A Estação Primeira de Mangueira realizou a semifinal da sua disputa de sambas-enredo para o Carnaval 2026. Seis obras se apresentaram na quadra da Verde e Rosa, competindo pelo direito de contar o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra” na Marquês de Sapucaí. Duas parcerias, vindas do Amapá, já estavam classificadas para a final. Outras quatro, do Rio de Janeiro, disputaram duas vagas para a última fase, que será realizada no sábado, dia 27. Os sambas eliminados foram os das parcerias de Ivo Meirelles e Beto Savanna. Abaixo, o CARNAVALESCO analisa o desempenho de cada obra classificada.
Parceria de Francisco Lino (Amapá): O samba 105 veio diretamente da terra onde nasceu o enredo. A obra amapaense, da parceria de Francisco Lino, Hickaro Silva, Camila Lopes, Silmara Lobato e Bruno Costa, já estava classificada para a final por vencer a disputa no Amapá. Na sua primeira apresentação em solo verde e rosa, o samba foi recebido de forma tímida pela quadra, não sendo tão cantado quanto os demais. Apesar do refrão empolgante — “Mangueira chamou: ‘Sacaca!’ / Minha voz ecoou na mata! / O meio do mundo é a nossa aldeia / Incorporou! A Amazônia é negra!” —, neste momento da disputa, a obra não se mostrou capaz de avançar sem a classificação prévia. Isso, porém, não esteve ligado ao desempenho dos cantores, que foi satisfatório. Na única passada em que o samba ficou apenas com a galera, sem bateria nem intérpretes, o canto desapareceu. É preciso ajustar alguns pontos se a parceria quiser fazer bonito na final.
Parceria de Verônica dos Tambores (Amapá): Na sequência, outra obra vinda do extremo norte do país e também já finalista: o samba 103, da parceria Verônica dos Tambores, Piedade Videira, Laura do Marabaixo, Antônio Neto, Clovis Junior e Marcelo Zona Sul. Desde antes de subir ao palco, já era apontado como favorito, e a apresentação confirmou as expectativas. O público entoava o refrão antes mesmo de a parceria começar a cantar, e o samba foi muito bem recebido ao longo de toda a execução. O refrão do meio — “É de manhã, é de madrugada / É de manhã, é de madrugada / Couro de sucuriju no batuque envolvente / Quilombola da Amazônia jamais se rende!” — sacudiu a quadra e funcionou muito bem em todas as passadas. Quando ficou apenas a cargo do público, o canto não se manteve uníssono em tom alto, o que gerou uma sutil decepção em alguns fãs, mas nada que diminuísse o mérito da classificação. Foi uma apresentação consistente, que reafirmou o favoritismo da obra amapaense.
Parceria de Alexandre Naval: O terceiro classificado foi o samba 11, da parceria de Alexandre Naval, Wendel Uchoa, Ronie Machado, Giovani, Marquinho M. Moraes e Ailson Picanço, defendido por Wantuir em grande performance. Assim como o anterior, o samba começou a ser entoado pelo público antes mesmo dos intérpretes no palco. A obra foi bem recebida na quadra e mostrou força. O trecho “Canta! No terreiro oração se dança! / No toque de caixa ligeiro / A bandaia se faz entender / Samba! / No Laguinho, rei sentinela / Com os crias da favela / A floresta vai vencer!” abre caminho para o refrão principal com impacto, transmitindo a sensação de uma explosão mais adiante na obra. Quando entregue à galera, o canto se manteve coeso e forte do início ao fim. Foi mais um samba que se mostrou indispensável na final.
Parceria de Pedro Terra: Encerrando a noite, o samba 15, de Pedro Terra, Tomaz Miranda, Joãozinho Gomes, Paulo César Feital, Herval Neto e Igor Leal, interpretado por Igor Sorriso e Tinga. A obra mostrou grande aderência na quadra, sendo muito bem cantada pelo público. Apesar da letra extensa, o samba demonstrou potência para estar na final. Seu grande trunfo está no trecho final do refrão — “Chamei o povo daqui, juntei o povo de lá / Na Estação Primeira do Amapá” —, que caiu no gosto da galera e foi cantado de forma animada e coesa em todas as passadas. Após a apresentação, a torcida ainda promoveu um arrastão ao som do samba na saída da quadra, confirmando sua força.
