O deputado estadual Dionísio Lins (Progressistas), autor do Projeto de Lei que pretende reconhecer como Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Rio de Janeiro a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), a Superliga Carnavalesca e a Liga RJ, anunciou que vai sugerir ao presidente da Liesa, Gabriel David, uma mudança significativa para o Carnaval de 2026. A proposta é aumentar de uma para três o número de escolas promovidas anualmente ao Grupo Especial.
“A modernidade e a inovação sempre foram marcas da atual gestão da Liesa. Já estamos em diálogo com o governador Cláudio Castro e com o prefeito Eduardo Paes, ambos grandes incentivadores do Carnaval, para discutir essa ideia com a direção da Liga. Acredito que escolas tradicionais, como União da Ilha, Império Serrano e Estácio de Sá, que já conquistaram títulos no passado, poderiam enriquecer ainda mais os desfiles em dias diferentes”, afirmou Dionísio.
O parlamentar ressaltou que, ao longo de quatro décadas, a Liesa consolidou-se como referência na organização de grandes eventos no país, tornando-se parte indissociável da história do Carnaval carioca. Ele destacou que a Liga foi responsável pela criação de normas técnicas que garantiram equilíbrio, lisura e transparência na disputa entre as agremiações, além de movimentar a economia com geração de empregos e incremento na arrecadação pública.
Além de administrar, junto à Prefeitura do Rio, a Cidade do Samba, espaço que abriga 14 barracões das escolas do Grupo Especial, a Liesa também oferece suporte às coirmãs das Séries Ouro, Prata e à Associação das Escolas Mirins.
Dionísio Lins ainda fez questão de ressaltar o papel da Superliga Carnavalesca, que organiza os desfiles das Séries Prata, Bronze e do Grupo de Avaliação na Estrada Intendente Magalhães, na Zona Norte do Rio. O evento reúne 60 agremiações em cinco dias de apresentações gratuitas, atraindo milhares de pessoas e fortalecendo a cultura popular no bairro.
A Lins Imperial terá novos comandantes para a sua bateria “ A Verdadeira Furiosa” para o Carnaval 2026. Mestres Thalyson Ben e Celsinho Frazão assumem o comando após a despedida do mestre Bradock, após dois anos no cargo. A Lins Imperial que no próximo carnaval retorna à Série Prata, valorizará as pratas da casa na direção do segmento.
Thalyson Bem é nascido e criado na comunidade da Barreira do Lins. Iniciou no samba ainda muito novo, com apenas 8 anos de idade no bloco “Mocidade do Lins”. Com 14 anos, começou a tocar pagode e em 2015, através da Infantes do Lins e Miúda do Cabuçu, escolas mirins do bairro, iniciou a sua trajetória no mundo do samba. No mesmo ano, ingressou nas escolas mães das respectivas escolas. Em 2020, teve a oportunidade de ser mestre de bateria da Infantes do Lins e no mesmo ano se tornou diretor de bateria da Lins Imperial. No carnaval carioca já desfilou como ritmista nas baterias da Paraíso do Tuiuti, Império Serrano, Unidos da Ponte, Vigário Geral e Império da Tijuca, e foi diretor de bateria na Unidos do Cabuçu, Unidos do Jacarezinho e Alegria de Copacabana.
“A expectativa para o Carnaval de 2026 é a melhor possível. Com muita competência, humildade, respeito e comprometimento, eu, Celso e toda a diretoria, juntamente com os ritmistas, entregaremos um trabalho de ótima qualidade para levar nossa escola de volta à Sapucaí”, comentou o novo mestre Thalyson Ben.
Oriundo da Unidos do Cabral, onde desfilou na ala das crianças e participou de um projeto de oficina de percussão se tornando ritmista e ingressando na bateria, Celsinho Frazão foi por oito anos consecutivos mestre de bateria da Unidos de Lucas. Como diretor de bateria teve passagens pela Alegria da Zona Sul, São Clemente, Unidos da Ponte, Unidos de Bangu, Paraíso do Tuiuti e Unidos de Padre Miguel. Chega para somar junto ao Thalyson no comando da bateria “A Verdadeira Furiosa” da Lins Imperial através do convite do presidente Flávio Mello.
