A Unidos de Vila Isabel realizará no sábado, dia 24, inscrições gratuitas de novos componentes para o desfile do Carnaval 2025. Ao todo, serão ofertadas 450 vagas para alas especiais. Nesta etapa, o processo é destinado exclusivamente a pessoas entre 18 e 50 anos. Os interessados devem comparecer entre 14h e 18h na quadra da Vila Isabel, localizada no Boulevard 28 de Setembro, levando um documento original com foto.
Foto; Nelson Malfacini/CARNAVALESCO
“Esse processo garante que possamos nos organizar bem e tudo saia da melhor maneira possível no dia do desfile. Estamos preparando um Carnaval de tirar o fôlego”, afirmou Diego Mendes, diretor de harmonia.
A Vila Isabel será a última escola a desfilar na segunda-feira de Carnaval. A azul e branca do bairro de Noel levará para a avenida o enredo “Quanto mais eu rezo, mais assombração aparece”, desenvolvido pelo carnavalesco Paulo Barros.
Serviço
Inscrição gratuita de novos componentes
Data: 24/01
Hora: 14h às 18h
Endereço: Quadra da Vila Isabel – Boulevard 28 de Setembro, Vila Isabel
Criado para realçar as personalidades negras que mais contribuem para as artes, as ideias e a cultura do Rio, o projeto Pretagonismo vai destacar em sua próxima edição, a potência da juventude negra carioca. Serão homenageados jovens negros do asfalto e da favela, de todas as regiões da cidade, que se destacam por sua criatividade, flexibilidade e talento em diferentes artes e ofícios.
Foto: Ewerton Pereira/Divulgação
Entre as referências que serão contempladas com a moção que já foi entregue a personalidades do carnaval como Nilce Fran, a atriz Egili Oliveira será uma das “pretagonistas” do evento que acontecerá nesta quinta, 22, no Salão Nobre da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
Nascida na Bahia, criada entre Niterói e São Paulo, Egili chegou ao Rio de Janeiro trazendo toda a ancestralidade e potencial cultural herdado dos pais. Sua trajetória no carnaval carioca teve início nos Acadêmicos do Salgueiro, escola onde foi premiada e reconhecida pelo estilo de samba e pelo sorriso largo que conquistou a Sapucaí e o mundo. Criou o método “samba coração” e com ele viajou pelos cinco continentes, sendo a pioneira em formar passistas internacionais promovendo um verdadeiro intercâmbio de experiências para suas alunas de fora do país que, todos os anos, vivenciam a folia carioca.
Atriz com participações em campanhas publicitárias e filmes, Egili teve parte de sua história como rainha de bateria dos Acadêmicos de Vigário Geral, retratada no documentário “Egili, Rainha Retinta no Carnaval”, uma produção da cineasta alemã Caroline Reucker que vem surpreendendo a crítica dos principais festivais internacionais.
Pretagonismos é uma iniciativa do mandato do vereador Edson Santos (PT), com apoio do Instituto Avança Nega. Nesta quarta edição, serão homenageados artistas e profissionais como a estilista Cristina Cordeiro, o escritor Jessé Andarilho e o produtor cultural Guilherme Oliveira.
“Numa cidade desigual e de tantos contrastes como o Rio, a juventude negra em geral só ganha destaque quando mata ou morre no horror da violência urbana. Por isso é tão importante valorizar a contribuição dos jovens negros que são referências positivas em suas comunidades ou áreas de conhecimento. Os negros sempre precisaram ser criativos, nossa história é sobre força, vontade e consciência. Hoje é a juventude negra que mostra os novos caminhos dessa luta e isso tem que ser valorizado”, defende o vereador.
Em entrevista ao CARNAVALESCO durante a final da disputa de samba no último sábado, o novo vice-presidente da União da Ilha, Donato, contou como foi sua eleição, como espera que o próximo carnaval da escola seja, e sua relação com a Ilha do Governador e com a cultura dos bairros localizados lá.
Foto: Matheus Morais/CARNAVALESCO
“Ganhamos com uma diferença bem significativa, o que quer dizer que a população da União da Ilha do Governador realmente elegeu a nossa Chapa Azul e quer que a gente faça um excelente carnaval aqui na Ilha do Governador, o qual já prometemos a nossa sociedade. Aos frequentadores da escola, aos integrantes, aos sócios da escola, vamos para a avenida com um carnaval muito bonito”.
