A Unidos do Viradouro, atual campeã do Grupo Especial do Rio de Janeiro, deixou o sorteio da ordem dos desfiles do Grupo Especial do Rio para o Carnaval 2027 com motivos para comemorar. A vermelho e branco de Niterói será a segunda escola a desfilar na segunda-feira, posição vista como estratégica pelo diretor executivo Marcelinho Calil.
Em entrevista ao CARNAVALESCO, o dirigente destacou a confiança no histórico da escola na posição e a vantagem logística de preparar o desfile ao longo do dia.
“Excelente, excelente! Segunda de terça, a posição que, nesse último ano, foi da Vila, o chão estava quente, espetacular, adorei. O Balança também é um lugar em que a escola já ganhou duas vezes ali. Sendo a segunda, eu consigo formar a escola com tranquilidade durante o dia. Excelente, estou feliz da vida”.
Com otimismo e experiência recente positiva, a Viradouro aposta na força dos quesitos e na organização para transformar a posição no sorteio em mais um trunfo na busca pelo título do Carnaval 2027.
A definição da ordem dos desfiles do Grupo Especial do Rio para o Carnaval 2027 trouxe animação para a Unidos de Vila Isabel. A escola será a responsável por encerrar o domingo de apresentações na Marquês de Sapucaí, posição considerada estratégica pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora. Em entrevista ao CARNAVALESCO, a dupla destacou a confiança no trabalho e o peso de fechar a primeira noite de desfiles.
Para Gabriel Haddad, encerrar o dia representa uma oportunidade de potencializar a força da comunidade e garantir um desfile impactante na avenida.
“Olha, fechar um dia de desfile é sempre algo muito incrível, porque a gente consegue trabalhar com a força da comunidade, a escola vai estar organizada na concentração, então, para a gente, vai ser o grande desfile da Vila. A gente vai estar confiando no nosso trabalho para que a gente consiga fazer um grande desfile. Vamos embora, fechar o domingo e ir para cima. Vamos embora, Vila”.
Leonardo Bora reforçou o discurso do parceiro e ressaltou o simbolismo e a responsabilidade de ser a última escola a pisar na avenida no primeiro dia.
“Gabriel falou tudo por mim, uma posição maravilhosa. Temos essa ideia de que encerrar uma noite é sempre uma responsabilidade maravilhosa. E estamos com tudo para esse desfile. E, com certeza, a Vila vai encerrar o primeiro dia disputando o título, apresentando um espetáculo, um desfile excepcional”.
Com o discurso alinhado e foco em um desfile competitivo, a Vila Isabel aposta na combinação entre organização, força comunitária e impacto visual para brigar pelas primeiras colocações no Carnaval 2027.
O espetáculo já começou! O Rio Carnaval 2027 deu o primeiro passo rumo à Sapucaí com o sorteio da ordem dos desfiles do Grupo Especial, realizado na noite desta quinta-feira, em uma grande celebração na Cidade do Samba, na Zona Portuária da cidade. O evento, gratuito e marcado por muita música e animação, reuniu sambistas, representantes das escolas e apaixonados pelo maior espetáculo da Terra.
Mantendo o caráter popular da celebração e reforçando o compromisso social da Liesa e do mundo do samba com a sociedade, o acesso foi garantido mediante a doação de 1 kg de alimento não perecível. O público acompanhou uma programação musical que animou a noite, com shows de Dudu Nobre, do grupo Os Puxadores do Samba e uma apresentação especial da atual campeã, Viradouro. Houve ainda a definição da ordem de desfiles das escolas de samba mirins, pela primeira vez em conjunto com as maiores agremiações da folia carioca.
Seguindo o regulamento do Grupo Especial, três agremiações já entraram no sorteio com posições definidas devido às suas colocações em 2026: União de Maricá, Mocidade e Portela — responsáveis por abrir, respectivamente, os desfiles de domingo, segunda-feira e terça-feira. As demais agremiações foram organizadas em trincas, definidas em plenária com os presidentes das escolas, e participaram do sorteio que definiu a sequência completa das apresentações na Sapucaí.
