A União de Maricá reuniu mais de 3 mil pessoas na terceira edição do “Maricá faz a Festa”, realizada no último sábado, na Cidade do Samba, na região central do Rio de Janeiro. Pela primeira vez ocupando a área principal do espaço, o evento promoveu quase dez horas de programação, combinando música, gastronomia e entretenimento em uma grande estrutura preparada para receber o público.
A programação musical foi um dos destaques, com apresentações de Chrigor, Marquinhos Sensação, Fabinho, Renan Oliveira e Pagode da Viela, além dos shows da própria União de Maricá e da Unidos do Viradouro, atual campeã do Grupo Especial. Com atrações distribuídas em dois palcos, o evento atraiu uma grande multidão e proporcionou diferentes experiências aos visitantes.
Outro ponto de destaque foi a área gastronômica, que reuniu estabelecimentos tradicionais e conhecidos da cena carioca, como Baródromo, Bar da Portuguesa, Bar do Momo, Bode Cheiroso e Maria Mijona. O espaço também contou com ativações e serviços de entretenimento, incluindo tirolesa, massagem, tatuagem e maquiagem, ampliando as opções de lazer durante a programação.
Para o presidente da União de Maricá, Matheus Santos, o crescimento do evento acompanha o trabalho da escola para fortalecer sua relação com o público e ampliar sua presença no cenário do samba e do carnaval.
“Nosso objetivo é aproximar cada vez mais a União de Maricá do público que ama o samba e o carnaval, oferecendo experiências que vão além do desfile. Foram mais de 3 mil pessoas ao longo de quase dez horas de evento, e isso mostra a força desse projeto. Pensamos em uma estrutura para que o público pudesse aproveitar cada momento, com música de qualidade, gastronomia e diversas atrações. Queremos construir novas experiências, fortalecer essa conexão com as pessoas e mostrar que, quando a gente se une, consegue fazer a diferença”, afirmou Matheus.
Com a terceira edição, o “Maricá faz a Festa” reforça a proposta da União de Maricá de ampliar as possibilidades de interação com o público ao longo do ano, promovendo encontros que valorizam o samba, a cultura popular e a experiência coletiva para além do período oficial do carnaval. Até o final do ano, a escola promoverá novos eventos entre a cidade de Maricá e o Rio.
Retornando ao Grupo Especial depois de sete anos, o Pérola Negra realizou a gravação do audiovisual para as plataformas da Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo (Liga-SP) no dia 26 de setembro. A gravação de “Sem Vacilar, Sem me Exibir – Sou Jovelina, a Pérola Negra” teve como destaque a leveza da canção, que facilitou o canto da comunidade. O CARNAVALESCO acompanhou a gravação do samba-enredo do Pérola Negra para 2027, composto por Lucas Donato, Aquiles da Vila, Fabiano Sorriso, Marcos Vinícius, Mateus Pranto, Salgado Luz, Fábio Gonçalves, Leandro Flecha, Cabide, Wagner Forte e Chico Maia, realizada na Fábrica do Samba, Zona Oeste de São Paulo.
Bruno Carvalho, o Bruninho, arranjador da obra, destacou que um instrumento, em especial, terá destaque na faixa: “Na gravação, a gente está dando uma atenção especial para o banjo por causa do sorriso desse instrumento. É muito característico esse instrumento nas músicas dela. Ele ajudou a dar a cara da Jovelina nessa faixa. Ano passado a gente veio com a sanfona, que deu certo; e, nesse ano, a gente veio com o banjo. A gente ainda tem umas experiências para tentar ver se, de repente, num arranjo no meio do desfile, a gente consegue trocar de cabo e pegar um outro banjo. É uma das loucuras que a gente tenta fazer no carnaval. Mas ao menos com um banjo a gente vai sair na avenida, com certeza”, prometeu.
O profissional também destacou que o trabalho do arranjador em faixas compostas pelo grupo que escreve o samba da escola desde 2025 é bem mais tranquilo que o normal: “Já é o terceiro ano que a gente recebe um presente dessa parceria de compositores, é um formato que está dando certo para o Pérola: deu no Exu Mulher, deu no Maria Bonita e a rapaziada foi muito feliz, mais uma vez, com essa volta do Pérola para o Especial em homenagem à Jovelina. Eu converso muito com a parceria e eu brinco que o samba deles vem pronto, a gente coloca detalhes mínimos. A gente já recebe a obra realmente muito adiantada e tem que até tomar um certo cuidado para a gente não estragar, porque o samba é muito bem construído. A gente só põe detalhes nas brechas que o samba permite. No ‘hoje vou improvisar’, por exemplo, tem um solo muito pontual. Conversei muito com o Sombrinha e com a dupla de intérpretes, também”, comentou.
Na cadência
Para valorizar a obra, Carlos Augusto Rezende, popularmente conhecido como Carlinhos Sombrinha, mestre da “Swing da Madá”, bateria do Pérola Negra, colocou os batimentos por minuto dos ritmistas bem abaixo do que se vê no carnaval paulistano: “A bateria do Pérola vai gravar três arranjos em formato de bossas. A gente vai gravar com um BPM de 136 a 138 no máximo para a gente explorar bastante o samba, que pede esse andamento. Quero deixar bem claro que não é uma questão nem de ser característica da bateria, a gente se adequa ao samba que a gente vai tocar. O samba desse ano, assim como o do carnaval passado, pede um andamento mais para trás. E eu também entendo que, por ser a gravação do CD, deve ser um andamento um pouco inferior ao que a gente apresenta na pista, para a gente ter uma versão diferente do samba quando comparado à realidade do Sambódromo. A gente está trabalhando em cima disso: deixar a faixa bem definida, com as divisões do samba com fácil assimilação”, explicou.
