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Mangueira 2027: samba da parceria de Jaque Guedes

Compositores: Jaque Guedes, Luiz Fernando, Marcio Júnior, Rodolfo Caruso, Juarez Amizade e Alexandre Salles

Relampejou, ventania anuncia
Raios rasgam nove céus
Ao toque do adaró no ajerê
Com oguês e tamborins
Eruexim purifica e conduz

Há luz no poder de Iansã
Dos meus passos, guardiã
Oyá Igbalè, ponte no axexê
Move o orum e o aiyê

Peregum e akará
Rituais e ajeum
Sedutora, brava guerreira
Adê de mistérios revela altivez
No gume da adaga
Corta o mal de uma só vez

Força de búfalo
Leve como borboleta
Dualidade a girar em verde e rosa
O vento que transforma é liberdade
Fio de contas, identidade

Matriarcas descem a ladeira
Herdeiras que batalham todo dia
A pele preta é potência e primazia
Da Estação Primeira de Mangueira

Oh Yabá Oyá Tetê, Eparrey!
Eparrey, Oyá por nós
Nossa gente é orgulho, é vendaval
Já se vai a madrugada
Reluz o pavilhão nesta Alvorada

Mangueira 2027: samba da parceria de Marinheiro

Compositores: Marinheiro, Márcio Magalhães, Otto Maravilha, Cesinha Maluco e Edshow
Intérprete: Marcio Alexandre

NO PASSO DO ADARRUM
UM RAIO RISCOU O CÉU, TROVEJOU A NATUREZA A TEMPESTADE QUE FAZ O REDEMOINHO GIRAR DESPONTOU SUA GRANDEZA
AS ÁGUAS DO NÍGER CORRENDO PRO MAR EPARREI, O MINHA MÃE! OYÁ, OYÁ, OYÁ!
VALENTE E GUERREIRA COM SUAS PAIXÕES EMPODERADA QUEBRANDO GRILHÕES
EM ÈFÒN BÁGAN A TRANSFORMAÇÃO
IYÁ MÉSÁN ORUN PROTEGENDO OS FILHOS SEUS

OYÁ AFÉFÉ
A COMUNIDADE À CANTAR
SEU CANTO AGUERRIDO SE FAZ ECOAR
MEU ILÊ VERDE E ROSA FIRMADO COM FÉ IANSÃ TÁ PRESENTE EM CADA MULHER

FIRMAMENTO NO TERREIRO CUIDANDO DO SEU BARRAÇÃO ARIAXÉ ORI DE OYÁ NA CUMIERA SUSTENTAÇÃO
TEM DENDÊ NO ACARAJÉ, XIRÊ DE OYÁ
FIRMA PONTO MACUMBEIRO O VENTO A SOPRAR CULTURA VIVA NO AR O POVO A FESTEJAR MARACATU E AFOXÉ PRA TE EXALTAR
MANGUEIRA QUASE CENTENÁRIA DE HERANÇAS ANCESTRAIS SUA FORÇA FEMININA FAZ MARCAR LABALÁBÁ SUBLIME À VOAR

“OYÁ POR NÓS!”
OH SENHORA ESSE CÉU QUE CLAREIA
OLHAI POR NOS, NO CAMINHO NOS DÊ PROTEÇÃO
NOSSOS ALABÊS TOCAM ADARÔ
SOU MANGUEIRA ABRINDO PASSAGEM PEDINDO AGÔ

Entrevistão: ‘Fazer o caminho reverso exige coragem’: Zé Paulo Sierra abre o jogo sobre a Maricá e o carnaval

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Fotos: Marcos Marinho/CARNAVALESCO

Fazer o “caminho reverso” no carnaval exige coragem. Quando Zé Paulo Sierra trocou o Grupo Especial pelo projeto de acesso da União de Maricá, muitos não entenderam a aposta. Hoje, com o passaporte carimbado de volta à elite e após a missão de defender a Portela em um momento de luto, ele prova que é movido a desafios. No “Entrevistão”, o intérprete analisa o alto nível de exigência vocal, a revolução do streaming e o futuro das disputas de samba.

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O que passa na sua cabeça quando você pensa que largou o Especial para tentar o projeto com a Maricá e agora estar no Especial com ela?

Zé Paulo Sierra: Foi uma decisão baseada na experiência que vivi na Viradouro, de 2013 para 2014, quando eu era intérprete da Estação Primeira de Mangueira. Na época, com a saída do Ivo Meirelles da presidência, decidi seguir outros caminhos. A Viradouro estava no Grupo de Acesso, e eu resolvi me dedicar à escola para fazer um trabalho de resgate. Logo no primeiro ano, fomos campeões.

Quando surgiu a proposta da Maricá, o cenário era de uma possível subida. O plano inicial era que, se a escola vencesse o Acesso, eu assumiria como intérprete oficial no Especial já para o carnaval de 2026. Quando acabou a conversa, a primeira coisa que perguntei ao presidente foi: ‘E se não subir, a proposta continua de pé?’. Ele garantiu que sim, mas acho que no fundo não acreditou muito. Afinal, eu estava no Grupo Especial, e fazer esse ‘caminho reverso’ é algo que a maioria das pessoas não compreende. Só que eu tinha o profundo desejo de construir essa história novamente.

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Por isso, assim que terminou o Carnaval de 2025, procurei o presidente e falei: ‘A minha proposta de cantar no Acesso está de pé, se a escola quiser contar comigo’. Foi uma escolha muito motivada pela minha vivência na Viradouro; a experiência de estar na escola do Acesso até ela se tornar a potência que é hoje.

