Início Site Página 4

‘Nenhuma escola contaria esse enredo como a Vila Isabel’, diz presidente sobre ‘Torto Arado’

0
luizguimaraes vila
Foto: Marcos Marinho/CARNAVALESCO

A Unidos de Vila Isabel apresentou, na noite da última quarta-feira, a sinopse do enredo “Torto Arado: sobre a terra há de viver sempre o mais forte”, assinado pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora e pelo pesquisador Vinícius Natal. Adaptação do aclamado livro do escritor baiano Itamar Vieira Júnior, o projeto levará para a Marquês de Sapucaí a resistência quilombola e a tradição religiosa do Jarê. O presidente Luiz Guimarães não escondeu o entusiasmo: a proposta foi apresentada, e ele a abraçou de imediato.

“É um grande livro, com uma grande história, que tem tudo a ver com a Vila Isabel. Nenhuma outra escola poderia contar esse enredo como a Vila, como já fizemos em outros carnavais”, afirmou Guimarães.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

A conexão entre a narrativa de Itamar e a identidade da escola foi, segundo ele, se tornando ainda mais evidente ao longo do processo de imersão na pesquisa. “Fiquei encantado. Essa sinergia já vem desde o início. Foi uma conexão que potencializou essa sinopse tão rica, e tenho certeza de que faremos um grande carnaval”, disse.

Vila Isabel, 2027: leia a sinopse do enredo

Dia de desfile não muda os planos

Com o enredo já definido antes mesmo do sorteio da ordem dos desfiles, realizado em abril, a posição do dia na grade de competição passou a ser fator secundário para a direção da escola. A Vila Isabel vai desfilar como última escola no domingo de carnaval, dia que, historicamente, não é o preferido entre as agremiações. Para Guimarães, porém, o assunto está encerrado antes de começar.

“O dia de desfile é indiferente à nossa escolha de enredo. Já estávamos com isso bem desenhado”, disse o presidente.

Disputa de samba enxuta e respeitosa

A disputa de samba-enredo de 2027 também já tem formato definido. A Vila Isabel optou por uma competição mais compacta, com previsão de duração entre três e quatro semanas. O calendário foi pensado para atender à agenda dos compositores e amortizar o impacto financeiro que disputas longas costumam gerar.

“Será uma disputa muito forte, mais um ano de grandes obras. Uma disputa bem simples para otimizar o tempo e o financeiro dos compositores. Procuramos pensar em todos os lados. As portas do barracão da Vila Isabel vão estar sempre abertas para que todas as parcerias possam conversar conosco. É um ambiente acolhedor, e a gente sempre trata todo mundo com o maior respeito”, afirmou.

Evento na Chapada Diamantina?

Quem acompanhou o lançamento do enredo de 2026, quando a Vila Isabel levou o público à Pedra do Sal, reduto histórico do homenageado Heitor dos Prazeres, e depois retornou ao espaço para a final do samba, sabe que a escola sabe criar experiências fora da quadra. O sucesso daquelas duas edições acendeu uma pergunta natural: a Vila vai repetir o formato para “Torto Arado”?

Luiz Guimarães não fechou a porta. “Quem sabe a gente não faça, ainda nesse processo deste ano, um evento lá na Chapada”, disse, sinalizando que a possibilidade está sendo avaliada. A confirmação, por ora, fica para os próximos capítulos.

Acervo virtual da Mangueira fortalece a memória de mulheres históricas da escola

acervo mangueira
Foto: Divulgação/Acervo Mangueira

A Estação Primeira de Mangueira disponibiliza, em seu site oficial, o Acervo Virtual da Mangueira, uma plataforma digital criada com o objetivo de preservar, organizar e difundir a trajetória de uma das mais tradicionais escolas de samba do Brasil. A iniciativa reafirma o compromisso da agremiação com a valorização de sua história e, sobretudo, com o reconhecimento do papel fundamental das mulheres, em sua maioria negras, que ajudaram a construir, e seguem construindo, a identidade, a resistência e a grandeza da Escola ao longo das décadas.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

Dentro desse espaço, a coleção Ancestralidade Matriarcal reúne imagens raras e registros simbólicos de mulheres que evidenciam o protagonismo feminino que atravessa gerações na Mangueira. Mais do que um resgate histórico, o projeto se consolida como um instrumento de valorização da ancestralidade, dando visibilidade a trajetórias que, por muito tempo, foram invisibilizadas.

