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Festa em Padre Miguel! Gabi Mendes é coroada rainha de bateria da Mocidade em noite de surpresa e emoção na quadra

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Foto: Divulgação/Mocidade

É oficial: Gabi Mendes é a nova rainha de bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel. O que até então era expectativa se transformou em realidade na noite deste sábado, quando a escola preparou uma grande surpresa para a artista durante a semifinal do concurso de samba-enredo e anunciou, diante da comunidade e do público presente na quadra, a nova majestade da verde e branca.

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Sem saber que seria coroada, Gabi Mendes foi surpreendida pela Mocidade em um dos momentos mais emocionantes da noite. Em meio à festa da semifinal, a artista recebeu a faixa e a coroa, oficializando sua chegada ao posto de rainha de bateria da Não Existe Mais Quente, comandada pelo Mestre Dudu.

A coroação transformou a noite de disputa de samba-enredo em uma grande celebração. Entre aplausos, emoção e festa, Gabi foi recebida pela comunidade de Padre Miguel e passa a escrever um novo capítulo de sua trajetória junto à Estrela Guia.

A nova rainha chega à Mocidade para o Carnaval 2027, ano em que a escola levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “Latinamente Independente – Nosso Norte é o Sul em Remanifesto”, celebrando a identidade e a força dos povos latino-americanos.

‘Essência é ter disputa de samba’: Marcelinho Calil defende quadra aberta na Viradouro e exalta safra para 2027

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Foto: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

Atual campeã do carnaval carioca, a Unidos do Viradouro já está em ritmo acelerado de preparação para o Carnaval 2027. Em entrevista ao CARNAVALESCO, o presidente da vermelha e branca de Niterói, Marcelinho Calil, abriu o jogo sobre o andamento da disputa de samba-enredo, fez uma defesa veemente do formato tradicional de quadra aberta, questionando a busca por “fórmulas mágicas” e detalhou a estrutura financeira e organizacional que envolve a grande final da escola.

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‘Gosto de quadra aberta e cerveja gelada’, afirma o presidente

Em um momento em que diversas escolas de samba repensam seus formatos de disputa de samba-enredo, com algumas optando por disputas fechadas ou encomendas, Marcelinho Calil posicionou-se firmemente a favor da tradição. Para ele, a quadra cheia, a vibração das torcidas e a cerveja gelada são elementos indispensáveis que não podem ser substituídos.

“A disputa de samba daqui a pouco ela está extinta. E particularmente isso me incomoda muito, porque eu sou um apaixonado por disputa de samba e acho que é um momento crucial da instituição da escola de samba por si só”, desabafou o mandatário, garantindo que lutará “com unhas e dentes” para preservar o modelo na Viradouro.

O presidente rechaçou a necessidade de mudar as regras do jogo sob pretexto de criar mecanismos para “trazer mais justiça”. Segundo Calil, a responsabilidade final de fazer a escolha e a triagem das obras é de sua presidência junto à diretoria e à equipe musical.

“Quem tem que ser justo sou eu, quem tem que chegar no palco e separar o que é um samba bem executado por um cantor de ponta ou não, sou eu e a minha equipe. Deixa com a gente fazer esse filtro. Para a Viradouro, eu não vi motivo de mudar”.

Safra elogiada de sambas para o Carnaval 2027

A Viradouro conta com uma safra muito celebrada de sambas concorrentes para o próximo ano. O presidente demonstrou extrema satisfação com as obras que estão na disputa e garantiu que, atualmente, a escola possui mais de uma opção com plena capacidade de representar o enredo na Marquês de Sapucaí. Marcelinho revelou o rigoroso processo interno de lapidação das parcerias, detalhando que a escola trabalha desde a fase do “tira-dúvidas” para deixar todas as obras alinhadas e com riqueza melódica e poética.

“Os oito sambas com tranquilidade contam perfeitamente o enredo. Graças a Deus agora na Viradouro, pelo menos nos últimos anos, eu tenho mais de um samba que eu iria tranquilamente para a avenida. A escolha é um processo de amadurecimento como um bom vinho. Ele vai ganhando corpo ao longo da disputa”, revelou.

Quando restarem de três a cinco concorrentes, a diretoria se reunirá em estúdio com o intérprete Wander Pires para simular cada obra sendo gravada de fato, o que dará segurança na escolha do hino definitivo. Outro ponto de destaque na gestão de Marcelinho Calil é o modelo de divisão da premiação financeira das disputas de samba. O presidente explicou que a divisão é fixa e consolidada há anos para dar segurança às parcerias concorrentes, permitindo que elas cheguem à grande final sem medo de prejuízos.

A premiação é distribuída da seguinte forma: 60% do prêmio total é destinado à parceria vencedora, 5% é garantido para cada uma das duas parcerias finalistas que ficarem pelo caminho e 30% é retido pela escola para custeio e despesas gerais da disputa. Marcelinho Calil fez questão de frisar que a Viradouro investe pesado nas disputas e que os 30% de custeio sequer cobrem o real prejuízo financeiro acumulado ao longo do ano com transmissões, festas e eventos, mas a escola faz questão de manter o repasse às parcerias.

“Eu sou um apaixonado por disputa de samba, perco com prazer”, declarou de forma descontraída.

O que esperar da grande final? ‘Marcelão gosta de fazer chover’

Embora os detalhes da festa de final de samba-enredo (dia 19 de setembro) ainda não tenham sido formalmente discutidos, o presidente garantiu que o público pode esperar um espetáculo grandioso à altura das expectativas. A organização do evento fica sob a batuta do presidente de honra da agremiação, Marcelão.

“Isso fica muito na incumbência do presidente de honra, Marcelão, que gosta de fazer chover aí na final. A gente tem uma equipe de excelência”, finalizou Marcelinho.

‘Tentar fazer alguma coisa que vocês nunca viram’: União de Maricá promete final histórica para o Carnaval 2027

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Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

Durante a apresentação dos sambas concorrentes da União de Maricá para o Carnaval 2027, realizada neste sábado, o presidente da agremiação, Matheus Santos, concedeu uma entrevista ao CARNAVALESCO para detalhar as expectativas da escola para a nova temporada. Com otimismo, o dirigente projetou uma disputa interna acirrada e de altíssimo nível. Matheus Santos não escondeu o entusiasmo com as obras que estão entrando na disputa para embalar o desfile de 2027.

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“Espero que seja uma safra bastante aguerrida, uma safra que dê para poder competir por cima desse ano. Fiquei sabendo que tem alguns compositores renomados escrevendo. Espero que seja uma safra bastante forte, que entre na disputa de verdade”, declarou o presidente.

Incentivo financeiro contra os desafios de logística

Um dos grandes destaques do regulamento da União de Maricá é a estrutura de premiação, desenhada para valorizar os profissionais do samba e aliviar os custos logísticos da disputa. O samba vencedor receberá uma premiação de R$ 100 mil, além da premiação pelos direitos autorais, enquanto as outras duas parcerias finalistas serão contempladas com R$ 20 mil cada. O presidente explicou de forma transparente a motivação por trás desse forte investimento financeiro, apontando a distância geográfica de Maricá como um fator importante a ser superado.

“A gente colocou lá (no regulamento): com os três finalistas, o samba campeão R$ 100 mil e com os dois finalistas R$ 20 mil. Até para ajudar na logística. A gente sabe que Maricá é um pouco distante de onde as pessoas estão acostumadas. A escola do outro lado (…) um pouco mais perto da gente é a Viradouro, que já tem uma logística um pouco mais perto da ponte. A gente precisa também ajudar o compositor, né, trazer outras torcidas, a motivar também eles a escreverem. Por isso que a gente está fazendo essa premiação para ajudá-los”, justificou.

Show da final: espetáculo garantido, mas foco total no samba

Questionado sobre o que o público pode esperar da grande festa que definirá o hino oficial da escola para 2027, Matheus Santos garantiu que a escola está preparando um evento inesquecível e inédito.