Queria resgatar essa construção de identidade e, por uma feliz coincidência, a Maricá subiu logo no meu primeiro ano aqui, repetindo o feito de 2014. Conseguimos o acesso para 2027! É um projeto de longevidade, com muita vontade de fazer as coisas darem certo.

Quando você chegou à Maricá, disse que a escola ofereceria estrutura de trabalho. Conta para a gente como é isso na prática?

Zé Paulo Sierra: Acho que o resultado é muito visível. É uma escola que trabalha com muita seriedade. Nós estamos aqui hoje no barracão e, claro que ainda há coisas a finalizar, mas parece que ele foi construído agora; está novo, entregue. Era um espaço antes utilizado por uma coirmã, e a sensação é de que tudo está saindo do zero, de forma muito organizada, planejada e pensada. A diretoria pensa muito nos seus segmentos e dá todo o suporte para fazermos um grande trabalho.

E isso não envolve somente a parte financeira, mas, principalmente, o ato de ouvir. Hoje, por exemplo, temos uma sala de ensaios para atender as necessidades dos casais de Mestre-sala e Porta-bandeira e do Patrick Carvalho (coreógrafo da comissão de frente). Além disso, temos o projeto da nova quadra e já contamos com um técnico de som exclusivo da escola.

Cada segmento tem a sua demanda atendida. Afinal, não adianta querer ter tudo e tudo isso não funcionar no dia a dia. Tudo o que é feito aqui é pensado para dar funcionalidade ao nosso trabalho e garantir que o profissional se sinta bem.

Como será o seu trabalho para ajudar a escola a mexer com o público e, ao mesmo tempo, atender aos jurados em 2027?

Zé Paulo Sierra: Vai ter que ser um trabalho cada vez mais técnico. Tivemos um simpósio da Liesa recentemente, e o quesito harmonia ainda gera muita dúvida. Tem jurado que defende que o canto da escola (a comunidade) deveria ter um peso maior na pontuação, já que o quesito foi redividido em subquesitos. Houve, inclusive, propostas para reorganizar a distribuição dessas pontuações.

É um quesito muito complexo. Precisamos aliar o canto da escola, em sua totalidade, ao desempenho técnico da ala musical: afinação, uníssono e a precisão dos arranjos. Para se ter uma ideia do nível de exigência atual, um julgador chegou a sugerir que os arranjos musicais passem a ser entregues escritos; uma opção que ficaria a critério de cada agremiação.

As discussões estão amadurecendo, mas a resposta prática para tudo isso é uma só: mais ensaio. E ensaios diferenciados. O que fazemos na rua, às vezes, deixa passar detalhes que não percebemos. Já um ensaio de estúdio revela nuances de afinação e harmonia que precisam ser corrigidas ou acrescentadas, sempre em total sintonia com a bateria.

É preciso se esmerar e observar o que as escolas que gabaritaram o quesito vêm fazendo. Não se trata de copiar, mas de se espelhar. Vamos pegar o enorme talento que já temos na nossa escola e adequá-lo ao crivo de julgamento do Grupo Especial.

Seguindo nessa linha, o quesito harmonia tem focado bastante na ala musical e no intérprete. Como você enxerga essa dinâmica no julgamento atual?

Zé Paulo Sierra: Tivemos um hiato de uns dois ou três anos em que o foco da perda de décimos ficou quase totalmente no antigo carro de som. Mas, de uns dois anos para cá, as alas de comunidade voltaram a ser penalizadas. Hoje, o julgamento se divide de forma muito clara entre o canto da escola e a parte musical técnica, e houve até uma sugestão recente de dar ainda mais peso ao desempenho da comunidade no regulamento, retomando o que era o foco inicial do quesito Harmonia no passado.

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Independentemente de como essas notas serão divididas nos subquesitos, o nível de exigência é altíssimo. A escola precisa ensaiar muito. Em Maricá, temos a grande vantagem de realizar muitos ensaios de rua. Ano passado fizemos cerca de dez treinos, o que para uma escola do Acesso é um parâmetro altíssimo, digno de Grupo Especial.

Como a nossa quadra ainda não comporta estruturalmente um ensaio mais técnico, focar na rua ajuda demais a construir o canto da escola. Sabemos que, no dia do desfile, a emoção e a presença dos carros alegóricos alteram o cenário, mas o segredo continua sendo um só: quanto mais ensaios, melhor.

Falando sobre o simpósio da Liesa com a presença dos julgadores, qual foi seu balanço desse encontro?

Zé Paulo Sierra: Foi muito importante. O Gabriel David já vinha iniciando esse trabalho de aproximação antes mesmo de assumir a presidência da Liesa. Antigamente, o julgador ficava muito distante das escolas, parecia alguém intocável. Poder ter essa troca foi bacana demais. A gente sabe que não é fácil julgar. Você mexe com a paixão de comunidades inteiras e com o trabalho de diversos profissionais. E sempre alguém precisará perder décimos para outra escola poder ganhar.

Essa nova proximidade torna o processo muito mais transparente. Estamos ali sentados, conversando em prol de um bem maior: buscar uma regularidade melhor tanto para os desfiles quanto para o próprio trabalho do corpo de jurados.