“Venho junto com o Thalyson para manter as notas. Podem esperar bastante criatividade e uma bateria com uma boa pegada”, avisa a dupla.
A Lins será a 12ª a desfilar, no domingo de carnaval, 15 de fevereiro de 2026. A escola promove ensaios de bateria e oficina de percussão para novos ritmistas todas as quintas, 19h na quadra de ensaios, situada à Rua Lins de Vasconcelos nº 623 – entrada pela rua Ernestina.
O Império da Tijuca reforça seu time em busca do retorno à Série Ouro. A escola do Morro da Formiga anunciou a chegada de Handerson Big para assumir a comissão de frente no Carnaval 2026. O coreógrafo traz consigo a bagagem de quase quatro décadas de atuação na Marquês de Sapucaí, sendo 27 anos dedicados exclusivamente às comissões de frente.
Reconhecido pela criatividade, técnica apurada e pela capacidade de emocionar o público, Big iniciou sua trajetória no carnaval como bailarino da Imperatriz Leopoldinense, onde permaneceu por 17 anos. Em 2004, deu início à carreira de coreógrafo na Unidos da Ponte e, desde então, acumulou passagens marcantes por Paraíso do Tuiuti, União da Ilha, Império Serrano, Estácio de Sá e Acadêmicos de Vigário Geral, onde atua há cinco anos e já está confirmado para 2026. Sua carreira é coroada por prêmios importantes, como o Estrela do Carnaval, concedido pelo CARNAVALESCO.
Atualmente, também integra a equipe da Acadêmicos de Niterói, escola recém-promovida ao Grupo Especial, onde dividirá a coreografia da Comissão de Frente com Marlon Cruz, no desfile em homenagem a Luiz Inácio Lula da Silva.
Para o Império da Tijuca, a chegada de Big é considerada estratégica. Além de representar um reforço artístico de peso, simboliza a união entre talento e experiência em busca de um desfile marcante.
“Preparem-se: nossa Comissão de Frente vai arrepiar e emocionar como nunca. A chegada de Big ao Império reforça o nosso compromisso em apresentar um carnaval que dispute as primeiras colocações”, destacou o presidente da escola, Thiago Carvalho.
O Carnaval de Niterói terá várias novidades em 2026, sendo a principal delas a passarela em linha reta no Caminho Niemeyer. A proposta foi apresentada às entidades carnavalescas pelo presidente da Comissão do Carnaval, o secretário de Governo, Paulo Bagueira, e pelo presidente da Neltur – Niterói Empresa de Lazer e Turismo –, André Bento, em encontro realizado por iniciativa da União das Escolas de Samba e Blocos Carnavalescos de Niterói (UESBCN), presidida por Marcelo Serpa.
Foto: Divulgação/Niterói
As entidades carnavalescas solicitaram a gravação de um CD com todos os sambas-enredo e a produção de uma revista a ser distribuída ao público.
As propostas têm como objetivo impactar ainda mais o desfile no Caminho Niemeyer, que ganhou maior visibilidade e interesse do público por acontecer uma semana antes da data oficial do carnaval carioca.
As novidades para melhorar a estrutura do Carnaval 2026 serão encaminhadas à Câmara Municipal, por meio de mensagem do Executivo do prefeito de Niterói, Rodrigo Neves.
“Estamos dialogando com o mundo do samba para garantir que o Carnaval de Niterói 2026 seja ainda mais bonito e organizado, preservando a tradição e promovendo melhorias na estrutura e no apoio às agremiações. Esse é um compromisso do prefeito Rodrigo Neves e de toda a nossa equipe para valorizar a cultura e o turismo da cidade”, afirmou Paulo Bagueira.
