GRUPO ESPECIAL
O adeus de uma das grandes portas-bandeira da Marquês de Sapucaí. Lucinha Nobre, ícone da defesa de pavilhão no carnaval carioca, anunciou que não estará mais em atividade nos desfiles oficiais após a participação no Carnaval 2026 pela Unidos da Tijuca. Sua mensagem de despedida nas redes sociais, especialmente no perfil @lucinhanobre10 no Instagram, expressou agradecimento à trajetória, ao amor pelo samba e ao carinho do público ao longo de mais de quatro décadas de avenida, num post que emocionou fãs e colegas de profissão.

A carreira de Lucinha Nobre começou ainda jovem no universo das escolas-mirins, passando por Aprendizes do Salgueiro, até se tornar, aos 16 anos, porta-bandeira profissional, um feito que a consagrou rapidamente como referência no quesito. Ao longo de mais de 40 anos de avenida, ela desfilou por algumas das principais agremiações do Carnaval carioca: Mocidade Independente de Padre Miguel; Portela; Porto da Pedra; e, por fim, por Unidos da Tijuca, escola pela qual escolheu seu último desfile na Marquês de Sapucaí.
Referência incontestável no quesito, Lucinha recebeu ao longo de sua carreira inúmeras premiações e reconhecimento do público especializado. No último ciclo, defendeu o pavilhão tijucano ao lado do mestre-sala Matheus Miranda, levando técnica, presença e emoção à avenida com repertório de giros marcantes e condução segura do símbolo maior da escola. Diferente de muitos que se afastam gradualmente dos holofotes, a porta-bandeira optou por comunicar sua decisão de forma direta, compartilhando com seus seguidores reflexões sobre o amor ao samba, as memórias vividas e a gratidão por tudo que viveu no universo dos desfiles.

A despedida de Lucinha não é apenas a saída de uma porta-bandeira brilhante, mas o encerramento de um capítulo intenso da história do Carnaval carioca, um legado que transcende técnicas de bailado e pontuações, e que se traduz na inspiração que deixou para gerações de sambistas. Sua trajetória na avenida, marcada por escolas diferentes e momentos emblemáticos, deixa uma marca indelével na tradição do samba-enredo. Enquanto sua dança deixa oficialmente a Avenida, a lembrança dessa artista seguirá pulsando no coração de cada sambista.
A Estação Primeira de Mangueira, através das redes sociais, anunciou a renovação com todo o time para o Carnaval 2027. Veja abaixo o comunicado da escola.

“Nosso time segue unido e firme para o próximo Carnaval! O trabalho é constante, e vamos continuar atuando com profissionalismo, dedicação, ancestralidade e amor pela Verde e Rosa. Essas são algumas das qualidades que fortalecem esse time — e é por isso que seguimos juntos, em busca do topo do Carnaval.
Sidnei França, Matheus Olivério, Cintya Santos, Dudu Azevedo, Dowglas Diniz, Rodrigo Explosão, Taranta Neto, Vitor Art, Digão do Cavaco, Fábio Batista, Ana Paula Lessa, Lucas Maciel e Karina Dias.
Esse é o time da Mangueira. E podem ter certeza: vamos trabalhar muito para continuar dando orgulho a essa nação e buscar a nossa vigésima primeira estrela!
O Carnaval por aqui já começou. Vamos juntos realizar esse sonho!”
A Portela, através das redes sociais, anunciou nesta terça-feira a renovação com o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marlon e Squel. Veja abaixo o comunicado da escola.

“O pavilhão segue em boas mãos… e em grandes passos!💙
A Portela anuncia a renovação do nosso 1º casal de mestre-sala e porta-bandeira para o Carnaval 2027!
Indo para o seu 10º Carnaval com a Majestade do Samba, Marlon vem honrando e defendendo o nosso pavilhão com elegância, firmeza e amor pela Águia. Uma trajetória marcada por dedicação, técnica e respeito à nossa tradição.