Com isso, o calendário oficial dos desfiles do Rio Carnaval 2027 ficou definido da seguinte forma:
Domingo, 07 de fevereiro
1 – União de Maricá
2 – Beija-Flor
3 – Paraíso do Tuiuti
4 – Vila Isabel
Segunda-feira, 08 de fevereiro
1 – Mocidade
2 – Unidos da Tijuca
3 – Salgueiro
4 – Imperatriz Leopoldinense
Terça-feira, 09 de fevereiro
1 – Portela
2 – Viradouro
3 – Grande Rio
4 – Mangueira
Liesa Mirim: sorteio conjunto
Pela primeira vez, a definição da ordem dos desfiles das escolas de samba mirins também integrou a programação do evento, reforçando a importância da formação de novas gerações para o futuro do samba. O momento deu visibilidade às agremiações que representam a base do carnaval e ajudam a manter viva a tradição carnavalesca. Os desfiles das escolas mirins do Rio Carnaval 2027 acontecerão nos dias 23 e 24 de janeiro, com três escolas por noite, além do dia 30 de janeiro, também com três apresentações, e de 12 de fevereiro, quando 12 agremiações encerram a programação dedicada às novas promessas da folia.
Sábado, 23 de janeiro
1 – Golfinhos do Rio de Janeiro
2 – Ainda Existem Crianças na Vila Kennedy
3 – Corações Unidos do CIEP
Domingo, 24 de janeiro
1 – Inocentes da Caprichosos
2 – Muda da Cabuçu
3 – Império do Futuro
Sábado, 30 de janeiro
1 – Petizes da Penha
2 – Nova Geração do Estácio
3 – Infantes do Lins
Sexta-feira, 12 de fevereiro
1 – Maricá do Futuro
2 – Herdeiros da Vila
3 – Estrelinha da Mocidade
4 – Filhos da Águia
5 – Pimpolhos da Grande Rio
6 – Sonho do Beija-Flor
7 – Crias da Imperatriz
8 – Mangueira do Amanhã
9 – Tijuquinha do Borel
10 – Aprendizes do Salgueiro
11 – Virando Esperança
12 – Os Netinhos do Tuiuti
A Mancha Verde realizou na última quarta-feira sua explanação para compositores com foco na disputa de samba-enredo que definirá a obra a embalar a agremiação no Carnaval 2027. Foi um encontro especial, no qual o presidente Paulo Serdan destacou o orgulho da escola em homenagear a importante escritora Ruth Rocha, além da apresentação feita por Rodrigo Meiners sobre o tema. Durante a reunião, foi reforçado que a escola busca um samba alegre e, ao mesmo tempo, aguerrido, sem abrir mão de suas caractersticas. Como já é tradição na Mancha Verde, a final será realizada na última festa julina, marcando o início do ciclo de trabalho junto à comunidade. O tema é intitulado como “Ruth Rocha — A palavra que ensina a criança a voar”. Rodrigo Meiners, responsável pelo desenvolvimento do tema, conversou com o CARNAVALESCO sobre a felicidade de homenagear a escritora.
O carnavalesco explicou que a escolha do enredo surgiu da combinação entre um desejo pessoal e um pedido de mudança por parte da escola, que nos últimos anos vinha abordando com frequência temáticas religiosas e, para 2027, pretende levar algo mais leve ao Anhembi.
“Eu já tinha esse enredo guardado há muito tempo. Idealizei essa proposta em 2017, quando ainda trabalhava como assistente e não era carnavalesco. Sempre fui apaixonado pelo carnaval e pelos desfiles. Minha vivência sempre esteve ligada à Sapucaí, até me mudar para São Paulo. O desfile de 2005 da Imperatriz Leopoldinense me marcou profundamente. Foi um dos primeiros de que me lembro na infância. Eu tinha entre 9 e 10 anos e consegui compreender o que estava sendo apresentado. Aquilo ficou registrado em mim de alguma forma e despertou o desejo de, um dia, desenvolver uma temática infantil, com um enredo e uma estética voltados para esse universo. Após o carnaval de 2026, não alcançamos o resultado esperado nem o que planejamos conquistar. A partir disso, muitas pessoas passaram a sugerir ao presidente uma mudança de linha, buscando se afastar de enredos com temática religiosa. Em um país polarizado, falar de religião gera debates, assim como abordar política. Entendemos, então, que era necessário propor um enredo sem esse tipo de controvérsia, capaz de unir pessoas de diferentes pensamentos, ideologias e crenças, todas com um objetivo em comum: levar a Mancha Verde ao acesso”, contou.