O presidente da Neltur, André Bento, reforçou o compromisso da gestão com a festa popular. “O Carnaval é um patrimônio cultural de Niterói de grande impacto turístico. Nosso objetivo é apoiar as escolas e blocos para que possamos oferecer um espetáculo cada vez mais grandioso e seguro para o público, participantes e turistas”, destacou.
Para Marcelo Serpa, a reunião foi um passo importante para fortalecer a parceria entre a Prefeitura e as agremiações.
“O diálogo aberto e a disposição para atender às demandas mostram que a cidade está empenhada em valorizar o samba e os sambistas. Isso é fundamental para que o Carnaval cresça com organização e respeito à nossa cultura”, disse.
A Estácio de Sá anunciou não apenas uma, mas duas novas majestades para 2026: Alice Alves, nomeada rainha da escola, e Vivi Winkler, coroada rainha de bateria da “Medalha de Ouro”. A escola, que no próximo desfile levará para a Sapucaí o enredo “Tata Tancredo – O Papa Negro no Terreiro do Estácio”, aposta em um reinado duplo para unir tradição, representatividade e visibilidade.
Veterinária, empresária do ramo da construção civil e decacampeã de karatê, Alice Alves chega para ocupar um posto inédito na Estácio: o de rainha da escola. Com 25 anos de trajetória no carnaval, desfilando por agremiações como Portela, Beija-Flor, Vila Isabel e Império Serrano, Alice já brilhou à frente de baterias em diferentes palcos, mas viverá agora uma experiência distinta.
Foto: Léo Cordeiro/AF Assessoria
“Já tive o privilégio e a honra de desfilar em muitas escolas nesses meus 25 anos de Sapucaí, mas ainda me sinto ansiosa para essa estreia. Quem tem o samba em sua essência nunca perde sua identidade, mesmo diante de mudanças e desafios”, disse a nova majestade.
Segundo a direção da Estácio, a posição de Alice no desfile vem sendo pensada de forma estratégica, para dar ainda mais visibilidade à função que outras personalidades do carnaval já ocuparam em diferentes escolas, como Sabrina Sato e Quitéria Chagas.
“Eu serei a primeira rainha a ocupar este cargo na Estácio. Chego com o propósito de representação e influência cultural, abrilhantando ainda mais com beleza, elegância e simpatia esse pavilhão tão grandioso”, destacou.
Vivi Winkler, a nova rainha da ‘Medalha de Ouro’
Se Alice traz a tradição de décadas de Sapucaí, Vivi Winkler chega com a força das redes sociais. Coach motivacional que inspira milhões de mulheres ao redor do mundo, ela reúne mais de 14 milhões de seguidores e promete levar essa energia para dentro da quadra e da Avenida.
Foto: Divulgação/Estácio
“É com imensa alegria que recebo o título de Rainha da Bateria da Estácio. Quero estar junto da comunidade, apoiar projetos e viver intensamente essa experiência com muito carinho e dedicação”, disse Vivi.
No evento de lançamento do samba-enredo para o Carnaval 2026, o Acadêmicos do Tatuapé apresentou oficialmente seu novo mestre de bateria. Cassiano Andrade, que comandou a “Qualidade Especial” pela primeira vez frente ao público, é jovem, mas já construiu uma trajetória sólida no carnaval paulistano. Foi mestre no Uirapuru da Mooca e, recentemente, esteve à frente da bateria da Independente Tricolor por três anos. Esta é a terceira escola em que assume o comando, substituindo Léo Cupim, que liderou a “Qualidade Especial” por duas temporadas. Em entrevista ao CARNAVALESCO, o mestre falou sobre suas expectativas de trabalho na Zona Leste.
Ao lado de seus diretores de bateria, Cassiano destacou a calorosa recepção da agremiação e da comunidade. Vale destacar que ele já foi ritmista da escola. “O meu sentimento é de estar realmente voltando para casa. Sou um ritmista formado na Zona Leste. Passei por Itaquera, Vila Matilde e já desfilei aqui também. Conhecemos muita gente da escola, e todos têm nos acolhido muito bem. A recepção da comunidade tem sido incrível, sempre com vibrações positivas. Isso nos deixa muito felizes e facilita o trabalho. Quando a galera abraça, tudo flui melhor”, disse.
