Por Matheus Mattos. Fotos: Felipe Araújo

A chuva que ameaçou desaparecer, voltou com força durante o ensaio da Rosas de Ouro. A água não afetou a empolgação dos componentes, que mostraram boa evolução no canto. Porém alguns trechos das alas se mostraram desorganizadas, comprometendo o quesito de evolução.
Comissão de frente
A comissão de frente da roseira evoluiu com a presença de um pequeno tripé, onde foi notado interação constante. A ala traz em sua coreografia uma triste história do país homenageado, o genocídio armênio. O quesito promete ser impactante e bem emocionante, visto pelo sentimento que já proporciona nos técnicos.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
O casal oficial, Edgar e Isabel, optou por uma roupa mais leve, terno e vestido rosa. Ambos demonstraram bom sincronismo, performance positiva para o ano de estreia. Isabel aguardou o final do ensaio no canto da dispersão, abraçada com o pavilhão oficial e ao lado do Edgar.
Samba-enredo
A adversidade climática gerou problemas para o intérprete oficial, Royce do Cavaco. O cantor ficou parado no trânsito e perdeu a largada da escola, mas assumindo o microfone quando a bateria estava no recuo. De forma interina, a ala musical realizou apagões para destacar a força da comunidade.
Bateria
Comandada pelo mestre Rafa, a bateria com Identidade trouxe um andamento seguro e com boa sustentação. O clima da batucada estava contagiante, eles realizaram bossas e arranjos em boa parte do ensaio. A execução do recuo diferenciado beirou a perfeição por parte dos ritmistas e, encerrando o desempenho, todos integrantes da bateria se juntaram com muita felicidade. Um destaque perceptível também foi a adesivagem nova dos instrumentos, colorida com a cores da escola, azul e rosa, e o nylon com o logo da batucada.
Evolução
A escola sofreu um pouco com o quesito em determinadas partes. O andar da escola não foi uniforme e nem constante, e em frente ao setor A pode ser notado o efeito sanfona. No último setor alguns buracos e linhas tortas também estiveram presentes. Mas o primeiro setor da escola se destaca, pela presença de ala coreografada, casal, baianas e alegoria
Harmonia
O cantar da escola evoluiu em comparação aos últimos ensaios, porém a empolgação não foi constante, houve níveis diferentes de ânimo nos setores seguintes. A parte do “A Rosas” e “Tem que respeitar” são os trechos que a comunidade mais canta.
Destaques
A Velha-Guarda encerrou o desfile na última alegoria com muita simpatia, esbanjando samba no pé. A rainha de bateria, Ellen Roche, também esteve presente no último técnico. Outro ponto a ser notado é a quantidade de Armênios presentes no desfile, um número bem considerável.





Quando a escola de samba Mancha Verde entrou na avenida, a chuva amenizou, porém muitos componentes sofreram com trânsito e pontos de alagamentos espalhados na cidade de São Paulo. O presidente Paulo Serdan explicou sobre o número menor de foliões ainda antes da largada. O desempenho da comissão de frente elevou a qualidade do ensaio da agremiação.
Dentre todas as alas que passaram na noite, a comissão de frente da Mancha Verde foi a que mais se destacou. Fato dado pela coreografia forte e representativa, e também pelo figurino presente. Os bailarinos realizam passos rápidos e com características de dança afro. O quesito foi bastante aplaudido pelos sambistas presentes no Sambódromo, e muitos esbanjaram diferentes reações.
O casal oficial da agremiação alviverde, Marcelo e Adriana, optou pela roupa mais leve. A porta-bandeira veio representando Oxum e o mestre-sala, Xangô. Durante o desempenho da dupla, a chuva amenizou e possibilitou uma liberdade maior, com uma dança mais solta.
