidade proporciona maior flexibilidade para que os estudantes conciliem a formação acadêmica com as atividades profissionais, artísticas e pessoais.

As oportunidades contemplam cursos de Análise e Desenvolvimento de Sistemas; Logística; Marketing e de Gestão Financeira; Pública; Recursos Humanos; Produção Industrial, Negócios Imobiliários; Saúde Pública e do Agronegócio. Ao todo, são 500 bolsas integrais e parciais.

Os interessados devem acompanhar atentamente as orientações divulgadas pela Univassouras e seguir todas as etapas descritas na cartilha da ação para efetivar a inscrição dentro do prazo.

Projeto no Salgueiro leva atendimentos gratuitos com tecnologia laser à população e alcança 100% de recomendação

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Foto: Divulgação

Enquanto muitas vezes o Carnaval é lembrado apenas em fevereiro, o Instituto Carnaval 360° mostra que a maior festa popular do país também pode ser uma plataforma permanente de acesso à saúde. Nos dias 9 e 10 de julho, das 10h às 18h, a organização promove mais uma edição de seus atendimentos gratuitos de dermatologia e ginecologia, utilizando tecnologia laser de ponta, normalmente disponível apenas em clínicas particulares.

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Entre novembro de 2025 e junho de 2026, o Instituto já realizou mais de 300 atendimentos gratuitos na Vila Olímpica do Salgueiro, beneficiando moradores do Rio de Janeiro e integrantes das escolas de samba com procedimentos especializados que, na rede privada, possuem alto custo e dificilmente chegam à população mais vulnerável.

“A ideia é mostrar que o Carnaval pode ir muito além da avenida. Queremos promover saúde, educação e transformação social durante todo o ano. A tecnologia da Fotona permite oferecer tratamentos de alto padrão em ginecologia, dermatologia e odontologia para pessoas que jamais teriam acesso a esses procedimentos. Já conseguimos, por exemplo, evitar que centenas de mulheres que aguardavam cirurgia pelo SUS precisassem passar por uma intervenção cirúrgica”, destaca Ricardo Blaustein, presidente do Conselho da Fotona Brasil e fundador do Instituto Carnaval 360°.

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Os resultados já demonstram o impacto da iniciativa: 97% dos pacientes avaliaram o atendimento como excelente, e 100% afirmaram que recomendariam o Instituto Carnaval 360° a outras pessoas.

Quem é atendido

Mais de 700 pessoas já se cadastraram para participar das ações do Instituto Carnaval 360°. O perfil dos beneficiados evidencia o alcance social da iniciativa: 74% são mulheres, 61% se autodeclaram pretas ou pardas, 76% não possuem plano de saúde e 76% são atendidos por Clínicas da Família. Os dados mostram que o projeto chega justamente à população que mais depende do Sistema Único de Saúde (SUS) e que, fora dessa iniciativa, dificilmente teria acesso a tratamentos com tecnologia laser em ginecologia, dermatologia e odontologia.

Atendimento odontológico no Instituto Carnaval 360°, instalado na Vila Olímpica do Salgueiro

Os resultados também podem ser percebidos na vida dos pacientes. Tânia, atendida na especialidade de ginecologia, realizou um procedimento a laser para tratar a incontinência urinária e relata a mudança na rotina: “Já na semana seguinte, notei que não estava mais indo ao banheiro de madrugada. Fiquei dezembro, janeiro, fevereiro e março sem os sintomas, sem precisar do medicamento que a ginecologista tinha passado antes. Acho que toda mulher com incontinência tem que tentar, a gente merece!”.

Uma pesquisa de satisfação realizada após os atendimentos reforça esse impacto: 77% dos participantes relataram melhora significativa na condição física, enquanto 82% afirmaram ter percebido aumento da confiança e da autoestima.

