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Quesitos fazem balanço do desfile do Império de Casa Verde

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O Império de Casa Verde foi a primeira escola a desfilar no sábado de carnaval pelo Grupo Especial de São Paulo. Com o enredo “Império dos Balangandãs – Joias Negras Afro-Brasileiras”, assinado pelo carnavalesco Leandro Barboza, a azul e branca da Zona Norte levou para a Avenida um desfile técnico, marcado por força estética e canto da comunidade.

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À frente da comissão de frente, o coreógrafo Sérgio Cardoso avaliou os desafios enfrentados na Avenida, especialmente com a nova disposição das cabines de jurados.

“Esse ano essas cabines estavam numa posição totalmente diferente do que a gente costuma, bem próximas, além de tudo o campo de visão deles diminuiu bastante, porque é bem mais baixo. Então a gente teve que mudar algumas estratégias. A minha sorte é que meu samba é curto. Então eu tenho duas passagens pra fazer toda a história que a gente vem. É, quatro minutos, então foi tranquilo. Mas, assim, essas duas cabines muito próximas, e a parada do recuo da bateria, calhou bem no meio das duas. Ou seja, a gente estava sendo avaliado de frente e de costas. Mas bora, acho que esse é o jogo e a gente tem que cada vez mais. Se aperfeiçoar diante das regras. Para mim a execução foi tudo ok. Agora vamos ver o olhar do jurado”, disse.

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O mestre-sala Patrick Vicente também destacou o caráter técnico do desfile e o entrosamento com a porta-bandeira Sofia ao longo da apresentação.

“Foi um desfile bem técnico, a gente tem treinado desde maio, um trabalho árduo, mas eu achei muito bom o andamento. Deu para priorizar tanto a comissão, tanto o casal também, que veio logo em seguida. E eu e a Sofia, saímos daqui feliz de ver o nosso rendimento. Executamos todos os movimentos que a gente vem ensaiando. Agora esperar o resultado e, se Deus quiser, a gente será abençoado da melhor forma possível”, concluiu.

Sobre as mudanças na posição das cabines, Patrick ressaltou o desafio físico e emocional para manter a intensidade da apresentação.

“Sobre as cabines próximas, a intensidade tem que manter a mesma, que já é um seguido do outro, para gente é só a questão de prender a respiração por um minuto, recuperar todo o fôlego, todo o ar e já iniciar novamente na outra cabine mas isso foi bem desafiador, eu acho que para todos os casais de São Paulo, é uma coisa muito nova”, falou.

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No carro de som, os intérpretes Tinga e Tiago Nascimento celebraram o desempenho da escola e a resposta positiva da comunidade durante o desfile.

“Foi muito bom, a gente está feliz demais. Viemos e cumprimos, então a gente está esperando o resultado. Fizemos um grande desfile e a gente sempre espera a melhor colocação para levar o nosso Império ao nosso sonho, que é sempre ser campeão do Carnaval”, disse Tinga.

“Acho que foi muito bom. A comunidade cantou e está feliz, está alegre. O público respondeu. Acho que o nosso trabalho alcançou o objetivo. O enredo foi fundamental, enredo e samba bom é meio caminho andado. Então a gente está feliz demais com tudo. E, se Deus quiser, é Império na cabeça”, analisou Tiago.

Carnavalesco da Tom Maior detalha enredo que transforma Uberaba em símbolo do Espiritismo

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A escola de samba Tom Maior levou para a avenida um enredo que reverencia Uberaba a partir de uma carta espiritual psicografada por Chico Xavier. O médium, nascido em Pedro Leopoldo, mas consagrado em Uberaba, se coloca como instrumento para dar voz à cidade que marcou sua trajetória. Essa narrativa é revisitada por meio do olhar do carnavalesco Flávio Campello, 48, que apresentou na avenida cores em fantasias e alegorias vibrantes para simbolizar a ancestralidade, a história e o progresso do município, transformado em símbolo do Espiritismo no Brasil, onde Chico desenvolveu sua mediunidade e encerrou sua jornada.

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Para que o entendimento de todo o enredo na avenida fosse notado por quem estava também nas arquibancadas ou como telespectador na TV, Flávio comenta que todos os pensamentos foram voltados para um desfile didático e que pudesse ter uma homenagem clara, assim tomou como base uma foto territorial

“A inspiração veio de uma foto de satélite que vi da cidade de Uberaba. Vi a quantidade de rios que existiam ali naquela região, era algo surreal, chegava a brilhar nesse mapa”, explicou Flávio.