Susto feliz
Os dois intérpretes do Pérola Negra mostraram muita convicção de que o samba ao vivo tem potencial para explodir na avenida. Juan Briggs começou: “Ele é melhor ao vivo do que na gravação. Muito melhor, inclusive. O sentimento de cantar ele ao vivo, no dia do lançamento lá na quadra, quando a gente começou a cantar ao vivo, a gente viu a potência do samba. A gente sabia que o samba era bom na gravação, mas não no ponto quando a gente cantou ele ao vivo na quadra”, comentou.
Lucas Donato foi franco a respeito da sensação que a canção lhe trouxe: “No primeiro dia de ensaio eu fiquei assustado com a força desse samba. Desses três anos que eu estou na escola, foi disparado o melhor primeiro ensaio que eu tive. E o primeiro ensaio foi apenas há seis dias atrás, hein. O povo cantando sem letra, e bem forte. A gente ficou bem feliz, foi um show. E é um samba leve, algo que facilita a vida de todos”, elogiou.
O próprio Donato pontuou como ele e Briggs lidaram com as mudanças que o estúdio e o ao vivo exigem: “A única coisa que a gente fez de diferente do lançamento foi, como é uma gravação ao vivo com dois cantores, chegar em um consenso: na primeira passada, que tem o pagodinho, vamos valorizar e cada um vai cantar uma parte. Na questão de cacos, vai ser a mesma coisa do último ano: uma passada cada um. Como é um samba muito leve e com muitas nuances melódicas, se a gente fizer muito caco a galera não vai entender. Acaba atrapalhando o samba. Só vai para fora da quadra o que é realmente bom”, disse.
Briggs pontuou a visão dele a respeito de um recurso muito utilizado pelos intérpretes: “Em relação ao que a gente vai fazer de caco é na hora, é o sentimento. Aí, no desfile, a gente deixa claro qual cada um faz. A gente testa, no ensaio a gente faz uma porrada de coisa, um monte de caco. Às vezes até a presidente Sheila fala que estamos fazendo muito caco porque a gente tá testando. Aí, no lançamento dos sambas, aqui na Fábrica, a gente lança tudo que tem para lançar. Nós só teremos um ensaio técnico, então já diminuímos o número para ele”, afirmou.
Calendário perfeito
O Pérola Negra gravou o audiovisual da Liga-SP em um sábado às 15h. O horário, ideal pensando no trânsito da capital e no cotidiano de uma comunidade, fez com que a escola facilitasse a vida dos componentes. Quem comenta é Gabriel Ferreira, popularmente conhecido como Gabiru, diretor de Harmonia da agremiação: “Nossa logística foi todo mundo vir para a Fábrica e se concentrar, se preparar mais um pouquinho antes de pegar todos os detalhes para a gente vir fazer a gravação”, revelou.
O diretor também revelou os números do contingente da instituição para a gravação: “Nosso coral tinha integrantes da Ala das Baianas e Velha Guarda, tinha cerca de 55 pessoas se a gente somar também com a Harmonia. Ritmistas eram cerca de 40. Tínhamos, também, oito pessoas da nossa Corte, casal de mestre-sala e porta-bandeira e a nossa Ala Musical”, finalizou.
O ‘Quilombo do Samba’ esteve presente no HZ Estudio, em Curicica, Rio de Janeiro, para realizar a gravação oficial do samba que vai embalar o enredo “Tia Ciata: Mãe do samba”, do carnavalesco Renato Lage. A escola será a terceira a passar pela Marquês de Sapucaí no domingo, 7 de fevereiro. Depois do grande sucesso do samba “Lonã Ifá-Lukumi” em 2026, a caneta segue sob responsabilidade de Claudio Russo, Luiz Antônio Simas e Gusttavo Clarão. O time de pesquisadores-compositores elaborou a obra sob encomenda. Luiz Antônio Simas destacou o desafio de construir uma obra diferente da apresentada pelo trio no carnaval anterior e compartilhou com o CARNAVALESCO que a principal emoção está na própria homenageada e na possibilidade de contar sua história por meio da música. Para ele, a homenagem a Tia Ciata representa a oportunidade de dar protagonismo a uma personagem fundamental na história do samba carioca. Embora tenha sido citada em outros sambas e enredos, ela ainda não havia ocupado esse lugar de destaque no Grupo Especial. *CONHEÇA AQUI O SAMBA DO TUIUTI
“Eu acho que, primeiro, a importância é fazer um samba para um enredo relevante. Uma personagem como Tia Ciata, uma protagonista na história do samba do Rio de Janeiro, que curiosamente nunca tinha sido protagonista no Grupo Especial. Foi citada em vários sambas e enredos, mas nunca com esse protagonismo”, afirmou.
Já Claudio Russo relaciona a trajetória de Tia Ciata à resistência da população negra e pobre do Rio de Janeiro. A chegada dos baianos à capital e a movimentação cultural na Pequena África contribuíram para a formação do samba e de tradições gastronômicas que permanecem vivas na cidade.
“Esse samba representa que o povo do samba venceu. Tia Ciata e tudo em torno dela, os baianos que vieram para o Rio de Janeiro, aquela resistência na Pequena África. Eles começaram esse processo de fazer do samba o que o samba é hoje, de fazer da cultura gastronômica da cidade o que ela é hoje”, declarou.
Claudio Russo relaciona a trajetória de Tia Ciata à resistência da população negra e pobre do Rio de Janeiro. Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO
O compositor lembrou ainda que essa construção ocorreu em meio às reformas urbanas que pretendiam afastar a população negra e pobre do Centro do Rio. Para ele, a permanência dessas manifestações culturais representa a vitória de quem resistiu às tentativas de exclusão.
“Hoje, muito, muito, muito tempo depois, a gente percebe que o povo preto e pobre resistiu e venceu, porque o Rio de Janeiro hoje é conhecido pela cidade do samba. De cada esquina, uma barraquinha vendendo quitutes, vendendo uma comida de rua do Rio de Janeiro. Isso está marcado como a vitória de quem lutou, resistiu, sofreu, mas está aí até hoje. Se hoje temos desfile de escola de samba, muito antes disso alguém lutou pela gente”, afirmou.