Squel, que chegou em 2024, conquistou a comunidade com sua delicadeza, precisão e presença arrebatadora. Dona de uma dança imponente, ela carrega o nosso pavilhão com graça, segurança e uma emoção que transborda na Avenida.
Após gabaritarem novamente o quesito em 2026, demonstrando sintonia, excelência e compromisso com a nossa história, nada mais justo do que seguirmos juntos.🤩
Eles defendem bravamente nosso pavilhão, bailam com a alma e representam cada portelense na Sapucaí.
Muito obrigada por tudo, casal.
Que 2027 seja ainda mais incrível!”
A equipe do CARNAVALESCO acompanhou o segundo dia de desfiles da Série Prata, na Intendente Magalhães, para o Carnaval 2026. Abaixo, clique no nome de cada escola para ler a análise completa.
IMPÉRIO DA TIJUCA
FLAMANGUAÇA
FEITIÇO CARIOCA
SIRI DE RAMOS
ACADÊMICOS DA ABOLIÇÃO
IMPÉRIO DE NOVA IGUAÇU
SÃO CLEMENTE
ACADÊMICOS DO DENDÊ
ACADÊMICOS DO ENGENHO DA RAINHA
UNIDOS DE SANTA TEREZA
ACADÊMICOS DA ROCINHA
ACADÊMICOS DE SANTA CRUZ
ALEGRIA DO VILAR
LEÃO DE NOVA IGUAÇU
IMPÉRIO DA UVA
O altar de Nossa Senhora da Conceição Aparecida cruzando a Intendente Magalhães sob a luz do amanhecer já está eternizado na história da Império da Uva. Última escola a desfilar pela Série Prata na terça-feira, a agremiação mostrou que não se acomodou com o vice-campeonato do ano passado. Com chão, plástica e fome de título, apresentou um desfile de impacto visual e forte apelo emocional.

COMISSÃO DE FRENTE
Coreografada por Thiago Silva, a comissão abraçou o enredo com teatralidade e entrega. A apresentação representava a união de diferentes culturas do Brasil reverenciando a padroeira.
No verso “Vejo que não estou sozinho / A vela se acendeu”, o ápice cênico acontecia: os componentes se curvavam diante do altar e uma explosão de luzes tomava conta do cenário. O efeito impressionou. Contudo, a segunda projeção da chama apresentou pequeno atraso em relação à primeira, detalhe técnico que pode ser observado pelos jurados.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Douglas Rosa e Raquel Silva defenderam o pavilhão com segurança, sintonia e expressividade. O casal incorporou a temática religiosa ao bailado e recebeu aplausos calorosos do público.
Destaque para o momento em que simularam uma oração nos versos “São rezas, canções e batuques / É missa dos pretos”, unindo interpretação e técnica. As fantasias, exuberantes em verde, azul e dourado, eram ricas em detalhes e ampliavam o impacto visual da apresentação.
ENREDO
Com o enredo “Nos Caminhos da Fé, o meu sonho anunciou: Salve Nossa Senhora Aparecida, a Mãe Preta do Brasil”, o carnavalesco Sílvio César Ribeiro propôs uma homenagem que evidenciasse a força religiosa e cultural da padroeira na formação social brasileira.
A narrativa destacou a santa como símbolo de acolhimento aos pobres e desfavorecidos. Também evocou o Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo, destino de milhões de devotos que realizam peregrinações movidos pela fé.
EVOLUÇÃO
A escola encerrou o desfile em 39 minutos e 22 segundos. Próximo ao fim, houve apreensão: ainda restavam alas e dois carros para cruzar a avenida, o que gerou breve espaçamento próximo à última cabine de julgamento. A situação, porém, foi rapidamente corrigida, garantindo conclusão segura dentro do tempo regulamentar.
HARMONIA
O entrosamento entre o intérprete Nêgo e a comunidade foi um espetáculo à parte. Todas as alas cantaram com intensidade, demonstrando forte identificação com o samba.
Mesmo na última avaliação, a comissão de frente manteve o canto firme, fortalecendo a energia do encerramento. A Império mostrou-se uma escola coesa, vibrante e consciente do próprio potencial.