“Ao destacar essas narrativas, o acervo contribui para o fortalecimento da memória coletiva e para o reconhecimento da centralidade das mulheres na cultura do samba. Preservar a memória dessas mulheres é reconhecer que a história da Mangueira foi, e continua sendo, escrita por mãos femininas que sustentam, inspiram e transformam a nossa comunidade”, celebra Guanayra Firmino, presidenta da Escola.

Contando com a colaboração de pesquisadores do Departamento de História da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, o acervo amplia o acesso público a conteúdos históricos da agremiação com registros raros, como a celebração do aniversário de 70 anos de Dona Zica, publicado pela Rede Globo, em 1983.

Com acesso gratuito, o espaço reúne centenas de itens digitalizados, entre fotografias, vídeos, documentos, áudios e registros de memória oral, que percorrem diferentes períodos da história da escola, fundada em 1928. O material permite ao público conhecer de perto fantasias icônicas, instrumentos musicais, troféus, enredos e momentos marcantes dos desfiles, além de projetos sociais e atividades que integram o cotidiano da Mangueira.

“Aqui temos fragmentos que nos ajudam a contar e celebrar um legado de quase um século de resistência. A Mangueira perpetua a sua trajetória de criatividade, pioneirismo e de identidade afro-brasileira, colocando-se enquanto uma referência para todos aqueles interessados e pertencentes à cultura brasileira”, afirma Guanayra Firmino.

Além de preservar a memória, o projeto tem potencial educativo e de pesquisa, servindo como fonte para estudantes, pesquisadores e interessados na cultura afro-brasileira e na história do carnaval. A digitalização do acervo também contribui para a democratização do acesso à informação, especialmente para públicos que historicamente enfrentam barreiras no acesso a bens culturais.

O Acervo Virtual da Mangueira segue em constante atualização, com a inclusão de novos conteúdos e a possibilidade de ampliação das coleções ao longo do tempo. “O acervo reforça a Mangueira como território de cultura, memória e produção de conhecimento. E segue em constante construção, crescendo com o tempo e com a contribuição de todos”, completa Guanayra.

A iniciativa ganha ainda mais relevância no ano em que a escola celebrou 98 anos de história, reafirmando seu papel não apenas como protagonista do carnaval carioca, mas como guardiã da memória e da identidade cultural brasileira.

Passista da Viradouro e da Porto da Pedra leva cozinha afetiva de favela a reality da Globo

0
arireality
Foto: Estevam Avellar/Divulgação TV Globo

A passista da Unidos do Viradouro e da Unidos do Porto da Pedra, Arianna Marçal, a Ari, é uma das participantes de Cozinha de Favela: Prontos para Brilhar, docu-reality que estreia no dia 23 de maio, na TV Globo Rio, com exibição também pelo Globoplay. Moradora do Morro do Girassol, em Colubandê, São Gonçalo, Ari construiu sua trajetória entre dois universos que se cruzam diariamente em sua rotina: o Carnaval e a gastronomia. Dentro das quadras das escolas de samba, onde atua como passista, ela começou vendendo sanduíches e encontrou no ambiente da folia um primeiro espaço de empreendedorismo.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

A partir dessa vivência, transformou receitas de família em um negócio de comida afetiva, com um delivery baseado em memórias afetivas e tradição doméstica, como a lasanha da mãe, a panqueca da avó e o empadão da irmã. O que começou de forma improvisada na varanda da casa da família, hoje se tornou uma operação regular que atende cerca de 80 pedidos por semana.

No programa, Ari é desafiada a dar um novo passo: profissionalizar a cozinha e estruturar o negócio para crescimento sustentável. Ela trabalha em um espaço improvisado, dentro da própria casa da família, com limitações de ventilação, logística e organização, o que impacta diretamente sua produção.

A transformação é conduzida pelo chef João Diamante, ao lado da atriz Bárbara Reis. O time de mentores inclui ainda a arquiteta Bel Lobo, responsável pela reestruturação do espaço físico, e a especialista em comunicação Juliana Oliveira, da OliverPress, que atua na construção da identidade, posicionamento e estratégia de divulgação do negócio.

Além da reforma do espaço, o projeto também envolve orientação em gestão financeira, precificação, organização de cardápio e logística de entregas, com o objetivo de transformar o negócio informal em uma operação estruturada.

Mais do que uma história de empreendedorismo, a trajetória de Ari evidencia como o Carnaval ultrapassa a avenida e se consolida também como território de oportunidades, renda e construção de futuro nas periferias do Rio de Janeiro.