A proposta da parceria para o samba de 2027 foi construir uma obra alegre, otimista e centrada em uma Tia Ciata soberana, protagonista da própria história. Simas explicou que a composição percorre um dia da homenageada no Rio de Janeiro, desde a saída para vender doces até a chegada simbólica à Marquês de Sapucaí, onde ela é coroada como a grande mãe do samba.
Simas explicou que a composição percorre um dia da homenageada no Rio de Janeiro. Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO
“Quando o enredo foi escolhido, o Claudio, eu e Clarão queríamos fazer um samba para cima, otimista, de uma Tia Ciata soberana, protagonista, dona da própria vida, do próprio corpo, da própria cidade. O samba tem um começo, meio e fim. Ele começa com Tia Ciata acordando, é Tia Ciata num dia no Rio de Janeiro, indo para a rua, vendendo o seu doce no tabuleiro, vendo a cidade. E, no final, os tempos se fundem e já estamos na Marquês de Sapucaí com Tia Ciata sendo coroada como a grande mãe do samba, a mãe do quilombo do samba e do samba”, explicou.
A leveza da composição também foi pensada em contraste com “Lonã Ifá-Lukumi”, samba que trazia trechos em iorubá e palavras menos usuais. Segundo Simas, a nova obra tem uma construção mais direta e convida o público a cantar junto.
“Eu acho que é um samba muito solar. É curioso porque é a mesma turma que fez o ‘Ifá’, que, quando a gente fez, o pessoal dizia: ‘Pô, mas tem muita palavra difícil, tem trechos inteiros em iorubá e tal’, e o samba acabou funcionando, garantiu os 40 pontos para a escola. O Tia Ciata é bem diferente nesse sentido. Ele é um samba fácil, é um samba que você canta, ele vai. Eu acho que é isso: um samba solar, um samba para cima”, avaliou.
Entre os trechos de que mais gosta, Simas destacou a referência à casa de Tia Ciata, descrita na composição como um espaço de encontro e expressão cultural: “Eu gosto muito da parte que cita a casa da Tia Ciata, que era a casa em que aconteciam as coisas, mas sem precisar falar a casa da Tia Ciata. A gente diz que a casa dela era um terreiro, então a gente fala ‘nesse terreiro de macumbeiros artísticos’”, além do refrão do meio, especialmente pelos versos que destacam a identidade negra da cidade e os quitutes vendidos por Tia Ciata.
“Quando a gente diz que ‘essa cidade não se mete, à francesa, ela é preta na beleza até a raspa do tacho’ e aí entra a Tia Ciata vendendo os quitutes dela. ‘Bota dendê, bota dendê, camará, no caruru do erê, no acarajé de Oyá, quem vai querer, quem vai querer, camará’. Gosto muito desse refrão do meio”, completou.
Claudio Russo também destacou a força dos refrões e concordou com o destaque dado ao potente refrão, colocando-o como uma síntese do enredo: “‘que esta cidade não se meta, à francesa, ela é preta na beleza até a raspa do tacho’. Se você perguntar o que traduz o enredo de vocês, é essa frase”.
Com a gravação oficial, o samba entra em mais uma etapa de sua construção até o desfile. Simas compara esse processo ao nascimento e à educação de uma criança: depois de composta e apresentada à quadra, a obra ganha novos contornos com o trabalho da bateria, do intérprete e dos demais segmentos da escola.
“O samba-enredo, como eu costumo dizer, é uma obra em progresso. Ele tem etapas. Tem a etapa em que a gente faz o samba, a etapa em que o samba chega na quadra, a etapa em que a bateria começa a trabalhar o samba, a encaixar a bossa, o intérprete começa a perceber o samba, começa a dar o toque pessoal dele. O samba vai se desenhando aos poucos”, explicou.
Para o compositor, a gravação marca o momento em que a obra começa a ganhar forma para o público, mas ainda há trabalho pela frente até que ela se consolide na Avenida.
“Eu confesso que dá aquele friozinho na barriga, porque, para a gente que trabalha com o Carnaval, você sabe disso, o Carnaval começa muito antes. É como se a gente dissesse o seguinte: nasceu, está aí a criança, agora vamos educar a criança nos ensaios de rua, preparar o canto da escola, a harmonia trabalhando em cima disso, para que o samba se consume na Avenida. Então é uma etapa bacana”, comparou.
Claudio Russo também demonstrou confiança no rendimento da obra. Segundo ele, a reação durante a gravação reforçou a expectativa para os ensaios de rua, que começaram no início de outubro, em São Cristóvão.
“Eu acho que esse samba vai ter um rendimento muito melhor do que eu esperava. A gente resolveu fazer um samba totalmente diferente do ano passado. O ano passado tinha uma liturgia, um clamor, tipo uma oração. Esse não. Esse é festa, porque o Carnaval é festa, é alegria. E Tia Ciata fazia festa na casa dela. É um samba solar, um samba vivo. A gente fez um samba para acontecer, e esse samba vai acontecer”, declarou.
A emoção de acompanhar a gravação também foi destacada por Russo, que ressaltou a reação dos componentes e do carro de som.
“Foi emocionante. O problema é que Deus não me deu o dom de cantar. Mas foi muito bom ver todo mundo cantando. O Pixulé está muito firme no samba, o carro de som. Não é só a bateria vibrando. Quando você olha para os componentes e vê sorrisos, brincadeiras, é que a coisa deu certo”, avaliou.
Leonardo Bessa destaca o trabalho da equipe musical
Indo para o segundo ano à frente da direção musical da escola, Leonardo Bessa fez um balanço positivo do trabalho e destacou a vantagem de ter escolhido o samba com antecedência. Para ele, o tempo disponível permite que a equipe prepare a obra com mais tranquilidade antes do desfile.
