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Livres da culpa e do pecado: Baianas da Imperatriz giram em manifesto de resistência e liberdade

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Homenageado pela Imperatriz Leopoldinense, Ney Matogrosso construiu sua trajetória artística a partir da defesa radical da liberdade de ser. A ala 21, “Não existe pecado ao sul do Equador”, evocou a versão regravada pelo cantor para transformar a Marquês de Sapucaí em um espaço simbólico de vida sem culpa, medo ou julgamento.

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Baianas da Imperatriz. Fotos: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

A fantasia combinou referências ao pecado com cores vibrantes e exuberantes, criando contraste direto com a ideia de culpa. Em um cenário marcado pelo avanço do conservadorismo no país, os giros das matriarcas do samba surgiram como imagem de resistência do corpo feminino e libertação das amarras morais.

Edna Luz
Edna Luz, 58 anos, consultora de vendas. Fotos: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Consultora de vendas de 58 anos, Edna Luz desfilou pela primeira vez pela escola e destacou a alegria como forma de luta pela liberdade.

“Significa me libertar de tudo aquilo que a sociedade prega contra a mulher num momento tão difícil que nós vivemos. A mulher de 50+ pode não só desfilar, mas estudar, batalhar por algo a mais”, afirmou.

Deise Mendes
Deise Mendes, de 54 anos, cuidadora. Fotos: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Também estreante na agremiação, a cuidadora Deise Mendes, de 54 anos, relacionou a emoção do desfile à possibilidade de expressão sem julgamentos após meses de opressão cotidiana.

“O carnaval deixa a gente livre pra ser o que a gente quiser e representar isso. Esse enredo traz essa liberdade”, disse.

Maria Regina
Maria Regina, de 79 anos, costureira. Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Há 35 anos na Imperatriz, a costureira Maria Regina, de 79 anos, resumiu o sentido popular da festa ao falar da relação entre carnaval e alegria coletiva.

“Sem o carnaval o povo não tem uma diversão boa, uma alegria para sair. Não dá pra ficar sem carnaval, ele é a alegria do povo”, declarou.

Na Avenida, as baianas giraram como símbolos vivos de liberdade, fé e permanência, reafirmando o carnaval como território onde o corpo feminino deixa de pedir licença para simplesmente existir.

Portela alia emoção e tensão em desfile impactado por falhas estruturais

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A Portela adentrou a Marquês de Sapucaí em 2026 com a missão de desfazer a neblina do racismo e revelar a soberania do Príncipe Custódio e do Orixá Bará. O enredo “O Mistério do Príncipe do Bará, a Oração do Negrinho e a Ressurreição de sua Coroa sob o Céu Aberto do Rio Grande” prometia um resgate histórico da cultura afro-gaúcha através de uma fábula de libertação. No entanto, a Azul e Branco viveu uma jornada de contrastes: se, por um lado, a espiritualidade do Batuque emocionou o público; por outro, problemas técnicos severos na última alegoria e falhas de acabamento comprometeram a harmonia e a evolução da agremiação na busca pelo título.

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Foto: Allan Duffes/CARNAVALESCO

COMISSÃO DE FRENTE

A comissão de frente, assinada por Claudia Motta e Edifranc Alves, buscou traduzir o diálogo místico entre o Negrinho do Pastoreio e Bará. A apresentação foi competente e atingiu o seu ápice emocional ao exibir a imagem do saudoso Gilsinho no final, gerando comoção imediata. O uso de um drone foi classificado como “arrebatador”, embora a sua integração com o restante da coreografia tenha parecido, por vezes, avulsa. Apesar da competência dos bailarinos, o recurso de LED foi considerado pouco inovador para a sofisticação que o enredo permitia. Além disso, a leitura da cena não foi de fácil compreensão para o público geral, deixando a sensação de que havia margem para artifícios mais refinados.

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MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Marlon Lamar e Squel Jorgea foram o baluarte da segurança portelense. O casal fez uma exibição impecável nos três módulos de julgamento, apresentando o pavilhão com a autoridade de quem domina o riscado. Com um figurino imponente em tons de azul e cabeças prateadas adornadas por vasta plumagem, a dupla exibiu sincronia milimétrica, conexão no olhar e um bailado que uniu a elegância tradicional à força necessária para sustentar o pavilhão. A segurança de Marlon e a graciosidade de Squel garantiram uma apresentação coesa e técnica.