Mudanças na bateria
Sobre a comparação com o trabalho anterior de Léo Cupim, Cassiano evitou paralelos diretos. “Não posso comparar, porque não acompanhei de perto. Cada mestre tem uma forma de pensar. No meu projeto, trago caixas de 14 polegadas, surdos de 29 e uma afinação mais grave. Quando recebi o convite, já havia me desligado da Independente e aceitei com o objetivo de construir algo meu aqui na Tatuapé. Não existe certo ou errado, mas linhas de trabalho diferentes”, declarou.
Estilo e importância do conjunto
Cassiano explicou que sua marca registrada é uma bateria de som encorpado e grave, assim como executou nos seus trabalhos no Uirapuru e Independente Tricolor. “Onde eu estiver, defendo essa ideia: som mais grave e bateria mais pesada. É algo que levo comigo. Claro que tudo é feito com o aval do presidente e da diretoria, sempre com um propósito. Não dá para simplesmente fazer o que quiser”, afirmou.
Ele reforça que nenhum instrumento deve se sobressair isoladamente. “Não tenho um instrumento-chave. O que vale é o conjunto. Se um naipe estiver fora, compromete tudo. Pensar individualmente desconecta a harmonia. A bateria é como uma grande orquestra, e a missão é coordenar todos dentro de uma mesma proposta rítmica”, completou.
Parceria com Celsinho Mody
Cassiano falou sobre a felicidade de trabalhar com o intérprete Celsinho Mody. Os dois são amigos de longa data e já fizeram trabalhos juntos fora do carnaval. O mestre não escondeu a admiração pelo cantor.
“O Celsinho é um grande irmão e amigo. Já trabalhei como músico na banda dele. Nossa afinidade vai muito além do carnaval. Sempre fui fã do trabalho dele, é um cantor excepcional. Agora, podendo dividir essa experiência na Tatuapé, acredito que ambos estamos muito felizes”, afirmou.
Rumo ao Carnaval 2026
Animado com o samba-enredo, Cassiano mira a conquista do tricampeonato da escola. “É um sambaço. A diretoria foi muito feliz na escolha e na união dos compositores. Agora é trabalhar muito para trazer essa terceira estrela para a Tatuapé”, finalizou.
Ela é mulher, sinônimo de coragem, mistério, sedução, liberdade, poder, respeito e determinação. Ela não tem medo, nem do acaso, nem das circunstâncias. Ela enfrenta, encara de frente, se reergue, se apruma e no ponto se refaz em feitiço, oculto encantamento.
Ela é a mulher que se perpetuou através dos séculos. Sendo parte de um sagrado ancestral espiritual e, continuamente, feminino.
Ela é parte do mistério de muitas mulheres. Bruxas, feiticeiras, prostitutas… mulheres de outros tempos que sofreram, foram humilhadas, diminuídas, objetificadas, excluídas, acusadas, silenciadas, queimadas e ceifadas. Mas que na história permaneceram e são, inquestionavelmente, empoderadas, destemidas e livres.
Ela tem mistérios que se desdobram pelo Brasil, atuando em diversas praças, terreiros, encruzas e caminhos. Tornando-se popular em sua ousadia e coragem que inspira tantas outras mulheres.
Ela se faz encantada, admirada e pelos seus é presenteada. Ela é festa e alegria em gargalhadas, danças e sedução. Mas tem a intolerância como seu maior algoz. E sua presença na luta contra o ódio faz-se necessária, tanto pela desmitificação, história e honraria, quanto por sua coragem, liberdade e transgressão.
Salve todas as mulheres que são livres e tem o seu valor.
Salve todas as Marias! Salve Todas as Pombagiras! Laroyê!
