O Camisa Verde e Branco viveu uma segunda-feira de grandes definições. A escola da Barra Funda anunciou oficialmente o enredo que levará para a avenida em 2026, “Abre Caminhos”, e também confirmou a permanência de Erica Regina Ferro na presidência após decisão liminar do Tribunal de Justiça de São Paulo.
A medida foi tomada pela juíza Tamara Hochgreb Matos, que determinou a recondução imediata de Erica ao cargo, assim como de sua diretoria, até o julgamento final da ação. O despacho suspende a validade da sentença do processo nº 1081694-96.2022.8.26.0100 e do acórdão que a havia confirmado, após laudo pericial do Instituto de Criminalística apontar falsidade na citação inicial. Com isso, ficam anulados os efeitos da decisão anterior que afastava a dirigente e convocava novas eleições.
Em nota, a agremiação comunicou aos torcedores e componentes a recondução da presidente: “A senhora Erica Regina Ferro foi reconduzida à presidência da Associação Cultural e Social Mocidade Camisa Verde e Branco. A presidenta deve assumir imediatamente seu cargo, juntamente com seus diretores, com a suspensão da sentença inicial e das eleições”, informou a publicação.
‘Abre Caminhos’ é o enredo de 2026
Além da vitória jurídica, o Camisa Verde e Branco apresentou seu enredo para o Carnaval 2026: “Abre Caminhos”. Desenvolvido pelo carnavalesco Guilherme Estevão e com enredo assinado por Clark Mangabeira e Victor Marques, a proposta vai mergulhar na simbologia de Exu, abordando seus caminhos de energia, formas de manifestação, a construção dos cultos e assentamento de fé no Brasil.
O projeto também homenageia o povo de rua, guardião dos caminhos, e busca ampliar o olhar sobre as entidades, destacando sua proximidade com o povo, a pluralidade de saberes e o elo com a luta social por dignidade. Segundo o texto oficial, o enredo reforça ainda a ancestralidade do próprio Camisa Verde e Branco.
“Saudando os seus fundamentos, pisaremos na avenida pedindo caminhos abertos para nossa vitória”, destacou a escola em suas redes sociais.
O desfile marcará mais um capítulo da tradicional Verde e Branco da Barra Funda, que une agora estabilidade em sua gestão e a expectativa de um enredo que promete profundidade cultural e impacto na avenida.
A Acadêmicos de Niterói deu mais um passo rumo ao seu grande desafio no Carnaval 2026. Atual campeã da Série Ouro, a escola vai estrear no Grupo Especial como a responsável por abrir os desfiles de domingo na Marquês de Sapucaí com o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, desenvolvido pelo carnavalesco Tiago Martins e pelo enredista Igor Ricardo. O samba-enredo foi encomendado a um time de peso formado por Teresa Cristina, André Diniz, Paulo César Feital, Fred Camacho, Junior Fionda, Arlindinho, Lequinho, Thiago Oliveira e Tem-tem Jr. A apresentação oficial da obra aconteceu na tarde do último domingo, em clima de festa e expectativa pela estreia no Grupo Especial. O CARNAVALESCO acompanhou de perto e ouviu compositores, dirigentes e segmentos da escola.
Fotos: Gabriel Gomes, Luan Costa e Rhyan de Meira/CARNAVALESCO
Um dos autores do samba, Paulo César Feital destacou a relação próxima que teve com Lula durante a construção da obra. “A escola foi extremamente democrática com a gente. Recebemos uma sinopse muito boa e o processo de interação foi de uma emoção absurda. Eu conheço o presidente há mais de 40 anos. Foi delicioso participar disso”, contou.
Ao ser perguntado sobre como agradar diferentes correntes políticas com o enredo, Feital foi direto: “Meu filho, a esquerda vai se agradar. Ser de direita não quer dizer que o cara seja mau. Agora, o fascismo não pode prevalecer dentro de um Estado democrático. Se eles ficarem zangados… é problema deles (risos)”.
Para o compositor Fred Camacho, o processo de criação também foi marcado pela emoção de estar com Lula e apresentar pessoalmente a obra. “Estar com o presidente e poder cantar pra ele a obra que fizemos foi motivo de muita alegria. Não há emoção maior do que mostrar uma música para o presidente da República”.
Camacho acredita que o samba carrega uma mensagem de respeito e pluralidade. “É uma questão de educação e, principalmente, de respeito. Respeito ao Carnaval, às ideias e à pluralidade de opiniões. Assim como respeitamos diferentes religiosidades, também precisamos respeitar os posicionamentos políticos de cada pessoa”.
O compositor Junior Fionda celebrou a oportunidade de dividir a autoria com grandes nomes. “Conseguimos juntar gerações diferentes, todos com a mesma vontade: entregar o melhor samba para o maior presidente da história do país. Para mim, foi uma honra imensa, talvez a maior da minha vida”.
Sobre o encontro com Lula, o compositor se emocionou: “Foi a realização de um sonho. Ver o presidente chorar com a lembrança da Dona Lindu foi perfeito. Era um grupo de meninos do subúrbio e da periferia emocionando o presidente da República. Inesquecível”.
Compositor experiente das disputas de samba, Lequinho destacou a emoção de ver Lula reagindo à obra. “Logo no início, quando o samba fala do momento em que a mãe pegou os filhos pelos braços e foi para São Paulo, ele começou a chorar. Foi marcante, porque vimos que alcançamos o que pretendíamos”.
Segundo o compositor, a narrativa pelo olhar da mãe do presidente deu o tom sentimental da obra. “O refrão do meio é muito especial, porque além de contar a história dele, conseguimos citar outros personagens importantes na democratização do país”.
Wallace Palhares: ‘Sou fruto dos programas sociais’
Presidente da Acadêmicos de Niterói, Wallace Palhares defendeu a escolha do enredo e citou a própria trajetória como reflexo das políticas de Lula. “Eu cresci na favela do Fumacê, em Realengo, e tive a oportunidade de estudar graças aos programas sociais do governo Lula. Nada mais justo do que exaltar quem fez isso por milhares de brasileiros”.
Sobre críticas de que a escola não teria comunidade, foi categórico: “Eu convido todos a conhecerem a escola. Existe, sim, comunidade em Niterói. No samba ainda há resistência ao novo, mas acredito que quanto mais novidades, mais o samba cresce”.
Tiago Martins: ‘Quero fazer o melhor carnaval da Sapucaí’
O carnavalesco Tiago Martins ressaltou a identificação pessoal com a trajetória de Lula. “Venho de uma família pobre e, pesquisando mais sobre a vida dele, fui me identificando ainda mais. É uma honra falar de um grande estadista e quero fazer o melhor carnaval que a Sapucaí já viu”.
Martins reforçou que está cuidando de cada detalhe do projeto. “Quero ousar, entregar fantasias e alegorias de bom gosto, mas com leitura clara. O samba já é grandioso e vai estar na boca do povo”.
Emerson Dias: ‘Vamos mudar a história das escolas que sobem’
O intérprete oficial da Niterói, Emerson Dias, celebrou seu retorno à escola em um momento histórico. “Tenho certeza de que vamos pisar na Sapucaí para mudar a história das escolas que sobem e caem no ano seguinte. Nossa meta é dar uma outra direção a isso”.