Em seguida, Donato continuou explicando mais sobre a sua relação com a Ilha, e com a movimentação ao redor de buscas de melhorias para o bairro:
“A gente tem um amor e um carinho como morador da Ilha, como insulano. Eu amo a Ilha do Governador. Eu acho que a Ilha do Governador é um bairro que está um pouco esquecido pelo poder público, mas que politicamente estamos realmente efetuando um trabalho muito bom, principalmente com a reabertura do Hospital Paulino Werneck. A gente conseguiu através da nossa movimentação, o ‘lha do Governador, merece mais’, fazer vinte e duas manifestações e, assim, conseguir a reabertura do hospital. A gente está muito feliz com isso. Conseguimos essa vitória incrível para a Ilha do Governador”.
O dirigente então pontuou o que espera realizar como melhorias para a escola na questão estrutural, chegando a transformá-la também em um clube com infraestrutura tal.
“A gente tem um projeto incrível para a União da Ilha, que é transformar a União da Ilha em um clube. A nossa ideia aqui para a União da Ilha é fazer com que ela seja um clube, tenha piscina, quadra esportiva, quadra poliesportiva. Fazer com que a União da Ilha cresça. E não só União da Ilha, mas como a Ilha do Governador volte a ser a referência que era há quinze, vinte anos. Que o insulano tenha orgulho de ser um insulano nascido e criado dentro da Ilha do Governador”.
Ao falar sobre os projetos para a União da Ilha e para a cultura da escola e do bairro, Donato também ressaltou a importância das outras escolas da Ilha e do carnaval no local, além de resgatar outras histórias culturais da Ilha:
“Na cultura, a gente não olha só para União da Ilha e nem só para a escola. A cultura é abrangente, ela é grande. A gente entende que a cultura, ela é muito importante para a sociedade civil, e a gente precisa realmente estar fomentando a cultura. A Ilha do Governador é um bairro altamente cultural. Se você for olhar o passado, é onde os realmente andavam por aqui pessoas como Dom Pedro II. Existem histórias aqui muito bonitas que a gente precisa relembrar. E a cultura não só para a Ilha do Governador, mas falando de carnaval, nós temos o Boi da Ilha, que eu sou o patrono, temos a União da Ilha do Governador, temos o Acadêmicos do Dendê. Temos escolas tradicionais aqui que estão nos grupos Bronze, Prata, Ouro e que a gente precisa realmente estar fazendo com que essas escolas sejam vitrine do nosso carnaval. Então é muito importante hoje pra Ilha do Governador ter cultura. E a gente não fala só em carnaval, a gente fala em tudo que é cultura, projetos sociais, são muitas coisas que podemos fazer juntamente com o poder público e trazer para Ilha do Governador e fomentar cada vez mais a nossa cultura aqui dentro”.
O vice-presidente da escola também comentou o que falta, na visão dele, para a Ilha retornar ao Grupo Especial, sendo essa, uma mudança de administração interna da Ilha, trazendo uma visão mais empresarial:
“Na verdade, o que acontecia era administração. O presidente Ney me chamou pra poder ser esse cara que vai fazer essa questão da administração, de coordenar uma escola e trazer o empreendedorismo, ou seja, trazer o empresariado para dentro da escola, vai ser um ponto muito importante para gente. Aonde a gente vai transformar a escola numa empresa que visa a qualidade de vida da comunidade, onde visa ter realmente um diferencial na administração da escola. O que ele (Ney) quer é o seguinte: ‘Donato, você é empresário de sucesso. Traz esse conhecimento do empresariado de sucesso, de administração, de gestão para para dentro da nossa União da Ilha do Governador’. Estamos traçando uma forma de administração transparente para que as pessoas entendam, e para que a gente possa efetivamente estar atuando de forma que seja uma empresa e que tenha o cuidado de dar esse retorno para o contribuinte, para população e para comunidade”.
Por fim, Donato contou da expectativa para o enredo de 2025 da escola e o samba para o próximo carnaval:
“A expectativa é a melhor possível. A gente está muito feliz. A quadra lotada, cheia. É uma alegria só. Espero que seja um samba que caia na graça do povo e seja fácil de cantar. Que seja bonito e que transpire o que a gente quer realmente dizer com baderna que é a amizade, a alegria, a reverência que o carnaval tem em nossa cidade do Rio de Janeiro”.
O Paraíso do Tuiuti inicia na próxima segunda-feira, 26 de agosto, as inscrições para os interessados em desfilar nas alas da escola. O cadastramento será feito sempre às segundas, a partir das 19h, na quadra da agremiação. Os interessados devem levar documentos básicos, como RG, CPF, comprovante de residência, e uma foto 3×4.