SINOPSE:
“…Ela é a dama da noite,
Moça bonita que veio me ver
Vestindo preto com rosa vermelha,
Traz sua força para me valer…
Você é uma moça linda,
Oi, moça linda eu quero lhe ver”
Na gira desse conto ela é dona absoluta. Seu nome tem origem nos cultos Bantus e Angola, sendo Pambu Njila ou Bombojira, uma espécie de cruzamento da força vital das ruas, estradas e encruzilhadas. Seu poder feminino, para o bem ou para o mal, talvez tenha raízes nas feiticeiras Yamins, mas não são elas!
Elas são apenas parte desse sagrado feminino, em que o mistério é sua verdade e o invisível a sua morada na essência de toda mulher. Muitos caminhos remontam sua existência, o tempo guarda consigo personagens de um espírito livre e cheios de mistérios, carregados de força e valentia que coexistem em harmonia com a beleza e o prazer. És aquela que sabe quem é e é quem quiser ser.
“Arreda homem que aí vem mulher
Ela é Pombagira
Venha ver quem ela é.”
Foi por vezes a mística, a dona dos encantos que povoa o imaginário popular. A bruxa ibérica, sendo aquela de Évora ou de qualquer outro lugar, de certo um mito abastecido dos segredos que o oculto a revelou. Por vezes foi a curandeira e a vidente, tantas outras, a feiticeira, e em todas, amaldiçoada pelo julgo de uma sociedade opressora que fez da fogueira seu flagelo favorito, acreditando que ali, apagaria seu espírito. Mas esse não se finda, ele renasce e se blinda tal qual uma armadura a santificá-la.
Sua natureza faz abrigo em quem bem quer, é feita de um misto de brasa e correnteza, uma força que faz vibrar a vida através das suas gargalhadas, gestos e quadris. Está gravada em sua alma os mistérios, a magia e a liberdade cigana, por vezes, mundana que em canto e dança seduz e hipnotiza fazendo perder os sentidos, não temendo o perigo nem tão pouco, a solidão.
Sendo sua alma um mistério, seu corpo não tolera julgamentos. Na boca de quem não presta és a vagabunda, a solta na vida que sem medida sacia os desejos e prazeres dos homens. Messalina e prostituta em quem a luxúria fez morada, por sorte pudera ser amante cortesã ou por sobrevivência uma rameira infeliz. A mulher sem nome, uma fiel concubina sem um lar, a meretriz sem valor que fez do seu corpo e suas vontades sustento e liberdade em tempos onde nada lhe dava o direito de ser o que se é.
Tantas coisas dizem sobre ti, por muitas alcunhas querem te apontar, sob a sombra da ignorância tentam te diminuir ou te findar, seja como a rosa vermelha que veio lá do inferno, a esposa de Exu, aquela que tem sete maridos, a mulher de “Lucifér” ou ainda o próprio diabo, entre outras definições.
“…Você é a flor perfeita
Que vem dentro desta seita
Para aqueles que tem fé…”
Contam que ela já se fazia presente nas macumbas cariocas, no cruzamento das religiões que conviviam no Brasil. Fortalecida na fé, ganhou espaço e notoriedade, espalhando o poder da sua assistência em meio aos seus, seja nas ruas, esquinas, encruzas, cruzeiros, à noite adentro nas calungas e em toda parte, onde bem queria estar.
Nos tambores da Umbanda, encontrou doce abrigo, nas sete linhas que te formam e manifestam sua crença. Mas seu poder pertence a esquerda, junto a tua legião, onde sua presença e magia foram firmadas, com Exu ao seu lado ganhando força e prestígio.
“Lá vem ela oh…
Caminhando pela rua
Com Tiriri, Marabô e Tranca-rua”
Os sete reinos da Quimbanda se desdobram descortinando novos mundos a cruzar caminhos. Na tronqueira exaltada, Exus e Pombagiras se apresentam numa outra linha de manifestação, na qual o oculto guarda segredos, ritos e devoção.
No Batuque está presente, atendendo seus consulentes, representando o poder que vem de longe. Batuqueiros, quimbandeiros que abrem encruzas e caminhos com Exu Bará ao seu lado.