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O carro abre-alas, intitulado “Das Águas Emana o Perfume! – A Terra das Águas Claras e Berço de Gigantes”, sintetiza o primeiro setor do desfile ao destacar as origens de Uberaba. A alegoria exalta a ancestralidade indígena, os dinossauros que habitaram a região e a força vital das águas que moldaram o território. Esculturas de peixes e figuras híbridas simbolizam a interdependência entre natureza e vida. Elementos trazidos pelo carnavalesco foram calculados para retratar especificidades do enredo.

“Queria abrir com essa inspiração para poder retratar até a etimologia do nome da cidade, porque Uberaba vem da palavra ‘Iberabe’, que significa terra das águas brilhantes, terra das águas cristalinas. E essa abertura que quis, através da ala que veio na frente do carro, mais a ala que vem atrás do carro, que são nossas baianas, também o nosso casal, abrindo alas para essas cores sensacionais. Acho que foi um grande trunfo na manga, foi perfeito”, exaltou o carnavalesco.

Já a terceira alegoria, “O Futuro Chegou! – Nos Caminhos para a Industrialização”, retrata a transformação econômica de Uberaba, usando engrenagens e estruturas metálicas; tons terrosos compõem o cenário que simboliza a chegada das indústrias e a força do trabalho coletivo.

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“Era tentar buscar todo esse misticismo, todo esse sincretismo em torno de Chico Xavier, através da espiritualidade. Por isso que a gente trouxe a Índia, por isso que a gente trouxe essa industrialização com uma cara mais vintage, porque a gente queria retratar aquilo que o Chico colocava nas suas cartas, inclusive contando a história da cidade. Foi mais ou menos essa referência que nós tivemos para construir esse projeto”, comentou Flávio, que quis reafirmar nas alegorias a vocação progressista do município, associando inovação e esforço humano à construção de seu futuro.

Sobre as expectativas para a escola, Flávio diz sair da avenida já com vontade e acreditando que possa voltar no sábado para o desfile das campeãs.

“Foi um desfile marcado pela emoção, porque muitos sentimentos explodiram dentro dos nossos corações ao longo desse ano todo, com a perda do nosso saudoso Gilsinho, que foi o primeiro sentimento que a gente teve, aquele vazio imediato. Mas o Leozinho veio para preencher esse vazio; hoje, ele representou muitíssimo bem a escola e o Gilsinho. Tenho certeza de que faremos história na terça-feira, com um resultado incrível e o possível primeiro título da escola”, finalizou o artista.

‘Minha batalha enquanto presidente é essa’, diz presidente Solange sobre enredo da Mocidade

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A Mocidade Alegre foi a terceira escola a desfilar no sábado de carnaval pelo Grupo Especial de São Paulo. Com o enredo “Malunga Léa, Rapsódia de uma Deusa Negra”, assinado pelo carnavalesco Caio Araújo, a agremiação apresentou um desfile técnico e luxuoso, com harmonia e evolução excepcionais na Avenida.

Após a apresentação, a presidente Solange celebrou a emoção de ver o projeto ganhar vida e destacou o empenho coletivo para cumprir o que foi planejado ao longo do ano.

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“Uma super emoção. Feliz a beça. O importante é a gente conseguir passar, trazer tudo direitinho, dentro do compacto, dentro de tudo. Eu espero que todo mundo tenha visto o que muita gente viu e que os jurados principalmente, mas eu estou muito feliz. A gente trabalha muito, batalha para caramba”, disse.

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Solange também ressaltou o compromisso da escola com a ancestralidade e afirmou ter orgulho da identidade construída pela Mocidade ao longo de sua trajetória.

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“A Mocidade é uma das escolas que, apesar de eles falarem que a direção é branca, é uma escola que fala mais de ancestralidade do que muitas outras. E isso eu tenho muito orgulho, de preservação, de identidade, de pertencimento, de fazer acontecer, porque a minha batalha quanto presidente de uma escola de samba é essa”, concluiu.

Por fim, a presidente fez questão de agradecer à comunidade, destacando a entrega nos ensaios e a dedicação que, segundo ela, refletiram diretamente no resultado apresentado no Sambódromo.

