Por Matheus Mattos
Visando a valorização do samba nacional, um grupo de amigos resolveu criar o projeto “SP Ritmo”. Anualmente realizam gravações de clipes musicais, sempre misturado com ritmo percussivo. Um dos idealizadores, Dennys Silva, garante que a intenção sempre foi mostrar um lado pouco visto dentro da música.
“A nossa intenção é exatamente de dar a referência para essa galera que está chegando agora, ensinar o respeito que tem ter, fazer o certo. Passar a ideia de que a música não é uma competição, é um ambiente pra unir a galera. ”,
afirma.
O mestre Robson Zoinho, também idealizador, acrescenta: “A gente sabe que não dá para unir todo mundo, mas tem muita gente em São Paulo que trabalha com percussão, que é músico, percussionista, então tínhamos que tomar essa iniciativa”.
Caminhando para a sua 3° edição, o projeto traz grandes nomes do carnaval e do samba paulistano. O clip postado recentemente contou com a presença dos mestres: Zoinho, Sombra, Tadeu, Moleza, Neninho, Guma, Acerola de Angola, Beto, Klemen Gioz, Vitor Velloso, Marcel Bonfim e outros nomes importantes, como: Oswaldinho da Cuíca, Paulinho Sampagode, Fabiano Sorriso, Talita Badia, Wellington Cezar, Caffé, etc.
O último trabalho foi separado em quatro partes. O primeiro vídeo é uma grande homenagem à velha-guarda do samba, eles gravaram um pequeno clip onde tocavam diferentes naipes e encerravam com uma declaração de cada personalidade. A segunda parte é uma espécie de mistura da música popular com a música erudita, onde tiveram a participação de músicos da UNESP. O clip musical apareceu na terceira parte, eles gravaram a música “Meu Dom”, composta pelo Paulinho Sampagode com diferentes arranjos musicais. O cantor Nego Branco ficou encarregado de dar voz à canção. O vídeo tradicional e carro chefe do SP Ritmo encerrou o material, trazendo diferentes bossas e arranjos com cada naipe separado.
O músico Dennys Silva revela que já está pensando na próxima edição e diz também que o SPRitmo cresceu mais do que imaginava.
“O projeto já ganhou muita notoriedade, conseguimos vários patrocinadores. Temos um projeto muito ambicioso pra 2019, mas precisamos ter cautela pra trabalhar, por isso não estamos divulgando ainda. É claro que o projeto está indo pra um outro lado, a galera procura pra shows, viagens, workshops e tudo mais. Mas o pessoal sabe que isso tudo não deixa de ser uma reunião de amigos”, conclui.
Responsável pela criação dos arranjos, junto ao Zoinho e Dennys, o Mestre Fernando Neninho diz que as criações são criadas do nada e revela também que o processo de ensinar o breque foi fácil por só contar com músicos no time:
“Sempre que posso contribuir com algum arranjo eu me coloco à disposição. Minhas criações são repentinas, costumo dizer e comparar com a do compositor. Quando vem a inspiração de algum arranjo geralmente tenho uma boa memória, procuro finalizar e mandar pra algum amigo ou diretor. Como tem muito ritmistas e músicos de alta patente, a demora não faz parte do nosso vocabulário. A pilha é tão grande que a firma vai lá com o psicológico preparado pra não dar mole. Dennys e o Zoinho gravam os arranjos antes e
manda pra geral também, fica muito mais fácil”.
Estreante no projeto, o Mestre Vitor Velloso conta como foi feito o convite e destaca felicidade.
“O convite foi feito em uma mesa na hora do almoço no dia que estávamos gravado a faixa da Imperador do Ipiranga para o CD oficial do carnaval. Fiquei muito feliz com o convite , o projeto é tão forte que não é qualquer um que entra, é uma parada entre amigos, não é pra qualquer um. É algo tão forte que agradeço o Dennys e ao Zoinho até hoje”.
Antes do processo da gravação, Vitor destaca uma situação engraçada que passou.
“Eu não falei isso pra ninguém, mas os caras esqueceram de mandar os vídeos dos arranjos, foi até engraçado” (risos). “Eu cheguei no Klemen e perguntei sobre os vídeos, ai eles viram que tinham me esquecido. Os caras tiveram que me passar de última hora, eu fui numa salinha e peguei por cima, mas acabei pegando de última hora. A gravação foi muio rápida, a velocidade da galera é muito grande, os caras são bons de verdade, é um absurdo”.