Por Allan Duffes, Ana Júlia Agra, Carolina Freitas e Matheus Morais
A Mocidade Independente de Padre Miguel definiu na madrugada deste domingo o hino que irá embalar a Verde e Branco da Zona Oeste no Carnaval 2026. A obra vencedora, assinada pelos compositores Jefinho Rodrigues, Diego Nicolau, Xande de Pilares, Marquinho Índio, Richard Valença, Orlando Ambrosio, Renan Diniz, Lauro Silva, Cleiton Roberto e Cabeça do Ajax, foi aclamada pela comunidade no Maracanã do Samba. A escola levará para a Avenida o enredo “Rita Lee, a Padroeira da Liberdade”, desenvolvido pelo carnavalesco Renato Lage. A Mocidade será a primeira escola a desfilar na segunda-feira de carnaval, no Grupo Especial.
“Aqui é a minha escola de coração. Sempre ganhar samba aqui parece que foi a primeira vez. Tem a emoção, o nervosismo, a vontade de ganhar e a vontade de realizar um bom espetáculo para minha escola sempre. Muita felicidade. O refrão do nosso samba mostrou a força que ele tem. É um som muito popular, remetendo a uma música famosa da Rita, que é a nossa homenageada, e mesclando com o sentimento de amor do Independente pela escola. O mais forte é: ‘Mocidade, ê, ê, ê, minha mocidade, voltei por você. Desbaratina a razão, se joga, meu bem, no céu, no mar, na lua, na Vila Vintém”, disse o compositor Diego Nicolau.
Emocionado com a vitória, o compositor Richard Valença destacou a simbologia de homenagear Rita Lee na voz da Mocidade. “Essa semana eu dei uma entrevista e afirmei que a Mocidade se fala no feminino. A Rita Lee é uma voz plural de feminilidade, de combate a qualquer preconceito que seja voltado ao público feminino. São histórias que se cruzam, são perfis que se cruzam: a Mocidade é a Rita Lee, e a Rita Lee é a Mocidade. É uma honra poder vencer essa disputa pela quinta vez com a minha parceria e ser a voz da Rita Lee na Sapucaí pela Mocidade. É algo indescritível, único. A Mocidade merece falar de Rita Lee, e a Rita Lee merece passar no carnaval carioca”, afirmou.
Sobre a força do samba, Richard Valença ressaltou: “O refrão principal vai ser uma coqueluche, vai ser um absurdo na Sapucaí. Mas o trecho ‘sou Independente, fácil de amar, livre de qualquer censura’ tem uma identidade muito forte com a Mocidade. O público do carnaval ama a escola, mas ao mesmo tempo chega com o pé atrás por conta dos últimos resultados. Então, o Independente precisa falar isso: que é fácil de amar, que tem a ver com ele e tem a ver com a Rita Lee. Eu acho que todo samba pega, mas esses dois refrões vão levantar a Sapucaí”.
O compositor Cabeça do Ajax falou sobre a conquista. É o meu quinto título na Mocidade, mas é como se fosse o primeiro de novo. Mocidade é onde eu nasci, onde eu me criei e onde me projetou para o samba. Eu sou cria de Padre Miguel, da Vila Vintém, para mim é muito especial ganhar na Mocidade. É sempre bom ganhar samba, mas ganhar na Mocidade tem um gosto diferente, em especial, falando da Rita Lee. Eu sou muito fã da Rita Lee, e isso aí foi passando para as minhas filhas, a identidade, a qualidade da música. E as minhas filhas gostam muito ainda do que eu gosto. E a minha filha é muito fã da Rita Lee. Ela tem 17 anos, a Nicole. Ganhar esse samba teve um sabor especial porque eu dediquei a ela. A emoção foi diferente de todos os outros anos. E a importância da gente trazer a Rita Lee para o carnaval, um ícone da nossa música. Isso aí para mim, é o carnaval, é para isso. É para falar dos grandes ídolos que nós tivemos, é para falar de política, é para falar de orixá, é para falar de tudo. E a gente tem que trazer isso para o carnaval.
