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Nova Musa da Comunidade da Estácio, Kaylane Ribeiro se declara à escola: ‘Faço parte desse lugar’

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Foto: Will Ferreira/CARNAVALESCO

A semifinal de samba-enredo da Estácio de Sá para o Carnaval 2027 teve, também, uma grande surpresa. No evento, a então passista Kaylane Ribeiro foi anunciada como nova Musa da Comunidade. Para saber como estava se sentindo a nova Destaque da Estácio de Sá, o CARNAVALESCO conversou com Kaylane durante o evento, realizado na última sexta-feira.

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Mistério desvendado

A reportagem do CARNAVALESCO recebeu da assessoria de imprensa da Estácio de Sá que haveria o anúncio de uma nova musa na semifinal de samba-enredo da agremiação. Em mais de uma oportunidade foi perguntado quem seria, mas nem mesmo pessoas da própria escola sabiam responder o nome de quem receberia a honraria.

A própria Kaylane conta que, em um primeiro momento, estava completamente atônita: “Eu fiquei muito surpresa, fiquei sem reação! Tanto que eu só tive uma reação depois, quando eu comecei a chorar. Isso foi quando estava no samba desse ano, de 2026. Aí eu comecei a chorar, abracei todo mundo, abracei as pessoas… mas, no momento em que eu fui anunciada, eu fiquei muito surpresa”, destacou.

O samba de 2026, no caso, era o de “Tata Tancredo – O Papa Negro no Terreiro do Estácio”. A Ala de Passistas do Berço do Samba, por sinal, foi premiada com o Estrela do Carnaval (organizado e concedido pelo CARNAVALESCO) como melhor do segmento na Série Ouro.

Reconhecimento

Ao ser perguntada sobre a história que já tem no Berço do Samba, Kaylane relembrou o próprio início na agremiação: “Eu comecei aqui na Estácio com quinze anos, hoje eu tenho vinte. Essa escola se tornou muito importante para mim porque eu me senti abraçada por todo mundo aqui. A comunidade estaciana abraça muito as pessoas e comigo não foi diferente. No momento em que eu entrei para a Estácio, eu me tornei estaciana. Eu sinto que eu já faço parte desse lugar. Esse leão e essa escola se tornaram muito importantes para mim”, finalizou.

Mestre Demétrius retorna ao comando da bateria da Acadêmicos de Niterói

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Foto: Divulgação/Acadêmicos de Niterói

A Acadêmicos de Niterói anunciou o retorno de Mestre Demétrius Luiz no comando de sua bateria para o carnaval de 2027. O mestre já esteve à frente da “Cadência de Niterói” nos carnavais de 2023, 2024 e 2025 e retorna em busca dos 40 pontos no próximo desfile da escola, na Marquês de Sapucaí.

Demétrius começou no carnaval ainda criança. Em 2006 virou Diretor na Porto da Pedra, passando pela Cubango, Unidos da Tijuca, Tuiuti, Império de Casa Verde e Inocentes. Como mestre, assumiu a bateria da Tradição e Cubango. No último carnaval comandou a bateria da União de Jacarepaguá e foi Diretor de bateria da Em Cima da Hora.

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“Estou extremamente feliz com esse retorno à Acadêmicos de Niterói. Fizemos três grandes desfiles na escola, incluindo o campeonato da Série Ouro. Já vamos começar os trabalhos em busca desses 40 pontos no desfile do carnaval de 2027”.

No carnaval de 2027, a Acadêmicos de Niterói será a 5ª escola a desfilar na sexta-feira de carnaval, 5 de fevereiro, na Marquês de Sapucaí.

Confira o videoclipe e o samba-enredo da Unidos da Ponte para o Carnaval 2027

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Compositores: Cláudio Russo, Silvio Romai, Juão Nyn, Marquinho Beija Flor, M. Borboleta, Jorginho da Flor, Herval Neto, Mateus Pranto, Gabriel Simões e Raphael Gravino.
Intérprete Oficial: Serginho do Porto
Mestre de bateria: Alex Vieira

SOU EU, TYBYRA
O FOGO ARDENTE DE UM BRASIL ORIGINÁRIO
QUE NÃO SE ACANHA QUANDO O CORPO DELIRA
ONDE DOIS SE TORNAM UM
NA MOITA SIBILA O ANCESTRAL COLORIDO
À FLOR DA PELE, O GOSTOSO É O PROIBIDO
PRA DAR E RECEBER O AMOR E CULTIVAR
A DELÍCIA DE ENTENDER, ABRAÇAR E BEIJAR
DE DIA TRANSPIRANDO, À NOITE AMANDO A TENTAÇÃO
SAGRADO TOCAMENTO SOB O CÉU DA LIBERDADE
QUEM TROUXE O PECADO
INVENTE O PERDÃO
NO HOMEM QUE NÃO TEM HUMANIDADE

TEM MEDO DE ANHANGÁ, MAS QUER FAZER CUNIN
ADORA DESFRUTAR DE TANTO AIPIM
SE É PRA SERPENTEAR, TIRAR O MEL DA CANA
CACIQUE SUCURI OU COBRA CANINANA?

MAS O VENENO É BALA DE CANHÃO
PELO ACENO DA INQUISIÇÃO
AO BEL-PRAZER A FÉ CONDENA O ALHEIO
E AGE ÀS ESCURAS
SE LAMBUZANDO PARA O SEU PRÓPRIO DELEITE
DE UM CORPO FAZ BANQUETE
O QUE CORROMPE É O MEIO
E ASSIM CATIMBÓ VENCE XAWARA
O CACHIMBO PELAS MATAS
CONTRA A LUTA DESIGUAL
EU SOU TUPI, TUPINAMBÁ, EU SOU CUDINA
SOU A BICHA QUE ENSINA
DESEJO COLETIVO E PLURAL

AÊ, AÊ! RESISTIR É MINHA SINA!
REFLORESCER FEITO UMA HEROÍNA!
EU SOU TYBYRA, NÃO MEXE COMIGO, NÃO!
ERGUI A PONTE PRA FAZER REVOLUÇÃO!