Nós temos lido as justificativas atentamente para entender onde estão as demandas de despontuação. Seja mantendo o regulamento atual ou alterando para o próximo carnaval, precisamos estar sempre atentos ao que funciona. Você analisa uma coirmã e pensa: ‘Olha que arranjo bacana, vamos melhorar o nosso’, ou ‘Eles fazem mais abertura de voz ali, vamos tentar trabalhar isso’. No fim das contas, é um jogo de xadrez.

O que você achou do novo sistema de som da Avenida implementado em 2026? E o fim do carro de som?

Zé Paulo Sierra: Demos um salto gigantesco de qualidade. Antes, não tínhamos passagem de som na Sapucaí. Hoje temos o mini desfile em dezembro e os ensaios técnicos, que já funcionam como essa passagem de som, além de mais um teste na semana oficial do evento. A sonorização é muito boa e a tendência é ficar ainda melhor com os ajustes futuros, já que este foi apenas o primeiro ano.

A BMX (empresa responsável pelo novo sistema de som) fez um trabalho excelente. Eles tentaram entender o funcionamento particular de cada escola, nos deixaram totalmente à vontade e nos deram suporte o tempo todo. E o tratamento foi exatamente o mesmo, tanto para as escolas do Acesso quanto para as do Especial.

Claro que na sexta-feira houve algumas dificuldades iniciais, o som estava muito alto e o retorno da bateria ficou um pouco embolado, mas no sábado isso já estava devidamente ajustado. É show ao vivo, e imprevistos acontecem.

Quanto à ausência do carro de som físico, para mim não fez falta nenhuma. Eu já não me apoiava nele e sempre usei fone de ouvido para o meu retorno, então a minha dinâmica mudou muito pouco. Acredito que a falta do caminhão foi mais uma questão estética para quem estava assistindo da arquibancada.

Como foi a missão de assumir o microfone da Portela após a morte do Gilsinho?

Zé Paulo Sierra: Fui para a Portela não para substituir o Gilsinho, mas por alguns motivos: eu havia cantado o samba que se sagrou campeão na disputa, então a escola já teria alguém dominando a obra. Além disso, tenho uma identificação antiga com a agremiação; comecei a gostar de samba-enredo por causa da Portela. O Júnior (Escafura, presidente da Portela) é um grande amigo e sabia disso.

Quando ele me procurou, eu era um dos poucos nomes à disposição, embora estivesse ‘indisponível’ contratualmente. Fui direto com ele: ‘Eu garanto fazer as duas escolas, mas não abro mão da Maricá, porque tenho contrato e compromisso aqui”. As diretorias conversaram e chegamos a um acordo.

Foi um desafio imenso, porém extremamente prazeroso. Realizei um sonho do meu pai, revivi a minha infância e tentei levar um pouco de alegria para a escola num momento de tanta tristeza e luto pela nossa perda do Gilson. Dei o meu melhor.

Uma pena a colocação da escola na apuração, mas desejo toda a sorte ao Júnior e ao Bruno Ribas, meu irmãozinho que assumiu o microfone com todo afinco e talento. Cantei dois dias seguidos, dei conta do recado e, na minha opinião, fui bem em ambas as apresentações; os áudios estão aí nas plataformas para provar. Não me arrependo de nada.

Hoje, qual sua análise técnica do samba do Caju (Mocidade 2024) e, indo além da técnica, o que ele representou?

Zé Paulo Sierra: O Caju é um achado. Há quanto tempo não víamos um samba tão protagonista de um Carnaval? E tem um detalhe muito importante: foi um samba protagonista cuja agremiação não foi campeã nem sequer voltou no Desfile das Campeãs. Tecnicamente falando, ele rendeu muito mais nos ensaios técnicos do que no próprio dia oficial do desfile, muito impulsionado pelo público nas arquibancadas.

Acho que o André, diretor musical da Mocidade, foi genial na criação daquela introdução. Que viralizou! É muito gratificante ver que, depois de mim, é o segundo cantor que passa pela escola, e a introdução contínua sendo o meu grito de guerra. É difícil cantar o Caju hoje sem fazer ‘Prepare o seu coração’.

Esse samba entrou definitivamente para a história do Carnaval. Se fosse um desfile campeão, entraria para aquela galeria de um ‘Me dê, me dá’ ou ‘Explode Coração’. É um samba para a história da Mocidade e do Carnaval, assim como o ‘Alabê de Jerusalém’ da Viradouro. Tive a sorte na minha carreira de cantar grandes obras, e essa, sem dúvida alguma, é uma delas.

Hoje, os álbuns nas plataformas digitais estão com ótima aceitação. O caminho é por aí? O que melhoraria?

Zé Paulo Sierra: É um caminho sem volta. O samba já não toca mais em rádios comerciais há muito tempo, e o nosso tempo de exposição na TV aberta é muito menor do que tínhamos nas décadas de 1980 e 1990. Hoje, o streaming é o caminho. O samba do Caju, por exemplo, foi a música mais executada no Rio de Janeiro na virada do Ano Novo de 2023 para 2024 via plataformas digitais. Por isso, o Gabriel David direcionou o marketing da Rio Carnaval para as redes sociais e para os influenciadores. É onde o público está.

Além do alcance, a qualidade técnica dos álbuns também melhorou muito. Nos primeiros anos do formato digital, os sambas chegavam às plataformas muito comprimidos. Hoje, a produção das faixas entendeu o processo, e melhorou bastante. É um caminho sem volta.

Para encerrar, a disputa de samba é financeiramente atrativa para os cantores? Quais são os desafios para você, como intérprete?

