O presidente de honra da escola de samba Inocentes de Belford Roxo, Reginaldo Gomes, registrou nesta sexta-feira uma denúncia na Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) contra a LigaRJ, entidade responsável pela organização e pelo julgamento dos desfiles da Série Ouro do carnaval do Rio.
Foto: reprodução de internet
A Inocentes de Belford Roxo encerrou a disputa na 14ª e penúltima colocação da Série Ouro, somando 267 pontos, e acabou rebaixada ao lado da Unidos do Jacarezinho. Com o resultado, a agremiação terá de desfilar na Série Prata em 2027, na Avenida Intendente Magalhães, na Zona Norte.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, exibindo o registro da ocorrência, Reginaldo Gomes contestou as notas atribuídas à escola, que considera injustas e incompatíveis com o desempenho apresentado na Marquês de Sapucaí. Ele solicitou que a Draco apure possíveis irregularidades no processo de julgamento conduzido pela LigaRJ.
“Essa quadrilha que comanda o carnaval está com os dias contados”, declarou Reginaldo, afirmando ainda que pretende procurar a Alerj para pedir a abertura de uma CPI, além de acionar o Ministério Público para investigar as denúncias. “Pedimos providências contra a quadrilha que administra o carnaval do acesso”, escreveu na legenda da publicação.
Em nota oficial, a LigaRJ negou as acusações feitas pelo presidente de honra da Inocentes de Belford Roxo e informou que todas as decisões adotadas para o carnaval foram discutidas e aprovadas em assembleia geral, com a participação dos representantes das escolas.
Com a União de Maricá campeã após uma apuração marcada por uma disputa acirrada, o presidente da Liga RJ, Hugo Júnior, avaliou o Carnaval 2026 como um dos mais fortes da história recente da Série Ouro. Para ele, as duas noites de desfiles consolidaram o “gigantismo” do grupo e mostraram uma disputa em que nenhuma agremiação despontou isoladamente na briga pelo título.
“O balanço foi super positivo. Tivemos duas grandes noites na Marquês de Sapucaí. Foram 15 desfiles que mostraram o gigantismo que hoje a Série Ouro tem”, declarou em entrevista coletiva realizada ao fim da apuração.
Segundo o dirigente, o resultado refletiu o nível técnico apresentado na Avenida: “Foi bastante disputado, não tinha uma que se despontasse diretamente ao título. Na junção de todas, a União de Maricá foi a grande campeã. Parabéns a essa comunidade. E às outras 14 escolas, eu quero parabenizar pelos brilhantes desfiles”.
Julgamento sob escrutínio
Questionado sobre as notas, Hugo classificou o julgamento como “super plausível” e reforçou que a Liga RJ manterá o compromisso com a transparência ao divulgar as justificativas dos jurados.
“Agora vamos esperar a digitalização das justificativas e o mais breve possível torná-las públicas para ver de onde foram retirados os décimos tão preciosos que as escolas perderam. A gente preza muito pela transparência”, afirmou, revelando, porém, que ainda não há previsão para a divulgação das justificativas.
Ele também destacou que, pelo segundo ano consecutivo, a leitura da ordem dos quesitos ocorreu com transmissão da TV Band, o que, segundo ele, reforça a lisura do processo. “A gente tira como super ponderada toda a parte do julgamento”, disse.
Sapucaí cheia e Setor 1 como símbolo
Entre os pontos que considera avanço em relação a 2025, o presidente citou a presença de público, em especial a ocupação do Setor 1: “Eu considero 2026 como muito melhor do que 2025. Tivemos êxito de trazer o público para a Marquês de Sapucaí. A grande surpresa foi o Setor 1 lotado, que era a nossa vontade, para ser o portal de entrada das escolas”.
Para Hugo, o crescimento da Série Ouro também se mede pelo reconhecimento das próprias agremiações. “As escolas estão cada vez mais se sentindo prestigiadas por estarem tendo o local de destaque merecido dentro do carnaval do Rio de Janeiro”.
Expectativa pela Fábrica do Samba
Sobre o sorteio da ordem dos desfiles de 2027, a tendência é repetir o calendário do ano passado, com evento em meados de abril. “Vamos descansar um pouquinho. Acredito que possamos repetir nesse mesmo formato”, declarou.
Já em relação à aguardada Fábrica do Samba da Série Ouro, o presidente afirmou que haverá reunião com a prefeitura e com o consórcio responsável pelas obras para atualização do cronograma.
