A Câmara Municipal do Rio de Janeiro aprovou nesta quarta, no início deste mês, o projeto de lei que cria o Programa Recicla Rio, iniciativa voltada à coleta e à destinação adequada de resíduos gerados durante o Carnaval, com foco especial no reaproveitamento de materiais e fantasias abandonados após os desfiles em áreas como o Sambódromo da Marquês de Sapucaí e a Estrada Intendente Magalhães.
De autoria do vereador Salvino Oliveira (PSD), o texto estabelece que o programa poderá ser executado em parceria com empreendedores do artesanato, cooperativas de catadores, grupos de economia solidária e produtores culturais, ampliando o alcance de iniciativas já existentes na cidade voltadas à gestão de resíduos carnavalescos.
A proposta vai expandir experiências já realizadas no Carnaval carioca. O grupo Sustenta Carnaval, por exemplo, recolheu 23 toneladas de materiais em 2023, 24 toneladas em 2024 e 23 toneladas em 2025, evitando que tecidos, adereços e estruturas de baixa biodegradabilidade fossem destinados a aterros sanitários. Neste ano, 2026, a Comlurb divulgou que recolheu 1.447 toneladas de resíduos em todos os pontos de folia, desde o pré-carnaval.
Na prática, esses materiais passam a servir de matéria-prima para uso em novos blocos, escolas das Séries Ouro, Prata, Bronze, Avaliação, peças de artesanato e outros produtos reaproveitados, o que reduz o impacto ambiental e cria novas oportunidades de geração de renda.
O projeto também prevê campanhas de conscientização sobre descarte correto durante o Carnaval, parcerias com instituições de ensino e organizações da sociedade civil, além de estímulo, na iniciativa privada, à logística reversa (processo de recolher produtos, materiais ou resíduos depois do uso e devolvê-los ao ciclo produtivo ou a uma destinação ambientalmente correta)
Segundo Salvino Oliveira, a proposta busca consolidar uma política pública permanente de economia circular em torno da maior festa popular da cidade. “O Carnaval produz cultura, inclusão, movimenta a economia, é um evento muito importante por vários motivos, mas também gera resíduos em grande escala. O objetivo é transformar esse passivo em oportunidade ambiental, social e econômica”, afirma o parlamentar.
O projeto de lei nº103-A/2025 seguiu para sanção do prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere.
A quadra do Paraíso do Tuiuti foi palco de uma celebração histórica no últimosábado para comemorar os 74 anos da agremiação, servindo como o primeiro grande encontro para o Carnaval 2027. Em entrevista ao CARNAVALESCO, os segmentos da escola deixaram claro que o foco total da agremiação agora se volta para a construção do enredo que homenageará Tia Ciata, sob a batuta do carnavalesco Renato Lage. O presidente Renato Thor demonstrou imenso orgulho ao falar sobre o atual momento da escola. Sobre a chegada do novo carnavalesco, Thor afirmou ao CARNAVALESCO:
“Eu me sinto muito envaidecido, muito honrado de ter uma pessoa que eu sempre olhei com honra à distância, como artista. E ter o Renato Lage hoje como carnavalesco no Paraíso do Tuiuti é o Tuiuti completando a sua história”. O dirigente também trouxe a informação mais aguardada sobre o próximo hino da escola. Renato Thor revelou: “O samba já está até pronto. No dia 30 de maio, na Cidade do Samba, o Paraíso do Tuiuti estará lançando seu samba-enredo”.
A noite de festa seguiu um roteiro de grandes apresentações, começando pela anfitriã. O Paraíso do Tuiuti abriu a noite com seu emocionante samba de exaltação ao padroeiro da escola, São Sebastião. Na sequência, relembrou sua história recente com o samba de 2026 e o histórico hino de 2025, além de clássicos que marcaram época como “Glória ao Almirante Negro” (2024), “Meu Deus, Meu Deus, Está Extinta a Escravidão?” (2018) e “O Salvador da Pátria” (2019).