Logo após o cadastro, a partir das 21h, a agremiação realiza os ensaios de canto com o samba do Carnaval 2025. A quadra do Tuiuti fica no Campo de São Cristóvão, 33, no bairro de São Cristóvão.
Mestre Rodney comanda a bateria da Beija-Flor há mais de uma década, e teve como um dos principais incentivadores o próprio Laíla, homenageado da escola para o próximo carnaval, com o enredo “Laíla de todos os santos, Laíla de todos os sambas”. Em entrevista ao CARNAVALESCO o mestre comentou sobre a figura do lendário diretor de carnaval para ele e para a própria Beija-Flor. Rodney começou falando sobre como Laíla significou tudo para ele, e ressaltou a importância da homenagem feita pela escola ao sambista como uma forma de gratidão.
Foto: Matheus Morais/CARNAVALESCO
“Ele que acreditou em mim, que me deu oportunidade, era meu amigo. Nunca foi uma coisa tão bem feita como essa homenagem que a escola vai fazer. Eu acho que a gente devia isso. É uma gratidão pelo que ele fez por mim e fez pela escola. Nunca um enredo foi tão bem escolhido quanto o da Beija-Flor de 2025”.
O mestre comentou também a questão do ouvido absoluto de Laíla e como essa particularidade dele era usada para com a bateria da escola: “Como todo gênio é genioso, mas dificilmente errava. Quase nunca. Não tinha medo de falar com propriedade. Às vezes falava de maneira até brusca, mas sempre tinha certeza. E de mim, ele cobrava muito. Ele falava para mim: ‘Vou cobrar de você que tem condição de ser o melhor’. Sempre aproveitei para tirar o máximo dos ensinamentos do Laíla. Acho que por isso que a gente está aí seguindo nessa estrada”.
Ao falar sobre o legado de Laíla, mestre Rodney apontou o fato dele ter revolucionado o carnaval carioca em diversas áreas, principalmente por conta das suas habilidades musicais: “A gente pode falar que tem antes do Laíla, depois do Laíla. Ele chegou no carnaval da Beija-Flor, para gente, em 1974. Acho que não vai ter mais depois do Laíla. Pode ter antes, mas o Laíla mudou, revolucionou a história, tanto na harmonia com aquele ouvido absoluto, tanto como cantor, como diretor de bateria, diretor de carnaval. Realmente, ele deixou um legado muito importante para o carnaval e para as pessoas, não só pelo carnaval. Laíla era uma pessoa acima da média”.
O momento inesquecível junto a Laíla, para o mestre, é, para além dos campeonatos de forma geral, de forma especial o de 2011, em que o diretor de carnaval afirmou que Rodney desfilaria naquele ano, apesar de uma questão de saúde.
“Eu posso falar que nós ganhamos, eu com Laíla, que me deu a oportunidade de trabalhar com ele. Eu ganhei nove campeonatos, ajudei a ganhar. Não ganhei sozinho, porque a gente é uma equipe. Mas aconteceu que em 2011 eu tive uma fratura, eu quebrei a fíbula. O Laíla falou que eu ia desfilar, nem que fosse num caixão, que ele ia passar na avenida e a gente ia ser campeão. E, realmente, se concretizou o que ele falou. Eu passei com o pé quebrado e a gente, graças a Deus, fomos campeões. E a bateria tirou nota máxima. Isso aí ficou guardado até hoje. Não vai sair nunca da minha mente”.
O mestre também conta que tem a intenção de trazer a bateria da escola no próximo carnaval do jeito que Laíla gostaria, tendo um grande samba: “O Laíla gostava de que a gente não falava que era paradinha, era as nuances rítmicas. Eu tenho uma ideia que, quem sabe, de repente, se o samba impulsionar. A gente tem uma safra maravilhosa de sambas belíssimos, belíssimos, uma das melhores do carnaval de 2025. E aí, vamos esperar para ver o samba que vai ganhar. E, mais uma vez, ele vai me iluminar, iluminar todos nós. Eu vou fazer um arranjo, a cara do Laíla, se Deus quiser”.
Por fim, destacando a safra da escola na disputa da escolha do samba para o próximo carnaval, mestre Rodney contou que todos os sambas tem de alguma forma o que espera de um samba-enredo que a escola levará para a Sapucaí para homenagear Laíla: “A sinopse foi muito feliz, proporcionou grandes sambas porque realmente foi muito bem escrita. Pode ter certeza que qualquer um dos sambas que ganhar essa safra aí, será um grande samba. Todos estão dentro do contexto, dentro do enredo. Pode ter certeza que teremos um grande samba. Eu prometo isso”.