“Eu acho que o trabalho é altamente positivo, com uma equipe maravilhosa que a gente tem. A gente tem a vantagem de escolher o samba cedo, então já consegue trabalhar com mais calma, com mais tranquilidade. Mais uma vez, um grande samba. A gente espera que, a partir de agora, com essa gravação oficial, embora a gente já tenha feito uma gravação inicial, as pessoas possam ter mais conhecimento do samba ainda”, afirmou.
Indo para o segundo ano à frente da direção musical da escola, Leonardo Bessa fez um balanço positivo. Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO
Sobre a formação da ala musical, o diretor disse que a escola manteve boa parte da base que já trabalhava junta. As mudanças foram pontuais, feitas de acordo com as necessidades do projeto.
“Fiquei dois anos como cantor de apoio. A gente tinha mais ou menos uma base, procurou manter essa base e fazer uma mudança ou outra pontual de acordo com o que precisava para o trabalho. Tranquilidade, na equipe todo mundo se conhece há bastante tempo. É um trabalho bem tranquilo”, relatou.
A parceria com Pixulé, intérprete oficial do Tuiuti, também recebeu elogios. Bessa destacou o talento do cantor e a abertura para o diálogo entre os dois durante a preparação musical.
“O Pixulé é uma grande estrela do carnaval. A gente procura administrar da melhor maneira possível. É um cara que tem, graças a Deus, um talento maravilhoso e sabe ouvir a gente também, é um trabalho muito bacana. É praticamente cantor para cantor, diretor para cantor, de amigo para amigo. E a gente vai tocando o trabalho”, disse.
Para o diretor musical, o reconhecimento que Pixulé vem conquistando nos últimos anos faz jus ao trabalho desenvolvido ao longo da carreira.
“Graças a Deus, chegou num momento bacana da carreira dele. Embora que tardio, ele já vinha fazendo grandes trabalhos há muito tempo. E agora, de dois anos para cá, desde que ele chegou ao Tuiuti, o trabalho dele começou a ser mais visto pela grande mídia, pela bolha, por todos. Ele merece”, afirmou.
Rio Antigo na Sapucaí
Responsável pelo arranjo, Chanel Rigolon explicou que buscou uma sonoridade que remetesse ao samba antigo, em diálogo com a história de Tia Ciata e com a atmosfera musical da época.
“Como é um arranjo de Tia Ciata, de samba mais para trás, meio maxixado, eu pensei nessa levada, nessa praia, para tentar remeter ao samba de antigamente. Foi isso que eu pensei nesse sistema”, contou.
Entre suas referências estão o samba maxixado de Sinhô e a produção musical de Donga e Pixinguinha, associados à casa de Tia Ciata. A partir dessa inspiração, Rigolon trabalhou com respostas instrumentais e contrapontos. Na gravação, o arranjador utilizou violão tenor e bandolim, além de outros instrumentos que dialogam com o violão de sete cordas. Segundo ele, o tenor contribuiu para a sonoridade antiga e alegre que pretendia alcançar.
Responsável pelo arranjo, Chanel Rigolon explicou que buscou uma sonoridade que remetesse ao samba antigo. Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO
“Na gravação eu gravei com violão tenor, bandolim e outras coisas respondendo com sete cordas. O tenor dava essa cara mesmo de mais antigo, de alegria, porque o tenor também é alegre”, afirmou.
A construção harmônica também foi um dos pontos que chamaram a atenção do arranjador. O samba percorre tonalidades como “Mi menor, Dó, Lá menor e Sol, chegando a um trecho em Sol menor no final”. Para Rigolon, as mudanças acontecem de forma natural, sem provocar rupturas na escuta.
“Ele vai caminhando, mas também não tem nada de choque harmônico. Tudo que vai acontecendo, vai acontecendo naturalmente. Para mim, acho que o ponto mais alto da composição, pensando assim, é isso. Você vê que não tem choque, você canta, canta, canta e, quando vê, está passando por tonalidades diferentes, mas você não sente”, detalhou.
Ao avaliar o resultado, Rigolon destacou o caráter alegre da obra, que orientou a concepção do arranjo e marcou a gravação.
“Foi uma gravação legal, bem para cima, porque o samba é isso mesmo. Ele joga para cima, ele tem essa característica alegre”, concluiu.
Mestre Marcão aposta na potência dos ensaios
Mestre Marcão confirmou o andamento de 142 BPM (batidas por minuto) para a gravação e explicou que a escolha levou em conta a dinâmica de uma gravação com boa parte da equipe reunida, em um formato mais próximo de uma apresentação ao vivo.
“Estúdio é para quando você vai ouvir uma obra bem delicada. Como aqui é quase todo mundo, fica uma coisa mais ao vivo. Então, acho que 142 vai ficar perfeito. Ficou bom para ambas as partes, para o samba e, principalmente, para a gente que está fazendo as nuances”, afirmou.
Mestre Marcão confirmou o andamento de 142 BPM (batidas por minuto) para a gravação. Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO
Sobre as bossas e novidades para o desfile, o mestre adiantou que a escola pretende aproveitar o que já foi ensaiado, mas sem revelar todos os detalhes antes da hora.
“No decorrer dos nossos ensaios, a gente vai passando, vai pesando. Ainda pode ter até uma outra novidade, que tem um negocinho aí debaixo da mão também para a gente. Isso, mais lá para frente, lá para meio de novembro, dezembro”, revelou.
Para Marcão, cada carnaval exige uma preparação própria, ligada à pesquisa e às particularidades do enredo. Ele lembrou que a gravação do samba já havia sido realizada meses antes, mas o trabalho só pôde avançar publicamente depois da apresentação oficial.
