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X-9 Paulistana faz segundo ensaio mais cauteloso e prioriza lado técnico

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Por Matheus Mattos

x9 2ET2019 3x9 2ET2019 2Com faixa prestando solidariedade pelo incêndio que atingiu o alojamento da equipe de futebol sub-17 do Flamengo, a X-9 Paulistana entrou na pista para realizar o seu segundo ensaio. A escola trouxe um clima mais frio do que o primeiro treino no Sambódromo e priorizou a parte técnica dos desfilantes.

Comissão de Frente

x9 2ET2019 5Coreografada pela Yaskara Manzini, a ala trouxe o que pareceu ser a coreografia oficial. Os bailarinos encenavam passos de danças africanas e com presença do pavilhão com o emblema da escola. No primeiro ensaio o quesito apresentou uma coreografia informal, similar a que fazem na quadra. Eles trouxeram o gigante quadripé, porém optaram por não interagir.

“Foi quase a coreografia oficial, ainda tem um elemento surpresa que está no quadripé e que a gente não mostrou nesse ensaio, mas no próximo vai acontecer. A alma da coreografia veio hoje na avenida”, afirmou a coreógrafa.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

x9 2ET2019 6Cercado por 20 guardiões, o casal Marcos Eduardo e Lyssandra Grooters, levantou a arquibancada ao realizar seu bailado. A dupla dançou com empolgação, carregado de sentimento e visível comprometimento máximo de ambos. Os dois voltaram a dançar após a última ala cruzar a linha final.

“Hoje a gente já conseguiu sentir mais a vibração da escola, até pela conta do som já estar na pista inteira. O gás que a gente tava no primeiro ensaio veio revigorado, foi um saldo positivo”, disse o mestre-sala.

Bateria

x9 2ET2019 9Assim como a bateria da escola anterior, a pulsação Nota Mil também realizou apagões, porém em trechos pontuais. Em comparação ao primeiro técnico, a dupla de mestres, Kito e Fábio, economizou e soltou paradinhas com mais cautelas, valorizando a sustentação do canto da escola.

“Foi um ensaio bem melhor que o primeiro, hoje a gente fez um ensaio pra escola num geral. Conversamos com os diretores de harmonia e vimos que a sustentabilidade é essencial, menos bossas, valorizando o andamento do samba. O primeiro ensaio foi muito na empolgação, hoje foi mais técnico”, explicou o mestre.

Evolução

x9 2ET2019 8A entrada no recuo comprometeu o quesito. A ala da frente não esperou e ocasionou um buraco em frente à torre 04. Problemas de distribuição de componentes e separação dentro das alas também foram notados.

Harmonia

Comparando com o primeiro ensaio, a escola caiu de nível na parte sonora dos componentes. Pelo fato de estar com um número maior de foliões, isso pode ter ocasionado a queda de nível no quesito. Nota-se integrantes que não sabem cantar o samba.

“A gente fez um primeiro ensaio muito na emoção. Hoje não, hoje a gente fez um ensaio mais técnico, tentamos arrumas problemas que tivemos no primeiro técnico. Não apresentamos o que a gente quer apresentar, mas foi um ensaio tecnicamente melhor”, disse o intérprete Darlan Alves.

Samba

x9 2ET2019 10Impulsionados por Darlan Alves, a ala musical teve um desempenho satisfatório. O samba tem pontos de explosão estratégicos e que traz a escola pra uma animação uniforme, principalmente, na retomada do refrão de cabeça e no meio da segunda estrofe.

A agremiação xisnoveana também teve que enfrentar um problema nas caixas de som do Sambódromo. Durante a passagem da bateria em frente ao monumental (setor B), as caixas se desligaram e oscilaram algumas vezes até voltarem definitivo. A falha não comprometeu o treino.

x9 2ET2019 7Outro destaque foi a emoção do presidente Branco durante a passagem da escola. Ele acompanhou o ensaio em frente ao recuo, interagia com a comunidade que passava na sua frente e encerrou o desfile no meio da última ala.

Um desentendimento entre integrantes da entidade no final também foi notado. Alguns diretores procuraram apaziguar a situação.

Gaviões da show de canto e mostra em ensaio que está pronto para briga

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Por Fiel Matola

gavioes 2ET2019 14gavioes 2ET2019 13Quando se fala em uma escola de samba que veio de uma torcida organizada, muitos viram a cara, porém, os Gaviões da Fiel mostraram no ensaio deste sábado, que tem como unir tudo e mostrar um grande trabalho.

Com aproximadamente uma hora de treino, a escola iniciou com o presidente Rodrigo Gonzales pedindo para todos se abraçarem, dizendo que um ensaio era um desfile para eles, que nunca poderiam esquecer a origem que é a torcida. Mais uma vez, um integrante foi homenageado, dessa vez foi Thomas, que acabara de falecer, ele que foi o compositor do primeiro break de estádio da torcida, este break que foi cantado pelo próprio presidente e intérprete.

Foi cantado o hino do Corinthians e em sequência o samba-enredo do ano, que é uma reedição de 1994. A entrada no Anhembi já foi positiva, com um início bem atuante.

Comissão de Frente

gavioes 2ET2019 12A começar pela comissão de frente, a escola emocionou, um grupo de componentes de máscaras com expressão de mau brigavam com outros que estavam com máscaras sem expressão.

Uma mulher fazia uma dança para um engravatado que esbanjava dinheiro. Em seguida, entrava em cena um componente todo caracterizado como se tivesse “banhado” à lama fazendo referência ao acidente em uma barragem em Brumadinho.

gavioes 2ET2019 3O engravatado então “bate” neste componente, passando veracidade à cena e deixando o público presente emocionado. No final, os mascarados ficam em volta do componente de lama, este que mostra sentimento de falta de ar. Um participante vestido de bombeiro carrega-o pelo braço. A comissão do coreógrafo Edgar Júnior foi aplaudida por todos. No meio da cena levanta-se um cartaz com os dizeres: “Toda fortuna do mundo não VALE uma vida… Força Brumadinho/MG!”

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

gavioes 2ET2019 17Vestidos com fantasias, o casal Wagner Lima e Adriana Mondijan, bailaram com sincronia e tranquilidade. Ele sempre com olhar fixo para ela, com uma dança bem coreografada e sem muitos percalços pelo caminho. A fantasia deles era toda preta, a dela acendia luzes led’s vermelhas.