SAMBA-ENREDO
Com um time numeroso de compositores, a obra foi um dos grandes trunfos da escola na Série Prata. A Império da Uva destacou-se como uma das agremiações que mais soltaram a voz na competição.
O refrão “Faz de mim seu altar, o milagre da vida / Nossa Senhora Aparecida!” emocionou do início ao fim. A letra também abordou o sincretismo religioso ao relacionar Aparecida a Oxum, orixá das águas doces, enriquecendo a narrativa com sensibilidade cultural.
FANTASIAS E ALEGORIAS
O conjunto de fantasias era colorido, coeso e de fácil leitura. A narrativa visual fluía com clareza do primeiro ao último setor.
A ala dos mantos brancos foi um dos pontos altos. Sob a luz natural do amanhecer, os detalhes dourados ganharam brilho especial, valorizando ainda mais o acabamento das peças.
A escola investiu fortemente nas alegorias, que apresentaram acabamento refinado e impacto visual marcante.
O abre-alas trouxe o trio de pescadores que, em 1717, encontrou a imagem de Nossa Senhora no Rio Paraíba do Sul. A segunda alegoria fez referência à devoção da Princesa Isabel, sugerindo a passagem do tempo e a consolidação da fé.
O último carro, representando a devoção popular na cidade de Aparecida, encerrou o desfile de forma apoteótica, consolidando a força narrativa da proposta.
OUTROS DESTAQUES
A bateria “Sangue Verde”, comandada pelo Mestre Dó, elevou o samba com paradinhas bem executadas e excelente diálogo com o carro de som. A energia irradiada pela bateria contagiou arquibancadas e componentes, fortalecendo a atmosfera de celebração e confiança no título.
O Leão de Nova Iguaçu foi a penúltima escola da Série Prata a cruzar a Intendente Magalhães na última terça-feira. Com o enredo “Maria Felipa”, a agremiação levou à Avenida a resistência e a luta da heroína preta nas guerras da Independência da Bahia.
O samba-enredo apresentou mensagem potente, honrando o legado da mulher que teria liderado a libertação da Ilha de Itaparica contra invasores portugueses. Apesar da força narrativa, o conjunto alegórico e o engajamento da comunidade não corresponderam plenamente às expectativas criadas pelo tema.

COMISSÃO DE FRENTE
Coreografada por Maicon Teixeira, a comissão optou por uma apresentação simples, sem recursos tecnológicos, mas sustentada pela expressividade corporal dos componentes.
O grupo demonstrou entendimento da força do samba, cantando com intensidade e apostando na entrega cênica. Houve troca de figurinos durante a coreografia e a revelação de um elemento surpresa ao final, erguido pelos integrantes, encerrando a apresentação de forma impactante.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Serginho Sorriso e Caroline Santos apresentaram bailado técnico e seguro, mas alguns aspectos podem ser aprimorados. Faltou maior sincronia na transmissão da emoção proposta pelo samba, especialmente na expressão facial e no canto dos versos.
A dupla cumpriu a coreografia com correção, porém sem alcançar o nível de envolvimento dramático que o enredo exigia.
ENREDO
Desenvolvido pelos carnavalescos Flávio Lins e Júnior, o enredo destacou a trajetória de Maria Felipa de Oliveira, pescadora, capoeirista e guerreira, natural da Ilha de Itaparica, no Recôncavo Baiano.
Filha de escravizados, Maria Felipa é reconhecida como símbolo de liderança e resistência do povo preto no período colonial. Segundo a tradição, em 1823 ela teria organizado um grupo de cerca de 40 pessoas para enfrentar tropas portuguesas e defender a soberania baiana.
Embora exista debate historiográfico sobre a comprovação documental de sua existência, Maria Felipa permanece viva na tradição oral e na memória popular como ícone de bravura e resistência feminina.
EVOLUÇÃO
O Leão encerrou seu desfile em 40 minutos e 31 segundos. Não houve correria, mas a dispersão apresentou lentidão no fim, com alas demorando a deixar a pista. O tempo quase foi extrapolado, exigindo atenção redobrada nos minutos finais.