Saulo Tinoco: ‘Não pode ser só visual plástico’
Diretor de carnaval, Saulo Tinoco reforçou que o desfile será além do visual. “Estamos falando de um ícone. Esquece o lado político: Lula é a história de alguém que saiu do sertão e conquistou o mundo. Vamos entregar um desfile plástico, mas também humano e emocionante”.
Marcelinho Emoção: ‘A paixão pelo Lula vai guiar o canto’
Na parte da harmonia, Marcelinho Emoção mostrou confiança no canto da comunidade. “Nós vamos trabalhar a paixão e o amor que os componentes sentem pelo enredo e pela homenagem ao Lula. Essa paixão vai guiar o canto e a evolução”.
Emanuel e Thainara: ‘Representados pela trajetória do Lula’
O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Acadêmicos de Niterói, Emanuel e Thainara, chega ao Grupo Especial com a missão de traduzir em dança a força do enredo que homenageia o presidente Lula. A dupla, que recebeu o convite diretamente do presidente Wallace Palhares, não escondeu a emoção de alcançar esse momento.
“Foi uma surpresa muito grata quando recebemos a ligação. É como uma coroação do trabalho que vínhamos construindo no Acesso e, agora, chegar ao Especial com a Niterói é ainda mais especial. E, para mim, estar ao lado do meu mestre-sala torna tudo ainda mais lindo”, afirmou Thainara.
Mais do que a técnica, o casal carrega uma identificação profunda com a trajetória do homenageado. Emanuel destacou que até os trajes ganharam um toque especial: “Em todos os enredos tentamos homenagear também com os nossos trajes. Quando soubemos que seria sobre o Lula foi maravilhoso”.
Já Thainara lembrou que a história do ex-presidente ecoa no coração do samba: “Quem é do samba geralmente vem de muita luta, da periferia, e dá valor às oportunidades que o Lula possibilitou ao povo pobre. Eu sou cria do morro, meus pais não tiveram a chance de estudar, e graças a políticas públicas pude me tornar mestre em Educação. Muitos sambistas vão se reconhecer nessa história”.
Na preparação, o casal encara o desafio da cabine espelhada, novidade que exigirá ainda mais técnica e adaptação. “Na dança de mestre-sala e porta-bandeira são 40 pontos avaliados em apenas duas pessoas. Toda inovação é um desafio, mas é também uma oportunidade de mostrar coragem e criatividade. Vamos arriscar, mas sempre respeitando a tradição”, destacou Emanuel.
O samba, segundo eles, já se tornou trilha sonora da família. “É um samba melódico, que pede a dança. Estamos ensaiando com muita fome de ensaio, e meu filho já canta em casa. A comunidade pode esperar um casal que vai defender esse pavilhão com unhas e dentes, levando a Niterói a voos ainda mais altos”, garantiu Thainara.
Mestre Branco Ribeiro: ‘Vamos trabalhar em cima da melodia do samba’
O comandante da bateria, mestre Branco Ribeiro, destacou que o ritmo vai valorizar a melodia da obra. “Nosso trabalho estará todo voltado em cima da melodia, com arrojo, mas respeitando a base. Teremos ainda a direção musical do Vitor Alves para garantir coesão com o carro de som”.
Handerson Big: ‘Uma comissão de frente para todos os lados’
Responsável por abrir o desfile da Acadêmicos de Niterói, a comissão de frente carrega a assinatura de Handerson Big e Marlon Cruz, dupla formada a partir da confiança do presidente Wallace Palhares no trabalho que ambos vinham realizando no Grupo de Acesso. “O Palhares já conhecia o que fazíamos, eu na Vigário Geral e o Marlon no Império Serrano. Ele perguntou se eu trabalharia com o Marlon, eu disse que sim. Do mesmo jeito ele perguntou a ele sobre mim, e não houve problema. Juntou, deu certo”, contou Big.
O entrosamento tem sido o combustível para o processo criativo. “Está muito bom, muito mesmo. Sempre existe aquela curiosidade: ‘será que vai dar certo?’. Mas temos plena noção do lugar que ocupamos e do que esse lugar representa. Hoje estamos assinando uma comissão de frente no Grupo Especial, e isso é muito importante para nós, que somos pretos e viemos da dança, do som da escola. É um espaço em que a representatividade ainda é rara. Nosso trabalho só tende a crescer: é um somando com o outro, é bem um ‘nós por nós’”, destacou.
A proposta artística é construída a quatro mãos, sem divisões rígidas. “Tudo é muito junto. A ideia vem, a gente pensa, troca, constrói. Claro, como somos uma dupla, a logística até facilita: um resolve uma coisa, o outro outra. Mas tudo é em prol do trabalho”, explicou.
Além da parceria, o grupo encara o desafio da novidade da cabine espelhada, que vai exigir adaptações técnicas e criativas. Para Big, a mudança representa um marco de democratização: “A cabine espelhada é uma consolidação de algo que já vinha sendo pedido: uma apresentação em 360°, para que todo o público seja contemplado. Eu costumo dizer que ela vai democratizar as apresentações da comissão de frente e também dos casais de mestre-sala e porta-bandeira. É novidade, claro, mas no acesso já buscávamos contemplar todos os lados. Agora é só juntar essas experiências e potencializar”.
Mais uma escola do Grupo Especial apresentou o samba-enredo para o carnaval 2026. No último domingo, o Império de Casa Verde executou pela primeira vez para quem acompanha o universo do carnaval paulistano a canção que embalará o desfile de “Império dos Balangandãs: Joias negras Afro-Brasileiras”, assinado pelo carnavalesco Leandro Barboza e que abrirá o sábado de carnaval no Anhembi. A obra é composta por Diogo Nogueira, Arlindinho Cruz, Evandro Bocão, Darlan Alves, Fabiano Sorriso e André Diniz. Presente nos principais eventos das escolas de samba paulistanas, o CARNAVALESCO entrevistou alguns dos principais nomes relacionados ao desfile do Império de Casa Verde para a próxima temporada, que aproveitou para fazer a Festa dos Pilotos da próxima temporada.
Fotos: Naomi Prado e Will Ferreira/CARNAVALESCO
Elenco unido
Um dos compositores do samba-enredo do Império de Casa Verde é Fabiano Sorriso, que também é integrante do carro de som do Tigre Guerreiro. Em um grupo repleto de artistas nacionalmente conhecidos, ele destacou que tal equipe está há alguns anos contribuindo com a azul e branca: “Estamos nesse projeto desde 2022 e eu tenho que dar todos os parabéns ao meu vice-presidente Fabinho LS, com o aval do nosso presidente Alexandre Furtado. Para 2026, a gente fez uma reformulação – embora mantendo a base. Na parceria, temos André Diniz, Evandro Bocão, eu e Darlan – e, para 2026, vieram Diogo Nogueira e Arlindinho para incrementar esse momento especial”, relembrou.