Estácio define finalistas do samba para o Carnaval 2027; veja a análise das quatro obras classificadas

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Foto: Will Ferreira/CARNAVALESCO

A semifinal de samba-enredo da tradicionalíssima Estácio de Sá para o Carnaval 2027 foi realizada na última sexta-feira, na quadra da escola. Dos seis sambas que se apresentaram, quatro avançaram à grande decisão: os das parcerias de Claudinho Raiz, Diego Nogueira, Claudio Russo e Samir Trindade. Já as obras das parcerias de Alexandre Naval e China do Estácio foram eliminadas do concurso. A final acontece no sábado, dia 8 de agosto. Sempre presente em eventos importantes para as escolas de samba, o CARNAVALESCO acompanhou os semifinalistas para escolher o samba-enredo que embalará o desfile de “Centenário do Berço do Samba: Onde o Samba Virou Escola e o Brasil se Fez Carnaval”, assinado por Marcus Paulo, que será a terceira apresentação do sábado da Série Ouro.

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Parceria de Claudinho Raiz: O Samba 01, composto por Claudinho Raiz, Fernandão, Niquinho Azevedo, Nego Wando, Sérgio das Mercês, Cecília das Mercês, Emanuel Apoteose, Berg Responsa, Irani Montenegro, Guarda Kuhn, Crenilda de Castro, Gabriel Amaral, Marcel Balassiano, Claudinho do Pagode e Anderson Benson, chamou atenção de imediato por ter apenas três intérpretes — o menor número da noite. Dois deles eram o próprio Claudinho Raiz e Claudinho do Estácio. Ito Melodia e Wic Tavares, que defenderam a canção na última semana, não se fizeram presentes. Chamou atenção a letra bastante extensa do samba, com estrofes longas e, além disso, dois versos semelhantes que formam um falso refrão antes do refrão do meio. O refrão do meio, por sinal, começa com a exaltação a outras coirmãs e se aventura a citar desfiles marcantes para destacar a característica estaciana de ser o Berço do Samba. Grandes baluartes estacianos também são citados. Se a obra mais extensa deixa o canto nas estrofes com menos volume, ela convenceu pelo lirismo.

Parceria de Diego Nogueira: Composto por Diego Nogueira, Batista Coqueiral, Júlio Page, Luciano Fogaça, Cecília Cruz, Osmar Fernandes, Juninho do Estácio, Cláudio Altamirano, Rian Rodrigues, Argentina Caetano, Paulinho ZC, Max Toledo, Gilsinho da Vila, Vânia Moraes, Rafael Almada, Leandro Netto e Danielzinho, o Samba 02 da eliminatória teve um destaque imediato: tão logo a canção começou a ser executada, um tripé com partideiros, um Zé Pelintra e uma Pombagira apareceu à frente do palco. Logo atrás, pessoas em pernas de pau carregavam os pavilhões das coirmãs mais antigas da Estácio: Mangueira, Portela, Unidos da Tijuca e Vizinha Faladeira, que também são citadas no refrão do meio, que, por sinal, é o destaque rítmico do samba, com os marcantes “Quem Vem Lá?”. Por fim, outra pessoa aparecia ao fundo com o pavilhão estaciano, no meio de um corredor formado pelos torcedores. O samba, dentro do padrão que se convencionou apresentar nas escolas a partir da década de 1990, com dois refrões e duas estrofes, tem uma segunda estrofe um pouco mais extensa, na qual explora grandes baluartes e desfiles estacianos. Chamou atenção o fato de o samba ganhar adeptos conforme era executado, em demonstração de força.

Parceria de Claudio Russo: O Samba 08, detentor da maior torcida organizada da noite e composto por Claudio Russo, Gustavo Clarão, Júlio Alves, Thiago Daniel, Magrão do Estácio, Adolpho Konder, Laura Romero, Binho Teixeira, Juliana Madi, Tinga, Hugo Bruno e Marquinhos Beija-Flor, contou com a animação de quem apoiava o samba-enredo e teve presença maciça das passistas estacianas, que pareceram apoiar espontaneamente a obra. Na composição, extensa para os padrões atuais, a primeira estrofe, mais longa, relembra fundadores e baluartes do samba no Centro do Rio de Janeiro e termina com um inspiradíssimo “O Estácio inventou o Rio de Janeiro”. O falso refrão do meio, utilizando muitas vogais, dá um aspecto tipicamente malandreado à obra. No refrão principal, outra sacada que torna a canção muito leve: o verso “Sou a Primeira, Acabou, Ponto Final”.

Parceria de Samir Trindade: Composto por Samir Trindade, Jeiffer, Deiny, Deco, Victor Rangel, JP Figueira, Ricardo Castanheira e Gabriel Aganett, o Samba 10 da disputa chamou atenção por não utilizar nenhum dos artifícios tão comuns nas eliminatórias de sambas-enredo, como faíscas, bexigas e papel picado. Ainda assim, não faltou animação por parte dos torcedores nem de Alessandro Tiganá, que foi para o terreiro da escola durante a execução do último refrão da obra. Musicalmente, mais um samba com estrofes mais longas que o convencional contou com um falso refrão de um único verso (“Esse nosso chão tem a garra do leão”) e com um refrão de cabeça em que um verso se repete (“Tem que respeitar”), encerrando-se com um apaixonado “É o centenário do amor da minha vida”.

Quilombo do samba! Tuiuti sai na frente para o Carnaval 2027 com obra vibrante em show de Pixulé e mestre Marcão

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Por Juliane Barbosa, Marcos Marinho e Mariana Santos

A noite da última sexta-feira foi de celebração na Cidade do Samba. O Paraíso do Tuiuti apresentou oficialmente o samba-enredo que levará para a Marquês de Sapucaí no Carnaval 2027. Composta por Claudio Russo, Gustavo Clarão e Luiz Antônio Simas, a obra dará voz ao enredo “Ciata: a mãe preta do samba”, desenvolvido pelo carnavalesco Renato Lage, em uma homenagem inédita à trajetória de Tia Ciata, personagem fundamental para a história do samba e da cultura brasileira. Em clima de emoção, integrantes da diretoria e segmentos da escola destacaram a representatividade do enredo e a expectativa de que o samba mantenha a sequência de grandes obras que marcaram a trajetória recente da agremiação.