Para Rodrigo Meiners, o que mais chama atenção nesse enredo sobre Ruth Rocha é a aceitação do público do carnaval. Segundo o artista, não houve críticas desde o lançamento do tema nas redes sociais.
“O que mais me impacta nesse enredo é a aceitação. Sinceramente, não tenho visto críticas; pelo contrário, recebemos elogios de todos os públicos, o que nos dá ainda mais motivação. Como o presidente mencionou, isso acontece após um momento difícil, que foi não conquistar o acesso. Esse reconhecimento nos conforta. Continuo convicto de que fizemos um grande desfile no ano passado, mesmo que o resultado não tenha refletido isso. Agora, iniciamos 2027 com um sentimento de acolhimento, abraçados pelo público, que recebeu muito bem essa proposta, e esse é o ponto principal. Além disso, há o contato com a Ruth. O carnaval tem essa capacidade de aproximar pessoas. Há 15 anos, eu ainda era criança e lia suas obras na escola. Em 2025, conheci Cláudia Alexandre e mergulhei em um universo de literatura, religiosidade e matriz africana. Agora, tenho a satisfação pessoal de explorar a literatura infantil e de me conectar com uma autora que publicou 218 obras ao longo da carreira. Isso representa um enorme aprendizado. Aproveito para agradecer publicamente ao presidente por acreditar nessa ideia e embarcar comigo nesse enredo”, celebrou.
Felicidade de Ruth em ser homenageada
Recentemente, a direção de carnaval da Mancha Verde e o próprio Rodrigo Meiners tiveram a oportunidade de se encontrar com a escritora e homenageada Ruth Rocha. Segundo o carnavalesco, foi um momento especial, sobretudo pelo conhecimento que ela demonstra sobre desfiles de escolas de samba.
“Foi uma experiência muito especial. Não esperávamos a reação dela. A primeira grande surpresa foi perceber que a Ruth entende muito de carnaval. Ela contou que tem familiares cariocas e que frequentava os desfiles no Rio, inclusive antes da construção da Sapucaí, algo que desconhecíamos. Quando apresentamos o projeto, com fantasias e alegorias, ficou evidente que ela não é leiga no assunto. Ela sabe, por exemplo, que a fantasia da bateria precisa ser mais leve, devido à praticidade para os ritmistas, e que o abre-alas deve ser o maior carro do desfile, já que precisa causar maior impacto na abertura. Também demonstrou conhecimento sobre o processo atual de apresentação do enredo aos compositores e sobre a dinâmica das disputas de samba. Inclusive, afirmou estar à disposição para participar, ouvir as obras e colaborar na escolha da letra. Desde o início, a reação dela, da família e da equipe foi extremamente positiva. Ainda assim, nos surpreendeu perceber o quanto ela aprecia e compreende o carnaval. Ela está muito feliz por ser homenageada em uma manifestação artística que admira e que, em determinado período da vida, acompanhou de perto”, concluiu.
O carnavalesco Tarcísio Zanon celebrou o título da Unidos do Viradouro destacando o caráter histórico da conquista e o protagonismo de mestre Ciça no desfile campeão. Em entrevista ao CARNAVALESCO, Zanon ressaltou o peso simbólico do enredo e a importância de valorizar o ritmo dentro da Marquês de Sapucaí. Segundo o artista, o título ultrapassa o resultado competitivo e representa um marco para o universo do samba.
“Histórico. É um momento histórico para o mundo do samba e para a Viradouro. A gente poder ter um sambista que tanto fez pela história do carnaval vencendo o carnaval… é a festa em festa. O Ciça é uma escola de samba inteira em si. Para além do título, para mim é muito significativo, importante e necessário viver esse momento histórico”.