Vila Isabel, 2027: leia a sinopse do enredo

sinopsevila

“(…) é que a gente pode ficar sempre alegre, alegre,
mesmo com toda coisa ruim que acontece acontecendo.”

João Guimarães Rosa — Campo Geral

“Mas crianças com bocas de fome,
ávidas, ressuscitaram a vida
brincando anzóis nas correntezas
profundas.
E os sonhos, submersos
e disformes
avolumaram-se engrandecidos,
anelando-se uns aos outros
pulsaram como sangue-raiz
nas veias ressecadas
de um novo mundo.”

Conceição Evaristo — Os sonhos

UNIDOS DE VILA ISABEL
CARNAVAL 2027

1 – A memória ancestral da PEDRA

Atravessei o tempo como se caminhasse sobre as águas de um rio bravo. Posso cantar, sozinha: “Santa Rita Pescadeira, cadê meu anzol? Cadê meu anzol? Que fui pescar no mar.” Passei a vagar sem rumo, não conto o tempo. Sou uma velha encantada, muito antiga, que acompanhou esse povo desde a sua chegada das Minas, do Recôncavo, da África. Guardo memórias familiares que, soterradas pela poeira deste mesmo esfumado tempo, são parte da ancestralidade que nos foi negada. Arrancada.

Por isso, então, me abriguei em muitos corpos, tantos, desde que a gente enfrentou o breu, percorreu matas e rios, adentrou serras e lagoas. Desde que a cobiça cavou buracos, aos trapos, bambúrrios, e o povo se embrenhou no chão, tatus, buscando a PEDRA brilhante. Nas tocas da escuridão, em pedaços, viam o brilho mudar de lugar: facho de luz e estrela, faísca. Visagens!

Abriam fendas e rezavam para que a luz revelasse o desejo. Como já disse o outro, sábio, “o diamante, que não encontrado ainda, pertence a todos.” Pois a PEDRA é que escolhia, ria, o dia e o dedo certeiros — questão de sorte? A PEDRA cantava. Recorriam à magia para desencabojar. O diamante se tornou um enorme feitiço… Mas a maioria só encontrava, às mãos dilaceradas, a quimera e a loucura.

2 – Da Fazenda Caxangá aos caminhos de Água Negra: a TERRA

Meu povo seguiu rumando de um canto para outro, procurando trabalho. Buscando TERRA e morada. Um lugar onde pudesse plantar e colher. Onde tivesse uma tapera para chamar de casa.

O diamante já não atraía tanta gente e só restaram as TERRAS de Água Negra, uma porção de mundo entre dois rios, formando uma fértil ilha na Chapada Diamantina. O lugar onde escorriam o suor do dendê, a massa do buriti, o mel das abelhas zelosas. Pegar a enxada! Tinha dias em que o sol parecia uma fogueira de cabeça para baixo — no caminho das roças, na beira do Utinga e do Santo Antônio.

Zeca Chapéu Grande, filho de Donana (que tinha fama de ser feiticeira, porque o mato incendiava), nasceu em uma plantação de cana, na Fazenda Caxangá.

Herdou a sina da mãe — a missão de curar os males, aprendida na mata, bebendo do caule a loucura, debaixo de um jatobá. Obrigação. Não se pode fugir tranquilo se existe um destino traçado: uma onça o protegia, como se cria fosse, antes que fosse versado nas artes do encantamento — no Lajedo, o banho perfumoso das ervas.

Curado, caminhou para Água Negra, a TERRA onde toda uma geração de filhos de trabalhadores haveria de nascer. Haveria, ainda, de haver direitos? Caminhou… na companhia dos encantados.

3 – As FORÇAS da FÉ, BRINCADEIRAS de JARÊ

Em Água Negra, ergueu a casa de barro. A família aumentava e as suas filhas corriam, quase que livres, segurando bonecas de milho, nas noites das brincadeiras.

Brincadeiras de JARÊ!

No bailar do terreiro, varavam as madrugadas e aprendiam as lições dos santos: comer caruru com a mão é desvendar a riqueza da infância! Os objetos, as raízes, as rezas, os encantados que domavam os corpos, tudo isso era parte da paisagem do mundo.

“Ê, Santa Bárbara!”

Sob a proteção do Velho Nagô, aquele que nunca abandonou a caminhada, Zeca Chapéu Grande, agora um afamado curador, tocou as cantorias, no JARÊ que girava unido. Da fé que fazia festa, o meu povo comungava. Cavalgava.

