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Tempo em disputa na Sapucaí: Ala 21 da Niterói transforma escala 6×1 em manifesto

Relógios que marcaram horas invisíveis e engrenagens simbolizando corpos transformados em extensão da máquina abriram espaço para um dos debates mais atuais do país na Marquês de Sapucaí. No desfile que inaugurou o Grupo Especial de 2026, a Acadêmicos de Niterói levou para a Avenida, dentro do enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, um recorte direto sobre a vida de quem enfrenta a escala 6×1. Na Ala 21, intitulada “Pelo fim da escala 6×1”, o tempo deixou de ser apenas alegoria e virou denúncia.

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Componentes da ala 21
Componentes da ala 21
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Com figurinos marcados por relógios e engrenagens, a ala materializou o debate sobre a redução da jornada semanal e o impacto da escala 6×1 na vida de milhões de brasileiros. A proposta estética trouxe uma pergunta: quem controla o tempo do trabalhador?

A reportagem conversou com componentes da alas diferentes: Denise Rosa, de 49 anos, professora de educação infantil, há cerca de cinco anos na escola; Jerônimo de Oliveira, 59 anos, segurança, com 12 anos de trajetória no Carnaval acompanhando a agremiação desde os tempos de Sossego; e Cristiane Maciel, assistente social e massoterapeuta, há três anos na Niterói.

O que representa desfilar em uma ala que pede o fim da escala 6×1?

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Denise Rosa, de 49 anos
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Denise Rosa afirmou que a sensação é de fazer parte da história e contribuir para a mudança de uma realidade que já viveu. Ela contou que antes de se tornar professora trabalhou em telemarketing e em mercado, período em que enfrentou jornadas exaustivas.

“Eu vivi isso na pele e sei como é complicado. Estar nessa ala é lutar para que essa história mude para tantas pessoas. Fico muito feliz em ver um tema como esse sendo pautado”, comentou.

Jerônimo de Oliveira destacou que desfilar representando o próprio cotidiano é uma experiência profundamente emocionante. Segurança, ele encara diariamente a escala 6×1: “É pura emoção sentir que a minha realidade e o meu esforço diário estão sendo representados na Avenida. É como se a minha vida estivesse passando ali. Essa representatividade é importante demais para mim, com certeza traz um sabor especial ao meu desfile”.

Cristiane Mael relatou que já trabalhou na escala 6×1 e que, ao mudar a jornada, passou a ter mais tempo para a família e para si: “Representa muito para mim, porque eu deixava de conviver com meu filho, meu marido, meus pais. Hoje, tenho outra realidade e sei o quanto isso faz diferença. É sobre ter uma melhor qualidade de vida”.

O que simbolizam os relógios e o controle do tempo no figurino?

Para Denise, os relógios representam o controle rígido exercido sobre a vida de quem depende do emprego para sobreviver. “A gente fica à mercê de decisões que comandam a nossa vida. Precisando do trabalho, muitas vezes a pessoa se sujeita a tudo isso. Por isso, não vejo a hora de essa realidade mudar para que milhares de brasileiros possam ter mais tempo livre”, afirmou.

Jeronimo de Oliveira
Jerônimo de Oliveira
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Jerônimo avaliou que o símbolo é forte porque traduz a perda concreta de tempo de convivência e lazer: “Essa escala tira o nosso tempo de forma forte. Existem muitas coisas que eu gostaria de viver, momentos com a família, que acabam ficando pelo caminho por causa dessa jornada”.

Cristiane associou o controle do tempo à impossibilidade de cuidar da própria saúde. Ela relatou que, quando trabalhava sob a escala 6×1, não conseguia sequer ter acesso regular ao sol ou praticar atividade física: “É muita coisa para um dia só. Sem tempo, a pessoa deixa de cuidar da saúde, da alimentação e até do próprio descanso. Existem pessoas que estão adoecendo por não terem tempo para se cuidar. Isso é muito sério”.

Como a escala 6×1 impacta a vida pessoal e familiar?

Denise lembrou que a jornada afetava diretamente datas e momentos especiais: “Eu não passava Dia das Mães, Dia dos Pais, Natal ou Ano Novo com a família quando caíam em dias de trabalho. O impacto era negativo em todos os sentidos”.

Jerônimo ressaltou que o tempo é o bem mais precioso e que a escala 6×1 compromete a convivência com quem se ama: “Faz falta para simplesmente viver além do trabalho, para estar presente na vida dos netos e da esposa. É a diferença entre sobreviver e realmente aproveitar a vida.

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Cristiane Mael
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Cristiane reforçou que conhece pessoas que adoecem por falta de tempo para se cuidar. Ela observou que muitos trabalhadores não conseguem realizar atividades simples, como caminhar ou descansar adequadamente: “Não têm tempo para a saúde, para a família, para se amar. A vida passa e a pessoa não consegue vivê-la da maneira que deseja”.

Bateria se destaca positivamente no desfile do Camisa 12

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Abrindo os desfiles de domingo pelo Grupo de Acesso 1, o Camisa 12 apresentou um desfile de fácil compreensão no Anhembi. Com o enredo “Princesas Nagô, Rainhas do Brasil – A origem da fé, herança de Ketu”, a escola apostou na força ancestral das matrizes africanas e construiu uma narrativa organizada, sustentada por boa harmonia e leitura clara dos setores.

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A apresentação foi linear na maior parte do percurso, com canto consistente e componentes envolvidos com a proposta. Houve oscilação no andamento na parte final da pista, mas sem configuração de buraco. A escola encerrou sua apresentação em 57 minutos, dentro do tempo regulamentar.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente, coreografada por Walmir Rogério, optou por não utilizar tripé e desenvolveu toda a apresentação no chão. A escolha favoreceu a leitura direta da proposta, com coreografia alinhada à letra e à melodia do samba-enredo.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

A encenação apresentou dois grupos em cena e três personagens centrais representando as Princesas Nagô, homenageadas do enredo. O destaque ficou para o recurso de figurino com dupla face, que em determinado momento era invertido pelas personagens principais, criando efeito visual simbólico e reforçando a ideia de transformação e resistência ao longo da narrativa.

A apresentação foi clara e conectada ao enredo, cumprindo o papel de introduzir o tema com objetividade.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Luã e Estefany realizaram os movimentos obrigatórios durante as apresentações aos módulos, mantendo boa postura e condução segura do pavilhão.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

No segundo módulo, o pavilhão chegou a enrolar por alguns segundos, mas a porta-bandeira conseguiu reabri-lo rapidamente, dando sequência à coreografia sem maiores prejuízos visíveis.