Zanon também destacou o impacto pessoal da vitória, apontando o resultado como combustível para novos desafios. “Isso me revigora, me faz querer fazer cada vez melhor. E o Ciça merece. O Ciça é alguém que entende a Marquês de Sapucaí como ninguém; ele é um professor para todos nós”.
O carnavalesco ainda contextualizou a relevância do enredo ao destacar a valorização do ritmo no carnaval contemporâneo. “Colocar o ritmo, que há tanto tempo foi marginalizado, nesse lugar… se você pensar, cem anos atrás os ritmistas eram perseguidos pela polícia, e hoje o ritmo alcança o patamar de campeão do carnaval carioca”, disse, atribuindo essa evolução também ao legado de Ciça. “Isso vem muito do trabalho do Ciça, do legado que ele leva e que vai passar para outros”.
Momento épico na avenida
Um dos pontos mais marcantes do desfile foi a bateria surgindo no alto de uma alegoria, recriando um dos momentos mais icônicos da trajetória de mestre Ciça. Zanon revelou que a ideia esteve presente desde o início do projeto.
“Desde o início desse projeto a gente queria trazer o Ciça de novo, porque é um dos momentos mais icônicos da carreira dele. Ele já tinha dado entrevista dizendo que não queria fazer mais, mas, como ele se tornou enredo, acho que se animou e resolveu fazer novamente”, explicou.
Para viabilizar a cena, a equipe precisou adaptar o conceito às regras atuais. “A gente fez com muito cuidado: trabalhamos com calculista e com engenheiro, porque na época em que foi feito eram três chassis. Hoje não se pode usar três chassis acoplados; só podemos usar dois. E deu tudo certo”.
O resultado, segundo o carnavalesco, foi um dos ápices do desfile campeão. “Foi um momento épico, no final do desfile, com uma leitura nova, representando o coração de uma escola, o Furacão vermelho e branco. Foi lindo, foi épico”.
Zanon também destacou o caráter emocional da cena, especialmente pelo encontro entre gerações de ritmistas. “A nova geração, os pais que estavam tocando naquela época, hoje os filhos puderam viver isso. Eu senti muito essa troca com os meninos da bateria, eles falando com felicidade: ‘meu pai fez, e hoje eu vou fazer’”.
Apresentando o enredo “Macumbembê, samborembá: sonhei que um sambista sonhou a África”, planejado pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, em homenagem à trajetória de Heitor dos Prazeres e sua importância na criação da Pequena África, no Rio de Janeiro, a Unidos de Vila Isabel ficou em terceiro lugar no pódio do Carnaval 2026. Com muita satisfação pelo resultado entregue pela agremiação, integrantes que competem em quesitos comentaram sobre o resultado e as expectativas para o próximo ano.
“A gente não faria nada de diferente. Um sentimento de gratidão, de esperança. Graças a Deus, a gente só tem a agradecer por esse presente que Ele deu para a gente de voltar para a Vila Isabel novamente, eu e Dandara juntos. Nós trabalhamos muito, eu, Dandara, a nossa equipe. Desde o primeiro momento em que a gente soube que existiria cabine espelhada, a gente começou a estudar, começamos a ver os prós, os contras, o que podia ou não acontecer, e assim fomos criando, trabalhando, cada profissional nos ajudando, cada um no seu pedaço: a coreógrafa, o preparador, o fisioterapeuta, a nutri, o Bruno Oliveira, que confeccionou nossa fantasia, os carnavalescos, que deram esse presente para a gente, que foi essa fantasia”, afirmou o primeiro mestre-sala, Raphael Rodrigues.
“Não faria nada diferente, faria tudo igual. Sei que a gente está no caminho, acho que sempre tenho o que evoluir, mas eu estou muito feliz, muito honrada. Agradecer muito à minha coreógrafa, Cátia Cabral, que está comigo desde a Rocinha, desde o acesso, e que pôde pensar junto comigo na evolução dessa porta-bandeira e, agora, na evolução desse casal. E hoje eu e Rafael estamos num momento de sintonia, de parceria, de cumplicidade, de maturidade muito grande, e eu estou muito feliz com isso”, afirmou a porta-bandeira, Dandara Ventapane.