Primeiro ano como responsável pela captação de imagem e som, o Guilherme Cruz conta que a edição foi complicada e exaustiva.
“O Dennys e o Zoinho viram o estilo de trabalho e curtiram, então a partir disso eles me convidaram. Eu faço a pré-produção e a pós-produção, tudo sozinho. Já imaginava que seria algo bem trabalhoso, mas quando cheguei era bem maior do que eu imaginava. Tinha quatro câmeras pra eu manusear sozinho, descarregar os arquivos porque eram bem pesados, a questão da iluminação e tentar não perder nada, captar a essência do projeto né, que é a alegria, e deu tudo certo”.
Além de trabalhar com edição de vídeo, o Guilherme também é intérprete da Mocidade Unida da Mooca, agremiação do Grupo de Acesso de São Paulo.
“É um projeto de sambista para sambista né. Eu sou um sambista, a produção foi feita por sambistas, então a gente consegue captar e aguçar ainda mais a vontade do espectador que assiste. A parte da velha-guarda foi bem difícil pra gravar mas foi bem emocionante, tínhamos decidido de não cortar nada, a galera tem muita história”.
Homenagem à Velha-Guarda do samba atingiu 170 mil pessoas
Buscando manter a ideologia de apresentar boas referências para os músicos iniciantes do segmento, o Dennys e o Zoinho resolveram homenagear os mestres e grandes ritmistas da época de 80/90. A ideia era de registrar essas personalidades tocando, se tornando então o único vídeo que reuniu todos os responsáveis por gravar as faixas das escolas de samba
de antigamente.
Filho do Mestre Neno, um dos grandes sambistas paulistanos presente no projeto, o Fernando Neninho expõe que chorou ao assistir seu pai gravar.
“Graças a Deus, eu vivi tudo isso quando era menor, desde molequinho ele me carregava
em suas gravações, no qual no anos 80 e 90 ele dominava fazendo arranjos para escola
dele e para as co-irmãs. A felicidade se completa quando o SPritmo faz o convite e o
mundo inteiro assiste o coroa desenrolado é uma parada muito louca, até porque na época não tinha registro. Até chorei ao rever ele gravando”.


Falta pouco para o Carnaval, e no Botequim da Cidade do Samba, o tamborim se mantém aquecido. No próximo dia 18 de fevereiro, às 18h, o Botequim vai reunir grandes nomes da música no Rio de Janeiro. “O que é isso meu amor, venha me dizer. Isso é Fundo de Quintal, é pagode pra valer”, será o clima da edição especial pré-carnavalesca, que apresenta o grupo Fundo de Quintal e o cantor Tiee que convidam a todos para os eventos que o espaço vai receber.
Nesta sexta-feira, dia 1 de fevereiro, a partir das 22h30, a Estácio de Sá faz a festa “Noite dos Campões”, no Berço do Samba, e recebe os intérpretes, mestres de bateria e autores de sambas-enredo campeões do carnaval deste ano.
A Mocidade Independente de Padre Miguel espera lotar mais uma vez o ‘’Maracanã do Samba’’ neste sábado, dia 02 de fevereiro. A agremiação recebe a Acadêmicos do Grande Rio como convidada em mais uma edição do ‘’Mocidade Show’’. O evento tem a roda de samba com o grupo Remandiola e uma grande apresentação com os segmentos independentes. A entrada custa R$ 20, o camarote para 25 pessoas sai a R$ 1.000, e a mesa para quatro pessoas: R$ 100. A quadra da verde e branca da Zona Oeste fica na Avenida Brasil, 31.146, em Padre Miguel.
A Beija-Flor de Nilópolis informa que o ensaio comercial que aconteceria no próximo sábado, dia 02 de fevereiro, está cancelado. Foi necessário fazer um reparo emergencial na tubulação de distribuição de água na quadra da agremiação, e o mesmo não ficaria pronto até o horário do evento. Para evitar transtornos aos visitantes e componentes, a escola decidiu cancelar o evento.