A Estação Primeira de Mangueira tem uma nova musa. Bruna Menezes, ou Bruneca, como é carinhosamente chamada desde seus primeiros passos na agremiação, passa agora a fazer parte do time de musas da Verde e Rosa. Ela, que é bisneta do saudoso compositor e baluarte Preto Rico, começou na Mangueira ainda na primeira infância. E desde então, segue representando a Estação Primeira.
Foto: JM Arruda/Divulgação Mangueira
“Estou transbordando felicidade e gratidão. A Mangueira faz parte da história da minha família, faz parte da minha e me deu oportunidades que mudaram a minha vida. Quero agradecer imensamente minha presidenta Guanayra Firmino por ser responsável por convites tão especiais, que me permitiram a realização dos meus sonhos. Pude representar a escola no concurso da corte do carnaval carioca, tão jovem e em um momento que eu jamais imaginaria estar ali, e agora serei musa da minha escola”, comemora Bruneca.
Após o Carnaval de 2024, Bruna participou do Concurso Miss Rio de Janeiro, chegando ao TOP 5. “Depois do Carnaval participei de um concurso pela minha Verde e Rosa. E agora, mais uma vez, a presidente Guanayra Firmino entra nos meus sonhos e me proporciona a oportunidade mais linda da minha carreira”, encerra.
Bruneca iniciou sua trajetória no carnaval em 2015, na Mangueira do Amanhã e, em 2017, foi Primeira Princesa da Escola Mirim. Em 2023 fez sua estreia na Ala de Passistas e no ano passado fez parte da Corte do Carnaval Carioca como Primeira Princesa pela Mangueira.
Allan Bastos, Ananda Dias e Caroline Mota são os novos diretores artísticos da Grande Rio. Criados na escola mirim Pimpolhos da Grande Rio, eles ficarão responsáveis por toda a parte coreográfica, de movimentos, eventos e shows. Em entrevista concedida ao CARNAVALESCO, o trio compartilhou trajetórias e qual marca querem deixar na Grande Rio.
Foto: Maria Clara Marcelo/CARNAVALESCO
Allan Bastos expressou sua felicidade por ser diretor artístico da Grande Rio, uma escola que ele frequenta desde criança: “Como eu tenho falado sempre, muita gente fala da minha chegada na Grande Rio, mas de fato eu nunca saí. Estou na escola desde criança, desde a Pimpolhos, e agora estou retomando esse lugar como diretor artístico a convite do meu presidente. Estou muito feliz, é muito bonito pensar nesse lugar de cria. Agora, tendo essa oportunidade, penso que muitas outras pessoas, assim como eu, que vêm da escola desde criança, terão essa chance. Estou muito ansioso para começar o trabalho junto com as minhas amigas Ananda e Carol, que também vieram da Pimpolhos. O enredo está muito lindo, a sinopse está muito linda, e acho que vamos conseguir fazer um trabalho bem bacana. Espero muito por isso”.
Ananda Dias e Caroline Mota contaram suas trajetórias até a Grande Rio. Ananda comentou: “Foi uma surpresa para a gente. Eu e a Carol, somos amigas fora da escola e somos fãs do trabalho do Allan. Acompanhamos seu crescimento aqui na escola, mas chegamos juntas na Pimpolhos da Grande Rio em 2004”. Caroline complementou: “Iniciamos nosso trabalho na escola através da Pimpolhos e fomos conquistando nosso espaço devagarinho. Começamos em ala, depois passamos a coreografar carros, guardiões de casal e mestre-sala e porta-bandeira, e fomos galgando aos poucos”.
Quando questionados sobre o que querem mudar e agregar na escola, Carol respondeu que seu objetivo é mostrar a força e a potência de Caxias: “É um desafio muito grande para nós. Acho que a ficha ainda está caindo aos poucos. Está sendo gostoso receber o carinho das pessoas, e a confiança está aumentando, assim como a nossa responsabilidade. Mas acho que queremos trazer a comunidade de Caxias, a força de Caxias, e a nossa criatividade. Somos muito jovens e nosso trabalho envolve desenvolvimento com arte, dança e samba. Nossa expectativa é de surpreender e mostrar que Caxias é uma potência, capaz de transformar, inovar e recriar sambas importantes”.