“Cada ano é um ano, cada ano é um sentimento, é um enredo. A gente tem que pesquisar o que vai falar. Principalmente para nós, que ainda não paramos nessa corrida. De junho para julho, a gente já tinha gravado o samba. Também não podia nem comentar, e estava a sete chaves. Depois que o presidente fez a festa, foi que a gente começou a tocar o barco”, concluiu.
A nova presidente, Rafaelle Rodrigues, carinhosamente conhecida como Rafa, carrega uma história de pertencimento à Unidos de Padre Miguel. Cria da Vila Vintém, ela é filha de Dona Deise Mara, que tinha na agremiação uma de suas maiores paixões e cultivou, ao longo da vida, um profundo amor pelo pavilhão vermelho e branco. Muito ligada à mãe, Rafaelle cresceu acompanhando essa relação de carinho e dedicação à escola. Agora, ao assumir a presidência, também dá continuidade a esse legado afetivo, mantendo viva uma história que atravessa gerações e se conecta à trajetória de sua família na comunidade.
Rafaelle já possui experiência na rotina da agremiação. Após desenvolver um trabalho na Boutique UPM, assumiu, em 2024, a Direção de Quadra, contribuindo diretamente para a organização e o funcionamento de um dos principais espaços de convivência da comunidade.
Ao falar sobre a nova responsabilidade, a presidente destaca o compromisso com a continuidade dos projetos e com os preparativos para o próximo desfile.
“Assumir a presidência da Unidos de Padre Miguel tem um significado muito especial para mim. Sou cria da Vila Vintém e cresci vendo o amor que minha mãe, Dona Deise, tinha por essa escola. A Unidos foi uma das maiores paixões da vida dela, e hoje estar à frente da nossa agremiação é também uma forma de honrar sua memória e dar continuidade a esse legado. Sei da responsabilidade que estou assumindo e quero tranquilizar toda a nossa comunidade: o trabalho continua, os projetos seguem e a dedicação será a mesma de sempre. Temos uma equipe comprometida e vamos seguir unidos, trabalhando com muita seriedade, respeito e amor pelo nosso pavilhão. O nosso foco é fazer um grande Carnaval em 2027”, afirma Rafaelle.
Com a nova presidência, a Unidos de Padre Miguel mantém o planejamento para o Carnaval 2027 e o trabalho desenvolvido por seus segmentos e profissionais.
No próximo Carnaval, o Boi Vermelho será a quarta escola a desfilar no sábado de Carnaval, na Marquês de Sapucaí, levando para a Avenida o enredo “Yèyé Omó Ejá – A Coroação das Rainhas das Águas”, que celebra a ancestralidade e a força das Yabás Yemanjá e Oxum.
A Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo (Liga-SP) já tem a transmissão dos desfiles do Grupo Especial garantida pela Globo até o Carnaval 2028. A renovação do contrato por mais dois anos foi confirmada pelo presidente da entidade, Renato Remondini, o Tomate, em entrevista ao CARNAVALESCO durante a festa do Dia das Crianças, realizada no último domingo, na Fábrica do Samba. O dirigente também antecipou detalhes da organização dos minidesfiles, que serão realizados em dois dias, e revelou mudanças pontuais nos critérios de julgamento para o próximo carnaval.
Segundo Tomate, a renovação aconteceu após a emissora manifestar interesse em ampliar o acordo. O presidente destacou o crescimento da audiência e dos números apresentados pela Globo como fatores positivos para a continuidade da parceria, que, na avaliação dele, é importante tanto para o carnaval paulistano quanto para a própria emissora.
“A gente negociou com a Globo nesse ano e renovou por dois. Até o carnaval 2028, a gente já está garantido. Diferentemente do ano passado, quando havíamos renovado por um ano, a Globo neste ano manifestou interesse em renovar já por dois. As audiências subiram, os números cresceram, a Globo trouxe isso para a gente, e foi muito bom para o carnaval e para a emissora também, que está conseguindo trazer novos patrocinadores”, afirmou.
Apesar da renovação, Tomate ponderou que a continuidade da parceria depois de 2028 dependerá dos resultados dos próximos anos. “É uma parceria de longa data, que eu acho importante para o carnaval e para a emissora. Continuando assim, tende-se a continuar. Vamos esperar os próximos anos”, completou.
Julgamento terá ajustes pontuais em dois quesitos
A preparação dos julgadores para o Carnaval 2027 também está em andamento. Tomate afirmou que a Liga-SP manterá praticamente os mesmos critérios de avaliação, com alterações específicas nos quesitos Alegorias e Comissão de Frente. A proposta, segundo o presidente, é evitar mudanças constantes que dificultem o aperfeiçoamento dos profissionais responsáveis pelas notas.
“O critério não tem mudança praticamente nenhuma. O jurado pode cada vez mais se aprimorar em cima do critério. Todo ano ficar mudando não adianta. , Mudança de critério, praticamente nada. Tem dois ou três pontos muito específicos, muito pontuais, em Alegorias e Comissão de Frente”, explicou.
Os cursos de formação e aperfeiçoamento já começaram e registraram adesão de novos candidatos. A próxima etapa envolve provas para selecionar os profissionais mais bem avaliados, sejam eles estreantes ou integrantes de equipes anteriores. Tomate explicou que a estrutura de preparação conta com representantes das escolas de samba em cada quesito, responsáveis por acompanhar o processo de formação e avaliação dos julgadores.
“Os cursos já começaram, tivemos bastante adesão de novos jurados. Agora, começamos a questão das provas, para que os jurados mais bem avaliados sejam selecionados. São 32 representantes de cada escola em cada quesito, cuidando desses jurados, para que sejam selecionados e a gente vá treinando à exaustão”, afirmou.
O presidente também destacou a utilização de uma ferramenta de ensino a distância para centralizar as informações e padronizar as orientações oferecidas aos participantes.