Harmonia e Samba

gavioes 2ET2019 1O canto da escola foi excelente, o samba ajudou, mostrando que a escolha foi certa por essa reedição. Uma obra que foi muito cantada pela torcida que estava na arquibancada. Ernesto Teixeira e sua equipe do carro de som, mais uma vez, mostraram força e boa performance. O apagão da bateria que ocorreu na frente do box que estava a torcida foi cantado por toda comunidade. Vale ressaltar que a comunidade fez bem seu papel e era difícil notar alas sem cantar, uma harmonia para ninguém botar defeito. O intérprete fez o balanço do ensaio.

gavioes 2ET2019 16“Um ensaio cheio de emoção, nós perdemos um grande colaborador da Gaviões hoje, o Thomas nosso autor do primeiro break de estádio, e isso altera ainda mais a adrenalina e a emoção mesmo sendo ensaio. Trabalho bom e perfeito, todos setores sincronizados, caminhando no rumo certo”, explicou o intérprete.

Evolução

gavioes 2ET2019 15Com um andamento bom, sem acelerações, clarões ou impressão de parada militar. O componente brincou. Vale destacar o momento do samba em que todos abrem os braços e vão para um lado e para o outro como se fossem gaviões. A diretora de harmonia, Regina Dercoli, pontuou que ainda há coisa para melhorar.

“Eu sou muito crítica, tem bastante coisa para melhorar, mas no próximo ficará 100%”.

Bateria

gavioes 2ET2019 7gavioes 2ET2019 18Mestre Ciro estava ao lado de Sabrina Sato. Ela que trajava uma fantasia prata esbanjando simpatia, e ele que estava com o rosto pintado de branco e preto como todos da bateria e alguns componentes da harmonia. A bateria teve um bom andamento e fez bonito no Anhembi, com um apagão na parte do samba “Vou, vou pra Bahia Acende a chama No terreiro de iá iá é a força da magia que me arrepia e se espalha pelo ar.”

gavioes 2ET2019 6“Estamos satisfeitos. É emocionante trazer essa reedição, passando por tudo que estamos passando, estou muito satisfeito, acho que esse ano vem coisa boa para Gaviões. O significado do nosso rosto pintado de preto e branco é que nossa raiz é da arquibancada, e o que a arquibancada faz, nós repetimos aqui também na avenida e é com a raça corinthiana que a gente vai em busca do título”.

A escola de samba Gaviões da Fiel aposta na reedição do carnaval de 1994, que traz o enredo: “A Saliva do Santo e o Veneno da Serpente”. A agremiação encerra a noite de desfiles de sábado.

Com boa condução do carro de som, Águia de Ouro oscila em sua harmonia no ensaio técnico

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Por Fiel Matola

aguia 2ET2019 9Com um samba cadenciado e bem cantado pelo carro de som, a comunidade da Pompéia
pintou de azul, verde e amarelo o Anhembi na noite de sábado. Com uma hora e dez de
duração, a evolução e a bateria foram pontos positivos para a escola, já a harmonia oscilou
bastante no segundo ensaio. Às 20h10, Tinga e Douglinhas iniciaram o esquenta da escola, com sambas antigos, música do Tim Maia e o samba exaltação. O presidente Sidnei, pediu força e garra aos componentes. Ele disse ao site CARNAVALESCO que queria mostrar através do carnaval que o brasileiro é forte, mas que a festa está aí para ser brincada.

aguia 2ET2019 14“O momento para nosso enredo é propício, é um momento de reflexão para o povo brasileiro, um momento de olhar para trás e não permiti que se repitam as coisas ruins. O foco do nosso enredo é esse, olhar para o passado e ver que há mais de 500 anos se faz o que vem acontecendo nos últimos anos e que o povo foi para rua para dizer basta. Carnaval é magia e no momento estamos planejando tudo para proporcionar um bom espetáculo para todos e que o brasileiro se identifique com o nosso carnaval, porém, carnaval é alegria e a festa está aí para ser brincada”, disse o dirigente.

Comissão de Frente

aguia 2ET2019 13

Os componentes da Comissão de Frente apresentaram coreografia dentro do samba, metade deles vieram vestidos de branco e a outra metade de preto, demonstrando uma luta, que seria do bem contra o mal. Perguntado sobre o que a escola iria trazer em sua comissão, a coreógrafa antecipou ao site um pouco do que ela trará.

“A Comissão de Frente trará a garra do brasileiro, quando a gente não quer ser dominado e nós não queremos ser explorados, seja pelos portugueses que nos colonizaram ou pelos políticos que nos dominam hoje em dia”, disse Cris Rabelo.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

aguia 2ET2019 1João Camargo e Ana Paula Reis ensaiaram com um bailado bonito e solto, o casal trouxe para o Anhembi a leveza da porta-bandeira e o olhar do mestre-sala para com ela. Com passos sincronizados e apresentação do pavilhão, a porta-bandeira teve que lutar contra o vento, que pelo menos nas primeiras torres de julgamento deram trabalho para ela, fazendo com que fizesse força para não deixar a bandeira enrolar.

aguia 2ET2019 6“Isso é uma luta que trabalhamos o ano inteiro, por isso, tem os ensaios, nós viemos já esperando esses ventos que entram justamente no meio da torre. Mas, graças a Deus a gente vem com destreza. Porta-bandeira tem que ser guerreira”, comentou Ana
Paula.

Perguntado sobre o balanço do ensaio, o mestre-sala disse que foi positivo: “Sempre positivo com muita sinergia, com muita tranquilidade e maturidade, um trabalho coeso que a gente vem trabalhando há bastante tempo, e o mais importante é que estarmos com o grupo em sintonia, termos movimentos ordenados, sincronismo e bastante entrosamento no olhar”.

Harmonia e Samba

aguia 2ET2019 14A escola teve oscilações em sua Harmonia. O início não foi tão forte como a parte central
da escola próximo à bateria. De qualquer forma, o Águia de Ouro vem com um carro de som para ninguém botar defeito, Tinga e Douglinhas deram show na condução do bom samba de 2019. A obra que é dolente e mais cadenciada, pedia da comunidade da Pompéia
emoção, esta que veio em algumas partes, como no “apagão” da bateria, momento em que a bateria para e ouve-se o canto do componente. Douglinhas disse que o ensaio deste sábado foi melhor do que o da semana anterior e Tinga pontuou que o trabalho deve ser feito a cada dia.

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“Só temos que melhorar cada vez mais, vamos com gás para o carnaval. A gente continuará trabalhando com nossa comunidade, dia a dia, para quando chegar no desfile estarmos bem. Segura que eu quero vê”, finalizou Tinga.

Evolução

aguia 2ET2019 5O presidente no início do ensaio apontou que desejava que os componentes viessem mais soltos. E foi o que ocorreu, o componente dançou o samba e estava livre, sem problemas de buracos ou correrias. A escola passou bem tranquila. Vale ressaltar que pode-se notar uma quantidade grande de componentes, deixando claro que a escola é sim de Grupo Especial. Alan, diretor de harmonia fez o balanço do ensaio.