“O show da final vai ser um arraso, vocês podem explorar bastante coisa. Tenho certeza que vocês vão ver uma coisa que nunca viram. Mas a gente primeiro queremos um bom samba. O show é indiferente. Tendo um bom samba, já saio daqui muito feliz”, concluiu.

Análise: Parcerias de Marcelinho Moreira, PC Feital e Raoni Ventapane são destaques nas quartas da Vila

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Foto: Marcos Marinho/CARNAVALESCO

A disputa da Unidos de Vila Isabel para 2027 já começou a afunilar. Na noite de quartas de final, que reuniu seis parcerias concorrentes, as obras de Marcelinho Moreira, Paulo César Feital e Raoni Ventapane se destacaram, entregando as exibições mais fortes e envolventes em torno do enredo baseado no livro “Torto Arado”, de Itamar Vieira Junior. A escola anunciará, ainda neste sábado, nas redes sociais, as obras classificadas para a semifinal. Em 2027, a Vila Isabel fecha o domingo de carnaval com o enredo “Torto Arado — Sobre a Terra Há de Viver Sempre o Mais Forte”. A seguir, o CARNAVALESCO analisa as apresentações da noite.

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Parceria de Ricardo Mendonça: Evandro Malandro conduziu o samba da parceria de Ricardo Mendonça, Jarbas Bittencourt, Diego Nicolau, Diego Jorge, Aldir Senna, Antônio Pontes e Gigi da Estiva. A obra apresenta uma sequência de dois bis no refrão principal, com destaque para a segunda metade: “Abra a sala de Angolá, olha a Vila, Lelê / Abre a sala de Angolá, olha a Vila, Lelecó”. Trecho que tem passagem mais forte e melhor cantada que a primeira. A primeira parte do samba, sobre a relação com a terra e uma exaltação do território da Chapada Diamantina, chega com bons versos e boa dinâmica de abertura, até desembocar no refrão do meio, que evoca o ritual do jarê. Esse refrão do meio é longo e, apesar de bem colocado do ponto de vista da narrativa, trazendo o ritual para dentro do samba, não tem a força de um refrão de meio propriamente dito. A segunda parte segue para o tema da luta pela terra, com uma passagem de belíssima melodia e poesia: “Quanta injustiça, meu Deus! / No encanto de Severo / O rio sangrou / Eu me desfiz em chuva / Pra só mais uma vez molhar tua boca / E galopar teu corpo”. É um samba de boa condução, com qualidades de melodia e letra. Fez uma boa passagem.

Parceria de Marcelinho Moreira: Igor Vianna, Charles Silva e Tem-Tem Jr. defenderam o samba da parceria de Marcelinho Moreira, Kléber Cassino, Mano 10, Orlando Ambrósio, Miguel Dibo, Guilherme Karraz, JB Oliveira e Marcelo Rodrigues. Uma apresentação que se destacou nessa noite de quartas de final. O refrão principal é muito forte nos versos: “Firma o ponto de macumba, Dona Vila Isabel / O povo do samba faz do livro seu papel / Cabo de marfim empunho corta o mal na raiz / Feitiço teimoso de ser feliz”. Ele passou com muita força durante toda a apresentação. A cabeça do samba já se destaca: “Ô joga a rede, Santa Rita Pescadeira / Que o Morro dos Macacos é pedra de batucar / Ô joga a rede, Santa Rita Pescadeira / Em água negra traz história pra contar”. A letra acerta ao evocar nos primeiros versos Santa Rita Pescadeira, entidade do jarê que conduzirá a narrativa do desfile. O refrão do meio acontece em dois bis, evocando um ponto conhecido dedicado a Ogum: “Ogum, Ogum, Tatará / Tenha dó de mim / Aê, Aê, Tatará / Tenha dó de mim”. Um trecho conhecido por parte do público, o que é uma escolha inteligente: por já ser identificável, traz o ritual do jarê para dentro da passada do samba. Resta saber se o protagonismo de Ogum no refrão do meio atende ao desenvolvimento do desfile, já que a entidade é uma entre outras cultuadas no jarê. De qualquer forma, o refrão do meio é uma boa passagem para a segunda parte. Essa segunda parte fala sobre a bravura e a luta pela terra e traz versos bonitos, dos quais destaco: “Quem te evoca sou eu, pedaço desse chão / Tapera que resiste contra o vício da invasão”. São versos que sintetizam bem a proposta desse momento do samba. É um samba que entrega consistência do início ao fim, com a força do refrão principal. Uma excelente exibição.

Parceria de Paulo César Feital: Rafael Tinguinha e Juan Briggs cantaram a obra da parceria de Thales Nunes, Paulo César Feital, Gustavinho Oliveira, Danilo Garcia, Julio Alves, Marcelo Martins e Gabriel Simões. Outra excelente exibição. O refrão principal é muito vigoroso “Jarê! Jarê! / Vai descer o morro todo! / Jarê! Jarê! / Vai descer o morro todo! / O Brasil nasce de novo pela força da enxada / O Quilombo é do povo / É a Vila incorporada!”. É o ponto alto do samba. A primeira parte abre falando sobre a própria Santa Rita Pescadeira, a entidade que narrará o desfile da Vila Isabel, ainda que sem citá-la explicitamente. Destaca-se o verso “Eu ando pelas águas pra cicatrizar / A velha mágoa / Memória secular”, que sintetiza bem a narrativa. O refrão do meio cresce e puxa o canto forte, que vai crescer de volta no refrão principal. Já a segunda parte traz uma variação melódica, com característica mais dolente, fechando com “Livrar do severo abandono / Esta terra que tem dono / Hoje tem macumbaria” antes de avançar para o forte refrão principal. É um samba bem construído, de excelente desempenho, bem conduzido pelos intérpretes Rafael Tinguinha e Juan Briggs.

Parceria de Moacyr Luz: Leozinho Nunes esteve à frente do microfone do samba da parceria de Moacyr Luz, Gustavo Clarão, Inácio Rios, Márcio André Filho, Igor Federal, João Martins e Daniel Braga. A primeira parte do samba tem um bom início, com uma poesia singular para apresentar Santa Rita Pescadeira: “Eu sou um rio maior que o mar / Sou o anzol maior que o peixe / E vi o sol, o corte e o fio / Da mãe África eu sou o arrepio”. O refrão do meio tem uma pegada divertida e gostosa, com boa passagem, sendo o momento forte do samba. A segunda parte traz a questão da luta pela terra, com melodia redonda, mas sem grandes achados poéticos. O refrão principal “E sangue preto parindo o amanhã / No fio da faca, desafio a morte / Minha Vila rasga o chão, mãe guardiã / Sobre a terra há de viver sempre o mais forte!” teve uma boa passagem. No geral, é uma apresentação inteira, mas com leve queda de rendimento ao longo das passadas. O grande mérito do samba está no refrão do meio; como conjunto, é uma exibição regular.

Parceria de Raoni Ventapane: Pitty de Menezes e Dodô Ananias defenderam a obra de Raoni Ventapane, Didi Américo, Markinho da Vila, Wilson Mineiro, Robson Bastos, Elton Babu, Bernardo Nobre e Gabriel Coelho. Uma apresentação de excelente nível. O refrão principal “Ogum, Ogum… Ouça a voz de quem te chama / Ogum, Ogum… Lá da aldeia de Aruanda / Ô nagô iná… Partilhar é o caminho / Me orgulho em ser a Vila de Martinho” é envolvente e empolgante, com melodia de fácil assimilação e gostosa de ouvir. A primeira parte também se destaca, com a abertura de melodia cativante: “Por terras secas passei e feito anzol de pescar / Cativa então mergulhei, não via o sol brilhar”. Já o refrão do meio é outro excelente momento do samba. A sequência “Tem boneca de milho na casa de barro, Jarê / Raízes que vêm ‘benzê’… Do velho nagô / Vi curador cavalgando em cantoria / Cada alma que descia, um lampião incendiou”, seguida de “Ê marinheiro, ventania e aluá / O peji foi convocado pra jogar rede no mar”, tem ótimo rendimento. Já na segunda parte, a melodia é muito bonita e há um jogo de pergunta e resposta entre as vozes logo na abertura: “Se essa terra fosse minha (eu quero) / Eu mandava partilhar (que o povo) / Pra que cada Bebiana (na vida) / Tenha um canto pra plantar ou ensinar / À sombra de um buritizeiro”. Esse jogo de pergunta e resposta traz uma virada bonita para o samba. A performance de Pitty de Menezes e Dodô Ananias acentua a ótima melodia da obra e faz o samba passar com força, sendo uma apresentação de destaque da noite.