E na Jurema sagrada, enraíza e encontra seu espaço nos domínios do Catimbó, por ali ninguém anda só, salve as pretas velhas feiticeiras.
Essas catimbozeiras são firmadas na gira sustentando seu poder, tendo as almas como amigas que trabalham no caminho. És potência a se respeitar com Exu e Pombagira na demanda que lhes chamarem. Salve todas as Almas!
Ela é Dama da Noite
Ela enfeita o luar
Ela é Rainha faceira
A encruza é seu lugar
Nos pontos teu povo te canta
Ofertam presentes, se põem a dançar
Moça bonita é Pombagira
Que chegou pra ficar.
Quando lançada à sorte em outro tempo, não imaginaram o quanto seria amada e que sua história seria sinônimo de empoderamento, força e transgressão. Seus filhos te visitam ofertando seus presentes preferidos, como as frutas e as bebidas que mais gosta de saborear. Levam cigarros, charutos e cigarrilhas, rosas e velas vermelhas e as mais doces fragrâncias para te incensar. Querem ouvir sua gargalhada e seus conselhos, ao sentirem sua presença, querem te ver dançar.
Salve todas elas! Em suas falanges e corruptelas que esta noite abriram os caminhos, adentrando este espaço e se apresentando nesta gira, seja como Navalha, Menina, Molambo ou Caveira, Figueira, Cacuricaia, Catacumba ou Mirongueira, das Almas, da Praia, da Lira ou da Noite, dos Ventos, do Cemitério, do Porto ou do Ouro, das 7 saias e todas dos 7, a Bela da Noite, Ciganas, Rosas, Rainhas… Salve todas as Marias! Laroyê, Mojubá!
Mas, para muitos, ainda é o exemplo da mulher que não deve ser imitada, aquela que não se deve seguir, a que foi feita pra apanhar, sem virtudes e imoral.
Aquela maldita aos olhos de cada novo inquisidor e assim, naturalmente, ganha espaço o ódio em forma de intolerância, violência e perseguição. Nem sempre maldita, mas sempre uma mulher, empoderada e livre que seguirá perpetuando sua essência primordial.
Ela é aquela que conhece as dores e delícias de ser resistência, sem medo do julgamento. Ela é do povo, ela é da rua e das encruzas da vida. Ela existe e “dá o nome”. Ela, do início ao fim, é Pombagira! Ela é A Mulher!
– Vem Pombagiras! Receba este enredo que a Em Cima da Hora preparou para você, em sua maior prova de devoção. Desejando que o mundo possa melhor te conhecer, “pombagirando” e emanando sua força, uma doce consagração. Conquistando, em seu nome, esse título que tanto sonhamos, uma vitória que não é somente nossa, mas de toda sua legião.
Salve todas as Marias – Laroyê, Pombagiras!
Argumento: Anderclébio Macêdo e Rodrigo Almeida
Texto e pesquisa: Anderclébio Macêdo
AGRADECIMENTOS ESPECIAIS
A Em Cima da Hora agradece a Pai Jorge Gina de Ogum, Pedro Migão e Simas, bem como ao povo de rua, às pombagiras, ao povo da encruza, às mulheres guerreiras, brasileiras, às bruxas perseguidas, às que amaram, sofreram, resistiram e se transformaram, às feiticeiras africanas e a todas as mulheres presentes nos rituais afro-indígenas brasileiros.
A Unidos do Jacarezinho realizará nas próximas sextas-feiras, dias 22 e 29 de agosto, a última etapa de tira-dúvidas com o carnavalesco Bruno Oliveira e a equipe de carnaval sobre o enredo do carnaval 2026 e os compositores. Os encontros são direcionados aos poetas como forma de acompanhar o processo de construção das obras concorrentes e garantir nenhuma intercorrência nas obras que serão inscritas no concurso de samba-enredo. As parcerias serão atendidas individualmente por ordem de chegada de 20 às 22 horas na quadra.