“É uma ferramenta muito importante, um ensino a distância também. Está possibilitando que todo mundo tenha a mesma informação dentro de uma mesma ferramenta. Qualquer dúvida que o jurado ou o representante tenha, eu entro nessa ferramenta e consigo tirar essa dúvida”, acrescentou.
Minidesfiles serão realizados em dois dias
O presidente da Liga-SP confirmou a realização dos minidesfiles em dois dias. O evento, que reúne as escolas de samba em uma apresentação especial antes do carnaval, ganhou proporções que inviabilizaram a manutenção do formato concentrado em uma única data. De acordo com Tomate, a intenção inicial era realizar o encontro no Anhembi, mas a indisponibilidade do espaço para a data prevista levou a entidade a optar pela Fábrica do Samba, com a programação dividida em dois dias.
“Este ano, a mudança é para dois dias. Vão ser dois dias aqui, porque o evento se tornou gigantesco. A gente não tinha mais condições de fazer em um único dia. O Anhembi estava ocupado nessa data. A gente queria muito fazer lá, mas, como não dá, vai ter que ser aqui, porém em dois dias. Tenho certeza de que serão dois dias de casa cheia”, projetou.
Liga-SP espera antecipar lançamento dos sambas nas plataformas digitais
A disponibilização dos sambas-enredo do Carnaval 2027 nas plataformas de áudio também está entre as prioridades da Liga-SP. Questionado pelo CARNAVALESCO sobre a previsão de lançamento no Spotify e em outros serviços digitais, Tomate explicou que o processo ainda depende da conclusão das etapas de produção.
Segundo o dirigente, as captações de imagem e as gravações em estúdio foram concluídas recentemente. A expectativa é disponibilizar o material com antecedência maior em relação ao ano anterior, embora ainda não exista uma data oficial anunciada.
“A gente terminou agora as captações de imagem, na semana passada, e as gravações em estúdio. Esperamos que, diferentemente do ano passado, a gente consiga colocar e soltar isso nas plataformas com uma semana a dez dias de antecedência”, afirmou.
Festa do Dia das Crianças supera expectativas
A entrevista aconteceu durante a festa do Dia das Crianças promovida pela Liga-SP na Fábrica do Samba. O evento reuniu representantes das escolas, integrantes de baterias e famílias em uma programação com atividades recreativas, alimentação e distribuição de presentes. Tomate avaliou que a participação das agremiações superou as expectativas da organização. O presidente ressaltou, especialmente, a presença de escolas que não haviam levado suas baterias à edição anterior.
“Superou toda a nossa expectativa, graças a Deus. As escolas estão mais participativas, com mais pessoas. Escolas que no ano passado não vieram com suas baterias estão vindo neste ano. A Fábrica está lotada. A gente pode promover não só a cultura, não só a questão do legado, futuro, ensinamento, mas também um dia especial para elas, com entretenimento, alimentação, presentes e brincadeiras. O mais importante para a gente é ver as crianças sorrindo e os papais orgulhosos, para que possamos seguir a passos largos fazendo isso”, comemorou.
O intérprete Pixulé, do Paraíso do Tuiuti, destacou a relação histórica entre samba, política e resistência durante a manifestação ‘O samba não se cala’, realizada na tarde desta segunda-feira, nos Arcos da Lapa, no Centro do Rio. Presente no ato em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o cantor afirmou que a defesa da cultura foi uma das principais motivações para sua participação e relacionou a história do samba à luta da população negra contra a perseguição e a discriminação.
Pixulé também cantou o Hino Nacional durante a mobilização e comentou a emoção de participar do ato. O intérprete demonstrou confiança na reeleição de Lula e brincou com a possibilidade de voltar a cantar o hino na cerimônia de posse presidencial.
“É uma importância muito grande, porque o Lula é um presidente que olha pela cultura, e hoje estou aqui pela cultura. Esse povo todo está aqui hoje em prol do presidente Lula, é pela cultura. A importância é muito grande”, afirmou.
Um dos momentos marcantes da participação do cantor foi a escolha de um trecho do samba-enredo do Paraíso do Tuiuti de 2018 para acompanhar a abertura do Hino Nacional. Pixulé relacionou a mensagem da obra à conjuntura política brasileira e destacou a história de sofrimento da população negra escravizada, presente na composição da escola.
“Ele fala do que o negro sofreu quando foi escravo. Esse samba tem tudo a ver com a situação política do país. ‘Não sou escravo de nenhum senhor’. É praticamente para esse senhor que é candidato, que é contra o presidente Lula, contra o brasileiro, contra o pobre, contra a cultura, contra tudo e todos”, declarou, ao explicar sua interpretação sobre a disputa eleitoral.
Questionado sobre as críticas à mistura entre samba e política, Pixulé lembrou que a própria história do gênero musical está ligada à resistência. O intérprete citou Tia Ciata, figura fundamental na história do samba carioca, para explicar como as rodas de samba enfrentaram a perseguição e precisaram conquistar espaço na sociedade.
“O samba nasceu em meio à política. O povo era contra, achava que o samba era proibido. Tia Ciata foi uma negra que veio para o Rio de Janeiro, fundou o terreiro de candomblé dela e, da casa dela, surgiu a primeira roda de samba. Naquela época, já era perseguido. Ela, malandramente, foi às autoridades para permitir que o samba acontecesse na casa dela”, afirmou.
Ao concluir, Pixulé reforçou que a resistência faz parte da trajetória do samba e avaliou que esse papel poderá voltar a ser necessário, dependendo do resultado eleitoral.
“Samba hoje é uma resistência. Se acontecer de o outro ganhar, vai virar resistência de novo. É uma pena”, concluiu.