Logo depois, a Unidos de Maricá subiu ao palco saudando os orixás e as baianas, além de uma bela homenagem à velha-guarda das escolas de samba, encerrando sua participação com o samba “Balangandãs, Berenguendens”, campeão da Série Ouro 2026. A Estação Primeira de Mangueira fechou a quadra com chave de ouro, apresentando um medley de sucessos históricos e obras recentes como “História pra Ninar Gente Grande” (2019) e “Maria Bethânia: Menina dos Olhos de Oyá” (2016), finalizando com o samba “Mestre Sacaca”, que garantiu o 6º lugar no último carnaval do Grupo Especial.
O clima de festa reinou na quadra da Acadêmicos de Santa Cruz na noite do último sábado. A escola, que estará de volta à Marquês de Sapucaí após quatro anos desfilando na Intendente Magalhães, convidou a comunidade e pavilhões amigos para a feijoada de celebração do campeonato da Série Prata. Mas, mesmo com o festejo, as preparações para o ano que vem já estão a todo vapor. O carnavalesco Alexandre Louzada é uma das grandes contratações da agremiação para o Carnaval 2027 e foi um dos novos nomes da equipe apresentados durante a noite do evento.
O campeão de títulos pela Sapucaí está oficialmente de volta ao carnaval carioca e contou, em entrevista ao CARNAVALESCO, que já tem seu enredo favorito para a Santa Cruz: “Tenho vários enredos guardados. Eu analisei qual poderia se adaptar melhor ao formato de uma escola da Série Ouro, o que pudesse proporcionar um grande visual, mas não com um custo tão elevado, uma coisa bastante interessante. E eu tenho esse enredo, que foi a ideia que apresentei para o Zezo. Não existe outro”.
Com previsão de ser anunciado este mês, segundo Louzada, o enredo poderá trazer a temática afro para a Avenida. No entanto, a escola ainda está avaliando algumas ofertas de patrocínio em jogo. “Estou dando esse tempo, vendo as ofertas que as pessoas também mandam, ideias de enredo que possam gerar patrocínio. Primeiramente, a gente vai pensar dessa forma, mas existe um enredo autoral para a Santa Cruz que passa pela África”, revelou.
Enquanto o dia do lançamento não chega, o carnavalesco repercute sobre sua chegada à Santa Cruz e o abraço que teve da comunidade. “Eu me identifico muito com pessoas mais simples, com comunidades que, às vezes, não são tão vistas, porque estão tão longe. E, para voltar a gostar de fazer carnaval, eu escolhi a Santa Cruz para ser a minha porta ou janela de reingresso no carnaval do Rio de Janeiro. A receptividade que eu tive não só hoje aqui, mas desde que fui anunciado como carnavalesco da Santa Cruz, foi uma grande surpresa para mim”.
Daqui para frente, 2026 será bastante movimentado na carreira do multicampeão, com um trabalho de mão dupla entre o Rio e São Paulo. De lá, ele ficará responsável por assinar o desfile de 2027 do Vai-Vai, ao lado de Victor Santos. “No Vai-Vai, estou dividindo com uma pessoa nova. E eu acho que vai ser a primeira vez que uma dupla carnavalesca é formada por vizinhos. Antes de ele ser o parceiro que vai dividir o Vai-Vai comigo, já era meu vizinho de frente e de outra escola. E estou muito feliz. Cheguei aqui e minha vida agora vai ser essa jornada dupla”.
Mais tarde, Alexandre Louzada, Ricardo Simpatia e Thiaguinho Mendonça, confirmado para atuar ao lado da porta-bandeira Cassiane Figueiredo, subiram ao palco para serem apresentados de forma oficial à comunidade, sendo recebidos com muitos aplausos e olhares curiosos sobre o que estará por vir.
“É uma grande honra estar representando vocês junto à Série Ouro e, se Deus quiser, rumo ao Grupo Especial”, agradeceu Simpatia, que está de volta à direção geral de carnaval da agremiação.
“Felicidade enorme de estar fazendo parte da família. Chego aqui com humildade e alegria. Já me sinto da família, doido para poder conhecer e ser amigo de vocês. Podem ter a certeza de que, ao lado da Cassiane, vou fazer um trabalho incrível e digno de nota máxima”, prometeu o mestre-sala Thiaguinho.