“A Fábrica do Samba é um sonho. Após o Carnaval, vamos sentar com os órgãos públicos e com as empresas para entender como está o parâmetro das obras”, revelou.
A expectativa é que a entrega das instalações ocorra em meados de 2026, mas a confirmação dependerá da reunião técnica prevista para as próximas semanas.
Em publicação nas redes sociais, a porta-bandeira, Bruna Santos, anunciou a saída da Mocidade Independente de Padre Miguel. Veja abaixo o comunicado.
Foto: Allan Duffes/CARNAVALESCO
“Carta aberta aos Independentes
Nação Independente, Minha história com a escola começa antes mesmo de eu me tornar a porta-bandeira que vocês conhecem. Fui passista da Estrelinha, cria da Vintém, onde encontrei solo fértil para crescer e me apaixonar diariamente pela Mocidade, realizando ali os meus maiores sonhos.
Foi na escola que cresci e amadureci. Foi na Vintém que o sonho de menina virou realidade — e isso ninguém vai nos tirar. Essa semente plantada no meu coração e na minha história rendeu frutos que foram colhidos nestes seis anos em que defendi, com todo amor, o pavilhão 1 da Escola.
Mas a vida é feita de ciclos, e chegou a hora de finalizar a história com a Estrela Guia de Padre Miguel. Chegou a hora de buscar novos caminhos que me tirem da zona de conforto e me desafiem.
Deixo a escola grata por tudo o que recebi dos Independentes, com o coração aquecido por tanto amor durante esses anos — e chorando por deixá-los.
Mas o Carnaval não se resume apenas à avenida, e eu preciso buscar novos desafios, olhar de fora e pensar no meu lado profissional.
Nesta despedida, não posso deixar de agradecer à tia Nilda e à Velha Guarda, que tanto me acolheram. À ala de passistas, à bateria “Não Existe Mais Quente” e a tantas outras pessoas que me fizeram ser quem eu sou e viver momentos inesquecíveis de felicidade.
Vou embora, mas vocês ficam comigo, guardados em um lugar muito especial, que jamais será apagado da minha história.
Aos Independentes, o meu MUITO OBRIGADO! AMO MUITO VOCÊS!”
A apuração do Grupo Especial do Rio confirmou o favoritismo construído na Avenida e consagrou a Unidos do Viradouro como campeã do Carnaval 2026. Na sequência da leitura das notas, a Beija-Flor de Nilópolis assegurou o vice-campeonato, resultado celebrado como sinal de consolidação após anos de oscilação.
O clima na quadra e entre os integrantes da azul e branca nilopolitana era de emoção contida. A frustração natural de quem esteve perto do título dividia espaço com o reconhecimento ao trabalho apresentado na Marquês de Sapucaí. A diferença apertada reforçou a percepção interna de que a escola voltou ao trilho das grandes disputas.
Ana Cláudia Virtuoso, 32 anos, integrante da bateria, avaliou o julgamento como “coerente”, apesar do desejo pelo campeonato. “Não queria ter perdido, lógico. Queria ser campeã. Mas a Beija-Flor está caminhando bem nesses anos. A gente não estava indo muito bem em harmonia uns tempos atrás e estamos caminhando bem. Ano que vem eu espero que a gente ganhe o Carnaval”, afirmou, destacando a evolução no quesito que já foi ponto sensível para a escola.
Entre os componentes, o discurso predominante foi de orgulho pelo desfile apresentado. Um integrante da comunidade ressaltou que o vice confirma a retomada de protagonismo: “A escola fez um desfilaço na pista e comprova que a Beija-Flor voltou. Campeã em 2025, vice-campeã em 2026. Voltou a ser o rolo compressor dos anos 2000”, disse João Carlos Martins. A fala faz referência ao período de hegemonia da agremiação, quando empilhava títulos e se impunha como força dominante na Sapucaí.
Para Laísa, diretora de bateria da Beija-Flor, o sentimento é ambíguo, mas sereno. “É o coração que fala. É trabalho de um ano inteiro”, disse, ao admitir que a vontade era pelo bicampeonato. Ainda assim, fez questão de reconhecer o mérito da campeã. “Quem ganhou, ganhou merecido. Fez um belíssimo desfile. Não é derrota, é vice-campeonato”, afirmou, num discurso que ecoou entre outros componentes.