Visando uma grande disputa de sambas, a Unidos do Jacarezinho para o carnaval 2026 olhou para sua própria comunidade e escolheu Xande de Pilares como tema do seu enredo “O ar que se respira agora inspira novos tempos”. A disputa será aberta para autores de fora da ala de compositores da escola. A agremiação receberá as obras no dia 15 de setembro e iniciará a disputa no dia 3 de outubro. A grande final acontecerá no dia 17 do mesmo mês.
A quadra da Unidos do Jacarezinho fica localizada na Avenida Dom Hélder Câmara nº 2233. A agremiação desfilará na sexta-feira de carnaval, dia 13 de fevereiro, sendo a primeira a pisar na Sapucaí pela Série Ouro.
Em uma decisão que promete agitar as estruturas do mundo do samba, a Portela anunciou uma mudança drástica em seu processo de escolha de samba-enredo para o próximo carnaval. Buscando uma disputa mais justa e um resultado que atenda verdadeiramente às necessidades da escola na Avenida, a nova gestão, liderada pelo presidente Junior Escafura, aposta em um formato com audições internas e sem a influência direta das torcidas na decisão final. Em entrevista ao CARNAVALESCO, Escafura detalhou o novo modelo. As próximas quatro semanas serão de audições fechadas ao público.
“As próximas quatro quartas-feiras vão ser fechadas, uma audição interna, apenas com o palco e os compositores participando. A quadra só será aberta novamente na fase de junção das chaves, que antecede a semifinal e a grande final, marcada para o dia 26 de setembro”, explicou o presidente.
A mudança mais significativa, no entanto, está no poder de decisão. O tradicional corpo de jurados foi extinto, e a influência das torcidas, que muitas vezes transformavam a disputa em um concurso de popularidade, foi neutralizada.
“Torcida não vai decidir samba na Portela. Vai ganhar o melhor samba para a escola, não vai ser torcida de compositor”, cravou Escafura.
A responsabilidade final será do presidente, que garante, no entanto, que a escolha será técnica e baseada na opinião dos pilares da agremiação.
“A responsabilidade é minha, porém, obviamente, eu vou consultar o carnavalesco, vou consultar o intérprete, vou consultar o diretor de bateria, o diretor de carnaval, o diretor de harmonia, aqueles pilares que fazem o desfile acontecer”, afirmou.
A medida atende a uma antiga reivindicação dos compositores, que pediam um processo mais isonômico. “Pensamos uma disputa mais igualitária. Era um pedido antigo dos compositores, nós estamos atendendo os compositores para que todos possam ter condições de igualdade para disputar o samba”.
Safra ‘muito elogiada’ exige responsabilidade
A mudança no regulamento vem em um ano especial para a azul e branco de Oswaldo Cruz e Madureira. A safra de sambas concorrentes é considerada uma das melhores dos últimos tempos, elevando a expectativa e a responsabilidade da diretoria.
“A gente está muito feliz. Eu acho que quando a gente tem um grande enredo, teoricamente, a chance de ter sambas bons é muito grande. E graças a Deus aconteceu isso na Portela, de ter uma das melhores safras do próximo carnaval. Vai ganhar aquele samba que se adequar melhor ao enredo, melhor for para o Gilsinho cantar, para a bateria tocar, aquele que tiver o melhor encontro entre letra e melodia… A gente precisa acertar, porque temos uma grande safra e precisamos ter um dos melhores sambas do carnaval. A Portela não pode errar”, finalizou.
Renovação além da disputa
Com apenas dois meses e meio de gestão, as mudanças não se restringem ao concurso de samba. A quadra da Portela já exibe uma nova pintura e melhorias estruturais.
“Conseguimos já dar uma boa ajeitada na quadra, ainda tem muita coisa para a gente fazer. Também fizemos obras no barracão também, conseguimos adequar muita coisa de estrutura que precisava melhorar”, revelou Escafura.
O objetivo, segundo o presidente, é devolver à escola a grandiosidade que sua história exige. “O portelense precisa ver a Portela do jeito que ele sonha. Uma escola imponente, uma escola rica, uma escola luxuosa, uma escola que todo portelense sempre sonhou. A gente precisa se esforçar para entregar o carnaval que a Portela precisa, merece e o torcedor sonha”.