Parceria de Martinho da Vila: Fechando a noite, a parceria de Martinho da Vila, Evandro Bocão e André Diniz não contou com Wander Pires. Foi o próprio André Diniz quem comandou a primeira passada do samba sem bateria. Depois, Wandinho assumiu o microfone principal. O refrão principal “A semente que ficou, é se juntar / Dividir o que plantou, e se a vida derrubar / Enxugue o pranto, te levo pra lutar” é uma boa síntese, com melodia simples e bonita que funciona bem. Logo depois, sem função de bis, aparece outro trecho de destaque: “Nas páginas de um livro admirado / Torto Arado é retrato brasileiro / A nossa Vila, mais que uma escola / Aguerrida quilombola, risca o chão desse terreiro”. É um trecho muito bem cantado e que acaba ganhando mais força na apresentação do que o próprio refrão principal. Já o refrão do meio traz “Na brindeira, o batuque do Jarê / Rodo na gira do corpo pra corpo benzer / À luz de um velho nagô, o lume de lampião / O caruru na tigela, comendo com a mão”, com os versos invertidos no bis, rendendo bem. Na segunda parte, destacam-se os versos “A professora dá as mãos à profetisa / Dos dramas, na lida, na fé e no amor / Mulheres destemidas não se calam / Contra injustiças e grilhões / E a luta pela terra vai seguindo gerações”. Narrativa que traz mais as personagens de “Torto Arado”, remetendo a Bibiana e Belonísia. Ainda assim, o samba passa de forma mais fria: a abertura que André faz é bonita e envolvente, chamando a torcida do samba, mas, depois disso, a obra não sustenta o mesmo encanto, tendo uma passagem sem grandes sobressaltos.

Análise: Parceria de Hélio Porto se destaca em noite de afunilamento na disputa da Imperatriz

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Foto: Luiz Gustavo/CARNAVALESCO

A Imperatriz Leopoldinense entrou na fase decisiva da sua disputa de sambas-enredo para o Carnaval 2027, com a etapa de quartas de final realizada na última sexta-feira. Sete obras pisaram na quadra da verde e branco numa noite que realçou as particularidades de cada samba, com obras de diferentes estilos melódicos e formas de contar a história proposta. Nesta diversificação, destaque para a apresentação da parceria de Hélio Porto, com um desempenho excelente. Quatro sambas passaram para a fase semifinal, com as parcerias de Renan Gêmeo, Jefferson Lima e Mateus Pranto ficando pelo caminho. O enredo da agremiação de Ramos para o próximo carnaval é “A memória do rei e o sumiço de Dona Júlia”, desenvolvido por Leandro Vieira. A escola fechará a segunda-feira de carnaval. A seguir, a análise do CARNAVALESCO sobre as parcerias classificadas para a semifinal, que acontece no sábado, 5 de setembro.

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Parceria de Me Leva: Igor Vianna defendeu a obra de Me Leva, Gabriel Coelho, Guilherme Macedo, Herval Neto, Bernardo Nobre e Thiago Meiners. Um samba que aposta na repetição de seus versos para alcançar com mais força o imaginário do componente. São cinco trechos com bis, o primeiro deles na cabeça do samba: “é baque virado do Congo, cortejo de coroação, essa loa traz mistérios de uma história feita a mão”. Na sequência, a primeira parte traz a realeza do maracatu e o início do mistério da calunga feita para suprir a ausência de Dona Santa no plano terrestre, vide os versos “Dona Santa subiu pro Orun, a calunga incorporou, tem mistério a mandinga que seu filho assentou”. O bis seguinte, “Ô babá, na imbuia, o Egun da rainha, epa babá, na madeira, o ori de Oxalá”, é mais interessante melodicamente que o primeiro, apesar de toda a primeira parte ter uma base melódica semelhante. O refrão central, “é galinha d’angola, farinha, é sangue no couro, sassanha pra folha de boldo, copo d’água, fumaça e acaçá, foram três dias de resguardo no roncó, feitiço que corta nó pra boneca reencantar”, gera a imagética de um ritual, este, no caso, para a limpeza e retorno de Dona Júlia para o sagrado, extremamente sedutor em letra e melodia, obtendo efeito imediato em quem escuta, gerando o grande momento da obra durante a passagem na quadra. Em seguida, o samba retrata o retorno da boneca ao cortejo de maracatu e à noite dos tambores silenciosos, com mais um bis antes do refrão principal, “meia-noite, meia-noite, eu vi a terra tremer, senhora dá passagem pro povo do Orun descer, senhora dá passagem pro povo descer pro Ayê”, que entrega bem para o refrão principal, “Oyá Oyá, ê Lari Ô Oyá Balé, Oyá Oyá, ê Lari Ô Oyá Balé, que meu Ogã evoque um ponto de macumba, pra ganhar a rua a Imperatriz do candomblé”, trecho que possui boa variação melódica e boa comunicação com o público, se mantendo firme durante a apresentação. A letra beira a perfeição em sua construção, toda a história está ali e contada com muita qualidade poética, mas o samba passou aquém de sua qualidade. Talvez pela numerosa sequência de bis, o samba passou com alguns sobressaltos ao avançar das passadas e, principalmente, nas duas últimas passadas, de maneira truncada em alguns momentos, como na primeira parte, onde a variação melódica é menor. Foi uma passagem que apresentou as qualidades da obra, mas que não alcançou todo o potencial do samba.

Parceria de Josimar: Ronaldo Ylê defendeu o samba da parceria de Josimar, Carlos Kind, Diego Jorge, PC do Rio, Kleber Di César e Robert Farrow. A parceria apostou em uma melodia mais dolente, com boas variações, como na primeira parte, nos versos “o baque virado vai ecoar, Recife é o reino do Congo do lado de cá, no chão da nação do Maracatu, nos caminhos de Exú a rainha vai desfilar”. A melodia no geral do setor é muito interessante e acaba sendo superior à letra do mesmo, que não explora tão bem as nuances do enredo e é pouco criativa. O refrão central, “Gira aê calunga, boneca morada do Egun no Ayê, gira aê calunga, boneca morada do Egun no Ayê, no encanto do criador, Porto Rico perguntou, Dona Júlia cadê você?”, é gostoso de ouvir, tem a boa sacada de citar o maracatu Porto Rico e fluiu com facilidade durante a apresentação. O samba segue com uma melodia menos pesada em quase toda a segunda parte, que também possui boas variações, como nos versos “mistério trazido pro Ilê, no Xambá, Awurê, Arupemba vai desvendar, a mão do destino guiou, pra sua casa voltou, na lei do orixá”. A narrativa melhora e versos mais inspirados surgem, como no trecho “O sangue lava, Orixá não tem mais fome, Igbalé sopra seu nome, erguida e encantada pro Carnaval”. Foi na segunda parte que o samba mostrou sua maior irregularidade na apresentação, com uma primeira passada forte e as demais bastante irregulares. O refrão principal, “Tem macumba e maracatu segunda-feira, tem macumba e maracatu segunda-feira, no toque do meu tambor, as bênçãos do candomblé, Imperatriz axé”, dá sequência temporal ao que é retratado na sinopse e teve um bom rendimento. No geral, foi uma apresentação correta, com uma primeira passada valente, mas com as demais passadas mais irregulares em seu desempenho, apesar dos bons momentos melódicos da obra.