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HARMONIA E SAMBA

O samba-enredo teve em Zé Paulo Sierra um condutor vibrante, que manteve a escola pulsando e chamou o público para a celebração. A harmonia de chão começou forte. A bateria de Mestre Vitinho foi o motor rítmico, executando bossas de pura cadência: na primeira, saudou as arquibancadas dividindo-se entre os setores par e ímpar; na segunda, durante o refrão “vai ter xirê no toque do tambor”, os ritmistas agacharam-se e levantaram-se sob a regência de Vitinho, que comandou do meio da ala. O rendimento do canto, contudo, sofreu oscilações naturais nos momentos em que a escola ficou paralisada devido aos problemas técnicos.

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EVOLUÇÃO

A evolução foi o quesito mais castigado da noite. Após um início promissor, a Portela enfrentou uma crise no primeiro módulo com a quinta alegoria, que apresentou dificuldades técnicas extremas para entrar na pista, gerando um buraco imenso no início do desfile, porém não nos módulos de julgamento. A escola permaneceu parada por muito tempo, o que obrigou as alas seguintes a apertarem o passo nos módulos finais para não estourarem o tempo. A bateria, em um esforço de superação, ainda conseguiu se apresentar no último módulo.

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ALEGORIAS E FANTASIAS

O conjunto de fantasias apresentou boa volumetria e uma identidade visual clara, com riqueza de detalhes e materiais diversos. Um destaque para a ala ‘Xirê do Batuque, Assentando a Africanidade’, que contou com mais de 300 componentes vestindo fantasias com 10 cores diferentes; o destaque, porém, foram as luzes que piscavam nas asas e saias da indumentária. Contudo, o conjunto alegórico sofreu com problemas de finalização. O abre-alas desfilou com estrelas mal coladas e pontos de ausência de adereços. Na segunda ala após o carro da água, pedaços de fantasias foram vistos cair na pista.

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Foto: Allan Duffes/CARNAVALESCO

A maior decepção visual ocorreu na alegoria “República Batuque Riograndense”. Segundo o livro abre-alas, a cabeça do Bará deveria surgir imponente no topo; na prática, a escultura apareceu afundada no carro, impossibilitando a visão correta da sua estrutura e deixando apenas a turba em evidência. Além disso, registraram-se elementos no meio de alegorias que permaneceram na madeira crua, sem qualquer adereço ou revestimento, expondo uma fragilidade de acabamento inesperada para a Majestade do Samba.

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OUTROS DESTAQUES

Apesar das adversidades técnicas, a Portela honrou a sua história ao trazer figuras como a matriarca Tia Surica e o veterano Nil de Iemanjá no último carro. A presença de Vilma Nascimento, o “Cisne da Passarela”, homenageando a lendária porta-estandarte gaúcha Onira Pereira, foi um momento de reverência mútua entre as tradições do Rio e do Sul. A escola terminou o seu desfile dentro do tempo, com a alma lavada pela espiritualidade do enredo, mas com a consciência de que os erros de bastidor podem custar na apuração.

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Comissão emocionante e samba erudito são destaques do desfile da Dom Bosco de Itaquera

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A Dom Bosco de Itaquera foi, no último domingo, a sétima escola a desfilar pelo Grupo de Acesso I do Carnaval de São Paulo em 2026. Com o enredo “Mariama: Mãe de todas as raças, de todas as cores. Mãe de todos os cantos da Terra”, assinado por Fábio Gouveia, a Escola do Padre se destacou no Anhembi pela excelente comissão de frente e pelo andamento seguro do samba. Os portões da Passarela do Samba foram fechados após 59 minutos de cortejo.

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Em uma noite de desfiles bastante disputada, a Dom Bosco demonstrou valentia e apresentou um conjunto de alto nível. Foi, certamente, a melhor plástica apresentada pela comunidade itaquerense desde sua chegada ao Grupo de Acesso I, aliada à força de quesitos tradicionalmente decisivos na apuração. Alguns problemas pontuais podem dificultar as pretensões da escola, mas é possível afirmar que a agremiação segue viva na busca por uma vaga na elite da folia paulistana.