São Sebastião, a devoção dos atabaques — que traziam, à luz do lampião, todo o peji da casa: Mineiro, Mãe d’Água, Ventania, Sete-Serra, Iansã, Marinheiro, Nadador, Ogum, Oxóssi, Cosme e Damião, Tupinambá, Tomba-Morro, Pombo Roxo, Nanã…

E eu, uma encantada esquecida, cansada de opressão e morte, que apareci no JARÊ de Zeca depois de muito, muito vagar. Eis um ritual antigo, pergunta sem resposta, que vibrava naquela fazenda cujas casas nasciam da lama e eram cobertas de junco — e que aos poucos se desfaziam por efeito do implacável tempo.

Apareci entre raios e flechas, disposta a atirar a rede, cair em chuva, atiçar a brasa. Marca esculpida na rocha, pés plantados na terra, entre velas e tambores, no oco.

4 – Rio de sangue: a LUTA

Então um rio vermelho desatou a correr em fúria. Guizo de cascavel, posição de ataque. Uma história que se repete — muitas, mais de mil vezes. Violenta e rebelde, afiada. Cortante feito o corriqueiro gesto, no ser-tão sobrevivente, de picar miudinho a palma.

Sem remédio, sem justiça, sem-terra — até quando?

Bibiana e Belonísia, filhas do curador, seguiram os seus caminhos, em meio a tanta revolta. Unidas numa mesma língua, misto de silêncio e voz. Recosturando a vida, ante horizontes maiores.

Depois da despedida do pai, uma nova realidade: o sopro da liberdade balançava o campo! Bibiana, professora — a leitura transmutada em LUTA; Belonísia, profetiza — a mata a fez forte e sensível, ainda menina, para reconhecer o movimento do mundo.

As veredas, as cercas, os rios, os buritizeiros, tudo foi irrigado pelo sangue de quem lutou (e LUTA) pelo direito fundamental à terra. O sonho de Severo, casa de alvenaria. O trançar de Maria Cabocla: suturas.

LUTA!

Saberes não solapados pelas rodas da carruagem — engrenagem de um engenho arcaico, arado torto, troncho, que tentou (e tenta) desencantar o mundo, com mãos de grilhões e dragas, às covas rasas.

Carruagem de fogo a correr pela estrada!

Foi Salu, a mãe delas, quem disse, corajosa:

“Fui parida, mas também pari esta terra. Esta terra mora em mim! Brotou em mim e enraizou. Aqui!”

5 – A LUTA CONTINUA… e PULSA QUILOMBOLA

O cenário de que falo, onde correm rios de água escura e o peito retumba no ritmo da terra, é a fiel fotopintura de um Brasil de coração sem medo. De uma gente de batalha e festa, cujas mãos também são sementes — cura e doçura da Terra: QUILOMBO, escola, samba.

Samba de rio, saia de chita. Samba de roda, que gira-Jarê.

Não mais as construções chorosas, sem tijolos, sem telhados. Não mais entregar à força o alimento colhido e plantado. Não mais o extenuante trabalho que ainda ecoa um passado infame.

Mas a fundação de um lugar estável onde o riso e a luta, Remanso e luna, possam cultivar a vida que explode, bela, em borboletas amarelas. Os frutos repartidos, a mesa farta.

“Somos QUILOMBOLAS!”

São os descendentes daquelas mulheres de lágrimas insubmissas, como o jovem estudante Inácio (e tantos outros filhos e filhas que delas herdam a bravura), que bordam na terra quente o amor e a coragem que pulsam — a luta não acabou, a história continua.

História que, passo a passo, é uma saga QUILOMBOLA. Eu, testemunha oculta, desenrolo o tempo da prosa e conto a trama do avesso. A rede é a minha costura. Fio. Incorporada nas duas. Quero, enfim, celebrar a seiva que brota, nova, de solo tão calejado.

Mulheres-peixes, mulheres-aves. Terreiro-vivo.

Afirmo: com a lâmina da avó Donana, a mulher que pariu no canavial, Belonísia e Bibiana riscam o ponto cantado. Eu, Santa Rita Pescadeira, eu que também sou elas, elas que somos nós, juntas, eu ouvi este grito rouco, livre, voando nas águas:

“SOBRE A TERRA HÁ DE VIVER SEMPRE O MAIS FORTE. FIO DE CORTE, RIO DE SANGUE, TORTO ARADO.”