Parceria de Hélio Porto: Tinga e Charles Silva foram as vozes principais do samba da autoria de Hélio Porto, Miguel Dibo, Orlando Ambrósio, Marcelo Viana e Antônio Crescente. A apresentação mais potente da noite, conduzida pelo ótimo trabalho dos intérpretes e por um samba que tem uma força intrínseca em sua narrativa, com uma melodia que permeia a estrutura com categoria. O refrão principal, “Akoro mina Dewa Oyá Afulele, Akoro mina Dewa Oyá Motumbalé, catimbó catibozeiro nos encantos da calunga, Imperatriz firma seu ponto na macumba”, além da força semântica, possui uma melodia que o sustenta muito bem e uma frase final que possui impacto e fácil assimilação com o componente, passando com categoria em toda a apresentação. A primeira parte é redonda melodicamente e possui uma narrativa muito bem empregada, com destaque para a poética bastante inspirada nos versos que tratam da criação da boneca Dona Júlia: “nosso rei firma e consagra a saudade, entidade musicada ao xequerê, ausência presente de gente que olho não vê”. O refrão central, “È desce do Orun, fiz teu trono Dona Santa na boneca guardo Egum, Awre Awre brilha no axé, calunga de embuia que babá mandou fazer”, teve um desempenho excelente e grande sustentação em todas as passadas, com um excelente desempenho de Charles e Tinga junto com seus apoios. O refrão que cita o ritual de limpeza e retorno à vida espiritual de Dona Júlia, “tem vela acesa, couro em sangue, copo d’água, a cantiga, tira a mágoa, veste branco no roncó, okan de cabra e galinha pra ofertar, rastilho, fumaça, acaçá, quem vai pra rua não vai só”, é mais um momento de destaque na obra e possui uma melodia envolvente. Em seguida, o trecho que precede o refrão principal, “Deu meia-noite, é meio-dia para alguns, quando o sol encontra a lua na porteira dos eguns”, possui uma virada melódica brusca para o trecho seguinte, sem uma transição mais natural. O samba se portou com altivez e categoria durante todas as passadas, sem momentos de queda, se destacando na noite e dando um passo à frente em um momento decisivo da disputa.

Parceria de Zé Katimba: Bruno Ribas conduziu o samba de Zé Katimba, Inácio Rios, Jorge Arthur, Júlio Alves, Mirandinha Sambista e Igor Federal. O refrão de cabeça, “Ayê Ayê, a corte chegou, eu sou do baque virado no terreiro de xangô”, não tem um apelo tão forte com o componente nem uma narrativa marcante, mas passou de forma agradável durante a apresentação. A primeira parte é interessante em sua narrativa, com versos como “a sagrada fé retinta que se pinta, com as cores do poder, isso é macumba, é batuque de ancestral, salve a calunga, em Recife o carnaval, se transforma em ritual, Dona Santa incorporada, na boneca decorada, sob o toque do conguê”. Na sequência, o refrão “Alfaia não pode, não pode ganzá, na hora que o rei desencarnou, Dona Julia do sagrado ao sumiço inusitado desencantou” mostra uma narrativa mais carnavalesca do fato, com uma carga emocional menor e uma melodia com uma subida que acrescentou lirismo ao trecho, obtendo um rendimento muito bom ao longo das passadas. O samba possui uma melodia mais swingada, e ela funcionou com bastante êxito, fazendo a obra fluir de forma agradável. Na segunda parte, a construção da escrita seguiu uma linguagem mais coloquial e menos rebuscada, contando a história com clareza, vide os versos “pra todo ojé o ixá traz proteção, e quando toca o chão, conduz a Dona Júlia pra Yansã, voltou, ela voltou”. O trecho final da obra se comunica facilmente com o gresilense: “Maracatu é macumba na rua, realidade nua e crua, leopoldinense é macumbeiro de verdade”. O refrão principal, “Igbalé Oyá, Igbalé Oyá, meia-noite na matriz, meia-noite na matriz, na boneca de madeira, o Egun da catimbozeira é o axé da Imperatriz”, seguiu a melodia agradável da obra e também conseguiu uma passagem muito boa. Foi uma apresentação muito redonda de um samba que possui uma narrativa descritiva de fácil assimilação e uma melodia que funcionou de maneira bastante agradável na quadra.

Nenê de Vila Matilde anuncia saída do intérprete Tiganá

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Foto: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Nesta sexta-feira, a Nenê de Vila Matilde anunciou a saída de Alessandro Jorge Theófilo de Souza, popularmente conhecido como Tiganá, do posto de intérprete da escola.

Tiganá chegou à Nenê de Vila Matilde no início do ciclo de 2026 da agremiação, no início do ano de 2025, egresso de outra azul e branca da Zona Leste de São Paulo: a Imperatriz da Pauliceia. Mostrando empolgação, o intérprete teve um único desfile na Águia Guerreira: “Encruzas, Nenê de corpo e alma no coração de São Paulo”, que acabou na sétima colocação do Grupo de Acesso I.

Para o desfile de “ Mulheres de Palmares – A Liberdade Tem Rosto de Mulher ”, a Nenê de Vila Matilde teve uma série de mudanças. Primeiramente, a saída de Edgar Carobina e Graci Araújo , primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da agremiação. O guardião do pavilhão azul e branco retornou e chegou a ser anunciado como dupla com uma porta-bandeira egressa da Unidos do Peruche; mas, pouco depois, Edgar Carobina e Taiene Caetano se desligaram da agremiação. Para 2027, o primeiro manto matildense será conduzido por Patrick Vicente e Thayla Trentin.

Análise: Quartas da Unidos da Tijuca revelam equilíbrio entre parcerias de Arlindinho, Ian Ruas e Lico Monteiro

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Foto: Victor Busch/CARNAVALESCO

Foi realizada na noite da última quinta-feira mais uma eliminatória para a escolha do samba-enredo da Unidos da Tijuca para o Carnaval 2027. A escola, que será a segunda a desfilar na segunda-feira, levará para a Avenida o enredo “A Cabeça do Santo”, que está sendo desenvolvido pelo carnavalesco Lucas Milato. Foram apresentados cinco sambas concorrentes na quadra da escola, no Santo Cristo, com destaque para as parcerias de Arlindinho Cruz, Lico Monteiro e Ian Ruas. A escola vai anunciar o samba eliminado nas redes sociais nesta sexta-feira ou na segunda. A seguir, o CARNAVALESCO analisa as apresentações das cinco parcerias que estão na disputa.

Parceria de Samir Trindade: O samba de Samir Trindade, Kleber Rodrigues, Sandro Nery, JP Figueira e Guilberth Castro foi cantado por Evandro Malandro e Tem-Tem Jr. A obra trouxe uma mistura do fictício com a vida real, ao falar da realidade tanto de Caridade, cenário da narrativa do livro A Cabeça do Santo, quanto do Morro do Borel, conseguindo fazer uma conexão: “Minha história é sertaneja brasileira / Feito tantas por aqui / Tipo gente do morro que pede socorro / Para o santo acudir”. Isso se faz repetir em seu refrão principal: “Ê Santo Antônio, em teu colo a esperança / Que é toda criança do sertão e do Borel / Sou Tijuca, vai ter samba e ladainha / No terreiro ou na igrejinha, lá na Rua São Miguel”. Um destaque que conquistou a todos os presentes na quadra foi o trecho “Rodeia, rodeia, rodeia, meu Santo Antônio / Rodeia”, que traz uma famosa cantiga religiosa e foi cantado em todas as passadas. Um trecho que também se destacou bastante foi “Ouvi a voz de um povo sofredor / A mesma fé que uniu destinos me envergonhou”. O samba teve uma levada moderada, mas, com os seus intérpretes, conseguiu descontrair. A obra foi cantada pelos presentes e a ala dos passistas.