COMISSÃO DE FRENTE

Coreografada por Luana Poletti, a comissão de frente da Dom Bosco apresentou “Mariama, o Auto da Fé”. O quesito retratou o milagre atribuído à santa, no qual o escravizado Zacarias, ao sentir a presença de Mariama e clamar “Olhei pro céu e vi o teu rosto”, tem suas correntes quebradas.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

O grupo contou com um elemento alegórico simbolizando um altar, no topo do qual surgia a personagem caracterizada como a santa. A coreografia foi comovente, e o ator que interpretou Zacarias demonstrou grande intensidade ao representar a dor e o momento de sua libertação. A escola conseguiu emocionar o Anhembi com uma das comissões de frente mais impactantes do ano.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O primeiro casal da Dom Bosco, formado por Leonardo Henrique e Mariana Barbosa, apresentou-se com fantasias representando a “Profecia da Libertação”. Em todos os módulos observados, a dupla cumpriu as obrigatoriedades com correção e elegância, dentro de uma coreografia bem ajustada ao andamento do samba.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

ENREDO

Mariama: Mãe de todas as raças, de todas as cores. Mãe de todos os cantos da Terra é um desfile que abordou a figura de Nossa Senhora Aparecida sob a ótica dos pretos católicos, a partir do relato do milagre de Zacarias. Na Avenida, a leitura da sinopse foi bem traduzida pela letra do samba e pelo conjunto visual apresentado, conferindo forte impacto cultural à proposta da escola.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

ALEGORIAS

A Dom Bosco apresentou um conjunto formado por três carros alegóricos e dois quadripés. São eles: o primeiro quadripé, “Revoada da anunciação”, que funcionou como portal de abertura do desfile; o Abre-alas, “Prece do Milagre de Zacarias”; o Carro 2, “Missa dos Quilombos, um novo Palmares se levanta”; o segundo quadripé, “Folias da fé”; e, por fim, o Carro 3, “Altar do Samba – Festas, fé e devoção”, que materializou um grande altar popular.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

O conjunto contribuiu positivamente para a narrativa do enredo. No entanto, alguns efeitos não funcionaram corretamente, como a água que deveria jorrar de um jarro erguido por um anjo no Abre-alas, que foi interrompida durante o desfile. Problemas pontuais de acabamento também podem resultar em descontos nas notas do quesito.

FANTASIAS

As fantasias da Dom Bosco traduziram corretamente os três setores da narrativa proposta. As vestimentas eram volumosas e, no geral, permitiram que os componentes brincassem o Carnaval com conforto. Contudo, problemas nos adereços de cabeça da Ala 7 e na parte frontal da Ala 8, por ação justificada, podem ter sido registrados pelos jurados.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

HARMONIA

A comunidade de Itaquera foi feliz na missão de defender seu pavilhão no Anhembi. A qualidade do samba favoreceu o canto dos componentes ao longo de toda a Avenida, mantendo o andamento firme do início ao fim do cortejo.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

EVOLUÇÃO

Apesar de um início mais lento, a Dom Bosco conseguiu manter o andamento controlado durante boa parte do desfile. O recuo da bateria foi bem executado, com o apoio eficiente da corte, evitando a formação de grandes espaços vazios. Na parte final, a escola precisou acelerar o ritmo, mas não foram observadas falhas graves no conjunto do quesito.

SAMBA-ENREDO

O samba da Dom Bosco foi assinado por Gui Cruz, Darlan Alves, Portuga, Imperial, Douglas Chocolate, Marcos Mala, Luciano Rosa, Gabriel, Reinaldo Marques e Willian Tadeu, e defendido na Avenida pelo intérprete Rodrigo Xará. Considerado por parte da comunidade carnavalesca como uma das melhores obras do Grupo de Acesso I em 2026, teve desempenho elevado no desfile.

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

Os versos foram facilmente percebidos no conjunto visual, e o carro de som manteve um bom andamento durante todo o cortejo, enriquecendo o espetáculo apresentado pela Escola do Padre no Sambódromo do Anhembi.

OUTROS DESTAQUES

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Foto: Woody Henrique/Felipe Araujo – Liga SP

A bateria “Gloriosa”, comandada por mestre Bola, foi um dos pontos altos do desfile. Soube explorar bem as bossas sugeridas pelo samba e ainda arriscou apagões pontuais. A corte de bateria — formada pela Rainha Mayra Barbosa, a Madrinha Mariana Mello e o Passista de Ouro Tomaz Claudino — teve atuação importante no processo de recuo, demonstrando entrosamento e comprometimento com a comunidade da Dom Bosco de Itaquera.