“Ser vencedor na escola da gente é sempre a melhor coisa. É o meu segundo samba campeão na escola e com um enredo feminino. O primeiro ano que eu ganhei foi Elza e agora a Rita Lee. Duas lendas! A felicidade é imensa. Minha escola de coração … Ah, nem sei o que falar. Só sei comemorar e ser feliz! Agradecer à minha parceria. A gente fez um trabalho árduo, com dias perdidos de sono e fora de casa, mas no final compensa tudo. A expectativa agora é a maior possível. Esse samba já caiu na boca do povo desde o lançamento. Na quadra da Vila Vintém já era abraçado pela comunidade. Por isso, a expectativa está lá em cima para a escola fazer um ótimo carnaval e ser feliz!”, comemorou o compositor Renan Diniz.
Indo para sua segunda vitória na escola, Lauro Silva exaltou a emoção do momento: “É indescritível. Estamos há três anos chegando na final e graças a Deus esse ano vencemos. A felicidade é sem igual. Esse é o segundo samba que venço aqui. O primeiro foi o Don Quixote. Este agora é todo muito melódico, muito bonito. Tenho certeza que será um sambão na Avenida. A expectativa é a melhor de todas. A Sapucaí vai cantar, principalmente o refrão, a plenos pulmões”.
Igor Vianna: ‘Um momento único na minha escola do coração’
O intérprete Igor Vianna viveu uma noite especial ao defender o hino campeão. “Um momento único, estar na minha escola do coração. Eu só tenho a agradecer a Deus e aos meus Orixás. É muito diferente cantar aqui, a emoção bate diferente”, contou.
Sobre a parceria com o mestre de bateria, foi enfático: “Podem esperar um grande trabalho na Avenida. A minha troca com o Dudu é excelente e o nosso hino vai levantar a Sapucaí”.
Renato Lage: Um enredo que é a cara da Mocidade
O carnavalesco Renato Lage explicou a origem do enredo: “Sempre tive vontade de fazer um enredo sobre Rita, ela é minha contemporânea. Coincidiu eu voltar pra Mocidade e querer fazer aqui. Gostaria de ter feito com ela em vida, mas não foi possível. A família está apoiando, adorando. O Roberto e o João, filhos dela, estão presentes”.
Sobre o desenvolvimento do desfile, adiantou: “Os protótipos já foram apresentados internamente, a reprodução já começou, barracão em andamento. O projeto está todo pronto”.
Mestre Dudu: ‘A Rita abre caminhos para uma bateria ousada’
O comandante da “Não Existe Mais Quente”, mestre Dudu, não escondeu a empolgação com o samba escolhido e com as possibilidades musicais que o enredo proporciona.
“A Mocidade está se reinventando com uma direção que escuta a gente. E eu sempre digo: um samba bem escolhido já é metade do caminho de um grande carnaval. Falar de Rita Lee é falar de música, de criatividade. Esse enredo abre a mente para a gente pensar em novas nuances de paradinhas e ousadias. Agora é virar a página, esquecer o que passou e fazer um belo carnaval. O Independente merece e não vai ser diferente”, afirmou.
Sobre o repertório de inovações que sua bateria prepara para 2026, deixou no ar um suspense: “Todo mundo só fala em guitarra, mas a nossa bateria é pioneira. Ainda não temos um instrumento específico definido, mas podem ter certeza que, quando virem o nosso desfile, vão pensar: ‘o Dudu só pode ser maluco’. Queremos surpreender e fazer algo totalmente diferente. É para marcar história”.
Wallace Capoeira: ‘Queremos 3 mil Ritalizados na Avenida’
O diretor de carnaval Wallace Capoeira ressaltou a união da escola: “O saldo de 2025 foi muito positivo. Agora, após a escolha do hino, a comunidade vem junto com a nossa família. O projeto é audacioso, de muita musicalidade. O Renato é o nosso mago. Temos condições reais de fazer um grande desfile. Quanto mais componentes, melhor, quero os meus Ritalizados. Vamos desfilar com 2500 a 3000 pessoas”.
Doutora Valéria: ‘Projeto do Lage vai para a Avenida inteiro’
Representando a escola na Liesa, a advogada Valéria foi categórica: “Muita garra, muita luta, muito samba, desfile digno da Mocidade. O projeto do Renato Lage vai para a Avenida inteiro, como foi em 2025. Não damos atenção a boatos, vamos chamar vocês para dentro do barracão para acompanhar”.