Zé Paulo Sierra: Para uma pequena parcela que compõe a ‘elite’ do Grupo Especial, sim. Mas a grande maioria dos cantores profissionais, que atuam nas Séries Ouro, Prata e Bronze, acaba ficando de fora. As eliminatórias encurtaram. Antes, tínhamos disputas longas, com 17 rodadas; hoje, raramente chegam a dez. Isso sem contar o movimento crescente de agremiações que encomendam os sambas ou que limitam a quantidade de microfones nos palcos apenas para cortar custos de produção. Um modelo ideal seria um tempo para ouvir os sambas e depois fazer a disputa.

E o que mudaria nas disputas de samba pensando na avaliação dos sambas e no processo de escolha?

Zé Paulo Sierra: O tempo é o fator principal. O ideal não é ter disputas de meses, mas sim criar um intervalo maior; por exemplo, de um mês para ouvir o samba entre a entrega e o início das eliminatórias. Além disso, eu gostaria que pudéssemos gravar as faixas concorrentes ao vivo, direto do barracão, com total tranquilidade. Imagina oferecer uma hora de estúdio para cada parceria se apresentar, sem aquele caos do primeiro dia de eliminatória. Às vezes, obras com potencial acabam sendo eliminadas precocemente simplesmente porque não foram bem passadas no palco. Quanto mais a gente tiver antenado e participando do projeto, a gente consegue um trabalho melhor.

Grande Rio transforma viagem a Gana em base para o enredo e confirma final de samba inédita em um domingo

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Foto: Maria Estela Costa/CARNAVALESCO

Focados no Carnaval de 2027, a equipe da Grande Rio fez uma viagem enriquecedora a Gana, que deu origem ao enredo “Sankofa Tabon: Os Retornados da Costa do Ouro e a Estrela Negra da Liberdade”, idealizado pelo carnavalesco Antônio Gonzaga. Com o tema em mãos, a diretoria da Tricolor de Duque de Caxias projeta seu próximo passo: um retorno ao país, desta vez com a equipe de criação para expandir as pesquisas e os conceitos artísticos para o desfile. Em entrevista ao CARNAVALESCO, Thiago Monteiro, diretor de carnaval, destacou o impacto que a viagem trouxe para a agremiação:

“Foi uma experiência muito boa, muito enriquecedora para a gente. Tivemos a oportunidade de conhecer uma realidade que a gente não imaginava e que traz realmente uma força muito grande para a gente, uma certeza do caminho que a gente tá adotando. Não é só falar de Gana… a Grande Rio ter ido e conhecido mostra que a gente tá firme no que quer”, contou Thiago.

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O primeiro contato foi um momento institucional de reconhecimento, com a escola caxiense se conectando ao país escolhido. Atualmente, o planejamento é retornar para que a equipe de criação também coloque a mão na massa.

“A viagem que nós fizemos foi por uma finalidade específica. E agora a gente tá agendando para que a equipe de criação também possa ter essa mesma oportunidade”, disse o diretor.

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A agremiação foi uma das últimas do Grupo Especial a divulgar o enredo. Quando questionado, o diretor defendeu o cronograma da escola, que prioriza a certeza e a segurança à urgência.

“Não demorou, não. Foi no tempo certo. É melhor lançar o enredo certo do que correr e meter os pés pelas mãos. A gente tá muito seguro do que tá fazendo. A Grande Rio tem o cronograma dela, tem a forma de aprontar o carnaval dela e não é a primeira vez que a gente tem enredo lançado nessa época. A gente tá bem tranquilo com o que vai fazer e mais seguro ainda porque é um enredo que nos agrada bastante”, defendeu Thiago.

Além do enredo, a Grande Rio anunciou uma novidade na disputa de samba-enredo: a grande final será em um domingo à tarde, um formato inédito na história da agremiação, que visa ampliar a presença do público e garantir mais segurança.

“É algo inédito para a Grande Rio. A gente quer dar oportunidade para pessoas que não vão, não conseguem e não querem andar de madrugada, por ‘n’ motivos, possam estar com a gente também. Salvo engano, acho que não tem nenhuma outra escola do Especial nesse dia. Que todos do mundo do samba venham aqui para Caxias”, disse Thiago Monteiro.

A outra mudança é no formato do concurso que, neste ano, terá apenas três etapas de eliminatórias até a decisão do hino do próximo desfile. Thiago defende que a quantidade de etapas não interfere na potência de um bom samba.

“Samba bom é samba bom! Com uma disputa, com dez, com vinte, o samba bom é bom. A gente já sabe quando o samba é bom e quando ele rateia”, concluiu o diretor de carnaval.

‘Filme-escola de samba’: como o Salgueiro inspirou um clássico do cinema brasileiro

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Fotos: Mariana Santos/CARNAVALESCO

De peruca vitoriana, vestidos exuberantes e pele negra reluzente, Xica pinta na tela. ‘Xica’, com X. Ali, pelo corpo de Zezé Motta e direção de Cacá Diegues, nasce a personagem emblemática, protagonista do filme homônimo que volta às telas dos cinemas brasileiros a partir de quinta-feira. O retorno foi marcado pela pré-estreia, com apresentação da bateria do Salgueiro e debate com Debora Butruce, Renata Almeida Magalhães e Luciano Vidigal, no Rio de Janeiro. O evento ocorreu em celebração aos 50 anos da obra e à releitura do emblemático desfile pelo Salgueiro em 2027, com o enredo “Laroyê, Xica da Silva: a história por trás da história”, firmando a relação histórica entre ambos.