No restante da apresentação, o casal manteve regularidade e sintonia, concluindo o percurso sem novas intercorrências.

HARMONIA

A harmonia foi um dos pontos altos do desfile. O Camisa 12 manteve o canto de forma linear do início ao fim, com componentes respondendo no mesmo tom e demonstrando domínio da obra.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

Nos momentos de bossa, o rendimento crescia. A bateria elevava a energia e os intérpretes Tim Cardoso e Clovis Pê utilizavam sua experiência para incentivar ainda mais os componentes e manter a atenção das arquibancadas. Houve troca constante entre pista e público, favorecendo o conjunto musical da apresentação.

ENREDO

O enredo “Princesas Nagô, Rainhas do Brasil – A origem da fé, herança de Ketu”, assinado por Delmo de Moraes, é uma proposta que dialoga com a ancestralidade e com a formação da fé de matriz africana no Brasil.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

Durante o desfile, a narrativa se mostrou de fácil leitura. Foi possível compreender visualmente o que o samba anunciava, fator que favorece a avaliação técnica. A escola organizou bem seus quadros, permitindo que o público acompanhasse o desenvolvimento histórico das personagens homenageadas.

EVOLUÇÃO

No quesito evolução, houve oscilação no andamento na parte final da Avenida. Algumas alas aceleraram o passo, não mantendo o mesmo ritmo do início do desfile.

Nesse momento, era perceptível a atuação da equipe de harmonia orientando os componentes para que retomassem o andamento adequado. Entre algumas alas surgiu um espaçamento maior do que o habitual, mas que não configura buraco de acordo com a contagem das grades e o regulamento.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

Apesar dessas oscilações, os componentes desfilaram animados e soltos, mantendo energia ao longo do percurso.

SAMBA-ENREDO

A obra de Turko, Maradona, Cláudio Russo, Imperial, Silas Augusto e Rafa do Cavaco é considerada uma das mais fortes do Grupo de Acesso 1.

Trata-se de um samba de fácil entendimento, com melodia harmoniosa e empolgante. A letra traduz com clareza a proposta do enredo, o que favoreceu o canto coletivo e a assimilação rápida por parte do público.

FANTASIAS

O conjunto de fantasias foi bem distribuído e utilizou a paleta de cores de forma coerente com o enredo.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

Destaque para a ala das baianas, que desfilaram com indumentária em alusão ao orixá Oxalá, reforçando o eixo religioso da narrativa.

As fantasias eram funcionais e permitiam boa mobilidade, possibilitando que os componentes evoluíssem com liberdade.

ALEGORIAS

As alegorias apresentaram leitura clara dentro da proposta do enredo. O Camisa 12 trouxe carros com bom acabamento e investiu em papel picado, recurso que potencializou o impacto visual, especialmente no primeiro setor.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

O conjunto alegórico cumpriu o papel de sustentar a narrativa sem comprometer a compreensão da história apresentada.

OUTROS DESTAQUES

A parte musical da agremiação foi novamente um ponto positivo. A bateria do mestre Lipe e os intérpretes Tim Cardoso e Clovis Pê demonstraram sintonia e consistência ao longo da apresentação.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

As destaques de chão investiram em indumentárias luxuosas e muito samba no pé durante todo o percurso, contribuindo para a energia da escola na Avenida.

Conjunto animado e de fácil leitura no desfile credenciam Vila Maria a sonhar alto em 2026

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A Unidos de Vila Maria foi, no último domingo, a segunda escola a desfilar pelo Grupo de Acesso I do Carnaval de São Paulo em 2026. Com o enredo “Do chão que alimenta à culinária que encanta: Brasil, um banquete de sabores”, assinado pelo carnavalesco Vinícius Freitas, a Mais Famosa apresentou um conjunto de quesitos uniforme, destacado especialmente pela técnica exemplar e pela facilidade de leitura do enredo. O desfile foi encerrado sem maiores preocupações, após 55 minutos de passagem pela Avenida.

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Em um ano no qual várias escolas disputam intensamente as duas vagas na elite, a Vila Maria apresentou um conjunto tão consistente que pressiona as concorrentes a não errarem. Com exceção de alguns poucos apontamentos no quesito Alegorias, todo o desfile foi agradável e dentro do que se espera para o cumprimento do regulamento. Os jurados realizam avaliações ainda mais minuciosas, mas descartar a Mais Famosa como candidata ao acesso antes da apuração é um equívoco. A disputa da Vila vai além: a escola surge como candidata real ao título do Grupo de Acesso I em 2026.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Taiana Freitas, a comissão de frente da Vila Maria representou na Avenida “Entre lembranças e memórias: as feiras, uma mistura de cores e sabores”. Sem grandes mistérios, a apresentação foi concebida para ser facilmente compreendida dentro da temática explicitada no próprio título, algo que ficou bastante claro na Avenida.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

O protagonista era um senhor idoso, um cliente da feira da Vila, que observava as várias frutas ao seu redor, representadas nas roupas das dançarinas, cada uma estampada com um tipo diferente. O personagem interagia com os feirantes, negociando preços para realizar suas compras. Em determinado momento, de um dos tripés em forma de banca de feira surgiu uma criança vestida com uma fantasia que reunia todas as frutas das demais personagens, formando um verdadeiro “tutti-frutti”. A coreografia foi agradável e abriu de maneira acolhedora o desfile da Vila.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Estreando no posto principal do quesito pela Mais Famosa, o casal formado por Kadu e Camila Moreira desfilou com fantasias intituladas “Guaraná: os olhos da vida”. A dupla correspondeu às expectativas da cria que retorna à casa, realizando uma apresentação segura, mesmo com o vento severo que atingia a pista.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

As obrigatoriedades foram bem executadas, e a porta-bandeira soube ser paciente ao lidar com o pavilhão instável. O quesito tem boas chances de render um resultado positivo no dia da apuração.

ENREDO

“Do chão que alimenta à culinária que encanta: Brasil, um banquete de sabores” celebrou na Avenida a gastronomia como pilar da identidade brasileira. O desfile propôs uma experiência sensorial, unindo aromas, cores e tradições para exaltar a comida não apenas como alimento, mas como ato de resistência, criatividade e gratidão.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

A proposta da Vila foi exatamente o que se viu na Avenida: um desfile colorido, repleto de frutas, referências à natureza e à vida no campo, com direito a um agradável aroma de café saindo de um bule gigante e, literalmente, um bar encerrando o cortejo. A escola divertiu o público e cumpriu sua missão.