“Para a comunidade eu só tenho agradecimentos e gratidão, só mesmo, porque eles se esforçaram, eles se entregaram, eles fizeram muita coisa legal e eu acho que eles ensaiaram demais. E aqui deu resultado, deu certo. Agora a cabeça de jurado a gente não sabe, temos que esperar”, falou.

Freddy Ferreira analisa a bateria da Niteroi no desfile oficial no Carnaval 2026

Um bom desfile da bateria da Acadêmicos de Niterói, na estreia de mestre Branco Ribeiro na escola e no grupo especial. Um ritmo com um andamento mais quente e bossas pautadas pela melodia do samba e por pressão sonora dos surdos foi apresentado.

Na cabeça da bateria da Niterói, uma ala de cuícas sólida auxiliou no preenchimento da sonoridade das peças leves. Um naipe de chocalhos de boa qualidade técnica tocou junto de uma ala de tamborins de virtude coletiva, apresentando entrosamento. O casamento musical entre chocalhos e tamborins deu brilho sonoro à parte da frente do ritmo. O conceito escolhido para o desenho rítmico foi pautar a batida através da simplicidade, o que mostrou extrema funcionalidade, resultando num trabalho musical destacado de ambos os naipes em conjunto.

Na parte de trás do ritmo da “Cadência de Niterói”, uma boa afinação de surdos foi percebida, dando potência sonora ao peso dos graves. Surdos de terceira com bom balanço deram seu recado tanto fazendo ritmo, quanto na exigência musical envolvendo as bossas. Repiques com boa levada tocaram juntos de um naipe de caixas com bom volume.

Bossas que se aproveitavam das variações melódicas da obra para consolidar seu ritmo foram exibidas. Arranjos que proporcionaram bom impacto relativo à pressão sonora, graças à afinação de surdos. Outro recurso técnico bem utilizado foi a escolha criativa das timbragens distintas ficarem em evidência nos arranjos, dando dinamismo sonoro à proposição musical. Merece exaltação musical a sonoridade dos surdos de terceira nas paradinhas.

Uma boa apresentação da bateria da Niterói, dirigida por mestre Branco Ribeiro. Um ritmo com andamento mais acelerado foi exibido junto de impacto sonoro de bossas, devido a afinação das marcações. A apresentação na última cabine contou com ovação popular, sendo sobretudo uma exibição energética, evidenciando o bom trabalho da “Cadência de Niterói” na abertura dos desfiles do grupo especial.

Forte canto e comissão de frente impactante são destaques no desfile da Tucuruvi

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Neste domingo de Carnaval, a Tucuruvi realizou seu desfile oficial com o enredo “Anti-herói Brasil”, assinado pelo carnavalesco Nicolas Gonçalves. O grande destaque foi o canto da comunidade, que se entregou no Anhembi para defender com força o possível acesso do Zaca ao Grupo Especial. Também merece menção a criatividade da comissão de frente, liderada por Renan Banov, que apresentou uma coreografia impactante logo no início do desfile.

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A escola encerrou sua apresentação com 58 minutos.

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COMISSÃO DE FRENTE

Liderada por Renan Banov, a comissão de frente desfilou com o título “Nosso corpo é página viva”. A coreografia foi impactante e apresentou uma personagem central que encenava o sofrimento, representando as dificuldades enfrentadas por quem vive à margem da elite brasileira. Parte dos componentes utilizava fantasias confeccionadas com sacos de lixo, reforçando a proposta estética e simbólica do enredo.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

Em determinado momento, ao se agacharem em posições previamente marcadas, os bailarinos ficavam completamente cobertos, criando um efeito visual forte e coerente com a narrativa apresentada. O conjunto conseguiu traduzir com precisão, por meio das expressões e movimentos, o significado do tema.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

O casal Luan Caliel e Beatriz Teixeira representou “Caminhos anti-heroicos” com uma atuação segura. Executaram os movimentos obrigatórios com qualidade, destacando-se o mestre-sala nos jogos de pernas e a porta-bandeira nos giros bem sincronizados, realizados com intensidade tanto no sentido horário quanto no anti-horário.