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“O primeiro foi bom, hoje tivemos um trabalho de deixar um pouco mais solto o componente. Então, o que a gente queria a gente conquistou, temos mais uns acertos a fazer, mas, até o desfile estaremos perfeitos”, assegurou.

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Bateria

aguia 2ET2019 7Com bossas arrojadas e dentro do samba, mestre Juca ousou em sua bateria. Pode-se notar uma pausa da bateria em uma parte do samba, ouvindo somente o canto do componente.

Perguntado sobre o rendimento no ensaio, o mestre que em todo momento expressava tranquilidade com sua bateria foi rápido.

“Muito bom, a escola passou tranquila com o andamento que nós pedimos, daqui até o desfile, teremos alguns ajustes. Temos mais um ensaio técnico para nós ajustarmos e vamos que vamos”.

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A Águia de Ouro será a primeira escola a desfilar no sábado de carnaval pelo Grupo Especial da Liga SP. A azul e branca apresenta na avenida o enredo “Brasil, Eu Quero Falar de Você!”. Laíla, Fran Sérgio, Sérgio Caputto Gall e Beth Trindade formam a comissão de carnaval da escola.

De volta ao Salgueiro, Sidclei e Marcella trocaram o figurino do desfile para o Carnaval 2019

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sidclei marcella alves 5O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira do Salgueiro, Sidclei Santos e Marcella Alves, foram reapresentados à comunidade na madrugada deste sábado no ensaio da Academia do Samba, no Andaraí, Zona Norte do Rio de Janeiro. A dupla estava afastada desde que deixou a escola por um desentendimento com a ex-presidente Regina Celi e mesmo com a vitória de André Vaz, precisaram esperar a recuperação da porta-bandeira, que deu à luz à pequena Maria Rita há cerca de dois meses.

sidclei marcella alves 6Sidclei e Marcella revelaram à reportagem do CARNAVALESCO uma importante decisão nos bastidores da agremiação. Pediram e foram atendidos pelo carnavalesco Alex de Souza para fazer outra roupa, completamente daquela que seria usada por Jaqueline e Vinicius Pessanha.

sidclei marcella alves 4“Fizemos esse pedido tanto à direção, quanto ao carnavalesco Alex de Souza. Fomos prontamente atendidos. O Alex até brincou dizendo ter gostado mais dessa segunda versão que criou. O figurino é bastante tradicional e o antigo não era. Nós gostamos mais assim, pois a indumentária do casal faz parte da nota. A roupa já está pronta e já fizemos alguns ensaios com ela no ateliê”, afirmou a porta-bandeira Marcella.

O companheiro de Marcella foi bastante elogiado pelo presidente André Vaz, por ter cuidado da parceira todo o tempo que ficaram de fora. Ao CARNAVALESCO, o dançarino revelou que o ritmo de ensaios só foi interrompido para Marcella dar a luz e cuidar do bebê nas primeiras semanas.

sidclei marcella alves 1“Nunca paramos de ensaiar. Quem conhece a Marcella sabe o quanto ela é profissional. É uma atleta mesmo. Nem parece que teve filho né? Enquanto aguardávamos a definição da política na escola, seguimos o ritmo normal de ensaios, pois sabíamos que se não fosse dessa forma não conseguiríamos atingir o padrão ideal para o desfile”, explicou Sidclei.

O presidente André Vaz subiu ao palco para falar da dupla e disse que todos os salgueirenses estão felizes com o regresso de Sidclei e Marcella.

“É um momento de muita felicidade para todos nós. Estávamos bastante ansiosos pelo retorno do Sidclei e da Marcella. Eu admiro bastante os dois, pela perseverança que tiveram. O Sidclei não abandonou a Marcella em nenhum momento. Cuidou mesmo dela, isso me faz admirá-lo ainda mais”, derreteu-se André.

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sidclei marcella alves 3A ex-porta-bandeira do Salgueiro, Rita Freitas participou da homenagem ao casal e ficou muito emocionada no palco ao falar sobre a dupla. À reportagem do CARNAVALESCO, Marcella revelou que nunca duvidou que voltaria para o posto de porta-bandeira do Salgueiro.

“Sempre tive fé e acreditei. Deus sempre esteve ao meu lado, jamais me faltou. Por isso tive a serenidade necessária para aguardar o momento de voltar. Estou com meus dois amores no coração: a minha Maria Rita e o meu pavilhão do Salgueiro. Engordei 10 quilos na gravidez e já perdi 12. Minha filha é calma, puxou ao pai. Não nego que é cansativo, mas por outro lado é o maior amor do mundo. Como ainda estou de licença das aulas como personal, estou conseguindo conciliar legal com os ensaios”, finaliza.

Fim da espera! Sambódromo recebe a volta dos ensaios técnicos com Vila Isabel, Mocidade e Tijuca

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    abre ensaiotecnico2019O programa mais amado por todo sambista está de volta depois de um longo, doloroso e arrastado inverno. Neste domingo os ensaios técnicos, criação do carnaval carioca, voltam a acontecer na Avenida Marquês de Sapucaí, no Sambódromo. Três escolas brindam o público com suas prévias dos que estão preparando para o desfile oficial. Unidos de Vila Isabel, Mocidade Independente de Padre Miguel e Unidos da Tijuca inauguram o calendário da temporada 2019. O início da festa está prevista para às 20h deste domingo. A entrada é totalmente gratuita.

    guaracap

    vila cd2019 27Para o diretor de carnaval da Unidos de Vila Isabel, Wilsinho Alves, o objetivo da azul e branca do bairro de Noel é manter na Marquês de Sapucaí o rendimento do chão da escola nos ensaios de rua realizados no bairro toda quinta-feira.

    “A expectativa é que a Vila siga fazendo o que vem sendo feito em nossos ensaios na 28 de Setembro. O samba tem funcionado de maneira espetacular. O canto e a evolução da comunidade estão da maneira que conhecemos. O mais importante é que desfilemos de maneira compacta e organizada, como será necessário no nosso desfile”, disse.

    rua mocidade ensaio2019 1O diretor de carnaval da Mocidade, Marquinho Marino, avalia que o ensaio técnico da escola servirá para a manutenção do trabalho técnico desenvolvido pela agremiação nos últimos anos e que eventuais problemas não desnortearão a sequência do que vem sendo realizado.

    “A expectativa é manter o nível do que já estamos fazendo há três anos. Muita técnica e canto. Acho que o principal é atender a vontade dos componentes e do povão que querem ver suas escolas mais de perto. A escola já está super preparada para o desfile e esse ensaio técnico não mudará em nada o nosso planejamento”, disse Marino à reportagem do CARNAVALESCO.

    tijuca final2019 125Acostumada a deixar a Marquês de Sapucaí com ótimas impressões em seus ensaios técnicos a Unidos da Tijuca pretende manter o padrão, ao menos de acordo com as declarações do diretor de harmonia, Fernando Costa.