A Campanha Não é Não! que luta contra o assédio sexual, chega a seu terceiro ano no Rio quebrando recordes. O financiamento coletivo, que acabou no dia 21 de janeiro, conseguiu arrecadar R$ 15524 reais em doações com 243 apoiadores. Esse valor permite a produção de 30000 tatuagens temporárias com os dizeres NÃO É NÃO! que serão distribuídas gratuitamente por todo estado nos blocos de carnaval. A campanha também conta com a parceria de 38 blocos, 19 marcas e duas associações de bloco.
“Sempre buscamos fazer o melhor possível independente dessa questão de a escola ser ou não favorita. A ajuda da prefeitura de Niterói está chegando em partes. Sem essa ajuda seria bem difícil fazer o carnaval, com apenas R$ 250 mil. Está tudo caminhando bem, mas encontramos algumas dificuldades na busca de materiais. Favoritismo e glamour não nos afeta. A forma como encaramos carnaval é muito mais uma entrega e entender como expressamos a nossa arte. A escola de samba é onde conseguimos nos expressar melhor artisticamente. Quando acontece um bom casamento quem tem a ganhar é a escola”, conta Gabriel Haddad.
“Diferentemente do que aconteceu com o carnaval do Bispo do Rosário, e com a grande repercussão, nos vimos com uma responsabilidade grande, para superar aquilo que foi feito. Alguns fatos começaram a aparecer, alguns explicáveis. O Vinicius Natal, pesquisador do enredo, tinha essa vontade de fazer algo sobre ex-votos (presente dado pelo fiel ao seu santo de devoção em consagração, renovação ou agradecimento de uma promessa), em um diálogo com o Museu Nacional. Éramos no início reagentes, por se tornar muito denso. Até que houve uma confluência de sonhos. Eu e Natal sonhamos na mesma noite com ex-votos e decidimos realizar algo nessa temática. Somado a isso no dia que fui entregar minha tese de mestrado minha orientador sugeriu um enredo sobre ex-votos, sem saber de nada. Realmente foi um somatório de coincidências incrível. Vários pontos desse enredo dialogam com o do Bispo”, detalha Bora.
Leonardo Bora é paranaense e um dos artistas mais refinados da nova geração do carnaval. Ele revela à nossa reportagem que o Cubango terá cerca de 50 estampas criadas com exclusividade por ele e Gabriel Haddad.
O Cubango irá desfilar com cerca de 2.000 componentes, 4 alegorias e 20 alas. Leonardo Bora e Gabriel Haddad explicam setor por setor como se dará o desenvolvimento do carnaval do Cubango.
Centrado e dedicado, Higor Silva é um dos grandes responsáveis pela crescente da Acadêmicos do Tatuapé nos últimos anos. Sua trajetória se inicia na Nenê de Vila Matilde, em 1995 entrou pra bateria da Tatuapé e de lá não saiu mais. Se tornou diretor e até que em 2010 foi convidado a assumir o cargo de principal comandante da batucada da zona leste de São Paulo. (Fotos: Felipe Araújo)
“Como eu fui criado no Tatuapé tem aquela questão da paixão realmente, e isso foi um trabalho que a gente começou a fazer com os diretores daqui. O mesmo trabalho fizemos na nossa escolinha, de realmente formar um ritmista de dentro de casa, pra que o cara tenha sentimento, que nos ajude nos momentos de dificuldades e, claro, nos momentos de alegrias também. Você tendo o ritmista da casa, ele está do seu lado em qualquer situação. A situação. Os discursos antes do desfile é algo que eu não penso cara, é algo que vem na hora, mas isso só acontece porque eu vivo o dia a dia da escola, eu participo do desenvolvimento do carnaval, sei das dificuldades, eu passo pra eles que não foi fácil chegar no nível daqueles desfiles, mas com muito trabalho conseguimos chega de uma maneira digna”, revela Mestre Higor, e afirma: “Cara, eu tenho uma coisa pra mim que é assim, o carnaval hoje é muito comercial, muito dinheiro envolvido, mas o cifrão nunca vai substituir a emoção”.
Em mais uma noite de ensaio para o Carnaval 2019, a São Clemente resolveu preparar um presente mais que especial para sua comunidade. Sob o comando do presidente Renato Almeida Gomes e do carnavalesco Jorge Silveira, a escola apresentou as fantasias dedicadas às alas da comunidade para seus componentes e deixou a noite ainda mais especial.