A noite na quadra da Verde e Branco ainda teve apresentações de sambas-enredo históricos da escola, incluindo o último que consagrou sua vaga na Série Ouro. Após darem um espetáculo no comando da “Tabajara da Zona Oeste”, a dupla de mestres, Riquinho e Cleison, compartilhou suas emoções diante da fase especial da escola ao CARNAVALESCO.
“Esperamos muito por esse momento. Confio muito na minha rapaziada, nos meus alunos. Com certeza, a ‘Tabajara da Zona Oeste’ vai chegar lá e vai fazer muito bonito como nunca fez. Eu tenho fé”, declarou Cleison.
Riquinho completou que ainda não há um nome cravado para estar à frente do carro de som na Sapucaí, mas “seja quem for, quem vier, vamos nos adaptar e trabalhar juntos com o samba que o presidente escolher para fazermos o melhor na Sapucaí”.
Assim como a Acadêmicos de Santa Cruz, o presidente Zezo está vivenciando um momento mágico. Em menos de um ano desde que retornou à gestão da escola, viu a agremiação conquistar o título de campeã da Prata e, recentemente, foi reeleito para continuar no posto.
“Estar de volta à Sapucaí representa a vitória de toda uma comunidade, porque o decesso é uma derrota, uma coisa que pesa muito na cabeça da gente. Principalmente a gente que é representante direto, gestor. Quando a gente perde alguma coisa da qual a comunidade depende, você se sente abalado psicologicamente. Só que a gente já não tem mais idade para ficar batendo cabeça com essas coisas, tem que se reestruturar e buscar um jeito de retornar e brigar para voltar ao lugar de onde nunca deveria ter saído”, afirmou.
Zezo também comentou sobre a busca de um enredo patrocinado, mas afirmou que a decisão ficará por conta do carnavalesco Louzada. “Nós estamos buscando o patrocínio, mas respeitando sempre o que o Louzada for falar. Ele tem um enredo também, nós vamos respeitar o dele. A posição realmente vai ser a dele. É o maior campeão, um cara que realmente conhece o carnaval”, finalizou.
Neto de Manacéa, sobrinho de Áurea Maria, da ilustre galeria da Velha-Guarda da Portela, Bruno Ribas está em casa novamente. O intérprete volta à escola em que estreou no Grupo Especial há 21 anos. Bruno assume o carro de som “É Tudo Nosso” para o Carnaval 2027 e foi apresentado oficialmente na comemoração dos 103 anos da Portela.
“Representa o resgate da minha ancestralidade, das coisas que eu aprendi na minha vida toda, com meu avô, com minha avó. Apesar de eu ter uma divisão na minha vida, que é a Mangueira e a Portela, minha avó, Miúda, era fundadora da Mangueira. Meu avô, fundador daqui. E isso aqui tem uma representatividade muito forte na minha vida”, compartilhou, emocionado.
Após a passagem pela Portela em 2005, passou por outras grandes agremiações, como Mocidade, Imperatriz e Unidos de Padre Miguel, até sua saída em 2026. O intérprete foi o primeiro nome cogitado para assumir o posto após a morte de Gilsinho, que defendeu a Portela com garra por 20 anos, até sua morte repentina em setembro de 2025. Por conta dos contratos com a UPM e a Tom Maior, de São Paulo, não foi chamado para o Carnaval 2026. Na ocasião, a missão foi cumprida por Zé Paulo Sierra, que defendeu a canção escolhida na disputa de sambas-enredo. Bruno vê o momento como uma continuação do legado, com as bênçãos do parceiro Gilsinho.
Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO
“Gilsinho, em primeiro lugar, é um grande irmão, que sempre esteve na minha vida. Gilsinho chegou depois de mim aqui na Portela, em 2006, cheguei aqui em 2005, e, ele fez um legado aqui, e agora é continuar. O Gilsinho não morre nunca, o Gilsinho sempre será aquele que estará junto com todos nós, nos fortalecendo, porque eu acredito que isso não é só uma questão pessoal, mas também espiritual. A minha ancestralidade está ligada a isso, porque aquele que foi iniciado em algo não morre, ele vai para a casa do mistério, ele vê o mistério de perto, mas ele volta para abençoar. E o Gilsinho é um deles, eu tenho certeza”, declarou.