Inspirado em Torto arado, de Itamar Vieira Júnior, escritor que nos disse, atencioso:

“Esta é uma história que pode se estender de Norte a Sul do Brasil, onde ainda houver pessoas subjugadas, oprimidas, alijadas da terra, sem morada.”

Lembremos de Paulo Freire:

“Não é na resignação, mas na rebeldia em face das injustiças que nos afirmamos.”

Vamos de mãos dadas!

SE ESTA TERRA FOSSE MINHA

É A VILA A CANTAR
QUE FELICIDADE É DIVIDIR
COM IGUALDADE PRA REFORMA REFORMAR

Enredo, pesquisa e texto: Gabriel Haddad, Leonardo Bora e Vinícius Natal

Carnavalescos
Gabriel Haddad e Leonardo Bora

Pesquisador
Vinícius Natal

Assistente de pesquisa
Lucas de Medeiros

Equipe de criação
Manoel Rocha, Patryck Thomaz, Pedro Padilha, Rafael Gonçalves, Sophia Chueke, Theo Neves

AGRADECIMENTOS
Aurino José de Souza (Seu Roxo), Comunidade do Quilombo do Remanso, Comunidade do Quilombo de Iúna, Francina de Souza Maia (Dona Francina), Giôvania de Souza Santos, Glicéria Tupinambá, Gustavo Assumpção, Itamar Vieira Júnior, Lilibeth França, Maiza Ferreira, Maria Raimunda Oliveira Lima, Maria Romana Pereira (Dona Maninha), Martha Luila S. de Oliveira, Marujada Barca em Rios, Pai Pepê (Pedro Gabriel) – Terreiro Castelo de Ogum, Patricia Carvalho, Reisado da Viola – Lençóis-BA, Renata Menezes, Renato Menezes Ramos, Rilza Ribeiro Rôla, Rubel, Samba de Roda das Baianas de Lençóis, Sandoval Amorim Santos – Terreiro de Jarê Palácio de Ogum, Sociedade União dos Mineiros, Taína de Souza Santos, Tássia do Nascimento, Thiago Hoshino, Uilami Dejan, Vanessa Senna, Seu Zé Pereira

APOIO
Editora LeYa
Editora Todavia
Prefeitura de Lençóis – Bahia

Rio Carnaval 2027: compradores do “Ingresso Sambista” já podem escolher o dia dos desfiles

0
sambodromo
Foto: Léo Queiroz/Rio Carnaval

O Rio Carnaval inicia uma nova etapa das vendas para 2027. A partir desta quarta-feira, quem adquiriu o “Ingresso Sambista” já poderá selecionar o dia de preferência para assistir aos desfiles na Sapucaí, após a definição da ordem oficial das apresentações das escolas de samba.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

A escolha poderá ser feita de acordo com a disponibilidade de ingressos para domingo, segunda ou terça-feira. Para isso, o comprador deverá acessar a plataforma da Ticketmaster utilizando o mesmo cadastro usado no momento da compra.

A Liesa orienta que o público confira atentamente a seleção antes da confirmação final. Após a conclusão do resgate, não será possível alterar a data escolhida.

Vale lembrar que o “Ingresso Sambista” permite ao público garantir lugar antecipadamente com flexibilidade para decidir posteriormente o dia de preferência. A modalidade teve vendas limitadas e contou com valor promocional em relação ao ingresso tradicional.

‘Latinamente Independente – Nosso norte é o Sul em Remanifesto’ é o enredo da Mocidade Independente de Padre Miguel para o carnaval 2027

logo mocidade 27

Assinado pelo carnavalesco Jack Vasconcellos, a Verde e Branca irá se inspirar na obra “América Invertida”, do uruguaio Joaquín Torres García, como ponto de partida para um tema que visa repensar os nortes do continente de forma que valorize a América Latina. Com histórico vanguardista e pioneiro, a Mocidade promete uma verdadeira Revolucão Latino-Americana Independente de Padre Miguel ao fazer todos repensarem que nosso Norte é o Sul.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

O carnavalesco da escola, que conquistou o terceiro lugar em 2020, reforça a importância de um enredo tão potente para o momento dos Independentes.

“O Enredo é um manifesto que propõe uma revolução de visão carnavalizada na qual a América Latina toma, ou retoma, o poder. Vamos ironizar a hegemonia cultural colonizante e imperialista pleiteando reparações e trazendo novas perspectivas para um futuro mais latino.” concliu, Jack.

A sinopse do enredo será divulgada nesta quinta-feira. Já a explanação do enredo feita por Jack aos compositores será no dia 27 de maio, às 20h, na quadra da Vila Vintém.