A bateria Puro Balanço, comandada pelo Mestre Maradona, optou por soltar bossas com mais frequência. O clima de descontração dado pelo presidente ainda na largada, influenciou a decisão do mestre. As bossas seguem uma característica de manutenção do ritmo, onde os surdos desenham e as caixas seguem dando sustentação. De diferente do primeiro técnico, a bateria optou por entrar no recuo de lado. Os diversos apagões executados foram bem correspondidos pela comunidade. Os ritmistas permaneceram parados na linha final por duas passagens do samba, e ao final cada diretor chamou o naipe correspondente para uma rápida reunião. O destaque ficou por conta do entrosamento dos desenhos e padrão em relação a postura das ritmistas do chocalho.
O presidente pediu antes do início para que os integrantes da harmonia deixassem seus componentes soltos. A liberdade deu a sensação de desorganização, a divisão de alas não foi clara, alguns componentes estavam parados e outros se movimentavam. Fato visto principalmente no último setor. A escola veio com um número pequeno de contingente, porém não foi percebido no momento que a escola estava na avenida. Estrategicamente, o carnavalesco Jorge Freitas alterou a distribuição dos componentes e estendeu mais as alas, amenizando o problema. A escola chegou a preencher todo o sambódromo, de ponta aponta.
A escola realizou um bom desempenho no quesito, porém ainda existem correções no cantar dos componentes, como no primeiro setor da escola. O segundo e terceiro se destacaram, cantando forte e com empolgação, porém a animação não se manteve no setor adiante. O pico de emoção da comunidade se da no final da segunda estrofe, especificamente na parte “Senhora”.
A obra para o desfile de 2019 tem pontos de euforia, mas carrega uma característica mais melancólica, até pelo conteúdo do enredo. O intérprete Freddy Vianna, junto a sua ala musical, mantém o estilo que junta um pouco do lírico. As aberturas de vozes trabalham o tom feminino em conjunto com o masculino, enriquecendo o samba. Os músicos responsáveis pelas cordas também se destacaram com arranjos e dedilhados bem elaborados e executados.
Outros destaques
Dando sequência aos ensaios de sábado, a Mocidade Alegre mostrou mais uma vez boa organização e desempenho empolgante da comunidade, reafirmando favoritismo ao almejado título da elite do carnaval.
O primeiro casal bailou com parte da fantasia do desfile de 2018. Ambos optaram por uma dança mais cautelosa e lenta, até por conta da pista molhada. A energia que ambos transmitem é algo que os diferenciam. Um ponto a ser destacado é que todos os casais vieram fantasiados.
O primeiro setor é todo coreografado, comissão de frente, duas alas seguintes, parte da alegoria e até os guardiões que cortejam o pavilhão oficial. O setor seguinte cativa pela empolgação, tanto no evoluir quanto no cantar, sendo o setor que mais se destacou na noite. A escola mantém uma boa organização durante todo o desfile.
É perceptível o domínio que a escola tem sobre o quesito, praticamente todos os setores com uniformidade no cantar. As três primeiras frases do refrão principal é cantada com muita garra, e junto com a coreografia, ocasiona um pico de empolgação para o folião. Apenas o último setor não acompanhou a intensidade do canto imposto pela Morada.
A rainha Alina Oliveira veio fantasiada de mulher gato. Ela interagiu constantemente com a ala coreografada em frente à bateria. A Ritmo Puro, comandada pelo Mestre Sombra, não poupou bossas. A montagem diferenciada da bateria se mantém, com a cozinha na frente e os instrumentos leves ao fundo. A organização se inverte no recuo.
Com desempenho satisfatório, o Intérprete Igor Sorriso demonstrou segurança e intimidade com a comunidade. O cantor ensaiou com adereço indígena na cabeça e com os pés descalços. Um destaque ficou por conta dos arranjos de retomadas de bossas realizados pela equipe de cordas, cavaco e violão.