Os coreógrafos Lucas Maciel e Karina Dias, responsáveis pela comissão de frente da Mangueira, defenderam a mobilização dos sambistas em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Presentes na manifestação ‘O samba não se cala’, realizada na tarde desta segunda-feira, nos Arcos da Lapa, no Centro do Rio, os artistas destacaram a relação entre samba, participação política e defesa da cultura brasileira. Lucas Maciel afirmou que o samba carrega uma dimensão política própria e que a presença dos profissionais do carnaval em manifestações como essa representa um compromisso com a arte e a cultura. O coreógrafo também relacionou o posicionamento da dupla à identidade da Mangueira, escola historicamente ligada às expressões da cultura popular brasileira.
“O samba é um movimento político por si só. Acho que é nosso dever, como cidadãos, artistas brasileiros e defensores da arte e da cultura, estarmos aqui presentes para poder defender a reeleição. O presidente Lula é um presidente que é a favor da arte, é a favor da cultura, é a favor do carnaval, está do nosso lado sempre. Então, não tem como, ainda mais sendo da escola que a gente é, a Mangueira. A gente tem que estar aqui”, afirmou Lucas.
Karina Dias também ressaltou a importância de os sambistas ocuparem as ruas e demonstrarem seu posicionamento político. A coreógrafa defendeu uma participação ativa na mobilização e destacou que, na avaliação dela, a defesa de um projeto político favorável à cultura exige envolvimento direto, sem esperar que o resultado aconteça espontaneamente.
“Eu acho que ele já falou tudo. É de extrema importância a gente vir para a rua, demonstrar a nossa indignação com o primeiro turno. A gente precisa realmente estar aqui, colocar a cara a tapa, como se fala, para eleger uma pessoa que é a favor da nossa cultura, do samba e da arte. Então, não tem como a gente ficar em casa esperando cair do céu”, declarou Karina.
No Brasil, o dia 12 de outubro é um dos dias mais esperados pelos baixinhos, afinal, é o dia de celebrar a infância. Brinquedos infláveis, pula-pula e muita recreação marcaram a última segunda-feira, na quadra da Acadêmicos do Grande Rio, que abriu as portas e promoveu uma grande confraternização para as crianças da comunidade e as que compõem a escola mirim Pimpolhos da Grande Rio. A organização desta tarde animada ficou por conta das musas, sendo idealizada há seis anos por Thainá Oliveira. Em entrevista ao CARNAVALESCO, ela afirmou que a iniciativa começou a partir de uma promessa feita quando seu primogênito nasceu. As crianças são sinônimo de felicidade, doçura e alegria.
“Eu fiz uma promessa pro Joaquim quando ele nasceu, que até os sete anos dele, eu ia fazer uma festa de Dia das Crianças. E eu faço essa festa todos os anos. Só que esse ano eu decidi convidar todas as outras musas pra gente se unir, fazer uma coisa bem legal pra nossa comunidade. As crianças são a doçura da nossa vida, são a felicidade e a alegria”, contou.
Musa Thainá Oliveira
Helinho Ribeiro, presidente de honra da agremiação e pai de Thainá, revelou que esse movimento de sua filha é uma continuação do que ela viveu em sua infância.
“Quem vive gosta de fazer também, e minha filha viveu isso tudo. Graças a Deus eu pude proporcionar isso a ela. Ela sempre teve a festinha dela, chamava os amiguinhos. Um dia ela me falou: ‘Pai, eu quero começar a fazer’. Agora já tem uns cinco ou seis anos que ela faz. Dessa vez, com as musas todas reunidas, pois se juntaram a ela, e foi maravilhoso. A festa está muito linda, tem muita criança. É isso que a Grande Rio quer cada vez mais, a sua comunidade dentro da quadra e a Grande Rio dentro da comunidade”, disse Helinho.
Helinho Ribeiro, presidente de honra da agremiação e pai de Thainá
O presidente Milton Perácio também esteve presente na comemoração e destacou a importância de ter momentos como esse com as crianças, pois, assim como mestre Fafá e Taciana, elas são o futuro da agremiação.
“As crianças são o futuro da nossa escola. É onde brota o que há de melhor na comunidade. Por exemplo, nós temos o Fafá, que é um garoto criado aqui no quintal da nossa casa e hoje é um dos maiores mestres de bateria do país. A nossa porta-bandeira, criada também no nosso quintal, e vai por aí… São vários ritmistas que saem da Pimpolhos e vão para a Grande Rio. Tudo isso é muito importante. É um orgulho muito grande do legado que a gente deixa”, comentou Perácio.
Presidente Milton Perácio
A musa Alane Dias participou ativamente da organização do evento e, em entrevista, contou que o sentimento era de um retorno à infância.
“Eu me sinto criança de novo, porque quando a gente troca com a criança, a gente fica mais criança também. E criança é uma coisa que ensina muito. Eu já fui professora de balé dessa idade de mais de 4, 5 anos e tudo o que eu ensinava, eu aprendia de volta. É uma ingenuidade que a gente perde com o tempo. É um brilho no olhar que a gente perde com o tempo também. Essa possibilidade de se encantar novamente, a gente aprende com as crianças”, declarou Alane.
Musa Alane Dias
A primeira porta-bandeira, Taciana Couto, foi à quadra aproveitar a festa com sua filha. Em entrevista, ela relembrou seus momentos na quadra da agremiação.
“É uma valorização das nossas crianças e da nossa comunidade. Eu sou uma cria da Pimpolhos e participei de muitos desses eventos, que marcaram a minha infância, e eu acho que as crianças também merecem ter essa oportunidade de vivenciar essa festa”, disse Taciana.
Porta-bandeira Taciana Couto
Quando questionada se acredita que a filha seguirá seu caminho, a porta-bandeira deixou claro que não irá interferir, pois será uma decisão dela. Ela também destacou as atividades sociais que a agremiação promove e como elas a ajudaram.