Organizadores do Carnaval em todo o Brasil olham com atenção para uma proposta legislativa que pode impactar significativamente os patrocínios das festas em 2026. A preocupação se dá em relação às novas restrições sobre a publicidade de empresas de aposta esportiva, que atualmente são fortes patrocinadoras de eventos culturais, incluindo os principais carnavais do país.
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Nos últimos anos, as chamadas "bets" têm se aproximado de grandes eventos populares como forma de conquistar visibilidade e fortalecer sua relação com o público. A estratégia é associar dois dos maiores símbolos da cultura popular brasileira: Carnaval e futebol.
Segundo dados publicados pela plataforma autorizada KTO, o futebol representa cerca de 90% do volume de aposta esportiva realizada a cada mês no Brasil. Associar os dois eventos é, portanto, um território fértil para a presença das empresas do setor nos maiores festejos do país.
Em 2025, as principais festas de Carnaval nas capitais São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Olinda receberam apoio direto ou indireto dessas empresas. Em Olinda, por exemplo, a prefeitura confirmou ter recebido R$ 1,67 milhão de uma plataforma.
A mesma empresa patrocinou trios elétricos em Salvador e blocos em São Paulo, como os megablocos liderados por Léo Santana e Timbalada. No Rio, a Marquês de Sapucaí recebeu uma plataforma de apostas oficial do Carnaval carioca, que promoveu ações exclusivas como o samba super e a super-roda de samba durante os desfiles.
Senado restringe propaganda de aposta esportiva
A razão para a crescente tensão no setor de eventos culturais vem do Projeto de Lei 2.985/2023, aprovado no Senado Federal em maio, que agora segue em discussão na Câmara dos Deputados. O texto estabelece uma série de restrições à propaganda de aposta esportiva de quota fixa.
Segundo a proposta aprovada, ações publicitárias que envolvam a participação de atletas, artistas, comunicadores e influenciadores estão entre as práticas proibidas, salvo algumas exceções específicas, como ex-atletas com mais de cinco anos de aposentadoria.
Entre outros pontos que constam no projeto está a proibição de “apresentar ao público peças publicitárias que mostrem as apostas como socialmente atraentes, como forma de promoção do êxito pessoal, alternativa a emprego, solução para problemas financeiros, fonte de renda adicional, forma de investimento financeiro, garantia ou promessa de retorno financeiro”.
As exibições de odds ao vivo nas transmissões de eventos, assim como a publicidade nos estádios, também são vetadas pelo texto. Publicidades na televisão, rádio, streaming, redes sociais e internet também ficam restritas a horários específicos.
Por outro lado, o projeto também permite a exibição da marca dos patrocinadores e operadores de apostas nas chamadas para transmissões de eventos esportivos entre 21h e 6h, desde que essas não contenham “convite, incentivo ou promessa de ganhos relacionados às apostas”, nem façam referência a cotações, bônus promocionais ou probabilidades. Essa exceção, no entanto, aparece limitada ao contexto esportivo e à mídia de transmissão de jogos.
Carnaval ainda não impactado
Até o momento, as festividades permanecem fora do escopo direto da regulamentação. Isso ocorre porque podem ser oferecidas apostas apenas em eventos esportivos definidos na legislação vigente, excluindo possibilidades como Carnaval, BBB e cerimônia do Oscar.
Isso significa que não é permitido, por exemplo, oferecer odds em bets autorizadas para apostas sobre qual escola de samba vencerá o desfile do Grupo Especial ou sobre outros resultados relacionados ao Carnaval.
Ainda assim, existe a possibilidade que o texto em debate na Câmara sofra alterações que ampliem as restrições de publicidade para além do ambiente esportivo. Como muitas campanhas de marketing associadas ao Carnaval utilizam celebridades, influenciadores e ações promocionais com forte apelo popular, há o risco de que essas práticas passem a ser vetadas, prejudicando financeiramente a realização dos eventos.