HARMONIA

O canto da escola foi um dos pontos altos do desfile. A comunidade do Zaca mostrou evolução em relação ao ensaio técnico, quando havia deixado a desejar. Desta vez, todos os versos foram entoados com clareza e o samba fluiu do início ao fim. A comunidade desfilou leve e confiante, sustentando a energia da apresentação.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

ENREDO

“Anti-herói Brasil”, desenvolvido por Nicolas Gonçalves, trouxe uma abordagem crítica ao exaltar personagens cotidianos que se tornam heróis na própria sobrevivência. O enredo valorizou trabalhadores do chamado “corre” diário, como os motoboys, além de retratar figuras marginalizadas pela sociedade, como moradores de rua.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

Para materializar essa narrativa, o carnavalesco optou por utilizar materiais simples e pouco requintados, uma escolha ousada para o padrão estético do Carnaval de São Paulo. Ainda assim, a mensagem foi transmitida de forma clara e coerente ao longo do desfile.

EVOLUÇÃO

As alas evoluíram de maneira organizada, preenchendo corretamente os espaços na pista. A exceção foi a ala das baianas, que apresentou abertura entre as componentes, embora esse aspecto não seja considerado no manual de julgamento.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

No conjunto, a escola evoluiu com leveza, permitindo que os componentes cantassem e dançassem livremente, sem a formação de buracos. Houve apenas pequena dificuldade na compactação entre algumas alegorias e as alas que vinham à frente, mas nada que comprometesse o desfile ou causasse divisão perceptível na escola.

SAMBA

Interpretado por Hudson Luiz, o samba foi bem defendido na avenida. O intérprete tem um estilo marcante e assumiu a condução da obra com personalidade. Houve interação com a comunidade e com o público das arquibancadas, embora o foco tenha permanecido na sustentação da ala musical. As vozes femininas também se destacaram ao longo da apresentação.

O trecho “Jeitinho brasileiro de sobreviver” foi especialmente forte, ecoando com intensidade na comunidade em sintonia com o carro de som, sintetizando a essência do enredo.

FANTASIAS

A concepção estética proposta por Nicolas Gonçalves foi ousada e coerente com o tema. O uso de papelão, sacolas e materiais que remetem à pobreza e à vida nas ruas pode ter dividido opiniões, mas dialogou diretamente com a proposta narrativa. O desfile trouxe referências visuais a “Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia”, da Beija-Flor de Nilópolis, apresentado em 1989.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

Destacou-se a ala com fantasias de sacos de lixo portando tridentes de Exu, reforçando o simbolismo do enredo.

ALEGORIAS

O abre-alas apresentou o setor “Enugbarijó e a sabedoria das encruzilhadas”. A alegoria trazia uma escultura de Exu cuspindo papéis picados, em referência à ideia da boca que tudo consome. O carro enfrentou um problema estrutural no lado direito, quando uma parte se quebrou e precisou ser retirada. A equipe agiu rapidamente, levando o elemento para o recuo da bateria e evitando maiores prejuízos visuais.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

A segunda alegoria representou “Macunaíma S/A – A indústria do anti-herói”, aprofundando a crítica social proposta pelo enredo.

Encerrando o desfile, o último carro, intitulado “Seja marginal, seja herói!”, trouxe esculturas de Exu no topo, além de pipas e fios formando a bandeira do Brasil. Mais uma vez, a opção por materiais simples reforçou a estética do anti-herói. Destaque para a presença de motoqueiros na alegoria, em sintonia com o trecho do samba que exalta o “corre” cotidiano.

OUTROS DESTAQUES

A Bateria do Zaca, comandada pelo mestre Serginho, desfilou representando a “Malandragem brasileira”. Executou bossas com precisão e garantiu o andamento adequado do samba-enredo, sustentando a energia da escola ao longo da avenida.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

Entre o impacto da narrativa e os percalços técnicos, a Niterói narrou a trajetória de Lula sob os olhos do próprio homenageado

A Acadêmicos de Niterói abriu os desfiles de domingo com a missão de transformar a biografia de Luiz Inácio Lula da Silva em uma epopeia de resistência e democracia. Em uma noite marcada pela presença histórica do próprio homenageado, que quebrou o protocolo ao descer para a pista na altura do segundo recuo de bateria para beijar o pavilhão niteroiense, a agremiação entregou um desfile de forte apelo emocional. Sob o comando do carnavalesco Tiago Martins, a escola buscou equilibrar o rigor histórico com a plasticidade do Carnaval, enfrentando, porém, desafios de evolução e acabamento.