ALEGORIAS

A Vila Maria levou para o desfile um conjunto de três carros alegóricos. São eles: o Abre-alas, “Raízes ancestrais: cio da vida na terra”, o Carro 2, “Da colheita ao cozimento: uma mistura de sabores”, e o Carro 3, ““Um brinde à vida, o banquete da Vila”.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

O abre-alas representou os alimentos da natureza dos quais os povos originários usufruíam quando o Brasil ainda era conhecido como Pindorama. O segundo carro, que retratou a vida na roça, contou com efeito aromático de café e tinha tudo para ser o grande destaque do quesito, não fosse a força cênica da última alegoria.

O Carro 3 transformou-se literalmente em um bar na Avenida, onde a Velha Guarda brindou durante o desfile. O conjunto alegórico apresentou pequenas falhas de acabamento, especialmente no abre-alas, mas isso não diminuiu o impacto do espetáculo preparado pela Vila Maria.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

FANTASIAS

Um dos conjuntos de fantasias mais fáceis de se compreender passou pela Avenida com a Mais Famosa. Todas as alas representaram algum tipo de alimento, evoluindo em grau de elaboração conforme o cortejo avançava. Grãos, frutas e hortaliças foram os destaques ligados à terra, mas também estiveram presentes o acarajé na ala das baianas, os doces, o café como bebida e, no encerramento, a cachaça.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

As vestimentas funcionaram como um verdadeiro “tapete” para a narrativa apresentada pelas alegorias, tornando a experiência do desfile leve e agradável de acompanhar. As fantasias eram bem acabadas e leves, permitindo que os componentes brincassem o Carnaval com liberdade.

HARMONIA

A comunidade abraçou o samba da Vila com determinação. Durante toda a Avenida, os componentes cantaram animadamente, o que permitiu que a bateria executasse alguns apagões. Foi mais um quesito bastante positivo para a escola.

EVOLUÇÃO

A Vila foi tecnicamente irretocável. O cortejo evoluiu de forma tranquila do início ao fim da Avenida, sem pontos preocupantes nos setores observados. Em um quesito que tem sido responsável por grandes perdas de pontos para diversas escolas, apresentar segurança pode ser fundamental para as pretensões da agremiação.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

SAMBA-ENREDO

O samba da Vila Maria é assinado por Alemão do Pandeiro, Anderson Magrão, Mazinho Argenta, Renne Campos e Márcio Biju, e na Avenida foi defendido pelo carro de som comandado pelo intérprete Clayton Reis. Não figurava entre as obras mais aclamadas antes do desfile, mas apresenta uma letra funcional e que narra o enredo proposto de forma clara.

Na Avenida, o samba mostrou seu valor. Funcionou perfeitamente dentro do ambiente criado pelo desfile da escola, com a comunidade cantando forte e o carro de som desempenhando papel decisivo. Ao final, a escolha musical se mostrou acertada.

OUTROS DESTAQUES

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

Agora sob o comando do mestre Marcel Bonfim, promovido do cargo de diretor de bateria, a “Cadência da Vila” fez questão de provar que continua entre as melhores do Carnaval de São Paulo. Solta, confiante e aproveitando bem as oportunidades de bossas oferecidas pelo samba, a bateria agregou ainda mais qualidade ao excelente conjunto apresentado pela Unidos de Vila Maria em 2026.

Povo Fala! Público analisa desempenho de escolas no segundo dia de desfiles da Série Ouro

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Júnior Azevedo e Mariana Santos, do CARNAVALESCO
A segunda e última noite de desfiles da Série Ouro 2026 terminou com sentimentos diversos na Sapucaí. Da homenagem a Roberto Burle Marx apresentada pela Botafogo Samba Clube, passando pela celebração da palhaça Xamego com o Arranco do Engenho de Dentro, até o encerramento vibrante da Unidos da Ponte, o público saiu com favoritos diferentes e a certeza de que a disputa pode ser apertada. O CARNAVALESCO ouviu torcedores para avaliar desempenho, samba-enredo e as chances de campeonato.

Raimunda Cruz de Jesus 76 anos
Raimunda Cruz de Jesus, 76 anos, aposentada, se encantou com a Botafogo Samba Clube: “Eu gostei muito da Botafogo. Foi um desfile bonito, leve, cheio de cores lembrando flores e jardins. Achei muito organizado e fiel ao enredo. Ainda pude conhecer mais sobre a vida do Burle Marx”.

Luana Machel 38 anos
Luana Machel, 38 anos
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Luana Machel, 38 anos, advogada apontou o Arranco do Engenho de Dentro como seu destaque. “O Arranco me emocionou pela história da Xamego. Foi forte, representativo e trouxe alegria com consciência. Foi o que mais me tocou. Me senti muito representada nesse desfile”.

Tamyris Umbelino 38 anos
Tamyris Umbelino, 38 anos
FOTO: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Tamyris Umbelino, 38 anos, terapeuta holística, destacou a Unidos da Ponte. “A Ponte encerrou com uma energia impressionante. Foi um desfile firme, com presença e muita garra. Ótimo para fechar a noite com o alto nível.

Torcedor da Renascer de Jacarepaguá, Neto Gomes elogia a garra da escola, apesar do visual da Estácio de Sá que, em sua opinião, teve destaque médio: “A Estácio arrasou com o chão da escola. O que não teve de visual, teve de canto. Foi a escola que mais cantou hoje”.

Para Célia Francisco, Botafogo Samba Clube, Império Serrano e Maricá se destacaram, mas ela acredita que a Maricá leva o destaque da noite: “A escola teve luxo, inovação. A maioria dos componentes tinha os rostos pintados, as alas coreografadas estavam muito bonitas, tudo muito harmonizado”.

Adriane Novais, portelense, desfilou na Em Cima da Hora e aproveitou para prestigiar as coirmãs. Ela avaliou o desfile da Porto da Pedra: “Foi triste perto do que é a escola. Eu gosto do enredo, foi muito esperado por todos e eu tinha muita expectativa. Entendo a proposta do carnavalesco, mas faltou um pouco de “galhofa” para falar do assunto. Foi extremamente militante e a estética não colaborou”.