Michel, também diretor de bateria da escola, reforçou o tom equilibrado. “Foram grandes desfiles e isso se refletiu na apuração. A gente não tem o que reclamar. Foi um grande resultado.” Ele destacou ainda a nota máxima conquistada pela bateria e garantiu que o trabalho já mira 2027. “Ano que vem pode esperar que a gente vai estar firme para brigar por nota máxima junto com a escola toda”.
A passista Eloane, 42 anos, resumiu o sentimento de superação: “Talvez tenha sido um detalhezinho ou outro. Não vai ser um décimo que vai tirar o nosso brilho. Ano que vem a gente vem para a cabeça”.
O vice-campeonato consolida uma sequência competitiva da Beija-Flor e reposiciona a escola no topo da disputa. Se a Viradouro levantou o troféu com um desfile considerado irretocável pelos jurados e emocionante pelo público, a agremiação de Nilópolis saiu da apuração com algo igualmente estratégico: a convicção interna de que voltou a brigar, de décimo a décimo, como protagonista do carnaval carioca.
Em publicação nas redes sociais, o mestre-sala Matheus Miranda, que dançou com Lucinha Nobre, anunciou sua saída da Unidos da Tijuca.
Fotos: Divulgação/Rio Carnaval
“Venho através desta, anunciar o final de um ciclo muito importante na minha vida.Foram uma década de muito amor, dedicação e aprendizagem. Cheguei na unidos da tijuca, um menino. Lá me formei um homem adulto, pai e profissional. Com muito amor me dediquei a proteger e honrar o pavilhão tijucano. Por cada componente. Por toda sua história e hierarquia. Me sinto muito honrado por ter feito parte dessa família ao longo desses anos.
Agradeço toda comunidade tijucana, velha guarda, bateria, baianas, ala de passistas, Seu Omar, Jamaico, Baixinha e toda direção.. Cada componente que à anos viu meu crescimento e acreditou, um agradecimento em especial ao @hortapresidente , por acreditar em mim duas vezes. No concurso, onde me escolheu como segundo Mestre sala, e quando enxergou potencial para me promover a Primeiro.
Nesses 10 anos na Tijuca eu vivenciei pessoas entrando e saindo o tempo inteiro, e nunca me imaginei nesse lugar de retirada, mas hoje chegou a minha vez de ir, me retiro com o coração grato, a todos que acreditam em mim. Grato a todos amigos que conquistei, a cada componente, aos que permaneceram e aos que se foram. Foi um prazer fazer parte dessa família.
Minha querida, @lucinhanobre10. Foi uma honra ser seu parceiro, seus ensinamentos, suas broncas, e sua maturidade me ajudou muito. Obrigado, pela nossa cumplicidade e parceria, obrigado por coisas que só a gente sabe. Pelo esforço e dedicação.
@camile.salles você foi essencial para nós, sem você nada seria! Obrigado!!!
Obrigado Unidos da Tijuca, você estará sempre em meu coração! 💛💙”
Em publicação nas redes sociais, Annik Salmon informou que não é mais carnavalesca do Arranco do Engenho de Dentro. Veja abaixo o comunicado.
Fotos: S1 Comunicação
“Hoje é dia de agradecer 💙✨
Annik, foram dois anos de muito trabalho, dedicação, parceria e amor colocados em cada detalhe. Sua entrega, seu talento e sua caminhada junto com a nossa comunidade deixaram marcas que jamais serão esquecidas.
Nossa gratidão por tudo que você construiu, somou e viveu ao nosso lado. Que seus novos caminhos sejam tão lindos quanto a história que ajudou a escrever aqui.
E saiba: esta sempre será a sua casa. As portas estarão abertas para você, hoje e sempre’.
A economia digital abriu espaço para funções que não existiam há uma década. Entre elas, o trabalho de testador de produtos de iGaming ganhou visibilidade. Plataformas digitais precisam de avaliações constantes antes e depois de lançamentos. Esse processo envolve observação técnica, registo de falhas e análise da experiência do utilizador.
O crescimento do mercado ao vivo aumentou a procura por testes em tempo real. Ambientes dinâmicos, como https://1xbet.bet.br/pt/live, exigem validação contínua de desempenho e estabilidade. Cada atualização altera fluxos de navegação e resposta do sistema. O testador atua como filtro entre desenvolvimento e público final.