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“O Renato (Lage) foi um cara que sempre pareceu muito tranquilo desde o primeiro momento, generoso por acreditar na nossa ideia de enredo e abraçar a ideia dos três e da escola. Foi muito tranquilo fazer o samba para ele e para a escola. E o caminho que a gente utilizou foi o mesmo da sinopse como narrativa do samba também”, explicou o compositor Claudio Russo.

russo simas tuiuti

“Ele (Renato Lage) é, na verdade, um nome fundamental do carnaval que, ao contrário do que certo imaginário consagra o carnavalesco de alta tecnologia, tem uma tradição ligada a enredos afros. O Renato é o cara que faz “Mãe Baiana, Mãe”, é o cara que faz “O Tambor”, faz “Candaces”. O entrosamento foi muito bom. E acho que o samba, no fim das contas, teve a mesma preocupação da sinopse, de contar uma história. Se você observar: é o dia amanhecendo, a Ciata saindo para trabalhar, é a cidade em que Ciata vive, e é a festa na casa de Tia Ciata como celebração final. A linha é essa”, explicou Simas.

Renato Thor destaca representatividade do samba e confiança no projeto

Presidente do Paraíso do Tuiuti, Renato Thor definiu o samba como um dos pilares da construção do desfile de 2027 e ressaltou a identificação da obra com a história da escola. O dirigente revelou ainda que os ensaios de rua da escola em São Cristóvão estão previstos para começar na primeira semana de outubro.

thor tuiuti

“Esse samba tem toda uma representatividade com o Paraíso do Tuiuti. Tem toda uma representatividade com o Quilombo do Samba. O Paraíso do Tuiuti sempre enveredou por enredos culturais e históricos, sempre na luta contra o preconceito. Esse enredo e esse samba têm uma representatividade muito grande, não só para mim, mas para toda a nossa comunidade”, afirmou.

Sobre o desenvolvimento visual do desfile, o dirigente revelou entusiasmo com o trabalho de Renato Lage.

“Estou surpreso. É um Tuiuti um pouco diferente, mas dentro do seu contexto. Estou gostando muito, muito mesmo”.

Pixulé aposta em um dos sambas mais cantados do carnaval

Intérprete oficial da escola, Pixulé contou que a emoção foi imediata ao conhecer a obra.

“Senti uma energia muito forte, parecida com a que senti quando o samba do ‘Ifá’ chegou para mim. Mas o samba de 2027 tem uma emoção diferente, que bate forte no coração. É um sentimento que não tem palavras para explicar. Agora vamos ver o que vai acontecer na Avenida”.

O cantor acredita que o samba tem potencial para conquistar rapidamente o público.

“Acredito que ‘Tia Ciata’ vai ser um dos sambas mais cantados do Carnaval. O engraçado é que sempre lembro de ‘Ifá’. Quando ele chegou, foi totalmente rejeitado pelo público. E hoje é um dos sambas mais ouvidos do carnaval. Acho que ‘Tia Ciata’ não será diferente. Só de falar já fico todo arrepiado”.

Renato Lage destaca identificação com o Tuiuti e aposta em desfile de leitura clara

À frente do desenvolvimento do enredo “Ciata: a mãe preta do samba”, o carnavalesco Renato Lage afirmou que o convite para integrar o Paraíso do Tuiuti representa mais um importante desafio em sua trajetória no varnaval. Segundo ele, a identificação com a filosofia da escola foi determinante para aceitar o projeto.

renato tuiuti

“Acho que o Tuiuti veio incrementar mais um momento de desafio meu no carnaval. Adoro essa escola, adoro o Tuiuti em termos de pensamento de carnaval. O que estou sentindo, desde o momento em que o Thor me contratou, é o interesse de trazer o meu trabalho para fazer parte dessa equipe, desse enredo e dessa trajetória para o Carnaval de 2027. É toda uma questão de visão que ele tem. Graças a Deus, temos mais um ano pela frente”, disse o artista.

Questionado sobre a escolha do samba por encomenda, Renato afirmou que enxerga o formato como parte da evolução do carnaval e elogiou a visão administrativa do presidente da escola.

“Acho interessante essa questão da encomenda de samba. Tudo precisa evoluir. O Thor é um homem muito visionário e prático. Acho que ele está certo. Para mim, isso não faz diferença. Algumas mudanças acontecem para melhor, outras nem tanto, mas fazem parte da evolução do carnaval”, definiu Renato Lage.

Mestre Marcão inicia construção das bossas e destaca tempo maior de preparação

Responsável pela bateria “Super Som”, mestre Marcão contou que a primeira impressão ao conhecer o samba foi bastante positiva, principalmente pelo impacto do refrão, e revelou que o trabalho de construção das bossas ainda está em desenvolvimento.

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“Quando vem a primeira audição, a gente analisa primeiro o refrão. E o refrão é excepcional. Depois vamos desenvolvendo, lapidando, para chegar onde a gente pode chegar. Ainda estamos dentro da quadra, não na rua, que é um ambiente aberto e permite uma análise diferente. Estamos avaliando principalmente o andamento. Algumas bossas já estão prontas, mas ainda faltam detalhes para colocar”, compartilhou.

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Casal celebra samba antecipado e revela entusiasmo com nova fantasia

Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola, Vinícius e Rebeca destacaram as vantagens de iniciar o trabalho técnico com o samba já definido.

“A gente trabalha o ano inteiro para apresentar o nosso melhor na avenida e entende que é fundamental manter os ouvidos sempre atentos. É preciso ter serenidade e humildade para compreender onde podemos evoluir, tanto no nosso quesito quanto no conjunto da escola. Cada avaliação serve como aprendizado e nos fortalece para voltar ainda melhores no próximo carnaval. Essa é a maior lição que levamos para 2027”, afirmou Vinícius.

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Rebeca explicou como a definição antecipada da obra beneficia o desenvolvimento da apresentação.

“Ajuda muito, porque conseguimos iniciar o trabalho desde o lançamento do samba. Isso nos dá mais tempo para estudar a obra, ajustar detalhes, identificar o que pode ser aperfeiçoado e construir uma apresentação cada vez mais segura. Quanto antes começamos, mais preparados chegamos para defender a nossa escola”.

Vice-presidente destaca homenagem inédita e elogia ambiente criado por Renato Lage

Vice-presidente do Tuiuti, Renatinho Marins ressaltou que a escolha de Tia Ciata reforça a identidade histórica do Tuiuti.