Niterói 2026: Galeria de fotos do desfile

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Da ancestralidade ao 150 BPM: Unidos da Ponte transforma Sapucaí em baile funk

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A terceira alegoria da Unidos da Ponte não passa pela Marquês de Sapucaí, ela invade. Com o carro “Vem pro Baile Funk! – Carro dos Artistas Funkeiros”, a escola transformou a avenida em pista de dança, reunindo nomes históricos e contemporâneos do movimento em um manifesto sonoro e visual da cultura periférica.

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Alegoria “Vem pro Baile Funk!” da Unidos da Ponte. Foto: Juliane Barbosa

Integrando o enredo “Tamborzão: O Rio é baile! O poder é black!”, a agremiação leva para a Sapucaí a força do funk como continuidade de uma linhagem cultural que atravessa o lundu, o maxixe, os bailes da Black Rio e chega ao 150 BPM. A base em preto e branco remete aos paredões de som, enquanto grafismos africanos e a estrutura em lona evocam tanto as tendas das comunidades quanto o egungun, símbolo de ancestralidade.

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Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Mais do que entretenimento, o carro afirma resistência, identidade e empoderamento.

Entre os destaques está Iasmin Turbininha, primeira DJ mulher de funk no Brasil, nascida na Mangueira e uma das principais difusoras do 150 BPM. Defensora do fim da criminalização do funk, a DJ descreveu o momento como histórico.

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Iasmin Turbininha, primeira DJ mulher de funk no Brasil. Foto: Juliane Barbosa

“Essa homenagem é uma honra pra mim que sou funkeira desde criança, isso é histórico. Eu nunca vou me esquecer deste momento. Eu sou Mangueirense, mas agora a Unidos da Ponte se tornou a escola do meu coração. A mistura de ancestralidade africana e tecnologia está presente na minha carreira. Hoje o futuro é tecnologia e a gente consegue mostrar muito sobre de onde a gente veio e a representatividade do funk. O samba junto do funk é uma luta para fazer as pessoas entenderem a nossa cultura periférica. O funk incomoda, mas o incomodado que se mude com o seu preconceito”.

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Mc Nem. Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Outra presença marcante é a MC Nem, relíquia do Jacarezinho e pioneira do funk carioca, com mais de 20 anos de trajetória. Revelada nos anos 2000 ao lado da Furacão 2000, ela vive na Avenida um reconhecimento simbólico do movimento que ajudou a construir.

“Foi muito gratificante viver a Unidos da Ponte representando o funk na Sapucaí, o território oficial do samba. Eu vim dos anos 2000, foi muita luta e às vezes a dúvida se realmente o nosso funk iria para frente no Brasil. Estar aqui hoje é ver que somos gigantes e que valeu a pena não desistir. É impossível não ficar feliz. O funk é um espaço de afirmação e poder, junto com entretenimento. Somos confusão, gritaria, diversão e muita dança com o paredão explodindo.”

Ao levar o tamborzão para o palco do samba, a Unidos da Ponte reafirma que o funk não é ruptura, é continuidade. É herdeiro direto das manifestações negras que sempre transformaram exclusão em expressão cultural.

Na Sapucaí, o baile ganhou status de patrimônio vivo. E quando o grave bate no peito, não é apenas som: é território, memória e identidade ecoando em 150 batidas por minuto.

 

Stevie B marca presença no Camarote King reverencia o funk na Sapucaí

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A Marquês de Sapucaí ganhou brilho internacional com a presença do cantor norte-americano Stevie B, que marcou presença no Camarote King para acompanhar os desfiles da Série Ouro antes de desfilar pela Unidos da Ponte. A escola levou para a avenida um enredo em homenagem ao funk, gênero profundamente influenciado pelo freestyle e pelo Miami bass, vertentes musicais das quais o artista é uma das principais referências nos Estados Unidos.

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O cantor Steve B marcou presença no Camarote King. Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

Conhecido mundialmente por sucessos como “Because I Love You (The Postman Song)” e “Spring Love”, Stevie B demonstrou entusiasmo ao viver a experiência do carnaval brasileiro, principalmente após o contratempo de saúde que quase o impediu de participar da festa. Internado às pressas na semana anterior devido a um aumento de pressão, ele comentou a recuperação:

“Eu passei muito calor durante a semana e isso aumentou minha pressão, mas os médicos me liberaram e estou me recuperando muito rápido. É maravilhoso ver todos aqui hoje e curtir o espírito do carnaval”.

Casado há mais de trinta anos com a empresária brasileira Paula Hill, Stevie divide a rotina entre o Rio de Janeiro e Las Vegas e fala português com fluência, chegando a arriscar algumas frases no idioma durante a entrevista.

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Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

A passagem pelo camarote também foi marcada pelo carinho ao anfitrião do espaço, o empresário Joãozinho King, a quem o cantor fez questão de elogiar:

“Eu gosto muito do King e ele sabe disso. Adoro estar na companhia dele e fiquei muito feliz com o convite para curtir essa noite de carnaval nesse espaço maravilhoso. O João King é uma inspiração para muitas pessoas, sempre criando novos projetos. O legal é que comigo aqui agora temos dois Kings no King”, brincou.

Durante a noite, Stevie B recebeu atenção do público e de outros artistas presentes no Camarote King, como MC Poze, que registrou o encontro ao lado do ídolo.

Sobre as expectativas para os desfiles, incluindo o da Unidos da Ponte, o cantor demonstrou curiosidade:

“Eu não conheço todas as escolas que vão se apresentar hoje, mas espero ser surpreendido. Tenho certeza de que nada vai decepcionar. Todo mundo trabalha muito e a qualidade é alta em tudo. Eu quero apenas absorver.”

Ao final, Stevie B deixou um recado para os fãs brasileiros e comentou sobre o adiamento recente de um show, remarcado para a próxima terça-feira, dia 17, após a internação:

“A todos os meus fãs brasileiros, obrigado. Tenham paciência. Sei que o show foi adiado, mas vai acontecer. Se preparem para muita coisa boa em 2026. Tem muitas novidades vindo aí. A coisa vai ser realmente bem animada”. 

A presença do artista reforçou o diálogo entre a música brasileira e suas influências globais, tornando a noite ainda mais especial para a Unidos da Ponte e para o público que lotou a Sapucaí.