    “A nossa expectativa é a melhor possível até porque estão todos muito ansiosos pelo fato de não ter havido ano passado. Recebemos a confirmação na quinta-feira, mas a Tijuca vai entrar com tudo para fazer o nosso ensaio. Nossa comunidade vai chegar junto e se Deus quiser faremos um ensaio grandioso”.

    SERVIÇO:

    Ensaios Técnicos no Sambódromo
    Vila Isabel, Mocidade e Unidos da Tijuca
    Horário: a partir das 20h
    Entrada Franca

    Como chegar: As estações de metrô Central do Brasil e Praça Onze atendem ao Sambódromo. Além disso, linhas de ônibus municipais e intermunicipais circulam na Avenida Presidente Vargas, na altura da Marquês de Sapucaí.

    Professora Rosa Magalhães enaltece homenagem em exposição: ‘É fruto de dedicação, não é amadorística’

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    exposicao rosa 3Professora, artista plástica, cenógrafa e figurinista, essas são algumas das outras profissões da consagrada carnavalesca Rosa Magalhães, que é homenageada na exposição “Uma Delirante celebração carnavalesca: o legado de Rosa Magalhães”, no Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica, no Centro do Rio de Janeiro.

    A exposição conta com peças do acervo e um pouco da trajetória de Rosa nas escolas de samba por onde passou, mostrando principalmente a singularidade artística da carnavalesca. O curador Leonardo Antan conta como surgiu a ideia de homenagear Rosa Magalhães em forma de exposição.

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    exposicao rosa 4“Eu já trabalho no carnaval, tenho um projeto chamado Carnavalize, já fizemos pequenas exposições que duraram um dia e contaram com a Rosa. Nessas exposições homenageamos o Fernando Pinto e o Arlindo Rodrigues. A partir daí e eu vi a necessidade de crescer esse projeto. Veio o nome da Rosa, por ser uma pessoa viva e em atividade. A exposição está dentro desse projeto, de abraçar o carnaval em outras instituições e vertentes, levar o carnaval para outras circulações”, explicou.

    O curador afirma que a exposição é uma homenagem em forma de leitura poética.

    “A exposição promove uma releitura sobre o universo. É uma grande obra em homenagem a Rosa, não é uma exposição memorial ou que tenta produzir a carreira da Rosa linearmente. É uma homenagem em forma de leitura poética sobre o universo da Rosa” complementou o Leonardo Antan.

    exposicao rosa 6Com peças exclusivas feitas especialmente para a exposição, Antan diz que convidou artistas contemporâneos e carnavalescos para fazerem parte dessa produção. Segundo ele, o intuito foi fazer o contraponto dos trabalhos de Rosa e o conceito artístico protagonizado pela carnavalesca.

    A artista plástica Colombiana, Maria Andreia, contou como recebeu esse convite e afirmou mesmo sendo de outra nacionalidade, conhecer o trabalho de Rosa Magalhães.

    rosa expo 1

    “Eu trabalho principalmente com pintura. Recebi o convite do Leonardo, ele achou pertinente essa conversa entre coisas que eu pinto e o trabalho da Rosa, que tem muito a ver com o imaginário de universos exóticos, indígenas. O nome do meu trabalho é Diego el Diablo?. Me sinto muito honrada de fazer parte dessa homenagem”.

    exposicao rosa 2O carnavalesco Jorge Silveira, atualmente na São Clemente, revelou como surgiu a ideia de fazer uma leitura relativa ao trabalho de Rosa Magalhães.

    “Coube a mim fazer um brincadeira com o aspecto indianista do trabalho dela. Me remeti ao desfile dela de 1994 na Imperatriz, que ficou icônico com a comissão de frente dos leques. Me inspirei na última alegoria daquele carnaval, que trazia uma biblioteca abraçada pela floresta. Fiz uma estante abraçada pela mata em homenagem a ela. A Rosa é um ícone de todos nós, ela é imortal para o carnaval”, declarou o carnavalesco da São Clemente, que contou como estreitou sua relação com a homenageada.

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    “Eu tenho uma história pessoal com ela, a substitui em dois momentos, uma no carnaval de São Paulo, que ela fez a Dragões da Real e depois na São Clemente, que ela me antecedeu. Tenho uma relação de carinho muito grande com ela, é uma honra homenageá-la e uma honra maior ainda é ver que ela está produzindo o carnaval”.

    exposicao rosa 1O também carnavalesco Jack Vasconcelos, responsável pelo Paraíso do Tuiuti, afirmou que resolveu estudar na Escola de Belas Artes quando descobriu que Rosa Magalhães era professora de lá e falou sobre a influência que a carnavalesca tem em sua carreira.

    “As pessoas sabem do meu histórico com a minha mãe na Imperatriz. Ela foi baiana da escola, hoje em dia é da Velha Guarda. É a escola que eu desfilei na minha adolescência, nesses enredos da Rosa. O Leonardo Antan percebeu essa influência do trabalho da Rosa no meu jeito de fazer carnaval, e ele está corretíssimo, a Rosa pra mim é minha referência profissional. A minha referência artística é a Rosa Magalhães”, afirmou Jack.

    exposicao rosa 14O carnavalesco do Paraíso da Tuiuti relatou também sobre sua peça na exposição.

    “Eu fiquei muito feliz, inclusive, quando ele falou do carnaval do Jegue (Imperatriz 1995), que pra mim é uma das obras primas da Rosa. Esse humor e essa ironia que ela tem nos enredos, era muito latente no jegue, e está muito presente no meu trabalho. Tem tudo a ver com peça, remete também ao carnaval deste ano que eu estou falando de um Bode do Ceará. É um sonho poder realizar isso”.

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    É claro que a anfitriã do evento não poderia faltar. Rosa Magalhães autografou livros e contou a emoção que é ter uma exposição em sua homenagem.

    exposicao rosa 7“A exposição está muito bonita, gostei muito, o lugar também é lindo, esse prédio é muito bonito. É o fruto de dedicação, porque deve ter sido muito difícil trazer as coisas pra cá, colecionar todas essas coisas, numa época confusa. Época de carnaval sempre é assim, com esse tempo que não sabe se chove ou se faz calor e no meio disso tudo, ele (curador Leonardo Antan) e a equipe conseguiram fazer um trabalho muito bonito. A qualidade das obras que estão aí, não é uma coisa amadorística e colegial, é uma coisa séria e muito bonita”, disse Rosa Magalhães.

    exposicao rosa 13A atual carnavalesca da Portela relatou também como está sendo a preparação do Carnaval 2019.