Parceria de Arlindinho: O samba de Arlindinho Cruz, Fred Camacho, Bruno Dallari, Igor Leal e Diego Nicolau foi defendido por Igor Sorriso e Rodrigo Tinoco, além de Diego, que também é um dos autores. Um dos destaques da noite, o samba trouxe uma melodia com muitas variações interessantes, além de trazer um lirismo mais irreverente que conquistou a maioria do público presente. A composição traz Samuel narrando a sua própria história: é simples, porém se destaca por sua estrutura rítmica, como nos trechos “Sem sorte, sem eira nem beira / Errante, distante do quê?”, além dos coloquialismos que enriquecem os versos: “Dei com os ‘zói’ em Caridade / Nos festejos de Antônio / Achei um canto ‘bão’ pra esticar ‘os pé’ / E acordei com as ‘muié’ me pedindo matrimônio”, que ganha mais força no refrão espirituoso: “Joana queria José / Mas Zé só pensava em Maria / Maria não sabe o que quer / Nem com quem se casaria / Foi tanto causo de amor que apareceu / No fim das contas vi que o santo era eu”. O público presente se empolgou demais no trecho “Ê rodeia / Ê amansador de burro brabo do sertão / Ê rodeia / Ê faz esse conto encantar meu pavilhão”, que pegou rapidamente. Já o seu refrão central, “Êta cadência arretada / Escola danada do meu coração / Tijuca vem e me vira a cabeça / Que Santo Antônio abençoe o Pavão”, mostrou sua força em todas as passadas. A parceria encantou grande parte dos presentes.

Parceria de Ian Ruas: O samba de Ian Ruas, Caio Miranda e José Carlos foi defendido por Vitor Cunha e Dowglas Diniz. A composição traz uma condução mais emotiva e ganhou destaque justamente por esse aspecto, gerando uma carga maior de sentimento. A letra mostra um grande destaque lírico, pois apresenta a perspectiva de Samuel em um tom mais emocional e de uma forma mais poética, como nos trechos: “Mainha, do céu, vem me abençoar / Mainha, me guarda em teu colo / A luz da saudade vagueia no olhar / No brejo, a casinha, o sereno / Memórias que o tempo não pode apagar”. Destacou-se também uma variação da melodia que conseguiu trazer um pouco de “tensão”, como se vê no trecho: “Vá de retro, Belzebu, não me venha assombrar / Padim Ciço me proteja, São Francisco vai curar”. O refrão central, “Em terra de fé, brotou o fruto da oração / Traz viola, meu sinhô / A sanfona anunciou / Tem festança no sertão (vem sambar no meu baião)”, mostrou a sua força. A parceria conseguiu ser muito bem defendida, além de trazer a carga interpretativa que os versos pediam, valorizando a letra e a beleza harmônica de seus intérpretes.

Parceria de Lico Monteiro: O samba de Lico Monteiro, Marcelo Adnet, Marcelo Lepiane, Telmo Augusto G. da Estiva e Juca foi defendido por Wander Pires. A obra trouxe um olhar mais criativo sobre o que a escola está se propondo em sua proposta, trazendo Samuel em uma perspectiva de contar a sua história. A composição traz um destaque no refrão “É só rezar pra Santo Antônio ouvir / Ô diacho, me esqueça! / Vou achar um cazuá / Atender a simpatia pra Toinho descansar”, que trouxe uma envolvente melodia e fez os presentes ficarem nas palmas. Nos versos “Aos pés do corpo, encontro a redenção / Chorar, chorei / Toca o sino e vem a romaria / Guardo no peito o amor de Rosário / Meu coração se fez moradia”, que empolgou boa parte dos presentes, a obra conseguiu trazer um encanto para boa parte da ala das passistas que estava presente na quadra. Sua performance teve uma defesa que valorizou melodicamente o samba e teve um bom rendimento, sendo também um dos destaques da noite.

Parceria de Leandro Gaúcho: O samba de Leandro Gaúcho, Padre Felipe, Marcelo Moraes, Ricardo Construção e Ailson Picanço foi cantado por Wantuir e Lissandra. A obra puxou muito forte a religiosidade na narrativa, que se aprofunda em uma mistura sincrética muito cheia de brasilidade, como se mostrou nos versos “Vem com Chico e Romão”, “Moganga de boiadeiro, Xetruá” e com seu ápice no refrão “Santo Antônio pequenino do sertão / Eu trouxe a luta! / Venha abrir nossos caminhos, a vitória da Tijuca / Ele é de fé! / Amansador de burro brabo / Se duvida é melhor tomar cuidado”, que, além de brincar com o sincretismo, mostra também uma alusão a uma cantiga religiosa. Um dos destaques ficou para a sua introdução, quando os seus intérpretes cantaram o trecho “Meu pai, quantas vezes te esperei ao pé da porta / Pedi todo dia, roguei sua volta e veja só. / Sempre esteve aqui! / É hora, pai. / De seguir pro meu Juazeiro / Levando um rosário, batendo no peito / Outro milagre ainda está por vir”, que foi um dos pontos mais emotivos por trazer um tom mais sensível à sua narrativa. Outro destaque ficou para o toque regional do vocabulário como recurso criativo, que pode ser visto nos trechos “Da ‘moleira’ de Antônio fez seu usucapião” e “O problema foi o ‘santo’ responder a promessa pra menina se ‘ajuntá’”, que mostram uma bossa e uma personalidade à obra. Mesmo sendo a última a se apresentar, a obra conseguiu empolgar o público que ainda estava presente, principalmente em seu refrão central, “Santo Antônio pequenino do sertão / Eu trouxe a luta…”, que reuniu o público e componentes da escola, sambando e cantando durante toda a apresentação. Sua defesa conseguiu mostrar um bom rendimento durante a noite.

Sambas das parcerias de Marquinhos Beija-Flor e Diogo Rosa fazem apresentações mais quentes em noite disputada na Beija-Flor

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Foto: Luiz Gustavo/CARNAVALESCO

A Beija-Flor realizou na última quinta-feira mais uma etapa da sua disputa de sambas-enredo, que entrou na reta decisiva e mostrou caminhos mais claros em relação aos sambas postulantes a serem a trilha sonora da escola no Carnaval 2027, com dois sambas com ótimas apresentações na noite, sendo uma com um desempenho irrepreensível de seu refrão. Outras duas parcerias também tiveram desempenhos de boa qualidade. Cinco obras se apresentaram nas quartas de final e quatro parcerias seguem para a semifinal após a eliminação do samba 05, da parceria de Junior Trindade. A escola de Nilópolis apresentará o enredo “Zeneida: O sopro do pó de louro”, de criação do carnavalesco João Vitor Araújo, no domingo de carnaval, sendo a segunda escola a desfilar. Abaixo, a análise do CARNAVALESCO sobre os sambas classificados.

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Parceria de Junior PQD (Samba 02): Sob a autoria de Junior PQD, Ailson Picanço, Junior Billy Mandy, Geraldo, M. Felício, Marquinho Paloma e Marcelo Moraes, o samba foi conduzido por Pitty de Menezes. Antes do início da apresentação, a torcida, que esteve em bom número e com vários adereços, levou o samba no gogó. A primeira parte tem um poder imagético e narrativo enorme, com versos que evocam o universo das entidades indígenas com um toque de mistério, retratando com maestria este universo místico, como nos versos “ela que vem aos saberes da mata, por seus caruanas, letrada, anunciar! Deu hora grande, noite de panavoeiro, todo o fundo da maré vai baixar nesse terreiro”. A melodia possui um casamento impecável com a estrutura de linguagem da obra, em alternâncias de tom que dão peso e ótima fluidez ao samba, além de tornar a passagem dinâmica o tempo inteiro, apesar de uma leve irregularidade no canto da torcida ao longo das passadas. O refrão central “ôô, já chamou na doutrina, ventou na barreira do mar, fez do rio, igarapé, talhada em Maraocá, a corda é de Nazaré e também tupinambá (quero ver segurar” dá sequência nessa narrativa do misticismo presente em Marajó. A segunda parte começa entrando um pouco mais diretamente na vida de Zeneida, em seguida retomando o protagonismo do universo de Marajó, seguindo essa construção bem imagética das forças presentes, vide o trecho “teus curumins, esperança do Igapó, carimbolaram o samba na Ilha de Marajó, vem ver a ciranda dos guarás, preservar os maracás, as sementes de aguaí”, porém faltou centralizar mais nas passagens de Zeneida em certos momentos. O trecho final é o destaque melódico do setor e prepara a linha melódica seguida no refrão principal, que é mais leve em relação ao restante do samba, mesmo sendo uma passagem de clamor, nos versos “É pajé, traz a força de auí, é pajé, traz a força de auí, benze o nosso povo, reza o meu tambor, sopra o pó de louro sobre a Beija-Flor”, rendendo muito bem. Pitty e seus apoios conduziram a obra com muita competência, mas a torcida acompanhou com maior força nos dois refrãos. Na passada apenas com o canto dos torcedores, isso ficou mais evidente, mesmo com outros trechos também bem cantados, como na segunda parte. O retorno para os cantores no palco recuperou o vigor das duas primeiras passadas, e a apresentação terminou de forma bastante valente.