Trechos marcantes
Quando perguntado qual a parte favorita do samba que ele próprio compôs, Fabiano preferiu exaltar o conjunto da obra: “Na realidade, eu gosto de todas as partes do samba. É um samba que representa as mulheres, todas as baianas pretas. Dada frase do samba é muito representativa. É uma homenagem a todas essas mulheres pretas que se vestiam de ouro com a sua ancestralidade para conquistar nada mais, nada menos que sua liberdade”, comentou.
Em outro momento, o compositor deixou escapar que uma das partes da canção, graças ao trabalho da Barcelona do Samba, comandada por Robson Campos – citado com o apelido pelo qual é popularmente conhecido: “Eu tenho que dar parabéns ao nosso mestre Zoinho, que fez esse arranjo no refrão do meio no dia em que apresentamos o samba. Ele teve essa sacada maravilhosa, eu confesso que não veio na minha mente e essas palmas ficaram excelentes e sincronizadas. Hoje, o mestre já fez aqui umas bossas e eu acredito que ele vai levar para a pista – e será a cereja do bolo do nosso samba”, destacou.
Voltando à sinopse
Ao falar da sinopse do enredo e da concepção de tais pontos no Império de Casa Verde, dois nomes são sempre lembrados: Tiago Freitas e Leandro Barboza, enredista e carnavalesco da agremiação, respectivamente. Em entrevista ao PodCarnavalesco SP, ambos falaram da conceção do enredo em questão:
No lançamento do samba-enredo, o carnavalesco aproveitou para exaltar o parceiro: “O Tiago é o meu parceiro de trabalho e de vida. Estamos desenvolvendo esse trabalho com muita energia, pois é um enredo que toca muito, tem todo esse axé”, destacou.
Outro detalhe revelado pelo carnavalesco é o desfecho da apresentação – e, por consequência, da obra apresentada: “Fecharemos o nosso desfile com o grito de liberdade das mulheres pretas, junto com a Tia Ciata, nossa matriarca do samba. Será um final de muito axé”, afirmou.
Tiago, por sua vez, preferiu relembrar quem deu a inspiração para que a temática fosse abordada: “Esse enredo veio de um grande amigo nosso, o Rodney William, um grande estudioso da cultura afro-brasileira. Ele nos sugeriu falar sobre as mulheres negras, sobre as joias de crioula, os balangandãs de Salvador. E essa sugestão foi muito importante para a gente nessa virada que nós queríamos dar em relação aos nossos enredos, falando sobre negritude e de empoderamento feminino”, exaltou.
O enredista também aproveitou para destrinchar os caminhos que balizaram todo o trabalho da agremiação: “É um enredo que tem como missão celebrar as mulheres que são joias negras afro-brasileiras. O samba de 2026 veio depois da nossa sinopse e, depois, da nossa pesquisa. Nós conseguimos desenvolver todo esse aspecto centrado no protagonismo dessas mulheres negras”, comentou.
Elogios de componentes
Rogério Figueira, popularmente conhecido como Tiguês, diretor de carnaval do Império de Casa Verde, trouxe um fato importante em relação à aceitação da comunidade quanto à canção do Tigre Guerreiro para o carnaval de 2026: “Nós achamos o samba uma pancada – tanto que caiu muito rápido no gosto do povo. Ontem nós tivemos uma apresentação na coirmã Camisa 12 e nós ainda não tínhamos cantado e apresentado o samba na nossa quadra, então não cantamos lá – mas a nossa comunidade cantou à capela ali mesmo. É um samba que teve uma aceitação muito boa não só pelo público do Império de Casa Verde, pelo nosso componente, mas pelo público do carnaval em geral. Acredito que a gente retornou aos trilhos – já que deixamos escapar um pouquinho no ano passado”, destacou.
O evento citado por Tiguês é a apresentação do samba-enredo da Camisa 12, escola do Grupo de Acesso I do carnaval paulistano – e que também teve cobertura do CARNAVALESCO.
Um dos intérpretes oficiais do Império de Casa Verde, Tiago Nascimento, estreando no microfone principal do Tigre Guerreiro em 2026 ao lado de Tinga, comparou a canção com duas outras grandes obras imperianas: “Temos um grande samba. Acredito que o Império de Casa Verde vem com um grande samba, um samba potente. Costumo dizer que ele tem a malemolência do ‘Império dos Tambores’ com a potência do samba da Fafá de Belém – dois sambas que o Império de Casa Verde levou para a avenida e que a comunidade gostou muito. Os compositores foram muito felizes em trazer essa essência novamente para o Império de Casa Verde! O que a galera sentiu aqui hoje, nesse primeiro contato, nós já pudemos perceber que o samba tem uma força muito grande. Com isso, vamos levar um grande samba para a avenida, com certeza”, comemorou.
Evento e protótipos
Como quase sempre acontece com escolas de samba, a agremiação não se limitou apenas a apresentar o próprio samba-enredo. A noite começou com a formatura da Barcelona do Samba, que se apresentou aos presentes. Logo depois, a ala musical executou o hino do Império de Casa Verde e sambas-exaltação da escola. O pavilhão de enredo, defendido pelo segundo casal, foi trocado – e, logo na sequência, a azul e branca da Zona Norte apresentou os protótipos das fantasias para o desfile de 2026.
Leandro revelou que a agremiação mudou um pouco alguns processos em relação às indumentárias: “A gente dividiu a escola em quatro setores e resolvemos diminuir um pouco o número de alas, aumentando a quantidade de fantasias e pessoas. Sendo assim, as alas terão até 80 pessoas. Teremos um visual muito maior”, comemorou.
Fotos Will Ferreira e Naomi Prado/CARNAVALESCO
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Perguntado sobre quais são as fantasias favoritas dele, o carnavalesco elencou duas: “O público terá um carinho todo especial com a Ala das Baianas e com a nossa primeira ala. O Império, esse ano, está maravilhoso! É um dos anos mais bonitos do Império. E, além disso, estamos investindo toda a nossa energia e toda a nossa força nesse trabalho”, afirmou.
Por fim, o profissional ainda destacou que as famosas alegorias imperianas “Em 2025, sentimos um pouco de mudança no Império em termos de alegoria. Mas, em 2026, todos verão alegorias grandes e de grandes impactos. A gente vai trabalhar com muito visual nas alegorias, com o lado humano. Vai ter muito grupo cênico e faremos um grande carnaval”, finalizou.
A cidade de Santos deu início, neste domingo, à contagem regressiva para o Carnaval 2026, em um evento marcado pela celebração da tradição do samba e pela valorização da cultura negra. O lançamento oficial contou com a presença de representantes das escolas de samba, artistas, sambistas e autoridades municipais, que destacaram o investimento da Secretaria de Cultura (Secult), sob a gestão do secretário Rafael Leal, no fortalecimento do setor.
Fotos: Divulgação/Prefeitura de Santos
Especialistas no universo do samba destacam que a atuação da Secult tem sido decisiva para consolidar Santos como polo cultural. Além de oferecer apoio técnico e financeiro às escolas de samba, a pasta investe em oficinas, formações e ações de inclusão social que ampliam a participação popular. “O samba não é apenas entretenimento, é também identidade, tradição e ferramenta de transformação social. Santos tem dado exemplo de gestão cultural ao reconhecer isso”, avaliou o compositor Rubens Gordinho, que lidera o projeto Falando de Samba, dedicado a valorizar o trabalho dos sambistas locais.