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“O próprio enredo já aponta o caminho que a escola quer seguir. Tia Ciata sempre esteve presente na história do carnaval e foi citada em muitos sambas, mas nunca teve a sua trajetória como protagonista de um desfile inteiro. Isso torna essa homenagem ainda mais especial. É um enredo que fortalece a representatividade feminina e conversa diretamente com a ideologia da Tuiuti, de exaltar a história do nosso povo preto”.

Harmonia inicia preparação da comunidade ainda em agosto

Diretor de harmonia da escola, Marcelinho Emoção revelou que o planejamento para o Carnaval 2027 já está em andamento e destacou que a definição antecipada do samba representa uma vantagem importante para o trabalho com a comunidade.

“O planejamento para o carnaval 2027 já começou na Tuiuti. No fim de agosto, iniciaremos os ensaios de quadra para trabalhar o canto e a evolução da comunidade. A expectativa é levar os ensaios para a rua em outubro”.

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Segundo ele, o fato de o samba estar pronto há cerca de dois meses permitiu antecipar diversas etapas da preparação.

“Esse trabalho já ganhou um impulso importante porque o samba-enredo está pronto há cerca de dois meses. Nesse período, realizamos a gravação oficial e promovemos alguns ensaios internos na quadra”.

Marlon Cruz celebra vantagem de iniciar criação da comissão de frente com samba já definido

Novo coreógrafo da comissão de frente do Paraíso do Tuiuti, Marlon Cruz destacou que a definição antecipada do samba-enredo representa um diferencial importante para o desenvolvimento do trabalho visando o Carnaval 2027. Segundo ele, a obra pronta permite que o processo criativo seja iniciado com maior profundidade e alinhamento entre música e coreografia.

Marlon revelou que já iniciou os primeiros estudos da apresentação e ressaltou a liberdade criativa proporcionada pelo samba já gravado.

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“Comecei a costurar algumas coisas da coreografia. Já ter o samba, poder rabiscar e arriscar alguns movimentos em cima de acentos musicais, de algumas frases, isso é uma liberdade. O Tuiuti vai cravar tendência. Acho que cada vez mais as escolas vão entender a necessidade de ter o samba pronto antes. Sei que cada uma tem seus próprios eventos. Me sinto à frente, mesmo chegando tão depois. Tenho dois meses até o nosso primeiro ensaio de rua. Por mais que pareça em cima da hora, ainda tem bastante tempo, já que o samba a gente já tem”, comentou o coreógrafo.

Claudio Russo destaca força das mulheres pretas no enredo do Tuiuti sobre Tia Ciata

Claudio Russo destaca força das mulheres pretas no enredo do Tuiuti sobre Tia Ciata

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Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Responsável pela pesquisa do enredo do Paraíso do Tuiuti para o Carnaval 2027 com a parceria de Luiz Antônio Simas, Claudio Russo explicou ao CARNAVALESCO que mergulhar na trajetória de Tia Ciata significou revisitar a história de uma mulher que liderou, acolheu e transformou uma comunidade inteira em meio às dificuldades enfrentadas pela população preta e pobre do Rio de Janeiro no início do século passado. Ele ressaltou que a figura de Tia Ciata segue atual mesmo mais de um século após a morte da sambista e afirmou que o legado da matriarca será representado pelas mulheres da comunidade do Tuiuti na avenida.

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Ao falar sobre o processo de pesquisa, Claudio contou que a trajetória de Tia Ciata revelou novas descobertas a cada etapa do trabalho.

“Pesquisar Tia Ciata é um grande desafio porque estamos falando de uma mulher protagonista de uma comunidade preta, pobre e segregada, mas extremamente forte. A cada momento do estudo apareciam novos feitos e novas dimensões dessa história. Mesmo tendo nascido em 1854 e partido há mais de 100 anos, Tia Ciata continua contemporânea. Está presente em cada mulher que sustenta sua família, que leva educação, cultura e arte para os filhos e também para toda a comunidade. No desfile do Tuiuti, Tia Ciata estará representada em cada mulher preta da escola”, afirmou Claudio Russo.

O pesquisador e compositor também destacou a sintonia construída entre a equipe responsável pelo enredo e o carnavalesco Renato Lage. Segundo Claudio, o desenvolvimento do projeto aconteceu de maneira integrada desde os primeiros encontros, permitindo que sinopse, samba e desfile visual conversassem entre si de forma orgânica. Contundo, elogiou a condução de Renato durante o processo criativo e explicou que o alinhamento entre todos os setores fortaleceu a identidade do carnaval do Tuiuti para 2027.

“Trabalhar com Renato Lage está sendo extremamente agradável. Desde o início houve acolhimento e liberdade para desenvolver o trabalho. Conseguimos fazer com que a sinopse, o samba e o roteiro do desfile falassem a mesma língua. Quando o público ouvir o samba e depois assistir ao desfile, tudo vai dialogar. Isso é muito importante porque carnaval precisa ter coerência, emoção e entendimento”, contou.

O pesquisador revelou que a composição seguiu um caminho completamente diferente do samba apresentado pelo Tuiuti no último carnaval, que ganhou enorme repercussão nas redes sociais e se transformou em um dos grandes sucessos do ano. Segundo o Russo, o desafio da equipe foi justamente evitar comparações e criar uma identidade própria para 2027.

“O impacto do samba anterior foi muito grande. Até hoje as pessoas cantam, dançam e compartilham vídeos nas redes sociais. Isso virou um desafio para o próximo carnaval. Mas a decisão foi não tentar repetir aquela fórmula. O novo samba não tem nada a ver com o anterior, nem na melodia e nem na letra. Toda vez que alguém tenta repetir um sucesso acaba não alcançando a mesma força. Resolvemos seguir outro caminho e construir algo totalmente diferente”, explicou.

Paraíso do Tuiuti 2027: leia a sinopse do enredo

Vila Isabel revela como adaptou Torto Arado para o Carnaval 2027 sem perder a essência do romance

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Foto: Divulgação/Vila Isabel

Como transformar um dos romances mais importantes da literatura brasileira contemporânea em um desfile de escola de samba? Esse foi o desafio assumido pela equipe de carnaval da Unidos de Vila Isabel na criação do enredo “Torto Arado – Sobre a Terra Há de Viver Sempre o Mais Forte”, que será apresentado na Marquês de Sapucaí em 2027. Assinado pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, em parceria com o pesquisador Vinicius Natal, o enredo propõe uma leitura própria da obra de Itamar Vieira Junior. Em vez de reproduzir a narrativa do livro, a equipe optou por preservar seus principais temas e reorganizar a história para o formato de um desfile.