    “Está uma dificuldade muito grande, o carnaval está sofrendo. Por enquanto, o carnaval da Rosa Magalhães em 2019 é uma incógnita, estamos esperando essa verba que não sai nunca”, lamentou Rosa.

     

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    Barracões: Vizinha Faladeira vai mostrar em seu desfile na Série B a face mais sofrida do Nordeste

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    Por Lucas Santos

    Diante de um cenário de dificuldades que vem assombrando a praticamente todas as
    escolas de samba do Grupo de Acesso, ainda sem receber subvenção da Prefeitura do Rio
    há menos de um mês para o carnaval, a Vizinha Faladeira dribla os obstáculos com
    criatividade e empenho de seus componentes. Ao chegar ao barracão da escola, onde
    era a antiga quadra da comunidade, que fica próximo à Cidade do Samba, a reportagem do CARNAVALESCO encontrou o próprio carnavalesco da agremiação, Jean Rodrigues, e o presidente David dos Santos botando a “mão na massa” e trabalhando em uma das alegorias que a azul, vermelha e branca do Santo Cristo vai levar para a Intendente Magalhães no dia 5 de março, terça-feira de carnaval.

    barracao vizinha2019 3“Estou com as mãos sujas de tintas. Eu sou pintor de arte. Antes de ser carnavalesco era pintor de arte. Aqui se descobriu essa força. Sou carnavalesco, funcionário, pintor, carpinteiro, faço o desenvolvimento do enredo, desenho. Se não for dessa forma, as escolas do Grupo B pra baixo e até da Série A, inclusive, não tem carnaval. Tem que ser dessa forma. Mas é na dificuldade que se descobre o potencial de cada componente, que se reage. A única saída é essa para conseguir botar o carnaval”, explica Jean Rodrigues.

    Apesar da crise, a escola está otimista pelo trabalho e enredo desenvolvidos. A ideia de contar o Nordeste de uma forma realista veio do próprio carnavalesco enquanto ele lia artigos sobre a criação da antiga Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), criada em 1959, durante o governo Juscelino Kubitschek, a partir da percepção de que com o processo de industrialização do país, crescia a diferença social e econômica entre a região e o Centro-Sul do Brasil.

    barracao vizinha2019 2Jean, em sua pesquisa, mergulhou fundo no conhecimento de projetos desenvolvidos pelo poder público que não deram certo no Nordeste como a transposição do rio São Francisco, que até hoje segue incompleta. ‘De Catulo a Lampião, Bem vindo a terra do cão’ vai mostrar a região de uma forma que, segundo Jean, é pouco abordada no carnaval, em seu aspecto dramático e sofrido.

    “A gente falar do nordeste com bonequinho e sanfoninha, não. É o Nordeste como ele
    é na verdade. Lendo sobre a extinta Sudene, vi toda a tragédia que aconteceu com aquele povo. O enredo ‘De Catulo a Lampião, Bem vindo a terra do cão’ quer dizer exatamente isso. É a terra do Cão. É um tema dramático, adaptado para o carnaval”, garante.

    Jean tomou como fio condutor o poema dramático “Morte e Vida Severina”, de João
    Cabral de Melo Neto, que narra a dura trajetória de Severino, uma migrante sertanejo
    (retirante) em busca de uma vida mais favorável na capital pernambucana. Como na
    poesia e também na música de Chico Buarque de mesmo nome, em homenagem a
    obra, a Vizinha vai mostrar em seu desfile este sofrimento de uma forma dramatizada
    e carnavalizada, mas apresentando ao mesmo tempo a força do povo nordestino para
    transformar labuta e tristeza em arte, música, artesanato.

    barracao vizinha2019 4 1“O nosso grande trunfo é o conjunto da obra que vai ser apresentado na Avenida. Mostrar esse nordeste sofrido através da sua cultura com obras como “O Auto da Compadecida”, “A Face do Cão”, representando aqueles que enriquecem através da indústria da seca. O ponto alto é mostrar que o mal ainda está no nordeste como no caso dos grandes coronéis mas de uma forma dramatizada e carnavalizada”, aposta o carnavalesco.

    Ainda que o desfile tenha a intenção de sair um pouco da versão tradicional do Nordeste habitualmente mostrada na Avenida, alguns personagens famosos da região e da literatura deste lugar vão ser representados no desfile da Vizinha Faladeira. Na religiosidade, por exemplo, Padre Cícero será figura central para simbolizar a fé do nordestino em meio a todas as dificuldades enfrentadas no dia a dia. O humor picante do Nordeste e seus comediantes, como por exemplo, Chico Anysio, serão lembrados no último setor que vai apresentar a criatividade deste povo como fuga daquela realidade tão sofrida exposta no primeiro setor.

    Reaproveitamento de materiais e tecnologia de Parintins são trunfos da escola

    Com a parte de confecção de fantasias já finalizada, e com um bom número já entregue a componentes, a Vizinha Faladeira prioriza agora o trabalho nos dois carros alegóricos que vai levar ao desfile na terça-feira de carnaval. O presidente da agremiação, David dos Santos, adiantou para o CARNAVALESCO que o carro abre-alas virá com esculturas tendo movimento a partir de tecnologia de Parintins. O carnavalesco Jean Rodrigues confirmou que além do movimento, outras surpresas foram preparadas para o primeiro carro que vai representar a “Face do Cão”, ou seja, o mal no Nordeste, mas não quis adiantar quais truques vai usar.

    barracao vizinha2019 1Para driblar as dificuldades, tanto nas fantasias quanto nos carros, a escola tem utilizado materiais alternativos como palhas, restos de tecidos, e cacos de isopor que sobraram e foram retirados da Cidade do Samba. Jean Rodrigues acredita que a crise econômica foi combustível para aflorar o senso de criatividade e a sua visão de artista.

    “Os materiais que vamos usar conseguem dar plástica ao trabalho. A plástica é uma execução do que você tem a sua volta, no seu entorno. Se nós tivéssemos hoje dinheiro a vontade, talvez, não saísse nem tão bom. Porque é na plástica que você formata o espetáculo, a sua alegoria. E quando você não tem materiais a disposição, por incrível que pareça, aparecem coisas fantásticas, aparecem coisas maravilhosas”, assegura.

    A Vizinha Faladeira será a sétima escola a desfilar na terça-feira de carnaval na Intendente Magalhães.