João Lee:’Minha mãe estaria vibrando de felicidade’
Filho da homenageada, João Lee se emocionou com a vitória do samba: “É emocionante. Ela era apaixonada por carnaval, incluía o espírito do carnaval em muitas músicas. Tenho certeza que, de onde estiver, vai estar vibrando de felicidade. A família está encantada com o projeto. Vamos desfilar, nossa família e amigos mais próximos estarão presentes”.
Sandro Menezes: ‘Igor será uma grande revelação na Avenida’
O diretor de harmonia, Sandro Menezes, exaltou o trabalho do carro de som: “O Igor e a equipe têm feito um trabalho maravilhoso. Tenho certeza que ele será, mais uma vez, uma revelação na Avenida. Após a escolha do hino, começaremos os ensaios de canto na quadra. Tudo já está planejado para dar muito certo”.
Diogo e Bruna: ‘Desafio da cabine espelhada é gostoso’
O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Diogo e Bruna, comemorou o saldo positivo de 2025 e projetou o próximo carnaval: “Foi um dos nossos melhores desfiles, superamos expectativas e conseguimos as notas máximas. Agora é melhorar ainda mais”, disse Bruna.
Sobre o enredo e o samba: “Rita sempre foi inspiração. O samba vai nos ajudar na coreografia, que será preparada para encantar o público e os jurados. A cabine espelhada é um desafio, mas gostamos de desafios. Vamos para cima”, completou Diogo.
Como passaram os sambas na final
Parceria de Jefinho Rodrigues: Primeiro samba a se apresentar na final, entrou em cena já como favorito. A exibição da parceria foi em grande estilo, liderada por Wander Pires, cantor da Viradouro, mas que na Mocidade sempre se mostra à vontade. Os compositores Jefinho Rodrigues, Diego Nicolau, Xande de Pilares, Marquinho Índio, Richard Valença, Orlando Ambrósio, Renan Diniz, Lauro Silva, Cleiton Roberto e Cabeça do Ajax viram a última estrofe, encabeçada pelo verso “vem, seja Pagu, se entrega”, ser cantada a plenos pulmões pela grandiosa torcida da parceria. O refrão, como era esperado, pegou e o povo se jogou em cada repetição. O samba se sustentou durante as sete passadas, com torcida e grupo de palco incansáveis. A obra se mostrou fortemente credenciada para ser o hino da Mocidade em 2026.
Parceria de Paulinho Mocidade: O samba da parceria formada por Paulinho Mocidade, Sandra Sá, Gabriel Teixeira, Lico Monteiro, Gabriel Simões, Rodrigo Feiju, Tamyres Ayres, Christiane e Trivella foi o segundo a se apresentar. Uma exibição vigorosa, tanto da torcida, embora em menor número que a do primeiro samba, quanto dos cantores Dowglas Diniz (Mangueira), Rafael Tinguinha (São Clemente), Sandra Sá e Paulinho Mocidade. O refrão do meio, construído sobre a melodia de “Erva Venenosa”, foi o ponto mais forte da obra. Quando jogado para a torcida, foi correspondido, mas sem animar a quadra tanto quanto o primeiro samba. Uma boa apresentação, suficiente para colocar um tempero a mais na disputa.
Parceria de PC Feital: O samba da parceria formada por Paulo César Feital, Dudu Nobre, Cláudio Russo, Alex Saraiça, Denilson do Rozário, Carlinhos da Chácara, Júlio Alves, Marcelo Casa Nossa, Anderson Lemos e Léo Peres fechou as apresentações da final da Mocidade sem empolgar. Uma integrante caracterizada como Rita Lee esteve no palco junto com o time de cantores, liderados por Tinga (Vila Isabel), que tentou cativar a torcida, mas o público não pareceu muito animado. Houve bandeiras sacudidas e pulos no refrão principal, porém sem grande brilho. A letra, sem apelos populares como os dois primeiros sambas, não se sustentou na melodia e, durante a apresentação, refletiu o ânimo da parceria. E foi assim até o final.