HARMONIA
No carro de som, Márcio Oliveira e Fabinho Pirraça demonstraram segurança e entusiasmo. Tentaram contagiar a comunidade, mas a resposta não foi uniforme. Parte dos componentes aparentava não dominar totalmente a letra do samba, o que pode impactar a avaliação no quesito.
SAMBA-ENREDO
O samba contou com time numeroso de compositores, incluindo Arlindinho Cruz, Ali Jabr, Julio César Lourenço, José Maurício, Marcos Vinicius Sampaio, Douglas Guaracemir, Cláudia Ravizzini, Vinicius de Almeida, Alexandre Ribeiro, Frank Tavares, Silvio Romai, Sérgio Igor Castro da Silva e André Zezza.
O refrão foi o ponto alto da obra, especialmente nos versos:
“Mais uma Maria, das Marias do Brasil / Valente, guerreira, sua luta resistiu”, exaltando a força feminina e a representatividade da homenageada como símbolo da mulher brasileira.
FANTASIAS E ALEGORIAS
As fantasias buscaram transportar a atmosfera da Bahia para a Passarela Popular do Samba. No geral, eram simples, mas algumas apresentaram problemas de acabamento.
O vestido da porta-bandeira perdeu penas ao longo do percurso. Na primeira ala, houve desproporção no comprimento das saias, com variações visíveis entre componentes.
Como destaque positivo, os ritmistas da bateria “Rugido do Leão” vieram caracterizados como Filhos de Gandhy, referência cultural interessante que agregou identidade ao conjunto.
As alegorias não foram o principal atrativo do desfile. A ideia do leão emergindo em meio ao mar no abre-alas era visualmente instigante, mas o acabamento careceu de maior precisão.
A última alegoria, que trazia a homenageada em evidência, também apresentou limitações no acabamento, reduzindo o impacto esperado para o encerramento da narrativa.
OUTROS DESTAQUES
O grupo de passistas do Leão se destacou pela energia, sorriso no rosto e samba no pé, demonstrando leveza e segurança ao longo da pista.
A Alegria do Vilar deixou São João de Meriti para incendiar a Intendente Magalhães na última terça. Em busca da “chama da vitória” da Série Prata, a escola de Vilar dos Teles levou para a Avenida a força de Xangô, acompanhado de seu machado da justiça, o Oxê.
O samba-enredo “Regido e Guiado Pelas Lâminas do Rei da Justiça” mostrou-se envolvente nas vozes dos intérpretes Tem-Tem Jr. e Mário Sérgio, contribuindo para elevar o nível das apresentações da comissão de frente e do primeiro casal, Walber Negreiro e Cássia Maria.

COMISSÃO DE FRENTE
Sob direção de Marcus Mesquita, a comissão apresentou excelente trabalho ao introduzir a cultuação ao orixá. A coreografia utilizou elementos cenográficos que representavam a fogueira e oferendas (amalá) para Xangô, criando atmosfera ritualística logo na abertura do desfile.
O ponto alto foi o momento em que o protagonista, após receber energia simbólica, emergiu do fogo segurando o machado de dois gumes — um em cada mão — representando sabedoria e equilíbrio nas decisões do destino. Impactante e coerente com a proposta do enredo.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Walber Negreiro e Cássia Maria deram um verdadeiro show de bailado e sintonia na Passarela Popular do Samba. Com fantasias em tons de azul e prata, o casal representava a pedreira e a cachoeira de Xangô — locais tradicionalmente associados às reverências ao orixá.
Cássia defendeu o pavilhão com garra e fluidez nos movimentos, enquanto Walber demonstrou carisma e segurança ao conduzir o cortejo. Chamaram atenção os momentos em que trocavam olhares durante os versos “Ferramenta pra lição, a sentença e o perdão / A dualidade humana”, reforçando a interpretação cênica do samba.
ENREDO
Os carnavalescos Fabiano Ribeiro e Laerte Gulini apostaram na força simbólica de Xangô como guia rumo à vitória e à sonhada ascensão à Marquês de Sapucaí.