    Entenda o desfile

    A Vizinha vai levar para a Intendente em 2019 cerca de 500 componentes, e duas
    alegorias.  O carnavalesco da escola ajudou um pouco a elucidar como está dividido o
    desfile.

    barracao vizinha2019 6Setor 1 – O Nordeste Dramático
    O primeiro setor vai mostrar o sofrimento que o nordestino tem passado em decorrência dos fracassos do Poder Público para resolver seus sofrimentos. Neste
    setor será apresentada a seca, a influência dos grandes coronéis, citando que até hoje este tipo de poder continua agindo na Região, e a obra “Morte e Vida Severina” de
    João Cabral de Melo Neto.

    Setor 2 – A religiosidade do Nordeste
    O segundo setor vai mostrar a ligação entre o nordestino e a religião que é fortalecida
    como resultado do sofrimento apresentado no primeiro setor. Nesta parte do desfile, a
    escola vai trazer algumas figuras importantes da Região como o Padre Cícero e a obra
    “O Auto da Compadecida” de Ariano Suassuna. No segundo carro, Nossa Senhora, a
    compadecida, personagem central da obra de Suassuna, virá em um andor
    representando a fé do povo nordestino.

    barracao vizinha2019 5Setor 3 – A criatividade do nordestino
    Jean vai encerrar o desfile mostrando que apesar de tantas dificuldades o povo da
    Região Nordeste em geral transforma suas dores em música, poesia, artesanato,
    humor e lendas. Nesta parte do desfile será lembrado algumas obras como o “Coronel
    e o Lobisomem” de José Cândido de Carvalho e o trabalhos realizados em literatura de cordel, além dos grandes humoristas do Nordeste e músicas como “Bicho de Sete Cabeças” de Geraldo Azevedo.

    Preparada para encarar o Especial, harmonia da Viradouro ensaia forte e está afiada para missão de 2019

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    Os desafios que são apresentados quando uma escola vence a Série A e no ano seguinte desfila no Grupo Especial são inúmeros. Um dos principais é conseguir elevar o padrão de desfile, já que a elite do carnaval apresenta uma exibição extremamente competitiva e forte. É por isso que a harmonia da Viradouro antecipou ao máximo sua preparação para fazer com que a escola volte a desfilar no padrão que a colocou no Especial quase 20 anos ininterruptos, sendo destes oito vezes seguidas no Sábado das Campeãs.

    A harmonia da vermelha e branca de Niterói está sob o comando da dupla Mauro Amorim e Washington Jorge. Eles conversaram com a reportagem do CARNAVALESCO sobre o principal desafio do trabalho, que é a mudança de padrão da Série A para o Especial.

    harmonia viradouro“Muda quase tudo, a Série A é um aprendizado muito importante, mas o carnaval do Grupo Especial é gigantesco, temos o dobro de componentes, saímos de 22 alas para 30, a forma de julgamento será diferente esse ano, temos que nos adaptar durante os ensaios e chegarmos no desfile muito preparados. Escolhemos o samba no dia 29 de setembro de 2018 e começamos os ensaios de canto uma semana depois. Iniciamos bem antes essa preparação da comunidade para o nosso carnaval”, opina Mauro Amorim. (foto: Leandro Lucas)

    “Sempre que uma escola ascende ao Grupo Especial, onde a competição é sem dúvida maior, a ideia de preparação tem que ser maior visando o não retorno à Série A. Toda uma produção acontece, por exemplo, a contratação de novos profissionais, a escolha do melhor enredo, e etc. Principalmente os enormes orçamentos que são necessários. Sem dúvida, sem eles, nada acontece”, complementa Washington.

    Mauro Amorim enaltece os ensaios de rua da Viradouro na Amaral Peixoto, no Centro de Niterói, reproduzindo ao máximo o que acontece no Sambódromo.

    viradouro ensaio rua 1811 277“Na Amaral Peixoto conseguimos reproduzir, o mais próximo possível, o que fazemos na Sapucaí. A escola nos da toda estrutura para desenvolver o melhor durante os ensaios e temos nossa torcida lotando toda semana as ruas do Centro de Niterói desde quando começamos os ensaios de rua. Esse carinho da comunidade e da torcida são muito importantes nessa fase de construção do trabalho. Os ensaios na Sapucaí se fazem muito importantes também, tendo em vista que é sempre é valido fazer um ensaio geral no palco do espetáculo, sempre tem algum ‘detalhe’ a acertar ou a melhorar. O carnaval se renova a cada ano, temos muitos novos componentes que nunca passaram ali, todo ano é uma emoção diferente entrar na Sapucaí e sentir aquela energia que só o Sambódromo tem”, avalia.

    Apontada por todos como uma das escolas a brigar pelas campeãs esse ano, contrariando o que vem sempre acontecendo com as agremiações que vem da Série A. O diretor Washington Jorge reconhece a pressão pelo bom resultado, mas afirma que o grupo de trabalho possui muita experiência.

    “Sempre existe uma pressão, mas estamos tranquilos e com os pés no chão. Temos no nosso grupo pessoas experientes já acostumadas a tudo isso, com passagem por algumas escolas, alguns como direção geral no curriculum. Temos uma direção de carnaval igualmente experiente, ou seja, uma harmonia forte, eu e Mauro sabemos do potencial do grupo que graças a Deus está muito coeso, estamos tranquilos”, adiantou.

    viradouro ensaio rua 1811 164Segunda escola a desfilar no domingo de carnaval, a Viradouro não teme a posição de desfile, segundo Mauro Amorim.

    “Estamos tão felizes nesse retorno da Viradouro ao Grupo Especial, o ‘brilho no olhar voltou’ e vamos ‘viajar ouvindo histórias’ na Sapucaí. Estamos tão focados que não da para atribuir ao horário uma ajuda ou um problema pra desfilar. Eu particularmente gostei do horário. Para o componente será menos cansativo desfilar nesse horário e possibilitará o retorno deles mais cedo aos seus lares. Temos toda uma logística antes do desfile montada, o componente terá todo suporte para chegar bem na avenida completamente focado no nosso desfile podendo cantar bem alto que o brilho no olhar voltou”, finaliza.