A iniciativa de Rafael Leal vai além do incentivo aos desfiles. Nos últimos anos, a Secult tem desenvolvido políticas públicas voltadas à valorização da cultura negra, como editais específicos, eventos de promoção à arte afro-brasileira e apoio a coletivos culturais. Essas ações ampliam os espaços de visibilidade e fortalecem a representatividade no cenário artístico da cidade.
Com essas medidas, Santos não apenas projeta um Carnaval mais estruturado e inclusivo para 2026, como reafirma seu compromisso com a preservação da memória coletiva e o protagonismo da cultura negra na formação da identidade santista. O lançamento marcou, assim, o ponto de partida para uma festa que promete unir tradição, inovação e consciência social.
No último domingo, a Portela foi palco da apresentação dos sambas semifinalistas na última eliminatória de sambas-enredo para o carnaval de 2026. Com o enredo “O Mistério do Príncipe de Bará: A Oração do Negrinho e a Ressurreição de sua Coroa sob o Céu Aberto do Rio Grande”, a azul e branca de Madureira irá escolher o seu hino do próximo carnaval na sexta-feira próxima, 26 de setembro. Os sambas classificados para a final serão anunciados na segunda-feira, 22 de setembro. O CARNAVALESCO apresenta a seguir a análise das apresentações.
Parceria de Mattos: O samba da parceria de Mattos, Wagner Alves, Naldo, Paulo Formigão, Anna Moura, Rogério Lobo e Araguaci foi o primeiro a se apresentar neste domingo. Com Bruno Ribas e Tem-Tem Jr. nos microfones principais e com ótimos desempenhos, a obra foi recebida de forma tímida pela quadra, o que resultou em uma apresentação correta, mas regular no que se refere à explosão na quadra.
Parceria de Daiane Molet: De autoria de Daiane Molet, Anderson Xilico, Chico Professor, Fagner Presidente, Fred Feijó, Maninho Veiga e Marcele Salles, o segundo samba a se apresentar contou com Renan Ludwig como intérprete principal e realizou uma apresentação animada. Desde a primeira passada, ainda sem bateria, o samba se mostrou como um forte candidato a uma vaga na final. O refrão de cabeça “Majestade Da Minha Vida, Traz Axé E Vai Na Ginga, Façanha Com Seu Manto Branco E Azul, Batuqueira Bota A Cara Na Avenida, É Gente Preta Do Rio Grande Do Sul” apresenta uma certa familiaridade com a escola, o que causava um levante do samba na quadra, aliado ao excelente desempenho dos cantores no palco. Em suma, o samba passou muito bem.
Parceria de Toninho Geraes: O samba de Toninho Geraes, Eli Penteado, Paulo César Feital, Alexandre Fernandes, Victor do Chapéu, Juca e Juninho Luang foi interpretado por Tinga, que iniciou a apresentação de forma aguerrida, deixando nítido que o samba estava apto para a briga da classificação para a final. Foi o primeiro samba que levantou membros da escola, como velha-guarda e baianas, que cantaram com ânimo. Foi uma forte e boa apresentação. Está no páreo!
Parceria de Noca da Portela: A parceria de Noca da Portela, Samir Trindade, Brian Ramos, JP Figueira, Leandro Custódio, Marcão da Gráfica e Ricardo Castanheira trouxe Wantuir como voz principal. Antes da apresentação se iniciar, a torcida já entoava o refrão do samba, que desde a primeira passada foi um estouro no público. Nos momentos em que o samba ficava apenas com a torcida, o canto foi em alto e bom tom. O refrão “Nosso Príncipe É Negro, E Sua Gente Macumbeira, Guia Meu Povo, Luz De Madureira, Rezo Pra Voltar, Babá Sentinela, Oranian Ensinou O Que É Portela (Sou Portela)” dava uma explosão no canto da torcida a cada passada. Mais um fortíssimo candidato.
Parceria de Luiz Carlos Máximo: O samba da parceria de Luiz Carlos Máximo, Manu da Cuíca, Buchecha, Belle Lopes, Ximeninho, Regis e Heitor César foi recebido de forma contida pela quadra. O refrão “Chegou Minha Águia Batuqueira, Gaúcha, Sim, Senhor, Negritude Não Tem Fronteira, É Nação De Mil Bandeiras Que A Portela Incorporou” funcionou bem, mas em vista dos sambas que já haviam se apresentado, a obra fica alguns passos atrás para chegar à final.
Parceria de Mariene de Castro: A obra de Mariene de Castro, Lico Monteiro, Leandro Thomaz, Laura Romero, Binho Teixeira e Salgado foi conduzida por Freddy Vianna. E antes da apresentação começar, a torcida já cantava o samba. O trecho “Canta Nação Ijexá, Toque De Jejê Nagô, Bará Adê, Bará Adê, Na Encruza Do Tambor, Herança De Oyó E Cabinda, Onde Assentei Meu Axé, Exú Janala Fun Malé” tem uma melodia interessante e que rendeu em quadra. O samba empolgou, mesmo que de maneira sutil, mas fez uma bela apresentação.
Parceria de Cecília Cruz: A parceria de Cecília Cruz, Claudio Cruz, Luciano Fogaça, Fabinho Gomes, Gêmeos, Osmar Fernandes e Julio Pagé animou os componentes da escola desde o início da apresentação. Quando o palco jogou o canto apenas para o público, a resposta foi à altura e impactante. Em suma, foi uma ótima apresentação, colocando a obra como uma forte candidata à briga.
Parceria de Valtinho Botafogo: O samba de Valtinho Botafogo, Raphael Gravino, Gabriel Simões, Braga, Cacau Oliveira, Miguel Cunha e Dona Madalena foi defendido por Zé Paulo. Sendo muito bem recebido na quadra pelos presentes, o refrão “Aê Oni Bará, Aê Babá Lodê, A Portela Reunida Carregada No Dendê, Sob O Céu Do Rio Grande Tem Reza Pra Abençoar, O Príncipe Herdeiro Da Coroa De Bará” levantou o público todas as vezes que foi cantado. Foi uma boa apresentação. Pela recepção da quadra, mais o desempenho no palco, a obra é uma boa aposta.
Parceria de Rafael Gigante: A obra de Rafael Gigante, Wanderley Monteiro, Vinicius Ferreira, Jefferson Oliveira, Bira, Hélio Porto e Neyzinho do Cavaco teve Wander Pires como voz principal. O último samba a se apresentar na noite também começou a ser cantado antes dos cantores iniciarem no palco. Em suma, a quadra se mostrou simpática ao receber a obra. O refrão “Sou Portela De Bará, Águia De Exú, Meu Samba É Raiz, Batuque Do Sul, A História De Custódio Nos Ensina, O Brasil É Mais Preto Que Se Imagina” tem uma potência relevante. Se classificado, fará bonito.