Por Matheus Vinícius, Juliana Henrik, Gabriel Radicetti e Raphael Lacerda
A Acadêmicos do Grande Rio escreveu mais um capítulo memorável de sua trajetória neste sábado, em sua quadra em Duque de Caxias. Com casa cheia e clima de celebração, a escola escolheu o samba que vai embalar o enredo “A nação do mangue”, assinado pelo carnavalesco Antônio Gonzaga. O hino de 2026 é de autoria dos compositores Ailson Picanço, Marquinho Paloma, Davison Wendel, Xande Pieroni e Marcelo Moraes. A tricolor caxiense será a terceira escola a desfilar na terça-feira de carnaval na Marquês de Sapucaí. A noite também marcou momentos simbólicos: Virginia Fonseca foi coroada rainha de bateria e Paolla Oliveira recebeu a faixa de rainha de honra, levando a comunidade ao delírio.
Um dos grandes nomes do concurso, o compositor Ailson Picanço comemorou o bicampeonato na Grande Rio. “A emoção é indescritível. A Grande Rio é grandiosa, valoriza o samba e honra seus sambistas. Ser bicampeão hoje é algo inestimável. No ano passado conquistei a vitória com A Mina e o Cocoriô e, neste ano, com Manamaue Maracatu. Caxias demonstrou um engajamento total”, disse.
Para ele, um dos versos explica a força do samba: “Creio que o trecho ‘A vida parecida com as águas, não é doce como o rio nem salgada feito o mar’ ressoou profundamente na comunidade”.
Vindo do Pará, o compositor Marcelo Moraes ressaltou o significado cultural da vitória. “É uma satisfação muito grande. Ano passado vencemos com A Mina é Cocoriô, que explodiu na Sapucaí, e agora trazemos de novo esse movimento da Nação do Mangue, do Manguebeat. Ser bicampeão na Grande Rio é indescritível. Esse samba é um manifesto”.
Entre os trechos preferidos, ele destacou: “A parte que eu mais gosto é ‘Freire, ensine um país analfabeto que não entendeu o manifesto’. Tenho certeza que a Grande Rio vai mais uma vez emocionar a Avenida e lutar pelo título em Caxias”.
O também bicampeão Marquinhos Paloma resumiu em poucas palavras a sensação. “A emoção de ser bicampeão pela Grande Rio é algo que não dá para explicar. Estou superfeliz. Vai ser muito bonito, muito legal, muito empolgante desfilar esse samba na Avenida. Vamos embora, Grande Rio”.
Gonzaga aposta em identidade própria
Carnavalesco da Grande Rio em 2026, Antônio Gonzaga falou sobre o desafio de assumir o projeto após a saída da dupla Gabriel Haddad e Leonardo Bora.
“A Grande Rio é uma escola que eu já conhecia, tenho amigos aqui e me sinto em casa. A diferença é entender as características próprias da escola: o que gosta de vestir, cantar, como quer se ver na Avenida”.
Segundo Gonzaga, o diálogo com os compositores foi essencial: “Tivemos uma safra excelente, e o samba escolhido se encaixa perfeitamente no projeto plástico e no discurso que vamos levar para a Sapucaí. Os protótipos estão prontos, a reprodução já começou e o barracão caminha muito bem. Estou confiante em um grande carnaval”.
Milton Perácio: ‘Caxias está em festa’
O presidente da Grande Rio, Milton Perácio, lembrou a fundação da escola e enalteceu a noite de festa. “Hoje a cidade está em festa. Daqui a dois dias, a Grande Rio completa 37 anos. Quando fundamos esta escola, sonhávamos em criar uma vitrine cultural para a nossa cidade, e hoje isso se tornou realidade. É uma noite histórica, que celebra o samba e a nossa comunidade”.
Helinho Oliveira: ‘Os protótipos das fantasias estão maravilhosos’
O presidente Helinho Oliveira mostrou confiança no trabalho do carnavalesco e no projeto plástico. “A Grande Rio sempre entra para fazer espetáculo. Fantasia e alegoria são quesitos que trazemos de casa. O protótipo foi um espetáculo. O Gonzaga já deu respostas e tem a confiança da diretoria. O meu dez ele já tem”.