COMISSÃO DE FRENTE

A apresentação intitulada “O amor venceu o medo”, coreografada por Handerson Big e Marlon Cruz, foi um verdadeiro manifesto político em movimento. Nove bailarinos, vestindo figurinos em tons terrosos que remetiam às origens nordestinas de Lula, executaram passos sincronizados que culminavam na ocupação de elementos cênicos em formato de andaimes. Esses módulos, equipados com quatro telões frontais, exibiam imagens reais da trajetória do presidente. Em um segundo momento, a narrativa ganhou densidade dramática no tripé “A capital do povo”, deslocado à frente do primeiro módulo. Ali, encenou-se a passagem da faixa para Dilma Rousseff, o golpe, o período de prisão e a figura satírica de Bolsonaro (referenciado como “Bozo”).

* LEIA AQUI: Componente fala! Acadêmicos de Niterói reacende debate sobre os limites da Avenida

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A catarse ocorreu na representação da subida da rampa em 2023, quando Lula apareceu cercado por representantes de minorias, negros, indígenas, LGBTQIA+ e PCDs, sob um jogo de luzes nas cores da bandeira nacional e o vermelho do partido. A performance arrancou gritos eufóricos do público, deixando clara a mensagem. Porém, o tripé ficou deslocado um pouco mais à frente que o módulo na apresentação diante da primeira cabine de jurados.

* LEIA AQUI: Acadêmicos de Niterói transforma Lula em símbolo da nação brasileira e conta sua história na Sapucaí

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O primeiro casal, Emanuel Lima e Thainara Matias, trouxe para a avenida a fantasia “Luar do Sertão”, uma homenagem à infância de Lula sob as histórias de Dona Lindu e as canções de Luiz Gonzaga. A dupla entregou uma exibição pautada pela segurança e pela coesão. Com um bailado harmonioso, demonstrou conexão em cada giro, mantendo a bandeira esticada e a elegância no cortejo.

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Um ponto alto da performance foi a introdução de uma “baixada” coreográfica, movimento de altíssimo grau de dificuldade executado com boa precisão, o que evidenciou o entrosamento técnico do par. A passagem pelos módulos de jurados foi considerada segura, honrando o pavilhão azul e branco com dignidade e técnica.

* LEIA AQUI: tempo em disputa na Sapucaí: Ala 21 da Niterói transforma escala 6×1 em manifesto

HARMONIA E SAMBA-ENREDO

O samba, de fácil leitura e forte apelo melódico, foi abraçado pela escola e pelo público desde o esquenta. A condução do intérprete Emerson Dias e de sua ala musical foi fundamental, garantindo que a obra não perdesse o vigor em nenhum momento. No início do desfile, a harmonia explodiu, com os componentes cantando a plenos pulmões.

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Entretanto, o quesito sofreu oscilações quando a escola precisou parar devido aos problemas de pista com a segunda alegoria, e o canto da comunidade dava sinais de queda. O que impediu uma piora maior foi a cadência da bateria de mestre Branco Ribeiro, que segurou o ritmo com firmeza, mantendo uma sustentação positiva para que os desfilantes não abandonassem o samba.

EVOLUÇÃO

Embora o início tenha sido fluido, a evolução sofreu um colapso técnico na altura do segundo módulo de jurados devido a problemas com a segunda alegoria. O carro, extremamente lento, causou um congestionamento que deixou a escola estática por cerca de quatro minutos, gerando um risco real de punição. O atraso quase provocou um buraco no setor 3 da avenida. Após esse período de tensão, a direção de harmonia conseguiu retomar o fluxo, e a escola voltou a andar de modo menos robótico, recuperando o tempo perdido e o ritmo da festa.

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ALEGORIAS E FANTASIAS

O projeto visual de Tiago Martins foi grandioso em escala, com carros altos e uso moderno de painéis de LED. Contudo, a execução técnica deixou a desejar em detalhes de acabamento. O abre-alas, dividido em três chassis, apresentou fios aparentes. A segunda alegoria desfilou com um refletor apagado em sua traseira, enquanto a quarta alegoria enfrentou dificuldades para entrar na pista.

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No último carro, uma rachadura na escultura principal, a cabeça do presidente, era visível para os observadores mais atentos. As fantasias com volumetria impressionaram, mas o peso foi notado especialmente na ala das passistas, comprometendo a desenvoltura de alguns componentes. Foram registradas ainda falhas pontuais, como cactos soltos na ala das baianas e componentes sem costeiros na ala cênica de militares, que contou com a presença dos atores Paulo Vieira e Juliana Baroni representando Lula e a ex-primeira-dama Marisa Letícia.