A Estrela Guia será a primeira escola a desfilar na segunda-feira de carnaval.

Imperatriz Leopoldinense ouve compositores e anuncia mudanças para a disputa de samba-enredo do Carnaval 2027

0
imperariz reuniao
Foto: Marcos Marinho/CARNAVALESCO

Sempre pautada pelo diálogo e pela valorização de seus poetas, a Imperatriz Leopoldinense utilizou suas redes sociais para anunciar um pacote de novidades e reformulações profundas no processo de escolha de seu samba-enredo para o Carnaval 2027. As medidas foram definidas após um encontro estratégico promovido entre a diretoria e a ala de compositores da agremiação, onde sugestões, opiniões e reflexões foram ouvidas e transformadas em ações práticas. “A memória do rei e o sumiço de Dona Júlia” é o enredo da Imperatriz Leopoldinense para o carnaval 2027. Com a curiosa proposta, a escola de Ramos vai levar para a Marquês de Sapucaí, no ano que vem, uma narrativa que une mistério, ancestralidade e cultura popular, ao se debruçar na história real de uma calunga de maracatu desaparecida por três décadas.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

Em comunicado oficial, a escola destacou o espírito de união que norteia essa nova fase: “O diálogo, a construção coletiva e a valorização dos nossos compositores seguem como pilares fundamentais da nossa trajetória! Então, após o encontro promovido com os compositores, as sugestões, as opiniões e as reflexões sobre o processo de disputa de sambas-enredo foram compreendidas como demandas importantes. Seguiremos trabalhando pra fazer valer o maior investimento dos poetas: O TALENTO!!!”.

As novas diretrizes visam desonerar os participantes, dar mais liberdade criativa e focar estritamente na qualidade da obra musical apresentada na quadra. Confira abaixo todas as novidades anunciadas pela Rainha de Ramos:

Valorização do bolso e acesso facilitado

Isenção total de taxas: Entendendo os altos custos que envolvem a criação de um samba-enredo, a Imperatriz decretou que “poeta não paga taxa”. A inscrição de obras para o concurso de 2027 será totalmente gratuita.

Entrada franca na quadra: Para garantir que a comunidade e os sambistas apoiem o evento, a entrada será gratuita para os componentes que apresentarem a carteirinha da GRESIL (Grêmio Recreativo Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense) e também para integrantes de escolas coirmãs.

Produção audiovisual e menos burocracia

Clipe por conta da escola: Com o lema “Tá na conta da Rainha”, os tradicionais videoclipes de divulgação dos sambas concorrentes serão integralmente produzidos pela própria Imperatriz, retirando mais esse custo financeiro das parcerias.

Liberdade na caneta: A escola anunciou a redução dos encontros de tira-dúvidas com a ala e decretou o fim da obrigatoriedade de apresentação da melodia nas etapas preliminares, dando maior autonomia para os criadores.

Disputa mais ágil e limitação de intérpretes

Calendário reduzido: Sob a máxima de que “Tempo é dinheiro”, a Imperatriz encurtará o formato da disputa, realizando um número menor de eliminatórias até a grande final.

Teto para defensores do Grupo Especial: Para equilibrar as forças no palco, cada parceria poderá contratar, no máximo, um intérprete do Grupo Especial para defender a sua obra na quadra.

Foco exclusivo no samba: proibições na quadra

Reforçando o posicionamento de que “O que vale é o samba!”, a diretoria proibiu expressamente a presença de torcidas organizadas nos dias de eliminatória. Também está terminantemente vetado o uso de camisas personalizadas, bandeiras, adereços ou qualquer elemento visual que possa sugerir preferência ou criar vantagens que não sejam estritamente a qualidade do samba-enredo na avenida.

Liga RJ avança no planejamento do Carnaval 2027 com reunião de alinhamento junto às agremiações da Série Ouro

0
reuniaoligarj
Foto: Divulgação/Liga RJ

A Liga RJ segue avançando no planejamento oficial do Carnaval 2027 da Série Ouro. Na noite da última terça-feira, a entidade realizou uma reunião de alinhamento com os diretores de carnaval das 17 agremiações filiadas, no Auditório da Companhia Carioca de Parcerias e Investimentos (CCPar), no Centro. O encontro reuniu representantes das escolas e dirigentes da entidade para discutir os principais pontos operacionais e estratégicos do próximo ano.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

Conduzida por Moacyr Barreto, diretor de carnaval da Liga RJ, a reunião contou também com as presenças do presidente Deo Pessoa e do vice-presidente Bruno Alvez. Entre os temas debatidos estiveram as obras da Fábrica do Samba, ensaios técnicos, movimentação de alegorias, finais de samba-enredo, cronograma de gravações do CD oficial, além do Esquenta Carnaval e ajustes no regulamento da competição.