O cantor se destacou nos últimos anos pelas interpretações potentes dos sambas da UPM e, neste ano, promete trazer a mesma força para a Portela, com união e entrega no carro de som. Bruno adianta que o samba que será mais marcante ao interpretar será “Portela na Avenida”.
“A Portela é detentora de grandes sambas, mas, se eu fosse citar um, eu diria que ‘Portela na Avenida’ é um samba que me toca muito e me deixa muito feliz e deixa o portelense feliz também”, disse.
A União de Maricá segue ampliando suas fronteiras e desembarcou novamente na França, agora para uma apresentação especial no encerramento do Festival de Cinema Brasileiro em Paris. A escola sobe ao palco do Cinema L’Arlequin, nesta terça-feira, levando a força do samba e da cultura popular brasileira ao público europeu.
A apresentação contará com uma delegação representativa da agremiação, formada pelo casal de mestre-sala e porta-bandeira Julinho Nascimento e Rute Alves, o carnavalesco Edson Pereira, ritmistas, a rainha de bateria Rayane Dumont, o intérprete Zé Paulo Sierra, além de musas e passistas da escola.
A participação internacional acontece pouco mais de um mês após a presença da União de Maricá no MIPIM, realizado em Cannes, na Riviera Francesa, reforçando o processo de internacionalização da marca da escola e da cultura de Maricá.
Para o carnavalesco Edson Pereira, o momento representa um passo importante na valorização do carnaval como expressão artística global.
“A União de Maricá vem cumprindo um papel fundamental ao romper fronteiras. Levar a nossa identidade cultural para fora do Brasil é também uma forma de popularizar a arte produzida em Maricá e mostrar a grandiosidade do Carnaval como manifestação artística completa, que envolve música, dança, artes visuais e narrativa”, disse Edson.
Com mais essa apresentação internacional, a União de Maricá segue com o compromisso da difusão da cultura carnavalesca. Em menos de um ano, a escola esteve em Cuba e duas vezes na França, participando de feiras e promovendo um verdadeiro intercâmbio cultural.
O Carnaval 2027 já está a todo vapor pela Silva Teles. O Salgueiro já tem enredo em fase de pesquisa para o próximo ano e, segundo o presidente André Vaz, o anúncio oficial da escolha pode sair até o fim de abril. Vindo de um ano que evocou a nostalgia dos salgueirenses e levou a escola de volta ao Sábado das Campeãs, o carnavalesco Jorge Silveira afirma que a escola virá ainda maior em 2027 e alegrará o coração dos torcedores.
“A gente já está mergulhado nas pesquisas do próximo ano. Salgueirense pode ficar tranquilo e feliz, porque a gente vai fazer um trabalho ainda maior. O presidente está muito motivado e ficou muito feliz com o último carnaval, e está me dando liberdade para poder fazer um trabalho ainda maior. A gente está numa fase de estudo, de buscar aperfeiçoar a infraestrutura do Salgueiro para fazer um carnaval ainda melhor. E, em breve, a gente vai ter novidades boas para o salgueirense”, disse.
O carnavalesco também despista rumores de que o próximo ano trará outra homenagem. Os sambistas mais ansiosos especulavam que a escola falaria de salgueirenses ilustres, como Haroldo Costa ou Aldir Blanc. Brincando se a “fofoca” está no “quente ou frio”, Jorge define como meio-termo, mas revela o fato: o próximo enredo também será direcionado ao coração dos salgueirenses.
“Está tanto no quente quanto no frio. Pode esperar com o coração com bastante expectativa. Vem, com certeza, um enredo muito bom, muito quente, muito caloroso, com as cores do Salgueiro, sem dúvida. Eu creio que não será uma homenagem, mas vai ser um enredo que vai ter uma direção para o coração do Salgueiro”, contou.