    Donos do Ritmo: Cria da escola, mestre Rafa segue evoluindo a qualidade da Rosas de Ouro

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    Seguindo para o seu sexto carnaval como mestre de bateria, Rafael Oliveira pode afirmar que a Sociedade Rosas de Ouro teve um papel definitivo de “escola de samba” em sua vida. Tudo começou em 1992 com o projeto “samba se aprende na escola”. Em 1997 ingressou na bateria mirim e no ano seguinte estreou na bateria principal. Permaneceu até assumir como diretor de repiques em 2010. Três anos depois foi convidado pela presidente Angelina Basílio a comandar a batucada da roseira. Por ser uma cria da agremiação, Rafa foca o seu trabalho em formar ritmistas da comunidade.

    mestre rafa1“Seria controverso se eu não criasse ritmistas dentro da escola, eu mesmo fui criado através de um projeto. Eu acho que é uma das únicas que tem bateria mirim, a gente procura a prosseguir com o trabalho, dar ênfase pra isso, é a nossa semente. Nós gostamos de ter isso, e acho que assim o samba nunca vai morrer”, defende mestre Rafa. (Fotos: Felipe Araújo)

    O nome da bateria entrega a proposta do trabalho: “Bateria com Identidade”. Mestre Rafa conseguiu um feito elogiável, não importa o quão experiente de bateria você seja, a batucada da roseira é facilmente reconhecida só pelo ouvido. Afinação, batida de caixa, BPM, desenhos do tamborim… As explicações são inúmeras, mas a qualidade do trabalho é uma realidade. Umas das razões podem ser: coragem e segurança, Rafa não tem medo de arriscar, não importa o quão polêmico aquilo seja.

    mestre rafa2A bateria tem uma presença massiva de jovens oriundos da comunidade, espalhados em todos os naipes. A afinação dos instrumentos é dada dependendo do samba escolhido para o carnaval, onde o tom cantado influencia diretamente. As caixas seguem a batida acentuada no tempo, porém com uma particularidade na mão esquerda. O naipe ainda conta com caixas de 14 polegadas, maiores e afinadas mais grave, que tem a sua batida direta dando sustentação para a bateria. Dentre as diversas particularidades encontradas na Bateria com Identidade, a ala de tamborins tem grande respeito por muitos sambistas da cidade.

    “Temos ensaios específicos sim. O nosso diretor grava os desenhos, passa os vídeos e cobra os ritmistas. Depois ele se reúne com os ritmistas que estão com mais dificuldades, repassa e no final de todo esse processo, ele faz uma peneira. Então quem passou, vai, quem não passou, não adianta chorar É poucas idéias. Não trabalhamos pra ser o melhor tamborim, a gente trabalha para que a bateria seja boa para nossa escola, parece até clichê mas é a verdade”, finaliza.

    Levando para o Sambódromo do Anhembi uma homenagem ao povo Armênio, através do enredo: “Viva Hayastan”, a Sociedade Rosas de Ouro será a 5° escola à desfilar na noite de sábado, por volta da 02h50.

    Série Barracões: Tucuruvi promete nova estética no Carnaval 2019

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    Por Matheus Mattos

    Dando sequência a série que visita os 14 barracões das escolas de samba do Grupo Especial de São Paulo, a reportagem do CARNAVALESCO conversou com o responsável pelo desenvolvimento do enredo: “Liberdade – O Canto Retumbante de um Povo Heroico”, Dione Leite da Acadêmicos do Tucuruvi.

    O carnavalesco diz que o enredo é uma ideia antiga e revela também que a proposta inicial era diferente da apresentada.

    tucuruvi barracao2019 2“O enredo surgiu pra mim na verdade no ano passado. Era uma proposta que eu tinha para Dragões, mas na época ele tinha outra conotação, não era essa de liberdade. A inspiração veio da música ‘O Canto das Três Raças”, da Clara Nunes, eu sou muito fã dela e amo essa música, e via setores muito explícitos. Por uma questão de autorização do ex-marido, o enredo não rolou na época. Quando vim pra Tucuruvi apresentei a proposta, porém mudei, continuei com a mesma estrutura, mas mantive a minha inspiração na música”.

    O enredo traz uma visão crítica do sistema nacional comparando os fatos presentes na história do Brasil. Dione conta que a similaridade dos episódios que ocorreram com os dos dias de hoje é o que mais chamou a atenção.

    tucuruvi barracao2019 3“A gente percebe em todo tempo na história do Brasil que tudo que aconteceu em 1.500 anos atrás, na invasão, até os dias de hoje acontecem. A questão da coroa portuguesa ainda acontece, a questão dos negros ainda acontece no Brasil. O povo brasileiro é um povo que vive oprimido, o opressor, que é o poder, é muito forte e isso é um ciclo. Falam que ‘ah, o índio passou por isso’, não, o índio ainda passa por isso, ele perde a casa dele pela urbanização da indústria. O negro, que sofreu tanto dentro dos cativeiros, hoje continua nos cativeiros junto com as minorias, que são as comunidades que abarcam o Brasil. A coroa que nos roubava faz pensar ‘será que a gente ainda não é roubado?!’. E o sistema atual não tem nem o que falar, ele é uma repetição de tudo isso. Esse é o propósito da Tucuruvi, um intuito de passar uma mensagem, fazer uma reflexão muito grande”.

    Nos últimos anos os temas “polêmicos” ganharam força dentro do carnaval, as agremiações estão usando os seus espaços para criticar e reivindicar. Sobre tal afirmação, Dione complementa:

    tucuruvi barracao2019 4“Carnaval é uma arte ainda do povo, uma arte que ainda se tem uma voz ativa pra crítica, então a gente tem que usar o carnaval a nosso favor. De repente parar de comercializar os nossos enredos e usá-los como uma arma direcionada ao nosso favor. A gente tentou todo tempo não fazer uma crítica pela crítica, e sim fazer uma crítica real”.

    Mesmo sendo um enredo polêmico, o próprio carnavalesco afirma que não tem
    nenhum viés político.

    “Não tomamos nenhum partido político, até porque o problema do Brasil está além de direita e esquerda, e isso é uma opinião minha, do Dione, o problema do Brasil somos nós mesmos. Tivemos uma eleição agora onde ninguém votou a favor de nada, e a gente chega num estágio que é lamentável. Então a Tucuruvi não está falando direcionada a política, claro que não da pra evitar algumas menções, mas não é o foco do enredo. Nós falamos do povo brasileiro que precisa acordar e entender que o passado é vivido no presente ”.

    tucuruvi barracao2019 5Realizando o seu primeiro carnaval na agremiação da zona norte de São Paulo, o Dione ressalta que a Tucuruvi traz um desfile de carnaval diferente dos últimos anos e conta detalhes sobre possível surpresa.

    “A gente tentou ao máximo dar uma identidade nova à Tucuruvi, uma identidade mais ousada. A Tucuruvi já é uma escola que tem na sua história enredos críticos, porém a gente faz adaptações. Trazemos alegorias vivas, se eu pudesse faria o desfile inteiro teatralizado porque eu amo isso. Pra mim o desfile de carnaval é um grande musical em andamento, então vai chamar atenção algumas alas de chão, as nossas alegorias estão bem grandes, o abre-alas é belíssimo. A grande surpresa mesmo é a ligação que queremos criar com a arquibancada, hoje cada componente da Tucuruvi tem na mão a responsabilidade de tocar alguém no desfile, e tenho certeza que a comunidade vai conseguir”.