Parceria com a rede pública de saúde

O Instituto Carnaval 360° também mantém uma atuação integrada com a rede pública de saúde. Antes do início das atividades, a equipe realizou um mapeamento dos equipamentos públicos localizados no entorno da Vila Olímpica do Salgueiro, promovendo visitas técnicas e reuniões com unidades como a Clínica da Família Odalea Firmo Dutra e o Centro Municipal de Saúde Maria Augusta Estrella.

O diagnóstico identificou uma demanda reprimida, especialmente nas áreas de dermatologia e ginecologia, e deu origem a uma parceria que amplia o acesso da população a tratamentos especializados, atuando de forma complementar ao Sistema Único de Saúde (SUS).

“Em 18 anos de Estratégia de Saúde da Família, não conheço um projeto como esse, que oferece equipamentos de alta tecnologia para atender à população mais vulnerável. Dificilmente, fora desse projeto, essa população teria acesso a esse tipo de procedimento — é tudo muito caro. Essa parceria é fundamental para melhorar a rede de cuidado com os moradores do nosso território”, afirma Kelle Cristina, assistente social da Clínica da Família Odalea Firmo Dutra.

Sobre o Instituto Carnaval 360°

O Instituto Carnaval 360° é uma organização social brasileira fundada em 2023, que atua na promoção do acesso gratuito à saúde de qualidade por meio de tecnologia laser de ponta em ginecologia, dermatologia e odontologia. Sediado na Vila Olímpica do Salgueiro, o projeto atende moradores das comunidades e também profissionais, componentes e integrantes de escolas de samba, ampliando o acesso a tratamentos especializados normalmente disponíveis apenas na rede privada. Inspirado na força transformadora do carnaval, o Instituto desenvolve ações ao longo de todo o ano, unindo saúde, cidadania e inclusão social.

Serviço
Atendimentos gratuitos – Instituto Carnaval 360°
Datas: 9 e 10 de julho de 2026 (quinta e sexta-feira)
Horário: das 10h às 18h
Local: Vila Olímpica do Salgueiro – Rua Silva Teles, 104 – Andaraí – Rio de Janeiro
Especialidades: Dermatologia e Ginecologia
Informações: Os atendimentos desta edição são realizados mediante agendamento prévio. Durante a ação, também será possível realizar cadastro para as próximas edições do projeto.

Cláudia Simas e Vinicíus Rodrigues são os novos coreógrafos da comissão de frente da Acadêmicos de Niterói

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Foto: Divulgação/Paschoal Villardo

A Acadêmicos de Niterói anunciou os novos coreógrafos da comissão de frente da escola para o carnaval de 2027. Cláudia Simas e Vinicíus Rodrigues assumem o comando do quesito em busca dos 40 pontos no próximo desfile. Vinícius possuía a função de Diretor Artístico na escola e Cláudia já atuava na equipe. Cláudia Simas é dançarina, professora e coreógrafa, com uma carreira construída por meio do estudo, da dedicação e da vivência no universo do samba e da dança brasileira. Formada pelo mestre Jaime Arôxa e registrada pelo Sindicato dos Profissionais da Dança do Rio de Janeiro, desenvolveu uma trajetória marcada pela atuação em companhias de dança, espetáculos, projetos culturais e grandes eventos.

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Ao longo de sua carreira, integrou importantes Comissões de Frente do Carnaval Carioca, como as da Mocidade Independente de Padre Miguel e da União da Ilha do Governador. Também participou de produções artísticas ao lado de grandes nomes da música brasileira, como Diogo Nogueira e Alcione, além de levar a cultura do samba para diversos estados do Brasil e para países da Europa e dos Estados Unidos, ministrando workshops e realizando apresentações.

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Vinícius é nascido e criado no mundo do samba. Começou como passista aos 5 anos na Beija-flor. Depois migrou para o projeto de mestre-sala e porta-bandeira de Selminha Sorriso e Claudinho e também participou do Projeto Manoel Dionísio. É Campeão do maior espetáculo de samba de gafieira do mundo: Gafieira Brasil. Também comandou as comissões de frente da Acadêmicos do Sossego, Acadêmicos da Diversidade, Força Jovem Vasco e Unidos de Bangu no qual obteve a Nota Máxima em 2022 trazendo uma grande homenagem a Castor de Andrade com o Jogo do Bicho na Marquês de Sapucaí. Hoje é Professor de Dança pela Secretaria Municipal de Esporte e Lazer do Rio de Janeiro disseminando e inserindo novos contribuintes e talentos na Dança de Salão.