Sobre os 40 pontos no quesito Bateria, o mestre Macaco Branco declarou: “O sentimento é o melhor possível. É um trabalho de um ano inteiro. É muito gratificante quando a gente vê um trabalho ser reconhecido, ainda mais um trabalho árduo, um trabalho com uma comunidade maravilhosa. É muito gratificante poder receber essa nota 40 e ajudar a nossa escola na luta pelo título. Neste ano não deu, chegamos perto ali, mas quero dar parabéns ao mestre Ciça, porque ele merece muito, e, se Deus quiser, no ano que vem a gente vai com tudo para trazer esse título para a Vila”.
O intérprete Tinga destaca o enredo e o samba escolhido como responsáveis pelo sucesso na Avenida. Já renovado para continuar a defender a terra de Noel em 2027, garante que a expectativa para o próximo ano é das melhores, em busca do campeonato.
“O sentimento é de dever cumprido. A nossa escola está muito feliz com o nosso samba, com o nosso enredo. A gente sabe que não depende só da gente, mas a gente está feliz demais com o nosso destino e com o nosso Carnaval. Em 2027 está logo ali, daqui a pouco tem mais. A gente vai continuar nessa luta, em busca do nosso sonho. Para 2027, a expectativa é das melhores. Sempre, a cada dia, passar a melhorar mais para a gente buscar o nosso sonho”, declarou.
Já Alex Neoral, coreógrafo da Comissão de Frente ao lado de Márcio Jahu, lamenta o julgamento que descontou um décimo por conta de uma caixa de som e alega falta de preparo de parte dos jurados.
“Você julgar que a sua visibilidade está comprometida por causa de uma caixa de som que está para cair não é culpa de nenhuma escola, de nenhuma comissão. Tem um objeto que faz parte da arquitetura da Sapucaí, e há muito tempo a gente fala dessa caixa de som. Você vê que todos os outros jurados deram 10; com certeza é uma comissão de 40 pontos, e a gente perder um décimo por uma bobeira, por uma falta de competência no julgamento. Nosso dever é ter a sensação de dever cumprido; em todas as vezes em que a gente se propôs a fazer algo, conseguimos na avenida. A gente está feliz, a gente viu a plateia, a arquibancada, todo o público responder, então é esse o sentimento que a gente vai levar”, disse.
Apesar da pontuação perdida, o coreógrafo ressalta o alto nível do carnaval entregue pelas coirmãs e a felicidade de subir ao pódio.
“Todas as escolas, a Viradouro, a Beija-Flor, a Vila Isabel, poderiam ter sido campeãs. Acho que a ordem, primeiro, segundo, terceiro, se invertesse, se mudasse, todas as três seriam justas. Foram três desfiles maravilhosos, e eu fico muito feliz de estar entre essas três escolas maravilhosas”, afirmou.
A tarde do úlimo sábado marcou oficialmente o início do ciclo de 2027 para a Portela. Os portelenses celebraram os 103 anos da Majestade do Samba com muita música, feijoada e mais motivos para comemorar: a nova equipe para o próximo carnaval e o enredo que levarão para a Sapucaí: uma homenagem ao mestre Monarco, compositor, baluarte e ex-presidente de honra da agremiação. Em um momento de resgate e reconhecimento de sua própria história, o presidente Junior Escafura conta que a Portela já buscava homenagear um dos seus, mas a ideia de falar de Monarco veio do carnavalesco Paulo Barros. E o presidente garante: o carnaval será à altura do homenageado.
“Tudo o que ele significa não só para a Portela, mas para o mundo do samba, do carnaval, da MPB. O Monarco tem várias músicas gravadas por grandes artistas do país. É um cara que marcou, com uma trajetória maravilhosa. É um cara que dificilmente você vê alguém falar: ‘eu não gosto do Monarco’. Todo mundo gosta do Monarco. Na mesma hora em que a gente começou a entrar em contato com artistas e pessoas, todo mundo dizia: ‘claro, eu vou agora porque é o Monarco’, e isso para a gente é gratificante demais”, afirmou.