Marcelo Freixo fala da emoção de desfilar na Mangueira e celebrar Mestre Sacaca: ‘O Carnaval ajuda a conhecer melhor nossa terra’

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Pouco antes de entrar na Avenida para desfilar na Mangueira, o presidente da Embratur, Marcelo Freixo, comentou a emoção de desfilar mais uma vez na Verde e Rosa. Neste ano, a agremiação traz um enredo em homenagem ao curandeiro amapaense Mestre Sacaca.

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Freixo pouco antes do desfile da Mangueira
FOTO: Carolina Freitas/CARNAVALESCO

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Além de torcedor, o político reafirma a participação no dia a dia da escola de samba.
“Além de desfilar, eu ajudo sempre a construir a escola, vou na quadra, vou ao barracão. Sou uma pessoa presente o ano inteiro na Mangueira. Quando chega esse momento, é muito rico, porque você reencontra as pessoas queridas em cada fantasia, em cada ala, em cada trabalho. É um momento de muita felicidade, mas também de apreensão, porque a gente quer que o desfile dê certo”, afirmou.

Ele fez questão de reconhecer o esforço manual por trás do brilho da passarela, exaltando os profissionais que fazem a festa acontecer.
Freixo também destacou o trabalho de quem atua nos bastidores e é uma peça fundamental na construção do Carnaval.

“Quando você olha para um carro alegórico tão monumental sabe que cada folha, cada botão, cada lantejoula foi colado por alguém manualmente, com amor, com afeto, com a vida. Tem muita história em cada coisa que brilha na Avenida. E tem muita gente que brilha nessa hora, que queríamos que brilhasse sempre, porque são pessoas incríveis”, pontuou.

Freixo ainda contou que acompanhou de perto o processo de construção do enredo do Mestre Sacaca, e dividiu com o CARNAVALESCO como foi conhecer a família do homenageado.

“Eu fui ao Amapá. Encontrei a família do Mestre Sacaca, fui ao museu dele. Fui ver de perto essa história da Amazônia Negra e participei desde o início do debate da construção do enredo. É uma história linda, de uma região que o resto do Brasil conhece pouco”, revelou Freixo.

O político também defendeu mais incentivo ao Carnaval: “O Carnaval é um negócio muito importante. Por isso tem que ter incentivo, patrocínio, investimento, para que seja essa festa que traz tanta coisa boa para o Brasil, que é um país muito grande, que ainda se conhece pouco. O Carnaval ajuda as pessoas a conhecer melhor essa nossa terra”, concluiu, pouco antes de cruzar a Avenida.

Mangueira 2026: galeria de fotos do desfile

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Velha Guarda da Mangueira finaliza desfile reafirmando a tradição da comunidade: ‘Ser Mangueira não é só vir na Avenida’

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A Estação Primeira de Mangueira homenageou, neste domingo, o curandeiro e líder comunitário do Amapá, Mestre Sacacá. A Velha-Guarda finalizou o desfile com a presença do Xamã Babalaô, para finalizar o ciclo espiritual iniciado no começo do desfile. O legado da velha guarda se conecta com o legado do homenageado, uma vez que ambos carregam vivências, saberes e aprendizados que formaram uma tradição. Enquanto Mestre Sacacá foi um guardião de uma medicina alternativa, a Velha Guarda é guardiã da cultura popular.

Velha guarda da Mangueira
Velha guarda da Mangueira
FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Luquinha da Mangueira de 63 anos
Luquinha da Mangueira, de 63 anos
FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

O filho do fundador da Velha Guarda da Mangueira e atual presidente da ala, Luquinha da Mangueira, de 63 anos, aposentado, desfila pela agremiação há 51 anos e contou que a ala surgiu porque, apesar de não terem mais condições físicas de auxiliar no trabalho pesado da escola, o amor pela escola se mantia e a necessidade de continuar ajudando também, dessa forma, criá-la foi a solução.

“Ser Mangueira é diferente, é a maior escola de samba do planeta. Somos nascidos e criados na comunidade. Eu nasci e me criei dentro da Mangueira, e tudo que eu tenho hoje eu devo à escola, aos projetos sociais, à Tia Neuma e Tia Zica”, contou Luquinha.