A agradável noite de sábado (20 de setembro) na cidade de São Paulo teve, também, muita animação e fantasia na Zona Oeste da maior cidade da América Latina. A Dragões da Real apresentou os protótipos de cada ala para o mundo do samba paulistano na Caverna do Dragão, quadra da escola, na Vila Anastácio. A agremiação, que será a terceira a desfilar na sexta-feira de carnaval (primeira do Grupo Especial da folia no município), terá como enredo “Guerreiras Icamiabas – Uma lendária história de força e resistência”, assinado pelo carnavalesco Jorge Freitas. Presente em datas importantes para as escolas de samba paulistanas, o CARNAVALESCO entrevistou figuras importantes para a produção do desfile de 2026 da agremiação.
Ao fazer um enredo ligado aos povos originários, muitos pensam que a fantasias teriam muita predominância da cor verde – intimamente ligada às florestas. Em alguns momentos, entretanto, a Dragões da Real optou por dar mais ênfase em tons terrosos.
Quando perguntado sobre tal característica dos protótipos, Jorge Freitas destacou que tais tons são tão importantes quanto o equilíbrio do primeiro ao último piloto: “Eu acho que o ponto forte das fantasias é a qualidade delas do início ao fim do nosso desfile. As cores influenciam muito porque eu quero botar o dedo na ferida e falar que nós temos que agir agora: pode ser tarde demais se a gente não parar para refletir, para pensar numa causa tão forte que é a preservação da natureza. Eu acredito muito que o desfile da Dragões não vai ser apenas um desfile bonito, mas um desfile aguerrido, com uma performance muito grande para uma narrativa tão necessária quanto a preservação das nossas matas”, comentou.
Impacto visual
Outros personagens importantes da escola ouvidos pela reportagem também destacaram o quanto estão empolgados com a plástica da agremiação para 2026. Renato Remondini, popularmente conhecimento como Tomate, presidente da instituição, foi um deles: “Todo presidente, todo diretor, todo cara que é apaixonado pelo carnaval, quando vê um trabalho, ele sempre fala que conseguiu se superar. Eu vou dizer uma coisa para você, com toda a convicção – e, ao final da jornada de hoje, eu tenho a plena convicção que todos vocês falarão isso: é o maior conjunto visual de fantasias e de alegorias que a Dragões já fez”, prometeu.
Em outro momento, o principal mandatário voltou a reafirmar o quanto a estética será marcante, mas não trará problemas para o desfilante: “O visual que vocês vão ver hoje é do carnaval mais caro que a gente já fez. Talvez seja o carnaval mais volumoso, porém é leve. Você vai ver fantasias e vai perguntar da Evolução da escola, mas você vai ver o componente brincando aqui dentro usando a fantasia. Essa é a proposta da Dragões: fazer um desfile sempre solto. Na Dragões não tem esse negócio. Aqui, é proibido falar fileira, aqui é proibido falar linha, aqui é proibido o diretor de Harmonia apitar. Não tem essas coisas aqui”, destacou.
Márcio Santana, diretor de carnaval da agremiação, rasgou elogios ao carnavalesco da instituição: “A cada ano o Jorge se supera plasticamente. Ele tem uma capacidade muito grande de sintetizar aquilo que ele traz como enredo. Quando o Jorge faz o enredo para a comunidade, obviamente ele já tem toda uma estratégia plástica e de fácil leitura – é um sentimento para com o enredo e com o projeto visual que ele vai desenvolver. É um projeto impactante, são fantasias que vão causar um efeito maravilhoso na avenida, um conjunto visual muito forte, muito impactante e que, principalmente, não perde a essência dos carnavais da Dragões – que é a fácil leitura. Esse é o ponto alto desse conjunto de fantasias que foi apresentado hoje”, comentou.
Força do enredo
Nas entrevistas realizadas pela reportagem, um ponto chamou atenção da reportagem: mesmo focando nas fantasias apresentadas, a temática a ser explorada pela Dragões da Real foi muito elogiada.
Jorge foi um dos profissionais que destacou a história que será contada no Anhembi: “Nós temos uma narrativa muito forte, uma narrativa atual, uma narrativa necessária para, até mesmo, fazer uma transformação do Anhembi em uma voz pela luta das matas e das florestas através do empoderamento feminino – que são as guerreiras icamiabas, mote do nosso enredo, sempre com muita performance. As marias diversas, que lutam até hoje através da ancestralidade das icamiabas em busca da preservação das matas, da floresta e da Amazônia”, afirmou.
Tomate, além de falar do enredo, fez uma espécie de cadeia de consequências positivas que a temática trouxe – exaltando, também, o samba-enredo da Dragões da Real para 2026: “A gente tem um enredo muito forte, com uma linha totalmente diferente do que nós nunca fizemos e do que o Jorge não fazia há mais de vinte anos, se eu não estou enganado. Nós temos um samba maravilhoso, um samba que foi um presente, mesmo. A Dragões tem Asa Branca, aquele samba aclamado por todo mundo, e voltamos a ter um samba unânime no universo do carnaval. O enredo bom vai te dar um samba bom, e o enredo bom vai te dar um visual maravilhoso”, finalizou.
Citado pelo presidente, o último desfile com temática originária assinado por Jorge Freitas foi a histórica reedição de “Lendas e Mistérios da Amazônia” no ano de 2004 – primeiro em que foram permitidos os enredos com nova roupagem. No caso, a Portela, que tinha levado para a então avenida Presidente Vargas, em 1970, tal história, voltou a utilizá-la – na segunda oportunidade, na Marquês de Sapucaí.
O Acadêmicos do Salgueiro realizou, na noite do último sábado, a semifinal de samba-enredo para o Carnaval 2026. Cinco obras se apresentaram. Os classificados devem ser divulgados na segunda-feira. A final acontece no próximo sábado. Veja abaixo a análise do CARNAVALESCO.
Parceria Marcelo Adnet: O primeiro samba da noite, foi assinado pelos compositores Marcelo Adnet, Gustavo Albuquerque, Babby do Cavaco, Andre Capá, Bruno Zullo, Marcelinho Simon, Rafael Castilho, Luizinho do Méier, Igor Marinho e Fabiano Paiva. Wander Pires deu mais um show na apresentação. A torcida do samba mostrou o samba na ponta da língua, cantando sem parar. O refrão principal teve um rendimento excelente ‘Deixa meu povo festejar/ Lembra, sou eu….O seu Carnaval/ No meu jardim quem te viu primeiro/ Ó linda Rosa, foi o morro do Salgueiro’. Outra parte de destaque da apresentação foi ‘Aplausos! Desfilo pra eterna professora’. O refrão do meio assim como o refrão de cabeça, foi muito bem cantado pela torcida ‘Vem provar minha cachaça/ Puxa o banco e vem prosear/ Nesses bares da Ouvidor/ Tem paticumbum! Um brinde à minha flor’. Mais uma apresentação sólida dessa parceria que vem colecionando grandes apresentações.