E, para atingir o objetivo, a escola resgata ‘filhos’ da casa para voltarem a fazer história no ninho. Começando por Paulo Barros, carnavalesco que deu o 22º título da escola em 2017 e idealizador da homenagem ao ‘Mestre’. O artista volta após 9 anos fora da Portela e um ano afastado do carnaval, com “sangue nos olhos” para fazer um carnaval grandioso para a escola.
“Era um desejo de todos os portelenses que o Paulo voltasse para a Portela. O Paulo fez dois carnavais marcantes na escola, 2016 e 2017, o ano do último campeonato da escola, dez anos atrás. A gente encontrou fácil o nome do Paulo e, na mesma hora em que eu liguei para ele, ele ficou emocionado e muito feliz de a gente lembrar. Na mesma hora, ele se colocou à disposição para fazer o carnaval da Portela”, contou o presidente.
Bruno chegou à Portela em 2005, um ano antes de Gilsinho, como sua estreia no Grupo Especial. Escafura conta que Bruno foi a primeira opção após a partida de Gilsinho, mas, por conta do compromisso com a Unidos de Padre Miguel e a Tom Maior, em São Paulo, não pôde assumir. Assim, a missão foi de Zé Paulo Sierra, que defendeu a canção vencedora na disputa de sambas de 2026.
“A gente já sabia que tinha que arrumar um intérprete para o outro ano, a gente já tinha mais ou menos falado, encaminhado, sonhado com o Bruno Ribas. Ele depois se desligou da UPM, a gente fez o convite e ele aceitou. Ele está muito feliz, a escola está feliz, a escola já conhece o Bruno, ele tem ligação com a escola. A Portela é uma escola que gosta muito disso, de quem já teve ligação com ela, que já conhece como funciona, a gente está muito satisfeito com o Bruno Ribas”, declarou.
Com foco em garantir o chão forte da escola, o presidente refez a direção de carnaval e de harmonia. Os integrantes já são velhos conhecidos: crias da Portela, com trabalho contemporâneo ao de Escafura em sua fase na direção de Harmonia da escola. Agora, adicionada à bagagem que trazem de outras agremiações, buscam repetir o casamento de sucesso para o próximo carnaval.
“Quando a gente vê a direção de carnaval, pensa em pessoas como, por exemplo, Dudu Falcão. Ele foi diretor de harmonia aqui há 10, 15 anos, já conhece a escola, tem uma ligação com a escola, se colocou à disposição para nos ajudar. Assim como o Camarão, que é um menino que foi criado aqui dentro, estava a serviço de escolas na Série Ouro, a gente entendeu que era hora de dar oportunidade para ele. E a Elisa também já tinha sido diretora de alegorias aqui por muitos anos, fazendo um trabalho muito competente. Ela fez um bom trabalho na Unidos da Tijuca. Eu falei: ‘Elisa, agora é hora de você voltar para sua casa’. A gente fez um trio que eu tenho certeza de que vai dar muito certo. E, na direção de Harmonia, a gente resgatou Marcelo Jacob, que foi diretor-geral de Harmonia, até na época em que eu era diretor de Harmonia, junto com Alex e Fábio, que hoje está na Viradouro”, compartilhou.
E agora, com o enredo escolhido, começa o ciclo de disputa de sambas-enredo, que o presidente conta que será mais curto, com a final em 4 de setembro. Além disso, em breve a escola iniciará oficialmente a produção do Carnaval 2027.
“Vai ser uma disputa mais curta, até porque a gente entende que o carnaval também é mais cedo e a gente precisa organizar e planejar melhor. E a gente já está na fase de desmonte no barracão, a quadra está praticamente liberada. A ideia é começar, no mês que vem, já com protótipos e alegorias. Estamos esperando o Paulo finalizar o projeto, faltam, acho, dois carros só para a gente poder acabar de desmontar e entregar para ele já no chassi, para começar a trabalhar”, disse.
A contagem regressiva para o maior espetáculo da Terra já começou. O mundo do samba conhecerá, nesta quinta-feira, a partir das 19h, a data e a posição em que cada agremiação cruzará a Marquês de Sapucaí no Rio Carnaval 2027. O tradicional sorteio da ordem dos desfiles, organizado pela Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), será realizado na Cidade do Samba e promete ser uma grande celebração da cultura carioca e brasileira.