Allan ressaltou a vontade deles de trazer a comunidade cada vez mais para a escola, trazendo também a lembrança de carnavais antigos e encantando o povo de Caxias: “Estamos muito motivados a integrar a comunidade na escola. Queremos criar um espetáculo que a comunidade veja e lembre dos carnavais antigos, que reconheça as pessoas da escola, e que ofereça algo inédito que brilhe os olhos. Nosso principal objetivo é que a comunidade fique muito feliz com o nosso trabalho”.
Carol complementou dizendo que cada pequena modificação contribui para o objetivo de agregar e melhorar a escola: “Com pequenas modificações, vamos alcançando nosso objetivo, que é agregar à escola e trazer as mudanças necessárias para que o momento seja mais rico, o show mais enriquecedor e inovador. Nossa proposta é somar com as forças da escola, que já possui muitas qualidades”.
A Acadêmicos do Tucuruvi está prestes a realizar um dos seus grandes sonhos, que é ter uma quadra para chamar de sua. Junto com o vereador Milton Leite e o movimento Salve Periférico (atuante em ações sociais na Zona Norte de São Paulo), as obras do novo espaço estão prestes a iniciar. De acordo com o vice-presidente Rodrigo Delduque, toda a documentação necessária foi feita e a promessa é de 90 dias. Entretanto, o gestor adota cautela e diz que o Carnaval 2025 será inteiramente realizado na Avenida Mazzei e, depois, a mudança pode ser realizada com calma. Sendo uma escola do final dos anos 70, é de conhecimento que a Tucuruvi teve somente essa única atual quadra em sua história e é um espaço alugado. O território já foi campo de futebol, passou por várias transformações, até se tornar o ambiente que o ‘Zaca’ realiza as suas atividades. Contudo, além da nova quadra proporcionar uma modernidade maior, é de propriedade da entidade, isentando qualquer necessidade de pagamento de aluguel.
Parcerias e importância do novo espaço
Rodrigo Delduque contou como será feito o novo espaço, sendo com parcerias do movimento Salve Periférico, que trabalha em ações sociais na Zona Norte de São e, principalmente, ajuda do político Milton Leite, que lidera todo o processo.
“O CARNAVALESCO é o primeiro veículo de imprensa que eu consigo falar sobre isso. É muito pertinente. A nossa parceria tem Milton Leite, Salve Periférico, Guilherme Corrêa, Jajá, Diego… São pessoas que entenderam a nossa necessidade, cultuam a cultura que uma escola de samba pode trazer para o bem de um ser humano e de uma periferia. Graças a Deus com a força deles, nós conseguimos um espaço para que a Tucuruvi possa ter uma quadra fixa. Eu estou muito feliz, primeiramente ao Milton, que vem encabeçando tudo isso e ao Salve Periférico. Eu só tenho a agradecer e espero que a gente continue com essa parceria por muito tempo”, contou.
O gestor falou que será importante essa estrutura maior para realizar todas as atividades que uma escola de samba proporciona, especialmente se tratando das ações sociais. O vice-presidente também comentou que podem surgir novos profissionais competentes para o mundo do carnaval. “É uma estrutura que todo artista e comunidade precisa e nós tratamos escola de samba como uma escola de samba. Ali há projetos sociais, há inclusão e todo tipo de situação que o brasileiro necessita hoje. Às vezes as pessoas veem com preconceito, discriminação, mas eu convido de repente a quem não conhece uma agremiação, que não seja Tucuruvi também, mas que seja em qualquer lugar da sua cidade ou do seu estado, a entrar em uma escola de samba e ver o que elas fazem o ano todo. Não é só de samba, é a escola da vida. Eu sou prova viva disso, me criei dentro de uma escola de samba chamada Tucuruvi, estou até hoje, mantenho minha família e só tenho a agradecer. Então, vindo essa nossa nova estrutura, eu acredito que a gente possa fazer vários outros ‘Rodrigos’ e várias outras pessoas como existe hoje no carnaval. Pessoas que foram criadas dentro de escolas de samba e que hoje sobrevivem do carnaval”, declarou.
Obras e estimativa de mudança
Como citado, a atual quadra que a agremiação utiliza é um local alugado. O novo terreno é de posse da Tucuruvi, sendo as construções executadas no antigo barracão. De acordo com Rodrigo, as obras estão próximas de iniciar. “A obra será no nosso antigo barracão. É uma área que já é de posse da Tucuruvi há muitos anos. Fica próximo à Avenida Mazzei mesmo, fica do lado da nossa atual quadra, um pouquinho para baixo na Rua Manuel Gaya. As obras iniciam agora, foi feito todo o trâmite legal de documentação, já saiu a empresa licitada e agora a gente já começa ”, comentou.