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No romance, a trama é conduzida pelas vozes de Bibiana, Belonísia e Santa Rita Pescadeira, em uma narrativa marcada por diferentes tempos e perspectivas. Para a Avenida, a escolha foi construir uma linha narrativa mais direta, tendo Santa Rita Pescadeira como a grande narradora da história. Encantada do Jarê — religião de matriz afro-indígena presente exclusivamente na Chapada Diamantina — ela conduz a trajetória da família de Zeca Chapéu Grande, desde a formação daquele território, marcada pelo garimpo e pela exploração da terra, até a luta de Bibiana e Belonísia pelo reconhecimento de seus direitos e de sua identidade quilombola.

“Adaptar um romance para um desfile exige escolhas. A principal delas foi colocar Santa Rita Pescadeira como a voz que conduz toda a narrativa. É ela quem lança sua rede e vai ‘pescando’ a história dessa família profundamente ligada à terra. A partir desse olhar, reorganizamos a cronologia do livro para que o público acompanhe a trajetória de forma mais fluida, sem abrir mão da potência poética e simbólica da obra”, explica o carnavalesco Leonardo Bora.

Para o pesquisador Vinicius Natal, a proposta nunca foi transportar o romance integralmente para a Sapucaí, mas construir uma narrativa que dialogasse com a linguagem do carnaval.

“Toda adaptação pressupõe uma nova forma de contar uma história. Não seria possível levar todas as camadas do livro para a Avenida. O que fizemos foi construir um percurso que acompanha essa família desde a ancestralidade daquele território, passando por Donana, Zeca Chapéu Grande, Bibiana e Belonísia. Como o próprio Itamar costuma dizer, essa é a história de muitas famílias brasileiras que ainda enfrentam a luta pela terra e pelos direitos sociais. Ao mesmo tempo, pensamos em uma narrativa que fosse clara para o público e eficiente dentro da lógica do desfile”, afirma.

Gabriel Haddad destaca que o processo foi construído coletivamente e contou com a participação do próprio Itamar Vieira Junior.

“Essa decisão nasceu do diálogo entre nós, o pesquisador Vinicius Natal e o próprio Itamar, que participou ativamente das conversas. Entendemos que Santa Rita Pescadeira reúne simbolicamente as vozes de Bibiana e Belonísia e, por isso, seria a personagem ideal para conduzir essa história marcada pelo encantamento, pela memória e pela força daquele território. A partir dessa escolha, reorganizamos a narrativa para que ela pudesse ser compreendida tanto pelos compositores dos sambas concorrentes quanto pelo público que estará na Sapucaí, sem perder a essência do romance e apostando em um desfile de grande impacto visual”, conclui.

Análise: veja como foram os 15 sambas da estreia das eliminatórias da Unidos da Tijuca para o Carnaval 2027

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A Unidos da Tijuca deu início à sua temporada de escolha do samba-enredo para o Carnaval 2027 na última quinta-feira, recebendo 15 obras concorrentes que se apresentaram na quadra da azul e amarelo. A noite foi de boas apresentações, e não houve eliminação de nenhum samba. A escola trará, em 2027, o enredo “A Cabeça do Santo”, baseado no livro de Socorro Acioli, sendo a segunda escola a desfilar na segunda-feira de carnaval. Abaixo, a análise do CARNAVALESCO sobre a apresentação das parcerias.

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Parceria de Gabriel Machado: Charles Silva defendeu o samba de Gabriel Machado, Júlio Page, Hélio Porto, Serginho Motta e Orlando Ambrósio. Uma melodia gostosa de ouvir e bem construída, que sustentou um rendimento forte da obra durante as três passadas. O refrão central, “Meu Santo Antônio pequenino, auê! Amansador de burro brabo, auê! Casamento entre vozes e clamores, traz a cura para as dores, faz o sonho acontecer”, é um dos pontos altos melódicos. A segunda parte, que conta o arrependimento de Samuel e o encontro com Nossa Senhora do Rosário, é excelente em sua narrativa, como nos versos “O perdão é libertário, seu milagre é Rosário, pra que o coração aqueça, o amor se encontra na fé, onde a história tem pé e cabeça”. O refrão principal não teve tanto destaque, mas passou com correção.

Parceria de Claudio Mattos: Pitty de Menezes e Rafael Tinguinha comandaram o samba da parceria de Claudio Mattos, Gustavinho Oliveira, Anderson Lemos, Daniel Goulart e James Bernardes. Uma apresentação bem consistente nas duas pequenas passadas, com uma leve queda na passada final. O refrão principal, “Valei-me, Santo Antônio, venha me valer, abençoe a Tijuca que tem sede de vencer, arriégua, faço um pedido ao céu, chegou a hora do milagre do Borel”, teve um bom rendimento em sua totalidade. A primeira parte possui uma letra com ótimos momentos, como “Partiu, disse adeus a Juazeiro, só levou o endereço e esperança como esmola, pra cada atormento uma prece, é miragem que aparece, sol a pino na caixola”, mas a melodia não se mostrou tão forte em suas variações. Na segunda parte, o desempenho cresceu, e a virada melódica para o refrão é muito bem feita.

Parceria de Luiz Carlos Máximo: Zé Paulo Miranda defendeu o samba de Luiz Carlos Máximo e Manu da Cuíca. A obra mostrou uma letra com uma poética própria da parceria, com ótimas sacadas, uma narrativa bem-humorada e uma linguagem coloquial em trechos como “De butuca na virada, pra cumprir sua fortuna, terra sagrada, de quem não pede arrego de maneira alguma”. O refrão principal, “É, Canindé, é, boi fubá, vô rasta minha chinela 13 dias sem parar, pra donde quer que o mundo vá, eu carrego pelo chão o meu tostão de Ceará”, segue essa toada, porém não teve um bom rendimento. No geral, a melodia soou mais truncada, não acompanhou o alto nível da narrativa e acabou se arrastando, contribuindo para um desempenho irregular do samba.