O Oxê, machado de dois lados inseparável do orixá, foi o eixo central do desfile, simbolizando extremos da existência: bem e mal, verdade e mentira, vida e morte. A escola propôs reflexão sobre equilíbrio e justiça, alinhando espiritualidade e competitividade carnavalesca em narrativa coesa.
EVOLUÇÃO
A Alegria do Vilar evoluiu com segurança, encerrando seu desfile em 39 minutos e 10 segundos. Não houve registros de buracos na pista nem correria próxima à dispersão, mesmo com o tempo se aproximando do limite. Destaque para a condução eficiente dos diretores de harmonia.
HARMONIA
No carro de som, Tem-Tem Jr. e Mário Sérgio conduziram o samba com segurança e entusiasmo, incentivando a comunidade a cantar com intensidade. Grande parte dos componentes demonstrou domínio da letra e animação constante.
Por outro lado, alguns desfilantes chegaram ao quarto módulo visivelmente cansados, o que pode impactar a avaliação no quesito caso os jurados considerem queda de rendimento vocal na reta final.
SAMBA-ENREDO
Assinado por Leozinho Nunes, Ali Gringo, Dinho Prateado, Luciano Gomes, Mauro Naval, Frank, T’Nem, Marco Calixto, Francisco Salviano e Filipe Zizou, o samba constrói saudações a Exu, pedindo passagem, e a Xangô, clamando por guia e proteção.
O refrão “O machado de Xangô, pro destino anunciar / É a chama da vitória da Alegria do Vilar” é de fácil assimilação e trouxe força para a comunidade, funcionando como combustível emocional ao longo da apresentação.
FANTASIAS E ALEGORIAS
As fantasias estavam alinhadas à proposta do enredo. O machado de dois lados aparecia com frequência nos materiais e adereços, reforçando identidade visual e mensagem temática.
As cores vermelho e amarelo dominaram o conjunto. As baianas, em especial, apresentaram peças caprichadas, com riqueza de camadas e criatividade nas confecções, agregando imponência ao desfile.
As alegorias apresentaram bom acabamento e cuidado com os detalhes narrativos. O conjunto visual dialogava bem com a proposta temática. O carro abre-alas, no entanto, poderia ter proporções mais grandiosas diante do impacto visual dos carros que o sucederam.
OUTROS DESTAQUES
O mestre Tiago Brilhantina conduziu a “Cadência do Vilar” com bossas bem distribuídas, valorizando trechos estratégicos do samba.
A rainha de bateria Julia Sollis brilhou em sua estreia à frente da bateria, esbanjando samba no pé e carisma, contagiando arquibancadas e componentes.
Às vésperas de completar 67 anos de história, a Acadêmicos de Santa Cruz cruzou a avenida com a serenidade de quem conhece o próprio chão e a responsabilidade de quem carrega um bairro inteiro no peito. Com o enredo “Brasil de Mil Faces em um só Coração”, a escola da Zona Oeste apostou naquilo que nunca sai de moda: a brasilidade.
As cores nacionais dominaram alas e alegorias, tingindo a passarela com patriotismo festivo. A velha guarda apresentou-se elegante e altiva, revisitando memórias como se cada passo contasse um capítulo desses 67 carnavais. As baianas, com graça e precisão, também trouxeram elegância ao conjunto.

Uma ala coreografada imprimiu leveza e movimento ao desfile, criando desenhos no asfalto e arrancando aplausos da arquibancada. Foi um daqueles momentos que lembram que o carnaval também é espetáculo visual, feito de ensaio, disciplina e entrega.
O samba, embora um pouco arrastado em determinados trechos, não comprometeu o conjunto. A escola seguiu firme, evoluindo com o apoio decisivo de sua torcida. Ainda assim, houve tensão no capítulo final: foi preciso acelerar o passo para não estourar o tempo regulamentar. A reta final exigiu fôlego extra e concentração redobrada. Mesmo assim, a Acadêmicos de Santa Cruz mostrou que sua maior alegoria é a própria resistência.