Parceria Marcelo Motta: A obra assinada pelos poetas Marcelo Motta, Dudu Nobre, Julio Alves, Manolo, Daniel Paixão, Jonathan Tenório, Kadu Gomes, Zé Moraes, Jorge Arthur e Fadico, teve como intérprete a excelência de Tinga. A torcida deu conta do recado e cantou bastante a obra. O samba possui uma riqueza poética muito grande e isso já fica perceptível na cabeça do samba ‘Plantei no velho Salgueiro, aos pés da ladeira/ No ventre da arte, uma linda roseira / Onde a cada ano colhi um buquê’. O samba teve um ótimo rendimento, embalado por um excelente refrão de cabeça ‘Ô lelê! Eis a flor dos amanhãs/ A décima estrela brilha em Rosa Magalhães/ Onde o samba é primavera que florece em fevereiro/ Nem melhor, nem pior… Salgueiro’. Outro momento importante na apresentação foi na virada melódica onde exaltam os Carnavalescos que são legado de Rosa Magalhães. Esta parceria cresceu muito nas últimas duas semanas e hoje realizou uma grande apresentação.
Parceria de Rafa Hecht: O terceiro samba da noite teve a assinatura dos compositores Rafa Hecht, Samir Trindade, Thiago Daniel, Clairton Fonseca, Fabrício Sena, Deiny Leite, Felipe Sena, Ricardo Castanheira, JP Figueira e Deco. Leonardo Bessa e Marquinho Artsamba conduziram muito bem o samba durante toda a apresentação. A torcida apaixonada, cantou alto durante os 20 minutos. É impressionante a qualidade das apresentações desta parceria e hoje foi mais uma noite inspirada. O refrão principal foi um dos grandes destaques, obtendo um grande rendimento ‘Professora volta pra Academia/ Traz pamplona e Arlindo pra celebrar/ Não esquece João, é desse terreiro/ Revoluciona outra vez, Salgueiro!’ A parte final do samba preparando para o refrão principal é de muita sensibilidade e emoção ‘Mestra, você me fez amar a festa / E eu virei Carnavalesco/ Sonhei ser Rosa, te faço enredo/ Mestra, você me fez amar a festa/ Tantos alunos por aqui/ Segue o legado na Sapucaí! Foi uma apresentação que somou qualidade e emoção. Grande apresentação!
Parceria de Moisés Santiago: A obra assinada pelos poetas Moisés Santiago, Pedrinho da Flor, Gilmar L. Silva, Leonardo Gallo, Orlando Ambrosio, Zeca do Cavaco, Alexandre Cabeça, Bruno Dallari, Marquinho Bombeiro e D’Miranda, teve os intérpretes Ito Melodia, Tem-Tem Jr e Tuninho Junior que incendiaram a quadra mais uma vez. O refrão principal mostrou a sua força em mais uma vez e embalou a apresentação da parceria ‘Balança a roseira! Ferve o caldeirão! / Avenida inteira marejada de emoção/ Lá vem Salgueiro no perfume das manhãs/ Raiz de Rosa Magalhães’. O samba conta com uma melodia que funciona, com alguns momentos de alegria, como por exemplo no refrão de meio e na segunda do samba no verso ‘De lá pra cá, daqui pra lá eu naveguei’ Mais uma grande apresentação da parceria que vem passando muito bem desde o início da disputa.
Parceria de Xande de Pilares: O último samba da noite teve a assinatura dos poetas Xande de Pilares, Fred Camacho, Betinho de Pilares, Renato Galante, Miguel Dibo, Jorginho Via 13, Jefferson Oliveira, Jassa, João Diniz e W Corrêa. Charles Silva conduziu com maestria a obra fazendo com que o samba tivesse um bom rendimento. A torcida compareceu mais uma vez em grande número. Destaque principal da apresentação mais uma vez foi o refrão principal, fechando com o verso de efeito que o Salgueirense adora ‘À Rosa imortal, a poesia/ É teu o Carnaval da academia / Não há argumento que negue o fato/ Eu sou Salgueiro e fim de papo’. O samba conta o enredo, trazendo personagens marcantes dos carnavais da Rosa e também momentos importantes da carnavalesca. Foi uma boa apresentação da parceria, fechando assim a noite da Academia do Samba.
A Camisa 12 realizou em sua quadra, na noite do último sábado, o lançamento do samba-enredo para o Carnaval 2026 e apresentou as fantasias que estarão na avenida no desfile oficial. O evento começou com a tradicional feijoada no almoço e contou com diversas atrações musicais até chegar o momento de a agremiação executar o seu show e revelar suas fantasias. Para encerrar a festa, a coirmã Império de Casa Verde foi a convidada especial. A escola alvinegra do Belenzinho retorna ao Grupo de Acesso 1 após um longo período desfilando na terceira prateleira do Carnaval paulistano. O clima de emoção e ânimo tomou conta do terreiro da “12”, sobretudo na despedida do samba-enredo de 2025, que garantiu a segunda colocação no Acesso 2 e, consequentemente, a vaga no grupo de cima. A Camisa 12 será a primeira escola a desfilar no domingo de Carnaval com o enredo “Princesas Nagô, Rainhas do Brasil — A Origem da Fé, Herança de Ketu”, assinado pelo carnavalesco Delmo Moraes.
A dupla de intérpretes Tim Cardoso e Clóvis Pê teceu elogios à obra da Camisa 12. O paulistano da dupla opinou que o samba é um dos melhores do carnaval. “Assim como o samba de 2025, este também é um dos grandes sambas do carnaval, podendo estar na primeira prateleira. Acho que está em um nível muito alto, até superior ao do ano passado. No meu gosto pessoal, gostei mais deste samba do que do anterior. Pode esperar: é um samba muito bom, bonito, valente. Vamos para a avenida lutar até o fim”, disse.
Em uma análise técnica, Clóvis Pê exaltou a gravação realizada e destacou a sintonia da dupla. “Fizemos uma gravação fantástica. Temos uma parceria muito forte, muito boa. Procuramos sempre ajudar um ao outro para fazermos o melhor. A nossa ala musical sempre funciona nesse contexto. O Nilber André é um cara que trabalha bastante, se entrega muito. Temos tudo para fazer mais um grande carnaval, como no ano passado. Quem sabe até a Camisa 12 consiga gravar o especial”, afirmou.
Tim Cardoso detalhou como funciona o processo de composição de um samba-enredo encomendado. De acordo com o cantor, os compositores atenderam novamente à vontade da escola. “A maioria dos sambas de encomenda funciona desta maneira: existe um grupo de compositores que escreve, manda para a gente, e então vemos se está adequado ao que a escola precisa, melodia, refrão, possíveis ajustes. Graças a Deus, temos uma ótima parceria com os compositores deste ano, que fizeram 2025 também. Eles entendem a nossa vontade e vão fazendo tudo aos poucos, do jeito que pedimos. O resultado ficou muito bom”, declarou.
Seguindo a linha do parceiro, Clóvis Pê afirmou que a metodologia adotada pela escola tem dado certo e deve ser mantida. “No caso da nossa ala musical, eu e o Tim fazemos os acertos finais da música. O enredo é desenvolvido junto com o carnavalesco, e vamos ajustando as palavras mais adequadas para termos um grande samba e, assim, um grande trabalho. Já faz bastante tempo que a Camisa 12 trabalha dessa forma, e tem dado certo, tem dado resultado. Isso é o mais importante: que seja sempre bom para a escola”, completou.