Para Deo Pessoa, o momento representa mais um passo importante na construção de um ambiente de trabalho integrado entre as agremiações, fortalecendo o planejamento conjunto e a valorização do espetáculo apresentado na Marquês de Sapucaí.

“Avançamos na construção de um diálogo pautado no trabalho, na dedicação e no respeito de todos pelo Carnaval da Série Ouro. Embora exista a disputa pelo título, é fundamental que ela seja salutar e fique restrita à pista dos desfiles, mantendo um convívio coletivo harmonioso no período que antecede essa disputa”, destacou o presidente da Liga RJ.

Durante o encontro, ficou definido que as reuniões de alinhamento passarão a acontecer mensalmente, promovendo uma integração contínua entre a entidade e as escolas ao longo de toda a preparação. Os desfiles da Série Ouro, em 2027, acontecerão nos dias 5 e 6 de fevereiro, na Marquês de Sapucaí.

Viradouro anuncia enredo para o Carnaval 2027 e mira o bicampeonato no Grupo Especial

grioviradouro
Foto: Reprodução de internet

Atual campeã do Grupo Especial do Rio de Janeiro, a Unidos do Viradouro já iniciou a caminhada rumo ao Carnaval 2027 e vai em busca do bicampeonato com um enredo de forte ligação com a ancestralidade africana e a tradição oral. A vermelho e branco de Niterói anunciou, por meio de publicação nas redes sociais, o tema que será desenvolvido pelo carnavalesco Tarcísio Zanon e pelo enredista João Gustavo Melo. O título do enredo é “Griô”. A escola levará para a Marquês de Sapucaí uma reflexão sobre os griôs, figuras fundamentais na preservação das memórias, histórias e saberes de diversas populações da África Ocidental. Na publicação oficial, a agremiação destacou o papel das escolas de samba como herdeiras dessa tradição ancestral da oralidade.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

“A cada ano, as escolas de samba bordam, por meio dos seus enredos, um grandioso tecido com os fios do passado. Tecnologia cultural essencialmente preta, que espalha aquilo que o Brasil nem sabia que precisava conhecer”, escreveu a Viradouro.

Segundo o texto divulgado pela campeã carioca, o desfile abordará a importância da transmissão oral dos conhecimentos, ritos, cultos e ensinamentos passados entre gerações, exaltando personagens responsáveis pela preservação das memórias negras diante do apagamento histórico.

A narrativa partirá do mito de Kwaku Ananse, personagem tradicional das histórias africanas, passando pelos antigos clãs Djéli do Império Mali, até chegar às manifestações populares brasileiras e às próprias comunidades das escolas de samba. A proposta da Viradouro é estabelecer uma conexão entre os griôs africanos e os baluartes que mantêm viva a cultura do samba no Brasil.

A escola também ressaltou a identificação das agremiações carnavalescas como verdadeiras linhagens culturais, guardiãs de saberes transmitidos “de boca a ouvido” ao longo do tempo.

“Cada voz que se levanta para cantar um samba amplifica a voz de um Griô. Salve os guardiões da memória ancestral!”, concluiu a publicação.

Com mais um enredo de matriz afro-brasileira e forte densidade cultural, a Viradouro aposta novamente em uma temática ligada à valorização da memória e da identidade negra para tentar conquistar mais um título no Grupo Especial do Rio.

Coleção Cardeais do Samba Paulista traz uma aula de tradição com as histórias dos fundadores

0
cardeissp6
Fotos: Diego Florêncio/CARNAVALESCO

Na noite da última segunda-feira, ocorreu o lançamento da coleção Cardeais do Samba, no Espaço Cultural da Liga-SP, na Fábrica do Samba. A publicação reúne cinco volumes, cada um com uma história biográfica de nomes considerados pilares fundamentais do samba paulistano. Além do lançamento das obras, houve também a apresentação da Mocidade Unida da Mooca, que, em 2027, fará uma homenagem com o enredo “Modupé, Cardeais!”.