COMISSÃO DE FRENTE
Assinada por Rodrigo Avelar, a comissão levou onze integrantes à avenida, todos com fantasias semelhantes, de traços simples, em verde e amarelo. A proposta remetia aos povos indígenas, evocando ancestralidade e as raízes primeiras do Brasil — ideia coerente com o enredo.
Logo na segunda cabine de jurados, parte dos figurinos começou a dar sinais de fragilidade. Algumas peças se soltaram em plena coreografia, exigindo ação rápida dos diretores de harmonia, que puxavam e ajustavam as roupas enquanto os bailarinos seguiam dançando. A cena se repetiu na terceira cabine, quando novamente integrantes perderam partes da fantasia durante a apresentação.
Na última cabine, o problema voltou a ocorrer. O que deveria ser apenas movimento coreografado transformou-se também em exercício de improviso. Entre passos marcados e ajustes emergenciais, os dançarinos mantiveram profissionalismo e sustentaram a performance apesar dos imprevistos.
A comissão de frente, responsável por abrir caminhos e apresentar o cartão de visitas da escola, acabou protagonizando um desfile de superação.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Coube ao primeiro casal a missão de defender o maior símbolo da escola: o pavilhão. Johnny Matos e Cassiane Figueiredo surgiram na avenida alinhados ao tema do enredo, com cores que dialogavam em harmonia com a proposta e reforçavam o sentimento de pertencimento apresentado ao longo do desfile.
Vestidos predominantemente de verde e adornados por flores amarelas, transformaram o figurino em extensão da própria dança. As cores vibrantes valorizavam giros e deslocamentos, criando efeito plástico marcante a cada evolução.
No bailado, a sintonia era evidente. Giros precisos e o tradicional cortejo do mestre-sala, executado com atenção e respeito ao pavilhão, compuseram apresentação segura. Havia entrega, concentração e consciência do espaço — elementos indispensáveis em um quesito que exige técnica apurada sem abrir mão da emoção.
Diante das cabines de jurados, o casal manteve regularidade e cumpriu sua missão com serenidade, passando dentro das conformidades exigidas e sustentando o pavilhão com firmeza.
EVOLUÇÃO E HARMONIA
A escola fez desfile animado, e a comunidade da Zona Oeste deu seu recado na evolução e no canto dos desfilantes de chão, mesmo com o samba soando arrastado em alguns momentos.
A torcida, com bandeiras nas arquibancadas, ajudava a empurrar a escola para frente. Nos carros alegóricos, alguns componentes evoluíram com empenho, enquanto outros permaneceram parados, o que prejudicou parcialmente o conjunto visual.
A harmonia manteve-se pouco abalada durante grande parte do desfile. Contudo, na reta final, foi necessário acelerar consideravelmente para não ultrapassar o tempo regulamentar.
OUTROS DESTAQUES
A ala de passistas cruzou a avenida com energia, esbanjando beleza e simpatia. A bateria dos mestres Cleison Brown e Riquinho conduziu a escola com cadência e vibração. No entanto, no fim do desfile, a necessidade de correr fez com que parte do swing se perdesse em nome do cumprimento do tempo.
A Rocinha atravessou a avenida com pressa no passo e emoção no olhar. A Acadêmicos da Zona Sul levou para o Carnaval de 2026 o enredo “Alafiou! Caminhos Abertos para a Vitória”, apostando em uma narrativa de superação e fé para sustentar seu desfile.
Desde o primeiro setor, ficou evidente que a escola confiava na força da harmonia para manter o conjunto coeso. E foi justamente no canto intenso dos desfilantes que encontrou sua maior segurança. O samba ecoou com potência, ajudando a empurrar alas e alegorias pela avenida, mesmo quando o relógio começou a apertar.

Nos minutos finais, a correria se fez necessária. A escola precisou acelerar o andamento para não comprometer o tempo regulamentar, transformando tensão em energia. Ainda assim, não perdeu o canto nem deixou a emoção esfriar.
Foi um desfile vibrante, que soube equilibrar organização e improviso. Entre ajustes de última hora e vozes firmes no refrão, a agremiação mostrou que, quando a comunidade sustenta o samba, há sempre um caminho possível.