Maria Emilia Fernandes de 77 anos
Maria Emília Fernandes, de 77 anos
FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Maria Emília Fernandes, de 77 anos, desfila na agremiação há 12 anos. Segundo ela, é a mais “recente” na escola. Maria conta que se sente orgulhosa por participar da velha guarda, principalmente por fazer aniversário no mesmo mês que a agremiação comemora a data de fundação.

“A Velha Guarda é o passado e o presente. A gente tem que passar nossa mensagem pros jovens de modos, elegância e educação”, destacou Maria Emília.

Celso Luiz de 75 anos
Celso Luiz, de 75 anos
FOTO: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

O eletricista aposentado, Celso Luiz, de 75 anos, desfila na agremiação há 57 anos. Ele contou que seu maior aprendizado na Mangueira foi o amor. Esse sentimento inspirou um projeto social na comunidade, o “Papo de Roda”, onde seu grupo de amigos, com a presença de uma psicóloga, fez um espaço seguro para dialogar com os jovens moradores da periferia com intuito de passar esse amor adiante.

“A gente ama a escola e procura passar para os nossos sucessores o que é ser Mangueira. Ser Mangueira não é só vir na Avenida, vestir uma fantasia e defender a bandeira. Ser Mangueira é se preocupar até com as ações sociais da comunidade, onde a gente consegue resgatar alguns jovens que estão no fio da navalha para vir para o lado certo da coisa”, declarou Celso.

Águia altaneira transforma desfile da Portela em coroação simbólica na Sapucaí

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A Portela foi a terceira escola a desfilar neste domingo e levou para a Marquês de Sapucaí o enredo “O mistério do príncipe do Bará, a oração do Negrinho e a ressurreição da sua coroa sobre o céu do Rio Grande”, desenvolvido pelo carnavalesco André Rodrigues. Exaltando a ancestralidade negra no Sul do Brasil, a azul e branco de Madureira transformou sua Águia, símbolo maior da escola, em um elemento central da narrativa, em associação à figura do Príncipe Custódio, liderança religiosa do Batuque gaúcho. Após as críticas recebidas em 2025, a escola voltou a colocar sua ave altaneira no centro do debate e, sobretudo, do coração da comunidade.

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Neste ano, a Águia surgiu imponente, com plumagem em tons intensos de azul e prata, detalhes dourados remetendo à coroa ressuscitada no enredo e olhos iluminados que pareciam vigiar a avenida do alto. As asas se abriam em movimento amplo, como se abraçassem a Sapucaí, enquanto elementos que remetiam ao Batuque e à realeza negra adornavam sua estrutura, transformando o símbolo em verdadeiro altar sobre rodas. No topo, a composição evocava a ideia de trono sagrado, fundindo religiosidade, história e identidade portelense em uma única imagem.

Para entender o impacto emocional da Águia junto à comunidade, o CARNAVALESCO conversou com três componentes da escola: Liamara Barbosa, de 44 anos, contadora e há quatro anos desfilando na Portela; Bárbara Trindade, de 28 anos, secretária da quadra, completando um ano de dedicação à escola; e Luiz Oliveira, de 55 anos, consultor de vendas, portelense desde 1994.

A Águia como trono sagrado do Príncipe Custódio

Ao serem questionados se a Águia deixava de ser apenas símbolo para se tornar trono do Príncipe Custódio, os três entrevistados foram unânimes ao reconhecer a força simbólica do momento.

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“Sim, com certeza. E eu sinto que essa mudança não acontece apenas hoje, no dia do desfile, mas vem desde o momento da escolha do enredo. A partir do instante em que o tema foi definido, a Águia transcendeu o papel de símbolo da Portela para se tornar o grande símbolo da avenida e de Madureira. Ela vem reinando, abrindo todos os caminhos da Sapucaí para que o nosso desfile seja impecável”, afirmou.

Bárbara Trindade também associou a nova leitura da Águia ao processo de renovação vivido pela escola. “Com certeza. A Portela está vindo com tudo este ano, apresentando um trabalho lindíssimo. Eu sinto que a escola está passando por um verdadeiro processo de renovação, e essa mudança na simbologia da Águia faz parte disso. É algo muito positivo que fortalece ainda mais a nossa identidade”, disse.