Vinícius gravou as novelas da Globo como “A Força do Querer”, “A Travessia” na temática do Samba e dirigiu um grupo de dançarinos no programa: Esquenta da Regina Casé, é um dos fundadores do Grupo Os Gafieiristas que ganhou o Prêmio Dez ou Mil do Programa do Ratinho (SBT) e Diretor da CIA AYÔ, que teve participação representando o Samba no Jogos Mundiais de Capoeira 2023 na Fundição Progresso/Lapa e nos Jogos Mundiais Estudantis no Parque Olímpico da Barra da Tijuca 2023.

A agremiação será a 5ª escola a desfilar na sexta-feira de carnaval, 5 de fevereiro, na Marquês de Sapucaí.

União de Maricá divulga regulamento e calendário da disputa de samba para o Carnaval 2027 com premiação de R$ 100 mil

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Foto: Renata Xavier/União de Maricá

A União de Maricá divulgou o regulamento oficial da disputa de samba-enredo para o Carnaval 2027. Além de uma premiação total de R$ 100 mil para a parceria vencedora, a escola oferecerá um incentivo financeiro às parcerias finalistas, reforçando o compromisso de valorizar os compositores e promover uma disputa de alto nível. A disputa será aberta, permitindo a participação de compositores de todo o Brasil, sem a obrigatoriedade de vínculo com a Ala de Compositores da escola. Cada parceria poderá ser formada por até oito integrantes. O calendário teve início com a divulgação da sinopse do enredo “Utopia Brasil: Darcy Ribeiro” e prevê uma série de encontros de tira-dúvidas com o carnavalesco Edson Pereira e o enredista Mauro Cordeiro, além de audições internas para acompanhamento do desenvolvimento das obras.

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A entrega dos sambas acontecerá no dia 24 de agosto, na quadra da União de Maricá. A primeira apresentação (com corte) será realizada durante a Feijoada da Maricá, em 29 de agosto. Em seguida, serão disputadas a segunda eliminatória, a semifinal e a grande final, marcada para 18 de setembro.

Como forma de incentivar a participação das parcerias, todas as classificadas para a final receberão um adiantamento de R$ 20 mil. A parceria campeã receberá os R$ 80 mil restantes, totalizando a premiação de R$ 100 mil, além de manter integralmente os direitos referentes ao direito de arena do samba vencedor.

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O regulamento também estabelece que não haverá cobrança de taxa de inscrição, determina as regras para inscrição das obras, estrutura das apresentações, utilização de músicos da escola, critérios de participação e demais normas que irão conduzir a disputa.

O regulamento completo está disponível nos canais oficiais da União de Maricá. A expectativa da escola é reunir grandes compositores em uma disputa que represente, com criatividade e emoção, o enredo que levará à Marquês de Sapucaí a trajetória e o legado de Darcy Ribeiro no Carnaval 2027.

Calendário oficial
Tira-dúvidas com o carnavalesco e o enredista Mauro Cordeiro (Barracão da Cidade do Samba, às 19h)
14 de julho
20 de julho
27 de julho
3 de agosto

Audições internas dos sambas (Barracão da Cidade do Samba, às 19h)
10 de agosto
17 de agosto

Entrega dos sambas
24 de agosto, das 19h às 21h, na quadra da União de Maricá

Primeira eliminatória
29 de agosto, durante a Feijoada da União de Maricá

Segunda eliminatória
4 de setembro, às 20h

Semifinal
11 de setembro, às 20h

Grande final
18 de setembro, às 20h

Morro da Casa Verde mergulha na Jurema Sagrada e levará a história do Catimbó ao Anhembi no Carnaval 2027