No Carnaval 2026, a escola estudava outros cinco enredos antes da escolha da emblemática homenagem à carnavalesca Rosa Magalhães. E o carnavalesco esclarece que, para 2027, o enredo escolhido não veio dos cinco enredos que foram descartados.
“Tem coisas novas, tem bastante coisa nova. Eu já estou explorando outras ideias. Acho que cada ano é um ano, e a escola é uma nova escola a cada ano. E eu também sou um novo profissional a cada ano. Eu estou investigando outras coisas, olhando com carinho para outras questões, mas sempre pensando no que for melhor para o Salgueiro”, afirmou.
Relembrando o último carnaval, o carnavalesco compartilha o saldo positivo da homenagem afetuosa a Rosa Magalhães e a esperança renovada para o próximo ano na agremiação.
“Esse ano foi um ano muito especial. Ter levado a Rosa Magalhães para a avenida foi um desafio muito grande para nós. A gente ficou muito feliz com o desfile. Acho que o nosso sentimento maior era honrar a memória da Rosa e levar para o público esse carinho e esse afeto que a gente tem pelo trabalho dela. E acho que a Sapucaí nos devolveu esse sentimento. Eu estou muito feliz, muito realizado por ter conseguido trazer o Salgueiro de volta ao desfile das campeãs. Foi realmente muito especial. Eu estou muito feliz e com o coração cheio de esperança para 2027”, compartilhou.
Mesmo algumas semanas após a festa que tomou as ruas de Niterói, a conquista da Unidos do Viradouro ainda reverbera na comunidade e nos bastidores da escola. Em entrevista concedida após o desfile comemorativo do título, realizado em março, o diretor executivo Marcelinho Calil destacou o peso de mais uma conquista histórica, comentou a renovação no primeiro casal e indicou os primeiros movimentos rumo ao Carnaval 2027.
“Sendo campeão, mais uma vez. Estou duplamente feliz. Escola conseguindo o êxito mais uma vez, carnaval, desfile arrebatador, avassalador, como o CARNAVALESCO gosta de usar. Desfile campeão realmente do início ao fim, histórico, antológico”, afirmou.
Para o dirigente, a conquista reforça a força do trabalho coletivo e a consistência da agremiação nos últimos carnavais. “É um sentimento claro de dever cumprido e hoje é um sentimento de gratidão. Devolver pra cidade todo o carinho, todo o amor que a cidade nos dá durante o ano”.
Calil não poupou elogios para o novo casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola, Phelipe e Marcella: “Um casal que eu acho que dispensa comentários e apresentações sobre a qualidade e o nível e pode ter certeza que a gente está com muita vontade de fazer esse casal voar. A Marcella está muito feliz de estar aqui. Eu estou muito feliz que ela esteja aqui também. E o Phelipe é a mesma coisa. A vontade de também defender o pavilhão da Viradouro”.
A chegada dos novos integrantes acontece após a saída de Julinho e Rute, nomes históricos do segmento na escola. Segundo o diretor, o processo ocorreu de forma natural e respeitosa.
“A saída da Rute e Julinho foi tranquila. Eles comunicaram a saída de forma bem tranquila, grata, e a gente ao mesmo tempo devolvendo esse carinho. Agradecidos por tantos anos. As escolhas envolvem projetos pessoais, momentos de cada um. Assim como é direito do profissional optar por defender outra agremiação”, explicou.
Já em relação ao enredo para o Carnaval 2027, o dirigente adotou cautela e não confirmou nenhuma informação. “Nada, nada. Estamos conversando ainda”, disse. Questionado sobre a possibilidade do tema “Alabê de Jerusalém”, desconversou: “Não descarto nada, nem confirmo nada”.