O gestor completou revelando que o Carnaval 2025 será executado no atual espaço. Para o Carnaval 2026, espera ter a sonhada nova quadra. “Eles prometeram para nós em 90 dias, mas, mesmo assim a gente quer esperar e respeitar. Nós temos conosco que esse carnaval nós iniciaremos e encerraremos na Avenida Mazzei . E aí para o próximo ano com toda a estrutura, com calma e com sabedoria, nós teremos o nosso novo chão”, concluiu.
A Unidos de Padre Miguel realizou o sonho de ocupar o barracão da Cidade do Samba, após o título da Série Ouro em 2024, e agora trabalha para fazer história em sua estreia no Grupo Especial em 2025. É a primeira vez que desfilará na elite da folia, no modelo adotado pela Liesa (desde 1984), já que a escola esteve no principal grupo, mas na década de 1970. Para pisar forte na Sapucaí o trabalho do Boi Vermelho da Vila Vintém começou do zero, ou seja, sem reaproveitar nada, construindo seus carros alegóricos com o máximo de cuidado possível.
Cícero Costa, diretor de carnaval, com o casal Vinicius e Jéssica, e a ensaiadora Vânia Reis
“Nossa produção é do zero. Começamos os chassis da base, o início foi no abre-alas e assim vamos para os próximos carros. Tudo aqui é novo. A estrutura que a Unidos de Padre Miguel vai levar para Avenida é nova, com muito cuidado na manutenção, inclusive, com pneus novos e abrindo os chassis para sustentar a demanda das novas bases das alegorias. Acreditamos no resultado e nosso trabalho”, contou Alessandro Cobra, diretor de barracão.
Ao lada da filha, Lara Mara, Cícero Costa, comanda a direção de carnaval da Unidos de Padre Miguel, e ao CARNAVALESCO explicou o sentimento de dever cumprido pelo título da Série Ouro, a chegada ao Especial e o momento de entrar na Cidade do Samba.
“Mexeu muito comigo pisar na Cidade do Samba. Já ouvi tantos xingamentos, quando a gente não ganhava, o diretor de carnaval era o primeiro que levava pancada e eu me cobrava muito. Me isolava, fica triste e depois recomeçava. Me dava mais força. Um dia a gente conseguiria ganhar e conseguimos. Eu respiro a Unidos de Padre Miguel. Era um sonho pessoal ver essa escola no Especial. Foi uma conquista minha também e agradeço a diretoria por sempre confiar no meu trabalho. Está sendo um desafio desde que chegamos na Cidade do Samba. É gostoso, porque queremos mostrar que somos capazes. Colocar a escola na Avenida e fazer que consiga um bom resultado. Compramos mais chassis e já posso adiantar que o nosso abre-alas terá três chassis, queremos mostrar porque estamos no Grupo Especial, com muito trabalho, respeito e sem medo. A Unidos não pode errar, se fizer o que sabe, é possível sonhar com um ótimo resultado”, afirmou Cícero.
A escola já terminou a fase de produção dos protótipos das fantasias e em breve abrirá a reprodução. Cícero Costa cita o planejamento feito com a dupla de carnavalescos, Alexandre Louzada e Lucas Milato, para que tudo aconteça da forma mais certa dentro do carnaval.
“Desde que estivemos na Bahia, conseguimos autorização do enredo, traçamos nossas metas e estamos cumprindo. É planejamento. Temos um grupo que é o nosso pilar: os carnavalescos, direção de carnaval e de barracão. O espaço na Cidade do Samba é muito diferente do nosso antigo barracão. Quando conquistamos o título, passou um filme, poderíamos ter ganho antes, mas será que estávamos preparados? Fomos ganhando casca e vamos fazer o maior desfile da história da escola. O nível é muito alto no Grupo Especial. Todo mundo falava que o nosso nível no Acesso era alto, mas agora sabemos que precisamos ser bons em todos os quesitos. Vamos desfilar no domingo que é um dia com escolas pesadas e com sarrafo lá no alto. Queremos fazer o nosso trabalho, não é soberba, lutamos para estar aqui e não queremos decepcionar o público que sempre quis a Unidos no Especial. Sentimos o carinho dos sambistas com a nossa escola”.
Para apresentar o enredo “Egbé Iya Nassô”, que contará a trajetória da africana Iyá Nassô e do emblemático Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho, uma comitiva da escola visitou o lendário terreiro em Salvador, na Bahia, para pedir aprovação. Cícero Costa citou que quando foi dado o aval o sentimento de agradecimento e emoção tomou conta de todos os presentes. O desfile promete uma viagem pela história e tradição afro-brasileira, ao destacar o legado de Iyá Nassô e o papel fundamental do Ilê Axé Iyá Nassô Oká, considerado o mais antigo templo afro-brasileiro ainda em funcionamento.