Um grupo de Parintins abriu o ensaio. A presença deles na equipe de barracão e o enredo, que homenageia o Rio localizado na Amazônia, influenciaram à escola a fazer a homenagem. Foram vistos também quatro tripés logo no começo, com presença de pessoas em três deles. A antiga Rainha Nani Moreira veio junto com a ala musical.
O Sambódromo recebe neste domingo para o terceiro dia de ensaios técnicos preparatórios para o Carnaval 2019 mais três agremiações do Grupo Especial. A São Clemente, a partir das 19h30, traz a volta da crítica em seus enredos e promete agitar a Sapucaí com o samba reeditado de 1990. Após a agremiação de Botafogo, pisam no chão da avenida duas gigantes do carnaval. A Estação Primeira de Mangueira, às 21h, com um dos sambas mais aclamados deste carnaval e sua velha companheira Portela, às 22h, que promete emocionar com a homenagem a Clara Nunes.
A reportagem do CARNAVALESCO ouviu integrantes das três escolas que ensaiam neste domingo, no penúltimo final de semana antes do desfile oficial, no início do mês que vem.
“Eu estou com uma expectativa muito boa, pois além da São Clemente, estaremos ensaiando junto com a nossa querida velha companheira, Mangueira. São agremiações com uma história muito bonita. Escolas que enfrentaram os carnavais de guerra. Que sempre resistiram a perseguições nos mais diferentes momentos do carnaval. Eu não tenho dúvida alguma que será uma noite inesquecível. A Portela está pronta para encantar a avenida domingo e também no desfile”, declarou o presidente da Portela Luis Carlos Magalhães.
“Eu vou fazer um ensaio como se fosse disputando o desfile mesmo. Estamos Estou levando 2.800 componentes. Eu preciso desse ensaio para ter uma avaliação. Nosso samba está rendendo muito bem. Faltam duas semanas e estou sentindo que vai dar tudo certo. estamos com o carnaval pronto. Em cinco dias entrego todas as roupas. A nossa comunidade vai para a avenida bem feliz”, afirma o presidente da São Clemente, Renato Almeida Gomes.
Primeira agremiação do especial a ensaiar na noite de sábado, a Colorado do Brás sofreu bastante com a chuva que atingiu o Anhembi, até mais que os Gaviões da Fiel no dia anterior. Por conta disso, a escola trouxe um número menor de componentes do que o proposto para o desfile. Mesmo com o diluvio, a escola mostrou bom desempenho de harmonia.
A bateria Ritmo Responsa, comandada pelo Mestre Allan, foi prejudicada com a chuva. As afinações dos surdos de marcação foram diretamente afetadas. A batucada soltou bossas pontuais, porém o pagão realizado enquanto estava no recuo levantou a empolgação e o canto da agremiação do Brás. O mestre usou bastante o arranjo que dura metade da segunda estrofe e volta na primeira frase do refrão de cabeça, “Isso é Viver”, cantada por todos os integrantes e ritmistas.
A crescente do chão do Colorado é perceptível ao analisar o desempenho da agremiação no ensaio técnico. O refrão principal e a primeira parte do segundo refrão são dois pontos em que se ouve a comunidade com clareza maior. O apagão feito pela bateria teve bom resultado também na empolgação e vibração do componente.
A chuva atrapalhou diretamente a montagem da escola. Alguns componentes se perdiam no andar e na organização dentro das alas. Mas foi notado uma uniformidade na escola padrão, pelo menos nas primeiras arquibancadas.
O intérprete Chitão Martins, que é um dos intérpretes que mais evolui no carnaval paulistano, mantém postura de cantar entre os componentes na avenida. O arranjo do time de cordas, como o “reggae” durante bossa, destacou o desempenho musical.
Os bailarinos evoluíram com camisetas simples da agremiação e parte das pernas com pano de temática africana. Mesmo com a chuva, os bailarinos demonstraram bom desempenho durante o trajeto. A dança envolve muitos passos e com frequência do uso de todo o corpo.