Thiago Monteiro: ‘O melhor projeto plástico da história’
Diretor de carnaval, Thiago Monteiro projetou o desfile de 2026. “O Carnaval de 2025 foi bom, mas queremos mais. Estamos 100% focados no enredo do Manguebeat. O nome do Gonzaga foi natural, ele tem a identidade que a Grande Rio precisa. O projeto plástico é o melhor de todos os tempos. Pretendemos manter 3.200 componentes e os ensaios de rua começam no fim de novembro”.
Evandro Malandro: ‘Cantar na Grande Rio é único’
Intérprete da escola, Evandro Malandro falou sobre a preparação para gravar os sambas concorrentes. “Não foi fácil, mas consegui chegar próximo da excelência que todos esperavam. Meu jeito de cantar é único porque busco clareza, palavra por palavra. Isso casa com a identidade da Grande Rio”.
Ele também destacou a parceria com mestre Fafá: “O Fafá é muito musical. Quando acaba a disputa, ficamos até de madrugada pensando em novidades. É uma parceria de irmãos.”
Mestre Fafá: ‘Uma segunda chance’
Após a perda do título em 2025 tendo bateria penalizada, mestre Fafá disse que 2026 será a redenção. “Foi doloroso, mas serviu de aprendizado. O enredo sobre Chico Science é muito musical, e isso nos dá uma nova chance de mostrar a força da nossa bateria. Já estudamos maracatu, coco e outras misturas. Queremos chegar fortes na gravação e na Avenida. A bateria nunca esteve tão unida”.
Clayton e Jefferson: ‘Harmonia é família’
Os diretores de harmonia, Clayton e Jefferson, destacaram a parceria dentro e fora da escola. “Somos irmãos de vida, e essa união se reflete no trabalho. Além de nós dois, temos o Andrezinho e o Kaká. A comunidade de Caxias é nota mil. Trabalhar com Fafá e Evandro é fora da curva, é um casamento perfeito”.
Daniel e Taciana: ‘Um enredo que inspira’
O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Daniel e Taciana, exaltou o figurino e o enredo. “Em 2025, conquistamos 40 pontos mesmo enfrentando desafios, como a gravidez da Taciana. O figurino de 2026 é deslumbrante. O Gonzaga nos surpreendeu com um trabalho primoroso. O enredo é riquíssimo, vai inspirar uma coreografia especial baseada em referências como maracatu e dança do coco”, disse o mestre-sala.
Taciana completou: “A riqueza de detalhes impressiona. Vamos estudar muito para entregar uma apresentação inesquecível. Mais uma vez, a Grande Rio vai brigar pelo título”.
Como passaram os sambas na final
Parceria Pérola do Samba (Recife): “DOBRA SURDO DE TERCEIRA E ALFAIA/ NESSE ‘GRANDE RIO’ DE LAMA VOU PLANTAR MINHA RAIZ”. O refrão do meio também apresentou carisma. Infelizmente, a segunda parte do samba teve uma queda de rendimento ao longo da apresentação. No fim, não conseguiu levantar o público da quadra.
Parceria de Samir Trindade: A parceria de Samir Trindade foi a segunda a se apresentar na final da tricolor. Trouxe uma torcida animada, mas a performance não cativou o público caxiense presente na quadra. O samba tem uma melodia dinâmica, ora acelerada, ora cadenciada. Um dos trechos mais destacados foi “EM CAXIAS, BATIDA ECOOU/ É BAIXADA E RECIFE A LUTAR/ DOIS MUNDOS, O MESMO CLAMOR/ MANGUEBEAT, UM PAÍS, MEU LUGAR!”. Além disso, o refrão principal é marcante, com imperativos de fácil memorização, que têm potencial de permanecer na lembrança do sambista.
Parceria de Marcelinho Santos: A composição de Marcelinho dos Santos e Cia teve como intérpretes Tem-Tem Jr, Ito Melodia, Vitor Cunha e Thiago Brito. Além de contar com a torcida mais animada entre as três primeiras apresentações, foi o samba que mais movimentou a quadra. O refrão principal é “chiclete” e aguerrido, com os versos “Caranguejo em movimento não aceita ser refém” e “O tambor da Grande Rio não se rende para ninguém”. O “Anamauê aueia ae” recupera a segunda parte quando ela começa a perder rendimento. Vale reforçar que o início da primeira parte demonstra força até o verso “A voz que vem do lamaçal”.