 

Cabine a cabine Grupo Especial de São Paulo: Saiba como cada escola de sábado desfilou

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Em noite com alto nível de desfiles, Gaviões, Mocidade e Império de Casa Verde se destacaram entre as escolas que passaram pela avenida do samba na segunda noite do Carnaval de São Paulo. Águia de Ouro e Camisa Verde e Branco fizeram apresentações com sambas que até empolgaram, porém tiveram que lidar com altos e baixos na pista. Já a Estrela do Terceiro Milênio e a Tom Maior fizeram desfiles mais técnicos e talvez também possam brigar por uma vaga no desfile das campeãs, que ocorre no próximo Sábado, 21 de fevereiro.
Império de Casa Verde 

Abrindo a noite dos desfiles de sábado do carnaval paulistano, o Império de Casa Verde trouxe para a avenida do samba as “Jóias Negras Afro-Brasileiras”. O enredo prestou homenagem às mulheres empoderadas que usavam jóias pelas ruas de Salvador/BA, no século XVIII. O gigantismo e a suntuosidade do carro abre-alas chamaram a atenção logo no início do desfile do Tigre Guerreiro. O uso do dourado foi predominante em toda a plástica da agremiação.

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O ponto alto da passagem imperiana pelo Anhembi foi a conexão entre a excelente bateria do mestre Zoinho e o carro de som. Os intérpretes convidavam o público a cantar junto e a interagir, se movimentando junto com a escola. Já a Barcelona do Samba fez uma ousada bossa em frente à arquibancada monumental, que contribuiu para que o samba rendesse muito bem na passarela. A bateria entrou no recuo aos 27 minutos de desfile e saiu aos 44.
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Outro destaque foi a comissão de frente da Azul e Branco da Zona Norte, que apresentou uma coreografia em que se trocava de elenco dentro do elemento alegórico durante as apresentações. A aparição das mulheres de dourado foi o ponto alto do quesito. O primeiro casal, Patrick e Sofia, também executou seus movimentos com excelência. A comunidade da Casa Verde cantou bastante o samba, enquanto a escola evoluía de maneira compacta. O Império encerrou sua passagem com 1h02 minutos e deve se credenciar na disputa por uma vaga nas campeãs.
Águia de Ouro
Segunda escola a desfilar no Anhembi, a escola da Pompéia trouxe o enredo “Mokum Amsterdã, O Vôo da Águia à Cidade Literária”. O samba-enredo, com um refrão de cabeça fácil de cantar, contribuiu para que a harmonia fosse um dos destaques da passagem da agremiação. Os intérpretes Serginho do Porto e Douglinhas mostraram um belo entrosamento com a Batucada da Pompeia. Foi uma grande estreia do mestre Moleza à frente dos ritmistas da Águia de Ouro. Entraram no recuo aos 27 minutos e saíram aos 43. A bossa que era feita nos últimos versos do samba remetia ao ritmo do reggae e colocou o povo das arquibancadas para balançar.
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A escola parece ter acertado em sua evolução, quesito esse que lhe custou décimos preciosos no último carnaval, passando bem compacta pelo Anhembi. A comissão de frente veio com diversos personagens do enredo, toda em cima de um grande elemento alegórico, inclusive seu coreógrafo. O que acabou “escondendo” um pouco o primeiro casal Alex e Monalisa, que vinha logo atrás, executando um bailado seguro e vestindo uma fantasia luxuosíssima.
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A plástica da Águia no geral trouxe um colorido interessante, dando um belo contraste, sobretudo nas alas. No carro abre-alas, componentes com “cabeça de Girassol” fizeram uma coreografia de belo efeito. O setor final veio em tons alaranjados, em referência aos Países Baixos. A última ala da escola foi dividida em duas fantasias e trazia nos costeiros o brasão da corte do reino de Orange e o da Águia de Ouro, unindo a cidade de São Paulo à Amsterdã.
Mocidade Alegre
A Morada do Samba desfilou no seu horário preferido, sendo a terceira agremiação do sábado de carnaval. E logo na entrada do sambódromo ela já mostrou que veio para brigar por mais um título. A comissão de frente foi toda construída em cima do samba-enredo, trazendo a aparição de exu no centro do tripé, enquanto outros integrantes de macacões nas cores do arco-íris intercalavam a coreografia entre o chão e o elemento alegórico. Mulheres representando Oxum reverenciavam outra mulher que emergia sobre uma estrutura elevadiça revelando a escultura de uma cobra.
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O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, , esbanjou simpatia e elegância em uma fantasia de múltiplas cores. Guardiões ainda cercavam o espaço lateral da avenida para a apresentação do casal. A Mocidade trouxe um belo tripé de pede-passagem com o título do enredo “Malunga Lea”, que celebrou a trajetória da atriz Léa Garcia como símbolo da arte negra. Em seguida, veio o suntuoso abre-alas da Morada, todo em vermelho e dourado. As baianas da escola rodopiaram na passarela utilizando uma linda fantasia que remetia a Exu.
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A bateria do mestre Sombra entrou no recuo aos 31 minutos, em uma manobra diferente, onde parte da batucada fica na pista, enquanto a chamada “cozinha” entra direto e sai em seguida para cumprimentar o público. A rainha Aline Oliveira surgiu no meio da bateria empunhando um grande bandeirão da Ritmo Puro. Outro ponto forte do desfile foi a condução do belo samba-enredo por Igor Sorriso, que já tem grande identificação com a comunidade. O canto aguerrido dos componentes foi outro destaque da entidade. A Mocidade Alegre encerrou seu desfile no limite máximo de tempo permitido, que é de 1h05 minutos, acelerando um pouco a passada a partir da terceira alegoria.
Gaviões da Fiel
A Gaviões da Fiel foi a quarta agremiação a desfilar no Anhembi, já na madrugada de domingo. O público da arquibancada monumental logo começou a agitar as bandeirinhas distribuídas pela escola e a cantar o valente samba-enredo junto com o intérprete Ernesto Teixeira. A Fiel trouxe o enredo “Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã”, levando para a avenida toda a força e a memória dos povos originários.
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A escola abriu seu desfile com uma inventiva comissão de frente representando alguns rituais dos povos indígenas, toda ela coreografada no chão. Quatro elementos vinham como “destaques”, com enormes costeiros, cada um com uma cor predominante: Marrom, Azul, Vermelho e Lilás. Em seguida, veio o primeiro casal, Wagner e Carolline, com uma bela indumentária composta por penas volumosas em tom vermelho-sangue. O grandioso carro abre-alas chamou a atenção do público também por conta da beleza.