Assim como em edições de sucesso, o evento será totalmente aberto ao público, permitindo que os apaixonados pelo Carnaval acompanhem de perto, com muita emoção, a definição do futuro de suas escolas do coração. A entrada será solidária, mediante a doação de 1 kg de alimento não perecível, reforçando o compromisso social da Liesa e do mundo do samba com a sociedade.
A noite será embalada por muita música e exaltação à nossa cultura. A abertura ficará por conta do grupo Os Puxadores do Samba, formado por vozes que fazem sucesso na Avenida. A apresentação promete aquecer o público com grandes clássicos dos sambas-enredo. Logo após, o cantor e compositor Dudu Nobre sobe ao palco para um show especial com seus grandes sucessos e a autêntica cadência do samba.
Na sequência das apresentações musicais, o momento mais aguardado da noite tomará conta da Cidade do Samba: o sorteio oficial. O evento definirá a ordem de apresentação das agremiações do Grupo Especial e também das escolas mirins, garantindo a emoção de todas as gerações de sambistas e dando a largada oficial para os trabalhos nos barracões.
O sorteio será baseado em três trincas pré-estabelecidas, com agremiações que não poderão ser selecionadas para desfilar no mesmo dia. Previstas em regulamento, as trincas foram definidas em plenária da Liesa. São elas:
– Unidos da Tijuca, Paraíso do Tuiuti e Grande Rio;
– Viradouro, Unidos de Vila Isabel e Imperatriz;
– Beija-Flor de Nilópolis, Mangueira e Salgueiro.
Uma outra trinca não será incluída no sorteio, já que inclui escolas cujas posições de desfiles serão baseadas na classificação de 2026. União de Maricá, campeã da Série Ouro, abrirá o Domingo de Carnaval; Mocidade, décima primeira colocada deste ano, abrirá a Segunda-feira em 2027; Portela, a décima nesse último ranking, ficará com o início de Terça-feira.
O Rio Carnaval 2027 está programado para os dias 7, 8 e 9 de fevereiro, prometendo mais um ano de desfiles inesquecíveis e de altíssimo nível técnico e artístico.
SERVIÇO: Sorteio da Ordem dos Desfiles – Rio Carnaval 2027 Onde: Cidade do Samba (Rua Rivadávia Corrêa, 60 – Gamboa, Rio de Janeiro)
Quando: Quinta-feira, 16 de abril, a partir das 19h
Atrações: Abertura com Os Puxadores do Samba, seguido de show de Dudu Nobre
Entrada: 1 kg de alimento não perecível
Em um almoço realizado na tarde desta quarta-feira, o Conselho Superior da Estação Primeira de Mangueira, comandado pela presidenta Guanayra Firmino, elegeu o ex-presidente da agremiação, Chiquinho da Mangueira, como novo membro do quadro dos Baluartes da Mangueira. O ex-dirigente foi indicado pela presidenta Guanayra Firmino e ocupará a vaga deixada por Maria Helena Vieira, falecida em março deste ano. Chiquinho foi presidente da Verde e Rosa entre os anos de 2013 e 2018, sangrando-se campeão em 2016, com o enredo “Maria Bethânia: A menina dos olhos de Oyá”.
“A Mangueira sempre foi uma escola em que tudo foi muito difícil, os mestres do passado brigaram muito para a Mangueira chegar onde chegou, e todas essas pessoas, inclusive as que já se foram, passaram a ser os grandes defensores do quilombo chamado Estação Primeira da Mangueira”, aponta Elmo Santos, ex-presidente da escola.
“Nosso dever é não deixar esse quilombo Verde e Rosa ser tocado. Podemos discordar, mas somos da mesma família, e temos que honrar, com sangue Verde e Rosa, e defender sempre essa Estação Primeira de Mangueira, onde nascemos, onde nos criamos, e reverenciar, principalmente, nossos antepassados, que deram a vida por ela. Salve a Estação Primeira de Mangueira”, finaliza o ex-dirigente da agremiação.