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Foto: Divulgação/Morro da Casa Verde

Morro da Casa Verde revelou, na última terça-feira, por meio de suas redes sociais, o enredo que defenderá no Grupo de Acesso 1 do Carnaval de São Paulo em 2027. Com o título “Reconto Minha Fé: O Conto de um Ponto Catimbozeiro”, a escola promete transformar o Sambódromo do Anhembi em um grande reino da Jurema Sagrada, exaltando a história do Catimbó e a trajetória de Seu Zé do Catimbó, figura central da narrativa. O desenvolvimento do enredo ficará a cargo do carnavalesco Ulisses Bará, que assina o projeto artístico da escola, em parceria com os enredistas Gabriela Bertti e Matheus Godoy.

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No anúncio, a agremiação convidou a comunidade para uma imersão no universo da encantaria brasileira. “A fumaça do cachimbo vai subir e o Anhembi vai virar o reino sagrado da Jurema”, destacou a escola, antecipando o clima místico que pretende levar para a avenida.

Segundo a proposta, o desfile apresentará uma jornada que tem início na pajelança indígena e percorre a formação do Catimbó, manifestação religiosa genuinamente brasileira, consolidada a partir da resistência cultural do povo nordestino. O enredo pretende evidenciar as raízes indígenas, africanas e populares que moldaram essa tradição espiritual ao longo dos séculos.

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Em tom de celebração, a escola também anunciou que “os portais da encantaria” serão abertos para contar a emocionante caminhada de Seu Zé do Catimbó, personagem que simboliza a força, a sabedoria e a conexão com a Jurema Sagrada. A expectativa é de um desfile marcado por elementos ritualísticos, símbolos da religião, maracás, pontos cantados e a atmosfera dos terreiros.

O texto de divulgação reforça ainda a identidade do projeto com a frase: “Em uma mistura de mistério e malandragem, o ponto vai ser riscado no terreiro do Morro”, indicando que a apresentação deverá unir espiritualidade, cultura popular e forte impacto visual.

 

Grande Rio lança oficialmente a disputa de samba para o enredo ‘Sankofa Tabon’ e revela cronograma

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Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

A Acadêmicos do Grande Rio deu início oficialmente ao processo de escolha do samba-enredo para o Carnaval 2027. Com o lançamento da sinopse e do regulamento, a agremiação estabeleceu que as parcerias deverão entregar suas obras no dia 24 de agosto, enquanto a grande final da disputa será realizada em 20 de setembro, quando será conhecido o samba que defenderá o enredo “Sankofa Tabon: Os Retornados da Costa do Ouro e a Estrela Negra da Liberdade”.

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O regulamento permite a participação de compositores que também estejam inscritos em disputas de outras escolas do Grupo Especial. Cada obra poderá reunir até seis compositores, sendo proibida a participação especial, e deverá ser inédita.

Antes da entrega dos sambas, a escola promoverá dois encontros de “tira-dúvidas” entre as parcerias, o carnavalesco e a direção de carnaval: o primeiro acontece em 13 de julho, na quadra, das 19h às 21h, e o segundo em 17 de julho, no barracão, das 16h às 18h.

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As inscrições serão efetivadas em 24 de agosto mediante o pagamento de uma taxa de R$ 200 por parceria. No mesmo dia, entre 20h e 22h, também deverão ser entregues a gravação oficial do samba, 100 cópias da letra e cinco pen drives contendo o arquivo em formato MP3.

Assim como nos últimos anos, a gravação obrigatoriamente deverá ser interpretada pelo cantor oficial da escola, Ito Melodia. O regulamento também determina que apenas vozes de coro poderão participar da gravação, sendo proibida a utilização de intérpretes oficiais de outras escolas do Grupo Especial do Rio de Janeiro.

Outra novidade é que a divulgação dos sambas concorrentes será feita inicialmente, de forma exclusiva, pelos canais oficiais da Grande Rio. Clipes e demais materiais produzidos pelas parcerias somente poderão ser publicados 48 horas após a divulgação oficial da escola.