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“Filme-escola de samba”. Era assim que Carlos Diegues se referia a Xica da Silva, de 1976. A obra foi inspirada pelo desfile emblemático do Salgueiro de 1963, concebido por Arlindo Rodrigues, que traz uma leitura inovadora da figura histórica Francisca da Silva de Oliveira. A primeira ‘Chica’, incorporada por Isabel Valença, foi responsável por popularizar e fundamentar o imaginário sobre a figura complexa de ‘Chica’ – negra, ex-escravizada, que enriqueceu por meio de sua união com o contratador José Fernandes de Oliveira, no Arraial do Tijuco, em Minas Gerais, no século XVIII.

Além da personagem-chave, o desfile foi o primeiro campeonato solo da história da escola e caracteriza o auge da Revolução Salgueirense, movimento de inovação estética e narrativa liderado por Pamplona, que destacou personagens negros e marginalizados sob um viés vitorioso, olhar discrepante do contexto racial do Brasil naquele momento. O impacto foi tamanho que Cacá nunca esqueceu o que foi apresentado na Avenida Presidente Vargas naquele domingo de carnaval.

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Assim, o diretor transformou o deslumbre pela festa em filme, 13 anos depois. O resultado é o clássico, considerado um dos filmes mais importantes do cinema brasileiro: uma obra que traz desbunde e liberdade visual, figurinos com riqueza de tecidos, texturas e estampas que fazem jus ao período colonial da trama e à exuberância dos corpos, assim como um desfile de escola de samba.

No entanto, as escolhas estéticas contrariavam o momento vivido pelo cinema brasileiro. Em plena Ditadura Militar, cineastas ligados ao Cinema Novo, como Cacá Diegues, renegavam os moldes “hollywoodianos” e prezavam uma linguagem cinematográfica mais “crua”, voltada ao realismo, à crítica social e à contenção visual. Cacá Diegues “rompe” com o esperado pelo movimento do qual era fundador e leva para as telas o oposto do dominante. Xica da Silva aposta no excesso e no humor para contar uma história que se desenrola no período da escravidão, fato que foi questionado pelos movimentos sociais. Para Debora Butruce, preservadora audiovisual responsável pela remasterização da obra para o digital, “o riso é uma ferramenta anárquica e revolucionária” na narrativa.

Esse formato molda também a personagem. Xica, uma mulher escravizada que usa o corpo como arma para conseguir o que quer, gargalha, debocha e convida o público a rir junto de suas travessuras. O olhar utilizado na narrativa gerou questionamentos da esquerda e do movimento negro pela forma como a personagem foi retratada, o que Cacá chamou de ‘patrulhas ideológicas’.

A produtora e parceira de Cacá Diegues, Renata Magalhães, oferece outra perspectiva: para ela, Xica da Silva foi de suma importância para o cinema brasileiro, em um momento em que a participação negra era ínfima. O filme abre espaço para um protagonismo negro raramente visto na época, desde as escolhas artísticas e visuais, como cores e maquiagem que valorizam a pele negra. O cuidado também está presente na direção de fotografia, assinada por José Medeiros, que tinha uma relação próxima com a comunidade negra. É um dos trunfos visuais do filme, preservados na restauração conduzida por Debora Butruce.

Em resposta aos questionamentos sobre o viés de Diegues, a resposta é simples: o diretor lutou para que o filme fosse às telas após ouvir de Luiz Severiano Ribeiro, fundador do grupo homônimo de exibidoras cinematográficas, que “filme com ‘preto’ não dá dinheiro”. E, assim, o filme se consagrou na cultura popular, levando mais de três milhões de espectadores às salas de cinema Brasil afora, na época.

Não é à toa que todos se encantaram pela ‘Xica’ de Zezé. Na tela, a atriz constrói uma corporeidade altiva e ousada, que o cineasta e afilhado artístico de Cacá Diegues, Luciano Vidigal, aproxima da força dos orixás e vê sua relação com o atual enredo do Salgueiro, ‘Laroyê, Xica da Silva’.

“Na própria Xica da Silva, a Zezé, em seu corpo e em seu olhar, remete aos orixás de maneira muito natural. Acho lindo esse encontro. Acho lindo o Salgueiro revisitar esse lugar, porque é necessário repetir essas narrativas, não apenas no Carnaval, mas também no cinema, para que continuem chegando ao imaginário das pessoas. Precisamos normalizar cada vez mais a figura dos orixás, e a arte tem que ser aliada a isso”, defendeu Luciano.

Renata reconhece que até mesmo a corporeidade que Zezé dá vida à personagem, sob direção de Cacá, tem como referência o Carnaval.

“Totalmente. Foi algo buscado desde o início. Quando o Cacá chama o Zé Medeiros para traduzir esse Carnaval na tela, ele tem consciência da potência daquele corpo negro. A Zezé já era atriz, e há referências à música do Jorge Ben e à coreografia que ela faz com o personagem de José Wilker, que continuam modernas até hoje. Colocar isso em um filme de época foi uma escolha consciente. O talento da Zezé é extraordinário, e o trabalho de maquiagem do Carlinhos Preto é uma obra-prima”, afirmou Renata.

A permanência de Xica da Silva no imaginário brasileiro também passa pela capacidade de renovar suas leituras. Se, em 1976, a personagem rompeu padrões de representação da mulher negra no cinema, em 2027 ela retorna à Sapucaí sob novas perspectivas. O enredo coloca a personagem como uma ‘pomba-gira’, mas também propõe desvendar a mulher por trás do mito a partir de novos achados históricos, como o testamento divulgado em 2025.