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OUTROS DESTAQUES

No primeiro setor da escola, a atriz Dira Paes emocionou o público ao representar Dona Lindu cercada pelos filhos pequenos no sertão. No último carro, a cantora Fafá de Belém esteve presente após emprestar sua voz potente ao entoar o clássico “O que é, o que é?” durante o esquenta da escola. A alegoria também contou com personalidades como Antônio Pitanga e Paulo Betti. Embora a participação da primeira-dama Janja fosse amplamente comentada nos bastidores, ela não chegou a desfilar com a agremiação. O momento definitivo, contudo, foi o encontro do homenageado com a comunidade de Niterói. Lula, que assistia a tudo do camarote, desceu à avenida em um gesto de reverência, beijou o pavilhão da escola e selou a carga emocional do desfile.

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Alegoria “Vale uma nação, vale um grande
enredo”, da Acadêmicos de Niterói. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

Componente fala! Acadêmicos de Niterói reacende debate sobre os limites da Avenida

A Acadêmicos de Niterói foi a primeira escola a pisar na Marquês de Sapucaí neste domingo, abrindo os desfiles do Grupo Especial 2026. A Azul e Branca da Cidade Sorriso levou para a Avenida o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, desenvolvido pelo carnavalesco Tiago Martins e pelo enredista Igor Ricardo. O tema narra a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva desde a infância em Garanhuns até a Presidência da República eprovocou debates nas redes sociais e entre parte do público: existe limite para o que o Carnaval pode contar?

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Para ouvir quem constrói o espetáculo na prática, o CARNAVALESCO conversou com quatro componentes que estrearam ou retornaram à Sapucaí com a Niterói.

O bibliotecario Paulo Garrido
O bibliotecário Paulo Garrido
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

O bibliotecário Paulo Garrido, servidor da Fundação Oswaldo Cruz e presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Fiocruz, defendeu que a cultura tem um grande potencial de mobilização e que a liberdade de criação e de pensamento deve ser preservada.

Para ele, o enredo da Niterói integra a história do Brasil e da política internacional ao retratar “um metalúrgico que foi liderança sindical e tem uma trajetória de compromisso com a população brasileira. A escola foi ousada e corajosa ao levar esse tema à Avenida, mesmo que o carnaval sempre tenha dialogado com a política. Na minha visão isso deve continuar acontecendo”.

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Rilke Públio, farmacêutico, 62 anos
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Rilke Públio, farmacêutico, 62 anos, também estreante na agremiação, pontuou que o samba-enredo percorre a trajetória de Lula desde o nascimento até a atuação sindical e política, sem recorrer a especulações. “Não há nenhuma novidade escondida. É a história de vida e de liderança política de uma figura pública. E eu acho que homenagear alguém vivo é uma escolha legítima da escola”.

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Camila Mateus, de 46 anos
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Já Camila Mateus, de 46 anos, acrescentou que a homenagem ultrapassa a dimensão partidária e se concentra no percurso pessoal: “Estamos homenageando o ser humano, o cidadão que veio de Garanhuns e construiu uma trajetória. É a história de um brasileiro que deu certo, não é apenas a história de um político”.

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Jaqueline Deister
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Jaqueline Deister, por sua vez, avaliou que parte das críticas decorre do ambiente de polarização e de disputas ideológicas. Segundo ela, há setores que recorrem com frequência a questionamentos e ações judiciais para impedir manifestações culturais.

“São pessoas que não têm um respeito legítimo com a democracia e tentam vetar o exercício artístico”, afirmou a componente.

Imperatriz 2026: Galeria de fotos do desfile

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Acadêmicos de Niterói transforma Lula em símbolo da nação brasileira e conta sua história na Sapucaí

Na abertura do primeiro dia de desfiles do Grupo Especial no Carnaval 2026, a Acadêmicos de Niterói levou à Marquês de Sapucaí um desfile que ultrapassou o espetáculo visual. A última alegoria, intitulada “Vale uma nação, vale um grande enredo”, transformou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma figura de enorme representatividade do país. 

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Alegoria “Vale uma nação, vale um grande
enredo”, da Acadêmicos de Niterói. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

O último carro consolidou a narrativa proposta pelo enredo “Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil” do carnavalesco Tiago Martins. Mais do que biografia, a escola apostou na construção de uma ideia de nação associada à soberania e ao Estado democrático. A presença de convidados ligados ao presidente ampliou a dimensão do momento, transformando a alegoria também em acontecimento político, sem abandonar a estética.