Parceria de Robson Ramos: Niu Souza defendeu o samba da parceria de Robson Ramos, Gegê Fernandes, Rafael Lopes e Vinicius Xavier. O intérprete teve ótima atuação e contribuiu para uma boa passagem da obra. Sobretudo em termos melódicos, o samba fluiu bem e não cansou durante as passadas, mantendo uma regularidade. O refrão central, “Valei-me, Santo Antônio, atenda a oração, a cabeça é oca, mas quem fala é o coração, é vela, é buquê no altar, o grande matrimônio vai começar”, é um dos trechos de destaque em melodia. A letra se mostrou mais irregular, com alguns bons momentos, como no início da segunda parte, com os versos “Mas pesou no peito o pecado, e o mensageiro silenciou a voz, lá no serrote, num pranto derramado, foi desatar o mais antigo dos nós”. O refrão principal é um retrato dessa irregularidade: bem simplório em letra, mas passou bem, principalmente nas duas primeiras passadas.

Parceria de Leandro Gaúcho: Wantuir defendeu o samba de Leandro Gaúcho, Ailson Picanço, Padre Felipe Calisto, Marcelo Moraes e Ricardo Construção. A primeira parte tem uma melodia belíssima e com excelente fluidez, com pegadas de arrasta-pé, tornando o samba empolgante, com uma letra também em bom nível, como no trecho “Em Caridade tem fuzuê, moganga de boiadeiro, xetruá, o problema foi o santo responder, a promessa pra menina se ajuntá”. Na segunda, o samba perdeu um pouco da potência, passando de forma mais cansativa, recuperando-se no refrão principal, “Santo Antônio pequenino, do sertão eu trouxe a luta, venha abrir nossos caminhos, a vitória da Tijuca, ele é de fé! Amansador de burro brabo, se dúvida é melhor tomar cuidado”. Entre uma primeira parte excelente e uma segunda irregular, o samba conseguiu um bom rendimento.

Parceria de Arlindinho: Rodrigo Tinoco, Guto e Milena Wainer comandaram o samba da parceria de Arlindinho, Igor Leal, Diego Nicolau, Fred Camacho e Bruno Dallari. O trio mostrou uma excelente harmonia de vozes em cima de um samba com ótimas variações melódicas, com elementos do arrasta-pé e alguns versos cantados de forma mais corrida, como no refrão central, “Joana queria José, mas Zé só pensava em Maria”, que foram muito bem conduzidos. O refrão principal, “Êta cadência arretada, escola danada do meu coração, Tijuca, vem e me vira a cabeça, que Santo Antônio abençoe o pavão”, passou muito bem em todas as passadas. A letra dissecou o enredo com extrema categoria, como nos primeiros versos “Lá nas entranhas do sertão do meu Ceará, nasceu a história de um menino sonhador, as cicatrizes que a vida tentou me dar, viraram marcas que a alma não curou, sem sorte, sem eira nem beira, errante, distante do quê? O peito vazio, calado no sol de arder”. A segunda parte é um pouco mais convencional em suas soluções, mas manteve a qualidade. Um desempenho de ótimo nível da obra.

Parceria de Lico Monteiro: Wander Pires cantou o samba de Lico Monteiro, Telmo AG da Estiva, Marcelo Adnet, Marcelo Lepiane e Juca Gomes. Outra forte apresentação, com a categoria de Wander explorando a boa linha melódica da obra, como no trecho “É só rezar pra Santo Antônio ouvir, ô diacho, me esqueça, vou achar um cazuá, atender a simpatia pra Toinho descansar”. Outros momentos melódicos de destaque são o início da primeira parte e os versos finais “Chorar, chorei, toca o sino e vem a romaria, guardo no peito o amor de Rosário, meu coração se fez moradia”. A narrativa do enredo é bem feita e com criatividade. O refrão principal, “Eu digo amém, o milagre vai chegar, e muito além, faço o povo acreditar, sou nordestino que vai à luta, a missão será cumprida, Tijuca”, passou com força nas três passadas, e o samba se sustentou. No início da apresentação da parceria foram ouvidos fogos de artifício do lado de fora da quadra, algo proibido pelo regulamento da atual disputa, de acordo com o paragrafo VIII do documento.

Parceria de João Estevam: Igor Vianna foi a voz principal na apresentação da parceria de João Estevam, César Som Livre, Cigano e Odmar do Banjo. Foi uma boa apresentação, linear, mesmo sem um momento de maior ápice. A segunda parte tem melhores momentos em termos de letra, como nos versos “Seu pai pediu perdão, ele ouviu o coração, com Rosário se casou, se livrou da escuridão, crendo na libertação, de fé, amor e devoção”. O refrão principal, “Salve Santo Antônio, em louvação, na pura cadência do meu coração, em toda história, vale a pena sonhar, minha Tijuca vai te emocionar”, teve um rendimento correto. No geral, é um samba menos extenso, com uma melodia estruturada em poucas variações.

Parceria de Ian Ruas: Dowglas Diniz e Vitor Cunha conduziram o samba de Ian Ruas, Caio Miranda e José Carlos. Uma narrativa bastante poética e sentimental, como na primeira parte, onde são relatadas as mágoas e os medos de Samuel, em versos como “Delírios plantados em terra rachada, florescem num rastro de dor, será que a estrada esconde o segredo do amor, será que a estrada revela o segredo do amor?”. O refrão central, “Ê, batuque em terreiro de arraiá, gingado, balão, festim, panela de mungunzá, abre a roda que o cabra incorporou, cabeça do santo herdei, cabeça do santo sou”, une lirismo e um ritmo gostoso, muito funcional. O bonito refrão principal, “Em terra de fé, brotou o fruto da oração, traz viola, meu sinhô, a sanfona anunciou, tem festança no sertão (vem sambar no meu baião)”, fecha muito bem a obra, que teve um ótimo desempenho em todas as passadas.

Parceria de Rafa Hecht: Emerson Dias liderou o samba de Rafa Hecht, Schumacher Rocha Jr., Dudu Seixas e Kaleo Augustus. A melodia tem algumas variações bruscas, sobretudo na primeira parte, enquanto, na segunda, foi melhor resolvida e teve bons momentos, como nos versos “Quando a última vela, enfim, acendeu, no olhar do passado, se reconheceu”. A letra é bem construída e com boas sacadas, vide os versos “E no relicário, três santos vão alumiar, em credo e cruz, clareia o breu, na visagem, o tinhoso apareceu, vade retro, deixa o cabra caminhar, a miragem faz maré em seu olhar”. O refrão principal, “A Tijuca vai cantar, a poeira vai subir, rodeia a mim, meu Santo Antônio, rodeia, na minha fé, escolhi acreditar, o milagre mora na coragem de sonhar”, passou bem e animado. Uma apresentação inconstante, com alguns bons momentos.