Relatórios recentes indicam que o setor de iGaming cresce a taxas superiores a 9 por cento ao ano. Esse ritmo cria necessidade constante de controlo de qualidade. Empresas procuram feedback rápido e estruturado. O trabalho de teste encaixa-se bem em rotinas online flexíveis.
O que faz um testador de produtos de iGaming
A função envolve muito mais do que experimentar jogos. O testador observa interfaces, tempos de resposta e coerência funcional. Cada detalhe influencia a avaliação final do produto. O foco está na consistência e na clareza da experiência.
Testes podem abranger apostas desportivas, jogos de casino e sistemas de pagamento. Em ambientes ligados ao site de apostas 1xbet, a diversidade de funções exige atenção redobrada. O testador documenta erros, sugere melhorias e verifica correções. O trabalho segue padrões definidos, mesmo sendo remoto.
As tarefas mais comuns incluem:
Avaliação de usabilidade em diferentes dispositivos
Verificação de fluxos de registo e login
Testes de estabilidade durante picos de acesso
Análise de carregamento de jogos ao vivo
Registo detalhado de erros funcionais
Essas atividades exigem método e capacidade de observação. A repetição garante resultados mais fiáveis.
Competências valorizadas no teste digital
O perfil do testador combina curiosidade e disciplina técnica. Não se trata de conhecimento avançado em programação. A maioria das tarefas baseia-se em procedimentos claros. A atenção aos detalhes torna-se o principal diferencial.
Boa comunicação escrita é essencial para relatar problemas. Testadores que atuam em ecossistemas amplos, como os associados à 1xbet, precisam descrever falhas com precisão. Relatórios objetivos aceleram correções. Isso aumenta a confiança no trabalho entregue.
Além disso, organização pessoal influencia a produtividade. Testes seguem cronogramas e prioridades. Cumprir prazos mantém a relevância do feedback. O rendimento depende da regularidade e da qualidade dos relatórios.
Como o trabalho gera rendimento online
O pagamento varia conforme volume e complexidade dos testes. Alguns projetos remuneram por tarefa concluída. Outros utilizam contratos mensais com metas definidas. O modelo adapta-se a diferentes perfis de trabalho.
Plataformas ligadas ao site da 1xbet costumam oferecer ciclos contínuos de teste. Isso garante fluxo constante de atividades. A previsibilidade facilita planeamento financeiro. O rendimento cresce com experiência acumulada.
Entre os fatores que influenciam ganhos, destacam-se:
Frequência de projetos disponíveis
Complexidade técnica dos testes
Rapidez na entrega dos relatórios
Histórico de precisão do testador
Capacidade de trabalhar em diferentes horários
Esses elementos definem a sustentabilidade da atividade. O trabalho recompensa consistência, não apenas volume pontual.
Ambiente profissional e evolução da função
O teste de iGaming tornou-se parte integrada do desenvolvimento digital. Empresas do setor estruturam equipas específicas para essa função. A empresa 1xbet exemplifica como grandes operações dependem de validação constante. O objetivo é manter estabilidade e confiança do utilizador.
Com o tempo, testadores experientes assumem tarefas mais complexas. Eles passam a validar integrações e novos formatos de jogo. Essa progressão aumenta o valor profissional. O trabalho deixa de ser apenas operacional.
A função também desenvolve competências transferíveis. Análise de sistemas, escrita técnica e gestão de tempo aplicam-se a outros setores digitais. Isso amplia oportunidades futuras no mercado online.
Visão final sobre testes e renda digital
Trabalhar como testador de produtos de iGaming representa uma adaptação ao mercado digital atual. A função combina flexibilidade com estrutura clara. O rendimento surge da aplicação consistente de métodos simples. Não depende de exposição pública ou vendas diretas.
O crescimento contínuo do setor garante procura estável por testes. Plataformas digitais evoluem rapidamente e exigem validação constante. Esse cenário favorece quem mantém disciplina e atenção. A longo prazo, o trabalho oferece estabilidade progressiva.
A atividade insere-se de forma natural no ecossistema de ganhos online. O valor está na informação gerada e na melhoria contínua dos produtos. Esse modelo reforça a importância do teste como parte essencial do ambiente digital moderno.