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o ator Paulo Betti, 73 anos, desfilou na alegoria da Niterói. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

Para o ator Paulo Betti, de 73 anos, o Brasil representado ali é o de um país que deseja ser mais justo e menos desigual. Ele destacou a força da trajetória de quem saiu “do meio daqueles que não têm” e chegou à presidência, enxergando na figura homenageada a prova de que é possível romper barreiras sociais profundas. “O Lula é um fenômeno, o Brasil precisa acreditar que é possível você ser um menino pobre, que saiu do nada e vencer”.

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Malu Valle, 68 anos, atriz. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

A atriz Malu Valle, que desfila pela primeira vez pela agremiação, afirmou ver no carro a imagem de uma nação soberana, sustentada pelo trabalho e pelas próprias riquezas. Para ela, a escolha de homenagear Lula reforça o papel do Carnaval como uma das principais expressões culturais do país, capaz de transformar trajetórias políticas em narrativa artística. 

Malu completou ainda: “Eu acho a coisa mais linda ver uma escola de samba que é uma das principais formas de expressão cultural escolher homenagear uma trajetória como a do Lula, que é um cara que saiu de pau de arara praticamente com a Dona Lindu e hoje é uma liderança mundial incontestável, na minha opinião a maior. A função da arte é transformar, fazer as pessoas refletirem, espero que a Acadêmicos de Niterói leve para a Avenida esse pensamento: um país livre e soberano”.

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Inez Viana, 60 anos, atriz e diretora teatral. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

Já Inez Viana interpretou o encerramento como o retrato de um país que ainda acredita em dias melhores, evocando o “esperançar” de Paulo Freire. “Enxergo através desse carro um Brasil que ainda acredita, que tem esperança de dias melhores. E o Lula é essa figura histórica, então a gente está homenageando esse cara que vem de um lugar muito humilde e se torna essa liderança mundial, realmente a gente está aqui esperançando por dias melhores, do verbo esperançar mesmo, como já dizia Paulo Freire. Ele é uma figura histórica, tem um papel importantíssimo na história do Brasil desde a luta sindical, depois três vezes presidente da República”. 

Sobre a questão do carnaval dialogar com a política, ela diz acreditar nesse diálogo e completou ainda: “o povo acredita, coloca suas expectativas, esperanças, seus anseios, é um modo de expurgar, mas também reivindicar coisas que você deseja”.

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Angela Rebello, 73 anos, atriz. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

A atriz Angela Rebello destacou a pluralidade do Brasil retratado na alegoria. Para ela, o enredo não homenageia apenas um líder, mas também a força de mulheres como Dona Lindu, mãe do presidente, representando tantas brasileiras do interior e do Nordeste. 

“Vejo também como uma homenagem a uma mulher brasileira, do interior, do Nordeste, que lutou pelos seus filhos e que é a razão de um dos seus filhos ser esse homenageado, pela sua criação. É um exemplo de brasileiro que não se rende, que é forte, tem esperança e luta corajosamente pelo que quer. E esse fecho com essa pluralidade do último carro representa muito isso também. Para mim qualquer ato cultural é também um ato político, não vejo como se o carnaval estivesse fazendo política e o carnaval é essa metáfora, você vê a história sendo colocada em alegorias na Avenida”, afirmou.

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Daniel de Lima, 38, enfermeiro. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

Entre os componentes, a percepção também apontou para valores como igualdade, respeito e resistência. O enfermeiro Daniel de Lima viu no carro um Brasil que fala de amor e união, enquanto o técnico do DIEESE Lucas Lima destacou a centralidade da luta por direitos e melhores condições para os trabalhadores. 

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Lucas Lima, 25 técnico da DIEESE. Foto: Ana Júlia Agra/CARNAVALESCO

“Enxergo um Brasil de luta, que tem como seu principal líder um presidente que veio da luta sindical, que reconhece a necessidade do diálogo da melhoria e da luta por melhores condições para os trabalhadores”, encerrou Lucas.

Tempo em disputa na Sapucaí: Ala 21 da Niterói transforma escala 6×1 em manifesto

Relógios que marcaram horas invisíveis e engrenagens simbolizando corpos transformados em extensão da máquina abriram espaço para um dos debates mais atuais do país na Marquês de Sapucaí. No desfile que inaugurou o Grupo Especial de 2026, a Acadêmicos de Niterói levou para a Avenida, dentro do enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, um recorte direto sobre a vida de quem enfrenta a escala 6×1. Na Ala 21, intitulada “Pelo fim da escala 6×1”, o tempo deixou de ser apenas alegoria e virou denúncia.