    Incêndio fez escola passar por reconstrução

    O dia 04 de Janeiro de 2018 é um pesadelo recente para os sambistas da agremiação, isso porque o galpão de fantasias da Tucuruvi sofreu um incêndio, destruindo 75% da confecção para o desfile daquele ano. Por uma decisão da LIGA-SP, a escola não foi julgada.

    Pouco mais de um ano após a tragédia, o atual carnavalesco Dione Leite cita especulações na internet e garante que a comunidade abraçou a ideia de reconstrução.

    tucuruvi barracao2019 7“Óbvio que a escola começou a prestar atenção em algumas coisas. Até pelo contrário de que muita gente imagina, até hoje acham que foi um acidente armado. Eu não acredito que o ser humano é capaz de promover tal crueldade, vai muito além de dinheiro e a Tucuruvi vinha com um carnaval muito forte, ainda mais no ateliê onde estava 90% finalizado, não tinha o por quê. Eu cheguei na Tucuruvi e a comunidade estava com um sentimento de ‘vamos lá’, e com todos pensando assim fica mais fácil chegar aonde quer chegar. A Tucuruvi estava aberta a uma reconstrução, e todos os profissionais de arte do carnaval sabe que é importante que nos dê essa liberdade de expressão”.

    Além da nova identidade, o carnavalesco diz que os componentes estão mais
    confiantes e aguerridos.

    “A escola mudou muito. A Tucuruvi fez uma apresentação no lançamento de CD muito boa, deu um resultado muito bom, surpreendeu as pessoas que não esperavam ver a Tucuruvi daquela forma. Estou com um projeto que se chama ‘Projeto Evoluir Tucuruvi’ que se baseia nos conhecimentos neurolinguísticas e motivacional, e junto com a equipe técnica da escola conseguimos motiva-los. Hoje a gente tem uma comunidade que sabe a real função dela. Podem esperar uma escola muito emocionante”.

    Conheça o desfile

    1° SETOR – A Invasão do Pindorama

    “A gente fala sobre a invasão do pindorama. Nós tratamos a chegada dos portugueses como uma invasão, e não como uma descoberta. Nós não fomos descobertos, fomos invadidos e saqueados”.

    2° SETOR – A Negra Luta que atravessou o mar

    tucuruvi barracao2019 8“Aqui a gente trata sobre a resistência dos negros, desde a travessia né, de você ser traficado da sua terra, de muito preferirem a morte do que levado. Até ficou conhecida como ‘Travessia da morte’, onde chegariam nessa terra e sabiam que o mal já o esperavam, e não se tinha nem noção do quanto era o tamanho desse mal”.

    3° SETOR – A peso de ouro. A luta por liberdade

    tucuruvi barracao2019 9“Nesse terceiro setor tratamos dos inconfidentes como uma parte muito importante. O movimento dos inconfidentes lutavam contra o roubo da coroa portuguesa, eles vinham aqui e levavam tudo que era nosso e deixava nada. Pessoas eram vistas como cabeça de ouro por causa do garimpo, trabalhavam incansavelmente no garimpo pra tirar o ouro que não ficava aqui na colônia. Com isso surgiu os movimentos abolicionistas, onde já existe uma proposta de liberdade mais explícita. Algumas pessoas viajavam para estudar na França, e lá não existia escravidão pelas ideias iluministas. Eles traziam essas ideias pra
    cá depois de formados e por isso já vinham com a libertação na pauta. Aí se juntavam com os abolicionistas existentes e conseguiram chegar na liberdade. Mas na realidade não sabemos se fomos libertos ou não”.

    4° SETOR – Nasceu a República e a luta por direitos

    tucuruvi barracao2019 1“Nesse setor a gente já fala um pouco sobre a busca dos direitos de um povo. A proclamação da República é vista como um golpe militar na época da quebra do império. Mas para o povo era um simbolo positivista, porque era a esperança de melhorias né, afinal começava a ser implementada no Brasil uma filosofia mais democrática, e o povo viu que ele podia ir pra rua procurar os  seus direitos. Isso é quando as grandes indústrias começam a parar, as torres param de jogar fumaça porque o povo percebe que ele tem o poder, e aí conseguimos conquistar o CLT, que pro povo é uma grande conquista. Abordaremos movimentos como o tropicalista que não se deixou calar mesmo com a perseguição da ditadura, e seguiu falando o que queria. Falaremos também de um dos grandes grandes movimentos de representatividade que a gente tem no mundo que o movimento LGBT, que apesar de ser clichê é um dos maiores movimentos de vozes ativas no mundo”.

    5° SETOR – Pintei a nação e fui pra rua

    “No último setor tratamos da atualidade. A gente mostra que como o nosso sistema atual permanece, na realidade eu faço uma leitura que mostra que a gente tem voz novamente, com o impeachment do presidente Collor sabíamos que tínhamos vozes. Porém a gente se torna burro no momento que vendemos´o nosso voto, o individualismo faz com que a gente não pense no povo, e assim sucessivamente até se tornar marionetes. A gente trata da atual eleição na última alegoria onde a polarização foi o tema central de tudo isso. Somos filhos da esperança e buscamos isso diariamente, uma das únicas fontes de
    amadurecimento do Brasil é a educação”.

    Ficha Técnica
    5 alegorias
    22 alas
    2.800 componentes
    3 tripés

    História do carnavalesco Dione Leite

    “Comecei no carnaval faz muito tempo. Eu passei por comissão de frente, diretor, coreógrafo, tudo isso lá no Sul do Brasil. Eu sou gaúcho da cidade de Pelotas, toda a minha criação no carnaval é de lá. Até que em 2006 eu decidi me aventurar em São Paulo e viver um pouco do carnaval daqui. A paixão cada vez mais foi aumentando, fui me profissionalizando e aqui consegui entender mais como tudo funciona e isso me deixou deslumbrado. Já são 12 anos de estradas. Me afastei do carnaval, fiquei um pouco desiludido e comecei a trabalhar em um ateliê. A dona pediu pra que eu costurasse uma fantasia pra ela porque ela iria desfilar no Rosas de Ouro, ai eu pensei ‘poxa, como o carnaval me persegue’ né. O ateliê fechou e eu abri um próprio, onde acabei realizando um trabalho pra Dragões da Real e para Mocidade Alegre. Quando acabou o carnaval o presidente Tomate da Dragões me chamou pra conversar e pediu pra que eu fosse o auxiliar da Rosa Magalhães daquele ano. De lá pra cá foram 5 belos carnavais, ao sair da Dragões, a Acadêmicos do Tucuruvi entrou em contato comigo, e outras duas agremiações também. Mas optei pela Tucuruvi porque é uma escola que tinha acabado de passar pelo incêndio, tinha todo um processo de reconstrução, e é muito bom quando você está em um lugar onde as pessoas querem essa mudança”.