Parceria de Ailson Picanço: Interpretado por Dodô Ananias e Fábio Moreno, o samba encabeçado por Ailson Picanço se mostrou aguerrido. Os trechos “FREIRE, ENSINE UM PAÍS ANALFABETO” e “CHICO! MANGUEBEAT ESTÁ NA RUA/ CAXIAS COMPROU A LUTA” foram os mais cantados. A preparação para o refrão principal é intensa, com “RESPEITE OS TAMBORES DO MEU ILÊ/ RESPEITE A CADÊNCIA DO MEU GANZÁ”. Já o refrão do meio apresenta uma metáfora bem fundamentada. Por último, o refrão principal se destaca pelos versos “EU SOU DO MANGUE, FILHO DA PERIFERIA” e “A REVOLUÇÃO JÁ COMEÇOU!”.
Parceria de Myngal: A parceria que fechou a noite foi a de Myngal e Cia, interpretada por Charles Silva e Tinguinha. A estrofe “O POVO ANTENADO NA PERIFERIA/ NUM BEAT APERREADO PRO BAQUE VIRAR/ O NOSSO MANGUE É DUQUE DE CAXIAS/ ME ORGANIZEI PRA DESORGANIZAR” introduz com muita eficiência o refrão principal. O segundo refrão é cativante, com os versos “Daruê malungo ê” e “Paruê malungo ê”. No entanto, o público não acompanhou a animação transmitida pelo samba e pela torcida.
Compositores: Pedro Terra, Tomaz Miranda, Joãozinho Gomes, Paulo César Feital, Herval Neto, Igor Leal
FINQUEI MINHA RAIZ
NO EXTREMO NORTE ONDE COMEÇA O MEU PAÍS
AS FOLHAS SECAS ME GUIARAM AO TURÉ
PINTADA EM VERDE-E-ROSA, JENIPAPO E URUCUM
ÁRVORE-MULHER, MANGUEIRA QUASE CENTENÁRIA
UMA NAÇÃO INCORPORADA
HERDEIRA QUILOMBOLA, DESCENDENTE PALIKUR
REGATEANDO O AMAZONAS NO TRANSE DO CAXIXI
CORRE ÁGUA, JORRA A VIDA DO OIAPOQUE AO JARI
ÇAI ERÊ, BABALAÔ, MESTRE SACACA
TE INVOCO DO MEIO DO MUNDO PRA DENTRO DA MATA
SALVE O CURANDEIRO, DOUTOR DA FLORESTA
PRETO VELHO, SARAVÁ
MACERA FOLHA, CASCA E ERVA
ENGARRAFA A CURA, VEM ALUMIAR
DEFUMA FOLHA, CASCA E ERVA… SARAVÁ
NEGRO NA MARCAÇÃO DO MARABAIXO
FIRMA O CORPO NO COMPASSO
COM LADRÕES E LADAINHAS QUE ECOAM DOS PORÕES
ERGO E CONSAGRO O MEU MANTO
ÀS BENÇÃOS DO ESPÍRITO SANTO E SÃO JOSÉ DE MACAPÁ
SOU GIRA, BATUQUE E DANÇADEIRA (AREIA)
A MÃO DE COURO DO AMASSADOR (AREIA)
ENCANTARIA DE BENZEDEIRA QUE A AMAZÔNIA NEGRA ETERNIZOU
NO BARRO, FRUTO E MADEIRA, HISTÓRIA VIVA DE PÉ
QUILOMBO, FAVELA E ALDEIA NA FÉ
DE YÁ, BENEDITA DE OLIVEIRA, MÃE DO MORRO DE MANGUEIRA
OUÇA O CANTO DO UIRAPURU
YÁ, BENEDITA DE OLIVEIRA, BENZE O MORRO DE MANGUEIRA
E ABENÇOE O JEITO TUCUJU
A MAGIA DO MEU TAMBOR TE ENCANTOU NO JEQUITIBÁ
CHAMEI O POVO DAQUI, JUNTEI O POVO DE LÁ
NA ESTAÇÃO PRIMEIRA DO AMAPÁ
Compositores: Alexandre Naval, Wendel Uchoa, Ronie Machado, Giovani, Marquinho M. Moraes e Ailson Picanço
Ao ecoar o som do maracá
Meu jequitibá é ritual de fé
Awê Turé! Awê Turé!