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Para Luiz Oliveira, a identificação é ainda mais profunda. “Com certeza. A Águia é o príncipe, é o rei da nossa Majestade do Samba. Ela é o nosso símbolo maior, a nossa representação máxima. É algo tão forte que fica até difícil explicar em palavras o que ela representa para nós”, concluiu.

A coroação da comunidade portelense

A sensação de ser coroado pela Águia ao entrar na avenida também marcou os depoimentos. A imagem da ave pairando sobre os componentes foi descrita como um rito de passagem antes do desfile.

“É uma sensação indescritível. A Águia paira sobre cada um de nós, componentes, trazendo muito axé e uma energia renovadora. Ela tem o poder de transformar a nossa comunidade nessa verdadeira nação portelense que todos veem. É como se ela nos ungisse com essa força antes de pisarmos na avenida”, afirmou Liamara.

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Já Bárbara reforçou o simbolismo do voo como metáfora de superação. “A Águia representa o voo alto. E o voo alto é exatamente o lugar onde todos nós queremos estar; é a nossa busca constante pelo topo e pela excelência. Ela nos inspira a crescer e a dar o nosso melhor na avenida”, disse.

Luiz, por sua vez, destacou que esse sentimento faz parte da identidade da escola. “Sem dúvida nenhuma. Esse sentimento está enraizado no nosso coração e na nossa alma; está no sangue de cada componente. A presença dela nos motiva e nos dá a força necessária para entrar na avenida com tudo”, concluiu.

Axé, fundamento e caminhos abertos na Sapucaí

Se em 2025 a Águia foi alvo de críticas, em 2026 ela voltou carregada de axé e fundamento religioso, como apontam os componentes.

“Muito, muito mesmo. Ela tem que ajudar e, na verdade, já vem fazendo isso desde o início, como mencionei sobre a escolha do samba. Agora, o que estamos vendo aqui é o momento de concretizar todo esse trabalho e essa espiritualidade. A Águia vem para coroar esse axé e nos guiar rumo à vitória”, afirmou Liamara.

Bárbara também apostou na força espiritual do desfile. “Sem dúvida. A Portela vem carregada no dendê, com uma força e uma vontade de vencer muito grandes. Estamos vindo com muito axé, como sempre, e espero que essa energia nos acompanhe do início ao fim. Que seja um desfile abençoado e marcante para todos nós”, disse.

Para Luiz, o momento da escola reforça a confiança na busca pelo título. “Com toda essa reestruturação e as mudanças na diretoria, a Portela atingiu um outro patamar, um nível de excelência muito alto. A pegada está diferente e a energia da comunidade está lá em cima. Tenho plena convicção de que este ano estamos vindo fortes em busca do nosso 23º título, com a nossa Águia abrindo todos os caminhos para a gente na Sapucaí”, concluiu.

Portela ergue a corte do Príncipe Custódio em alegoria imponente no primeiro dia do Especial

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A terceira escola a desfilar no primeiro dia do Grupo Especial do Rio em 2026, a Portela levou para a Avenida o enredo “O Mistério do Príncipe do Bará”, mergulhando na trajetória do Príncipe Custódio. No recorte apresentado pelo segundo carro alegórico, a escola apostou na imponência do palácio e na força simbólica da corte para traduzir a altivez de um nobre africano que atravessou o Atlântico e fincou história no Brasil. No alto da alegoria, destaques sustentavam a narrativa com postura, figurino e interpretação que conversavam diretamente com o enredo.

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O carro que representava a corte de Custódio evocava o antigo reino do Benin com a presença do professor Valter Costa, de 65 anos, no alto da segunda alegoria. Valter assumiu o papel com entrega e consciência do que representava. Ao falar sobre a preparação para transmitir a altivez do Príncipe Custódio, ele destacou que
houve cuidado físico e ensaios intensos para atravessar a Marquês de Sapucaí com firmeza.

“Eu me cuidei muito, ensaiei, fiz um preparo com muita água de coco, para poder passar e passar bem na Avenida”, revelando os bastidores.

A fantasia luxuosa, repleta de aplicações e pedrarias, era parte fundamental dessa construção. Segundo Valter, o peso do figurino não foi encarado como obstáculo, mas como aliado na composição da postura.

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“Minha fantasia é luxuosa, mas acredito que o peso e o luxo vão se unir, o famoso útil ao agradável”, afirmou, explicando que a própria estrutura da roupa ajuda a sustentar a imponência exigida pelo personagem.