Nas apresentações presenciais, as parcerias poderão utilizar até cinco microfones e três canais para instrumentos de corda. O regulamento proíbe o uso de alusivos, de cantores que sejam intérpretes oficiais de escolas do Grupo Especial, além de vedar roupas que façam referência a outras agremiações, clubes esportivos, propagandas políticas ou comerciais. Também não será permitido o uso de artefatos explosivos, pirotécnicos ou papéis picados com fitas metálicas dentro da quadra.

A direção da Grande Rio ressalta ainda que cada parceria será responsável pela conduta de seus integrantes e torcidas, inclusive nas redes sociais, podendo sofrer punições em caso de atitudes consideradas ofensivas ou desrespeitosas.

Calendário da disputa de samba da Grande Rio – Carnaval 2027
24 de agosto – Entrega dos sambas e inscrições das parcerias
08 de setembro – 1ª Eliminatória
15 de setembro – Semifinal
20 de setembro – Grande Final

Grande Rio 2027: Leia a sinopse do enredo

Grande Rio 2027: Leia a sinopse do enredo

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Foto: Divulgação/Grande Rio

SANKOFA TABON ★ Os retornados da Costa do Ouro e a Estrela Negra da liberdade ★

 Ekome feemó[1]

Eu nasci antes de mim.

Carrego o que é passado e o que ainda virá, como o próprio tempo que trama destinos em tecidos de algodão e borda as cores de cada caminho. Sou como o kente[2] em que minha mãe me embalava enquanto contava quem somos, a nobreza que carregamos e o orgulho de ter a pele que brilha como a estrela negra no céu de África.

Sou travessia e atravessamento. A história que retorna para ser reescrita. Vou nas asas de Sankofa, pois sou como ele, o pássaro dourado que caminha em frente, sempre olhando seu passado, sua raiz. Retornar a si mesmo é poder se transformar. Vou para a Costa do Ouro, ao reencontro com o mais profundo do que sou, para colher sonhos de liberdade e paz.

  1. O retorno

Das poucas lembranças da minha terra natal, guardo a memória de minha mãe dizendo que somos valiosos como o ouro que reluzia à luz do sol em nosso chão, e que a perversidade do mundo jamais seria capaz de separar nossa alma de nosso próprio lar. Ainda criança, embarquei no navio agourento que trouxe minha família ao Brasil. Cruzamos o oceano das incertezas para o desconhecido. Agora chegou a hora de enfrentar as marés para me reconhecer. Voltar à África, pisar meu chão.

Meus parentes ainda estarão lá? O que me espera do outro lado? O vento toca meu rosto e traz com ele uma ave que brilha como se fosse esculpida em ouro. Ela posa ao meu lado e diz: “é hora do retorno”. Sankofa, a ave se apresenta. Repete as histórias que minha mãe me contava sobre a riqueza, o poder e a glória dos Ashanti, a força dos tambores e dos povos que construíram o grande império e as belezas da Costa do Ouro. Diz que venho da terra onde o tempo não termina: se renova. Terra em que os símbolos Adinkra[3] guardam ensinamentos longevos, onde meus ancestrais são reis e rainhas, de onde vem a nobreza que corre no sangue de cada negro africano que chegou aqui no Brasil. Sankofa é o próprio destino, para mostrar o caminho, revelar o valor do retorno e fazer da memória uma forma de eternidade.

Embarco porque, nessa terra que também aprendi a amar, eu lutei. Participei de revoltas que sacudiram a Bahia. Jamais nos conformamos. No Levante Malê, o maior entre todos, fomos centenas nas ruas da capital, trajados de branco, armas em punho, em batalha por nossa liberdade. O poder do Império do Brasil tremeu. Temerosos de nossa força, estão nos mandando de volta.

Eles nos enviam como punição, sem saber que este retorno habita meus sonhos desde a infância. Carrego dor, mas também esperança.

Mais uma vez atravessaremos o imenso mar, o Atlântico que é negro feito nós, das águas salgadas que se confundem com os prantos indizíveis.