“Explicamos nossa intenção com o enredo. Mostramos que faríamos apenas com o aval delas. Foi uma emoção muito grande. Quando ouve a permissão, choramos igual criança, fiquei arrepiado, foi um momento muito especial”, garantiu o diretor de carnaval.
Sobre trabalhar em parceria com a filha Lara Mara, Cícero Costa diz que a jovem possui liberdade para opinar e atua com profundo conhecimento da escola.
“Ela é jovem. Sempre quis trabalhar comigo e ser diretora de carnaval. Deixo ela falar, em alguns momentos peço calma, as pessoas respeitam pelo trabalho e competência. Está dando certo. Dividindo com ela e estou adorando. Quando tem amor fica tudo mais fácil. Temos uma dupla maravilhosa de carnavalescos. O Lucas Milato foi um achado nosso. Já acompanha o trabalho na Inocentes de Belford Roxo, correspondeu, nos deu o título e foi merecedor. O Louzada é de uma leveza. Ele consegue sempre ser leve, sabe do nosso desafio e sabemos que ele é muito capaz. Vamos dar estrutura e precisamos estar em sintonia sempre”.
O diretor de carnaval citou também a opção por Dedê Marinho como rainha de bateria e ressaltou o legado de ser uma escola de samba 100% de comunidade.
“Foi ideia da diretoria. Uma sacada maneira. Estava demorando. Faltava olhar para dentro. Em um momento tão importante, como estar no Grupo Especial, nada mais justo do que ter uma rainha de bateria da comunidade. Aquela gente da Vintém lutou para estarmos aqui. Acredito que a Unidos é o orgulho da Vintém. A Mocidade tem história linda também. Não queremos apagar a história de ninguém, estamos buscando nosso espaço, e Padre Miguel tem espaço para todo mundo”, disse.
A equipe do CARNAVALESCO acompanhou mais uma etapa da eliminatória de samba-enredo da Portela para o Carnaval 2025. As parcerias de Lídia Gaúcha e Claudinho DVD foram cortadas. Veja abaixo como passou cada parceria no último domingo.
Parceria de Jorge do Batuke: A primeira obra da noite de eliminatória contou com a assinatura dos poetas Jorge do Batuke, Neizinho do Cavaco, Feijão, Márcio Carvalho, Araguaci e Cláudio Russo. A torcida marcou presença e estiveram vibrantes até mesmo quando acabou a apresentação. O palco estava forte e foi um dos pontos de destaque, comandados por Pitty de Menezes e Tem-Tem Jr. A apresentação começou impactante e animou o público que estava presente. Na primeira parte do samba vale muito destacar a virada melódica “Dobrando a esquina lá vem Madureira//É pó é pueira”. Mais uma vez, o refrão do meio teve uma excelente performance na quadra, onde foi possível notar a animação do público presente e algumas baianas. O refrão principal pegou na quadra e foi outro ponto de destaque “No azul da Romaria, na canjica da Gamela//Sob a luz de Oxalufã… Portela//E no andor do nosso povo a voz de Deus//Se alguém tem um lugar ao Sol… sou eu”. A segunda parte do samba novamente chamou atenção por toda a riqueza melódica que tem. A parceria tem feito apresentações sólidas.
Parceria de Valtinho Botafogo: O segundo samba da noite foi assinado pelos compositores Valtinho Botafogo, Os Gêmeos, Madalena, Rodrigo Guerra, Lico Monteiro, Orlando Ambrósio e Marcelo Lepiane. A torcida marcou grande presença e cantou bastante a obra. Zé Paulo foi um show a parte e contou com um palco seguro e firme. A parceria tem feito apresentações sólidas e segue crescendo na disputa da Portela. A obra possui algumas sacadas na letra como por exemplo “Maria é mania de viver” e também em “Derrama o dom divino Nascimento”. A cabeça do samba passou bem demais durante as quatro passadas “Lá vou eu, cantar a liberdade//No trem da eternidade//A gente se encontra na estação”. O refrão de meio passou bem também, mas foi o refrão principal o ponto de maior explosão “Solto a voz//Que o dia vai clarear//Meu povo em prece a cantar na procissão//Quero chorar, sorrir, viver cada momento//Feito menino Milton Nascimento”. Mais uma vez, o samba teve um ótimo rendimento.