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A bateria Ritmão também foi um dos destaques da apresentação da Gaviões, dando sustentação ao forte canto da comunidade do Bom Retiro. Entraram no recuo aos 29 minutos e saíram aos 42. A evolução da agremiação na pista foi coesa e fluiu sem problemas. O último setor da escola trazia tripés com uma escultura de um indígena em cinco das seis alas finais. Adereços de mão com animais da Floresta Amazônica compunham a última ala de enredo. A quarta alegoria trouxe esculturas da “justiça” e do cristo com cocares. A Fiel encerrou o desfile com 1h03 minutos e é uma das candidatas ao título do carnaval.
Estrela do Terceiro Milênio 
Foi exatamente 3h da madrugada que a Estrela do Terceiro Milênio iniciou sua passagem pelo sambódromo paulistano. A escola do Grajaú homenageou o compositor Paulo César Pinheiro com um bom samba-enredo, que trazia referências melódicas de músicas conhecidas do artista. A jornada da Milênio começou em uma baita apresentação da comissão de frente, que além de ser literal em relação ao samba, resumiu o enredo, mostrando o encontro de Paulo menino com o poeta já mais velho e consagrado.
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Faziam parte da coreografia da comissão ainda, além dos demais bailarinos: dois capoeiristas, uma porta bandeira, uma representante da Clara Nunes e um soldado da ditadura. No tripé, uma enorme escultura de Deus carregava um grande espelho. Arthur e Waleska, o primeiro casal da entidade, executaram sua dança com firmeza e maestria, além de estarem muito bem vestidos. A bateria Pegada da Coruja, que trouxe berimbaus na linha de frente, entrou no recuo aos 25 minutos de desfile, saindo aos 46.
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O destaque da Estrela foi a parte visual. Belíssimas alegorias que vieram com um ótimo acabamento. Assim como as fantasias, que tinham um bom volume, mas com bastante leveza. O segundo carro veio com destaques laterais que ao girarem seus costeiros revelam um rosto indígena na parte de trás. No topo da alegoria, composições empunhando bandeiras pedindo justiça social. Um tripé veio no setor seguinte, repleto de tesouras e com os dizeres “Voce rasga um verso, eu escrevo outro” em referência à ditadura. O homenageado veio último carro, que ainda trazia uma grande escultura do poeta. A Milênio encerrou seu carnaval com 1h03 minutos.
Tom Maior
Penúltima a desfilar na madrugada de sábado, a Tom Maior celebrou a vida de Chico Xavier e homenageou também a sua cidade natal: Uberaba/MG. O enredo era uma espécie de carta espiritual, no qual Chico se faz de instrumento para revisitar a ancestralidade dessa cidade mineira. O desfile iniciou com uma comissão de frente toda em cima de um tripé em tons terrosos, executando uma coreografia vigorosa e muito bem ensaiada.
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Logo depois, veio o primeiro casal da escola, Ruhanan e Ana Paula, bailando com sincronia e de forma graciosa para apresentar o pavilhão da agremiação a todos que assistiam ao desfile. O enorme abre-alas veio inteiro em tons de azul-água e possuía dois carros acoplados, com esculturas de peixes e dinossauros, em referência ao passado de Uberaba. Já o segundo carro, que representava o Taj Mahal, acabou tendo problemas com a iluminação, entre o final do setor B e o setor C, mas que foi corrigido logo depois.
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A bateria Tom 30 de mestre Carlão foi o ponto alto da passagem da Vermelho e Amarelo, juntamente com o intérprete Leozinho Nunes. A parte musical deu um verdadeiro show em frente à arquibancada Monumental, impulsionando o canto da escola e do público, especialmente no apagão do refrão principal. Um surdo marcava o tempo para que o repique pudesse fazer a chamada e a bateria já voltar na bossa do início do samba. O conjunto de fantasias da Tom Maior também merece destaque pelo bom gosto. A entidade terminou sua passagem com 1h02 minutos.
Camisa Verde e Branco
O dia começava a raiar quando o Camisa Verde e Branco cantou um ponto de Zé Pelintra e um ponto de Tranca-Ruas, afinal seu enredo foi “Abre Caminhos”, abordando a energia do orixá Exu. O samba-enredo, eleito o melhor do ano em votação popular através do CARNAVALESCO, conquistou as arquibancadas logo no início do desfile. O intérprete Charles Silva, vestido de malandro, fez uma excelente estreia no microfone principal do trevo da Barra Funda. O restante da ala musical também veio homenageando a falange da malandragem.
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A comissão de frente fez uma bela apresentação em frente à Monumental. Eram 15 integrantes, sendo um deles Exu, enquanto os outros estavam divididos em dois grupos. Seis pessoas de fantasias vermelhas com laranja faziam movimentos sincronizados, apresentando a agremiação ao público. Os outros oito elementos usavam roupas ornadas com palha, em uma pegada muito expressiva e vigorosa, interagindo principalmente com Exu, que chegava a ajoelhar na pista. Havia ainda cinco totens avermelhados que em certo momento serviam de palco pra Exu , complementando a comissão.
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O primeiro casal, Lyssandra e Marcos, apresentou com excelência o pavilhão da escola durante o bailado. Eles usavam belíssima roupa repleta de penas nas cores preta, amarela, marrom e vermelho. As primeiras alas do Camisa vieram nas cores vermelho e laranja, combinando com a paleta do abre-alas, que trazia cabaças, rodas girando e decoradas com estamparia africana. No geral, as alas eram de fácil leitura. O ponto de maior apreensão na passagem do Camisa ocorreu nos dois últimos setores, onde o quarto carro chegou a parar por alguns instantes e precisou de reforço para que pudesse deixar a pista, porém a escola estourou o tempo máximo de desfile em um minuto, fechando com 1h06 e deverá perder ao menos 0,1 décimo.

Cabine a cabine Grupo Especial de São Paulo: Saiba como cada escola de sexta-feira desfilou

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A primeira noite de desfiles do Grupo Especial de São Paulo mostrou que o Carnaval de 2026 continua equilibrado e provavelmente será decidido novamente nos detalhes. Dragões e Tatuapé largam na frente, com os desfiles mais técnicos desta madrugada inicial.