Parceria de Sidney de Pilares (Samba 39): O samba, da autoria de Sidney de Pilares, Pedro Marajoara, Dudu Nobre, Marcelo Lepjane, Salgado Luz e João Conga, foi cantado por Igor Sorriso. Antes de a apresentação iniciar, rolou uma roda de curimba dentro da torcida da obra, com direito a banho de ervas. Em seguida, a torcida puxou o canto para os intérpretes darem a largada. O refrão principal “firma a curimba na gira do carimbó, firma a carimba na gira do carimbó, é a pajelança nilopolitana, o meu Beija-Flor incorpora caruana” é outro a apostar na figura de linguagem da incorporação da Beija-Flor, chamando essa força visceral que se identifica com a azul e branco. O trecho funcionou e se destacou na sustentação da obra na quadra. A primeira parte não se mostrou tão funcional e já não iniciou tão forte, cansando ao longo das passadas, mesmo com uma narrativa bem-feita e com poética qualificada em versos como “materna a floresta que me fez mulher, o chão de Dahomé foi colo de meu pai, meus olhos mergulhados no Igarapé, segredos sussurrados quando a folha cai”. Igor Sorriso e seus apoios fizeram força para colocar o samba no prumo e, mesmo com o bom desempenho, a passagem não foi regular. O refrão central “de pajé pra pajé vou curar, esse mundo repleto de dor, pela pena dos meus maracás, vivem os rituais que mestre Mundico deixou” é carregado e tem uma melodia densa, coerente com a construção narrativa, tendo um desempenho melhor. A segunda parte apresentou a linha melódica mais ousada e as variações para tom maior elevaram o canto e o funcionamento do setor, como na transição melódica do bis “canta que o canto é reza, canta meu curió, evoco a força guará, do rio mar do Marajó” para o verso seguinte “floresta viva onde voa o Beija-Flor”. A forma como o enredo é contado na segunda parte traz uma Zeneida afirmando sua resistência e seu poder sem rodeios, vide os versos “Seu moço, a natureza é deusa mulher, venci o calvário por mãe Nazaré, pois todo fogo que aponta para mim, não decreta o meu fim, é fumaça que eu faço transcender”. A torcida segurou bem o samba, cantando com precisão quase que a totalidade da obra, com uma pequena queda no início da segunda parte, com boa comunicação entre Igor Sorriso e torcedores da parceria. Nas duas últimas passadas, o samba cresceu no trecho mais problemático, que foi a primeira parte, mantendo o bom nível nas partes restantes. Uma apresentação que mostrou uma primeira parte irregular, mas também boas credenciais e terminou em um crescente.

Parceria de Marquinhos Beija-Flor (Samba 13): A parceria de Marquinhos Beija-Flor, Claudio Russo, Chacal do Sax, Ronaldo Massacesi, Júlio Alves e Léo Freire teve Pixulé como voz principal do seu samba. A torcida do samba 13 entoou com animação, antes da apresentação, o poderoso refrão principal. O trecho “Ê, incorpora caboclo, incorpora caboclo, quero ver incorporar, do ventre do meu Pará, o pó de louro soprou, comunidade, caruana Beija-Flor” se sobressai na obra e é dono de uma força impressionante, um magnetismo que prende quem ouve, tendo o estilo que a agremiação gosta. A primeira parte obtém êxito em trazer Zeneida contando sua história; a narrativa é clara e, ao mesmo tempo, não fica presa a lugares comuns, como no trecho “dezessete dias amarrada no cipó, eu, filha das águas, floresci em minha fé, foi o meu chamado, mas eu não estava só, a mata me assentou pajé”. A melodia é muito bem ajustada e tem variações qualificadas, como na virada para o verso “do girador, princípio e criação”. O refrão central “É de pena e maracá, é de pena e maracá, eu sou cabocla com herança africana, mestre Mundico me ensinou a dar o nó em Caruá, eu tenho a alma nilopolitana” segue com a trajetória de Zeneida como centro, contada pela mesma, neste trecho citando os ensinamentos de mestre Mundico, além de trazer a relação da homenageada com a Beija-Flor, o que potencializa o alcance com o componente. A segunda parte do samba começa com uma mudança melódica que une força e lirismo nos versos “eis-me aqui, o tronco forte que nasceu Marupá”; melodicamente, o samba segue bem resolvido e a narrativa mantém a coerência descritiva, como nos versos “vem no balanço do Siriá, marujada e carimbo, quem ensina é Aguaguara, no curumim vi o futuro no olhar, a Baixada a invocar a força marajoara”, trecho que passou com ótimo balanço. A relação ancestral entre Zeneida e Beija-Flor é retratada novamente no bis antes do refrão principal, “do povo eu sou muiraquitã, pajé Zeneida, soberana, campeã”, outro trecho de assimilação rápida com o componente. A segunda parte como um todo é um pouco menos poética, mas de uma linguagem muito límpida e potente na comunicação da história proposta. Uma apresentação quente e constante nas primeiras passadas, com o evidente ápice no refrão. A passada só com o canto dos torcedores manteve o nível, porém com uma leve queda em alguns versos, crescendo no refrão central e, a partir do verso “vem no balanço do siriá”, onde até o refrão principal o samba explodiu na boca da torcida. Nas duas passadas finais, o poderio da obra se manteve, bem conduzido por Pixulé e seus apoios. Uma apresentação forte, com um desempenho espetacular do seu refrão, de um samba que se credencia com força a ser o vencedor na disputa da escola nilopolitana.

Parceria de Diogo Rosa (Samba 01): Tinga e Charles Silva defenderam o samba da parceria de Diogo Rosa, Julio Assis, Kirraizinho, Manolo, Clay Ridolf e Dr. Luiz Claudio. A parceria trouxe uma sósia da pajé Zeneida num pedestal, simulando o sopro do pé de louro, e uma torcida animada. O refrão principal “Chama karuana que a Baixada incorporou, chama Karuana que a Baixada é Beija-Flor, pajelança cabocla Sawé! Sawé!, na magia da floresta o segredo pra vencer” tem o peso e o clamor que o nilopolitano gosta e com o qual se identifica, e sintetiza a ideia de incorporação e presença das entidades tão forte na narrativa do enredo, sendo levado com a garra necessária pelos intérpretes e tendo um rendimento excelente. A primeira parte se inicia com um refrão de cabeça “moço, espia só, invisível vira folha, folha vira pó” que tem uma solução interessante na repetição, onde a palavra pó já inicia o verso seguinte, apesar de ser um trecho onde o canto é mais corrido. A obra descreve a ancestralidade e força espiritual presente em Zeneida como algo traçado pelo destino através de sua ascendência, como no trecho “entrelaço de cipó, risca mato, Marajó, transe de patuanú, encantado pele azul, eu tentei fugir da flecha, flecha acertou, mundiada em ventania….o tempo parou”, com uma melodia forte, bonita e que permeia com qualidade a força presente na letra. O refrão central “parou, pra ver o Brasil dos maracás, pra se render a fé dos ancestrais, Amazônia sustentada pela força de Majé, ver o norte ser um norte desse meu país mulher” apresentou uma melodia conduzida com gingado, sobretudo no primeiro verso. Na segunda parte, a melodia seguiu com bom peso, mas apresentou poucas variações. A narrativa se apresenta mais descritiva, citando características, nomes e os obstáculos que Zeneide teve que enfrentar, vide os versos “pra vencer a Piracema, Curimbatá, marajoara pajureba, carimbo do meu Pará”, cujas citações soam um pouco jogadas dentro da proposta. O trecho final “gratidão que borda o manto e assenta altivez, evoca o mundo místico outra vez” entrega bem para o refrão principal e resume o sentimento de dever cumprido da pajé Zeneida diante de toda sua trajetória. As qualidades da obra foram realçadas por uma ótima apresentação, onde o samba não caiu com o desenvolvimento das passadas iniciais. Na passada com a voz uníssona da torcida, a sustentação não foi a mesma, com Tinga pedindo o canto dos presentes em alguns momentos. No refrão final, o canto funcionou melhor. Nas duas passadas finais, a apresentação voltou ao nível anterior, com a obra pisando firme na quadra e finalizando com o fôlego lá em cima. Outra apresentação de destaque na noite.