Na posição de destaque, cada passo precisava ser seguro e cada gesto teatralizado com imponência e confiança.

“Ninguém pode deixar de notar as pedrarias e a performance da figura representada”, ressaltou.

O carro era símbolo de resistência, memória e nobreza africana recriadas pela agremiação.

Portal verde e rosa: ala inaugural da Estação Primeira de Mangueira transforma a Sapucaí em território sagrado

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A Ala 01 transformou a Avenida em território espiritual ao celebrar o Turé, ritual indígena praticado por povos originários do extremo norte do Brasil. A cerimônia, marcada pela gratidão aos seres do Outro Mundo, guia simbolicamente o reencontro do Xamã Babalaô com sua Amazônia Negra.

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Componentes da ala
Componentes da ala
FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Com cinco fantasias distintas formando um grande mosaico social e espiritual, a ala inaugural funcionava como rito de passagem. Mais do que um setor coreográfico, é um chamado: um convite para que público e componentes atravessem juntos a fronteira entre mundos do cotidiano ao sagrado, do material ao ancestral.

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Matheus Camelo, de 30 anos
FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Matheus Camelo, de 30 anos, analista financeiro e estreante na Mangueira, descreve o momento como transformação pessoal e coletiva.

“Muita emoção ser o primeiro ano na escola e já estar na primeira ala. Sinto que abri meus caminhos. A responsabilidade era grande para dar gás na avenida e deu certo. A primeira ala precisa entrar bem e trazer a torcida com a gente. Se a gente entra para baixo, a arquibancada sente. Hoje eu agradeço à Mangueira por tudo que ela ensina ao povo. O próprio enredo é algo que muita gente ainda não conhecia”, comenta.

Julia Santana de 24 anos
Julia Santana, de 24 anos
FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Para Julia Santana, de 24 anos, analista de pesquisa de mercado e estreante na agremiação, o Turé se conecta diretamente à identidade mangueirense.

“É muito emocionante ser a primeira ala da Mangueira porque eu sou mangueirense. Mostramos na avenida para o que viemos e o nosso chão firme. Nosso principal ritual é olhar para todos os ancestrais. O enredo do Amapá, da Amazônia Negra, trouxe essa mistura presente na avenida”, diz.

Rosilene Souza Batista de 53 anos
Rosilene Souza Batista, de 53 anos
FOTO: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

Já Rosilene Souza Batista, de 53 anos, doméstica e estreante na verde e rosa, reforça o sentimento coletivo da comunidade: “A emoção domina meu corpo, seja em qualquer ala dessa escola. Nossa comunidade merece o título, merece respeito. Falar do Amapá no Rio de Janeiro é mostrar que o Brasil vai muito além do Sudeste”.

Pampa Negro ecoa na Sapucaí e Portela reconta a história do Sul sob a ótica da ancestralidade

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A Portela foi a terceira escola a desfilar neste domingo e apresentou o enredo “O mistério do príncipe do Bará, a oração do Negrinho e a ressurreição da sua coroa sobre o céu do Rio Grande”, desenvolvido pelo carnavalesco André Rodrigues. Na Avenida, a azul e branco de Madureira exaltou a ancestralidade negra no Sul do Brasil, colocando no centro da narrativa a trajetória do Príncipe Custódio e a força do Batuque gaúcho. Ao propor um “Pampa Negro”, a escola rompeu o imaginário do gaúcho exclusivamente europeu e reposicionou o Rio Grande do Sul como território também marcado pela presença e resistência preta.

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Para falar sobre essa ressignificação, a reportagem conversou com três componentes: Wallace Costa, 37 anos, estudante, estreante na escola e integrante da ala Lanceiros Negros; Mirela Rocha, 42 anos, professora da UFRJ, portelense desde a infância e também estreante na Avenida; e Vander Anacleto, 43 anos, bancário gaúcho que fez seu primeiro desfile pela azul e branco.

O enredo mudou a visão sobre o Sul do Brasil?

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Wallace Costa afirmou que foi o enredo que despertou sua paixão pela Portela.