“Acho que precisamos urgentemente normalizar os orixás, assim como normalizamos muitos santos, principalmente os católicos. O Carnaval faz isso de forma muito necessária, e o cinema precisa ser aliado desse movimento. Quando você une cinema e Carnaval para trazer essa figura brasileira e coloca os orixás de forma natural dentro da dramaturgia, isso é urgente e necessário”, declarou Luciano.

Emanuel Lima e Thainara Matias seguem defendendo o 1º pavilhão da Acadêmicos de Niterói em 2027

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Foto: Allan Duffes/CARNAVALESCO

Em busca do campeonato da Série Ouro e retorno ao Grupo Especial, a Acadêmicos de Niterói renovou com o 1º Casal de Mestre-sala e Porta-bandeira para o carnaval de 2027. Emanuel Lima e Thainara Matias seguirão defendendo o primeiro pavilhão da azul e branca da cidade sorriso na Marquês de Sapucaí.

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A dupla estreou na agremiação no carnaval de 2026 defendendo o primeiro pavilhão na estreia da escola no Grupo Especial. Para 2027, ambos também desfilarão como 2º casal da coirmã Unidos da Tijuca.

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Montando sua equipe para o retorno à Série Ouro, a escola já anunciou a chegada do intérprete Carlos Junior, o carnavalesco Tiago Martins e os coreógrafos da comissão de frente Claudia Simas e Vinicius Rodrigues. A Acadêmicos de Niterói será presidida por Hugo Júnior no próximo carnaval.

De volta à Mocidade, Jack Vasconcelos explica enredo latino e promete grande samba para o Carnaval 2027

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Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

O enredo da Mocidade Independente de Padre Miguel marca o retorno de Jack Vasconcelos à escola após seis anos, quando se despediu com impacto: ‘Elza Deusa Soares’ rendeu a melhor colocação da Mocidade no carnaval desde então, conquistando o terceiro lugar. Em 2027, a Estrela Guia de Padre Miguel apostará na identidade latina e no pensamento descolonizador com o enredo-manifesto “Latinamente Independente – ‘Nosso Norte é o Sul’ em Remanifesto”. Longe de Padre Miguel, o artista aprofundou uma marca que já carregava na carreira: transformar temas políticos e sociais em potentes narrativas carnavalescas. Passou pela Unidos da Tijuca (2022-2023) e pelo Tuiuti, onde permaneceu por três carnavais. Lá, resgatou a história escondida de João Cândido com ‘Glória ao Almirante Negro’, amplificou a luta LGBT+ com ‘Quem Tem Medo de Xica Manicongo?’ e desvendou o culto Ifá cubano com ‘Lonã Ifá Lucumi’.

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Agora, propõe a retomada do poder da América Latina por meio de uma visão carnavalizada. A ideia parte da obra América Invertida (1943), do artista uruguaio Joaquín Torres García, que também inspira a identidade visual do enredo. Ao inverter o mapa do continente, García desafia a ideia de que o Norte deve ser a referência do mundo e propõe um novo olhar sobre a América Latina, baseado na autonomia cultural e na valorização de sua própria identidade. Há quem considere o tema complexo ou até mesmo impopular. Jack discorda. Para ele, basta ligar a televisão para perceber que o debate proposto pela escola já faz parte da rotina dos brasileiros.

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“O enredo da Mocidade traz uma questão que as pessoas assistem diariamente no jornal. Nem preciso explicar muito, porque as notícias do dia a dia já explicam o enredo: a necessidade de falar da latinidade, da nossa importância, do processo que nos achatou econômica, cultural e socialmente. Há vários artistas na América Latina e no mundo falando sobre isso. Estamos vivendo um processo de transição de poder. A princípio, pode parecer um enredo não tão popular, mas acho que as pessoas o entendem logo de cara porque o sentem na pele diariamente”, refletiu.

O desfile chega à Sapucaí em um momento em que as relações entre os Estados Unidos e a América Latina voltam a ganhar força no debate público, colocando em questão políticas imperialistas e a hostilidade em relação à cultura latina. Para o carnavalesco, essa conjuntura reforça a atualidade do enredo, que promete “pôr o dedo na ferida”.

“O enredo toca na vida das pessoas. Toca na história de vida delas, no que nossos pais, avós e antepassados viveram. Nossa construção social e econômica passa por essas experiências de imperialismo e de achatamento. Então, dizer às pessoas que elas têm valor, que não precisam acreditar em tudo o que uma grande mídia quer que elas acreditem, que não precisam abrir mão dos saberes dos avós, das mães e pais de santo, dos babalorixás, dos mais antigos. Não precisamos abrir mão de quem somos. Não somos cafonas, como querem dizer. Somos coloridos, felizes, temos clima, natureza e referências que nos dão essa cor e essa alegria. Não precisamos ter vergonha disso”, afirmou.

É natural da grande festa do Carnaval o constante diálogo com questões políticas e sociais de sua época. Durante a Ditadura Militar (1964-1985), algumas escolas de samba embarcaram em enredos ufanistas ou que exaltavam o considerado “progresso” do país na época, conforme incentivava o regime. As que fugiam à “regra” chegaram até mesmo a sofrer censura em sambas e alegorias. Para Jack, as escolas de samba não apenas refletem o seu tempo, como também o questionam.