Parceria de Mauro Diniz: O quarto samba da noite teve a autoria dos poetas Mauro Diniz, Pirique Neto, Antônio Pontes, Fabrício Fontes, Diego Nicolau, Fred Camacho e Francisco Aquino. A torcida da parceria fez bonito e marcou presença. Evandro Malandro cantou demais e contou com um time de palco firme e potente. O refrão principal passou bem na quadra “Milton Nascimento//Brasileiro vencedor//Voa nas asas da águia//Que a Portela te veste de amor”. Há uma boa preparação para o refrão principal “Ê meu amigo Bituca//Hoje você é o sol//Que brilha nessa quarta feira, afinal//Encanta nosso Carnaval//E canta”. Foi o samba mais curto que passou nessa noite de eliminatória. A melhor apresentação desta parceria.
Parceria de Vinicius Ferreira: O quinto samba da noite teve a assinatura dos compositores Vinicius Ferreira, Rafael Gigante, Wanderley Monteiro, Jefferson Oliveira, Bira, Hélio Porto e André do Posto 7. Wander Pires conduziu muito bem a obra que também contou com o bom time de palco. Os cantores começaram com tudo e contribuiram para mais uma ótima apresentação. A variação melódica no verso “O sol no altar da manha” é fundamental para ótimo fechamento da segunda do samba. O refrão principal foi outro destaque “Qualquer maneira de amor vale a pena//Você é um poema que a vida escreveu//O amor é por nós, tem timbre, tem voz//E nasceu Milton pelas mãos de Deus”. Outra parte de destaque durante as quatro passadas foi na virada melódica “Vem Marias, ogãs.. Liberdade tem”. O refrão do meio também cumpriu bem o papel durante todo o momento. Mais uma apresentação de muita qualidade da parceria.
Parceria de Cecília Cruz: O sexto samba da noite foi da autoria dos compositores Cecília Cruz, Cláudio Cruz, Luciano Fogaça, Binho Gomes, Osmar Fernandes e Júlio Pagé. A torcida apaixonada pela obra cantou junto durante todo o momento. Igor Vianna cantou bastante como de costume e foi um dos destaques da apresentação. Uma das obras com maiores soluções poéticas teve um desempenho muito bom, com uma unica ressalva ao início da segunda do samba que precisa de um ajuste na melodia pois hoje não encaixou. O refrão principal passou bem demais nas quatro passadas “Em busca de um sonho a Águia voou//E um anjo negro nos abençoou//A nossa mania é ter fé no samba//Bituca, a Portela te ama”. A letra é inspirada e isso fica evidente durante todo o samba. A cabeça do samba foi outro ponto de destaque, com uma levada gostosa de ouvir. E o fechamento da primeira do samba também tem o seu valor “Os altares nos andares//valei a multidão//O sagrado dos tambores//Vai guiar meu pavilhão”. O refrão do meio, mais uma vez, foi bem defendido, provocando muita interação entre o palco e o público.
Parceria de Beto Martins: A sétima parceria da noite foi composta pelos compositores Beto Martins, Joseth Rodrigues, Wagner Escóssia, Adilson Franco, Serginho Cataguases, Jurema Matos e Professor Carneiro. A torcida não foi numerosa, mas cantou o samba. Leozinho Nunes teve uma condução segura com a sua alegria habitual. A parceria realizou a sua melhor apresentação na disputa. Duas variações melódicas chamaram atenção “A emoção reluzindo no olhar ” e “O sol//resplandecente em cada andor”. Um verso que destoa na melodia e até perceptível “O grande momento em fim chegou”. O refrão principal passou bem na quadra “Milton Nascimento Bituca anjo negro//A caravana da Portela veio te abraçar//Caminhou contra o vento um grande festejo//Por te amar”. A parceria teve uma apresentação satisfatória e mereceu avançar de fase.
Parceria de Chicão do Cavaco: O último samba da noite teve a autoria dos poetas Chicão do Cavaco, César Antunes, Edson Batista, Fagundinho, Messias Jordão, Aldo da Serrinha e Lourenço de Ogum. A torcida marcou presença e contribuiu para a boa apresentação. O intérprete Fabinho teve uma performance muito boa durante toda a apresentação. A cabeça do samba teve um bom desempenho “Raiou o dia//O povo vem chegando com fé e união”. O refrão principal foi o ponto alto “Vem de Madureira//A procissão do samba com tantos bombas imortais//Brilha a Portela na avenida//Com seus devotos de Minas Gerais”. Fechou bem a noite de eliminatória.