Foco na sinopse e fantasias diferentes
O carnavalesco Delmo Moraes, que caminha para o seu segundo ano na agremiação, explicou como funciona a sua participação no processo do samba-enredo. Segundo ele, o trabalho se restringe basicamente à sinopse.
“Eu passo a sinopse para os compositores, e eles vão criando e me perguntando o que é mais interessante. Algumas coisas eu direciono, outras eles já têm o fio da meada e sabem como gostamos do samba. E esse samba ficou espetacular. Ele já está na boca da comunidade. Lançamos de ontem para hoje porque não queríamos que vazasse antes — e, por isso, o pessoal abraçou tão rápido”, declarou.
A Camisa 12 levará um enredo afro para a avenida e as fantasias apresentadas são coloridas. O artista contou que a ideia partiu de um conjunto, e será assim também nos carros alegóricos.
“As fantasias são bonitas, volumosas, e vão preencher bem a avenida, trazendo um colorido bacana. O fato de a escola ser preta e branca não significa que precisamos usar só essas cores. Viremos no colorido! Essa concepção é minha, do Demis e do presidente. Trabalhamos muito juntos, dividimos bastante ideias. Nos carros alegóricos, podem esperar muitas novidades também”, explicou.
Trilogia de enredos bem realizados
O diretor de carnaval, Demis Roberto, elogiou o samba-enredo feito pelos compositores e também deu os seus prognósticos para 2026.
“Esse samba foi muito desejado por nós. Tínhamos várias linhas de trabalho, e aí os compositores Rafa do Cavaco, Turko, Maradona, Silas, além de dois meninos do Rio que também participaram, mandaram algumas propostas. No fim, seguimos essa, e acreditamos que fomos felizes na escolha. É claro que respeitamos todas as coirmãs, mas sabemos que podemos fazer um grande trabalho — e é isso que vamos buscar. Preparamos as fantasias com muito cuidado. Esse grupo é muito difícil: são oito escolas, duas sobem e duas caem. Não existe gordura. Então temos que fazer um Carnaval muito acima das nossas próprias possibilidades para nos mantermos numa posição intermediária. Vamos fazer de tudo. Sabemos que abrir o Carnaval é muito difícil, mas vamos pra cima — e, se vacilarem, a gente aproveita”, declarou.
O dirigente também comentou sobre a trilogia de enredos afro, que iniciou em 2024 com Chico Rei, passou por Xangô em 2025 e, no próximo Carnaval, terá como destaque as três princesas nagôs.
“Estamos trazendo Iyá Kalá, Iyá Detá e Iyá Nassô. Não é uma homenagem às casas de axé, mas sim à ancestralidade, às três princesas nagôs. Sempre ressaltamos que o samba e o enredo precisam deixar um legado, e se vocês observarem, começamos com Chico Rei em 2024, depois Xangô neste ano e agora chegou o nosso samba para 2026, para fechar a trilogia”, destacou.
Por fim, Demis comentou sobre sua participação no processo de escolha do samba. “Não sou compositor, mas sou palpiteiro. O diretor de carnaval participa, mesmo quando o samba não é encomendado. Ele sempre participa da escolha. É normal, faz parte da arte do nosso ofício”, concluiu.
A Torcida Jovem apresentou à comunidade o samba que embalará o Carnaval de 2026. Terceira escola a desfilar pelo Grupo de Acesso 2, a agremiação levará para a avenida o enredo “Axé – Raízes e Ritmos da Cultura Afro-Baiana”, assinado por uma comissão de carnaval. A obra foi encomendada e criada pela parceria de Turko e cia. O evento marcou não apenas a revelação do hino, mas também a troca do pavilhão de enredo e a posse do casal mirim, conduzida pelo presidente da Amesp, Ednei Pedro Mariano. O CARNAVALESCO esteve presente e conversou com alguns representantes do projeto para 2026.
O diretor de carnaval, Evandro, explicou como foi o processo de escolha e construção da obra. “Demoramos bastante no processo de construção do samba-enredo. Esse samba está com a gente desde maio, foi encomendado ao Turko e cia e entregue nesse período. Desde então, trabalhamos nele com todos os cuidados, ajustando cada detalhe da letra, porque não queremos correr riscos no quesito samba-enredo”, disse.
Ele destacou que o planejamento começou cedo, ainda no calor do último carnaval. “Assim que acabou o Carnaval 2025, já emendamos os trabalhos para 2026. Começamos a pensar no enredo, mapeamos as ideias e surgiu essa proposta, vinda de um integrante da comissão de carnaval. Pesquisamos bastante para avaliar se valeria a pena e, no fim, batemos o martelo. Acreditamos que é um ótimo enredo para a escola”, relatou.
Ritmos afro-brasileiros na cadência da ‘Firmeza Total’
A sintonia entre enredo e samba também se refletiu no coração rítmico da escola. O mestre de bateria, Caverna, destacou o entrosamento entre a obra e o trabalho da “Firmeza Total”.
“Optamos por não realizar eliminatórias e encomendamos diretamente o samba. Criamos uma tendência de sambas afros e homenagens à nossa ancestralidade dentro da formação social do Brasil. Com essa parceria que desenvolveu a obra, encontramos uma sintonia muito bonita e rara”, celebrou.
O mestre ainda adiantou algumas surpresas para o desfile. “Nosso enredo é maravilhoso e o samba para 2026 ainda mais. Vamos homenagear a cultura afro-brasileira, em especial a de Salvador. A bateria gostou tanto do samba que, se pudesse, faria bossas do início ao fim. Mas, com certeza, teremos bossas nos dois refrões principais e uma surpresa especial nas homenagens aos blocos e aos afoxés. Vamos dialogar com os ritmos afro-brasileiros, o que já é uma marca da Firmeza Total”, contou.
Comissão de carnaval segue como aposta da gestão
O presidente Jefferson explicou que a escola mantém a opção pelo modelo de comissão de carnaval, reforçando a união de ideias e a agilidade no processo criativo. “A Jovem opta por encomendar samba também por questões de prazo. Às vezes, precisamos acelerar o processo de ensaio e de evolução com a comunidade, e percebemos que esse modelo tem dado certo”, afirmou.
O líder falou sobre a escolha pelo trabalho coletivo em vez de um carnavalesco fixo. “Não temos um carnavalesco, mas contamos com uma comissão muito capacitada, que debate desde o enredo até a montagem da escola para o desfile. Quando assumimos a gestão, optamos pela comissão em vez de um carnavalesco, e esse trabalho vem dando muito certo. Mesmo com esse formato, a Jovem tem alcançado grandes resultados no carnaval paulistano”, disse.
Estreia confiante do intérprete oficial
O intérprete Juninho Branco, voz principal da Torcida Jovem em 2026, celebrou sua chegada à escola e a escolha do samba. “Minha chegada foi de muita alegria. Descobri uma comunidade, uma diretoria e uma escola muito querida, dedicada e acolhedora. Estou muito feliz e satisfeito com tudo isso. O samba de 2026 é excelente. Sabemos que a Jovem faz um Carnaval bonito, competitivo, e estou confiante de que teremos um grande desfile”, comemorou.