Dragões da Real leva homenagem a Reinaldo para palco histórico e faz samba ‘explodir’ em audiovisual

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Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO

Uma das casas de show que mais recebem shows de sambistas em São Paulo foi o palco de um evento muito especial na última quinta-feira. O Carioca Club, em Pinheiros, recebeu a gravação do audiovisual da Dragões Real, escola do Grupo Especial da cidade. Uma série de coincidências envolvendo o espaço e o homenageado pela agremiação tornaram a filmagem ainda mais especial. Quarta escola a desfilar na sexta-feira de carnaval, a Dragões da Real terá como enredo “Sob as bênçãos de Xangô; a coroação do príncipe Reinaldo”, assinado pelo carnavalesco Jorge Freitas. O samba-enredo da Dragões da Real para 2027 é assinado por Pedroca, Chanel, Ailson Picanço, Daniel e Santos.

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Gravação importante

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Renato Remondini, popularmente conhecido como Tomate, presidente da escola

Diversos nomes ligados à Dragões da Real destacaram quão relevante é fazer uma captação como a realizada pela escola. Renato Remondini, popularmente conhecido como Tomate, presidente da escola, por exemplo, trouxe algumas informações bastante interessantes para a conversa: “A gravação tem alguns itens que eu preciso falar. Primeiro, o local: o Reinaldo fez diversos shows aqui. Coincidência ou não, o Émerson Dias cantou na inauguração daqui, há alguns aninhos atrás. A gente optou em fazer aqui pela parceria com o pessoal do Carioca, que é muito parceiro e gente boa demais. Estamos fazendo uma grande roda de samba numa casa de samba. No ano passado, nós gravamos na nossa quadra com a imersão em uma floresta. E, nesse ano, optamos por fazer numa casa de samba tradicionalíssima da cidade de São Paulo. Reinaldo fez shows magníficos aqui, e, por essa razão, para a gente dar um clima de roda de samba, que tem tudo a ver com o nosso enredo e energia, fizemos nossa gravação aqui”, pontuou.

Diretor de carnaval da Dragões da Real, Márcio Santana foi na mesma linha: “Primeiramente, uma gravação como essa é importante para trazer o público para dentro de uma imersão. Nós poderíamos fazer a gravação de um audiovisual na nossa quadra, mas a escolha pela casa, pelo Carioca Club, se dá exatamente por ter sido um dos palcos onde o Reinaldo mais se apresentou. Mais do que a captação, é uma imersão. É trazer o nosso povo para dentro do enredo e explodir de alegria, curtir a possibilidade e fazer uma festa linda”, disse.

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Diretor de carnaval da Dragões da Real, Márcio Santana

Novo intérprete da Dragões da Real para 2027, Emerson Dias afirmou que realizar tal gravação poucas semanas depois da escolha da canção ajuda bastante no trabalho do cantor: “A gente não tem muito contato com o samba nas semanas depois que ele é escolhido. A gente vê o samba na disputa, pensa que queria algum samba e, de repente, o samba perdeu. Mas a gente, quando pega o samba, traz para a gente, vê a divisão, vê o que é melhor, uma notinha ou outra com adaptação… é como se fizesse uma bainha numa calça. Quanto mais contato a gente tiver com o produto que a gente vai levar para a avenida, melhor! É muito importante. Sem contar que valoriza o produto, valoriza o Carnaval, valoriza o segmento, valoriza a escola. Requer custo, requer investimento e requer comunidade, e isso a gente tem. É botar para quebrar e fazer um lindo audiovisual, porque o samba já está na boca do Brasil, como diria o Bertoldo Brecha. Nesse último evento que a gente fez no Rosas, o presidente Tomate postou um vídeo meu cantando e deu uma interação muito boa, foram mais de cem comentários. Vamos com tudo!”, garantiu.

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Novo intérprete da Dragões da Real para 2027, Emerson Dias

Alguns integrantes da escola aproveitaram para fazer uma diferenciação do audiovisual captado pela Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo (Liga-SP) e pela própria agremiação. Klemen Gioz, mestre da “Ritmo Que Incendeia”, bateria da Dragões da Real, foi um deles: “A gente fez um formato diferente do que a gente faz na Liga-SP. Por mais que também seja ao vivo, aqui é com a nossa cara. A gente consegue trazer o nosso povo para vir para cá. Na gravação da Liga-SP tem um número limitado de pessoas, por exemplo. É o nosso clipe, com a nossa cara. O da Liga-SP é importante por muitos importantes e o nosso é importante por outros. Todos são importantes, e o que importa é ver o nosso povo feliz. E o povo que não é o nosso povo, mas é o povo do samba, está feliz, também”, comparou.

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Klemen Gioz, mestre da “Ritmo Que Incendeia”, bateria da Dragões da Real

Diretor de Harmonia Dragões da Real, Rogério Félix citou tanto a instituição que organiza os três principais grupos do carnaval paulistano quanto o enredo escolhido pela agremiação: “A Liga-SP tem um padrão muito bem executado, muito bem feito, que é igual para todas as escolas. Mas esse audiovisual nosso tem a missão de fazer uma roda de samba. É algo diferente do audiovisual que a gente tem que fazer para a televisão, é todo um trabalho especial. Você viu que, hoje, o que valeu foi o sorriso, a alegria, aquela energia que fica em volta de uma roda de samba. O nosso audiovisual vem para trazer isso: para deixar claro para as pessoas que a nossa missão é fazer uma grande roda de samba no Anhembi e convidar todo mundo para vir pra sambar. Abre a roda, desce todo mundo da arquibancada e vamos sambar junto! Pena que não pode descer a turma junto; mas, quem sabe, no Desfile das Campeãs, a gente pode convidar todo mundo que está assistindo e desfilar junto com a gente”, vislumbrou.

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Diretor de Harmonia Dragões da Real, Rogério Félix

Guma Sena, ex-mestre de bateria de coirmãs como Acadêmicos do Tucuruvi, Morro da Casa Verde e Mancha Verde e Diretor de Audiovisual da Sala 22, que faz a cobertura audiovisual de diversos eventos ligados ao Carnaval de São Paulo, também deu a visão dele: “A importância de uma gravação como essa está no fato de ser um documento para a escola. O projeto da Liga-SP é um projeto mais comercial, para vender, angariar patrocínios, parcerias… é a venda do produto Carnaval. O audiovisual produzido pela escola de samba é um documento que você registra de uma maneira personalizada e que se eterniza com todas as características que você quer. Você faz com a cara da escola, o perfil que a escola está desenhando para o seu projeto de Carnaval e é um documento que fica eternizado”, refletiu.