“As escolas de samba sempre refletem o seu tempo. É natural que tenhamos passado por um período de valorização do olhar de outras culturas sobre nós. Em alguns momentos históricos, a própria escola de samba foi usada como ferramenta dessa propaganda, pela potência que ela tem. Hoje podemos usar essa mesma potência para dizer às pessoas que a história não é bem assim, que elas podem pensar de outra forma e olhar as coisas por outro ângulo. É muito bom aproveitar esse momento em que o mundo está questionando a cultura, a economia, as finanças e o mercado para fazer um enredo que incentive as pessoas a valorizarem a própria cultura e a própria história. Essa é uma oportunidade de ouro que a Mocidade está tendo”, explicou.

Samba-enredo campeão

Não é segredo que uma grande sinopse de um bom enredo rende um bom samba. E pode-se dizer que os enredos assinados por Jack Vasconcelos foram muito bem embalados por canções potentes, como os hits ‘Lonã Ifá Lucumi’ (2026), de Claudio Russo, Gusttavo Clarão e Luiz Antônio Simas; e ‘Meu Deus, Meu Deus… Está Extinta a Escravidão?’ (2018), de Cláudio Russo, Moacyr Luz, Dona Zezé, Jurandir e Aníbal, que se tornaram clássicos para além da Sapucaí. Na própria Mocidade, ‘Elza Deusa Soares’ faz a comunidade de Padre Miguel ferver, seja na quadra ou no esquenta na Avenida. O talento dos compositores consegue desenvolver temas mais complexos como em um passe de mágica, e, para 2027, não será diferente.

“O compositor é um ser de outro planeta. Ele tem uma capacidade enorme de síntese e conhece os caminhos do nosso coração e da nossa mente. Sabe nos atingir de uma forma muito clara. Estou muito feliz porque a ala de compositores da Mocidade entendeu muito bem o que estamos propondo. Já estamos no processo de tirar dúvidas e tive acesso a alguns sambas. Fiquei muito feliz com a forma como as pessoas receberam a proposta. Foi quase uma sensação de libertação, porque ela toca em coisas que elas realmente viveram. Acho que a Mocidade virá com um grande samba. Vamos até ter dificuldade para escolher o melhor”, destacou.

A ideia para o próximo carnaval é dar continuidade ao caminho que Jack Vasconcelos vem consolidando: colocar na Avenida um tema político e pertinente por meio de um enredo bem desenvolvido, com um bom samba cantado com garra pelos torcedores e apaixonados pela folia. E, para ele, o que torna um samba “campeão” para contar um grande enredo é a sua autenticidade. O carnavalesco garante que é assim que o cenário está se desenhando para a Mocidade em 2027.

“Ele [o samba] precisa ser verdadeiro. Não pode recorrer a subterfúgios para agradar. É claro que determinados discursos agradam determinados grupos, mas o compositor precisa acreditar no que está escrevendo, porque a resposta vem. Quem fizer um samba de dentro para fora vai criar uma grande obra. E eles estão fazendo isso. A Mocidade virá com um samba maravilhoso, tenho certeza”, concluiu.

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Começou! Estácio de Sá inicia histórica disputa do samba-enredo do centenário para o Carnaval 2027

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estacio disputasamba
Fotos: Júnior Azevedo/CARNAVALESCO

A Estácio de Sá iniciou a caminhada rumo à escolha do samba-enredo que vai embalar seu desfile no Carnaval 2027. Na noite desta sexta-feira, a escola apresentou oficialmente as 11 obras inscritas na disputa que irá definir o hino do enredo “Centenário do Berço do Samba: Onde o Samba Virou Escola e o Brasil se Fez Carnaval”, desenvolvido pelo carnavalesco Marcus Paulo e pela pesquisadora Cristina Silva. O tema celebra os 100 anos da agremiação, exaltando o legado da Turma do Estácio e a importância do bairro na consolidação das escolas de samba. Os sambas foram apresentados para a comunidade e para os segmentos da escola, dando início a uma disputa considerada por muitos como a mais importante da história da agremiação, justamente por definir a obra que marcará o desfile do centenário.

O presidente Edson Marinho ressaltou a importância da disputa e elogiou o nível das composições. “Toda disputa é muito importante, mas essa tem uma motivação muito maior. Os compositores se empenharam muito. Tivemos uma safra com 11 sambas, muito bonita. Tenho certeza de que a Estácio vai levar um grande samba para a Avenida”, declarou.

estacio presidente

Ex-integrante da ala de compositores, Edson também revelou que gostaria de estar concorrendo. “Fiquei muitos anos na ala de compositores e seria uma grande honra disputar o samba do centenário. Vejo muitos amigos compondo e tenho certeza de que a Estácio será muito bem representada”, afirmou.

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Autor do enredo comemorativo, o carnavalesco Marcus Paulo afirmou viver um momento especial na carreira e destacou a inspiração dos compositores.

estacio marcuspaulo

“É a disputa mais importante da história da Estácio e da minha também. Estou muito satisfeito com a safra. Vieram 11 obras muito bonitas. Os compositores assumiram bem essa responsabilidade. Hoje, muitas escolas estão encomendando samba e sempre com os mesmos grupos de compositores. Aqui tivemos uma disputa forte, com 11 obras. Acho que isso motivou muito a nossa ala de compositores”, disse.