A flauta anuncia o transe do pajé
Karipuna já dançou Wajãpi no chão bradou
Tawari anuviou sereno
Mestre Sacaca é ensinamento
Na beira do rio Guardou o balanço da maré
Na pororoca carregado de axé
Sobe o Jari, seu moço … Ê canoeiro!
Se não corre em furo d’água
Não se mete com banzeiro
Na palafita amparada de palmeiras
Deixa um presente à Estação Primeira
Folha seca pra benzer na moleira
Faz a reza Tucuju Se manifesta pra criança se curar
Ê sumano vá buscar Garrafada pra menina
Na fervura sete dias … sete noites ao luar!
Foi na encruzilhada que se formou
No encontro dos igarapés
Quilombo vivo assentado em nossos pés
Sob a raiz do Amapá
Giram matriarcas puxando o vento
Pro divino anunciar Macacaueiro em pele de sucuriju
No tronco oco ressoou o meu tambor!
Canta! No terreiro oração se dança!
No toque de caixa ligeiro
A bandaia se faz entender Samba!
No Laguinho, rei sentinela
Com os crias da favela
A floresta vai vencer!
Xamã Babalaô! Guardião do meu Ilê!
Rompe mato e faz tremer aldeia
Caboclo Preto Velho Verde e Rosa é meu sagrado
Toca o Marabaixo, Mangueira!
Compositores: Verônica dos Tambores, Piedade Videira, Laura do Marabaixo, Antônio Neto, Clovis Junior, Marcelo Zona Sul
SACACA ESCUTEI UMA VOZ
ERA VOCÊ, NO MEIO DE NÓS
EU SOU MANGUEIRA, NA MAGIA DA FLORESTA
A SABEDORIA QUE RESPEITA A TERRA
O VENTO SOPRA O TRANSE DO PAJÉ
ROMPE A MEIA-NOITE, É RITUAL TURÉ
FUMAÇA DE TAWARI, O XAMÃ BABALAÔ
NUM GOLE DE KAXIXI ENCANTOS REVELOU
MARÉ ME LEVA NAS ÁGUAS DO CURIPI
DE QUEM SEMPRE ESTEVE AQUI, WAIÃPIS E CARIPUNAS
PELO JARI, ESPERANÇA EM CADA OLHAR
RIBEIRINHO NUNCA DEIXA DE SONHAR
ENTRE OS FUROS E BURITIS
RISCA O AMAPAZEIRO, PÕE SEIVA NA CACHAÇA
CURO O CORPO, CURANDEIRO, BENZEDEIRA CURA A ALMA!
PRETO VELHO “ENGARRAFOU” RIQUEZAS NATURAIS
“CABOCO” NÃO SE ESQUEÇA DOS SABERES ANCESTRAIS!
BEBERICANDO COM O MESTRE
“MAR ABAIXO”, “MAR ACIMA”, A GENTE SEGUE
SAIA FLORIDA, “SÁ DONA”, NO CURIAÚ
A FÉ “ENCRUZA” NO “EM CANTO” TUCUJÚ
“É DE MANHÃ, É DE MADRUGADA”
“É DE MANHÃ, É DE MADRUGADA”
COURO DE SUCURIJU NO BATUQUE ENVOLVENTE
QUILOMBOLA DA AMAZÔNIA JAMAIS SE RENDE!
EU VI… EM CADA ORAÇÃO O CORPO ARREPIAR
BANDEIRAS VIBRANDO À LUZ DO LUAR
TAMBORES SE ENCONTRAM CANTANDO EM LOUVOR
SENTI OS SABORES, AROMAS E CORES
NAS MÃOS QUE MOLDAM NOSSOS VALORES
“MEU PRETO”, DA MATA ÉS O GRIÔ!
AJUREMOU, DEIXA AJUREMAR
O SAMBA É VERDE E ROSA E GUIA MEU CAMINHAR
AJUREMOU, DEIXA AJUREMAR
CUIDADO, CHEGOU MANGUEIRA, NA GINGA DO AMAPÁ