O Coletivo Babatunde, formado por quatro coreógrafos com raízes na dança afro, balé clássico e contemporâneo, chegou ao time da Imperatriz Leopoldinense para comandar a comissão de frente do próximo carnaval, reafirmando a pele camaleônica da agremiação. O anúncio oficial foi realizado no dia 28 de março, em um evento na quadra, com a presença da comunidade leopoldinense. A proposta veio do carnavalesco Leandro Vieira, com o objetivo de se reinventar no quesito e abrir mais espaço para artistas negros no maior espetáculo da Terra. Os coreógrafos (Ana Gregório, Fagner Santos, Márcio Dellawegah e Sabrina Sant’Ana) afirmaram que foram surpreendidos com o convite. Sabrina diz que, além de surpresa, se sentiu valorizada e reconhecida pela agremiação. Ana Gregório contou como recebeu o convite.
“Eu cheguei para a reunião pensando que era alguma coisa relacionada a projeto social. Quando eu cheguei no dia e vi o Leandro sentado à mesa, eu falei: ‘Ih, a coisa é bem pior’ [risos]. Quando ele falou, eu não acreditei de primeira, fiquei uns cinco segundos parada, olhei para a Sabrina, olhei para o Márcio, olhei para o Wagner, e falei: ‘É isso mesmo, galera?’. Aí eles: ‘É!’. Aí eu: ‘Então tá!’. Foi muito assim, porque a ficha ainda está caindo”.
O Coletivo Babatunde é marcado pela pluralidade daqueles que o compõem. Cada artista tem sua área de domínio e o que seria um desafio se torna o trunfo.
“O maior desafio talvez seja exatamente a maior facilidade, que vai ser exatamente esses pensamentos que nós quatro temos, por sermos de áreas distintas, confluírem no resultado da comissão de frente. Talvez seja exatamente o grande trunfo: as experiências que já temos no quesito comissão de frente, tornar isso palpável e concreto na produção da próxima comissão”, disse o coreógrafo Fagner Santos.
As referências se formam por meio do respeito que cada coreógrafo tem pelos artistas que vieram antes deles e abriram as portas pelas quais, hoje, eles estão entrando.
“Nossas referências, profissionalmente e tecnicamente falando, vêm da dança afro, vêm do balé clássico, vêm do contemporâneo, vêm dos nossos mestres que estão também no carnaval. As nossas referências são pessoas que, antes de nós, vieram e teceram esse chão, fizeram com que ficasse mais fácil para nós pisarmos e, através desse trabalho, a gente quer também referenciar e reverenciar as nossas referências”, contou Sabrina Sant’Ana.
Os coreógrafos não deixaram de elogiar o trabalho e a parceria do carnavalesco Leandro Vieira. Para Ana, o trabalho deles será marcado por um respeito mútuo, em que as ideias serão alinhadas para que eles cheguem a um denominador comum. Já Márcio Dellawegah afirmou que Leandro é um artista completo e que garantiu participar e dar apoio ao quarteto.
“Ele é o próprio enredista, cria os próprios enredos e, inclusive, é muito participativo também nos segmentos. E uma coisa que ele deixou bem clara para o coletivo é que vai estar acompanhando esse processo de criação de figurino e de alegoria. A gente está muito feliz por essa parceria. Não é a comissão de frente da Imperatriz, é a comissão de frente do coletivo, no qual o Leandro está inserido, porque essa ideia é dele. Esse sucesso que virá, se o Orixá quiser, e já quer, vai ser também com o nome do Leandro”, contou Márcio.
A mudança no sistema de julgamento dos desfiles do Grupo Especial em 2026 provocou reações diversas entre o público que acompanhou as apresentações na Marquês de Sapucaí. Com a adoção de cabines espelhadas e a redução do número de paradas para apresentação, o novo formato buscou dar mais fluidez ao desfile e ampliar a visibilidade das performances para quem estava nas arquibancadas. Entre os espectadores ouvidos pelo CARNAVALESCO, a avaliação sobre o modelo foi majoritariamente positiva, embora as notas anunciadas na apuração ainda tenham gerado críticas.
Torcedora do Salgueiro há 40 anos e integrante da torcida oficial Amigos do Salgueiro, Elizinha, 52 anos, considerou que o novo sistema é válido, mas acredita que os resultados da apuração não refletiram plenamente alguns desfiles.