COMISSÃO DE FRENTE
A comissão de frente chegou impondo respeito. Com canto forte e passos marcados com precisão, os doze integrantes desenharam na pista uma coreografia segura e expressiva. O quesito, liderado por Júnio Barbosa, fez apresentação consistente aos jurados na madrugada de terça-feira, na Intendente Magalhães.
Divididos em representações de orixás, figuras encapuzadas de preto e uma borboleta — símbolo maior da Acadêmicos da Rocinha —, os bailarinos ocuparam a avenida com intensidade. Durante toda a performance, entoavam o samba enquanto marcavam o chão com pisadas firmes, criando atmosfera de força e presença.
Um dos momentos mais impactantes veio na troca de figurino de seis bailarinas. Em movimento sincronizado, retiraram as capas pretas e revelaram vestidos prateados, numa virada visual que chamou atenção imediata. As capas eram depositadas em um cesto carregado por outra integrante, compondo a cena com organização e efeito teatral.
Nas quatro cabines, a comissão manteve o padrão: apresentações técnicas, bem executadas e com boa leitura cênica. Um cartão de visitas que uniu vigor, simbolismo e precisão logo na abertura do desfile.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Bela apresentação do casal Rodrigo França e Manu Brasil, que defendeu o pavilhão da Acadêmicos da Zona Sul com segurança e elegância. A dupla soube utilizar bem o espaço da pista, demonstrando sintonia e credibilidade em cada movimento.
O giro da porta-bandeira foi coeso e firme, enquanto o mestre-sala executou cortejo bem marcado, valorizando o pavilhão e respeitando a liturgia do quesito. Havia harmonia nos olhares, precisão nos gestos e confiança na condução da coreografia.
O figurino também se destacou: muito bonito, trazia as cores da escola em composição equilibrada, criando conjunto visual que dialogava perfeitamente com o pavilhão. Um quadro plástico bem resolvido, que reforçou a força da apresentação.
EVOLUÇÃO E HARMONIA
A Acadêmicos da Zona Sul apostou na força da comunidade e encontrou, no canto empolgado dos desfilantes, um dos pilares do desfile. Quase todas as alas evoluíram com entusiasmo, sustentando o samba em voz alta e mantendo a energia da pista acesa ao longo do percurso.
Nem todos os setores, porém, acompanharam o mesmo ritmo. As baianas, que vinham à frente da escola, deixaram a desejar no quesito canto. Evoluíram com dignidade, mas praticamente não cantaram, criando contraste perceptível com o restante da comunidade.
A harmonia assumiu a responsabilidade de balizar o desfile, ajustando espaços e corrigindo pequenos desalinhamentos. Esse esforço impactou o andamento geral. Nos minutos finais, a escola precisou acelerar de forma mais intensa e passou muito rápido diante da última cabine, numa corrida contra o relógio que quebrou parte da cadência construída ao longo da apresentação.
Ainda assim, ficou a imagem de uma escola vibrante, que contou com sua gente até o fim, mesmo quando o tempo exigiu mais pressa do que o samba gostaria.
OUTROS DESTAQUES
A bateria da Acadêmicos da Zona Sul, sob o comando do mestre Júnior, entrou vestida de ogã, impondo presença e reforçando a identidade cultural do enredo. Com afinação segura, sustentou o samba que vinha forte da comunidade, mantendo cadência e energia durante todo o desfile. Um momento especial foi a participação de mestre Lolo, da Imperatriz Leopoldinense, que trouxe brilho extra à apresentação.
Enquanto a bateria mostrava firmeza, a diretoria demonstrava apreensão. Já na metade do desfile, havia preocupação com alegorias que ainda não tinham entrado na avenida. A tensão só se dissipou no fim, quando a escola conseguiu completar o percurso dentro do tempo regulamentar, mesmo precisando acelerar nos últimos minutos. A emoção tomou conta da direção, refletindo a entrega de todos que trabalharam para que, no improviso e na pressa, o samba e a tradição prevalecessem.