Somos centenas, novamente em travessia. Iorubás, hauçás, jejes, fons, nagôs. Retornados. Levamos conosco o que aprendemos nesta terra: o trabalho, a música, as crenças e os ritos nascidos do encontro entre tantas Áfricas que constituíram quem somos. Do outro lado do mar, não chegaremos de mãos vazias.

Que Xangô, orixá da Justiça, nos conduza.
Que Nyame, Deus supremo da minha terra, nos receba.
Porque quem retorna ao seu povo jamais caminha sozinho.

  1. O encontro

A Costa do Ouro brilha e, em meus olhos marejados, parece ainda mais rica do que minha mãe me dizia. Tesouro que não se mede apenas pelo ouro, pelos metais ou pelos rios que irrigam a vida e cortam esse chão onde agora pisam meus pés descalços. A maior riqueza desta terra respira e tem alma. Está na profusão de línguas que desconheço, nos rostos que me sorriem como se nunca tivéssemos nos distanciado, nas mãos que se estendem ao encontro das minhas.

Os Akan são os primeiros a nos acolher. A herança das grandes mães, a força das florestas e a fertilidade que perpetua o matriarcado. Reconheço os Ashanti por seus mantos coloridos, os mesmos que me embalavam quando bebê e que parecem caminhar antes mesmo de seus corpos, como se carregassem a memória de seu povo em cada fio. Ao lado dos Fanti, aprendemos o tempo do plantio e da colheita, e que a paciência da terra também ensina a paz entre os homens. No cair da noite, conhecemos os Ewe, povo do vodun e da dança sagrada em honra a Mawu, e os tambores falantes dos Dagomba.

Com os Gás, enfim, compreendemos o verdadeiro sentido do pertencimento. Mantse Nii Ankrah, chefe supremo desse povo dedicado ao comércio e à pesca, recebeu-nos, protegeu-nos e ofereceu a terra onde hoje habita nossa comunidade. E então, erguemos construções grandiosas, fizemos brotar água do solo árido, vestimos os trajes dos poderosos e cultivamos frutos e sementes que trouxemos do lado de lá.

Como nosso português lhes soava estranho, nossos irmãos guardaram a expressão que mais nos ouviam repetir nas feiras e nas conversas: “está bem”, “está bom”, “tá bom”. Desse entendimento nasceu um nome que atravessou toda a Costa do Ouro. Deixamos de ser apenas viajantes. Tornamo-nos um povo: os Tabons. Brasileiros em Gana, africanos retornados, o povo do Agbê.

Dabi m’beru agbê, kim be wa jo yee!
Dabi m’beru agbê, kim be wa jo eee![4]

O som dos tambores percorre cada viela de Otublohum, pois essa sexta é de celebração. Ouço o agbê soar alto: o malinwo[5] conduzindo a música, o agogô dando a textura do som, o canto da comunidade respondendo em iorubá, como aprendemos no Brasil. As mulheres ocupam o centro da roda, alimentos sagrados são oferecidos e os ritos se cumprem. É tempo de saudar Xangô.

O Orixá da Justiça nunca foi cultuado na Costa do Ouro. Fomos nós, os retornados, que o trouxemos para esta terra. Desde então, ele se faz presente em nossas festas, celebrações e despedidas. É quando Bahia e África deixam de ser duas margens e voltam a ser uma mesma memória.

A Xangô tudo devemos. Foi ele quem protegeu nossa embarcação no retorno, quem vomitou ouro à porta das nossas casas, quem atravessou o oceano na forma de uma cobra para jamais nos abandonar. Por isso, todos os anos realizamos este grande festival em sua homenagem. Em seu templo, oferecemos aguardente, nozes e dendê, evocamos nossos antepassados e buscamos a sabedoria dos mais velhos.

Nos últimos tempos, nossas preces têm sido também por proteção a essa terra, que tem sofrido grande ameaça. Os brancos avançam sobre a África, dominando nações, impondo seus modos de vida e saqueando suas riquezas. Pergunto-me se viveremos sob poder estrangeiro, como aconteceu no Brasil.