“A Pimpolhos faz vários projetos culturais. Tem cursos, jovens e adolescentes com interesse de ingressar na faculdade ou fazer cursos profissionalizantes. Tudo o que a escola vem desenvolvendo mostra que, para além de uma escola de samba, é uma escola de vida. Aqui eu aprendi muita coisa, através daqui eu pude ter um curso de ensino superior”, destacou.
Alex dos Santos, de 48 anos, técnico em enfermagem e torcedor da Grande Rio há mais de 20 anos, estava presente com sua esposa e seu neto. Para ele, eventos como esse ficarão marcados na memória de cada criança, que carregará o legado da escola.
Alex dos Santos, de 48 anos, técnico em enfermagem e torcedor da Grande Rio há mais de 20 anos
“Quando a comunidade está integrada junto com a quadra de escola de samba, vira uma união e essa união a gente leva pra vida. Sempre sendo acolhida, sempre sendo privilegiada, sempre sendo acompanhada. Isso é muito importante para o crescimento, não só da comunidade, como dessas crianças que já crescem envolvidas com esse processo”, disse Alex.
Dayana Brito, autônoma de 27 anos, foi pela primeira vez com sua família e sua filha. Para ela, o evento foi uma generosidade da agremiação para as crianças ali presentes.
Dayana Brito, autônoma de 27 anos, foi pela primeira vez com sua família e sua filha
“É um dia muito especial para as crianças, sobretudo as que não brincam ou que não têm oportunidade de sair. É um dia para curtir com as crianças e estar presente naquele momento ali delas. Isso é uma generosidade da agremiação ao parabenizar todas as crianças”, concluiu.
A Unidos de Padre Miguel anuncia uma mudança em sua presidência. Após uma trajetória marcada pela dedicação ao pavilhão vermelho e branco, Lara Mara encerra seu ciclo à frente da agremiação, em um momento de novos desafios pessoais e acadêmicos, especialmente sua formação em Medicina. A presidência passa a ser exercida por Rafaelle Rodrigues, sua tia e atual diretora de Quadra, dando continuidade ao trabalho desenvolvido pela escola e ao planejamento para o Carnaval 2027.
Cria da Unidos de Padre Miguel, Lara construiu sua história na agremiação desde a infância, quando começou a desfilar na ala das crianças. Na adolescência, ocupou o posto de primeiro destaque e, ao atingir a maioridade, assumiu a Direção de Carnaval ao lado do pai, Cícero Costa. Nesse período, participou de um dos momentos mais importantes da história recente da escola: a conquista do título da Série Ouro e o retorno ao Grupo Especial.
Aos 20 anos, chegou à presidência, representando uma nova geração à frente da agremiação. Agora, Lara inicia uma nova etapa de sua trajetória, mantendo os laços afetivos com a escola que faz parte de sua história e de sua família.
“A UPM nunca foi apenas uma escola de samba para mim. Ela faz parte da minha história, da minha família e de tudo aquilo em que acredito. Vivi momentos inesquecíveis, amadureci e cresci junto com a nossa escola. Mas chegou o momento de olhar também para o meu futuro, um sonho que tem um significado muito especial na minha vida. Deixo a presidência com o coração cheio de gratidão e com a tranquilidade de saber que a escola estará em boas mãos , alguém que conhece as nossas raízes , ama esse pavilhão e dará continuidade ao trabalho que estamos construindo. Não é um adeus. Eu apenas não serei mais a presidente, mas nunca deixarei de ser Unidos de Padre Miguel”, destaca Lara.
A rainha de bateria do Império Serrano, Quitéria Chagas, defendeu a união dos sambistas na manifestação ‘O samba não se cala’, realizada na tarde desta segunda-feira, nos Arcos da Lapa, no Centro do Rio. Em apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a artista alertou para a importância da mobilização política, relacionou a história brasileira às lutas pela democracia e afirmou que o resultado de uma eleição tem consequências que vão além das urnas. Para Quitéria, a participação dos integrantes do mundo do samba é fundamental em um momento que considera decisivo para o futuro do país. A rainha de bateria também fez um alerta contra o excesso de confiança em resultados eleitorais e defendeu que os sambistas permaneçam mobilizados.
“É uma questão de vida ou morte. Não é uma eleição qualquer, e nunca é só uma eleição. Nós caímos muito naquela coisa de ‘já ganhou, já ganhou’, e isso nos prejudicou. Foi ruim. É importante estar todo mundo unido”, afirmou.
Quitéria também destacou a dimensão social do samba e sua relação com a realidade das famílias brasileiras. Na avaliação da artista, a cultura popular não pode ser dissociada das discussões sobre direitos, representatividade e democracia. Ela criticou o apoio a grupos políticos que, em sua avaliação, contrariam as lutas históricas da população negra.
“O samba é um manifesto social, do nosso país, da nossa alegria, das famílias brasileiras. Não apoiar a causa é um absurdo. É inadmissível”, declarou.
A rainha de bateria ainda chamou a atenção para o medo que, segundo ela, atinge pessoas preocupadas com a possibilidade de perder o emprego, a dignidade e a liberdade. Ao abordar o tema, Quitéria relacionou a mobilização à necessidade de preservar direitos e evitar retrocessos.
A artista também fez referência à violência histórica contra populações indígenas e às consequências de períodos autoritários no Brasil. Em sua fala, reforçou a importância de manter viva a memória dessas experiências para compreender os desafios enfrentados pela democracia.
Ao encerrar sua participação, Quitéria destacou que a manifestação precisa produzir efeitos para além do encontro entre sambistas. Para ela, os participantes devem sair do ato preparados para conversar com familiares e pessoas próximas, levando argumentos e mantendo aberto o espaço para o diálogo.
“O mais importante nesse encontro aqui hoje é todos nós sairmos daqui cheios de argumentos para conversar em casa. É importante sair daqui com o coração transbordando de argumentos para levar essas ideias para casa. Não sejam portas fechadas para o diálogo”, concluiu.