“Eu achei válido, achei bom esse novo sistema. Só que pelo carnaval que o Salgueiro apresentou na avenida, sem falhas, era desfile para segundo lugar. A gente colocou um carnaval campeão na rua e ficamos em quarto”, afirmou.
Mesmo com a frustração pela colocação final, ela destacou que a comunidade segue celebrando o desempenho da escola. “Claro que estamos felizes por voltar ao G6, mas a gente acredita que poderia estar mais à frente”.
Já Júlia Silva Pedro, 23 anos, fisioterapeuta e torcedora da Portela, avaliou que o resultado da escola em 2026 refletiu o momento vivido pela agremiação.
“Acho que a Portela até deu sorte por não cair. Na minha opinião, a escola recebeu a pontuação que merecia”, disse.
Para ela, o desempenho pode servir como alerta para mudanças internas na escola: “Já faz alguns anos que a Portela vem vacilando. Uma escola do tamanho da Portela não pode ficar tanto tempo sem ganhar”.
Entre os torcedores da Mocidade Independente de Padre Miguel, o sentimento foi de inconformismo com o resultado. Thiago Maia, 42 anos, engenheiro civil, afirmou que a colocação final não correspondeu ao desfile apresentado pela escola.
“Assim como toda a nação independente, a gente ficou muito sentido com a posição da Mocidade. Pelo que foi apresentado na avenida, a escola merecia estar pelo menos entre as seis primeiras”, afirmou.
Ele também disse esperar uma manifestação da organização do carnaval sobre o julgamento. “Na nossa visão foi injusto. Mas a Mocidade não desiste nunca. Em 2027 a gente volta mais forte para buscar o campeonato”.
Já Lucas, intérprete do bloco Amiguinhos da Caprichosos, acredita que o novo modelo de cabines pode trazer benefícios para o ritmo do desfile.
“Analisando, acho que é positivo para o andamento. As apresentações ficam voltadas para os dois lados e o desfile não fica tão parado. Pode ficar mais movimentado e melhor de assistir”, avaliou.
Apesar disso, ele também demonstrou estranhamento com algumas notas da apuração: “Algumas notas da Imperatriz eu não entendi, principalmente em samba-enredo e em mestre-sala e porta-bandeira”.
Entre aprovação ao novo formato e críticas às avaliações dos jurados, a reação do público mostra que as mudanças no sistema de julgamento começam a ser assimiladas, mas o debate sobre os critérios e as notas do carnaval continua tão presente quanto sempre esteve nas arquibancadas da Sapucaí.
O Acadêmicos do Salgueiro anunciou a chegada de Jéssica Ferreira como sua nova 3ª porta-bandeira, completando assim seu quadro de casais de mestre-sala e porta-bandeira para o carnaval de 2027. Com uma trajetória marcada pela excelência e dedicação ao samba, Jéssica iniciou sua história ainda na infância, sendo descoberta aos 6 anos dançando em casa. Desde então, construiu um caminho de destaque, passando por escolas como Unidos do Anil e Renascer de Jacarepaguá, onde estreou no Grupo Especial em 2011. Na Unidos de Padre Miguel, firmou uma parceria de 12 anos com Vinícius Antunes, colecionando notas máximas e premiações.
No último carnaval, brilhou como 1ª porta-bandeira da Unidos da Ponte, na Série Ouro, reafirmando sua experiência e talento na condução do pavilhão.
Salgueirense de coração, Jéssica chega realizando um sonho antigo ao vestir o vermelho e branco. A nova 3ª porta-bandeira revelou ainda que o convite para integrar o elenco partiu de Sidclei Santos, primeiro mestre-sala da escola.
Agora, Jéssica se junta a Leonam Santos, 3º mestre-sala do Salgueiro, reforçando o elenco que defende com garra e tradição o pavilhão da Academia do Samba. “É a realização de um grande sonho. O Salgueiro é uma escola gigante, de muita tradição e história, e poder representar esse pavilhão tão forte é uma emoção indescritível. Chego com muito respeito, entrega e vontade de honrar muito essa agremiação”, destaca Jéssica.