* Seja o primeiro a saber as notícias do carnaval! Clique aqui e siga o CARNAVALESCO no WhatsApp

Embalada pela voz do intérprete Gui Cruz, aniversariante da noite, e pela bateria “Chapa Quente”, a apresentação foi mais que especial e contou com homenagens ao embalar os sambas-exaltação da Nenê de Vila Matilde, Vai-Vai, Unidos do Peruche, Camisa Verde e Branco, Lavapés Pirata Negro e Barroca Zona Sul, escolas por onde os cardeais passaram e ajudaram a construir o que conhecemos hoje.

cardeissp5

Dos cinco autores, apenas Tadeu Kaçula não esteve presente no evento, por compromissos externos, mas enviou um vídeo para ressaltar o projeto, no qual contou a história de Seo Inocêncio Tobias.

“Desejo que este livro, que tive o privilégio de escrever sobre a história de Seo Inocêncio Tobias, sirva também como um importante inventário para as futuras gerações e para todas as pessoas que entendam e vejam esse homem como um farol, uma mente brilhante que ajudou a construir o samba do carnaval de São Paulo”.

cardeissp3

E, falando de Seo Inocêncio Tobias, não tem como não lembrar de seu melhor amigo, Seo Pé Rachado, que foi presidente do Vai-Vai por 25 anos e responsável por transformar o cordão Vai-Vai, que existiu até os anos 1940, na estrutura de uma escola de samba. Claudia Alexandre foi a escritora responsável por contar a história de Seo Pé Rachado, que teve sua trajetória escrita pela primeira vez, e ressaltou que ainda há muito a ser contado.

cardeissp7

“Algo que senti de diferente ao pesquisar sobre Seo Pé Rachado é que ninguém havia escrito sobre ele. Então, considero o livro dele um ensaio, que me instiga a pesquisar e me aprofundar mais sobre sua história. Como a coleção é formada por livretos, tivemos o desafio de escrever o momento em que os cardeais se inserem no carnaval. Ainda há muita coisa a ser escrita sobre Seo Pé Rachado, e quero muito aprofundar essa pesquisa e sua história”.

Agora, seguindo do Bixiga para a Vila Matilde, Seo Nenê também teve sua história contada em um dos cinco livros da coleção, escrito por Tiaraju Pablo D’Andrea, que destacou a chegada da escola ao bairro.

cardeissp1

“Uma coisa que me chamou a atenção durante as pesquisas é como a Nenê de Vila Matilde se transforma em uma escola que vai abrigar a população negra da Zona Leste. Isso é interessante porque a Vila Matilde não era, necessariamente, um bairro negro. Mas, quando a Nenê foi fundada, há relatos, inclusive de Seo Nenê, de que as pessoas gostariam de expulsá-los, de que não os queriam ali, e tiveram de se acostumar com a presença da escola.”

Outra agremiação marcada por histórias de superação é a Unidos do Peruche, de Seo Carlão, que foi enredo da Filial do Samba em 2025 e faleceu dias antes do desfile oficial em sua homenagem. Bruno Baronetti foi o escritor da biografia de Seo Carlão e contou que conviveu com o cardeal e teve a oportunidade de ouvir suas histórias.

cardeissp8

“Durante meu mestrado, em 2015, Seo Carlão foi um dos meus entrevistados e, desde 2017/2018, frequento a casa dele, onde passei a fazer uma série de entrevistas. Lancei uma biografia em 2019 e tive a oportunidade de escutar as histórias que ele viveu, como a luta por uma escola no Parque Peruche e a resistência durante a Ditadura Militar, quando a escola foi invadida. Então, me considero muito sortudo por ter convivido com ele e entrevistá-lo”.

E, encerrando a coletânea dos cinco livros, não poderia faltar ela, considerada a fundadora do samba paulista: Madrinha Eunice, fundadora da escola mais antiga de São Paulo, a Lavapés Pirata Negro. Lyllian Bragança detalhou um pouco do processo de pesquisa sobre a cardeal.

cardeissp4

“Madrinha Eunice teve uma pesquisa difícil na parte documental, pois ela era de Piracicaba, cidade do interior de São Paulo, e lá registraram seu nome errado. Em vez de Deolinda Madre, colocaram Mader, e foi difícil encontrá-la. Mas Madrinha Eunice tem muitos afilhados, e acredito que isso seja uma sorte. Ela entendeu que o legado dela seriam as crianças e cuidou delas. Então, automaticamente, elas falam dela”.

A coleção de livros é da Editora Dandara, em parceria com a Iniciativa Negra, e a versão digital está disponível para download em PDF no site da Iniciativa Negra.

cardeissp2