Parceria de Dudu Nobre: O samba de Dudu Nobre, Totonho, Fadico, Júlio Alves e Kadu Gomes teve Tinga como voz principal. O intérprete comandou uma apresentação quente e estável nas três passadas. O refrão central é excelente, com os versos “Que som é esse que causa querência, pura cadência de se arriar, era Rosário nas mornas de dengo, era um quengo a desabafar (carcará)”. A letra, aliás, é bastante criativa e conta bem o enredo, em trechos como “Fé na bagagem, chama acesa, peregrino, de alembrar Jesus Menino, de fazer aperrear, a dor nos ombros, o assombro, cramulhão, despertar dignidade, caridade no sertão”. A segunda parte tem uma melodia mais lírica, casando bem com a redenção do personagem central do enredo. O refrão principal, “Se o mar virar sertão, vamos transbordar o amor, reerguer a nação que o Santo endireitou, Tijuca arretada é prece, é raiz, chama o povo do Nordeste pra salvar nosso país”, é forte e teve um bom rendimento.

Parceria de Samir Trindade: Evandro Malandro e Tem Tem Jr. defenderam o samba de Samir Trindade, Sandro Nery, Kleber Rodrigues, JP Figueira e Gilberth Castro. A segunda parte é excelente em sua narrativa, com trechos como “A mesma fé que uniu destinos me envergonhou, tão pequenino eu subi a pé, ai, meu Padim Ciço, o medo me encontrou, ao perdoar, me libertei, cabeça e corpo se abraçaram, revi Rosário, milagre em que acreditei”. A primeira parte traça um paralelo entre a familiaridade da história de Samuel e a de qualquer um de nós. O pré-refrão, “Ê, Santo Antônio, em teu colo a esperança, que é toda criança do sertão e do Borel, sou Tijuca, vai ter samba e ladainha, no terreiro ou na igrejinha, lá na Rua São Miguel”, terminando no bis “Rodeia, rodeia, rodeia, meu Santo Antônio, rodeia”, foi o ápice em termos de desempenho da obra. Melodicamente, o samba também é bem resolvido e teve uma apresentação redonda.

Parceria de Paulo César Feital: Pixulé comandou o samba da parceria de Paulo César Feital, Franco Cava, Zeca do Cavaco, Jorge Mathias e Rafa Cria. A primeira parte é um primor, com belíssimos versos. A obra já começa em alto nível: “Parido do barro do chão no sertão brasileiro, do ventre divino e ofendido de Mãe Marinha, por línguas cruéis e profanas, lá de Juazeiro, resolve que um dia ele há de cumprir sua sina”. O refrão central, “Em Caridade, disse o Senhor, não se esqueça, vá se hospedar na cabeça, nos pensamentos, nos sonhos, sirva teu povo, Samuel, se compadeça, cumpra, por Deus, as promessas da ordem de Santo Antônio”, explora a relação com a religiosidade após se tornar o proprietário da tal cabeça de Santo Antônio. A letra é toda muito bem amarrada e inteligente. Por sua vez, a linha melódica tem alguns momentos em que as variações não funcionam tanto e, no geral, ficou abaixo do alto nível da escrita, resultando em um desempenho irregular do samba durante as passadas, como no refrão principal “Santo Antônio, nos dai amor, São Francisco, abençoai, com a luz de Padim Ciço lá no céu, sou a Tijuca, cabeça e corpo do Borel”.

Parceria de Henrique Badá: Bico Doce e Tarobá defenderam o samba de Henrique Badá, Jailson Tarobá, Fernando Mesquita, Marcelo Oliveira e Dionísio. Um samba com melodia convencional, bem amarrada, mas sem um ápice. O refrão principal, “Abre o livro pra contar, Tijuca, a história do menino Samuel, e na quarta-feira ver comemorar a comunidade do Morro do Borel”, é animado, porém simplório em letra. O refrão central, “O sol quente a lhe causar delírios, devaneios da imaginação, o deserto virou mar, azulzinho, vixe Maria, vá de retro, cramunhão”, já se destaca mais em seus versos. O trecho final da segunda parte, “Se arrependeu, buscou redenção, a vela acendeu, cumpriu a missão, e o menino andarilho concedeu o seu perdão”, mostra uma melodia interessante. A apresentação foi regular.

Parceria de Márcio André: Nêgo, Leozinho Nunes e Thiago Britto cantaram a obra da parceria de Márcio André, Daniel Katar, Robson Bastos, Rômulo Massacessi e Gilson Bernini. O samba fechou bem a noite com uma boa apresentação. A melodia é bem interessante, com algumas variações envolventes, vistas em trechos como “Arrependido, com mainha na lembrança, subi o monte e paguei minha promessa, pro Padim Ciço e São Francisco eu rezei, fui perdoado, o pobre homem perdoei”. O refrão central, “Vixe Maria, nunca tinha visto isso, a cidade em rebuliço, um tremendo quiprocó, e quem diria, por assombro que pareça, tem um santo sem cabeça, era um fuxico só”, tem uma melodia deliciosa. O enredo é bem retratado, com destaque para o citado refrão e o trecho “Parti do Cariri, um descrente peregrino, sol a pino, chão rachado na poeira do destino, será miragem ou coisa do cramulhão, o sertão virou o mar e o mar virou sertão”. O refrão principal não causou impacto na apresentação e passou de forma mais morna.

Renato Lage destaca força de Tia Ciata e aposta em desfile do Tuiuti entre campeãs em 2027

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lage tuiuti
Foto: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Com o enredo dedicado à trajetória de Tia Ciata, figura fundamental para a cultura popular brasileira, o carnavalesco Renato Lage contou que recebeu o tema com sentimento de familiaridade e emoção. A proposta do Paraíso do Tuiuti no Carnaval 2027 vai mergulhar na história da Pequena África, nas transformações do Rio de Janeiro e no legado deixado pela matriarca que ajudou a manter o samba vivo em tempos de repressão. Renato destacou que Tia Ciata já apareceu em diferentes enredos ao longo da trajetória profissional, mas ressaltou que desta vez a homenagem ganhou protagonismo absoluto do início ao fim do desfile. O carnavalesco afirmou que falar sobre a história da sambista é também reverenciar a própria origem do carnaval carioca.