Com pouca gente, a quadra da Grande Rio foi tomada por tristeza e indignação após a apuração da Quarta-Feira de Cinzas, quando a escola ficou em oitavo lugar, não retornando para desfilar entre as campeãs depois de muitos anos sem que isso acontecesse. Para torcedores e componentes, o resultado foi difícil de aceitar, principalmente as notas da bateria e da harmonia.
Fotos: Carolina Freitas/CARNAVALESCO
A babá Rosilene Cristina, de 40 anos, não escondeu a revolta ao comentar a perda de três décimos da bateria e se solidarizou novamente com o Mestre Fafá, que foi visto como injustiçado ao ter seu quesito apontado como o motivo do vice-campeonato da Vermelha e Verde no ano passado.
“Eu fiquei muito chateada. Perder três décimos na bateria? Estávamos muito bem ensaiados. O mestre Fafá não merecia isso de novo. Ele deu o sangue dele. E o enredo, que fala de educação, de manifesto social? Eu, que levanto cedo para trabalhar todos os dias, me senti representada. A gente podia até não ganhar, mas ficar em sétimo, sexto… Oitavo não aceitamos. Perdemos com honra, mas fomos roubados nos quesitos fantasia, harmonia e evolução”.
Rosilene Cristina, de 40 anos, não escondeu a revolta
Durante toda a apuração, a cada nota baixa anunciada, ouviam-se gritos com xingamentos à influenciadora, a rainha de bateria Virgínia Fonseca, mesclados com “Volta, Paola!”. Apesar da onda de ódio, Rosilene saiu em defesa dela.
“Ela é nova, está começando, como todas as outras começaram. Ninguém nasce sabendo. A gente vai evoluindo. Não é culpa dela”.
Representando a bateria, o ritmista Anderson Reis, de 46 anos, que toca surdo de marcação, ficou inconformado com o resultado do seu quesito, que neste ano foi ainda pior que no anterior. Para ele, a bateria cumpriu seu papel, e a perda de pontos foi um golpe duro.
Ritmista Anderson Reis, de 46 anos, que toca surdo de marcação
“Nosso sentimento é de tristeza. A gente fez o melhor, tanto a bateria quanto a escola toda. Não tem mais o que falar, não. Cabeça de jurado é diferente. Todo ano é a mesma coisa. Alguns têm que sorrir e outros têm que chorar”, lamentou ele, revoltado.
Questionado se havia algo que a escola deveria melhorar para o próximo ano, ele polemizou: “Se fizer samba de macumba, ganha de novo. É o que o povo gosta. Tentamos trazer outros aspectos da cultura este ano, mas ninguém liga para isso”.
A professora Sabrina Costa, de 36 anos, que desfilou na ala 16, também questionou as notas, especialmente a da harmonia.
Professora Sabrina Costa, de 36 anos, e a amiga a técnica de enfermagem Amanda Moreira
“Acho que não foi justa a nota da bateria e também não concordo com o 9,6 da harmonia. Já tínhamos entendido que poderíamos não ser campeões, mas não concordamos em ficar fora das seis finalistas”, disse, confirmando o sentimento coletivo da quadra, que estava conformada de que a escola poderia até não conquistar o título, mas merecia ficar em uma posição melhor.
Segundo sua amiga, a técnica de enfermagem Amanda Moreira, de 38 anos, alguns componentes desistiram de entrar na avenida porque não suportaram o calor e o peso das roupas, o que desfalcou as alas.
“Esteticamente estavam lindas, mas muito grandes e quentes. Eu mesma passei mal no fim do desfile. Tinha espuma dentro da fantasia, não havia necessidade disso. Ficou muito difícil evoluir assim”, relatou.
Fabíola Moreira, de 44 anos, da ala das baianas, concordou quanto à praticidade das fantasias como fator que atrapalhou a evolução.
Fabíola Moreira, de 44 anos, da ala das baianas
“As fantasias são muito bonitas, as alegorias também. Mas tem que ter praticidade. O povo canta, evolui, mas, com fantasias gigantescas, fica difícil”.
Apesar de tudo, o amor incondicional dos tricolores pela Grande Rio permaneceu intacto e, se bobear, ainda mais intenso.
“Estou chateada e triste, mas continuo sendo minha Grande Rio”, declarou Rosilene, em lágrimas.
“Daqui a pouco começa tudo de novo. Voltaremos com outro enredo e novos ajustes para o próximo carnaval. A gente é Grande Rio de qualquer jeito”, afirmou Fabíola, com firmeza.