Penso em me juntar às lutas que explodem por todo esse território. Mas sei que minhas forças já se despedem de mim. Meu desejo é fazer correr o tempo para testemunhar a vitória daqueles que lutam pela Justiça. Conforta-me saber que, como ancestral, verei, pelos olhos de meus filhos e netos, o sonho do povo do ouro acontecer.

III. O sonho

E que sonho é este, que me une a este povo que também é meu, que também eu sou? O pássaro do retorno, que jamais me abandonou e segue ao meu lado neste momento de despedida, novamente me abraça, aponta para o futuro e revela o destino que aguarda nossa gente. Me mostra os sonhos bons que irão se realizar.

O sonho de “um povo livre e independente”. De uma nação “livre para sempre”[6].

Vejo, enquanto meus olhos lentamente se fecham, um povo que não cessa de lutar para destruir o fardo dos dominadores e construir seu próprio caminho. Um povo marcado por traumas que atravessam gerações, mas que são incapazes de apagar sua história, a beleza de sua cultura e a grandeza criadora do tambor.

O sonho pan-africano, pois “nossa independência não tem sentido a menos que esteja ligada à libertação total da África”6.

A estrela para a qual Sankofa agora me conduz, com a mesma asa que um dia, na Bahia, apontou o mar, é negra como aquela que habitava as memórias de minha mãe. Brilha sobre todo o continente, do norte ao sul, do oriente ao ocidente, unindo povos, línguas e territórios. É estrela e é bússola. Espelho da riqueza, do poder e da grandeza dos impérios da nossa costa do ouro e de tantas outras civilizações africanas. Um símbolo do que podemos ser, caso estejamos unidos, mesmo em nossas diferenças, lembrando que nossa raíz é a mesma, resistente, que se estende por essa terra, cresce como tronco forte e floresce como a liberdade.

Meu coração está leve, meu espírito em paz diante do que Sankofa me revela. Chegará o tempo da reparação. O que nos foi roubado será restituído, não pela bondade dos opressores, mas pela força de nossas ideias, de nossa memória e de nossa luta. Haverá um dia em que o mundo reconhecerá ter sido este o maior crime da história da humanidade. E então viveremos…

O sonho do dia em que, vencidas todas as batalhas e restituída a dignidade que o colonialismo tentou destruir, se fará ouvir por toda a África, e por todos os povos do mundo:

“Despertamos. Não vamos mais dormir. Hoje, a partir de agora, existe um novo africano no mundo!”6

Carnavalesco: Antônio Gonzaga
Pesquisa e texto: Jader Moraes e Antônio Gonzaga

[1] Saudação que abre as reuniões e ritos Tabon. Significa: “Estejamos reunidos”

[2] Tecido tradicional da cultura ganesa

[3] Ideogramas do povo Akan, com pensamentos, sabedorias e provérbios populares

[4] Traditional Tabon song, freely translated as: “We have begun the Agbê dance. Yes, we invite everyone to come and dance the Agbe

[5] A traditional drum of the Agbe

[6] Excerpts from Ghana’s historic Independence Speech, delivered by Kwame Nkrumah on March 6, 1957

Referências:

Textos

Amakye-Boateng, Benjamin. Music of the Tabom: An Emblem of Identity. Humanities, v. 8, n. 2, art. 95, 2019.

AMOS, Alcione Meira. Os que voltaram: a história dos retornados afrobrasileiros na África Ocidental no século XIX. Belo Horizonte: Ed. Tradição Planalto, 2007

Fonseca, Carlos. Os retornados: a história dos ex-escravizados que deixaram o Brasil e formaram comunidades afro-brasileiras no golfo do Benim. Rio de Janeiro: Record, 2024.