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MUM e Colorado surpreendem pela beleza e originalidade plástica. Enquanto Barroca, Vai-Vai e Rosas apostaram na empolgação de suas comunidades e em belos sambas para tentarem entrar nessa briga também. Confira o ponto de vista do último setor do Anhembi.

Mocidade Unida da Mooca

Das sete escolas que passaram pelo Anhembi na sexta-feira, a Mocidade Unida da Mooca foi a única estreante no Grupo Especial. E logo na entrada foi possível ver que a comunidade da MUM soube lidar bem com tamanha expectativa. O forte samba-enredo, conduzido pelo competente time de canto (Emerson Dias, Gui Cruz e Ste Oliveira) e sustentado pela bateria Chapa Quente, proporcionou toda a empolgação que a escola precisava para fazer uma grande abertura de Carnaval.

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Mais um ponto alto do desfile foram as alegorias e fantasias de extremo bom gosto e capricho. O carnavalesco Renan Ribeiro desenvolveu o enredo “Gèlèdés Agbará Obinrin” exaltando a mulher negra a partir da cultura iorubá, com alas de fácil leitura, o que contribuiu para a aceitação popular. O casal Jeferson Gomes e Karina Zamparolli apresentou um bailado muito sincronizado e seguro, indo além das belas fantasias.

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A MUM veio com um canto uniforme, no entanto, demorou 39 minutos para chegar com a sua comissão de frente ao setor E, o último do sambódromo. Isso fez com que a escola acelerasse mais o passo a partir de seu segundo setor, buscando não comprometer o tempo máximo do desfile. O cronômetro foi encerrado com 1h05 minutos, faltando apenas 20 segundos para estourar o limite.

Colorado do Brás

Já não era mais sexta-feira, 13, quando a Colorado do Brás pisou na avenida do samba com o enredo: A Bruxa Está Solta, Senhoras do Saber Renascem na Colorado. E a “cabeça” da escola foi de arrepiar a arquibancada. Especialmente pela comissão de frente, com bastante dramaticidade e expressão facial, e que soube muito bem conquistar o público com o seu caldeirão efervescente.

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Em tons escuros, com uma iluminação lilás, o carro abre-alas gerou grande impacto pela beleza e criatividade. As fantasias da Colorado pareciam ter uma leveza incomum e também eram de fácil leitura. O enredo retratou um pouco da perseguição de mulheres sábias que foram demonizadas como bruxas de forma pejorativa. Em uma das alegorias a escola trouxe esculturas de personagens “bruxas” de diferentes universos ficcionais.

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O casal Brunno Mathias e Jessika Barbosa veio com belíssimas fantasias, e se mostraram alegres e atentos. A Colorado de forma geral evoluiu tranquilamente e de maneira uniforme ao longo da passarela, porém o canto da comunidade, no último setor, poderia ter sido mais intenso. A escola encerrou sua passagem pela avenida com tranquilidade quando o relógio marcou 1h02 minutos.

Dragões da Real

Na busca do seu primeiro título no Grupo Especial, a Dragões apostou no luxo e no requinte para fazer o desfile mais correto da noite, do ponto de vista do setor E. Trazendo um enredo sobre as “Guerreiras Icamiabas”, a escola mostrou logo a que veio nas primeiras passadas do samba.

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Uma marcante comissão de frente abriu o desfile da tricolor, que apresentou uma coreografia de fácil leitura e muito bem ensaiada. Outro grande destaque do desfile fica por conta do imenso dragão, símbolo da escola, que vinha no carro abre-alas. Aliás, um conjunto alegórico de extremo bom gosto. Assim como as fantasias, que possuíam uma bela variação na paleta de cores.

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O samba foi bem interpretado pelo Renê Sobral, que juntamente com a bateria Ritmo Que Incendeia, ajudou a trazer o público para cantar junto com a escola. Um canto potente deu o tom do desfile que se candidata ao título do carnaval. A escola fechou a sua apresentação com 1h03 minutos, sem problemas.

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Acadêmicos do Tatuapé

Falando sobre a reforma agrária, a azul e branca da Zona Leste trouxe o enredo “Plantar pra Colher e Alimentar, Tem Muita Terra Sem Gente? Tem Muita Gente sem Terra”. E a bela comissão de frente do Tatuapé veio coesa e bem ensaiada, porém com um grande elemento alegórico que acabava tampando a visão do abre-alas.

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O primeiro casal, Diego e Jussara, se mostraram muito seguros e bem conectados em seus movimentos. O canto da comunidade foi intenso ao longo do desfile, enquanto a evolução da agremiação se manteve constante pelo Anhembi. O samba funcionou, assim como a bateria que, sob os comandos de mestre Cassiano foi sem dúvidas uma das melhores da noite.

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As fantasias do Tatuapé foram outro destaque do desfile. Alas extremamente diversas nas cores, criativas nos materiais e de fácil leitura no enredo. O carro abre-alas foi outro ponto alto da escola, porém as demais alegorias pareciam não acompanhar o mesmo gigantismo ou a mesma originalidade. A escola fechou o portão com 1h02 minutos.

Rosas de Ouro

Atual campeã do último carnaval, a Rosas de Ouro apostou na astrologia para tentar o bicampeonato em 2026. Porém, devido a um atraso no envio da pasta com informações do desfile à Liga, a escola começará a apuração com menos 0,5 décimos, o que já dificultaria bastante essa missão inicial da roseira. Um dos destaques do belo desfile é o desempenho da bateria de mestre Rafa, juntamente com a interpretação de Carlos Jr.

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Plasticamente foi o melhor conjunto da noite, tanto em fantasias, quanto em alegorias. Nitidamente se viu uma escola luxosa e opulenta, relembrando os grandes carnavais da Rosas de Ouro. Mas a saída de um componente da comissão de frente, ainda na concentração, pode comprometer ainda mais as previsões iniciais da azul e rosa da Brasilândia. Ele formaria, junto com o restante dos integrantes, os 12 signos, que acabaram ficando incompletos sem o signo de Leão.

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A evolução manteve um bom ritmo durante toda a passagem da Rosas de Ouro, que demorou quase uma hora para entrar no sambódromo devido à resíduos de óleo que acabaram ficando pela pista após a passagem da escola anterior. O casal Uilian e Isabel esbanjou sincronia e elegância na dança executada no setor final. A roseira encerrou sua passagem com 1h03 minutos.