Juninho também comentou sobre o processo musical que envolveu toda a equipe. “Junto com o time musical e o mestre Caverna, que teve um papel fundamental, trabalhamos na adaptação da obra. É um samba bonito e forte, que fala da Bahia, dos tambores e dos ritmos baianos. A Torcida Jovem foi muito feliz na escolha do enredo e temos tudo para realizar um grande Carnaval”, concluiu.
A Primeira da Cidade Líder realizou, no último sábado, uma festa para o lançamento do samba-enredo da escola para o Carnaval de 2026. A comunidade compareceu em peso à quadra da agremiação da Zona Leste e conheceu a obra que contará, no Anhembi, a história do enredo “Paulo Barros, o Gênio do Carnaval”, assinado pelo carnavalesco Anderson Rodrigues.
O público presente na quadra da Cidade Líder foi surpreendido com a forma marcante com que o samba foi apresentado. A festa transcorria normalmente, com os tradicionais cortejos de segmentos ao som de sambas históricos. Mas a despedida do samba de 2025, naquele momento, indicava que algo diferente estava prestes a acontecer. O diretor de Carnaval, Rodrigo Minuetto, pediu que as luzes da quadra fossem apagadas e que as pessoas acendessem os celulares. Em seguida, anunciou a chegada do homenageado, o carnavalesco Paulo Barros, que se emocionou ao ser recebido não apenas com uma salva de palmas, flores e carinho conforme descia a rampa de acesso à quadra, mas também com o samba de 2026 sendo recitado em primeira mão para ele pelo intérprete Thiago Melodia.
A ideia de transformar em desfile o legado de Paulo Barros partiu de Rodolfo Minuetto, irmão de Rodrigo e também diretor de carnaval da Primeira da Cidade Líder. Rodolfo explicou que a inspiração surgiu justamente enquanto assistia a desfiles do carnavalesco em busca de ideias para a construção de um enredo.
“O Paulo Barros é um grande carnavalesco, um cara que merece aplausos de fato, é um dos revolucionários do carnaval. Quando estava buscando enredos, estava em casa assistindo aos desfiles dele para pegar uma inspiração pelas coisas que ele faz. E, buscando vários ‘takes’ dos desfiles, eu falei: ‘não é possível! Esse cara, com essa quantidade de enredos magníficos, essa quantidade de loucuras que ele fez na Avenida, não é possível que ninguém o tenha homenageado em São Paulo’. Partiu disso essa homenagem ao Paulo Barros”, declarou.
Um gesto de carinho ao gênio do carnaval
A maneira como Paulo Barros foi recebido na quadra emocionou tanto o homenageado quanto a comunidade da Primeira da Cidade Líder, mas esse não era o plano original. O presidente Mario Alves Lucas explicou como uma ideia espontânea gerou esse momento tão marcante da festa.
“Para ser sincero, o nosso planejamento era finalizar com o samba. Mas, na hora, nós achamos melhor fazer essa homenagem para ele, para aproveitar o bom momento, em que o pessoal estava feliz e cantando. Foi um momento em que nós falamos: ‘vamos fazer agora, vambora’, mas não foi nada planejado”, afirmou.
O presidente acredita que a homenagem da Cidade Líder é uma oportunidade de dar a Paulo Barros não apenas o merecido reconhecimento, mas também um gesto de carinho vindo do Carnaval para quem tanto contribuiu para a festa.
“A nossa intenção é a seguinte: ele é uma pessoa maravilhosa, um grande carnavalesco, excelente. Estamos fazendo o quê? Elevando a autoestima dele. Fazendo o que realmente é preciso para que ele se sinta bem na nossa escola. E ele merece tudo isso que estamos fazendo para ele. Ele merece muito”, explicou.
De carnavalesco para carnavalesco
A história de Paulo Barros será contada no desfile assinado pelo carnavalesco Anderson Rodrigues, que fará sua estreia na Primeira da Cidade Líder. O artista falou sobre a missão de transformar em desfile a trajetória de um colega de profissão aclamado no Carnaval brasileiro.
“Primeiro, eu sou superfã dele. A vida inteira o pessoal me conheceu pelas minhas comissões de frente, e ele é o mago da comissão de frente. Falar desse cara é simplesmente pensar fora da curva. Estamos muito felizes e ele também está muito feliz com o projeto. Eu estou adorando, tudo vai ter a cara de Paulo Barros”, disse.
Anderson também comentou sobre o processo de desenvolvimento do samba e destacou a facilidade de leitura da obra como trunfo para o andamento do desfile da Primeira da Cidade Líder em 2026.
“Eu acompanhei todo o processo dos meninos, desde a ideia da melodia até a letra. Tiveram várias discussões para chegarmos ao samba que apresentamos hoje. Acreditamos que é um samba fácil para as pessoas entenderem o que queremos contar e, principalmente, para narrar o nosso enredo”, afirmou.
Em busca do sonhado título
O auge da festa de lançamento do samba da Primeira da Cidade Líder pegou até mesmo o intérprete Thiago Melodia de surpresa. O artista demonstrou desenvoltura diante da espontaneidade dos irmãos Minuetto e recitou o samba de 2026 para Paulo Barros com primor. Thiago contou como lidou com o momento.
“Hoje foi um momento muito emocionante para nós. Como vocês sabem, a nossa escola sofreu um acidente ano passado, e agora estamos indo com esse enredo maravilhoso, que é o Paulo Barros. Vou te confessar que não foi programado, não teve ensaio. Foi em cima da hora. O Rodrigo e o Rodolfo olharam para mim e falaram: ‘vai’. Eu até falei para eles: ‘vai para onde?’. Aí deu aquele negócio do Rodrigo pedir para apagar a luz da quadra, o público acender o celular e aí foi automaticamente, deixamos o coração levar”, explicou.
O intérprete exaltou o legado de Paulo Barros ao falar da responsabilidade que é dar voz ao samba em homenagem a um ícone do Carnaval brasileiro na Avenida, e demonstrou otimismo em relação ao desempenho da Cidade Líder em 2026.
“A responsabilidade sempre é grande, e quando se fala de uma pessoa consagrada no samba dá aquele friozinho na barriga, mas vai dar tudo certo. Mais uma vez, graças a Deus, estou pelo quarto ano na escola e vou cantar mais um sambão. A responsabilidade é sempre grande pela Cidade Líder, que é uma escola em evidência, crescendo a cada ano que passa e louca para subir para o Acesso 1. Se Deus quiser, é a nossa hora em 2026. Vai ser uma honra, um prazer. Eu, que já acompanhava o Paulo Barros lá atrás, quando vi ele colocando uma bateria em cima da alegoria, muitas comissões de frente, cabeças caindo e outros carnavais… Vai ser um Carnaval maravilhoso. O samba está lindo, digno de Paulo Barros, uma grande homenagem. Estou muito feliz. A responsabilidade é grande, mas vamos chegar na Avenida, dar conta do trabalho e, se Deus quiser, alcançar o título sonhado”, concluiu.