Lima e Souza, Mônica. Entre margens: o retorno à África de libertos no Brasil. 1830-1870. Rio de Janeiro: UFF, 2008. (tese de doutorado)

Ogot, Bethwell Allan (ed.). História geral da África, V. Brasília: UNESCO, Instituto Humanize, 2021

Schaumloeffel, Marco Aurelio. Tabom: a comunidade afro-brasileira do Gana. São Paulo: Geração Editorial, 2008.

Audiovisual

Tabom na Bahia (Documentário | Disponível no Youtube)

Ghana’s Independence Day Speech by Dr. Kwame Nkrumah (Discurso | Disponível no Youtube)

Quem são os retornados? O Brasil que renasceu em Gana (Brasil de Fato | Disponível no Youtube)

Agradecimentos

A Grande Rio agradece, de forma especial, à Embaixada do Brasil em Gana e a todas as pessoas que nos receberam em Accra, durante visita realizada em junho de 2026:

Excelentíssima Senhora Mariana Gonçalves Madeira, Embaixadora do Brasil em Gana
Excelentíssimo Senhor Nii Amasah Namoale, Embaixador de Gana no Brasil
Ministério do Turismo, da Cultura e das Artes Criativa de Gana
Heather Mamuna Nelson
Nii Aruna III (Tabon Weku Onukpa )
Alhaji Mustapha Ankrah
Nii Quao Ribeiro I (Tabon Nifahene)
Mr. Adamu Morton
Bishop Michael Boateng Fiscian
Rev Fr Dr Edward Nelson
Mr. Stephen Dodoo Ofei (Dodoo Nsakie Weku Onukpa)
Mr. Dan Agudey

 

Marcelinho Calil revela bastidores da escolha de Bellinha Delfim: ‘A escola fez justiça’

calilpodcast
Foto: Divulgação/Setor Sul Podcast

A escolha de Bellinha Delfim como nova rainha de bateria da Viradouro foi tema da participação do presidente da escola, Marcelinho Calil, no podcast “Setor Sul”, na última segunda-feira. O dirigente afirmou que a nomeação representa o reconhecimento de uma trajetória construída ao longo de quase dez anos na agremiação e revelou que a comunidade já cobrava há bastante tempo a promoção da sambista ao posto máximo à frente da bateria. Segundo Calil, a repercussão nas redes sociais e os constantes pedidos dos torcedores demonstravam que Bellinha era o nome natural para suceder Juliana Paes, que deixou o cargo após o Carnaval de 2026.

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“Não aguentava mais. Era uma chuva de comentários nas redes sociais. Mérito. Ela chega na escola há 9/10 anos, passa pela ala de passistas, musas e rainha de bateria. A escola fez justiça para quem vinha tendo destaque espetacular. Tem todos os predicados para ocupar aquele cargo. Samba demais e esquenta pista. É uma decisão da escola toda. Não havia dúvida que ela era o caminho na saída da Juliana. Ela está pronta para ter essa chance. Tenho certeza que ela vai botar pra f… na Avenida, porque esperou muito essa chance. Ela está com a faca e o queijo na mão”, disse Calil.

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O presidente ressaltou que a decisão não foi individual, mas sim um consenso dentro da escola. Para ele, Bellinha reúne todas as características necessárias para representar a Viradouro à frente da bateria, destacando seu desempenho na dança, sua identificação com a comunidade e o longo período de dedicação à agremiação.

Ao afirmar que “a escola fez justiça”, Calil reforçou que a promoção foi fruto do reconhecimento pelo trabalho desenvolvido por Bellinha ao longo dos últimos carnavais. Antes de assumir o posto de rainha, ela construiu sua trajetória passando pela ala de passistas e pelo posto de musa, consolidando-se como um dos principais nomes da vermelho e branco.

Agora, Bellinha Delfim terá a missão estar à frente da bateria “Furacão Vermelho e Branco” no Carnaval de 2027, sucedendo Juliana Paes, que marcou época durante sua passagem pelo cargo. A expectativa da diretoria é de que a nova rainha mantenha o alto nível das apresentações e fortaleça ainda mais a ligação entre a bateria e a comunidade de Niterói.