A apuração do carnaval carioca definiu o 6º lugar da Estação Primeira de Mangueira após o desfile apresentado no último domingo. Quarta escola a cruzar a Marquês de Sapucaí na noite, a Verde e Rosa levou para a avenida o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”, desenvolvido pelo carnavalesco Sidney França. O resultado manteve a escola no Desfile das Campeãs, mas deixou um gosto agridoce entre os torcedores que acompanharam a leitura das notas na quadra.
Fotos: Guibsom Romão/CARNAVALESCO
Nos quesitos, a Mangueira perdeu 0,2 em Comissão de Frente, assinada pelos coreógrafos Karina Dias e Lucas Maciel; 0,2 com o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Matheus Olivério e Cyntia Santos; 0,2 em Enredo; e 0,2 em Samba-enredo. A soma desses décimos afastou a escola das primeiras posições, mesmo com um desfile visualmente elogiado e uma comunidade que cantou forte ao longo da apresentação.
Dentro da quadra, o CARNAVALESCO ouviu depoimentos que revelaram sentimentos distintos.
Brener de Freitas, estudante de 25 anos, avaliou parte das notas como justas, mas contestou outras perdas: “Acho as notas relacionadas ao Samba-Enredo justas. Na minha opinião, pelo menos, não foi o melhor samba da temporada. Mas o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira perder pontos é um absurdo. Acho que não merecia, principalmente sendo que a Cyntia foi premiada neste carnaval como melhor porta-bandeira. Eu acho que as alegorias do Sidney mereciam a pontuação máxima. Eu não acho que merecia essa perda de décimos também, não. Em suma, eu acho que a Mangueira estava bem demais. Na minha visão, pelo menos, ela estava competindo pelo 3º lugar”, disse Brener.
Outro torcedor pontuou discordâncias, mas reconheceu fragilidades: “Eu achei algumas notas injustas, como a de casal de mestre-sala e porta-bandeira. Temos um casal competentíssimo. Não ser 40 pontos, não concordo. Comissão de Frente, infelizmente, não foi um ótimo trabalho, eu entendo as notas. Não concordo com as notas de enredo. Então, acho que a Mangueira, no geral, foi garfada em alguns quesitos. Mas, pelo menos, voltamos às campeãs. Eu acho que a Mangueira agora precisa escolher um samba pesado, pancada. Um samba muito forte, para a gente conseguir disputar títulos, conseguir entrar na avenida com uma força que é necessária”, pontuou João Henrique, 20 anos, estudante.
Já a torcedora Vania Akiani, de 24 anos, estudante, adotou um tom mais ponderado diante do resultado: “Eu estava muito ansiosa por ser muito mangueirense, mas eu achei coerente com o que a gente apresentou. Óbvio que eu tinha esperança de que a gente tivesse uma melhor colocação, mas eu achei coerente, sim. Eu acho que precisa melhorar. A gente tem chão, agora está tendo o dinheiro necessário, mas eu acho que falta um samba-enredo que cative mais a nossa comunidade para realmente puxar na hora de cantar e desfilar. Mas eu achei o acabamento dos carros bom, eu achei que a harmonia foi a melhor em muito tempo da Mangueira e eu achei que a gente fez um bom desfile no geral. Queria que a gente estivesse em um melhor lugar na tabela”, disse Vania.
Sem muita cerimônia, Flávia Cunha, de 29 anos, foi direto ao ponto: “Eu achei que poderiam ser melhores algumas notas. Algumas eu já esperava, como a da Comissão, porque realmente a gente ficou na expectativa de mais alguma coisa, mas não esperava que fosse tão descontado. Casal de mestre-sala e porta-bandeira também foi uma surpresa para mim, porque eu estava no setor 6 e senti tudo normal, não vi nenhum problema de bandeira nem de figurino. O Samba-Enredo eu já esperava. A gente tinha esperança de que poderiam ter notas melhores, mas, ao mesmo tempo, sabia que poderia ter alguns descontos. A gente vai precisar melhorar. A gente é muito emocionada em alguns momentos, e eu entendo, porque, como torcedor, a gente cai logo na jugular das pessoas, quer logo derrubar aquela pessoa, mas eu acho que a gente precisa ser muito fria e calculista nesse momento, até porque a gente está muito perto do centenário. Então, fazer grandes mudanças para o próximo carnaval pode ser arriscado”, finalizou Flávia.