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Componentes da ala 21
Componentes da ala 21
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Com figurinos marcados por relógios e engrenagens, a ala materializou o debate sobre a redução da jornada semanal e o impacto da escala 6×1 na vida de milhões de brasileiros. A proposta estética trouxe uma pergunta: quem controla o tempo do trabalhador?

A reportagem conversou com componentes da alas diferentes: Denise Rosa, de 49 anos, professora de educação infantil, há cerca de cinco anos na escola; Jerônimo de Oliveira, 59 anos, segurança, com 12 anos de trajetória no Carnaval acompanhando a agremiação desde os tempos de Sossego; e Cristiane Maciel, assistente social e massoterapeuta, há três anos na Niterói.

O que representa desfilar em uma ala que pede o fim da escala 6×1?

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Denise Rosa, de 49 anos
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Denise Rosa afirmou que a sensação é de fazer parte da história e contribuir para a mudança de uma realidade que já viveu. Ela contou que antes de se tornar professora trabalhou em telemarketing e em mercado, período em que enfrentou jornadas exaustivas.

“Eu vivi isso na pele e sei como é complicado. Estar nessa ala é lutar para que essa história mude para tantas pessoas. Fico muito feliz em ver um tema como esse sendo pautado”, comentou.

Jerônimo de Oliveira destacou que desfilar representando o próprio cotidiano é uma experiência profundamente emocionante. Segurança, ele encara diariamente a escala 6×1: “É pura emoção sentir que a minha realidade e o meu esforço diário estão sendo representados na Avenida. É como se a minha vida estivesse passando ali. Essa representatividade é importante demais para mim, com certeza traz um sabor especial ao meu desfile”.

Cristiane Mael relatou que já trabalhou na escala 6×1 e que, ao mudar a jornada, passou a ter mais tempo para a família e para si: “Representa muito para mim, porque eu deixava de conviver com meu filho, meu marido, meus pais. Hoje, tenho outra realidade e sei o quanto isso faz diferença. É sobre ter uma melhor qualidade de vida”.

O que simbolizam os relógios e o controle do tempo no figurino?

Para Denise, os relógios representam o controle rígido exercido sobre a vida de quem depende do emprego para sobreviver. “A gente fica à mercê de decisões que comandam a nossa vida. Precisando do trabalho, muitas vezes a pessoa se sujeita a tudo isso. Por isso, não vejo a hora de essa realidade mudar para que milhares de brasileiros possam ter mais tempo livre”, afirmou.

Jeronimo de Oliveira
Jerônimo de Oliveira
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Jerônimo avaliou que o símbolo é forte porque traduz a perda concreta de tempo de convivência e lazer: “Essa escala tira o nosso tempo de forma forte. Existem muitas coisas que eu gostaria de viver, momentos com a família, que acabam ficando pelo caminho por causa dessa jornada”.

Cristiane associou o controle do tempo à impossibilidade de cuidar da própria saúde. Ela relatou que, quando trabalhava sob a escala 6×1, não conseguia sequer ter acesso regular ao sol ou praticar atividade física: “É muita coisa para um dia só. Sem tempo, a pessoa deixa de cuidar da saúde, da alimentação e até do próprio descanso. Existem pessoas que estão adoecendo por não terem tempo para se cuidar. Isso é muito sério”.

Como a escala 6×1 impacta a vida pessoal e familiar?

Denise lembrou que a jornada afetava diretamente datas e momentos especiais: “Eu não passava Dia das Mães, Dia dos Pais, Natal ou Ano Novo com a família quando caíam em dias de trabalho. O impacto era negativo em todos os sentidos”.

Jerônimo ressaltou que o tempo é o bem mais precioso e que a escala 6×1 compromete a convivência com quem se ama: “Faz falta para simplesmente viver além do trabalho, para estar presente na vida dos netos e da esposa. É a diferença entre sobreviver e realmente aproveitar a vida.

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Cristiane Mael
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Cristiane reforçou que conhece pessoas que adoecem por falta de tempo para se cuidar. Ela observou que muitos trabalhadores não conseguem realizar atividades simples, como caminhar ou descansar adequadamente: “Não têm tempo para a saúde, para a família, para se amar. A vida passa e a pessoa não consegue vivê-la da maneira que deseja”.