“Ver a nossa história preta sendo contada de uma forma que nunca foi contada mexeu comigo. Eu desfilo na ala Lanceiros Negros e não conhecia a fundo essa história. Fiquei muito emocionado e orgulhoso de fazer parte dessa ala, conhecendo a trajetória dos Lanceiros Negros que foram enganados. Eles tinham a promessa de serem libertos da escravidão, caso vencessem uma guerra onde usaram lanças contra armas. Venceram e a promessa não se cumpriu. Vir nessa ala me faz viver um momento histórico”, declarou.

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Mirela Rocha, nascida no extremo sul de Santa Catarina, em uma cidade de forte cultura gaúcha, destacou que cresceu em meio a uma narrativa embranquecida. “É uma história muito branca, uma história que foi apagada. Eu sou devota do Negrinho do Pastoreio desde criança, algo que minha avó me ensinou. Quando o enredo traz o Príncipe Custódio com o Batuque e o Negrinho recontando essa história, coroando o Príncipe Custódio e o Bará, vejo como uma reinvenção da narrativa preta no Rio Grande do Sul. É recuperação de memória, mas também reinvenção”, afirmou.

Ela ressaltou ainda a potência simbólica do personagem. “O Negrinho do Pastoreio é uma criança escravizada que permanece na memória popular. A Portela o coloca em um lugar de potência. É isso que o Carnaval faz: reconta a história desde um lugar de força”, disse.

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Vander Anacleto explicou que, por ser gaúcho, sempre soube da presença negra no estado. “Eu já tenho vivência de que lá existe o povo preto além dos imigrantes. Para mim, não muda a visão, e é justamente por isso que vim desfilar na Portela, para enaltecer o povo preto do Rio Grande do Sul”, afirmou.

Qual a importância de a maior campeã contar essa história?

Para Wallace Costa, o protagonismo da Portela amplia o alcance da mensagem. “É extremamente importante mostrar a nossa história, a história que não é contada. O nosso povo é muito apagado nesse estado. Dizer que nós fizemos parte da construção daquele território e que o estado também é preto é fundamental”, afirmou.

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Mirela Rocha destacou a relevância religiosa e cultural do tema. “Existe uma história que ainda não foi contada em relação ao Batuque. Proporcionalmente, o Rio Grande do Sul é o estado que mais tem terreiros de matrizes africanas no Brasil. O Batuque é uma tradição muito própria desse território, muito importante e pouco estudada. Trazer isso para a Avenida é fundamental”, disse.

A professora também chamou atenção para o simbolismo de sua ala. “Eu vou desfilar na ala Orixás. Vamos representar um xerê de Batuque na Avenida, de pés descalços. Isso evoca ancestralidade e permite que o Brasil conheça, pela Portela, uma tradição essencial”, concluiu.

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Vander Anacleto reforçou o peso simbólico da escola. “É de muita importância porque traz visibilidade ao povo preto gaúcho. Ter a maior campeã do Carnaval do Rio de Janeiro apresentando esse samba com essa potência amplia essa narrativa”, afirmou.

Você já conhecia o Príncipe Custódio? O que mais impressiona em sua história?

Wallace Costa contou que conheceu a trajetória a partir do enredo. “Eu não conhecia a fundo a história. Quando li o enredo, fiquei apaixonado. A junção com o Negrinho do Pastoreio me tocou muito. Isso me fez querer mostrar a minha cara e fazer parte de tudo isso”, disse.

Mirela Rocha ressaltou a importância histórica do líder religioso. “O Batuque e as expressões afro-gaúchas já existiam antes dele, mas o Príncipe Custódio populariza essa religiosidade entre a classe média e a burguesia gaúcha, que passam a procurá-lo. Ele tira essa prática do lugar exclusivo da criminalização. Essa é uma importância gigantesca”, afirmou.

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Ela também se emocionou ao falar da dimensão simbólica do enredo. “A lenda do Negrinho do Pastoreio sempre me tocou. Um dia sonhei que, no enredo da Portela, ele vinha montado na águia, e não no cavalo. O Carnaval não apenas ensina o que não sabemos, mas reconta a história de outro jeito. Trazer essa narrativa de uma nova forma é o que é realmente fundamental”, concluiu.

Vander Anacleto destacou a postura do Príncipe Custódio em um contexto adverso. “No tempo em que ele viveu, já conseguia afirmar sua negritude, manter o terreiro e o Batuque. Se hoje já é difícil, naquela época era muito mais. Isso nos dá ainda mais orgulho”, afirmou.