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Os intérpretes oficiais da vermelha e branca, Diego Nicolau e Guto, também demonstraram entusiasmo com a qualidade da safra. Nicolau destacou que o enredo inspirou os compositores. “Sem dúvida, é uma disputa especial. A Estácio merece isso por parte dos compositores, e eles conseguiram alcançar a beleza e a poesia que a escola merece”, declarou.

estacio cantores

Guto acredita que a escolha ficará marcada para sempre na história da agremiação. “Tudo o que envolve esse ano é especial. A safra é muito boa e tenho certeza de que vai vencer o melhor samba, que vai embalar o centenário de uma forma especial. Todo mundo quer ter o samba do centenário da Estácio”, afirmou.

Responsável pela bateria “Medalha de Ouro”, mestre Chuvisco reforçou que a decisão exigirá muita análise da direção da escola.

estacio chuvisco

“É um ano que vai ficar marcado na história. Precisamos escolher um samba que fique eternizado, não só para o estaciano, mas para todo mundo do samba. Tem sambas muito bons, com características diferentes. Agora é analisar tudo direitinho para encontrar aquele que melhor se enquadra e fique na memória de todo estaciano e de todo sambista”, declarou.

Questionado sobre a expectativa da bateria, Chuvisco garantiu que os ritmistas aguardam apenas a definição.

“A bateria está pronta. Estamos esperando o resultado para sacudir a nossa comunidade, como sempre”, concluiu.

estacio casal

Próximos passos da disputa

17 de julho – Primeira eliminatória
24 de julho – Segunda eliminatória
31 de julho – Semifinal
8 de agosto – Grande final

Instituto Celeiro de Bamba celebra quatro anos com homenagens e reforça impacto social na Vila Isabel

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Foto: Divulgação/Vila Isabel

O Instituto Celeiro de Bamba celebrou seus quatro anos de história com uma homenagem ao patrono da Unidos de Vila Isabel, Capitão Guimarães, ao presidente da escola, Luiz Guimarães, e ao presidente do Instituto Celeiro de Bamba, Pedro Gomes. O reconhecimento destacou o apoio dos dirigentes à consolidação de um projeto que, desde sua criação, já impactou mais de 5 mil pessoas e, somente neste ano, atende cerca de 2 mil alunos. Criado com o objetivo de promover inclusão social, formação profissional e valorização da cultura popular, o Instituto Celeiro de Bamba oferece gratuitamente atividades voltadas à comunidade. Entre elas estão oficinas de percussão, cavaquinho, samba, mestre-sala e porta-bandeira, capoeira, jiu-jítsu e treinamento funcional, além de cursos de adereços, corte e costura, marcenaria, ferragem, fibra de vidro e escultura, contribuindo para a formação de profissionais que movimentam o carnaval.

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Durante a homenagem, o patrono da Vila Isabel, Capitão Guimarães, ressaltou a importância de ampliar o alcance da iniciativa para beneficiar ainda mais pessoas.

“É muito importante conseguirmos mais recursos para ampliar ainda mais nosso trabalho, oferecendo reforço escolar, aulas de computação, inglês e tantas outras oportunidades. Isso realmente faz toda a diferença. Quando vemos a felicidade estampada no rosto das crianças, dos jovens e também dos adultos, temos a certeza de que estamos no caminho certo”.

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Idealizador e presidente do Instituto Celeiro de Bamba, Pedro Gomes relembrou os primeiros passos do projeto e destacou a importância da parceria com a Unidos de Vila Isabel para transformar a iniciativa em realidade.

“O nome do instituto foi sugerido pelo Luiz, e entendemos ser o maior sintetizador da nossa missão. Desde o início, contamos com o apoio do Capitão, que acreditou nesse sonho. Essas parcerias foram fundamentais para que chegássemos até aqui”.

Atualmente, o Instituto Celeiro de Bamba atende moradores do Morro dos Macacos e de diversas outras comunidades, ampliando o acesso à cultura, à educação e à qualificação profissional.

Encerrando a celebração, Capitão Guimarães reforçou o papel das escolas de samba na transformação social. “Escola de samba é, acima de tudo, uma escola. Não aprendemos apenas samba; aprendemos valores, disciplina, respeito, cultura, convivência e cidadania”.

Unidos de Bangu anuncia Crislin Andrade como nova musa da comunidade para o Carnaval 2027

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Foto: Divulgação/Unidos de Bangu

A Unidos de Bangu segue fortalecendo seu elenco para o Carnaval 2027 e anuncia a chegada de Crislin Andrade como a nova Musa da Comunidade da agremiação. Com uma história construída ao longo de 28 anos dedicados ao samba, Crislin chega ao pavilhão mais antigo da Zona Oeste trazendo experiência, paixão e uma trajetória marcada pelo amor ao carnaval. Criada na Zona Oeste do Rio de Janeiro, ela fará da Unidos de Bangu o palco de um novo capítulo em sua caminhada, representando com orgulho a força da comunidade banguense.

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Sua trajetória começou ainda na infância, quando foi Rainha Mirim da Estrelinha da Mocidade. Ao longo dos anos, consolidou seu nome na Unidos de Padre Miguel, onde desfilou na ala das crianças, integrou a bateria, foi passista mirim, passista adulta e, posteriormente, musa da escola. Também brilhou como passista da Acadêmicos do Grande Rio e da Acadêmicos do Salgueiro, além de ter ocupado o posto de Rainha de Bateria da Imperadores Rubro-Negros.

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Agora, vestindo o vermelho e branco da Unidos de Bangu, Crislin assume a missão de representar a comunidade com dedicação, elegância e muito samba no pé.