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Com longa experiência na Sapucaí, Renato Lage explicou que sempre manteve uma relação próxima com a figura de Tia Ciata em trabalhos anteriores e afirmou que o novo projeto do Tuiuti traz um forte sentimento de tradição e pertencimento.

“Me senti muito familiarizado quando soube do enredo, porque Tia Ciata sempre esteve presente na história do samba e também em outros trabalhos que desenvolvi ao longo da carreira. Mas agora ela aparece como protagonista do início ao fim. Acho fundamental falar sobre uma mulher que lutou pela sobrevivência do samba e teve um papel decisivo para tudo o que o samba representa hoje. Quem gosta de samba precisa conhecer essa história. O desfile está sendo construído com muito respeito, tradição e verdade”, afirmou.

O carnavalesco também elogiou o ambiente encontrado no Paraíso do Tuiuti e ressaltou a identificação com a escola. Segundo Renato, a agremiação vem construindo um caminho sólido dentro do Grupo Especial e demonstra organização para continuar crescendo nos próximos carnavais.

Durante a conversa, Renato comentou ainda sobre o modelo adotado pelo Tuiuti para a escolha do samba-enredo. A escola costuma trabalhar com sambas encomendados, estratégia que, na visão do carnavalesco, fortalece a conexão entre música e projeto visual. Sendo assim, as disputas atuais perderam parte da identidade tradicional das alas de compositores das escolas.

Ao analisar o cenário do carnaval moderno, o artista afirmou que o processo de composição ficou mais comercial e distante das características particulares de cada agremiação.

“Hoje existe uma estrutura em que muitos compositores fazem samba para várias escolas ao mesmo tempo. Acho muito difícil alguém conseguir criar diversas obras-primas dessa forma. Antigamente existia uma identidade muito forte nas alas de compositores. O samba nascia dentro da escola, com gente que conhecia a essência da comunidade. O Tuiuti tem sido inteligente ao buscar algo pensado diretamente para o projeto do desfile”, explicou.

Renato também relembrou os desafios da função de carnavalesco e comentou que o trabalho exige dedicação intensa durante todo o ano. Mesmo diante da pressão que envolve o carnaval, demonstrou confiança no caminho construído pelo Paraíso do Tuiuti para 2027.

Ao finalizar a entrevista, o carnavalesco revelou a expectativa de colocar a escola novamente entre as grandes protagonistas da Sapucaí.

“Espero apresentar um trabalho digno de desfile das campeãs. Existe uma equipe muito boa, experiente e comprometida. O Thor sempre buscou fortalecer a escola e colocar o Tuiuti em um caminho sólido dentro do carnaval. A escola está crescendo e caminhando da maneira certa”, concluiu.

Prêmio da campeã do Rio Carnaval 2027 voltará a render no Cofrinhos do Mercado Pago a 140% do CDI

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Foto: Eduardo Hollanda/Rio Carnaval

O Mercado Pago vai repetir no Rio Carnaval 2027, uma iniciativa que deu um impulso extra ao prêmio da escola campeã. Até a apuração das notas, o valor destinado à vencedora dos desfiles do Grupo Especial ficará aplicado com rendimento equivalente a 140% do CDI, em uma ação de marca inspirada no rendimento do produto Cofrinho*.

A iniciativa foi realizada pela primeira vez em 2026 e fez o prêmio crescer durante o período de aplicação. O valor final entregue à campeã chegou a R$ 3.772.860,38, sendo R$ 272.860,38 em rendimentos. Assim como na edição anterior, o montante será revelado ao vivo durante a apuração, transformando a expectativa pelo resultado em mais um momento especial da festa.

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Em sua estreia como patrocinador, em 2026, o Mercado Pago promoveu uma série de iniciativas voltadas à experiência do público e ao impacto positivo para quem vive o Carnaval durante todo o ano. Entre elas estiveram o Camarote Suspenso, estrutura instalada a 25 metros de altura com vista panorâmica para a Marquês de Sapucaí; uma ação inédita que fez o prêmio das campeãs do Rio Carnaval render 120% do CDI no Cofrinho do Mercado Pago até a apuração das notas; e um programa de educação financeira desenvolvido com comunidades ligadas às escolas de samba.

“A renovação dessa parceria reflete uma estratégia de longo prazo de aproximação com eventos culturais que mobilizam milhões de brasileiros. O Carnaval reúne entretenimento, economia criativa e impacto social, e queremos contribuir para fortalecer esse ecossistema ao mesmo tempo em que oferecemos experiências e benefícios relevantes aos nossos clientes. A pré-venda exclusiva é um exemplo de como transformamos o relacionamento com a marca em vantagens concretas para quem utiliza o Mercado Pago”, comenta Felipe Castaño, diretor de Growth & Marketing do Mercado Pago.

*Ação Carnaval Rio de Janeiro 2027 Campeãs – Rendimento equivalente a 140% nos Cofrinhos Mercado Pago: trata-se de expectativa de rendimento que será pago pelo Mercado Pago considerando o valor total do prêmio para as seis primeiras colocadas no Grupo Especial do Carnaval Rio de Janeiro 2026. Qualquer rendimento que exceda 100% do CDI é uma discricionariedade do Mercado Pago oferecida como cashback aos participantes dos programas de fidelidade do Mercado Pago. Os valores que serão efetivamente pagos às Escolas Campeãs a título de rendimento respeitarão o índice aplicável ao período até o seu efetivo pagamento, sendo uma expectativa de valor, não uma garantia. Os valores partem da simulação do valor mantido nos Cofrinhos Mercado Pago no período. Este rendimento será aplicável apenas para as Escolas Campeãs do Carnaval Rio de Janeiro 2027, através de ação pontual dos Cofrinhos Mercado Pago para este público restritivamente. Para os usuários Meli+ o rendimento de 120% do CDI possui o limite de R$ 10 mil, acima desse valor o rendimento permanece sendo equivalente a 100% do CDI, consulte regras em Termos e Condições de Contratação de Assinatura.