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Guma Sena, ex-mestre de bateria de coirmãs como Acadêmicos do Tucuruvi, Morro da Casa Verde e Mancha Verde e Diretor de Audiovisual da Sala 22

Por fim, Jorge Freitas, carnavalesco da agremiação, preferiu focar em determinadas tradições que agremiações devem manter: “Não só a gravação do audiovisual, como ter eliminatória de samba-enredo é muito importante para a gente manter acesa essa essência das escolas de samba. E, é claro, fazer um audiovisual, ainda mais com um enredo tão maravilhoso como é o nosso, para homenagear o Reinaldo, numa casa de samba onde ele fazia inúmeros shows, se torna muito mais importante ainda. É a essência do samba retornando à casa do samba para homenagear um dos grandes sambistas do povo brasileiro”, destacou.

Canção valorizada

A gravação do audiovisual da Dragões foi realizada menos de duas semanas depois da final de samba-enredo da escola, tempo suficiente para que a comunidade já se empolgasse com a obra escolhida. Ao menos é o que garante Tomate: “A gente tinha uma dúvida muito grande em relação ao samba que seria escolhido. Tanto o campeão quanto o nível da final foram muito bons! Quando o Emerson foi para o estúdio de novo, a gente começou a pensar na explosão da quadra com ele e vimos na festa da Furacão Azul e Rosa, sem ensaiar, e aconteceu de uma forma absurda! Ontem (quarta) nós fizemos o nosso primeiro ensaio na quadra, com ala musical completa e bateria inteira, já com a largada oficial que fizemos. O negócio já está acontecendo!”, comemorou.

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Carnavalesco Jorge Freitas

Márcio foi outro componente a citar um evento de uma coirmã para confirmar o sucesso da canção: “A aceitação do samba não é uma surpresa porque a gente acreditava que era a melhor obra tecnicamente para a nossa comunidade. Tanto que, desde a nossa primeira apresentação pública do samba, sem ter um ensaio efetivamente, ele já demonstrou isso, na nossa visita à festa de aniversário da Torcida Furacão Azul e Rosa, da nossa coirmã Rosas de Ouro. Ali a gente coroou o samba. A gente está falando de um enredo tão nobre que coroamos o samba. Ali a gente viu que efetivamente acertamos. Tivemos que fazer duas correções somente no samba, mais por ordem de perfumaria do que necessariamente por deficiência técnica. E está aí, está na boca do povo. Com certeza a apresentação do Anhembi vai trazer bons frutos para a gente. Hoje vocês já vão ter surpresas”, comentou.

Emerson apelou para forças superiores ao falar da obra: “Eu até me arrepio, porque a gente não escolhe muito, a gente é escolhido. Eu fui escolhido por uma conspiração dos astros, de uma forma inimaginável e por muitas pessoas. Todos os santos ajudaram para que eu estivesse aqui, nesse momento, para cantar esse samba da forma que ele é construído. É um samba fácil, popular, para um enredo popularíssimo como é esse do Reinaldo. Quem chegar no Anhembi e não souber cantar o samba, com duas passadas estará cantando”, pontuou.

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Klemen foi mais sucinto, mas destacou que a música conseguiu unir a escola: “Ganhou o samba certo, deu o samba que a escola queria, deu o samba que a nossa diretoria também queria. O nosso povo está feliz, graças a Deus. Hoje vocês viram um pouquinho do quanto o povo gostou e do quanto vai dar certo na avenida”, disse.

Félix trouxe uma novidade para quem estava presente: “O samba só cresce, graças a Deus. Esse é o trabalho que a gente vem fazendo. Quem estava na final viu como foi difícil, cada um tinha uma opinião diferente de leitura. Nós queríamos um samba com a cara do novo intérprete, com a cara do Reinaldo, com a cara das rodas de samba, daquelas mais modestas possíveis, que tem um conjunto de pessoas alegre em volta e curtindo. Com certeza esse samba vai trazer isso. Hoje você vai conseguir sentir isso: ele está mais lapidado agora, mais encaixado. Vamos fazer, em primeira mão, a largada oficial que a gente vai fazer. Dá para sentir muito o quanto esse samba cresceu e o quanto a energia desse samba é uma energia gostosa. Vamos mostrar que, de fato, somos a escola de gente feliz”, comentou, utilizando o slogan da agremiação.

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Jorge preferiu focar no gosto da comunidade ao falar da canção: “Nós acertamos de uma tal forma que o mais importante para a gente, na verdade, é a nossa comunidade gostar do samba que vai embalar o nosso desfile. A nossa comunidade gostando é o mais importante. Agora, o mundo do samba em geral gostando se torna ainda mais importante, não só para a Dragões, mas para o carnaval de São Paulo, que está numa crescente tão grande. Nada é melhor que ter um sambaço como nós temos para homenagear um ícone do samba”, finalizou.

Lucas Milato revela como nasceu o enredo da Unidos da Tijuca para o Carnaval 2027

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Fotos: Juliane Barbosa/CARNAVALESCO

A escolha do enredo da Unidos da Tijuca para o Carnaval 2027 não surgiu por acaso. Antes mesmo de assumir o cargo de carnavalesco da escola do Morro do Borel, Lucas Milato já carregava consigo uma história que considerava pronta para ganhar a Marquês de Sapucaí. Inspirado no romance A Cabeça do Santo, da escritora cearense Socorro Acioli, o enredo nasceu a partir de uma descoberta feita durante pesquisas pessoais. Primeiro veio a curiosidade sobre a famosa estátua de Santo Antônio, em Caridade, no interior do Ceará, construída sem que a cabeça fosse colocada no corpo. Meses depois, ao conhecer a obra literária inspirada nesse fato real, Lucas percebeu que havia encontrado algo maior.

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“Eu conheci primeiro a história da estátua de Santo Antônio na cidade de Caridade. Depois, alguns meses mais tarde, li o livro da Socorro Acioli. Durante a leitura, percebi que já tinha visto aquela história em algum lugar. Foi quando entendi que a autora tinha se inspirado naquele caso real. Achei tudo tão inusitado, tão brasileiro, que pensei: isso merece virar enredo”, contou.

A ideia começou a ser amadurecida ainda antes do Carnaval de 2026. Na época, Lucas sequer imaginava que assumiria a Unidos da Tijuca, mas já havia iniciado contatos relacionados ao projeto. Quando o convite da escola chegou, a conexão pareceu natural.

“Quando cheguei à Tijuca, senti que era a oportunidade perfeita. É uma escola que dialoga muito com o realismo fantástico, com histórias oníricas, que misturam realidade e imaginação. Apresentamos a proposta e o presidente gostou de imediato. Está sendo um processo muito especial”.

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A sinopse apresentada pela agremiação transporta para a Avenida a trajetória de Samuel, personagem central do livro. Em meio a memórias, fé, encontros e descobertas, a narrativa propõe uma reflexão sobre destino, pertencimento, esperança e recomeço. Temas que, segundo a direção da escola, estarão no centro da mensagem que a Tijuca pretende transmitir no próximo desfile. O enredo também marca uma nova fase na trajetória profissional de Lucas Milato. Após experiências anteriores no carnaval, o artista acredita chegar ao Borel em um momento de maior maturidade criativa.

“Acho que sou um artista mais maduro. A cada ano a gente aprende um pouco mais. Carnaval é um aprendizado eterno, ninguém está totalmente pronto. Chego com muito mais vontade de fazer o melhor pela Tijuca e alcançar nosso objetivo maior, que é o campeonato”.

Em busca dessa riqueza de detalhes, a equipe responsável pelo enredo realizou uma pesquisa de campo em Caridade, cidade onde se passa a história que inspirou a obra. O objetivo foi mergulhar nos cenários, costumes e referências locais para construir um desfile fiel à atmosfera do sertão cearense e às camadas simbólicas presentes na narrativa. A recepção positiva do público desde o lançamento da sinopse reforçou a expectativa em torno do projeto. Em um momento de renovação da Unidos da Tijuca, que busca retomar o protagonismo entre as grandes campeãs do carnaval carioca, a aposta em uma história marcada pela fé, pelo imaginário popular e pela esperança surge como um caminho promissor.