Vai-Vai

Já pela manhã de sábado, com um céu avermelhado, o Vai-Vai entrou na passarela com a força do chão de sua comunidade, acompanhada pelas arquibancadas. O público do Anhembi passou a tremular as bandeiras alvinegras enquanto a escola cantava sobre os estúdios de cinema “Vera Cruz” e a cidade de São Bernardo. O samba-enredo, conduzido por Luiz Felipe, cumpriu sua função de embalar o desfile, ao lado da bateria Pegada de Macaco.

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Logo no início, uma comissão de frente muito bem coreografada e dramatizada apresentava grandes personagens do estúdio Vera Cruz, como Amacio Mazzaropi, com toda a irreverência que lhe era característico. Vedetes também abrilhantaram a bela apresentação do quesito. O casal estreante, Pedro e Mirelly, realizou uma passagem segura e bem conectada nos movimentos. A parte plástica da escola começou impactante, mas com algumas falhas de acabamento em um dos rolos de fita do carro abre-alas.

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As fantasias e os dois últimos carros eram um pouco mais simples do que o que havia passado no Anhembi até então. Além disso, a escola iniciou o desfile no ritmo acelerado que lhe é característico, o que fez com que a parte final da escola parasse por alguns instantes antes de adentrar a dispersão. O Vai-Vai fechou o portão com tranquilidade quando o relógio marcou 1h04.

Barroca Zona Sul

Encerrando a sexta-feira de Carnaval, a Barroca Zona Sul só não desfilou com sol porque o dia estava nublado. Com o enredo “Oro Mi Maió Oxum”, a verde e rosa selecionou para a avenida diversas histórias com o protagonismo da orixá do ouro. O que gerou um dos melhores sambas de enredo da safra de 2026, brilhantemente puxado no desfile por Dodô Ananias e Tinguinha.

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Logo no carro abre-alas, uma imensa escultura de Oxum em dourado resplandecia sob o céu acinzentado de São Paulo. As outras alegorias também acompanharam a beleza e a criatividade do primeiro carro, porém algumas falhas de acabamento foram observadas na lateral esquerda do último carro. As fantasias mantiveram o grande nível plástico da Barroca, dando um belo efeito visual no conjunto da escola.

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O canto da comunidade da Zona Sul foi outro grande destaque do desfile. No entanto, a evolução da escola deixou um pouco a desejar logo após a bateria Tudo Nosso adentrar ao recuo. Já o casal Cley e Lenita fez uma apresentação segura e bem sintonizada no Setor E. A escola encerrou sua passagem dentro do tempo limite sem mais problemas.

Premiado pelo ICAIS, Camarote King transforma Carnaval em vitrine de sustentabilidade

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O Camarote King se tornou vitrine de tecnologia social ao implementar o sistema de saneamento circular da EcoFábrica Omìayê, iniciativa nascida na comunidade da Mangueira, e foi reconhecido com certificação ambiental concedida pelo Instituto Cultural e Ambiental de Inovação Social (ICAIS).

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Fernanda Borriello, Lílian Martins e João King. Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

Da favela para o maior espetáculo da Terra

Sempre atento às iniciativas que unem impacto ambiental e transformação social, o Camarote King descobriu a EcoFábrica Omìayê, criada na comunidade da Mangueira em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF), viu ali uma solução alinhada ao seu compromisso com a sustentabilidade e decidiu adotar o projeto.

A fábrica reaproveita óleo de cozinha usado para produzir sabão e detergente ecológicos e já reciclou mais de mil litros do resíduo, evitando a contaminação de rios e da rede de esgoto. Ao trazer essa tecnologia social para dentro da Sapucaí, o King ampliou alcance da ação e reforçou seu protagonismo na construção de um carnaval mais responsável.

Na prática, o óleo descartado das cozinhas do camarote vira matéria-prima, o produto limpa o ambiente e ainda contribui para reduzir a carga poluente lançada na rede, fechando o ciclo da economia circular. O sabão produzido também é usado nas cozinhas e banheiros do espaço.

Sustentabilidade aplicada em larga escala

A coordenadora de inclusão e acessibilidade do King, Carol Basílio, explicou que a iniciativa vai além da coleta seletiva e da reciclagem.

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Carol Basílio. Foto: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

“Temos a responsabilidade social de tratar o esgoto de toda a marca da Sapucaí enquanto o nosso sabão desce pela rede. Ou seja, toda a minha louça é lavada com esse sabão, todos os meus espaços são lavados com esse sabão. Descobrimos que havia a química ideal por baixo do camarote, que era o que precisávamos para, estrategicamente, tratar todo o esgoto. Isso também é uma semente ambiental global. O camarote hoje representa tratar 29 mil litros de esgoto por hora, da matriz até ele”.

Além disso, o camarote mantém parcerias com cooperativas de catadores, sendo pioneiro na reciclagem de resíduos de todos os tipos durante o carnaval. A equipe de inclusão e sustentabilidade também promove ações de conscientização ambiental, orientando foliões e trabalhadores sobre descarte correto e separação de lixo.

Impacto social 

Além do impacto ambiental, a iniciativa gera emprego e renda na própria Mangueira, com moradores capacitados e contratados para atuar na produção dos sabãos, reafirmando a transformação social.

Os produtos são distribuídos gratuitamente a moradores que entregam óleo usado, incentivando o descarte correto e fortalecendo o vínculo comunitário.

Reconhecimento e certificação

O compromisso ambiental do espaço foi reconhecido oficialmente pelo ICAIS, responsável pela certificação anual de eventos que cumprem práticas sustentáveis.

“O ICAIS foi fundado para transformar a sociedade de forma positiva, utilizando eventos culturais, sociais e esportivos como ferramenta. Vemos isso como uma iniciativa essencial para o meio ambiente e para a sociedade. Todos os anos certificamos não só o Camarote King, mas outros eventos, desde que cumpram práticas sustentáveis. A gente faz a vistoria, conferimos se está tudo dentro das normas e vem aqui apoiar”, afirmou Fernanda Borriello, presidente do instituto.

Para a diretora executiva do Camarote King, Lílian Martins, o prêmio representa compromisso com o futuro.

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“Sensação de dever cumprido. De estar fazendo para melhorar o mundo. Eu acho que a gente faz muito pouco pelo planeta. Eu não vou ter problema, mas acredito que meus netos terão, se a gente não cuidar”.

Assim, o Camarote King mostrou que o Carnaval pode ser também o palco de transformações sociais que vão além do espetáculo apresentado na passarela.